Solidão

Hammed

“Ouçamos com os ouvidos internos, pois ninguém pode assimilar bem uma experiência que não provenha de sua própria orientação interior.”

Segundo Pascal, o grande pensador científico-filosófico do século XVII, “a verdadeira natureza do homem, seu verdadeiro bem, sua verdadeira virtude e a verdadeira religião são coisas cujo conhecimento é inseparável.”

Nem sempre a solidão pode ser encarada como dor ou insânia. É, em muitas ocasiões, períodos de preparação, tempos de crescimento, convites da vida ao amadurecimento.

De acordo com o pensamento de Pascal, o âmago do ser está intimamente ligado ao bem, à virtude e à religião. É justamente nas “épocas de solidão” que conseguimos a motivação necessária para estabelecer a verdade sobre esse fato.

Na solidão, é que encontramos sanidade para nosso mundo interior, respostas seguras para nossos caminhos incertos e nutrição vitalizante para os labores que enfrentamos em nossa viagem terrena.

Nestes nossos apontamentos sobre a solidão, não estamos nos referindo à “tristeza de estar só”, mas sim, necessariamente, à “quietude íntima”, tão importante e saudável para que façamos um trabalho de autoconsciência, valorizando as nuances de nossa vida interior.

Muitos indivíduos vivem dentro de um ciclo diário estafante. Realizam suas atividades num ambiente de competitividade, agitação, pressa e rivalidade, vivendo em constante tensão psicológica e, por consequência, alterando suas funções fisiológicas. Por viverem num estado de cansaço e desgaste contínuos, não conseguem fazer uma real interação entre o meio ambiente e seu mundo interno, o que ocasiona sérios problemas de convivência e inúmeros conflitos pessoais.

Nem sempre é possível abandonarmos a vida alvoroçada, os ruídos e as músicas estridentes, talvez seja até mesmo inviável; mas é perfeitamente realizável dedicarmos algum tempo à solidão, retirando-nos para momentos de reflexão.

Nos instantes de silêncio, exercitamos o aprendizado que nos levará a abrir um canal receptivo à Consciência Divina. É nesse momento que ficamos cientes de que realmente não estamos sozinhos e que podemos entrar em contato com a voz da consciência. A voz de Deus, por assim dizer, começará a “falar em nós”.

Inúmeras criaturas criam uma mente agitada por temerem que estão vazias, pensam não haver nada dentro delas que lhes dê proteção, apoio e segurança. Acreditam que são uma casca que precisa exclusivamente de sustentação exterior; por isso, continuam ocupando a casa mental ansiosamente, obstruindo seu acesso à luz espiritual.

A mente pode ser uma ajuda efetiva, ou mesmo um obstáculo ferrenho na escolha da melhor direção para atingimos o amadurecimento íntimo. A crença em nossa limitação é que faz com que restrinjamos nossa mente. Isso se agrava quando envolvemo-la no burburinho de vozes, no tumulto e na agitação do cotidiano, passando assim a não avaliarmos corretamente seu verdadeiro potencial.

São muitos os caminhos de Deus, e a solidão pode ser um deles. “E saindo, foi, como costumava, para o Monte das Oliveiras; e também os seus discípulos o seguiram.” (Lucas 22:39)

Jesus Cristo, constantemente, se retirava para a intimidade que o silêncio proporciona, pois entendia que a elevação de alma somente é possível na “privacidade da solidão”.

O Cristo Amoroso sabia que, quando houvesse silêncio no coração e no intelecto, se estabeleceriam as bases seguras da relação entre a criatura e o Criador, proporcionando a percepção de que somos unos com a Vida e unos com todos os seres.

“…buscam no retiro a tranquilidade que certos trabalhos reclamam.(…) Isso não é retraimento absoluto do egoísta. Esses não se insulam da sociedade, porquanto para ela trabalham.” (*)

(*) O Livro dos Espíritos – Questão 771 – Que pensar dos que fogem do mundo para se votarem ao mister de socorrer os desgraçados?

“Esses se elevam, rebaixando-se. Têm o duplo mérito de se colocarem acima dos gozos materiais e de fazerem o bem, obedecendo à lei do trabalho.”

Questão 771-a – E dos que buscam no retiro a tranquilidade que certos trabalhos reclamam?

“Isso não é retraimento absoluto do egoísta. Esses não se insulam da sociedade, porquanto para ela trabalham.”

A Espiritualidade Maior entende que, nos retiros de tranquilidade, criamos uma sustentação interior, que nos permite sintonizar com as leis divinas e com os valores reais da consciência cristã.

Ouçamos com os ouvidos internos, pois ninguém pode assimilar bem uma experiência que não provenha de sua própria orientação interior.

Ninguém é capaz de seguir sua verdadeira estrada existencial, se não refletir sobre sua essência. Não encontraremos o caminho de que verdadeiramente necessitamos, se nós mesmos não o buscarmos, usando nossos inerentes recursos da alma para perceber as inarticuladas orientações divinas em nós.

Somente cada um pode interpretar as razões da Vida em si mesmo.

Adotemos o aprendizado com o Senhor Jesus, exemplificado no Horto das Oliveiras: retiremo-nos para um lugar à parte e cultivemos os interesses de nossa alma.

Se não encontrarmos um recanto externo que facilite a meditação, nem alguma paisagem mais afastada junto à Natureza, onde possamos repousar da inquietação da multidão, mesmo assim poderemos penetrar o nosso santuário íntimo.

Sigamos o Mestre, recolhendo-nos na solidão e no silêncio do templo da alma, onde exclusivamente encontraremos as reais concepções do amor e da justiça, da felicidade e da paz, de que todos temos direito por Paternidade Divina.

Redação do Blog Espiritismo na Rede, mensagem trazida  pelo Espirito Hammed psicografia de  Francisco do Espírito Santo Neto do livro: As dores da alma.

Fonte: Espiritismo na Rede

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Comunicação mediúnica – Na administração da mente

Autor: Pe. Albino

“Dá conta de tua administração.

Lucas – 16, 2″

A mente é o campo de reflexo e ação do espírito; é nela que se desenrolam as grandes lutas e se preparam as grandes realizações. Desditas e conquistas tem no seio da mente a sua gênese e parto; portanto, o espírito atento aos seus deveres e destinos há de entender que é aí que se devem empregar os melhores recursos com vistas à autorrealização e felicidade.

Muitos desavisados, não raras vezes, imaginam que a palavra do mestre anotada por Lucas concerne exclusivamente à administração da vida material, não entendendo que, em verdade, todas as realizações partem do plano do espírito e, por conseguinte, da casa mental.

Desta feita, é sábio meditarmos como temos administrado a nossa mente nos seus variados departamentos:

Tendes atendido com zelo e atenção às emoções, entendendo quais delas têm chefiado esse nobre departamento?

Na área das aspirações superiores, tendes disposto os recursos necessários para que os mesmos prosperem no nobre empreendimento da busca pela espiritualidade real?

Quanto aos desejos e instintos, tendes estabelecido periódica observância e integrado às áreas das nobres aspirações, destacando o discernimento e a disciplina como gerenciadoras amigas e assertivas?

