Homofóbico eu?

Adriana Machado

HOMOFÓBICO EU?

Para não haver dúvidas, uma pessoa homofóbica é aquela que tem rejeição ou aversão ao homossexual e à homossexualidade. Homossexual, por sua vez, é a pessoa que sente atração por pessoas do mesmo sexo.

Gostaria de deixar claro que a homossexualidade e a homofobia são uma realidade no mundo, mas precisamos entender o perigo de tudo se generalizar, porque nem toda opinião contrária à homossexualidade é contrária ao homossexual, bem como o fato de alguém não desejar ser homossexual, não significa que ele é contrário à homossexualidade. Temos a tendência de, generalizando, imputarmos ao próximo preconceitos que, talvez, ele não os possua. Podemos não gostar de verduras, mas não odiar os vegetarianos!

De qualquer forma, em nosso país, existem muitas pessoas que, declarada ou veladamente, são contra o sentimento/relacionamento homoafetivo. Precisamos relembrar que, para um país que até hoje vê com estranheza um casal inter-racial, não seria diferente com um casal homossexual!

Pensando nisso, podemos ter uma ideia do que “somos” hoje como seres humanos. Ainda temos dificuldade de enfrentar o que é novo, de perceber que o que antes poderia ser uma verdade, hoje, ela pode ter sido superada. Para alguns, tudo isso é errado. Algumas pessoas ainda estão vinculadas a ideias equivocadas de um país que foi, por muito tempo, escravocrata (e, por isso, a verdade propagada era que os negros não tinham alma) e que foi, por muito tempo, orientado que a homossexualidade era um pecado. Ainda hoje, existem pessoas que pregam essas vertentes como se pecaminosas fossem. Então, não será de uma hora para outra que essas ideias serão extirpadas de nosso consciente individual e coletivo. E quando digo nosso consciente, estou também englobando os próprios alvos de quem nos referimos, porque muitos deles não se aceitam como são. Mas, tal evolução consciencial acontecerá com cada um de nós, isso eu tenho certeza. Diante de tudo isso, podemos entender porque, em pleno século XXI, ainda há dificuldade de se aceitar um casal inter-racial ou homossexual.

Durante séculos, muitas foram (e ainda são) as pessoas alvo de preconceito vindo de terceiros que tinham (e ainda têm) dificuldade de entenderem as escolhas das primeiras, não as aceitando antes, não as aceitando agora. Quantos foram (e ainda são) expulsos de seus lares, por seus próprios pais, somente porque eles são o que são? É triste, mas, não vamos criticar imediatamente esses genitores. Pensem a que nível está a crença desses pais que, por acharem que isso é abominável ou pecaminoso, acreditam que não podem mais amar o seu próprio filho?

Em uma sociedade que pensava assim desde muitos séculos atrás, como esta poderia dar um salto e aceitar naturalmente aquilo que lhes é dito, somente agora, como certo e natural? Não há como exigirmos isso, mas podemos começar a orientar. Cada um de nós (que se importa) tem em seu cerne os aprendizados das vidas vividas. Cada um de nós já aprendeu alguma coisa e é com esse aprendizado que vamos nos flagrar preconceituosos (ou não) e nos lapidar para ajudarmos àqueles que ainda nada aprenderam.

Vemos estudos onde se comprova que as crianças tendem a não alimentar o preconceito que trazem dentro de si latente. Elas, se bem orientadas, não alimentarão aquilo que podem ter trazido de outras vidas (como no caso do preconceito) e ainda terão a oportunidade, numa sociedade mais conscientizada, de se verem trabalhando os seus próprios sentimentos menos nobres sobre as escolhas alheias.

O homem preconceituoso (homofóbico, racista, etc) é aquele ser que ainda não aprendeu a lidar com os seus próprios sentimentos em relação a si mesmo. Ele luta incansavelmente para lidar com as suas ideias deturpadas, porque entende que está certo num mundo que está se perdendo. Por isso, quando o homem preconceituoso se une a outro com o mesmo ideal, normalmente, eles se tornam violentos em defender as suas ideias porque, sem a razão, é a violência que impera para implantar uma “verdade” unilateral.

Mesmo que quiséssemos defender a homofobia baseada na ideia da programação antecipada da nossa vida terrena e, por causa dela, entendêssemos que viemos homem ou mulher com um propósito e que não devemos deturpar o gênero para aprendermos com ele e suas limitações, ainda assim, não podemos esquecer que somos portadores de livre arbítrio e, por isso, aprenderemos de uma forma ou de outra sobre como lidar com as nossas escolhas, emoções e sentimentos.

Amar é natural. E se é natural, estarei cometendo pecado se amamos incondicionalmente alguém que é do mesmo gênero que nós?

Fica a reflexão.

Adriana Machado

Nota da Autora: Neste artigo, não gostaria de entrar na discussão sobre a programação de vida de cada um de nós como homens ou mulheres, mas sim sobre o amor que podemos sentir pelo nosso próximo.

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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Como é ser espírita, segundo Kardec?

Rita Foelker

Fala-se muito em Espiritismo, mas pouco se sabe a seu respeito.  – J. Herculano Pires

Espiritismo é uma doutrina filosófica, suas bases e princípios se encontram nos cinco volumes da chamada Codificação Espírita, obra resultante do trabalho conjunto de Espíritos Superiores e dos médiuns que transmitiram comunicações reunidas e coligidas por Allan Kardec, tendo ele submetido, tanto as mensagens, quanto as respostas dos Espíritos, ao escrutínio da razão e ao princípio da universalidade dos ensinos dos espíritos.

Como Kardec e os Espíritos realizaram isso?

Os fenômenos mediúnicos haviam se tornado muito populares na França do século XIX, por meio de grupos que provocavam manifestações diversas de efeitos físicos, com fins de entretenimento ou curiosidade. No ano de 1855, Kardec foi convidado por seu amigo, Sr. Carlotti, a comparecer a uma dessas reuniões, sobre a qual ele se mostrou bastante cético, a princípio. Tendo, contudo, comparecido e observado os fatos com mentalidade científica, análise lógica e sem preconceitos, Kardec percebeu que ali havia um fenômeno real, o qual passou a estudar mais amiúde.

