A Filosofia do Espírito

José Herculano Pires

José Herculano Pires – FEESP

  1. O ESPIRITISMO E A TRADIÇÃO FILOSÓFICA

A Filosofia Espírita se apresenta, no quadro geral das doutrinas filosóficas, e consequentemente na própria História da Filosofia, como uma das formas do Espiritualismo. No capítulo primeiro da “Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, que inicia “O Livro dos Espíritos”, Kardec acentua: “Como especialidade, o “Livro dos Espíritos” contém a doutrina espírita; como generalidade, liga-se à doutrina espiritualista, da qual apresenta uma das fases. Essa a razão por que traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.”

A definição de Kardec é absolutamente precisa. O Vocabulaire Technique et Critique de la Philosophie, de André Lalande, ao consignar a Filosofia Espírita, com a denominação de Espiritismo, acentua o seu caráter espiritualista. A seguir, ao tratar do termo spiritualisme, esclarece que é impróprio chamar-se o Espiritismo de Espiritualismo, como o fizeram e fazem os ingleses, e às vezes os alemães. Porque o Espiritismo é apenas uma espécie do gênero Espiritualismo, como o Marxismo, por exemplo, é apenas uma espécie do gênero Materialista.

A tradição filosófica é quase toda espiritualista. Referimo-nos hoje a doutrinas materialistas do passado, mas a verdade histórica não nos autoriza a tanto. As correntes gregas e helenísticas chamadas de materialistas, na verdade são apenas naturalistas. Melhor lhes cabe a designação clássica de hilozoístas (1), ou seja, de filosofias da matéria-viva animada por um princípio espiritual que escapa aos sentidos dos observadores. Os filósofos gregos, que antecederam as grandes correntes espiritualistas da fase socrática, são contemporâneos dos eleáticos (2) e dos pitagóricos (3), que construíram a metafísica grega, cuja essência é o Ser, ou “aquele que é”, segundo a definição de Parmênides. As filosofias atômicas de Leucipo e Demócrito estão muito longe do materialismo atual: são intuitivas e racionais. Os sofistas gregos são “homens de razão”, que procuram pensar de maneira utilitária e acabam por se perder na abstração das palavras.

Os materialistas (4) constituem, na História da Filosofia, correntes modernas de pensamento. O que encontramos na antiguidade é uma posição objetivista, diante dos problemas do mundo e da vida, mas assim mesmo impregnada de metafísica. Harald Hoffding, por exemplo, estabelece a seguinte diferença: considera “materialismo primitivo” o dos filósofos antigos, em comparação com o materialismo moderno. André Lalande acentua a natureza metafísica do chamado materialismo antigo. A própria concepção de matéria, nos gregos, é de natureza ontológica, como também acentua Lalande, advertindo ainda que devemos ter em conta as modificações semânticas, ao enfrentar a “tendência à sistematização” do pensamento filosófico.

A tradição filosófica é, portanto, espiritualista. As grandes questões da Filosofia são metafísicas e não físicas. O materialismo surge com o desenvolvimento do pensamento científico, e isso se explica pela natureza das ciências, que nada mais são do que a racionalização das técnicas. Voltadas para o domínio da matéria, as ciências fizeram o pensamento descer da metafísica para a física. Daí a explicação de Augusto Comte, de que “o materialismo é a doutrina que explica o superior pelo inferior”. O Espiritismo, no seu aspecto filosófico, enquadra-se rigorosamente na tradição filosófica. É uma filosofia do espírito, que parte da essência espiritual para explicar a existência material. Por isso, Kardec citou Platão como precursor do Espiritismo: o mito da caverna, da filosofia platônica, é uma alegoria espírita, mostrando a natureza efêmera e irreal da matéria, em face da brilhante realidade espiritual.

Maurice Blondel explica que o termo Espiritualismo só apareceu no século 17, empregado pelos teólogos, para designar o falso misticismo, os exageros de espiritualidade ou religiosidade. Era um termo pejorativo. Esse fato nos mostra a natureza espiritual da tradição filosófica, onde jamais aparece a discriminação moderna de espiritualistas e materialistas. Blondel acentua que o termo Espiritualista passou a ser utilizado, na época moderna, por “pessoas que mantêm comércio com os espíritos e não se contentam de ser espíritas, talvez porque o título de Espiritualista tem sido melhor empregado”. A verdade, porém, não é essa. A aplicação do termo Espiritualista tem sido apenas um equívoco, pois o termo Espiritismo só apareceu com Kardec, em meados do século XIX. Anteriormente a Kardec, o uso do termo Espiritualista era obrigatório. É natural que, posteriormente, os ingleses e os norte-americanos, que não adotaram a obra de Kardec, continuassem a utilizar-se da velha e insuficiente designação.

  1. O PROBLEMA DO CONHECIMENTO

Já vimos, nos capítulos anteriores, que o problema do conhecimento se apresenta como um processo histórico, que se desenvolve através de fases sucessivas, precisamente definidas. O que dissemos da tradição filosófica reafirma essa tese. Ao estudar os horizontes culturais, vimos que o conhecimento positivo só se tornou possível com a superação das fases anímica, mítica e religiosa, no momento em que as ciências começaram a desenvolver-se. Kardec explica, no capítulo primeiro de “A Gênese”, que o Espiritismo só poderia aparecer depois do desenvolvimento das ciências. Que diríamos disso, ao lembrar que as ciências, segundo vimos acima, deram origem ao materialismo?

A Filosofia Espírita é dialética: explica a realidade através das suas próprias contradições. O aparecimento das ciências e seu desenvolvimento colocaram o homem diante da realidade objetiva. Essa realidade afugentou os fantasmas da superstição, mas ao mesmo tempo facilitou a compreensão do fenômeno mediúnico. Se, por um lado, as pessoas mais apegadas ao plano físico negaram a existência de vida além da matéria, por outro lado, as pessoas mais desapegadas foram capazes de interpretar a mediunidade de maneira racional. A consequência apresentou-se de maneira dupla: surgiu o materialismo, mas surgiu também o espiritualismo científico.

O Espiritismo se apresenta, assim, como um processo gnoseológico (5) especial, ou seja, como uma forma especial do processo do conhecimento. Superadas as fases anteriores da evolução, o homem se torna apto a captar a realidade de maneira mais intensa. Desapareceram os embaraços da superstição, e o campo visual do homem se tornou mais claro e mais amplo. Liberto do temor de Deus e do Diabo, o homem se reconhece a si mesmo como uma inteligência autônoma, atuante na matéria. Ao reconhecer isso, percebe que a dualidade espírito-matéria, anteriormente percebida de maneira confusa, esclarece-se. A inteligência humana é um poder atuante, que supera também o mistério da morte.

O desenvolvimento e o treinamento da razão através da Idade Média, e a consequente eclosão do racionalismo (6) na Renascença, liberto da ganga das emoções primitivas e das elaborações teológicas do misticismo, conferem ao homem a maturidade suficiente para enfrentar a realidade como ela é. Os fenômenos anímicos e mediúnicos do passado podem agora ser examinados de maneira racional. A captação da realidade já não é mais emocional. As categorias da razão definiram-se e aguçaram-se, permitindo uma captação direta do “aqui” e do “agora” existenciais, sem a mescla das sensações confusas e das emoções turbilhonantes do passado. A razão, dominando o caos das sensações e das emoções, equaciona de novo a realidade psicofísica: põe o psiquismo humano e a realidade exterior sobre a mesa, para uma avaliação direta.

Surge, em consequência dessa nova forma de captação e de julgamento do real, uma nova concepção do mundo. Essa concepção é ao mesmo tempo crítica e genética. Do ponto de vista crítico, ela julga o passado, a antiga concepção e a antiga posição do homem diante do mundo. Do ponto de vista genético, ela constrói uma nova concepção e uma nova posição. Lembrando ainda a lei dos três estados, de Augusto Comte, poderemos dizer que a nova concepção se apresenta como uma síntese da oposição dialética (7) entre o “estado teológico” e o “estado positivo” (8). Por isso mesmo é que a dualidade de consequências, a que acima nos referimos, teria fatalmente de ocorrer. Ao sair do “estado teológico” e entrar no “estado positivo”, o homem tinha fatalmente de elaborar a sua concepção positiva do mundo, ou seja, a concepção materialista. No mesmo instante, porém, esta concepção surgia como oposição à concepção teológica. O processo dialético se completa na síntese espírita: a concepção espírita do mundo reúne o misticismo teológico e o cientificismo positivo. Daí a sua natureza de espiritualismo – científico.

Julgar o mundo é avaliá-lo. A concepção espírita equivale, portanto, a uma reavaliação do mundo. Diante dela, os antigos valores estão peremptos, superados. Também para a concepção materialista, os antigos valores tinham perecido. O materialismo substituíra os valores espirituais e morais pelos valores utilitários. Mas o Espiritismo reformula os dois campos e modifica a posição de ambos. Os valores espirituais são reconduzidos ao primado do espírito, mas os valores morais e materiais não são desprezados ou subestimados, como na antiga Mística. Há um novo critério valorativo: a lei de evolução. Este critério substitui, por um processo de síntese dialética, os dois critérios que anteriormente se opunham: o salvacionista e o pragmático. A salvação não está mais na fuga a o utilitário, mas no bom uso do utilitário, em favor da evolução.

A axiologia espírita não é antropológica. Sua escala de valores não funciona em relação ao homem, mas à realidade universal. É o que vemos, por exemplo, nesta afirmação de Kardec, em seu comentário ao item 236 de “O Livro dos Espíritos”: “Nada existe de inútil na Natureza; cada coisa tem a sua finalidade, a sua destinação.” As coisas valem, não em referência aos interesses passageiros do homem, mas em referência ao processo cósmico de evolução, dentro do qual o homem se encontra como uma forma passageira do Espírito. Este é imortal, e por isso mesmo sabe que as circunstâncias não podem determinar uma escala real de valores. O próprio homem vale pelo quanto evolui, e não pelo que é ou pelo que aparenta ser, num dado momento.

Essa nova axiologia tem suas consequências no plano da cosmologia e da cosmogonia. Na cosmologia, Kardec afirma: “Todas as leis da Natureza são leis divinas.” (cap. 1 de “O Livro dos Espíritos.”) A estrutura de leis naturais do cosmos não se restringe ao plano físico, porque é uma estrutura global, que abrange, segundo os termos da moderna ontologia do objeto, todas as regiões ontológicas. A cosmologia espírita é íntegra, e não dualista. É um todo, em que não há sobrenatural e natural, pois o cosmos é um processo único. Na cosmogonia é que vai surgir o dualismo, porque o cosmos aparece como criação. Temos então a dualidade Criador e Criatura. Mas essa dualidade, mesmo no plano cosmogônico, que pertence à religião espírita, explica-se como causa e efeito, numa espécie de polaridade, que, segundo advertem os Espíritos, nossa inteligência atual não consegue apreender em sua verdadeira natureza. Não obstante, a evolução nos assegura, desde já, que a compreensão se tornará possível no futuro, pois é dado ao homem saber, na proporção em que ele cresce espiritualmente.

Chegamos assim a um aspecto da teoria espírita do conhecimento que é de fundamental importância, porque resolve naturalmente o velho problema filosófico dos limites do saber, e resolve até mesmo o impasse a que, nesse terreno, chegou o pensamento kantiano. Para a Filosofia Espírita, não há zonas interditas ao conhecimento humano. O saber metafísico é tão possível quanto o racional. A própria razão transcende os limites de suas categorias, na proporção em que novas experiências lhe vão sendo acessíveis. O homem é um processo, e na proporção em que se desenvolve, supera-se a si mesmo, superando as suas limitações. A interdição às zonas superiores do conhecimento não decorre de nenhuma determinação misteriosa, e nem mesmo de qualquer espécie de incapacidade, mas apenas da falta de crescimento, de desenvolvimento, de evolução e maturação do homem.

O problema das origens é, por enquanto, de ordem religiosa, ou como Kardec prefere dizer: moral. Deus criou o mundo, mas como e por quê, ainda não o podemos saber. O que sabemos, sem dúvida possível, é que o mundo existe e nós existimos nele. A Filosofia Espírita parte dessa realidade existencial, para investigar as suas dimensões, que não se restringem ao simples existir, mas se ampliam no evoluir, no vir-a-ser. O que sabemos é que o homem, como todas as coisas, evolui, e que o destino do homem é transcender-se a si mesmo.

  1. DETERMINISMO E LIVRE-ARBITRIO

Colocados assim os termos da equação filosófica, enfrentamo-nos novamente com o velho problema do determinismo e do livre-arbítrio. Admitida a existência de Deus, como “inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” – admitida essa existência com a mesma evidência com que ela se apresenta no hegelianismo (9) e no cartesianismo (10) – e admitida, da mesma maneira, a existência de uma lei geral de evolução, a que tudo se submete, inclusive o homem, resta saber se estamos ou não diante da estrutura rígida do pensamento espinosiano (11). Há liberdade para esse homem que amadurece, que tem de amadurecer, queira ou não queira, no processo evolutivo?

primeira vista, a liberdade é impossível. O Espiritismo parece ter dito antes do poeta Rainer Maria Rilke: “Deus nos faz amadurecer, mesmo que não o queiramos.” E realmente o disse. Mas acrescentou: “Sem o livre -arbítrio, o homem seria uma máquina.” (Item 843 de “O Livro dos Espíritos”.) O homem é livre de pensar, querer e agir, mas sua liberdade é limitada pelas suas próprias condições de ser. O simples fato de existir é uma condição. Dentro dessa condição, porém, o homem é livre: pode ser útil ou inútil, bom ou mau, segundo a sua própria determinação. Existe, pois, uma dialética do determinismo, que é ao mesmo tempo a dialética da liberdade.