Da conta da tua administração, entendendo que o tempo é recurso precioso; a paciência e a temperança compõem a tinta que grafa as melhores decisões; e a humildade é a rotina administrativa capaz de levar harmonia e felicidade para o grande escritório da mente.

Pe. Albino

Fonte: espiritismo.net

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O que acontece com o outro me importa

Sandra Marinho

Tem uma fábula que acredito ser conhecida da maioria, que é a “Fábula do rato e da ratoeira”, que nos conta o seguinte: Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha disse: – Desculpe-me, Senhor Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse: – Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!

– Desculpe-me, Senhor Rato – disse o porco –, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Senhor será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca, e ela lhe disse: – O quê? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, tendo de encarar a ratoeira sozinho. Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que foi pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia prendido a cauda de uma cobra venenosa, que a picou. O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Quando voltou, ainda tinha febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. E lá se foi a galinha para a panela! Como a mulher demorava a se recuperar, os amigos e vizinhos vieram em grupos visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. E lá se foi o porco.

Infelizmente, a mulher não melhorou e acabou morrendo por complicações. E muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo. E lá se foi a vaquinha.

Essa fábula nos leva a refletir sobre um atributo fundamental para nós humanos que nos encontramos no orbe em escalada evolutiva. O ser humano é na essência um ser social. Precisamos uns dos outros para viver, visto que ninguém aprende e ninguém cresce sem a ajuda do outro. Essa dependência, na verdade, deve-se ao fato de que todos nós, embora sejamos Espíritos únicos, individuais, cada qual com sua própria essência, formamos todos juntos uma rede chamada “humanidade”, mergulhada no Fluido Cósmico. E nessa condição, além da evolução individual, temos a evolução do coletivo, ambas guiadas pelo amor de Deus.

Por essa razão, queiramos ou não, nos encontramos envolvidos uns com os outros. E assim, qualquer coisa que nos ocorre repercutirá não somente em nós, mas, de certa forma, no coletivo também. Tudo isso faz muito sentido na prática do “amar ao próximo como a ti mesmo” ensinado por Jesus. O que significa desenvolver a simpatia pelo outro irmão em humanidade.

Então, o que significa simpatia? A palavra “simpatia” tem origem no grego (sym = união + pathos = emoção, sentimento) e significa “sentir com”. Ou seja, a dor do outro passa a me incomodar, tornando-me capaz de sentir com ele. Tudo o que machuca meu irmão em humanidade passa a ser um problema meu também, porém não no sentido restrito dessa interpretação, até porque quando nos desesperamos com o problema de alguém não ajudamos em nada ou até pioramos. E sim, no sentido mais amplo, isto é, ter sensibilidade suficiente de perceber o outro e com isso ser capaz de intervir de certa forma para a melhoria ou resolução do problema.

Como exemplo, podemos falar de uma questão bem atual, que são os nossos irmãos refugiados de países em guerra ou submetidos a governos tirânicos. A polêmica dos países procurados pelos que deixam seus países de origem, de aceitar ou não esses irmãos e irmãs, está sempre em pauta nas notícias. Mesmo no Brasil, registramos tristes ocorrências de resistência em receber nossos vizinhos venezuelanos, e recentemente a eleita primeira-ministra da Itália já anunciou o fechamento da entrada de refugiados naquele país.

Enfim! É fato que existe a preocupação de que ao recepcionar os refugiados talvez implique em menos oportunidades para os nativos do país que os recebe, mas, por outro lado, somos todos uma única humanidade e estamos certos da pluralidade das existências. O nosso “não” de hoje, ao virar as costas para a dor desses irmãos, não poderá ocasionar um golpe pior para todos amanhã? No futuro não poderemos ser nós os refugiados? E quem pode garantir se já não o fomos e estamos no aqui e agora usufruindo de relativa sanidade e de certa estabilidade graças a mãos fraternas estrangeiras que nos acolheram em algum dia do passado, apesar de “não terem nada a haver com isso?” Pensemos nisso…

Sandra Marinho

Fonte: Folha Espírita

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É o Prognóstico

Richard Simonetti

Pela primeira vez, em muitos anos, o Doutor Ricardo estava em férias. Acompanhado de Cristina, a dedicada esposa, desfrutava de merecido descanso em estância hidromineral. Era uma abençoada trégua na rotina estafante de médico obstetra.

Enquanto a esposa repousava após o almoço, ele, irrequieto como sempre, pouco afeito à inatividade, transitava por aprazível parque público, semeado de árvores frondosas e convidativos bancos.

Detendo-se junto a gracioso lago artificial, observara, discretamente, simpática senhora em cadeira de rodas, sob os cuidados de uma jovem. Admirou-se da solicitude da enfermeira, que se desvelava em atenções em favor da enferma. Esta não lhe era estranha. Não foi difícil lembrar-se. Tratava-se, certamente, de dona Júlia, que fora sua paciente há pelo menos vinte e cinco anos. Desde então, não tiveram nenhum contato. Tão seguro reconhecimento, após tanto tempo, era decorrente das circunstâncias marcantes que caracterizaram seu relacionamento. Júlia concebera o primeiro filho aos quarenta e cinco anos. No início da gestação, sofrera duas fortes emoções: inicialmente, a constatação de que estava com sífilis, vítima indefesa dos desregramentos do esposo. Logo depois, ele morrera, envolvido em grave acidente automobilístico.

Ricardo sugerira o aborto terapêutico. Levar adiante a gestação, considerada a soma dessas circunstâncias adversas, constituía um grande risco em relação à sua própria integridade física. Por outro lado, o bebê poderia sofrer graves limitações físicas e mentais. Mais provável que viesse à luz natimorto.

Obstinadamente, Júlia recusou seguir sua orientação. Discutiram, mas ela foi irredutível: Queria o bebê. Tudo correria bem. Confiava em Deus. O Senhor não a desampararia!…

Ricardo não soubera do desfecho, porquanto a paciente transferira residência para cidade distante, no quarto mês de gestação. Curioso, aproximou-se:

— Desculpe, senhora. Seu nome é Júlia?…

— Prazer em vê-Io, Doutor Ricardo. Reconheci-o tão logo o vi. Está muito bem! Os anos não lhe pesaram!…

Conversaram durante algum tempo. A jovem afastara-se, discretamente, deixando-os à vontade. O médico desejava indagar a respeito do bebê, mas conteve-se, temendo ser indiscreto, a revolver velhas feridas, tendo em vista seu sombrio prognóstico. Buscando evitar o melindroso assunto, comentou:

— Vejo que tem estado doente…

— Sim, há dois anos. Fui acometida por uma esclerose amiotrófica. Só não fiquei inteiramente paralisada graças à competência dos médicos que me atenderam e aos préstimos dessa adorável criatura que me acompanha. Ela se multiplica em cuidados, ajudando-me nos intermináveis exercícios. Mais que isso: socorre-me nos momentos de dor. Conforta-me se estou angustiada. Estimula-me se perco o ânimo. Sempre prestativa, alegre e gentil, é o cireneu abençoado que Deus colocou em meu caminho, amparando-me em minha provação.

