Sobre as Pessoas Felizes

Socorro Acioli

Existem pessoas admiráveis andando em passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, sujeitos exemplares que superam toda desesperança. Tenho a sorte de conhecer vários deles, de ter muitos como amigos e costumo observar suas ações com dedicada atenção. Tento compreender como conseguem levar a vida de maneira tão superior à maioria, busco onde está o mistério, tento ler seus gestos e aprendo muito com eles.

De tanto observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todos e o que mais me impressiona é que são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte deles, está intrínseco. Vivem um dia após o outro desfrutando de uma alegria genuína, leve, discreta, plantada na alma como uma árvore de raízes que força nenhuma consegue arrancar.

Dos felizes que conheço, nenhum leva uma vida perfeita. Não são famosos. Nenhum é milionário, alguns vivem com muito pouco, inclusive. Nenhum tem saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam e enfrentaram dissabores de várias ordens. Mas continuam discretamente felizes.

O primeiro hábito que eles têm em comum é a generosidade. Mais que isso: eles têm prazer em ajudar, dividir, doar. Ajudam com um sorriso imenso no rosto, com desejo verdadeiro e sentem-se bem o suficiente para nunca relembrar ou cobrar o que foi feito e jamais pedir algo em troca.

Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com a dor do outro, querem colaborar de alguma maneira. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, doam o próprio tempo, suas horas de vida, às vezes dividem o que tem, mesmo quando é muito pouco.

Eu também observo os infelizes e já fiz a contraprova: eles costumam ser egoístas. Negam qualquer pequeno favor. Reagem com irritação ao mínimo pedido. Quando fazem, não perdem a oportunidade de relembrar, quase cobram medalhas e passam o recibo. Não gostam de ter a rotina perturbada por solicitações dos outros. Se fazem uma bondade qualquer, calculam o benefício próprio e seguem assim, infelizes. Cada vez mais.

O segundo hábito notável dos felizes é a capacidade de explodir de alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo de felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir. E seguem infelizes.

O terceiro hábito dos felizes é saber aceitar. Principalmente aceitar o outro, com todas as suas imperfeições. Sabem ouvir sem julgar. Sabem opinar sem diminuir e sabem a hora de calar. Sobretudo, sabem rir do jeito de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: amo você e todas as suas pequenas loucuras.

Escrevo essa crônica, grata e emocionada, relembrando o rosto dos homens e mulheres sublimes que passaram e que estão na minha vida, entoando seus nomes com a devoção de quem reza. Ainda não sou um dos felizes, mas sigo tentando. Sigo buscando aprender com eles a acender a luz genuína e perene de alegria na alma. Sigamos os felizes, pois eles sabem o caminho.

Fonte: Associação Espírita Allan Kardec

Socorro Acioli: é uma escritora brasileira, Doutora em Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense (2010), Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Ceará (2004) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal.

Publicado em por admin | Deixe um comentário

ADVERSIDADES – Uma atrás da outra?

Sabe quando tudo parecer acumular  adversidades? Sensação é que estamos levando surras, uma após outra, numa sequência assustadora.

Antigo instrutor – em missão de Verdades Celestes – rogou amparo do Alto e acompanhado de um cão, ia em missão de aldeia a aldeia – normalmente bem distantes uma da outra – e encontra pelo caminho várias contrariedades porque o tempo não foi suficiente para alcançar o próximo destino antes de anoitecer. E se viu nas seguintes situações, especialmente porque anoitecera:

  1. Tentou dormir numa cova que lhe pareceu confortável, mas foi atacado por nuvem de moscas vorazes e teve que retomar o caminho na escuridão;
  2. Num trecho de bifurcação, encontro volumoso riacho, mas uma ponte rústica que ligava com a outra margem do que lhe pareceu volumoso riacho, repentinamente se desligou das bases, quebrando-se inteiramente e não permitindo a travessia;
  3. Numa robusta árvore – na sequência de sua caminhada rumo ao destino – pensou em ali acolher-se, mas forte ventania derrubou o vigoroso tronco;
  4. Mesmo com chuva, avançou, quando encontrou um casebre iluminado e suspirou aliviado. Batendo à porta pedindo proteger-se, foi severamente rechaçado;
  5. O cão fugiu-lhe da companhia, face aos intensos relâmpagos;

Diante de tantas adversidades, chorou angustiado, acreditando-se esquecido de Deus, e passou a noite ao relento, sob chuva. Alta madrugada, ouviu muitos gritos e aguardou o amanhecer. Veio a saber que uma quadrilha de ladrões pilhara a choupana humilde onde lhe fora negado pernoitar, assassinando todos os moradores. Informara-se depois, retornando pelo mesmo caminho para então achar o caminho correto (na escuridão escolhera caminho contrário) e constatou por si mesmo:  a) a ponte rompida livrara-o de um pântano perigoso; b) a árvore tomada era conhecido covil de lobos; c) onde a nuvem de moscas o espantara era ninho de perigosas serpentes e que a fuga do cão, que uivava, garantiu-lhe o repouso, sem chamar atenção de malfeitores que agiram naquela noite.

Compreendeu, então, que não soubera compreender o socorro de Deus que o livrara de muitos perigos para que cumprisse sua missão. Deus sempre ouve nossas rogativas, mas é preciso discernimento para compreender as respostas que o Pai Celeste envia.  Muitas adversidades ou contrariedades que surgem, muitas vezes numa sequência, são sábias providências de Deus para nos livrar ou proteger de perigos maiores.

Trecho adaptado do capítulo 28– A Resposta Celeste, com transcrições parciais, constantes do livro JESUS NO LAR (ed. FEB).

Fonte: Portal do Espírito

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O luto e o sentimento de culpa

A perda de entes queridos cria sulcos profundos no nosso psiquismo. O vazio deixado pelas perdas é deveras doloroso ao ser abordado no espaço terapêutico. Revirar as emoções que ficaram gravadas e escondidas na memória atual é reviver os fatos como se fossem no presente, aqui e agora. Como esquecer ou sublimar um amor que marcou intensamente nossas vidas, cujas lembranças acendem uma chama que queima nossas entranhas, causando significativos danos emocionais, psíquicos e por conseguinte físicos? Não dá para fazer de conta que isso não existiu.

