Responsabilidade solidária

As dores que dominam a humanidade nascem de cada um de nós, dos erros que praticamos, das omissões em que incorremos, da desatenção que pomos em tudo o que não nos interessa frontalmente. Por isso é que, entra ano, sai ano, temos a impressão de que a Terra piora, os homens se tornam mais frios e calculistas, mais interesseiros e egoístas.

Na realidade, porém, o número dos que confiam em Deus e dão alguma coisa de si, do seu esforço, para a melhoria do mundo tem crescido, ainda que nem todos disso se apercebam.

Dizemo-lo pelo desenvolvimento que o Espiritismo Cristão vem registrando, principalmente neste campo de observação mais ao alcance da nossa análise. Acontece que hoje se faz às escâncaras o que, em outros tempos, era feito ocultamente.

Agora; o despudor é maior, graças à influência mais forte e decisiva dos meios de comunicação que divulgam depressa e amplamente ideias tidas como importantes alterando negativamente, às vezes, os costumes e impondo hábitos de desbragada liberdade ao homem, à mulher, aos jovens e crianças em geral. Teorias anticristãs exaltadas por corifeus do materialismo, invadiram todos os países ocidentais, propugnando o abandono da educação moral, a pretexto de resguardar a criatura humana da compressão psicológica; notem que tudo isso sucede preponderantemente nesses países, ditos cristãos.

O “berço”, a “educação de berço” como se dizia em outros tempos, tem sido abandonada em muitos lares, porque os pais nem sempre se capacitam das responsabilidades que assumem ao contraírem casamento. Há propaganda contra o casamento tradicional no cinema, no teatro; na televisão e no rádio.

Defende-se o adultério e as aberrações sexuais. A procriação é encarada quase que como um erro clamoroso e são estimulados abusos que rebaixam a espécie humana, das quais resultam consequências tristes, dramáticas, dolorosas, fáceis de imaginar. Homens e mulheres procedem como animais, irmãos irracionais que, fiéis às leis da Natureza são, nesse particular, superiores às criaturas humanas degeneradas pelo vício.

Somos vaidosos, por aceitarmos que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Não devemos interpretar ao pé da letra o que é de caráter implicitamente simbólico, como, por exemplo, que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança, conforme diz o “Gênesis”1:26: “Disse também Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” e (v. 27) criou, pois, Deus, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Mas na Bíblia está, outrossim, que Deus, depois de haver formado o homem do pó da terra, compreendendo que não seria bom que o homem estivesse só, adormeceu-o e… eis o trecho: “Disse, mais Deus Jeová.: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja idônea. (…) Fez Deus Jeová cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; então tomou uma das costelas do homem e fechou a carne no lugar dela. Da costela que Deus Jeová tinha tomado do homem formou a mulher, e a trouxe ao homem. (…) Portanto, deixa o homem a seu pai e a sua mãe, e se une a sua mulher; e são uma só carne.” (2:18. 21, 22 e 24).

Apreciamos e respeitemos o que está na Bíblia, sem, contudo, deixar de exercer o discernimento que Deus nos deu. Mas, se Deus disse “Façamos” e “nossa semelhança”. então, amigos, dar-se-á o caso de não haver estado Ele só, quando operou essas criações? Quem seria o seu acompanhante, ajudante, assistente, assessor ou que melhor nome tenha? Chi lo sa? É natural que estranhemos, pois, lá por volta dos séculos IV e V um poeta cristão, de nacionalidade espanhola – Aurélio Clement Prudêncio -, apresentou uma teoria imaginosa, como tantas outras que andam por aí, segundo a qual o Diabo fizera crer aos outros anjos que ele era o autor e criador de si mesmo e que não devia por isso a Deus a sua existência. O Diabo também se gabava de haver sido o criador da matéria extraindo-a do seu próprio corpo.

Não há dúvida de que o Diabo, Satã, Demônio ou outro qualquer nome, foi uma das invenções mais célebres da história da humanidade. Tem servido para muita coisa, uma das principais a chamada “política do campanário”. Com o que se gastou com esse mito e suas terríveis proezas poder-se-ia ter acabado com a fome e a miséria na Terra. Mas os “teólogos” da antiguidade precisavam de alguma coisa que assustasse as criaturas humanas e as tornassem, pelo medo, submissas e manobráveis aos planos dos que mandavam e desmandavam, ao sabor de interesses que variavam entre o desejo de reprimir o mal com a aplicação do mal e o de encontrar uma solução cômoda, transferindo para o Diabo, um mito, a responsabilidade dos vícios e erros humanos.

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Ora, “Satanás, Diabo, Demônio, são nomes alegóricos pelos quais se designa o conjunto dos maus espíritos empenhados na perda do homem”. Não se trata, pois, de um espírito especial, “mas a síntese dos piores Espíritos que perseguiam os homens, desviando-os do caminho de Deus. Desviavam-nos porque os maus Espíritos sempre se aproveitam das falhas de caráter, vícios, e defeitos morais dos homens para induzi-los à prática de ações prejudiciais ao Bem.

No fundo, na encenação alegórica apresentada pela Bíblia, há a verdade oculta pelo véu da letra. O homem, uma vez formado e em condições de exercer o livre-arbítrio que lhe é dado com oportunidade, passa a ser responsável por seus atos. Instruído sobre a conveniência de seguir o caminho reto, quando falha, torna-se responsável por sua falta. De acordo com a Lei, que o pune na proporção da gravidade da infração cometida, sofre.

Quanto mais reincide, mais padece. De nada adiantará gritar contra a dor, se não tomar a resolução de mudar seu comportamento. Foi isto que Jesus veio esclarecer e esclarece com extraordinária lucidez em seu Evangelho. Ele não veio modificar a lei transmitida através de Moisés, veio cumpri-la dando-lhe correta interpretação. Porque o Diabo é um símbolo apenas.

Eis por que devemos ter cuidado até com o que pensamos, porque o pensamento tanto pode exercer influência favorável, positiva, como desfavorável, negativa, contra e a nosso favor, contra e a favor de terceiros. O mal que podemos causar a outras pessoas quando emitimos pensamentos de inveja, ódio, despeito, antipatia, etc., recai sobre nós, aumenta o nosso débito cármico. O Evangelho de Jesus veio para que a humanidade pudesse ter mais operantes elementos de auto educação moral e, igualmente, para, colaborar na educação e reeducação de seus semelhantes. Desde que nos eduquemos para o bem, higienizando as ideias que emitimos, as palavras que proferimos e os atos que praticamos, impediremos a poluição da nossa mente e da mente daqueles que recebem nossas vibrações.

Ajudando-nos a melhorar, também contribuiremos para melhorar o ambiente em que estamos e, concomitantemente, colaboraremos para ajudar a humanidade a melhorar também. A felicidade do mundo não é conquista fácil e a curto prazo. Pelo contrário. Mas, se cada qual, a despeito das dificuldades e até dos insucessos, não desistir de procurar realizar o bem, mesmo quando o mal aparente ou não seja o resultado provisório dos seus esforços, plantará semente benéfica, cujos frutos surgirão fatalmente, mais cedo, ou mais tarde.

Os que acreditam na existência real do Diabo e os que possam acreditar na fantasia de ele ter sido o criador de si mesmo, poderão admitir, talvez, que tenha sido ele o “outro” que estaria com Deus quando o homem foi criado? Quantos absurdos juntos! Mais ainda: se o Diabo foi o criador de si mesmo é porque já existia quando se criou… E caímos ainda mais na confusão de palavras, tentando dar nexo a esse contra senso.

Pensemos no que temos a modificar em nós, ao mesmo tempo procurando consolidar as virtudes, se é que já possuímos alguma. O mal do mundo é derivado do mal dos homens, que ainda persistem em não reconhecer a realidade de uma Inteligência Prodigiosa – DEUS, que dirige os mundos e a vida. Mas porque Deus? – perguntarão os céticos. Porque foi esse o nome que se convencionou dar a essa Inteligência Superior que excede a qualquer definição humana. Como pode o inferior negar o superior, o finito contestar o infinito, o mal sobrepujar o bem? Tudo é questão simples de lógica mais elementar. Deus não deixará de existir só porque os materialistas O negam, apegados ao ateísmo tolo de quem contesta o que está além da sua capacidade de julgar. Mas, como todos estamos sujeitos a reencarnações progressivas, nós e os que negam a Deus, dia virá em que os contestadores compreenderão o que hoje recusam aceitar, com empáfia ridícula, pois estamos todos subordinados ao mecanismo psicovibratório da Lei de Causa e Efeito, que registra, aceita e devolve a cada um os sentimentos experimentados e externados no curso de sua existência. Os sentimentos, que são forças vibratórias que saem de nós, voltam para nós, beneficiando-nos ou castigando-nos conforme sua natureza.

Tudo quanto de mais secreto queiramos saber de Deus poderá ser, um dia, do nosso conhecimento, quando nos encontrarmos suficientemente evoluídos para suportar o impacto de tão transcendentais  revelações.

Não nos esqueçamos, entretanto, de que somos responsáveis na situação atual do mundo, por nosso passado espiritual ou por nosso presente delituoso. E há somente um caminho de alívio até que seja eliminado o peso dessa imensa cumplicidade: praticar o bem, exercitar sem esmorecimento a fraternidade, fazendo pelos outros pelo menos o que desejamos que os outros nos façam. Fora daí nada conseguiremos, a não ser sobrecarregar o fardo que carregamos, multiplicando nossas preocupações e nossos sofrimentos, porque estamos num mundo em que tudo tem de ser solidário. Busquemos o melhor, sendo solidários com o bem.

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)
Revista Reformador (FEB) Dezembro 1976
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A Astrofísica e o Espírito

Luís de Almeida

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Dizer que vivemos num mundo material, hoje em dia é simplesmente uma força de expressão, pois vivemos num mundo eminentemente energético.

 

A Teoria-M, vem de encontro à existência de uma partícula divina consciêncial no final da escala das partículas subatómicas. Esta, está em constante aperfeiçoamento, afirmando que os quarks, a mais ínfima partícula subatómica conhecida até o momento, estariam ligados entre si por supercordas que, de acordo com sua vibração, dariam a “tonalidade” específica ao núcleo atómico a que pertencem, dando assim as qualidades físico-químicas da partícula em questão. Querer imaginá-las traduz um enorme esforço mental, para termos uma ideia: o planeta Terra é dez a vinte ordens grandeza mais pequeno do que o universo, e o núcleo atómico é dez a vinte ordens de grandeza mais pequeno que do que a Terra. Pois bem, uma supercorda é a dez a vinte ordens mais pequena do que o núcleo atómico.

