Mãos de luz – Materializações espiritual em BH

Paulo da Silva Neto Sobrinho

BH é como nós, os mineiros, carinhosamente denominamos Belo Horizonte, a capital das Minas Gerais.

Informamos que, à época do fato, em meados de fevereiro de 2012, como se poderá ver, o médico, o paciente e a psicóloga envolvidos no caso eram todos católicos. Conforme o médico nos informou, posteriormente ele tornou-se espírita.

Em janeiro de 2013, recebemos o seguinte e-mail, ao qual foram anexadas quatro fotos de uma mesma chapa de raios X. Por questões de ética, omitimos o nome e outros dados do remetente:

——– Mensagem original ——-

Assunto: Evidência recente de materialização espírita em Belo Horizonte

Data: Fri, 4 Jan 2013 17:50:10 -0800 (PST)

De: xxxxxxxxxx

Responder a: xxxxxxxxxx

Para: paulosnetos@gmail.com

Boa noite Sr. Paulo,

Sou médico, casado, espírita há cerca de 1 ano, desde quando me ocorreu um fato “estranho”, um paciente jovem que estava de alta do CTI de repente teve uma piora súbita e inexplicável, quase evoluindo para uma parada cardíaca. Após estabilizar o quadro e como se tratava de uma cirurgia pulmonar, solicitei um novo Raio X de tórax, que segue em anexo. Esclareço que neste momento só estava o paciente no leito, ninguém se encontrava próximo e ninguém o segurava.

Caso seja do seu interesse, possuo o exame original e posso dar maiores informações.

Esse mesmo exame já foi examinado em dois centros espíritas em BH e em um em SP.

Fui presenteado com uma obra sua, por isso resolvi lhe enviar este email.

Aguardo sua resposta.

RCS

………………………………..

Marcamos um encontro com o médico e o visitamos para nos inteirarmos mais do caso e, como não podia deixar de ser, ver pessoalmente a chapa original de raios X, que confirmamos ser autêntica.

Na ocasião, fiz questão de levar minha esposa, objetivando ter mais uma testemunha do relato e da autenticidade da chapa, na qual se verificou um fenômeno totalmente estranho, pelo menos para os céticos e materialistas. Mas, para nós, espíritas, embora raro, é normal, ou seja, está dentro das leis naturais criadas por Deus, apenas ainda não desvendadas pela ciência humana, ainda tão cética a respeito das ocorrências espirituais. Se bem que não há como agir diferente, uma vez que a ciência sequer se deu conta de reconhecer que somos Espíritos.

Nessa visita, combinamos com o médico que ele nos enviaria um relatório próprio e que procuraria a psicóloga que atendeu ao paciente envolvido, assim como o técnico de Radiologia, para obter um parecer de ambos.

Posteriormente, em 21 de janeiro, recebemos mais nove fotos da chapa de raios X, tiradas em melhores condições que as primeiras. De todas elas escolhemos algumas para apresentar aos leitores; são as seguintes:

Nas imagens, observam-se duas mãos, numa posição paralela, uma abaixo da outra, parecido com uma imposição de mãos.

Leiamos, agora, as informações que o médico nos enviou:

Relato de caso:

Sou médico, casado, até então católico pouco praticante, moro em Belo Horizonte desde dezembro de 2006, me especializei em terapia intensiva (CTI) e cardiologia, trabalho em vários hospitais, geralmente em CTI. Minha avó materna é católica fervorosa, frequenta missas, reuniões e é tesoureira da legião de Maria em uma paróquia do interior, reza do amanhecer ao por do sol e também durante a noite quando perde o sono, minha mãe é um meio-termo entre eu e minha avó.

Em 07 de fevereiro de 2012 fui testemunha de um fato para mim até então e desde então único e que sem sombra de dúvidas mudaria a minha vida e de muitas outras pessoas em minha volta e que também o testemunharam.

Estava de plantão em um CTI de um afamado hospital da capital mineira, onde permaneceria por 24 horas.

Admiti por volta das 15 horas do dia 06/02/2012 um jovem senhor de cerca de 50 anos, proveniente do bloco cirúrgico após ter sido submetido a uma cirurgia pulmonar devido a um tumor. O ato cirúrgico relatado pelo cirurgião e anestesista, como com sucesso, sem qualquer intercorrência.

O paciente encontrava-se acordado, responsivo, lúcido, com bom padrão respiratório, com oxigênio em baixas doses, com boa pressão arterial e sem qualquer queixa, e assim permaneceu pelas próximas 18 horas, tendo inclusive alimentado sem qualquer problema. Foram colhidos durante este período de observação dois exames de sangue que se apresentavam totalmente normais.

No dia seguinte, como de costume, o paciente foi reavaliado por mim e posteriormente pelo cirurgião assistente que devido à ótima evolução clínica sugeriu a transferência do paciente ao quarto, conduta da qual concordei prontamente.

Cerca de 15 minutos após esta avaliação, fui chamado com urgência ao leito do paciente e o encontrei em choque (níveis de pressão arterial muito baixos com risco iminente de parada cardíaca, neste caso com 40×20 mmHg).

Durante cerca de 30 minutos, foram tomadas várias medidas, com administração de vários medicamentos até que se conseguisse estabilizar o quadro, às custas de medicações em dose alta (noradrenalina em infusão contínua).

Após este momento de estresse era necessário realizar alguns exames para saber o motivo de uma instabilização tão abrupta e grave. Foi então solicitada uma radiografia de tórax uma vez que o paciente estava em pós-operatório imediato de uma cirurgia pulmonar, além disso durante o atendimento foi necessário a punção de uma veia profunda na região torácica.

Para minha surpresa ao examinar a radiografia, verifiquei a presença de duas imagens semelhantes a mãos sobre o tórax do paciente em posição que eu iria conhecer posteriormente como a posição do passe, porém não havia nenhuma pessoa ao lado do paciente no momento da realização do exame, além disso caso tivesse alguém segurando o paciente a imagem que seria vista não seria de mãos, mas sim de ossos como se vê com ossos do próprio paciente.

Este paciente permaneceu no CTI ainda por mais 48 horas, tendo alta em boas condições, porém, sem diagnóstico do agravamento, isto é, todos os exames laboratoriais e outros exames de imagens normais.

Por cerca de um ano, esta imagem foi analisada por pessoas ligadas ao espiritismo, por pessoas ligadas ás mais variadas religiões, também por ateus e como não poderia deixar de ser por vários colegas médicos; as reações eram quase sempre de admiração, e ninguém conseguiu tecer uma explicação que não tivesse relação com um fenômeno espiritual.

R. C. S.

Belo Horizonte, 16/01/2013

……………………………………….

Recebemos da psicóloga, por intermédio do médico envolvido, as seguintes considerações sobre o caso, ao qual denominou de “mãos de luz”. Tão apropriada essa denominação que a tomamos para título desse relato. Vejamos, então, o que ela diz:

Meu nome é P. R. S., tenho 48 anos, sou psicóloga, mãe de dois filhos, moro em Belo Horizonte. Graduei-me em psicologia pela UFMG em janeiro de 1990, especializei-me em psicologia clínica pelo CEPAFE (Centro de Psicoterapia Analítico- Fenomenológico – Existencial), e posteriormente em Psicologia Hospitalar pelo IEC – PUC – Minas. Desde o ano de 2000 sou estudiosa da Antroposofia – Ciência Espiritual, criada pelo austríaco Rudolf Steiner, tendo feito diversos cursos de aprimoramento e hoje sou membro da Sociedade Antroposófica do Brasil e psicóloga antroposófica. Sou cristã, católica por formação familiar e praticante. O estudo da Antroposofia ampliou minha visão do ser humano, trouxe a certeza de que, sendo seres espirituais vivendo uma experiência terrena, estamos em constante ciclo de nascimento – vida-morte-renascimento -, rumo à oportunidade de desenvolvimento espiritual. Atuo em consultório particular e desde 2008 no CTI de um hospital da capital mineira. A experiência que narro a seguir aconteceu em fevereiro de 2012 neste CTI, e veio coroar com beleza e emoção minhas convicções a cerca da grande ordem cósmica a qual todos pertencemos: A Ordem do Amor Universal e Supremo.

