Os piores inimigos: a vaidade

Marcelo Teixeira

Visito pela última vez o capítulo 31 do livro “Luz Acima”, ditado pelo espírito Irmão X e psicografado pelo médium Chico Xavier, para encerrar a série sobre os piores inimigos. Na história narrada, o apóstolo Pedro viaja a pé com Jesus. No trajeto, é visitado por cinco inimigos internos. Chegou a hora do inimigo ainda não abordado: a vaidade.

Pedro e o Cristo cruzam com um romano chamado Rufo Grácus, que é semiparalítico e viaja a bordo de uma liteira carregada por fortes escravos. Ao ver a dupla, Rufo sorri para ambos com ar de desdém. O apóstolo, sem hesitar, diz que tem vontade de cruzar novamente com o “pecador impenitente, a fim de dobrar-lhe o coração para Deus”. Jesus lhe afaga o ombro e indaga: “Por que instituiríamos a violência ao mundo, se o próprio Pai nunca se impôs a ninguém?”. E arremata: “A vaidade é um verdugo sutil”.

Acredito ser bem interessante, e até inusitado, Jesus pontuar que a imposição de pontos de vista – algo bem violento, por sinal –, seja uma forma de vaidade. Mas diante do que temos observado no mundo atual, faz muito sentido.

A vaidade salta aos olhos no comportamento de Rufo, que despreza os viajantes por serem quem são (Jesus e um apóstolo) e, por conseguinte, trazerem a boa nova de que todos os homens são iguais perante Deus, algo inadmissível para um romano que é cercado de regalias e se vale de mão de obra escrava. Ou então porque, aos olhos dele, ambos são socialmente inferiores. Ou pelos dois motivos juntos. Ao mesmo tempo, Pedro vai na mesma toada e quer dobrar o impenitente à força. Uma espécie de conversão imposta que fará Rufo aceitar Jesus num piscar de olhos, deixar toda a vida faustosa e arrogante para trás e se tornar um seguidor do Nazareno.

É aí que Jesus entra em cena e ressalta que não dá para querermos nos impor a ninguém, pois, além de ser uma violência, é uma forma de deixar vir à tona a vaidade na sua pior forma: a de verdugo, só que sutil, como manda a etiqueta dos que se valem da vaidade para impor ideias.

Quantas vezes, seja em ambiente profissional, religioso ou familiar, vemos pessoas sutilmente manipulando as outras para que adiram às suas vontades, caprichos ou pontos de vista? Só elas sabem o que é melhor para a empresa. Só elas sabem o que é melhor para os entes queridos. Só elas sabem a melhor forma de passar uma camisa, refogar uma couve, lavar uma janela… Vaidade pura!

Isso me faz lembrar a história de D. Léa, amiga de minha família. Mãe de dois rapazes já casados, D. Léa elogiava muito as noras. Segundo elas, ambas eram excelentes esposas e mães. Só que havia um pormenor: as noras não se entrosavam muito bem. Não que elas se detestassem. No entanto, como possuíam poucos interesses em comum e tinham filosofias de vida distintas, mantinham uma distância diplomática. Nada que interferisse nas relações familiares. Comentando o assunto com minha tia, D. Léa declarou: “As duas cuidam muito bem dos meus filhos, dos próprios filhos e gostam muito de mim e do meu marido. Se elas possuem diferenças entre elas, não é problema meu. Elas que se entendam futuramente, se quiserem.” Aplaudi D. Léa quando soube dessa história. Conheço mães que não sossegariam até transformar as noras em melhores amigas. Armariam encontros, bate-papos, conversariam exaustivamente com uma e depois com a outra até provocarem um desconforto tamanho que culminaria numa cisão familiar daquelas. Melhor sermos como D. Léa e não nos deixarmos levar pela vaidade de acharmos que temos o dom de irmanarmos a todos, dizermos sempre a palavra certa na hora certa e fazermos todo mundo pensar do jeito que pensamos, crer no que cremos ou gostar do que gostamos. O mundo não é arrumadinho de modo a satisfazer nossa vaidade.

É por causa dessa postura que, muitas vezes, os Rufos da vida desdenham de quem possui outra religião, nacionalidade, orientação sexual, tom de pele, estilo de vida… E os Pedros da vida, por sua vez, aparecem com o ímpeto de fazer com que os diferentes se dobrem de joelhos a Deus, esquecidos que, conforme assevera Jesus, o próprio Deus jamais se impôs a quem quer que fosse.

Descendo a rua onde moro para ir à farmácia mais próxima num sábado à noite, deparei, há alguns anos, com dois homens. Um deles me chamou e disse que, na igreja da qual fazem parte, Deus havia me chamado naquela noite e que eu deveria atender a esse chamado e frequentar tal igreja. Agradeci o convite, disse que era espírita há muitos anos e com muitas atribuições no movimento espírita local. Acrescentei, ainda, que era escritor espírita com vários livros publicados, que estava muito feliz como espírita e segui adiante. Sempre aquela velha mania de pensarmos que só existe uma religião correta – a nossa – e que todos têm de se dobrar a ela. Vaidade e respeito à diversidade não combinam.

Radicalizando esse pensamento, nos deparamos com templos de religiões de matriz africana sendo destruídos por seguidores de outras vertentes; manifestações culturais como samba e capoeira (hoje assimiladas) outrora perseguidas por autoridades; ritmos como funk, rap e hip hop tidos como subprodutos culturais; pensamentos progressistas tachados de subversivos para serem abafados; fanáticos políticos invadindo festas de aniversário particulares decoradas com motivações políticas opostas para fuzilar o aniversariante e, exemplo mais tocante, o Nazareno sendo aprisionado, julgado de forma parcial, preterido por Barrabás e crucificado no madeiro infamante. Jesus, por isso, acerta em cheio quando diz que a vaidade é um verdugo sutil. Um algoz matreiro que se aproveita da nossa invigilância para semear preconceito, intolerância e violência.

Aliás, é muito interessante essa alegoria do verdugo sutil utilizada pelo Mestre. Geralmente, a definição corriqueira que encontramos de verdugo é a do responsável pela execução da pena de morte ou castigos corporais. Nada sutil, portanto. O Cristo, todavia, apresenta a sutileza de sermos corroídos paulatinamente pelo verdugo da vaidade, que nos faz subir num pedestal a ponto de acharmos que só existe um ponto de vista correto, uma religião correta, uma raça correta, uma orientação sexual correta uma classe social correta… E qual seria? A nossa, é claro. Só que se despir da vaidade é aprender a conviver com as múltiplas diversidades que o mundo nos apresenta. Pena que muitos prefiram, por pura vaidade, se arvorarem em verdugos dos nossos irmãos em humanidade.

Em “O Livro dos Espíritos”, logo no início – Prolegômenos – espíritos como São João Evangelista, Sócrates, Platão e São Vicente de Paulo assinam o belíssimo texto que diz, num dos últimos parágrafos:

“A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus, se confundirão num só sentimento, o do amor do bem, e se unirão por um laço fraterno, que envolverá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial.”

Quando nos desfizermos de todas as vaidades, o verbo amar imperará, o ideal de aprimoramento espiritual motivará a todos, as diferenças de ordem cultural, religiosa etc. serão respeitadas e todos nós praticaremos os valores cristãos, trazendo muitas alegrias para toda a humanidade. Sigamos sem temor!

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

BIBLIOGRAFIA:

KARDEC, Allan – O livro dos espíritos, Federação Espírita Brasileira (FEB), 60ª edição, 1984, Brasília, DF.

XAVIER, Francisco Cândido – Luz Acima, Federação Espírita Brasileira (FEB), 5ª edição, 1984, Brasília, DF.

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Cuidar do corpo e do espírito

Américo Domingos Nunes Filho*

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A Medicina enfatiza a consideração dos cuidados a serem observados para se ter uma vida saudável, informando o que fazer para proteger o corpo e de se proteger contra os fatores de risco que influenciam o coração e o sistema circulatório, facilitando o aparecimento das doenças cardíacas e dos acidentes vásculo-cerebrais.

É imprescindível evitar o sedentarismo, o excesso de peso, a ingestão de gorduras perniciosas. O indivíduo que não se cuida adequadamente, com desfavorável estilo de vida, dominado pelos vícios e excessos de toda ordem, terá o seu corpo somático acometido de intensos desgastes, com comprometimento dos órgãos essenciais, acarretando a falta de retenção do fluido vital (Questões 68 e 70 de “OLE”) e, com a morte do corpo, o lento e difícil desprendimento da alma, processo conhecido como suicídio indireto.

Há alguns dias, encontrava-me, na fila de compra do setor de frios de um supermercado, quando a pessoa, na minha frente, bem obesa, solicita ao atendente, que lhe servisse de presunto com capa de gordura. De imediato, meditei na importância da elaboração desses artigos, objetivando a instrução dos indivíduos que ignoram a alimentação saudável e se constituem em candidatos à morte prematura, vivenciando intenso sofrimento além-túmulo.

É indispensável a consulta médica periódica, quando será feito o exame físico, sendo auferida a medida da pressão arterial, anotados o peso e a estatura, auscultados o coração e os pulmões, palpadas as áreas importantes do corpo e solicitados os exames laboratoriais de praxe, principalmente o exame de sangue, em especial o hemograma, a dosagem da glicose, uréia, creatinina e o lipidograma total, quando se constatarão os níveis do colesterol total, do LDL (prejudicial à saúde), do HDL (bom colesterol) e dos triglicérides.

Grau de obesidade

Para comprovação do grau de obesidade do paciente, é realizado um método simples e amplamente difundido de se medir a gordura corporal. É o IMC (Índice de Massa Corporal), sendo calculado dividindo o peso do indivíduo em quilos pelo quadrado de sua altura em metros. O normal é 18.5 a 24.9.