— Apesar de seus problemas, a senhora foi afortunada. Encontrar um anjo como enfermeira é como ganhar na loteria!…

— Concordo plenamente… Só que ela é bem mais do que uma simples enfermeira…

Abrindo sorriso brejeiro, como criança que faz arte, arrematou:

— Ela é minha filha muito querida. Aquela mesma filha que não teria nascido se eu seguisse sua recomendação, meu caro doutor!…

Ricardo viu-se a sorrir também, feliz por ter se equivocado em seu prognóstico, a considerar, intimamente, que o coração materno, não raro, enxerga muito além da acanhada visão dos médicos da Terra.

Há situações aflitivas comparáveis a processo gestatório difícil, de perspectivas sombrias. Muitos tentam livrar-se delas fugindo às suas responsabilidades, como a mulher que interrompe indesejável gravidez.

Os que resistem a esse impulso verificam, mais tarde, que sua perseverança no cumprimento do dever partejou potencialidades que enriquecem suas vidas, tornando-os mais fortes e destemidos, capazes de enfrentar com serenidade os temporais da existência e de edificar com segurança a própria felicidade.

Richard Simonetti

Fonte: Espiritismo na Rede

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A necessidade da motivação no trabalho espírita

Por Eliana Haddad

As casas espíritas, pós-pandemia, ainda estão repensando qual a melhor forma de trabalhar e dar continuidade às tarefas de estudo, palestras e assistência espiritual.

É grande o desafio dos dirigentes espíritas, que se sentem, além de responsáveis pela condução das atividades nos centros, agora também pressionados pelas exigências de mudanças em função da rapidez da comunicação.

O Correio Fraterno busca esclarecimentos sobre o momento atual com a palestrante motivacional Samantha de Pardo. Ela é coordenadora da evangelização infantil do Grupo Espírita Assistencial e Filantrópico Joanna de Ângelis, em Santo André, SP, e colabora como espírita em diversas frentes.

Advogada, pós-graduada em psicopedagogia institucional e clínica, com bacharelado em letras e especialização em oratória e retórica na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Samantha, profissionalmente, desenvolve treinamentos em empresas e escolas, incentivando uma comunicação humanizada com propostas de transformação pessoal.

Como o dirigente espírita pode exercer melhor o seu papel diante das mudanças pós-pandemia?

A palavra mudança geralmente assusta. Temos a sensação de que passaremos por algum desconforto e é muito provável que isso aconteça. Porém o espírita entende que a principal característica da vida física é a impermanência, que tudo está em progresso e evolução e que a cada experiência nos modificamos. A insegurança é natural, mas pode ser intensificada, quando o dirigente interpreta que as mudanças são ameaças para a doutrina. Deve-se deixar claro que a ninguém foi outorgado o direito de alterar qualquer ensinamento dos espíritos ou do Cristo. A necessidade de rever, adequar e repensar se refere ao movimento espírita, às atividades desenvolvidas por homens, jamais à essência da doutrina.

Quais dinâmicas você indicaria para manter a motivação dos colaboradores e frequentadores dos centros espíritas?

Vamos usar aqui a palavra motivação no sentido de estimular. Essa pergunta é muito importante, porque “gente desmotivada desmotiva os outros” e, de repente, um grupo inteiro de trabalhadores passa a ir ‘se arrastando para o centro espírita’. A primeira dica é: reavive o propósito, sempre que possível. Saber o porquê de estarmos fazendo algo é crucial para que a atividade seja feita com alegria e dedicação. Não estamos na casa espírita ‘pelos outros’, mas porque nos comprometemos com a nossa própria evolução. A segunda: promova um ambiente de harmonia. Incentive que as pessoas cheguem alguns minutos antes para uma conversa amigável; mostre interesse pelo outro. Quando Jesus nos ensinou que Deus era ‘nosso Pai’, instituiu a irmandade entre os homens. Terceira: ouça as pessoas! Para sentir-se motivado o indivíduo precisa saber que faz parte de algo, que suas opiniões, sentimentos e colocações são levados em conta, mesmo que não atendidos. Separe um tempo para isso: promova conversas, envie mensagem perguntando sobre ideias e opiniões e, o mais importante, responda à sugestão, até mesmo aquelas que não sejam possíveis aplicar. Lembre-se que motivação é tarefa de cunho intrapessoal.

Você percebe alguma necessidade mais evidente que esteja exigindo uma atuação mais urgente nas casas espíritas?

Acredito na urgência da preparação daqueles que recebem os assistidos em seu primeiro momento na casa. Entrevistadores ou atendentes fraternos desempenham papel crucial no centro espírita e na vida dos assistidos. Todo o envolvimento na doutrina espírita está ligado a esse momento. Cada um de nós lembra, vividamente, do dia que ingressou e como foi atendido na casa. Esse primeiro contato pode definir a permanência na instituição e até mesmo na doutrina. Uma explicação equivocada, uma grosseria ou uma promessa de ‘milagre’ durante um acolhimento podem gerar proporções irreparáveis, dada a situação delicada daquele que chega.

Como você analisa a busca pelo espiritismo atualmente?

Tenho percebido que muitas pessoas não buscam uma religião para servir e sim uma religião que sirvam a elas. A exemplo da famosa história mitológica da Cama de Procustro, onde o violento personagem cortava as cabeças ou esticava os convidados para caberem em sua cama, as pessoas têm buscado o espiritismo até o ponto que este atenda as demandas e necessidades momentâneas, que em maioria tratam de dores e desconfortos. A doutrina oferece o acolhimento e consolo necessários, o azeite colocado sobre a ferida no homem socorrido pelo samaritano. Porém, logo em seguida, como na parábola, é necessário que se passe o vinagre, (aquilo que arde), ou seja, o estudo e o processo de autoiluminação. Nesse momento, percebemos um esvaziamento do número de frequentadores, confirmando que a busca pelo espiritismo ainda é superficial. Cabe a cada instituição trabalhar incessantemente para estimular esse frequentador e despertar sua consciência.

As casas espíritas, geralmente, são administradas por pessoas com mais idade. Isso interfere na atuação dos jovens nas atividades da casa?

Acredito que sim. As diferenças nas características e os conflitos entre as gerações são de conhecimento evidente e campo de vasto estudo. Ainda enxergamos o diferente como ameaçador ou impróprio e não como colaborador. Essa postura reativa acontece tanto nas pessoas com mais idade como nos jovens. Para que a casa caminhe com a participação de todos, é necessário valorizar as diferenças. Gosto de uma frase que, apesar de extrema, diz: “Quando duas pessoas pensam da mesma forma, uma delas é desnecessária”. Precisamos ouvir quem pensa diferente e compreender que a distância das gerações promove olhares que se complementam. Um quebra-cabeças não se faz com peças iguais e uma gestão que valoriza o diálogo é menos egoísta, menos defensiva e acima de tudo mais amorosa.

Como melhor exercitar o equilíbrio entre autoridade e amizade nas relações nas casas espíritas?

