Nas culminâncias da luta

Cairbar Schutel

Muitas vezes, vivemos normalmente dez longos anos, conquistando patrimônios espirituais, para viver apenas dez minutos fugazes de modo extraordinário e excepcional. São o “clímax da vida”, onde somos chamados às contas, na aferição de responsabilidades intransferíveis e que, não raro, percebemos intuitivamente, a derramar lágrimas que pressagiam amargas lutas.

Aprendemos, dia a dia, a pouco e pouco, anos seguidos, o desprendimento de bens transitórios para enfrentarmos a prova do desapego maior em momentos breves; experimentamos, por vários lustros, a repetição, instante a instante, de um dever trivial para testarmos a própria perseverança, no epílogo desse ou daquele problema, aparentemente vulgar, mas de profunda significação em nosso destino; adquirimos forças íntimas vivendo toda uma encarnação a preparar-nos para a demonstração de coragem num minuto grave de testemunho…

Alpinistas da evolução, que destilam suor, de escarpa em escarpa, galgamos a montanha da experiência, adestrando-nos para transpor a garganta que nos escancara o abismo diante da tentação; estudantes comuns, nos currículos da existência, enceleiramos preciosos conhecimentos em cursos laboriosos de observação e trabalho, para superarmos a prova eliminatória, às vezes num só dia de sacrifício…

Estamos sempre, face à face, com a banca examinadora do mundo, pois onde formos aí seremos convocados à confissão de nossa fé e consequente valor moral. O minuto que se esvai é a nossa oportunidade valiosa; o lugar onde estamos é o anfiteatro de nossas lições contínuas.

Por isso, caminhar sem Jesus, nos domínios humanos, é sentir que a água não dessedenta, o alimento não sacia, a melodia não eleva, a página não edifica, a flor não perfuma, a luz não aquece… Entretanto, amparados no Cristo, todos somos autossuficientes, porquanto dispomos de apoio, esclarecimento e fortaleza em qualquer transe aflitivo com que a vida nos surpreenda.

O alento que a certeza da fé raciocinada nos proporciona transcende todas as consolações efêmeras que possamos auferir de vantagens terrenas, de vez que nos faculta trabalhar sem fadiga, ajudar sem esforço, sofrer sem ressentimento e rir engolindo pranto.

Marchemos assim, arrimados nos padrões do Divino Mestre sem que nos creiamos no pretenso direito de reclamar ou maldizer, tumultuar ou censurar.

Desistamos de reivindicações, privilégios, prêmios ou honrarias de superfície, porquanto urge aspirarmos à medalha invisível do dever retamente cumprido que nos brilhe na consciência, à coroa da paz que nos cinja os pensamentos e a carta-branca do livre arbítrio que nos amplie o campo de ação no bem puro.

Regozija-te, pois, se a tua fé vive analisada na intimidade do lar, combatida na oficina de trabalho, fustigada no círculo de amigos, fiscalizada na ribalta social ou testada no catre* de sofrimento… Somente conduzindo a nossa cruz de renúncia às gloríolas do século, com a serenidade da abnegação e com o sorriso da paciência, é que poderemos ser recompensados pelo triunfo sobre nós mesmos, nas rotas da Perfeita Alegria.

Autor: Cairbar Schutel

Do livro “Ideal Espírita”, Cairbar Schutel, Francisco Cândido Xavier, Espíritos Diversos

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Causa de todos os males

“A ignorância das coisas espirituais alimenta nossas sombras.”

Orson Peter Carrara

Indicação de um leitor da RIE que, estudando o livro Visão Espírita de um Bandeirante (no 2º Volume), sugeriu abordagem em torno de uma frase de Cairbar Schutel.

Como se sabe, a obra em questão – em dois volumes – reúne os editoriais do próprio fundador da citada revista durante os anos que esteve à frente da publicação. Lançada no ano do centenário do jornal O Clarim, em 2005, os preciosos textos oferecem substancial material de pesquisa e reflexão.

A frase de Cairbar é: “A ignorância das coisas espirituais é a causa de todos os males que afligem os homens”.

Realmente, os prejuízos decorrentes dessa ignorância, aquela de não saber ou não compreender, não assimilar, não estudar, é a causa maior das aflições sem conta na sociedade humana.

A ausência dessa compreensão de uma realidade patente, ainda não percebida pela maioria da população que se debate em dúvidas, deixando-se dominar por posturas egoístas ou seduzidas por paixões variadas, ilusórias, tem gerado os ambientes de agressão, violência de todo tipo, miséria, corrupção, desespero, guerras e mesmo enfermidades, manipulações de bastidores, apegos tolos – inclusive de cargos e posições –, ilusões de posses efêmeras, disputas intermináveis de poder, de heranças e de domínios.

É pela ausência de uma mentalidade renovada e trazida pela noção da imortalidade que ocorrem as vinganças, as traições, os planejamentos criminosos, a retenção de recursos que poderiam ser utilizados em favor de tantas causas ou mesmo a interrupção ou adiamento de projetos que poderiam beneficiar a tantos, em todos os segmentos da sociedade.

E mais grave é que mesmo os que consideram cristãos, e por desdobramento também os espíritas, quantas vezes somos levados por ilusões variadas em disputas de poderes – ainda que sem envolver recursos monetários – ou seduzidos por autopromoção, pelo orgulho e vaidade, destruindo ou impedindo ações que resultariam em benefícios variados, dentro e fora do ambiente das várias denominações religiosas, inclusive a espírita.

A frase em referência, de Schutel, está no capítulo “Recapitulando fatos e princípios”, datado da RIE de janeiro de 1933, incluído no livro em questão. São quase 90 anos da redação do texto e a ignorância continua imperando.

Afinal, observe-se:

a) Que são as “coisas espirituais”, a que se referiu Cairbar Schutel? Sobre a ignorância, como dissemos, advêm do não saber mesmo, do não pensar no assunto, do não refletir ou buscar a realidade estampada claramente. Mas que são realmente as “coisas espirituais”?

“Não é difícil concluir, até pela própria expressão, que se trata de realidade além da matéria palpável. Que transcende e pode ser alcançado pelo pensamento, refletindo na realidade da própria vida, que não se circunscreve ao que apenas vemos. Há mais de realidade além dos sentidos. E apesar das pesquisas científicas, sérias e consagradas nessa direção, nem dela precisamos num primeiro exame. Basta pensar que não haveria lógica nenhuma na vida e seus desafios se tudo se resumisse na realidade fugaz de uma existência, que, por mais longa seja, conclui-se materialmente após determinado tempo, até por força do esgotamento dos órgãos que compõem o corpo físico.”