Podemos colocar assim o problema: há um determinismo subjetivo, que é o da vontade do homem, e um determinismo objetivo, que é o das condições de sua própria existência. Da oposição constante dessas duas vontades, a do homem e a das coisas, resulta a liberdade – relativa da sua possibilidade de opção e ação. O item 844 de “O Livro dos Espíritos” nos propõe essa tese de maneira simples, ao tratar do desenvolvimento infantil: “Nas primeiras fases da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades. Estando os pensamentos da criança em relação com as necessidades da sua idade, ela aplica o seu livre-arbítrio às coisas que lhe são necessárias.”

Isso nos mostra que o homem não amadurece como o fruto, mas como espírito. Na proporção em que a criança amadurece, ela deixa de ser criança, para tornar-se adulto. Assim, o homem, na proporção em que amadurece, deixa de ser homem – essa criatura humana, contraditória e falível, enleada nas ilusões da vida física – para tornar-se Espírito. A morte, em vez de ser a frustração do existencialismo sartreano (12), ou o fim da vida, ou ainda o momento de mergulhar no desconhecido, de toda a tradição religiosa, apresenta-se como o momento de maturação e de alforria. Morrer, como o disse Victor Hugo, não é morrer, mas simplesmente mudar-se.

A mudança do homem, entretanto, não é completa. Ele não deixa de ser o que é. Sua essência permanece a mesma. Perdendo a condição existencial terrena, ele passa imediatamente para a condição existencial psíquica. Nessa outra condição, terá de enfrentar o mesmo processo de oposição dialética: de um lado, o determinismo subjetivo da sua vontade, do seu próprio querer; de outro, o determinismo objetivo das circunstâncias. Nestas circunstâncias, porém, avultam as consequências de seus atos na vida física, O que ele fez, a maneira por que pensou, quis, sentiu e agiu, toda a trama das suas próprias ações, agora o enleia. Como se vê, sua liberdade ampliou-se, pois é ele quem agora se limita no exterior. As circunstâncias em que se encontra foram determinadas pela sua própria vontade. Isso lhe desperta a compreensão de sua capacidade de agir, e consequentemente de sua responsabilidade. É então que ele deseja voltar à existência física, ao mundo em que gerou o seu próprio mundo espiritual, a fim de reformar a sua obra. E já então, ao voltar, aqui mesmo, no mundo material, ele não vem enfrentar apenas a vontade estranha das coisas, mas também a sua própria vontade, representada nas circunstâncias de uma vida apropriada às necessidades do seu posterior desenvolvimento.

É assim que, pouco a pouco, o livre-arbítrio supera o determinismo. A liberdade de se determinar a si próprio confere ao homem o poder de criar. Ele cria o seu próprio mundo, as suas formas de vida, o seu destino. A princípio, o faz de maneira quase inconsciente, como a criança que se queima na chama da vela, por querer pegá-la. Mas, depois, as experiências o acordam para a plenitude consciencial de que ele deve desfrutar, segundo o seu destino natural. Porque o destino do homem, no sentido geral de sua posição no Universo, é ser deus. Não no sentido de igualar-se à Inteligência Suprema, mas de atingir a compreensão dessa Inteligência, integrar-se no seu plano de vida e pensamento, participar de sua plenitude. Assim, podemos dizer que o homem constrói o seu destino no plano do contingente, mas no plano do transcendente o seu destino já está determinado pelas leis universais.

Mas será apenas o homem que tem esse destino transcendente? E os demais seres da Criação, para e por que existem? O Espiritismo nos responde que o Universo é constituído de dois elementos fundamentais, as duas substâncias cartesianas – a rés cogitans (“coisa pensante”) e a rés extensa (“coisa extensa”) – ou, em termos espíritas: o elemento inteligente e o elemento material. Ainda em termos cartesianos, mas já no plano do pensamento de Espinosa, vemos que essa dualidade se resolve numa espécie de monismo (13) tridimensional: inteligência e matéria decorrem de uma fonte única, a que estão subordinadas, e que é Deus. Por isso que Deus é inteligência e causa. Como causa, o é de todas as coisas. Deus não é assim uma concepção antropomórfica, mas a hipóstase de Plotino. O Universo é hipostático: primeiro, a hipóstase divina, que é Deus; depois, a hipóstase inteligente, que é o Espírito; e, por fim, a hipóstase material, que é a Matéria.

Essas três hipóstases (14) não estão, porem, separadas, como as da concepção plotiniana. Constituem apenas aspectos de um mesmo todo. E o que é mais curioso, aspectos interpenetrados. E assim que Deus está em tudo e tudo está em Deus, que a matéria existe desde o início e que espírito e matéria estão sempre relacionados. Como na doutrina de forma e matéria, em Aristóteles, o espírito informa a matéria, e esta, por sua vez, manifesta o espírito, e toda essa interação se realiza em Deus, porque pela sua vontade e sob o poder constante de suas leis. O fluido universal, na mecânica cósmica, e o fluido vital, na mecânica biológica, são o resultado dialético e ao mesmo tempo o elemento de aglutinação de espírito e matéria. Assim, todos os seres, desde a região ontológica mineral – segundo a terminologia da moderna ontologia – até a região vegetal, a animal e a hominal, estão todos integrados no mesmo processo e submetidos às mesmas leis e ao mesmo destino. É o que vemos, por exemplo, no final da resposta do item 540 de “O Livro dos Espíritos”: “É assim que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, que o vosso espírito limitado ainda não pode abranger no seu conjunto!”

Bastaria perguntar como se explica a finalidade desse imenso processo. Em que resultaria, afinal, esse desenvolvimento constante de tudo, de todas as coisas, nos rumos da perfeição e da inteligência? A pergunta, como responderia Gonzague Truc, não pode ser respondida pela Filosofia, porque pertence à Mística. Mas o Espiritismo, que admite o desenvolvimento da Filosofia até o plano da antiga Mística e além dela – uma vez que admite o desenvolvimento ilimitado da capacidade humana de compreender – responde com a nossa incapacidade atual para abarcar a complexidade e as consequências do processo cósmico, dentro do qual nos encontramos. Do nosso ponto de vista atual, demasiado restrito, condicionado pela estreiteza de nossas mentes, em funcionamento na aparelhagem de cérebros animais, é impossível a compreensão daquilo que poderíamos chamar, nos termos da filosofia aristotélica, as causas finais.

Quando saímos do plano do pensamento, para examinar o problema à luz das nossas possibilidades de expressão verbal, maior ainda se revela a nossa incapacidade, diante de suas dimensões conceituais. As deficiências da linguagem humana, assinaladas por Kardec na “Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, mostram quanto seria vã a nossa pretensão de investigar o princípio e o fim das coisas. Mas, ao mesmo tempo, o Espiritismo nos acena com as possibilidades futuras, mostrando-nos como, a cada giro da Terra sobre si mesma, o nosso avanço no tempo equivale ao desenvolvimento psíquico. Compete a cada um de nós, e a todos nós em conjunto, superarmos as nossas limitações, pelo nosso desenvolvimento próprio e pelo desenvolvimento da Civilização. (15)

  1. O HOMEM NO MUNDO

A unidade essencial das leis que regem o mundo oferece à cosmovisão espírita uma integridade absoluta. O cosmos é uma unidade orgânica. O homem, integrado nessa unidade, participando intimamente dela, deixa de ser a oposição espiritual ao mundo material, que as formas clássicas de religião e de filosofia nos apresentaram. O homem está no mundo como parte do mundo. Sua posição de “projecto”, descoberta pelo existencialismo, coincide com a posição do próprio mundo em que se integra. O “aqui” e o “agora” assumem importância e significação maiores que as das concepções existenciais, porque o “aqui” e o “agora” espíritas não estão apenas carregados de passado e prenhes do presente, mas representam unidades sintéticas de tempo e espaço. O lugar e o momento que passam equivale ao “point-d’optique’ da expressão feliz de Victor Hugo, no Prefácio de Cromwell: é aí, nesse pequeno e translúcido espelho, que se refletem o passado, o presente e o futuro não somente do homem, mas de todo o cosmos.

Deus fala ao homem através de suas leis. Estas, que são eterna s, representam a presença do imutável no mutável, da eternidade na transitoriedade. O momento que passa não é uma ilha no tempo, nem um ponto no espaço, mas um fluir: o fluir da duração. Se o homem o compreender e o sentir, estará pleno de felicidade. Ë o que vemos no item 614 de “O Livro dos Espíritos”: “A lei natural é a lei de Deus; a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela lhe indica o que ele deve fazer ou não fazer, e ele só se torna infeliz porque dela se afasta.” E no item 617 esclarece: “Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois Deus é o autor de todas as coisas. O sábio estuda as leis da matéria; o homem de bem, as da alma, e as segue.”

A razão dos sofrimentos e da infelicidade, do desespero humano, é simplesmente a violação das leis. Os espíritos foram criados “simples e ignorantes, ou seja, sem conheci mento” (item 114 – “O Livro dos Espíritos”) e se destinam à perfeição, onde atingirão “a felicidade eterna, sem perturbações”. Se todos seguissem naturalmente as leis de Deus, atingiriam a perfeição sem dificuldades. Mas há um momento de queda. Não o de Adão e Eva no Paraíso, mas o de cada um diante de si mesmo, no processo natural do desenvolvimento. A aquisição do conhecimento gera perturbações. Uns se deixam levar pelas fascinações exteriores e pelo incitamento de outros, desligando-se das leis naturais e criando suas próprias leis, as da conduta artificial. “Esta é a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação e outros a resistiram”, diz o item 122 de “O Livro dos Espíritos”.

Isso, entretanto, não quer dizer que uns se perderam e outros se salvaram. O próprio desvio das leis naturais é uma experiência proveitosa. Porque os espíritos devem conseguir a plenitude de consciência e conquistar a sabedoria, o que só é possível através do uso do livre-arbítrio. Por mais que um espírito se desvie, um dia chegará em que ele terá de voltar à integração nas leis naturais. Esse é o momento da “religião”, da volta do espírito à integração cósmica. O item 126 do “O Livro dos Espíritos” explica: “Deus contempla os extraviados com o mesmo olhar, e os ama a todos do mesmo modo.” Por outro lado, os que seguiram as leis não escaparam ao processo evolutivo. Apenas, nele integrados, podem segui-lo tranquilamente, em vez de lutarem contra a correnteza e sofrerem as consequências da luta.

O homem no mundo é, portanto, um espírito em evolução. Bom ou mau, virtuoso ou criminoso, pecador ou santo, ele está “agora” e “aqui” para desenvolver-se, para realizar-se. Qual o tipo humano ou divino que lhe pode servir de exemplo? O item 625 responde: “Vêde Jesus”, e Kardec explica: “Jesus é para o homem o tipo da perfeição moral a que pode aspirar a humanidade na Terra.” Por que Jesus e não Buda? Porque o primeiro ensina ao homem viver plenamente no aqui e no “agora”, enfrentar o mundo em vez de fugir a ele, realizar-se no presente em vez de protelar a realização enclausurando-se e furtando-se às experiências da vida. O homem está no mundo para vivê-lo. É a lei. Só através dessa vivência ele atingirá Deus. Fugir ao mundo para refugiar-se na ilusão contemplativa é desertar da batalha necessária.

As religiões são formas de reintegração do homem nas leis naturais, instituições sociais em que se condensam as intuições espirituais que indicam ao homem o caminho de volta a Deus. Sistemas pedagógicos, destinados à reeducação das coletividades transviadas. Não obstante, esses mesmos sistemas sofrem as influências negativas dos espíritos que se afastaram das leis. Por isso, eles também evoluem. As formas religiosas se sucedem no tempo, até o momento em que elas mesmas deverão desaparecer, cedendo lugar à religião pura, sem templos nem formalismos, à religião em espírito e verdade, que cada consciência professará por si mesma, independente de sistemas dogmáticos e organizações sacerdotais. A lei de adoração, lei natural, será o fundamento dessa religião assistemática, que o homem do futuro instituirá na Terra.

O trabalho é lei natural (item 674), e através dele o homem progride. Fugir ao trabalho é transgredir a lei. Trabalhar é modificar-se e modificar o mundo, estabelecer a interação necessária para o progresso geral. A lei de igualdade e a lei de liberdade, unindo os homens, deverão conduzi-los à prática da fraternidade. Esta se traduzirá plenamente na lei de justiça, amor e caridade, que estabelecerá na Terra um mundo superior ao de injustiça, ódio e egoísmo, em que hoje vivemos. “O amor e a caridade – ensina Kardec (Comentário ao item 886) – são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem possível, que desejaríamos que nos fosse feito. Tal é o sentido das palavras de Jesus: amai-vos uns aos outros.”

A Filosofia Espírita desemboca, assim, na Moral Espírita, que não é outra senão a própria moral evangélica, racionalmente explicada, inteiramente desembaraçada das interpretações teológicas e místicas. Essa moral não é apenas individual, mas também coletiva. O bem reinará sobre a Terra, afirma o item 1.019 do “Livro dos Espíritos”, prevendo o advento de um novo mundo, que será construído por uma humanidade regenerada. Caminhamos para lá, através de todas as dificuldades e vicissitudes do presente. E é no presente que temos a oportunidade de preparar o futuro. A moral espírita se traduz, assim, na prática incessante do bem, única maneira de vivermos bem na atualidade e criarmos o bem para o futuro.