Uma coisa é sermos amigos, outra coisa é infringir regras. Ser autoridade em alguma coisa não nos dá o direito de ser autoritário, mas traz responsabilidade e vigilância incansáveis. A amizade verdadeira proporciona o exercício de valores elevados, como empatia, paciência, compreensão e carinho. Quando aquele que ocupa a função diretiva percebe que há favorecimento, falta de respeito e ‘insubordinação’ sob a desculpa de amizade, tende a tornar-se autoritário, o que só aumenta o problema. O ideal é identificar, em conversa amigável e honesta, qual valor da amizade foi perdido para que a situação delicada ocorresse e, posteriormente, trabalhar para exercitá-lo. Ser inacessível para manter-se como autoridade, abrir mão de amizades, também não garante o desempenho satisfatório da função. Amizade nunca será um problema se administrada dentro das virtudes que promove.

Se você tivesse que auxiliar um dirigente espírita para que ele desempenhasse melhor a sua performance, o que você faria?

Eu o auxiliaria na comunicação. A casa é feita de pessoas que se relacionam através da conversação. Se existe algum ‘ruído’ nesse processo, as consequências são desastrosas. Melindres, fofocas, equívocos, maledicência, mágoas são exemplos de uma comunicação equivocada. Na hora de dizer ou escrever algo, pense naquele que receberá a mensagem, em todos os envolvidos na ação comunicativa. Escreva e fale como você gostaria de ouvir e não apenas como você gostaria de falar. Comunique-se, não desabafe. Elabore sua fala com cordialidade, clareza e objetividade. Colocar-se no lugar de quem escuta vai além de uma habilidade comunicativa, corresponde ao ensinamento do Cristo e revela empatia e amor ao próximo.

Como o progresso nas ciências administrativas pode ajudar na eficiência das atividades na casa espírita?

A doutrina ensina-nos que o progresso do homem há de ocorrer nos aspectos moral e intelectual. Assim, todo avanço intelectivo é válido. Associá-lo ao empreendimento moral é ainda mais louvável. A casa espírita que conta com conhecimentos e avanços na área da administração financeira correrá menos riscos de passar por dissabores, em decorrência da má gestão de recursos. Nenhuma casa pode legalmente funcionar sem estatuto, inscrições entre outras burocracias. Assim, o conhecimento técnico é de suma importância. Um fluxograma, por exemplo, bem realizado e entregue aos tarefeiros responsáveis evita desencontros e facilita o escoamento e direcionamento dos assistidos. Esquivar-se do conhecimento que promove o bem fazer é recusar o aperfeiçoamento.

Quem busca a casa espírita hoje têm acesso a uma infinidade de informações na internet. Como manter o centro atualizado frente às novas demandas?

Estamos sofremos de algo chamado Information overload (sobrecarga de informações). Uma revista de renome trouxe a afirmação de que uma criança de 7 anos de hoje tem mais informações do que um imperador romano. Sabemos que os combatentes do espiritismo possuem conhecimento profundo da doutrina. Se por um lado nos espantamos com essas colocações, por outro, fica evidente que deter a informação não é de grande vantagem. Nunca será apenas sobre o quanto se sabe, mas sobre o que fazer com o que se sabe. A casa que se comportar como detentora e fornecedora exclusiva de informação será rapidamente engolida por qualquer site de pesquisa. Nossos centros espíritas não devem ser fontes informativas, e sim fontes transformadoras.

Como melhor estudar as obras de Kardec?

Na hora do estudo é importante deixarmos de lado uma consideração muito difundida, mas não verdadeira em sua essência, de que a doutrina espírita é difícil de ser compreendida. Devemos substituir difícil por trabalhoso. Todo aquele que se proponha a estudar algo deve estar disposto ao esforço e dedicação. Vale ainda lembrar que a organização dos textos, perguntas, colocações e livros foram realizados por um professor, Kardec, e já possuem estrutura didática. Há risco no estudo quando as interpretações passam a ser pessoais e carregadas de conceitos subjetivos. Assim, para manter a fidelidade dos estudos é necessário debruçar-se sobre o texto. A clareza e firmeza das considerações dos espíritos afastam qualquer interpretação tendenciosa. No início de grande parte das respostas de O livro dos espíritos, encontramos objetividade: sim, sem dúvida, não, é evidente, bem longe disso, isso é verdade, certamente… O sucesso do estudo depende do esforço e paciência de ler pausadamente cada linha, cada palavra, silenciar nossos barulhos internos para entender o que os espíritos falam e não o que nós gostaríamos que eles falassem. Posteriormente, extraído o novo conhecimento, colocá-lo rapidamente em prática para que se torne inesquecível.

Por que o jovem se afasta do espiritismo quando começa a ter acesso às universidades, ao mercado de trabalho, à vida adulta?

Acredito que inúmeros sejam os motivos. O argumento clássico é o de que não há mais tempo para dedicar-se à mocidade espírita. Porém, se tomarmos os trabalhadores mais envolvidos nas tarefas da casa, descobriremos que são pessoas que possuem uma vida agitada e cheia de compromissos, ou seja a ‘falta de tempo’ não é exclusividade de quem está ingressando na faculdade. Partimos assim para um outro raciocínio. Fazendo um paralelo entre esses dois mundos propostos aos jovens, temos o exterior e o interior. A vida e preocupações mundanas ocorrem em um processo ‘fora’. tornando-se mais fácil, conveniente e lucrativo. Do outro lado, o espiritismo ocorre para ‘dentro’, figurando-se mais reflexivo, pessoal e desconfortável. Nesse impasse, na maioria das vezes, os jovens tendem a escolher o que lhes atende de forma mais imediata. Essa escolha pode ser facilitada, caso a proposta de estudo espírita não atenda às suas expectativas, seja não trazendo significado, seja posicionando-o como mero expectador.

Fonte: correio.news

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PROJETO CONCERNENTE AO ESPIRITISMO

Autor: Espiritismo Comentado

Meu amigo, o Dr. Alexandre Caroli, reviu e me avisou da publicação desse manuscrito de Kardec. Ele é relativamente recém-conhecido, porque ficou no papel durante mais de um século, escrito à mão, não publicado e o Projeto Allan Kardec, de diversas instituições, mas divulgado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, deu luz ao texto manuscrito, em francês e em português.

Ele deixa clara a concepção cristã-espírita da humanidade como irmandade, sem distinção. Marcamos a frase em que isso é explicitado.

Essa concepção, contudo, não é nova. Encontra-se em diversos momentos da obra de Kardec, sobretudo na Lei de Igualdade, que fazendo parte das Leis Morais, é um dos pilares do edifício ético do espiritismo. Não é mera opinião de Rivail-Kardec, mas parte dos princípios filosóficos de seu pensamento.

Segue abaixo parte do texto do “Projeto Concernente ao Espiritismo” e o endereço na internet em que pode ser acessado por qualquer internauta.