Nos últimos dois anos, em face da pandemia que assolou toda a população do nosso planeta, onde milhões de vidas foram ceifadas, confrontamo-nos sobremaneira com essa fatalidade, perdendo amigos e familiares próximos e nenhuma família passou em branco. A experiência da morte chegou em todos os recantos, deixando sua marca e sinais de dor e sofrimento nos corações dos que ainda por aqui transitam. Independente do credo religioso, da fé aprendida e praticada, a dor dói, e cada um tem o seu jeito particular para lidar com ela assim como no luto.

A conduta indicada para conviver com a dor é a paciência. É fato que ninguém se encontra preparado para perder a quem ama, a menos que ame sabendo que um dia irá perder. O luto pode trazer no seu bojo um sentimento de culpa por sentirmos alívio, quando a perda está ligada ao sofrimento de alguém que se foi, pessoa ou animal de estimação.

Vejo como legítimo fazer visitas ao local de sepultamento, guardar pertences pessoais etc. que pode expressar gesto de carinho e saudades do objeto da perda; fazer um pouco as tarefas que a pessoa fazia pode matar a saudade e poderá ter efeito positivo. Porém, querer assumir a vida de quem foi não garante que a falta não será sentida. Que o vazio será preenchido.

Falar sobre a perda sem atribuir valores e julgamentos pode ajudar a quebrar a culpa e o luto. Sobre essas ilações, os teóricos desenvolveram estudos na tentativa de trazer alívio e/ou solucionar a questão das reações humanas diante das perdas.

Freud, no artigo intitulado Luto e Melancolia (1) assim descreve: ”O luto de modo geral é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante”… ”também vale notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos que seja superado após um lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele”.

No meu entender, nenhuma teoria é capaz de explicar o luto, por ser uma experiência viva, intransferível, única e pessoal. Explicar a dor do luto é como explicar a alegria e o prazer do amor. Posso afirmar que o luto tem caráter personalizado e precisa ser vivido passo a passo e não se trata de uma doença e não tem prazo para terminar. Cada um tem o seu tempo e poderão ocorrer ciclos de intensidade de maior e menor teor, enquanto o sofrimento prolongado poderá acarretar somatizações, provocando baixa da imunidade e sujeitando a pessoa a várias patologias. O estado de luto nos obriga a rever valores, buscar outro sentido para a vida com novos ingredientes, como num estágio a vida de relação nos premia com a oportunidade de aprendermos a lidar com as recomposições psicológicas e emocionais, amadurecendo os nossos sentimentos. Nesse capítulo, somos impelidos a buscar respostas a questões atávicas no que diz respeito ao ser espiritual que somos. As perguntas que a ciência acadêmica não pode responder de forma satisfatória encontram-se em abundância nas religiões, nos mais variados formatos e ideologias teológicas. Destaque para a Doutrina Espírita no que concerne à continuidade da vida, enquanto espíritos imortais em trânsito pelos muitos mundos habitados.

No primeiro livro da série psicológica “O Homem Integral” pelo espírito Joanna de Ângelis, a mentora assim se expressa: “Definitivamente, as experiências psíquicas parapsicológicas, e mediúnicas, provocadas ou naturais, têm trazido importante contribuição para equacionar o problema da morte, dando sentido à existência. Conscientizando-se, o homem, da continuidade do ser pensante após as transformações do corpo através da morte da forma, alteram-se-lhe, totalmente, os conceitos sobre a vida e a sua conduta no transcurso da experiência orgânica. De qualquer forma, reservar espaço para o desapego das coisas, das pessoas e das posições, analisando a inevitabilidade da morte, que obriga o indivíduo a tudo deixar, é uma terapia saudável e necessária para um trânsito feliz pelo mundo objetivo”. (2)

Certamente, nenhum de nós deseja acelerar o carimbo do passaporte de volta à espiritualidade. No entanto, por sabermos ser inevitável esse retorno, rogamos ao Pai que seja feito a sua vontade. Mas que possamos ainda ter tempo suficiente para dar curso aos ajustes que se fizerem necessários, para uma vida repleta de atividades no caminho do amor ao próximo e saúde espiritual.

Arleir Bellieny

Fonte: Espiritismo na Rede

Bibliografia:

(1) Freud, Sigmund, Obras Completas, Imago, 1969, volume XIV, páginas 275/6.

(2) Ângelis, Joanna, Franco Divaldo, O Homem Integral, LEAL, 1ª edição 1990, página 140.

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Meditação: a importância da escuta interior

Por Eliana Haddad

A palavra meditação aparece nas obras de Allan Kardec referindo-se à análise e reflexão, diferentemente do seu conceito oriental relacionado à técnica de relaxamento e concentração em si mesmo, com especial atenção à respiração, em busca de uma sensação de quietude e harmonia interior.

Analisada pela visão espiritual, a atitude meditativa pode muito auxiliar, por exemplo, no recolhimento de uma prece, na busca da inspiração e na percepção de sentimentos e emoções que facilitam o autoconhecimento.

O espiritismo nos mostra uma visão diferente sobre os benefícios da vida contemplativa. Na questão 657 de O livro dos espíritos, Kardec pergunta se os homens que se consagram à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e só pensando em Deus, têm algum mérito. Os espíritos respondem: “Não, porquanto se é certo que não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida todo pessoal e inútil à humanidade, e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.”

O fato aqui se refere a alguém que passasse a vida meditando, o que difere do uso da meditação para nos auxiliar a encontrar um pouco mais de serenidade e equilíbrio para seguirmos no esforço da transformação moral, grande finalidade do espírito perfectível.

Pode-se ilustrar, por exemplo, também, com as recomendações de Santo Agostinho, na questão 919, quando ensina o processo de autoconhecimento, que seria em muito auxiliado pela conscientização de quem somos, como agimos, um mergulho todas as noites na interioridade das nossas atitudes.

Meditação para Léon Denis

O filósofo e escritor espírita Léon Denis, refere-se à meditação tal como concebida atualmente. Diz ele em sua obra em O grande enigma: “Deus nos fala através de todas as vozes do infinito. Ele nos fala não numa bíblia escrita há séculos, porém numa bíblia que se escreve todos os dias com esses caracteres majestosos que se chamam oceano, mares, montanhas e astros do céu, através de todas as harmonias suaves e graves que sobem do seio da terra ou descem dos espaços etéreos. Ele nos fala ainda no santuário do nosso ser, nas horas de silêncio e de meditação”.