Sobrepeso: 25.0 a 29.9.

Obesidade grau I (moderada): 30.0 a 34.9.

Obesidade grau II (severa): 35.0 a 39.9.

Obesidade grau III (mórbida) = 40.0.

Igualmente, pode-se também empregar o método da Circunferência da Cintura (barriga). A gordura depositada na parede abdominal indica acometimento das vísceras, incluindo o fígado. Essa gordura, com facilidade, deposita-se nas artérias. É o principal indicador de obesidade e está mais associado às doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão arterial.

Medida normal

A medida normal, na área do umbigo: <94cm nos homens e <80 cm nas mulheres. A circunferência preocupante (94-102cm nos homens e 80-88cm nas mulheres). A circunferência muito preocupante (>102cm nos homens e >88cm nas mulheres). Em medicina se conhece, como síndrome metabólica, a associação de hipertensão arterial, barriga avantajada e colesterol alto. A obesidade abdominal tem relação com a resistência à insulina: ação do hormônio não é ideal, não tem sua atividade plena, prejudicando o aproveitamento da glicose pelas células.

Obesidade

A obesidade abdominal está arrolada com o depósito acentuado de triglicérides ou triglicerídeos, que são gorduras com maior fonte de energia. Em excesso, depositam-se nos vasos arteriais (aumento no risco de doenças cardiocerebrovasculares). Os triglicérides ou triglicerídeos são resultantes da alimentação (80%) e igualmente produzidos no fígado (20%). Em excesso, são tão perigosos quanto os altos níveis de colesterol. Alimentos doces e farináceos ajudam na sua absorção.

O que fazer, então, para se desfrutar de boa saúde? Muito importante a prática de exercícios físicos, principalmente as caminhadas diárias com a duração mínima de 30 minutos. Fundamental a alimentação com frutas, hortaliças, grãos de cereais e óleos insaturados. Essencial consumir comida com pouco sal e açúcar; e, com moderação, café e as bebidas alcoólicas. Necessária também é uma boa noite de sono, evitando as bebidas cafeinadas a partir da tarde. Em relação às proteínas, evitar carne de suínos e escolher de preferência peixes (contém também a benéfica gordura ômega) e soja (importante fonte de fitoestrogênios). Quanto à carne de vaca, preferir o consumo de cortes magros. O excesso de consumo de proteínas não é saudável desde que o excedente será armazenado na forma de gordura. Quanto aos laticínios, deve-se comprar os que contêm baixos teores de gordura ou mesmo completamente desnatados.

Gorduras e fibras

A ingestão de gorduras deve ser moderada, fugindo das saturadas que estimulam o fígado a produzir LDL, e dando preferência às não saturadas encontradas em óleos vegetais (azeite, canola, etc.), frutos oleaginosos como o abacate, nos peixes gordurosos como arenque, sardinha, atum, cavalinha, salmão, ricos em ácidos graxos ômega-3, importantes na prevenção de acidentes vásculo-cerebrais, porquanto diminuem a viscosidade sanguínea. Quanto às gorduras trans, afastá-las, de imediato, do cardápio. Verificar sempre nos alimentos industrializados a presença da perigosa gordura vegetal hidrogenada, principalmente em biscoitos, massas, bolos, tortas, pães. Não ingerir frituras, porquanto o óleo em ebulição transforma-se em gordura trans.

O consumo de fibras solúveis e insolúveis deve ser sempre ressaltado, já que ajuda a reduzir o risco de doença cardíaca, impedindo a absorção de colesterol no intestino. São encontradas nos amiláceos integrais, farelos, leguminosas, aveia, frutos oleaginosos, hortaliças, sementes, etc.

Quanto à água, deve-se beber pelo menos oito copos por dia. O ideal é aumentar a ingestão de líquidos no caso de se alimentar de muitas fibras. Deve-se estimular o consumo de sucos de frutas, deixando de lado os refrigerantes.

Um capítulo à parte na boa alimentação é se nutrir com os antioxidantes, que ajudam na neutralização dos radicais livres que são perniciosos à saúde, promovendo o entupimento dos vasos arteriais (aterosclerose). Principais fontes são as frutas cítricas, alimentos ricos em vitamina D, betacarotenos, selênio, manganês, zinco, flavonoides, etc. O açaí, couve e acerola são fontes importantes de antioxidantes.

Portanto, o homem tem o dever de alimentar-se bem, velando pela conservação do seu corpo, “templo do Espírito Santo”, conforme foi dito por Paulo, em Carta aos Coríntios, Cap. três, Versículo dezesseis.

Assim sendo, é imprescindível para o espírito reencarnante, em sua trajetória evolutiva, procurar cuidar do seu corpo provisório, intentando investir na higiene, instrução e saúde para ser produtiva a sua reencarnação e não precisar passar pelo atroz sofrimento espiritual de uma desencarnação precoce.

*Presidente da Associação Médico-Espírita da cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: Correio Espírita

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Entrevista com Mozart

Qual o mundo que habitas? Ali és feliz?

Resp. – Júpiter. Nele desfruto de grande calma; amo a todos os que me rodeiam; não temos ódio

Dir-te-ei o que em nosso mundo entendemos por melodia. Por que não me evocaste mais cedo? Ter-te-ia respondido.

O que é melodia?

Resp. – Para ti muitas vezes é uma lembrança da vida passada; teu Espírito recorda aquilo que entreviu num mundo melhor.

No planeta em que habito – Júpiter – há melodia em toda parte: no murmúrio da água, no crepitar das folhas, no canto do vento; as flores sussurram e cantam; tudo torna os sons melodiosos. Sê bom; conquista esse planeta por tuas virtudes; bem escolheste, cantando a Deus: a música religiosa auxilia a elevação da alma. Como gostaria de vos poder inspirar o desejo de ver esse mundo onde somos tão felizes! Todos somos caridosos; tudo ali é belo e a Natureza é tão admirável! Tudo nos inspira o desejo de estar com Deus. Coragem!

Coragem! Acreditai em minha comunicação espírita: sou eu mesmo que aqui me encontro; desfruto do poder de vos dizer o que experimentamos; possa eu vos inspirar bastante o amor ao bem, para vos tornardes dignos desta recompensa, que nada é ao lado de outras a que aspiro!

Nossa música é a mesma em outros planetas?

Resp. – Não; nenhuma música poderá vos dar uma idéia da música que temos aqui: é divina! Oh! Felicidade! Faz por merecer o gozo de semelhantes harmonias: luta! coragem! Não possuímos instrumentos: os coristas são as plantas e as aves; o pensamento compõe e os ouvintes desfrutam sem audição material, sem o auxílio da palavra, e isso a uma distância incomensurável. Nos mundos superiores isso é ainda mais sublime.

Qual a duração da vida de um Espírito encarnado em outro planeta que não o nosso?

Resp. – Curta nos planetas inferiores; mais longa nos mundos como esse em que tenho a felicidade de estar; Em Júpiter ela é, em média, de trezentos a quinhentos anos.

Haverá alguma vantagem em voltar-se a habitar a Terra?

Resp. – Não; a menos que seja em missão, porque então avançamos.

Não se seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito?

Resp. – Não, não! Estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.

É a primeira vez que me encontro na Terra?

Resp. – Não; mas não posso falar do passado de teu Espírito.

Eu poderia ver-te em sonho?

Resp. – Se Deus o permitir, far-te-ei ver a minha habitação em sonho, e dela guardarás lembrança.

Eu poderia ver-te?

Resp. – Sim; crê e verás; se tivesses mais fé, ser-nos-ia permitido dizer o porquê; tua própria profissão é um laço entre nós.

Como entraste aqui?

Resp. – O Espírito atravessa tudo.

Estás ainda muito longe de Deus?

Resp. – Oh! Sim!

Melhor que nós, compreendes o que seja a eternidade?

Resp. – Sim, sim, mas não o podeis compreender no corpo.

Que entendes por Universo? Houve um início e haverá um fim?

Resp. – Segundo vós o Universo é a Terra! Insensatos! O Universo não teve começo nem terá fim; considerai que é obra de Deus; o Universo é o infinito.

Que devo fazer para aperfeiçoar o meu talento? (obs: o entrevistador é músico)

Resp. – Podes evocar-me; obtive a permissão de inspirar-te.

Quando eu estiver trabalhando?

Resp. – Certamente! Quando quiseres trabalhar, estarei perto de ti algumas vezes.

Ouvirás a minha obra? (uma obra musical do interpelante).

Resp. – És o primeiro músico que me evoca; venho a ti com prazer e ouço as tuas obras.

Como explicar que não tenhas sido evocado?

Resp. – Fui evocado; não, porém, por músicos.

Por quem?

Resp. – Por várias damas e curiosos, em Marselha.

Vês minha mãe?

Resp. – Ela está reencarnada na Terra.

Em que corpo?

Resp. – Nada posso dizer a propósito.

E meu pai?

Resp. – Está errante para auxiliar no bem; fará tua mãe progredir; reencarnarão juntos e serão felizes.

Ele me vem ver?

Resp. – Muitas vezes; a ele deves teus impulsos caritativos.

Foi minha mãe quem pediu para reencarnar-se?

Resp. – Sim; tinha grande vontade de elevar-se por uma nova prova e adentrar num mundo superior à Terra; já deu um passo imenso nesse sentido.

Que queres dizer com isso?

Resp. – Ela resistiu a todas as tentações; sua vida na Terra foi sublime, comparada com seu passado, que foi o de um Espírito inferior. Assim, já galgou alguns degraus.

Havia escolhido, então, uma prova acima de suas forças?

Resp. – Sim, foi isso.

Quando sonho que a vejo, é ela própria que aparece?

Resp. – Sim, sim.

Obrigado, Mozart; adeus.

