Espírito não sabe tudo

Orson Peter Carrara

E muita gente, inclusive médiuns e dirigentes despreparados sem conhecimento, também se enquadram nessa situação de não saber.

O fato de um espírito estar desencarnado não significa, em absoluto, que ele tem conhecimento de tudo. Muitos espíritos ignoram inclusive que já partiram desta vida material. Portanto, as comunicações vindas do plano espiritual via médiuns devem passar pelo crivo da razão e do bom senso antes de serem aceitas como verdade ou para serem divulgadas.

Isso também porque os médiuns igualmente podem estar iludidos e também fraudar. O espírito pode estar equivocado, o médium pode se enganar ou enganar propositalmente para impressionar e ambos podem criar uma situação constrangedora dentro de uma falsidade construída.

Espírito não sabe tudo, não tem informação à queima-roupa. E Espírito evoluído não fica respondendo perguntas fúteis. Perguntas frívolas são respondidas por espíritos frívolos e nem um pouco comprometidos com o bem das pessoas. E na mesma situação se encontram muitos médiuns, interessados em fraudar para impressionar ou conquistar autopromoção. E, infelizmente, isso também acontece com presidentes ou dirigentes de supostos centros espíritas que se colocam na condição de resolver todos os casos, num pedestal de vaidade e falsa humildade, colocando-se como pretensos orientadores, esquecidos que todos precisamos sim de orientação, que pode ser conquistada no estudo continuado e perseverante dos postulados espíritas, para não ficarmos por aí inventando à moda da casa.

“Cuidado, pois, como informações vindas de médiuns. Especialmente aquelas que fazem revelações bombásticas, que fixam datas, que preveem futuro ou citam acompanhamentos sombrios ou indesejáveis, ou mesmo revelam o passado. Cuidado! Muito cuidado. Os bons e sábios espíritos são discretos e jamais semeiam medo, censura, críticas ou se colocam como reveladores. Eles, os autênticos benfeitores, respeitam a vida e a liberdade das pessoas e jamais surgem como amedrontadores ou ameaçadores nas situações do cotidiano, jamais semeiam dúvidas. Não fazem prognósticos nem ficam atendendo desejos de curiosidades, não ordenam diretrizes, mas sim respeitam nossa liberdade de ação.”

Eles se comunicam? Claro que sim, mas são sempre discretos, não se preocupam com nomes e nas orientações que fazem, são sutis, sem alarde. Até porque as orientações estão fartas nos livros e pequenas mensagens avulsas, sempre à disposição.

Não precisamos ficar consultando espíritos a toda hora. Eles têm mais o que fazer, e nós já sabemos quais os caminhos do equilíbrio. Basta confiarmos em Deus e agirmos no bem, até porque não existe nenhuma pessoa que esteja desemparada. Todos somos muito amparados pela bondade anônima desses amigos espirituais.

“Existem, é claro, espíritos com muito conhecimento, bondade e sabedoria, mas não ficam à nossa mercê, atendendo a toda hora nossos caprichos e indicando mediocridades ou disputando destaques. Não! Eles atuam de maneira contínua, serena, equilibrada, e trabalham muito, sempre a nosso favor. Estão sempre a nos ajudar e não precisam ficar se comunicando a todo instante para dizer que ali estão ou despertando curiosidades vazias.”

Cuidado, muito cuidado, pois, com comunicações espirituais. Prudência e análise com as comunicações que vierem. Previsão de datas, indicação alarmante de acontecimentos, indicação de perseguições espirituais, semeaduras de medo e pavor, pedidos esdrúxulos e solicitações que não atendam ao mínimo de bom senso e razão (já imaginou o que cabe nessa expressão?), esqueça! Isso provém de mentes manipuladoras, inferiores, com intenções menos dignas. O que igualmente se aplica a médiuns e pretensos dirigentes, que, levianamente, se utilizam do adjetivo espírita em suas tarefas, sabe-se lá com quais objetivos.

Para saber o que seguir ou em quem confiar, analise antes se o bem é o que prevalece, ou se há outros interesses. Em havendo, esqueça! Mas para isso, estude o Espiritismo, você estará equipado para não se deixar enganar.

Para entender bem tudo isso, busque o capítulo 20 – Influência moral do médium – de O Livro dos Médiuns, de preciosas orientações. Dentre elas, essa preciosa pérola do item 230 no mesmo capítulo: “(…) vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira. (…)”.

Somos todos aprendizes, todos com parcelas bem miúdas da verdade, necessitados de humildade e respeito uns aos outros. Inclusive médiuns e espíritos, todos filhos de Deus no gigantesco processo de aprendizado e amadurecimento adquiridos nas experiências de vida.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – Santa Catarina – SC

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Lei de Cristo

Enviado em 17/01/2023

“Todo sacerdote se apresenta, a cada dia, para realizar as suas funções e oferecer com frequência os mesmos sacrifícios, que são incapazes de eliminar os pecados. (Hebreus, 10:11)”

Os primeiros leitores desta carta, tratado, ou como querem alguns, sermão, sabiam da importância da repetição como instrumento de retórica, por isso entendem a necessidade, como ênfase do autor, àquilo que ele nomeava como essencial.

Ao contrário do que fez nos primeiros versículos do nono capítulo, onde ele descreve o ritual anual do sumo sacerdote, aqui ele enfatiza a função do sacerdote levítico comum, aquele que se apresenta, a cada dia, para realizar suas funções.