Recebemos no CTI em meados de fevereiro de 2012, um senhor, R. D., 59 anos, em pós-operatório de cirurgia para retirada de um tumor pulmonar. Ele chegou clinicamente estável, lúcido, orientado, consciente, funções psíquicas preservadas, disponível ao contato e cooperativo. Comunicando-se com reservas, em função das dores decorrentes do procedimento a que se submetera. Mantinha o humor eutímico e postura confiante. Fiz o acolhimento, as orientações sobre a rotina do CTI e intervenções que promovessem o vínculo de confiança na equipe e facilitassem sua adaptação ao setor. Coloquei-me à disposição. As primeiras horas transcorreram bem e sua alta estava prevista para breve. Contudo, subitamente houve uma intercorrência clínica, ele teve o quadro seriamente agravado, e passou a ter risco de morte, caso as medidas de suporte intensivo não fossem adotadas imediatamente. Este paciente foi assistido e respondeu muito bem ao tratamento, apresentando melhora significativa. Passados uns dois dias desde que apresentou o quadro agudo, fui vê-lo no leito e já o encontrei alerta, comunicando-se, consciente e com as funções psíquicas recuperadas. Eu já havia visto as imagens de raios X de tórax feitas logo após o momento de crise. Eu e o médico que estava no plantão e o assistia naquele dia, ficamos totalmente surpresos (posso dizer que me senti maravilhada!) com o que vimos: em meio às imagens internas do corpo daquele homem, um par de mãos, íntegras, e que até pareciam ser femininas(!), sobre seu abdome, em posição que imediatamente me remeteu a uma das posturas que nós, reikianos, utilizamos quando aplicamos o Reiki. Para mim, não havia dúvida: o que aquele paciente recebeu foi intensa proteção espiritual. Traduzida lindamente naquela imagem, contra todas as leis do nosso mundo físico. Durante o atendimento psicológico, realizado com o paciente ainda no leito, ele me disse ter experimentado uma “estranha sensação”, teve um enorme medo, súbito, uma impressão de aniquilamento, e logo em seguida, foi tomado por uma intensa paz, como jamais havia sentido. Em seguida, perdeu a consciência e só acordou um tempo depois, algo confuso e desorientado, contudo capaz de manter-se calmo, até conseguir compreender o que havia se passado naquele intervalo de tempo, do qual não tinha registros de memória. Pergunto se era ligado a alguma religião, se tinha fé. Ele diz que era de família católica, que recebeu uma formação católica, mas que até descobrir-se doente, não se sentia ligado verdadeiramente à religião, não costumava fazer orações, sentia-se de pouca fé. Desde que precisou enfrentar a doença devastadora, impulsionado pela família, tornou-se fervoroso, e depositou em Deus sua força e esperança. A partir de então, criou para si rituais de orações cristãs e participava ativamente dos momentos de oração compartilhados com a família. Ele identificou em si uma mudança significativa. Durante esta conversa, ele me disse que sabia- sentia, que sua família esteve reunida em profunda oração nos momentos mais críticos que atravessou na luta pela vida. Em conversa posterior com sua esposa, irmãos e filhos, eles confirmaram os momentos de intenso mergulho em orações, e disseram que em suas preces, pediram a intercessão da mãe do paciente, que já desencarnara, e que em vida foi extremamente amorosa e ligada de forma atuante à fé cristã. Tivemos pouco tempo mais neste atendimento. Ele logo pôde sair do CTI e seguir a missão que ainda estava por ser cumprida. Contudo, eu o fiz saber que durante as horas mais difíceis que enfrentou naquele leito de CTI, ele foi generosamente abençoado, e recebeu uma proteção Divina muito especial. Ele apenas finalizou com um sorriso nos lábios: “Eu sei!” Assim nos despedimos – temporariamente.

………………………………

E, por último, as considerações técnicas do radiologista envolvido no caso:

Laudo descritivo:

RADIOGRAFIA – TÓRAX (AP NO LEITO)

Parênquima pulmonar de transparência normal na incidência frontal.

Silhueta cardíaca de configuração anatômica.

Mediastino sem alterações aparentes.

Diafragmas convexos.

Seios costofrênicos livres.

Estruturas ósseas íntegras.

Cateter venoso transubclávio esquerdo.

Presença de artefato de aspecto digitiforme, com formato de luva na projeção do mediastino médio e abdome superior de aspecto artefactual, por provável contaminação da película ou ainda por sobreposição de imagem.

Comentários:

O mais provável q tenha acontecido eh q o técnico q manipulou a película estava contaminado de alguma forma, com alguma substancia reveladora/fixadora, talvez ele estivesse com a mão molhada na hora de manipular o filme (colocar no chassis), ou ainda tenha acabado de lavar a reveladora. isso eh o mais provável, vc até poderia confirmar com quem fez o exame no dia.

A hipótese q alguém poderia estar executando uma espécie de passe no plano espiritual, no momento do exame não sei se pode ser confirmada, pelo menos não tenho conhecimento de tal registro até hoje na história.

Vê com o pessoal aí, faz uns testes tb, de contaminar alguma extremidade da película antes de colocá-la no chassis, e me fala se deu certo.

H. F.

19.02.2012

O laudo do radiologista é importante para comprovar a autenticidade da chapa de raios X, objeto de análise.

Iremos propor algumas considerações para os detalhes que marcamos na imagem da chapa, conforme a foto que segue:

O que vemos nessa imagem é:

Detalhe 1: essa mão (esquerda), ao que nos parece, está vindo da parte de trás para a frente do corpo, por não ter a sequência do braço e ter uma certa curvatura que indica isso. Algo que nos chamou a atenção é a perfeição da unha do dedo indicador, o que nos leva a aceitar a hipótese da Psicóloga de que se trata de mão feminina.

Detalhe 2: a outra mão (direita) já se vê completa, e se prolonga até certa altura do braço. A posição na qual se encontra, com o dedo polegar para baixo, dá a nítida impressão de que pertence ao mesmo personagem que produziu a anterior (detalhe 1), numa situação, como acredita a Psicóloga, de estar aplicando o Reiki, que nós, espíritas, chamaríamos de passe. Vejamos a foto [1] seguinte:

Na imagem da chapa de raios X, as mãos do aplicador estariam um pouco mais separadas das mãos que aparecem nesta foto, quase que paralelas.

Dois importantes fatores comprovam, para nós, a sua autenticidade. O primeiro relaciona-se com o que explicamos dos detalhes das duas mãos; e o segundo é que, se fossem mãos humanas, não apareceria “massa”, mas somente ossos.

Pensou tratar-se de luvas cirúrgicas; porém, esta hipótese foi descartada pelo médico, pois a formação das mãos, como aparece na chapa, não poderia ser produzida caso fossem luvas. Supondo-as vazias não teriam um contorno tão nítido e nem apareceria unha; e na hipótese de estarem cheias por alguma substância líquida, água, por exemplo, o resultado seria igual a algo próximo de tetas de vaca, com os dedos de forma bem arredondada.

Conversando com seus pares, o médico que pediu o exame de raios X do paciente, disse que ninguém no hospital, onde tal fato se deu, conseguiu explicar o que ocorreu; todos ficaram atônitos com essa materialização.

Paulo da Silva Neto Sobrinho – Belo Horizonte, fev/2013

[1] http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/00/Reiki-Treatment.jpg/200px-Reiki-Treatment.jpg, acesso em 25.01.2013

Fonte: Este artigo foi publicado:

– revista Espiritismo & Ciência, nº 104. São Paulo: Mythos Editora, jun/2013, p. 34-41.- http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/MAOS_D_LUZ_MATERIAL_ESPIRITUAL_EM_BH_PN.html –

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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Energia Sexual – Origem do masculino e do feminino

Resultado de imagem para ENERGIA SEXUAL Imagens

Dr. Ricardo Di Bernardi

O Sexo tal qual vivenciamos agora, como seres humanos reencarnados, estruturou-se no decurso de incontáveis milhões de anos. Todos nós já tivemos inúmeras vivências que passamos tanto na dimensão física como na dimensão espiritual, isto vem ocorrendo desde que fomos projetados como fagulhas infinitesimais a jorrar da fonte Criadora. Todas as nossas aquisições, sem exceção, decorreram de inúmeras experiências adquiridas nas passagens pela vida material e pela vida extrafísica e estas inúmeras passagens ocasionaram, em cada um de nós, estímulos diversos determinando as características que hoje apresentamos.