“Qualquer um que conheça os princípios da doutrina e os felizes resultados que ela produz a cada dia verá, na sua propagação e na união dos seus adeptos, a melhor garantia da ordem social, visto que ela tem por lema: Fora da caridade não há salvação, e por guia estas palavras do Cristo: Amai-vos uns aos outros; perdoai os vossos inimigos; não façais aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito [e fazei o que gostaríeis que vos fosse feito]; que ela proclama que todos os homens são irmãos, sem distinção de nacionalidades, de seitas, de castas, de raças nem de cores; que ela os ensina a se contentar com o que têm e a suportar com coragem as vicissitudes da vida; que, finalmente, com a caridade, os homens viverão em paz, ao passo que, com o egoísmo, terão inveja uns dos outros, desconfiança e estarão sempre em luta.” Allan Kardec, quarta página do manuscrito (os grifos são nossos)

https://projetokardec.ufjf.br/item-pt?id=229

Abaixo o texto que a Federação Espírita Brasileira fez, em esclarecimento às acusações feitas através do Ministério Público Federal, que questionou se o espiritismo defendia o racismo. Um texto que se volta ao pensamento kardequiano para responder à ação e que gerou um acordo, permitindo a publicação de Kardec, com a inserção desse texto explicativo, a partir de cerca de 2015.

https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2019/11/Nota-explicativa-O-livro-dos-esp%C3%ADritos-1.pdf

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Saber não é ser, ser é fazer

Itair Rodrigues Ferreira

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O progresso é lei da natureza. Todos temos, sem exceção, a oportunidade de progresso concedida por Deus. Entretanto, nosso mundo vem sendo construído, através dos milênios, por homens e mulheres que se destacaram pela potente vontade de realização. A força do querer impulsionou-os na marcha para o progresso. A humanidade deve-lhes o tributo por semear o exemplo de suas atitudes, mostrando como se faz fazendo: progridem e auxiliam o progresso dos outros.

A capacidade de que somos dotados para o sucesso é surpreendente! Há 2.400 anos, Sócrates, o pai da filosofia grega, ensinou-nos: “conhece-te a ti mesmo”. E Lao-Tsé, em seu Tao Te-King, informa: “Aquele que sabe muito sobre os outros pode ser instruído, mas aquele que se compreende é mais inteligente. Aquele que controla os outros pode ser forte, mas aquele que se domina é ainda mais poderoso”.

O saber é muito importante, pois nos mostra o caminho a seguir em nossas escolhas e nos capacita para a vida, tanto assim que o pai da administração moderna, Peter Drucker, cunhou a expressão para o detentor do saber: “trabalhador do conhecimento”. Todavia, é necessário fazer. Saber não é ser, ser é fazer. O indivíduo é aquilo que executa. Somos o que fazemos, o mais é retórica de vaidade. A nossa realidade é o que fazemos.

Pensamento, palavra e ação formam a sequência correta. Tudo começa no pensamento: somos o que pensamos. Quanto à palavra e à ação, “temos um oceano de palavras e gotas de ação”. (1)

Precisamos de ação no bem para o bem de todos. Ganha mais quem faz o bem. “A vida é um jogo de circunstâncias que todo espírito deve entrosar para o bem, no mecanismo do seu destino.” (2)

Confúcio, filósofo chinês do século VI, a. C, afirmou: “Entre as pequenas coisas que não fazemos e as grandes que não podemos fazer, o perigo está em não tentarmos nenhuma”.

Entre o saber e o fazer há uma grande distância. Sabemos que é necessário servir e queremos fazer algo para mudar o panorama do mundo. No entanto, almejando grandes conquistas, nós nos distraímos e nem as pequenas coisas realizamos, perdendo o tesouro do tempo que nos pertence: o agora.

Léon Denis, o apóstolo do Espiritismo, com a parte filosófica, assim se expressou:

“Todo o poder da alma resume-se em três palavras: — Querer, Saber, Amar!

Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigi-la.

Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.

Acima, porém, de tudo, é preciso amar, porque, sem o amor, a vontade e a ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecunda-as, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contempla sem agir, mas do amor que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo”. (3)

O Espírito Humberto de Campos, por meio da mediunidade sublimada de Chico Xavier, conta-nos um caso verídico, como o são todos os seus casos:

“Um amigo do mundo espiritual lhe contou que viu Simão Pedro, o antigo discípulo de Jesus, chegar ao Rio de Janeiro, perfeitamente materializado, utilizando preciosos fluidos da natureza, nos bosques floridos que marginam Petrópolis, com o objetivo de verificar as realizações cristãs entre os novos discípulos do Evangelho.

Caracterizado com a aparência que possuía na época, na Galileia, e com a mesma indumentária: alpercatas de pobre, cabelos à nazarena, leve bastão a sustentar-lhe o corpo e singela túnica de estamenha, ia o apóstolo, estranho aos automóveis e aos arranha-céus, em busca dos aprendizes do Senhor, cujas rogativas subiam da Terra para o Céu.

Emocionado, ante o frontispício de admirável organização católico-romana, tocou a campainha. Pretendia trocar ideias com os superiores da casa. Um padre bem-humorado atendeu:

— Quem é o Senhor?

— Simão Pedro, para servi-lo.

O clérigo sorriu. Um dos diretores apareceu e ouviram o visitante humilde, com menosprezo.

— Volte segunda-feira com o atestado policial — declarou o orientador da instituição — e providenciarei seu ingresso no asilo. — O psiquiatra organizará sua ficha.

Sequioso de entendimento, pediu Pedro:

— Tenho sede. Permita-me entrar, por obséquio.

— O quê? Entrar? Na esquina encontrará um café e será atendido na água.

Em vista da porta cerrada, o apóstolo atravessou várias ruas e parou junto de simpática vivenda. Perguntou ao jardineiro pelo ministro da igreja reformada que a ocupava.

Em breves momentos, o pastor o recebeu, juntamente com dois jovens presbíteros.

— Sou Pedro, o antigo pescador de Cafarnaum.

O ministro não lhe deu atenção e um dos rapazes disse que isso era um caso de mania ambulatória, loucura circular, coisa que ele vê muito em hospício, onde vai pregar.

O pastor dirigiu-se a Pedro e declarou:

— Pode retirar-se. Aqui não posso recebê-lo. Procure o culto no domingo pela manhã.

Vendo-se novamente sozinho, o ex-pescador galileu varou largo trecho e parou à frente de nobre domicílio. Bateu, acanhado. O dono da casa veio atendê-lo.

Era o diretor de importante organização espiritista que ali residia.

À inquisição inicial, do diretor, acompanhado por dois confrades, respondeu tímido:

— Sou Simão Pedro, o discípulo de Cafarnaum.

O missionário da Nova Revelação que o apóstolo procurara, nominalmente, afirmou calmo:

— Obsessão evidente. Creio esteja ele atuado por argucioso perseguidor invisível.

O outro, demonstrando o seu saber, com pedantismo, mostrando intimidade com Charles Richet, acrescentou que se tratava de criptestesia.

Adiantando-se, Pedro implorou:

— Irmãos, tenho sede de comunhão fraterna em torno do Cristo, Nosso Senhor. Que me dizem do trabalho evangélico na atualidade do mundo?

O principal do grupo afagou-lhe a destra que se movia suplicante e replicou:

— Procure-me na sessão de sexta-feira, depois das vinte horas. Teremos doutrinação.

Fechou-se a porta e o trinco rodou automático.

