As tristezas e alegrias do morrer

Wilson Garcia

Ligados na Rede e Conectados com a Verdade: Qual a sua Visão sobre a Morte?

Indigno-me quando companheiro de crenças fala da morte como o fato triste. Contento-me quando um indivíduo de outras perspectivas espiritualistas chora a morte. Compreendo quando um materialista convicto se coloca indiferente à morte e consolo-me quando alguém comenta a morte como partida.

A morte espreita a vida, mas a vida renova a morte.

Tenho diante de mim três fatos: a contundência do incêndio de Santa Maria, a partida de uma figura conhecida do esporte brasileiro e a despedida de uma dirigente de centro espírita pernambucano conhecida em nossos meios.

Três fatos, distintos, três reações, distintas.

Confesso que fiquei chocado quando recebi a notícia da partida da dirigente espírita. A mensagem quase desconhecia a vida e dizia, implacável, mais ou menos assim: comunico com muita tristeza que nossa irmã… faleceu hoje.

Uma agressão à vida, que atingiu em cheio a minha, já combalida. Como se pode desconhecer o dia seguinte do espírito, o alvorecer do seu acordar, os reencontros, as alegrias das redescobertas, a sensação de alívio do pesado fardo deixado para trás?

Que a tristeza preencha os espaços mentais dos carentes de vida compreendo. Na perspectiva do nada ou da dúvida, na relação inocente, ingênua com o destino, na incompreensão da imortalidade que preserva a individualidade, compreendo.

O inverso disso não, não compreendo.

A história da dirigente é admirável. Dedicação, serviços, diligenciamento constante da solidariedade, superação, procura permanente das virtudes, demonstração inequívoca da postura moral, senso de justiça, amor em crescimento. Em suma, vida. Como não comungar com alegria do futuro imediato que lhe reserva imensas satisfações. Como imaginar que uma partida assim deixa de ser vida?

A contundência do fogo de Santa Maria tem sua realidade própria. O fogo, a fumaça, o descaso público, a irresponsabilidade, a perda instantânea das vidas jovens, o desaparecimento dos sonhos, o drama terrível dos pais e mães, tudo isso gera um horror coletivo e pessoal. Num átimo, parece que o existir desaparece, e com ele tudo o que o futuro poderia reservar.

Compreendo a tristeza. A vida acaba sem acabar em instantes assim, foge, deixa à mostra nossas fragilidades, cria um espaço vazio que parece não poder ser preenchido, traduz perdas irreparáveis. Estamos todos tristes pelo ceifar da alegria. Não é possível ficar indiferente, nem deixar de gritar o grito da vida contra aqueles que fabricam no silêncio do lucro e da venda da consciência a morte sorrateira.

Jamais pediria aqui uma alegria devida acima. Seria substituir a consciência por uma cruel racionalidade.

A morte do esportista tem outras conotações. Ele se foi em idade considerada justificável, e partiu depois de amargar os efeitos de uma doença asfixiante. Mas a vida finda parecia a vida em começo.

Amigos lamentaram, amigos informaram, amigos souberam. Um houve que, excepcionalmente, refletiu sobre as relações que teve com o esportista, afirmando ter nele um exemplo de amizade familiar, e concluiu que mais valem as boas relações, porque a morte prova nada ter valor maior. A tristeza que refletiu não era a tristeza do desespero, mas da compreensão, da conformação, da perspectiva que se abriu.

A morte pode ser alegria, mas a alegria nunca será a morte. A vida não pode ser a tristeza e a tristeza jamais será a vida. A tristeza é morte, desaparecimento, fim, destruição, fatalismo. A vida é fim e recomeço.

Meu filho partiu sem conhecer a vida; meu irmão partiu na entrada da maturidade. A saudade, a separação, a ruptura não esperada. Antes, quando ainda imberbe, meu pai se foi. Muito tempo depois, minha envelhecida mãe. Mas quando meu irmão ressurgiu das cinzas, espontaneamente, para traduzir suas experiências do pós-morte, percebi que a vida permanece com uma força desconhecida dos humanos. E acertei minhas contas com a alegria e a tristeza.

Uma amiga partiu no apogeu dos sonhos, aos 44 anos. Padeceu, negou, desesperou, revoltou. Um sofrimento atroz de minha tristeza a causa. Anos depois, retornou calma, para reafirmar a vitória da vida e agradecer a paciência dos amigos.

Eu vi de longe as labaredas que consumiram o circo de Niterói, e de perto assisti as mesmas labaredas a consumir o Andraus e o Joelma em São Paulo. O desespero rondou-me e os gritos de revolta estiveram sempre presentes em meu espaço.

A vida é mais, muito mais do que aparenta e a morte é a negação da vida. A morte e a tristeza, quando se irmanam, tornam a vida uma morte. E mortificam quem morre. Eu poderia aumentar o sofrer de minha amiga com minha dor, mas resolvi estancar o meu sofrer ao entender que ela merecia continuar viva.

Eu sou filho do espiritismo de razão kardequiana. E você?

Fonte: Blog do WGarcia

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O Evangelho em nossas Vidas

Murilo Viana

A influência de Jesus ao longo dos séculos é massiva e poderosa, fazendo com que nós, encarnados e desencarnados, tentemos seguir nas suas trilhas de amor a fim de nos tornarmos pessoas melhores para nós e para aqueles que nos circundam.

É fato que raramente conseguimos, pois o que ele exemplificou com facilidade, nós precisamos nos esforçar para praticar, o que é ligado ao nosso nível de evolução espiritual. Mas, o importante é que façamos das tentativas e erros o caminho que um dia nos levará a criar hábitos que para Ele eram inerentes à sua essência.

O mecanismo que nos faz conhecer e compreender tal grandiosidade, é o Evangelho. Trazendo-o para as sendas Espíritas, O Evangelho Segundo o Espiritismo é importante obra da Codificação que traz as palavras de Jesus – comumente alegóricas – explicadas de forma racional e cotidiana, para nossa melhor compreensão.

Mas, pode-se questionar, numa época de vida tão diferente daquela vivida materialmente por Jesus, qual a importância de seu Evangelho nos dias atuais? Toda!

Quando nos debruçamos no estudo sério e disciplinado do Evangelho, temos condições de fortalecer nossa base de fé, ao mesmo tempo em que é possível exercer o raciocínio que nos faz crer na coerência dos ensinamentos. A fé nos faz fortes, mas a compreensão racional é que nos move, pois, fé sem ação não nos leva a grandes mudanças.

Vivenciar o Evangelho, mesmo que ainda engatinhando, é o que faz com que caminhemos nas trilhas da evolução espiritual almejada por todos nós, levando-nos à reforma íntima e também ao cumprimento gradativo das Leis Morais que regem nossas vidas.

