Paulo e a médium de Filipos

Autor: Daniel Salomão Silva

Destacando contribuições da obra psicográfica de Francisco Cândido Xavier, temos apresentado em alguns textos desta revista análises comparadas de conclusões da pesquisa bíblica acadêmica com informações mediúnicas.[i] Entendemos que dessa união pode surgir uma compreensão mais profunda e madura dos episódios e ensinamentos do Evangelho.

Como também apontamos em outro momento,[ii] o próprio Codificador, após ter contato com as psicografias “históricas” de Ermance Dufaux, afirmou que “as comunicações espíritas podem esclarecer-nos sobre a História, desde que nos saibamos colocar em condições favoráveis”.[iii] Nessa mesma direção, a obra Paulo e Estêvão é material riquíssimo de informações, que, com todo o cuidado que as obras mediúnicas merecem, e em diálogo com as conclusões acadêmicas a partir dos textos bíblicos, pode nos aproximar das impressões dos primeiros cristãos.

O cuidado com anacronismos, ou seja, com a aplicação de ideias ou sentimentos de uma época a outra, quando talvez eles ainda nem existissem, é outra questão que temos destacado. É observável entre religiosos, mesmo espíritas, a compreensão de que os primeiros cristãos pensavam e agiam religiosamente como eles agem atualmente, com as mesmas crenças e conhecimentos. Contudo, não temos acesso ao que exatamente os primeiros cristãos conheciam sobre mediunidade, plano espiritual, entre outros conceitos, ainda que percebamos fortes semelhanças com o pensamento espírita. Nesse sentido, observar a forma como descreviam suas experiências anímicas ou mediúnicas pode nos prevenir de tirar conclusões precipitadas ou mesmo de defender, de forma equivocada, posições espíritas a partir dos textos bíblicos.[iv] O episódio que destacamos aqui é um bom exercício dessa proposta e pode enriquecer nossa visão sobre como Paulo de Tarso compreendia o fenômeno mediúnico.

Em sua segunda viagem missionária, o Apóstolo dos Gentios, durante sua permanência na cidade de Filipos, antiga colônia romana de grande importância cultural e política,[v] teve que lidar com interessante situação:

Certo dia, quando íamos para a oração, veio ao nosso encontro uma jovem escrava que tinha um espírito de adivinhação; ela obtinha para seus amos muito lucro, por seus oráculos. Começou a seguir-nos, a Paulo e a nós, clamando: “Estes homens são servos do Deus altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação”. Isto ela o fez por vários dias. (Atos, 16:16-18).

Na apresentação desse episódio em Paulo e Estêvão, Emmanuel é bem fiel ao texto bíblico, mas enriquece-o com outros detalhes. Ainda que a expressão “escrava”, presente no trecho bíblico, não apareça no texto mediúnico, o autor espiritual parece indicar essa relação ao denunciar a presença de “patrões” que controlavam a médium[vi] (observe que no texto de Atos a tradução da Bíblia de Jerusalém escolhe a palavra semelhante “amos” para o termo grego kyriois, em geral traduzido por “senhores”). Ademais, no mundo mediterrâneo greco-romano da Antiguidade, que incluía a cidade de Filipos e sua redondeza, era comum a presença de escravos, integrados “em todos os níveis da economia”, o que demandava deles certa instrução e reservava-lhes certa autonomia, situação confortável se comparada ao brutal modelo moderno de escravidão.[vii] Entre eles encontramos engenheiros, médicos, poetas e, como no caso em questão, até mesmo médiuns. Como aponta Emmanuel, “estimulados pelo ganho fácil, os patrões haviam instalado um gabinete onde a pitonisa atendia às consultas”, altamente rendosas.[viii]

Ainda na descrição da médium, o autor espiritual, ao denominá-la “pitonisa”, relaciona-a à tradição oracular de Delfos, onde a comunicação mediúnica era tida por “oráculo infalível”. Mesmo que Delfos não seja mencionado diretamente em Atos, a expressão “espírito de adivinhação” (pneuma pythôna no original grego, ou seja, espírito pitônico) é referência direta a essa tradição grega. O contato de Paulo com a médium filipense, em verdade, representa o primeiro encontro, ou pelo menos o único registrado no Novo Testamento, “entre os apóstolos e a representante local de um fenômeno cultural grego reconhecido e venerado: o espírito de adivinhação de Apolo Pitônico”.[ix]

Métodos de adivinhação foram muito importantes na Antiguidade, incluindo as religiosidades grega e judaica. Por sonhos, lançamento de sorte, observação dos astros e da natureza ou, como no nosso caso, por consulta a um oráculo, o povo e as lideranças políticas buscavam orientação para os mais diversos assuntos, dos mais frívolos a decisões imperiais. O que caracterizava um oráculo (do latim oraculum, cuja raiz, os/oris é “boca”, e que traduz termos bíblicos gregos e hebraicos referentes a revelações divinas), em geral, era a consulta a uma divindade ou a um Espírito através de um intermediário humano, por meio de perguntas respondidas às vezes enigmaticamente, imediatamente ou após certo intervalo de tempo.[x]

O mais famoso deles foi o de Delfos, na Grécia, cujo deus responsável, nas crenças gregas, era Apolo. A partir de vapores que subiam das profundezas da terra por uma fenda, uma mulher, a pítia ou pitonisa, sentada sobre uma trípode, entrava em transe, quando então recebia suas inspirações.[xi] Essa função, entendida como muito honrosa, foi exclusivamente ocupada por mulheres, preferencialmente com pouca cultura e sem eloquência, o que, no entendimento da época, ressaltava a atuação da divindade.[xii] Seu apogeu se deu entre os séculos VII e IV a.C., mas, mesmo que ainda presentes, já no século I d.C. Delfos e outros oráculos começaram a diminuir em seriedade e importância, até serem praticamente extintos com a adoção do Cristianismo como religião imperial. Delfos, por exemplo, se tornou paulatinamente um ponto turístico. O próprio historiador e ex-sacerdote desse oráculo, Plutarco (46 – 120 d.C.), chegou a lamentar que lá “muitos pedidos de oráculos eram motivados por frivolidade, curiosidade ou interesses ignóbeis e egoístas”,[xiii] o que justificava sua decadência.

Contudo, a médium de Filipos só pode ser associada à pitonisa de Delfos por analogia. Nada indica que tenha ocupado essa função em algum momento ou mesmo que tenha sido instruída nessa direção. Em verdade, sua condição de escrava é indício de uma origem bem modesta, não de uma família de destaque, como se esperaria no famoso oráculo grego. Outras diferenças podem ser apontadas: diante de Paulo, a médium se expressou espontaneamente, enquanto que, em Delfos, teria sido provocada por questões dos consulentes.[xiv] Além disso, não há notícia de vapores envolvidos em seu transe mediúnico, nem de sacerdotes que interpretassem ou transmitissem suas comunicações e, por fim, nenhuma divindade identificada como fonte da inspiração. De qualquer forma, associá-la à tradição de Delfos nos traz importantes pistas sobre o que de fato ocorreu.

Em uma cidade de minoria judaica,[xv] Paulo estava lidando com tradições religiosas diferentes daquelas com que estava familiarizado. Natural é que tentasse entendê-las a partir de suas categorias judaicas familiares ou das tradições gregas que conhecia. O grego Lucas, redator dos Atos, e que não estava presente em Filipos durante o episódio (Atos, 16:25),[xvi] possivelmente fez seus registros a partir das descrições de Paulo e seus companheiros. Nesse sentido, interessante são as expressões usadas pela médium. Ao mencionar o “Deus Altíssimo”, tanto poderia estar se referindo a Zeus quanto ao Deus dos judeus, visto que essa expressão também foi encontrada em inscrições votivas direcionadas à divindade grega. Também ao mencionar “caminho da salvação”, uma expressão aparentemente cristã, a jovem poderia estar se referindo a tradições gregas.[xvii] Logo, não é possível saber se o autor de Atos “traduziu” a fala da médium em termos cristãos ou se foi fiel às expressões originais. Afinal, não seria interessante para a divulgação da mensagem cristã enquadrá-la formalmente em categorias aplicáveis à filosofia e aos mistérios gregos? Ou, ao contrário, fazer isso não diminuiria a especialidade da proposta cristã trazida por Paulo em um mar de outras tradições? Quanto a isso, ainda estamos sem resposta. Todavia, em uma segunda fala da médium, registrada apenas em Paulo e Estêvão, Paulo e Silas são chamados também de “mensageiros da redenção” e “anjos do Altíssimo”, expressões de cunho mais judaico.[xviii]

Antes do contato com esse “padrão grego” de mediunidade, Paulo conhecia fenômenos semelhantes, como as profecias judaicas, os processos de libertação dos endemoninhados descritos nos Evangelhos e as manifestações do “Espírito Santo” entre as primeiras comunidades cristãs, modelos que podemos comparar com o episódio de nossa análise. Quanto às primeiras, nem sempre estavam tão distantes da prática oracular grega. Também na tradição judaica podemos destacar a consulta do rei Saul ao profeta Samuel, já morto, através de uma médium em Endor (1 Samuel, 28)[xix] e a consulta do rei Acab ao “Senhor” através do profeta Miqueias (2 Crônicas, 18), entre outras práticas semelhantes.

Interessante é que, mesmo nas ocasiões em que a consulta aos Espíritos ou a divindades foi condenada, a veracidade do fenômeno não foi negada pelos judeus. Por exemplo, uma releitura do citado episódio da consulta de Saul à pitonisa de Endor em 1 Crônicas, 10:13 deixa claro que o rei “pereceu por se ter mostrado infiel para com Iahweh: não seguira a palavra de Iahweh e, além disso, interrogara e consultara uma necromante”[xx]. Todavia, conclusões como essa indicam a rejeição gradual dessas práticas entre os judeus, pelo menos oficialmente, o que é indicado nas expressões atribuídas à médium de Filipos alguns séculos depois do episódio em Endor. Os termos originais gregos e seus correspondentes hebraicos utilizados na referência às duas mulheres e a sua prática divinatória caracterizavam “as falsas profecias e a prática da adivinhação condenada pela Lei” (conferir, por exemplo, Deuteronômio, 18:10-12, Levítico, 19:31, entre outros) e não a tradição profética judaica.[xxi]

Todavia, o próprio Kardec destacou que as condenações judaicas se referiam à adivinhação e ao comércio das consultas aos Espíritos, que muitas vezes tinham objetivos exclusivamente materiais e pueris, como em Filipos. Nesse sentido, tanto os profetas de Israel quanto o Espiritismo condenam “tudo que motivou a interdição de Moisés”.[xxii] Essa também era a opinião de Paulo, “que nunca se conformou com a mercancia dos bens celestes”,[xxiii] sobre a exploração da médium de Filipos. Ainda que não exclusivamente, a ganância pagã, que explorava comercialmente o dom pitônico, estava por trás do incômodo de Paulo.[xxiv] Essa conclusão é reforçada pela própria estrutura narrativa de Atos, que chama atenção primeiramente para o caráter comercial da tarefa, antes mesmo de apresentar a fala da médium (Atos, 16:16).