Com sua explicação poética, Denis esclarece que, quando os ruídos discordantes da vida material se calam, então, a voz interior desperta e se faz ouvir. “Essa voz sai das profundezas da consciência e nos fala de dever, de progresso, de ascensão. Há em nós um refúgio íntimo, como uma fonte profunda de onde podem jorrar ondas de vida, de amor, de virtude, de luz”.

Em outra obra, O problema do ser, do destino e da dor, defende que a meditação metódica auxilia no desenvolvimento dos sentidos psíquicos. “Consiste em insular-se uma pessoa em certas horas do dia ou da noite, suspender a atividade dos sentidos externos, afastar de si as imagens e ruídos da vida externa, o que é possível fazer mesmo nas condições sociais mais humildes, no meio das ocupações mais vulgares. É necessário para isso concentrar-se e, na calma e no recolhimento do pensamento, fazer um esforço mental para ver e ler no grande livro misterioso o que há em nós. E ainda recomenda nesses momentos: “apartai de vosso espírito tudo o que é passageiro, terrestre, variável. (…) A meditação, a contemplação e o esforço constante para o bem e o belo formam correntes ascensionais, que estabelecem a relação com os planos superiores e facilitam a penetração em nós dos eflúvios divinos. Com esse exercício repetido e prolongado, o ser interno acha-se pouco a pouco iluminado, fecundado, regenerado”.

Sintonia em busca do Bem

A meditação seria mais um caminho, mais uma ferramenta a se juntar a tantas outras para se adquirir um estado de harmonia e melhor cuidado com a sintonia espiritual em busca do Bem. Um momento, como recurso, e não como uma vida toda de contemplação.

Espiritualmente, sabe-se que todo estado de recolhimento interior provoca experiências diversificadas que retratam a atividade do espírito, com seu desdobramento, liberdade e vontade.

Como meditar:

  • Escolha um horário que você possa estar 100% presente na prática;
  • Desligue o celular, o computador e evite o máximo de distrações. Fique em um ambiente tranquilo, para que nada te incomode;
  • Sente-se de maneira confortável com a coluna ereta e feche os seus olhos;
  • Comece a prestar atenção na sua respiração, no batimento do seu coração e em todas as sensações do seu corpo. Se algum pensamento surgir, não se prenda a ele, deixe que vá embora. Tente manter a atenção no momento presente.

Referência: Meditação e espiritismo, de Cesar Braga Said e Sylvia Vianna Said, Ed. Infinda.

Fonte: correio.news

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O Evangelho em nossas Vidas

Murilo Viana

A influência de Jesus ao longo dos séculos é massiva e poderosa, fazendo com que nós, encarnados e desencarnados, tentemos seguir nas suas trilhas de amor a fim de nos tornarmos pessoas melhores para nós e para aqueles que nos circundam.

É fato que raramente conseguimos, pois o que ele exemplificou com facilidade, nós precisamos nos esforçar para praticar, o que é ligado ao nosso nível de evolução espiritual. Mas, o importante é que façamos das tentativas e erros o caminho que um dia nos levará a criar hábitos que para Ele eram inerentes à sua essência.

O mecanismo que nos faz conhecer e compreender tal grandiosidade, é o Evangelho. Trazendo-o para as sendas Espíritas, O Evangelho Segundo o Espiritismo é importante obra da Codificação que traz as palavras de Jesus – comumente alegóricas – explicadas de forma racional e cotidiana, para nossa melhor compreensão.

Mas, pode-se questionar, numa época de vida tão diferente daquela vivida materialmente por Jesus, qual a importância de seu Evangelho nos dias atuais? Toda!

Quando nos debruçamos no estudo sério e disciplinado do Evangelho, temos condições de fortalecer nossa base de fé, ao mesmo tempo em que é possível exercer o raciocínio que nos faz crer na coerência dos ensinamentos. A fé nos faz fortes, mas a compreensão racional é que nos move, pois, fé sem ação não nos leva a grandes mudanças.

Vivenciar o Evangelho, mesmo que ainda engatinhando, é o que faz com que caminhemos nas trilhas da evolução espiritual almejada por todos nós, levando-nos à reforma íntima e também ao cumprimento gradativo das Leis Morais que regem nossas vidas.

Jesus, sendo o Guia da humanidade, segue pedindo-nos que exercitemos aquilo que ele nos deixou como legado, pede que vivamos de forma a nos lapidarmos e, assim, tornarmo-nos Espíritos melhores, ao mesmo tempo em que angariamos o poder de influenciar os demais – contagiados por nosso exemplo – e, consequentemente, sermos parte da melhoria do planeta em que habitamos, eis que vivemos tempos de transição, cuja velocidade é ditada por nós.

Assim sendo, que ao lermos as palavras consoladoras e potentes que Jesus nos deixou, que saibamos inclui-las em nossas vidas, em pensamentos, mas principalmente em atitudes. O Evangelho muda as nossas vidas, basta que saibamos fazer dele a fonte viva da mudança que sabemos ser necessária.

Fonte: Letra Espírita

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Qual nosso papel no combate à violência contra as mulheres?

Eleni Gritzapis

Quando a denúncia do  anestesista filmado estuprando uma paciente sedada veio à tona, pipocaram nas redes sociais reflexões de quanto podemos já ter sido cúmplices com abusos contra mulheres, seja por ignorância, conveniência social ou por qualquer outro motivo que não nos cabe aqui elencar. O caso do médico, infelizmente, não é isolado. Todo os dias relatos de agressões, estupros, feminicídio, cárcere privado são divulgados. Mesmo em nossas vidas privadas, temos exemplos a compartilhar, particulares ou de familiares, conhecidos e amigos. Frases como “todo mundo conhece uma mulher assediada, mas nenhum homem tem um amigo assediador?” ou “em briga de marido se mete, sim, a colher” mostram que, mais do que apenas refletir sobre o tema, é urgente agir, dar um basta e ajudar a promover as mudanças necessárias.

Como fazer a diferença

Daí surge a pergunta inevitável: como eu, individualmente, posso agir e fazer a diferença? Como ter e incentivar comportamentos que inibam agressões, desde uma piada de mau gosto até uma cumplicidade silenciosa? Como promover uma cultura de paz? Como avançar na conquista da igualdade de gêneros? Sabemos que a mudança individual é o ponto de partida para a transformação coletiva.