Jesus, sendo o Guia da humanidade, segue pedindo-nos que exercitemos aquilo que ele nos deixou como legado, pede que vivamos de forma a nos lapidarmos e, assim, tornarmo-nos Espíritos melhores, ao mesmo tempo em que angariamos o poder de influenciar os demais – contagiados por nosso exemplo – e, consequentemente, sermos parte da melhoria do planeta em que habitamos, eis que vivemos tempos de transição, cuja velocidade é ditada por nós.

Assim sendo, que ao lermos as palavras consoladoras e potentes que Jesus nos deixou, que saibamos inclui-las em nossas vidas, em pensamentos, mas principalmente em atitudes. O Evangelho muda as nossas vidas, basta que saibamos fazer dele a fonte viva da mudança que sabemos ser necessária.

Fonte: Letra Espírita

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Pactos entre Espíritos

Cláudio Conti

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Pacto é um contrato que versa sobre qualquer coisa, podendo ser escrito, verbal ou estabelecido de alguma outra forma. Assim, um pacto pode ser um mero olhar entre irmãos ou amigos íntimos para realizarem uma travessura.

Um ponto interessante com relação ao tema em questão é ser naturalmente considerado como decorrente da confiança. Contudo, devido ao fato do nível evolutivo dos habitantes da Terra ser ainda muito baixo, a confiança raramente se estabelece. Visando contornar essa dificuldade, a humanidade foi capaz de elaborar todo um sistema de leis e meios, para que pactos sejam cumpridos.

Além disso, também foi necessário definir um procedimento para que haja pessoas capazes e/ou nomeadas para avaliar as diversas relações compactuadas, tanto a própria cidadania individual, que consiste em direitos e deveres, quanto as mais diversas burocracias e procedimentos com os quais cada um tenta se precaver de qualquer contratempo, má fé ou subterfúgios quanto aos contratos assinados.

Reconhecendo toda a máquina burocrática elaborada, o trabalho de advogados e juízes, fóruns e juizados dos mais diversos níveis, conclui-se que cumprir com os deveres assumidos não é tarefa fácil para a grande maioria dos espíritos compatíveis com um mundo de expiações e provas. Todavia, por melhor que sejam as leis e procedimentos, isso pode ser perdido a partir do momento em que a sociedade se desvirtua além do que o sistema pode suportar, pois, a partir do momento, inclusive, em que aqueles que deveriam avaliar as relações compactuadas não mais cumprem com seus deveres, conforme o estabelecido.

Sob este aspecto é que devemos analisar uma questão sobre o tema e que foi muito bem colocada por Kardec [1]: Algo de verdade haverá nos pactos com os maus Espíritos?

Primeiramente, é preciso lembrar que todos nós somos espíritos, seja no estado de encarnado ou não, e que a humanidade desencarnada é composta, por uma parte expressiva, de espíritos que ainda se encontram em processo reencarnatório, isto é, estavam aqui encarnados e como encarnados retornarão. Portanto, para fins de comportamento e responsabilidade para com seus deveres, de forma geral, não haveria diferença entre encarnados e desencarnados.

Ao nos depararmos com a resposta apresentada pelos Espíritos à Kardec, de imediato, pode-se ter uma ideia equivocada do contexto, pois consta que não haveria pactos com relação aos espíritos maus [1].

Um pacto ou um acordo sem o registro pertinente com o respaldo jurídico está relacionado única e exclusivamente com honestidade, o que, analisando a humanidade encarnada, não é uma virtude característica dos espíritos inferiores, ou maus. Portanto, sob este aspecto, não há pactos.

Contudo, a resposta oferecida pelos Espíritos ao questionamento de Kardec prossegue. Dizem eles que a simpatia, isto é, a interação entre espíritos com os mesmos interesses para alcançar um determinado objetivo, está relacionada com a própria natureza inferior, ou características, dos espíritos envolvidos [1].

Importa ressaltar que por “simpatia”, quando envolve espíritos elevados, deve-se entender que a interação está relacionada com o bem comum, em um sentido amplo. Assim, a simpatia para eles está relacionada com honestidade e companheirismo; portanto, não há qualquer tipo de consideração sobre dívidas e cobranças por um “serviço prestado”.

Porém, a situação não é a mesma para os menos evoluídos, pois cada um visa ao interesse pessoal, seja no resultado final do pacto ou em receber algo pelos serviços prestados. Neste ponto é que as consequências podem ser complicadas.

Entre espíritos inferiores, ou maus, não há honestidade e, tampouco, companheirismo, no máximo, uma aparência de companheirismo e, por isso, muitos se complicam. Como foi dito, entre os espíritos inferiores não há amizade, são comparsas em fazer um mal e, assim, diante de um evento qualquer ou alteração de interesses, podem deixar de ser comparsas e a traição e/ou cobrança tomam o lugar. Portanto, como dizem os espíritos na resposta à Kardec: “Aquele que intenta praticar uma ação má, pelo simples fato de alimentar essa intenção, chama em seu auxílio maus espíritos, aos quais fica então obrigado a servir, porque dele também precisam esses espíritos para o mal que queiram fazer” e terminam afirmando: “Nisto é que consiste o pacto”[1].

Assim, Kardec, em comentário ao final da resposta, esclarece “o pacto, no sentido vulgar do termo, é uma alegoria representativa da simpatia existente entre um indivíduo de natureza má e espíritos malfazejos”. Portanto, o pacto não guarda qualquer responsabilidade com compromissos assumidos, mas apenas com os interesses pessoais daqueles envolvidos. Para os trabalhadores do bem, não há a mínima necessidade de se estabelecer pactos, pois a prática do bem é natural para eles.

Desta forma, pactos com espíritos maus é uma falácia. Aquele que acredita que terá o domínio da situação, por ser o “contratante”, se esquece ou não considera que o “contratado” não tem o mínimo pudor em quebrar o contrato, a partir do momento que não seja mais de seu interesse ou, o que pode ser muito pior, por considerar que o “contratante” está em dívida para com ele, a qual será cobrada enquanto houver alguma utilidade para o “contratado”.

Cláudio Conti

Fonte: Correio Espírita

Notas bibliográficas:

  1. O Livro dos Espíritos, questão 549.
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Estrutura do Corpo Espiritual em Espírito de Evolução Mediana

Ricardo Di Bernardi

Inicialmente, para que tenhamos uma visão mais clara do mecanismo da encarnação, faz-se necessário reportarmos ao estudo do corpo espiritual.

Quando as entidades espirituais se nos tornam visíveis, seja pela simples vidência mediúnica, seja pelo fenômeno de materialização ectoplasmática, observamos que elas possuem um corpo semelhante ao nosso corpo físico. No fenômeno da materialização, tão estudado pelo famoso físico inglês Willian Crookes [1] e pelo prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, Charles Richet, os espíritos tornam-se visíveis e palpáveis a todos os presentes à sessão de estudos. São percebidos e tocados em seus corpos espirituais.

Inegável é, sem dúvida, que existem alhures, fraudes conscientes e inconscientes; no entanto a grande frequência dos fenômenos e o elevado nível cultural e ético das pessoas, seriamente envolvidas em determinados casos, atestam a sua realidade.