Como o próprio Paulo de Tarso demonstraria, ao lidar com as comunicações mediúnicas que viria a presenciar, a profecia judaica caminhou em outra direção:

De uma palavra buscada pelo homem, para uma palavra enviada por Deus. Da descoberta de um enigma, para a descoberta de uma missão. Da busca de segurança pessoal, para o choque com uma responsabilidade. Do interesse pessoal, para a responsabilidade frente aos demais.[xxv]

Nesse sentido, longe de negar a veracidade do episódio, Paulo agiu de forma a demonstrar as diferenças de  expectativa da sua parte quanto àquilo que reconhecia como uma manifestação real do plano invisível. Se tanto o texto bíblico quanto a obra Paulo e Estêvão concordam quanto ao incômodo paulino perante a mercantilização da mediunidade, como comentamos, a obra mediúnica reforça ainda as conclusões da citação acima. Segundo Emmanuel, para Paulo:

(…) poder-se-á na Terra julgar qualquer trabalho antes de concluído? Aquele Espírito poderia falar em Deus, mas não vinha de Deus. Que fizemos para receber elogios? Dia e noite, estamos lutando contra as imperfeições de nossa alma. Jesus mandou que ensinássemos, a fim de aprendermos duramente. Não ignoras como vivo em batalha com o espinho dos desejos inferiores. Então? Seria justo aceitarmos títulos imerecidos quando o Mestre rejeitou o qualificativo de “bom”? Claro que, se aquele Espírito viesse de Jesus, outras seriam suas palavras. Estimularia nosso esforço, compreendendo nossas fraquezas.[xxvi]

Logo, diante de uma manifestação desse tipo, Paulo não poderia esperar destaque pessoal, mas ensejo à responsabilidade; não louvores e elogios injustos, mas convite à missão cristã. Em seguida, sobre a mediunidade, o Apóstolo dos Gentios nos assegura:

O Cristianismo sem o profetismo seria um corpo sem alma. Se fecharmos a porta de comunicação com a esfera do Mestre, como receber seus ensinos? Os sacerdotes são homens, os templos são de pedra. Que seria de nossa tarefa sem as luzes do plano superior? Do solo brota muito alimento, mas, apenas para o corpo; para a nutrição do espírito é necessário abrir as possibilidades de nossa alma para o Alto e contar com o amparo divino. Nesse particular, toda a nossa atividade repousa nas dádivas recebidas. Já pensaste no Cristo sem ressurreição e sem intercâmbio com os discípulos? Ninguém poderá fechar as portas que nos comunicam com o Céu. O Cristo está vivo e nunca morrerá. Conviveu com os amigos, depois do Calvário, em Jerusalém e na Galileia; trouxe uma chuva de luz e sabedoria aos cooperadores galileus, no Pentecostes; chamou-me às portas de Damasco; mandou um emissário para a libertação de Pedro, quando o generoso pescador chorava no cárcere…[xxvii]

Assim, se não podemos deduzi-las com certeza do texto bíblico, do texto de Emmanuel percebemos as relações diretas que Paulo fez do episódio com outras experiências mediúnicas de seu conhecimento. Também as manifestações do “Espírito Santo” nas reuniões fraternas das comunidades cristãs e em momentos de conversão, o segundo tipo de fenômeno semelhante conhecido pelo Apóstolo, tinham o caráter profético da instrução e do convite à vivência das Leis Divinas (Atos, 10:44, 19:6 etc.). Cabe salientar que, no entendimento espírita, a expressão “Espírito Santo” é uma referência não a uma entidade específica, mas aos diversos bons Espíritos que ampararam o Cristianismo nascente,[xxviii] ainda que não saibamos o quanto disso foi compreendido por Paulo e pelos primeiros cristãos.

Mais uma vez, para ele o fenômeno não era falso ou reprovável, e sim seu mau uso. Contudo, apenas alguns séculos depois, a leitura cristã dominante passou a enxergar a pitonisa como “histérica”, “impudica e imoral” e, naturalmente, os oráculos como demoníacos, o que é incongruente com as conclusões de Paulo e Lucas em Atos.[xxix] Porém, diante da insistência da jovem,

Fatigado com aquilo, Paulo voltou-se para o espírito, dizendo: “Em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que te retires dela!” E na mesma hora saiu. (Atos, 16:18)

A proximidade do episódio com os relatos de libertação de endemoninhados realizados por Jesus, o terceiro modelo de fenômeno semelhante conhecido pelo Apóstolo Tarsense, é também perceptível.[xxx] A constante repetição dos elogios através da médium indicaria certo domínio do Espírito sobre ela, como nos casos neotestamentários. Também Jesus foi reconhecido e “elogiado” por Espíritos obsessores como “filho de Deus” e “filho do Deus Altíssimo” (Marcos, 3:11, 5:7; Mateus, 8:29; Lucas, 4:11), e libertou os obsedados com ordem semelhante. Contudo, ainda que esses trechos associem manifestações semelhantes a Espíritos impuros ou demoníacos, causadores de sofrimento, doenças e loucura, no episódio de Filipos nenhum desses elementos está presente.[xxxi] A médium, ainda que compelida a louvar Paulo e Silas repetidamente, foi descrita de forma mais equilibrada que os obsedados com que Jesus lidou.

Emmanuel apresenta ainda uma descrição mais completa da fala de Paulo:

Espírito perverso, não somos anjos, somos trabalhadores em luta com as próprias fraquezas, por amor ao Evangelho; em nome de Jesus-Cristo ordeno que te retires para sempre! Proíbo-te, em nome do Senhor, estabeleceres confusão entre as criaturas, incentivando interesses mesquinhos do mundo em detrimento dos sagrados interesses de Deus![xxxii]

Esse trecho destaca novamente o segundo incômodo de Paulo, não evidente no texto bíblico, com o louvor descabido às suas virtudes. Contudo, além da condenação do uso comercial da mediunidade, a tradição profética também era contrária a esse tipo de postura. O grave equívoco da idolatria, que geralmente nos remete à adoração de outros deuses (Êxodo, 20:3), também incluía a adoração das riquezas (Oseias, 10:1-5; Mateus, 6:24), do poder (Oseias, 8:14),[xxxiii] e, naturalmente dos próprios homens. João Batista, herdeiro das tradições proféticas, ilustrou bem essa questão em sua famosa frase: “é necessário que ele cresça e eu diminua” (João, 3:30), rejeitando qualquer louvor a si mesmo em favor da figura de Jesus. Paulo recusou sua associação a anjos ao reconhecer com humildade as próprias fraquezas. Aceitar essa exaltação seria contradizer sua própria proposta, seria priorizar “interesses mesquinhos do mundo em detrimento dos sagrados interesses de Deus”.[xxxiv]

Por fim, em uma análise comparativa, destacamos que, como esperado, o texto de Emmanuel traz informações que complementam o texto bíblico. Lendo apenas a narrativa de Atos, superficialmente, o motivo do incômodo de Paulo com a postura da médium não fica explícito. Contudo, a partir das informações mediúnicas, destacam-se a comercialização da mediunidade e a idolatria aos pregadores cristãos como causas da reação paulina. Porém, como mostramos, uma leitura mais atenta já nos mostra a questão comercial como enfatizada pelo próprio texto bíblico. Ademais, toda a tradição profética, conhecida por Paulo, já oferecia elementos que o encaminhavam a uma expectativa diferente sobre manifestações desse tipo. Logo, compreendemos que as informações trazidas por Emmanuel são coerentes com o que poderíamos esperar de Paulo. Além disso, concordam inteiramente com as expectativas espíritas sobre a mediunidade. [xxxv]

Importante é frisar que, mesmo com o grande auxílio da obra Paulo e Estêvão, não podemos concluir com certeza sobre o real entendimento paulino do episódio, no que se refere à entidade manifestante e à sua ação sobre a médium. Teria ele entendido o manifestante como um Espírito, aos moldes do Espiritismo, ou como um demônio, aos moldes do pensamento judaico? Afinal, o uso da expressão “espírito”, por si só, não resolve a questão, dados seus possíveis significados à época. Mesmo suas experiências de encontro com Jesus e com outros modelos de fenômeno mediúnico não asseguram uma compreensão semelhante por Paulo. Em verdade, parece-nos que a preocupação maior de Emmanuel em sua obra gira em torno dos exemplos e da ética cristã vivenciadas pelo Apóstolo, que, naturalmente, são o mais importante. Daí a ausência de detalhes mais técnicos quando ao assunto.

Além disso, não é um problema para nós espíritas, por exemplo, identificar pensamentos diferentes do espírita nos textos bíblicos. Como a própria leitura espírita indica, cabe ao Espiritismo, enquanto Consolador Prometido por Jesus (João, 14:15 a 17 e 26), “ensinar todas as coisas” e “relembrar o que o Cristo havia dito”,[xxxvi] esclarecendo melhor, por exemplo, episódios mediúnicos como o que analisamos.

Daniel Salomão Silva

Fonte: espiritismo.net

[i] SILVA, Daniel Salomão. A Fonte Q e a origem dos evangelhos: contribuições da obra Paulo e Estêvão. Revista Reformador, FEB, n. 2310, p. 5-9, set/2021; O êxtase de Paulo de Tarso em 2Cor 12:2-4. Revista Reformador, FEB, n. 2314, p. 20-30, jan/2022; O julgamento de Jesus: contribuições da obra Há dois mil anos. Revista Reformador, FEB, n. 2322, p. 31-36, set/2022.

[ii] SILVA, Daniel Salomão. A Fonte Q e a origem dos evangelhos: contribuições da obra Paulo e Estêvão. Revista Reformador, FEB, n. 2310, p. 5-9, set/2021.

[iii] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos, ano I: 1858. 3ª ed., Catanduva: EDICEL, 2018, junho, p. 209.

[iv] SILVA, Daniel Salomão. Como os primeiros cristãos compreenderam a ressurreição de Jesus?. Revista Reformador, FEB, n. 2324, p. 55-60, nov/2022.

[v] FABRIS, Rinaldo. Os Atos dos Apóstolos. São Paulo: Loyola, 1991, p. 314.

[vi] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 363.

[vii] HARRIL, J. Albert. Paulo e a escravidão. In: SAMPLEY, J. Paul (org.). Paulo no mundo greco-romano: um compêndio. São Paulo: Paulus, 2008, p. 514.

[viii] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 363.

[ix] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 46.

[x] SICRE, José Luís. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas, a mensagem. 3. ed., Petrópolis: Vozes, 2008, p. 30 e 48 a 61.

[xi] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 57.

[xii] Idem, p. 61.

[xiii] KOESTER, Helmut. Introdução ao Novo Testamento, vol. 1: história, cultura e religião no período helenístico. São Paulo: Paulus, 2005, p. 174 e 175.

[xiv] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 63.

[xv] FABRIS, Rinaldo. Os Atos dos Apóstolos. São Paulo: Loyola, 1991, p. 317.

[xvi] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 362.

[xvii] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 50 e 51.

[xviii] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 363.

[xix] Esse episódio, oráculos e pitonisas foram citados brevemente por Kardec em alguns textos, em O Céu e o Inferno, na Revista Espírita e nas suas Instruções práticas sobre as manifestações espíritas.

[xx] Importante observar que a expressão “necromancia” se refere diretamente à adivinhação a partir da evocação dos mortos e não de divindades. Contudo, pelas breves descrições que possuímos, é difícil apontar diferenças e semelhanças substanciais. Ademais, do ponto de vista espírita, divindades também são Espíritos.

[xxi] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 48.

[xxii] KARDEC, Allan. O céu e o inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo. 1. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2009, 1. p., c. 11, i. 4, p. 208.

[xxiii] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 363.

[xxiv] CROSSAN, J. Dominic; REED, J. L. Em busca de Paulo: como o apóstolo de Jesus opôs o reino de Deus ao Império Romano. São Paulo: Paulinas, 2007, 38.