Desde o átomo, onde o núcleo atrai os elétrons, até os seres de níveis mais elevados do universo, que trocam intensos fluxo de amor, a energia sexual pulsa como força geradora de união e progresso. É longo e infinito o caminho a ser percorrido na estrada do progresso.

A sede real do nosso sexo, não se acha, de forma alguma, no veículo físico, mas sim na profundidade espiritual, em sua estrutura complexa. Da mesma forma, a formação do sexo masculino e feminino provém de tempos imemoriais quando ainda éramos um simples princípio espiritual que se tornaria Espírito no escoar dos infinitos milhões de anos. O instinto sexual já se expressava quando os primeiros agrupamentos de mônadas celestes se reuniam magneticamente umas às outras; tais quais núcleos e elétrons se atraem no microcosmo e sóis e planetas interagem trocando energias no macrocosmo.

É sobejamente conhecido, de todo estudioso das questões espirituais, que a essência do espírito não tem sexo, mas no transcorrer de nossa longa jornada reencarnatória adquire-se peculiaridades individuais que hoje expressamos energeticamente através de uma polaridade, que pode ser mais ativa (masculina) ou mais receptiva (feminina) na esfera da sexualidade.

A polaridade masculina ou feminina presente em nós, tanto no corpo astral como na exteriorização biológica, construiu-se lentamente, desde as primeiras encarnações do princípio espiritual. Os princípios espirituais, desde o início do seu mergulho na dimensão física, traziam em sua constituição um “gênero” no teor de força, ou seja, uma condição intrínseca que se expressava em energias predominantemente ativas ou passivas. E, conforme estudamos na magnífica obra, Evolução em Dois Mundos, os Seres Coordenadores da evolução em nosso Planeta estimularam tais pendores ou tendências energéticas.

A intensificação das tendências energéticas ativas e passivas favoreceu o futuro surgimento do masculino e feminino. O aparecimento do sexo, no veículo físico, iniciou-se nas bactérias e células primitivas nas quais já se observavam, em algumas delas, qualidades magnéticas positivas ou negativas, isto é, ativas ou receptivas. Essas tendências, segundo informações de autores extrafísicos, foram estimuladas pelos Orientadores Espirituais encarregados do progresso do planeta Terra. O surgimento do masculino e do feminino elaborou-se lenta e gradativamente, portanto, desde a origem do Espírito.

Dr. Ricardo Di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Mensagem de Cairbar Schutel

Cairbar Schutel

Doutrina de Luz: CAIRBAR SCHUTEL

A filosofia ensina, a reflexão constrói, a vivência enobrece. A religião que mantém seus ensinos filosóficos presos nas páginas de códigos frios, em letras mortas, não convém a evolução da criatura humana.

Assim surgiu o Espiritismo, como um farol radiante e vivo, para iluminar nossas vidas. Seus ensinos, claros e nobres, enchem nossos espíritos de sabedoria e nos fazem agir. O Espiritismo, daqueles que são verdadeiramente espiritistas, é reconhecido no dia-a-dia de conduta. Naquele que sabe mostrar-se na família, na sociedade, no templo, como bom homem, boa mulher, refletindo a filosofia aplicada em seu interior, vivida, personificada em ações do bem, sem dar ar de santo, mas sendo o melhor que pôde na vida atual. Tanto é que, nobremente, fica o esforço em progredir como a virtude dos Espíritas- Cristãos.

Saibamos que não há mais espaço para criarmos simulacros na apresentação religiosa.

Rogamos que sejam os conteúdos doutrinários, tratados pelo Espiritismo, a base do viver. Sabemos que não podemos impor, a quem quer que seja, obrigações de transformação, a custa de criarmos falsos, imitadores do homem de bem, mas preciso é destacar a necessidade primeira de refletir a filosofia para construir o homem novo.

Jesus, que o Espiritismo nos apresenta, é modelo de atos e guia de vidas. Não a inanição e sim ação de progresso.

Sigamos com a perspectiva de um dia sermos colocados como os mais próximos do Senhor.

Caíram os dogmas, fecharam as portas dos tempos nababescos, as vestais às ordens, e, deixamos de ter hierarquias, para que tudo voltasse à simplicidade, pois sem ela não há amor.

Filosofia, ciência e religião, à luz do entendimento espírita, liberta.

Cairbar Schutel

Psicografia: Médium Alexandre Pereira

Por ocasião do 3º congresso do Espiritismo.net

Fonte: espiritismo.net

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Aborto, não!

Defender a vida desde a sua concepção nos faz avançar como sociedade

No último mês, o tema aborto voltou à pauta depois que o presidente Lula retirou o Brasil da Declaração do Consenso de Genebra sobre Saúde da Mulher e Fortalecimento da Mulher, assinado por seu antecessor e que previa em seu texto que “não há direito internacional ao aborto nem qualquer obrigação internacional por parte dos Estados de financiar ou facilitar o aborto”. Um dia antes,  o Ministério da Saúde revogou uma norma que dificultava o acesso da mulher grávida ao aborto legal.  Com o objetivo de esclarecer e fixar conceitos tão importantes para a sociedade que dizem respeito à vida, voltamos a tratar da questão do aborto, em uma entrevista com o médico Gilson Luís Roberto (foto), presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), vice-presidente do Hospital Espírita de Porto Alegre e professor do curso de pós-graduação em Saúde e Espiritualidade da Universidade de Caxias do Sul.

Ao lembrar que a vida deve ser considerada desde a fecundação, fato considerado pela ciência e pelos médicos e descrito em todos os livros de embriologia, Gilson explica que no zigoto, resultado da união do óvulo e o espermatozoide, já estão presentes todas as informações genéticas do novo indivíduo que se revela no seu processo de ontogênese. “Desde a formação ali no zigoto, embrião, feto, nascimento, infância e vida adulta, ele será o mesmo indivíduo, a se manifestar em várias fases da sua existência. Não há diferença alguma em termos biológicos dessa individualidade. É uma vida a se manifestar em várias fases. Então, se interrompemos esse processo no início ou no final, a ação é a mesma”, esclarece o médico, que tratou mais detalhadamente do assunto na entrevista transcrita abaixo.

“Alguns países permitem o aborto até a décima segunda semana de gestação, alegando que só a partir daí há a formação do sistema nervoso central e começa a haver dor. Isso não é verdade. Pesquisas mostram que a consciência existe antes disso e a sensibilidade à dor também. A médica portuguesa Jerónima Teixeira publicou, em 1999, com dois colaboradores, um artigo muito interessante no American Journal of Obstetrics and Gynecology mostrando que já na décima semana o feto tem dor.”

FE – É muito comum as pessoas alegarem que quem é contra o aborto normalmente o é por questões religiosas. Que resposta você dá a quem pensa assim?

Gilson – A questão do aborto está acima de qualquer questão religiosa. É uma questão de ética humana! Porque é uma violência que estamos provocando na destruição de uma vida, de um indivíduo que está se formando e que tem toda a possibilidade de viver a sua vida, e nós a estamos interrompendo. Depois entram outras questões espirituais, religiosas, médicas, psicológicas e emocionais que envolvem essa questão. Mas o princípio fundamental da discussão é a interrupção da vida humana. Sabemos que essa consciência que está dentro do útero sofre, foge quando se tenta fazer o aborto, se defende.

“Sabemos que a nossa personalidade adulta carrega os traumas da gestação da mãe. E há pesquisas médicas mostrando que o bebê carrega em sua vida tudo o que vive dentro do útero. As atitudes da mãe são sentidas e fazem a criança sentir o mesmo no útero. Então, a vida está ali, pulsante!”

FE – Para quem não acredita em Espíritos, o que você pode dizer?

Gilson – Vai chegar o dia em que será comprovada a existência do Espírito, e essa percepção vai mudar. Com a consciência de uma realidade espiritual, vamos ampliar a nossa visão de mundo e de homem. Vamos entender as leis que regem a nossas vidas. Sabemos que toda a vida encarnatória tem uma finalidade e que as coisas não acontecem por acaso, existe um governo oculto que preside os nossos destinos, um planejamento reencarnatório. As coisas não são soltas, elas têm uma finalidade. Mas, independentemente das justificativas espirituais, é uma violência impedir um processo do qual todos nós temos o direito, que é o de viver. Sem o direito à vida, os outros direitos não têm importância: alimentação, saúde, moradia, liberdade.

“Independentemente do estágio em que está em desenvolvimento, é um ser em formação. Existe uma consciência ali e por trás dela a realidade do Espírito, uma individualidade espiritual, manifestada na união da matéria com a alma, coma energia vital.”

