Meditação: a importância da escuta interior

Por Eliana Haddad

A palavra meditação aparece nas obras de Allan Kardec referindo-se à análise e reflexão, diferentemente do seu conceito oriental relacionado à técnica de relaxamento e concentração em si mesmo, com especial atenção à respiração, em busca de uma sensação de quietude e harmonia interior.

Analisada pela visão espiritual, a atitude meditativa pode muito auxiliar, por exemplo, no recolhimento de uma prece, na busca da inspiração e na percepção de sentimentos e emoções que facilitam o autoconhecimento.

O espiritismo nos mostra uma visão diferente sobre os benefícios da vida contemplativa. Na questão 657 de O livro dos espíritos, Kardec pergunta se os homens que se consagram à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e só pensando em Deus, têm algum mérito. Os espíritos respondem: “Não, porquanto se é certo que não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida todo pessoal e inútil à humanidade, e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.”

O fato aqui se refere a alguém que passasse a vida meditando, o que difere do uso da meditação para nos auxiliar a encontrar um pouco mais de serenidade e equilíbrio para seguirmos no esforço da transformação moral, grande finalidade do espírito perfectível.

Pode-se ilustrar, por exemplo, também, com as recomendações de Santo Agostinho, na questão 919, quando ensina o processo de autoconhecimento, que seria em muito auxiliado pela conscientização de quem somos, como agimos, um mergulho todas as noites na interioridade das nossas atitudes.

Meditação para Léon Denis

O filósofo e escritor espírita Léon Denis, refere-se à meditação tal como concebida atualmente. Diz ele em sua obra em O grande enigma: “Deus nos fala através de todas as vozes do infinito. Ele nos fala não numa bíblia escrita há séculos, porém numa bíblia que se escreve todos os dias com esses caracteres majestosos que se chamam oceano, mares, montanhas e astros do céu, através de todas as harmonias suaves e graves que sobem do seio da terra ou descem dos espaços etéreos. Ele nos fala ainda no santuário do nosso ser, nas horas de silêncio e de meditação”.

Com sua explicação poética, Denis esclarece que, quando os ruídos discordantes da vida material se calam, então, a voz interior desperta e se faz ouvir. “Essa voz sai das profundezas da consciência e nos fala de dever, de progresso, de ascensão. Há em nós um refúgio íntimo, como uma fonte profunda de onde podem jorrar ondas de vida, de amor, de virtude, de luz”.

Em outra obra, O problema do ser, do destino e da dor, defende que a meditação metódica auxilia no desenvolvimento dos sentidos psíquicos. “Consiste em insular-se uma pessoa em certas horas do dia ou da noite, suspender a atividade dos sentidos externos, afastar de si as imagens e ruídos da vida externa, o que é possível fazer mesmo nas condições sociais mais humildes, no meio das ocupações mais vulgares. É necessário para isso concentrar-se e, na calma e no recolhimento do pensamento, fazer um esforço mental para ver e ler no grande livro misterioso o que há em nós. E ainda recomenda nesses momentos: “apartai de vosso espírito tudo o que é passageiro, terrestre, variável. (…) A meditação, a contemplação e o esforço constante para o bem e o belo formam correntes ascensionais, que estabelecem a relação com os planos superiores e facilitam a penetração em nós dos eflúvios divinos. Com esse exercício repetido e prolongado, o ser interno acha-se pouco a pouco iluminado, fecundado, regenerado”.

Sintonia em busca do Bem

A meditação seria mais um caminho, mais uma ferramenta a se juntar a tantas outras para se adquirir um estado de harmonia e melhor cuidado com a sintonia espiritual em busca do Bem. Um momento, como recurso, e não como uma vida toda de contemplação.

Espiritualmente, sabe-se que todo estado de recolhimento interior provoca experiências diversificadas que retratam a atividade do espírito, com seu desdobramento, liberdade e vontade.

Como meditar:

  • Escolha um horário que você possa estar 100% presente na prática.
  • Desligue o celular, o computador e evite o máximo de distrações. Fique em um ambiente tranquilo, para que nada te incomode.
  • Sente-se de maneira confortável com a coluna ereta e feche os seus olhos.
  • Comece a prestar atenção na sua respiração, no batimento do seu coração e em todas as sensações do seu corpo. Se algum pensamento surgir, não se prenda a ele, deixe que vá embora. Tente manter a atenção no momento presente.

Referência: Meditação e espiritismo, de Cesar Braga Said e Sylvia Vianna Said, Ed. Infinda.

Fonte: correio.news

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Diversidade Religiosa e Respeito às Crenças

Simara Lugon Cabral

“Examinai tudo: abraçai o que é bom” (I Tessalonicenses, V, 21.).

Religião, segundo o dicionário etimológico, é uma palavra que procede do latim, da palavra religio que significa “respeito pelo sagrado”. De acordo com o conceito atual, religião é o conjunto de crenças e práticas que supre a necessidade do homem de se conectar com um ente superior a ele (ONLINE ETYMOLOGY DICTIONARY, s.d., on-line).

Em O Livro do Espíritos, parte terceira, Lei de Adoração, Kardec pergunta aos Espíritos:

649. Em que consiste a adoração?

“É a elevação do pensamento a Deus. Por meio da adoração, a alma se aproxima d’Ele” (KARDEC, 2018, p. 219).

651. Houve povos desprovidos de qualquer sentimento de adoração?

“Não, pois nunca existiram povos ateus. Todos compreendem que há, acima deles, um ser supremo” (KARDEC, 2018, p. 219).