 

O professor Rivail, esclarece in O Livro dos Espíritos (1):

 

  1. A matéria é formada de um só ou de muitos elementos?

– De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.

 

Ou seja, é a vibração dessas infinitesimais cordinhas que são as responsáveis pelas características do átomo a que pertencem. Conforme vibrem essas dariam origem a um átomo de hidrogénio, hélio e assim por diante, que por sua vez, agregados em moléculas, dão origem a compostos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a pelo menos 11 dimensões.

 

Corrobora Allan Kardec In O Livro dos Espíritos (1):

 

  1. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?

– Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.

 

  1. Vimos que o Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro?

– É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigénio e o hidrogénio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio.

Essa teoria traz a ilação de que tal tonalidade vibratória fundamenta é dada por algo, de onde abstraímos a “consciência” ou espírito como factor propulsor dessas cordas quânticas. Assim sendo, isso ainda mais nos faz pensar numa unidade consciencial vibrando a partir de cada ser. Complementa Kardec In O Livro dos Espíritos (1):

 

  1. É eterna a lei de Deus?

– Eterna e imutável como o próprio Deus.

 

  1. Onde está escrita a lei de Deus?

– Na consciência.

Seguindo esta teoria e embarcando na idéia lançada por André Luiz In Evolução em Dois Mundos (3), onde somos co-criadores dessa consciência universal, e cada vez mais responsáveis por gerir o estado vibracional das nossas próprias cordinhas à medida que delas nos conscientizemos, chegaremos à harmonia perfeita quando realmente entrarmos em sintonia com a consciência geradora que está em nós – espírito, e também no todo, vulgarmente conhecida por Deus, ou como alguns físicos teóricos sustentam “O Supremo Agente Estruturador”

 

Socorramo-nos novamente do Codificador In O Livro dos Espíritos (1):

 

  1. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

– A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio – não há efeito sem causa.

 

  1. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?

– Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.

 

Interpretemos Allan Kardec In A Génese (2) Cap. II – A Providência:

 

  1. – «A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a acção providencial. «Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores actos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua acção, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas actividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.»

 

Esta consciência única do raciocínio quântico, transforma-se em dois elementos: um objectivo e outro subjectivo. O subjectivo chamamos de ser quântico, universal, indivisível, como tão bem o dr. Hernâni Guimarães de Andrade definiu. A individualização desse ser é consequência de um condicionamento. Esse ser quântico é a maneira como pensamos em Deus, que é o ser criador dentro de nós.

 

Voltemos ao génio de Lyon In A Génese (2) Cap. II – A Providência:

  1. – Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo facto de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da Natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz.

 

Costumamos a avaliar Deus como algo unicamente externo. Pensamos em Deus como um ser separado de nós. Isso, é uma causa dos nossos conflitos internos. Se Deus também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que Deus está exclusivamente do lado de fora, então, supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Não podemos excluir a nossa vontade, dizendo que tudo ocorre pela vontade de Deus. Temos de reconhecer o deus que há em nós, como afirmou o Doce Amigo há 2000 anos, “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”, então, seremos livres.

 

Allan Kardec atesta in A Génese (2) Cap. II – A Providência:

  1. – «(…) Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas acções lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.

 

Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.»

 

A Astronomia continua surpreender a Humanidade ao revela-nos as leis Divinas, transformando paulatinamente o nosso olhar, e, este, tornar-se-á mais simples, como seres imortais que o somos e co-criadores do universo e seus herdeiros.

 

  1. Herculano Pires resume: “Na verdade, o desenvolvimento da ciência se processa exactamente na direcção dos princípios espíritas.”.

 

* Membro e colaborador do CECA – Centro Espírita Caridade por Amor

Rua da Picaria, 59 – 1º Frente 4050-478 Porto

www.ceca.web.pt

 

Luís de Almeida

(PORTO – PORTUGAL)

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Fonte: Espiritualidade e Sociedade

Bibliografia:

(1) Kardec, Allan em O Livro dos Espíritos – Edições FEB 76ª edição

(2) Kardec, Allan em A Génese – Edições FEB 36ª edição.

(3) Luiz, André em Evolução em Dois Mundos – Edições FEB 12ª edição

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Valorização do Evangelho com uma postagem

O legado de Jesus deixado à Humanidade, embora ainda não compreendido completamente, significa o maior tesouro de princípios morais já trazido para o ser humano. Roteiro claro de harmonia na convivência e felicidade real interior, ilumina os caminhos de todos aqueles que almejam viver em paz de consciência, orientando as ações individuais e coletivas.

O caos ainda reinante no planeta é reflexo da não observação de suas suaves e doces recomendações, fruto de sua maturidade de alguém que tem experiência e autoridade moral para dizer o que disse. Apesar do pouco tempo que usou para trazer tais ensinos, Ele dividiu a história humana, embora nada tenha deixado escrito e usando o próprio exemplo pessoal de bondade, sacrifício e renúncia para ensinar o amor, vivendo-o ele mesmo diante de uma multidão incompreensiva, necessitada e carente sob todos os aspectos. Inclusive com o perdão à ignorância humana no último momento.

Ele bem poderia evitar a saga lamentável vivida no planeta, de sangue e dor, mas submeteu-se ao sacrifício e sua postura pioneira atingiu o sentimento humano para todo o futuro da humanidade. Ele não é o próprio Evangelho (este é a Lei de Deus), mas o incorporou tanto em sim mesmo que transpira e verte de si mesmo para a felicidade dos homens.

Uma postagem nas redes sociais

A divulgação de um belíssimo vídeo curto pela psicóloga Miraneide Dantas, originário de uma postagem de Nayra Pedrini, que é Presidente do Ministério Apostólico Unidade em Cristo, no Rio de Janeiro (RJ), causou grande repercussão na internet. E que chamou atenção de um grupo de evangelizadores em Matão (SP). Esse grupo adaptou a mensagem do vídeo com o perfil espírita para dramatizar em público numa apresentação para os pais, numa das costumeiras reuniões de evangelização da Comunidade Espírita Cairbar Schutel. A apresentação foi muito emocionante e convidei-os então para se apresentarem em duas de minhas palestras, aqui mesmo em Matão, no lançamento de meu recente livro Fascinação – Causas e Consequências (lançado pela FERGS editora).

Recortei o trecho da apresentação e separei para apresentar aos amigos. O vídeo é curto, apenas 10 minutos, e vai te emocionar também, pela singularidade da mensagem transmitida.

Você constatará por si mesmo o quanto a mensagem valoriza o Evangelho de Jesus, inclusive destacando a monumental obra de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Particularmente, muito me emocionei. E a apresentação surpreendeu o público.

Veja abaixo.

Fonte: Portal do Espírito

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Violência contra a mulher: um chamado à consciência e à ação

Recentemente, fomos impactados pela notícia de que, em nosso país, a cada seis horas, uma mulher é morta vítima de feminicídio. Todos os dias, no mundo, 140 mulheres são assassinadas por alguém de sua própria família. Os dados apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU) no relatório Feminicídio 2023 são alarmantes.

Desde 1999, a ONU instituiu o dia 25 de novembro como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Vale lembrar que violência é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, além de dano moral ou patrimonial. A expressão máxima dessa violência é a morte.

O mais assustador é que grande parte desses crimes é cometida por homens que, em sua maioria, são parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Estamos, portanto, diante de uma situação que exige dedicação máxima da sociedade para transformar essa realidade. E como a Doutrina Espírita pode colaborar nesse processo?

Na sequência, na questão n. 818, é explicado que a ideia de inferioridade feminina, ainda presente em algumas regiões, decorre do predomínio injusto e cruel que o homem impôs à mulher. Entre os homens moralmente atrasados, a força ainda se sobrepõe ao direito.

Não é difícil perceber que, em um mundo onde guerras, disputas de poder e narrativas de ódio ainda são tão presentes, a violência contra a mulher continua sendo uma triste realidade que assola a sociedade.

Em uma belíssima página do livro Religião dos Espíritos,intitulada “A mulher ante o Cristo”, o benfeitor Emmanuel destaca que o próprio Cristo, em suas ações, demonstrou uma forma amorosa e respeitosa de tratar as mulheres da sociedade de sua época. Não podemos nos esquecer de que, à exceção das patrícias do império, quase todas as mulheres daquela época sofriam grandes violências. O Mestre tocou as mulheres com seu amor, e estas responderam de forma incomparável ao seu chamado, com lealdade e devoção. Exemplos como Maria Madalena, Joana de Cusa e outras tantas demonstram o valor das mulheres no Cristianismo primitivo.

Passados mais de dois mil anos, ainda percebemos que o papel e a importância da mulher na sociedade carecem de atenção. Talvez estejamos diante de um ponto crucial para a humanidade: a necessidade de mudar comportamentos arraigados no orgulho e no egoísmo, que perpetuam a desigualdade e a violência. Ao superarmos essas barreiras, daremos passos significativos em direção a uma sociedade regenerada. Uma sociedade em que homens e mulheres convivam com admiração, respeito e amor será, sem dúvida, uma sociedade mais justa e evoluída.

Diante disso, é fundamental perceber que a busca por mudanças na realidade de violência, desigualdade social e falta de representatividade das mulheres deve ser um compromisso de todos. Essa causa deve ser defendida por todas as crenças e, especialmente, pelas casas espíritas. O combate à violência contra a mulher é uma luta de toda a humanidade. Enquanto não enfrentarmos as raízes dessa problemática e não agirmos ativamente contra essas máculas, não avançaremos como sociedade.

É válido nos questionarmos: estamos exercendo um papel ativo nessa transformação? Nossos exemplos para nossos filhos e para aqueles que nos rodeiam refletem essa responsabilidade? Aos homens de nosso tempo, é preciso mais do que reconhecer os dados alarmantes. Não basta dizer: “Eu não cometo violência contra minha mulher”. É necessário lembrar o que aprendemos com os benfeitores espirituais na codificação: para sermos agradáveis a Deus, não basta evitar o mal, é preciso fazer o bem.