FE – Você tocou num ponto importante. Os defensores do aborto normalmente falam muito no direito da mãe, mas como fica o direito do embrião?

Gilson – Existem várias estratégias criadas pelas instituições que defendem o aborto para tentar justificar o injustificável. Falam em direito da mulher, direito reprodutivo. Mas e os direitos do feto? Pesquisas médicas mostram que a criança cria até processo de defesa imunológica havendo alguma possibilidade de o corpo da mãe afetar esse embrião. Então, ele tem um processo de identidade própria, genética própria. Não é um apêndice da mãe! É um outro corpo, uma outra vida.

“Quando Kardec pergunta à espiritualidade qual é o primeiro de todos os direitos naturais, a resposta que recebe é a de ‘viver’. Então, é um direito outorgado por Deus e ninguém pode tirá-lo: nem a mãe, nem o Estado, nem o médico.”

FE – Sabemos que o aborto no Brasil é crime. Entretanto, em algumas situações, o procedimento é permitido, como, por exemplo, estupro, risco de vida para mulher ou anencefalia. Mesmo com permissão para o abortamento, o que você diria para uma mulher que passa por alguma dessas situações?

Gilson – Sabemos o quão difícil é o momento que enfrentam, mas lembro de uma afirmativa de Emmanuel no livro Leis morais, quando ele diz que acima das leis humanas existem as leis divinas. As humanas são temporárias, se modificam conforme o progresso moral de uma nação. À medida que vamos evoluindo as leis humanas, vamos evoluindo em direção à harmonia com as leis de Deus. O estupro é uma grande violência, e não tem como negar isso. É uma violência muito grave que deixa a mulher muito vulnerável, psicologicamente falando, e essas condições emocionais muitas vezes não permitem que ela leve a gestação adiante. Mas nós já encontramos também muitas mães que optaram em seguir com a gestação e tiveram uma relação com aquela criança, conseguiram desvinculá-la do ocorrido. Se a mãe conseguir superar essa dificuldade, recebendo apoio emocional, será muito melhor. Se fizer o aborto, vai passar por outro processo de violência. Porque todo aborto é uma violência contra a mulher, uma violência que vai deixar marcas psicológicas profundas nela. Na Europa, onde o aborto é liberado, as mulheres desenvolvem síndrome pós-aborto, usam álcool e drogas, têm mais depressão, se suicidam. Elas perdem a paz, entram num quadro de crise de ansiedade, de depressão. Por que acelerar um processo que pode acontecer em alguns meses? Por que não tentar levar isso mais adiante, fazer o parto e deixar essa criança sobreviver, doando para uma mãe que a queira? Há muitas mulheres na fila da adoção, e essa criança poderia fazer a alegria de outra mulher. Nós entendemos essa situação das mães que passam por violência, mas se essas mães entenderem que ali existe um Espírito, uma vida que não tem nada a ver com o agressor, é uma outra individualidade, e receber esse suporte psicológico, nós acreditamos que isso vai ser muito menos violento.

FE – Existe alguma limitação física que coloque em risco a vida de meninas mais novas quando engravidam?

Gilson – Não. É mais uma questão de maturidade do que gestacional. É claro que tem que olhar cada caso. A sociedade se escandaliza com crianças de 11, 12 anos grávidas. Infelizmente, isso faz parte da realidade brasileira. É muito comum nossos obstetras fazerem partos seguidos de crianças e adolescentes. O que está faltando é educação sexual. Muitos se sensibilizam pela situação vivida pelas mães – e realmente precisam se sensibilizar –, mas se esquecem de uma outra vida que está ali e que merece o mesmo carinho, a mesma atenção da sociedade. No caso de risco materno, acho mais complicado, porque proteger a mãe também é proteger a criança. Acho que este é o único caso no qual se justifica o aborto. A própria espiritualidade fala sobre isso, que é melhor proteger uma vida que já existe do que uma outra que está sendo constituída. Uma forma de também proteger a criança é tentar manter essa gestação o máximo possível.

FE – É muito comum a gente ouvir no Brasil por quem defende o aborto que, mesmo proibido por lei, não é raro as mulheres o praticarem e que quem tem dinheiro o faz em boas condições de saúde, diferentemente das mais pobres. Como você vê isso?

Gilson – O abortamento é muito maior entre as mulheres ricas, que muitas vezes não querem comprometimento, nem responsabilidade, por várias questões. As mais pobres têm muito mais filhos. O que precisamos é de educação e planejamento familiar!

FE – Nos países onde o aborto é permitido, ele diminuiu?

Gilson – Não é um consenso, mas em muitos países nos quais foi liberado até aumentou.

FE – No último mês, o novo governo decidiu pela desvinculação do Brasil com a Convenção de Genebra e também revogou uma portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais. Qual sua opinião sobre isso?

Gilson – A pauta da AME-Brasil é a defesa da vida. Isso sempre ocorreu, independentemente de governos. A portaria foi feita para tentar impedir que se use como justificativa para o aborto a violência sexual. Se a mulher falar que sofreu um estupro, ela pode fazer o aborto. Só que muitas vezes isso não ocorre e é usado como justificativa. A portaria anterior obrigava a mulher a comunicar o agressor. Quanto à Convenção de Genebra, me parece que existem várias outras questões sendo discutidas, não só aborto, mas relações homoafetivas. Não conheço todo o conteúdo desse documento, então é difícil avaliar. De todo modo, sabemos que a população brasileira em sua maioria é contra o aborto. Então, é assim que devemos seguir.

FE – Um dos temas que também vai muito em pauta com esse assunto é a descriminalização do aborto, que é um dos temas que pode ser enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal ainda neste ano. A questão, como nós sabemos, é alvo de uma ação apresentada pelo PSOL em março de 2017 e que aguarda até agora o julgamento no plenário do tribunal. O que a AME-Brasil espera do STF?

Gilson – Primeiro, que não assuma para si a atitude de descriminalizar o aborto, que não cabe ao Supremo, mas, sim, ao Congresso, a casa da lei. E que respeite a população brasileira, em sua maioria contrária ao aborto.

“As pessoas que defendem o aborto sempre procuram justificativas ou tentam criar alegações para responder a essa atitude de violência contra a vida.”

Ouça a entrevista na íntegra no podcast da Folha Espírita, nas principais plataformas.

Fonte: Folha Espírita

Referência citada:

TEIXEIRA, Jerónima M.; GLOVER, Vivette; FISK, Nicholas M. Acute cerebral redistribution in response to invasive procedures in the human fetus. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 181, n. 4, p. 1.018-1.025, 1999. Doi: https://doi.org/10.1016/s0002-9378(99)70340-6.

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O IMPACTO DO SUICÍDIO NA FAMÍLIA

Cristiane de Carvalho Neves

Atuo como psicóloga exclusivamente na clínica, e especialmente no enfoque sistêmico, nas perdas e no luto e em experiências traumáticas. Entretanto, independente da abordagem, o meu maior propósito quando recebo uma pessoa no consultório, é construir um vínculo afetivo e de escuta respeitosa com o paciente.

Trabalhando com famílias, pessoas enlutadas ou traumatizadas, acabamos por nos aproximar de situações relacionadas ao suicídio. São pessoas que vem por indicação do psiquiatra ou trazido por algum familiar. Outra situação que também me acontece muito é o atendimento de uma pessoa que me traz queixas diversas, porém, com risco velado para o suicídio. O estudo e trabalho sobre os processos do enlutamento me treinou a uma escuta atenta a essa questão do suicídio; uma escuta que me possibilitou captar essa possibilidade e abrir porta para que a pessoa fale sobre isso. Assim, nos conduzimos ao primordial sobre a atenção aos aspectos do suicídio: a importância de poder falar sobre os pensamentos suicidas como prevenção.

É difícil explicar por que algumas pessoas escolhem o suicídio, enquanto outras, em situação similar ou pior, não o fazem. Se conseguirmos olhar para ato suicida como algo mais complexo do que imaginamos, poderemos compreender e ajudar melhor a quem está precisando dessa atenção. Acreditamos que a nossa principal tarefa como profissionais, e principalmente, como pessoas que temos interesse pela vida das outras pessoas, é fazer a prevenção e posvenção ao suicídio.