José Herculano Pires

NOTAS (PESQUISA DO A ERA DO ESPÍRITO.NET):

(1) Hilozoísmo – do grego hyle, matéria, e zoe, vida- é um termo que designa uma concepção da matéria e, por extensão, de toda a natureza. Os hilozoístas consideram que toda a realidade, inclusive a inerte, está dotada de sensibilidade e, portanto, animada por um princípio ativo.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Hilozo%C3%ADsmo)

(2) Eleatismo – S. m. Antigo sistema filosófico da escola de Eleia, que só admitia duas espécies de conhecimentos: os que provêm dos sentidos e são apenas ilusão, e os que provêm do raciocínio e são os únicos verdadeiros. (http://www.dicio.com.br/eleatismo/) Eleia, – hoje Castellmare, situava-se numa pequena baía da Itália, que tem ao fundo as montanhas calabresas, não longe de Nápoles, – foi centro de um significativo movimento filosófico já no período pré-socrático da filosofia grega. Seu primeiro filósofo foi Xenófanes de Colófon 570 – 475 a.e.c., vindo da Jônia. Assim sendo, está na origem da escola de Eleia. Nascidos já na mesma Eleia, foram seus dois mais notáveis representantes: Parmênides e Zenão. Ao grupo, já como um dos seus epígonos, pertenceu ainda Melisso de Samos.

(http://www.templodeapolo.net/Civilizacoes/grecia/filosofia/presocraticos/filosofia_presocraticos_eleatas.html)

(3) Pitágoras de Samos (Pitágoras o Samiano): foi um filósofo e matemático grego que nasceu em Samos entre cerca de 571 a.C. e 570 a.C. e morreu em Metaponto entre cerca de 497 a.C. ou 496 a.C. Fundou uma escola mística e filosófica em Crotona (colônias gregas na península itálica), cujos princípios foram determinantes para a evolução geral da matemática e da filosofia ocidental sendo os principais temas a harmonia matemática, a doutrina dos números e o dualismo cósmico essencial. Essa escola de pensamento grego foi denominada em sua homenagem de pitagórica.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Pit%C3%A1goras)

(4) Materialismo: O termo foi inventado em 1702 por Gottfried Leibniz , e reivindicado pela primeira vez em 1748 por La Mettrie. Em filosofia, materialismo é o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações materiais; que a matéria é a única substância. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Materialismo) Em Obras Póstumas (As cinco alternativas da humanidade), Allan Kardec, descreve assim o materialismo: A inteligência do homem é uma propriedade da matéria; nasce e morre com o organismo. O homem não é nada antes, nada depois da vida corpórea. Gerando, assim, as seguintes consequências: O homem, não sendo senão matéria, não há de real e de invejável senão os gozos materiais; as afeições morais não têm futuro; os laços morais são quebrados sem retorno na morte; as misérias da vida são sem compensação; o suicídio torna-se o fim racional e lógico da existência, quando os sofrimentos são sem esperança de melhora; é inútil se impor um constrangimento para vencer os seus maus pendores; viver para si o melhor possível, enquanto estiver aqui; a estupidez de se incomodar e de sacrificar seu repouso, seu bem-estar, por outrem, quer dizer, por seres que serão aniquilados, a seu turno, e que jamais tornarão a ser vistos; deveres sociais sem base, o bem e o mal são coisas de convenção; o freio social é reduzido ao poder material da lei civil.

(5) Gnoseológico – 1 – Relativo á gnoseologia, estudo que faz parte da filosofia que trata dos fundamentos do conhecimento. Investigação fenomenologia preliminar: O fenômeno do conhecimento e os problemas nele contidos. 2 – Precedente lógico do conhecimento, uma condição lógioco-transcedental posto pelo jurista para tornar possível a pesquisa jurídico-científica. Tem um caráter transcendental, no sentido de que se põe logicamente antes da experiência, sendo por isso condição dela e não mero resultado. (http://www.dicionarioinformal.com.br/gnoseol%C3%B3gico/)

Gnosiologia (também chamada Gnoseologia) é o ramo da filosofia que se preocupa com a validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. Este (o objeto), por sua vez, é questionado pela ontologia que é o ramo da filosofia que se preocupa com o ser. Fazem-se necessárias algumas observações para se evitar confusões. A gnoseologia não pode ser confundida com epistemologia, termo empregado para referir-se ao estudo do conhecimento relativo ao campo de pesquisa, em cada ramo das ciências. A metafísica também não pode ser confundida com ontologia, ambas se preocupam com o ser, porém a metafísica põe em questão a própria essência e existência do ser. Em outras palavras, grosso modo, a ontologia insere-se na teoria geral do conhecimento, ou Ontognoseologia, que preocupa-se com a validade do pensamento e das condições do objeto e sua relação o sujeito cognoscente, enquanto que a metafísica procura a verdadeira essência e condições de existência do ser.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Gnosiologia)

(6) O racionalismo como doutrina surgiu no século I a.C.. É a corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio como uma operação mental, discursiva e lógica que usa uma ou mais proposições para extrair conclusões – se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável. Essa era a ideia central comum ao conjunto de doutrinas conhecidas tradicionalmente como racionalismo. O racionalismo enfatiza que tudo que existe tem uma causa. Séculos mais tarde, os filósofos racionalistas modernos utilizaram a matemática como instrumento da razão para explicar a realidade. Com esse objetivo, Descartes elaborou um método baseado na geometria e baseado em quatro regras – as regras do método científico.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Racionalismo

(7) Aristóteles considerava Zenão de Eleia (aprox. 490-430 a.C.) o fundador da dialética. Outros consideraram Sócrates (469-399 AEC). Um dos métodos dialéticos mais conhecidos é o desenvolvido pelo filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). A dialética é um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que leva a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradução literal de dialética significa “caminho entre as idéias”.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Dial%C3%A9tica)

(8) Lei dos três estados é a coluna principal na qual está assentada o edifício filosófico, científico e político elaborado pelo pensador francês Auguste Comte (1798-1857), o fundador do positivismo. A Lei dos Três Estados é o fundamento da obra de Comte, aplicando-se aos vários âmbitos da existência humana, desde as belas-artes até a política, passando pelas ciências e pela economia. Ela é uma concepção ao mesmo tempo epistemológica, histórica e filosófica (em sentido amplo), tendo permitido a Comte criar a Sociologia, a História das Ciências e também a Psicologia Positiva (por ele chamada de “Moral”).

A LEI DOS TRÊS ESTADOS

Os espírito humano de modo a explicar os fenômenos que se observam no universo, passa necessariamente por Três Estados (Três formas de concepção da realidade):

1.º – Teológico ou Fictício: os fenômenos são explicados através de vontades de seres sobrenaturais e/ou transcendentais. O Estado Teológico pode ser dividido em 3 fases progressivas:

a) – Animismo: também chamado de fetichismo, se caracteriza por dar aos objetos concretos da natureza vida e vontade própria, semelhantes a dos seres humanos.

b) – Politeísmo: a vontade dos deuses possui controle absoluto sobre todas as coisas.

c) – Monoteísmo: a vontade do Deus (único) controla todas as coisas e todos os acontecimentos.

2.º – Metafísico: os fenômenos são explicados por meio de forças ocultas e/ou entidades abstratas. As abstrações personificadas substituem as vontades sobrenaturais.

3.º – Positivo: o espírito humano renuncia a busca das causas primárias e dos fins últimos, subordinando os fenômenos a leis naturais experimentalmente demonstradas. As causas absolutas (os porquês) e os fins (finalidades últimas) por serem inacessíveis ao exame científico, são substituídas pelo estudo e descobertas das Leis Naturais que explicam como os fenômenos ocorrem. No estágio positivo procura-se descobrir as leis segundo as quais os fenômenos se encadeiam uns aos outros.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_dos_tr%C3%AAs_estados)

(9) O hegelianismo é uma corrente filosófica desenvolvida por Georg Wilhelm Friedrich Hegel, um dos primeiros pensadores a se preocupar com a “modernidade” como base dos estudos sociológicos. Pode ser sintetizada pela frase do próprio filósofo “o racional por si só é real”, que significa que a realidade é capaz de ser expressada em categorias reais. O objetivo de Hegel era reduzir a realidade a uma unidade sintética dentro de um sistema denominado idealismo transcendental.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Hegelianismo)

(10) O cartesianismo é um movimento filosófico cuja origem é o pensamento do francês René Descartes, filósofo, físico e matemático (1596-1650). O método cartesiano seria um instrumento, que bem manejado levaria o homem à verdade. Esse método consiste em aceitar apenas aquilo que é certo e irrefutável e conseqüentemente eliminar todo o conhecimento inseguro ou sujeito a controvérsias. O objetivo de Descartes era de abranger numa perspectiva de conjunto unitário e claro, todos os problemas propostos a investigação cientifica. O fundamento principal da filosofia cartesiana consiste na pesquisa da verdade, com relação a existência dos “objetos”, dentro de um universo de coisas reais. O método cartesiano esta fundamentado no princípio de jamais acreditar em nada que não tivesse fundamento para provar a verdade. Com essa regra nunca aceitara o falso por verdadeiro e chegará ao verdadeiro conhecimento de tudo.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartesianismo)

(11) Baruch Spinoza (1632 – 1677) – Para Spinoza Deus é o único motivo da existência de todas as coisas. Deus é a substância única e nenhuma outra realidade existe fora de Deus. Ele é a fonte única e Dele surgem todos os outros elementos. Deus existe em si e foi gerado por si, para existir ele não necessita de nenhuma outra realidade. A essência de Deus pressupõe a sua existência. A substância divina é infinita e não é limitada por nenhuma outra, ela é a causa de todas as coisas existentes, que por consequência são manifestações de Deus. Assim sendo, nada existe fora de Deus, e tudo que existe é uma forma de Deus, não como uma criação sem regras ou espontânea, mas seguindo as leis da natureza e respeitando a possibilidade de agir com vontade própria.

(http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=72)

(12) Jean-Paul Sartre (1905-1980) é um autor conhecido por seu pensamento de crivo existencialista no meio filosófico. A conceituação de Sartre sobre consciência discorre em conjeturar esta como modo-de-ser do ser humano e, portanto, como constitutivo essencial de cada ser-para-si, o qual tem por tarefa, a partir da consciência, projetar-se a ponto de almejar uma plenificação de ser – na linguagem sartreana, tornar-se um ser-Em-si. O conceito de liberdade no pensamento de Sartre é entendido como consequência desse projetar humano por meio da consciência, posto que o fato desta ser um nada-de-ser do para-si é que o condiciona a uma situação de liberdade na qual a única escolha vigente é a de ser um Em-si. Isso confirma a impossibilidade de um não atrelamento do conceito de liberdade ao conceito de consciência, visto que, de acordo com o existencialismo sartreano, a liberdade decorre da consciência, a ponto do para-si ser impresso pelo nada-de-ser num caráter de condenação: “Todo homem está condenado a ser livre” (SARTRE, 1997).

(http://pensamentoextemporaneo.wordpress.com/2010/11/05/compreendendo-o-conceito-sartreano-de-liberdade/)

(13) Monismo (do grego mónos, “sozinho, único”) é o nome dado às teorias filosóficas que defendem a unidade da realidade como um todo (em metafísica) ou a identidade entre mente e corpo (em filosofia da mente) por oposição ao dualismo ou ao pluralismo, à afirmação de realidades separadas.

As raízes do monismo na filosofia ocidental estão nos filósofos pré-socráticos, como Zenão de Eléia, Parmênides de Eléia. Spinoza é o filósofo monista por excelência, pois defende que se deve considerar a existência de uma única coisa, a substância, da qual tudo o mais são modos. Hegel defende um monismo semelhante, dentro de um contexto de absolutismo racionalista. O filósofo brasileiro Huberto Rohden é um teórico defensor do monismo.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Monismo)

(14) Hipóstase, do grego hypostasis, significa subsistência, realidade. Na filosofia de Plotino, Deus se deriva em três hipóstases: Uno, nous (Inteligência) e alma, que ele comparava também, respectivamente, com à luz, ao sol e à lua. O termo também é encontrado entre os gnósticos. Um dos livros da biblioteca de Nag Hammadi se chama “A Hipóstase dos Arcontes”. A transcrição latina para Hipóstase é “substância”, que, todavia, foi utilizada pela tradição filosófica com significado totalmente diferente do que a utilizada por Plotino. No sentido contemporâneo, é utilizado de maneira pejorativa, porém raramente. Dessa maneira, indica a transformação de um ser em um ente.

(http://www.ocultura.org.br/index.php/Hip%C3%B3stase)

Plotino (Licopólis, 205 – Egito, 270) foi um filósofo neoplatônico, autor de Enéadas, discípulo de Amônio Sacas e mestre de Porfírio.

(15) Estudo relacionado (Livre-arbítrio e Determinismo):

(http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/LEI_DE_LIBERDADE.html)

Fonte: J. Herculano Pires – no livro “O Espírito e o Tempo”, – Parte III (Doutrina Espírita), cap. 3.

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Estes médiuns e as estripulias da personalidade!

Wilson Garcia

Divaldo, Gasparetto, Chico e assemelhados: entre o ser pensante e o fazer mediúnico, a necessidade sentida de dizer ao mundo que também é um espírito inteligente tanto quanto.