Neste passo gostaríamos de aplicar o texto ao contexto atual de nossas necessidades evolutivas e fazermos uma analogia dos rituais sacerdotais antigos com a nossa experiência reencarnatória.

Nós também temos nos “apresentado” muitas vezes para realizarmos nossas “funções” reencarnando em corpos diversos em tempos diferentes. Isto é da Lei, e temos assim, promovido nosso aperfeiçoamento.

Todavia, podemos perguntar, por que tem parecido ineficazes estas experiências palingenésicas? Pois o que tem acontecido é que temos repetidos os mesmos erros, estando novamente, às vezes, com as mesmas pessoas; por que não temos conseguido com elas fazermos o ajustamento ideal?

A resposta está clara neste versículo: temos oferecido com frequência os mesmos sacrifícios, que são incapazes de eliminar os pecados. Ou seja, não temos avaliado com perfeição as ocorrências cuidando só perifericamente da nossa realidade, não aprofundando devidamente nossas necessidades de Espírito imortal.

Temos preocupado, quando muito, em fazer justiça. Isto é bom e necessário, todavia temos esquecido de amar (grifamos).

Às vezes sofremos e compreendemos que é justo devido as nossas irreflexões passadas. Entretanto, temos procurado aliviar o sofrimento dos semelhantes?

Quando o Evangelho diz que Jesus levou nossos pecados, isto tem sido muito mal interpretado. Não quer dizer que “pagou” por nós nossas “dívidas”, mas que Ele se sacrificou por nós para ensinar-nos o modo de quitarmos em definitivo nossas pendências com a Lei, recompondo assim nossa consciência.

A fórmula desta equação remidora é única: AMAR

O apóstolo Paulo em outro momento de suas epístolas entendeu e alertou-nos:

O fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei¹

E complementou:

Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo²

Jesus, nosso “Guia e Modelo³” disse:

“…eu vos dei o exemplo, para que, como eu fiz, façais vós também (4)”

Fonte: Portal do Espírito

Referências:

1 – Gálatas, 5: 22 e 23

2 – Gálatas, 6: 2

3 – O Livros dos Espíritos, questão 625

4 – João, 13: 15

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Liberte-se, mas com responsabilidade!

Marcelo Henrique

Trata-se do capítulo dez, que consagra duas espécies de liberdade, fundamentais ao Espírito em desenvolvimento: a de pensamento e a de consciência.

Kardec, então, pontua que é pleno o livre-arbítrio humano, pois é o indivíduo que faz suas próprias escolhas. Sempre!

Olho para o texto filosófico, bem composto, encadeado, com sua sequência lógica e com a argumentação que é válida para todas as situações da vida e penso como há os que, ainda, não são livres. Não que figurem encarcerados nas prisões, cujas grades são o obstáculo quase sempre intransponível. Não que sejam portadores de algum equipamento que lhes retenha o passo, como algemas, bolas de ferro ou tornozeleiras eletrônicas. E, tampouco, sejam seres que foram confinados por outrem em lugares insólitos, inóspitos ou segregados da companhia de seus pares, até mesmo por opção pessoal, como os eremitas.

Eles estão ao nosso derredor, em situações de convívio comum e cotidiano. Há os que são presos ao dinheiro ou aos bens materiais que conquistaram, pelo labor, sorte ou herança, receosos de perdê-los de uma hora para outra. Existem, por outro lado, os que estão presos aos costumes, em zonas de conforto calcadas na repetitividade de gestos e atitudes. E, ainda, os que não têm a ousadia de arriscar, de querer mais, de mudar seus enredos, e ficam aprisionados a um trabalho que não lhes satisfaz, uma ocupação que gera apenas o dinheiro para a subsistência, ou um labor que mais parece um suplício.

Há pais que se acham presos a filhos ingratos e agressivos, por vezes violentos, submetidos aos seus caprichos. Há filhos que rastejam e imploram atenção dos pais, para não perder algumas vantagens que têm, por morarem nas casas dos primeiros. Há homens e mulheres que “aguentam” um relacionamento ruim, sofrível, com ressentimentos e desgostos, em razão de atavismos culturais, costumes familiares ou com vergonha de se apresentarem, sozinhos, separados, aos familiares e amigos.

E há, por fim, os aprisionados em dogmas religiosos e condicionantes da fé. São compelidos, pelas pregações, pelos textos bíblicos, pelos mandamentos ou sacramentos, ou pelas falas de padres, pastores, expositores ou dirigentes, a terem condutas padronizadas, sob as ameaças que vêm da crença – ou de quem a representa. Acreditam que uma vida submissa às “verdades espirituais” indicadas por esta ou aquela religião, vai lhes dar uma condição melhor no futuro. Seria uma espécie de poupança para a vida futura, um investimento que lhes proporcionará uma condição melhor em relação àquela que experimentam no hoje.

Entro na casa espiritista, abro um romance espírita ou acesso qualquer plataforma de divulgação do espiritismo e vejo as mesmas prisões de outras religiões. Onde foi parar o paradigma da liberdade, fundamento da vida espiritual e da doutrina dos Espíritos? Quem resolveu dar uma interpretação restritiva e condicionante dos trechos que, tão verdadeira e pontualmente, nos foram apresentados pelos Espíritos Superiores, imbuídos do propósito de resgatar as verdades espirituais? Com que direito o fizeram e fazem?