Resp. – Crede, crede, estou aqui… Sou feliz… Crede que há mundos acima do vosso… Crede em Deus… Evocai-me mais frequentemente, e em companhia de músicos; ficarei feliz em vos instruir e em contribuir para a vossa melhoria, e em vos ajudar a subir para Deus.

Revista Espírita de 1858

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O PENSAMENTO E A DEFESA IMUNOLÓGICA

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Médico explica como o pensamento influencia na nossa defesa imunológica

Cada vez mais os estudos científicos mostram o quanto os pensamentos têm impacto na imunidade. No entanto, há mais de 70 anos, o Espírito André Luiz, por meio da psicografia de Chico Xavier, já nos apontava nessa direção, que apenas recentemente se tornou objeto de estudo de cientistas de todo o mundo.

Nesta época de pandemia da Covid-19, conhecer um pouco sobre a relação pensamento e imunidade torna-se cada vez mais urgente. Mais do que nunca, a máxima “orai e vigiai” é necessária. Por isso, para esclarecer um pouco mais sobre o tema, buscamos a recente palestra do presidente da Associação Médico-Espírita do Mato Grosso do Sul (AME-MS) e vice-presidente da Associação Médico-Espírita Internacional (AME-Internacional), o médico Décio Iandoli Jr., no Congresso da AME-Internacional, realizado de forma virtual em 21 e 22 de novembro.

Sob o título Ação dos pensamentos na resposta imunitária – da revelação espírita ao pensamento científico, o dr. Iandoli Jr. traçou uma relação dos estados emocionais com a imunidade, tendo como base artigos científicos e a Doutrina Espírita, especialmente as obras de André Luiz.

Conheça, a seguir, alguns destaques da palestra. A íntegra pode ser acessada no site da AME-Internacional. Preparamos também um podcast da Folha Espírita com mais detalhes sobre o tema. Ouça no Spotify, Google Podcast, Apple Podcast, Anchor e principais plataformas de podcast.

Impacto do luto e dos traumas físicos e psicológicos no sistema imunológico

Um estudo analisou um grupo de 80 pais em luto contra um outro com 80 pais que não sofreram nenhuma perda. Os cientistas avaliaram ambos duas semanas e seis semanas após as mortes. Quanto mais próximo da ocorrência dos óbitos, maior o estado proinflamatório dos pacientes que sofreram as perdas. Isso mostra como o estado emocional – e obviamente os pensamentos que estão sendo emitidos a partir das emoções – tem impacto sobre o sistema imunológico.

“Não existe hoje dúvida no meio científico de que o estado emocional influencia no estado imunológico. O que precisa avançar são as explicações científicas de como isso acontece”

Ainda tendo como exemplo situações drásticas de perda, um outro estudo publicado na revista científica Behaviour Medicine analisou 260 pacientes, entre 35 e 84 anos de idade, que sofreram perdas, contra 269 que não tinham passado por nenhuma situação de luto. O resultado mostrou que os marcadores de atividade inflamatória aumentavam quanto mais próximos da perda e quanto mais próximos os pacientes eram dos parentes que desencarnaram. “Ou seja, quanto maior o impacto emocional negativo, maior a influência sobre o sistema imunológico”, explicou Iandoli Jr.

As evidências científicas de como o pensamento influi na imunidade não param por aí. Um outro estudo analisou o sistema imunológico de 29 crianças que sofreram abusos físicos ou psicológicos contra o de 17 crianças que não passaram por nenhum desses traumas. “As crianças que sofreram abusos, que foram agredidas, que passaram por processos de emoções negativas e de estresse têm maior chance de desenvolver doenças imunológicas, principalmente as de atividade reumática, porque ficam com a imunidade celular superativada”, destaca o médico.

“Não existe hoje dúvida no meio científico de que o estado emocional influencia no estado imunológico. O que precisa avançar são as explicações científicas de como isso acontece”, acrescentou.

Sentimentos positivos também contribuem para a defesa imunológica

Um trabalho publicado recentemente na American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia) mostra que indivíduos otimistas ou com postura emocional mais positiva apresentam menor nível das citocinas inflamatórias, isto é, têm menor quantidade das sustâncias do organismo que atuam promovendo o processo inflamatório.

Um outro artigo sobre a influência das emoções positivas e da saúde psíquica na imunidade biológica levanta a hipótese de a causa ser a diminuição do tônus vagal, ou seja, a redução dos estados de estresse pode gerar um efeito positivo a médio e a longo prazos no sistema imunológico. “Existe uma relação entre os estados emocionais e a imunidade. O que a ciência ainda está começando a estudar são os mecanismos pelos quais este efeito é gerado. No entanto, André Luiz, por meio da psicografia de Chico Xavier, trata da relação entre pensamento e saúde há mais de 70 anos”, destacou o médico.

Respostas nas obras de André Luiz

No livro Nosso Lar, Veneranda afirma que “o pensamento é a base das relações espirituais dos seres entre si”, ou seja, é ele que nos conecta. E diz também que “o pensamento em si é a base de todas as mensagens silenciosas da ideia nos maravilhosos planos da intuição entre os seres de toda espécie”.

De acordo com Iandoli Jr., “a ideia, que é produto da alma, acaba gerando o pensamento; o pensamento é o veículo do sentimento; é o veículo da ideia. Veneranda faz a relação entre o pensamento, a ideia e os planos da intuição. Eu costumo ver alguns cientistas que são materialistas usarem a palavra ‘intuição’ e não suspeitam que a intuição por si só já é um efeito espiritual, já é uma interferência espiritual sobre o seu próprio pensamento”.

Em Evolução em dois mundos, André Luiz diz que “a partícula de pensamento, pois, como corpúsculo fluídico, tanto quanto o átomo, é uma unidade na essência a subdividir-se, porém, em diversos tipos, conforme a quantidade, qualidade, o comportamento e as trajetórias dos componentes que a integram. E assim como o átomo é uma força viva e poderosa na própria contextura, passiva, entretanto, diante da inteligência que a mobiliza para o bem ou para o mal, a partícula de pensamento, embora viva e poderosa na composição em que se derrama do Espírito que a produz, é igualmente passiva perante o sentimento que lhe dá forma e natureza para o bem ou para o mal”.

Para Iandoli Jr., “a gente observa que André Luiz fala da partícula do pensamento, em que o pensamento é um material fluídico, uma matéria pouco densa, fluídica, maleável. Tanto quanto átomo, a partícula do pensamento é utilizada para a produção de manifestações diferentes, e o tipo de pensamento vai variar de acordo com o tipo de ideia ou de sentimento que o gerou”.

A mente produz o pensamento por intermédio de ideias e sentimentos

Ainda em sua obra, André Luiz explica que a mente produz o pensamento por meio de ideias e sentimentos. Esse pensamento influencia primeiro a região cortical do cérebro e depois vai impactar as células. “O pensamento flui da mente, a mente impacta o cérebro, e o cérebro vai impactar as demais células, produzindo saúde ou doença. Quando geramos um pensamento deletério, e nós usamos esses pensamentos deletérios com alguma frequência, acabamos gerando essa forma-pensamento que fica presa na nossa psicosfera. André Luiz chamou isso de vermes mentais, ou larvas mentais, que seriam formas geradas pelo nosso próprio pensamento desarmonizado e que acaba funcionando como uma forma de looping, repetindo o produzindo uma reentrada desses pensamentos na nossa consciência. Isso seria alguma coisa também extremamente deletéria para a nossa saúde”, explicou o médico.

Ainda sobre o pensamento, André Luiz diz que é “fácil entender que todo o desregramento de natureza física ou moral faz se refletir de imediato por reações mentais consequentes sobre as províncias celulares, determinando reações favoráveis ou desfavoráveis ao equilíbrio orgânico”.

E na obra Domínios da mediunidade, André Luiz alerta “que daí resultam o impositivo da vigilância sobre a nossa própria orientação, de vez que somente a conduta reta sustenta o reto pensamento; e de posse do reto pensamento, a oração, qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o mais elevado toque de indução para que nos coloquemos para logo em regime de comunhão com as esperas superiores”.

Desta forma, podemos chegar à conclusão de que o pensamento tem influência na saúde; deixando claro o poder da oração sincera e da necessidade de vigia dos pensamentos para a manutenção da saúde física e psíquica.

Para Iandoli Jr., “independentemente de qual seja a religião, se houver uma oração, não a oração mecânica, declamando palavras, falando em voz alta para tentar impressionar as pessoas que estão ao redor, mas a prece que vem da alma, do nosso pensamento, dos nossos sentimentos mais profundos, mais sinceros, em que nós buscamos a conexão com o Alto, com a espiritualidade superior, quando nós agimos na caridade, isso, sim, traz o pensamento reto, que gera a nossa conexão com as esferas superiores e vai induzir a nossa imunidade à saúde. A simplicidade, a humildade, a afabilidade sem limites e o perdão incondicional estabelecem a imunologia perfeita”.

Artigo da folhaespírita.com.br, janeiro de 2021.

Fontes:

  • AME-Internacional.
  • Behaviour Medicine.
  • American Psychological Association.
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AS INJUSTIÇAS DESTE MUNDO

Fonte: Espiritismo.net

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Kevin Strickland sempre afirmou que estava em casa assistindo TV quando crimes foram cometidos. Ele foi condenado por júri totalmente branco em 1979 e provas de que única testemunha admitiu ter reconhecido homem errado não foram apresentadas.

Um homem de Kansas City que ficou preso por mais de 40 anos por três assassinatos foi libertado da prisão nesta terça-feira (23), depois que um juiz decidiu que ele foi condenado injustamente em 1979.

Kevin Strickland, de 62 anos, sempre afirmou que estava em casa assistindo à televisão e não teve nada a ver com os assassinatos, que aconteceram quando ele tinha 18 anos.