Um dia, Divaldo decidiu que agiria para mostrar que também pensa por si, produz por si, escreve por si. Não era só médium, apenas médium, secretário de outrem. Foi quando se abriram as portas do inferno? Ou as do céu?

Divaldo, Gasparetto e Chico: médium também pensa.

Ele nunca foi apenas médium. Nunca! Mas o viam – e ainda o vêm – muito mais como tal, de maneira que isso o marca. Até que o incômodo emergiu em formas explícitas de manifestação individual. Passou a expor seus próprios e muitas vezes nada atraentes pensamentos nas tribunas e nas páginas de jornais. Repito, o seu pensamento. Mas aí entra a provocação: quem acredita que é o mesmo médium, o médium de sempre que fala levanta a mão.

Malgrado seu, nem assim boa parte (grande parte, a maior parte?) de fiéis seguidores alcança o desejo dele. Aplausos constrangidos ou frenéticos continuam a soar vindos da plateia sonhadora dos auditórios invejosamente repletos. O homem quer falar sem a roupagem do médium: gente, sou eu, vocês não me vêm? Eu também penso, eu também sou espírito e muito inteligente. Por favor.

Isso já havia ocorrido com outros médiuns. Lá atrás, não muito lá atrás, com Luiz Antonio Gasparetto, de trajetória ímpar no campo das artes plásticas mediúnicas. Gasparetto ganhou o mundo, foi visto e revisto em toda a Europa, especialmente após o programa da BBC de Londres “Renoir, é você?”, reprisado inúmeras vezes.

Psicólogo, de personalidade forte, Gasparetto mostrou-se médium muito jovem ainda. A mãe, Zíbia, ascendeu também à mediunidade e como tal fez-se vista pela tribuna da Federação paulista e por livros que se multiplicariam. Gasparetto em projeção não demorou a ultrapassá-la. Viagens internacionais constantes e apresentações em território brasileiro permanentes romperam barreiras do preconceito e da descrença. Eram os espíritos os maiores responsáveis, sempre eles. Gasparetto um dia também rompeu! Foi como se passasse a gritar um grito quase sem eco: gente, eu penso; eu também sou gente! Posso ser eu comigo mesmo, sem eles.

Foi quando se abriram as portas do inferno? Ou as do céu?

Chico, o inolvidável, que antecedeu aos dois, jamais conseguiu assinar qualquer coisa com o som de sua voz interior ao olhar estupefato de todos nós. Não que não falasse ou reivindicasse esse direito. Não! Diariamente, expressava seus próprios pensamentos, como sói ser com qualquer espírito, mas quem o ouvia, senão ao Emmanuel? Chico cansou, se cansou e descansou. No céu?

Voltemos ao Gasparetto. No auge da vitalidade física, cansado de não ser visto, pelo menos, em igualdade de condições com os espíritos que assinavam suas telas e depois de ter rompido outras barreiras, rompeu com os rótulos das crenças que o aprisionavam, seguido pela notável mãe. Sem poder abandonar a condição de médium, porque deixar de ser médium não é opção, reduziu a oferta de espetáculos e palcos e aumentou a de cursos e falas em que o psicólogo e o escritor atua sem a participação dos invisíveis incômodos.

Alcançou sucesso, dinheiro e fama. Desejou construir um mundo colorido e para firmar seu destino de modo indelével, adquiriu uma casa rosada. Linda construção fina cheia de histórias, um pouco descuidada então, é verdade. Não sabemos se continua lá depois de partir, com certeza, prematuramente. Como dizia o Senhor Brasil, partiu antes do combinado. Mas, deixou seu recado, o de que tinha voz própria.

Agora, de retorno ao Divaldo.

Ninguém é somente médium ou perfeito médium. Todo estudioso, pesquisador e dedicado cultor da racionalidade kardequiana sabe disso. Divaldo sabe. E para firmar sua inarredável disposição de construir aos olhares humanos o equilíbrio de valor entre o médium e o indivíduo pensante que é, não titubeia em apalpar as portas do céu e do inferno, assim mesmo, nesse sentido metafórico.

As primeiras, do céu, precisaremos aguardar o tempo para alcançar de fato a resposta. Ainda somos incapazes de vê-las, as portas, à parte a fase candidamente ilusória do sonho. As do inferno se mostram, diariamente, aos olhos vigilantes. Agressivamente, num surto agudo de contraste com a sua própria história de vida, conhecida, admirada e não poucas vezes invejada.

Ontem, agrediu ouvidos sensatos com condenações surpreendentes, ácidas, aos homossexuais, escorregando desastradamente ante as questões de gênero. E foi aplaudido! Anteontem, havia escandalizado ao apontar nocivo profissional da justiça como missionário do bem. O escorregão já havia acontecido, também, ao tentar teorizar sobre comunismo, Marx etc. e fazer prevalecer patética condenação.

Hoje, reequilibra com ajuda o corpo alquebrado para condenar a prisão e o tratamento dado à turba ensandecida que depredou os prédios dos três poderes em Brasília. “Prisões estúpidas” – diz. E continua: “Como é que pegam pessoas da rua, botam no ônibus e levam para a cadeia? Ah são terroristas, mas ninguém estava com revolver, nem faca, nem canivete, nem gilete, nem cortador de unha…”.

A imagem é convincente: a cabeça está firme, o olhar por trás dos óculos ainda vivo, a voz em bom som e as mãos gesticulam em movimentos habituais. O homem fala por si, reafirma que também pensa e é, como reivindica. Não sou, é como se repetisse enfático, apenas o médium. Sou o Divaldo! Vocês não vêm? Compreenderão os seus admiradores incólumes que o homem está falando apartado dos espíritos esclarecidos? Será ele aplaudido?

O que se mostra ausente mais uma vez é o que se lamenta com dose alta de tristeza: o bom-senso.

Wilson Garcia

Fonte: Blog do WGarcia

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Ataques a Allan Kardec e ao Espiritismo

Allan Kardec e o Espiritismo são atacados pelo revisionismo esquerdista: mais um escândalo lamentável

Em sua obra espírita, Allan Kardec adotou um critério básico para filtrar as tantas informações esparsas vinda dos Espíritos a partir do movimento conhecido como Espiritualismo Moderno,, em meados do século XIX: o controle universal do ensino dos Espíritos. Para o codificador do Espiritismo, as grandes verdades nunca são reveladas a uma só fonte, a um só médium, num só tempo e lugar; elas são derramadas universalmente, ou seja, distribuídas em vários lugares, por diversas fontes. É nesse sentido que também a Filosofia e a ciência podem ser catalogadas como fontes reveladoras da natureza divina (Ver o cap. I de A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo – ebook). Desta feita, quando uma “coisa falsa” é levantada por uma voz, outras mil vozes se levantam para reestabelecer a verdade. Em Historiografia também é assim: a História não tem um dono; todos os historiadores contribuem para a formação das narrativas e aquelas que consagram ao longo do tempo são as que passam pela filtragem da generalidade. Por isso, revisar a História é um instrumento natural de desenvolvimento desta disciplina. Porém, como tudo é um tanto “imperfeito” em nosso mundo ainda em regeneração, existe aí os seus perigos: há determinadas concentrações locais e temporais burlando fatos e conceitos para lhes dar um caráter universalista conforme os seus modismos. Por isso, a evolução de um povo só pode analisada em grande escala.

Todo esse preâmbulo tem em vista preparar nosso fôlego para tratarmos de mais um escândalo dentro do movimento espírita: é que Allan Kardec e o Espiritismo estão sendo atacados por um grupo — pequeno, mas barulhento — de esquerdistas (por eles próprios definidos) que pretendem seguir a onda do revisionismo histórico que está sendo proposto hoje em toda a cultura. É mais um fato lamentável cujo primeiro resultado é disseminar discórdias e macular o Movimento Espírita, mas que precisa ser encarado, seriamente, confiando que também desse escândalo saia algo positivo, por exemplo, uma melhor articulação conjunta entre os espíritas sinceros.

Vamos encarar a coisa.

Os “espíritas à esquerda”

Há um grupo autodenominado “espíritas à esquerda” articulando-se dentro do movimento espírita para propagar desavergonhadamente uma série de ideologias sociais e políticas francamente estranhas ao Espiritismo. Você percebe facilmente esse viés ideológico militante por um critério simples: a menor preocupação deles é com a Doutrina Espírita: o que os movem não são os conceitos kardecistas, mas as próprias obsessões desse grupo. Eles se declaram espíritas, mas apenas usam Kardec e o Espiritismo para fomentar suas manias obsessivas.

O escândalo, o barulho e a confusão são do que eles mais gostam, porque fazem parte da tática destes para se promoverem. Discursam em nome de supostas virtudes, como os “direitos humanos”, “igualdade” e “prosperidade”, mas suas revoluções estão mais munidas de rancor e de espírito de vingança do que de amor e de caridade — o oposto da codificação espírita, cujo lema é “Sem caridade não há salvação”. É que eles não querem “salvação” (leia-se “evolução espiritual”); eles querem revolução.

Suas ideologias doentias abraçam uma luta contra o racismo, mas que criam fundamentalmente uma disputa de raças ao colocar negros contra brancos em retaliação aos racistas. Para isso, eles precisam evidenciar — com todo o exagero possível — os atos racistas (os que realmente existem) e ficticiamente racistas (em tudo eles veem racismo). E daí saem a policiar tudo o que lhes sugiram uma “opressão racista”, por exemplo: o hábito de colocar o arroz (branco) sobre o feijão (preto). Essa obsessão é estratégica para inflamar os ânimos, pois se não houver racismo eles ficam desempregados. Ora, contra o racismo o Espiritismo tem uma solução muito prática que é nos esclarecer sobre nossa condição espiritual desprovida de qualquer diferença étnica ou racial: somos Espíritos reencarnantes sujeitos a “vestir” esporadicamente a roupa carnal preta, branca, amarela etc. convidados a buscar sempre a fraternidade universal, e nunca a segregação.

Os esquerdistas também se dizem defensores das mulheres e se consagram heróis contra o machismo, mas o que menos eles pregam é a dignidade da mulher; a pauta deles mais urgente é o aborto, o assassínio de crianças — coisa abominável para qualquer bom espírita.

Igualmente se dizem defensores dos direitos humanos dos que praticam a diversidade sexual sob a bandeira de que toda forma de amor é válida. mas a intenção aqui é claramente propagar a libertinagem e a depravação, de onde o amor minimamente verdadeiro passa longe.

E a última moda a que eles estão aderindo é a da luta contra a gordofobia, na falsa intenção de proteger as pessoas gordas contra um preconceito geral e a tal “ditadura da beleza”. Mas no fundo o que há é uma revolução contra toda e qualquer moral: o que se pretende é eliminar qualquer tipo de ideia de algo seja errado ou pecado (a gula, por exemplo) para que todos estejam livres para se fazer o que quiser (comer até morrer, no caso) sem culpa, sem responsabilidades a cumprir. E aí, se todo mundo cair nessa cultura, todos ficarão com a impressão de que não há lei, não há moral a seguir, que nada é errado, que tudo é permitido, tudo é divino, tudo é maravilhoso.

É próprio de ditaduras e governos autoritários forçarem a construção de uma cultura estereotipada, recheadas de ideologias que pintam um quadro favorável às suas torpezas. A China comunista é um exemplo notório: toda uma tradição de pensamento espiritualista oriental vem sendo deturpada há décadas pelos “pesudolibertadores vermelhos”, que alegam agir em defesa de uma “proteção” contra os inimigos externos. No fundo, eles estão implantando uma versão completamente distorcida da História e uma inversão dos valores morais através de uma maciça lavagem cerebral, tudo pelo interesse materialista: poder, fama e luxo para si, à despeito da miséria de seu povo — um crime humanitário indizível!

Mas os heróis dessa turma são exatamente essa gente: Nietsche, Karl Marx, Mao Tse tung, Che Guevara, Fidel Castro e Cia. Enquanto isso, Chico Xavier, Allan Kardec e Jesus são os vilões de seu mundo utópico da suprema felicidade da anarquia.

Portanto, o que podemos pensar dessa turma dita “espíritas à esquerda” é que sejam falsos espíritas, pessoas perturbadas a serviço de forças trevosas infiltrados no nosso meio para semear a discórdia e minar o Espiritismo.

Adulteração da obra de Kardec

Pois essa turma de “espíritas à esquerda” teve a ousadia de adulterar a obra de Allan Kardec lançando uma edição de O Evangelho segundo o Espiritismo numa versão dita “edição antirracista”, acrescentando um prefácio próprio, assinado por uma tal “Coordenação Nacional do Coletivo Espíritas à Esquerda”. Aliás, uma dupla adulteração, porque além de fraudar a mensagem original do autor (Kardec) eles fraudaram a obra de tradução do livro feita por Guillon Ribeiro.  Ora, o livro em si está sob domínio público e pode ser editado e traduzido por qualquer pessoa, mas essa gente sequer tiveram o trabalho de fazer a tradução: pegaram uma pronta e a adulteraram — um crime intelectual absurdo!

Em seu prefácio, dizem os adulteradores: “O coletivo Espíritas à Esquerda desde 2016 está-se conectando com pessoas que se identificam com o nosso posicionamento de questionar o dogmatismo do movimento espírita e com a luta por justiça social, defendendo as propostas de Jesus sobre o Reino de Deus na Terra. Nessa trajetória, dispomo-nos a enfrentar todas as formas de preconceito e opressão e, com a presente edição, em particular, enfrentar o racismo, convictos de que ‘numa sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser antirracista’.”