Mas não é só. A perspectiva que se abre diante disso é igualmente imensa, em face das influências que se nutrem mutuamente, entre a vida material e a espiritual. De vez que imortais (parece mesmo que até nos esquecemos desse detalhe), há uma dinâmica intensa além-túmulo, composta dos mesmos seres humanos, apenas desprovidos do envoltório material.

Incluem-se também nessas “coisas espirituais” o valor dos sentimentos, das vibrações, das vontades, das memórias, do caráter, dos efeitos e desdobramentos próprios que não se perdem porque o ser que alimentava esses predicados deixou o planeta pelo fenômeno biológico da morte. E na dimensão original permuta impressões com os que ainda estão encarcerados na carne.

Objetivo aqui não é convencer o leitor novato no assunto. Aliás, recomendo ampliar pesquisas com os livros de Allan Kardec. O que se busca, no modesto comentário, é destacar a existência real de algo mais além das aparências e da fragilidade da vida material, que vai constituir-se em valores ou, como escreveu o autor, “coisas” espirituais.

E aí vem a razão da abordagem e mesmo o sentido da afirmação que gerou a presente reflexão:

b) “(…) causa de todos os males.”

Sim, o desconhecimento (seja por não saber, por não querer saber ou mesmo não alcançar exata compreensão, por comodismo, indiferença ou omissão) de nossa origem, natureza e destinação espiritual, é alimentador de uma mentalidade egoísta e orgulha, que vai gerar indiferença à solidariedade que nos devemos mutuamente. Vai igualmente gerar violência e desrespeito – uma vez que iludidos pela crença da vida única, somos levados a uma disputa feroz pela posse nos apegos variados que vamos nos permitir e mesmo procurar e incentivar –, criando ambientes de tensões sem fim, causa de guerras e violência de todo tipo.

É causa imediata da miséria que assola populações inteiras, justamente pelo egoísmo gerado nos que poderiam movimentar forças e recursos em favor dos que carecem, eliminando desvios de recursos que são utilizados para satisfação própria. É também causa de abortos, suicídios, homicídios e outras agressões, de vez que ignorando a natureza imortal, perde-se a noção de amplitude da própria vida, que se desdobrará incessantemente no tempo e no espaço.

A ignorância de tal realidade ainda alimentará tristeza, doenças causadas pelo acúmulo de vibrações viciosas ou da falta de perspectivas, seja pelo desemprego, pelas dificuldades de toda ordem ou até mesmo pelas violências que se vai enfrentando decorrente de outras atitudes alimentadas igualmente pela indiferença com o valor da vida. Enumere-se os males humanos e se encontrará a causa na descrença, no egoísmo alimentado e incentivado – que agrava o quadro – daí surgindo disputas e apegos sem fim. Ou, em síntese, no desconhecimento daquelas “coisas espirituais”, que, por sua vez, estão saturadas de recursos em favor do bem-estar humano, da vida saudável, solidária e compartilhada – incentivando a conexão com os altos propósitos da vida.

Aos habituados com essas reflexões, mesmo com conhecimento acumulado sobre a velha questão da imortalidade, há dificuldades reais na assimilação interior, devido às imperfeições morais que ainda nos dominam. Mesmo assim, é tema permanente a nos convidar a mudanças.

Quanto aos que agora tomam contato com tais perspectivas, queremos sugerir com ênfase que busquem (o que também será de grande utilidade aos habituados aos estudos):

1 – O capítulo 1 de O Livro dos Médiuns, com o sugestivo título Há espíritos?

2 – A Introdução e a Conclusão de O Livro dos Espíritos, sem prejuízo de consultas em toda obra.

3 – Item II da Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo – Autoridade da Doutrina Espirita – Controle Universal do ensino dos Espíritos.

A leitura atenta desses preciosos textos abrirá universo imenso à compreensão do leitor quanto às “coisas espirituais”, entusiasmando o leitor para outras pesquisas que ampliem o sentido do algo mais além das aparências, cuja ignorância é causa das aflições humanas, pois que sem aqueles valores, que constituem nossa própria essência, perdemos a referência nos enfrentamentos e na melhora de nós mesmos, que será decisiva para alteração do sofrido panorama humano.

Gratidão ao assinante da RIE, Antonio Andrade, de Taubaté-SP, que sugeriu abordagem a partir da mencionada afirmação de Schutel. São essas pérolas colhidas no imenso celeiro que nos abrem perspectivas gigantescas de reflexão.

Orson Peter Carrara

Fonte: Causa de todos os malesNova Era

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Hora de seguir o Mestre

Rogério Miguez

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Dizem que a vida de Jesus Cristo foi tema do maior número de biografias já escritas sobre qualquer personagem na história da Humanidade. Muito se fala, e, se escreve, sobre a passagem Dele na Terra, durante poucos anos, dessa figura ímpar que, para muitos, dividiu a nossa contagem do tempo em dois períodos: antes e depois de sua vinda.

Contudo, apesar de ser amplamente reconhecido como uma das mais ilustres e sábias personagens que já viveu na Terra em todos os tempos; apesar de contar com bilhões de seguidores espalhados pelo planeta; apesar do cristianismo representar a maior religião do mundo em número de seguidores; apesar dos fatos marcantes de sua vida serem por demais conhecidos, através de filmes, livros, peças de teatro; seus exemplos, que Ele fez questão de deixar muito bem delineados para a posteridade, infelizmente, não são corriqueiramente revividos, pois, se o fossem de verdade, grande parte da Humanidade não estaria nesta encruzilhada, sem saber qual estrada tomar, entre as tantas possíveis.

Nesta hora de grande indecisão que paira na atmosfera do orbe, não seria oportuno começar a seguir realmente as pegadas do Meigo Rabi?

Cremos que sim, pois, há dois milênios estamos reencarnando seguidamente, neste, e, talvez em outros orbes, contudo, ainda não atingimos o grau de compreensão da imortal mensagem crística, ao contrário, temos vivido segundo padrões distanciados da brandura, misericórdia e pacificação; bem como da benevolência, indulgência e do perdão, tão bem demonstrados e ensinados por Ele.