Portanto, de acordo com a Doutrina Espírita, os homens têm uma necessidade inata de se conectar com Deus, mesmo que sob diferentes formas. Desde os primórdios da civilização, eles buscavam uma maneira de explicar aquilo que não podiam compreender racionalmente, desde os fenômenos da natureza até as questões de vida e morte, e assim surge a religiosidade: A princípio através da adoração aos animais e à própria natureza, em seguida através da mitologia e mais tarde com a evolução intelectual da humanidade, ela passa a se manifestar através do monoteísmo, que é a crença em um Deus único, que foi trazida através dos dez mandamentos na religião judaica.

Hoje em dia existem inúmeras religiões diferentes ao redor do mundo. De acordo com Pew Research Center, um centro especializado de pesquisa internacional, os sistemas religiosos com maior número de adeptos em relação a população mundial em 2015 eram: o cristianismo (31,2%), o islamismo (24,1%), o hinduísmo (15,1%), o budismo (6,9%), religiões locais (5,7%) e outras religiões (1%), sendo o restante da representatividade (16%) correspondente às pessoas sem religião (HACKETT; MACCLENDON, 2017, on-line).

Com tantas doutrinas religiosas diferentes pelo mundo, é importante conhecer e principalmente respeitar a crença de cada um, visto que cada indivíduo está em uma etapa diferente em seu processo evolutivo e vive uma realidade diversa, de acordo com sua cultura e seu plano reencarnatório.

No Brasil, a liberdade de crença e de culto é garantida pela Constituição, nos artigos 5 e 19, e na Lei Nº 7.716 de 1989 que estabelece como crime a discriminação por raça, cor, etnia, religião ou nacionalidade. Apesar disso ainda ocorrem muitos casos de intolerância religiosa no país, sendo a comunidade religiosa mais atacada a afro-brasileira. O preconceito contra as religiões africanas tem origem no racismo e na época da escravidão e dura até os dias de hoje. A intolerância ocorre através de agressões verbais, físicas e até mesmo com a depredação de espaços sagrados ou objetos religiosos (ACN, s.d., on-line).

Para que o preconceito com as religiões deixe de ser uma realidade, é necessário conscientizar e educar a população, através de campanhas de valorização da diversidade que façam com que as pessoas compreendam que todas as crenças devem ser respeitadas, preservando assim, a igualdade de direitos a todos os cidadãos.

De acordo com a Doutrina Espírita, conforme a humanidade for avançando moralmente, esse preconceito não mais existirá, pois no livro A Gênese, no capítulo XVIII, item 15, Kardec afirma que:

“A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social. Mas não há fraternidade real, sólida e efetiva se ela não estiver apoiada sobre uma base inquebrantável. Essa base é a fé; não a fé nestes ou naqueles dogmas particulares, que mudam com o tempo e os povos, e se apedrejam mutuamente, pois, anatematizando-se, mantêm o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que todo mundo pode aceitar: Deus, a alma, o futuro, O PROGRESSO INDIVIDUAL INFINITO, A PERPETUIDADE DAS RELAÇÕES ENTRE OS SERES. Quando todos os homens se convencerem de que Deus é o mesmo para todos, que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada pode desejar de injusto, que o mel vem dos homens e não d’Ele, passarão a olharem-se como filhos de um mesmo Pai e se estenderão as mãos mutuamente. (KARDEC, 2020, pág. 273).

A Doutrina Espírita faz com que não seja compreensível nenhuma distinção entre raças, classes, gênero ou crença, visto que com a reencarnação, aquele que hoje está em uma posição, em uma próxima existência poderá estar na oposta, e vice-versa.

Na “Revista Espírita de 1863”, Kardec afirma que: “Nós trabalhamos para dar fé aos que em nada creem; para espalhar uma crença que os torna melhores uns para os outros, que lhes ensina a perdoar aos inimigos, a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política ou religiosa” (KARDEC, 1863, on-line).

Portanto, à medida que o planeta e a humanidade forem evoluindo, todos passarão a compreender que Deus é único e o mesmo para todos, e conforme a intelectualidade e a moralidade forem se expandido, aumentará concomitantemente a capacidade de compreensão do homem a respeito das questões espirituais. Assim, tudo o que hoje parece sobrenatural ou uma questão de fé ou crença passará a ser compreendido cientificamente, racionalmente e não haverá mais dúvidas ou discussões a respeito desta ou daquela religião ou dogma. Com isso, o sentimento de fraternidade crescerá pois todos passarão a entender que são filhos do mesmo Pai, e que o objetivo da vida é o mesmo para todos: a evolução espiritual.

No livro “Obras Póstumas”, na comunicação recebida pelos Srs. M… e T… , em estado de sonambulismo, intitulada “Regeneração da Humanidade”, tem-se que:

“Contudo, através da escura nuvem que vos envolve e em cujo seio ronca a tempestade, já podeis ver despontando os primeiros raios da era nova. A fraternidade lança seus fundamentos em todos os pontos do globo e os povos estendem uns aos outros as mãos; a barbárie se familiariza no contato com a civilização; os preconceitos de raças e de seitas, que causaram o derramamento de ondas de sangue, se vão extinguindo; o fanatismo, a intolerância perdem terreno, ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos costumes e se torna um direito” (KARDEC, 2010, pág. 358).