Em primeiro lugar, não podemos nos esquecer que muitos registros do Novo Testamento mostram o quanto Jesus Cristo sempre tratou as mulheres em igualdade em relação aos homens, expondo, dessa forma, o absurdo dos costumes da época. E inúmeros são os relatos de quanto Ele as defendeu contra agressões e situações de injustiça. Também o Espiritismo tem como base a igualdade dos gêneros masculino e feminino. Em nossa jornada evolutiva, já encarnamos como homens e mulheres inúmeras vezes, dependendo de nossas necessidades evolutivas. A questão n. 817 de O livro dos Espíritos  nos lembra que o homem e a mulher são iguais perante Deus e têm os mesmos direitos, além de ambos possuírem a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir.

A igualdade feminina em nossa jornada evolutiva

Assim, como ponto de partida, temos a certeza de que devemos nos esforçar para colocar em prática nossas convicções cristãs-espíritas, independentemente de como seja o meio em que vivemos, ou mesmo os exemplos que possam ter sido colhidos com outras gerações, afinal de contas os nossos atos e comportamentos são de responsabilidade nossa.

Ainda com base na Doutrina, outro ponto que não podemos ignorar, apesar de muitas vezes esquecermos ou não nos parecer claro: estamos numa jornada evolutiva, ou seja, se olharmos com uma perspectiva histórica já avançamos muito na questão da igualdade feminina. Há, sim, muito a avançar ainda, especialmente quando olhamos a urgente questão de violência contra mulheres, mas as conquistas e os progressos são indiscutíveis nos campos social, político, econômico e jurídico. Mais uma vez, O livro dos Espíritos nos lembra na questão n. 779: “O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contato social”.

Indignação coletiva

É inegável que, atualmente, as barbaridades, como a do caso do anestesista, ganham notoriedade porque temos um acesso muito maior aos fatos, o que faz saltarem muito mais ao nossos olhos, ou seja, por mais que estejamos evoluindo, a impressão é que estamos cada vez pior, que regredimos, o que não é verdade. Entretanto, que bom que fatos como este nos causam desconfortos cada vez mais, mobilizam mais e mais pessoas, invadem as redes sociais. Esse é um sinal claro de que a indignação cresce a cada novo caso.

Quando observamos essa indignação coletiva, nos lembramos uma vez mais de Allan Kardec, que revela que em nossa jornada evolutiva, muitas vezes, é preciso que o mal atinja o seu pico para que a transformação se mostre urgente e gere a união coletiva para combatê-la. “Há o progresso regular e lento, que resulta da força das coisas. Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto deveria, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma” (O livro dos Espíritos, questão n. 783). Dentro dessa perspectiva histórica de progresso constante e inevitável, fica claro que a conquista da real igualdade dos gêneros na Terra depende da cooperação individual, da nossa mudança íntima.

Como devemos agir?

Por onde começar? Olhando francamente para dentro de nós mesmos. Se algo mexe conosco, nos faz sentir mal, incomoda, mudanças são necessárias. Passe a vigiar no seu dia a dia pequenos gestos, que podem parecer inofensivos: uma piada que inferioriza a mulher, um comentário jocoso entre conhecidos, padrões de desrespeito em relacionamentos sexuais e amorosos e muitos outros comportamentos que podem ser indícios de inferioridade moral.

Conscientemente, vamos fomentar o feminino em nossa existência. Kardec nos lembra, em O livro dos Espíritos: “Deus apropriou a organização de cada ser às funções que ele deve desempenhar. Se deu menor força física à mulher, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, em relação com a delicadeza das funções maternais e a debilidade dos seres confiados aos seus cuidados”.

Interromper o ciclo degradante da violência e do ódio

De forma geral, a belicosidade, a competitividade, a agressividade e a arrogância prevalecem em almas masculinas, enquanto a docilidade, o cuidado, o amor, estão relacionadas ao feminino. Por que não deixá-las prevalecer em nós, independentemente de estarmos vivendo uma experiência como homem ou mulher? E a partir desse ponto de inflexão, mudarmos nossa maneira de nos indignar, promovendo uma autorreflexão e até mesmo reeducação de nossos comportamentos. Se a resposta for ainda a belicosidade, a agressividade, estaremos, de certa forma, ainda que inconsciente e sob a bandeira de uma causa justa e importante, sustentando a violência. É importante ressaltar que a não violência na resposta aos fatos não quer dizer, de forma alguma, conivência com o mal praticado, mas, sobretudo, a interrupção de um ciclo degradante em que a violência e o ódio só nutrem o despertar do mal em nós.

Jesus, modelo e guia da humanidade

A doutora Marlene Nobre sempre destacava que a nossa transformação se dá por meio dos ensinamentos cristãos e que nunca podemos nos esquecer de que Jesus é o modelo e guia da humanidade. Em seu livro O clamor da vida, relembra: “O velho ditado de que ‘violência gera violência’ tem, finalmente, o seu mecanismo de ação demonstrado no sistema em rede, no qual estamos todos envolvidos: é impossível tocar em uma pequenina parte dessa teia sem que o conjunto receba o impacto”.

Isso significa que o combate à violência contra as mulheres não pode ser pautado em mais ódio, mais violência, em retribuição de agressões. Todos devemos, sim, sempre expor e combater situações de desigualdade e violência, mas sempre nos perguntando: o que essa violência tem a ver comigo? Como posso ajudar na difícil tarefa de cessar o mal para que não mais se repitam fatos como esses?

Educação e autoanálise

O mal é temporário, mas o bem é eterno. Ao pensarmos assim, temos que nos dedicar à semeadura profícua do que desejamos para o “Mundo Novo”, onde a violência não vai mais estampar os noticiários e onde mulheres e homens, independentemente de qualquer coisa, viverão de forma harmônica e fraternal. Essa semeadura começa com uma postura educativa, primeiramente, com uma autoanálise sobre o que pensamos, falamos e fazemos. Será que esses comportamentos influenciam ou sustentam qualquer tipo de violência? Será que em meu lar tenho dado exemplos de compreensão, amor e respeito para com aqueles que lá vivem comigo? Como eu costumo reagir a uma agressão no trânsito? Qual é a minha postura em rodas de conversa em que se dedica tempo à maledicência? Eu realmente respeito, considero e apoio as mulheres em meu ambiente de trabalho? Essas pequenas coisas, quando em desarmonia com a lei de amor, promovem fissuras de agressividade e violência que vão pouco a pouco expondo a animalidade que ainda existe em nós.