Enquanto outros participantes dirigiam aos Espíritos perguntas fúteis e visavam a diversão, Kardec elaborou questões sérias, para as quais começou a receber respostas coerentes e profundas, que iriam constituir a origem dos livros que ele publicou, entre 1857 e 1868, cujo conteúdo reúne os conceitos espíritas fundamentais.

Ele também escreveu logo na Introdução a O Livro dos Espíritos que

“Para designar coisas novas são necessárias palavras novas; assim exige a clareza de uma língua, para evitar a confusão que ocorre quando uma palavra tem múltiplo sentido. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm um significado bem definido, e acrescentar-lhes uma nova significação para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos seria multiplicar os casos já tão numerosos de palavras com duplo sentido. […] Diremos que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio a relação do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo espiritual. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas ou, se quiserem, os espiritistas.”

Ambos os termos – ‘Espiritismo’ (substantivo, doutrina codificada por Allan Kardec) e ‘espírita’ (substantivo e adjetivo que relacionam pessoas, locais, fatos, objetos e ideias ao Espiritismo) – foram explicitamente vinculados nesse trecho à Doutrina Espírita que é específica, com princípios e conceitos nela claramente definidos, como Deus, espírito, matéria, reencarnação, evolução, mediunidade, entre outros. E aos seus adeptos.

Mas fora dos centros e grupos de estudos esclarecidos a esse respeito, existe muita confusão.

Na internet, onde nos habituamos a lançar nossas pesquisas sobre os mais diversos assuntos, no site Guia do Estudante, por exemplo, o Espiritismo é considerado uma religião brasileira das massas, muito influenciada por Chico Xavier…

A Wikipédia também não colabora, dizendo que é uma doutrina espiritualista, que pretende explicar a reencarnação e a evolução.

Outros usos comuns das mesmas palavras

Culturalmente, longe de sua conotação nos livros de Kardec, observamos o uso do termo ‘espírita’ para referir-se a cartomantes e benzedores, por sua aproximação com o contexto da mediunidade. Mas a atividade não se baseia necessariamente em conhecimento profundo (ou sequer raso) do Espiritismo segundo Kardec e, sim, no fato da pessoa ser (suposta ou verdadeiramente) médium ou sensitiva. No senso comum, se envolve algum tipo de mediunidade, clarividência ou relação com o mundo espiritual, é “espiritismo”.

Nesse ponto, cabe uma distinção importante:

1. Espiritismo, na definição de Kardec, é filosofia ou doutrina filosófica de conteúdo definido.

2. Mediunidade, por sua vez, é um dos termos amplamente abordados na Codificação e na Revista Espírita. Mas trata-se de uma faculdade humana, como a visão ou a inteligência, pertencente ao campo da sensibilidade e comunicação, presente em todos os encarnados em diferentes graus e tipos de manifestações. Nos livros de Kardec, aqueles que produzem efeitos ostensivos, de certa intensidade, são chamados de médiuns propriamente ditos, podendo ser ou não espíritas e, até mesmo, nunca ter ouvido falar em Espiritismo.

Portanto, ‘espírita’ e ‘mediúnico’ não são sinônimos.

Outras vezes, encontramos instituições religiosas que se autodenominam “espíritas” e, neste caso, a palavra ‘espírita’ significa que são realizadas atividades que pressupõem auxílio espiritual ou presença de Espíritos, por meio da prática mediúnica (faculdade humana inata) ou de aplicação do passe.

Assim como a mediunidade, o passe é atividade sem relação obrigatória com a doutrina codificada por Allan Kardec. O passe é uma prática milenar e Jesus a utilizava, assim como estudiosos e adeptos do Magnetismo Animal, muito antes de Kardec.

“Por outro lado, os princípios e conceitos pertencentes à Filosofia Espírita, relacionados entre si pelo entendimento, vão além dessas práticas, porque estruturam toda uma visão de mundo com bases científicas e consequências morais, a qual precisa ser aprofundada pelo estudo e meditação, além de bem compreendida. Kardec escreveu, logo no início do capítulo III de O Livro dos Médiuns: “o Espiritismo é toda uma Ciência, toda uma Filosofia. Quem desejar conhecê-lo seriamente deve, pois, como primeira condição, submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando”.

Essa compreensão é ainda mais relevante, quando pensamos na tarefa da divulgação espírita. Como divulgar consiste em levar a Doutrina a quem não a conhece, é de suma importância esclarecer bem seus conceitos originais, a fim de que aquele que se inicia agora nesse conhecimento possa penetrar de fato nas suas consequências existenciais e morais.

Rita Foelker – Filósofa, palestrante e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior. Formação em Pedagogia Sistêmica com a Educação, pelo Instituto Hellen Vieira da Fonseca. https://vidasinteligentes.com/

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – Santa Catarina – SC

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A Educação das Crianças e o Espiritismo

Simara Lugon

A educação das crianças vem se transformando ao longo dos anos e das gerações. Se antigamente acreditava-se que através das punições, da violência e do autoritarismo seria possível educar um ser humano feliz e digno, atualmente já se percebe que, na realidade, esta forma de ensinar e disciplinar gera diversos traumas e problemas psicológicos nas pessoas, trazendo danos irreparáveis para suas vidas. Por mais que essa maneira de disciplinar gere os resultados esperados momentaneamente, uma pessoa que sofre violência vinda daqueles que deveriam protegê-la e acolhê-la durante sua infância, tem grande chance de apresentar problemas tais como ansiedade, transtornos depressivos, comportamento agressivo e até mesmo tentativas de suicídio ao longo de sua vida, de acordo com dados o Ministério da Saúde.

No entanto, muitas pessoas acreditam que apenas um tapa, um empurrão ou uma agressão verbal não seja violência, e que estão apenas ensinando seus filhos a se comportarem, acreditando que violência seja apenas aquela que deixa marcas visíveis no corpo. Isso não é verdade, pois no Brasil, vigora a Lei nº 13.010, conhecida como Lei Menino Bernardo ou Lei da Palmada, que oferece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou tratamento cruel ou degradante.