[xxv] SICRE, José Luís. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas, a mensagem. 3. ed., Petrópolis: Vozes, 2008, p. 64.

[xxvi] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 364.

[xxvii] Idem.

[xxviii] Idem, 2a p., c. 4, p. 283.

[xxix] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 68.

[xxx] FABRIS, Rinaldo. Os Atos dos Apóstolos. São Paulo: Loyola, 1991, p. 319.

[xxxi] PRIETO, Christine. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, p. 49.

[xxxii] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 363.

[xxxiii] SICRE, José Luís. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas, a mensagem. 3. ed., Petrópolis: Vozes, 2008, p. 340.

[xxxiv] XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel, 45a ed., Rio de Janeiro: FEB, 2020, 2a p., c. 6, p. 363

[xxxv] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 1. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2010, c. 26; KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 1. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2008, 2. p., c. 28.

[xxxvi] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 1. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2010, c. 6, i. 4.

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A mediunidade: causas e consequências

Raul Franzolin

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A mediunidade é o processo de intermediação entre os dois mundos reais, visível e invisível. É a ponte de acesso que permite a comunicação dos Espíritos encarnados e dos que estão vivendo em estado fora do corpo físico.

Esse processo se realiza pela ação de médiuns que são pessoas intermediárias na relação da transmissão das ideias dos Espíritos, uma vez que livre da matéria, eles não têm toda a estrutura do corpo devidamente adaptada para uma comunicação simples e fácil como ocorre entre seres humanos.

O ser humano pleno é constituído por três componentes que se conectam entre si numa complexidade variável de acordo com a sua própria evolução espiritual e local de vivência. O corpo físico, temporário e perecível; o Espírito criado por Deus e eterno e um componente semimaterial que é o perispírito.

A conexão do Espírito se estabelece com o médium por meio de seu perispírito atuando no corpo físico de forma específica, principalmente envolvendo a glândula pineal localizada no cérebro. Essa é uma área ainda aberta para que as pesquisas científicas possam demonstrar o real papel da pineal, ou epífise na intermediação com o plano espiritual (Lucchetti et al. 2013; Oliveira).

Tendo em vista de que todo corpo humano possui a pineal e outras tantas estruturas complexas e necessárias a vida terrena, como também participa na formação de um campo magnético, qualquer pessoa pode exercer alguma forma de conexão com o mundo espiritual. Entretanto, os mecanismos da mediunidade envolvem uma complexidade de fatores físicos do mundo material e estrutura humana integrados com o mundo espiritual (Aniche 2017). Esse canal é extremamente importante para a sobrevivência da vida na Terra, pois a condição humana é frágil diante da natureza. Um exemplo vivo são os efeitos terríveis provocados por uma simples estrutura biológica, como o coronavírus, no mundo moderno de hoje com toda a tecnologia avançada.

A conexão espiritual promove benefícios significativos à vida na Terra, com o constante apoio principalmente do Espírito protetor que cada um possui, como também malefícios, por ação de Espíritos inferiores e desiquilibrados. Mas, a capacidade da manifestação mediúnica depende de vários fatores primordiais, como a afinidade espiritual, controle espiritual, vontade e desenvolvimento do médium e do Espírito comunicante, estrutura do corpo físico e do corpo extrafísico, entre outros.

A mediunidade se apresenta de um modo geral, numa acepção ampla, como a mediunidade intuitiva. Ela é sutil e despercebida, em que nem mesmo se imagina a ação espiritual em determinado momento. Porém, o mérito da ação diária é uma decisão inequívoca de cada um. Em outra acepção, ela é restrita, onde o médium apresenta características bem pronunciadas mantendo-se a ponte da conexão com os portões abertos para a comunicabilidade espiritual (Chibeni and Chibeni 1997). Essas acepções são adequadas para esclarecer que poucas pessoas atingem um grau de mediunidade restrita, mas ela pode acontecer em qualquer idade, desde crianças a idosos. Em muitos casos, as manifestações mediúnicas surgem na infância (Almeida 2004).

Após a publicação de O Livro dos Espíritos em 1857, Allan Kardec percebeu a importância e a necessidade de se publicar um livro específico para tratar sobre esse fundamental fenômeno, já com os muitos relatos acumulados e publicados na Revista Espírita. Além do que as manifestações mediúnicas ocorreram durante toda a história. Muitos foram excluídos, queimados, tratados como loucos etc.

O Livro dos Médiuns aborda os diferentes tipos de mediunidade e suas nuances. Devido a complexidade das manifestações mediúnicas, as classificações são vaiáveis sofrendo influências dos costumes e épocas. No geral, duas grandes categorias são definidas: (1) Médiuns de Efeitos Físicos com habilidade de produzir os efeitos materiais como os movimentos dos corpos inertes, ruídos etc. provocados pelos chamados Espíritos Batedores ou manifestações ostensivas. (2) Médiuns de Efeitos Intelectuais conectados as comunicações inteligentes que podem, mais especialmente, servir de instrumentos para comunicações regulares e contínuas (Kardec 1861).

Os médiuns de efeitos físicos tiveram seu auge no século XIX nos Estados Unidos e Europa, principalmente Inglaterra, Alemanha, Itália e França com a exibição de espetáculos em teatros, casas de show e até mesmo em palácios imperiais. O despertar curioso e assustador em se mexer com o mundo dos Espíritos era a vedete da época, com movimentação de objetos, mesas girantes, materialização de objetos e Espíritos, tocar instrumentos musicais sozinhos, entre outros fenômenos. Muitos médiuns que produziam fenômenos reais foram taxados de fraudadores e submetidos à humilhação e ao ridículo e muitos acabaram em processos judiciais e prisões (Conan Doyle 2013).

Com a codificação espírita, esses fenômenos foram devidamente esclarecidos. Os médiuns de efeitos físicos perderam interesse. As pessoas instruídas se afastaram da curiosidade ao entenderam que são manifestações improdutivas e provocadas por Espíritos de ordem inferior. Os Espíritos elevados procuram uma forma muito mais eficiente de atuação, capaz de promover o efeito desejado de forma clara e direta com a participação de médiuns de efeitos intelectuais preparados fisicamente e moralmente. Ressalta-se a possibilidade de um Espírito elevado produzir algum tipo de tiptologia por um motivo especial, mas ele o faz por intermédio de outro Espírito mais próximo das condições materiais, como alguém que pede um favor a outro. Além do mais, os Espíritos não podem sair promovendo esses fenômenos ao bel prazer, pois há um controle no mundo espiritual, da mesma forma que aqui uma pessoa não pode sair quebrando qualquer vidraça pelas ruas de uma cidade.

Um dos aspectos importantes no processo mediúnico trata-se da influência dos médiuns. Kardec considera uma divisão dos médiuns segundo as suas qualidades morais, em Médiuns Imperfeitos e Bons Médiuns. Como existe uma imensa variação dos níveis evolutivos entre os Espíritos, a afinidade entre o Espírito e o Médium acontece conforme o grau de evolução moral do médium. Quanto mais evoluído espiritualmente for o médium, seguindo a vida dentro dos princípios do amor, caridade desinteressada e humildade maior será a afinidade com Espíritos elevados. Daí as comunicações serem instrutivas e benéficas (curas etc.) a favor do desenvolvimento da humanidade de acordo com a Lei do progresso e a Lei do amor.

Existem ainda dentro dos Bons Médiuns uma ampla variedade permitindo que pessoas simples e comuns se tornem trabalhadores da fraternidade e solidariedade ajudando os que sofrem, tanto encarnados como desencarnados, a melhorar o equilíbrio espiritual e seguir a vida num patamar menos doloroso ou mais feliz.

O pensamento é um poderoso efeito gerado pelo Espírito com o uso da complexidade cerebral em forma de ondas mentais. Nas ocorrências cotidianas um pensamento negativo ou positivo emite ondas mentais que se associam a outras espirituais integrando-se em formas-pensamento. É por uma mediunidade ignorada e de acordo com as inclinações do indivíduo que as entidades espirituais são atraídas plasmando as formas-pensamento, mas que não exime, nem o autor, nem o Espírito influenciador, das consequências decorrentes dessa conexão. Assim a conjugação de ondas se faz presente em todos os fatos mediúnicos. Em expositores na tribuna e na pena a responsabilidade é ampla, já que eles influenciam milhares de vidas pelo mundo. Portanto, a prece é um potente meio na formação de conjugação de ondas benéficas para a vida mental, mas é no enriquecimento da virtude e do conhecimento que se obtém as mais sublimes conexões (Luiz et al. 1959). Aqui cabe a mensagem do Cristo “Orai e Vigiai”.

O conhecimento de todo o processo da mediunidade é de fundamental importância para aqueles que se habilitam a seguir nessa área. A sua complexidade exige o estudo constante e aprofundado para praticá-lo de forma adequada e com um propósito estabelecido de acordo com as Leis de Deus. Ao se lidar com pessoas, o primeiro mandamento que se deve ter em mente é a responsabilidade assumida diante de sua vida espiritual. O despreparo e a curiosidade são as causas de desequilíbrios e transtornos enfrentados por indivíduos que se aventuram nessa área com sérias consequências futuras. Por outro lado, o desejo em auxiliar o próximo com amor, caridade verdadeira e humildade aliado ao estudo sério e produtivo é uma grande oportunidade Divina de trabalho no Bem Comum.

Raul Franzolin

Fonte: geae.net

Referências

Almeida, Alexander Moreira de (2004), ‘Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas’, (Universidade de São Paulo).<https://www.geae.net.br/images/Dissertacao_Tese/Teses/Tese_2004_ALMEIDA_AM_Fenomenologiamediunidade.pdf>

Aniche, Roberto Antonio (2017), ‘Resumo simplificado do livro Mecanismos da Mediunidade com a orientação dos mentores espirituais’, 81. <https://www.geae.net.br/images/Artigos/AnicheRoberto-mecanismos-da-mediunidade-resumo.pdf>.

Chibeni, Silvio Seno and Chibeni, Clarice (1997), ‘Estudo sobre a mediunidade’, Reformador, 115 (2.021), 240-43(53-55). https://www.sistemas.febnet.org.br/acervo/revistas/1997/html5forpc.html?pagina=257

Conan Doyle, Arthur (2013), A história do espiritualismo – de Swedenborg ao início do século XX, trans. José Carlos da Silva Silveira (1ª ed. edn.; Brasília: FEB Editora) 558.

Kardec, Allan (1861), O livro dos médiuns: guia dos Médiuns e dos Doutrinadores, trans. J. Herculano Pires (2ª edição edn.; São Paulo: Edicel Ltda) 433.

Lucchetti, Giancarlo, et al. (2013), ‘Aspectos históricos e culturais da glândula pineal: comparação entre teorias fornecidas pelo Espiritismo na década de 1940 e a evidência científica atual.’, Neuroendocrinol Lett, 34 (8), 745-55. https://www.geae.net.br/images/Artigos/Glandulapineal-comparacaoentreteoriasfornecidaspeloespiritismo.pdf

Luiz, André(Espírito), Xavier, Francisco Cândido(Médium), and Viera, Waldo(Médium) (1959), Mecanismos da mediunidade (28ª edição, 2020 edn.: FEB Editora).