Ele soube da decisão sobre sua libertação quando a notícia apareceu na televisão enquanto ele assistia a uma novela. Ele disse que os outros presos começaram a gritar.

“Não estou necessariamente com raiva. Isso é muito. Acho que criei emoções que todos vocês ainda não conhecem ”, disse ele aos repórteres ao deixar o Centro Correcional Western Missouri, em Cameron. “Alegria, tristeza, medo. Estou tentando descobrir como colocá-los juntos”.

Ele disse que gostaria de se envolver nos esforços para “evitar que isso aconteça com outra pessoa”, dizendo que o sistema de justiça criminal “precisa ser demolido e refeito”.

O juiz James Welsh, um juiz aposentado do Tribunal de Apelações do Missouri, tomou a decisão depois de uma audiência probatória de três dias solicitada por um promotor do condado de Jackson, que disse que as evidências usadas para condenar Strickland haviam sido retratadas ou refutadas.

Welsh escreveu em seu julgamento que “evidências claras e convincentes” foram apresentadas que “minam a confiança do Tribunal no julgamento da condenação”. Ele observou que nenhuma evidência física ligava Strickland à cena do crime e que uma testemunha-chave se retratou antes de sua morte.

“Nessas circunstâncias únicas, a confiança do Tribunal nas condenações de Strickland é tão prejudicada que não pode ser mantida, e o julgamento da condenação deve ser anulado”, escreveu Welsh ao ordenar a libertação imediata de Strickland.

A promotora do condado de Jackson, Jean Peters Baker, que pressionou pela liberdade de Strickland, agiu rapidamente para rejeitar as acusações criminais para que ele pudesse ser libertado.

“Dizer que estamos extremamente satisfeitos e gratos é um eufemismo”, disse ela em um comunicado. “Isso traz justiça – finalmente – a um homem que tanto sofreu tragicamente como resultado dessa condenação injusta”.

Mas o procurador-geral do Missouri, Eric Schmitt, um republicano que concorre ao Senado dos EUA, disse que Strickland é culpado e lutou para mantê-lo preso.

“Neste caso, defendemos o estado de direito e a decisão que um júri formado pelos pares de Strickland tomou depois de ouvir todos os fatos do caso”, disse o porta-voz de Schmitt, Chris Nuelle, em um breve comunicado. “O Tribunal se pronunciou, nenhuma outra ação será tomada neste assunto”.

O governador Mike Parson, que recusou os pedidos de clemência de Strickland, tuitou simplesmente que: “O Tribunal tomou sua decisão, nós respeitamos a decisão e o Departamento de Correções dará continuidade à libertação do Sr. Strickland imediatamente.”

Crimes

Strickland foi condenado pelas mortes de Larry Ingram, de 21 anos, John Walker, de 20, e Sherrie Black, de 22, em uma casa em Kansas City.

As evidências se concentraram principalmente no testemunho de Cynthia Douglas, a única pessoa a sobreviver aos tiroteios de 25 de abril de 1978. Ela inicialmente identificou Strickland como um dos quatro homens que atiraram nas vítimas e testemunhou isso durante seus dois julgamentos.

Welshescreveu que teve dúvidas logo após a condenação, mas inicialmente estava “hesitante em agir porque temia enfrentar acusações de perjúrio se retratasse publicamente declarações feitas anteriormente sob juramento”.

Mais tarde, ela disse que foi pressionada pela polícia a escolher Strickland e tentou durante anos alertar especialistas políticos e jurídicos para ajudá-la a provar que ela havia identificado o homem errado, de acordo com depoimentos de sua família, amigos e um colega de trabalho. Douglas morreu em 2015.

Durante a audiência, os advogados do gabinete do procurador-geral do Missouri argumentaram que os defensores de Strickland não forneceram diversos papéis que provavam que Douglas tentou se retratar de sua identificação de Strickland, dizendo que a teoria era baseada em “boatos, boatos e boatos”.

O juiz também observou que dois outros homens condenados pelos assassinatos insistiram posteriormente que Strickland não estava envolvido. Eles citaram dois outros suspeitos que nunca foram acusados.

Durante seu depoimento, Strickland negou sugestões de que ofereceu US$ 300 a Douglas para “manter a boca fechada” e disse que nunca havia visitado a casa onde os assassinatos ocorreram antes.

Strickland é negro, e seu primeiro julgamento terminou com um júri sem unanimidade quando o único jurado negro, uma mulher, pediu a absolvição. Após seu segundo julgamento, em 1979, ele foi condenado por um júri totalmente branco por uma acusação de assassinato capital e duas acusações de assassinato em segundo grau.

Nova lei

Em maio, Peters Baker anunciou que uma revisão do caso a levou a acreditar que Strickland era inocente.

Em junho, a Suprema Corte do Missouri se recusou a ouvir a petição de Strickland.

Em agosto, Peters Baker usou uma nova lei estadual para buscar a audiência probatória no condado de Jackson, onde Strickland foi condenado. A lei permite que os promotores locais contestem as condenações se acreditarem que o réu não cometeu o crime. Foi a primeira vez – e até agora a única – que um promotor usou a lei para combater uma condenação anterior.

“Mesmo com o promotor do seu lado, demorou meses e meses para o Sr. Strickland voltar para casa e ele ainda teve que voltar para um sistema que não fornecerá qualquer compensação pelos 43 anos que perdeu”, disse Tricia Rojo Bushnell, diretora executivo do Midwest Innocence Project, que ficou ao lado de Strickland quando ele foi solto.

O estado só permite pagamentos ilícitos de prisão para pessoas inocentadas por meio de provas de DNA, e por isso Strickland não se qualifica.

“Isso não é justiça”, disse ela. “Acho que estamos esperançosos de que as pessoas estejam prestando tanta atenção e realmente se perguntando ‘como deve ser o nosso sistema de justiça?’”

Notícia publicada no G1 em Novembro de junho de 2022

Mabel Perito Velez*, comenta

O verdadeiro ideal de justiça precisa considerar a vida espiritual e todos os seus matizes, pois as chamadas injustiças não fazem parte dos planos divinos, não existem na sublime roda da vida. Quando passamos por circunstâncias injustas na visão humana, faz-se necessário estender a visão ao infinito e visitar os preceitos da vida imortal para que a concepção de uma Criação perfeita, irremediavelmente justa e solidária, continue presente.

É nas bases da justiça divina, única e perene, que devemos depositar o nosso olhar, ciente de que cada ato do universo obedece a leis sábias, que criam sempre as melhores alternativas para o nosso bem estar real e não aquele que decorre dos momentos fugazes de uma única existência material.

A injustiça deste mundo dói, sem dúvida, e dela recebemos toda a carga de sofrimento que as ocorrências mais difíceis nem sempre podem igualar. Mas vamos repetir que a injustiça que aqui identificamos é sempre aparente e esconde uma causa justa, forjada no passado das vivências e experiências que o Ser espiritual que somos desenvolveu em tempos idos, por imprevidência ou desequilíbrio.

Por essa razão, a necessidade tão premente de nos compreendermos como Espíritos imortais, com uma longa história de inúmeras existências passadas, para percebermos que as nossas escolhas propositais ou inconscientes em dado momento podem resultar hoje nas consequências dolorosas que não são simples punições, mas instrumentos importantes para buscar o alívio e é nessa busca que encontraremos as orientações para reposicionar as nossas ideias e atitudes.

Desacertadamente valorizamos apenas o período do berço ao túmulo, sem concatenar com os conhecimentos morais relacionados com a nossa vida imortal e verdadeira. Vivemos como se as conquistas materiais fossem capazes de conferir paz, serenidade ou felicidade, sendo que os valores mais importantes são os morais e espirituais, os únicos que podem de fato proporcionar equilíbrio e harmonia efetiva e duradoura.

Há uma obra espírita, cuja leitura recomendamos vivamente, que abordou o tema de uma condenação supostamente injusta e nela recolhemos grandes ensinamentos sobre a justiça divina – “Amor e Ódio”, de Yvone A. Pereira, com psicografia de Charles.

Podemos ler no referido livro um diálogo final entre dois personagens: “Compreendes agora, meu caro doidivanas, a razão por que foste condenado aos trabalhos forçados, como o último celerado da França, e não cerimoniosamente encerrado no segredo de uma prisão como Vincennes, por exemplo?… A Guiana foi a misericórdia do Senhor que te socorreu nas ardências das reparações, Gaston. Preso com as atenções devidas às personagens da tua classe social, sucumbirias revoltado e inútil até para ti mesmo, na solidão de um calabouço ou de uma torre inacessível. Mas, no degredo arbitrário era o Divino Mestre que te acenava para os serviços da sua vinha, reservando-te os tesouros da sua Doutrina de Luz, que hoje enriquece a tua mente, com a Renovação Superior que em ti se opera…”

É justamente nesse sentido que a reencarnação atua, como mestre educadora dos nossos sentimentos e inspiradora das melhores mudanças. A existência física é um estágio onde desenvolvemos o plano previamente concebido para a nossa própria iluminação pessoal, em que nada fica relegado ao acaso e tudo obedece a uma linha traçada para que as nossas conquistas possam se realizar. Esse exílio temporário pode parecer muito rude e inóspito, mas creiamos, é a medida exata para a nossa própria evolução.

Para finalizar, guardemos também a certeza de que os atuais instrumentos da dor, nossos irmãos, que por ignorância ou descaso, se fazem os veículos dos obstáculos e vicissitudes que venhamos a experimentar, também eles estão sob o olhar compassivo de Deus e aguardam o próprio despertar, sem que precisemos lhes direcionar mágoa, ódio ou rancor. Que possamos ser o elo mais esclarecido da corrente e quebrar o ciclo do sofrimento pela via do amor.