E a partir daí eles modificaram vários trechos do Evangelho kardequiano inserindo suas ideologias, num ato declarado de que consideram o autor da obra um racista. Pois é! Kardec racista!??? E usam como argumento para essa ideia um processo administrativo do Ministério Público Federal da Bahia (MPF-BA) de 2007, pelo qual — segundo eles — “foram apontados 106 trechos que suscitam dúvidas quanto ao seu caráter discriminador e preconceituoso das obras de Allan Kardec”.

Sobre esse processo, a propósito, escreveremos futuramente, esclarecendo todos os fatos desse cômico episódio da Justiça Brasileira que colocou Allan Kardec no banco dos réus. Aguardem! Mas antecipamos que a sentença do juiz que cuidou deste caso indeferiu (rejeitou) a acusação de racismo contra as editoras kardecistas, destacando: “Destarte, fica clara como água da rocha a intenção dos editores de divulgar, sem mutilações, o pensamento kardecista, sem, para tanto, elevar a distinção baseada na cor da pele em ideologia discriminatória”. A decisão judicial está disponível neste link.

RISCADOS - Os problemáticos: do beijo da Branca de Neve à Tia Nastácia, passando pelo agente 007 (Montagem com fotos de istock/Getty Images, Disney, Reprodução, Bob Penn/Getty Images, Silver Screen Co… Leia mais em: https://veja.abril.com.br/cultura/obras-classicas-e-artistas-celebrados-caem-na-mira-de-onda-revisionista.

Reprodução do site da revista Veja.

A propósito desse modismo de revisionismo cultural, a equipe da revista Veja publicou uma interessante matéria, inclusive citando os espíritas esquerdistas “corrigindo” a obra de Kardec (veja aqui). No entanto, é importante frisar que os editores desta reportagem denotam que concordam com a concepção de um viés racista na obra original de Kardec — obviamente, por serem leigos em matéria de Espiritismo. E por aí vemos também o efeito nefasto de campanhas como essas, feitas por seitas ideológicas.

Resposta dos espíritas

Em resposta a essa malfadada obra desses ativistas, importantes vozes espíritas se levantam em defesa de Kardec e da nossa amada doutrina, repudiando as adulterações.

A Federação Espírita Brasileira fez questão de exaltar os valores kardecistas no artigo “Em todos os homens vemos irmãos”, evidenciando que “Sempre dinâmica, a Doutrina dos Espíritos nos ensina diariamente a importância de ações solidárias relacionadas às nossas vidas. Apresenta conceitos sobre questões morais, existenciais e sociais que permeiam nossos dias, a exemplo da igualdade e da fraternidade.”  (veja aqui).

A União das Sociedades Espíritas – USE exprimiu com veemência: “[…] repudiar qualquer tentativa de adulteração das obras de Allan Kardec, as quais apresentam a fundamentação teórico-doutrinária do Espiritismo, esclarecendo sobre a natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como suas relações com o mundo corporal. Tais obras caracterizam-se como patrimônio cultural dos espíritas, estendendo-se a toda a humanidade.” (veja aqui). Aliás, antes de emitir essa nota, a USE organizou em 2022 um grupo de estudos para analisar as adulterações desta obra. Depois de vários encontros, este grupo elaboração um relatório final em dezembro do ano passado, cujo parecer foi taxativo: “A redação do texto em análise, proposta na edição ‘antirracista’, distorce o conteúdo e o significado da edição original.”

Com sua conhecida ironia, o Blog do Dr. Inácio Ferreira publicou o artigo “O livro inexistente” tratando como “tamanho disparate” esse volume que, para o articulista é inexistente, por ser insignificante, aproveitando para mandar um recado aos esquerdistas: “Quanto aos nossos irmãos “à esquerda”, ansiosos por serem modernos, e se colocarem como vanguardeiros de não sei lá o quê, careço dizer que, em Espiritismo, em seu Tríplice Aspecto, não existe ‘esquerda’ nem ‘direita’ — o que existe, minha filha, é Centro Espírita, do qual esse pessoal anda fugindo para não ter que criar calos nas mãos e na alma…” (Veja aqui).

Em seu blog Expediente Online, Wilson Garcia esbravejou através do artigo “A excêntrica postura que revela o extremismo disfarçado de justiça social” que “Escandalosa tanto quanto vergonhosa, a palavra antirracista aplicada a uma edição de O evangelho segundo o espiritismo configura um verdadeiro estupro levado a efeito na terceira obra da doutrina.” (Veja aqui).

Sobre a interpretação errônea de Kardec ser racista, recomendamos os apontamentos oferecidos pelos confrades Paulo Neto e Artur Azevedo na live abaixo incorporada:

A Luz Espírita reforça essa voz de protesto contra essa infâmia contra Allan Kardec e contra o Espiritismo, convidando todos os confrades a concentrar as atenções naquilo que realmente nos interessa: estudar, sentir e absorver com responsabilidade a mensagem da Revelação Espírita a fim de promovermos nossa evolução espiritual e contribuirmos para a elevação da nossa sociedade, sem partidarismos, sem ideologias interesseiras, e agindo sempre com o espírito da verdadeira caridade.

Quem estiver interessado em O Evangelho segundo o Espiritismo, disponha da nossa edição livremente distribuída pela nossa Sala de Leitura.

Fonte: Luz Espírita – Espiritismo em Movimento

OPINIÃO (da redação): Embora o Espiritismo não careça de defensores, pois representa o próprio futuro da humanidade, independente do que possam os humanos pensar ou fazer, fatos como este merecem certa atenção para auxiliar aqueles que ainda não conseguiram, por si mesmo, aprender a explorar a própria consciência em busca das respostas corretas, com base no aprendizado verdadeiro disponibilizado para todos através dos Espíritos Superiores por intermédio do trabalho árduo e incomparável de Kardec, incontestável sob todos os pontos de vista humanos e científicos representados fielmente pela racionalidade dos pensamentos mais inteligentes da humanidade terrena.

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“Panelinha”?

Orson Peter Carrara

O que são panelas e por que você deve combatê-las ...

Não julguemos mal os grupos e pessoas afins

A expressão que o leitor lê como título integra o acervo de expressões populares, dentro de certo regionalismo e até de gírias. Ela indica o conjunto de pessoas que se agregam por afinidade ou interesses comuns. Isso ocorre na infância, mocidade, na madureza e até mesmo na velhice, funcionando como uma espécie de ímã que atrai os afins e causa certo distanciamento (em alguns casos até isolamento) daqueles que não sintonizam nos mesmos interesses. Em virtude da ocorrência, sucedem disputas – principalmente as virtuais ou mentais –, ciúmes, invejas e mesmo rivalidades.

No fundo, em síntese mesmo, ela significa a existência de pessoas afins que se unem em grupos – para qualquer área de atividade humana – e podem gerar benefícios ou grandes estragos. É o caso de se dizer de pessoas com altos objetivos filantrópicos, por exemplo, que se unem em fundações e associações que visam socorrer as dificuldades humanas na área da saúde ou outra; ou, por outro lado, de pessoas equivocadas que se unem em objetivos nada éticos, como o tráfico de entorpecentes, planejamento de sequestro, roubos e outros graves desvios morais.

Normalmente, a expressão tem conotação pejorativa e é usada por aqueles que se sentem excluídos, traídos, marginalizados mesmo em alguns casos. Mas, quando um grupo de pessoas está unido pela afinidade de idéias e ideais, trabalhando por uma boa causa – seja lá qual for –, a acusação pejorativa de “panelinha” para referir-se ao grupo visado (e repetimos, normalmente usado por quem se sente excluído), é injusta, imerecida e digamos, chega ser cruel, descaridosa.

Vejamos que antes de acusarmos um grupo de “panelinha” é preciso conhecer “a fundo” o que fazem, a que se dedicam, que objetivo os move. E, ao mesmo tempo, por que nos sentimos excluídos, por que não integramos o mesmo grupo? Fomos impedidos? Há reservas? Somos capazes de nos comprometermos com os mesmos objetivos a que se dedicam? Temos o mesmo grau de desprendimento e dedicação? E, por nossa vez, somos capazes de vencer nossos próprios melindres?

Essas questões todas devem ser ponderadas antes de acusações gratuitas e sem fundamento, embora o dicionário defina a palavra como “grupo de pessoas que desdenha os interesses da coletividade”. Como nos referimos aos grupos assim acusados, injustamente, usamos entre aspas.

Afinal, pessoas unidas pelos mesmos ideais produzem grandes realizações em favor da coletividade. Afinam-se entre si, entendem-se, completam-se. E que direito temos nós de acusá-los com a feia expressão que intitula o presente artigo? Temos esse direito e conhecimento tal de seus objetivos para assim acusá-los?

Infelizmente, a expressão também é usada entre os espíritas que, em situações infelizes de divergências doutrinárias ou de posicionamentos, acusam-se mutuamente, em atitude incoerente com a própria proposta espírita, esquecendo-nos que esta visa o aprimoramento moral de seus adeptos. Busquemos, todavia, o pensamento do Codificador. Ele traz valiosos apontamentos e que muito podem nos ajudar. Tais reflexões vão diretamente a temas que podemos denominar, por exemplo entre outros, como Filtros para participação em reuniões mediúnicas, Afastamento de elementos perturbadores, Seleção de integrantes, Formação de equipe, etc.

Em O Livro dos Médiuns, no capítulo XXX- Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, encontramos: “(…) Artigo 3 – A Sociedade não admite senão pessoas que simpatizam com seus princípios e com objetivo de seus trabalhos; (…) exclui todos aqueles que poderiam suscitar elementos de perturbação no seio das reuniões, seja por um espírito de hostilidade e de oposição sistemática, seja por qualquer outra causa, fazendo, assim, perder o tempo em discussões inúteis. Todos os membros se devem, reciprocamente benevolência e bom proceder; devem, em todas as circunstâncias, colocar o bem geral acima das questões pessoais e de amor-próprio. (…) Artigo 6 – A Sociedade limitará, se julgar necessário, o número de associados livres e de membros titulares. (…) Artigo 19 – Todo membro tem o direito de pedir a chamada à ordem contra quem se afaste das conveniências na discussão, ou perturbe as sessões de um modo qualquer. (…) Três chamadas à ordem, no espaço de um ano, levam de direito à eliminação do membro que nelas houver incorrido, qualquer que seja a sua categoria. (…) Artigo 22 – Aquele que perturbe a ordem (…) pode ser convidado a se retirar e, em todos os casos, disso terá feita menção na lista de admissão, e a entrada lhe será interditada no futuro (…)”

Para evitar nova transcrição, é de bom alvitre consultar os itens 330 e 331 (capítulo XXIX da segunda parte), no mesmo livro, para compreender-se a questão da homogeneidade e a influência do meio na qualidade das reuniões, levando-se em conta que cada pessoa sempre traz consigo espíritos que simpatizam com suas tendências e que exercem considerável influência sobre a reunião, havendo pois necessidade, para o bom êxito das reuniões, de uma seleção de seus integrantes. Claro que não nos referimos aqui às reuniões públicas. E são valorosas também as argumentações dos itens 340 e 341, na mesma ordem de pensamento.

Também na Revista Espírita (publicação fundada pelo Codificador em 1858), edição de junho de 1862, em matéria com o título Princípio Vital das Sociedades Espíritas, há oportuna consideração do Codificador. Ele publicou carta que recebeu, contestando opinião de um Espírito (publicada na edição de abril de 1862 e assinada por Gérard Codemberg) sobre o afastamento de integrantes, acusando a situação de descaridosa. Kardec fez suas observações e afirmou: “(…) mantenho que não há reunião espírita séria possível sem homogeneidade. Por toda parte onde há divergência de opinião, há tendência a fazer prevalecer a sua, desejo de impor suas idéias ou sua vontade; daí discussões, dissenções, depois dissolução; isto é inevitável, e é o que ocorre em todas as sociedades, qualquer que seja seu objeto, onde cada um quer caminhar em caminhos diferentes. (…) Quando um Espírito diz que é preciso afastá-las, tem razão, porque a existência da reunião a isso está ligada. (…)”

Continuando seus bem fundamentados argumentos, para os quais convidamos o leitor conhecer na íntegra, Kardec refere-se a outra comunicação – que inclusive está na sequência das páginas daquela edição –, com o título O Espiritismo filosófico, ditada com outras palavras, mas com o mesmo objetivo. Diz Bernardin, o autor espiritual: “(…) examinai bem, ao vosso redor, se não há falsos irmãos, curiosos, incrédulos. Se assim se encontram, pedi-lhes, com doçura, com caridade, para se retirarem. Se resistem, contentai-vos em pedir com fervor, ao Senhor, para esclarecê-los, e numa outra vez, não os admitais em vossos trabalhos. Não recebais, entre vós, senão os homens simples que querem procurar a verdade e o progresso. (…)” E completa Kardec, com muita firmeza: Quer dizer, em outras palavras, desembaraçai-vos polidamente daqueles que vos entravam.

Ainda em Obras Póstumas, no capítulo Constituição do Espiritismo, item VIII – Do Programa de Crenças, Kardec enfatiza: “A condição absoluta de vitalidade para toda reunião ou associação, qualquer que seja o objeto, é a homogeneidade, quer dizer, a unidade de vistas, de princípios e de sentimentos, a tendência para um mesmo objetivo determinado, em uma palavra, a comunhão de pensamentos (…). Toda reunião formada de elementos heterogêneos leva em si os germes de sua própria dissolução, porque ela se compõe de interesses divergentes, materiais, ou de amor-próprio, tendendo a um objetivo diferente, que se combatem, e muito raramente estão dispostos a fazer concessões ao interesse comum, ou mesmo à razão; que sofrem a opinião da maioria se não puderem fazê-lo de outro modo, mas que não se reúnem jamais francamente (…).”