Embora a essência espiritual não tenha forma, pois é o princípio inteligente, os espíritos de mediana evolução, ou seja, aqueles relacionados ao nosso planeta, possuem um corpo espiritual anatomicamente definido e com uma fisiologia própria da dimensão extrafísica.

Dos planos espirituais temos notícia, por inúmeros médiuns confiáveis, como Francisco Cândido Xavier (Chico) e Divaldo Pereira Franco, da organização de comunidades sociais que os espíritos constituem, comunidades essas às vezes semelhantes às terrestres.

A energia cósmica universal ou fluido cósmico que permeia todo o universo é a matéria-prima que o comando mental dos espíritos utiliza para a construção dos objetos por eles manuseados. As primeiras informações mais detalhadas foram dadas a Kardec em O Livro dos Médiuns [2], no capítulo: “Do Laboratório do Mundo Invisível”.

O corpo dos espíritos, já mencionado pelo apóstolo Paulo e conhecido nas diferentes religiões com os mais diferentes nomes, como perispírito, corpo astral, psicossoma e outros, é também constituído de um tipo de matéria derivada do fluido cósmico universal. Assim nos informam as entidades espirituais.

O corpo espiritual apresenta-se moldável conforme as emanações mentais do espírito. Cada espírito apresenta seu perispírito com aspecto correspondente ao seu estado psíquico. A maior elevação intelecto-moral vai determinar como consequência uma sutilização do próprio corpo espiritual. Em contrapartida, os espíritos, cujas vibrações mentais são mais inferiores, determinam inconscientemente que seu corpo espiritual se apresente mais denso e obscurecido, não tendo a irradiação luminosa dos primeiros.

Conforme se tem notícia por meio de inúmeros autores espirituais, o perispírito apresenta-se estruturado por aparelhos ou sistemas que se constituem de órgãos; esses órgãos são formados por tecidos que, por sua vez, são constituídos por células.

As células do corpo espiritual, em nível mais profundo, são formadas por moléculas constituídas de átomos. Os átomos do perispírito são formados por elementos químicos nossos conhecidos, além de outros desconhecidos do homem encarnado. Elementos aquém do Hidrogênio e além do Urânio, que na Terra representam os limites da matéria atômica conhecida.

Nas obras de Gustave Geley [3] e Jorge Andréa, encontramos referências a essas afirmações.

Os átomos e moléculas que constituem as células do perispírito possuem uma energia cinética própria que é a força determinante de sua vibração constante. Quanto mais evoluída a entidade espiritual, maior a velocidade com que vibram os átomos do perispírito.

Da mesma forma, conforme o adiantamento moral do espírito, maior o afastamento entre as moléculas que compõem o perispírito, por sua vibração, daí a menor densidade de seu corpo espiritual.

Uma analogia: a água em estado líquido, quando fervida, transforma-se em vapor pela maior energia cinética de suas moléculas, determinando um afastamento entre elas decorrente da vibração mais intensa que passa a ter. Neste exemplo simples nós mentalizamos o porquê da leveza do corpo espiritual das entidades cujo padrão vibratório é mais elevado.

No livro Mecanismos da Mediunidade [4], de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, encontramos elementos complementares a respeito dessa informação. Espíritos de alta hierarquia moral possuem vibrações de alta frequência. Isto é, as ondas que emitem ou irradiam são “finas”, ou de pequeno comprimento de onda.

As energias emanadas pelas vibrações das moléculas perispirituais se traduzem também por uma irradiação luminosa com cores típicas. Os espíritos são vistos pelos videntes ou descritos nas obras psicografadas emitindo cores e tons bastante peculiares ao seu grau de adiantamento.

Quanto mais primitivas forem as entidades espirituais, mais escuros os tons das cores e mais opacos se apresentam. À medida que galgam mais degraus na escada do progresso, mais sábios e amorosos, as entidades espirituais passam a emitir uma luminosidade mais clara e cada vez mais brilhante.

Salientamos, no entanto, que transitoriamente pela postura mental adotada, decorrente de situações momentâneas, as vibrações se aceleram ou se desaceleram, determinando modificações na estrutura do corpo espiritual, e todo o conjunto se altera. São descritos casos de zoantropia ou licantropia [5], em que as formas perispirituais tornam-se profundamente modificadas.

Exemplos práticos de modificações profundas e graves, no capítulo das patologias do corpo astral, seriam os casos descritos como os de zoantropia ou licantropia. Nessas situações as formas perispirituais se animalizam pela postura de ódio recalcitrante ou outros sentimentos inferiores, sentimentos que se tornam agentes deformantes do corpo espiritual.

Denomina-se zoantropia (zôo=animal e anthropos=homem) aos casos em que o corpo espiritual, pela deformação progressiva, passa a se assemelhar a um animal. Licantropia (lican=lobo e anthropos=homem) aos casos em que o corpo espiritual, pela alteração degenerativa da forma, lembra a figura de um lobo, o que nos remete à lenda do lobisomem que, talvez, tenha sua origem no fato de que, pelo fenômeno da vidência mediúnica, tenham sido vistos espíritos com esse tipo de deformidade anatômica no seu corpo astral.

Naturalmente, que essas deformidades são transitórias e relativas ao tempo em que a entidade espiritual ainda se mantém na atitude mental de ódio.

O tratamento reparador dessas deformidades efetua-se por meio de uma energização adequada dos Espíritos, de acordo com o que temos observado nas lides mediúnicas em que participamos.

Ousamos, inclusive, a criar o verbete perispiritoplastia para nos referir ao processo de recuperação anatômica observado nas entidades tratadas e recuperadas, em seu aspecto morfológico, nos grupos mediúnicos. Tanto energias do plano extrafísico, bem como energias extraídas da natureza, além de ectoplasma dos médiuns, fizeram parte da matéria-prima utilizada por nós, nessa restauração anatômica do perispírito licantropizado das entidades tratadas. Todavia, lembramos que nesse trabalho nós estamos, constantemente, sendo assistidos pelos mentores espirituais que nos amparam.

Ricardo Di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

  • [1] William Crookes – químico e físico inglês.
  • [2] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. FEB, 1960, p.413.
  • [3] Gustave Geley – médico e pesquisador espírita francês.
  • [4] XAVIER, Francisco Cândido. Mecanismos da Mediunidade. FEB, 1959, p.188.
  • [5] Tipo de deformidade presente no corpo espiritual em que a forma chega a parecer não-humana.
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ESTUPRO: A VISÃO ESPÍRITA

Marcelo Henrique Pereira

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Dentre os crimes existentes, mormente no âmbito da natureza sexual, um dos mais aberrantes e horrendos é, sem dúvida nenhuma, o estupro. A legislação humana – particularmente, a brasileira, – impinge-lhe uma severa capitulação, dispondo sobre ele no título reservado aos Crimes contra os Costumes, no capítulo dos Crimes contra a Liberdade Sexual, conforme os artigos reproduzidos no quadro ao lado.