*Mabel Perito Velez é formada em administração e colabora com o Espiritismo.net

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Comunicabilidade Espiritual: Novo verbete da Enciclopédia Espírita Online

Nossa Enciclopédia Espírita Online acaba de receber mais uma atualização, com a inclusão do verbete Comunicabilidade Espiritual. Veja sua sinopse:

Comunicabilidade Espiritual ou Comunicabilidade dos Espíritos é a capacidade de os desencarnados (também chamados de mortos, de Espíritos) entrarem em contato com os chamados vivos (os encarnados), para lhes impressionar, transmitir mensagens ou dialogar com estes. Consiste basicamente no mesmo princípio da mediunidade, embora o intercâmbio mediúnico algumas vezes seja referido especificamente como um trabalho vocacionado e mais bem organizado, como nos casos em que o médium desempenha assim uma missão preestabelecida. A comunicação com os Espíritos é um dos princípios fundamentais do Espiritismo, como sendo um elemento essencial para a própria constituição desta doutrina. As duas formas básicas desse tipo de contato são: manifestações espontâneas de Espíritos, como nos fenômenos de efeitos físicos, e; emancipação da alma, ou animismo (dos encarnados), a exemplo dos casos de sonho, telepatia e transe sonambúlico. A comunicabilidade espiritual também é explorada pela necromancia, a dita arte de consultar os mortos, tipicamente aplicada para a adivinhação do futuro e tratar de questões particulares. O fenômeno da comunicação entre os vivos e os mortos está presente na História dos povos, desde os tempos mais remotos, cujo modo de interpretação e reputação do fenômeno variam conforme os valores culturais do local e do período, acontecendo por vezes de ser abominada a sua prática comum (fora do círculo dos iniciados), como é praxe em algumas tradições religiosas. A Doutrina Espírita fomenta o intercâmbio espiritual mediante certos critérios, sobretudo os de responsabilidade, utilidade, bem comum e desinteresse particular, considerando essa interação um meio de promover a evolução espiritual da humanidade, além de solidariedade e confraternização entre os entes queridos. Principalmente no Brasil, esta faculdade também é difundida em cultos afrodescendentes (umbanda, candomblé e culturas afins). Ao redor do mundo, este canal de intercâmbio é recorrido para fins diversos, tais como para estudos científicos e investigação forense.

Em destaque, os seguintes tópicos relacionados a este novo verbete:

  • Do oraculismo à mediunidade
  • Dos mitos às religiões constituídas
  • Desmistificação do intercâmbio espiritual
  • Comunicabilidade espiritual na tradição religiosa
  • A invasão organizada dos Espíritos no séc. XIX
  • Sistematização espírita da mediunidade
  • Espiritualismo além do Espiritismo

Referências: 

Acesse agora mesmo o verbete “Comunicabilidade Espiritual” na Enciclopédia Espírita Online.

Fonte: Espiritismo em Movimento

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Kardec, o educador da humanidade

Marcus De Mario

Um breve resumo sobre Allan Kardec…

Hypollite Leon Denizard Rivail, mais tarde conhecido como Allan Kardec, viveu de 04 de outubro de 1804 a 31 de março de 1869.

Foi aluno do educador Pestalozzi, tendo estudado no Instituto de Iverdon, na Suíça, dos dez anos de idade até sua formação como professor e administrador educacional aos dezoito anos.

O professor Rivail introduziu o método pestalozziano de ensino na França, tendo fundado e dirigido o Instituto Rivail, escola de ensino fundamental, de 1826 a 1834. Nesse meio tempo casou-se com Amélie Gabrielle Boudet, professora e poetisa, isso em 1832.

Homem culto, estudioso das ciências, e ao mesmo tempo simples, de grande afetividade, tornou-se tradutor de livros, foi magnetizador, era apreciador das artes e, naturalmente, escritor pedagógico. Tudo isso teve como consequência a participação e diplomação em doze academias literárias e científicas.

No total escreveu vinte e dois livros, vários deles premiados pelo governo francês, que os adotou nas escolas públicas, destacando-se o “Plano Proposto para Melhoria da Instrução Pública”, de 1828, onde revoluciona as idéias educacionais da época propondo a criação de cursos de formação de professores, escolas para mulheres e implantação de uma proposta pedagógica de educação moral.

O homem Rivail e a sociedade francesa

No livro “Amor e Ódio”, escrito pelo espírito Charles e psicografado pela médium Yvonne Pereira, encontramos no capítulo dois da primeira parte, interessante descrição de uma homenagem feita ao professor Rivail por um seu ex-aluno, Georges de Franceville de Soissons, com o comparecimento de outro ex-aluno, Gaston D’Arbeville, Marquês de Saint-Pierre. A homenagem ocorreu em 1847, tendo por motivo o lançamento do livro “Soluções Racionais de Questões de Aritmética e de Geometria”. Vejamos parte do texto:

“Realizou-se o ágape sob a melhor cordialidade, a ele comparecendo ainda outras nobres amizades do círculo de relações dos dois amigos, dentre estas o insigne poeta Vitor Hugo. (…) Verificou-se então substancioso debate entre o professor e seus antigos alunos, durante o qual, com aquela visão admirável que possuía, Rivail ponderou as grandes vantagens de ordem material e financeira decorrentes da realização desse desejo de seu aluno (viagem aos Estados Unidos da América)”.

Há registros informando que, nos salões da nobreza francesa, quando acirrada discussão acontecia sobre determinado assunto, essa discussão era encerrada procurando-se ouvir a opinião sensata do professor Rivail.

No livro “Plano Proposto para Melhoria da Instrução Pública”, encontramos o seguinte texto sobre educação moral:

“A educação é a arte de formar os homens; isto é, a arte de fazer eclodir neles os germes da virtude e abafar os do vício; de desenvolver sua inteligência e de lhes dar instrução própria às suas necessidades; enfim de formar o corpo e de lhe dar força e saúde. Numa palavra, a meta da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais”. (…) Não se pode esperar obter um bom sistema de educação, e por conseguinte, uma boa educação moral, se não se tiver uma massa de educadores que compreendam verdadeiramente o objetivo de sua missão e que tenham as qualidades necessárias para cumpri-la. Em resumo, a educação é o resultado do conjunto de hábitos adquiridos; esses hábitos são eles próprios o resultado de todas as impressões que os provocaram, e a direção dessas impressões depende unicamente dos pais e dos educadores”.

Kardec, os espíritos e a educação

Essa visão sobre a educação moral vai ser ampliada a partir de 1855, quando o professor Rivail entra em contato com os fenômenos mediúnicos e revela a existência e comunicabilidade dos espíritos, consolidando-se em 18 de abril de 1857 com o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, obra básica do Espiritismo, onde encontramos, entre diversas perguntas e respostas acerca da educação, o seguinte:

Questão 208 – “O espírito dos pais não exerce influência sobre o do filho, após o nascimento?” Resposta: “Exerce, e muito, pois como já dissemos, os espíritos devem concorrer para o progresso recíproco. Pois bem: o espírito dos pais têm a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para eles uma tarefa? Se nela falhar, será culpado”.

Questão 685-A – Comentário de Allan Kardec: “Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é o conjunto de hábitos adquiridos”.

Questão 917 – Comentário de Kardec: “A cura (do egoísmo) poderá ser prolongada porque as causas são numerosas, mas não se chegará a esse ponto se não se atacar o mal pela raiz, ou seja, com a educação. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homens de bem. A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral”.

A ligação da doutrina espírita com a educação moral é mais do que estreita, é interativa, motivo pelo qual o Espiritismo é doutrina de educação do espírito imortal e o centro espírita é, acima de tudo, escola de almas. Allan Kardec, o ilustre professor Rivail, transforma-se de educador da França para educador da Humanidade. Quando os pais e professores compreenderem sua sagrada missão educadora, e a imortalidade da alma e a reencarnação nortearem tanto a filosofia da educação quanto a pedagogia, então o atual sistema de ensino passará por uma grande renovação, a família será revitalizada e conseguiremos implantar a educação moral.

Marcus De Mario

Fonte: Correio Espírita

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Pensamentos, sentimentos, alimentação e energias

Ricardo Di Bernardi

Toda energia cósmica absorvida, seja ela por qual fonte tenha sido veiculada até chegar a nós, se transforma e se, adapta a nossa estrutura, ou seja, passará após essa transformação e adaptação, a fazer parte de nossa energia pessoal, e contribuir para a nossa aura.

A energia que captamos de um ambiente ou de outra pessoa, ao chegar a nosso campo vibratório, passa a assumir as características vibratórias de quem a recebe e absorve. Essa energia- vinda de fora – será com maior ou menor facilidade modificada, conforme o campo mental da pessoa que está a receber as energias externas. Somos muito suscetíveis, é verdade, mas não inteiramente subordinados aos campos energéticos com os quais interagimos.

Não estamos totalmente a mercê das energias externas porque nossos pensamentos e sentimentos são atividades individuais, dinâmicas e constantes, portanto, em cada pessoa as modificações que as energias recebidas sofrem são muito peculiares, dependendo do nível evolutivo de cada um e esse processo é contínuo.

Todo ser humano emite pensamentos e vivencia sentimentos nas vinte e quatro horas do dia, portanto, tal fato sucede não só durante a vigília, mas, durante o sono.  Mesmo que o cérebro físico aparente estar em repouso, a atividade elétrica se mantém, além do que, a fonte do pensamento não é cerebral, provém do corpo mental, (= campo mental), uma estrutura extrafísica, descrita por André Luiz, na obra “Evolução em dois mundos”.

Como vivemos num oceano de energias, o dinamismo de nossos sentimentos e pensamentos age sobre objetos, ambientes e indivíduos. As pessoas menos avisadas, em geral, costumam ser facilmente influenciadas pelas energias mentais dos outros, ocasionando sejam suas características psicológicas intensificadas pela sintonia com campos mentais enviados por outras mentes. Energias externas não determinam nem causam modificações, mas exacerbam fragilidades preexistentes em quem as recebe. Da mesma forma, tendências diversas podem ser reduzidas e até bloqueadas na sua expressão mais forte, também por campos de energias mentais enviadas por outras pessoas ou seres de outra dimensão.