É claro que os textos integrais completam ainda mais o raciocínio e seria inviável simplesmente transcrevê-los, o que contraria o objetivo da matéria. O objetivo mesmo é remeter o leitor ao estudo e leitura integrais de todas as indicações aqui enumeradas.

Portanto, a união de pessoas por princípios de amizade, afinidade, é algo absolutamente natural e benéfico para o êxito de iniciativas, especialmente aquelas vinculadas à proposta espírita. Há uma seleção que se opera naturalmente, por vias de assimilação fluídica mesmo. A acusação pejorativa da existência de panelinhas para grupos afins e identificados com o bem, deixa, pois, de fundamentar-se na verdade, para estar entregue ao melindre de seus autores. E, se realmente, elas existirem com outros objetivos, não merecem nossa preocupação. Há mais o que fazer. O ideal é que nos identifiquemos com o bem e busquemos, sem dúvida, integrar equipes e grupos dedicados cujas ações visem o progresso moral de seus integrantes e algo realizem em favor da coletividade.

No que se refere, porém, ao tema aqui tratado, nada melhor do que entender o que sempre pretendeu o Codificador: a homogeneidade como condição de êxito para as tarefas espíritas.

Para ilustrar, concluímos com uma situação para reflexão: imaginemos as tarefas assistenciais e normalmente composta de voluntários. Um mínimo de entendimento entre seus integrantes é suficiente, ainda que não haja tanta homogeneidade. O mesmo já não se pode dizer de uma reunião mediúnica ou de uma tarefa doutrinária. No primeiro caso, a movimentação é intensa, desde a chegada de novos integrantes até o afastamento de outros, com presença de rodízio permanente no grupo, sem expressivos prejuízos para a tarefa. O mesmo já não pode ser aplicado para o segundo, onde a homogeneidade é fator essencial. O singelo exemplo já permite pensar que não se trata de uma panelinha, mas de necessidade para o êxito das tarefas, normalmente conquistada através de muito esforço e perseverança de seus componentes. E isto deve ser respeitado.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era

Notas do autor:

As transcrições utilizadas na presente matéria foram feitas de edições do Instituto de Difusão Espírita, de Araras-SP, com tradução de Salvador Gentille;

Nota do autor: A indicação das fontes de pesquisa, que resultaram em transcrições parciais, foram feitas por Américo Sucena de Almeida, com elaboração textual deste autor, sendo o título da matéria de criação conjunta.

Matéria originariamente publicada na RIE – Revista Internacional de Espiritismo, edição de fevereiro de 2005.

Orson Peter Carrara  – é escritor e palestrante espírita, atua profissionalmente como assessor de imprensa, em Matão-SP, na Casa Editora O Clarim. Site. http://www.orsonpcarrara.rg3.net /

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Dos desvios e distorções doutrinárias

Orson Peter Carrara

Há que se dedicar muito cuidado e atenção na prática cotidiana da programação de nossas instituições espíritas. O compromisso do adepto espírita é com o Espiritismo. E Espiritismo está claramente definido nas obras básicas de Allan Kardec. As inclusões indevidas, práticas que distorcem, inovações oriundas de nossas distrações doutrinárias e mesmo quando criamos o “nosso espiritismo”, correm por nossa conta e risco, gerando responsabilidades de expressão, face às noções indevidas que podemos estar semeando em pessoas que agora se aproximam da Doutrina Espírita e o conhecem distorcido de suas propostas verdadeiras.

O compromisso do Espiritismo é com a renovação moral do ser humano. Totalmente conectado com o Evangelho de Jesus, suas bases visam esclarecer e orientar sobre nossa natureza, origem e destinação como filhos de Deus. Fundamentado em bases racionais e exclusivamente voltado ao crescimento intelecto moral dos filhos de Deus, o Espiritismo dispensa condicionamentos, dependências de qualquer espécie, imposições, exigências e fanatismos que possam ou queiram se impor.

Quando se fala em condicionamentos e dependências, há um leque enorme de situações sutis que vamos nos permitindo e que deformam totalmente a genuína prática espírita. Alguém poderia perguntar: mas qual ou quais? Relacione uma ou mais. Não há necessidade de citar, discriminar ou criar outros perigosos caminhos que são os do preconceito ou do orgulho ferido e mesmo possíveis imposições ou críticas que não cabem.

A resposta é fácil. O Espiritismo possui e oferece ferramentas úteis e precisas para se evitar condicionamentos e dependências. Basta que perguntemos a nós mesmos: o que espero ou faço do Espiritismo? Como dirigente, palestrante, escritor ou colaborador/tarefeiro em qualquer área de atividade nas instituições – pois que não há qualquer atividade que seja mais importante ou mereça qualquer destaque, já que somos todos meros aprendizes –, como estou me portando?

Aprisiono ou liberto e motivo as pessoas? Uso ameaças, chantagem e imponho minhas ideias e vontades como as únicas corretas? Sou daqueles que recriminam e acusam, desprezam ou não desmerecem o esforço alheio? Não é preciso continuar. Muitas outras situações podem ser incluídas.

Com tais posturas, onde vão se incluir os desdobramentos próprios do orgulho, da vontade de dominar, da vaidade e da prepotência, geram os problemas que aí estão, esperando nossa submissão à realidade do que realmente somos: todos meros aprendizes.

O pior de tudo isso é que deixamos que nossas tendências introduzam práticas estranhas ao Espiritismo na prática cotidiana dos Centros, como as atuais novidades incoerentes com a genuína prática espírita. Quais são as novidades? Novamente não é nem preciso citar. Basta observar com atenção! Os desvios surgem e as novidades aparecem quando esquecemos a prioridade do Espiritismo: nossa melhora e progresso moral.

E a orientação desse programa está claramente nas obras básicas, que esquecemos de consultar, de estudar, refletir e divulgar. E principalmente de fazê-la amplamente compreensível, em suas riquezas, para aqueles que se aproximam – sedentos por entender – e são bombardeados com condicionamentos que, ao invés de libertarem, aprisionam e repetem os mesmos equívocos da história bem conhecida, ao longo do tempo.

É nosso dever respeitar o Espiritismo! É nosso dever transmitir Espiritismo com fidelidade. Muitas pessoas que agora se aproximam do Espiritismo não trazem uma formação anterior que lhes facilite entender os fundamentos do Espiritismo e estes precisam ser explicados, comentados, exemplificados com clareza.

E, infelizmente, diante de tanta grandeza moral à disposição para cumprir sua justa finalidade, ficamos usando nosso tempo, recursos e inteligência para finalidades absolutamente distantes da genuína prática espírita que não é outra senão a caridade, em sua ampla abrangência, que não se restringe à doação de coisas, mas à doação de nós mesmos na gentileza, na sensibilidade, na atenção, no estender das mãos, no trabalho em favor do bem geral, etc., etc.

Abramos os olhos. Nossa responsabilidade é enorme. E nossa fragilidade também…

Orson Peter Carrara

Fonte: Espiritismo na Rede

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Livre arbítrio: A Liberdade do Espírito na sua Trajetória Espiritual

Camila Vieira

Em leitura de algum texto ou obra espírita é bem provável que você tenha se deparado com o termo “livre arbítrio”, que nada mais é que o poder de escolha de um Espírito sobre alguma coisa. Por trás deste conceito razoavelmente simples, guarda um dos grandes pilares do espiritismo: a Lei da Liberdade.

Enquanto algumas doutrinas seguem uma linha de proibição e rígido controle das ações dos indivíduos, a Doutrina Espírita trata a liberdade como uma lei, entendida como a faculdade de escolha do Espírito. Tal liberdade se inicia desde o seu planejamento encarnatório ainda no plano espiritual. O próprio espírito tem o poder de escolha de algumas provas que deseja passar em suas encarnações, visando o desenvolvimento do seu ciclo evolutivo.

Tal planejamento não significa que o Espírito firma um “Contrato de Adesão”, pelo qual é obrigado a segui-lo à risca. O Espírito tem total liberdade de escolha na tomada de decisões no seu ciclo terreno, que podem, inclusive, alterar substancialmente a jornada programada. Pensar que tudo que acontece em nossa vida é fruto de programação é equivocado, já que dependendo das decisões que tomarmos no curso do caminho seremos aproximados ou desviados do planejamento inicial.

A liberdade é uma das bases da Doutrina Espírita e a chave para a evolução: o Espírito constrói o alicerce da sua trajetória a partir das suas próprias escolhas e decisões, sendo responsável pelas suas ações. Claro que existe o amparo constante da Espiritualidade nestas decisões, mas certo que são fruto da faculdade de escolha do Espírito.

O Livro dos Espíritos contém um capítulo específico sobre a Lei de Liberdade (Capítulo 10). Estudando-o, é possível compreendermos que a liberdade faz parte da natureza do Espírito, mas não de forma absoluta [1]. Na medida que convivemos com outros Espíritos que também estão em caminhada evolutiva, há a necessidade do compartilhamento de suas liberdades. Assim, há um limite entre a liberdade de um para com o outro, visando o equilíbrio das relações.

Ainda, o Livro dos Espíritos ensina que todos os Espíritos, mesmo aqueles com faculdades limitadas, como uma criança, na medida de suas capacidades, têm o livre arbítrio de suas decisões [2]. É inerente do Espírito o poder sobre suas decisões.

Intrinsicamente ligada a ideia do livre arbítrio, vem a ideia da “ação e reação”. O Espírito tem a liberdade de escolha, mas é responsável por suas decisões.

Nesta lógica é possível compreender que a maldade não é inerente ao Espírito, na medida que ele pode escolher entre o bem e o mau. Serão as consequências das escolhas que fez durante a sua trajetória espiritual que definirão sua escala evolutiva.

Não podemos nos confundir que sendo a Terra um planeta ainda de provas e expiações, o ambiente ainda contém grande volume de espíritos com condutas desviadas para o mal, contudo não significa que todos os Espíritos aqui encarnados possuem em sua essência a maldade.

A pergunta 845 do Livro do Espíritos nos responde que por mais que existam predisposições instintivas de um Espírito que possam levá-lo à uma ação ruim, este Espírito tem o livre arbítrio.

A influência do ambiente sobre o Espírito também pode persuadi-lo, na medida que ambientes onde prevalecem paz e a bondade podem inspirá-lo para boas escolhas e ambientes mais carregados negativamente podem motivá-lo à más escolhas.

Sabendo da nossa responsabilidade perante nossas escolhas, daí a importância de buscarmos a melhor sintonia interior e exterior para que sejamos intuídos pela Espiritualidade às escolhas que mais se aproximem dos propósitos que devemos seguir nesta caminhada espiritual, por vezes tão árdua.

Afinal, “Lembrai-vos de que querer é poder”. [3]

Camila Vieira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

[1] Pergunta 844, Livro dos Espíritos.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. [Traduzido por Renata Barboza da Silva; Simone T. Nakamura Bele da Silva].São Paulo: Petit, 1999. p.284.

[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. [Traduzido por Renata Barboza da Silva; Simone T. Nakamura Bele da Silva].São Paulo: Petit, 1999. p.284.

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O planeta Arco-íris – Relato de uma viagem astral

Giselle Fachetti

“O Espírito dispõe sobre os elementos materiais dispersos por todo o espaço da vossa atmosfera, de um poder que estais longe de suspeitar. Ele pode concentrar esses elementos pela sua vontade e dar-lhe a forma aparente que convenha às suas ntenções. Livro dos Médiuns.”

Ao encerramos nossas palestras públicas sempre pedimos aos mentores de nossa Casa Espírita que tragam dos laboratórios do invisível as substâncias terapêuticas etéreas necessárias a cada indivíduo que participa desse nosso congresso de almas e de espíritos. Continuamos rogando a eles que diluam tais substâncias na água que sorveremos após a prece final, antes de nos dirigirmos novamente a nossas atividades cotidianas.

As referências a esses laboratórios são encontradas nas obras básicas da Doutrina Espírita e, sempre os consideramos, de nossa parte, como uma realidade extra-física incontestável.

Para nossa surpresa, e satisfação, durante o encerramento de um de nossos trabalhos mediúnicos desobssesivos fomos brindados com uma viagem coletiva a um desses laboratórios, guiados pelos coordenadores de nosso trabalho de assistência espiritual.

Fomos conduzidos a um veículo coletivo que nos parecia concreto e seguro, daqueles que nas obras de André Luiz são chamados de aérobus. Nosso grupo já habituado a viagens interdimensionais, facilitadas pelo longo treinamento na técnica do desdobramento anímico, ocupou as poltronas vazias do veículo com alguma ansiedade e, com muita expectativa.

A viagem foi rápida, porém fascinante, atravessamos o espaço sideral desviando-nos por entre pontos luminosos e, fomos ter em algum lugar que nos pareceu longínquo apesar da brevidade com que lá chegamos.

Do alto víamos um planeta. Isso mesmo, um planeta. Era multicolorido como um arco-íris, furta cor. A variação de intensidade e de tons de cores do planeta ao qual chegávamos era sutil e continua, por isso mesmo, confortável a nossos olhos. Diferente daquilo que percebemos ao observarmos os grandes painéis luminosos das grandes cidades que, agridem nossas retinas com cores fortes e vibrantes se revezando freneticamente.