Deste modo, é de suma importância lembrar-se de que todos, independentemente de religião, gênero, raça ou nacionalidade, tiveram a mesma origem, são sujeitos às mesmas leis naturais e caminham rumo ao mesmo objetivo que é a perfeição. Para atingir esse objetivo, não importa a fé que cada um professe, o que realmente faz diferença é a atitude de cada um perante a vida e para com o próximo, pois desde que cada ser humano consiga praticar a caridade, agir dentro do sentimento de fraternidade, da benevolência, do amor aos seus semelhantes e respeitar a todos indistintamente, todos certamente completarão com êxito a sua jornada rumo à perfeição.

Fonte: Letra Espírita

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REFERÊNCIAS:

Bíblia Online. Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/vc/1ts/5. Acesso em 17 de Dezembro de 2020.

ACN. Disposições legais em relação à liberdade religiosa e aplicação efetiva. Disponível em: <https://www.acn.org.br/brasil/>. Acesso em 14 de Dezembro de 2020.

HACKETT, Conrad e MCCLENDON, David. World’s largest religion by population is still Christianity. Disponível em:| <https://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/04/05/christians-remain-worlds-largest-religious-group-but-they-are-declining-in-europe/ >. Acesso em 16 de Dezembro de 2020.

KARDEC, Allan. A gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Capivari/SP: EME, 2018.

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro da 1ª ed. Francesa. 40ª edição- 2ª reimpressão atualizada. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Matheus R. Camargo. Capivari/SP: EME, 2018.

KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1863.1ª edição. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005. Disponível em: https://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1863.pdf. Acesso em: 30 de agosto de 2022.

ONLINE ETYMOLOGY DICTIONARY. Religion. Disponível em: < https://www.etymonline.com/search?q=religion >. Acesso em 14 de Dezembro de 2020.

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Exaustão Emocional, a consequência de tentar ser forte a todo momento

A exaustão emocional é um estado atingido pela sobrecarga de esforço. Neste caso, não falamos apenas de excessos de trabalho, mas também de assumir conflitos, responsabilidades ou estímulos emocionais ou cognitivos.

A exaustão emocional não vem de um momento para outro. Trata-se de um processo que ocorre lentamente, até que haja um ponto em que a pessoa entra em colapso. Essa quebra a submerge em paralisia, depressão profunda ou doença crônica. Ocorre um colapso na vida da pessoa, porque ela literalmente já não aguenta mais.

Embora a exaustão emocional seja sentida como cansaço mental, geralmente está acompanhada de uma grande fadiga física. Quando isso acontece, há uma sensação de peso, de incapacidade de seguir em frente. Caímos, então, em uma inércia da qual é difícil sair.

As causas do esgotamento emocional

O esgotamento emocional se origina porque há um desequilíbrio entre o que damos e o que recebemos. Aqueles que são vítimas disso dão tudo o que podem de si mesmos, seja no trabalho, em casa, no relacionamento ou em qualquer área.

Em geral, isso ocorre em áreas onde há uma grande exigência, que por sua vez, aparentemente, exige grandes sacrifícios. Por exemplo, em um trabalho onde há um alto risco de demissão. Ou em uma casa cujos membros estão cheios de problemas e exigem atenção. Também quando temos um relacionamento conflituoso ou com sérias dificuldades.

O comum é que a pessoa exausta não tenha tempo para si mesma. Tampouco recebe reconhecimento, carinho ou consideração suficiente. Espera-se que ela se “renda” o tempo todo. Como se não tivesse necessidades, ou como se fosse mais forte que o resto e pudesse aguentar tudo.

Os primeiros sintomas de exaustão

Cansaço físico. A pessoa se sente cansada com frequência. A partir do momento em que abre os olhos, sente como se fosse extremamente árduo o que a espera no dia.

Insônia.  Uma pessoa com exaustão emocional apresenta dificuldade para dormir. Sempre tem problemas aos quais dedica tempo demais e que fazem com que seja difícil pegar no sono.

Irritabilidade. Há desconforto e perda de autocontrole com certa frequência. A pessoa exausta parece mal-humorada e é muito sensível a qualquer crítica ou gesto de desaprovação.

Falta de motivação. Quem sofre de exaustão emocional começa a agir mecanicamente. Como se fosse obrigado a fazer o que faz o tempo todo. Não tem entusiasmo ou interesse em suas atividades.

Distanciamento afetivo. As emoções começam a ficar cada vez mais planas. É como se, na verdade, a pessoa não sentisse praticamente nada.

Esquecimentos frequentes. A saturação de informações e/ou estímulos leva a falhas na memória. Esquecem com facilidade as pequenas coisas.

Dificuldades para pensar. A pessoa se sente confusa com facilidade. Cada atividade implica um gasto maior de tempo do que antes. Raciocina lentamente.

As saídas para a exaustão emocional

A melhor maneira de superar a exaustão emocional é, naturalmente, descansando. Você tem que encontrar tempo livre para relaxar e ficar calmo. As pessoas que se exigem muito passam anos sem, por exemplo, tirar férias. Isso não pode acontecer. Mais cedo ou mais tarde, só leva à fadiga. Então, uma boa ideia é tirar alguns dias para dedicar ao descanso.

Outra solução é trabalhar para construir uma atitude diferente diante das obrigações diárias. Cada dia deve incluir horários para dedicar aos compromissos e também momentos para descansar e realizar atividades que sejam gratificantes. Devemos deixar de lado as obsessões de perfeição ou realização.