Hoje, segundo as estatísticas, há no Brasil dezenas de milhões de cristãos, representados pelos católicos, protestantes e os esclarecidos espíritas, dentre outros. Imaginemos se todos estes alegados seguidores estivessem alinhados segundo pensamentos, atos e palavras, com as máximas do Cristo? Certamente, o cenário seria outro, e mais, se boa parte da Humanidade, que conta com mais de 2 bilhões de cristãos, estivesse buscando, nos exemplos do Cristo, padrões para suas próprias condutas no cotidiano, o mundo estaria transformado pelas vibrações de amor e compreensão irradiadas por todos os cristãos.

Porém, como sabemos que este sonho ainda não se realizou, o resultado é este que estamos submetidos há bom tempo: guerras, conflitos, armas, fome, miséria, tanto sofrimento e dor desnecessários, quanta injustiça e arbítrio ainda vigoram na Terra.

Entretanto, apesar deste cenário preocupante, podemos e devemos agir, mesmo que através de migalhas na nossa participação. Considerando que já estamos próximos dos 8 bilhões de almas espalhadas pela superfície da Terra, nesta hora, alguém poderia indagar: o que uma minúscula gota de luz no mar de iniquidades em que estamos imersos poderia realizar?

Respondemos: muito!

A nossa participação ativa nesta mudança, no modo de pensar e agir, deveria iniciar necessariamente dentro do ambiente familiar, no seio da família, a célula básica das sociedades, compondo as diversas culturas do mundo. Transformando estas pequenas unidades compostas por alguns poucos Espíritos – afins ou não – em singelos pontos de luminosidade, o conjunto ganharia, aos poucos, em pacificação, e, se forem muitos focos de luz, o ambiente na Terra e sua atmosfera psíquica, mudariam para melhor, tornando as nossas existências mais produtivas, ajudando o processo de regeneração do planeta a se tornar realidade, o mais rápido possível.

E, para nos ajudar e mostrar como realizar esta transformação, os trabalhadores da última hora – os espíritas – possuem a Codificação à sua inteira disposição. Milhares de páginas cuidadosamente escritas por Allan Kardec, aguardando-nos para serem lidas, meditadas, refletidas, e, ganhando mais conhecimento através da compreensão das lições imortais tão bem explicadas pela sabedoria do Mestre de Lyon e dos luminares que o auxiliaram nesta hercúlea tarefa, poderemos, efetivamente, promover esta mudança de atitude diante dos muitos desafios que a vida nos traz.

Aliás, aqueles que já seguem Jesus mais de perto, atravessam com mais tranquilidade as regulares tempestades do caminho, mormente o furacão intitulado Corona vírus.

Lembremos ainda, há dois milênios um Espírito de alta envergadura moral – João Batista -, quando estava empenhado em cumprir a sua relevante missão de batizar com a água os seus seguidores, ao ver Jesus pela primeira vez, disse sem hesitação: Eis o cordeiro de Deus, e, após esta constatação, dois de seus próprios discípulos passaram a segui-Lo, incondicionalmente.

Já se contam muitos séculos desde que João Batista indicou a chegada do Mestre na Terra – o seu Governador -, e, muitos passaram, desde então, a acompanhá-Lo mais de perto.

Já não estaria mais do que na hora de passarmos a segui-Lo também?

Rogério Miguez

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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Êxtase e Dupla Vista

Cláudio Conti

Medium Em Extase

O Espiritismo veio ensinar um grande número de lições para o ser humano a respeito de si mesmo. Em uma análise superficial, pode-se crer que esteja limitado a conceitos morais, contudo, não apenas isso, pois traz explicações sobre a necessidade da aplicação desses conceitos e os benefícios advindos, além do esclarecimento sobre um sem número de fenômenos envolvendo a alma. Nas palavras de Kardec:

“O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações”[1].

Dentre os ensinamentos espíritas, gostaríamos de ressaltar o que poderíamos denominar de “segunda vida” do espírito, isto é, sua existência durante o período de sono. Dessa forma, os nossos pensamentos e comportamentos durante o estado de vigília ditam os nossos interesses e, com isso, os locais em que iremos chegar com maior liberdade propiciada pelo sono.

No texto intitulado Sono e Sonambulismo, publicado neste jornal na edição de outubro, apresentamos o conceito de que a quantidade de matéria estabelece o grau de liberdade do espírito durante o sono – quanto maior a quantidade de matéria, menor o grau de liberdade. Dessa forma, a facilidade de deslocamento e o meio em que se manifestará estão relacionados com a camada do perispírito em que ocorre o desdobramento [2].

Sono, sonambulismo, êxtase e dupla vista são fenômenos a que o espírito está sujeito e, devido ao pouco conhecimento sobre essas questões, muito variadas podem ser as consequências devido a uma avaliação errônea por parte de profissionais da área médica, quando deparados com pacientes sujeitos a tais ocorrências. Contudo, devido a semelhanças e peculiaridades de cada uma, apresentam uma certa dificuldade para o seu entendimento.

Quais seriam as semelhanças e as diferenças entre sono, sonambulismo e êxtase? E a dupla vista estaria relacionada a esses assuntos? Todos esses fenômenos compartilham do mesmo princípio: a emancipação da alma. O estado de sono é comum a todos os espíritos encarnados na Terra; contudo, o sonambulismo, o êxtase e a dupla vista dependem de uma predisposição da organização física.

Esta questão é apresentada muito claramente em O Livro dos Espíritos, à medida que dizem: “há disposições físicas que permitem ao espírito desprender-se mais ou menos facilmente da matéria”[3].

O espírito, parcialmente liberto, podendo deslocar-se facilmente, irá para o local que lhe interessar. Desta forma, alguém preocupado com seu trabalho poderá, durante o sono, ocupar-se de seu ofício profissional; aqueles que gostam de festas e lugares barulhentos irão, com toda certeza para boates, bares etc.; aqueles que se dedicam ao estudo irão para locais onde estejam sendo realizadas reuniões de estudo; ainda existem aqueles que, devido ao ócio, nem saem do quarto, permanecendo ao lado do corpo em completa inércia.

Ao compararmos os graus de liberdade, temos que no sono é menor que no sonambulismo, o qual, por sua vez, é menor que no êxtase. Na condição em que se encontra, o extático pode, inclusive, visitar mundos superiores e usufruir, mesmo que temporariamente, da felicidade que existe nesses mundos [4].

Contudo, por mais atrativa que possa parecer essa possibilidade de vivenciar um tipo de felicidade que ainda não se encontra na Terra, é uma condição que requer cuidados, pois, diante do que é inalcançável para os habitantes de um mundo de expiações e provas, o extático pode experimentar um desejo de não retornar.