O antigo discípulo enxugou as lágrimas a lhe deslizarem copiosas do rosto e perguntou a esmo, fixando o céu tranquilo do crepúsculo:

— Senhor, onde estará pulsando o coração de teus aprendizes?!…

Em seguida, silencioso e taciturno, o velho pescador pôs-se de novo a caminho, na direção do mar…” (4).

Será que estamos preparados para um encontro inesperado com um ente superior? Será que o amor que nos ensinou o Cristo de Deus está sendo colocado acima de tudo?

Pensemos nisso e meditemos… enquanto temos tempo!

Muita paz!

Fonte: Correio Espírita

Notas bibliográficas:

1 – Missionários da Luz, André Luiz, Francisco Cândido Xavier, cap. 3, p.27, FEB.

2 – Há dois mil anos, Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, Prim. parte, p. 21, FEB.

3 – O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Léon Denis, 13ª edição, pág. 367, FEB.

4 – Histórias e Anotações, Humberto de Campos, Francisco Cândido Xavier, p. 87 a 89.

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Diante do mal, o bem é a meta

Jorge Hessen

MANÁ DIÁRIO O PREGADOR: O CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL

Antes de expormos algumas ponderações doutrinárias acerca do mal e do bem, é interessante sabermos os seus significados. Filosoficamente, a primeira (mal) define-se como privação ou imperfeição, ou aquilo que é nocivo, prejudicial, que se opõe ao bem, à virtude, à probidade, à honra. No que reporta ao bem, são atribuídas ações e obras humanas que lhes conferem um caráter moral. (1) E para não incorrer no maniqueísmo (2) inócuo, consignamos que “a evolução para Deus pode ser comparada a uma viagem divina. O bem constitui sinal de passagem livre aos cimos da Vida Superior, enquanto o mal significa sentença de interdição, constrangendo-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste”. (3)

A maldade dos homens sempre inquietou os pensadores dos mais diversos campos do saber e da ação humana: filosofia, ciência, arte, religião, a exemplo de Hanna Arendt, filósofa judia, que estudou as questões do mal e suas teses estão ínsitas no livro Eichmann em Jerusalém, que analisa o julgamento do verdugo nazista, mentor da morte de milhares de pessoas. Tendo como referencial o caso Eichmann, Hanna Arendt justifica que o mal pode tornar-se banal e difundir-se pela sociedade como um fungo, porém apenas em sua superfície. Para ela, as raízes do mal não estão definitivamente instaladas no coração do homem e, por não conseguirem penetrá-lo profundamente a ponto de fazer nele morada, podem ser extirpadas.

Para muitos, o mal seria mais forte que o Bem, e que os Espíritos do mal estariam conseguindo derrotar os Benfeitores espirituais, frustrando-lhes os desígnios superiores. Em que pese a antiga tradição de tais conceitos, são insustentáveis e falsos, diríamos mesmo, absurdos. Admitir o triunfo do maligno, a prejuízo da humanidade, é o mesmo que negar ao Senhor da Vida os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser verdadeiramente Deus.

O mal não é criação do Todo-Poderoso como imaginam algumas pessoas, especialmente aquelas que vivem distanciadas do entendimento evangélico. O mal é transitório, não tem raízes; o bem é permanente. O mal definha à medida que o bem se estabelece. Foi por isso que Jesus dizia que o Reino dos Céus começa em nosso coração e compara-o ao fermento que transforma e engrandece a massa; o Reino dos Céus é como a semente de mostarda cuja árvore é múltipla em benefícios.

A humanidade vem nos últimos anos passando por transformações preocupantes. A influência da matéria sobre a vida social cresce incessantemente. Os valores morais estão sendo corrompidos com espantosa velocidade. Nunca o mundo precisou tanto dos ensinos espíritas como nestes tempos atuais.

Vivenciamos instantes em que se aguça o individualismo, enodoando o tecido social, e nos vendavais da tecnologia somos remetidos aos acirramentos das desigualdades e isolamentos, estabelecendo-se níveis de conforto e exclusão sociais nunca antes experimentados. Atualmente, consegue-se a compra pela Internet, assiste-se ao filme no shopping, trafega-se pelas avenidas em veículos luxuosos. Vive-se sem convivência fraterna, numa doentia soledade a despeito de um mundo superpovoado de encarnados. Em que pese para os mais otimistas a convicção do alvorecer da Nova Era espiritual que vem chegando, ocupando espaço, no contexto dos avanços da ciência que impulsiona a massa humana para a conquista da paz. E ante os paradoxos acredita-se na existência do elo entre a fé e a razão, entre a ciência e a religião, entre verdade física e verdade metafísica, em que o instinto cede em face da razão, e a sábia consciência direciona os sentimentos sublimes de amor, justiça e caridade.

Mas não há como se desconhecer a luta pela subsistência. São as enfermidades. As insatisfações. Os conflitos emocionais. Os desenganos. As imperfeições próprias daqueles com os quais convivemos. Enfim, as mil e uma vicissitudes da existência. Nesse autêntico amálgama, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.

Devemos interrogar a própria consciência, passando em revista os atos cotidianos, para a identificação dos desvios dos deveres que deveriam ter sido cumpridos e dos motivos alheios de queixa por conta dos nossos atos. Revisemos periodicamente nossas quedas e deslizes no campo moral, ativando a memória para nos lembrarmos dos tantos espinhos que já trazemos cravados na “carne do espírito”(4), tal como ensina Paulo de Tarso. Estes espinhos nos lembrarão a nossa condição de enfermos em estágio de longa recuperação, necessitados de cautela. O mal não é invencível, pelo contrário. O homem possui na sua natureza a flama do bem. Somente quando se distancia da sua origem divina é que se compraz com o mal. Para se livrar das ações negativas dos malfeitores espirituais, basta sintonizar-se com seu lado superior, buscando fazer o bem aos outros: em pensamentos, palavras e ações. E, claro, não se deve transferir a responsabilidade dos próprios erros à intervenção do verdugo do Além, que só exerce a sua influência porque encontra campo fértil para isso.

Allan Kardec registra em Obras Póstumas: “Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre-arbítrio. (6)” Não é simples, porém, nos livrarmos do mal que praticamos. Mal que nasce em nós, nos impregna e temporariamente passa a fazer parte de nossa personalidade. Paulo de Tarso na sua carta aos romanos tece comentários sobre as lutas que se deve travar para combater o mal em nós mesmos, em frase já célebre: “Porque não faço o bem que quero, mas, o mal que não quero, esse faço”(6). O mal a que se refere Paulo em suas epístolas é o mal trivial que subsiste em nós e é alimentado por nossa vontade. E que, em certa medida, nos proporciona prazer pelo torpor de consciência. Daí a nossa dificuldade de nos desembaraçarmos dele.

Diante da banalização do mal, conforme anota Arendt, que se espalha pelo mundo dos homens, resta-nos individual e coletivamente nos lançarmos ao bom combate, conforme o Apóstolo dos gentios (7), que é constante, exigindo-nos disciplina e perseverança. E uma das questões cruciais que funciona como um divisor de águas da Doutrina Espírita em relação a outras religiões é a necessidade de se praticar o bem para o crescimento espiritual.