A moderna legislação pátria considera-o, ainda, como crime hediondo (1), o qual significa depravado, vicioso, sórdido, imundo, repelente, repulsivo, horrendo, sinistro, pavoroso, medonho. (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª ed., p. 884, Nova Fronteira, 1986).

As características fundamentais do tipo-crime dão-nos conta da atitude criminosa de alguém que constrange outrem à prática de conjunção carnal ou ato libidinoso, por meio de violência ou grave ameaça (artigo 213, do Código Penal Brasileiro).

Deixando de lado os aspectos puramente legais do tema, pretendemos traçar uma abordagem acerca da visão espírita (e espiritual) deste ato, assim como de suas causas e conseqüências, abstratamente falando. Queremos deixar bem claro que nossas posições são pessoais, com base em informações genéricas contidas nas obras básicas da Codificação Kardequiana, em virtude da escassa bibliografia existente.

Dentre as liberdades de que a criatura humana é detentora, na qualidade de direitos fundamentais, talvez a mais significativa seja a liberdade sexual. Afinal de contas, baseada em padrões de moralidade, distintos entre si e peculiares a cada individualidade, a escolha de parceiros sexuais não obedece a nenhum padrão. O ser, baseado em sentimentos e (ainda) em instintos, deixa aflorar sua sexualidade, partindo para a busca e o encontro de um companheiro para satisfazer seu prazer, na permuta de energias sexuais.

Por isso, quando se tem notícia de que ocorreu um estupro, isto é, a conjunção carnal forçada, imposta pela força física ou pela coação moral (psicológica), estamos diante da maior violência que se pode praticar contra o ser, excetuando-se, é claro, o aborto, onde a vítima é totalmente incapaz de defender-se.

No estupro, o que conta não é a possibilidade (ou não) de resistência da vítima às ações do agressor. Isto é secundário. Tampouco se deve verificar se a primeira, por sua ação ou intenção, manifesta em gestos, comportamentos, olhares, sinais, ou, ainda, em sua forma de trajar ou sua conversação, tenha provocado o aflorar dos desejos sexuais de outrem. Ou, ainda, se o criminoso possuía um estado psicopatológico anterior que o mantinha intimamente ligado à idéia da relação sexual, ou, até a sua vinculação mental (fixação mental) ao objeto de seus desejos. O que realmente conta é a atitude desmedida, agressiva e irracional, e a enorme carga de responsabilidade que resulta do ato cometido, que agride a função sexual da vítima e interfere na energia contida nas gônadas femininas.

Em alguns encontros espíritas, presenciamos discussões que procuravam delimitar o estupro perante a Espiritualidade, isto é, tentavam analisar se, dentre as provas e expiações a que o homem se sujeita, em razão de seu grau evolutivo e da sua passagem por este planeta, não poderia estar planejada uma situação em que ocorreria o estupro, como forma de resgate de erros pretéritos, por parte da vítima.

O exame das obras básicas é, como dissemos, fundamental e constitui o primeiro passo, para entender tal situação.

Então, o que constitui o Planejamento Encarnatório?

Do exame de “O Livro dos Espíritos” (2), podemos extrair a cristalina idéia de que nem todas as tribulações que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós. A escolha se resume ao gênero da prova. Exemplificadamente, o Espírito de Verdade nos adverte: “Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, sabia a que tentações se expunha, mas ignorava cada um dos atos que viesse a praticar. Estes atos são efeito de sua vontade, ou de seu livre arbítrio.”

A regra norteadora, como sempre é a liberdade de ação, com a necessária atenção para a responsabilidade quanto ao reflexo destes, o resultado.

Fazendo, pois, uma analogia com o suicídio, encontramos na literatura espírita a consideração de que todos os desencarnes são previstos pela Espiritualidade, à exceção daquele, quando o ser renuncia voluntariamente à oportunidade de vida, abreviando sua existência.

Assim, afirmamos que há certa resistência de nossa parte em aceitar que uma brutalidade como o estupro possa estar incluída como uma prova escolhida pelo espírito reencarnante, tendo em vista que, deste modo, quem seria “escalado” para ser o algoz, o estuprador? Não estaria sendo ele, instrumento de uma severa e dolorosa forma de “resgate”?

Poderiam afirmar alguns: quem sabe a vítima, numa vida, poderia retornar para ser o agressor em outra? Pois bem! Onde fica a Lei de Justiça, Amor e Caridade? Ou, quem sabe, voltaríamos nós à época da barbárie, onde a Lei de Talião era a severa espada da justiça, isto é, o que se fez, da mesma maneira se sofre? A razão espírita repudia tais considerandos…

Todavia, há que se mencionar, também, a questão da “necessidade dos escândalos” (Mateus: 18, 6-11), tão bem enfocada por Jesus. Mas, “ai de quem seja instrumento dos escândalos”, diz a passagem, demonstrando claramente que a Lei Natural presente no Universo aproveita as situações surgidas pela vontade humana, filtrando-as e enquadrando-as no contexto das encarnações dos seres. Uma guerra ocorre por vontade humana, dos dirigentes das nações e sua efetivação ceifará muitas vidas, entre civis e militares. Portanto, as pessoas atingidas pela desencarnação violenta decorrente das guerras, assim como aquelas que terão seqüelas físicas e psicológicas, aproveitam o acontecimento funesto para resgatarem dívidas de ontem. Mas, e quanto a seus algozes, os guerreiros que provocaram mortes e ferimentos? Evidentemente, por suas atitudes, serão julgados pelo tribunal da consciência e carecerão de novos reajustes, onde saldarão seus débitos, em outras existências.

O estupro, assim, não obedece a nenhum planejamento espiritual. Todavia, em acontecendo, vítima e agressor submetem-se aos desígnios da Lei Maior, sujeitos à completa análise espiritual da questão, resultando para a primeira, por suportar a prova com coragem e resignação, condição de progresso espiritual e, para o segundo, dolorosa senda de refazimento de seus atos, esperando contar, ainda, com o perdão da primeira como forma de ajuda para superar suas próprias deficiências.

E para nós, que ainda nos revoltamos quando presenciamos notícias sobre a ocorrência de um estupro, bradando justiça, entendamos que nada escapa aos desígnios da Providência e, antes de nos transformarmos em juízes dos infelizes seres que cometem tal atrocidade, lembremos da mensagem do Nazareno do “atire a primeira pedra”, recolhendo-nos à meditação e à prece em seu favor, para que os mesmos possam sair do mar de lama em que se encontram, arrependendo-se sinceramente de seus atos, reivindicando, assim, nova oportunidade benfazeja de reparação, para, ao final, alcançar a paz e a serenidade.

Marcelo Henrique Pereira

Fonte: Espiritismo na Rede

Referências:

(1) Lei Federal nº 8.072/90.

(2) Questões 258 a 273.

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Reflexões sobre a humildade

Joanna de Ângelis

A humildade é uma virtude de difícil aquisição, por exigir esforço para superar-se os instintos que predominam em a natureza humana, especialmente o da sobrevivência.