Eu sei que você que está lendo este texto está perplexo e pode, até, não concordar com o que escrevi no parágrafo anterior. É um direito seu, que respeito. Mas vamos, de modo muito claro e resumido dizer o porquê de estarmos considerando os espíritas em geral – sobretudo os que não estudam com afinco a filosofia espírita – como prisioneiros da própria fé.

Os espíritas passam a existência toda “aguardando” a vida espiritual. Fazem projetos. Cultivam desejos. Imaginam-se como se já estivessem do “outro lado”. Alguns chegam a dizer que gostariam de estar em uma colônia, como “Nosso Lar”. Outros apavoram-se, arrepiam-se ante a iminência de poderem ser direcionados a um lugar de sofrimento – expresso em livros ditos espíritas – como o “Umbral”. Já ouvi, também, e repetidas vezes, que há “sanatórios espirituais”, lugares para onde são direcionados os “espíritas que não seguiram as orientações espirituais” ou que “não se tornaram homens de bem, os verdadeiros espíritas” – descritos nas obras kardecianas.

Vejo, também, infelizmente, palestras presenciais ou virtuais incitando ao medo, ao temor, ao desespero. É a repetição, simplória, dos “ais do Evangelho”, recomendações tidas como ditas por Jesus de Nazaré, não como condenações, mas como advertências direcionadas ao melhoramento individual e coletivo da Humanidade. Continuando nos exemplos do Sublime Carpinteiro, também se menciona que ele, ao prodigalizar curas e libertações daqueles que jaziam de males físicos ou espirituais, teria lhes dito: – Vá e não peques mais, para que não te suceda coisa pior!

Ainda que admitamos ter havido modificação da realidade, alteração de falas e conjunturas, as passagens em comento, sob a luz do entendimento espírita, se tornam mais claras e explicadas. Ambas encerram, não uma pré-condenação dos que falseiam, dos que ainda estagiam no erro – como todos nós – mas um convite ao melhoramento, à superação de si mesmo, ao “olhar para dentro” e descobrir talentos, a luz, o sal, a verdade.

Este medo, este temor, também se transmuda, para os espíritas que assim pensam, em culpa. Culpa exacerbada, com vinculação excessiva ao passado – que não pode ser mudado – limitando as ações presentes. E, então, temos milhares, milhões de criaturas se arrastando pelo mundo sem viver o presente. Uns, apegados aos erros do passado. Outros, esperando viver, antes da hora, o futuro. E a atualidade que pode compensar o que passou e projetar o que virá, fica sem função, sem utilidade, sem oportunidade…

Me entristeço ao ver espíritas analisando as comezinhas situações do mundo, assim como os dramas de pessoas próximas e as tragédias divulgadas na mídia ou envolvendo personalidades de renome, com a predeterminação do que irá ocorrer com tais espíritos, em função desta ou daquela atitude. Os julgamentos são costumeiros e há os que, ainda, buscam ilustrações de romances mediúnicos (ou tidos como tal) para fundamentar seus “pareceres”.

Prezo pela liberdade que a Doutrina Espírita me concedeu há mais de três décadas e meia, e que é companheira inseparável dos bons e dos maus momentos. Não sou prisioneiro do “destino”. Não sou sujeito a “acasos”. Não estou ao sabor das marés ou dos ventos.

Tampouco sou vítima de mim mesmo, nem algoz. Sou um “ser em caminhada”, com acertos e erros, procurando que os acertos superem os erros, em quantidade e qualidade.

Assumir-se como espírita é enfrentar a vida (física) de peito aberto e coração confiante, mesmo em situações desfavoráveis – como a que enfrento nestes dias. Mas sou livre, como fui, ao tomar decisões ontem, que me levaram aos momentos atuais. E sei que a minha conduta no hoje, deverá desaguar num amanhã muito melhor. E, para isso, trabalho.

Não deixe que os outros “decidam” por você. Não permita, mesmo na ambiência espírita, que os outros digam o que “vai lhe acontecer”. Quem tem o leme do barco da existência é você, e mais ninguém. E quando alguém vier lhe dizer que você age muito mal, que você está errado, e que irá sofrer muito, diga-lhe que são suas escolhas. E que você, sempre que puder, estará amando, e este amor há de sopesar na balança em seu favor.

A liberdade é SUA. E saibamos, todos nós, que nossas decisões – livres – sobre o fazer ou o não-fazer, trarão decorrências: efeitos, resultados. Aí é que figura o elemento-chave da compreensão da abrangência da Lei de Liberdade sobre cada Espírito: o ser conscientemente responsável por (todas as) suas escolhas…

Liberte-se, mas com responsabilidade!

Marcelo Henrique

Publicado originalmente na revista Harmonia de maio de 2o21

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – Santa Catarina – SC

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O MELHOR CAMINHO

Se a porta não está abrindo, esse não é seu caminho

Se a porta não abre, simplesmente não é a porta certa, muito menos o caminho. Em algumas ocasiões, no entanto, investimos muito tempo e esforço buscando chaves para abrir uma porta que não poderá nunca ser aberta. Às vezes nem há porta. Porque há destinos impossíveis, pessoas que não se encaixam em nossas fechaduras e caminhos pelos quais é melhor não transitar.

É certo, no entanto, que nenhum de nós acerta nosso destino pessoal logo no primeiro momento. Cabe dizer também que não é errado perder-se de vez em quando. Abrir portas que logo fechamos de novo é bom para adquirir experiência.