Com relação a essa questão, os espíritos alertam que o extático “poderia morrer. Por isso, é preciso chamá-lo a voltar, apelando para tudo o que o prende a esse mundo, fazendo-o sobretudo compreender que a maneira mais certa de não ficar lá, onde vê que seria feliz, consistiria em partir a cadeia que o tem preso ao planeta terreno”[5].

Em resumo, durante o sono e o sonambulismo, o espírito transita pela Terra, podendo vivenciar experiências tanto do mundo material quanto do mundo espiritual, porém o extático é capaz de visitar mundos mais etéreos, superiores ao que vivemos, e vislumbrar as suas maravilhas e a felicidade.

A dupla vista, por sua vez, compartilha o mesmo princípio básico com o sono, sonambulismo e êxtase, sendo, também, um estado de libertação do espírito com relação ao corpo. Todavia, ocorre em estado de vigília. O espírito parcialmente “livre”, é capaz de entrar em contato com o mundo espiritual, podendo usufruir algumas de suas propriedades de espírito liberto. Nessa condição, é capaz de ver, sentir e ouvir além das limitações impostas pelo organismo físico [6].

Os sentidos pertencem ao espírito e não ao corpo físico, que apenas exerce limitações ao mundo material em que se vive. Liberto, mesmo que momentaneamente, o espírito é capaz de ver além e através dos obstáculos físicos.

Dessas possibilidades, compreendemos as palavras de Léon Denis: “o homem é para si mesmo um mistério vivo. De seu ser não se conhece nem utiliza senão a superfície”[7].

Fonte: Correio Espírita

Notas bibliográficas:

  1. Allan Kardec. O que é o Espiritismo, pg 40.
  2. Claudio C. Conti. Jornal Correio Espírita, edição de outubro de 2019.
  3. Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questão 433.
  4. Ibidem. Questão 440.
  5. Ibidem. Questão 442.
  6. Ibidem. Questão 447.
  7. Léon Denis. No Invisível, pg. 131.
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Música: a sinfonia divina no coração dos homens

Por Eliana Haddad e Izabel Vitusso

“…do Alto descem acordes e um hino universal faz estremecerem céus e terras. À percepção desses acordes o espírito se dilata e desabrocha; ele se sente viver na comunhão divina e entra numa encantamento que chega ao êxtase.” – Léon Denis

Quem ainda não conhece o trabalho artístico que ele realiza no movimento espírita em São Paulo e em outros estados não imagina que por trás dos ares de um garoto habite um tenor, encantado com a música erudita. Aos 29 anos, além do trabalho profissional de canto lírico em apresentações e cerimônias, Allan Vilches dedica grande parte de sua agenda ao trabalho de abrilhantar os eventos espíritas, onde sua participação inunda de boas vibrações os ambientes, fazendo com que o evangelho de Jesus toque com maestria todos os corações.

Só agora em dezembro ele fará 48 apresentações. Para um tenor, isso representa falta de descanso, pausa para voz, o que tecnicamente não seria recomendável. Mas para ele não é assim. Com a agenda lotada, um sorriso constante que retrata alegria do trabalho e a consciência de seu papel como artista na divulgação da temática espírita, Allan Vilches sente-se liberto das recomendações de praxe. Ele mesmo se espanta, não sabe o que acontece para ser diferente, atribuindo sua saúde e energia à vibração de carinho que recebe por onde passa. Arte é troca, diz. Por isso faz questão de salientar que o artista que emociona verdadeiramente não é fruto somente de um dom, como algo que viesse como presente divino, mas também conquista, consequência de dedicação, estudo, disciplina e trabalho.

Você é tão novo, e em nossa cultura a música erudita não é gosto prevalecente. Como começou isso tudo?

Nunca ninguém cantou em casa, nem pais, tios ou avós. E eu comecei com a ideia de querer um som, mas meu pai não tinha condições de comprar. Nem rádio a gente tinha. De tanto eu pedir, fomos um dia a uma loja, lá mesmo em Carapicuíba,SP, onde ele acabou comprando o som, em inúmeras prestações. Mas eu não tinha o cd. A sorte é que deram de brinde um, daqueles de saldão, um cd de ópera. Eu coloquei para tocar e me identifiquei na hora. Comecei então a imitar. Na época, eu frequentava a mocidade espírita. Além do estudo, era hábito eles sortearem alguém para fazer a parte artística da semana seguinte: dançar, cantar, declamar, o que quisesse. Houve uma semana em que o pessoal que ia fazer a parte artística faltou. Resolveram sortear e, quem caísse, faria qualquer coisa. E lá fui eu sorteado. Imagina um pré-adolescente, com quatorze anos de idade, soltando o vozeirão – “Granada, tierra soñada por mi.” Aquilo foi um estrondo!! Depois, o próprio pessoal da mocidade me aconselhou a procurar um conservatório. Acabei me formando em canto lírico. Depois, fui para a USP para estudar Coral, para a Universidade de Música, até finalizar os estudos na Escola do Teatro Municipal.

Você tem uma empatia muito grande com o público, e em se tratando de mediunidade, a voz é um instrumento de magnetismo, de cura. Como você vê esse seu trabalho?

Tudo é muito natural. Não tem efeito artístico somente. Mas um objetivo, um direcionamento. Acredito até que todas as manifestações artísticas deveriam partir desta conscientização. Comecei a perceber que a música erudita não tinha mercado porque as pessoas não entendiam o que estava sendo interpretado. Dessa observação começou o meu trabalho profissional. Trata-se de um concerto didático. Vamos a escolas da rede pública de São Paulo, explicamos a canção, o autor, o período em que foi escrita, o que o compositor quis falar em alguns trechos de obras, desmistificando assim a música erudita. E eu acabei levando isso para a casa espírita. Há todo um processo de conscientização sobre o texto do evangelho, a contextualização com a música que se vai cantar. Quando você interpreta o que vai acontecer, a plateia se entrega, se envolve com o trabalho.

O que você sente quando canta na casa espírita?

Sinto que há uma afinidade conjunta muito grande. Não preparo repertório, mas uma linha de raciocínio sobre o tema, a ser levado, segundo o Evangelho e vou entremeando com as canções dentro das possibilidades que eu tenho, selecionando as canções de acordo com a inspiração no momento. É possível, por exemplo, ao cantar determinada música, ‘visualizar’ na plateia quem está precisando daquela vibração, o que quase sempre se comprova com as conversas depois dos trabalhos. E já ouvi histórias diversas nesse processo, como: “Meu pai desencarnou há dois meses e gostava imensamente dessa música.” A gente nunca sabe de todo o processo que se desenvolve durante os trabalhos. O que sabemos é que a arte, a música principalmente, tem uma proposta. A pessoa se impregna com sua vibração, com o amparo da espiritualidade, e leva consigo esses benefícios.