Finalmente, é muito importante nos sensibilizarmos com nós mesmos. Para isso, nada melhor do que dedicar um momento a cada dia para ficarmos sozinhos. Respirar, nos reconectar com o que somos e com o que desejamos. É fundamental desenvolver uma atitude de compreensão e bondade com nós mesmos. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, será impossível seguir adiante.

Fonte: A Mente é Maravilhosa

Associação Espírita Allan Kardec

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Tola vaidade, louco orgulho e estúpido amor-próprio

Orson Peter Carrara

A pergunta é objetiva, direta: “(…) Ó estúpido amor-próprio, toda vaidade e louco orgulho, quando sereis substituídos pela caridade cristã, pelo amor do próximo e pela humildade que o Cristo exemplificou e preceituou? (…)”.

É um parágrafo esquecido*, mas como é atual! E aí o próprio autor responde com clareza: “(…) Só quando isso se der” – refere-se naturalmente à substituição proposta e continua:  “desaparecerão esses preceitos monstruosos que ainda governam os homens, e que as leis são impotentes para reprimir, porque não basta interditar o mal e prescrever o bem; é preciso que o princípio do bem e o horror ao mal morem no coração do homem.”

Nem sempre prestamos atenção nesses detalhes, ainda mais porque referido trecho está em mensagem dentro do subtítulo O Duelo (que precipitadamente julgamos ultrapassado), muito atual especialmente pelos duelos mentais, psicológicos, emocionais e culturais tão em moda nas redes sociais. Sugiro ao leitor reler o segundo parágrafo acima para sentir a abrangência e atualidade do texto. O destaque fica para a expressiva afirmação:  “não basta interditar o mal e prescrever o bem; é preciso que o princípio do bem e o horror mal ao morem no coração do homem”, que sugere com propriedade uma mudança em nossos hábitos e costumes, individuais e coletivos.

Convenhamos que estamos tateando ter em nós o princípio do bem e ainda não temos completamente horror ao mal – pois dele nos alimentamos, infelizmente. Como afirma o autor, somente a caridade cristã – em sua ampla compreensão e prática –  pode substituir as bobagens das vaidades, do amor próprio em exagero e o louco orgulho que nos leva a tantos desajustes. Ressalte-se: individuais e coletivos.

*Trecho constante em mensagem de 1861 selecionada por Kardec e inserida no capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, autoria de Um Espírito Protetor.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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Trabalho, lei da vida

Aristides Spínola

Diante das atuais dificuldades enfrentadas pelos cientistas das áreas diversas da saúde, no que tange aos surpreendentes surtos de doenças, irreversíveis ou não, porém, sem controle, que degeneram em voluptuosas e lastimáveis epidemias, pessoas cépticas e ignorantes da realidade espiritual indagam por que os Numes Tutelares da Humanidade não vêm utilizar das faculdades mediúnicas para apresentar terapias de emergência, soluções imediatas, em se considerando os constantes insucessos no campo da investigação acadêmica?…

Câncer e AIDS, herpes e lúpus, esquizofrenia e psicoses, apenas para citar alguns males que afligem as massas, ou hanseníase e tuberculose, sífilis e conjuntivite, distúrbios psicossociais e idiotia, ou ainda, gripe e dengue, impaludismo e febre amarela nos trópicos, permanecem recrudescendo em obituário expressivo, tanto quanto os perturbadores desconsertos cardiovasculares, digestivos e respiratórios, atendidos por terapias específicas, e, no entanto, prosseguindo como danosas ameaças à salubridade das gentes e suas comunidades.

Porque as suas opiniões e caprichos não encontram ressonância nos Espíritos desencarnados, que não acorrem a resolver as questões que são pertinentes aos homens, aqueles observadores e desavisados zombam da comunicabilidade espiritual e, desdenhando-a, negam-na, apressadamente.

Ignoram que a função dos Espíritos Superiores é auxiliar o progresso da sociedade, promovendo os homens pelo trabalho deles mesmos, quais mestres sábios que estimulam os aprendizes a se desincumbirem das tarefas, ao invés de executá-las no lugar deles.

Inspirando as criaturas, não as imobilizam num parasitismo que terminaria por entorpecer-lhes os sentimentos e bloquear-lhes as inteligências, condenando- as à inutilidade.

Toda vez que os homens devem ter os seus processos de sofrimento atenuados, a Divindade faculta a abnegados Missionários que se reencarnem, e, através de esforço digno, encontrem os meios de diminuir as conjunturas aziagas e os dramas, físicos quanto morais, que constituem mecanismos de advertência para os seres, a fim de que despertem para a valorização dos bens da Vida.

Desse modo, no momento próprio, surgiram o éter e o clorofórmio, as várias técnicas de anestesia, as vacinas e as conquistas no campo da microbiologia e das partículas subatômicas, para melhor compreender- se o mecanismo da existência corporal, ao tempo em que outros apóstolos penetraram nos esconsos departamentos da mente, clareando os abismos da psique e libertando os que ali jaziam ergastulados.

De Hipócrates a Flemming, de Galeno a Sabin, de Ambrósio Paré aos microcirurgiões, de Pasteur a Lister, a Hansen, a Kock, desde as experiências de Charcot a Pavlov… ou mesmo de Kraepelin a Griesinger, a Bechterev, a Metchinikov, de Freud, Breuler, Jung, aos modernos antipsiquiatras, todos, porém, lutando afanosamente para conquistar, palmo a palmo, os terrenos áridos ou selvagens, nos quais vieram ensementar, com vistas a um futuro humano melhor.