Ponto final no ciclo da violência contra mulheres

Temos que ser, sim, responsáveis para com as mudanças para as futuras gerações, começando hoje, aqui e agora um ciclo de não tolerância à violência contra as mulheres, combatendo a violência em todas as esferas. Por exemplo, até quando vamos alimentar em nossos meninos o estímulo às lutas e guerras com brinquedos?

Essa responsabilidade se estende às nossas atitudes e aos nossos exemplos no trabalho, entre amigos, com familiares. “Tenho aprendido com os Benfeitores Espirituais que a paz é a doação que podemos oferecer aos outros sem tê-la para nós mesmos. Isto é, será sempre importante renunciar, de boa vontade, as vantagens que nos favoreceriam, em favor daqueles que nos cercam. Em razão disso, seríamos todos nós, artífices da paz, começando a garanti-la por dentro de nossas próprias casas e dos grupos sociais a que pertençamos”, ensina Chico Xavier no livro  Entender conversando.

Para finalizar esta reflexão, recorremos à nossa querida Marlene Nobre no livro O farol de nossas vidas:: “primeiro vamos ver que é preciso conhecer-se pela autoanálise, que é um processo sistemático e permanente de autoeducação e remodelação do mundo íntimo […]. Em que momento eu agi erroneamente para com o meu semelhante? Como devo fazer para modificar a conduta? E aí se o nosso conhecimento do Espiritismo é sincero, e se nós queremos realmente produzir, nós deixamos de lado aqueles defeitos que nós temos e passamos a encarar a nossa renovação para valer. Nós nos esforçamos para melhorar a cada dia, a cada instante”.

Então, antes de reagirmos ao mal que nos entristece e até mesmo revolta com mais violência, vale a pena pararmos, refletirmos e observarmos o que podemos fazer de forma efetiva e transformadora para a extinção do mal em nós mesmos, na sociedade e nas próximas gerações. Para nos educarmos, vale refletir sobre a belíssima mensagem de Bezerra de Menezes, para lutarmos para a extinção do mal.

Mensagem de Bezerra de Menezes sobre a extinção do mal

Extinção do mal

Na didática de Deus, o mal não é recebido com a ênfase que caracteriza muita gente na Terra, quando se propõe a combatê-lo.

Por isso mesmo, a condenação não entra em linha de conta nas manifestações da Misericórdia Divina.

Nada de anátemas, gritos, baldões ou pragas.

A Lei de Deus determina, em qualquer parte, seja o mal destruído não pela violência, mas pela força pacífica e edificante do bem.

A propósito, meditemos:

o Senhor corrige a ignorância com a instrução;

o ódio com o amor;

a necessidade com o socorro;

o desequilíbrio com o reajuste;

a ferida com o bálsamo;

a dor com o sedativo;

a doença com o remédio;

a sombra com a luz;

a fome com o alimento;

o fogo com a água;

a ofensa com o perdão;

o desânimo com a esperança;

a maldição com a bênção.

Somente nós, as criaturas humanas, por vezes, acreditamos que um golpe seja capaz de sanar outro golpe. Simples ilusão. O mal não suprime o mal. Em razão disso, Jesus nos recomenda amar os inimigos e nos adverte de que a única energia suscetível de remover o mal e extingui-lo é e será sempre a força suprema do bem. (Anuário Espírita 1968, Psicografia de Chico Xavier.)

Fonte: Folha Espírita

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Aborto: Quem decide por uma vida, salva e transforma muitas outras

Pai e filho de mãos dadas  

Pai e filho de mãos dadas

Quem pode prever o destino de uma nova vida? Essa resposta é muito difícil de ser dada. Na verdade, impossível, pois não temos como saber os destinos de um novo ser que chega ao mundo.

Neste mês, em que comemoramos o Dia das Mães, podemos exercitar essa visão de forma muito verdadeira. Se você é mãe, ou mesmo pai, olhe para seu filho, independentemente de sua idade, e ao observá-lo, imediatamente, você perceberá que não somos capazes de adivinhar o curso por onde a vida se expressa em um filho. A beleza da vida é exatamente essa imprevisibilidade que nos surpreende, que não nos cabe controlar nem, muito menos, cercear. E sempre que optarmos pela vida, lutarmos por ela, estaremos seguindo a rota certa. Seguiremos a Lei Divina, que nos apresenta a vida pulsante, presente e renovável em tudo que nos oferece.

A decisão pela interrupção da vida, portanto, em qualquer momento dela, principalmente na fase uterina, é uma ação que deliberadamente nos coloca diante de consequências que desconhecemos, pois não temos como prever qual seria a trajetória daquele Espírito reencarnante. Para nossa reflexão, podemos nos colocar no lugar de mães que um dia tiveram dúvidas sobre a continuidade da gravidez e pensaram em abortar, assim como podemos citar casos conhecidos de personalidades que chegaram a correr o risco de não reencarnarem.

E se Steve Jobs não tivesse nascido?

Hoje, por exemplo, o mundo desconheceria o iPhone e o iMac se Joanne, a mãe biológica de Steve Jobs, tivesse interrompido sua gravidez depois de engravidar de um namorado, mas ela decidiu pelo caminho da adoção depois de dar à luz e o entregou para um casal, que o criou.

“Este filho ainda vai te dar muitas felicidades”. Essa frase, dita pelo médico da sra. Maria Dolores, foi marcante para que ela, depois de muitas tentativas, pudesse desistir do abortamento daquele que seria seu quarto filho e que, ao nascer, ganharia o nome de Cristiano Ronaldo, o astro português que já foi eleito o melhor jogador do mundo.

A sra. Edi foi vítima de uma grave apendicite, sendo até mesmo encorajada pelos médicos a interromper a gravidez, que a alertavam sobre os riscos de a criança nascer com deficiência. Ela não desistiu. Seu filho nasceu com glaucoma congênito, e aos 12 anos de idade, após um acidente jogando bola, ficou totalmente cego, mas a limitação visual não impediu Andréa Bocelli de se tornar uma das mais admiradas vozes do mundo e emocionar multidões.

Muitos outros casos como estes poderiam ser contados. São histórias que mostram a importância da decisão que as mães tomaram de optarem pela vida, sendo esta decisiva na vida de milhares de pessoas.

