Depressão uma visão Espiritual não ortodoxa

Adilson Lorente

A quantos afeta

Segundo pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde, (OMS), em 2013, estima-se que 400 milhões de pessoas, cerca de 7% da população mundial, sofriam de depressão a cada ano.  Verificavam-se à época mais de 850 mil suicídios por ano em decorrência de depressão. Esses dados foram revelados pelo ex-secretário geral das Nações Unidas, na abertura do seminário “A crise Global de Depressão” promovido pela revista britânica “The Economist”.

No Brasil, a estimativa muito otimista era que cerca de 10% da população sofria de depressão. Otimista por basear-se em dados de pessoas já diagnosticadas. Deve-se observar que a maioria dos deprimidos não foi diagnostica ou sequer sabe que sofre ou sofreu por depressão. A consequência para elas é, geralmente, a falta de tratamento ou terapia pouco adaptada.

Esse índice, no entanto, sobe para 18% da população brasileira, segundo um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo que avaliou a prevalência de distúrbios psiquiátricos na região metropolitana da cidade, baseado em 5.037 entrevistas, com perguntas capazes de revelar se o entrevistado passa ou já passou por essa condição.

O fato é que “a depressão grave revela-se um problema de saúde pública em todas as regiões do mundo”, conforme concluiu o último relatório sobre esse transtorno feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 18 países, de alta e de baixa renda, incluindo o Brasil, ao final de 2011.

Segundo o relatório, aproximadamente 14,6% da população dos países com alta renda já teve depressão em algum momento da vida. Já entre o grupo de renda baixa e média, 11,1% das pessoas apresentou o distúrbio em algum momento.

Se projetarmos para o Brasil os dados da pesquisa Megacity, portanto, temos mais de 36 milhões de pessoas afetadas em diferentes graus, em algum momento da vida. Muitas delas ficaram incapacitadas para a vida produtiva e com sérias dificuldades nas relações familiares.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) projetava que em 2030 a depressão a primeira maior causa de incapacitação no mundo. Mas reviu suas conclusões, e em 2030 poderá ser a primeira.

Além disso, os pesquisadores observaram que, nos países mais ricos, a idade média de início dos episódios de depressão é 25,7 anos, contra os 24 anos dos menos desenvolvidos, onde o Brasil se inclui. Nos países com alta renda os jovens são o grupo mais vulnerável. Já nos outros lugares os idosos mostraram maior probabilidade de ficar deprimidos.

Nos dois grupos – jovens e idosos –  a separação de um parceiro foi o fator mais importante. A ocorrência foi duas vezes maior em mulheres e a incapacitação funcional mostrou-se associada a manifestações recentes de depressão.

Como saber se alguém ou nós mesmo estamos deprimidos?

Podemos saber se alguém está efetivamente deprimido e necessitando de tratamento para superar essa patologia, quando observamos, por mais de duas semanas, que a pessoa:

  • Sente-se triste a maior parte do dia, quase todos os dias;
  • Culpa-se em demasia pela própria doença e até mesmo pelos problemas dos outros e por problemas do passado;
  • Sente-se sem vontade (ânimo) para fazer as tarefas habituais, seja trabalhar fora ou cuidar dos filhos e realizar tarefas essenciais – coisas que normalmente faria sem dificuldades e até com prazer;
  • Apresenta o desejo de fuga da vida, querendo ficar sozinha o máximo possível. Evita o convívio social;
  • Quando acorda não têm vontade de sair da cama;
  • Tem insônia ou hipersonia (vontade excessiva de dormir);
  • Sente-se fracassada, sem valor, inútil, e despreza seu valor como pessoa;
  • Há perda do desejo sexual;
  • Não tem esperança de que a situação melhore.

A pessoa com depressão também pode ter crises de choro injustificadas, desejo de morte, irritabilidade, dificuldade de tomar decisões, de começar e/ou de terminar tarefas iniciadas.

Aqueles que estão deprimidos sentem-se muito tristes e envoltos por pensamentos negativos sobre si mesmo e a vida de forma geral. Podem ainda sentir palpitação (desconforto cardíaco), constipação, dores de cabeça e dificuldades digestivas. Sentem-se sem energia para fazer o que precisam, têm dificuldade de concentração, alterações no apetite, sentem-se lentas para a realização de atividades físicas e mentais.  Pode ser que a pessoa não tenha todos esses sintomas e, se tiver a maioria deles, eles podem não ocorrer simultaneamente.

Normalmente, as pessoas deprimidas acham que trata-se de uma dificuldade passageira e custam a admitir que estão doentes e procurar ajuda especializada de um psiquiatra ou de um psicólogo.

Períodos de melhora e de piora são frequentes e, muitas vezes, servem para adiar a procura por tratamento. A decisão só vem quando os sintomas ficam graves e as questões de convívio se tornam quase insuportáveis.

Causas da Depressão

Para facilitar o entendimento das causas da depressão, podemos classifica-la em três grupos, de acordo com as suas causas:

No primeiro grupo (depressão de causa exógena), estariam aquelas desencadeadas por fatores externos: separação de casais, perda de entes queridos, perda do emprego e dificuldade de reempregar-se, viver situações de extremo estresse por um período relativamente longo (cuidar de pessoas enfermas e dependentes, relações conjugais violentas), frustrações em objetivos que elegeu como fundamentais para a própria realização. Podemos incluir aqui um tipo de depressão que se associa à menopausa na mulher e outro que afeta principalmente os homens quando se aposentam. Ocorre especialmente quando ambos olham à frente e não vêm uma perspectiva existencial satisfatória, seja por razões materiais, efetivas ou por se sentirem inúteis, e sentem insegurança/medo em relação ao futuro

No segundo grupo, visualizamos as depressões desencadeadas por doenças que incapacitam o indivíduo parcial ou totalmente, como AVC, câncer, doenças autoimunes, perda de membros, de visão ou audição, dependência química, hipotireoidismo.

Num terceiro grupo, que coloco aqui como uma visão pessoal, incluirei as depressões de natureza espiritual que podem estar relacionadas a esta vida ou a vidas passadas. São eles:

1)  Ex-suicidas de outras vidas que, quando chegam próximo da idade em que deram fim à existência anterior, emerge em suas consciências o quadro de sofrimento do passado, causando forte depressão que pode leva-las a repetir o ato.

2) Espíritos que sentem no fundo da alma que traíram os objetivos para o qual vieram nesta existência, optando por caminhos mais ligados ao sucesso material, algumas vezes por meios pouco éticos ou ilícitos mesmo. A maioria deles vive angustiada, alimentam forte sentimento de culpa e remorsos por atitudes em relação às criaturas cuja confiança traíram ou abandonaram ao longo da existência.

3) Espíritos que consideram a existência terrestre um palco de sofrimento apresentam muita dificuldade de adaptar-se à vida, de escolher uma carreira profissional e de lutar pelo sucesso profissional de manter relação afetiva por tempo razoável. São extremamente pessimistas sobre a vida e suas próprias possibilidades e isso o afasta de amigos e de afetos, levando-os a uma extrema solidão. Muitos dos jovens deprimidos se enquadram nesta condição.

4) Espíritos que trazem, no inconsciente, sentimento de culpa e remorsos por ato cometidos em vidas pretéritas, que são explorados por suas vítimas do passado, hoje cruéis verdugos sedentos de vingança. Esses obsessores Impõe às suas vítimas “a sua vontade férrea, ressuscitando no campo do inconsciente profundo lembranças amortecidas pelo cérebro, descortinando tristes acontecimentos que os fazem delirar, debatendo-se ante o assalto de recordações antigas e as ocorrências atuais.  Esse quadro que pode resultar em esquizofrenias gravíssimas nos é relatado pelo espírito de Vitor Hugo através da mediunidade fidedigna de Divaldo Franco, no livro Árdua Ascenção.

Em todos os grupos, a medicina detecta deficiência de alguns neurotransmissores cerebrais, como a serotonina, a dopamina e outros. Pessoalmente, não vejo essa deficiência de neurotransmissores como causa da depressão, mas como consequência.

Como obter ajuda para enfrentar a depressão

Os males da mente são os mais prejudiciais e limitantes entre todos os grupos de doenças. No grupo das doenças mentais a depressão é hoje a mais incapacitante das doenças, segundo os últimos dados a OMS apresentados pelo diretor do Instituo de Psicologia Clínica e Psicoterapia da Technische Universitaet de Dresden, na Alemanha, Dr. Hans Ulrich Wittchen.

Portanto, nos casos de depressão grave, conhecida como ‘depressão maior’, é indispensável o tratamento medicamentoso com o psiquiatra. Em todos os casos, é recomendável o atendimento psicológico. As técnicas complementares como a boa alimentação, higiene do sono, terapia ocupacional e atividade física aumentam a eficácia do tratamento.

Depressão pode: levar à incapacidade funcional, comprometer relações familiares de forma irremediável e até levar ao suicídio. Quanto mais rápido reconhecermos e tratarmos a doença, menos sofreremos e mais rapidamente poderemos sair dela.

Iniciado o tratamento, seja consciente e perseverante. À medida que você recuperar-se, o profissional que o trata – sendo ético e competente – certamente vai preparar uma estratégia para você ficar livre dos remédios, diminuindo gradativamente suas doses até a retirada completa, se possível. Não interrompa o tratamento com remédios psiquiátricos por conta própria. Há uma chance muito grande você passar por uma crise, que exigirá dosagens iguais ou maiores do que aquelas que estava tomando anteriormente.

Tomar remédios pelo tempo que for preciso para suprir as quantidades de neuro-hormônios que nos faltam pode não ser um caminho muito agradável, mas é extremamente necessário e pode nos levar a sofrer muito menos.