Ao nos aproximarmos do planeta Arco-íris nosso Ônibus reduz a velocidade de forma gradual e, nos aproximamos lentamente. Assim podemos observar os detalhes que vão se tornando evidentes aos nossos olhos.

As regiões coloridas por vezes cedem espaços a construções harmônicas com um telhado de um mosaico claro e losangular. Percebemos que as peças dessas estruturas são mais do que telhas, são equipamentos de captação da energia cósmica.

Além dos grandes edifícios de telhado branco, divisamos a superfície do pequeno planeta coberta de uma vegetação absolutamente magnífica e intrigante. São vegetais multicoloridos como o arco-íris e, furta-cores. Plantas floridas. Flores de formas bastante diversas. A cor dança por entre essas plantas de forma suave e, em uma cadência de sublime harmonia.

Por entre os canteiros de flores transitam inúmeros seres flutuando a cerca de 10 cm do solo, sobre passarelas também brancas e, de superfície lisa como o cristal. São os trabalhadores desse local e se vestem com mantos fluidos e semitransparentes, brancos e de textura semelhante à de flocos de algodão doce.

Ao perceberem a nossa chegada os cientistas da luz se dirigiram ao porto de desembarque, aonde são recebidos os visitantes. Nosso Ônibus estacionou e, fomos convidados a descer na terra da cor e da luz. Fomos recebidos com abraços aconchegantes de seres que nos eram conhecidos e queridos.

Depois dos cumprimentos iniciais somos levados a um dos prédios de telhado branco aonde existe, um auditório anexo as complexas instalações de um grande laboratório, muito semelhante a uma usina de energia.

Adentramos no amplo auditório aonde a equipe responsável pela nossa visita planejou uma breve explicação sobre o objetivo dessa inusitada excursão.

Eles nos revelam que depois de tanto invocarmos, confiantes, os trabalhos nos laboratórios do invisível, tínhamos conquistado o direito de conhecer uma das unidades geridas pelos coordenadores dos trabalhos de nossa Casa Espírita.

Trata-se de uma unidade ligada à Colônia Esperança que produz e distribui os florais quintessenciados e as substâncias de natureza orgânica que compõem a paleta necessária para a cromoterapia essencial. São insumos necessários para a fluidificação das águas em nossa Casa Espírita.

Essa unidade, considerada de grande porte, fornece essa matéria de intenso poder terapêutico a muitas outras casas de oração, hospitais, abrigos e creches.

As flores são colhidas nas extensas plantações do planeta Arco-íris. Posteriormente são selecionadas e tratadas nos complexos laboratórios desse prédio central, lá conhecido como Usina de Luz. Uma vez elaborados são transportados em grandes tonéis que se subdividem internamente como uma colméia de abelha. Diversos nichos adjacentes, mas isolados entre si, que mantém registro exato do destinatário de cada formulação.

O trabalho é ágil e especifico, pois a tecnologia astral é mais avançada que a material. Os computadores dessa unidade são programados diariamente com as necessidades de cada terrestre a ser assistido, encarnado ou desencarnado.

A energia amorosa dos trabalhadores é essencial para ativar o princípio de cada medicamento astral e, é transferida pela força mental de cada um os dedicados cientistas lotados no Planeta Arco-íris. São médicos angelicais com longo treinamento na terapia fluídica da alma humana.

Tomamos conhecimento que a prece é, também, componente fundamental da solução fluídica renovadora. As preces que emitimos amorosamente em nossos lares, em nossos grupos de oração, em nossos hospitais e campos de sepultamento são rogativas de humanos arrebatados pelo desejo puro de contato com a realidade maior.

Essa matéria humanamente gerada pelo pensamento de teor elevado é processada na Usina de luz e passa a integrar a composição do medicamento etéreo que fluidifica nossas águas. O composto transformador é antídoto para as dores incapacitantes construídas pela ignorância e pelo desamor.

Ao término da explanação saímos em excursão pela terra mágica que nos recebe radiante. Caminhamos por alamedas e ruelas, entre flores deslumbrantes que hora refletem o amarelo do sol, ora vibram com o violeta dos cristais de ametista. O desfilar de maravilhas é contínuo e, revigorante. Tocamos as plantas e sentimo-nos confiantes e iluminados.

Outros prédios menores são vistos ao longe. Nossos mestres nos ensinam que são alojamentos, escolas, unidades administrativas e de manutenção dessa grande industria do bem.

Chegamos, então, a uma tenda junto ao um riacho de fluxo tranquilo, quase preguiçoso. Ouvíamos o barulho de suas águas correndo por entre pedras lisas. Uma brisa doce nos abraçava enquanto caminhávamos até a sombra do toldo branco.

Várias macas estavam dispostas paralelamente. Fomos convidados a nos deitarmos sobre as macas e a nos prepararmos pois receberíamos uma energização com a matéria orgânica cultivada no planeta das bênçãos coloridas.

Deitados sobre as macas fomos cobertos com as flores luminosas. Aquelas preciosidades assumiam cores diferentes sobre diferentes indivíduos. Na altura de cada centro de força havia maior intensidade de cor. Ao recebermos as energias armazenadas nessas plantas elas iam, gradativamente, adquirindo aspecto translúcido.

Quando nosso cobertor vivo se mostrou completamente transparente inferimos  que aquela sessão de terapia especial tinha chegado ao seu termo.

Fizemos o trajeto de retorno e, nessa oportunidade fomos autorizados a colhermos daquelas flores para trazermos paras nossos irmãos da Terra. Escolhíamos um exemplar para cada pessoa em especial, conforme a sua necessidade mais preemente. Sabíamos qual espécime seria adequado para cada um.

Cada um de nós trouxe nos braços um grande ramalhete de flores do Arco-íris. E, soubemos que essa oportunidade de presentear nossos irmãos de caminhada encarnatória nos foi oferecida para que pudéssemos experimentar, em nosso íntimo, a alegria que  nossos instrutores desfrutam diuturnamente ao trabalharem por e para nós.

No Porto de luz nos despedimos carinhosamente de nossos queridos e iluminados mestres, os cientistas da luz. Entramos novamente em nosso coletivo e,  em um piscar de olhos estávamos novamente em nossa Casa espírita.

Encerramos nosso trabalho daquela noite com uma prece de profunda gratidão à misericórdia dos servidores do Cristo que nos acolhem calorosamente e prodigamente nos oferecem a bendita oportunidade o aprendizado retificador.

Postado por Sérgio Vencio às sexta-feira, agosto 03, 2012

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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A velha túnica azul

Notava-se em seu semblante a estampa da tristeza e da inconformidade. Enquanto caminhava pesadamente na parte externa da escola, cabisbaixo como se carregasse nos ombros todo o peso do mundo, escutou passos vindos em sua direção: era o mestre que avistando-o de longe se aproximava.

Vestindo uma túnica azul surrada, e até levemente desbotada, pelo longo uso através do tempo, trazia na face envelhecida a expressão de quem entendera o sentido da vida, de alguém que conseguira por meio de muito esforço e sofrimento dominar a impulsividade no próprio peito em favor da larga compreensão. E justamente por isso quem lhe compartilhasse a intimidade para logo sentia-se envolvido por uma onda de paz balsamizante que aquecia o coração e amenizava de imediato todos os conflitos do espírito, todas as aflições da alma.

Então, o mestre atento e percipiente, uma vez que estava sempre presente, uma vez que havia aprendido a duras penas a não escapar para o futuro, tampouco para o passado, lhe indagou:

– Qual foi o ocorrido que lhe causou tamanho abatimento? A pergunta foi ungida com tanta Filantropia que o discípulo, homem feito, sentindo-se abraçado, acolhido por aquele espírito grandioso, mais parecia um menino diante do pai amado, destarte, respondeu assim, sem esconder sua amargura:

Havia nutrido grande esperança em participar de evento que lhe haviam prometido participar, contudo acabou sendo preterido e substituído por outra pessoa, sem aviso prévio, sem qualquer notificação por parte daqueles que lhe fizeram a enganosa promessa.

– Lembrou-se de utilizar na confrontação com o tal acontecimento o decreto de conduta? Dependia de você ser convidado?

Interpelou o velhinho cuja barba longa e embranquecida combinava com o azul de sua túnica. A resposta seguiu-se prontamente:

– O incomodo surgiu-me do pacto feito e não cumprido. Eu tenho consciência de que não dependia de mim ser convidado, como asseveram os dogmas fundamentais de nossa escola, contudo o problema foi a falta de palavra, de honra.

O mestre lançando um olhar compassivo para aquele homem que se fez menino, apequenando-se diante dos acontecimentos que por imaturidade alterara-lhe a disposição interior, perguntou-lhe, ainda mais uma vez:

– Mas, o não cumprimento do compromisso partiu de você? Quem faltou com a palavra não foram eles? Ora, por conseguinte, a ocorrência não teve nada a ver com você. Haja vista que nós não temos o poder de “faltar com a palavra dos outros”

– Sim mestre, mas eu queria …

– Por isso a sabedoria reside em reconhecer que o sofrimento está em querer e não vir-a-ser. Refletiu em voz alta o mestre citando o conceito de paixão em Epicteto.

– Eu sei disso mestre, mas assim mesmo me dói.

– Então, torno a lhe perguntar: foi você que descumpriu o juramento feito?

– Não mestre, definitivamente não.

– Creio, pelo que vejo, termos aqui um problema de ego ferido. Talvez haja considerado sua presença como insubstituível, devido a importância que pensava possuir e que desmerecidamente atribuiu a si mesmo. Nesse caso o remédio é este: treinar humildade e silêncio toda vez que o desprestígio ou a preterição apareçam em sua área.

Ainda assim, contra-argumentou a criança com a alma dorida:

– “Treinar humildade me parece coisa muito vaga, o que fazer para “treinar humildade”?

Nesse momento aquele homem calmo e confiante, simples e pleno de amorosidade, retirou do manancial de si mesmo estas palavras:

– Multiplique as perguntas, em silêncio contigo mesmo, utilizando total sinceridade para consigo sobre sua real importância, e somente isso bastará para que perceba o tamanho de seu ego inflado.

Falando isso o mestre se retirou devagar, deixando seu menino mergulhado em pensamentos a refletir.

Tarquínio

Fonte: Espiritismo na Rede

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É Tempo de Renovar Nossas Atitudes!

Paulo Velasco

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Não será novidade a sensação de estranheza que acomete boa parte da Humanidade terrestre nesse período de ocaso expiatório-provacional e de alvorecer de uma Nova Era de regeneração.

Nesses momentos, parece-nos faltar superfície para colocarmos os pés e caminharmos seguramente. O horizonte anuvia-se diante das montanhas de calamidades públicas e privadas pelas quais atravessam os errantes na trajetória ascensional. A noite sombria assola os incipientes raios solares do amanhecer, assenhoreando-se dos andarilhos da hora última, titubeantes em indecisões e vãos questionamentos, orquestrados no pragmatismo materialista do incrédulo, ou assentados na hesitação do crente iludido e desesperançado. Tudo parece acenar um futuro não muito distante de caos e perdição irremissíveis… Assim, o apóstolo Paulo se expressa, em sua carta aos Coríntios II, 4:8: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados”.

Tudo o que não for real, passará. Apenas os valores constitutivos da verdadeira propriedade, a espiritual, resistirão, posto que permanentes. Espantamo-nos perante doenças, atrocidades, crueldades, irresponsabilidades decorrentes da imaturidade espiritual ou da maldade temporária que domina, iludindo boa parcela da Humanidade terrestre. Todavia, não nos cabe o desalento, pois há muito que fazer, notadamente no período de transição em que todos somos convidados e convocados a doar o melhor de nós, realizando o que estiver ao nosso alcance, como a nossa quota de colaboração para as mudanças inadiáveis.

Entrementes, não nos permitiremos agoniar, cedendo a aparentes forças irresistíveis de influências malévolas a nos desviar do caminho a ser seguido em direção à conquista paulatina da felicidade, por esforço próprio e proporcional à nossa capacidade, sem exageros ou exigências descabidas, mas compreendendo que o minuto precioso de cada dia não deve ser desperdiçado por invigilância e ociosidade.

Nunca, como nos tempos atuais, houve tanta necessidade do Evangelho Redivivo ao Espírito sedento de consolo e de esclarecimento, que possa oferecer-lhe paz e serenidade, bom senso e discernimento, para não perder a direção do bem, deixando-se envolver pelas ilusões passageiras do mal.

Deus, em sua Infinita Misericórdia, utiliza-se do mal decorrente dos erros humanos, alçando-o veementemente para que se manifeste com toda pujança, como instrumento para erradicação em definitivo do próprio mal, que sobra apenas como ausência do bem maior originado da Providência Divina.

Vivemos os momentos decisivos da renovação em espírito e verdade, da transformação moral, da renovação íntima, da escolha dos valores espirituais, quando Jesus nos chama para o serviço da redenção de nós mesmos pelo auxílio aos irmãos em maiores necessidades que as nossas.

Atravessamos o período de despedida gradativa do orbe de expiações e provas, em que somos convocados a atuar como trabalhadores da última hora e, simultaneamente, vislumbramos o limiar do mundo de regeneração, para o qual somos convidados como candidatos a servidores da primeira hora.

Estagiamos no tempo de fazer a leitura da realidade, ter olhos de ver a Verdade e compreender que a Terra, o nosso planeta, é a escola de iluminação, o hospital de reabilitação e a morada de trabalho e de libertação de nossos Espíritos rumo a Deus, nosso Pai de Infinita Bondade.