Quando uma porta que um dia nos deu felicidade se fecha, geralmente outra se abrirá. Mas nem sempre podemos vê-la de imediato, porque acabamos passando grande parte do tempo lamentando pela porta que não pode mais ser aberta, sendo que para essa não temos mais a chave, então de nada adianta…

Os psicólogos e sociólogos se perguntaram durante muito tempo o que faz com que nós escolhamos um determinado caminho e não outro. Costuma-se dizer que nossas escolhas nos definem muito bem, mas na realidade muitos dos mecanismos que nos fazem ir em uma determinada direção e não em outra seguem não sendo conscientes. Convidamos você a pensar sobre isso.

Voltar e recomeçar quando muitas portas se fecham para nós

Talvez, em algum momento da nossa vida, não tenhamos tomado as melhores decisões. Ou pode ser, inclusive, que isso aconteça durante um período de tempo longo. Tempo suficiente para nos fazer acreditar que é isso que temos para nós para sempre. Mas não se pode esquecer que por trás das portas fechadas fica conosco o vazio e a tristeza constantemente remoída. Talvez estejamos falando de uma relação, de um trabalho ou de uma amizade que não terminou muito bem.

O destino não é algo que deveríamos ver, o destino devemos criar por nós mesmos, com determinação e valentia, abrindo as portas mais adequadas.

Agora que já sabemos que nem sempre as portas que escolhemos se abrem de forma imediata, vamos falar das portas de emergência com as quais podemos encontrar uma nova saída em direção à verdadeira felicidade. Vale a pena refletir sobre essas questões para entendermos que a vida, na realidade, é um labirinto de portas pelas quais podemos transitar, cruzar, aproveitar, aprender e sem dúvida… fechar.

Chaves para encontrar o caminho mais adequado

Nenhum caminho escolhido ao longo de sua viagem existencial foi em vão. Longe de nos arrependermos por ter cruzado uma porta, por ter, por exemplo, mantido um relacionamento, por ter iniciado um projeto e não concluí-lo, simplesmente por termos frustrações no lugar de alegrias, é necessário assumir tudo que foi vivido como oportunidades de aprendizado.

Porque toda cicatriz ensina, e todo caminho errado supõe também um convite ao recomeço.

– Entenda que quando algo termina, a felicidade não se reinicia sozinha automaticamente. É necessário passar por um tempo no qual reconstruímos a nós mesmos, nos conectamos conosco de novo e fechamos adequadamente as portas, as etapas.

– Chegará um momento em que nos sentiremos preparados. Longe de olhar pra trás, sentiremos de novo o convite de olhar para a frente, de voltar a imaginar e a caminhar agora com mais segurança e mais sabedoria.

– Entenda que além de não existir um caminho ideal, nenhuma porta tem a chave da felicidade eterna ou da solução de todos os nossos problemas. É a própria viagem que nos dá as respostas, e as alegrias vêm e vão. A única coisa que precisamos é ser mais receptivos e, antes de tudo, corajosos para cruzar os caminhos desconhecidos maravilhosos que estão aí para serem descobertos por nós…

Autor Desconhecido

FONTE: Associação Espírita Allan Kardec

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O espiritismo é a verdade absoluta?

Publicado em 12/out/2022

Autor: Jáder dos Reis Sampaio

Por mais ampla que possa ser a abrangência, Kardec não “invade” as outras áreas de competência das demais ciências.

Ainda jovem eu assistia a uma palestra de um espírita famoso na capital mineira, cujo nome omitirei, e me recordo de uma afirmação forte que ele fez, e que arrancou interjeições e outras reações emocionais da plateia:

– Eu não vou dizer que o espiritismo é uma verdade! (Silêncio retórico) O espiritismo é A Verdade!

Aquilo ficou na minha mente. Enquanto as pessoas acolhiam com entusiasmo a frase de efeito, eu fiquei em silêncio com o meu mineirês interno, perguntando:

– Uai! será?

Hoje penso que o fundador do espiritismo não faria esse tipo de observação. Quando Kardec começou a estudar os fenômenos espirituais e se propôs a desenvolver um corpo de doutrina baseado nos diálogos com os espíritos, ele definiu o espiritismo da seguinte forma:

“O espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corpóreo.” [1]

Isso significa que ele delimitou um objeto de estudo do espiritismo. Por mais ampla que possa ser a abrangência deste objeto, Kardec não “invade” as outras áreas de competência das demais ciências.

Nós, espíritas, continuamos valorizando o saber médico e o psicológico para o tratamento do câncer, por exemplo, embora saibamos a partir da própria medicina que a espiritualidade pode auxiliar a terapêutica médico-psicológica. O espiritismo não invade, ou pelo menos não deveria invadir o domínio da física, embora físicos já tenham estudado temas mediúnicos e formulado hipóteses para a explicação de fenômenos espirituais de efeitos físicos. Chamá-lo de “A Verdade” significa excluir da condição de conhecimento tudo o que não é espiritismo. Em termos lógicos:

  • O espiritismo é a verdade. (premissa maior)
  • Medicina (ou astronomia, ou química…) não é o espiritismo. (premissa menor)
  • Logo: medicina (ou astronomia, ou química…) não é a verdade. (conclusão)

De volta ao argumento inicial, o espiritismo não pode ser verdade absoluta, porque há uma realidade a ser estudada muito mais ampla que a “realidade espiritual”. Ainda que exista uma conexão entre a “realidade espiritual” e a natureza ou “realidade material”, escapa ao espiritismo o conhecimento da natureza em-si. Todos sabemos que ao estudar mais profundamente a matéria, sem hipóteses explicativas transcendentais, o conhecimento aumentou, o que significa dizer que se conhece muito mais sobre a natureza hoje, que há cem ou duzentos anos. A natureza em-si é do domínio de outras áreas do conhecimento, algumas delas muito complexas, ao ponto de demandarem anos e anos de estudo para se poder falar com alguma autoridade sobre algum de seus pontos.