Uma visão espírita da questão

Se sabemos que pensamentos e sentimentos constroem nosso ânimo e beneficiam ou prejudicam nossa saúde, certamente podemos nos ajudar. Manter pensamentos e sentimentos construtivos e saudáveis é uma luta cotidiana de todos que querem se manter bem. Se precisarmos da ajuda de uma leitura, de uma música, de uma atividade física, de um amigo, um passe espiritual, ou de uma desobsessão, sejamos práticos.

André Luiz nos ensina que os estados mentais – medo, culpa, remorso, frustração, raiva, só para citar os mais envolvidos na depressão – são projetados no organismo humano através dos bióforos, que são unidades de força psicossomáticas localizadas nas mitocôndrias – organelas que existem em alguns tipos de células que funcionam como “caixa de força”, pois produzem energia para todos as atividades celulares.  O termo bióforos foi criado por Augusto Weismann (1834-1914) para referir-se aos elementos constitutivos básicos das estruturas vivas.

Emmanuel referenda este ensinamento acrescentando que a depressão interfere na mitose celular, podendo contribuir para o aparecimento de câncer e outras doenças imunológicas, sobretudo a deficiência imunitária. A medicina também confirma esta última assertiva integralmente. Pessoas deprimidas ficam com seu sistema imunológico fragilizado e muito mais sujeitas a infecções e outras doenças que dependem do seu bom funcionamento.

Acredito que esses condicionamentos energéticos emanados do espírito alcançam os sistemas endócrino, nervoso, imunológico e mesmo de multiplicação célula (mitose), comprometendo seu desempenho. Essa é a raiz não só das deficiências de neurotransmissores, mas de todo o conjunto de mal estar físico associado à depressão, como veremos a seguir.

Na depressão há uma perda de energia vital, que deixa o organismo debilitado.

Nosso corpo, como sabemos, é comandado pelo nosso espírito. Veja a visão carinhosa e esclarecedora de um espírito amigo:

Depressão – diz ele – é o desamor da alma por si mesma, pela vida, e suas perspectivas de realização e de felicidade. Sem amor e sem esperança, a criatura deixa de assimilar energia vital do cosmos. A sua vontade e motivação de viver enfraquecem.

Mas como reverter essa situação?

Convivendo coma depressão

A depressão chega sem aviso e atinge homens e mulheres em qualquer idade, de crianças a pessoas com mais de 70 anos, passando por jovens muito saudáveis. Quando chega, exige que o espírito se resolva e se depure, a partir do confronto com os fatores que lhe enfraquecem emocional e fisicamente. Além do tratamento médico e espiritual, muitas atitudes, contudo, podem mudar favoravelmente a forma como a depressão será vivida e superada.

Comece repensando a questão do amor próprio. Gostar de si mesmo e valorizar a própria vida – é condição necessária para que um indivíduo tenha vontade de viver e de realizar-se, empregando suas potencialidades com esse objetivo. Deus não criou ninguém incapaz para a vida.

A felicidade, por sua vez, não é uma porta aberta esperando entrarmos, mas uma perspectiva a ser construída e sustentada ao longo da vida por atitudes que tenham valor para nós e para nosso próximo e que irão compor a nossa história.

Precisamos sonhar e construir as condições para realizar nossos sonhos. Para isso, temos de acreditar em nós mesmos, em nossa capacidade e na vida, como um caminho de realização que somos capazes de trilhar.

Um pouco de fé também é ajuda valiosíssima: precisamos acreditar no Criador da Vida como um ser sábio, misericordioso e justo, para que possamos aceitar a vida, como uma perspectiva positiva, amorosa e justa para nossa evolução. Senão, qual o sentido da vida: trabalhar para pagar as contas, ir ao Shopping Center e fazer umas farras de vez em quando?

Precisamos conviver com os outros para sermos felizes, mas não devemos transformar a convivência em dependência doentia, pois isso nos torna um peso para o outro, estimulando-o a nos abandonar. Viver ao lado de alguém deprimido é algo que muitos não suportam.

O centro de gravidade que ancora a nossa felicidade deve estar em nosso interior. Podemos deixar o outro compartilhar desse centro e nós compartilharemos do centro dele. É assim que nos enriquecemos afetivamente.

Cada um, no entanto, precisa manter-se íntegro e independente, para garantir sua saúde emocional e poder construir uma nova relação, se eventualmente a afinidade e a cumplicidade que sustentam a convivência desaparecerem em algum momento, levando à separação. Em suma, para estar feliz na relação com o outro, preciso ser feliz comigo mesmo, para ter algo bom para compartilhar.

Xô depressão com atitudes simples

Não se deixe abater por problemas pequenos e passageiros. De a eles a importância que devem ter: pouca ou nenhuma. Só isso vai diminuir substancialmente seu desgaste na vida, tornando-o uma pessoa mais leve e agradável até para si mesmo.

Não precisa ser palhaço nem simular risadas, mas mantenha o bom humor. Ele é prancha salvadora no mar das pessoas amargas, das que reclamam demais, dos pessimistas e dos coitadinhos. Sem bom humor, você afunda no mar deles.

As conquistas que almejou e não conseguiu poderiam tê-lo feito feliz ou infeliz. Não alimente frustração pelo que não conseguiu, senão o fracasso por uma meta não atingida comprometerá as demais. Valorize as conquistas.

Se alguém o traiu, magoou, infelicitou ou inferiorizou, sinta-se feliz por não ter sido você quem fez isso com seu próximo. O erro foi dela, mas é você quem decide quanto isso vai influenciar sua vida. Só você pode pôr fim ao seu sofrimento. Perdoá-la, compreendendo suas limitações, dissolve por completo o seu sofrimento.

Se errou e prejudicou muito a vida de alguém, não fique curtindo culpa ou remorso. Veja o que pode fazer para tornar o outro feliz. Se não puder fazer nada por aquela pessoa que prejudicou ou infelicitou, faça por outra, mas faça. Prove para você mesmo que se transformou num ser melhor e que já não repete velhos erros, seja com aqueles que ama ou mesmo com aqueles que odeia. Especialmente porque você já sabe dos prejuízos que esse sentimento lhe traz.

Menos conexão nas redes sociais, menos mensagens e mails e games, menos viciação nos celulares, Ipads e computadores, e mais conexão consigo mesmo, com seus sentimentos, com sua energia vital, com seu corpo físico, com quem ama, buscando entender e harmonizar-se consigo mesmo e com o seu próximo, pode ser uma ajuda valiosa para o autoconhecimento e o equilíbrio emocional.

Quando estiver triste e de cabeça quente, ao invés de ficar preso em seus sentimentos num quarto, caminhe, exercite-se, respire fundo e tome sol pela manhã ou no final da tarde, se possível num parque em meio à natureza. Fique apenas com você, com as árvores, com as flores e com os pássaros. Assim você estará mais perto de Deus e conectado coma parte harmoniosa da vida. Depois disso, o mal que lhe atormenta certamente começará a sair pelas vias urinárias.

Meia hora de sol por dia lhe garante a quantidade necessária de vitamina D – na verdade um poderoso hormônio esteroide responsável por 229 funções do sistema imunológico e capaz de ajudá-lo a superar a depressão. Querendo se aprofundar neste tema, pesquise sobre o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pelo médico e cientista Cícero Galli Coimbra.

A combinação de mais oxigênio (respiração), mais circulação e nutrição das células (movimento) e mais vitamina D (poder imunitário) vai leva-lo a ter energia para evitar ou enfrentar a depressão.

Não alimente a depressão com seus pensamentos e sentimentos. Se sentir presenças espirituais menos agradáveis, leve-as a um centro espírita para tratamento. O bem estar delas vai ajudar sua caminhada.

Ser feliz não é uma obrigação, mas um prazer ao seu alcance, quase todos os dias, nunca 24 horas, senão você perderia a motivação da conquista.

Persista. Você pode mandar a depressão às favas!

*Adilson Gimenez Lorente é formado em Jornalismo e Medicina Tradicional Chinesa.

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Mediunidade Intuitiva

Jader Sampaio

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Sábado à tarde. Um pedido de orientação me fez chegar mais cedo ao Célia Xavier. A jovem não havia entrado em detalhes, apenas queria conversar sobre mediunidade. A pergunta era: como eu posso ter certeza que sou médium?

Se fosse uma mediunidade de vidência ou audiência, a pergunta seria: será que eu não sou louca? Mas tratava-se de uma mediunidade que Kardec classifica como intuitiva.

Mediunidade intuitiva é uma classificação que cabe em uma gama diversa de manifestações. Embora Kardec estivesse tratando de médiuns escreventes quando tocou no assunto (O Livro dos Médiuns, cap. XV.), sua definição se aplica também a médiuns falantes, de pressentimentos, pintores, entre outros.

A descrição da faculdade é simples. O médium percebe o conteúdo do que vai escrever ou falar antes do fenômeno acontecer, e movimenta o lápis ou a garganta de vontade própria. Como não há nenhuma interferência do espírito comunicante nas vias motoras do médium, não há mudança de caligrafia ou de entonação de voz, a menos que o médium assim o deseje (e o faça por conta própria, muitas vezes para se sentir mais seguro).

O problema dos médiuns intuitivos é a distinção entre seus próprios pensamentos e os pensamentos oriundos dos espíritos. Há faculdades em que a percepção dos espíritos é nítida e semelhante à percepção dos órgãos dos sentidos. O mesmo não se dá com a intuição. O médium tem razões para crer que o pensamento não foi criado por ele, mas também não sente segurança para afirmar que é oriundo de um espírito, e em caso afirmativo, hesita quanto à fidelidade do que está escrevendo.