Optando pela vida

Para nos aproximarmos mais de nosso campo de observação, temos um caso emocionante de decisão pela vida que foi registrado pelo dr. Décio Iandoli Jr. em seu livro Marlene Nobre e o ideal médico-espírita, também contado em vídeos na Internet pelo dr. José Nilson Nunes Freire. Ambos conviveram muito intensamente com a dra. Marlene e foram testemunhas da incrível história em que a vida triunfou. Reproduzimos aqui, resumidamente o comovente relato do dr. Décio:

“Certa vez em Santos, no ano 2000, a  AME […] organizou com a equipe do Mednesp […] uma Jornada Médico-Espírita. […] Durante o encontro, que foi realizado no auditório da Universidade Santa Cecília, a Dra. Marlene estava descansando e conversando no intervalo do evento quando se aproximou do grupo uma moça que contava com cerca de 30 anos, no máximo, e que se apresentou dizendo que gostaria de conhecê-la pessoalmente, visto que acompanhava de longe seu trabalho.

A Dra. Marlene a cumprimentou e, em seguida, a moça perguntou se a doutora se lembrava de uma ex-funcionária dela que trabalhou na sua casa em São Paulo como doméstica, há muito tempo. A doutora ficou um tanto pensativa, não sei se a informação teria sido suficientemente relevante, mas a moça retomou a história:

– Ela era jovem e apareceu grávida de um namorado que a havia abandonado quando soube da gestação, e ela procurou a senhora para ajudá-la com o aborto.

Nesse momento, o semblante da doutora se modificou, parecia que ela havia se lembrado do caso e da funcionária. A moça continuou a narrativa:

– Ao invés de ajudá-la com o aborto, a senhora a incentivou a manter a gestação e se colocou à disposição para ajudá-la, pediu que ela não retirasse a criança. O seu marido, o Dr. Freitas Nobre, conseguiu que ela recebesse uma pensão, e a senhora cuidou do pré-natal e do parto, que ocorreu sem problemas.

Nesse ponto, a doutora interveio e se colocou dizendo:

– Lembro-me bem desse caso, ela foi embora após o parto e eu nunca mais tive notícias.

Com a voz embargada, a moça continuou:

– Doutora Marlene, eu sou a filha dela…

O momento impactou a todos os presentes, e ambas começaram a chorar e se abraçaram. Após o abraço sentaram-se, e a moça continuou dizendo:

– Não tivemos uma vida fácil, mas minha mãe conseguiu me educar e eu acabei conseguindo realizar meu sonho de fazer a faculdade de Medicina. Hoje sou neurologista e nunca me esqueci do seu nome, pois a minha mãe me contou essa história muitas vezes, de como a senhora havia salvado a ela e a mim também.”

Quantas vidas mais essa médica neurologista vai impactar, salvar, acolher e tratar? Não temos como saber. Que esse exemplo da dra. Marlene possa nos inspirar.

Ao optarmos por uma vida, podemos transformar outras milhares de vidas. Um ato de amor se multiplicará em muito mais do que podemos imaginar. Viva a vida, viva nossas mães que um dia disseram sim à vida para que aqui pudéssemos estar.

Fonte: Folha Espírita

(FE – maio de 2022 – nº 579)

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O Nosso Embrutecimento: O Descumprimento da Lei de Sociedade

Rafaela Paes de Campos

Disse-nos Dr. Bezerra de Menezes que: “Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos (MENEZES; DIVALDO, s.d. on-line)”. Infelizmente não é uma premissa que vem sendo exercida nos tempos atuais.

Há bem pouco as circunstâncias impuseram que nos distanciássemos. Forçosamente, embora de forma necessária, sentimos na pele a falta que uma presença amada nos faz, falta essa que também aprendemos não ser suprida pelos meios virtuais que temos hoje à nossa disposição.

Entretanto, certamente não tiramos das linhas passadas as lições que eram necessárias e que seriam úteis dali em diante, e nossa tendência foi um afastamento ainda maior, como se conhecêssemos o conforto de estarmos em nossa própria companhia e ali optássemos por permanecer.

Por certo que aprender a amar a própria companhia é algo deveras importante e benéfico, pois nos momentos de silenciamento é que conseguimos nos conectar e abrir nossos ouvidos para as boas inspirações que nos são sugeridas o tempo inteiro por nossos Mentores. Mas não é um lugar de permanência!

Vieram as dissenções, colocamo-nos em lugares fixos e impenetráveis. Sumiu a velha concordância em discordar e chegamos ao ponto em que hoje nos encontramos. Vivemos em bolhas, sozinhos, raivosos e estagnados.

Não somos ilhas, meus irmãos, e sozinhos nós não chegaremos a lugar algum! “Nenhum homem dispõe inteiramente de suas faculdades. Por meio da união social, eles se completam mutuamente, para assegurar o seu bem-estar e progredir. É por isso que, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados” (KARDEC, 2018, p. 248).

Privando-nos dessa troca que nos torna pessoas melhores com o conhecimento das experiências alheias, estamos nos colocando em posição de perda consciente de tempo, e não é para perder tempo que nós, Espíritos imortais que somos, fomos enviar à uma experiência material.

Nunca houve tão fácil acesso à informação, nunca houve tamanha quantidade de conhecimento ao nosso dispor na distância de um clique, mas igualmente jamais houve entre a gente tanta dificuldade em colocar o que aprendemos em prática.

Desunidos e esbravejando nossas posições com ódio, estamos alimentando todas as egrégoras que nós desejamos tanto que deixem de existir em nossas vidas. Esquecemo-nos que não há mudança externa que se opere sem a mudança individual. Se eu quero que algo mude, eu mudo primeiro e dou o exemplo que contamina aos demais e assim há as ondas de evolução que tanto almejamos.

Falamos tanto em regeneração planetária, como se uma mágica fosse descer dos céus e de uma hora para outra, as provas e expiações fossem substituídas por sorrisos e pelo bem. O orbe precisa que a gente evolua para que a sua própria evolução seja mais rápida.

É só em nossa união, na somatória de forças, na consciência dos atos e cobranças, na aceitação de que somos partes individuais de um todo que não funciona sem um de seus elos, que alcançaremos os nossos desejos mais íntimos.

Antes disso, e sem isso, seremos apenas seres embrutecidos buscando fazer valer a sua própria vontade, numa clara demonstração do quanto o orgulho e o egoísmo ainda são partes indivisíveis de quem somos.

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Matheus R. Camargo. Editora EME: Capivari/SP. 2018.