Oliveira, Sergio Felipe de, ‘Glândula pineal. A união do corpo e da alma como o cérebro capta o magnetismo externo através da pineal’. <https://youtu.be/k7u-QjHZ-y8>

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Uma Reflexão Espírita Sobre os Ciclos da Vida

Roberto de Carvalho

“Tudo tem seu apogeu e seu declínio… É natural que seja assim; todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela! Novas folhas, novas flores, na infinita bênção do recomeço” (Chico Xavier).

Reencarnação é a passagem do Espírito pela vida corporal. Seu principal objetivo é possibilitar a ascensão moral e intelectual do indivíduo, por meio de ações no campo dos relacionamentos com o próximo e da interação com o mundo material. Os ciclos a que todos os Espíritos são submetidos em suas diversas reencarnações – infância, juventude, maturidade e velhice – contribuem para essa inevitável progressão.

O primeiro estágio no corpo físico é a infância. Nesta fase, o Espírito reencarnado tem necessidades especiais de cuidados que, muitas vezes, só o amor materno pode oferecer. Diante da fragilidade e da ingenuidade da criança, o olhar terno dos membros da família (principalmente da mãe) vê uma aura de pureza a toda prova, apesar de tratar-se de um ‘Espírito adulto’ e de ser, em muitos casos, detentor de inúmeros débitos e fraquezas morais.

Na adolescência, o Espírito começa a se despertar na matéria, exteriorizando a sua personalidade. De um modo geral é a fase da rebeldia, das descobertas, do confronto, das experimentações e, normalmente, do despertamento de atitudes viciosas angariadas em experiências de vidas passadas.

Na vida adulta, o Espírito reencarnado está mais independente e passa a se preocupar com o lugar que ocupará na sociedade em termos profissionais e financeiros. Muitas vezes acaba alimentando ilusões e desvirtuando a escala de valores. É o período mais propício para o reencontro de ‘almas afins’, quando, na maioria dos casos, ocorrem as relações afetivas mais duradouras, como o casamento e o início da constituição das famílias consanguíneas.

Na velhice, o Espírito costuma desfrutar da experiência adquirida ao longo dos anos e, exceções à parte, faz o ‘caminho de volta’ no que diz respeito ao conceito de valores. Nessa fase, com o desgaste físico a impor vários tipos de limitação, o olhar se volta para as questões espirituais e as ilusões das conquistas mundanas se dissipam. É o Espírito se preparando para o retorno à Pátria de origem.

Após a passagem pelo sepulcro, o Espírito, despojado da vestimenta de carne, passa a interagir no Plano Espiritual com seu corpo etéreo (perispírito). O período entre uma reencarnação e outra é chamado de erraticidade e representa, por assim dizer, um tempo de reflexão, autocrítica e preparação para os desafios a serem enfrentados nas reencarnações futuras. A duração desse período, segundo a Doutrina Espírita, varia conforme a situação de cada espírito, podendo ser demasiadamente longa ou bem curta; uma espécie de ‘bate-volta’.

Concluímos que cada fase da vida humana é de suma importância e apresenta as suas características próprias para aquilo a que se propõe: aprendizado do ser espiritual, redenção e amadurecimento. Tudo ocorre oportunamente, do mesmo modo como o fruto que tem o tempo certo para o plantio, o cuidado e a colheita.

“Assim como para o operário o sol se levanta no dia seguinte, e começa uma nova jornada que lhe permite reparar o tempo perdido, também para o Espírito, após a noite do túmulo, brilhará o sol de uma nova vida, na qual poderá aproveitar a experiência do passado e as boas resoluções para o futuro.” (KARDEC, 2020, p. 62).

Roberto de Carvalho

Fonte: Letra Espírita

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Referência

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Matheus Rodrigues de Camargo. 7ª reimp. jun. 2020 – Capivari/SP: Editora EME.

 

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Reencarnação de suicidas

Dra Giselle Fachetti

O processo reencarnatório é sempre complexo e fruto de minucioso planejamento. Ao tomarmos conhecimento do nascimento de um novo habitante da superfície terrestre devemos ter a consciência do enorme esforço engendrado não só no plano material, mas também no invisível, para que esse “milagre” seja uma realidade.

As crianças nos demonstram concretamente a confiança de Deus nos seres humanos. Elas são a prova da misericórdia Divina que nos resgata incansavelmente das trevas e suplícios em que nos afogamos repetida e propositadamente.

E, essa mesma misericórdia é a fonte que nos ilumina com a luz morna do dia, que nos invade os olhos infantis curiosos, quando os abrimos pela primeira vez no mundo físico.

pastor

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”    Salmos 23:4

Apesar de um longo e penoso trânsito pela erraticidade os espíritos vítimas de si mesmos, geralmente, não têm condições de presidir a construção de um corpo físico saudável durante seu processo reencarnatório.

A disposição integral dos recursos intelectuais e físicos, amealhados preteritamente por aqueles filhos de Deus, pode ser necessária ao completo êxito de sua missão terrena. Por isso, a espiritualidade responsável por esses pacientes se empenha no tratamento das suas mazelas, através da medicina astral, mesmo quando são frutos da imprudência e do orgulho.

Assim, eles poderão chegar um pouco melhores à terra, e então, terão, por sua vez, a magnífica oportunidade de retribuir ao Criador tamanha benção, colaborando com seus contemporâneos em seu progresso como cidadãos.

Uma das causas mais frequentes de debilidade e deformidade do corpo espiritual é a desagregação energética induzida pelo auto-extermínio. As lesões do corpo espiritual são ainda mais severas do que aquelas que desvitalizaram o corpo físico. Não atingem apenas o sistema mental do desencarnado, toda a complexa estrutura perispiritual é comprometida.

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Sua delica da tessitura é impregnada pelas energias deletérias que causaram, primariamente, o auto-extermínio e por aquelas que se originaram dele. Os componentes unitários do tormento com que se deparam os suicidas são: Dores intensas, de teor moral e físico, acrescidas do desespero de se encontrar vivo após a morte, revolvidas com o cimento da culpa.

“Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.” Mateus 25:30

E sentindo-se servos inúteis reconhecem a justiça de seu tormento imediatamente após o desenlace traumático do corpo físico. Entretanto, a falta de equilíbrio que os caracterizou em vida, os persegue no além túmulo. Crises subintrantes de arrependimento e desespero se sucedem, como se fossem continuar indefinidamente.

Não dispõem de recursos íntimos para atenuarem esse estado de dentro para fora. A prece é impronunciável para eles, sem que entendam o porquê dessa afasia seletiva. É, na realidade, a autopunição que se segue à culpa demolidora.

Querem, e cultivam a dor por ilusão da purificação. Assim o fizeram por milênios e, assim, se conduzem quase que reflexamente.

Interromper esse processo depende de uma fagulha de esperança em seus corações petrificados. Fagulha insignificante, mas perceptível aos benfeitores do além, que nesse momento crítico, de olhar hesitante e frágil voltado para os céus, os acodem e recolhem às instituições caridosas do invisível.

Esse é apenas o primeiro passo em direção a reencarnação libertadora e reconstrutora. Muitos serão necessários.

Os abnegados servidores do cristo que os acolheram, oferecem a eles os medicamentos espirituais mais avançados. Todos eles repletos de um princípio ativo que se habituaram a negligenciar em suas numerosas existências físicas pregressas.

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É o amor temperado com energias de diferentes ordens, mas também sublimes e retificadoras em sua essência.

Os amigos encarnados atuam expressivamente nesse processo, fornecendo a matéria mais densa para que os cirurgiões do espaço refaçam a delicada anatomia do corpo astral desses pobres desvalidos.

Suturas, drenagens, condutoplastias, inúmeros procedimentos são executados para a melhor recuperação possível de pacientes tão especiais.

Uma vez que se encontrem anatomicamente recuperados (relativamente) serão guiados aos estudos. Não é um processo rápido. A formação de que necessitam é longa, didática e transformadora.

Nas aterradoras crises de confiança são restabelecidos pela doação de energia salutar dos seus colegas em melhores condições.

Começam a se doar uns aos outros, aos próximos bem próximos. Em um momento socorrem e no seguinte são socorridos. Estão ainda em uma montanha russa íntima. No seu ápice acumulam forças para enfrentarem os vales.

Aos poucos estudam suas existências anteriores e os motivos que os levaram ao desespero. Isso é oferecido a eles de uma forma tal que possam se distanciar o suficiente para que entendam e relembrem da dor, sem serem cegados e confundidos por ela.

Com esse método podem identificar mecanismos de defesa impróprios e padrões de comportamento com tendência à recorrência.

Quando conseguem elaborar, ou melhor, metabolizar seu passado são transferidos às escolas gerais. Necessitam do convívio com todos os outros espíritos. Nesta fase já podem ajudar necessitados de outros matizes.

trabalho no mundo espiritual

Trabalham em funções diversas, sempre iniciando pelas mais simples. São felizes por terem a oportunidade de realizar pequenas obras. Não são cobrados para erigirem grandes monumentos, pois para muitos deles o orgulho e o poder foram a passarela condutora à derrocada.

Décadas eles despendem nessas escolas, e o tempo todo, são ajudados, escorados, impulsionados pelo amor dos benfeitores espirituais. Muitos são pais, mães, filhos de outras épocas.

A maioria, entretanto, são os seus inimigos do passado, já refeitos dos vícios morais mais limitantes, que hoje agradecem a possibilidade de resgatarem seus débitos cármicos no trabalho junto aos, transitoriamente, mais frágeis.

Ao mesmo tempo em que se recuperam auxiliam no progresso de seus educadores.

O treinamento prossegue, posteriormente, em frentes de trabalho mais densas e perigosas, verdadeiros testes de fidelidade em relação aos exércitos do Cristo. Aprendem a amar o diferente, o ignorante e o demente. Vêem nestes irmãos o reflexo de seu passado recente.

A última fase preparatória para a reencarnação dos antigos suicidas é a elaboração do projeto reencarnatório. Por mais que tenham obtido algum grau de recuperação da anatomia de seu corpo espiritual, as lesões que a essa estrutura foram impostas pela auto-agressão ainda serão máculas indeléveis no plano espiritual.

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Mesmo que sejam imperceptíveis aos olhos dos próprios portadores elas carrearão, necessariamente, ao corpo físico as mensagens de alerta de um passado que não deve ser revivido.

Serão limitações congênitas de graus variáveis, doenças crônicas severas com crises intermitentes e curtos períodos de acalmia. Insuficiências orgânicas diversas e possivelmente múltiplas.

Essas doenças graves os açoitarão, na vida física, relembrando-os dos compromissos assumidos e, também, cumprindo o papel de verdadeiros exaustores biológicos na drenagem das energias perniciosas e densas de uma qualidade tal que apenas podem ser expurgadas no trânsito pela matéria.

O amor vivido em sua plenitude os livrará das dores inúteis. Aquelas necessárias foram discutidas durante a sua preparação pré-encarnatória e devem ser vividas resignadamente, mesmo quando extremamente dolorosas. A luta pela vida é o exercício diário necessário para que desenvolvam os meios de evitarem novas quedas.

Os amigos espirituais os acompanharão em toda a sua existência física, oferecerão o suporte e consolo diante das suas fraquezas. E a cada obstáculo que venham a superar, mais fortes se encontrarão.

Não mais suicidas serão, mas, ex-suicidas, dispostos ao trabalho retificador em prol do seu próprio progresso. Serão, também, luzes nos rodapés dos longos e tortuosos corredores da existência infeliz de seus semelhantes, daqueles ainda cegos à luz redentora do Cristo.