Será que estamos fazendo todo o bem ao nosso alcance para que nossas atitudes contribuam efetivamente para combater a violência contra a mulher em nosso planeta? Reflita.

Fonte: Folha Espírita – Jornal

Referências

EMMANUEL (Espírito). Religião dos espíritos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 22. ed. Brasília, DF: FEB, 2019.

KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília, DF: FEB, 2019. Disponível em: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/WEB-Livro-dos-Esp%C3%ADritos-Guillon-1.pdf. Acesso em: 30 nov. 2024.

UNITED NATIONS (UN). Femicides in 2023: Global Estimates of Intimate Partner/Family Member Femicides. United Nations publication, 2024. Disponível em: https://www.unwomen.org/sites/default/files/2024-11/femicides-in-2023-global-estimates-of-intimate-partner-family-member-femicides-en.pdf. Acesso em: 30 nov. 2024.

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Abuso Infantil: A verdade crua que precisamos enfrentar

Rafaela Paes de Campos

 

Certamente, há coisas com as quais não gostaríamos de ter que lidar, mas, como muito nesta vida, às vezes vivenciamos algo que não causamos, mas que passa a fazer parte indelével da nossa história. E sangra!

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a pedofilia como um transtorno de preferência sexual e enquadra como pedófilos adultos que têm preferência sexual por crianças, geralmente pré-púberes ou no início da puberdade (VALADARES, 2021, on-line).

 

O cenário é verdadeiramente assustador. Dados da Fundação Abrinq escancaram que, no Brasil, a violência sexual afeta, na maioria dos casos, as crianças e os adolescentes. “Em 2022, por exemplo, das 62.091 notificações recebidas, mais de 45 mil tinham como vítimas pessoas com menos de 19 anos de idade. A proporção corresponde a 73,8% – isto é: em média, a cada quatro casos de violência sexual no Brasil, em três a vítima é criança ou adolescente” (ABRINQ, 2024, on-line).    

 

A mesma publicação alerta que em 68,7% dos casos o abuso ocorreu no âmbito familiar, sendo seguido por 5,3% em vias públicas e 3,9% em escolas (ABRINQ, 2024, on-line).

 

O abuso de crianças e adolescentes é tipificado pelo ordenamento jurídico brasileiro como estupro de vulnerável, art. 217- “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos” (BRASIL, 2009, on-line).

 

As consequências deste crime são as mais diversas, e embora variem de pessoa para pessoa, é unânime o entendimento de que ele deixará cicatrizes profundas. De acordo com a psicóloga especializada em psicóloga clínica e atendimento a vítimas de violência doméstica, são comuns a ansiedade, síndrome do pânico, comportamentos autodestrutivos, sexualização precoce, transtorno do estresse pós-traumático (57% das vítimas), sentimento de culpa, perturbação do sono, dores abdominais, enurese (perda do controle da bexiga durante o sono, encoprese (incontinência fecal), distúrbios alimentares, dificuldades na evolução psicoafetiva e sexual, dissociação, entre muitos outros (CHILDHOOD BRASIL, 2022, on-line).

 

Ninguém é o mesmo, e nem será o que poderia ser, depois de sofrer uma violência desta monta, ainda mais quando se é uma criança ou um adolescente. Se pensarmos no ponto de vista espiritual desta situação, é óbvio concluir que se trata de um erro dos mais graves, com claras consequências ao agressor, advindas dos mecanismos de Causa e Efeito.

 

Bem, sabemos que retornamos à vida material com um planejamento reencarnatório, chamado por alguns de destino, podendo “ser designado como uma série de acontecimentos em nossas vidas, programados previamente à reencarnação, com o apoio do plano espiritual superior, objetivando oferecer ao homem uma encarnação mais apropriada ao seu desenvolvimento espiritual, especialmente no tocante às provas e/ou expiações necessárias. Não existe improvisação nos procedimentos que antecedem as reencarnações, mas sim uma planificação baseada na lógica e na moralidade, objetivando o progresso espiritual do homem” (CARVALHO, 2020, p. 55).

 

Assim sendo, adentramos a uma nova vida carregando uma bagagem com nossos acertos e erros pretéritos, acrescidos do que fazer para que os deixemos para trás e evoluamos. Mas pela lógica da bondade já alcançada pela Espiritualidade Superior que nos acompanha na confecção desse planejamento, não há que se pensar que fariam constar atrocidades! Deus jamais permitiria que viéssemos fadados a cometer o mal ou ser vítima dele!

 

Um abuso sexual contra uma criança ou um adolescente, estaria previsto, portanto, no planejamento reencarnatório tanto da vítima quando do agressor? “Não, pois não há planejamento reencarnatório para o mal, conforme esclarecido em perguntas anteriores. Ainda que a criatura precise passar por provas e expiações, não condiz com a bondade e o amor infinito de Deus o planejamento prévio de uma situação de estupro, como mecanismo de resgate pela vítima de equívocos cometidos em vidas pretéritas, é dizer, mesmo que no passado a vítima possa ter cometido sérios equívocos na área sexual, o estupro nunca seria uma condição compulsória para o ressarcimento de dívida perante a Justiça Divina. Tal ato infeliz decorre do livre arbítrio do agressor” (CARVALHO, 2020, p. 108).

 

É preciso compreender, de uma vez por todas, que a Lei de Causa e Efeito é bastante diversa da lei do olho por olho, dente por dente.

 

Como claramente informado na citação da autora Evelyn Freire de Carvalho, ainda que haja necessidade de provas e expiações na área sexual, o estupro não seria uma escolha condizente com a Justiça Divina. Explica ainda a autora:

 

“Ao reencarnar, o indivíduo traz o passado impresso em si mesmo, de modo inextinguível, como núcleos energéticos presentes no inconsciente e no perispírito, irradiando-se a todo momento do nosso interior para o exterior, como reflexo das atitudes prejudiciais ou benéficas cometidas em existências pretéritas. No caso das vítimas de estupro são inúmeras as ocasiões geradoras da desarmonia genética, contudo se observa maior ênfase na área genésica, por ter sido no campo sexual a maior incidência dos erros do passado.

 

As ligações espirituais constituem-se no campo das vibrações, da sintonia, sejam positivas, decorrentes do amor e da fraternidade, sejam negativas, quando fundamentadas no ódio e no desamor, atravessado existências e mantendo os indivíduos conectados, de modo que cada pessoa tem um campo energético único de atração ou de repulsão, atraindo ou repelindo situações que reflitam sua história cármica, seus débitos, seus pensamentos e ações. Desta feita, por conta do campo energético da criatura e não de um planejamento reencarnatório, o agressor, conquanto inconscientemente, identifica-se com vítima e lhe causa do estupro” (CARVALHO, 2020 p. 110).

 

E ainda que a realidade energética de cada um de nós exista, assim como os erros anteriormente cometido, atenção! “No tocante ao agressor, é imperativo destacar existirem predisposições instintivas para o ato – que consideram o grau evolutivo do ser – fazendo-o se sentir atraído pela prática de atos repreensíveis, sendo auxiliado por Espíritos desencarnados que simpatizam com seus pensamentos e emoções, não havendo, entretanto, arrastamento irresistível, desde que exista a vontade de resistir” (CARVALHO, 2020, p. 108).

 

Portanto, é puramente o exercício do livre-arbítrio por parte do agressor. Por mais que tenhamos muito o que caminhar no campo de nossa evolução moral, já possuímos a inteligência plenamente desenvolvida, capacitando-nos a discernir o certo do errado!

 

Não há escusas ou explicações racionais para um ato deste porte, ainda mais quando se fala numa situação entre uma criança ou adolescente e um adulto!

 

Se, infelizmente, você conhece alguém que foi vítima de tal atrocidade, acolha! Esteja atento aos sinais de mudança do menor, quebre o ciclo do silêncio, não esconda esqueletos debaixo do tapete, pois eles não permanecerão ali para sempre. É de suma importância a imediata busca pelo apoio psicológico para a vítima e para sua família, além da denúncia e consequente responsabilização do agressor.

 

A escuta, o acolhimento e uma rede de apoio forte e concreta são ferramentas essenciais para a mitigação das consequências, evitando, inclusive, a revitimização, compreendendo e fazendo com que o menor entenda ser uma vítima, que agora ele está seguro e terá todo o apoio necessário ao seu processo de ressignificação interior dos fatos que o acometeram!

 

Não se cale! Denuncie! O abuso sexual na menoridade é uma mácula que acompanhará a vítima por toda a sua vida. Não há como esquecer, não há como não sofrer. Mas, um “colo” pode mudar muita coisa, sendo a linha que define, ao menos, uma vida com um pouco de paz.

 

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

ABRINQ. Veja os números da violência sexual infantil no Brasil. 2024. Disponível em:https://www.fadc.org.br/noticias/cenario-violencia-sexual#:~:text=Em%202022%2C%20por%20exemplo%2C%20das,v%C3%ADtima%20%C3%A9%20crian%C3%A7a%20ou%20adolescente.. Acesso em: 06/06/2024.

BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Incluído pela Lei nº 12.015 de 2009. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 06/06/2024.

CARVALHO, Evelyn Freire. A Imortalidade da Alma. Campos dos Goytacaez/Rj: Editora Letra Espírita. 2020.

CHILDHOOD BRASIL. Saúde mental: os impactos do abuso sexual na infância e adolescência. Disponível em: https://www.childhood.org.br/saude-mental-os-impactos-do-abuso-sexual-na-infancia-e-adolescencia/#:~:text=Ansiedade%2C%20depress%C3%A3o%2C%20s%C3%ADndrome%20do%20p%C3%A2nico,em%20adolescentes%20v%C3%ADtimas%20de%20abuso. Acesso em: 02/07/2024.

VALADARES, Pablo. Projeto define crime de pedofilia no Código Penal. 2021. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/721950-PROJETO-DEFINE-CRIME-DE-PEDOFILIA-NO-CODIGO PENAL#:~:text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de%20Sa%C3%BAde,ou%20no%20in%C3%ADcio%20da%20puberdade.. Acesso em: 06/06/2024.