A mediunidade intuitiva é um conjunto de sugestões espirituais registradas pelo pensamento/sentimento do intermediário que é traduzido, interpretado e registrado por ele.

Para se ter noção da precariedade da comunicação intuitiva, faça uma vivência. Peça a um amigo para lhe contar, sem citar nomes, um episódio que aconteceu com ele, em ritmo de narrativa, pegue um lápis e vá anotando da forma possível o que ele diz. Compare o resultado final com uma gravação daquilo que ele narrou. Como se saiu?

Imagine agora uma situação em que você não é capaz de ouvir claramente, em que as idéias são percebidas com dificuldade, é necessário manter a concentração sobre o conteúdo, sem dispersar-se e as suas próprias emoções alteram a comunicação com a fonte. Estas são algumas das dificuldades deste tipo de mediunidade.

Kardec estava atento a este tipo de situações quando escreveu sobre o assunto. Acostumado a trabalhar com médiuns mecânicos e semimecânicos, ele assim se refere à mediunidade intuitiva:

“Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se. (…)”

Uma observação que Kardec faz quanto ao mecanismo desta faculdade é o que se pode chamar de criação simultânea. O médium não cria o texto em sua mente e organiza as idéias para, a seguir, redigir. O pensamento “nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium”. (O Livro dos Médiuns, parágrafo 180)

Quatro elementos identificadores se encontram, portanto, no texto kardequiano: a falta de impulsos mecânicos, a voluntariedade da escrita mediúnica, a criação simultânea das idéias do texto e a presença de conhecimentos e informações que podem estar além das capacidades do médium.

Mesmo encontrando estas quatro características (e a última é muito importante para a identificação de um médium intuitivo), ainda assim o produto desta mediunidade é passível de mescla com as idéias pessoais do intermediário. Isto fez com que os espíritos dissessem a Kardec a seguinte frase sobre os médiuns intuitivos:

“São muito comuns, mas muito sujeitos a erro, por não poderem, muitas vezes, discernir o que provêm dos Espíritos e o que deles próprios emana”. (O Livro dos Médiuns, parágrafo 191)

Este tipo de faculdade desaponta bastante os que desejam ver fenômenos definitivos, que dão evidências da vida após a morte. Parece-se com o garimpo manual, descarta-se muita areia para encontrar uma ou outra pepita de ouro verdadeiro. O curioso é que os céticos ficam a dizer: “só vejo areia”, e quando surge o ouro vociferam “quem sabe este charlatão não o colocou aí quando nos distraímos”.

Eu expliquei aos poucos estas informações à jovem, que me pareceu um pouco desapontada no final da conversa. Talvez ela tenha sido incentivada a escrever o que lhe ocorria, mas não tenha surgido nada em seu texto que atenda ao quarto critério de Kardec. Tudo indica que continuou em dúvida.

Com o surgimento da Psicologia Analítica, a distinção entre mediunidade intuitiva e animismo ficou ainda mais difícil. Jung afirmou que alguns fenômenos psicológicos nos quais a pessoa se sente um expectador, são frutos da fantasia ou da imaginação ativa; esta última, uma manifestação de arquétipos do inconsciente coletivo, mas isto é assunto para um outro artigo.

Postado por Jáder Sampaio 

Referências: Allan Kardec, mediunidade intuitiva

Fonte: Espiritismo Comentado

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A homossexualidade analisada pela ótica de uma pessoa espírita

Dra Giselle Fachetti (21/12/2006)

Líder evangélico compara casais gays que querem adotar um filho com ...

Tenho uma postura que pode chocar alguns. Sou favorável ao contrato civil de união entre pessoas do mesmo sexo. Procurarei justificar minha posição nas linhas abaixo.

Com a lei da união civil entre pessoas do mesmo sexo uma união longa e estável de um “casal” homossexual seria reconhecida como uma sociedade civil gerando direitos legais tais como plano de saúde, pensão, herança… Isso não propicia e nem promove uma possível perversão, mas reconhece uma situação que existe de fato.

Todos sofremos quando assistimos cenas de discriminação em relação ás minorias. Temos horror daqueles que se julgam superiores a seus empregados e por isso precisam de um elevador exclusivo. Não entendo como estes seres superiores comem a comida preparada por pessoas com a qual não podem nem sequer dividir um elevador sob o risco de subversão da hierarquia social.

Quando nos defrontamos com uma cena de discriminação racial somos tomados de uma fúria politicamente correta. A mesma fúria se torna verde quando imaginamos a crueldade com animais para o simples prazer de se obter o mais belo casaco de peles ou para garantir que uma determinada maquiagem não é tóxica para o olho humano.

Só que não são apenas essas as cruéis discriminações que presenciamos em nossa sociedade. Discriminamos o feio, o magérrimo, o gordo. Discriminamos o pobre e o ignorante. Aceitamos apenas os nossos semelhantes. Aqueles que nos representem em uma espécie de espelho mágico dos seletos.

Proteger os animais e a mulheres são guerras “fashion”, chiques. Esta postura nos faz aceitos nas altas rodas. Se defendermos a união civil entre homossexuais em um ambiente que se diz familiar, seremos taxados de perversores da sexualidade humana, de desencaminhadores de indecisos.

Ora, ninguém passa a desejar fisicamente pessoas do mesmo sexo por imposição. O desejo sexual pode até ser reprimido em sua intensidade ou oportunidade. Agora, modificar sua qualificação, modificar a natureza do objeto que desperta esse desejo, isso não é uma possibilidade sujeita à simples vontade e decisão. O gosto pessoal é fruto de uma característica íntima, transcendente e intensa.

As pessoas não optam por serem homossexuais, elas o são. Nascem assim.

Imaginem um de nós que fosse fruto de um inusitado transplante total de corpo, uma experiência fantástica da ciência do faz de conta, e que acordasse em uma manhã qualquer, em um corpo do sexo oposto ao que utilizava. Nesta circunstância, estaríamos ainda impregnados de vivas impressões do corpo anterior e não seríamos capazes de mudar nosso foco de desejo sexual. Esta situação implicaria em uma transição instantânea, o que é um grande desafio. Portanto, seríamos, sim, de uma hora para outra, homossexuais.

Se, temos a nossa identificação sexual atual tão forte e nos gabamos disso, como se fosse um mérito, o que aconteceria se reencarnássemos em um corpo do sexo oposto? Certamente seríamos homossexuais. Quem garante que não passaremos por uma experiência assim um dia?

Ah! Diriam os pseudotolerantes:

Isso não acontece, pois a homossexualidade se trata de punição “cármica” para quem usou mal a sexualidade em vidas pretéritas.

E quem usou mal do amor fraternal que deveria distribuir e discriminou seus irmãos homossexuais? Será que para correção desse equívoco, a experiência em um corpo discrepante em relação á sua identificação sexual atual, não propiciaria uma ótima oportunidade?

Se retirarmos do pool de dores morais que os homossexuais sofrem aquelas oriundas de nossa intolerância, estaremos exercendo a caridade cristã que permitirá que, eles, ao carregarem uma carga menor, consigam chegar mais longe.

A homossexualidade é descrita por Freud como consequência de uma identificação sexual inadequada por ausência da figura paterna ou por essa figura, se presente, ser fraca, dominada ou inexpressiva.

Mas nem sempre essa premissa está presente. Uma família com características predisponentes á construção de personalidades homossexuais pode assistir ao crescimento de crianças que se tornem adultos heterossexuais. Na realidade isso é o que acontece na maioria das vezes.

Temos, portanto, um componente ambiental, um emocional, um biológico e um espiritual envolvidos no complexo desenvolvimento de uma personalidade homossexual. Não acredito que se trate sempre de obsessão como querem muitos dos pseudotolerantes.

A obsessão só explica o aprofundamento de características já presentes nos indivíduos, ainda que latentes. Não é por sintonia que os obsessores agem? Nenhum obsessor é capaz de fazer uma mulher desejar outra, a não ser que ela já tenha, em si, trazido a tendência homossexual, o que abre as portas para obsessores afins. Existem obsessores de todos os matizes, conforme o número de seres humanos diferentes entre si.

A questão espiritual é importante nesta problemática. Um espírito ainda bastante identificado com as qualidades femininas vivendo em um copo masculino e vice-versa.

Outra forma de pseudotolerância é quando taxamos todos homossexuais de ex-perversos. Ou seja, estão colhendo os frutos de uma sexualidade transviada em encarnações anteriores. Sabemos que isto pode acontecer, em alguns casos, mas, se generalizamos, estamos construindo a estrutura básica dos preconceitos.

O que eu acredito que explica de forma mais fiel a situação é uma identificação intensa do espírito com o gênero sexual em que viveu na terra por muitas oportunidades, em geral sequenciais. Em um determinado momento deve ser feita a transição para um corpo do sexo oposto com objetivo de possibilitar àquele espírito aprendizados mais próprios do outro gênero.

Quando o espírito já alcançou um grau de desmaterialização maior, ele consegue viver sua sexualidade conforme o corpo que recebe. Vemos muitos homens femininos e mulheres masculinas que não são homossexuais.

Se ainda está muito ligado às experiências anteriores mantém o padrão que apresentava nestas outras oportunidades. Ele se sente prisioneiro em um corpo inadequado, estranho, impróprio.

Muitos de nós que nos vangloriamos de sermos “machos” ou “fêmeas” exemplares viveremos experiências semelhantes, no momento em que a transição se fizer compulsória.