O intercâmbio e as influências energéticas, então, se operam de consciência para consciência, entre consciência e meio ambiente, e, sobretudo, da consciência para si mesma, isto é, nós produzimos nossas energias que agem em toda nossa estrutura física e extrafísica. Muito mais importante do que nos preocuparmos com energias externas, seria analisar o que estamos produzindo para nós mesmos.

Na medicina homeopática, aliando-se ao conhecimento espírita, teremos uma percepção muito clara de que a origem das doenças costuma estar numa causa ou fator de origem espiritual. Não nos referimos a influências de espíritos externos a nós, mas a essência espiritual do Ser.  Quem adoece inicialmente é a alma do indivíduo.  Seus sentimentos e pensamentos fragilizam-no, permitindo que se instale a doença. Adoecemos, quase sempre, pelo desequilíbrio psíquico, o qual provoca uma alteração energética (fluídica) que irá repercutir depois no corpo físico.

Quando Jesus disse: “vigiai e orai”, não se trata de um conselho religioso, misterioso ou místico, mas de uma regra básica de bem físico, energético e espiritual, pois quando vigiamos nossos pensamentos, alinhando-os com a ética cósmica, mantemos nossos sentimentos em “oração”, ou seja, voltados para o amor incondicional e irrestrito que, em essência, é o próprio Deus ( ou como queiramos designar e entender o Ser Supremo do Universo),  estaremos em sintonia com o bem maior, o bem universal, o bem de tudo e de todos, inclusive o nosso próprio bem.

Energias e alimentação:

Da mesma forma que as pessoas, os alimentos contêm uma energia vital e esta bioenergia nós a absorvemos, juntamente com a bioquímica dos mesmos.

Como todos nós sabemos, há alimentos mais densos, mais leves, mais excitantes ou mais calmantes. Há os de elevado teor de gordura, os de mais fácil digestão, os mais ricos em vitaminas, proteínas, carboidratos, água etc. Enfim, há características próprias de cada alimento o que determinam sua organização morfológica e suas qualidades nutricionais e essas peculiaridades também se expressam na energia vital de cada um, portanto, uma bioenergia diferente, específica, para cada alimento.

Cada característica física ocasiona um correspondente energético, isto é, conforme as características biológicas de um determinado alimento presumem-se possíveis propriedades de sua bioenergia, ou fluido vital, e o que estamos absorvendo. Não devemos, no entanto, radicalizar, somos seres humanos com necessidades ainda típicas de nossa fase evolutiva. Muito mais importante é o que lançamos no meio ambiente – em palavras e pensamentos-, do que aquilo que ingerimos.

Naturalmente, cada pessoa tem necessidades físicas ou espirituais específicas e não se pode exigir de um trabalhador que labora com grande esforço físico, uma alimentação frugal. Da mesma forma, um indivíduo que se dedica ao trabalho mental intenso ao receber nutrientes de alto teor calórico e gorduroso, tenderia a sonolência pós-prandial com redução de sua produtividade mental

Outro aspecto, que embora exista não deve ser supervalorizado, é o conjunto de influências externas da manipulação dos intermediários, ou seja, os que produzem, transportam, armazenam, distribuem e vendem os alimentos. São os agentes intermediários até os alimentos chegarem ao nosso corpo.

Acima de tudo, nossa energia pessoal, em nosso lar ou nosso ambiente é o fator mais importante e não as influências vibratórias externas.

As qualidades morais, espirituais e energéticas de cada consciência são determinadas por seus sentimentos e pensamentos, não pela sua alimentação, muito embora os alimentos possam interferir, influenciar em suas energias com repercussões físicas e psíquicas.

O abuso alimentar, ou gula será sempre prejudicial. É de bom alvitre, também, evitar-se o consumo excessivo de determinados alimentos –  como a carne vermelha –  que prejudicam as atividades mediúnicas ou mesmo  atividades de exercício anímico como passes e irradiação. Tal excesso seria ainda mais prejudicial nos dias em que se participa das sessões.

A carne, em especial dos animais mamíferos que já possuem um grau de evolução maior, pode tornar-se um problema. A digestão desse alimento é mais demorada sobrecarregando o aparelho digestivo.  Há um fluxo maior de sangue para todas as vísceras abdominais com redução do fluxo sanguíneo para o cérebro o que dificulta a concentração mental. Isto, apesar de tudo, não é o mais importante.

A carne do animal abatido costuma estar impregnada das energias de medo e angústia produzidas pelo animal no momento que antecede o abate. Os mamíferos já têm uma consciência primitiva e o princípio espiritual mais individualizado, ao contrário dos peixes, devido essa consciência eles imprimem em seu corpo físico as energias das emoções mais intensas.

Com relação aos peixes, ou animais de carne branca, eles têm um nível de consciência mais primitivo e mais grupal. Não há uma individualização bem definida do princípio espiritual. Em resumo, não conseguem ter essa percepção de si mesmos e no momento do abate, agem mais por reflexo do que com consciência.

Os amigos espirituais nos falam que seria bom evitar carne vermelha nos dias de sessão mediúnica. Dizem eles que a carne dos mamíferos possui energia vital de densidade muito semelhante à energia vital humana o que leva a uma aderência dessa energia (“fluido vital”) ao nosso campo de energia vital, o denominado corpo etérico.

Vamos emitir uma hipótese como exercício de raciocínio, e não como “verdade doutrinária:”

Lembramos que o mamífero foi morto, pelo homem, de forma precoce, isto é, cheio de vitalidade. Seus tecidos, suas células e moléculas estavam plenos de bioenergia. Sua encarnação duraria ainda muitos anos se não fosse morto precocemente.

Em função disto, sua carne estaria mantendo significativo volume de fluido vital. Parte deste fluido vital costuma permanecer nos matadouros, esvaindo-se do corpo que foi morto de forma precoce.

Esta emanação energética lembra uma evaporação e isto atrai os espíritos desencarnados em desequilíbrio os quais sentindo falta da energia vital, passam a absorver ou vampirizar esta bioenergia dos cadáveres que estão exalando, abundantemente, o fluido vital.

A atitude enferma desses espíritos, decorre de um desequilíbrio psíquico dos mesmos que, por possuírem corpo astral denso devido seu embrutecimento psicológico, retém parte do fluido vital que unia seu corpo biológico ao corpo astral.

Devido à afinidade energética do seu psiquismo embrutecido que anseia, desesperadamente, por sentir as sensações físicas, então, seu corpo espiritual retém, por mecanismo inconsciente, parte do fluido vital que o fixava ao corpo. Um “quanta” de fluido vital permanece grudado nesse espírito, embora essa bioenergia tenda a se esvair, o desequilíbrio psicológico desses Espíritos, faz com que sintam falta da energia vital.

Por isto, acabam esses espíritos sendo atraídos para locais onde a energia vital é exuberante, como nos matadouros onde está sendo retirada e desperdiçada de forma antiética pelo sacrifico de seres vivos saudáveis.

Parte da energia vital da carne dos mamíferos é vampirizada nos abatedouros, mas parte segue retida nas células do tecido animal não retornando a massa de energias do universo pela morte precoce do mamífero. Assim, continua impregnando a carne.

Ao ingerirmos a carne deste animal, há uma decomposição ou fragmentação de seus subcomponentes (aminoácidos etc.), os quais serão absorvidos pelo nosso sangue.  A energia vital é também absorvida, encaminhando-se para o nosso corpo vital (o mesmo que corpo etérico), que é um campo de energia fixadora do perispírito (corpo astral) ao corpo biológico.

Este campo de energia vital (corpo etérico) ao absorver a energia vital do mamífero, torna-se mais denso, mais “oleoso”, dificultando o trânsito das energias do corpo biológico para o corpo espiritual (perispírito).  Essa dificuldade de trânsito das energias acarretaria:

1-    Maior dificuldade de desdobramento mediúnico.

2-    Maior dificuldade na captação de energias espirituais.

3-    Maior dificuldade na doação de energias, ao trabalhar no passe.

4-    Maior dificuldade em receber passes.

5-    Crescente dificuldade em todos esses aspectos.

6-    Processo da desencarnação mais lento.

Conclusão: Os mentores espirituais pedem para não comermos carne vermelha nos dias de sessão mediúnica ou dias de labores espirituais, por uma razão científica, não apenas por  um motivo filosófico e ético, que  por si só já seriam compreensíveis.

A individualidade do princípio espiritual e a consciência de si mesmo foi uma conquista progressiva. Seres superiores na escala zoológica já demonstram essa percepção de si mesmos, ao contrário dos seres mais simples na escala evolutiva.  A alimentação que exclui carne vermelha e opta por peixes, é vantajosa no sentido da menor proximidade dos peixes com o homem, comparando-os com os mamíferos.

O peixe tem expressão de psiquismo muito limitada, por não possuir glândula pineal estruturada. Esta glândula seria um importante ponto de fixação das energias extrafísicas com o sistema nervoso central, o que expressaria a individualidade do Ser.

Os peixes se comportam como se fossem uma “alma-grupo”, isto é um sincício espiritual, não existe uma individualidade bem definida em peixes, como ocorre nos mamíferos.

Portanto, a energia vital (fluido vital) dos peixes não tem a mesma vibração dos animais superiores. Seria quase como a dos vegetais, onde um conjunto de mudas de grama constitui um gramado, formado por centenas de princípios espirituais que se unem em um grupo único como que fundidos no gramado, não há no gramado um conjunto de individualidades, mas uma “alma –grupo” do gramado.