Como você vê a arte no espiritismo?

A arte no movimento espírita nem sempre tem sido trabalhada com rigor. Penso que não é porque vou fazer um evento beneficente que posso pegar um violão desafinado, não prezar pela qualidade do que se faz. Falamos muito sobre isso no programa na Rádio Boa Nova [Quem canta sua vida encanta] – com Paula Zamp e Moacyr Camargo. Temos procurado investir sempre mais em nossas obras e produções, buscando o aprimoramento, a qualidade mesmo. Existem talentos cuja expressão sonora do instrumento é diferente; há o sentimento de quem o está executando, ou cantando. Muitas pessoas dizem: recebi uma orientação da espiritualidade para que eu trabalhe com a música na casa espírita’. Eu digo: ótimo, mas tem que estudar. Vai fazer um curso de piano, um curso de violão… aprimore-se.

O que a música pode fazer pelo espiritismo?

Muito. Tanto na divulgação como no sentido de fomentar mensagens. Às vezes o palestrante transmite um conceito, uma mensagem importantíssima e consegue atingir 10% das pessoas. Neste trabalho, você coloca a mensagem agregada à vibração da música, que consegue atingir grande parte dos que ouvem. Como vão sentir ou compreender é de cada um.

Qual a mágica da música que nos faz sair das vibrações mais densas e migrar para as mais elevadas, mais próximas ao Criador?

Isso não tem nada de mágico. É vibração simplesmente. Quando a gente toca, ou canta, há várias vibrações, ondas sonoras – a da nota tônica, que se ouve, e as das outras notas musicais, que são as ressonâncias, variações da primeira. Todas juntas vão compondo a harmonia musical. Cientificamente, também, sabe-se que você agrega ainda um valor psicológico a essas vibrações sonoras, justamente por possibilitar a percepção dessas ondas, atingindo assim as pessoas. Do ponto de vista do nosso organismo físico, por exemplo, se você estabelecer sintonia com essas vibrações, consegue até mesmo se curar de uma dor de cabeça, de uma gripe, de algum outro processo.  E o espiritismo nos ensina muito bem sobre essa mecânica da influência dos fluidos.

Léon Denis diz que a dificuldade da alma contemporânea em conceber uma fé esclarecida, uma concepção mais elevada da beleza universal, é o que justifica a pobreza da estética artística atual. Qual sua opinião sobre a música do futuro, então?

A música do futuro será aquela que refletirá o que de melhor a pessoa tenha, as características do espírito: amor, fé, fraternidade, harmonia e não fatores de materialidade: dinheiro, emprego, mulheres, carro. O dia em que direcionarmos a atenção maior ao espírito, começaremos o processo de criação de músicas mais evoluídas.

A atividade de canto lírico é desgastante para o físico. Como você concilia cantar profissionalmente e também realizar o seu trabalho social na doutrina espírita?

Desde que comecei a estudar, até terminar meus estudos na Escola Municipal, os professores sempre foram taxativos: o cantor de ópera canta duas ou três vezes na semana. Não deve se exceder, para reposição das energias físicas e vocais. Fico pensando o que tenho de especial, porque eu canto três vezes por semana profissionalmente, e canto tantas outras vezes em casas espíritas, asilos, orfanatos. Aprendi que é a vibração positiva que eu recebo que sustenta o meu trabalho. Depois que eu me foquei mais nos trabalhos nos centros, percebi melhorias inclusive físicas. Acabei me dedicando mais ao Grupo [Cantores da Luz]. Hoje o coral é conhecido em toda a região de Osasco e Barueri. É uma alegria.

Uma música que toque mais você.

A música do momento. Aquela música que às vezes estou ouvindo num cd no carro e me comove. É um processo interessante e importante para trabalharmos em nós: perceber que sentimentos são aqueles que a melodia faz brotar em nós.

Que mensagem você deixaria para o nosso leitor, nessa edição festiva de Natal?

Acho que devemos refletir sobre a nossa proposta nesse planeta. E o Natal sempre é um bom momento para isso. Pense em como você realmente pode ser um instrumento para agregar mais a família, as pessoas no trabalho, como você pode ser a vibração diferenciada, capaz de melhorar a sua vida e dos que o rodeiam. Fazendo isso, acho que vamos construir uma vida mais feliz. Natal é o tempo em que a música ganha mais espaço nos shoppings, nas ruas e isso fortalece a ideia de nos sintonizarmos com a proposta de ter mais música no nosso dia a dia. Digo sempre: “Quando você estiver triste, solte a sua voz, para perceber que de você parte uma energia que consegue amenizar todas as dificuldades; quando estiver alegre, cante”. A música é sempre grande cúmplice e companheira da vida.

Publicado no jornal Correio Fraterno, edição 436, nov. dez de 2010.

Fonte: correio.news

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Recurso educativo da dor

Orson Peter Carrara

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As dores físicas, morais, as tragédias e sofrimentos e aflições em geral conclamam a, no mínimo, duas posturas: a) despertar em nós a compaixão diante do sofrimento alheio, convidando à disposição de auxiliar; b) fazer com que vejamos as consequências da negligência ou do mal a quem delibera se entregar a ele. Especialmente para que igualmente não nos deixemos levar pela correnteza dos equívocos deliberados.

A Lei Divina não é omissa e todos seremos chamados à corrigenda, mais cedo ou mais tarde, face aos destrambelhos que nos permitimos, sem pensar ou refletir nas consequências. Por isso a dor é educativa e em muitos casos poderia ser evitada. Construímos a dor com nossos destemperos emocionais, com nossa vaidade ou arrogância, com nossa rebeldia ou desobediência à Lei de Amor que deve reger nossos relacionamentos.

Por isso a dor que nos causa a criança paralítica, o cego de nascença, o tumor que se exterioriza, mas também o abandono, a fome e mesmo a miséria moral ou a perturbação mental, são imagens das consequências de ontem refletindo-se hoje. Ou mesmo efeito imediato do hoje.

Nossas ações que lesam o próximo, prejudicam a vida e sua ordem, ou lesam a nós mesmos trarão inevitáveis consequências no futuro, nunca como castigo, mas sempre como alto recurso educativo. É a didática da vida. Melhor que não façamos o que fizeram, os que agora sofrem as consequências. Para que não ocorra conosco o mesmo, ou pior, como conhecido ensino já à disposição do conhecimento humano.