Alguns homossexuais são verdadeiros missionários, enviados à terra para lutarem contra os preconceitos e para dignificarem seus irmãos homossexuais que ainda encontram-se perdidos na promiscuidade sexual. Muitas vezes isso se deve às intensas e profundas distorções de auto-imagem e auto-estima que a interação com uma comunidade preconceituosa geram.

Quando aceitamos o homossexual com a condição de que ele não pratique sua opção sexual, os estamos condenando á solidão. Quais de nós abriria mão de sua vida sexual de forma definitiva, no grau de evolução em que nos encontramos atualmente, em função de uma tese? Ou de um dogma? Apenas alguns ….

Qual o prejuízo que essa prática gera a sociedade?

É claro que não estamos falando de promiscuidade. Alguns homossexuais são promíscuos, e isso é um erro. Ser homossexual e praticar a relação homossexual com parceiros selecionados e de forma segura não pode ser considerado um pecado. É uma prática condizente com as necessidades físicas do ser humano.

O heterossexual promíscuo está errado, a mulher casada que mantém relação sexual com seu marido em troca de benefícios financeiros é prostituta. O heterossexual desleal também está em pecado. Se alguém assumiu um compromisso com um determinado parceiro e foge ao compromisso de forma desonesta, ele peca.

Trair não é um ato físico. Trair é descumprir um acordo. Se um casal hetero ou homossexual não respeita um acordo consensual feito previamente, eles estão sendo desleais e anticristãos. Se existe uma situação nova que impede o cumprimento do acordo inicial, este deve ser revisto de forma clara e até desfeito, se for o caso.

O ideal é que tenhamos um único parceiro em toda a nossa vida. Se tivermos a benção e a sabedoria de acharmos um par compatível com nossas expectativas e possibilidades podemos viver essa situação ideal. Só que neste mundo ela ainda é rara.

Estaremos todos em um grau maior de aproximação com a Divindade no momento em que tivermos a condição de praticar o que a Bíblia propõe, em termos de sexualidade, de forma natural, automática, plena.

Pessoas que tiveram inúmeros parceiros sexuais são aquelas que ainda não acertaram em sua busca. Ninguém tem o direito de tirar as esperanças de um irmão sedento de felicidade. É claro que a medida em que evoluímos, a nossa felicidade passa a depender mais de nós mesmos do que do objeto de nossa afeição ou de conquistas materiais. Mas ainda estamos na terra e não no paraíso.

Se ainda somos dominados por impulsos animais e estes serão vencidos por nossa evolução, creio que o processo, para ser bem sucedido envolve um caminhar conjunto e solidário.

Sem dúvida, quando eu me identificar menos com as necessidades materiais talvez eu possa entender a possibilidade de sublimação do desejo sexual de forma não perniciosa. Por enquanto, quando penso nisso, lembro-me dos pedófilos escondidos em uniformes respeitáveis.

A franqueza será sempre mais saudável que a dissimulação. Melhor um homossexual assumido do que um pseudo-sublimado corruptor e ocultado atrás de uma respeitabilidade fictícia.

Sei que um dia eu serei vencedora na luta pela perfeição, não sei se chegarei lá antes ou depois dos homossexuais que conheço. Mas isso não faz diferença…. Estamos caminhando e é o que importa.

Amarmos ao próximo como a nós mesmos significa aceitar as opções e características individuais. Não exigir de ninguém o que não seríamos capazes de fazer. Quem de nós é capaz de abrir mão de sua vida sexual? Quem é livre do pecado e tem condição de atirar a primeira pedra?

Giselle Fachetti Machado – Médica ginecologista e obstetra

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Possessão espiritual – uma visão médico-espírita

Folha Espírita

No começo de abril, chegou aos cinemas o filme O exorcista do Papa, que é baseado em relatos do padre Gabriele Amorth, que foi exorcista-chefe do Vaticano e que teria realizado mais de 100 mil exorcismos em sua vida, escrito artigos e livros sobre suas experiências. O filme mostra a luta do sacerdote, que morreu em 2016, aos 91 anos, com o Satanás, que “possui” o corpo de inocentes.

Para abordarmos sobre possessão espiritual, convidamos o médico e psiquiatra Jaider Rodrigues de Paulo, sócio-fundador da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AMEMG) e vice-presidente da entidade desde 2016. Ele é ainda diretor e médico-assistente do Hospital Espírita André Luiz, em Belo Horizonte (MG), médium e expositor espírita com participação em eventos nacionais e internacionais; autor e coautor de diversos livros, entre eles: Enigmas da desobsessão. Foi também um dos fundadores da AME-Brasil e membro da diretoria por muitos anos.

A entrevista realizada com o Dr. Jaider está disponível no podcast da Folha Espírita (link abaixo), onde se pode ouvir na íntegra todas as suas explicações sobre o intrincado tema, contando com sua experiência tanto como médico psiquiatra quanto como dirigente de trabalhos mediúnicos há mais de 50 anos, o que enriqueceu as elucidações sobre o assunto.

Folha Espírita – Dr. Jaider, quando procuramos o significado do termo “possessão”, que é usado várias vezes durante o filme O exorcista do Papa, encontramos as palavras “posse espiritual”, “subjugação”, “crença paranormal ou sobrenatural de almas”, “espíritos”, “deuses”, “demônios”, “extraterrestres ou outras entidades imateriais que assumem o controle de um corpo humano, normalmente prejudicando a saúde e o seu comportamento”. Isso é possível?

Jaider Rodrigues de Paulo – Pois é, isso acontece muito mais do que a gente pensa. Só notamos esse fenômeno. O fato é que quando ele é muito “florido”, quando o Espírito chega a se manifestar dessa forma, geralmente, é um quadro de vingança. Mas, às vezes, acontece de a pessoa estar dominada pelo Espírito e há uma simbiose tão grande entre os dois que não se sabe a hora que um ou o outro está pensando, um está sempre refletido no pensamento do outro. É uma possessão passiva, em que o indivíduo às vezes nem sabe que está sendo tomado, porque o Espírito que está fazendo isso é emocionalmente muito desequilibrado. É, realmente, um fator de esforço da vingança.

De uma maneira geral, as pessoas estão sendo possuídas sem perceber que estão. Eu já tive pacientes que até acometeram assassinatos numa situação dessa. Ele cometeu o crime e depois, numa reunião espírita, o Espírito se manifestou e falou que o indivíduo achou que estava fazendo sozinho, mas que ele usou o corpo do outro para cometer o crime.

FE – Poderia nos explicar sobre “usar o corpo”?

Dr. Rodrigues de Paulo – Às vezes, não percebemos que toda obsessão é precedida por uma auto-obsessão. Dessa forma, na realidade, chegamos à conclusão de que não existe obsessor. Existem obsediados. Porque tem que ter um ponto comum onde os dois se encontram: um possuído pela ideia de vingança e o outro pela culpa. Então, há a junção culpa e vingança. Os dois são obsediados, um obsediado pela ideia de vingança e o outro obsediado pela culpa.

Existe uma interferência mental em cima daquilo que o dito obsediado tem. Vamos dar um exemplo: o obsediado é um indivíduo que tem uma predisposição para o jogo. É nisso que o dito obsessor vai agir, fomentando nele essas necessidades. Ou seja, à medida que alimenta a necessidade do jogo, ele vai afinando as vibrações dele em cima dessa dificuldade do indivíduo e vai ligando os plugues no campo mental da pessoa. Esses plugues podem ser ligados tanto no campo mental numa primeira instância quanto depois serem ligados no campo nervoso, atuando mais diretamente no cérebro e nos neurônios.

FE – Quando o obsediado é conduzido a uma sala de desobsessão, o obsediador pode estar fora da sala? Ou seja, a sessão de desobsessão deve acontecer com ele presente ou é melhor ele estar fora da sala?

Dr. Rodrigues de Paulo – É melhor o obsediado não estar presente, porque, às vezes, a pessoa não está suficientemente bem estruturada para ter uma conversa com o seu perseguidor. Por quê? As ameaças, as acusações que podem estar dentro de uma estrutura cármica, ou uma estrutura de comportamento que não seja ideal para ele, podem, através das palavras e das ameaças do obsessor, dar início a um processo de desequilíbrio mental. Assim, preferimos que se leve o nome do obsediado para a reunião e que a pessoa, se possível, fique na casa dela, num local tranquilo e, no horário da sessão de desobsessão, permaneça em prece, relaxada, para que o trabalho seja feito longe dela.

FE – Se o indivíduo é um médium ostensivo, a mediunidade dele diminui como consequência da possessão?

Dr. Rodrigues de Paulo – Se é um médium ostensivo, ele tem a tarefa mediúnica. Temos dois tipos de mediunidade: a evolutiva, que é a mais intuitiva, e a tarefa mediúnica. O médium vem com a mediunidade evolutiva a fim de ressarcir-se de vários problemas cármicos. E no caso da mediunidade de tarefa, o indivíduo é preparado no mundo espiritual para exercer a mediunidade quando encarnado. Ele é preparado em nível do corpo astral e, quando reencarna, também em nível do duplo etérico de seus neurônios.

É por isso que Kardec falou que a faculdade mediúnica é orgânica. O médium é preparado para vir com essa tarefa, e para ele esta é uma tarefa libertadora. Ele tem a possibilidade muito grande de ressarcir-se de dificuldades pessoais profundas. Vou dar um exemplo: a pessoa, às vezes, tem incitações de ideias emocionais no corpo mental, no corpo astral devido a atos do passado. Esse estado, essas culpas e atitudes o condenam. Quando o indivíduo se dispõe à mediunidade de tarefa, ele reencarna e começa a trabalhar, entrando em contato com essas entidades que têm padrão vibratório semelhante ao dele, com situações de identidade de circunstâncias do passado. E ele se dispõe de boa vontade – e até com sacrifício – a auxiliar aqueles Espíritos. É aí que esses núcleos são ativados pelas dificuldades daqueles Espíritos que vão se manifestar.