Giselle Fachetti Machado

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Autismo e Espiritismo

Américo Domingos Nunes Filho

Sinais de autismo em bebê: saiba como identificar

Como relacionar os dois? O autismo se caracteriza por um grave transtorno do desenvolvimento da personalidade, revelando uma perturbação característica das interações sociais, comunicação e comportamento. De uma maneira geral, a pessoa tem tendência ao isolamento, olhando de forma dispersa, sem responder satisfatoriamente aos chamados e demonstrando desinteresse pelas pessoas. O indivíduo, sem apresentar nenhum sinal físico especial, ostenta prejuízo severo de várias áreas da performance humana, acometendo principalmente as interações interpessoais, da comunicação e do comportamento global.

O paciente apresenta um sistema nervoso alterado, sem condições psico-neurológicas apropriadas para um adequado recebimento dos estímulos necessários, afetando seriamente seu desenvolvimento, exibindo incapacidade inata para o relacionamento comum com outras pessoas, como também desordens intensas no desenvolvimento da linguagem.

O comportamento do portador do transtorno autista é caracterizado por atos repetitivos (rotinas e rituais não funcionais, repertório restrito de atividades e interesses) e movimentos estereotipados, bem elaborados e intensos (saltos, balanceio da cabeça ou dos dedos, rodopios e outros). Podem, igualmente, ser observados alguns sintomas comportamentais como a hiperatividade, agressividade, inclusive contra si próprio, impulsividade e agitação psicomotora.

Até hoje esse distúrbio, permanente e severamente incapacitante, associado a algum grau de deficiência mental e acometendo mais o sexo masculino, é enigmático para a ciência, sem explicação convincente de sua causa e ausência de tratamento específico. Enquanto os pensadores se debatem em mil argumentos e justificativas, completamente envolvidos nas teias compactas da problemática síndrome, qual a contribuição que pode ser concedida pela ciência do espírito?

Einstein, certa feita, disse que “a ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é cega”. O espiritismo se apresenta como uma religião natural, desprovida da presença do absolutismo sacerdotal, sem submissão a rituais e dogmas, apta a dar apoio e controle à ciência, completamente presa às leis da matéria e impossibilitada sozinha de explicar os mais misteriosos fenômenos.

Em verdade, a doutrina dos espíritos e a ciência humana se complementam uma pela outra. O excelso codificador do espiritismo, Allan Kardec, enfatizou que as descobertas da ciência glorificam Deus em lugar de diminuí-Lo e elas não destroem senão o que os homens estabeleceram sobre idéias falsas que fizeram Dele (“A Gênese”, pág. 40, FEB).

Sabemos, por exemplo, que a ciência dos homens se mantém estática diante do fenômeno da morte, completamente inerte e impotente, enquanto a ciência espírita transcende ao acontecimento, indo mais além, explicando tudo o que ocorre nos domínios do extrafísico, encarando o fenecimento do corpo físico como um acontecimento natural, sabendo que a individualidade espiritual ressurge na verdadeira pátria como um pássaro liberto da prisão. Na realidade, já bem antes, precisamente nos trâmites do fenômeno da fertilização do óvulo, precedendo ao nascimento, todo o processo científico extrafísico é do conhecimento da ciência espírita, inclusive respondendo algumas questões misteriosas, sem respostas objetivas da biologia: “Como é que os genes, situados numa molécula protéica, podem manipular e ordenar a si próprios?”. “Como proteínas podem demonstrar sabedoria, regulando a formação de outras proteínas?”. “Como pode uma proteína ter tanta capacidade de comando específico e brilhante?”. ‘‘Como podem apenas 30 mil genes produzir mais de cem mil proteínas?”. Sabendo que cada gen pode produzir três, quatro até cerca de dez proteínas, como sabe qual a proteína certa que tem que formar?”.

À nível microscópico, um efeito inteligente biológico não pode ser consequência de uma coisa aleatória que surgiu por acaso, apenas resultante do trabalho casual de proteínas específicas. O corpo humano, constituído de mais de cem trilhões de células, não pode ser fruto do acaso, ainda mais que é resultante de uma única célula (ovo ou zigoto). Tem que existir um fator, orientando tudo isso, uma diretriz, um gerente maior, um campo organizador da forma. Comparando o corpo humano a um bolo, o DNA (Ácido Desoxirribonucléico), constituinte dos genes, seria uma espécie de receita e o bolo seria produzido de acordo com as instruções da receita. O espírito é o artífice de todo o processo (genial confeiteiro, utilizando a receita e preparando o bolo). Portanto, o DNA corresponde a uma fita programada e aperfeiçoada nos bilhões de anos de evolução, sob as diretrizes do grande programador: A Essência Espiritual.

O corpo humano está subordinado às informações ou ordens dos genes, os quais não são os exclusivos mentores do maravilhoso processo biológico da vida, desde que há, em verdade, um Poder Inteligente que orienta a formação do ADN e permite repará-lo quando necessário. Logo após a fecundação, a entidade reencarnante, de acordo com sua sintonia evolutiva, grava o seu código cifrado vibratório na matéria, atuando sobre o ADN. Portanto, todas as transformações físicas, químicas, orgânicas, biológicas, de todas as células são orientadas e dirigidas pelo espírito que preside a tudo, funcionando o corpo como um grande computador biológico.

Interessante e importante o conhecimento científico de que os genes exercem um poder incrível, como que dotados de inteligência, sabendo muito bem o que estão fazendo. Por exemplo, a bananeira não dá limão. Por que a mama não produz lágrima? Ela fabrica leite. Imaginem se suássemos leite materno? O organismo tem conhecimento de que, na mama, por exemplo, tem que desligar os genes que causam o suor e ligar os genes que produzem o leite. Quem é o responsável por esse extraordinário e perspicaz processo biológico? Como uma proteína pode despertar outra proteína? Quem lhe ensinou a tarefa? As respostas são fornecidas pela ciência espírita, atestando que Deus existe e que a individualidade espiritual, o espírito imortal, diante do universo, retorna em diversas existências, aprimorando-se, sendo responsável causal da gerência dos processos biológicos, sendo, inclusive, “o campo organizador da forma” ou “planta de construção”, na embriogênese, mentor da constituição do organismo, a partir de apenas uma célula, arquitetando a formação dos tecidos e órgãos do corpo físico.

A doutrina espírita ensina que somos artífices do nosso próprio destino (o acaso não existe). Quando nascemos com alguma deformidade, em verdade a mesma já existia antes em espírito, porque a criamos dentro de nós, em determinada vivência física. Então, o espírito é responsável por tudo que pensa e faz, subordinado à Lei de Causa e Efeito, divina por excelência. Se tivermos algo a expiar, a distonia arquivada, em nosso envoltório espiritual, propiciará a escolha da fita compatível e sua posterior gravação. Então, plasmamos em nosso ADN a informação codificada que trazemos em espírito; sendo, portanto, nossas deficiências originadas de nós mesmos, nunca obra do acaso e muito menos predeterminadas por uma divindade vingativa. Somos hoje o que construímos ontem: “A cada um segundo as suas obras”.

Ninguém nasce autista por acaso. A Justiça Divina é misericordiosa por excelência, propiciando ao infrator as benesses da retificação espiritual. Algumas teses espiritualistas relatam que o comportamento autista é decorrente do fato de o espírito não ter aceitado sua reencarnação. O Livro dos Espíritos, na questão 355, ensina que a aliança do espírito ao corpo não é definitiva, porquanto os laços que ao corpo o prendem são muito fracos, podendo romper-se por vontade do espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Portanto, o espiritismo instrui que, nos casos de não aceitação da reencarnação, mediante o seu livre-arbítrio, a entidade se retira e acontece um aborto, denominado, pela ciência, de espontâneo.

Os déficits cognitivos severos, associados às profundas alterações no inter-relacionamento social, caracterizam o autista, apresentando uma forma de identificação profundamente diferente, resultante do mau uso das faculdades intelectivas, em existências anteriores, errando o ser, exatamente na dissimulação das emoções, estabelecendo relações afetivas baseadas no engodo, no fingimento, para manter suas posições sociais abastadas, no campo do poder social, igualmente na sedução sexual, utilizando o disfarce, a aparência enganadora, cobrindo com uma máscara psicológica a sua verdadeira personalidade, representando uma personagem falsa, enganando os circunstantes para auferir vantagens. Quantos indivíduos, exercendo cargos religiosos, políticos, militares e policiais, sem a preocupação de ajudar o próximo, assoberbados de vantagens pessoais, preocupados apenas com o seu próprio bem-estar, apresentam-se como falsos líderes, ludibriando a muitos, mas não conseguindo enganar a si próprios.

Na Parábola dos Talentos, Jesus alude aos que usaram seus dons, atributos, sem benefício para os semelhantes e, atormentados, posteriormente, pelo remorso, refletem um sofrimento que parece não ter fim (imagem simbólica do “fogo eterno”), recebendo a sentença que ressoa nos refolhos mais íntimos da consciência: “até o pouco que tem lhes será tirado”.

O indivíduo autista representa alguém necessitado de muita atenção, carinho e amor, vindo ao mundo físico, em uma reencarnação essencialmente expiatória, totalmente desprovido do controle de suas emoções, com prejuízo acentuado na interação social, não desenvolvendo relacionamento eficaz com seus pares, fracasso marcante no contato visual direto, na expressão facial, na postura corporal, na tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas. Está agora sujeito às conseqüências de seus atos impensados do pretérito. De tanto não conceder o devido respeito às pessoas e de não conceber que os seres pensam e tem sentimentos, retorna com déficit e prejuízo da empatia, com intensa dificuldade de construir vínculos, sem se sentir atraído pelas pessoas e sem interesse em tentar falar, considerando o rosto humano muito complexo e confuso, difícil de se olhar. No pretérito, a todo o custo, buscava a fama, a glória, o entusiasmo dos aplausos, o ardor dos cumprimentos e abraços; hoje, com aparência desorientada devido a uma expressão sem emoção, vivencia experiências caóticas, com dificuldade imensa de estar fora do seu casulo particular, principalmente quando ouve o ruído de um grupo de pessoas, causando acentuada confusão nos seus sentidos, sem saber distinguir os estímulos e, muitas vezes, aguçada dificuldade em relação à sensibilidade tátil, sentindo-se sufocado com um simples aperto. Contudo, “Deus é Amor”, proporcionando ao espírito imortal, diante da eternidade, a oportunidade da redenção espiritual.

Quando retornar à dimensão extrafísica, apresentar-se-á curado, sem mais o remorso lhe assenhoreando o íntimo, vivenciando a paz e agradecendo a valiosa oportunidade, dispensada a si próprio, de agora poder valorizar a utilização dos dons da comunicação e o talento do carisma, visando o bem estar do próximo e o seu próprio crescimento espiritual. A chance de ter tido uma existência difícil, quando se entretinha, enfileirando brinquedos e objetos, particularmente, pauzinhos, caixinhas, peças coloridas para encaixe, despertou dentro de si o potencial da humildade. Captando paulatinamente as vibrações amorosas de seus pais, familiares, amigos e abnegados terapeutas, assimilando-as intensamente, a carapaça da empáfia desabou e descobriu em plenitude o amor. Afinal, somos herdeiros do infinito e estamos ainda iniciando nossa jornada evolutiva no rumo das estrelas grandiosas e incomensuráveis do universo.