É totalmente possível educar qualquer criança sem o uso de violência, através da disciplina positiva, ou seja, acolhendo a criança até que ela aprenda e compreenda o que se deseja ensinar e não a punindo ou a fazendo obedecer através de tapas, gritos e outros meios cruéis, afinal o chamado “tapa de amor” também dói, e dói profundamente no corpo e na alma da criança. Quando a criança é agredida por aqueles que deveriam amá-la protegê-la ela não deixa de amar os pais, mas deixa de amar a si mesma, passando a apresentar baixa autoestima, insegurança e outros problemas que ela carregará para sua vida.

Aquele que compreende a Doutrina Espírita, tem o entendimento que a criança é um Espírito imortal, que está temporariamente fragilizado na forma infantil durante os primeiros anos de vida para que possa absorver com maior facilidade os bons exemplos e renovar o caráter através do amor e do carinho com que for educado e acolhido em suas dificuldades.

De acordo com Emmanuel, na obra O Consolador, item 109: “Na infância, o Espírito é mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade, se encontrar nos pais legítimos representantes do colégio familiar”. Desta forma, o Espírita tem o conhecimento de seu dever enquanto pai ou responsável pela educação de uma criança e deve esforçar-se para dar a ela os melhores exemplos e de acolhê-la em suas necessidades, não sendo de forma alguma admissível nos dias de hoje, com toda a informação disponível, alegar desconhecimento de seu dever. Obviamente todos possuem o livre arbítrio de agir conforme sua vontade, mas serão responsáveis e colherão os frutos de suas ações seja nesta ou nas próximas encarnações, pois de acordo com O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questão 208: “O Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação; isto é para ele uma tarefa. Se nela falhar, será culpado.”

Para aqueles que desejam educar seus filhos sem violência, o principal caminho é o diálogo. As crianças, por menores que sejam, e até mesmo os bebês, têm a capacidade de compreender os adultos, desde que esses tenham a paciência de explicá-las o motivo de não poderem fazer algo ou a razão de terem que fazer algo que elas não desejam naquele momento. Através do diálogo, do estabelecimento de regras e combinados, da calma e da paciência no momento das explosões e birras, o adulto (lembre-se: você é o adulto) é perfeitamente capaz de conduzir a criança a desenvolver-se emocionalmente e moralmente ao longo de sua infância e adolescência.

De acordo com Léon Denis, na obra Depois da Morte, no item 54, Educação: “É pela educação que as gerações se transformam e aperfeiçoam. Para uma sociedade nova é necessário homens novos. Por isso, a educação desde a infância é de importância capital. Não basta à criança os elementos da Ciência. Aprender a governar-se, a conduzir-se como ser consciente e racional, é tão necessário como saber ler, escrever e contar(…) Essa tarefa, entretanto, não é tão difícil quanto se pensa, pois não exige uma ciência profunda. Pequenos e grandes podem preenchê-la, desde que se compenetrem do alvo elevado e das consequências da educação. Sobretudo, é preciso nos lembrarmos de que esses Espíritos vêm coabitar conosco para que os ajudemos a vencer os seus defeitos e os preparemos para os deveres da vida.”

Não há necessidade de temer amar demais ou dar muita atenção à uma criança, como algumas pessoas temem “estragar” os pequeninos pois não existe uma medida certa para se amar e o vínculo emocional entre pais e filhos nunca é demais. Há uma diferença entre mimar e amar, pois mimar significa fazer por ela o que ela é capaz de fazer sozinha, como comer, se vestir, etc. e essas ações devem ser estimuladas, pois isso fará com que a criança se torne independente, no entanto conversar, ouvir, abraçar, acolher no momento do choro, dar colo, beijar, dizer o quanto a ama, isso apenas fará a criança mais segura e mais feliz.

Através da educação, do amor e do respeito é possível facilitar a regeneração e a transformação dos Espíritos, elevando-os moralmente e despertando em sua delicada infância as primeiras aspirações do bem, reprimindo neles seus vícios, desenvolvendo neles suas virtudes, sua inteligência e os atendendo em suas necessidades. No entanto é necessário que o educador apresente paciência, perseverança e sabedoria durante as dificuldades deste processo, e que olhe para si mesmo no momento em que estiver perdendo o equilíbrio emocional e cuide primeiro de si para que possa assim, cuidar do outro.

Por isso é tarefa de toda a sociedade auxiliar os educadores e as crianças neste processo, através do diálogo, do apoio em momentos de dificuldade e da divulgação da informação, pois assim, mesmo aqueles que não têm educandos sob sua responsabilidade poderão auxiliar seus companheiros de jornada na educação e na transformação da sociedade, tornando o nosso planeta um lugar melhor de se viver.

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REFERÊNCIAS

1 – https://crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/ms/cartilha_impacto_violencia.pdf Acessado em 24 de Novembro de 2022, às 22:45.

2 – DENIS, Léon. Depois da morte. Ed, FEB. Rio de Janeiro. 1999.

3 -KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Matheus R. Camargo. Editora EME: Capivari/SP. 2018

4 – XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 13ª edição. Rio de Janeiro: FEB, 1986

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Mensagem de Cairbar Schutel

FRATERLUZ: O valor de um bom pensamento (Caibar Schutel)

Publicado em 04/dez/2022

Autor: Cairbar Schutel

A filosofia ensina, a reflexão constrói, a vivência enobrece. A religião que mantém seus ensinos filosóficos presos nas páginas de códigos frios, em letras mortas, não convém a evolução da criatura humana.

Assim surgiu o Espiritismo, como um farol radiante e vivo, para iluminar nossas vidas. Seus ensinos, claros e nobres, enchem nossos espíritos de sabedoria e nos fazem agir. O Espiritismo, daqueles que são verdadeiramente espiritistas, é reconhecido no dia-a-dia de conduta. Naquele que sabe mostrar-se na família, na sociedade, no templo, como bom homem, boa mulher, refletindo a filosofia aplicada em seu interior, vivida, personificada em ações do bem, sem dar ar de santo, mas sendo o melhor que pôde na vida atual. Tanto é que, nobremente, fica o esforço em progredir como a virtude dos Espíritas- Cristãos.