Não poucas vezes, no auge das suas labutas, quase vencidas pela ignorância dos seus coevos ou graças ao cansaço de que se viam objetos, ou enfraquecidos por enfermidades outras e escassez de recursos, eram reconduzidos ao Mundo Espiritual, em desdobramento parcial pelo sono, a fim de receberem estímulos e instruções, dando prosseguimento ao ministério abraçado, sem o que não lograriam as metas que fizeram coroar de êxito..

Noutras oportunidades, quando se sentiam perdidos no báratro das investigações de resultados imprecisos, sem cobaias próprias que lhes propiciassem a coleta dos valores necessários, eram levados a estados de insight, que lhes facultavam encontrar os elos de que tinham necessidade para completar o trabalho.

Não se encontram a sós, os homens probos e devotados do bem geral.

Cercados por Espíritos nobres que os protegem, deles recebem inspiração e encorajamento para os empreendimentos a que se afervoram, desde que, por sua vez, também procedem de Esferas Elevadas, momentaneamente mergulhados no corpo para realizarem missões especiais.

O mesmo ocorre noutros campos do saber em que a vida se expressa, arrebanhando as criaturas para a conquista dos horizontes infinitos do conhecimento e do amor.

Fosse de outra maneira, e a acomodação, a astúcia se encarregariam de desnaturar o esforço pessoal, fomentando maior ociosidade e aventureirismo, descaracterizando a grandeza do trabalho e do esforço individual que selecionam os indivíduos e premiam-nos com as realizações íntimas de que se exornam.

Recomendam os Espíritos que, ao lado das ásperas realizações pelo sacrifício, sejam desenvolvidos os recursos morais que promovem o ser a escalas mais elevadas, permitindo-lhes a superação dos “instintos agressivos” nele jacentes e das paixões inferiores que remanescem das experiências primeiras no processo da evolução.

Fadado à liberdade e à plenitude, o Espírito alcança o seu fanal encarnando, desencarnando e reencarnando sucessivamente até sublimar-se, mediante o trabalho, que é Lei da Vida, porquanto o próprio Jesus afirmou: “O Pai até hoje trabalha e eu também trabalho”, não dando qualquer ensejo à indolência, à exploração do próximo, ao progresso por meio da usurpação das conquistas alheias.

Aristides Spínola por Divaldo Franco do livro: Antologia Espiritual

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Ser de direita, de esquerda ou ter bom senso?

Fátima Moura

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Espírita pode se manifestar politicamente? É o questionamento que tenho ouvido com mais frequência nos últimos tempos, nas ruas, na escola, no transporte público, dentro das próprias casas espíritas.

Quando questionada a respeito, costumo responder que, antes de sermos espíritas, somos cidadãos pensantes, atuantes, participativos, seres políticos por natureza. Agora, em minha opinião, o que não podemos, nem devemos fazer, é vivenciar a política aliada à religião com o intuito de manipulação das massas, porque, neste caso, o resultado seria desastroso.

Em nosso país, nos tempos atuais, os conceitos de “direita” e “esquerda” estão identificados com pessoas e causas que nada têm a ver com os ideais da direita e da esquerda, historicamente falando.

Em ambos os lados, pessoas bem intencionadas defendem suas ideias, e é totalmente possível que possam lutar por suas ideologias e se respeitarem entre si; mas há algo que precisa vir antes de qualquer posicionamento, algo que se chama bom senso. Uma pessoa que acredita no bem, jamais apoiaria o mal e vice versa. Dentro desses preceitos, idealísticos, morais, doutrinários, fica fácil definir de que lado estamos e quais são as nossas verdadeiras ideias sobre o atual cenário político brasileiro e as questões democráticas sobre as quais venhamos precisar responder e/ou participar.

Reconhecemos que temos direitos, deveres cívicos mas tudo aquilo que viermos a alcançar enquanto patriotas, será por merecimento espiritual, não através de privilégios, porque, para nós, que estudamos a Doutrina Espírita, é notório perceber que a vida do homem em sociedade está totalmente ligada a princípios morais e educativos.

O filósofo grego Aristóteles escreveu: o homem é um “animal político” e deve usar sua capacidade de ação para agir orientado por uma moral, de modo que suas ações e juízos resultam ora em vício, ora em virtude.

Esta é a base da própria Doutrina Espírita e, ao estudá-la, somos chamados a empreender a nossa autoeducação, educação essa que se firma em um conteúdo extremamente político, pois muda nossa forma de ver o mundo e de nos relacionarmos dentro dele.

O Espiritismo nos ajuda a enxergar a política com outros olhos, já que, trabalhando a moralidade e a negação dos vícios, nos permite almejar e aguardar de nossos governantes, melhores condições de vida em grupo, onde, apoiados nessa igualdade social, tenhamos a base para administrar a sociedade de forma mais justa e igualitária.

Doutor Adolfo Bezerra de Menezes, o nosso “Kardec brasileiro”, teria afirmado “[…] a política é a ciência de criar o bem de todos, e nesse princípio nos firmaremos”, honrando com galhardia suas sábias palavras, enquanto exerceu cargos políticos paralelamente à sua vida de médico, de cidadão, de espírita.

Jesus, nosso grande educador e líder, plantou bases sociais e políticas, quando em seu Evangelho conclama a todos a vivenciar seu Reino de Amor, apresentando-nos a mais elevada fórmula de vida político-administrativa da disseminação do bem entre os povos.