O Espírito encarnado ou não, é um ser inteligente, desta forma, o bem para ser bem, para ter eficácia, não prescinde de um conteúdo pedagógico cujo fundamento está justamente no por que fazer o bem. O homem tem recursos de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu racionalidade para distinguir um do outro. Mas, urge meditarmos que o bem não nos imunizará do sofrimento, resolvendo todos os problemas, mas ajudar-nos-á a arrostar os momentos cruciais com ânimo robusto, evitando que nos cristalizemos no pessimismo e oferecendo-nos resistência para vencer dificuldades e não contrair novos compromissos morais negativos.

Joanna de Ângelis induz-nos a lembrar para nunca desistirmos de fazer o bem, face do aparente triunfo do mal em desgoverno, em torno de nossas vidas. Passada a tempestade, a luz volta a fulgir. A sombra é somente ausência da claridade. Não é real. Só Deus é Vida; somente o Bem é meta. (8)

Para que possamos vislumbrar um mundo sem angústias e nem problemas sociais, livres das misérias econômicas e políticas, apelemos para o amor incondicional, que possui os recursos eficazes para a conciliação, o perdão, a transformação moral, fomentando o bem para o progresso, o que concorre para enriquecer nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdades, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade. (9)

Jorge Hessen

Fonte: O Consolador

Referências:

(1) Esta qualidade se anuncia através de fatores subjetivos (o sentimento de aprovação, o sentimento de dever) que levam à busca e à definição de um fundamento que os possa explicar.

(2) Filos. Doutrina do persa Mani ou Manes (séc. III), sobre a qual se criou uma seita religiosa que teve adeptos na Índia, China, África, Itália e S. da Espanha, e segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis: Deus ou o bem absoluto, e o mal absoluto ou o Diabo. 2. P. ext. Doutrina que se funda em princípios opostos, bem e mal.

(3) Xavier, Francisco Cândido. Ação e Reação, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2001, cap. 19.

(4) 2ª Epístola De S. Paulo aos Coríntios: 7 – E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.

(5) Kardec, Allan. Obras Póstumas. RJ: Ed. FEB, 1999.

(6) Romanos 7:19.

(7) (2 Tm 4,7) “Combati o bom combate, percorri o caminho e guardei a fé”.

(8) Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos Enriquecedores. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, BA: LEAL, 1994.

(9) Fonte: Reformador (Janeiro, 1966), in: O Problema do Mal, de Rodolfo Calligaris.

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Responsabilidade solidária

Túlio Tupinambá

As dores que dominam a humanidade nascem de cada um de nós, dos erros que praticamos, das omissões em que incorremos, da desatenção que pomos em tudo o que não nos interessa frontalmente. Por isso é que, entra ano, sai ano, temos a impressão de que a Terra piora, os homens se tornam mais frios e calculistas, mais interesseiros e egoístas.

Na realidade, porém, o número dos que confiam em Deus e dão alguma coisa de si, do seu esforço, para a melhoria do mundo tem crescido, ainda que nem todos disso se apercebam.

Dizemo-lo pelo desenvolvimento que o Espiritismo Cristão vem registrando, principalmente neste campo de observação mais ao alcance da nossa análise. Acontece que hoje se faz às escâncaras o que, em outros tempos, era feito ocultamente.

Agora; o despudor é maior, graças à influência mais forte e decisiva dos meios de comunicação que divulgam depressa e amplamente ideias tidas como importantes alterando negativamente, às vezes, os costumes e impondo hábitos de desbragada liberdade ao homem, à mulher, aos jovens e crianças em geral. Teorias anticristãs exaltadas por corifeus do materialismo, invadiram todos os países ocidentais, propugnando o abandono da educação moral, a pretexto de resguardar a criatura humana da compressão psicológica; notem que tudo isso sucede preponderantemente nesses países, ditos cristãos.

O “berço”, a “educação de berço” como se dizia em outros tempos, tem sido abandonada em muitos lares, porque os pais nem sempre se capacitam das responsabilidades que assumem ao contraírem casamento. Há propaganda contra o casamento tradicional no cinema, no teatro; na televisão e no rádio.

Defende-se o adultério e as aberrações sexuais. A procriação é encarada quase que como um erro clamoroso e são estimulados abusos que rebaixam a espécie humana, das quais resultam consequências tristes, dramáticas, dolorosas, fáceis de imaginar. Homens e mulheres procedem como animais, irmãos irracionais que, fiéis às leis da Natureza são, nesse particular, superiores às criaturas humanas degeneradas pelo vício.

Somos vaidosos, por aceitarmos que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Não devemos interpretar ao pé da letra o que é de caráter implicitamente simbólico, como, por exemplo, que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança, conforme diz o “Gênesis”1:26: “Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” e (v. 27) criou, pois, Deus, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Mas na Bíblia está, outrossim, que Deus, depois de haver formado o homem do pó da terra, compreendendo que não seria bom que o homem estivesse só, adormeceu-o e… eis o trecho: “Disse, mais Deus Jeová.: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja idônea. (…) Fez Deus Jeová cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; então tomou uma das costelas do homem e fechou a carne no lugar dela. Da costela que Deus Jeová tinha tomado do homem formou a mulher, e a trouxe ao homem. (…) Portanto, deixa o homem a seu pai e a sua mãe, e se une a sua mulher; e são uma só carne.” (2:18. 21, 22 e 24).

Apreciamos e respeitemos o que está na Bíblia, sem, contudo, deixar de exercer o discernimento que Deus nos deu. Mas, se Deus disse “Façamos” e “nossa semelhança”. então, amigos, dar-se-á o caso de não haver estado Ele só, quando operou essas criações? Quem seria o seu acompanhante, ajudante, assistente, assessor ou que melhor nome tenha? Chi lo sa? É natural que estranhemos, pois, lá por volta dos séculos IV e V um poeta cristão, de nacionalidade espanhola – Aurélio Clement Prudêncio, apresentou uma teoria imaginosa, como tantas outras que andam por aí, segundo a qual o Diabo fizera crer aos outros anjos que ele era o autor e criador de si mesmo e que não devia por isso a Deus a sua existência. O Diabo também se gabava de haver sido o criador da matéria extraindo-a do seu próprio corpo.

Não há dúvida de que o Diabo, Satã, Demônio ou outro qualquer nome, foi uma das invenções mais célebres da história da humanidade. Tem servido para muita coisa, uma das principais a chamada “política do campanário”. Com o que se gastou com esse mito e suas terríveis proezas poder-se-ia ter acabado com a fome e a miséria na Terra. Mas os “teólogos” da antiguidade precisavam de alguma coisa que assustasse as criaturas humanas e as tornassem, pelo medo, submissas e manobráveis aos planos dos que mandavam e desmandavam, ao sabor de interesses que variavam entre o desejo de reprimir o mal com a aplicação do mal e o de encontrar uma solução cômoda, transferindo para o Diabo, um mito, a responsabilidade dos vícios e erros humanos.

***

Ora, “Satanás, Diabo, Demônio, são nomes alegóricos pelos quais se designa o conjunto dos maus espíritos empenhados na perda do homem”. Não se trata, pois, de um espírito especial, “mas a síntese dos piores Espíritos que perseguiam os homens, desviando-os do caminho de Deus. Desviavam-nos porque os maus Espíritos sempre se aproveitam das falhas de caráter, vícios, e defeitos morais dos homens para induzi-los à prática de ações prejudiciais ao Bem.