Paulo Velasco

Referências: Ação e Reação, Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz / Paulo e Estêvão, Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel / O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec.)

Fonte: Correio Espírita

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Tu me amas?

Luiz Carlos Formiga

Igreja Batista Restauração: Pedro, tu me amas?

A existência da alma e sua sobrevivência após a morte é tema crucial para a educação, porque pode influenciar a hierarquia de valores, padrões éticos e o comportamento humano. Por não possuírem esse conhecimento profissionais da educação defendem ideias hedonistas, como o “princípio da pedofilia”.

Quando já sabemos que retornamos com as mesmas almas em diferentes relacionamentos nos tornamos mais atentos, com as relações afetivo-emocionais. Percebemos com maior nitidez que a liberdade tem os seus limites e também os seus compromissos. A educação passa a ser um processo de formação de valores e de libertação espiritual.

Para que o adulto viva na plena consciência da existência será necessário que no período infantil seja atendida a sua necessidade maior, que é encontrar um sentido para a vida.

Profissionais da Educação, que não descobriram a inteligência espiritual, podem se tornar prisioneiros de promessas demagógicas e populistas. Conscientemente, ou não, ajudam a encobrir objetivos ideológicos.

Um Procurador da República disse que o governo havia cometido um crime contra a criança.

Atacar crianças é tão “trevoso” que alguns podem achar que o procurador enlouqueceu.

Lembramos que na década de 1970 lemos sobre uma “organização criminosa espiritual”.

Com o hábito de fazer anotações, nas primeiras folhas, encontramos a indicação no livro “Chico Xavier. O Santo de Nossos Dias”, de R. A. Ranieri, Editora Eco.

Não sei qual a razão da coincidência, mas na página 125 encontramos um folheto impresso com uma “Oração da Criança”. O livro deve pertencer as Edições Paulinas, pela indicação: EP – Momentos – 43.

Diz Ranieri, na mesma página 125.

“Certa ocasião, o Chico, mansamente, nos preveniu:”

– Disse Emmanuel que com o afastamento e libertação de Gregório, outro espírito assumiu o comando daqueles que compõem as suas legiões de seres terríveis que aparecem no livro “Libertação”.

Tamerlão, ao assumir o comando, reuniu os seus companheiros e traçou os seus planos de combate ao Espiritismo e aos espíritas.

Sabem qual é o plano dele?

Nessa reunião Tamerlão disse: “Para combater os espíritas o meu plano é o seguinte: SEXO”.

Dito isso, Chico meditativo, esclareceu:

Gregório chefiava essas legiões e foi libertado. Tamerlão é espírito muito mais terrível do que ele. De agora em diante os espíritas começarão a ser tentados no campo do sexo, e muitos cairão.

Diz Ranieri que de fato, pouco tempo depois, começamos a ter notícias referentes a espíritas, de grande expressão nacional, que foram se perdendo no campo sexual. Alguns deixaram a família para seguir a ilusão da carne, ou de um amor que não era aquele programado na espiritualidade.

Pelo exposto, cabem perguntas. Em que região do globo trabalha Tamerlão? Qual país abriga o maior o número de espíritas?

Chamou-me a atenção e tocou-me a alma um trecho da Oração da Criança”..

(…) Proteja meus professores, pois me ensinam tanta coisa bonita. E eles me falaram que um dia você disse: “Deixai vir a mim os pequeninos”. Então Jesus, acolha nos seus braços a mim, todos os meus coleguinhas e as crianças do mundo inteiro. Que todas nós sejamos alegres e felizes e amanhã possamos fazer alguma coisa por aqueles que hoje fazem tanto por nós.

Tamerlão é terrível, no entanto, não esqueçamos que existem espíritos como Matilde, a luminosa mãe de Gregório, e que o planeta está sob a direção de Jesus.

Façamos nossa parte. Temos consciência que ainda somos semelhantes a índios lutando com ricos e poderosos adversários. Nesta luta desigual teremos que melhorar os “sinais de fumaça”. Nesse processo de comunicação, como protestar?

A comunicação busca clareza e objetividade. Ser objetivo é ir direto ao ponto. Clareza é favorecida pela concisão. Estes comentários, feitos em  Arte Divina. A Ciência de Ensinar , se aplicam aos protestos, sem violência, com apitos e panelas, contra os atos do governo que geram nossa indignação.

“A indignação deve ser a marca dos protestos, pois é o combustível que move a política.”

No artigo, É Política, estúpido, algumas palavras se destacam: indignação, foco, tematização, credibilidade, momento ou “timing”.

A “tematização do objeto, contra o qual se irá protestar, é de suma importância, pois protestos sem foco se tornam desfiles, festivais de selfies e paraíso de vendedores ambulantes. Sorrisinhos, beijinhos e poses para o celular retiram toda a credibilidade do que está ocorrendo. Um protesto não deve parecer um coquetel diplomático.” O momento, ou “timing”, de um protesto é metade de sua importância. A reação deve ser imediata, e demonstrar que estamos de olho.

“Se você não gosta de política, tem nosso respeito, mas saiba que alguém que gosta irá fazê-la por você.”

Como eu, muitos desconfiam da educação. Um sobrevivente de um campo de concentração narrou que viu crianças serem envenenadas por cientistas e que viu também a construção de aparelhos de tortura por engenheiros bem treinados. Por isso eu desconfio da “Educação”.

Na Revista Fraternidade, de Lisboa registramos um depoimento:

“Uma vez, na Emergência clínica reparei numa senhora deitada inconsciente em uma maca sem qualquer tipo de identificação ou prescrição. Perguntei aos médicos e enfermeiros sobre o seu caso e ninguém sequer tinha percebido sua presença.”

Desconfio dessa educação que estaciona na cognição e esquece o emocional e o espiritual.

O constituinte original não esqueceu: “Promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil”. (CRFB 1988). Preâmbulo.

Disse um médico ortopedista: “quando se considera a notável velocidade e complexidade do desenvolvimento embrionário humano, não é surpreendente que algumas crianças nasçam com uma anormalidade congênita; de fato, o que é surpreendente é que a vasta maioria das crianças são perfeitamente normais ao nascer.”

Difícil aceitar a existência de uma Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas e perceber a sua Sabedoria, quando a inteligência espiritual está ainda na primeira infância.

O julgamento da ação que pedia a descriminalização do aborto de anencéfalos, no Supremo Tribunal Federal (STF), foi um “divisor de águas no plano da opinião pública”, e repercutiu muito no campo da Saúde Pública e no da religiosidade.

Naqueles dias os fetos anencéfalos foram condenados à pena de morte. Um ministro justificou o voto contrário dizendo que qualquer decisão nesse sentido ‘abriria portas para a interrupção da gravidez de inúmeros embriões portadores de doenças que de algum modo levassem ao encurtamento da vida’.

Outro ministro advertiu: “a pena de morte imposta ao nascituro anencéfalo macula a constituição, que assegura a inviolabilidade do direito à vida”.

E depois dos anencéfalos? Negar a imortalidade da alma favorece o aborto. Feto tem alma?

Para o espírita seria válido o aborto diante de anomalias fetais graves e incuráveis?

Estamos perdendo a luta para o mosquito, disse o ministro da Saúde, antes de receber o pito da Madame.

Será que mulheres grávidas irão preferir interromper a gravidez ao saber do contato com a Zika?

Irão recorrer à Justiça?

Precisamos comentar fatos negativos para que se perceba o contraditório.

O pedido de condenação do empreiteiro Marcelo Odebrecht, feito pelo Ministério Público Federal, pode ser usado como exemplo.

As alegações finais apresentadas pelos procuradores da República oferecem material de estudo pois o comportamento do rico empreiteiro é a antítese do auxílio desinteressado e fraternal encontrado na lição 131, do livro Fonte Viva .

“Jesus respondeu e disse: – Dai-lhes vós de comer…”

“Naquela hora do ensinamento inesquecível, a fome era naturalmente do corpo, vencido de cansaço, mas ainda e sempre, vemos a multidão carente de amparo, dominada pela fome de luz e de harmonia, vergastada pelos invisíveis azorragues da discórdia e da incompreensão.”

O exemplo negativo aponta pessoas onde “inexiste a consciência social e está presente a má índole, quando são capazes de desviar o dinheiro público”.

Se nos propomos contribuir na regeneração do campo social não nos percamos em pregações de rebelião e desespero. Devemos conservar a serenidade e alimentar o próximo com o nosso bom exemplo e com a nossa boa palavra.

Nas alegações finais dizem os procuradores: “dado o alto grau de instrução que possuem, não apenas são capazes de perceber a gravidade de suas condutas, como também são incapazes de recusar a participar dos atos ilícitos. Usam o conhecimento para produzir males sociais, muitas vezes impactando o sistema político e vilipendiando a democracia.”

A impunidade “obriga a população principalmente a mais pobre, e os cofres públicos a arcar, com as mais diversas formas de enriquecimento ilícito de empreiteiras, operadores financeiros e funcionários públicos corruptos. O sujeito que se vale de relevante posição social e/ou profissional para cometer delitos, com motivações torpes e egoísticas, deve ter sua conduta social valorada negativamente.”

A Educação precisa de modelos positivos. Um deles é Helen Keller.

Aos 18 meses de idade viu-se privada dos sentidos da visão e da audição. Jovem, não podia ouvir as aulas ou tomar notas, mas mesmo assim, aos 24 anos de idade, concluiu com distinção a sua licenciatura em Humanidades, no “Radcliffe College”. Escrevia em inglês e francês e fez inúmeras conferências pelo mundo, incluindo o Brasil.

Deve-se preservar o valor social do trabalho, reafirmando a noção de que o sucesso profissional é possível por meios lícitos”, disse o procurador do caso Lava Jato.

Nos crimes do “colarinho branco” vamos encontrar a Máscara da sanidade, o transtorno da personalidade antissocial. Esse é um tipo de transtorno dificilmente curável. Na reclusão, as tentativas de reintegração social são nulas. Geralmente, os portadores dessa disfunção não deixam a penitenciária em melhores condições. São “reincidentes juramentados”.

Em  Mentes Perigosas, a médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva alerta que os psicopatas podem permanecer uma vida inteira sem serem descobertos. Eles transitam pelas ruas, cruzam nossos caminhos, frequentam as mesmas festas, dividem o mesmo teto, dormem na mesma cama.

A estatística é assustadora. São 4% da população: 3% são homens. Assim, a cada 25 pessoas, uma é psicopata. Seus atos criminosos provêm de um raciocínio frio e calculista combinado com a incapacidade de perceber pessoas como seres humanos.

Matilde teve um filho assim!

O espírito André Luiz narra, no livro Libertação, que num determinado momento da vida de Gregório, na espiritualidade, ele se preparava para atacar um desafeto.

Surge acompanhado de sua organização criminosa e inicia a investida através de palavrões duros e violentos. Depois das agressões verbais e intimidações, o vingativo espírito tenta ir adiante desafiando o adversário.

Lança-lhe a luva à face e aguarda a reação. Articula novos impropérios, demonstrando acentuado desapontamento, em face dos insultos sem resposta.

O terrível diretor de legiões sombrias abeirou-se do adversário e bradou: “levantar-te-ei, por mim mesmo, usando os sopapos que mereces.”

Matilde, que havia verificado clima vibracional favorável para materializar-se e voltar aos olhos do filho, então, se apresenta.

Gregório escuta a voz cristalina e terna de Matilde, exortando-o, com amorosa firmeza. Gregório não resistiu.

Na Terra, apenas em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com crueldade, sem medo e arrependimento. Em sua maioria, não são assassinos.

Pela estatística referida, é possível que o Juiz Moro, do Lava Jato, encontre alguns.

Haveria alguma mente perigosa entre os advogados de defesa da organização?

As mentes perigosas, em sua grande maioria, vivem como pessoas comuns. No entanto, são desprovidos de consciência e, portanto, destituídos do senso de responsabilidade ética, que é a base das relações emocionais. Não apresentam o sentimento de culpa ou remorso por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo matar. São encontrados em qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas não são como a maioria.

Admitir a existência de criaturas com essa natureza é quase uma rendição ao fato de que o mal habita entre nós, diz Ana Beatriz. A psiquiatra está convencida da importância das falhas em nossas organizações familiares, educacionais e sociais. Essas falhas merecem nossa atenção e estudos aprofundados, mas por si só não são suficientes para explicar o fenômeno da psicopatia.

O que possibilitou a transformação de Gregório?

Por que Jesus fez a mesma pergunta a Pedro pela terceira vez?

– Simão. Filho de Jonas, amas-me? (João, 21.17).

Jesus conduz Pedro ao mais alto nível do cognitivo e o impulsiona ao mais alto nível do domínio afetivo. Isso é educação, para libertação.

Jesus não pede informação, não deseja inteirar-se dos conhecimentos do colaborador; não reclama compromisso formal. Pretende saber apenas se Pedro o ama, deixando perceber que, com o amor, as demais dificuldades se resolvem. Se o discípulo possui suficiente provisão dessa essência divina, a tarefa mais dura converte-se em apostolado de bênçãos promissoras.

As conquistas intelectuais valem muito, as indagações são louváveis, mas em verdade somente será efetivo e eficiente cooperador do Cristo se tiver amor.

Fonte: https://www.espiritbook.com.br/profiles/blogs/tu-me-amas-por-luiz-carlos-formiga

Espiritualidade e Sociedade

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