O médium, ao fazer um exercício mental para auxiliar o Espírito, ou fazer um exercício mental no sacrifício de sair de casa, pegar condução ou carro e ir para a uma reunião mediúnica, tudo isso é computado. Então, o que que acontece? Ao entrar em contato com um Espírito, a vibração deles atuam nesses núcleos e vão dissolvendo-os à medida que ele auxilia esse Espírito a se esclarecer. As energias que transitam nesse momento, tanto do Espírito quanto do médium, vão dissolvendo esses núcleos e ele vai limpando o seu carma. Isto é, no lugar de limpar o carma através de doenças, ele o limpa através do trabalho. Desta forma, o médium tem dois benefícios: a limpeza do carma do passado e a educação do presente nas atitudes de boa vontade e disciplina na medida em que a mediunidade induz o indivíduo à busca de esclarecimento e de conhecimento.

FE – Pela falta de conhecimento, a mediunidade é mitificada muitas vezes. Como é que fica a figura do Satanás, ela existe como é mostrada em filmes?

Dr. Rodrigues de Paulo – Geralmente, os Espíritos que atuam como Satanás, que causam esse terror, são Espíritos que não têm muita força mental. No mundo espiritual, os Espíritos que precisam de indumentárias aterrorizantes são sofredores, não são os grandes mestres mentais. As grandes lideranças não aparecem numa reunião.

Raramente, o mago do mal aparece numa reunião. Quando aparece, ele não é de falar muito, não é de fazer ameaças, é educado e polido, mas todo mundo sente a presença dele devido ao halo energético que emite e às energias desestruturantes. Uma das maneiras de saber se há um mago do mal numa reunião é quando os médiuns começam a se queixar de uma falta de concentração, uma constante de flashes mentais dissociados, sem conexão, desconexos e um afrouxamento dos nexos associativos da mente.

FE – No filme O exorcista do Papa, há cenas em que pessoas que “voam” com a força mental do dito Espírito demoníaco. O menino que é um dos personagens principais se transfigura completamente quando está “possuído”, e a irmã dele, em um dos trechos, passa a se assemelhar a uma aranha em movimento. Isso pode acontecer ou é efeito cinematográfico?

Dr. Rodrigues de Paulo – Dentro da possessão, os efeitos cinematográficos são usados para assustar e dar audiência, né? No entanto, já tivemos pacientes obsediados em possessão no Hospital Espírita André Luiz em que os Espíritos se apresentam e “tomam” o corpo da pessoa fazendo estardalhaço; geralmente, são desequilibrados emocionalmente e estão em uma situação de esforço violento. Não são Espíritos realmente inteligentes. O dito obsediado tem uma dívida muito grande com aquele Espírito, ou ele acha que tem essa dívida muito grande. Há um ódio muito grande entre os dois, um ódio oculto do obsediado que dá força a essa ligação. É por isso que “soltar” é difícil.

Os Espíritos que preparam vingança, geralmente, são os justiceiros no mundo espiritual e aproveitam do desequilíbrio tanto da vítima quanto do algoz em desequilíbrio. Rolar pelo chão e mostrar os dentes é emoção desequilibrada. Porque os Espíritos das trevas, os que dão trabalho mesmo, não aparecem assim. São educados, conversam, são matreiros. A conversa deles tem sempre o objetivo de tentar desestruturar o grupo. Como fazem isso? Tentando analisar a mente das pessoas, os núcleos de baixa resistência dos médiuns e dos orientadores da reunião em que eles vão atuar. Quanto mais estardalhaço, menos capacidade mental esse Espírito tem.

FE – O filme traz ainda o caso de uma mulher que traz o sentimento de culpa do sacerdote, que se matou porque, apesar de ter distúrbios mentais, foi tratada como possuída. Isso nos faz lembrar o filme O Exorcismo de Emily Rose, que traz a história de uma jovem atormentada por visões, vozes e episódios inexplicáveis, que faleceu após ser submetida a incansáveis sessões de exorcismo. O caso de Anneliese Michel ocorreu de verdade, não é ficção, e levanta questionamentos até hoje sobre a sua condição: possessão demoníaca ou uma doença mental não tratada adequadamente? Como diferenciar uma coisa da outra? É possível ter os dois?

Dr. Rodrigues de Paulo – Na história da Emily Rose, temos que que fazer um corte horizontal, ou seja, entender sua vida e o que aconteceu naquele período. E não sabemos como ela era. Uma das manifestações da sintomatologia da obsessão e da possessão é a crise convulsiva. É muito comum, já vi isso demais no meu consultório e no hospital. O paciente apresenta uma crise convulsiva, você pede o eletroencefalograma e o resultado está normal. Se não tem um foco e tem a crise convulsiva, você põe um pé atrás, isto é, a convulsão pode ter sido encadeada por uma questão espiritual.

Se tem um foco epileptogênico, o quadro está esclarecido. Mas muitos têm a crise convulsiva, faz o eletro e não tem nada. O episódio acontece quando o Espírito acopla, despolariza os neurônios pela afinidade que já tem com o perseguido, e esse entra em convulsão. No caso da Emily Rose, na minha opinião, pelos relatos do caso, faltou este conhecimento, pois tratava-se de uma possessão com uma atuação neurológica, desencadeando a convulsão.

No Hospital André Luiz, cheguei a atender pacientes que chegavam amarrados, gritando e batendo-se, fazendo ameaças, falando palavrão e fazendo coisas assim absurdas. E o que fazíamos? Chamávamos o apoio dos passistas e aplicávamos uma medicação na veia. Enquanto o paciente era sedado, às vezes, o obsessor falava que ele não ia dormir, ele não o deixaria dormir. Mas quando sedamos o encéfalo, o Espírito não tem mais como agir. Os passistas vinham e o “desligavam” através do passe. O paciente costumava acordar no outro dia e perguntar: “o que que aconteceu comigo?” Ele tinha uma amnésia lacunar naquele período. Na maioria das vezes, a pessoa já vem apresentando alguma situação que, muitas vezes, ela esconde.

A gente tem muito medo de doença mental. Às vezes, a pessoa já estava sentindo alguma coisa, ouvindo alguma voz, vendo coisas estranhas, mas ela luta para não apresentar aquilo, para não ser taxado de doente mental. Então, dissimula, mas os plugues já estão se juntando e se conectando mentalmente, por uma questão de carma ou por uma questão de deficiência no comportamento atual. Aí vai entrar o uso de drogas, frequência em ambientes de vibração destoantes, situações de conflitos familiares, de marido e mulher etc. E o que os obsessores fazem? Eles vão se aproximando pela periferia, desequilibrando as estruturas que possam dar equilíbrio. Se você tem um amigo, ele o afasta do amigo, o induz a ir a um local onde você fica mais exposto em termo vibracional. Induz você a usar droga e a beber, assim como a alguma postura que você não aceita. E você, às vezes, entra numa situação dessa e fica com culpa e estabelece, assim, um gancho de ligação com o obsessor. São coisas que eles vão minando para poder chegar até você. E isso vai acontecendo sem você perceber, porque nós temos uma capacidade de nos adaptarmos às dificuldades e, de repente, a coisa estoura.

FE – No livro A obsessão e suas máscaras, a dra. Marlene Nobre nos traz uma reflexão sobre a “possessão partilhada”, a partir de seus estudos na obra de André Luiz. E cita que, em alguns casos, a parceria no vício são estas possessões partilhadas, que ela as classificou como obsessão de natureza anímica. No caso de possessões, sempre há uma adesão inicial que depois leva ao quadro de subjugação?

Dr. Rodrigues de Paulo – No nosso entendimento, ela pode ser compartilhada no prazer. Ela pode ser compartilhada também no ódio, porque um indivíduo para ser pego numa possessão ou numa obsessão, ele tem que ter dentro de si os repertórios que o obsessor manipula para poder tomar conta da mente dele. Um é compartilhado no prazer. O outro é compartilhado diante dos carmas e dos comportamentos atuais. O indivíduo que já está no processo de libertação, num processo de estrutura mental voltada para o bem, para o equilíbrio, ele não é pego fácil em obsessão. Ele tem um repertório interno para manter o mental dele sempre acima das investidas do mal.

Por isso que a Doutrina Espírita é sabia e nos ensina que “fora da caridade não há salvação”. Quando você está fazendo o bem para qualquer pessoa, você automaticamente eleva o seu tônus vibratório. E o que é tônus vibratório? É a média aritmética das suas vibrações no período. O que você pensa num período é o seu tônus vibratório. De você está lendo uma coisa boa e construtiva, você está elevando o seu tônus vibratório, à medida que você medita sobre aquilo. Se você está fazendo qualquer coisa boa, você está elevando o tônus vibratório. Se você tem uma conversa sadia, você está elevando o tônus vibratório. Desta forma, isso faz com que você não fique à mercê das vibrações de baixa frequência, elas não coadunam com aquele seu método de vida. Mas, quando você está levando uma vida dissoluta, sem responsabilidade, indo pelo vento da circunstância, você baixa o seu tônus vibratório e se torna presa fácil daqueles em estão querendo se aproveitar da situação que você está sendo exposto. É por isso que eles falam a necessidade de se procurar estar sempre vigilante.

FE – Como deve ser montada uma sala de desobsessão em uma casa espírita? Ela é diferente de uma reunião de desenvolvimento mediúnica?