Jovem, não importa se você tem afinidade com partidos de direita ou de esquerda, ou nenhum. O que importa é a sua conduta ser boa e você utilizar seus ideais políticos, de ser integral, de cidadão, para promover o bem e a paz entre os homens!

Fátima Moura

Fonte: Correio Espírita

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Morte Prematura – Entender para aceitar

Sérgio Vencio

No dia a dia da prática médica, o tema que mais impressiona a todos provavelmente é o da morte prematura. Conviver diariamente com pacientes acima dos 80 anos de idade que apresentam problemas crônicos de saúde e caminham para o desencarne, soa a todos nós como algo absolutamente fisiológico, por maior seja a dor dos familiares na hora da despedida. Porém quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o espiritismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.

O termo “morte prematura”, talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso. Evidentemente nos referimos aqui a prematuridade do ponto de vista físico, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.

Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra, que sabia antecipadamente o que aconteceria. Mateus 26, João 2:19, Alias esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.

Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém um outro caminho, de mais amor e paz interior pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.

Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar. A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é do mal, não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque, se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior? Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?

Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento? Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessas hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais. Que tipo de amor é esse? Pois João Evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. “Deus é amor!”

A resposta é uma só. Cada um responde por atos praticados em outras vidas, resgatando pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai. Não há punição, mas oportunidade. Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que se em outra vida, eu lesei tanto meu corpo espiritual por atitudes e vícios, nessa vida eu limpo meu corpo espiritual, drenando para a carne, para o corpo físico aquilo que me faz mal.

Se você vivenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo. Jesus nos dizia que quem quisesse segui-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele(Jesus) que você entendeu a lição. Creia que seu filho, seu familiar, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer. Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado. Não houve castigo, houve libertação.

No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero. Procure ajuda. Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou “olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer”. A isso chamamos de suicídio e não amor.

Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia. E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo. Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados. Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo. Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.

Paz e luz

Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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ESTOU NO MUNDO, MAS NÃO SOU DO MUNDO

Marcus Vinicius

Indagando Pilatos diretamente a Jesus se Ele seria o rei dos judeus, adveio a pronta resposta: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente haveria combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (João, 18:33, 36 e 37).

Essa frase, de extrema profundidade filosófica, ecoou pela atmosfera terrestre e percorreu os séculos, tendo sido objeto de profundos estudos e interpretações. Enfrentando a questão com o auxílio da Espiritualidade, Allan Kardec nela encontrou a indicação clara de que o Mestre se referia à vida futura, isto é, ao Mundo Espiritual de onde todos os Seres Espirituais procedem e para onde retornam, dando cumprimento às Leis Divinas de Progresso e de Justiça.

Apesar do Reino do Senhor não ser deste mundo, era preciso que nele estivesse para dar os impulsos necessários à mais importante reforma nos conceitos morais. Com efeito, na época os valores espirituais eram acanhados, impregnados de interesses subalternos, com largo espaço para os desvios pela porta larga dos prazeres. Certo é que ao cabo de sua missão Jesus se deixou regozijar: “Eu venci o mundo!”.

Está claro que o “mundo” a que se refere o Evangelho não é o Planeta Terra fisicamente considerado, mas o conjunto que envolve as condições morais, espirituais, éticas, jurídicas, reinantes tanto na crosta quanto em sua atmosfera, incluindo-se nele o mundo espiritual que em seu entorno gravita por força da lei de atração, e que com ele interage.

Considerando que a obra do Cristo consistia em implantar conceitos novos e adquirir adeptos da primeira hora para difundirem seu Evangelho, não poderia de pronto impor toda a verdade, até porque nem seus discípulos a entenderiam por completo. Oportunas as lições adicionais, dentre as quais destacamos as de Paulo para melhor ilustrar o tema ora desenvolvido em torno da liberdade do Espírito não só quando se cuida de ideias arraigadas, mas quando enfoca o desprendimento integral das ideologias inúteis.

Assim é que, em Gálatas (2:19) decreta: “Porque eu pela lei estou morto para a lei, para viver para Deus”. Demonstra sua liberdade de convicção, desafiando sacerdotes e autoridades que impunham a obediência cega a centenas de preceitos vetustos, que obstaculizavam a implantação da Boa Nova, que tinha por fundamento a Lei do Amor. Assim deu mais um testemunho de sua fidelidade ao Cristo, que havia declarado que não viria para destruir a lei, mas para dar-lhe cumprimento, em referência clara às Leis de Deus (Mateus, 5:17 e 18).

Estar “morto para a lei” significa que ele não a aceita mais, por haver entendido plenamente a filosofia do Cristo, libertando-se para dar-se a Deus, sem necessidade de participar de ações cerimoniosas para monstrar-Lhe sua obediência.

No versículo seguinte (Gálatas 2;20) o Apóstolo dos Gentios arremata a questão com um pronunciamento de profunda inspiração: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. E a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim”.

Extraímos de suas palavras exatamente o seguinte: estou no mundo, vivo nele, mas não pertenço mais a ele. Ele também venceu este mundo, com seus percalços e desafios, embora em situação diferenciada da do Cristo.

Em nosso entender, vencer o mundo tem conteúdo mais abrangente, pois não implica em deixar apenas a esfera física do Planeta, mas as camadas espirituais que lhe estão adjuntas. Sim, porque os Espíritos que as habitam são como nós, imperfeitos uns, mais evoluídos outros, em luta constante com suas próprias tentações. Deixar de vez o mundo, vencê-lo, é ir para os altiplanos da Espiritualidade.