A Prevenção se faz por meio da escuta ativa, da capacidade de se colocar no lugar do outro e de adentrar no mundo dele. E, para tal, não basta ser bom de coração, precisamos conhecer alguns aspectos que estão implicados na complexidade do comportamento suicida. Entre esses aspectos, temos os lutos não elaborados ou mal resolvidos; a precariedade afetiva nas relações familiares; o acúmulo de experiências de fracasso; um histórico de transtornos psíquicos; e, o mais agravante, a depressão, muitas vezes, não tratada por não ser admitida ou compreendida pela própria família.

Portanto, a Prevenção se refere ao que podemos fazer para evitar o suicídio. Enquanto, a Posvenção é um conjunto de intervenções para evitar que uma nova tentativa de suicídio aconteça. Na Posvenção criamos estratégias de cuidados com o enlutado ou sobrevivente por suicídio, a fim de evitar o luto complicado e a repetição do ato.

As pesquisas e a nossa prática clínica apontam que a maioria dos que cometeram suicídio, de alguma maneira, se comunicou com familiares, médicos ou amigos, antes de atentar contra a própria vida. Também, sabemos que existem casos de pessoas, especialmente, as crianças, os adolescentes e os idosos, que agiram com impulsividade, imaturidade ou esconderam suas intenções, e privaram-se de qualquer ajuda, de tratamento e prevenção. De qualquer forma, sabemos que o suicídio ainda é um tema tabu na nossa sociedade, devido à nossa dificuldade em acolher a dor expressada ou manifestada. Geralmente, sentimos impotentes e impactados, até por conta dos nossos preconceitos. E como um familiar, a situação ainda é pior, devido aos sentimentos de culpa e medo que nos paralisam.

O suicídio ou a sua tentativa, exerce na família um impacto que se manifesta de diferentes formas, a depender da maneira como a família irá enfrentar essa situação. Por exemplo, a forma como a família lida com situações traumáticas, vai determinar o processo de luto ou a sua reorganização em caso de tentativa frustrada do suicídio.

Por falta de conhecimento, podemos observar que há muito preconceito na sociedade sobre o que é o suicídio e, também, vemos isso acontecendo na família, impedindo uma comunicação aberta entre os membros da família sobre o que se passa com eles. Sempre que se fala em suicídio ou em tentativa de suicídio, a tendência é ignorar ou reprimir, ao mesmo tempo em que se quer ajudar e acolher. Por isso, o contato fica mais difícil e, muitas vezes, não acontece.

A pessoa que tenta o suicídio precisa de alguém para confiar, e o resgate ou a criação do vínculo é de extrema importância na família, podendo o aprendizado começar por meio da terapia com o vínculo terapêutico ou com o auxílio do terapeuta no sistema familiar. As famílias devem ser incluídas no tratamento de pessoas com ideação e principalmente com tentativa de suicídio. Às vezes, a família se sente muito culpada ou pode pensar que, se for atendida, roubará tempo do atendimento àquele que, na sua concepção, mais necessita.

Entretanto, com a participação da família no processo psicoterapêutico da pessoa com tentativa de suicídio, percebo, em alguns casos, a preocupação ou medo dos pais ou cuidadores em se “descobrirem” responsáveis por aquele comportamento do filho e não conseguirem carregar esse fardo. Porém, a ideia é poder trabalhar a coparticipação, assim como, a corresponsabilidade pela dinâmica relacional daquele sistema familiar, ajudando-os a encontrar uma nova forma de lidarem com as situações difíceis, juntos.

A pessoa quando chega ao ponto de atentar contra a própria vida, pode estar convivendo há bastante tempo com o sofrimento. É comum que o processo de comunicação entre os membros da família, principalmente com alguém que tentou o suicídio, fique frágil e truncado, não permitindo um bom acolhimento da pessoa, dificultando um trabalho preventivo. A prevenção nesses casos é muito necessária para que não haja uma nova tentativa. Cabe lembrarmos que é na crise que se ressignificam os papéis e se torna uma possibilidade de desenvolver a resiliência permitindo à família superar a desestruturação e se reorganizar a partir dela.

Quando alguém na família tenta suicídio ou quando morre por suicídio e isso não é conversado, criando um segredo, criam-se buracos dentro do sistema e acabam sendo preenchidos com inadequações, além de que vai sendo repassado de geração a geração, criando repetições de padrões anteriores. É desejável que o diálogo seja uma constante no sistema familiar, onde todos se sintam pertencentes e acolhidos em suas diferenças. Essa característica familiar será importante para que cada um na família se sinta respeitado na sua forma de expressar o seu sofrimento do luto.

O alerta sobre os cuidados com as pessoas que sofrem não deve se restringir apenas no mês de setembro, mas sim, durante o ano todo. Vamos cuidar da nossa família – fazendo o nosso melhor, ofertando atenção, carinho e respeito – e da nossa espiritualidade, nos conectando com a força maior que vem de Deus. É disso que todos nós precisamos.

Por Cristiane de Carvalho Neves

Psicóloga Clín. Esp. em Atend. Sistêmico Familiar e Luto

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Médiuns sensitivos: a quem se aplica essa designação?

Paulo da Silva Neto Sobrinho

“O espírita esclarecido repele esse entusiasmo cego, observa com frieza e calma, e, assim, evita ser vítima de ilusões e mistificações.” (Allan Kardec)

Percebemos que existe uma certa dificuldade no entendimento do termo “sensitivo”, daí resolvemos realizar essa pesquisa visando criar a oportunidade de sua compreensão por todos nós.

A primeira obra que consultamos foi Tratado de Metapsíquica, publicada em 1922 ([1]) por Charles Richet (1850-1935), prêmio Nobel de Fisiologia em 1913, criador da Metapsíquica, cuja definição tomamos diretamente do site Guia – Heu:

Metapsíquica – (do gr. meta – além + psikê – alma + suf.). Ciência estabelecida e estruturada por Charles Richet, destinada a estudar os fenômenos que transcendiam à Psicologia e que fugiam ao domínio físico da ciência dita materialista. Sobre este assunto, seu autor escreveu um tratado que, até a 15ª edição sofreu várias modificações. Inicialmente, de cunho materialista, admitia que todo fenômeno procedia do poder psíquico do seu sujet, ou seja, daquele que tinha essa capacidade. Assim, classificou os fenômenos ditos metapsíquicos em dois grupos:

Ø Os objetivos, onde a ação se fazia sentir sobre objetos, como levitação, transportes, etc.,

Ø e subjetivos, os que não atuavam nos ditos objetos, como telepatia, desprendimento e outros.

Posteriormente, estudando os fenômenos ditos espiríticos, reformulou seu ponto de vista e passou a admitir os mediúnicos, preocupando-se sobremodo com os ectoplásmicos. Numa conferência de despedida da cátedra da Universidade de Sorbone, ele se declarou simpatizante da doutrina espírita, o que foi o suficiente para que seus seguidores laicos abominassem seu trabalho e, sob influência da escola metapsiquista alemã, propusessem a substituição da Metapsíquica, para eles comprometida com uma doutrina religiosa, pela Parapsicologia. ([2])

Vejamos o que em “Antelóquio”, do Tratado de Metapsíquica – Tomo I, Richet disse:

Pode-se, em três palavras, resumir os três fenômenos fundamentais que constituem essa nova ciência:

1º – A criptestesia (a lucidez dos autores antigos), ou seja, a faculdade de conhecimento diferente das faculdades sensoriais normais de conhecimento.

2º – A telecinesia, ou seja, uma ação mecânica diferente das forças mecânicas conhecidas, a qual, em determinadas condições, tem, à distância, atuação sem contato sobre objetos ou pessoas.

3º – A ectoplasmia (a materialização dos autores antigos), ou seja, a formação de objetos diversos, os quais, as mais das vezes, parecem saírem do corpo humano e tomam a aparência de uma realidade natural (vestuário, véus, corpos vivos). ([3])

A Metapsíquica transformou-se na Parapsicologia e com isso passou a ter uma abrangência maior, conforme entendemos do artigo “Fenômenos Mediúnicos, Metapsíquicos e Parapsicológicos” de Marta Antunes Moura, publicado no site da Associação Espírita Allan Kardec:

A Parapsicologia é também conhecida como Pesquisa Psi. A Parapsicologia (do grego para = além de + psique = alma, espírito, mente, essência + logos = estudo, ciência), significa, literalmente, o estudo do que está além da psique, viabilizado por indivíduos popularmente conhecidos como “sensitivos” ou “psíquicos”. ([4])

Aqui já podemos ver retratada a preponderância do uso do vocábulo sensitivo entre os parapsicólogos. Dessa forma, eles ficariam “livres” de qualquer ligação com temas religiosos ou espiritualistas, que se poderia fazer. Entretanto, um problema surgiu na Parapsicologia: é que, infiltrada de adeptos das religiões tradicionais, esses passaram a “defender” a teologia deles, demonizando o que estivesse fora do conceito que advogavam.