Outro ponto, é que, como ciência, o espiritismo seria um conhecimento progressivo [2]. Como parte das ciências se baseia em teorias construídas a partir de fatos e de fenômenos [3], o surgimento de novos fatos ou fenômenos, ou o conhecimento mais profundo de fatos, fenômenos e teorias já conhecidos, pode propiciar a revisão ou o avanço das teorias. Então não há como se falar em verdades absolutas, porque o que é considerado verdadeiro no tempo X, pode ser revisto no tempo X + Y, com o aumento do conhecimento sobre os fenômenos compreendidos no objeto de estudos da respectiva área de conhecimento.

O que não modificaria no espiritismo? Para Allan Kardec, qualquer afirmação que compõe o corpo de doutrina poderia ser modificada [4]. O que tem acontecido, com o passar dos anos, é que os princípios fundamentais do espiritismo continuam válidos, embora na própria obra de Kardec tenhamos percebido que houve evolução na compreensão de algumas teorias secundárias, como já foi apresentado por Pimentel [5], em seu trabalho sobre a metodologia do espiritismo.

Não vejo demérito à doutrina espírita em concebê-la como um conhecimento sobre os Espíritos e o mundo espiritual, baseado em observação e nas informações obtidas a partir da mediunidade, com o emprego da razão e dos métodos experimentais.

Quando se insiste que a doutrina é “a verdade”, nós a transformamos em uma espécie de teologia revelada por um ser absoluto (Deus), ou por seres muito superiores a nós, que não nos cabe questionar, e perdemos o caráter de conhecimento construído a partir da razão e da observação e experimentação de fenômenos, que todos sabemos ser falível. Do ponto de vista gnosiológico, reduzimos o espiritismo em um tipo de conhecimento como o catolicismo, o judaísmo, o islamismo ou o budismo. Com isso, perdemos o seu caráter científico e filosófico, tão caro a Allan Kardec.

Finalizando, o espiritismo não é a verdade, mas a busca criteriosa da verdade em assuntos relacionados aos Espíritos e à vida espiritual.

Fonte: espiritismo.net

REFERÊNCIAS

[1] Kardec, Allan. O que é o espiritismo. 5 ed francesa e posteriores. Preâmbulo.

[2] Kardec, Allan. A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo. 4ª ou 5ª ed. francesas, cap. 1, §55.

[3] Fatos seriam eventos da natureza percebidas pelos sentidos humanos, principalmente pela observação, ampliados ou não por instrumentos. Fenômenos, a partir de Kant, são intuições das pessoas “captadas segundo a intuição e das categorias inatas do intelecto”.

[4] Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Kardec, Allan. Caráter da revelação espírita. In: A Gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo. (4ª ou 5ª edições francesas), cap. 1, item 55.

[5] Pimentel, Marcelo Gulão. O método de Allan Kardec para investigação dos fenômenos mediúnicos (1854-1869). Dissertação de mestrado. UFJF. Juiz de Fora, Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira, 2014.

Jáder Sampaio é Psicólogo, Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Coordenador de Câmara de Assessoramento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Membro da Associação Espírita Célia Xavier e da Liga de Pesquisadores do Espiritismo (LIHPE). http://espiritismocomentado.blogspot.com

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SENTIR QUE ESTAMOS SENDO SENTIDOS

Dr. Milton Moura

SENTIR QUE ESTAMOS SENDO SENTIDOS

Há algo interessante no mundo dos relacionamentos. Compartilhamos emoções! Aquilo que sai do particular de cada um, o sentimento, pode ser percebido e até mesmo sentido por outros. Perceber o que o outro sente. Perceber também que o outro está nos sentindo. Essa é a base da empatia. Uma capacidade de visão mental que promove um verdadeiro escaneamento interno e externo. Cada pensamento promove um sentimento. O ciclo entre pensar e sentir – sentir e pensar – infinitas vezes, cria o Estado de Ser de cada um. Transmitimos aquilo que somos. É a nossa assinatura energética.

De alguma maneira precisamos sentir que estamos sendo sentidos. Criamos uma modificação no espaço que conecta a tudo e a todos. Lembram? A matéria corresponde a 0,0000001% de tudo e o espaço corresponde a 99,9999999% de tudo. Somos muito mais nada do que algo. Irônico isso? Dar mais importância a 0,0000001%. Não estamos esquecendo algo? O espaço que é onde nascem todas as possibilidades. Percebam que o espaço que permeia as minhas células é o mesmo espaço que permeia as suas células. Somos conectados pelo espaço.

A todo instante estamos realizando um verdadeiro “mapeamento” do outro e também de nós próprios. Em qualquer relacionamento – para que exista o compartilhamento de emoções – necessitamos da capacidade de auto “mapeamento” e também de “mapear” o outro, ou seja, criar uma “imagem” que represente ambos. Essa é a base da visão mental. Durante qualquer experiência que envolva relações interpessoais a visão mental está presente fazendo um levantamento das informações e energia do próprio corpo e simultaneamente realizando um levantamento das informações e energia do outro.