No caso de Jesus, está claro que Ele nunca foi deste mundo ao dizer “Meu reino não é deste mundo”, embora as revelações espirituais confirmem ser Ele o Governador do Planeta. Espírito sublime e angélico, que administra e provê os destinos dessa nossa casa material, sede de oportunidades para transformações morais.

Por óbvio, sua condição fluídica não guarda equivalência com a nossa e não está imantado ao globo como nós ainda nos encontramos. Nem seria o caso de habitar outro planeta, porque sua estrutura espiritual dispensa reencarnação em qualquer tipo de ambiente por menos materializado que seja.

Quanto a Paulo, formado em ciências jurídicas, cumpridor da lei dos homens e fiel às imposições religiosas da época, com certeza o temos como paradigma do homem do Planeta Terra. Era, pois, do mundo, até o momento em que, resoluto, deu um importante passo à frente, desligando-se definitivamente dele. Este é o exemplo a ser seguido.

Estudando-se um pouco da biografia conhecida do Apóstolo Paulo, observa-se a luta íntima por ele travada ao longo de sua jornada. E, a partir daí, algumas pessoas poderiam indagar se teríamos todos nós de passar por dificuldades semelhantes para merecer a mesma emancipação. A resposta é bem simples: cada individualidade tem seus próprios méritos, experiências, aptidões, inclinações, e nutre disposição para reformas conscientes, que exigem meios menos ou mais dolorosos, tudo atrelado à consciência e à vontade de aceleração de seu próprio crescimento. Por isso, generalizar não se pode, mas o simples fato de se implantar a reforma de hábitos já implica em desafio que gera consequências.

O certo é que todos nós, invariavelmente, caminhamos para a regeneração. Em momento certo, deixaremos este mundo. Mas para que isso ocorra, é necessário investir na reforma dos sentimentos e na libertação dos interesses materiais, de molde a nos acostumarmos, desde já, a estarmos nele, sem sermos dele, sabido que Deus construiu o mundo para nós nos aperfeiçoarmos, mas não nos criou para ficarmos definitivamente nele. Isto porque “há muitas moradas na casa de meu Pai” (João, 13:1 a 3), cada qual preparada especialmente para servir de abrigo temporário para Espíritos que se vão evoluindo ao longo dos milênios.

Precisamos estagiar neste mundo, como já o fizemos em outros. Quando conseguirmos entender que esse abrigo material é destinado a nos proporcionar meios para nossas experiências e que, transposta essa fase outras se apresentarão para novos e superiores desafios, já não lhe teremos apego. Então, será o momento de alçar voo em direção a outros mundos, outras ideias, outros núcleos de convivência espiritual, mantendo apenas a leve recordação dos tempos idos. A evolução não tem fim, mas sua realização pode se tornar nossa meta, desde já.

Marcus Vinicius

Fonte: Espiritismo na Rede

Referências:

EVANGELHO SEGUNDO O EPIRITISMO – Allan Kardec – Tradução Guillon Ribeiro – FEB – Cap. II.

PAULO E ESTÊVÃO – pelo Espírito de Emmanuel – Psicografia de Francisco Cândido Xavier – FEB

PAULO DE TARSO – Huberto Rohden – Editora Alvorada

JESUS DE NAZARÉ- Uma narrativa da vida e das parábolas – Frederico G. Kremer – FEB, págs. 95 e 96

AOS GÁLATAS – A Carta da Redenção – L . Palhano Jr. – Publicações Lachâtre – pág. 80.

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Presença de Chico Xavier

Divaldo P. Franco

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Há vinte anos, na data de hoje, desencarnava Chico Xavier, o apóstolo espírita da mediunidade.

Não obstante esse doloroso fato fosse aguardado, ainda experimentamos, todos aqueles que o amamos, o choque da separação física.

Há tempos, quando indagado a respeito do dia da sua volta à Espiritualidade, ele já bastante enfermo respondeu, sorrindo: – No dia em que os brasileiros estiverem muito felizes, eu retornarei à Pátria espiritual.

Ao anoitecer desse dia 30 de junho de 2002, o Brasil logrou o título de pentacampeão nos jogos mundiais de football.

Havia uma efusão de júbilo em todo o território nacional, como em outros países por essa vitória, porém, no seu lar em Uberaba, ele despertou e perguntou a um amigo que velava ao seu lado: – O Brasil ganhou o campeonato mundial?

O amigo, em júbilo, respondeu: – Sim, Chico!

Ele sorriu e começou a balbuciar: – Pai nosso, que estais no Céu…

Apagou-se o som da sua doce e terna voz, o corpo sofrido começou a enrijecer-se e Chico Xavier desencarnou nobremente, encerrando o seu mediunato no planeta terrestre.

O país e parte do mundo físico enternecidos choraram de saudade, de gratidão, de amor e ternura pelo homem que vencera todas as barreiras e tentações imagináveis para servir a Jesus e, em Seu nome, à humanidade.

Os dias e as noites de Uberaba jamais voltariam a ter o brilho e a segurança moral da fraternidade e do bem, qual ocorrera nos dias precedentes àqueles.

O enterramento do seu corpo foi algo enternecedor. As homenagens, o reconhecimento pelo afeto, o carinho de centenas de milhares de pessoas encheram a cidade, enquanto um helicóptero derramava pétalas de rosas sobre o féretro imenso.