Saibamos que não há mais espaço para criarmos simulacros na apresentação religiosa.

Rogamos que sejam os conteúdos doutrinários, tratados pelo Espiritismo, a base do viver. Sabemos que não podemos impor, a quem quer que seja, obrigações de transformação, a custa de criarmos falsos, imitadores do homem de bem, mas preciso é destacar a necessidade primeira de refletir a filosofia para construir o homem novo.

Jesus, que o Espiritismo nos apresenta, é modelo de atos e guia de vidas. Não a inanição e sim ação de progresso.

Sigamos com a perspectiva de um dia sermos colocados como os mais próximos do Senhor.

Caíram os dogmas, fecharam as portas dos tempos nababescos, as vestais às ordens, e, deixamos de ter hierarquias, para que tudo voltasse à simplicidade, pois sem ela não há amor.

Filosofia, ciência e religião, à luz do entendimento espírita, liberta.

Cairbar Schutel (Espírito)

Médium: Alexandre Pereira

Por ocasião do 3º congresso do Espiritismo.net

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O caminho ideal para controlar nossas emoções

Paulo Velasco

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A mente humana, embora não possamos enxergar nem tocar, está implicitamente mais conectada com o nosso íntimo do que a nossa própria estrutura corpórea em si. Podemos a qualquer momento imaginar cenas atuais e futuras de nossas vidas em nossa imagem mental, sem utilizar a estrutura física; entretanto, jamais poderemos cogitar qualquer estilo de vida sem utilizar a mente.

A ciência reconhece que o cérebro ocupa a maior extensão do sistema nervoso, e também é considerado a parte mais complexa do corpo humano. Compõe-se de numerosos neurônios e aglomerações de tecidos com massa encefálica cinzenta (córtex) e branca. Esta massa encefálica predomina por todo o interior da caixa craniana, executando, através de impulsos nervosos, múltiplas missões, dentre elas: o pensamento, o reflexo condicionado, o raciocínio, a linguagem, a percepção etc.

Comenta-se demasiadamente na mídia científica sobre as vantagens que a mente pode oferecer nas transformações das nossas ideias, modificando nossa realidade existencial.

Crê-se que estamos definitivamente condicionados às fases categóricas da nossa marcha evolutiva de inteligência e intelecto, sobretudo, é necessário que a mente humana se envolva nos procedimentos de transformação, que compreendam as questões comportamentais e espirituais, englobando, principalmente, nossos sentimentos e emoções: alegria/tristeza, amor/ódio, ciúme/saudade etc., no entendimento de assumirmos consciência da nossa maturidade racional, e, consequentemente, atentarmos para a qualidade da nossa saúde mental.

O espírito André Luiz expõe o seguinte esclarecimento sobre o cérebro: “Tomemo-lo como se fosse um castelo de três andares: no primeiro situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro temos a “casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e a meta a ser alcançada. Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente”.

Logo após, André Luiz descreve o conceito de mente, elucidando-nos: “A mente é orientadora desse universo microscópico, em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes se consagram ao seu serviço. Dela emanam as correntes da vontade, determinando vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores. Colocada entre o objetivo e o subjetivo, é obrigada pela Divina Lei a aprender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, guardar, esquecer-se, iluminar-se, progredir sempre.

Do plano objetivo, recebe-lhe os atritos e as influências da luta direta; da esfera subjetiva, absorve-lhe a inspiração, mais ou menos intensa, das inteligências desencarnadas ou encarnadas que lhe são afins, e os resultados das criações mentais que lhe são peculiares. Ainda que permaneça aparentemente estacionária, a mente prossegue seu caminho, sem receios, sob a indefectível atuação das forças visíveis ou das invisíveis”.

Enquanto a psiquiatria, a neurologia e a psicanálise pesquisarem apenas a parte material do cérebro humano, não conseguirão introduzir-se no centro mais íntimo da alma, desconhecendo as principais causas da depressão, das ansiedades, das neuroses, das psicoses e dos transtornos mentais em geral, que afetam boa parte da população mundial. O Espiritismo é, no entanto, a doutrina reveladora, que pode oferecer os meios necessários para o entendimento e aprofundamento sobre a capacidade do cérebro humano no sentido mente/espírito.

Não podemos nunca subestimar a nossa capacidade de aprimoramento da conduta disciplinar, porque associando a nossa vontade aos desígnios da Lei Divina, a conquista será evidente. Atraímos para nós tudo aquilo que nossos pensamentos emitem ou aquilo que estivermos idealizando em nossas mentes.

Como já sabemos, recebemos o retorno de acordo com as nossas obras. Se plantarmos um broto de flor, no futuro colheremos belas e perfumadas flores; mas, se plantarmos ervas-daninhas, serão elas que germinarão no jardim da nossa consciência.

Paulo Velasco

Bibliografia:

Disfarces das Nossas Imperfeições, Paulo Velasco

No Mundo Maior, Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz.

Fonte: Correio Espírita

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O Magnetismo pede licença

Jacob Melo

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Desde muito jovem lido com o Magnetismo. A rigor, de forma direta e praticamente ininterrupta, já passa de 45 anos o tempo que contabilizo nesse estudo e nessa prática.

Nem sempre estive tão certo do que sabia nem aonde isso tudo me levaria, mas a certeza de que este caminho é certo e seguro nunca saiu de minha emoção nem da consciência com que me envolvi. Afinal era exatamente em Allan Kardec que eu me fundamentava; foi em suas obras que firmei minhas convicções e em quem sigo lastreado sem temer qualquer queda ou naufrágio.

Por tanto tempo, assim como dúvidas de difíceis respostas me surgiam, bênçãos e grandiosas maravilhas se descortinavam como a sinalizarem o longo trajeto a ser percorrido.