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A necessidade da motivação no trabalho espírita

Por Eliana Haddad

As casas espíritas, pós-pandemia, ainda estão repensando qual a melhor forma de trabalhar e dar continuidade às tarefas de estudo, palestras e assistência espiritual.

É grande o desafio dos dirigentes espíritas, que se sentem, além de responsáveis pela condução das atividades nos centros, agora também pressionados pelas exigências de mudanças em função da rapidez da comunicação.

O Correio Fraterno busca esclarecimentos sobre o momento atual com a palestrante motivacional Samantha de Pardo. Ela é coordenadora da evangelização infantil do Grupo Espírita Assistencial e Filantrópico Joanna de Ângelis, em Santo André, SP, e colabora como espírita em diversas frentes.

Advogada, pós-graduada em psicopedagogia institucional e clínica, com bacharelado em letras e especialização em oratória e retórica na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Samantha, profissionalmente, desenvolve treinamentos em empresas e escolas, incentivando uma comunicação humanizada com propostas de transformação pessoal.

Como o dirigente espírita pode exercer melhor o seu papel diante das mudanças pós-pandemia?

A palavra mudança geralmente assusta. Temos a sensação de que passaremos por algum desconforto e é muito provável que isso aconteça. Porém o espírita entende que a principal característica da vida física é a impermanência, que tudo está em progresso e evolução e que a cada experiência nos modificamos. A insegurança é natural, mas pode ser intensificada, quando o dirigente interpreta que as mudanças são ameaças para a doutrina. Deve-se deixar claro que a ninguém foi outorgado o direito de alterar qualquer ensinamento dos espíritos ou do Cristo. A necessidade de rever, adequar e repensar se refere ao movimento espírita, às atividades desenvolvidas por homens, jamais à essência da doutrina.

Quais dinâmicas você indicaria para manter a motivação dos colaboradores e frequentadores dos centros espíritas?

Vamos usar aqui a palavra motivação no sentido de estimular. Essa pergunta é muito importante, porque “gente desmotivada desmotiva os outros” e, de repente, um grupo inteiro de trabalhadores passa a ir ‘se arrastando para o centro espírita’. A primeira dica é: reavive o propósito, sempre que possível. Saber o porquê de estarmos fazendo algo é crucial para que a atividade seja feita com alegria e dedicação. Não estamos na casa espírita ‘pelos outros’, mas porque nos comprometemos com a nossa própria evolução. A segunda: promova um ambiente de harmonia. Incentive que as pessoas cheguem alguns minutos antes para uma conversa amigável; mostre interesse pelo outro. Quando Jesus nos ensinou que Deus era ‘nosso Pai’, instituiu a irmandade entre os homens. Terceira: ouça as pessoas! Para sentir-se motivado o indivíduo precisa saber que faz parte de algo, que suas opiniões, sentimentos e colocações são levados em conta, mesmo que não atendidos. Separe um tempo para isso: promova conversas, envie mensagem perguntando sobre ideias e opiniões e, o mais importante, responda à sugestão, até mesmo aquelas que não sejam possíveis aplicar. Lembre-se que motivação é tarefa de cunho intrapessoal.

Você percebe alguma necessidade mais evidente que esteja exigindo uma atuação mais urgente nas casas espíritas?

Acredito na urgência da preparação daqueles que recebem os assistidos em seu primeiro momento na casa. Entrevistadores ou atendentes fraternos desempenham papel crucial no centro espírita e na vida dos assistidos. Todo o envolvimento na doutrina espírita está ligado a esse momento. Cada um de nós lembra, vividamente, do dia que ingressou e como foi atendido na casa. Esse primeiro contato pode definir a permanência na instituição e até mesmo na doutrina. Uma explicação equivocada, uma grosseria ou uma promessa de ‘milagre’ durante um acolhimento podem gerar proporções irreparáveis, dada a situação delicada daquele que chega.

Como você analisa a busca pelo espiritismo atualmente?

Tenho percebido que muitas pessoas não buscam uma religião para servir e sim uma religião que sirvam a elas. A exemplo da famosa história mitológica da Cama de Procustro, onde o violento personagem cortava as cabeças ou esticava os convidados para caberem em sua cama, as pessoas têm buscado o espiritismo até o ponto que este atenda as demandas e necessidades momentâneas, que em maioria tratam de dores e desconfortos. A doutrina oferece o acolhimento e consolo necessários, o azeite colocado sobre a ferida no homem socorrido pelo samaritano. Porém, logo em seguida, como na parábola, é necessário que se passe o vinagre, (aquilo que arde), ou seja, o estudo e o processo de autoiluminação. Nesse momento, percebemos um esvaziamento do número de frequentadores, confirmando que a busca pelo espiritismo ainda é superficial. Cabe a cada instituição trabalhar incessantemente para estimular esse frequentador e despertar sua consciência.

 As casas espíritas, geralmente, são administradas por pessoas com mais idade. Isso interfere na atuação dos jovens nas atividades da casa?

Acredito que sim. As diferenças nas características e os conflitos entre as gerações são de conhecimento evidente e campo de vasto estudo. Ainda enxergamos o diferente como ameaçador ou impróprio e não como colaborador. Essa postura reativa acontece tanto nas pessoas com mais idade como nos jovens. Para que a casa caminhe com a participação de todos, é necessário valorizar as diferenças. Gosto de uma frase que, apesar de extrema, diz: “Quando duas pessoas pensam da mesma forma, uma delas é desnecessária”. Precisamos ouvir quem pensa diferente e compreender que a distância das gerações promove olhares que se complementam. Um quebra-cabeças não se faz com peças iguais e uma gestão que valoriza o diálogo é menos egoísta, menos defensiva e acima de tudo mais amorosa.

Como melhor exercitar o equilíbrio entre autoridade e amizade nas relações nas casas espíritas?

Uma coisa é sermos amigos, outra coisa é infringir regras. Ser autoridade em alguma coisa não nos dá o direito de ser autoritário, mas traz responsabilidade e vigilância incansáveis. A amizade verdadeira proporciona o exercício de valores elevados, como empatia, paciência, compreensão e carinho. Quando aquele que ocupa a função diretiva percebe que há favorecimento, falta de respeito e ‘insubordinação’ sob a desculpa de amizade, tende a tornar-se autoritário, o que só aumenta o problema. O ideal é identificar, em conversa amigável e honesta, qual valor da amizade foi perdido para que a situação delicada ocorresse e, posteriormente, trabalhar para exercitá-lo. Ser inacessível para manter-se como autoridade, abrir mão de amizades, também não garante o desempenho satisfatório da função. Amizade nunca será um problema se administrada dentro das virtudes que promove.

Se você tivesse que auxiliar um dirigente espírita para que ele desempenhasse melhor a sua performance, o que você faria?

Eu o auxiliaria na comunicação. A casa é feita de pessoas que se relacionam através da conversação. Se existe algum ‘ruído’ nesse processo, as consequências são desastrosas. Melindres, fofocas, equívocos, maledicência, mágoas são exemplos de uma comunicação equivocada. Na hora de dizer ou escrever algo, pense naquele que receberá a mensagem, em todos os envolvidos na ação comunicativa. Escreva e fale como você gostaria de ouvir e não apenas como você gostaria de falar. Comunique-se, não desabafe. Elabore sua fala com cordialidade, clareza e objetividade. Colocar-se no lugar de quem escuta vai além de uma habilidade comunicativa, corresponde ao ensinamento do Cristo e revela empatia e amor ao próximo.

Como o progresso nas ciências administrativas pode ajudar na eficiência das atividades na casa espírita?

A doutrina ensina-nos que o progresso do homem há de ocorrer nos aspectos moral e intelectual. Assim, todo avanço intelectivo é válido. Associá-lo ao empreendimento moral é ainda mais louvável. A casa espírita que conta com conhecimentos e avanços na área da administração financeira correrá menos riscos de passar por dissabores, em decorrência da má gestão de recursos. Nenhuma casa pode legalmente funcionar sem estatuto, inscrições entre outras burocracias. Assim, o conhecimento técnico é de suma importância. Um fluxograma, por exemplo, bem realizado e entregue aos tarefeiros responsáveis evita desencontros e facilita o escoamento e direcionamento dos assistidos. Esquivar-se do conhecimento que promove o bem fazer é recusar o aperfeiçoamento.

Quem busca a casa espírita hoje têm acesso a uma infinidade de informações na internet. Como manter o centro atualizado frente às novas demandas?

Estamos sofremos de algo chamado Information overload (sobrecarga de informações). Uma revista de renome trouxe a afirmação de que uma criança de 7 anos de hoje tem mais informações do que um imperador romano. Sabemos que os combatentes do espiritismo possuem conhecimento profundo da doutrina. Se por um lado nos espantamos com essas colocações, por outro, fica evidente que deter a informação não é de grande vantagem. Nunca será apenas sobre o quanto se sabe, mas sobre o que fazer com o que se sabe. A casa que se comportar como detentora e fornecedora exclusiva de informação será rapidamente engolida por qualquer site de pesquisa. Nossos centros espíritas não devem ser fontes informativas, e sim fontes transformadoras.

Como melhor estudar as obras de Kardec?

Na hora do estudo é importante deixarmos de lado uma consideração muito difundida, mas não verdadeira em sua essência, de que a doutrina espírita é difícil de ser compreendida. Devemos substituir difícil por trabalhoso. Todo aquele que se proponha a estudar algo deve estar disposto ao esforço e dedicação. Vale ainda lembrar que a organização dos textos, perguntas, colocações e livros foram realizados por um professor, Kardec, e já possuem estrutura didática. Há risco no estudo quando as interpretações passam a ser pessoais e carregadas de conceitos subjetivos. Assim, para manter a fidelidade dos estudos é necessário debruçar-se sobre o texto. A clareza e firmeza das considerações dos espíritos afastam qualquer interpretação tendenciosa. No início de grande parte das respostas de O livro dos espíritos, encontramos objetividade: sim, sem dúvida, não, é evidente, bem longe disso, isso é verdade, certamente… O sucesso do estudo depende do esforço e paciência de ler pausadamente cada linha, cada palavra, silenciar nossos barulhos internos para entender o que os espíritos falam e não o que nós gostaríamos que eles falassem. Posteriormente, extraído o novo conhecimento, colocá-lo rapidamente em prática para que se torne inesquecível.