Do Tratado de Metapsíquica – Tomo I, na parte intitulada “Da metapsíquica subjetiva”, do cap. I – Metapsíquica em Geral, do tópico § 4º – Os médiuns, destacamos os seguintes trechos:

A palavra médium, execrável sob todos os títulos, está consagrada pelo uso. Não é mais possível bani-la. (2) Significam intermediários entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

(2) – Deve-se empregar esta palavra no feminino? Parece-nos que se poderá dizer a médium.

O poder dos médiuns se exprime pelo termo, aliás muito mau também, de poder medianímico. A faculdade de ser médium é a medianimidade ou a mediunidade. Que lástima não podermos substituir esse odioso patoá! ([5])

O que nos surpreendeu foi comprovar que Charles Richet nutria forte ojeriza à palavra médium, provavelmente por ela ter relação direta com a comunicação com os mortos. Continuando:

A ciência é uma língua bem-feita, disse um filósofo. Não devemos pois dar o mesmo nome de médium a indivíduos assim tão diferentes, como, por exemplo, Eusapia e a Senhora Piper. Podemos chamar médiuns aos indivíduos que produzem efeitos físicos; sensitivos, aos indivíduos capazes de produzirem os fenômenos criptestésicos, que eles atribuem a uma força estranha; autômatos, aos indivíduos que, sem criptestesia, parece apresentarem, pela escrita automática, segundas personagens, criadas, sem dúvida, pela autossugestão, mas que parece serem espontâneas.

Como toda classificação, esta aqui é também arbitrária. Os sensitivos são sempre autômatos, enquanto os autômatos raramente são sensitivos. Poderia citar centenas de casos de escrita automática, os quais não são senão fantasias mediocremente interessantes do inconsciente desprendido, sem lucidez, sem criptestesia, sem nada que valha a pena de ser notado, a não ser o extraordinário poder do inconsciente. ([6])

Richet restringe o termo médium para os indivíduos que possuem a capacidade mediúnica de produzir os fenômenos designados de “efeitos físicos”, nos quais o ectoplasma é a fonte produtora, deixando os relacionados a “efeitos intelectuais” ao vocábulo sensitivo.

Detectamos que, na Codificação Espírita, a 1ª vez que o termo “sensitivo” aparece é em O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. V – Manifestações físicas espontâneas. No primeiro parágrafo da mensagem de Erasto, constante do item 98, lemos:

É indispensável, para obter fenômenos dessa ordem, dispor de médiuns que chamarei de sensitivos, ou seja, dotados no mais alto grau de faculdades medianímicas de expansão e de penetrabilidade. Porque o sistema nervoso desses médiuns, facilmente excitável, por meio de certas vibrações, projeta profusamente ao seu redor o fluido animalizado. ([7])

Os fenômenos, aos quais Erasto se refere, são os de transporte e as manifestações físicas, ambos classificados como de efeitos físicos. Então, para ele, Erasto, aqueles indivíduos que os produzem seriam os “sensitivos”, enquanto para Richet seriam os médiuns.

O fluido animalizado, mencionado por Erasto, foi designado por Richet de ectoplasma, termo que prevaleceu no movimento espírita mundial.

Do cap. XIV – Os médiuns, item 159, de O Livro dos Médiuns, destacamos o seguinte parágrafo:

Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos. ([8])

Entre os vários tipos de médiuns aqui listados, encontramos os “sensitivos ou impressionáveis”, sobre os quais, em O Livro dos Médiuns, cap. XVI – Os médiuns, tópico “2. Médiuns sensitivos ou impressionáveis”, o Codificador explicou:

164. São assim designadas as pessoas capazes de sentir a presença dos Espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de arrepio geral que elas mesmas não sabem o que seja. Esta variedade não apresenta caráter bem definido. Todos os médiuns são necessariamente impressionáveis, de maneira que a impressionabilidade é antes uma qualidade geral do que especial: é a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras. Difere da impressionabilidade puramente física e nervosa, com a qual não se deve confundi-la, pois há pessoas que são necessariamente sensíveis e sentem mais ou menos a presença dos Espíritos, ao passo que outras muito suscetíveis absolutamente não os percebem.

Essa faculdade se desenvolve com o hábito e pode atingir uma tal sutileza que a pessoa dotada reconhece, pela sensação recebida, não só a natureza boa ou má do Espírito que se aproximou, mas também a sua individualidade, como o cego reconhece, por um certo não sei que, a aproximação desta ou daquela pessoa. Ela se torna, em relação aos Espíritos, um verdadeiro sensitivo. Um bom Espírito produz sempre uma impressão suave e agradável; a de um mau Espírito, pelo contrário é penosa, angustiante e desagradável; tem como que um cheiro de impureza. ([9])

Notamos que na explicação para “sensitivo” não foi mantida a anterior, que nos pareceu totalmente ignorada.

Um pouco mais à frente, em O Livro dos Médiuns, cap. XVI – Médiuns especiais, tópico “Quadro sinótico”, nos itens 187 e 188, lemos:

  1. Podem-se dividir os médiuns em duas grandes categorias:

Médiuns de efeitos físicos – Os que têm o poder de provocar os efeitos materiais ou as manifestações ostensivas. (Ver n° 160)

Médiuns de efeitos intelectuais – Os que são mais especialmente aptos a receber e a transmitir as comunicações inteligentes. (Ver n° 65 e seguintes) (2)

Todas as demais variedades se ligam mais ou menos diretamente a uma ou a outra dessas duas categorias, e algumas participam de ambas. Analisando os diversos fenômenos produzidos sob influência mediúnica vê-se que há em todos um efeito físico, e que aos efeitos físicos se junta quase sempre um efeito inteligente.

É às vezes difícil estabelecer o limite entre ambos, mas isso não acarreta nenhuma dificuldade. Incluímos na classificação de médiuns de efeitos intelectuais os que podem mais especialmente servir de instrumentos para comunicações regulares e contínuas. (Ver n° 133)

_______

(2) Essa classificação mediúnica foi duplamente confirmada pela pesquisa científica. Primeiro, pela Metapsíquica, que dividiu os fenômenos em objetivos e subjetivos. Depois, pela atual Parapsicologia, que criou as classificações psigama e psikapa, designando a primeira os fenômenos intelectuais ou subjetivos, e a segunda os fenômenos objetivos ou materiais. Ambas as ciências reconheceram também as duas categorias de sensitivos (médiuns), com as diversas variedades ou classes constantes deste livro (N. do T.) ([10])

A transcrição do item 187 tem como principal objetivo ressaltar a nota do tradutor, no caso o jornalista José Herculano Pires (1914-1979), que apresenta a visão da Parapsicologia sobre os dois tipos de médiuns.

  1. Variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade:

Médiuns sensitivos – Pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material. Na sua maioria distinguem os Espíritos bons ou maus pela natureza da sensação que causam. (Ver n° 164)

Os médiuns delicados e demasiado sensíveis devem abster-se de comunicações com Espíritos violentos ou cuja sensação é penosa, por causa da fadiga resultante. ([11])

Completam a lista de gêneros de mediunidade: os médiuns naturais ou inconscientes, os médiuns facultativos ou voluntários.

Nesse item, a definição de médiuns sensitivos é a mesma do item 164, essa é a razão pela qual julgamos ser ela a que deve prevalecer.

Do cap. XIX – Transes e incorporações da obra No Invisível (1903), autoria Léon Denis (1846-1927), transcrevemos o seguinte trecho:

[…] Em nosso grupo contavam-se por dezenas os Espíritos que se comunicavam. Em cada sessão, tínhamos de seis a oito, dos quais dois ou três para cada médium. À medida que cada um deles se apresentava, mudava a fisionomia do sensitivo, a expressão das feições se modificava. Pela inflexão da voz, pela linguagem e atitude, a personalidade invisível se revelava, antes de ter dado o nome. Esses Espíritos não se manifestavam todos seguidamente. […]. ([12])

Pelo que pudemos entender, Léon Denis usa o vocábulo sensitivo para, genericamente, designar os médiuns.