Depois, foram as saudades…

A sua obra continuou sendo publicada. Centenas de mensagens inéditas foram reunidas em livros de esperança e consolação; o pequeno e expressivo museu organizado por Eurípedes, que exerceu a função de filho adotivo, passou a receber visitantes de toda parte, e a sua memória prossegue como fonte de inexaurível sabedoria e consolo moral nestes dias de sombra que dominam a sociedade contemporânea.

Após esta primeira vintena de anos da sua desencarnação, pergunta-se: faz falta a presença física de Chico Xavier? Qual foi o seu legado? Por onde o extraordinário servidor de Jesus? Ter-se-á já reencarnado? E as mensagens publicadas que lhe são atribuídas?

A vida de Chico Xavier é a sua mensagem perene, e o trabalho ao lado dos Emissários de Jesus em favor das criaturas humanas é a lição que nos oferece, assim como o tesouro mediúnico insuperável que nos legou com carinho e bênçãos.

Nunca, qual hoje ocorre, necessitamos tanto de fé religiosa, de paz, a fim de vencermos a sombra e nos integrarmos à Verdade.

Divaldo Pereira Franco.

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 30 de junho de 2022.

Fonte: Correio Espírita

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Prece: Uma Conexão com Deus

Ana Paula Januário

“A forma nada vale, o pensamento é tudo. Ore, pois, cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.”

(Allan Kardec – ESE-Cap. XXVIII)

Como consta no livro “A Prece Segundo o Espiritismo” por Allan Kardec:

“A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus. Quando oramos para outros seres, e não para Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem a vontade de Deus”.

O objetivo da prece é elevar nossa alma a Deus como consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, seja por meio de palavras ou do pensamento, realizada tanto em particular como em público. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele (KARDEC, 2008, questão 659).

Tendo em mente essas informações, a prece é sempre uma projeção do pensamento que estabelece uma corrente fluídica que depende do seu teor vibratório, ou seja, depende da vibração de quem ora. Acaba sendo refúgio, a calma, o reconforto para muitas pessoas aflitas, de corações magoados. Quem nunca fez uma oração direcionada a Deus, ou a Jesus, o Cristo, ou, ainda, para nosso Espírito Protetor, nosso Anjo da Guarda? Nesses momentos sabemos que podemos contar com eles, sabemos que estamos sendo ouvidos e no momento certo no santuário da consciência, uma voz secreta responde: É a voz dAquele donde dimana toda a força para as lutas deste mundo, todo o bálsamo para as nossas feridas, toda a luz para as nossas incertezas. E essa voz consola, reanima, persuade; traz-nos a coragem, a submissão, a resignação estóicas. E, então, erguemo-nos menos tristes, menos atormentados; um raio de sol divino luziu em nossa alma, fez despontar nela a esperança (DENIS, 2005).

Devemos lembrar que sempre podemos ter esse momento íntimo com Deus, dirigir a palavra e adquirir a tranquilidade para aquele momento, seja em casa, na rua ou dentro de um centro espírita. Não importa o local na qual se encontre, a prece faz com o ser entre em comunhão com Deus a fim de receber seu auxílio e proteção.

Em consequência disso, vale lembrar que não necessitamos utilizar palavras pomposas, ser formal para realizar uma prece. Como consta na coletânea de preces espíritas do Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo XXVII:

“A principal qualidade da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos que não são enfeites de brilho falso. Cada palavra deve ter a sua importância, revelar uma ideia, movimentar uma fibra: uma palavra, deve fazer refletir; só com essa condição, a prece pode alcançar o seu objetivo, de outro modo, não é senão ruído. Vede também com que ar de distração e volubilidade elas são ditas na maioria das vezes; veem-se lábios que se movimentam, mas, pela expressão da fisionomia e mesmo o som da voz, reconhece-se um ato maquinal, puramente exterior, ao qual a alma permanece indiferente”.

Em consequência disso, a prece também não deve ser uma ação engessada, repetir palavras, fórmulas determinadas, um movimento mecânico de lábios. A prece é vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder (XAVIER, 2004).

Como sempre falamos, Deus que é justo e misericordioso, nunca deixa uma prece sem resposta. Devemos ter em mente que uma oração, filha do amor, não é apenas uma súplica, é comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos (XAVIER, 2004). Portanto, manter um hábito constante e diário para realizar uma prece a Deus e nossos amigos espirituais, é de suma importância para saúde, principalmente mental. Além de atrair o auxílio de espíritos benfeitores que vem nos sustentar e inspirar-nos bons pensamentos, sejam eles através da intuição ou da inspiração.

Quando oramos temos a capacidade de emitir vibrações mentais que acabam se espalhando pelo ambiente por meio das correntes do pensamento e emitindo o bem para nossos semelhantes.

Dessa forma, que a cada dia possamos colocar em prática essa ação, possamos entrar em contato com Deus e perceber a eficácia, efeitos e resultados obtidos, como citar Chico Xavier no livro Missionários da luz pelo espírito André Luiz:

“Os […] raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência. Toda prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de energias da Divindade”.

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

Centro Espírita Nosso Lar: O poder da Prece, 2019. Disponível em:  https://nossolarfraiburgo.com.br/o-poder-da-prece-2/ Acesso em 30 nov. 2021.

DENIS, Léon. Depois da morte. Tradução de João Lourenço de Souza. 25. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Quinta parte, cap. 51 (A Prece), p. 295.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008. 214 p.

KARDEC, Allan. A prece segundo o espiritismo. 1. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2016.

XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 38. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. 6 (A oração), p. 83 e 84

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