Por que o jovem se afasta do espiritismo quando começa a ter acesso às universidades, ao mercado de trabalho, à vida adulta?

Acredito que inúmeros sejam os motivos. O argumento clássico é o de que não há mais tempo para dedicar-se à mocidade espírita. Porém, se tomarmos os trabalhadores mais envolvidos nas tarefas da casa, descobriremos que são pessoas que possuem uma vida agitada e cheia de compromissos, ou seja a ‘falta de tempo’ não é exclusividade de quem está ingressando na faculdade. Partimos assim para um outro raciocínio. Fazendo um paralelo entre esses dois mundos propostos aos jovens, temos o exterior e o interior. A vida e preocupações mundanas ocorrem em um processo ‘fora’. tornando-se mais fácil, conveniente e lucrativo. Do outro lado, o espiritismo ocorre para ‘dentro’, figurando-se mais reflexivo, pessoal e desconfortável. Nesse impasse, na maioria das vezes, os jovens tendem a escolher o que lhes atende de forma mais imediata. Essa escolha pode ser facilitada, caso a proposta de estudo espírita não atenda às suas expectativas, seja não trazendo significado, seja posicionando-o como mero expectador.

Fonte: correio.news

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O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – CAPÍTULO XVIII

MUITOS OS CHAMADOS, POUCOS OS ESCOLHIDOS

Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor!' entrará no reino dos céus,  (Mateus 7:21-23). - YouTube

Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus

6. Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. – Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? – Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 21 a 23.)

7. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. – Quando caiu a chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. – Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derrubada; grande foi a sua ruína. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 24 a 27. – S. LUCAS, cap. VI, vv. 46 a 49.)

8. Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no reino dos céus aquele que os cumprir e ensinar. – (S. MATEUS, cap. V, v.19.)

9. Todos os que reconhecem a missão de Jesus dizem: Senhor! Senhor! – Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: “Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não comemos e bebemos contigo?” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniquidades, vós que desmentis com os atos o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que expoliais as viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes, porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade.”

São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranquilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia, o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão. (Kardec)

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– Ensinamento de Jesus: “Ninguém deita remendo de pano novo em veste velha. […] Nem se deita vinho novo em odres velhos”. (Mateus, 9:16-17)

O Evangelho, para ser integralmente entendido e vivenciado, requer rompimento com os antigos padrões comportamentais, assimilados ao longo das experiências reencarnatórias, aqui representados pelos símbolos “veste velha” e “odres velhos”.

“A MENSAGEM DO CRISTO PRECISA SER CONHECIDA, MEDITADA, SENTIDA E VIVIDA.” São palavras que constam do livro Renúncia, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier. Foram pronunciadas pelo elevado Espírito Alcíone, personagem principal da obra.

– Será que este vai ser mais um final de ano de “festas” e “alegrias” em que o ser humano busca desenfreadamente rebaixar o Espírito materializando suas emoções em sua busca frenética e incessante dos prazeres materiais, na sensualidade e na satisfação de suas paixões fortalecidas nas emoções inferiores de sempre?

E os “Espíritas” que dizem saber de onde vem, o que fazem aqui a para onde vão, com todo o respeito a capacidade de entendimento e conhecimento de cada um, mas focando exatamente aqueles que dizem saber que não se pode servir a Deus e a Mamon, como diz no Cap 16 do Evangelho Segundo o Espiritismo, será que terão a coragem de fazer diferente e mudar os velhos paradigmas de sempre?

Que possa o homem fazer valer em primeiro a benevolência, a indulgência e o perdão, fazendo prevalecer o amor representado na Boa Nova trazida por Jesus, o Cristo, que há dois mil anos brilhou intensamente em nosso pequeno orbe clareando as partes mais obscuras de todo o universo, pois havia chegado à Terra o doce Rabi da Galiléia e o mundo nunca mais seria o mesmo, pois houve uma divisão de eras: o antes e o depois de Cristo.

Hoje, nos primórdios de um novo e decisivo milênio, que possamos fazer brilhar novamente essa luz divina em todos os corações humanos e que a cultura de uma nova era de verdadeira caridade e de amor ao próximo possa se instalar na Terra.

Pensemos nisso e façamos a nossa parte.

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Medicina mediúnica, o nosso futuro

Paulo César Fructuoso (foto), cirurgião oncológico, membro da Associação Médico-Espírita Carioca, é autor de diversos livros, a maioria sobre os chamados fenômenos de ectoplasmia, que se baseiam em uma energia existente em todo o ser vivo e ainda não alcançada pela nossa ciência. Segundo ele, justamente por isso ainda está longe de ser analisada em ambiente laboratorial. “É com essa energia que há a possibilidade do teletransporte de Universos paralelos ao nosso de Espíritos desencarnados e até mesmo animais. É uma fenomenologia extremamente rara, difícil e perigosa, com motivações utilizadas pelos mentores que acompanham a nossa evolução como uma humanidade universal e para atendimento de pacientes graves que a nossa medicina pouco pode ajudar”, comenta.

 

 

O cirurgião, um dos palestrantes do Mednesp que aconteceu no último mês em Vitória/ES, conta que quem mais se teletransporta e se materializa em reuniões das quais já fez parte em sua cidade natal são Espíritos de médicos que utilizam uma medicina ultraevoluída em relação a nossa. “No futuro, a Medicina será mediúnica, na qual os médicos serão ostensivos. Hoje já somos sem perceber”, garante.

 

A vida não está no corpo físico, mas, sim, no extrafísico, chamado de Espírito, de alma, lembra o cirurgião. É aí que está a sede da vida, a energia vital. “Muito dos nossos males, das enfermidades que nós médicos tratamos, por exemplo, não têm origem no corpo físico, e sim no extrafísico. E ocorrem em decorrência do comportamento equivocado para com o próximo e para com o planeta no qual habitamos. É uma lei de ação e reação exata e matemática. Podemos fazer o que quisermos, mas a colheita é obrigatória”, alerta.

 

“Nós, médicos, temos um limite de atuação sobre o que fazer no corpo físico. E sei que não existem pacientes terminais, mas transicionais, que passam daqui para um Universo paralelo ao nosso, continuando vivos”

 

Questionado acerca de fazer cirurgias sozinho, ele garante que isso não acontece e explica que a vida pode ser comparada a uma borboleta, e que os médicos na Terra só sabem tratar do casulo. “Quem é que está cuidando da parte mais importante? Médicos que nos acompanham. Por que não percebemos a presença deles? Porque os seus corpos são constituídos pelos mesmos elementos que compõem os nossos corpos com átomos em plano de vibração mais elevada. Por isso não os percebemos, não os vemos, não os ouvimos e são intangíveis. Por isso atravessam paredes de concreto. Por isso se deslocam a distâncias incomensuráveis com a velocidade de pensamento. Mas eles nos intuem e, evidentemente, estão cuidando da parte mais importante dos enfermos: a parte extrafísica, espiritual, energética e vital”, explica.

 

Mas por que os médicos do “lado de lá” estariam nos ajudando? Fructuoso acredita que por fazemos parte de uma família universal. “Nós somos um planeta classificado pelo Espiritismo como de provas e expiações. De todo lado há sofrimento. Mas ninguém está desamparado. Somos uma família de aproximadamente 22 bilhões de Espíritos, com aproximadamente oito bilhões de encarnados e 12 desencarnados. E estamos sobre a égide de um Cristo planetário chamado Jesus, que acompanha a nossa evolução, ainda em estágio primário. Nós não podemos receber ajuda direta dos Espíritos médicos que nos acompanham. Mas eles estão presentes. Nós todos somos imortais. Ninguém vai ser doente pela eternidade. Nós podemos estar permeados por alguma enfermidade enquanto estamos encarnados e levar esses traços de enfermidade para a vida após a morte. Grande parte das enfermidades que nós cuidamos não tem sua origem no corpo físico, mas no extrafísico, que eu não sei como atuar, mas que meus colegas imperceptíveis sabem”, avisa.

 

Em sua palestra no Mednesp, Fructuoso contou que um colega cirurgião cardíaco do Mato Grosso do Sul estava realizando uma cirurgia cardíaca como assistente em um paciente que recebeu pontes de safena e mamária, e quando a cirurgia estava finalizada, a artéria aorta cardíaca se rompeu, e a equipe médica ficou duas horas tentando estancar a hemorragia e não conseguia. “O assistente relatou que naquele momento lembrou o que coloco nos meus livros, que nenhum médico está sozinho. Em pensamento, fez uma oração pedindo que se houvesse alguma inteligência ali que ele fosse intuído de alguma solução para aquele caso tão complexo. Diz ele que imediatamente lhe veio uma ideia, e ele propôs ao seu professor, que era o cirurgião. Inicialmente ele não aceitou, considerou o caso como perdido, mas, diante da insistência, decidiu aceitar a sugestão e ela levou ao estancamento da cirurgia em dois minutos, o que tentavam durante duas horas. Não existe o mistério, existe o que ainda não é comum. Não existe milagre, existem leis físicas, químicas e biológicas que a nossa ciência ainda não alcançou”, afirma.

 

Centro cirúrgico, lugar sagrado

 

O cirurgião considera o centro cirúrgico um lugar sagrado e não entra no local sem que faça uma oração. “A prece é de uma potência inacreditável”, ressalta, ao afirmar que nós vamos acumular cada vez mais conhecimento e, à medida que isso acontecer, com base na sabedoria e, principalmente, no amor, seremos cada vez mais felizes. “A tecnologia médica já está utilizando no escrutínio do corpo humano a antimatéria. Por exemplo, a tomografia por emissão de pósitrons. O que são? Elétrons com carga positiva. Daqui a pouco estará tão sensível que detectará a existência desse componente energético transmissor da vida ao corpo físico, a separação no momento da morte”, declara.

 

A medicina e o futuro

 

Desde a origem do homem, muitos tipos de medicina foram sendo exercidas. Pajés, feiticeiros, magos, ervas, um pouco de tudo era utilizado. Após a Segunda Guerra Mundial, lembra Fructuoso, houve um aumento na tecnologia das vacinas, dos antibióticos, e nós ingressamos na segunda fase da Medicina. “Hoje, estamos no terceiro estágio, o da Medicina tecnológica e da biologia molecular. Estamos estudando cada doença. Proteína por proteína, molécula por molécula e átomo por átomo, mas eu vejo no horizonte um quarto estágio, o da medicina mediúnica, que vai alcançar a origem de muitas enfermidades que não estão no corpo físico”, aposta.