No fundo, na encenação alegórica apresentada pela Bíblia, há a verdade oculta pelo véu da letra. O homem, uma vez formado e em condições de exercer o livre-arbítrio que lhe é dado com oportunidade, passa a ser responsável por seus atos. Instruído sobre a conveniência de seguir o caminho reto, quando falha, torna-se responsável por sua falta. De acordo com a Lei, que o pune na proporção da gravidade da infração cometida, sofre.

Quanto mais reincide, mais padece. De nada adiantará gritar contra a dor, se não tomar a resolução de mudar seu comportamento. Foi isto que Jesus veio esclarecer e esclarece com extraordinária lucidez em seu Evangelho. Ele não veio modificar a lei transmitida através de Moisés, veio cumpri-la dando-lhe correta interpretação. Porque o Diabo é um símbolo apenas.

Eis por que devemos ter cuidado até com o que pensamos, porque o pensamento tanto pode exercer influência favorável, positiva, como desfavorável, negativa, contra e a nosso favor, contra e a favor de terceiros. O mal que podemos causar a outras pessoas quando emitimos pensamentos de inveja, ódio, despeito, antipatia, etc., recai sobre nós, aumenta o nosso débito cármico. O Evangelho de Jesus veio para que a humanidade pudesse ter mais operantes elementos de auto educação moral e, igualmente, para, colaborar na educação e reeducação de seus semelhantes. Desde que nos eduquemos para o bem, higienizando as ideias que emitimos, as palavras que proferimos e os atos que praticamos, impediremos a poluição da nossa mente e da mente daqueles que recebem nossas vibrações.

Ajudando-nos a melhorar, também contribuiremos para melhorar o ambiente em que estamos e, concomitantemente, colaboraremos para ajudar a humanidade a melhorar também. A felicidade do mundo não é conquista fácil e a curto prazo. Pelo contrário. Mas, se cada qual, a despeito das dificuldades e até dos insucessos, não desistir de procurar realizar o bem, mesmo quando o mal aparente ou não seja o resultado provisório dos seus esforços, plantará semente benéfica, cujos frutos surgirão fatalmente, mais cedo, ou mais tarde.

Os que acreditam na existência real do Diabo e os que possam acreditar na fantasia de ele ter sido o criador de si mesmo, poderão admitir, talvez, que tenha sido ele o “outro” que estaria com Deus quando o homem foi criado? Quantos absurdos juntos! Mais ainda: se o Diabo foi o criador de si mesmo é porque já existia quando se criou… E caímos ainda mais na confusão de palavras, tentando dar nexo a esse contra senso.

Pensemos no que temos a modificar em nós, ao mesmo tempo procurando consolidar as virtudes, se é que já possuímos alguma. O mal do mundo é derivado do mal dos homens, que ainda persistem em não reconhecer a realidade de uma Inteligência Prodigiosa – DEUS, que dirige os mundos e a vida. Mas porque Deus? – perguntarão os céticos. Porque foi esse o nome que se convencionou dar a essa Inteligência Superior que excede a qualquer definição humana. Como pode o inferior negar o superior, o finito contestar o infinito, o mal sobrepujar o bem? Tudo é questão simples de lógica mais elementar. Deus não deixará de existir só porque os materialistas O negam, apegados ao ateísmo tolo de quem contesta o que está além da sua capacidade de julgar. Mas, como todos estamos sujeitos a reencarnações progressivas, nós e os que negam a Deus, dia virá em que os contestadores compreenderão o que hoje recusam aceitar, com empáfia ridícula, pois estamos todos subordinados ao mecanismo psicovibratório da Lei de Causa e Efeito, que registra, aceita e devolve a cada um os sentimentos experimentados e externados no curso de sua existência. Os sentimentos, que são forças vibratórias que saem de nós, voltam para nós, beneficiando-nos ou castigando-nos conforme sua natureza.

Tudo quanto de mais secreto queiramos saber de Deus poderá ser, um dia, do nosso conhecimento, quando nos encontrarmos suficientemente evoluídos para suportar o impacto de tão transcendentais revelações.

Não nos esqueçamos, entretanto, de que somos responsáveis na situação atual do mundo, por nosso passado espiritual ou por nosso presente delituoso. E há somente um caminho de alívio até que seja eliminado o peso dessa imensa cumplicidade: praticar o bem, exercitar sem esmorecimento a fraternidade, fazendo pelos outros pelo menos o que desejamos que os outros nos façam. Fora daí nada conseguiremos, a não ser sobrecarregar o fardo que carregamos, multiplicando nossas preocupações e nossos sofrimentos, porque estamos num mundo em que tudo tem de ser solidário. Busquemos o melhor, sendo solidários com o bem.

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)

Revista Reformador (FEB) Dezembro 1976

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Reencarnação, filosofia e ciência

Por Thiago Barbosa

A reencarnação é um princípio que compõe a sólida base do edifício doutrinário do espiritismo. Muito embora Allan Kardec tenha demorado aceitá-lo[1], ele a admitiu pela lógica estruturante que ela imprimia à filosofia espírita. Através dela tudo se explica de maneira mais fácil e concordante.

Na obra do mestre lionês, Allan Kardec, a reencarnação ela se desenvolve eminentemente de maneira filosófica, pois não havia empiria que a sustentasse como ciência. Portanto, em uma primeira fase, dentro da doutrina espírita, a reencarnação ela foi sustentada filosoficamente. Nela, grande número de problemas são resolvidos, como as injustiças sociais, as desigualdades intelectuais, a dor e etc.

Entretanto, no início do século XIX, a reencarnação ganha contornos científicos e fortes evidências através de um método experimental. Albert de Rochas, eminente diretor da Escola Politécnica de Paris, homem de vasto saber e competência científica, descobre uma técnica onde é possível fazer com que o sujet, mergulhado no sono magnético, retornar em experiências pregressas. As experiências foram realizadas com 19 sujet’s no período de 1892 a 1910, por toda a França.  Utilizando de passes longitudinais lentos, os sujet’s remontaram a períodos recuados ou mais próximos, trazendo informações que, na atual reencarnação, não tinham conhecimento, como elementos culturais, históricos, geográficos, religiosos e por aí vai.

Albert de Rochas, reuniu todo esse material, fruto de mais de uma década de experiências bem-sucedidas na obra As Vidas Sucessivas, lançada em 1911 pouco antes da sua desencarnação ocorrida em 1914, em Grenoble, na França.

A obra, abriu as portas para que tantos outros pesquisadores e intelectuais do espiritismo empreendessem suas pesquisas e demonstrassem empiricamente a realidade da reencarnação que, vale lembrar, foi pregada em várias culturas como na Helênica, Romana, Judaica, Celta, Egípcia e Hindu. Portanto, leiamos esse clássico que muito contribuirá para ampliação do nosso conhecimento doutrinário.

[1] Ver a Revista Espírita de novembro de 1858

Fonte: espiritismo.net

Vidas Sucessivas – Albert de Rochas

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