Algumas tempestades que nos atingem são meros frutos de nossas ações, nem sempre do passado, muitas vezes do presente mesmo, por isso o cuidado em viver com dignidade e decência, respeitando a vida e seus desdobramentos em todos os sentidos.

O “Vigiai e Orai” Daquele que é a luz do mundo, da sabedoria de quem indica por experiência e por maturidade, mas também por amor que orienta, deve ser nosso corrimão para seguir. Do contrário, somos sugados pelas ilusões, adentrando perigosos caminhos de sedução e equívocos, sempre geradores de lágrimas, aflições e dor, que não necessariamente tenhamos que passar. Aprendizado é antes de tudo, disciplina.

Orson Peter Carrara

Fonte: geae.net.br

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AS NAVES ESPACIAIS UTILIZADAS PELOS ESPÍRITOS

Fernando Rossit

De acordo com informações do Espírito André Luiz, a colônia espiritual Nosso Lar está localizada na ionosfera, a 500 Km de altitude do solo da cidade do Rio de Janeiro.

É a mesma distância entre Rio Preto e a cidade de São Paulo. De avião, viajando a 600 Km/h, nosso percurso (encarnados) dura cerca de 1 hora.

Mas quanto tempo um Espírito (André Luiz) partindo de Nosso Lar demora para chegar à cidade maravilhosa, distante 500 Km, por exemplo?

Se vier a uma velocidade de 500 Km/h, demorará uma hora.

Mas usará André Luiz algum veículo ou virá volitando?

(volitar: é a capacidade que tem um espírito, sob certas condições e de acordo com o seu grau evolutivo, de poder transportar-se, elevar-se do solo e deslocar-se numa espécie de voo. Sob essas circunstâncias o espírito se transporta para onde quiser ou lhe for determinado, sob a ação e impulso da própria inteligência). (Wikipedia)

De acordo com relatos do próprio André, virá de uma ou outra forma, uma vez que existem veículos ou naves espaciais no mundo astral que facilitam o transporte dos Espíritos. Entendemos que o meio utilizado pelo Espírito dependerá da necessidade e o objetivo da sua viagem, bem como as regiões que atravessará até atingir a crosta terrestre.

A velocidade na volitação poderá ser extraordinária, tudo a depender da evolução do Espírito. Não há obstáculo material para eles, o que facilita muito a viagem. Alguns podem viajar à velocidade do pensamento que, de acordo com André Luiz, é maior que a da Luz.

Quase sempre viajam em grupos e o mais adiantado vai à frente. O mais experiente abre caminho para os menos adiantados e inseguros que seguem atrás. Nesse momento, o Espírito que vai à frente, cria um campo magnético de proteção aos demais do grupo, facilitando a volitação dos outros Espíritos do grupo.

O Espírito Galileu, em “A Gênese”, de Allan Kardec, servindo-se de expressões e conhecimentos vigentes à época das comunicações (1862-1863), num exercício de imaginação propõe uma viagem interplanetária.

Nessa viagem o espaço é percorrido “com a velocidade prodigiosa da faísca elétrica (que percorre milhares de léguas por segundo”).

Atualmente, após todo o avanço científico-tecnológico alcançado, a viagem proposta deixa de ser imaginária para ser real, executada por moderníssimas naves espaciais, viajando pelo Universo, a altíssimas velocidades.

As distâncias de “milhares de léguas por segundo” passaram a ser distâncias astronômicas, tendo com parâmetro a “faísca elétrica” medida a partir da velocidade da luz no vácuo (300.000 quilômetros por segundo, aproximadamente).

Para termos noção do que significa esta velocidade, façamos uma comparação: a sonda espacial Voyager 1 atinge apenas 0,00558% da velocidade da luz, equivalente a 16,72 km/seg. ou 602.223,09 quilômetros por hora. Um carro de fórmula 1, a 300 km/h., corre cerca de 2.000 vezes mais lento que a nave espacial.

A Ciência confirma o que o Espírito Galileu afirma em “A Gênese” sobre a relatividade do tempo.

Vejamos:

“O tempo não é senão uma medida relativa de sucessão das coisas transitórias. A eternidade não é suscetível de nenhuma medida, do ponto de vista de sua duração; para ela, não há começo nem fim; para ela, tudo é o presente.

“Se séculos e séculos são menos que um segundo em relação à eternidade, o que será então a duração da vida humana?”

“Do ponto de vista físico o tempo de vida – nascimento, existência e morte – é ínfimo em relação à eternidade; do ponto de vista espiritual ele é infinito. Somos Espíritos imortais!”

Podemos resumir assim, então: os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço, mas podem fazê-lo com a rapidez do pensamento. Muitas vezes têm consciência da distância que percorrem e dos espaços e paisagens que atravessam. Isso dependerá da sua vontade e evolução.

Alguns Espíritos relatam o percurso quando interessa ao nosso aprendizado. Estagiam em outras colônias, atravessam regiões a pé, volitando ou com naves espirituais, conforme a natureza da área que irão atravessar – mais ou menos trevosas ou perigosas.

Quando vêm à crosta de nave espiritual, costumam deixá-la estacionada próxima à cidade terrestre que irão visitar e continuar o percurso volitando ou a pé.

Não pense que você verá uma nave dessas por aí – elas são espirituais, compostas de matéria diferente da nossa. Bem, se você for médium vidente e os Espíritos quiserem….

Quando vêm visitar a crosta terrestre por alguns dias, costumam pernoitar em lares equilibrados onde reinam a harmonia e o amor, mas sempre com a aquiescência dos protetores espirituais da família. Outras vezes descansam em Casas Espíritas, também com a autorização dos mentores espirituais do Centro.

Fernando Rossit

Fonte: Vinhas de Luz

Bibliografia:

1- O Livro dos Espíritos, questões 89 a 91.

2 – KARDEC, Allan. A Gênese. 19. ed., São Paulo, SP: LAKE, 1999, cap. VI, p.87-90 2 – FERREIRA, Aurélio B. H. Novo Aurélio – Século XXI. Ed. Nova Fronteira, 3. ed., Rio de Janeiro, RJ, 1999 3 – OLIVEIRA, Adilson, Prof. Dr. UFSCAR. Um novo tempo. Coluna Física sem Mistério. Instituto Ciência Hoje. http://cienciahoje.uol.com.br/53460

3 – http://www.cebatuira.org.br/Adelino Alves Chaves Jr.