E embora jamais tenha havido em meus sentimentos qualquer réstia de anseios subalternos, algo muito forte me inquietava: “Será que as pessoas não percebem a grandiosidade dessa Ciência?”

E saí estudando, exercitando, aprendendo, aplicando, me aperfeiçoado e levando avante o que sinto ser um dos mais seguros e eficientes meios de se ajudar a qualquer criatura… E nisso vieram as palestras, as apostilas, as aulas, os cursos, os livros, as viagens…

E sigo firme, apesar de alguns momentos de passageiros desânimos. Todavia, estes não vinham em relação ao Magnetismo, mas devido ao meu não entendimento de tanta dificuldade da parte do meio espírita em entender e aplicar o que Allan Kardec e os Espíritos Superiores indicaram, insistiram e ainda seguem orientando.

Mas o tempo sempre traz as respostas às expectativas dos que semeiam.

Hoje, seguindo totalmente voltado a essa divulgação, sou agraciado com a percepção de que por todos os lados surgem novos grupos, outras sociedades e interessados das mais diversas origens ou regiões, dando-nos conta de que o Magnetismo volta a atrair o interesse de muitos, sobretudo pelos resultados irretorquíveis que apresenta ainda que nossa base teórica siga fragilizada por contarmos com bibliografia clássica ainda muito rara e restrita, e por contarmos com argumentações geradoras de atitudes excessivamente passivas e pouco produtivas, como as decorrentes de frases do tipo: “Os Espíritos fazem tudo”, “basta ter boa vontade”, “se não melhorou é porque não tem fé ou lhe falta merecimento”, “o amor é suficiente”, “só precisa impor as mãos, como fez Jesus”…

De fato, os Espíritos são fundamentais em nossas ações magnéticas, mas não podem fazer tudo; se a boa vontade é necessária, o estudo, a dedicação e a atenção são igualmente indispensáveis e intransferíveis.

As questões de fé e merecimento, ainda que existam, nos levam a refletir no que podemos e devemos fazer melhor e não usar tais argumentos como se fossem condenações aos enfermos; embora o amor seja a maior força do universo, será que temos tamanho amor em nós mesmos? Finalmente, Jesus não se limitava a impor as mãos (Ele usou os mais variados mecanismos e as mais ricas técnicas de magnetismo, basta ver Lucas, 7, 32 a 34; 8, 22 a 25) e ainda que assim o fosse, teremos nós tamanho poder, tamanho amor, tamanho conhecimento da Lei?

Com o advento da internet, da facilidade de comunicação e da rapidez com que as informações correm e percorrem o mundo, o Magnetismo pede passagem e começa a chegar aonde durante tanto tempo encontrou cerradas portas e janelas. Ficamos assim na posição de apenas abrir-lhe caminhos, oferecer-lhe nossas mãos e nosso amor, buscando aumentar o saber para melhor fazer, pois se é dando que recebemos, doemos e doemo-nos com amor e sabedoria, pois o mundo melhor que todos buscamos nasce dentro de cada um, onde magneticamente estamos todos albergados.

Como disse uma amiga, talvez o coração pudesse ser na cabeça e o cérebro no peito, assim pensaríamos com mais amor e amaríamos com mais sabedoria. Por isso mesmo posso concluir dizendo que o Magnetismo acima de tudo pede passagem na mente e no coração, não separados, mais sabiamente unidos no amor.

Jacob Melo

Fonte: Correio Espírita

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A DOCURA, A DOCILIDADE E A FIRMEZA

Os reiterados discursos em torno da caridade nem sempre levam o ouvinte a entender corretamente o significado desta virtude essencial. Talvez por desconhecimento acerca do significado real e da extensão que o conceito desta virtude atinge com o Espiritismo, expositores acabam por reduzi-lo.

O conceito de caridade surgiu muito antes da era cristã, porém, somente com Jesus e com os expoentes do pensamento cristão é que se desvinculou totalmente das suas origens romanas. Apóstolos, bispos, teólogos e filósofos procuraram através dos tempos definir o conceito de caridade; começando por Paulo de Tarso no cristianismo nascente, passando pelo genial Agostinho de Hipona, bispo, teólogo e filósofo, no inicio da idade média, por Pedro Aberlardo e Tomás de Aquino, quase no final dela,  e por Vicente de Paula, pelo Cura D`ars e por Alfonso de Liguori, na idade moderna, entre outros. Apesar de todos estes esforços foi somente com Kardec que eles foram sintetizados. Em apenas um parágrafo inscrito no capitulo “Sede Perfeitos” de o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, o codificador resumiu mais de dois mil anos de especulações acerca da caridade. Naquela simples afirmação, que passa quase despercebida ao leitor desatento e com cultura não tão profunda, ele despretenciosamente coloca o ápice de todos os esforços especulativos que o antecederam. Muitos foram os que contribuíram para esclarecer, no campo do conhecimento, este conceito central para o cristianismo, mas não poderíamos relacioná-los neste momento.

Apesar da obra esclarecedora destes luminares ainda hoje, mesmo no meio espírita o conceito de caridade continua sendo interpretado de maneira reducionista. Nós brasileiros fomos e somos prejudicados pela nossa formação histórica e cultural. A passividade é uma das mais fortes características do nosso povo. Devido a isto, observo em diversos articulistas e escritores, porém muito mais nos expositores espíritas uma séria distorção doutrinária quando lançam sobre o público despreparado ideias incoerentes sobre a caridade, levando-o a acreditar que não existe caridade fora da passividade.

A racionalidade, essa faculdade humana que não nos teria sido dada por Deus se não fosse para que a usássemos, e base mesmo da fé espírita, é jogada para o lado como se não tivesse valor. A crítica, no seu sentido original e não no pejorativo, é uma manifestação dessa fabulosa faculdade. Analisar, ponderar, decidir pelo melhor e agir é característica de espíritos que já ultrapassaram o limiar que separa os que pensam e tem coragem de agir daqueles que ainda procuram desculpas para as suas omissões. Geralmente mascaram o medo que os domina afirmando que apenas são prudentes, confundindo prudência com cautela.