Há uma espécie de “ressonância” mediada pelas emoções que podem ser compartilhadas de forma não verbal e que são fundamentais para a “percepção” do outro. É como se cada um de nós, como observadores, fossemos cocriadores uns dos outros. Somos sujeito e objeto simultaneamente em qualquer relacionamento. A emoção/sentimento “permeia” essa observação simultânea e consegue-se criar um mapa de “nós” em cada relacionamento. Essa ressonância ocorre em um relacionamento entre mãe e filho(a), entre namorados, entre amantes, entre amigos, entre grupos, entre comunidades, entre sociedades, entre cidades, entre países, entre… todos.

Agora, imagine por um instante se perdessemos a capacidade de sentir que somos sentidos. O que aconteceria? Indiferença? Frieza? Mecanicidade dos movimentos? Incapacidade de criar um mapa do outro? Exatamente isso. Estamos todos interconectados por uma realidade fundamental. Estamos todos permeados por um espaço inteligente e rico energeticamente. Diante desse conhecimento, podemos aprimorar a capacidade de autopercepção e também de perceber o outro. Somos todos conectados. A importância de sentir a si mesmo e sentir o outro é a base de qualquer relacionamento.

Cultivemos, então, excelentes relacionamentos entre todos nós. Que possamos transformar nossas reações emocionais negativas em emoções positivas de amor, gratidão, admiração pela vida para que cada vez mais isso torne-se a “substância” principal de nossos mapeamentos mútuos, aumentando a vibração e permitindo que haja uma expansão da compreensão da vida.

Milton Moura é autor do site Criatividade quântica. Médico cardiologista e ativista quântico, é também um estudioso da neurociência. – Blog – Dr Milton Moura

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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A Angústia Interior

Pedro Valiati

Sérgio e Baco, os santos católicos que podem ter sido um casal gay da  antiguidade - BBC News Brasil

No início de maio foi judicialmente reconhecido no Brasil todos os direitos relativos à união homossexual. Entre apoio e protestos, tal lei demonstra a maturidade de uma sociedade em aceitar a minoria, motivando o exemplo para muitos e reflexão para outros tantos.

Recorramos a Carl Gustav Young, apenas para fomentar e iniciar a nossa reflexão de hoje.

“Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar.”

No início de maio foi judicialmente reconhecido no Brasil todos os direitos relativos à união homossexual. Entre apoio e protestos, tal lei demonstra a maturidade de uma sociedade em aceitar a minoria, motivando o exemplo para muitos e reflexão para outros tantos.

Apenas de forma elucidativa, muito mais aproveitando a oportunidade, vejamos o que o Livro dos Espíritos nos traz acerca do homossexualismo:

  1. Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?

“Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.”

Comentário de Kardec: Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.

Portanto, OLE deixa de forma clara e patente que a homossexualidade não passa de experiência necessária ao espírito, seja como prova ou expiação. Naturalmente, que o espírito encarnado por diversas oportunidades em um pólo sexual estranhará o novo “habitat” do espírito, em polaridade invertida. Isso traz à tona as diferenças no proceder e principalmente no sentir e, consequentemente, no agir. Portanto, a homossexualidade não é doença, é apenas uma experiência, um aprendizado necessário aos olhos de Deus. Nosso papel é respeitar-lhes as escolhas. Por vezes, a encarnação em corpo inverso à bagagem espiritual é prova duríssima, atentemos para não dificultar-lhes a jornada, transformando o respectivo aprendizado em prova ainda mais dura. Tal ato reveste-se em pura falta de caridade. Sendo mais abrangente na questão, há muito as minorias vem sofrendo. O Brasil não é exceção. São ações e declarações homofóbicas incitando a raiva, atos de violência a indígenas e moradores de rua, queimando-os em puro ato de vandalismo e barbárie. Em uma escala bem menor de hediondez, o próprio bullying, palavra da moda, também é verdadeiro exercício contra a cidadania, a amizade. A definição de preconceito já não cabe mais para esses casos, é preciso ir além. Necessário se faz analisarmos os nossos conflitos interiores, pois, por trás de atos de violência injustificáveis contra o próximo pode estar o puro reflexo da miséria moral.

Podemos classificar como conflito toda e qualquer querela não resolvida, situação ainda a inflamar a raiva, a ira, a revolta em nós. Quando não aplicamos a dose diária de tolerância nas situações não resolvidas, estas crescem, viram conflitos, irritação crônica, revolta com o mundo. Em algumas mentes doentes cria-se uma enorme necessidade de extravasar para todos a revolta sentida, como uma metralhadora giratória, uma missão na qual acham-se investidos. Mentes adoecidas, entorpecidas pelo sofrimento interior. Descontam as próprias frustrações em forma de violência contra as minorias. Preocupam-se demais em atacar as angústias alheias por não terem forças e nem coragem de lutar contra as respectivas. Eis o motivo dos ataques covardes, a covardia moral em olhar para si, resolver os próprios conflitos. Naturalmente, que me refiro aos atos mais extremistas, os quais passam dos limites da justiça.