 

Fructuoso lembra que, certa vez, na casa espírita que frequenta no Rio de Janeiro, receberam um paciente grave, que apresentava um câncer de pele denominado melanoma, com origem nas células que produzem a melanina, que dá cor à pele. A superfície do corpo do paciente estava recoberta de pelotões negros. “O Espírito que nos acompanha nos contou que em outra vida ele havia vilipendiado de leprosos. Não tem saída. Na hora em que você está fazendo o sofrimento do próximo você está plantando no teu corpo extrafísico aquilo que você fez. E aí você vai precisar no futuro, provavelmente, de novos corpos que funcionem como um aspirador das impurezas que colocamos em nós próprios, e não Deus. E também um corretivo das deformações periféricas do corpo extrafísico que causamos em nós próprios. Algumas dessas deformações podem ser tão profundas que esses Espíritos no futuro não terão condições de encarnar em corpos iguais aos nossos, tamanha é a deformação. E qual é a solução dos mentores que nos acompanham? Eles vão reencarnar em planetas que em relação à Terra estão na idade da pedra. Como trogloditas, como pitecantos, como Neandertal e vai por aí afora. Com uma vantagem, o conhecimento científico que você acumula, você não perde. Se você reencarna num planeta atrasado, você pode auxiliar com seu conhecimento uma evolução mais rápida da humanidade que habita aquele planeta. Que foi o que aconteceu conosco”, afirma.

 

Como capacitar o médico atual para a medicina mediúnica? “Oitenta por cento da minha classe não acredita em nada além da matéria tangível, e isso tem uma explicação. Sou cirurgião há quase 50 anos e, em todos os corpos que abri, não encontrei Espírito nem alma. Esse é o problema dos meus colegas, ainda presos ao materialismo, ao imediatismo. Não temos o preparo para caminharmos além da matéria física. Eu fui torpedeado pelos chamados fenômenos físicos ectoplasmáticos, primeiramente, com meu próprio pai. Procurei na ciência se havia alguma explicação e encontrei até Prêmios Nobel de Medicina que pesquisaram, testemunharam, estudaram e comprovaram que tudo acontece. Nunca mais eu parei. Não temos condições de repetir tal fenomenologia em laboratório, e a capacidade e a quantidade de energia manipulada para que isso aconteça é assustadora. Comprovei que tudo acontece pela observação”, garante.

 

É preciso acreditar na imortalidade, afirma Fructuoso. Não é a primeira vez que nós estamos neste mundo, nem será a última. Vamos e voltamos. “Um professor meu de Medicina me questionou, em relação àqueles que estão passando por algum processo cármico de doença, por que opero os meus pacientes com câncer e não deixo que a doença continue aspirando as ‘impurezas e corrigindo as deformações’ carmáticas. Eu respondi que eu não sei até onde deve ir o sofrimento de alguém, então, como médico, tenho de fazer tudo que está ao meu alcance para curar, aliviar e consolar”, finaliza.

 

“Muitas coisas serão compreendidas pelos médicos médiuns do futuro, porque, além do conhecimento, terão possibilidade de manipulação das energias existentes em nós e sensibilidade mediúnica, como a visão por transparência e microscópica, e a captação das informações dos colegas do mundo espiritual que nos acompanham de forma nítida. Hoje estamos vendo relâmpagos do que será a medicina mediúnica do futuro”

 

Ouça a entrevista completa no podcast da Folha Espírita

Fonte:  Jornal – Folha Espírita

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Conceitos e Ações

 

 

José Benevides reencarnou com um excelente programa de atividades em favor da autoiluminação.

 

Espírito fracassado várias vezes, nas hostes cristãs onde militou em outras existências, preparou-se na erraticidade sob o carinho de dedicados benfeitores espirituais para o cometimento de reparação que lhe dizia respeito.

 

Dificuldades e perturbações que o haviam vencido foram reencaminhadas, debilidades morais estiveram sob estudo cuidadoso, angústias receberam tratamento especializado e todo um programa de serviço foi elaborado com a anuência do viajante da esperança.

 

Reencarnou comprometido com as lides espíritas, encarregadas de restaurar na Terra o pensamento de Jesus, que também ele conspurcara oportunamente com a conduta reprochável que se permitia, experienciando, antes do berço, muitos fenômenos mediúnicos, de modo que a faculdade lhe servisse de instrumento valioso para o ministério libertador.

 

Banhos magnéticos foram-lhe aplicados, exercícios de concentração e técnicas de bioenergia foram providenciados, a fim de que se encontrasse robustecido no ânimo e na fé, objetivando a vitória sobre as más inclinações do passado.

 

Desse modo, em face das providências seguras, renasceu em lar espírita, haurindo o conhecimento da Doutrina desde os primeiros dias, aprimorando o caráter frágil nos exemplos domésticos.

 

Desde cedo habituou-se a conviver com os desencarnados que lhe apareciam amiúde, manifestando-se com frequência, dessa forma preparando-o emocionalmente para a tarefa enriquecedora da divulgação e vivência do Espiritismo.

 

Desde os primeiros anos como era de esperar-se, revelou pendores religiosos, que se manifestaram na infância, participando da evangelização espírita em Núcleo bem constituído doutrinariamente, demonstrando lucidez no entendimento das mensagens e loquacidade especial para os comentários quando lhe eram solicitados.

 

Aos quatorze anos, começou a explanar a Doutrina entre os companheiros no grupo juvenil, tornando-se líder natural estimado por todos.

 

Na sucessão do tempo, tornou-se expositor simpático e convincente, logo arrebanhando expressivo número de simpatizantes e adeptos da sua oratória brilhante, que se foi aprimorando mediante a experiência e os estudos contínuos.

 

Tornando-se advogado, vinculou-se ao serviço público, justificando a necessidade de um salário digno para a sobrevivência e de tempo hábil para dedicar-se ao ministério de divulgação da Terceira Revelação.

 

Em razão do número de amigos que mourejavam à sua volta, foi estimulado a criar uma Sociedade Espírita, na qual pudesse ampliar as possibilidades de serviço doutrinário, e utilizar dos amplos recursos da mídia moderna para a finalidade a que se propunha.

 

Não teve qualquer dificuldade, porquanto pessoas abastadas, politicamente bem situadas, que lhe recorreram ao auxílio através da faculdade mediúnica de valor inquestionável, dispuseram-se a ajudá-lo no cometimento, que se fez coroar de êxito.

 

No começo, a fidelidade à Codificação Espírita era total e todos os empreendimentos objetivavam a iluminação de consciências e o conforto dos corações atemorizados ou sofridos pelos infortúnios da existência.

 

Dedicado, procurava lenir as exulcerações das almas, envolvendo-as em carinho e em esperança.

 

A mediunidade abriu-lhe as portas para o sucesso, e o entusiasmo de pessoas inadvertidas, teleguiadas por Espíritos zombeteiros, passou a envolver o trabalhador do Evangelho, que lentamente despertou os adormecidos comportamentos levianos e insensatos, deixando-se arrastar pela presunção e autovalorização.

 

Embora a ocorrência, permanecia dedicado às atividades que lhe diziam respeito, estando sempre em labor decorrente da agenda de compromissos oratórios, que o levavam de um para outro lado, escasseando-lhe o tempo para reflexões, autoanálises, refazimento de forças morais…

 

O seu estilo especial e agradável logo fez escola, e diversos simpatizantes passaram a constituir-lhe corte generosa e bajulatória.

 

À medida que os anos se dobaram uns sobre os outros, José Benevides foi-se afastando dos sofredores, dos mais necessitados, demonstrando desagrado ante os excluídos, que passou a denominar como os malcheirosos.

 

As pessoas de sociedade que o cercavam, asfixiando-o com elogios mentirosos e referências vãs, tomaram o lugar dos desprotegidos socialmente, daqueles para quem viera Jesus, naturalmente sem exclusão dos dominadores do mundo.

 

Com o tempo, embora a jovialidade que mantinham, passou a cultivar a irritação interior e o tédio, desde que tudo lhe corria agradável e fartamente, desencantando-se com as próprias aspirações, exceto nos momentos de exaltação da personalidade.

 

O nobre Espírito Henrique, seu dedicado mentor que o acompanhava desde antes do renascimento carnal, percebendo o perigo em que se encontrava o pugilo invigilante, não regateou socorros: advertências verbais e escritas, inspiração superior, enfermidades variadas com o objetivo de demonstrar-lhe a fragilidade orgânica, alguns problemas nos relacionamentos afetivos, solidão… Convidava-o constantemente à oração e à convivência com a caridade em relação aos irmãos da retaguarda, igualmente com os desencarnados em sofrimento, que evitava, narcisisticamente, acreditando-se médium especial para contato somente com os Espíritos elevados…

 

Prosseguindo nos disparates, permitiu-se o culto ao corpo, utilizando-se dos recursos em voga, e, passando dos temas sérios à vulgaridade, àqueles de humor duvidoso, assumiu comportamentos esdrúxulos…

 

Aplaudido e enganado em si mesmo, foi-se divorciando da conduta enobrecida, passando a agredir verbalmente as demais pessoas, quando se sentia contrariado ou temendo competidores, ele que se fizera competidor dos outros, como se fosse irretocável, um missionário sob medida para o divertimento e a salvação da Humanidade.

 

Sentindo-se desconsiderado, o mentor advertiu-o severamente, explicando-lhe a gravidade da situação elegida e os riscos que lhe rondavam.

 

A obsessão, em decorrência do cerco de inimigos do passado, que lhe padeceram injunções penosas, instalou-se-lhe nos painéis mentais e, obstinado pela conquista de aplausos, de fama, saiu da proteção amorosa do generoso guia, que lhe reservou a dádiva do tempo para o despertamento.

 

Tornando-se frívolo e imitando os triunfadores do mundo, esqueceu-se da simplicidade e da abnegação, fazendo-se interesseiro e atormentado.

 

Para o público, mantinha a aparência alegre, bombástica, a crítica ferina, enquanto que, a sós, cedia espaço à angústia em insidioso processo depressivo e obsessivo.