OBS.: Dedico esta matéria a todos os que, na presente reencarnação, vivenciam a experiência valiosa do autismo, principalmente à minha querida filha Sofia, com seis anos de vida, renascendo no meu lar, acometida do mesmo transtorno. Agradeço a Deus pela oportunidade, concedida a meu espírito, de estar compartilhando com ela momentos tão difíceis, exaustivos e angustiantes; contudo, entremeados de atenção e de amor. A reencarnação, divina por excelência, me permite a chance maravilhosa de estar com ela novamente e de crescermos, agora, juntos, sob as bênçãos do Excelso e Amado Pai.

Américo Domingos Nunes Filho

Autismo infantil 

1) As causas do autismo permanecem desconhecidas, havendo forte indício de fatores genéticos;

2) A incidência do transtorno está aumentando significativamente no mundo. Em cada 1000 crianças, uma é portadora da síndrome. Nos EUA, é apontado um autista para 500 infantes, já superando os índices da S. de Down e do câncer infantil. As taxas são 4 a 5 vezes superiores para o sexo masculino; entretanto, as crianças do sexo feminino são mais propensas a apresentar um retardo mental mais severo;

3) Em 1943, foi descrita pela 1ª vez pelo psiquiatra Leo Kanner, descrevendo a condição especial de 11 crianças;

4) Cerca de 70% dos pacientes possuem algum nível de retardamento mental;

5) Há necessidade premente do diagnóstico precoce para uma ajuda multidisciplinar mais eficiente. Deve-se suspeitar de bebês que choram demais ou se apresentam muito quietos. Dormem pouco ou dormem demais, passando do horário das refeições. Não atendem quando chamados, parecendo surdos. Aversão ao toque. Não suportam colo. Não demonstram emoção para com as pessoas. Interessam-se mais por objetos do que por pessoas. Crianças que têm pouco contato visual, não olhando para os rostos das pessoas.

Fonte: Correio Espírita

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Formação dos Mundos

Cláudio Conti

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No Livro dos Médiuns, capítulo IV, Kardec trata da teoria das manifestações físicas e encontramos, no item 74, subitem XI, o seguinte: “São aptos, todos os Espíritos, a produzir fenômenos deste gênero? “Os que produzem efeitos desta espécie são sempre Espíritos inferiores, que ainda se não desprenderam inteiramente de toda a influência material.”

Esta colocação dos espíritos se contrapõe ao entendimento histórico, como apresentado no livro Gênese, do Velho Testamento, de que Deus criou o universo material. Pois, é preciso considerar que, se espíritos elevados, já desprendidos da matéria, não produzem os fenômenos de efeitos físicos, o que se poderia dizer sobre Deus? Ele se deteria em tal tarefa?

Sob este aspecto, é preciso analisar detalhadamente a questão 38 d’O Livro dos Espíritos que diz: “Como criou Deus o Universo?” “Para me servir de uma expressão corrente, direi: pela sua Vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras da Gênese – ‘Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita’.”

Assim, por “estas belas palavras da Gênese” deve-se interpretar como uma assertiva referente a um estilo poético e não como uma descrição exata do ocorrido. Contudo, ressalta o fato de que tudo que existe é decorrente da existência precípua de Deus e este ponto também necessita ser considerado nesta análise.

No livro Ação e Reação, ditado pelo espírito André Luiz pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, encontramos o relato de uma orientação do benfeitor Silas que diz: “(…) Vocês não ignoram que o Criador atende à criatura por intermédio das próprias criaturas (…)” Portanto, a ação Divina se faz sempre presente, porém não necessariamente de forma direta, mas através da providência que se caracteriza pela “solicitude de Deus para com as suas criaturas”, segundo Kardec no livro A Gênese, capítulo 2, item 20.

Obviamente que, ao olharmos para as estrelas e, até mesmo, a própria Terra, fica patente se tratar de inteligência acima da humanidade terrestre. No comentário de Kardec à resposta da questão 9 d’O Livro dos Espíritos, temos que “Não podendo nenhum ser humano criar o que a natureza produz, a causa primária é, consequentemente, uma inteligência superior à Humanidade.”

Importa ressaltar que a descrição de espíritos de primeira ordem, também encontrada n’O Livro dos Espíritos, diz que apresentam “nenhuma influência da matéria e superioridade intelectual e moral absoluta com relação aos Espíritos das outras ordens”. Portanto, trata-se de inteligência superior à humanidade terrestre.

Os temos “superior” e “inferior” são sempre relativos, isto é, são utilizados para expressar uma comparação. Porém, o termo “supremo” já designa algo absoluto, como de corrente uso na Codificação para descrever aquilo que é relacionado à divindade.

Sendo a causa primária de todas as coisas, tudo o que existe, conhecido ou não, é decorrente da pré-existência de Deus, portanto Ele está imanente em tudo, inclusive na criação dos mundos. Todavia, o nosso universo conhecido, apesar da grandiosidade, não deixa de ser uma obra material, decorrente da condensação da matéria disseminada no espaço. Assim, podemos considerar a ação de espíritos evoluídos no processo de formação dos mundos servindo de morada para os que se encontram em nível evolutivo inferior.

Um universo para habitação de espíritos deve apresentar leis materiais que o regem e, portanto, precisam ser bem definidas para manutenção da estabilidade e reprodutibilidade, viabilizando que os espíritos possam experienciar a encarnação dentro de certa ordem. Portanto, ao pensarmos em espíritos formando mundos, não devemos considerar como crianças brincando com massa de modelar, formando um de cada vez.

A formação do universo com seus diferentes e diversos orbes deve ser decorrente do estabelecimento de leis materiais que servem de diretrizes para a aglutinação do fluido. Assim, não são as leis que descrevem o comportamento da matéria, mas o segundo que é decorrente do primeiro.

Podemos, desta forma, dizer que a ciência acadêmica estuda hoje as leis materiais estabelecidas pelos prepostos de Deus quando da formação deste universo conhecido e que estará em consonância com a condição dos espíritos que o utilizarão no seu processo evolutivo.

Por “leis materiais” é preciso considerar não apenas as leis da física e da química, mas inclusive a da genética, pois, para cada espírito formar o corpo físico que lhe servirá na encarnação, também deve seguir regras bem definidas.

Cláudio Conti

Fonte: Correio Espírita

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A Decisão de Não Ter Filhos: Um Ponto de Vista Espiritual

Geane O. Lanes

Ao alcançarem determinada idade, muitas pessoas passam a ser cobradas sobre quando se estabilizarão afetivamente e, principalmente, sobre quando terão filhos. Essa cobrança reflete uma ideia pré-estabelecida de que todos devemos seguir um mesmo padrão de comportamento, o qual determina como natural e inevitável o ato de nos casarmos e procriarmos. Contudo, é cada vez mais comum vermos pessoas contrariando os padrões estabelecidos por nossa sociedade e muitas pessoas optando por não ter filhos.

De acordo com a Doutrina Espírita, a reprodução é uma lei natural (lei divina ou moral) e, dessa forma, as ações humanas que têm por finalidade ou por efeito criar obstáculos à procriação seriam contrárias à lei geral (P. 693: KARDEC, 2013). Ademais, ainda segundo a Doutrina, o uso de métodos contraceptivos apenas como forma de possibilitar a satisfação da sensualidade é uma prova de que o nosso corpo predomina sobre a nossa alma e que, portanto, ainda somos materiais (P. 694: KARDEC, 2013).

A compreensão de que a lei natural é a lei de Deus e que o homem só é infeliz quando dela se afasta (P. 614: KARDEC, 2013), poderia levar algumas pessoas a concluir que a Doutrina Espírita condena a decisão de não ter filhos. Contudo, seguindo os preceitos de nosso Mestre Jesus, a Doutrina Espírita não julga ou condena ninguém, pois compreende e respeita as limitações da humanidade. Como explicado pela Espiritualidade (P. 693a: KARDEC, 2013), aos humanos foi dado o poder de regular a sua reprodução e a reprodução de outros seres, desde que isso seja feito apenas por necessidade e não por um simples capricho. Ademais, apesar de não sermos dotados de uma liberdade absoluta (P. 825-829: KARDEC, 2013), a Lei da liberdade nos proporciona o livre-arbítrio de escolhermos quais caminhos trilharemos em nossa jornada de vida. Porém, à medida que nos esclarecemos moralmente e, desse modo, temos a capacidade de compreender a plausibilidade daquilo que nos motiva, somos mais responsáveis por nossas escolhas e por suas consequências (P. 849: Kardec, 2013).

Ao trazer uma nova vida ao plano material, o indivíduo não apenas permite que um irmão experiencie uma nova oportunidade de crescimento moral, mas, sobretudo, abre-se para a possibilidade de, enquanto pai ou mãe, colocar em prática tudo o que tem aprendido em sua jornada evolutiva. É preciso lembrar, no entanto, que cada um de nós tem uma longa jornada de vida e o que sentimos e pensamos é resultado de todas as experiências que vivenciamos nesta e em reencarnações pretéritas. Assim, muitas pessoas abdicam da maternidade e da paternidade não apenas por quererem se abster de responsabilidades, mas por questões íntimas e pessoais, como o receio inconsciente de reencontrarem desafetos do passado ou de não serem capazes de suprir todas as necessidades materiais e emocionais de seus futuros filhos.

Nesse contexto, mesmo compreendendo que o homem não deve deixar que os seus medos e dúvidas os impeçam de caminhar e de crescer, a Doutrina Espírita nos ensina que o respeito é um dos principais pilares de nossa evolução moral e, por isso, devemos respeitar a decisão de nossos irmãos, compreendendo que todas as escolhas trazem consequências, as quais não se caracterizam como punições, e sim como oportunidade de aprendizado. Além disso, caso realmente necessitemos reatar laços ou aprender algo com alguém específico, mesmo que decidamos não o receber como filho, por bondade e justiça divina, a Espiritualidade proporcionará meios para que tal interação ocorra, seja em uma relação de tio e sobrinho, padrinho e afilhado, ou outro tipo de relacionamento.

O mais importante é que compreendamos a importância de refletirmos sobre quais são as nossas reais necessidades e o que nos impulsiona ao desejarmos ter ou não ter filhos, entendendo que, como leis divinas e, portanto, perfeitas, as leis da reprodução e da liberdade não são contraditórias ou antagônicas. Logo, independentemente se optamos ou não por assumir a posição de mãe e pai, todos temos e teremos oportunidades de criarmos e reatarmos laços de amor com o próximo e, por conseguinte, elevarmo-nos enquanto Espíritos e irmãos.

Geane O. Lanes

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Ed. 93: Editora FEB. 2013.

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Existe vida após a morte? Pesquisadores defendem que sim

Autor: espiritismo.net

Recentemente o portal Metrópoles repercutiu a publicação do livro A Ciência da Vida após a morte. Além disso, fizeram interessante entrevista com os três autores da obra, todos eles vinculados ao Nupes, o Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

Confira a matéria:

Professores da UFJF lançam livro com evidências científicas acumuladas em 150 anos sobre experiências semelhantes à vida após a morte

Embora tratadas como antagonistas ao longo do último século, a ciência médica e a espiritualidade têm pontes de contato e poderiam se desenvolver mutuamente se a parceria não fosse um tabu. Isso é o que defende o livro “Ciência da vida após a morte”, que será lançado dia 26/5 durante o 4º Conupes (Congresso Internacional de Ciência e Espiritualidade), em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O livro foi escrito pelos psiquiatras Alexander Moreira-Almeida e Marianna Costa e pelo filósofo Humberto Schubert Coelho, todos eles do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Faculdade de Medicina da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

Na obra, os pesquisadores reuniram centenas de trabalhos científicos feitos ao redor do mundo sobre temas que, usualmente, são considerados sobrenaturais. Os artigos tratam de estudos de caso de memórias de vidas passadas, mediunidade, vivências fora do corpo e experiências de quase morte.