Ao materialismo devem-se muitos males, entre os quais aqueles que defluem dos estímulos e aplicações pedagógicas em favor do ego e das suas mazelas. Há uma preocupação ancestral dedicada à formação do caráter que privilegia a força pessoal, o destaque, a independência, o poder. Essa preocupação em torno dos falsos conceitos de que o homem não chora, o forte prevalece, o vitorioso é aquele que soube resguardar-se, distante dos problemas alheios, demonstra que esses são elementos perniciosos e que se opõem à humildade.

Cuida-se de condicionar o educando à presunção, ao orgulho das suas conquistas em detrimento da fragilidade de que todos os seres são formados.

Uma insignificante picada de um instrumento infectado interrompe uma vida esplendorosa e um ser triunfante.

Modesto mosquito transmite vírus terríveis que devoram existências poderosas.

Bastaria ligeira reflexão para a criatura humana dar-se conta da sua fraqueza ante as forças da Vida e os fatores destrutivos que pululam em toda parte.

No sentido inverso, a grandeza cósmica que o deslumbra, pode dar-lhe dimensão da sua pequenez, levando-o a considerações profundas quanto ao significado existencial.

A humildade é virtude essencial para uma jornada feliz na Terra. Mediante a sua presença, percebe-se quanto se deve trabalhar o íntimo para aformosear-se as aspirações e avançar-se na solidariedade como fundamental comportamento para o equilíbrio.

Analisando-se as conquistas conseguidas pela ciência e tecnologia, ao invés da presunção ingênua, perceber o infinito de possibilidades a conhecer e de enigmas a solucionar.

O deslumbramento inicial pode levar o rei da criação, dito ser a criatura humana, a esse estado de orgulho infantil que o ilude a respeito dos poderes que lhe estão ao alcance das mãos para a glória e o prazer, sempre relativos, da sua breve caminhada entre o berço e o túmulo.

A vã ilusão de potência e domínio na mocidade e idade adulta dilui-se quando as energias diminuem na velhice e nos períodos de enfermidade, confirmando-lhe a fragilidade acima de toda e qualquer robustez.

A maioria dos Hércules e Vênus do culto ao corpo, passado o período específico dos esportes e dos exercícios exaustivos, da alimentação sob rígido controle, tomba nos graves problemas cardiológicos e outros que o excesso de técnicas e de substâncias que contribuem para a beleza exterior, que agora se transforma em degenerescência e debilidade.

A experiência terrestre tem como essencial a finalidade do autodescobrimento, do sentido de existir, do desenvolvimento da inteligência e do Si profundo.

Utilizar-se das ocorrências para aprimorar-se é o programa da Vida para todos.

***

Jesus, que é o protótipo da perfeição e da beleza de que se tem notícia, apagou a Sua grandeza na humildade para ensinar a vitória sobre as paixões inferiores.

Deu o exemplo máximo da Sua elevação na última ceia quando, cingindo-se com uma toalha, lavou os pés dos discípulos, demonstrando que sendo o Senhor fazia-se servo para todos.

Incompreendido por Pedro, que se Lhe recusara, explicou-Lhe que se o não fizesse nada teria com Ele, e o apóstolo emocionado entregou-se-Lhe em totalidade.

A grandeza do Seu gesto demonstra a força moral, o Seu poder de servir, deixando a lição perene como advertência e orientação.

Cuida de penetrar-te até às nascentes do coração, para que a mosca azul da vaidade não pouse na tua insignificância.

Busca a simplicidade e a compreensão existenciais, tendo em vista que tudo mais é transitório e tem somente o valor que lhe atribuis.

Faze-te acessível e atento para aprender com os pobres de espírito a forma de enriquecer-te de humildade e de paz.

Nunca disputes projeção e destaque, recordando o ensinamento de Jesus, quando informou que os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros.

Afeiçoa-te ao anonimato, não deixando sinais do bem que faças, a fim de que não sejas exaltado, qual ocorre com muitos fúteis e irresponsáveis, que são louvados e bajulados sem mérito real.

Mas não penses que humildade é menosprezo, desconsideração por si mesmo, subalternidade, escondendo conflitos de inferioridade.

A verdadeira humildade permite o autoconhecimento em torno dos valores que são legítimos no ser, sem os exaltar nem se engrandecer, compreendendo o quanto ainda necessitas para atingir o ideal, tendo o prazer de sacrificar-se pelo conseguir.

***

Muitos Espíritos reencarnaram-se com nobres missões e falharam, porque se ensoberbeceram e se permitiram as glórias terrenas que os frustraram, abandonando-os na etapa final da vida.

Recorda-te daqueles outros que se apagaram na humildade, adotando o sacrifício e a abnegação, edificando o bem em vidas incontáveis.

Bem-aventurados os humildes de coração e ricos de amor, porque eles fruirão a plenitude.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 10 de agosto de  2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Em 9.9.2015

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Um olhar mais profundo para as dores da alma

Temos uma nova pandemia para enfrentar, desta vez relacionada à saúde mental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um estudo sobre saúde mental realizado em 2022 (link no final do texto), durante o primeiro ano da pandemia, os casos de depressão e ansiedade aumentaram mais de 25%.

Desenho de duas cabeças com linhas enroladas

O estudo, que apresenta diversas evidências, é um convite para que, urgentemente, sejam adotadas novas práticas e políticas capazes de aprofundar os cuidados com a saúde mental. Faz-se necessário firmar um verdadeiro compromisso com a sociedade, para que sejam remodelados ambientes e sistemas para cuidarmos das pessoas. Cada vez mais, na busca por novas práticas e recursos para o enfrentamento dessa verdadeira pandemia de saúde mental, ganham espaços estudos voltados para a integração entre saúde e espiritualidade, assim como não faltam evidências científicas em milhares de publicações sobre a eficácia da espiritualidade nos tratamentos de saúde.

Assim, não temos dúvidas de que os próximos anos e as próximas décadas deverão promover mais e mais avanços nessa área, visto que a necessidade de socorro é cada vez mais urgente. É preciso que a medicina esteja preparada para atuar não só no cuidado do corpo, mas também do Espírito.

Medicina humana, ascendência moral e o papel do amor cristão

Segundo André Luiz, na brilhante obra Missionários da luz, “A medicina humana será muito diferente no futuro, quando a ciência puder compreender a extensão e complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias do corpo físico. Muito raramente não se encontram as afecções diretamente relacionadas com o psiquismo. Todos os órgãos são subordinados à ascendência moral. As preocupações excessivas com os sintomas patológicos aumentam as enfermidades; as grandes emoções podem curar o corpo ou aniquilá-lo. Se isso pode acontecer na esfera de atividades vulgares das lutas físicas, imagine o campo enorme de observações que nos oferece o plano espiritual, para onde se transferem, todos os dias, milhares de almas desencarnadas, em lamentáveis condições de desequilíbrio da mente. O médico do porvir conhecerá semelhantes verdades e não circunscreverá sua ação profissional ao simples fornecimento de indicações técnicas, dirigindo-se, muito mais, nos trabalhos curativos, às providências espirituais, onde o amor cristão represente o maior papel”.