Entretanto, interessante se faz a reflexão de todos acerca do respectivo comportamento, as irritações crônicas, as mágoas infindáveis, as frustrações na família e no trabalho, a revolta excessiva em relação às notícias cotidianas. Todos esses podem ser reflexos de angústias mal resolvidas, necessitadas do tratamento da reflexão e do auto-amor, em forma de tolerância. Para o mau humor e irritação eterna, naturalmente, é mais fácil culpar o mundo. Por vezes, quando vasculhamos o nosso íntimo, verificamos que as maiores revoltas e mágoas se encontram latentes em nós. Impossível conviver bem, se a matriz, o espírito, a consciência está doente. Como disse Jung, o maior inimigo pode estar dentro de nós e este necessita de altas e pacientes doses de amor.

Pedro Valiati

Fonte: Correio Espírita

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Gente famosa também “morre”

Wellington Balbo

Recentemente houve mortes, para nós, espíritas, o termo mais adequado é desencarnação, de várias pessoas famosas, que ficaram conhecidas por seus feitos na arte, como no caso de Gal Costa, Rolando Boldrin e Erasmo Carlos.

E diante dessas mortes e com o advento das redes sociais, as opiniões de um bom número de pessoas ficam acessíveis para nós, a mostrar como é encarada a desencarnação de alguém que teve seu nome conhecido pelas multidões.

Algumas reações que vi nas redes, além das belas e merecidas homenagens, eram mais ou menos assim: Não acredito! Meu Deus! Onde estamos? Que ano foi este? Quando sairemos desta fase?

Contudo, vale lembrar, principalmente para quem está conhecendo agora o Espiritismo, que a morte do corpo físico não é punição, tampouco prêmio, porém um evento natural para Espíritos que vestem o corpo de carne.

Pessoas anônimas e famosas “morrem” pelas mais variadas razões e das mais diversas formas, inclusive trabalhando e realizando boas coisas, como no caso da saudosa dona Zilda Arns, que partiu deste mundo após um terremoto no Haiti, em 2010. Dona Zilda estava em tarefa humanitária naquele país e, ainda assim, desencarnou.

O que extraímos desta situação? O simples fato de estarmos na Terra é um motivo significativo para “promover” nossa chegada ao mundo dos Espíritos a qualquer instante, independentemente do que estivermos realizando no momento.

Sim, meus amigos, é chocante, mas pessoas “boas” morrem, assim como as “más”.

É claro que não gostamos de perder um ente querido ou quem admiramos, entretanto esta é uma lei da vida.

Olhar a morte face a face, como algo comum e que pode ocorrer a qualquer momento, parece-me uma boa ideia para que não fiquemos a considerar que o mundo piora dia a dia porque pessoas que admiramos partiram desta para uma nova fase de suas existências.

Eis, infiltrada nesses comentários, a veia materialista de nosso pensamento. E Espiritismo, bem o sabemos, deve combater o materialismo.

Wellington Balbo

Fonte: Espiritismo na Rede

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Pacificação da Terra                         

Redação Folha Espírita

É da lei de Deus que vivamos em sociedade, seja enquanto estejamos encarnados ou mesmo desencarnados. É pela experiência que obtemos vivendo em grupos, famílias e comunidades que amadurecemos o nosso desejo de estabelecer valores e atitudes que possam nos auxiliar a conquistar um bom convívio social, com harmonia e paz entre todos. Diante disso, como deve ser a postura do espírita para que essa convivência em sociedade seja coerente com os princípios do Evangelho? Sem dúvida, o ponto essencial será sempre observar o comportamento de Jesus, enquanto esteve entre nós, como maior e única inspiração que possa nos guiar em todos os momentos da caminhada.

No entanto, nem sempre conseguimos traduzir os ensinamentos do Mestre para a nossa própria realidade pessoal. E para nos auxiliar na compreensão das lições de Jesus, a fim de que possamos progredir na jornada, a Misericórdia Divina nos dá valiosas ferramentas ao longo do percurso. Foi assim quando Allan Kardec publicou O Evangelho segundo o Espiritismo, no século XIX, obra que explica e comenta as passagens do Evangelho original com a ajuda da Espiritualidade Superior, para que possamos ampliar o nosso entendimento.

Esse esforço de aprofundarmos o nosso próprio entendimento se faz cada vez mais necessário, mais ainda agora, quando nos encontramos na etapa de transformação do nosso planeta, que se prepara para passar da categoria de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração. São tempos que exigem de nós todos os esforços para a pacificação e a harmonia, no Brasil e no mundo.

No capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, “Sede perfeitos”, encontramos inúmeras informações úteis para essa caminhada. Logo no início, Jesus nos convida: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos?”

Não nos é difícil entender o convite amoroso feito por Ele para todos nós, mas será que temos conseguido colocá-lo em prática no nosso dia a dia?

Jesus nos explica que a perfeição moral que Ele nos pede consiste “em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem”. Ele mostra, desse modo, que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção e que devemos aplicá-la para todos, e não somente para aqueles que pensam ou agem como queremos. Essa é a base segura da pacificação no mundo, que tanto precisamos. O amor que une, compreende e jamais julga ou repele um irmão. Temos conseguido agir assim verdadeiramente?

A conquista desse amor incondicional é sempre o indício da nossa maior ou menor superioridade moral, pois o grau da nossa perfeição está na razão direta da capacidade de amarmos sem restrições, sem impor quaisquer condições.

O capítulo XVII nos explica além, detalhando o que seria o verdadeiro homem de bem e o verdadeiro espírita. Vale a pena a leitura e o estudo dos textos, a fim de podermos observar as nossas próprias atitudes para avançarmos no autoaperfeiçoamento.