Dr. Rodrigues de Paulo – O desenvolvimento mediúnico é uma educação e uma ação para que a pessoa tenha desenvoltura, intimidade e uma capacidade de pensar que as ideias fluem dele e vem de fora também. É para poder se familiarizar com o processo mediúnico e ir se afinando com as vibrações e com seu mentor. Então, a pessoa tem que assumir o compromisso e responsabilidade com a reunião. Em reunião mediúnica é muito sério que o indivíduo não seja flutuante. Tem que ser alguém que decidiu educar a mediunidade. Nas reuniões mediúnicas, vamos receber Espírito sofredores, aqueles que morreram e não sabem, aqueles que são os desafetos dos frequentadores do centro espírita. Junta-se ali o grupo de encarnados e dos desencarnados, assim, os mentores vão fazendo um saneamento de conformidade com o merecimento, a postura mental e responsabilidade do indivíduo.

Já a reunião de desobsessão deve ser feita contando com aqueles elementos que são mais assíduos e que mais trabalham. À medida que essas pessoas vão se apresentando com mais responsabilidade, assiduidade e vestindo a camisa do trabalho, eles estão fazendo um grande trabalho mental, sem perceber. Um trabalho mental de arregimentar forças no Espírito dele, através da dedicação para ajudar outros, vencendo as suas próprias lutas. Para montar uma reunião de desobsessão, primeiro é necessário escolher um orientador que seja experiente, que estuda e que procura ter um controle das suas emoções. A reunião mediúnica de desobsessão precisa de um tônus maior da equipe, e esse tônus vai ser formado pela assiduidade, responsabilidade pelo estudo e por aquilo que o orientador faz para seu autoconhecimento. O problema do autoconhecimento é o nosso ego. Ele é sorrateiro e, muitas vezes, a vaidade aparece travestida de caridade.

FE – Para encerrarmos, deixe-nos algumas recomendações positivas para alguém que sofre com a obsessão, ou que conhece pessoas que estão sofrendo muito com a obsessão.

Dr. Rodrigues de Paulo – Tudo que estamos passando hoje, as maiores dificuldades, os sofrimentos, tudo é transitório. Todo o sofrimento é um ensinamento. Não é que nós tenhamos que passar por determinados sofrimentos que a gente escolhe, não. Mas, se você optou por aquilo, durante as maiores dificuldades, você está crescendo. Até no mal, você está crescendo. Vocês já pensaram o dia que um Espírito como o Hitler, com aquela força mental, virar para o bem, o que esse Espírito vai fazer? Lembremos o que Paulo de Tarso fez, foi um Espírito luminoso, glorioso, porque não se deixou dominar pelo mal.

Ainda que a gente esteja sofrendo, a dor pode estar fazendo luz em você. No momento em que você começar a entender esse sofrimento, ele vai fazendo luz de libertação em você. Nós fomos criados pelo Criador, o Nosso Pai, mas nos afastamos Dele. Somos criados pela Eminência Divina ligada à felicidade, à libertação e ao poder. Só que nós buscamos de maneira equivocada, e o sofrimento é a melhor possibilidade que o indivíduo tem de abrir a consciência. O sofrimento, a doença, a situação financeira difícil é um recado. Se a gente souber interpretar e aprender com esses recados, nós vamos crescer. Todo sofrimento tem fim. E o fim é quando você começa a entender a sua vida, por isso que é muito importante a autorreflexão, a meditação. Você vai abaixando as questões de ansiedade, de revolta com sofrimento, e ele vai deixando de ter aquela força que ele tem na sua vida. Nasce assim outro tipo de força, aquela força de resiliência, para você vencer os obstáculos. Qualquer sofrimento tem essa função, não é punição. É educação. Deus não pune seus filhos. Ele educa Seus filhos. E nossa situação aqui na vida é um átimo diante da eternidade. Isso vai passar. Estamos numa época de posicionamento. Não podemos repetir os equívocos de passado. O tempo novo chama uma postura nova; postura nova chama vivências novas; vivências novas chamam alegria, felicidade, paz e consciência.

Fonte: Folha Espírita

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Fecundação: início da formação de um novo ser

Drª Cristiane Assis

O ser humano sempre teve curiosidade sobre os mistérios da vida. Com as descobertas científicas, em particular a do microscópio, o homem foi capaz de vislumbrar o momento do encontro entre óvulo e espermatozóide, ao qual denominou fecundação. A explosão de vida que surge desse encontro surpreendeu e surpreende até hoje. O surgimento de um ser único e com identidade genética própria, a partir do simples encontro de duas pequenas células, é algo que deixa qualquer um deslumbrado.

Porém, informações que nos são dadas pela generosidade dos amigos do plano espiritual mostram que tal encontro não é tão simples assim. Inúmeros são os fatores que envolvem o retorno de um espírito ao corpo físico e para observá-los o homem ainda não foi capaz de desenvolver instrumentos adequados.

Falaremos sobre as gestações que envolvem um espírito reencarnante, deixando para abordar as fecundações sem espíritos quando comentarmos sobre as complicações da gravidez.

Não existe fórmula fixa para a reencarnação. André Luiz nos lembra que acreditar que existe uma técnica invariável no serviço reencarnatório seria a mesma coisa que dizer que a forma de morrer é única para todas as pessoas. A reencarnação pode envolver grandes planejamentos ou ocorrer de forma compulsória, dependendo da evolução e grau de merecimento do ser reencarnante. Em Entre a Terra e o Céu , o Ministro Clarêncio explica a André Luiz que milhares de renascimentos na Terra ocorrem de maneira automática, bastando para isso o magnetismo dos pais, aliado ao forte desejo do espírito reencarnante.

Mas em que momento ocorre essa ligação? Em A Alma da Matéria, Dra Marlene Nobre ressalta que as orientações dos Espíritos Superiores não deixam dúvidas de que a união da alma com o corpo ocorre no instante da concepção. Isso demonstra a importância desse momento no processo reencarnatório. A partir daí, ao longo de toda gestação, o feto estará sujeito a influências físicas, mentais e espirituais provenientes de sua mãe e do meio ambiente.

Em Missionários da Luz, André Luiz nos fornece um relato detalhado sobre os mecanismos envolvidas na reencarnação de Segismundo. Destacaremos aqui as informações referentes à fecundação.

Em 1943, ano em que o livro foi psicografado, André Luiz nos explicava que o perispírito do reencarnante atua sobre o óvulo, dirigindo-o na seleção do espermatozóide, de modo a escolher o mais “útil” à programação reencarnatório. Essa informação só foi comprovada pela ciência em 1991, quando um estudo realizado em conjunto por cientista americanos e israelenses, demonstrou que uma substância produzida pelo óvulo ou por suas células vizinhas, era a responsável pela seleção do espermatozóide mais apto. Tal descoberta provoca uma mudança significativa nos estudos sobre fertilidade, uma vez que até então, acreditava-se que o espermatozóide “vencedor” seria o mais rápido.

Assim, passamos a entender um pouco melhor porque em alguns casos de anomalias cromossômicas, entre milhões de espermatozóides, aquele que fecunda o óvulo é “anormal”.

André Luiz prossegue seu relato descrevendo que o encontro entre os gametas dos pais gera um microscópico globo de luz, sobre o qual Alexandre ajustou a forma de Segismundo que se encontrava interpenetrada no perispírito de sua mãe. Quando isso ocorre ele nos conta que “essa vida latente começou a se movimentar”.

Através de relatos como os de André Luiz, podemos compreender melhor as emoções provocadas pela divisão celular aparentemente desordenada de um zigoto, capaz de gerar um novo ser. Não é o acaso que orienta sua formação, mas sim um espírito em busca de aprimoramento. A “construção” de seu corpo é apenas o primeiro passo de sua nova jornada.

Cristiane Assis

Fonte: Medicina e Espiritualidade

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

– A Alma da Matéria – Marlene Nobre – Cap 4: O processo reencarnatório – FE Editora Jornalística

– Entre a Terra e o Céu – Francisco Cândido Xavier pelo espírito André Luiz – Cap 28: Retorno -Federação Espírita Brasileira

– Missionários da Luz – Francisco Cândido Xavier pelo espírito André Luiz – Cap 13: Reencarnação

Para maiores informações consulte o site da folha espírita http://www.folhaespirita.com.br/

Dra Cristiane é ginecologista, especializada em Medicina Fetal, escreve na Folha Espírita e é autora de livros, sendo o último -Gestação encontro entre almas.

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Homem-psi!

Dr. Ricardo Di Bernardi

Até alguns anos atrás, tínhamos uma concepção de um Homem espiritual e a sua contraposição no conceito de um homem-animal. Havia uma antropologia espiritualista e, do lado oposto, uma antropologia materialista.

O avanço das pesquisas científicas, no campo do conhecimento do Ser, levou a uma solução do dilema espiritualismo x materialismo. O homem psicológico de antes não pode mais hoje se restringir a rede animal dos sentidos convencionais. Teve, obrigatoriamente, que se abrir ao extra-sensorial, da mesma forma como o universo físico se ampliou no universo Energético.

O homem-psi é uma miniatura da nova concepção de universo. Além de tudo, a própria concepção de energia mudou, ampliou-se. O homem-psi atual não destrói o homem-psicológico, mas o amplia da mesma forma que o conceito universo físico foi superado pelo conceito de universo Energético.    A psique ou alma não é mais uma entidade meramente metafísica ou teológica nem um simples resultado das atividades bioquímicas do corpo. A alma passou a ser a mente, um elemento extrafísico do Homem, capaz de sobreviver à morte biológica e suscetível a investigação científica em laboratório.

Na universidade de Cambridge, o professor Whately Carington, formulou uma teoria post-mortem e Harry Price da Universidade de Oxford, afirma que a MENTE humana sobrevive após a morte e continua sendo capaz de transmitir telepaticamente.