Essa caminhada citada pelo médico desencarnado já está em curso e não é de hoje. A integração entre ciência e espiritualidade tem sido objeto de muita dedicação da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), que, por intermédio das AMEs regionais, segue firme no propósito pela implantação do paradigma médico-espírita no mundo desde a formação da primeira AME, a Associação Médico-Espírita de São Paulo. Esta foi fundada em 1968 e é idealizadora do MEDNESP, evento nacional que se iniciou em 1991 e agora, em 2023, realizará sua 13ª edição. Para falar desse importante conclave médico-espírita e convocar o movimento espírita a participar, ouvimos o Dr. José Roberto Pereira do Santos, presidente da Associação Médico-Espírita do Estado do Espírito Santo (AMEEES), que é responsável pela organização dessa edição.

O movimento médico-espírita vem crescendo, se mobilizando e avançando cada vez mais, assim como o tema espiritualidade no meio acadêmico, sendo um dos que mais contam com publicações indexadas nos últimos tempos. Para mostrarmos a importância que esse assunto está adquirindo, não poderíamos deixar de citar o 4º Congresso Internacional de Saúde e Espiritualidade (Conupes), que será realizado no mês de maio em Juiz de Fora/MG. Para falar mais sobre esse importante evento, entrevistamos o professor doutor Alexander Moreira de Almeida, um dos mais importantes pesquisadores mundiais sobre o tema.

Uma pandemia de saúde mental

Claramente, vivemos nesta exata quadra da história uma verdadeira pandemia de saúde mental, onde percebemos uma escalada da violência que causa perplexidade em todos nós. Podemos dizer que a sociedade está muito adoecida e precisando, mais do que de drogas eficazes ou tecnologia de ponta para se curar, de um olhar mais profundo para as dores da alma

É importante observar que jamais estivemos desamparados, pois uma verdadeira transformação está em curso nas práticas e nos cuidados para com a saúde humana. Certamente, essa é a resposta da espiritualidade, que vem sendo construída há décadas. Estamos certos de que mais e mais profissionais da saúde e a sociedade vão responder aos chamados para o verdadeiro despertar de consciência, em que a medicina da alma, pautada no amor e no Espírito eterno, serão uma realidade em nossa sociedade.

Um novo alvorecer para a humanidade se descortinará a partir de tal despertar. Assim, desejamos que seja muito em breve e convidamos você para fazer parte desse momento. Divulgue, compartilhe os conteúdos sobre os eventos e faça parte deles. Muita paz!


Informe Mundial de Saúde Mental: transformar a saúde mental para todos (OMS)

Fonte: Folha Espírita

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Necessidade de Evolução

Joanna de Ângelis

NECESSIDADE DE EVOLUÇÃO

As tendências que promanam do passado em forma de inclinações e desejos, se transformam em hábitos salutares ou prejudiciais quando não encontram a vigilância e os mecanismos da educação pautando os métodos de disciplina e correção. Sob a impulsão do atavismo que se prende nas faixas primevas, das quais a longo esforço o Espírito empreende a marcha da libertação, os impulsos violentos e a comodidade que não se interessa pelos esforços de aprimoramento moral amolentam a individualidade, ressurgindo como falhas graves da personalidade.

As constrições da vida, que se manifestam de vária forma, conduzem o aspirante evolutivo à trilha correta por onde, seguindo-a, mais fácil se lhe torna o acesso aos objetivos a que se destina. Nesse desiderato, a educação exerce um papel preponderante, porque faculta os meios para uma melhor identificação de valores e seleção deles, lapidando as arestas embrutecidas do eu, desenvolvendo as aptidões em germe e guiando com segurança, mediante os processos de fixação e aprendizagem, que formam o caráter, insculpindo-se, por fim, na individualidade e externando-se como ações relevantes.

Remanescente do instinto em que se demorou por longos períodos de experiência e ainda mergulhado nas suas induções, o Espírito cresce, desembaraçando-se das teias de vigorosos impulsos em que se enreda para a conquista das aptidões com que se desenvolve.

Pessoa alguma consegue imunizar-se aos ditames da educação, boa ou má, conforme o meio social em que se encontra. Se não ouve a articulação oral da palavra,, dispõe dos órgãos, porém, não fala; se não vê atitudes que facilitam a locomoção, a aquisição dos recursos para a sobrevivência, consegue, por instinto, a mobilização com dificuldade e o alimento sem a cocção; tende a retornar às experiências primitivas se não é socorrido pelos recursos preciosos da civilização, porque nele predominam, ainda, as imposições da natureza animal. Possui os reflexos, no entanto, não os sabe aplicar; desfruta da inteligência e, por falta de uso, já que se demora nas necessidades imediatas, não a desenvolve; frui das acuidades da razão e dos discernimentos, entretanto, se embrutece por ausência de exercícios que os aprofunde. Nele não passam de lampejos as manifestações espirituais superiores, se arrojado ao isolacionismo ou relegado às faixas em que se detêm os principiantes nas aquisições superiores…

Muito importante a missa da educação como ciência e arte da vida.

Encontrando-se ínsitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinaram a superar.

A própria vida facultou ao Espírito, em longos milênios de observação, averiguar o que é de melhor ou pior para si mesmo, auxiliando-o no estabelecimento de um quadro de valores, de que se pode utilizar para a tranquilidade interior. Trazendo, do intervalo que medeia entre uma e outra reencarnação, reminiscências, embora inconvenientes, do que haja sucedido, elege os recursos com que se pode realizar melhormente, ao mesmo tempo impedindo-se de deslizes e quedas nos subterrâneos da aflição. Outrossim, inspirados pelos Espíritos promotores do progresso no mundo, assimila as idéias envolventes e confortadoras, entregando-se ao labor do auto-aprimoramento.

O rio corre e cresce conforme as condições do leito.

A plântula se esgueira e segue a direção da luz.

A obra se levanta consoante o desejo do autor.

Em tudo e toda parte, predominam leis sutis e imperiosas que estabelecem o como, o quando e o onde devem ocorrer as determinações divinas. Rebelar-se contra elas, é o mesmo que atrasar-se na dor, espontaneamente, contribuindo duplamente para a realização que conquistaria com um só esforço.

A tarefa da educação deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência, produzindo efeitos poderosos, de profundidade.

Enquanto o homem não pensar com equidade e nobreza, os seus atos se assentarão em bases falsas, se deseja estruturá-los nos superiores valores éticos, porquanto se tornam de pequena monta e de fraca duração. Somente pensando com correção, pode organizar programas comportamentais superiores aos quais se submete consciente, prazerosamente. Não aspirando à paz e à felicidade por ignorar-lhes o de que se constituem, impraticável lecionar-lhes sobre tais valores. Só, então, mediante o paralelismo da luz e da treva, da saúde e da enfermidade, da alegria e da tristeza poder-se-ão ministrar-lhe as vantagens das primeiras em relação às segundas… longo tempo transcorre para que os serviços de educação se façam visíveis, e difícil trabalho se impõe, particularmente, quando o mister não se restringe ao verniz social, à transmissão de conhecimentos, às atitudes formais, sem a integração nos deveres conscientemente aceitos.