MENEZES, Bezerra de. Pensamento de Bezerra de Menezes e Divaldo Franco, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco. Disponível em: https://www.mensagemespirita.com.br/pensamento/divaldo-franco/bezerra-de-menezes/202. Acesso em: 01 de novembro de 2022.

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Os espíritas devem influir no meio social

por Cláudio Bueno da Silva

Não se pede aos espíritas que sejam “diferentes”, mas que façam a diferença, apresentando, com humildade e conhecimento, a coerência do discurso espírita e a necessidade de inseri-lo na cultura do mundo. Sob os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, devem mostrar que a melhora autêntica do homem não se realiza sem ética e moralidade, não bastando alterações externas pontuais.

Não serão os momentos de crise uma oportunidade para que o movimento espírita se manifeste, marcando sua posição filosófica e contribuindo para trazer luz à sociedade? Não serão os momentos difíceis também apropriados para emitir sua opinião sobre questões de interesse geral, influindo nas massas, propondo discussão para os problemas humanos?

Muitos espíritas brasileiros já fizeram isso no passado, com significativa atuação no meio social: Herculano Pires, Freitas Nobre, Jorge Rizzini, Leopoldo Machado, Cairbar Schutel, Eurípedes Barsanulfo, Bezerra de Menezes, Anália Franco. E hoje, será possível essa representatividade?

Provavelmente não com a mesma riqueza de valores humanos, mas, com os recursos da internet é possível fazer-se algo interessante. Temos visto aparecer inúmeros companheiros e instituições formando grupos, páginas, sites, blogs, com material de opinião crítica, cultural e elucidação de temas variados, e como se sabe, a internet faz esse material chegar a muita gente.

E o movimento espírita que basicamente só se tem manifestado em público para tratar do aborto e de movimentos pela paz, vê agora a oportunidade de expor à sociedade um leque ilimitado de assuntos. Porém, essa facilitação tecnológica não interfere num sério e antigo problema do movimento espírita que é a falta de unidade na interpretação da Doutrina. A internet certamente amplificará tanto os conceitos mais ajustados ao pensamento doutrinário, quanto os que contenham imprecisões, dependendo de quem os emita.

O diferencial espírita

O Espiritismo, fundado em princípios naturais, propõe uma visão original de homem e de mundo não cogitada com a mesma amplitude, racionalidade e clareza por outras filosofias ou religiões. É o que afirmam os expoentes da cultura espírita. Daí a importância dos espíritas pensarem as questões humanas conjuntamente com a sociedade.

O diferencial do Espiritismo está precisamente no seu conteúdo de revelação e elaboração humana e divina. A explicação espírita de Deus, da vida, do universo, do mundo, é extremamente pedagógica, como eram os ensinos de Jesus que o homem complicou a não poder mais através do tempo. Jesus conviveu no meio do povo, mas não abdicou dos seus princípios em momento algum. Não adaptou seus ensinos só para ser agradável ao poder dominante, nem para ser aceito pelas correntes religiosas que veio transformar.

O Espiritismo, com Allan Kardec, se associou às iniciativas de Jesus no propósito de dar continuidade a essa transformação e ao consequente progresso da humanidade. Além de tornar acessível a moral daquele homem, descortinou o mundo dos Espíritos: “A descoberta do mundo dos invisíveis […] é mais que uma descoberta, é uma revolução nas ideias”, disse Allan Kardec [1].

Quando esse conhecimento estiver largamente disseminado, trará contribuições incalculáveis para o progresso geral. Os espíritas não podem desperdiçar o legado que receberam do gênio de Allan Kardec e da operosidade dos espíritos superiores.

A questão das interpretações

Não se deve perder de vista a unidade doutrinária do Espiritismo [2], contudo, devido a interpretações particulares de indivíduos e grupos, a doutrina é entendida de maneiras diversas e, com isso, corre o risco de perder a identidade de movimento restaurador e renovador, acabando por se tornar, em alguns aspectos, parecido com as correntes religiosas que prendem o homem ao invés de libertá-lo.

Infelizmente. Mas já que é assim – e isso parece ser uma consequência natural e incontornável da heterogeneidade humana [2] –, o sensato será procurar a coerência e a fidelidade como um fim a ser atingido na conduta individual e na divulgação do ideal espírita. Isto, preservando a unidade original de princípios, toda desenhada na obra de Allan Kardec, para apresentá-la ao mundo como ela é, sem repetir os erros históricos do movimento cristão.

O Espiritismo tem força moral suficiente para influir no meio social mudando atitudes e comportamentos. Claro que isso depende de como o pensamento e o fazer espíritas chegam às pessoas. Não será fazendo “caravanas religiosas” para a “meca espírita”, não será com posturas místicas, cultuando médiuns e Espíritos, criando símbolos e modismos, nem se isolando dentro das instituições, que os espíritas firmarão posição. Isso já fazem os religiosos de vários matizes. Essa conduta desvia o movimento das suas finalidades. A postura devocional, tímida, neutra e contraditória, afasta o espírita do que é essencial. Além da humanização de cada um, o Espiritismo propõe a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Um desafio: fazer a diferença

Um dos grandes desafios para os espíritas será compreender o mais justamente possível a essência progressiva e progressista da Doutrina. E isso não se consegue sem o amadurecimento do estudo, do diálogo e do debate em grupo. É com esse viés que ela deve ser propagada, vivida com autenticidade, sem artificialismos. Os espíritas não devem temer a discussão dos assuntos que inquietam a humanidade, muitos deles já trazidos por Kardec em suas obras.

A propagação do ideário espírita será mais eficiente através do diálogo social, ainda que agora mais virtualmente. A prática espírita, dentro e fora do centro espírita, propõe o convívio baseado na compreensão das diferentes opiniões, na tolerância em relação ao contrário, sem imposições. Importante que os espíritas adiram a uma nova forma de pensar, e se livrem o mais rapidamente possível dos resíduos de velhas concepções religiosas de que estamos mais ou menos contaminados.

Não se pede aos espíritas que sejam “diferentes”, mas que façam a diferença. Com humildade e conhecimento, podem apresentar a coerência do discurso espírita e a necessidade de inseri-lo na cultura do mundo. Além de pregarem pública e manifestamente os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, devem mostrar que a melhora autêntica do homem não se realiza sem ética e moralidade, não bastando alterações externas pontuais.