Embora haja parapsicólogos comprometidos com instituições religiosas, muitos são independentes, portanto livres para investigar. Assim, dentre as investigações mais significativas citaremos as do Prof. Pratt da Duke University dando origem à classificação de um novo tipo de fenômeno paranormal, denominado teta – oitava letra do alfabeto grego, com a qual se escreve Tanathos, que significa morte. Quaisquer contatos com mentes que sobrevivem a morte estão inseridos nesse estudo.

Outro grupo de fenômenos pesquisados são os relacionados com a existência de vidas passadas (reencarnações), investigados em mais de 2000 (duas mil) crianças que se recordavam, espontaneamente, de suas existências anteriores, um trabalho minucioso do Prof. Dr. Ian Stevenson da Universidade da Virgínia. Semelhante ao do Prof. Banerjee, da Universidade de Jaipur na Índia. Trata-se de MEC, memória extracerebral. Trabalhos rigorosíssimos e cercados de inúmeros cuidados.

Na Rússia, Dr. Vladimir Raikov também investigou a MEC, embora considere como sendo fenômenos obtidos por alguma forma de sugestão hipnótica, os denominou de ‘reencarnações sugestivas”.

Essas informações nos levam a crer que há uma tendência dos grandes grupos de parapsicologia do mundo em aceitar a possibilidade da “tese da sobrevivência da mente humana” após a morte biológica, principalmente o grupo ocidental. O casal Rhine da Duke University chega a dizer que, além da mente ser extrafísica, sobrevive a morte física e, após a morte biológica, é capaz de transmitir comunicações telepáticas.

Atualmente, a Telepatia, clarividência, precognição (premonição), psicocinesia (ação da mente sobre a matéria) estão comprovadas em laboratório. Sobrevivência após a morte, e reencarnação? As comprovações laboratoriais estão a caminho. Como pessoas ligadas à ciência, importante que tenhamos bom-senso e equilíbrio. Nem nos exaltarmos em voos com asa de cera, tal qual Ícaro que teve suas asas derretidas sob o sol, nem colocarmos chumbo nas asas do espírito. A visão independente dos fenômenos paranormais nos faculta abrir os olhos diante do sol do esclarecimento que nos traz inúmeras informações das escolas europeias e norte-americanas.

A alma ou Espírito deixa de ser do outro mundo, passa a se integrar neste mundo. Gradativamente, o preconceito científico que embaraça as investigações vem reduzindo de intensidade. Ao mesmo tempo, se reduz o preconceito religioso que se recusa a aceitar a investigações científicas sobre questões espirituais.

Dr. Ricardo Di Bernardi é médico pediatra e homeopata. Palestrante e escritor espírita. Presidente do ICEF – Instituto de Ciências Espíritas de Florianópolis.

Fonte: Medicina e Espiritualidade

Para acesso aos livros do Dr. Di Bernardi https://www.estantevirtual.com.br/livros/ricardo-di-bernardi

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Da mocidade ao poder, da fortuna à Inteligência….

Orson Peter Carrara

Imagine o leitor as possibilidades da Mocidade, da Fortuna, da Liberdade, do Poder, da Inteligência, do Casamento venturoso, da Saúde…. São aspirações comuns na maior parte da Humanidade, são desejos e lutas em busca desses estados. Se puderem estar aliados, então, ainda melhor, não é mesmo? É o pensamento corrente.

Todos eles, porém, requerem discernimento, bom senso na vivencia ou no uso consciente, evitando-se abusos e seduções, sob pena de grandes decepções.

Tentações variadas e mesmo avanços ou ataques da inveja e do ciúme, seduções de toda
espécie rondam as proximidades desses dons. Inclua-se ainda a indisciplina que gera tantos transtornos ou discórdias que se instalam, solidão, abandonos e contatos com a ignorância e desafios outros.

Aí está o escopo do capítulo 27 – O dom esquecido, constante do livro Jesus no Lar (ed. FEB), de Neio Lúcio/Chico Xavier. A narrativa refere-se a um homem com muitos méritos e que foi pedindo esses dons, um a um, vivendo-os em plenitude e sempre encontrando decepções à sua volta, apensar dos dons….

Voltando à Corte Celeste muito desanimado, face às frustrações, indagando qual dom lhe
faltara pedir. A resposta foi que faltou vivenciar a Coragem. Segundo o Mensageiro Celeste, essa grande virtude é o maior de todos os dons, pois produz entusiasmo e bom ânimo para o serviço indispensável de cada dia.

Se o homem não possui coragem para sobrepor-se aos bens e males da vida humana, de pouca utilidade são os dons temporários na experiência transitória.

(Adaptação parcial, inclusive com pequenas transcrições, do capítulo citado no próprio texto.)                    Fonte: Portal do Espírito

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Tola vaidade, louco orgulho e estúpido amor-próprio

A pergunta é objetiva, direta: “(…) Ó estúpido amor-próprio, toda vaidade e louco orgulho, quando sereis substituídos pela caridade cristã, pelo amor do próximo e pela humildade que o Cristo exemplificou e preceituou? (…)”.

É um parágrafo esquecido*, mas como é atual! E aí o próprio autor responde com clareza: “(…) Só quando isso se der” – refere-se naturalmente à substituição proposta e continua:  “desaparecerão esses preceitos monstruosos que ainda governam os homens, e que as leis são impotentes para reprimir, porque não basta interditar o mal e prescrever o bem; é preciso que o princípio do bem e o horror ao mal morem no coração do homem.”

Nem sempre prestamos atenção nesses detalhes, ainda mais porque referido trecho está em mensagem dentro do subtítulo O Duelo (que precipitadamente julgamos ultrapassado), muito atual especialmente pelos duelos mentais, psicológicos, emocionais e culturais tão em moda nas redes sociais. Sugiro ao leitor reler o segundo parágrafo acima para sentir a abrangência e atualidade do texto. O destaque fica para a expressiva afirmação: “não basta interditar o mal e prescrever o bem; é preciso que o princípio do bem e o horror mal ao morem no coração do homem”, que sugere com propriedade uma mudança em nossos hábitos e costumes, individuais e coletivos.

Convenhamos que estamos tateando ter em nós o princípio do bem e ainda não temos completamente horror ao mal – pois dele nos alimentamos, infelizmente. Como afirma o autor, somente a caridade cristã – em sua ampla compreensão e prática – pode substituir as bobagens das vaidades, do amor próprio em exagero e o louco orgulho que nos leva a tantos desajustes. Ressalte-se: individuais e coletivos.

*Trecho constante em mensagem de 1861 selecionada por Kardec e inserida no capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, autoria de Um Espírito Protetor.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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Por que as coisas não melhoram?

Sidney Fernandes

Infelizes que procuram casas religiosas em busca de equilíbrio, amparo, socorro e consolo, são motivados à oração, ao trabalho, à resignação e ao aprendizado.

Mas, estranho, quando adentram esses locais, em busca do esclarecimento, da fluidoterapia, da aposição de mãos, dos tratamentos espirituais ou do trabalho que equilibra, santifica e afasta as más influências, parece que alguns pioram. Sentem-se aturdidos, cercados e com a sensação de que as dores e os incômodos aumentaram, não obstante terem iniciado os tratamentos recomendados.

Vocação para a tristeza

A principal causa de nossos sofrimentos encontra-se nas sombras de nossa consciência. Antes de culpar espíritos ou más vibrações, devemos entender que as máculas internas provocam inquietações que, sua por vez, se transformam em doenças físicas e da alma. Pessoas começam atormentando a si mesmas e acabam sendo atormentadas por seres que se afinam com seus desequilíbrios.

Está aí a corporificação do ditado popular quem namora a doença, acaba se casando com ela, que tem, como vítimas preferidas, criaturas que costumam usar óculos escuros e veem somente sombras na vida e nas outras pessoas.

Tristeza tem remédio?

Fui encontrar, em brilhante artigo da escritora Denize Gonçalves, intitulado “Qual é o melhor remédio para tratar a tristeza? ”, excelente recomendação. Diz ela que o melhor remédio para tratar a tristeza não é a alegria, como muitos pensam. A gratidão é que leva a pessoa à alegria. A partir daí a autora discorre sobre a necessidade de agradecermos a Deus por mais um dia de vida e pelas oportunidades de desenvolvimento de nossas virtudes.

Obsessores? Não! Sócios no vício

Como vemos, amigo leitor, não nos cabe apenas defenestrar terceiros, atribuindo-lhes a culpa de nossos sofrimentos. O primeiro passo, sem dúvida, é olharmos para dentro de nós mesmos e lavarmos as sombras que imprimimos em nossas consciências. E os espíritos, são sempre vilões?

Aqueles que chamamos de temíveis obsessores, muitas vezes nada mais são do que sócios no vício. André Luiz, em Sexo e destino, descreve a situação de Cláudio, em que ele não conseguia especificar se o viciado era o encarnado, o desencarnado ou ambos. Não havia violência ou tortura e sim processo de fusão entre os dois, por deliberação própria.

Processo obsessivo

Pode acontecer, no entanto, que esteja instalado o processo obsessivo movido por espíritos não necessariamente cruéis, nem encarniçados perseguidores. Os vícios, por exemplo, não produzem apenas condicionamentos físicos, pois atingem o âmago de nossa alma. Todo viciado é um obsidiado em potencial, que acaba atraindo viciados desencarnados. Quando comparece a uma instituição — igreja, templo, centro espírita ou casa de recuperação —, os patrocinadores do seu processo vicioso podem reagir, por não admitir perder a sua presa, e acentuar os seus sintomas.