Em Animismo ou Espiritismo? (1938), de Ernesto Bozzano (1862-1943), no cap. III – As comunicações mediúnicas entre vivos provam a realidade das comunicações mediúnicas com defuntos, vale a pena destacar:

Não esqueçamos que a denominação de “fenômenos mediúnicos” propriamente ditos designa um conjunto de manifestações supranormais, de ordem física e psíquica, que se produzem por meio de um “sensitivo” a quem é dado o nome de médium, por se revelar qual instrumento a serviço de uma vontade que não é a sua. Ora, essa vontade tanto pode ser a de um defunto, como a de um vivo. […]. ([13])

Mais um estudioso do Espiritismo que usa a palavra sensitivo para designar os médiuns.

Particularmente, preferimos ficar com a definição e a consequente especificação dada por Allan Kardec (1804-1869), deixando apenas para os parapsicólogos o uso de “sensitivo”.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Fonte: Espiritismo na Rede

Referência bibliográfica:

BOZZANO, E. Animismo ou Espiritismo? Rio de Janeiro: FEB, 1987.

DENIS, L. No Invisível. Rio de Janeiro: FEB, 1987.

KARDEC, A. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Lake, 2006.

RICHET, C. Tratado de Metapsíquica – Tomo I. São Paulo: Lake, 2008.

GUIA – HEU, Metapsíquica, disponível em: LINK-1. Acesso em: 10 nov. 2022.

INTERNET ARCHIVE (site), Richet, Charles Robert, Traité de métapsychique, disponível em LINK-2. Acesso em: 15 dez. 2022.

MOURA, M. A. Fenômenos Mediúnicos, Metapsíquicos e Parapsicológicos, disponível no site Associação Espírita Allan Kardec pelo link: LINK-3. Acesso em: 10 nov. 2022.

[1] INTERNET ARCHIVE (site), Richet, Charles Robert, Traité de métapsychique, disponível em LINK-2.

[2] GUIA – HEU, Metapsíquica, disponível em: LINK-1.

[3] RICHET, Tratado de Metapsíquica, p. 11-12.

[4] MOURA, Fenômenos Mediúnicos, Metapsíquicos e Parapsicológicos, disponível no site Associação Espírita Allan Kardec pelo link: LINK-3.

[5] RICHET, Tratado de Metapsíquica, p. 67.

[6] RICHET, Tratado de Metapsíquica, p. 74.

[7] KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 139.

[8] KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 139.

[9] KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 143.

[10] KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 159.

[11] KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 159.

[12] DENIS, No Invisível, p. 269.

[13] BOZZANO, Animismo ou Espiritismo?, p. 51.

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Informações espirituais sobre a vida em Marte

Humberto de Campos

O Espírito Humberto de Campos fornece um relato de uma excursão que ele e outros espíritos fizeram ao planeta Marte, descritas no livro “Novas Mensagens” pela psicografia de Chico Xavier.

Humberto de Campos: “Depois de alguns segundos, chegávamos ao termo de nossa viagem vertiginosa. Dentro da atmosfera marciana, experimentamos uma extraordinária sensação de leveza… Ao longe, divisei cidades fantásticas pela sua beleza inédita, cujos edifícios, de algum modo, me recordavam a Torre Eiffel ou os mais ousados arranha-céus de Nova York.

Máquinas possantes, como se fossem movidas por novos elementos do nosso “hélium” balouçavam-se, ao pé das nuvens, apresentando um vasto sentido de estabilidade e de harmonia, entre as forças aéreas. Aos meus olhos, desenhavam-se panoramas que o meu Espírito imaginara apenas para os mundos ideais da mitologia grega, com os seus paraísos cariciosos. Aturdido, interpelei o chefe da nossa caravana, que se conservava silencioso:

Se a Terra julga a influência de Marte como profundamente belicosa, como poderemos conciliar a definição dos astrólogos com os espetáculos reais?”  “E, por ventura  respondeu-me o excelente mentor espiritual — chegaste a conhecer no planeta terrestre um homem ou uma idéia, retirando a humanidade de sua rotina, sem sofrimento e sem guerra? Para o nosso mundo, Marte é um irmão mais velho e mais experimentado na vida. Sua atuação no campo magnético de nossas energias cósmicas verifica-se de modo que os homens terrenos possam despir os seus envoltórios de separatividade e de egoísmo.”

Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 25 de julho de 1939

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

XAVIER, F. C. Novas Mensagens. Pelo Espírito Humberto de Campos. 14. ed. Brasília: FEB, 2014.

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Dúvidas frequentes sobre o Espiritismo

Reprodução

Abaixo reproduzimos material da Federação Espírita Brasileira com dúvidas frequentes acerca do Espiritismo.

  • O que é o Espiritismo?

É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita: O livro dos espíritos; O livro dos médiuns; O evangelho segundo o espiritismo; O céu e o inferno; e A gênese.

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”   Allan Kardec (O que é o espiritismo – Preâmbulo)

“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”   Allan Kardec (O evangelho segundo o espiritismo – cap. VI – 4).

  • O que é reencarnação?

Trata-se de um mecanismo regulador da evolução do Espírito, por meio do qual o homem vive muitas existências corporais sucessivas. Resulta desse princípio que a alma, depois de haver deixado um corpo, toma outro; em outras palavras, que ela reencarna em um novo corpo. Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu aprimoramento. O objetivo da reencarnação é a evolução.

  • O que é mediunidade?

A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adotem. Mas atenção: prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã. Portanto, em hipótese alguma o médium poderá cobrar dinheiro, exigir ou aceitar qualquer forma de recompensa (presentes, dádivas, agrados etc.) por suas atividades mediúnicas.

  • O que são os Espíritos?

Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo. Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade. Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.

  • O que o Espiritismo informa sobre Jesus?

Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus. A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

  • Onde vivem e o que fazem os Espíritos desencarnados?

Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados. Eles estudam, trabalham e desenvolvem diversas atividades no mundo espiritual.

  • O Espiritismo tem, entre seus princípios, a crença em Deus?

Sim. O Espiritismo explica que Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. É eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais. Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

  • O Espiritismo tem, entre seus princípios, a existência de vida em outros mundos?

Sim. A Doutrina Espírita esclarece que no Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.

  • Quantos adeptos do Espiritismo há no Brasil?

De acordo com o Censo 2010 (IBGE), há 3,8 milhões de espíritas no Brasil.

  • Quantos centros espíritas existem no Brasil?

Cadastrados junto à Federação Espírita Brasileira há 15 mil centros espíritas.

  • Os Espíritos sabem todas as coisas?

Os Espíritos são as almas dos homens que já perderam o corpo físico. A exemplo do que observamos na Humanidade encarnada, o conhecimento que eles têm é correspondente ao seu grau de adiantamento moral e intelectual. A morte é uma passagem para a vida espiritual e não dá valores morais ou de inteligência a quem não os tem.

  • Os Espíritos podem reencarnar em corpos de animais?

Não. Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.

  • Espiritismo é o mesmo que Umbanda ou Candomblé?

Não. O Espiritismo é uma doutrina que surgiu na França, em 1857. O Candomblé (de origem africana) e a Umbanda (originária do Brasil) são doutrinas espiritualistas.

  • Todos os Espíritos são iguais?

Não. Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima; Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.

  • Somente pelo Espiritismo se pode ter contato com os Espíritos?

Não. As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os imperfeitos nos induzem ao erro.

  • O que é lei de causa e efeito?

É uma lei criada por Deus e que dispõe que o homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas consequências de suas ações. O que fazemos de mal e de bem retornará para nós nessa mesma vida ou em existência posteriores. A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.

  • O que é a prece, de acordo com o Espiritismo?

A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a ideia da existência do Criador. A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.

  • Nas instituições espíritas há algum tipo de pagamento?

Não. Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”.

  • O Espiritismo revela algo novo?

Sim. O Espiritismo revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos homens, dos Espíritos e das leis que regem a vida. Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

  • O Espiritismo tem rituais ou sacerdotes?

Não. A prática espírita é realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade. O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.

  • O Espiritismo é proselitista? Existem campanhas para que as pessoas se tornem Espíritas?

Não. O Espiritismo não impõe jamais os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

  • Como o Espiritismo se relaciona com as demais religiões?