Por educar, entenda-se, também a técnica de disciplinar o pensamento e a vontade, a fim de o educando penetrar-se de realizações que desdobrem as inatas manifestações da natureza animal, adormecidas, dilatando o campo íntimo para as conquistas mais nobres do sentimento e da psique.

Nas diversas faixas etárias da aprendizagem humana, em que o ser aprende, apreende e compreende, a educação produz os seus efeitos especiais, porquanto, através dos processos persuasivos, libera o ser das condições precárias, armando-o de recursos que resultam em benefícios que não pode ignorar.

A reencarnação, sem dúvida, é valioso método educativo de que se utiliza a vida, a fim de propiciar os meios de crescimento, desenvolvimento de aptidões e sabedoria ao Espírito que engatinha no rumo da sua finalidade grandiosa.

Como criatura nenhuma se realiza em isolacionismo, a sociedade se torna, como a própria pessoa, educadora por excelência, em razão de propiciar exemplos que se fazem automaticamente imitados, impregnando aqueles que lhes sofrem a influência imediata ou mediatamente. No contexto da convivência, pelo instinto da imitação, absorvem-se os comportamentos, as atitudes e as reações, aspirando-se a psicosfera ambiente, que produz, também, sua quota importante, no desempenho das realizações individuais e coletivas.

Como se assevera, com reservas, que o homem é fruto do meio onde vive, convém se não esquecer de que o homem é o elemento formador do meio, competindo-lhe modificar as estruturas do ambiente em que vive e elaborar fatores atraentes e favoráveis onde se encontre colocado a viver. Não sendo infenso aos contágios sociais, não é, igualmente, inerme a eles, senão quando lhe compraz, desde que reage aos fatores dignificantes a que não está acostumado, se não deseja a estes ajustar-se.

Além do ensino puro e simples dos valores pedagógicos, a educação deve esclarecer os benefícios que resultam da aprendizagem, da fixação dos seus implementos culturais, morais e espirituais. Por isso, e sobretudo, a tarefa de educação há que ser moralizadora, a fim de promover o homem não apenas no meio social, antes preparando-o para a sociedade essencial, que é aquela preexistente ao berço donde ele veio e sobrevivente ao túmulo para onde se dirige.

Nesse sentido, o Evangelho é, quiçá, dos mais respeitáveis repositórios metodológicos de educação e da maior expressão de filosofia educacional. Não se limitando os seus ensinos a um breve período da vida e sim prevendo-lhe a totalidade, propõe uma dieta comportamental sem os pieguismos nem os rigores exagerados que defluem do próprio conteúdo do ensino.

Não raro, os textos evangélicos propõem a conduta e elucidam o porquê da propositura, seus efeitos, suas razões. Em voz imperativa, suas advertências culminam em consolação, conforto, que expressam os objetivos que todos colimam.

– “Vinde a mim”, – assentiu Jesus, – porque eu “Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, não delegando a outrem a tarefa de viver o ensino, mas a si mesmo se impondo o impostergável dever de testemunhar a excelência das lições por meio de comprovados feitos. Sintetizou em todos os passos e ensinamentos a função dupla de Mestre – educador e pedagogo -, aquele que permeia pelo comportamento, dando vitalidade à técnica de que se utiliza, na mais eficiente metodologia, que é da vivência.

Quando os mecanismos da educação falecem, não permanece o aprendiz da vida sem o concurso da evolução, que lhe surge como dispositivo de dor, emulando-a ao crescimento com que se libertará da situação conflitante, afligente, corrigindo-o e facultando-lhe adquirir as experiências mais elevadas.

A dor, em qualquer situação, jamais funciona como punição, porquanto sua finalidade não é punitiva, porém educativa, corretora. Qualquer esforço impõe o contributo do sacrifício, da vontade disciplinada ou não, que se exterioriza em forma de sofrimento, mal-estar, desagrado, porque o aprendiz, simplesmente, se recusa a considerar de maneira diversa a contribuição que deve expender a benefício próprio.

Nenhuma conquista pode ser lograda sem o correspondente trabalho que a torna valiosa ou inexpressiva. Quando se recebem títulos ou moedas, rendas ou posição sem a experiência árdua de consegui-los, estes empalidecem, não raro, convertendo-se em algemas pesadas, estímulos à indolência, convites ao prazer exacerbado, situações arbitrárias pelo abuso da fortuna e do poder.

Imprescindíveis em qualquer cometimento, portanto, o exame da situação e a avaliação das possibilidades pessoais.

Sendo a Terra a abençoada escola das almas, é indispensável que aqui mesmo se lapidem as arestas da personalidade, se corrijam os desajustamentos, se exercitem os dispositivos do dever e se predisponham os Espíritos ao superior crescimento, de modo a serem superadas as paixões perturbadoras que impelem para baixo, ao invés daquelas ardentes pelos ideais libertadores, que acionam e conduzem para cima.

Os hábitos que se arraigam no corpo, procedentes do Espírito com lampejos e condicionamentos, retornam e se fixam como necessidades, sejam de qual expressão for constituindo uma outra natureza nos refolhos do ser, a responder como liberdade ou escravidão, de acordo com a qualidade intrínseca de que se constituem.

A morte, desvestindo a alma das roupas carnais, não lhe produz um expurgo das qualidades íntimas, antes lhe impõe maior necessidade de exteriorizá-las, libertando forças que levam a processos de vinculações com outras que lhes sejam equivalentes. Na Terra, isto funciona em forma de complexos mecanismos de simpatia e antipatia, em afinidades que, no além-túmulo, porque sincronizam na mesma faixa de aspiração e se movimentam na esfera de especificidade vibratória, reúnem os que se identificam no clima mental de hábitos e aptidões que lhes são próprios.

Nunca se deve transferir para mais tarde o mister de educar-se, corrigir-se ou educar e corrigir. O que agora não se faça, neste particular, ressurgirá complicado, em posição diversa, com agravantes de mais difícil remoção.

Pedagogos eminentes, os Espíritos Superiores ensinam as regras de bom comportamento aos homens, como educadores que exemplificam depois de haverem passado pelas mesmas faixas de sombra, ignorância e dor, de que já se libertaram.

Imperioso, portanto, conforme propôs Jesus, que se faça a paz com o “adversário enquanto se está no caminho com ele”, de vez que, amanhã, talvez seja muito tarde e bem mais difícil alcançá-lo.

O mesmo axioma se pode aplicar à tarefa da educação: agora, enquanto é possível, moldar-se o eu, antes que os hábitos e as acomodações perniciosas impeçam a tomada de posição, que é o passo inicial para o deslanchar sem reversão.