Apesar do termo “alma-grupo” não encontrarmos na literatura genuinamente espírita, – ressalva necessária, esse vocábulo nos facilitaria o raciocínio. A individualidade, conforme Dr. Jorge Andréa e outros pesquisadores encarnados e desencarnados, só se expressa quando o princípio espiritual chega aos lacertídeos. Os peixes, pela pineal quase inexistente, ainda não possuem essa organização.

Outros alimentos e bebidas devem ser ingeridos com moderação nos dias de sessão mediúnica: alimentos excitantes, e reconhecidamente estimulantes, exceto os que já fazem parte da rotina diária e não estão gerando esses efeitos, por exemplo, o habitual café ou chá.

Deve-se, também, reduzir o consumo de alimentos de digestão difícil e lenta como os de alto teor gorduroso.

As bebidas alcoólicas ocasionam expansão de consciência, efetuam abertura de canais anímicos e oportunizam influências de frequência vibratória mais densa e menos elevada. O álcool interfere na circulação sanguínea, no sistema nervoso, reduz a lucidez, diminui os reflexos, atrapalha a memória, bloqueia a sensibilidade e a capacidade de raciocínio.

Sobretudo, as bebidas alcoólicas impregnam o corpo etérico e provocam relaxamento artificial das suas energias em relação ao corpo físico.  Nos dias da sessão são sumamente contraindicados.

Fonte: Medicina e Espiritualidade

Dr. Ricardo Di Bernardi é médico pediatra, homeopata. Fundador e presidente do ICEF em Florianópolis.

Autor de vários livros entre eles – Gestação Sublime intercâmbio.

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Ano novo, convite à renovação

Rogério Miguez

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“Para ganhar o ano novo que mereça este nome, você, me caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre” – Carlos Drummond de Andrade

O posicionamento da Terra na estrutura do Sistema Solar determina a existência de períodos cíclicos de 365 dias que são designados por nós, os habitantes deste planeta, de anos, ou por palavras equivalentes em outros idiomas. Estes períodos ajudam-nos a organizar a passagem do tempo ao longo de nossas muitas existências.

Ao nos aproximarmos do término de mais um ano e, em consequência, início de outro, sempre há muita expectativa de que o novo ano será melhor do que aquele que o antecedeu. Tudo indica que a novidade de mais uma longa etapa de 365 dias deverá trazer novas alegrias e oportunidades, melhores do que aquelas que se foram.

É fato, a vida sempre se renova e convida aqueles que ainda lhe estão submetidos a se superarem, através da construção de uma existência mais produtiva, promovendo a própria evolução, buscando dias melhores, tranquilos e felizes.

Entretanto, para concretizar esta renovação tão desejada e, diga-se, invariavelmente possível, se faz necessário o desejo real em aperfeiçoar-se, uma verdadeira disposição íntima para mudar.

No entanto, sabemos que toda mudança carrega em si mesma certo desconforto pessoal e, por conta deste conhecido incômodo, certamente já experimentado outras vezes em situações diversas, muitos preferem não abandonar a posição de conforto, adiando provisoriamente seu processo evolutivo – afinal somos livres e senhores de nossos destinos -, ditando o ritmo do próprio progresso.

Embora, para muitos, não seja gratificante mudar, para Espíritos ainda vinculados às lições que a Terra proporciona, esta renovação é absolutamente necessária, pois por aqui, em sua esmagadora maioria – por enquanto – só aportam Espíritos compromissados negativamente com as leis divinas e, se não se dispõem a reformar-se, não deixarão a condição de devedores e não vencerão as muitas provas previstas dentro do processo evolutivo previsto para qualquer Espírito, seja da Terra, seja de outros mundos.

Toda transição de ano é momento oportuno para realizarmos uma avaliação das nossas conquistas, e também das derrotas, obtidas e sofridas, respectivamente, no ano que se encaminha para o término.

Há uma conduta que pode ser muito útil para todos nestes momentos de transição, podendo ajudar-nos sobremaneira: preparar uma lista de objetivos ou, quem sabe, desejos para o iniciante ano.

Para bem rechear esta relação de metas, sugere-se que cada qual faça uma sincera análise pessoal, identificando suas condutas positivas, construtivas e edificantes; em contraposição às negativas, egoístas ou prejudiciais, para si mesmo e para o próximo.

Uma vez identificados os campos de trabalho ou de atuação que precisamos renovar ou transformar, anotemos cuidadosamente em nosso inventário e, no desenrolar do próximo ano, devemos fazer atenção redobrada aos itens que assinalamos como danosos ou lesivos; por outro lado, as ações reconhecidas como nobres e salutares devem ser fortalecidas o quanto pudermos.

Alguns, versados na lei das muitas vidas, equivocadamente argumentam que como teremos muitas oportunidades pela frente, não irão esforçar-se com muito empenho pela busca de sua melhora íntima, sob o entendimento de que Deus, sendo Pai amoroso, trará outras oportunidades de aprendizado, tantas quantas forem necessárias.

É fato, teremos muitas chances de evoluir, contudo, quando não aproveitamos a dádiva oferecida no momento exato e no modo em que se apresenta, no futuro outra oferta divina acontecerá, mas modificada, pois ela não pode acontecer nas mesmas condições anteriores e seguramente não será a mesma. Se assim sucedesse, não nos educaríamos, uma vez que cruzaríamos os braços à espera de nova possibilidade de progresso idêntica àquela desperdiçada.

Mas… vamos retornar à nossa lista.

Um setor que pode alimentar em muitos itens a relação de melhoramentos possíveis é o do aspecto das leis morais. Como ainda estamos bem distantes da condição de pureza espiritual, as muitas virtudes existentes não são características presentes em nossas personalidades.

Assim, em tempos de corriqueira intolerância, como ocorre atualmente, caso também nos observemos intolerantes, empenhemo-nos em adquirir as virtudes da paciência, da compreensão, do apaziguamento e, quem sabe, nos tornaremos mais tolerantes.

Pelo outro lado da moeda, ou seja, na aquisição de conhecimentos, particularmente no campo doutrinário, existe uma proposta desafiadora: ler as obras fundamentais da Doutrina espírita em um ano. Como!? Lendo algumas páginas das obras básicas por dia, começando por O Livro dos Espíritos.

As obras básicas de Allan Kardec contam-se em 5 volumes. Ora, cada uma possui aproximadamente 400 páginas, perfazendo algo em torno de 2000 páginas. Se dividirmos esta quantidade por 365 dias, teremos de ler em média 6 páginas por dia. Contudo, quando poderemos ler estas páginas na loucura em que hoje caminha a sociedade? Por exemplo, na hora da consulta médica, enquanto aguardamos ser chamados, em vez de sintonizarmos com programas de televisão absolutamente desnecessários que são exibidos nas salas de espera; nos deslocamentos quando tomamos o metrô; nas horas em que estamos hipnotizados pelas notícias, em sua maioria totalmente irrelevantes e negativas, nas chamadas redes sociais; utilizando um pouco do tempo que dedicamos à assistir programas inúteis nas redes de televisão em nossas casas; ou seja, oportunidades não faltam, o que falta é disposição, empenho, vontade e um pouco de organização.

Sejam itens compondo o campo das virtudes, sejam na área intelectual, é preciso exercitar continuamente as atitudes positivas compondo a nossa lista e tentar evitar aquelas prejudiciais, de modo que as primeiras se incorporem em definitivo à nossa personalidade e caráter, enquanto as últimas vão perdendo força em nossa existência.

É oportuno lembrar que como não estamos acostumados a seguir fielmente as leis divinas, algumas propostas elencadas em nossa lista não serão atendidas e nos surpreenderemos descumprindo mais uma vez os projetos de melhoria incluídos em nossa lista de novo ano. Nesta hora, não há outra atitude a tomar a não ser reconhecer mais uma vez o equívoco e seguir em frente, jamais estacionar na estrada da vida lamentando-se, julgando-se o último dos últimos, incapaz de cumprir as próprias decisões.

Como esta prática nos desafiará de modo intenso interiormente, e o homem velho ainda é poderoso em seus princípios de vida, peçamos ajuda, roguemos apoio, solicitemos sustento aos nossos, por hora, vacilantes esforços visando à nossa melhoria.

Mas, à quem devo clamar? A Deus em primeiro lugar, a Jesus, nosso amigo incondicional, e a nosso guia espiritual, este último trabalhador incansável que se encontra ao nosso lado, desde o momento em que nos ligamos à célula-ovo, no momento da concepção e, em muitos casos, mesmo antes de encarnarmos.

Sim, o ano vai começar, façamos deste Novo Ano um marco em nossa jornada evolutiva, avancemos destemidos, convictos, com entusiasmo rumo aos braços de Deus nosso Amoroso Pai.

Rogério Miguez

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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O ESPÍRITA NÃO PODE DIVIDIR, DEVE SOMAR

Severino Celestino

Severino Celestino

“O espírita não pode ser uma pessoa que divida, ele precisa somar”

Estamos vivendo uma época de grande polarização política e religiosa, não apenas no Brasil, o que tem causado discussões e até rupturas entre amigos e familiares, inclusive com casos de violência extrema. Jesus também viveu isso quando esteve entre nós. Na perspectiva de um novo ano à nossa frente, devemos refletir: como as lições de Jesus podem nos ajudar a enfrentar esses tempos?

Pensando nisso, a Folha Espírita preparou uma entrevista especial com um dos maiores conhecedores da Bíblia no Brasil: Severino Celestino da Silva (foto). Estudioso de línguas antigas e das religiões, ex-seminarista e espírita há mais de 20 anos, Severino defende o Espiritismo à luz da Bíblia, tendo estudado toda a obra de Kardec e pesquisadores contemporâneos. É autor de vários livros, entre eles Analisando as traduções bíblicas; O Evangelho e o cristianismo primitivo; Jesus, o messias das nações. Os direitos autorais de suas obras são revertidos para as obras assistenciais do Núcleo Espírita Bom Samaritano, em João Pessoa (PB).