Se os espíritas não fizerem, outros o farão

Enfim, os espíritas podem contribuir com a sociedade no campo das ideias, do pensamento, vulgarizando oportunamente os conhecimentos relativos ao Espírito imortal e tudo o que isto significa. Se os espíritas não fizerem a parte que lhes cabe em função de desvios doutrinários, da inércia e da capitulação às velhas ordens e ditames devocionais e dogmáticos, outros o farão, à sua moda. O progresso não para e em muitas circunstâncias nasce anônimo, em pequenos grupos, em laboratórios, em universidades, da cabeça de estudiosos independentes, de livres pensadores, em todo o mundo.

Mas será bom se os espíritas atenderem à convocação implícita na questão 932, de “O livro dos Espíritos”, ou seja, trazerem sua efetiva contribuição à sociedade com a proposta cultural e espiritual que detêm, sem ufanismo nem excentricidades, para a “grande obra da regeneração pelo Espiritismo” [3].

Fonte: Espiritismo com Kardec – ECK

Notas do Autor:

[1] KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Segundo diálogo. “Oposição da Ciência”. Ed. FEB.

[2] KARDEC, Allan. Obras póstumas. “Os cismas”. Ed. LAKE.

[3] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XX. Item 5. Ed. LAKE.

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Em busca da paz

Itair Rodrigues Ferreira

Pin de vitor em Espiritualidade | Gandhi, Paz, Mahatma gandhi

A Terra, deusa Gaia, segundo a mitologia grega, passa por transformações físicas bem observadas pela Ciência e por nós: o aumento dos eventos catastróficos de origem climática, a destruição das camadas de ozônio, a mudança no polo magnético, etc.

Os cientistas britânicos Jan Zalasiewics e Mark Williams, em um artigo publicado pela revista científica Geological Society of America, sugerem que estamos em transição para um período geológico – o antropoceno, marcado pela influência do homem. Há provas geológicas suficientes para reconhecer um novo período.

O homem, com a obra predadora, oriunda do seu egoísmo, contribui com a alteração do equilíbrio ecológico da crosta terrestre.

Se a ação do homem com seu orgulho, poderio e violência, através dos milênios, trouxe o caos para o planeta, que sua influência, agora, seja em busca da paz, por meio da educação dos sentimentos, que é o desenvolvimento dos valores morais, como afirmaram os Espíritos Superiores a Allan Kardec: “moral é a regra de bem proceder. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus”.

Dia 30 de janeiro de 2012 completará sessenta e quatro anos que Gandhi, o apóstolo da não violência, foi assassinado. Viveu 79 anos, dos quais, cinquenta e cinco destinados à luta em prol da paz do mundo, utilizando a ahimsa, não violência, influenciando grandes líderes como Martin Luther King, Nelson Mandela, Desmond Tutu e tantos outros.

Mahatma Gandhi conta que ao se deparar com a injustiça e a opressão exercidas contra os desfavorecidos, quis reagir, mas não sabia como. O “olho por olho, dente por dente”, preconizado pelas escrituras, somente poderia resultar em um mundo de cegos e desdentados, até que encontrou, no Sermão da montanha, a diretriz a tomar, quando Jesus diz: “Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra”. Estava resolvida a questão. Assim surgiu a doutrina da não violência.

Não aceitar a opressão, porém nunca combater o mal com outro mal. Responder à violência com antiviolência seria uma violência oposta. Ahimsa é a negação da violência e não seu oposto. Revidar a agressão é agir do mesmo modo, o que acaba se tornando um círculo vicioso e a pessoa nunca se satisfaz pois a cada ação violenta, sente-se em prejuízo e quer a vingança, indefinidamente.

Certa feita os repórteres lhe perguntaram: “Senhor Gandhi, qual o caminho para a paz?” Ele respondeu: “O caminho para a paz? A paz é o caminho!”.

Não devemos esperar que o mundo se transforme para que a mudança ocorra em nós. Somos células da sociedade. Os grandes feitos surgem das pequenas atitudes nobres que acabam por influenciar a produção de um bem maior. Uma grande distância é vencida com os primeiros passos.

O século XXI é o Século do Sentimento. No século XVIII, a partir do ano de 1700, foi criada a tecnologia com a Revolução Industrial. Ao século XIX coube a Revolução da Produtividade e ao século XX, a Revolução do Conhecimento. O século atual, cuja primeira década atinge o número exorbitante de sete bilhões de habitantes, necessita de algo além das tecnologias existentes. Precisa que o indivíduo olhe para si, de forma holística, buscando entender o porquê das coisas, do destino e de toda a complexidade da vida.

A autoeducação é a questão básica para a construção da paz. Precisamos aprofundar a sonda da investigação mental no reino subjetivo dos sentimentos e mapear nossa vida moral; trabalhar ativamente pela construção das virtudes, combatendo em nós os maus pendores, como as Entidades Sublimadas responderam, em O Livro dos Espíritos: “Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores”.

Jesus, o Príncipe da Paz, como o denomina o profeta Isaías, prometeu-nos a paz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

Jesus não mentiu, nem se enganou. Ele nos dá a Sua paz, não a paz do mundo, e para que a tenhamos é necessário estarmos receptivos. Com o sentimento, quilômetros à retaguarda de nosso conhecimento, e com o conflito interior que agasalhamos, jamais poderemos percebê-la. Quanto à paz do mundo, é conquista nossa.

Tenhamos mais paciência no lar, no trânsito, nas ruas, na sociedade, no relacionamento com os familiares. Uma palavra ofensiva, pronunciada impensadamente, desencadeia vibrações que se estendem atingindo, com sua ressonância, outros que se encontram em sintonia com esses padrões de nível mental, gerando a discórdia e a turbulência.

Treinemos o sorriso. A neurociência provou que quando sorrimos, mesmo que não estejamos sentindo nada, o cérebro libera uma substância chamada betaendorfina. Há uma conexão direta entre o sorriso e o sistema nervoso central, trazendo um grande bem estar para todo o nosso cosmo orgânico. E mais: para sorrir usamos apenas 28 músculos e para franzir a testa numa atitude de mau humor, 32. Até por economia, compensa a escolha desse bom hábito.

O ano de 2012, com seus maus prognósticos, é uma oportunidade que Deus nos concede para valorizarmos a vida, e a vida é o eterno presente. Que saibamos viver com destemor e fé, que é a vontade de querer. Assim, conquistaremos a paz.

Muita paz!

Fonte: Correio Espírita

Publicado em por admin | Deixe um comentário