Umas das evidências apresentadas sobre a possibilidade de uma consciência após a morte é um estudo realizado no Reino Unido em 2001 com pessoas que tiveram paradas cardíacas e, em seguida, foram “ressuscitadas”. De acordo com o trabalho, cerca de 11.1% delas relataram experiências de quase morte sobrenaturais. Alguns pacientes relataram essas experiências em detalhes mesmo tendo passado oito anos desses eventos.

Em entrevista ao Metrópoles, os autores do livro falaram sobre os principais temas da obra e a importância de as ciências também se debruçarem sobre aquilo que não tem explicação fora do campo do mistério.

Segundo os autores, as pesquisas reúnem evidências de que a mente humana pode existir para além da parte biológica e química do cérebro, existindo até uma consciência pós-morte.

Ciência e espiritualidade são temas divididos por um muro ou conectados por uma ponte?

Moreira-Almeida: “O livro não trata de religiões, mas de como mais centenas de artigos acadêmicos entenderam o tema da espiritualidade. Se estamos diante de experiências humanas que sugerem uma independência da mente em relação ao cérebro, temos que nos perguntar se é fraude, se é o inconsciente, se é alucinação… E se não é nada disso, devemos estar abertos a outras respostas do que seria.”

Marianna: “A separação é fruto de uma visão moderna. Acho que, especialmente, a partir de Freud, quando ele faz uma contraposição forte à religiosidade, passa a haver uma confusão entre religião e espiritualidade, mas, nos últimos 200 anos, vários cientistas se dedicaram a estudar fenômenos espirituais com o rigor científico necessário.”

Coelho: “A espiritualidade no mundo contemporâneo é associada a um pensamento irracional, sem critério, e isso faz com que as pessoas pressuponham que a fé é uma antítese da ciência. O conceito de espiritualidade, porém, evoluiu muito com o tempo e acho que vamos ter mais abertura para discutir isso cientificamente nos próximos anos.”

Experiências mediúnicas deveriam ser consideradas pela ciência mais seriamente?

Moreira-Almeida: ““Observamos que esse tipo de experiência já é estudada, nosso livro reúne e analisa dezenas de pesquisas no tema. O que falta é que parte dos cientistas abram os olhos para estes estudos sobre experiências espirituais, como tem sido feito nas mais prestigiosas universidades do mundo. Oxford, por exemplo, já tem núcleos que pesquisam estas temáticas do contato da espiritualidade e da ciência.”

Marianna: “Certamente. São fenômenos que existem e sempre existiram em diferentes épocas e civilizações. Como qualquer fenômeno da natureza, merece uma atenção por parte da ciência.”

Coelho: “Esse tipo de experiência deveria ter uma maior consideração da ciência, um tratamento respeitoso, protocolar. Os fenômenos devem ser estudados conforme são. Até o descarte de uma ideia só pode ser feito com base no exame científico.”

Como esta conexão com a espiritualidade pode ajudar o trabalho terapêutico?

Moreira-Almeida: “Temos que entender do que é feita a mente, que ela pode ser mais do que simples química e biologia. Sou psiquiatra, uso medicações o tempo todo em meus pacientes, sei do aspecto químico e de sua importância, mas também tenho olhos atentos para entender que não são só as substâncias que alteram a mente, mas que o contrário também ocorre.”

Marianna: “Acho importante por que, do ponto de vista terapêutico, os profissionais da saúde têm de estar prontos para acolher as questões espirituais de seus pacientes. Além disso, estes estudos avançam em entendimentos da natureza da mente humana e essa inquietação não deve ser menosprezada.”

Coelho: “Toda ciência pode ajudar no trabalho terapêutico. A espiritualidade trata de questões muito fundamentais para os pacientes, do que é sagrado para eles, do que ultrapassa o valor do indivíduo. Seria presunçoso se ignorássemos o que o paciente diz que é determinante para ele.”

Como surgiu em vocês o desejo de investigar o tema?

Moreira-Almeida: “Quisemos fazer um levantamento sistemático de fontes para entender como estes fenômenos foram tratados pela ciência. Trabalho com essas temáticas há mais de 25 anos e sempre me aproximei delas de forma respeitosa. Temos que ter o rigor científico tanto para analisar um objeto como para refutá-lo.”

Marianna: “Muitas pessoas já viveram experiências anômalas na população em geral. Uma pesquisa com 256 mil pessoas de 52 países, por exemplo, encontrou que pelo menos 12,5% das pessoas afirmou já ter vivido algo anômalo. Isso é algo que desperta nossa curiosidade para entender esses fenômenos.”

Coelho: “Nunca tive uma experiência espiritual no sentido que o livro analisa, mas tenho uma vivência espiritualizada. Acho que justamente por isso, estou em uma posição de alguém que pode manter o interesse pelo tema, mas o afastamento necessário para entendê-lo como pesquisa.”

Notícia publicada no Portal Metrópoles, em 11 de Maio de 2023

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Psiquismo e Halo energético

Dr. Ricardo Gandra di Bernardi

O verbete “aura” tem origem no latim e significa “sopro de ar”. Aura e psicosfera são utilizados, comumente, como sinônimos se referindo ao halo energético existente em torno de todo ser vivo. Existem muitos sinônimos para designar aura ou psicosfera, no entanto, vamos nos ater aos utilizados em nosso meio, isto é, na literatura e nas entidades espíritas.

O termo “psicosfera” encontramos nas obras espíritas de escol, termo inicialmente mencionado pelo Espírito André Luiz através da fantástica mediunidade de Chico Xavier. Segundo Ele, “Todos os seres vivos, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um halo energético que lhes corresponde à natureza. ¹ ”

Nos seres vivos primitivos e simples, o halo energético por eles irradiado decorre das atividades físicas que executam, além das emoções rudimentares e manifestações dos seus instintos. Seres unicelulares como as bactérias já manifestam essa irradiação.

Em nós, seres humanos, essas irradiações são enriquecidas pela atividade mental, ou seja, pelas irradiações das emoções e pensamentos. Este halo energético reflete o grau evolutivo de cada Espírito.

As irradiações que produzimos além de se exteriorizar, elas interpenetram o corpo físico, demonstrando assim, como somos um conjunto de várias dimensões que interagem sempre e ininterruptamente.  Poderíamos dizer que, como cada pessoa possui um vestuário, cada um de nós possui uma psicosfera, mas, além de estarmos vestidos pela nossa psicosfera, nós mesmos a fabricamos.

O halo energético, que nos envolve, possui cores que variam muito conforme o estado físico, emocional ou mental de cada pessoa. De um modo didático, poderíamos dizer que as cores mais claras correspondem a pensamentos positivos, construtivos e mais em harmonia com a Lei do Amor Universal, portanto, observadas em Espíritos mais evoluídos. As cores e tonalidades mais escuras são comuns aos espíritos mais densos, tanto encarnados como desencarnados.

A psicosfera humana pode ser percebida e analisada por médiuns videntes ou por espíritos desencarnados que tenham desenvolvido esta capacidade. A observação dessa estrutura energética pode ser muito útil para avaliações de saúde, condições morais e intelectuais de uma pessoa. Com relação especificamente aos médiuns videntes, é fundamental que estes, além da capacidade anímica de ver a aura, tenham o conhecimento e ética espíritas para só se pronunciar de maneira construtiva e respeitosa em locais e momentos muito adequados. Com relação à opiniões e descrições da nossa psicosfera, feita por Espíritos desencarnados, lembremo-nos que eles são pessoas como nós, portanto, os há em todos os níveis de sabedoria e ética.

A nossa psicosfera não é estática, há um dinamismo constante. As energias ou fluidos extrafísicos, estão em contínuo movimento, pois o ser vivo está captando e emitindo a todo instante. Deste modo, quando as energias harmônicas provindas de um pensamento equilibrado de um indivíduo, seja encarnado ou desencarnado, interagem com a nossa psicosfera, pode haver uma absorção, por sintonia. Havendo sintonia, (mesmo momentânea), há uma força centrípeta, ou seja, que puxa para o centro, para a intimidade energética da pessoa.

Quando não ocorre sintonia, por não haver afinidade com determinados pensamentos externos, estes são rejeitados pelo nosso corpo mental ². Há uma força centrífuga que elimina o componente estranho. Este mecanismo, muitas vezes, é automático e inconsciente, pois são conquistas do nosso Espírito, arquivadas em núcleos vibratórios.

Um pensamento de ódio, por exemplo, pode fazer parte por um determinado tempo da nossa aura, enquanto mantemos este sentimento. À medida que efetuamos a reforma íntima, modificamos aquele sentimento negativo, por falta de nutrição energética e falta de sintonia, o arquivo relativo àquele ódio é gradativamente eliminado da nossa atmosfera fluídica.

Todas as energias que produzimos passam a fazer parte de nossos arquivos e, na sequência, se entrelaçam com outras energias semelhantes, tanto de encarnados como de desencarnados. Estes entrelaçamentos ocasionam sensações agradáveis ou desagradáveis em nós e, também, nas pessoas com as quais convivemos.

Sentimentos de empatia ou de repulsa a outrem são, frequentemente, decorrentes de percepções inconscientes de emanações energéticas da psicosfera da pessoa. Devem ser compreendidos e trabalhados com resiliência e amor, além de prudência. A falta de afinidade entre os campos energéticos das pessoas costuma gerar diversas dificuldades ou incômodos, enquanto a similitude de vibrações gera um fluxo agradável de energias.

Espíritos superiores tem psicosfera tão sutil que não permite aos Espíritos inferiores vê-los. Há uma diferença de frequência vibratório significativa que impede a sintonia. As sessões mediúnicas fazem a ponte de contato ou intermedia planos espirituais de densidade diferente.

André Luiz nos exemplifica, em várias obras, que espíritos superiores pelo comando do corpo mental alteram temporariamente sua psicosfera deixando-a mais densa para adentrar em locais trevosos para melhor executarem seus trabalhos nesses ambientes. Ao tornarem mais densa ou menos sutil sua psicosfera, evitam serem reconhecidos como seres superiores gerando sentimentos de animosidade ³.

Somos artífices que esculpem a própria escultura. Criamos nosso próprio destino. A espiritualidade de luz emite ondas de amor e sabedoria constantemente, cabe a nós voltarmos nossos radares mentais na direção correta para captarmos o Amor Universal.

Cedo ou tarde nos identificaremos com a centelha divina ou o “Deus em nós”.

Ricardo Gandra Di Bernardi é médico, escritor e conferencista espírita.

Fonte: Espiritismo e Espiritualidade

Bibliografia:

  1. XAVIER, Francisco Cândido/Espírito André Luiz, Evolução em dois mundos, Ed. FEB, pág. 163.
  2. XAVIER, Evolução em dois mundos, Ed. FEB, cap. II, pág. 25.
  3. XAVIER, Libertação, Ed. FEB, pág. 67.
  4. CENTRO ESPÍRITA LUZ DA CARIDADE, Curitiba. A Dança das energias – Uma abordagem da energia mental, cap. 5, Psicosferas e Energia Mental.
  5. ICEF- Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis- Reuniões de Estudo www.icefaovivo.com.br
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A necessidade da motivação no trabalho espírita

Por Eliana Haddad

As casas espíritas, pós-pandemia, ainda estão repensando qual a melhor forma de trabalhar e dar continuidade às tarefas de estudo, palestras e assistência espiritual.