A figura de Chico Xavier serviu e serve ainda para muita gente esquivar-se da grande responsabilidade que é declarar-se e ser genuinamente espírita, pois apoiam-se na imagem de um velhinho simpático, compassivo e passivo, quando a verdade é que Chico era um gigante da ação, um homem simples que não se amedrontava diante das dificuldades e ações equivocadas dos seus companheiros de ideal; muito menos se deixava ser usado por interesses nem sempre alinhados com a caridade.

No livro “A Trajetória de Um Médium” de Carlos A. Bacelli, Luiz Carlos Barbosa Nunes e Paulo de Tarso Manso, editora LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo é relatado o seguinte.

(…) Eu fui secretário da CEC [Comunhão Espírita Cristã] e participei da célebre reunião em que Chico [Xavier] se desvinculou, fundando o Grupo Espírita da Prece.

– Por que Chico saiu da Comunhão Espírita Cristã? Basicamente, porque não vinha concordando com a ação de alguns de seus diretores. A Comunhão cresceu muito – não se parava de construir e de fazer campanhas ampliatórias. Aquilo constrangia o médium que, de certa maneira, se sentia usado. Os diretores mais antigos o pressionaram para que ficasse, mas ele se mostrou irredutível. Recordo-me como se fosse hoje: Chico, com sua palavra firme e batendo com a mão espalmada sobre a mesa, dizendo: – “Enquanto vocês se consagrarem ao trabalho da caridade, Jesus não consentirá que nada lhes falte… Chico Xavier não vai fazer falta alguma!” É que os diretores, no intuito de fazê-lo mudar de ideia, alegavam que, sem ele, as tarefas assistenciais da Instituição não poderiam seguir adiante.

– À época, quantos anos você tinha? Pouco mais de vinte, ainda. Estava, praticamente, começando na Doutrina. Ao se levantar para ir embora, Chico virou-se para mim e disse, apontando a cadeira em que, habitualmente, se sentava para psicografar (eu estava completamente atordoado!): – “Agora, você tome cuidado, porque vão querer colocar você sentado ali…”

– Chico não possuía temperamento dócil? Dócil, mas não passivo. A disciplina que ele se impunha abrangia também as suas convicções pessoais. Chico foi o espírito mais determinado que tive oportunidade de conhecer nesta encarnação. Não tomava decisões precipitadas, mas, quando as tomava, dificilmente voltava atrás.

O que este relato demonstra é que nas ações caritativas, sejam elas beneficentes ou benevolentes, materiais ou espirituais, a firmeza não está dissociada da doçura. A firmeza, algumas vezes levada até as ações e palavras mais enérgicas, não é ação anti-caridosa. Firmeza significa perseverança no ideal, conduta constante rumo a um determinado fim, sem desvios.

No entanto, devemos diferenciar doçura de docilidade. O autor do relato nos diz que chico era dócil. Eu acredito que realmente ele era assim. Mas docilidade quer dizer maleabilidade, ser conduzido com facilidade. Chico era um médium dócil para Emmanuel, por exemplo. A doçura, por sua vez quer dizer que alguém é afável, sem asperezas, não é rude nem trata os outros com indelicadeza. Chico combinava todas estas virtudes de uma maneira especial. Era doce, dócil e firme, quer dizer, observava, escutava, falava sem agredir, mas, para usar uma expressão popular, mas ninguém o “levava no bico” ou o “tirava pra cumpadre”. Enfim, era doce porém firme em suas decisões, sem deixar por isso de ser um exemplo de homem de bem.

Não estou, aqui, fazendo a defesa de quem quer que seja, apenas apresento um relato que suponho verossímil e verdadeiro. Espíritos de escol, como Chico Xavier, não vem à Terra para brincar com coisas sérias; já abandonaram as indecisões e caminham rumo aos planos mais altos onde o medo é penas uma lembrança dos tempos de inferioridade moral.

Por Ivomar Costa

Fonte: Espiritismo: Centros e Movimentos

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Revelações do Espírito “André Luiz” em Revista Científica

Revelações de André Luiz em Revista Científica

As informações inusitadas sobre fisiologia humana, principalmente sobre a glândula pineal, e os processos sobre os quais se originam doenças, revelados pelos livros do Espírito André Luiz, psicografados por Chico Xavier, foram objeto de um artigo para uma importantíssima revista médica europeia chamada Neuroendocrinology Letters [volume 34, nº 8, 2013], de repercussão mundial. O acontecimento virou notícia na edição de número 113, do primeiro trimestre do ano, da revista Saúde e Espiritualidade, da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME – Brasil), que publicou a matéria Mediunidade de Chico Xavier faz parte da literatura científica mundial, assinada pelo endocrinologista Jorge Cecílio Daher Júnior, atual secretário da AME-Brasil.

André Luiz antecipou informações que foram postuladas, pesquisadas e confirmadas sessenta anos depois da publicação do livro Missionários da Luz. A publicação do artigo intitulado Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (Aspectos históricos e culturais da glândula pineal: uma comparação entre as teorias apresentadas pelo Espiritismo na década de 1940 e as atuais evidências científicas) representa um marco histórico, pois coroa a entrada de Chico Xavier em uma das mais respeitadas bases de dados da literatura médica mundial, o PubMed. O artigo demonstrou que a mediunidade é uma forma de obtenção não usual do conhecimento e que Francisco Cândido Xavier, através de André Luiz, trouxe colaboração inusitada à Ciência Médica – ressalta a matéria.

Liderado pelo Dr. Giancarlo Luchetti, o estudo, que contou com o apoio do Departamento de Pesquisas da AME-Brasil, levantou as informações sobre a glândula pineal contidas nos livros de André Luiz, comparando-as com os conhecimentos da época em que as obras foram produzidas e também com os conhecimentos que a ciência obteve nos últimos anos.