Nesta entrevista especial, Severino Celestino resgata as lições de tolerância de Cristo e nos convida a relembrar Seus ensinamentos e Seu legado neste Natal. Reproduzimos abaixo os principais trechos dessa entrevista, mas convidamos a todos para escutar a íntegra desse bate-papo no podcast da Folha Espírita, disponível no Spotify, Google Podcast, Apple Podcast, Anchor e principais plataformas de podcast.

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Lições de Jesus para usarmos nesta época de grande polarização política e religiosa

Jesus passou na sua vida pública três anos na Galileia, na Samaria, na Judeia, em Decápolis e outras regiões da Judeia. Ele teve muitos adversários, muitos opositores, mas deixou como recado para todos nós aquilo que muitas vezes nos falta neste momento: a humildade, o perdão, a visão fraternal de que o outro pode ter uma opinião diferente da minha, mas ele não precisa ser meu inimigo; não preciso odiá-lo, rejeitá-lo ou não gostar dele.

Se o outro não gosta de mim, o problema não é meu, é dele. Agora, se eu não gosto dele, aí, sim, o problema passa a ser meu. Se eu tenho alguma coisa contra o meu próximo, é porque eu não o perdoei, eu não o abracei, apesar daquilo que eu considero como defeito ou incompreensão da forma como ele vê as coisas. Todos têm o direito de pensar da forma que lhes convém, de acordo, logicamente, com o seu conhecimento.

Quando Jesus viveu entre nós, as turbulências eram políticas, sociais e religiosas. Na época Dele, existiam em torno de seis divisões religiosas, e Ele conviveu com todas. Se nos intitulamos seguidores de Jesus, por que é que vamos agir diferente Dele? Muitas vezes, tudo isso passa pela desinformação, pela falta da caridade, do perdão, da compreensão… A questão n. 627 de O livro dos Espíritos nos diz que, depois da revelação dos Espíritos, ninguém pode protestar a ignorância. Ou seja, a Terceira Revelação veio coroar a primeira e a segunda, tornar palpável e compreensivo aquilo que até então, segundo o Espírito da Verdade, era figurado metafórico e parabólico.

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Comportamento esperado do espírita

Eu não entendo o espírita que tem um comportamento no momento de polarização como este que não seja de compreensão e fraternidade, porque é isso que a Doutrina nos ensina. Não somos os melhores, sejamos autocríticos, mas somos os mais bem informados. Sabemos mais, e aquele que sabe mais tem a obrigação de perdoar mais, servir mais, amar mais. É isso que Jesus nos deixa como recado num momento como este.

Tudo fica mais fácil ou menos difícil quando nos desarmamos e nos colocamos a serviço do Cristo. Temos que perguntar a Ele como Paulo fez na estrada de Damasco, como Moisés na Sarça Ardente e como Maria diante da revelação do anjo: “eis-me aqui, o que queres que eu faça?”

“Um espírita não pode desunir. Se ele tem um comportamento de dividir, ele não está sendo espírita”.

Será que Jesus nos orientaria a ter o comportamento que estamos tendo neste momento, diante de todo esse processo de diversidade? Falta muito altruísmo na humanidade. Precisamos de mais samaritanos e menos doutores da lei. Não estamos acima de ninguém. A lei de causa e efeito, como princípio básico da Doutrina Espírita, coloca diante de nós uma semeadura que reflete numa colheita. E eu não vou colher a semeadora que você plantou, e sim a que eu plantar, como Jesus disse em Mateus 16:27: “quando o Filho do Homem vier com os seus Anjos mensageiros, Ele cobrará de cada um segundo as suas obras”.

Tudo está dentro do conceito do Cristo de “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Precisamos de menos orgulho, menos egoísmo, menos senso de superioridade… O espírita não é nenhum santo, o espírita não é um alienado, mas o espírita é alguém que tem uma consciência pelo conhecimento maior do que a maioria das doutrinas cristãs ou religiões cristãs. O espírita não pode dividir, mas precisa, sim, ter a característica de somar.

Lembro-me de Chico Xavier dizendo que diante de qualquer situação, por mais terrível que seja, vamos encontrar sempre duas grandes saídas: a primeira é o silêncio, a segunda é a prece. Sigamos Chico, que tudo fica mais fácil, não vamos nem exigir que sigamos Jesus, mas esse conselho de Chico já vai nos ajudar muito. Um espírita não pode desunir. Se ele tem um comportamento de dividir, ele não está sendo espírita.

O papel da ciência na regeneração planetária

Jesus Cristo é o governador do planeta Terra, não é o governador dos cristãos, dos protestantes, dos judeus, das religiões tribais, dos mesopotâmicos. Tudo o que está sobre este planeta tem o dedo de Cristo. Foi Ele quem coordenou com a sua plêiade de Espíritos convidados, que têm suas marcas em todas as civilizações orientais e ocidentais, desde Buda, Krishna, Mahatma Gandhi, Zoroastro, tantas filosofias, todas iluminadas pelo Cristo. Todo o iluminismo que você encontra nas religiões orientais é reflexo do Cristo, como diz João 8: 2: “Eu sou a luz do mundo”.

“A ciência não tem nada a ver com política. Ela tem papel muito importante na sociedade. E aqueles que são realmente espiritualizados, como o próprio Cristo, a valorizam”.

E a ciência é luz, é criada por Jesus. Os cientistas são enviados de Deus. Feliz a ciência criada por Jesus, que veio nos socorrer nesta pandemia e em tantos outros momentos de nossa trajetória terrestre. A criação é um processo evolutivo, que a Doutrina Espírita chama de lei do progresso, que é inviolável, irredutível, não presta continência a ninguém. Por isso que Allan Kardec, na sua magnífica racionalidade, afirmou que o Espiritismo e a ciência precisam andar lado a lado, a ponto de dizer que o Espiritismo sem a ciência não responderia a muita coisa, e a Doutrina sem a ciência seria manca, lhe faltaria o suporte. E destacou ainda que no caso de a ciência discordar da Doutrina Espírita, que seguíssemos a ciência, porque elas não se antagonizam, elas caminham no sentido de se encontrar lá na frente, elas não são paralelas, são convergentes. Baseados nisso, podemos entender o que disse o cientista francês Louis Pasteur: pouca ciência afasta de Deus, mas muita ciência Dele a aproxima.

A ciência não tem nada a ver com a política, não podemos politizá-la. Ela tem papel muito importante na sociedade. E aqueles que são realmente espiritualizados, como o próprio Cristo, a valorizam.

Se Jesus tivesse aqui hoje, que recado Ele daria para 2023?

Jesus iria nos dizer: “meus filhos queridos, Eu já enviei a vocês aqui no Ocidente três revelações: Abraão dizendo que Deus é um; Moisés, das mãos dos meus emissários no Sinai, recebeu o maior código de moral e justiça do planeta e que Eu mesmo vim e mostrei como é que se faz. Na minha despedida lá em Jerusalém, prometi outro consolador, e eu cumpri minha promessa, porque ele veio e trouxe aquilo que eu gostaria que ele trouxesse: reforma íntima, ligação comigo, o Evangelho e a ciência como suporte para vocês. Agora vocês não podem dizer que não receberam instruções, conselhos, admoestações. Vocês não são os melhores, são os mais bem informados e hoje vocês sabem que quem sabe mais tem obrigação de perdoar mais, servir mais e amar mais. Feliz Natal!”

Mensagem final do professor Severino Celestino

Queria encerrar com essa observação que, às vezes, as pessoas nem notam porque infelizmente as traduções não são muito fiéis. Quando Moisés estava no exílio, no êxodo, ele pediu a Deus uma ajuda para conduzir o povo à Terra Prometida. E Deus enviou intuitivamente que Moisés construísse um tabernáculo, que é um templo, e disse que esse templo seria habitado por Deus enquanto eles estivessem no deserto.

“Esta é a mensagem que eu deixo para 2023: que entendêssemos que não estaremos sós, Ele estará conosco até a consumação dos séculos”.

Por 40 anos, esse tabernáculo era montado e desmontado onde ele chegava, e ali dentro ficavam as tábuas da lei, como se Deus estivesse caminhando entre eles. Quando Moisés chegou a Samaria, ele dividiu as 12 tribos e a cada uma da sua gleba ele instalou um tabernáculo, que é como se fosse um ambiente, ou o local onde a espiritualidade, a ação divina entre nós mora. Quando João fala de Jesus no prólogo do seu Evangelho, ele fala exatamente desse tabernáculo, chama Jesus de verbo divino e luz do mundo. “E o Verbo se fez carne, e “tabernaculou” entre nós”. Essa é a expressão que João usa.

Jesus foi a continuação do tabernáculo que trouxe o povo do êxodo para a libertação, do Egito para a Terra Prometida. Jesus não habitou entre nós, Ele tabernaculou entre nós. Quando Ele fez as suas despedidas, em João 17:5, na oração belíssima que é conhecida como oração sacerdotal, Ele diz mais ou menos assim: “Pai, chegou a minha hora. Honra teu filho com a honra que Eu tinha quando eu me encontrava contigo antes da criação dos Céus e da Terra”. Então assim, ali ele encerra o seu tabernacular entre nós, como enviado de Deus ungido, que por onde passava deixava rastros de luzes em mensagem de otimismo e de amor. Esta é a mensagem que eu queria para 2023: que entendêssemos que não estaremos sós, Ele estará conosco até a consumação dos séculos. Essa é a maior promessa Dele que precisamos não só acreditar, mas viver, como se ele estivesse realmente caminhando conosco, tabernaculando em nossas vidas.

Severino Celestino

Fonte: Folha Espírita

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