É grande o desafio dos dirigentes espíritas, que se sentem, além de responsáveis pela condução das atividades nos centros, agora também pressionados pelas exigências de mudanças em função da rapidez da comunicação.

O Correio Fraterno busca esclarecimentos sobre o momento atual com a palestrante motivacional Samantha de Pardo. Ela é coordenadora da evangelização infantil do Grupo Espírita Assistencial e Filantrópico Joanna de Ângelis, em Santo André, SP, e colabora como espírita em diversas frentes.

Advogada, pós-graduada em psicopedagogia institucional e clínica, com bacharelado em letras e especialização em oratória e retórica na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Samantha, profissionalmente, desenvolve treinamentos em empresas e escolas, incentivando uma comunicação humanizada com propostas de transformação pessoal.

Como o dirigente espírita pode exercer melhor o seu papel diante das mudanças pós-pandemia?

A palavra mudança geralmente assusta. Temos a sensação de que passaremos por algum desconforto e é muito provável que isso aconteça. Porém o espírita entende que a principal característica da vida física é a impermanência, que tudo está em progresso e evolução e que a cada experiência nos modificamos. A insegurança é natural, mas pode ser intensificada, quando o dirigente interpreta que as mudanças são ameaças para a doutrina. Deve-se deixar claro que a ninguém foi outorgado o direito de alterar qualquer ensinamento dos espíritos ou do Cristo. A necessidade de rever, adequar e repensar se refere ao movimento espírita, às atividades desenvolvidas por homens, jamais à essência da doutrina.

Quais dinâmicas você indicaria para manter a motivação dos colaboradores e frequentadores dos centros espíritas?

Vamos usar aqui a palavra motivação no sentido de estimular. Essa pergunta é muito importante, porque “gente desmotivada desmotiva os outros” e, de repente, um grupo inteiro de trabalhadores passa a ir ‘se arrastando para o centro espírita’. A primeira dica é: reavive o propósito, sempre que possível. Saber o porquê de estarmos fazendo algo é crucial para que a atividade seja feita com alegria e dedicação. Não estamos na casa espírita ‘pelos outros’, mas porque nos comprometemos com a nossa própria evolução. A segunda: promova um ambiente de harmonia. Incentive que as pessoas cheguem alguns minutos antes para uma conversa amigável; mostre interesse pelo outro. Quando Jesus nos ensinou que Deus era ‘nosso Pai’, instituiu a irmandade entre os homens. Terceira: ouça as pessoas! Para sentir-se motivado o indivíduo precisa saber que faz parte de algo, que suas opiniões, sentimentos e colocações são levados em conta, mesmo que não atendidos. Separe um tempo para isso: promova conversas, envie mensagem perguntando sobre ideias e opiniões e, o mais importante, responda à sugestão, até mesmo aquelas que não sejam possíveis aplicar. Lembre-se que motivação é tarefa de cunho intrapessoal.

Você percebe alguma necessidade mais evidente que esteja exigindo uma atuação mais urgente nas casas espíritas?

Acredito na urgência da preparação daqueles que recebem os assistidos em seu primeiro momento na casa. Entrevistadores ou atendentes fraternos desempenham papel crucial no centro espírita e na vida dos assistidos. Todo o envolvimento na doutrina espírita está ligado a esse momento. Cada um de nós lembra, vividamente, do dia que ingressou e como foi atendido na casa. Esse primeiro contato pode definir a permanência na instituição e até mesmo na doutrina. Uma explicação equivocada, uma grosseria ou uma promessa de ‘milagre’ durante um acolhimento podem gerar proporções irreparáveis, dada a situação delicada daquele que chega.

Como você analisa a busca pelo espiritismo atualmente?

Tenho percebido que muitas pessoas não buscam uma religião para servir e sim uma religião que sirvam a elas. A exemplo da famosa história mitológica da Cama de Procustro, onde o violento personagem cortava as cabeças ou esticava os convidados para caberem em sua cama, as pessoas têm buscado o espiritismo até o ponto que este atenda as demandas e necessidades momentâneas, que em maioria tratam de dores e desconfortos. A doutrina oferece o acolhimento e consolo necessários, o azeite colocado sobre a ferida no homem socorrido pelo samaritano. Porém, logo em seguida, como na parábola, é necessário que se passe o vinagre, (aquilo que arde), ou seja, o estudo e o processo de autoiluminação. Nesse momento, percebemos um esvaziamento do número de frequentadores, confirmando que a busca pelo espiritismo ainda é superficial. Cabe a cada instituição trabalhar incessantemente para estimular esse frequentador e despertar sua consciência.

As casas espíritas, geralmente, são administradas por pessoas com mais idade. Isso interfere na atuação dos jovens nas atividades da casa?

Acredito que sim. As diferenças nas características e os conflitos entre as gerações são de conhecimento evidente e campo de vasto estudo. Ainda enxergamos o diferente como ameaçador ou impróprio e não como colaborador. Essa postura reativa acontece tanto nas pessoas com mais idade como nos jovens. Para que a casa caminhe com a participação de todos, é necessário valorizar as diferenças. Gosto de uma frase que, apesar de extrema, diz: “Quando duas pessoas pensam da mesma forma, uma delas é desnecessária”. Precisamos ouvir quem pensa diferente e compreender que a distância das gerações promove olhares que se complementam. Um quebra-cabeças não se faz com peças iguais e uma gestão que valoriza o diálogo é menos egoísta, menos defensiva e acima de tudo mais amorosa.

Como melhor exercitar o equilíbrio entre autoridade e amizade nas relações nas casas espíritas?

Uma coisa é sermos amigos, outra coisa é infringir regras. Ser autoridade em alguma coisa não nos dá o direito de ser autoritário, mas traz responsabilidade e vigilância incansáveis. A amizade verdadeira proporciona o exercício de valores elevados, como empatia, paciência, compreensão e carinho. Quando aquele que ocupa a função diretiva percebe que há favorecimento, falta de respeito e ‘insubordinação’ sob a desculpa de amizade, tende a tornar-se autoritário, o que só aumenta o problema. O ideal é identificar, em conversa amigável e honesta, qual valor da amizade foi perdido para que a situação delicada ocorresse e, posteriormente, trabalhar para exercitá-lo. Ser inacessível para manter-se como autoridade, abrir mão de amizades, também não garante o desempenho satisfatório da função. Amizade nunca será um problema se administrada dentro das virtudes que promove.

Se você tivesse que auxiliar um dirigente espírita para que ele desempenhasse melhor a sua performance, o que você faria?

Eu o auxiliaria na comunicação. A casa é feita de pessoas que se relacionam através da conversação. Se existe algum ‘ruído’ nesse processo, as consequências são desastrosas. Melindres, fofocas, equívocos, maledicência, mágoas são exemplos de uma comunicação equivocada. Na hora de dizer ou escrever algo, pense naquele que receberá a mensagem, em todos os envolvidos na ação comunicativa. Escreva e fale como você gostaria de ouvir e não apenas como você gostaria de falar. Comunique-se, não desabafe. Elabore sua fala com cordialidade, clareza e objetividade. Colocar-se no lugar de quem escuta vai além de uma habilidade comunicativa, corresponde ao ensinamento do Cristo e revela empatia e amor ao próximo.

Como o progresso nas ciências administrativas pode ajudar na eficiência das atividades na casa espírita?

A doutrina ensina-nos que o progresso do homem há de ocorrer nos aspectos moral e intelectual. Assim, todo avanço intelectivo é válido. Associá-lo ao empreendimento moral é ainda mais louvável. A casa espírita que conta com conhecimentos e avanços na área da administração financeira correrá menos riscos de passar por dissabores, em decorrência da má gestão de recursos. Nenhuma casa pode legalmente funcionar sem estatuto, inscrições entre outras burocracias. Assim, o conhecimento técnico é de suma importância. Um fluxograma, por exemplo, bem realizado e entregue aos tarefeiros responsáveis evita desencontros e facilita o escoamento e direcionamento dos assistidos. Esquivar-se do conhecimento que promove o bem fazer é recusar o aperfeiçoamento.

Quem busca a casa espírita hoje têm acesso a uma infinidade de informações na internet. Como manter o centro atualizado frente às novas demandas?

Estamos sofremos de algo chamado Information overload (sobrecarga de informações). Uma revista de renome trouxe a afirmação de que uma criança de 7 anos de hoje tem mais informações do que um imperador romano. Sabemos que os combatentes do espiritismo possuem conhecimento profundo da doutrina. Se por um lado nos espantamos com essas colocações, por outro, fica evidente que deter a informação não é de grande vantagem. Nunca será apenas sobre o quanto se sabe, mas sobre o que fazer com o que se sabe. A casa que se comportar como detentora e fornecedora exclusiva de informação será rapidamente engolida por qualquer site de pesquisa. Nossos centros espíritas não devem ser fontes informativas, e sim fontes transformadoras.

Como melhor estudar as obras de Kardec?

Na hora do estudo é importante deixarmos de lado uma consideração muito difundida, mas não verdadeira em sua essência, de que a doutrina espírita é difícil de ser compreendida. Devemos substituir difícil por trabalhoso. Todo aquele que se proponha a estudar algo deve estar disposto ao esforço e dedicação. Vale ainda lembrar que a organização dos textos, perguntas, colocações e livros foram realizados por um professor, Kardec, e já possuem estrutura didática. Há risco no estudo quando as interpretações passam a ser pessoais e carregadas de conceitos subjetivos. Assim, para manter a fidelidade dos estudos é necessário debruçar-se sobre o texto. A clareza e firmeza das considerações dos espíritos afastam qualquer interpretação tendenciosa. No início de grande parte das respostas de O livro dos espíritos, encontramos objetividade: sim, sem dúvida, não, é evidente, bem longe disso, isso é verdade, certamente… O sucesso do estudo depende do esforço e paciência de ler pausadamente cada linha, cada palavra, silenciar nossos barulhos internos para entender o que os espíritos falam e não o que nós gostaríamos que eles falassem. Posteriormente, extraído o novo conhecimento, colocá-lo rapidamente em prática para que se torne inesquecível.

Por que o jovem se afasta do espiritismo quando começa a ter acesso às universidades, ao mercado de trabalho, à vida adulta?

Acredito que inúmeros sejam os motivos. O argumento clássico é o de que não há mais tempo para dedicar-se à mocidade espírita. Porém, se tomarmos os trabalhadores mais envolvidos nas tarefas da casa, descobriremos que são pessoas que possuem uma vida agitada e cheia de compromissos, ou seja a ‘falta de tempo’ não é exclusividade de quem está ingressando na faculdade. Partimos assim para um outro raciocínio. Fazendo um paralelo entre esses dois mundos propostos aos jovens, temos o exterior e o interior. A vida e preocupações mundanas ocorrem em um processo ‘fora’. tornando-se mais fácil, conveniente e lucrativo. Do outro lado, o espiritismo ocorre para ‘dentro’, figurando-se mais reflexivo, pessoal e desconfortável. Nesse impasse, na maioria das vezes, os jovens tendem a escolher o que lhes atende de forma mais imediata. Essa escolha pode ser facilitada, caso a proposta de estudo espírita não atenda às suas expectativas, seja não trazendo significado, seja posicionando-o como mero expectador.

Fonte: correio.news

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