4- Nosso Lar, Chico Xavier/Andre Luiz.

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COMO OS RELACIONAMENTOS FICAM ATRELADOS NAS REENCARNAÇÕES

José Batista de Carvalho

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Os ajustes dos relacionamentos problemáticos de outras existências.

Pelas reencarnações os espíritos têm a oportunidade de reestabelecer os relacionamentos de outras vidas que causaram problemas e, assim, ficam atrelados à atual existência, para se ajustar àqueles que em vidas passadas se tornaram inimigos.

A reencarnação é um dos pilares básicos do Espiritismo. É o processo pelo qual os espíritos transitam entre o plano espiritual – a verdadeira morada do espírito – e o plano material, onde se desenvolve o estágio de aprendizado que somente é possível graças ao confronto com a matéria e suas vicissitudes.

A reencarnação também é um reencontro energético que se expressa pela atração ou repulsa entre pessoas ou grupos de pessoas.

Isto ocorre, por exemplo, naquilo que conhecemos como afinidade e se apresenta como uma mútua simpatia entre pessoas, mesmo sem a necessidade de conhecimento prévio. Ou, então, o seu oposto: a ojeriza, a antipatia gratuita que sentimos por determinadas pessoas, mesmo que elas nunca tenham feito nada contra nós.

Esses encontros, tanto os favoráveis quanto os insuportáveis, se explicam pela vibração energética entre as pessoas e tem como base as relações de vidas passadas.

Os espíritos ficam presos energeticamente, atrelados pelos relacionamentos através das reencarnações.

Na sociedade em que vivemos, onde a demanda de relacionamentos é elevada, seja por questões familiares ou profissionais, muitos dos encontros carregados de antipatias se fazem necessários. Isso ocorre justamente para que as partes possam se ajustar e se desvencilhar dos aspectos negativos das relações energéticas do passado.

Estamos sempre ligados a quem nos feriu, bem como a quem nós causamos danos. A partir das experiências que causaram o conflito, os espíritos ficam presos energeticamente pela mágoa, pela raiva, pelo ódio ou pela tristeza. E mesmo que estejam distantes, constantemente estão fazendo uma troca de energias negativas.

Neste ponto, é interessante pontuar a importância do perdão, pois esse ato possibilita se desprender dos aspectos negativos que envolvem o relacionamento. E assim, dessa forma, se libertar de todas os sentimentos prejudiciais e das energias nocivas.

Muitos pensam que é muito difícil perdoar alguém que tenha causado um grande dano. Mas o perdão bem entendido é o esforço que se faz para se desligar da história que gerou conflito e da má emoção causada. Assim, a energia negativa reflui e os laços que enredavam os participantes se desfazem.

Como se proteger da vingança obsessiva.

“Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele.” – Jesus (Mateus, 5:25.)

Esse desprendimento possibilitado pelo perdão é muito importante, pois essas ligações, se não curadas, prosseguem inclusive após o desencarne. E, muitas vezes, as grandes perseguições espirituais que geram obsessões têm os seus inícios nesses conflitos.

Vários livros psicografados revelam os dramas das obsessões. E, constantemente, observa-se que os envolvidos possuíam relacionamentos enquanto encarnados, que se estendem e ficam atrelados em futuras reencarnações. E, em função de desentendimentos que evoluíram para graves conflitos, criam-se inimigos que estão sempre pensando numa forma de se vingar do adversário.

Muitas vezes essas contendas se estendem por muitos anos. Às vezes, até mesmo por séculos, onde os contendores se revezam nos papéis de perseguidor e de perseguido.

Nestas histórias é muito difícil encontrarmos vítimas, pois enquanto não houver o ajustamento e a reconciliação dos adversários o drama não se extinguirá.

A resposta para os perigos da vida.

São muitos os perigos da vida. E o maior deles é a não observância do ensinamento de Jesus: “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

Percebemos que ao não respeitar os companheiros de encarnação, fazendo a eles aquilo que não se quer para si próprio, os atritos vão se multiplicando, criando dor e sofrimento.

Agindo assim, as pessoas mais e mais se afastam da Divina força do Amor. Se afastam de Deus e ficam perdidos nas trevas da ignorância perdendo-se de si mesmos.

Ao caminharmos pelas cidades, encontramos tantas pessoas perdidas em si mesmas, sem consciência de que seus sofrimentos não são curados pelo consumismo desvairado. E que o vazio que sentem e as atormenta é, justamente, a distância que estão de si mesmas.

José Batista de Carvalho

Fonte: Vinhas de Luz

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Tatuagens e Espiritismo

Rodinei Moura

Uma questão que ouvimos sempre é em relação a uma possível lesão que as tatuagens fariam no perispírito. Cabe aqui uma análise à luz da doutrina dos espíritos, que é uma doutrina lógica, racional.

Na questão 621 d’ O Livro dos Espíritos Allan Kardec interroga a espiritualidade sobre onde estaria escrita a lei de Deus. Resposta: Na consciência

Vejam que não há um tribunal externo de espíritos para nos julgar a cada ato nosso, mas já temos esse guardião do certo e do errado em nós.

E no livro No Mundo Maior, autor espiritual André Luiz, psicografia de Chico Xavier, temos uma aula detalhada desse processo, no capítulo a Casa Mental, em que André Luiz nos esclarece que a consciência fica no que ele chamou de superconsciente, parte frontal do cérebro. E que tudo que vivemos nesta e em outras vidas fica registrado no subconsciente, moldando assim nossa maneira de ser, nossa personalidade. A consciência pode marcar em nosso perispírito a consequência de algumas escolhas infelizes, que se refletirá em nosso corpo físico, nesta ou em outra existência. Vale muito a pena conferir essa obra.

Mas é importante lembrar aquilo que está lá no começo d’ O Livro dos Espíritos, uma das características do Criador, no item Atributos da Divindade: Deus é soberanamente justo e bom. Portanto, suas leis são também justas e não existem por um capricho seu. Mas são mecanismos para nos fazerem crescer na ciência do infinito, trazendo até nós os desgastes necessários e somente quando necessários.

No livro Evolução em Dois Mundos, André Luiz fala sobre a relação entre perispírito e corpo físico, afirmando que o primeiro modela o segundo, sendo o corpo físico, portanto, o reflexo do corpo espiritual, assim como esse é reflexo do corpo mental.