(…) em 1945, o livro Missionários da Luz trouxe vinte e uma informações a respeito da glândula pineal, em apenas dois capítulos do extenso livro. (…) A título de informação, durante toda a década de 1950, os artigos médicos sobre a glândula pineal publicados na literatura científica não somam uma centena. Na última década, ultrapassam dez mil artigos – explica o autor da matéria, ressaltando mais à frente que o artigo foi publicado em uma revista de endocrinologia, especialidade eminentemente técnica e não especulativa, e por editores que têm por linha editorial a divulgação de revisões de conhecimentos sólidos na área da Neuroendrocrinologia.

Isso significa que a aceitação do artigo para publicação, sem exigência de revisão, pode ser entendida como a aceitação que as informações de André Luiz eram cientificamente válidas e apropriadas.

A matéria completa pode ser lida          em http://pt.calameo.com/read/000143697bd48a366b974, onde está também a íntegra, em inglês, do estudo.

Fonte: kardecriopreto.com.br

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O debate sobre ciência e espiritualidade no mundo

Por Eliana Haddad

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Um simpósio reunindo os maiores líderes em pesquisa sobre espiritualidade e saúde mobilizou, agora em setembro, quase 700 pessoas de diversos pontos do mundo, interessadas na discussão dos estudos científicos sobre o tema, especialmente as implicações para a saúde, para a compreensão da consciência e da natureza humana. O evento foi realizado virtualmente pelo Nupes – Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora – e coordenado por seu diretor, o professor de psiquiatria Alexander Moreira-Almeida. Convidado a falar sobre esse momento significativo, envolvendo ciência e espiritualidade, Alexander nos concedeu esta esclarecedora entrevista.

 

O que muda na ciência com as descobertas sobre a relação saúde e espiritualidade?

Muda muita coisa. O primeiro ponto é sobre duas ideias que existiam com certa frequência no ambiente científico: que a espiritualidade e a religiosidade não seriam importantes no mundo moderno, e que teriam um impacto negativo sobre a saúde. Entretanto, os achados atuais dizem exatamente o inverso: a imensa maioria da humanidade possui uma religião, 84%, e mesmo dos 16% restantes, a grande maioria possui alguma forma de espiritualidade. Hoje, há milhares de estudos evidenciando que maiores níveis de envolvimento religioso e espiritual estão geralmente associados a melhor saúde. Então, o que muda? A ciência reconhece que esse é um tema relevante na atualidade, e, do ponto de vista da prática clínica, nós, profissionais de saúde, médicos, psicólogos, enfermeiros, precisamos levar em consideração a espiritualidade do paciente, já que ela impacta no modo como o paciente lida com a doença e até mesmo na evolução do seu quadro clínico.

Há muitas pesquisas sobre a existência da consciência fora do corpo. Em que etapa estamos para a mudança do paradigma materialista?

Desde meados do século 19, há pesquisas, do ponto de vista científico, sobre a possibilidade da consciência, da mente, existir fora do corpo. Ou seja, ela não seria apenas um fruto da atividade do cérebro, onde, morrendo o cérebro, morreria a consciência. Na realidade, há uma ampla gama de pesquisas sendo desenvolvidas. Por exemplo, pesquisas de experiência de quase-morte. Em situações de parada cardíaca, em que o cérebro não está mais funcionando por não ter mais oxigenação e circulação sanguínea, e que, apesar disso, o paciente está lúcido, conseguindo descrever depois situações que aconteceram durante o momento da parada cardíaca. Também há experiências mediúnicas em que as pessoas produzem informações compatíveis com uma pessoa falecida, informações e habilidades, como poesia, por exemplo, a que o médium não teria acesso. Crianças pequenas que alegam possuir lembranças de vidas passadas e, muitas vezes, lembranças bastante precisas, para as quais também não se identifica um modo pelo qual elas poderiam ter tido acesso a essas informações. São algumas das pesquisas mais estudadas atualmente e que nós também estamos investigando aqui no Nupes.

É possível citar Kardec como teoria para explicar ao meio acadêmico os fenômenos anímicos ou mediúnicos?

O que o meio acadêmico pode fazer é analisar vários modos como as pessoas lidaram e como tentaram explicar os fenômenos espirituais. Assim, academicamente, pode-se estudar Kardec e o próprio espiritismo, como uma tentativa — como Kardec se propunha — de explorar, baseado em evidências, a espiritualidade. Qualquer outra pessoa que tenha proposto modos de se abordar o tema pode e deve ser investigada.

Qual o impacto do estudo sobre espiritualidade nos estudantes de medicina?

Os estudantes de medicina de um modo geral recebem de forma muito positiva esses estudos, embora a maior parte dos estudantes da área da saúde não receba nenhum tipo de treinamento nesse campo, o que seria muito importante. Hoje, há diretrizes, por exemplo, da Associação Mundial de Psiquiatria, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomendando o estudo e até a inclusão de treinamento dos profissionais de saúde sobre aspectos da espiritualidade. Isso porque faz parte de uma compreensão mais ampla do indivíduo, e, é claro, quando eu levo em consideração a espiritualidade, não estou negando os aspectos biológicos, psicológicos e sociais. O que nós defendemos é uma abordagem biopsicossocioespiritual, ou seja, que contemple todas as dimensões do ser humano.

O Nupes realiza várias pesquisas sobre espiritualidade. O espírito, afinal, é da alçada de qual ciência?

Depende de qual é a ideia em termos de espírito ser da alçada da ciência. Se eu entender como espírito a noção da mente, aquilo que nós sentimos, ou somos interiormente, ele pode ser investigado cientificamente, especialmente quando tiver implicações empiricamente verificáveis, ou seja, há consequências que podem ser investigadas. Por exemplo, uma experiência fora do corpo, dentro de uma experiência de quase-morte. Não vai ser possível medir e ver se realmente tem uma consciência ou um espírito fora do corpo. Mas pode haver consequências empiricamente verificáveis. Ou seja, a pessoa volta da parada cardíaca, descreve o que aconteceu e você pode estudar o impacto dessa vivência sobre o indivíduo e até o grau de precisão das informações que o indivíduo traz. Do mesmo modo, uma criança que refere a vidas passadas. Você não tem como acompanhar um espírito de uma vida pra outra, mas você pode ver o que essa criança relata, como ela poderia ter acesso às informações, se elas são verídicas ou não. Neste aspecto, sim, o espírito seria indiretamente passível de avaliação pela ciência. Mas, lembrando, a ciência é um dos aspectos, a filosofia e a própria religião são outros modos de explorar as experiências espirituais.