Os bons podem ser assediados pelos maus?

Não somente os tristes, os nostálgicos, os sócios dos desencarnados ou os portadores de vícios e feridas morais são objeto de ataque de irmãos infelizes. Os que se dedicam ao bem também atraem sua atenção.

Mestre da síntese, o exegeta Emmanuel, ao analisar este texto do evangelista João — E os principais sacerdotes tomaram a deliberação de matar também a Lázaro —, apresenta a intenção do farisaísmo de destruir Lázaro, para que não se consolidasse o poder do Cristo. Nessa análise, Emmanuel alerta os participantes do Evangelho quanto à ameaça dos fariseus nos dias que passam, que se sentem incomodados e perseguem os que se unem ao amor de Jesus. Em outras palavras, Emmanuel recomenda cuidado aos que saem da sombra para a luz e do mal para o bem, para que se previnam contra os fariseus dos dias atuais, visíveis e invisíveis, isto é, encarnados e desencarnados, que trabalham contra os valores da fé e a força dos ideais cristãos.

Qual é a melhor defesa?

Diante dos ignorantes que querem nos manter afastados do conhecimento e do sentimento, precisaremos agir firmemente, como recomendam os espíritos, diante de providencial pergunta feita pelo Codificador:

— Como podemos neutralizar a influência dos maus espíritos?

Se queremos combater a tristeza, desfazer associações infelizes, libertar-nos dos vícios e reunir forças para vencer os adversários da verdade, o remédio infalível será abrir o guarda-chuva da persistência no bem e da confiança em Deus, praticando a recomendação dos mentores a Allan Kardec:

— Praticando o bem e pondo em Deus a vossa confiança, repelireis a influência dos espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós.

Guarda-chuva divino

Pode acontecer de as coisas piorarem, por algum tempo, quando resolvermos abandonar velhos vícios e velhos parceiros. No entanto, ao nos inclinarmos para o lado do Cristo, ele, cheio de abnegação e amor, nos dará forças, na exata medida dos recursos específicos para cada um de nós. Estaremos abrindo o divino guarda-chuva, que nos abrigará e protegerá de todas as intempéries.

Referências:

Uma razão para viver, Richard Simonetti; Vinha de Luz e Pão Nosso, Emmanuel; Ação e reação e Sexo e destino, André Luiz; Artigo de Denize Gonçalves publicado no Diário de Votuporanga, em 21/8/21; O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.

Sidney Fernandes

Fonte: Espiritismo na Rede

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Entrevista sobre o Filme Lunares

O blog Letra Espírita conversou com Marco Aurélio Giangiardi, diretor, produtor e roteirista do filme Lunares a respeito do projeto. Leia abaixo e conheça um pouco mais sobre os objetivos deste trabalho que busca uma maior conscientização em torno da prevenção ao suicídio.

  1. Apresente-nos o novo projeto, o filme Lunares!

Após o lançamento do filme Portal dos Sonhos, nosso primeiro longa-metragem com o objetivo de combater o suicídio, o Plano Espiritual solicitou a produção de um outro longa-metragem com uma linguagem mais focada no público jovem, onde os índices de suicídio direto e indireto são muito elevados. Durante muitos anos havíamos apresentado uma peça de teatro de nome Lunares, que fazia muito sucesso junto a este público. Resolvemos, então, adaptá-la para o cinema e, depois de três anos de muito trabalho, conseguimos fazer a sua estreia. Lunares já conquistou, até o momento, vinte e um prêmios em festivais internacionais de cinema. Conta a história de cinco pessoas numa casa, numa noite de tempestade, onde fatos sobrenaturais começam a acontecer obrigando os personagens a realizar um perigoso jogo com o invisível, de onde surge uma mensagem de alerta para eles. A trama prende a plateia durante todos os 64 minutos que o filme dura. O final surpreenderá a todos.

  1. Vocês também produziram o filme Portal dos Sonhos. Quais as principais diferenças vividas na execução dos dois projetos?

Portal dos Sonhos, para nós, foi como trocar um pneu furado com o carro em movimento. Não sabíamos como fazer um longa-metragem.  Nossa vivência com teatro era intensa e sólida. Já com produção cinematográfica, não tínhamos nenhuma experiência. Tivemos que aprender tudo ao longo dos 5 anos que demoramos para concluir o filme. Tivemos que ter muita coragem, fé e ousadia. Agora, quando resolvemos produzir Lunares, já estávamos relativamente preparados, bem mais experientes.  Ficou bem mais fácil, pois sabíamos o que fazer e como fazer.

  1. Qual a principal lição que Lunares ensinará e deixará para o público?

São muitas as lições. A principal delas é a do recado final “como ficam as pessoas que você ama e quer bem e deixará por aqui caso resolva se autodestruir?”. A história é envolvente. Prende o espectador o tempo todo. Há muitos momentos divertidos e outros dramáticos. O amor à existência, a união, o respeito aos semelhantes, a busca de sentido para a vida e o saber perdoar, são recados muito fortes no filme.

  1. Quais as expectativas da equipe?

Queremos salvar vidas. Nosso maior prêmio é saber que Lunares sensibilizou e fez sentido para alguém. Motivar essa pessoa a se manter viva, buscando novos sentidos para a sua existência ou mesmo percebendo que precisa buscar ajuda e que ela nunca estará desamparada nessa busca.

  1. Conte-nos onde e como o público pode assistir a mais esta magnífica obra de divulgação da Doutrina Espírita?

Lunares está disponível no YouTube, com legendas em português, inglês, legenda para deficientes auditivos e com áudio descrição para deficientes visuais. Basta digitar no YouTube @associacaolunares2608.

  1. Deixe a sua mensagem final

O planeta terra atravessa um momento muito difícil. Os índices de suicídio aumentaram drasticamente ao longo dos anos. Nós, Espíritas, unidos, utilizando junto ao nosso próximo necessitado de apoio e luz, ferramentas como o filme Lunares, salvaremos muitas vidas do desastre da autodestruição.

Fonte: Letra Espírita

Assista ao filme:

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Por dentro do jogo da vida

Adriana Machado

POR DENTRO DO JOGO DA VIDA

Engraçado como a vida funciona! A gente se prepara para tantas coisas, mas as coisas nem sempre acontecem como a gente quer e, mesmo preparados para o que não queremos viver, quando chega o momento crucial de vivenciá-las, nos sentimos desamparados diante da quebra de nossas esperanças.

Tive a oportunidade de assistir um campeonato de jogos escolares e percebi que, mesmo sendo “do jogo” perder, não houve quem aceitasse, imediatamente, a derrota. Choro, desolação, culpas e arrependimentos… foi o que eu vi entre aqueles que não ganharam as suas partidas. Suas esperanças se foram e o momento do enfrentamento de si mesmos se fez presente, o que não aconteceu com os vencedores!

Felizmente, como em qualquer jogo, também vi união. Vi times inteiros se unindo para um consolo coletivo e individual. Vi jogadores desolados indo abraçar outros e dizendo aquilo que, certamente, também gostariam de ouvir. Vi solidariedade entre os times e o início de belas amizades entre aqueles que somente eram adversários em campo.

Como o esporte ensina! E ensina muito a todo mundo que quiser aprender!

Precisamos aplicar na vida aquilo que o esporte tem como premissa, mas nós, que crescemos, nos esquecemos… a confraternização sem interesse, a solidariedade entre vencedores e vencidos, porque a batalha é só lá dentro das quadras. Fora dali, somos apenas seres humanos em uma escola da vida.

Todos os dias, acordamos sem nos dar conta que a cada dia estamos entrando em mais um jogo, um jogo de aprendizado e de crescimento. Um jogo que faz parte de nosso dia a dia e que nos faz aprimorar a nossa capacidade de nos solidarizarmos com as dificuldades alheias, porque também as temos; um jogo que nos faz aprimorar a nossa capacidade para superarmos as derrotas, porque elas são somente instrumentos que nos dão maturidade para atingirmos patamares mais altos de compreensão sobre nós mesmos. Um jogo que sempre está a nos dizer que não existem derrotados, mas sim que devemos nos esforçar para participar das “jogadas” de superação a cada partida.

Ora, nenhum time consegue vencer todos os jogos todo o tempo. Antes dele ser quem é, precisou “perder” de alguém para se aprimorar e com isso “ganhar” as experiências que o fez ser um time vencedor. Ele precisou de adversários com experiências diferentes para que fosse exigido dele um aprimoramento de suas próprias qualidades. Assim é a vida agindo sobre nós! Ela nos coloca frente a adversários competentes para nos ajudar no nosso amadurecimento. E, quando estivermos prontos, ela nos colocará frente a outros para podermos ser os adversários competentes que os auxiliarão a agir pela sua própria superação.

Para tanto, entendamos o nosso papel na vida do outro, porque as nossas escolhas e posturas servirão de exemplo para levá-lo a futuras vitórias ou a amargas derrotas. Não podemos nos iludir: para as primeiras, o louro da vitória também nos abraçará, somando-se aos nossos tesouros espirituais conquistados. Para as segundas, no entanto, o fel será o gosto que sentiremos se a nossa intenção não foi fraterna, porque o juiz desta partida (nossa consciência) não nos perdoará facilmente.

Enquanto não abandonarmos as viseiras que nos restringem a visão sobre o que é viver, jamais seremos verdadeiramente gratos a Deus pelas boas ou não tão boas experiências que nos elevam a condição de vencedores e filhos Dele na sua mais pura essência.

Determinação, superação, honestidade, fraternidade, solidariedade… qualidades inerentes àqueles que sabem bem jogar o jogo da vida!

Sejamos eles, então!

Adriana Machado

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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