O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social.  Reconhece que “o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”.

Fonte: Letra Espírita

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Um livro de história do Espiritismo de Carlos Seth

por Dora Incontri

Associação Brasileira de Pedagogia Espírita

Li em dois dia o livro recém lançado Espíritos o sob Investigação – Resgatando parte da história, de Carlos Seth Bastos (Edição de CCDPE – ECM), curiosíssima para saber do resultado, que já havia acompanhado parcialmente na página do Facebook CSI – Imagens e Registros Históricos do Espiritismo e nas próprias fontes que estão sendo publicadas no Projeto Allan Kardec (pela UFJF), Allan Kardec on-line e outros…

Por conta desse meu interesse constante de saber como andam as pesquisas históricas em torno de Kardec, com documentos inéditos, que a cada dia vêm enriquecer nosso conhecimento da trajetória do mestre e do próprio espiritismo, o livro não apresentou grandes novidades. Mesmo assim, trouxe informações que eu desconhecia e, mais do que tudo, alinhavou de maneira sistemática as evidências documentais que temos até aqui de diversos fatos da época de Rivail, depois de Kardec e dos acontecimentos depois de sua morte.

A obra também organiza o que sabemos sobre os médiuns que trabalharam no início e durante a constituição do espiritismo, trazendo pesquisas sobre suas biografias, suas contribuições e, muitas vezes, sobre suas deserções…

A qualidade maior dessa obra é traçar de maneira clara e inequívoca o que temos de informações documentadas, desmentindo lendas, teorias conspiratórias infundadas e limpando assim o terreno histórico do espiritismo, para pavimentá-lo de evidências documentais, deixando em suspenso o que ainda não pode ser confirmado.

Carlos Seth Bastos faz tudo isso de maneira desapaixonada, sem julgamentos morais dos personagens envolvidos, sem transformar toda a história numa batalha dramática entre o bem e o mal. Sem sensacionalismo, portanto, atendo-se aos fatos e aos documentos que os demonstram.

Trata-se de uma história bem humana: médiuns, pesquisadores, e o próprio Kardec (sem dúvida o mais elevado entre todos) e mesmo os espíritos – todos com suas limitações, contextos pessoais e históricos, com suas boas intenções, com sua maior ou menor integridade na busca da verdade. Alguns misturando mais, outros menos, interesses pessoais, vaidades, paixões nas suas vivências espíritas.

Nesse quadro, espanta-nos a quantidade de deserções, traições, oposições, que Kardec teve de enfrentar – ele mesmo testemunha isso em Obras Póstumas, dizendo que a Sociedade de Estudos Espíritas de Paris havia sido sempre um ninho de intriga. Fora isso – e as suas cartas desde a época de Rivail também falam disso – as dificuldades financeiras, o trabalho excessivo e os problemas de saúde que o acompanharam vida afora. E, no entanto, não vemos nele nenhum rancor, nenhuma tendência a desistir. Ao invés, o devotamento, a abnegação, o absoluto desinteresse pessoal e a grande benevolência para com todos dão conta do grau de elevação desse espírito, incumbido de uma grande tarefa espiritual – coisa aliás, que muitos espíritas, de sua e ainda de nossa época, não são capazes de reconhecer. Esse reconhecimento não significa idolatria, deixando de exercitarmos a crítica histórica, quando necessária, para apontar aquilo que Kardec não conseguiu transcender em relação ao seu condicionamento cultural, de um homem branco, francês, do século XIX.

A figura que se destaca sem os exageros tenebrosos – com que alguns de seus contemporâneos o descreveram e outros continuam descrevendo, como “o coveiro do espiritismo” – é Pierre- Gaëtan Leymarie. Certamente, alguém que amava Kardec e o espiritismo, mas muitas vezes ingênuo, ambíguo, confuso – talvez algumas vezes movido por vaidade e interesses pessoais, mas idealista também, capaz de voltar atrás em seus equívocos e escrever coisas sensatas, como muitas das citadas por Seth. Enfim… um ser humano com seus erros e acertos.

Tirar a história desse maniqueísmo entre “os bons e os maus”, “os fieis e os traidores” é um exercício importante, certamente aprovado por um mestre do quilate de Kardec, e bem mais de acordo com a filosofia espírita, que aponta que estamos todos em processo de aprendizagem, com nossos tropeços e ascensões e que o próprio erro faz parte natural desse processo.

Em outras histórias de grandes ideias, temos exatamente o que aconteceu com o espiritismo nascente: dissensões, rupturas, contendas sobre os rumos do movimento. Assim foi com o próprio cristianismo, com o movimento franciscano, com a psicanálise… O mundo ainda é o reinado da opinião, posta com discursos apaixonados e muitas vezes fanáticos.

Demonstram estar mais próximos da verdade (embora a verdade nossa seja sempre limitada e relativa) os que usam de maior racionalidade, apresentam argumentos e evidências e são capazes de debater com respeito e civilidade.

Nesse sentido, o livro Espíritos sob Investigação – Resgatando parte da história se mantém nesse diapasão e, por isso, contribui construtivamente para o debate histórico do espiritismo. Longe de fechar todas as questões, deixa muitas em aberto, porque outros documentos poderão ser encontrados e apontarem para cenários que ainda não entendemos completamente.

A única coisa que poderia ser melhorada numa próxima edição, são alguns poucos parágrafos que não ficaram suficientemente claros em sua redação, também pela quantidade de informações neles contidas.

De resto, uma obra muito importante para ser lida.

Dora Incontri

Fonte: Um livro de história do Espiritismo de Carlos Seth | Blog da ABPE (blogabpe.org)

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O nada cria alguma coisa?

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Não há efeito sem causa, e dito princípio é Lei, é fato, é coisa e lema, pois é a própria Ciência mundana que preconiza: desde que algo se dê (efeito), este algo procede de alguma coisa (causa), ou de algum outro fato, outro fenômeno e, pois, outra geratriz causal, etc., etc.

Assim, pois, as Leis universais existem como grandes efeitos cósmicos; mas tais Leis, se não são obra do acaso, hão de ter uma causa, um princípio que as gerou, pois que, repetimos: “Não há efeito sem causa”.

E, pois, nós todos, no início de nossas vidas, éramos compostos de água, de proteínas, ou de vitaminas do papai e da mamãe ao seio de nossas genitoras!

Mas pensar que nós todos, hoje adultos, homens inteligentes e, pois, de procederes éticos e coisas outras mais de nossa capacidade, pensar que nós mesmos – repito – somos derivados de uma porção de água e proteínas, é pensar pelas metades, pois que Algo, além de tal porção aquosa, estava ali, com suas respectivas leis, gestando, inteligentemente, o nosso edifício corporal, dotado de tão complexas funções: biológicas e éticas, espirituais e morais.

Ainda ontem vimos pela Internet, no site “Inovação Tecnológica”: “Universo Simulado em um Átomo Mostra Matéria Emergindo do Espaço Vazio”!

Noutros termos:

“… Esse Universo atômico, ou átomo-universo, já permitiu que se observasse um dos fenômenos mais enigmáticos com que os físicos já se depararam em seus experimentos: ver a matéria sendo criada ‘do nada’.”

Donde questionamos: – O nada cria alguma coisa?

Pelo que já vimos: não há efeito sem causa e, pois, a matéria há de ser criada por alguma coisa, e não cremos seja criada “do nada”, pois que o nada não existe!

Mas o simples fato de aqueles físicos alemães colocarem “do nada”, com aspas, isto já indica que a matéria surge de alguma coisa, que eles não sabem o que é, mas o Espiritismo sabe, e isso desde o Século 19: “A Alma dorme na pedra, sonha no vegetal, se agita no animal e acorda no Homem”.

Ou, noutros termos:

“Tudo se encadeia no Universo, desde o átomo primitivo ao Arcanjo que começou por ser átomo”. (Vide: “O Livro dos Espíritos”.)

Logo, tudo provém do Criador, sendo dita matéria sólida não mais que uma conversão da energia elementar em uma forma de energia condensada, ou solidificada como matéria, evoluindo, a partir daí, pelos mais diversos reinos da natureza até à condição de Espírito Puro, tal como se estuda e se aprofunda nas mais distintas obras do Espiritismo desde o Século 19, que no Século 20 prosseguiram com os mais renomados estudiosos e reveladores da momentosa questão.

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Fonte: Espiritismo na Rede

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