Vemos, portanto, nesse capítulo, que o verdadeiro homem de bem é aquele que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza. É aquele que interroga a própria consciência sobre seus atos e pergunta todos os dias a si mesmo se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desperdiçou alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez ao outro tudo o que desejaria que lhe fizessem.

Encontramos, ainda, a descrição do verdadeiro homem de bem como aquele que tem fé inabalável em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Porque sabe que sem a sua permissão nada acontece.

Esse verdadeiro homem de bem compreende a transitoriedade dos bens materiais, das circunstâncias do mundo e das perdas temporárias da vida, pois somente o que vem de Deus é eterno. Ele faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, e retribui o mal com o bem. Sacrifica seus interesses pessoais pelo que é melhor para todos, porque seu primeiro impulso é pensar nos outros antes de pensar em si, cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse.

Não faz distinção de raças ou crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros as convicções diferentes das suas e não critica os que não pensam como ele. Não profere palavras malévolas, que possam ferir o outro, que possam causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira. É indulgente com as fraquezas alheias, porque sabe que também vai precisar de indulgência, e tem bem claro na cabeça aquela sentença do Cristo: “Atire a primeira pedra aquele que se achar sem pecado”.

O Evangelho inteiro é o verdadeiro manual prático para a vida, nos auxiliando a entender a melhor atitude para todo e qualquer desafio que se apresente. Infelizmente, a sociedade humana, não tendo jamais compreendido a grandeza das lições de Jesus, criou, ao longo da história, religiões segregadas umas das outras, dogmas e interpretações divergentes que afastaram as lições de Jesus de sua simplicidade original, impedindo assim que suas palavras pudessem exercer o seu papel de harmonizar e pacificar os corações de todos nós. Criou-se, até mesmo, certa resistência ao se falar sobre Jesus, como se fosse algo reservado somente àqueles que professam alguma religião. É importante salientar, porém, que as lições de Jesus são absolutamente necessárias para todos nós, pois Ele veio para nos mostrar como viver em harmonia com Deus, em harmonia com as leis imutáveis que regem todo o Universo, para vivermos em paz uns com os outros.

Concluímos com as palavras do apóstolo Paulo de Tarso, numa mensagem que aparece no capítulo XV, “Fora da Caridade não há salvação”: “Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam”.

Fonte: Folha Espírita

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Donos da Verdade

Orson Peter Carrara

Pin em imagens que me identifico

Se há um equívoco humano onde costumamos nos perder intensamente, com graves prejuízos para os ideais que julgamos lutar em favor, é nos colocarmos como donos da verdade.

É quando começamos a achar que somos imprescindíveis. É quando achamos que nosso ponto de vista é o mais acertado e deve ser aceito por todos. É exatamente quando nos colocamos na posição de impor ideias ou comportamentos, esperando adesões sem questionamentos. É aí que nos perdemos intensamente e prejudicamos os progressos do conjunto. É que deixamo-nos fascinar pela vaidade, pela transitoriedade precária de um cargo ou pela suposta e tola noção de superioridade e proteção que julgamos possuir.

São conhecidos os prejuízos históricos de tais comportamentos em todas as épocas da humanidade. Nem é preciso citar qualquer exemplo, mas o façamos apenas para reforçar a presente abordagem. Caifás, Pilatos, Hitler, entre outros personagens do passado e do presente estão entre tais casos, de nomes famosos ou conhecidos e mesmo entre anônimos na realidade e intimidade de empresas e famílias. Sim, tais casos lamentáveis estão nos esportes, na política, nas artes, nas religiões, nas profissões, nos relacionamentos familiares ou não e mesmo nos diferentes grupos de diferentes ideais. Inclusive no ambiente do movimento espírita, infelizmente.

Ocorre dizer, por oportuno, que a Doutrina Espírita nada tem a ver com isso. Isso é consequência de nossa imaturidade ou tentativa desesperada de resolver as coisas sob o nosso limitado e estreito ponto de vista. Imaturidade que ainda guarda os largos conteúdos do egoísmo, causa que articula a ambição, a inveja, o ódio e o ciúme, entre outros males. Ciúme e inveja, esses vermes roedores da paz humana. Para que? Eles juntos, articulados pelo egoísmo, perturbam as relações sociais, provocam divisões e destroem a tranquilidade e a segurança, conforme comenta o lúcido Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, após a resposta dos Espíritos à questão 917 de O Livro dos Espíritos.

Se trouxermos, então, tal questão e tais prejuízos à intimidade de nossas atividades espíritas, já são conhecidos os danosos resultados.

Não somos donos da verdade, não somos donos de ninguém. Nossa opinião, nosso ponto de vista é apenas um ponto de vista pessoal, fruto de nossa experiência pessoal que é diferente da experiência do outro, que não pode ser desprezada.

Por que desmerecemos o esforço alheio, porque tentamos paralisar iniciativas alheias? Por que, finalmente, desejamos impor nossa vontade?

Tudo isso é fruto de nossa pequenez. Diante da proposta lúcida e grandiosa do Espiritismo, alicerçado no Evangelho de Jesus, iniciemos desde já o esforço de melhora de nós mesmos e não dos outros…

Vale lembrar André Luiz, Espírito, no livro Conduta Espírita1 (edição FEB, psicografia Chico Xavier): “(…) Suprimir toda crítica destrutiva na comunidade em que aprende e serve. A Seara de Jesus pede trabalhadores decididos a auxiliar (…)”.

Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas

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