Fica fácil entender que toda vez que lesarmos a consciência isso ficará registrado em nossa mente, que, dependendo de como a pessoa lida com seus erros, de como já sabe se perdoar, pode lesar o perispírito, que vai refletir no corpo físico.

Agora podemos, à luz da razão e do atributo de Deus que citamos acima, perguntar e refletir sobre de que forma uma tatuagem, algo artístico, poderia lesar nossa consciência a ponto de refletir no corpo físico? Uma homenagem à mãe, a um filho, a uma pessoa querida? Um desenho que traga uma lembrança agradável ou uma mensagem de motivação?

Alguém poderia dizer que as tatuagens buscam somente realçar a beleza. E, portanto, é um ato materialista. Certa vez perguntaram a Chico Xavier se é errado cuidar da aparência. Ele respondeu sugerindo que perguntemos, nesse sentido, por que Deus fez a natureza tão bela.

O problema não é cuidar da aparência, mas a que custo fazer isso. Se algum procedimento estético coloca em risco nossa saúde ou ainda a nossa existência, uma oportunidade tão necessária neste globo para trabalharmos nossa evolução, aí precisamos parar e rever nossos conceitos. Se a beleza exterior é a única coisa que nos importa, aí, então, precisamos entender que estamos na contramão de tudo que o Espiritismo nos ensina e que Jesus nos ensinou, pois somos uma centelha divina, um espírito imortal num corpo físico, que é apenas o veículo através do qual nos manifestamos neste plano. A razão de estarmos aqui é desenvolver o amor num plano maior que a sensualidade apenas.

Espiritismo é ciência e filosofia, adverte Kardec na obra O que é o Espiritismo. Daí a necessidade de muito estudo para uma boa compreensão e aplicação em nossas vidas. Ou ficaremos presos apenas a atos exteriores, sem que a necessária transformação interior aconteça. Não basta que não façamos o mal; é preciso fazer o bem no limite das forças. (Questão 642 d’ O Livro dos Espíritos.) Essa é a verdadeira face dessa doutrina tão simples.

Rodinei Moura

Fonte: Espiritismo na Rede

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Insatisfação – Um mal da humanidade

Itair Rodrigues Ferreira

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A Inglaterra, a sexta economia do mundo, que inaugurou a tecnologia com a Revolução Industrial, no século XVIII, e as bases da ciência experimental moderna com a Royal Society, se depara agora com um quebra-quebra, nas lojas dos seus grandes centros urbanos. Não de alimentos, como pensou um famoso inglês, o economista Thomas Robert Malthus, que, em 1798, afirmou que a humanidade teria um crescimento demográfico de forma geométrica, enquanto a produção dos alimentos para sustentá-la aumentaria aritmeticamente, ou seja, a população seria tão multiplicada que a sobrevivência seria impossível por falta de alimentos. Acertou, em parte, o pai da demografia, como Malthus ficou conhecido: houve uma disparada na natalidade no mundo, que em sua época não chegava a um bilhão de habitantes, enquanto agora já contamos com sete bilhões de indivíduos, com a perspectiva de dez bilhões até o ano de 2050.

Quanto à falta de alimentos, errou. Faltou a ele, que era também pastor anglicano, a confiança em Jesus, que afirmou no sermão da montanha, na ansiosa preocupação pela vida: Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber. Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?

Há fome no mundo. Existe mais de um bilhão de pessoas vivendo em extrema penúria, e não por falta de alimentos, mas, pelo egoísmo humano que não vê ninguém, senão a si mesmo, achando-se o centro do universo, quer tudo para si, sem se importar com o seu próximo.  Os Espíritos Superiores informaram a Allan Kardec, na época da confecção de O Livro dos Espíritos: Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome.

A invasão das lojas se deu pela insatisfação oriunda da desigualdade social. Uma frustração acumulada da parte de um segmento da sociedade, cansada dos apelos dos veículos de comunicação para a aquisição de produtos que vivem no imaginário popular e a impossibilidade de nem sequer  tocar  nessas  parafernálias da moderna tecnologia. Segundo o grande sociólogo europeu, o polonês Zygmunt Bauman, esse caos se deve a uma revolta motivada pelo desejo de consumir. Londres viu os distúrbios do consumidor excluído e insatisfeito.

Impulsionados  pelo desejo e o medo, os dois grandes vilões da alma humana, sentindo-se excluídos de uma sociedade de consumo que expõe orgulhosamente suas aquisições como se fossem troféus, e  a ansiedade de possuir os seus objetos de desejo, e insuflados pelo medo da pobreza que  mascara as chances de mudança na situação social, partiram agressivamente para o saque irrefletido.

Por mais que os governos tentem combater essas ocorrências danosas, na Inglaterra ou em outra nação, nada mais farão que tentar eliminar os efeitos de uma causa explícita, postergando a causa real, que é a falta de educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral, como escreveu Allan Kardec, o grande educador, discípulo de Pestalozzi, em O Livro dos Espíritos, já citado anteriormente: Não nos referimos à educação moral pelos livros e sim à que consiste em formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto de hábitos adquiridos. Considerando-se a aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.

Vivemos momentos de transição da humanidade. A Terra deixará de ser um planeta de expiações e provas e passará para o estágio mais avançado de planeta de regeneração. Emmanuel, o sábio e amoroso benfeitor espiritual, mentor de Chico Xavier, dá até uma data para a consecução dessa passagem, em seu livro “Plantão de Respostas II: o ano de 2057”. Mas já estamos incursos nesse processo.  Se o indivíduo não buscar, o mais rápido possível, conhecer-se a si mesmo, que é a base para uma mudança de estrutura, e partir para a educação de seus sentimentos, jamais poderá aproveitar as oportunidades que surgem a mancheias, convidando-o para a felicidade. O reino de Deus está dentro de nós, afirmou Jesus, e o poeta Vicente de Carvalho traduz dessa forma: Essa felicidade que supomos/ Árvore milagrosa, que sonhamos/ Toda arriada de dourados pomos,/ Existe, sim: mas nós não a alcançamos/ Porque está sempre apenas onde a pomos/ E, nunca a pomos onde nós estamos.

Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores encarregados de nos trazer o Consolador prometido por Jesus: Não parece que, pelo menos do ponto de vista moral, o homem, em vez de avançar, caminha aos recuos? Ao que as Entidades Sublimadas lhe responderam: Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que o homem se adianta, pois que melhor compreende o que é mal, e vai dia a dia reprimindo os abusos. Faz-se mister que o mal chegue ao excesso para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

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