 

Conheci o candidato à iluminação nos seus áureos tempos e recordo-me das formosas e edificantes exposições espíritas de que se fazia portador. Acompanhei, também, logo depois, as preocupações do devotado benfeitor rejeitado, assim como as suas advertências carinhosas, mas Benevides, à semelhança de Epimeteu, deixou-se seduzir por Pandora enviada pelo colérico Zeus, e sucumbiu-lhe aos encantos e enredamentos…

 

Tive ocasião de revê-lo recentemente, mergulhado no abismo do transtorno depressivo, aos sessenta anos, receando a morte que não se permitira considerar quanto deveria, e que se lhe acerca apressadamente…

 

O antigo excelente orador e médium, multiplicador de opiniões, verdadeiro show man, afastou-se das hostes doutrinárias e, abandonado pelos aficionados que antes o aplaudiam e agora o censuram, sucumbe ao fracasso irremediável.

 

A teoria no seu verbo brilhante infelizmente não se fortaleceu na prática, no exemplo de vida correta, defraudando a responsabilidade e iludindo-se com as fantasias da imaginação infantil.

 

Irmão X. por Divaldo Franco

 

04/05/2009, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

Fonte: Espiritismo na Rede

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Escolhos dos médiuns

Allan Kardec

Revista Espírita – Jornal de Estudos psicológicos,

publicada sobre a direção de ALLAN KARDEC

fevereiro de 1859

Livro - Revista espírita - 1859 - Ano II

A mediunidade é uma faculdade multiforme; apresenta uma infinidade de nuanças em seus meios e em seus efeitos. Quem quer que seja apto a receber ou transmitir as comunicações dos Espíritos é, por isso mesmo, um médium, seja qual for o meio empregado ou o grau de desenvolvimento da faculdade – desde a simples influência oculta até a produção dos mais insólitos fenômenos. Contudo, no uso corrente, o vocábulo tem uma acepção mais restrita e se diz geralmente das pessoas dotadas de um poder mediatriz muito grande, tanto para produzir efeitos físicos, como para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra.

 

Embora não seja a faculdade um privilégio exclusivo, é certo que encontra refratários, pelo menos no sentido que se lhe dá. Também é certo que não deixa de apresentar escolhos aos que a possuem: pode ser alterada e até perder-se e, muitas vezes, ser uma fonte de graves desilusões. Sobre tal ponto julgamos útil chamar a atenção de todos quantos se ocupam de comunicações espíritas, quer diretamente, quer através de terceiros. Através de terceiros, dizemos, porque importa aos que se servem de médiuns poder apreciar o valor e a confiança que merecem suas comunicações.

 

O dom da mediunidade depende de causas ainda imperfeitamente conhecidas e nas quais parece que o físico tem uma grande parte. A primeira vista pareceria que um dom tão precioso não devesse ser partilhado senão por almas de escol. Ora, a experiência prova o contrário, pois encontramos mediunidade potente em criaturas cuja moral deixa muito a desejar, enquanto outras, estimáveis sob todos os aspectos, não a possuem. Aquele que fracassa, a despeito de seus desejos, esforços e perseverança, não deve tirar conclusões desfavoráveis à sua pessoa nem julgar-se indigno da benevolência dos Espíritos. Se tal favor lhe não é concedido, outros há, sem dúvida, que lhe podem oferecer ampla compensação. Pela mesma razão aquele que a desfruta não poderia dela prevalecer-se, pois a mediunidade não é nenhum sinal de mérito pessoal. O mérito, portanto, não está na posse da faculdade mediatriz, que a todos pode ser dada, mas no uso que dela fazemos. Eis uma distinção capital, que jamais se deve perder de vista; a boa qualidade do médium não está na facilidade das comunicações, mas unicamente na sua aptidão para só receber as boas. Ora, é nisto que as suas condições morais são onipotentes; e é nisso também que ele encontra os maiores escolhos.

 

Para perceber este estado de coisas e compreender o que vamos dizer é necessário reportar-se ao princípio fundamental de que entre os Espíritos há todos os graus do bem e do mal, do saber e da ignorância; que os Espíritos pululam em redor de nós e que, quando nos julgamos sós, estamos incessantemente rodeados de seres que nos acotovelam, uns com indiferença, como estranhos, outros que nos observam com intenção mais ou menos benevolente, conforme sua natureza.

 

O provérbio “Quem se parece se reúne” tem sua aplicação entre os Espíritos, como entre nós; e mais ainda entre eles, se possível, porque não estão, como nós, sob a influência das considerações sociais. Contudo, se entre nós essas considerações algumas vezes confundem homens de costumes e gostos muito diversos, tal confusão, de certo modo, é apenas material e transitória: a similitude ou a divergência de pensamentos será sempre a causa das atrações e repulsões.

 

Nossa alma, que afinal de contas não é mais que um Espírito encarnado, não deixa por isso de ser um Espírito. Se se revestiu momentaneamente de um envoltório material, suas relações com o mundo incorpóreo, embora menos fáceis do que quando no estado de liberdade, nem por isto são interrompidas de modo absoluto; o pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento atraímos os que simpatizam com as nossas ideias e inclinações. Representamos, pois, a massa de Espíritos que nos envolvem como a multidão que encontramos no mundo; para onde preferirmos ir, encontraremos homens atraídos pelos mesmos gostos e pelos mesmos desejos; às reuniões que tem objetivo sério vão homens sérios; às que são frívolas, vão os frívolos. Por toda parte encontram-se Espíritos atraídos pelo pensamento dominante. Se lançarmos um olhar sobre o estado moral da Humanidade em geral, compreenderemos sem dificuldade que nessa multidão oculta os Espíritos elevados não devem constituir a maioria. É uma consequência do estado de inferioridade do nosso globo.

 

Os Espíritos que nos cercam não são passivos: formam uma população essencialmente inquieta, que pensa e age sem cessar, que nos influencia, malgrado nosso, que nos deita e nos dissuade, que nos impulsiona para o bem ou para o mal, o que não nos tira o livre arbítrio mais do que os bons ou maus conselhos que recebemos de nossos semelhantes. Entretanto, quando os Espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, sabem muito bem a quem se dirigem e não vão perder o tempo onde veem que serão mal recebidos; eles nos excitam conforme as nossas inclinações ou conforme os germens que em nós veem e segundo as nossas disposições para os escutar. Eis porque o homem firme nos princípios do bem não lhes dá oportunidade.

 

Estas considerações nos levam naturalmente ao problema dos médiuns. Como todas as criaturas, estes são submetidos à influência oculta dos Espíritos bons e maus; atraem-nos e repelem-nos conforme as simpatias de seu próprio Espírito e os Espíritos maus aproveitam-se de todas as falhas, como de uma falta de couraça, para introduzir-se junto a eles, intrometendo-se, malgrado seu, em todos os atos de sua vida particular. Além disso, tais Espíritos, encontrando no médium um meio de expressar seu pensamento de modo inteligível e atestar sua presença, intrometem-se nas comunicações e as provocam, porque esperam ter mais influência por este meio e acabam por assenhorear-se dele. Consideram-se como na própria casa, afastam os Espíritos que se lhe poderiam contrapor e, conforme a necessidade, lhes tomam os nomes e mesmo a linguagem, com o fito de enganar.

 

Mas não podem representar este papel por muito tempo: com um pouco de contato com um observador experimentado e prevenido, logo são desmascarados. Se o médium se deixa dominar por essa influência os bons Espíritos se afastam, ou absolutamente não vêm quando chamados, ou vêm com certa repugnância, porque veem que o Espírito que está identificado com o médium, e neste estabeleceu o seu domicílio, pode alterar as suas instruções. Se tivermos que escolher um intérprete, um secretário, um mandatário qualquer, é evidente que escolheremos não só um homem capaz, mas, ainda, digno de nossa estima; não confiaremos uma delicada missão e os nossos interesses a um insano ou a um frequentador de uma sociedade suspeita. Dá-se o mesmo com os Espíritos. Os Espíritos superiores não escolherão, para transmitir instruções sérias, um médium que tem familiaridade com Espíritos levianos, a menos que haja necessidade e que não encontrem, no momento, outros medíocres à disposição; a menos, ainda, que queiram dar uma lição ao próprio médium, como por vezes acontece; mas, então, dele se servem só acidentalmente e o abandonam logo que encontrem um melhor, deixando-o entregue às suas simpatias se ele faz questão de conservá-las. O médium perfeito seria, pois, o que nenhum acesso desse aos maus Espíritos, por um descuido qualquer. É condição muito difícil de preencher. Mas se a perfeição absoluta não é dada ao homem, sempre lhe é possível por seus esforços aproximar-se dela; e os Espíritos levam em conta sobretudo os esforços, a força de vontade e a perseverança.

 

Assim, o médium perfeito não teria senão comunicações perfeitas de verdade e de moralidade. Desde que a perfeição é impossível, o melhor médium seria o que desse as melhores comunicações. É pelas obras que eles podem ser julgados. As comunicações constantemente boas e elevadas, nas quais nenhum indício de inferioridade fosse notado, seriam incontestavelmente uma prova da superioridade moral do médium, porque atestariam simpatias felizes. Pelo fato mesmo de que o médium não é perfeito, Espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem misturar-se em suas comunicações, alterando-lhes a pureza e induzindo em erro ao médium e àqueles que o procuram. Eis o maior escolho do Espiritismo, cuja gravidade não dissimulamos. É possível evitá-lo? Dizemos alto e bom som: sim, o meio não é difícil, exigindo apenas discernimento.

 

As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre bastam para evitar a intromissão dos Espíritos levianos, mentirosos e pseudossábios nas comunicações. Além das falhas de seu próprio Espírito, pode dar-lhes entrada por outras causas das quais a principal é a fraqueza de caráter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que com ele se comunicam. Essa confiança cega reside numa causa que a seguir explicaremos.