Educação, pois, da mente, do corpo, da alma, como processo de adaptação aos superiores degraus da vida espiritual para onde se segue.

A educação, disciplinado e enriquecendo de precisos recursos o ser, alçá-lo à vida, tranquilo e ditoso, sem ligações com as regiões inferiores donde procede. Fascinado pelo tropismo da verdade que é sabedoria e amor, após as injunções iniciais, mais fácil se lhe torna ascender, adquirir a felicidade.

Texto extraído do Livro SOS Família, espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco

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Maria Madalena: a seguidora fiel

Maria Cristina Rivé

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“Madalena é o emblema do feminino. Falar do feminino é falar e é sofrer.”

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Ao contemplarmos a História da humanidade nos deparamos com fatos reais e imaginários. Dentre esses alguns lisonjeiros, outros nem tanto. Dizem que a História é contada pelo vencedor, mas não impede que outros olhos percebam e, mesmo secretamente, proponham outra maneira de entendê-la, porque, em geral, imprimimos ao que vivenciamos a nossa maneira de ser.

Madalena é o emblema do feminino. Falar do feminino é falar e é sofrer. Sofrimento sentido e infligido por seres que ainda não aprenderam a conviver. Principalmente, porque somos o fruto de uma cultura machista por excelência. A Doutrina Espírita nos ensina em paralelo, que somos Espíritos em evolução, aprendendo em cada momento e não somente em percalços sentidos, mas também naquilo que impomos por nossas condutas aos companheiros dessa longa jornada.

Para desmistificar a história de Madalena, devemos atuar no imaginário, na feliz oportunidade de revisão dos nossos valores, despindo-nos de preconceitos para, indo além, atuarmos de forma efetiva na sociedade atual, tão carente de valores espirituais. Assim, podemos desenvolver em nós a percepção de que a beleza está em caminhar junto – nem à frente, nem atrás – e que o estado de felicidade é encontrado ao se sentir parte de uma estrutura muito maior: a Criação, na qual tudo está inserido, tudo faz parte e nada deve ficar para trás.

Aprendemos, na cultura judaico-cristã, que Madalena fora uma pecadora, prostituta, torturada (obsediada) por demônios (Espíritos inferiores). Todavia parece não ter sido bem assim. É fato que seu nome seja citado treze vezes no Novo Testamento, porque, segundo estudos, era ela quem melhor entendia o pensamento de Jesus, Inclusive, ela foi aquela que acompanhou o Mestre durante o flagelo e na crucificação, enquanto os seguidores homens ou o negaram ou fugiram por medo e por incompreensão.

Madalena foi uma pregadora e tornou-se santa – aqui se entenda santa sob o aspecto espírita, ou seja, um Espírito mais elevado que os demais. E aí está a importância. Uma mulher como a maior entendedora da obra de Jesus, de seus ensinos e de seu trabalho. O que nos leva a pensar muito além da escravização da figura feminina na História da Humanidade, realizada por seres possuidores do horror ao feminino. É a misoginia mais uma vez incorporada ao transcurso dos seres.

Àqueles que se sentem excluídos, por algum motivo, e àqueles que excluem, eu dedico este texto.

Fonte: Casa Espírita Nova Era

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Nota da Autora: Para conhecer um pouco mais sobre esta grande mulher, sugiro a leitura do livro “O Evangelho de Maria Madalena”, de José Lázaro Boberg.  Um livro para sempre… Ora, para sempre. Sim. É para ler e reler. Folhear e estudar. Compreender, aos poucos, e ligá-lo ao momento da vida. Ele desfaz preconceitos e conceitos “pré-estabelecidos”.

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O que é Espiritismo?

A doutrina Espírita é o resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A ciência é chamada a constituir a Gênese segundo as leis da natureza. Deus prova sua grandeza e seu poder pela imutabilidade de suas leis, e não pela suspensão. Para Deus, o passado e o futuro são o presente. (KARDEC, A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo O Espiritismo, 2018, P. De rosto).

O Espiritismo é uma doutrina Científica de cunho filosófico e consequência ético moral, enquanto ciência o seu objetivo é intercambiar as duas margens do rio da vida, à margem dos encarnados e a dos desencarnados, enquanto filosofia seu propósito é produzir um despertar ético e moral.

O Espiritismo enquanto ciência dá-se a partir das relações estabelecidas pela vivência do mundo material e as suas correlações com o mundo espiritual, assim como diz Allan Kardec (2017), “A crença nos Espíritos constitui sem dúvida a sua base, mas não basta para fazer um espírita esclarecido, como a crença em Deus não basta para fazer um teólogo.”, desta forma não discutimos aqui o fato de se acreditar ou não nos Espíritos, pois a ciência Espírita tem como fim precípuo comprovar a sua existência, mas discutir e apresentar o encadeamento entre as duas margens, neste ponto nos dizem os Espíritos na pergunta 459 do Livro dos Espíritos “ Que de ordinário são eles que nos dirigem”.  Assim, dividimos gostos, sabores, felicidades, bem como dissabores e infelicidades com aqueles que por algum motivo ou de alguma forma estamos ligados, pois, a ciência comprova, a filosofia convida e o efeito é a revolução ética e moral que provocará pessoas mais justas e comprometidas com o social, desta forma como diz Paulo Freire (1981), “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”

Diante da proposição da filosofia Espírita, haveremos de inserir na estrutura universal de onde somos parte integrante e que não encontramos em nosso mundo tal referência para estruturar nosso íntimo que terá em cada uma de nossas experiências, reiteradas oportunidades de reavaliação e aprendizado, onde desta forma são estabelecidos vivencialmente esses princípios filosóficos. O que se faz entender, que a medida que se mergulha no mundo das concordâncias e discordâncias, dos amores e das frustrações constroem-se caminhos, experiências e aptidões para que se seja o melhor possível.

A compreensão desta filosofia e a sua vivência, facultam-nos a possibilidade de um despertar Ético e Moral, pois a construção do saber Espírita, dar-se mediante a vivências das relações sociais, pois embasa-se em comportamentos que possuem no amor a sua matiz, a inspiração para que construa-se uma sociedade justa e equânime. Tendo em Jesus seu modelo e guia entende-se que a Doutrina Espírita tem como um dos seus objetivos formar uma sociedade que se ame.

Equipe Editorial Ágora Espírita.

Alexandre Junior.  Manoel Gomes.

Fonte: Grupo Ágora Espírita

Referências Bibliográficas:

  • KARDEC, A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo O Espiritismo, 2018 , Página. De rosto.1º Edição, 2018, FELEAL.
  • KARDEC, O Livro dos Espíritos, pergunta 459, LAKE, 2007, Tradução José Herculano Pires.
  • FREIRE,- Pedagogia do Oprimido. 9 ed., Rio de Janeiro. Editora Paz e Terra. 1981, p.79.
  • KARDEC, O Livro dos Médiuns, 1º Edição Março de 2017, Catanduva, São Paulo, Editora Boa Nova, Tradução José Herculano Pires.
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