 

Se não quisermos ser vítimas de Espíritos levianos, é necessário julgá-los, e para isso temos um critério infalível: o bom senso e a razão. Sabemos que as qualidades de linguagem, que caracterizam entre nós os homens realmente bons e superiores, são as mesmas para os Espíritos. Devemos julgá-los por sua linguagem. Nunca seria demais repetir o que a caracteriza nos Espíritos elevados: é constantemente digna, nobre, sem bazofia nem contradição, isenta de trivialidades, marcada por um cunho de inalterável benevolência. Os bons Espíritos aconselham; não ordenam; não se impõem; calam-se naquilo que ignoram. Os Espíritos levianos falam com a mesma segurança do que sabem e do que não sabem; a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade. Em mensagem supostamente séria, vimo-los, com imperturbável audácia, colocar César no tempo de Alexandre; outros afirmavam que não é a Terra que gira em redor do Sol. Resumindo: toda expressão grosseira ou apenas inconveniente, toda marca de orgulho e de presunção, toda máxima contrária à sã moral, toda notória heresia científica é, nos Espíritos como nos homens, inconteste sinal de natureza má, de ignorância ou, pelo menos, de leviandade.

 

De onde se segue que é necessário pesar tudo quanto eles dizem, passando-o pelo crivo da lógica e do bom senso. Eis uma recomendação feita incessantemente pelos bons Espíritos. Dizem eles: Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo. “Os maus Espíritos temem o exame. Dizem eles: Aceitai nossas palavras e não as julgueis”. Se tivessem a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz.

 

O hábito de perscrutar as menores palavras dos Espíritos, de lhes pesar o valor – do ponto de vista do conteúdo e não da forma gramatical, com que pouco se preocupam eles – naturalmente afasta os Espíritos mal intencionados, que não viriam então inutilmente perder o tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto é mau ou tem origem suspeita. Mas quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando, por assim dizer, nos ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles fazem o que fariam os homens, eles abusam de nós.

 

Se o médium for senhor de si, se não se deixar dominar por um entusiasmo irrefletido, poderá fazer o que aconselhamos. Mas acontece frequentemente que o Espírito o subjuga a ponto de o fascinar, levando-o a considerar admiráveis as coisas mais ridículas; então ele se entrega cada vez mais a essa perniciosa confiança e, estribado em suas boas intenções e em seus bons sentimentos, julga isto suficiente para afastar os maus Espíritos. Não, isso não basta: esses Espíritos ficam satisfeitos por fazê-lo cair na cilada, para o que aproveitam sua fraqueza e sua credulidade. Que fazer, então? Expor tudo a uma terceira pessoa desinteressada, para que esta, julgando com calma e sem prevenção, possa ver um argueiro onde o médium não via uma trave.

 

A ciência espírita exige uma grande experiência que só se adquire, como em todas as ciências filosóficas ou não, através de um estudo longo, assíduo e perseverante, e por numerosas observações. Ela não abrange apenas o estudo dos fenômenos, propriamente ditos, mas também e sobretudo os costumes, se assim podemos dizer, do mundo oculto, desde o mais baixo ao mais alto grau da escala. Seria presunção julgar-se suficientemente esclarecido e graduado como mestre depois de alguns ensaios. Não seria esta a pretensão de um homem sério, pois quem quer que lance um golpe de vista indagador sobre esses estranhos mistérios, vê desdobrar-se à sua frente um horizonte tão vasto que longos anos não bastam para o abranger. Há entretanto quem o queira fazer em alguns dias!

 

De todas as disposições morais, a que maior entrada oferece aos Espíritos imperfeitos é o orgulho. Este é para os médiuns um escolho tanto mais perigoso quanto menos o reconhecem. É o orgulho que lhes dá a crença cega na superioridade dos Espíritos que a eles se ligam porque se vangloriam de certos nomes que eles lhes impõem. Desde que um Espírito lhes diz: Eu sou Fulano, inclinam-se e não admitem dúvidas, porque seu amor próprio sofreria se, sob tal máscara, encontrasse um Espírito de condição inferior ou um malvado desprezível. O Espírito percebe e aproveita o lado fraco, lisonjeia seu pretenso protegido, fala-lhe de origens ilustres, que o enfunam ainda mais, promete-lhe um futuro brilhante, honra e fortuna, de que parece ser o distribuidor; se for necessário, mostra por ele uma ternura hipócrita. Como resistir a tanta generosidade? Numa palavra, ele o embrulha e o leva pelo beiço, como se diz vulgarmente; sua felicidade é ter alguém sob sua dependência.

 

Interrogamos a vários deles sobre os motivos de sua obsessão. Um dos mesmos assim nos respondeu. “Quero ter um homem que me faça a vontade. É o meu prazer”. Quando lhe dissemos que íamos fazer tudo para descobrir os seus artifícios e tirar a venda dos olhos de seu oprimido, disse. “Lutarei contra vós e não tereis resultado, porque farei tais coisas que ele não vos acreditará”. É, com efeito, uma das táticas desses Espíritos malfazejos: inspiram a desconfiança e o afastamento das pessoas que os podem desmascarar e dar bons conselhos. Jamais acontece coisa semelhante com os bons Espíritos. Todo Espírito que insufla a discórdia, que excita a animosidade, que entretém os dissentimentos revela, por isso mesmo, sua natureza má. Seria preciso ser cego para não compreender isso e para crer que um bom Espírito possa arrastar à desinteligência.

 

Muitas vezes o orgulho se desenvolve no médium à medida que cresce a sua faculdade. Esta lhe dá importância. Procuram-no e ele acaba por sentir-se indispensável. Daí, muitas vezes, um tom de jactância e de pretensão ou uns ares de suficiência e de desdém, incompatíveis com a influência de um bom Espírito. Aquele que cai em tal engano está perdido, porque Deus lhe deu sua faculdade para o bem e não para satisfazer sua vaidade ou transformá-la em escada para a sua ambição. Esquece que esse poder, de que se orgulha, pode ser retirado que, muitas vezes, só lhe foi dado como prova, assim como fortuna para certas pessoas. Se dele abusa, os bons Espíritos pouco a pouco o abandonam e o médium se torna um joguete de Espíritos levianos, que o embalam com suas ilusões, satisfeitos por terem vencido aquele que se julgava forte. Foi assim que vimos o aniquilamento e a perda das mais preciosas faculdades que, sem isso, se teriam tornado os mais poderosos e os mais úteis auxiliares.

 

Isto se aplica a todos os gêneros de médiuns, quer de manifestações físicas, quer para comunicações inteligentes. Infelizmente o orgulho é um dos defeitos que somos menos inclinados a reconhecer em nós e menos ainda a acusar nos outros, porque eles não acreditariam. Ide dizer a um médium que ele se deixa conduzir como uma criança: ele virará as costas, dizendo que sabe conduzir-se e que não vedes as coisas claramente. Podeis dizer a um homem que ele é bêbado, debochado, preguiçoso, incapaz e imbecil; ele rirá ou concordará; dizei-lhe que é orgulhoso e ficará zangado. É a prova evidente de que tereis dito a verdade. Neste caso os conselhos são tanto mais difíceis quanto mais o médium evita as pessoas que os possam dar: foge de uma intimidade que teme. Os Espíritos, sentindo que os conselhos são golpes desferidos no seu poder, empurram o médium, ao contrário, para quem lhe alimente as ilusões. Preparam-se, assim, muitas decepções, com o que sofrem muito o amor próprio do médium. Feliz dele se não lhe resultarem ainda coisas mais graves.

 

Se insistimos longamente sobre este ponto foi porque nos demonstrou a experiência, em muitas ocasiões, que isto constitui uma das grandes pedras de tropeço para a pureza e a sinceridade das comunicações dos médiuns. Diante disto, é quase inútil falar das outras imperfeições morais, tais como o egoísmo, a inveja, o ciúme, a ambição, a cupidez, a dureza de coração, a ingratidão, a sensualidade, etc. Cada um compreende que elas são outras tantas portas abertas aos Espíritos imperfeitos ou, pelo menos, causas de fraqueza. Para repelir esses Espíritos não basta dizer-lhes que se vão; nem mesmo basta querer e ainda menos conjurá-los. É necessário fechar-lhes a porta e os ouvidos, provar-lhes que somos mais fortes – o que seremos incontestavelmente pelo amor do bem, pela caridade, pela doçura, pela simplicidade, pela modéstia e pelo desinteresse, qualidades que nos atraem a benevolência dos bons Espíritos. É o apoio destes que nos dá força; e se estes por vezes nos deixam a braços com os maus, é isso uma prova para a nossa fé e para o nosso caráter.

 

Que os médiuns não se arreceiem demasiado da severidade das condições de que acabamos de falar: estas são lógicas, havemos de convir, e seria erro desanimar. É certo que as más comunicações que podemos receber são índice de alguma fraqueza, mas nem sempre sinal de indignidade. Podemos ser fracos, mas bons. Em qualquer caso; temos nelas um meio de reconhecer as próprias imperfeições. Já dissemos no outro artigo que não é necessário ser médium para estar sob a influência de maus Espíritos, que agem na sombra. Com a faculdade mediúnica o inimigo se mostra e se trai: ficamos sabendo com quem tratamos e poderemos combatê-lo. É assim que uma comunicação má pode tornar-se uma lição útil, se a soubermos aproveitar.

 

Seria injusto, aliás, atribuir todas as comunicações más à conta do médium. Falamos daquelas que ele obtém sozinho e fora de qualquer outra influência, e não das que são produzidas num meio qualquer. Ora, todos sabem que os Espíritos atraídos por esse meio podem prejudicar as manifestações, quer pela diversidade de caracteres, quer pela falta de recolhimento. É regra geral que as melhores comunicações ocorrem na intimidade, num círculo concentrado e homogêneo. Em toda comunicação acham-se em jogo várias influências: a do médium, a do meio e a da pessoa que interroga. Estas influências podem reagir umas sobre as outras, neutralizar-se ou corroborar-se: isto depende do fim a que nos propomos e do pensamento dominante. Vimos excelentes comunicações obtidas em reuniões e com médiuns que não possuam todas as condições desejáveis. Neste caso os bons Espíritos vinham por causa de uma pessoa em particular, porque isso era útil. Vimos também más comunicações obtidas por bons médiuns, unicamente porque o interrogante não tinha intenções sérias e atraía Espíritos levianos, que dele zombavam.

 

Tudo isto requer tacto e observação. E compreende-se facilmente a preponderância que devem ter todas essas condições reunidas.

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Revista Espírita

Jornal de Estudos psicológicos

publicada sobre a direção de ALLAN KARDEC

fevereiro de 1859

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