O conhecimento do espiritismo contribui para as pesquisas em psiquiatria na atualidade?

O espiritismo tem uma relação muito importante com a psiquiatria desde o começo. Primeiro, chamando a atenção para a importância da dimensão espiritual para a saúde do indivíduo, e hoje em dia esse é um assunto bem aceito. Também o espiritismo foi um grande responsável pela criação de hospitais psiquiátricos em nosso país, para prestar assistência a pessoas portadoras de transtornos mentais graves. Inclusive, essa é uma das características do desenvolvimento da psiquiatria no Brasil. Que eu tenha notícia, em nenhum outro país do mundo fundaram-se hospitais psiquiátricos espíritas, e no Brasil existiram dezenas deles, muitos ainda em atividade. Um outro ponto também importante da contribuição do espiritismo foi chamar a atenção para a realidade dos fenômenos espirituais, como a própria mediunidade, para que os cientistas pudessem compreender melhor a mente humana. O conceito científico que nós temos de uma mente inconsciente surgiu em grande parte em estudos na Europa sobre médiuns em situações de transe, por exemplo.

Que papel o Brasil vem desempenhando no campo da ciência com as pesquisas e descobertas acadêmicas sobre a espiritualidade?

O Brasil atualmente é um protagonista importante no mundo na área de pesquisas em espiritualidade e saúde. Na ciência como um todo, o Brasil ocupa o 13º lugar em número de artigos científicos publicados em bases internacionais.  Enquanto que no campo da espiritualidade e saúde, está entre o 5º e o 6º lugar, ou seja, é um dos países que mais produz academicamente sobre o assunto. São pesquisas na área da medicina, na psiquiatria especialmente, também no campo da enfermagem e psicologia. Assim, temos colaborado, investigando, mostrando que os achados de pesquisas em populações europeias e americanas, por exemplo, se aplicam no Brasil, e sobre as especificidades e as experiências religiosas que existem em nosso país.

O Nupes também coordena o Projeto Allan Kardec na UFJF. Isso pode sugerir que o meio acadêmico esteja se abrindo mais ao espiritismo como ciência?

O projeto Allan Kardec na UFJF tem grande importância porque Allan Kardec é provavelmente o pensador francês de maior influência no Brasil, o autor com mais livros vendidos aqui, são dezenas de milhões de exemplares, influenciando milhões de pessoas. Infelizmente, no meio acadêmico, há muito pouco estudo sobre Allan Kardec em si. E uma das grandes lacunas era justamente a falta de fontes primárias, ou seja, de documentos, manuscritos de Kardec. Felizmente, a partir de parcerias com diversas instituições, o Projeto Allan Kardec da UFJF tem disponibilizado dezenas de manuscritos e outros documentos pessoais dele, em português e em francês, para que, tanto o público em geral quanto o público acadêmico possam estudar e investigar com mais detalhes a sua vida, a sua obra, como ele elaborou o espiritismo e o seu consequente impacto.

O Simpósio Ciência da Espiritualidade, realizado em setembro, contou com a participação dos sete maiores pesquisadores sobre o tema no mundo. Como você avalia o interesse pelo espírito fora do Brasil?

Sim, nós ficamos muito felizes. O Simpósio Ciência da Espiritualidade, que celebrou os 15 anos do Nupes, do nosso grupo de pesquisa na UFJF, contou com quase 700 participantes de 18 países, mostrando um grande interesse internacional sobre o tema, tanto no meio acadêmico, quanto no público em geral, para a temática das pesquisas em espiritualidade. Mas eu ainda acho que, no Brasil, temos uma abertura ainda maior, um potencial de avançar e de colaborar cada vez mais nesse sentido. Ainda falando sobre o interesse internacional sobre o assunto, as maiores universidades do mundo têm centros de pesquisa em espiritualidade e ciência, como, por exemplo, Harvard, Cambridge e Oxford.

Quais os entraves enfrentados para levar para o debate acadêmico um tema que para nós já é tão evidente?

Para dizer a verdade, acho que existem menos barreiras do que eu imaginava. Nessa área, o rigor científico exigido é ainda maior. Um dos problemas frequentes está no interior do campo. Muitas vezes, as pesquisas não são tão boas na questão da qualidade, sendo desenvolvidas mais pelo entusiasmo ou pela fé do que pelo rigor científico. Isso é um grande problema nessa área, porque a meta das pesquisas não deve ser uma questão de proselitismo, de provar a qualquer custo uma ideia, mas de estudar cuidadosamente a realidade, buscar a verdade, seja ela qual for, com o máximo de rigor e prudência.

Também há problemas externos, um deles é o que nós chamamos de cientificismo materialista. É a ideia equivocada de que o estudo científico da matéria seria capaz de explicar tudo o que existe, e que tudo o que existe estaria restrito à matéria, a forças ou partículas físicas. Essa crença, que muitas vezes se transforma num dogma, faz com que as pessoas excluam a priori, qualquer possibilidade de existência, por exemplo, da consciência extrafísica, considerando isso necessariamente uma superstição ou algum erro científico ou metodológico. Para combater esse equívoco é preciso mostrar — como já é muito bem reconhecido na área da filosofia e entre os pesquisadores de qualidade — que o fisicalismo (pensar que tudo o que existe é matéria), é uma crença, é uma metafisica, não é um fato científico e que não é necessário assumi-lo para realizar a ciência. Na realidade, a maioria dos fundadores da ciência moderna e muitos dos principais líderes da ciência atual não  aceitam o fisicalismo.

Vários estudos já demonstram que pessoas envolvidas com religiões e espiritualidade tendem a viver mais, a apresentar menores índices de depressão, a lidar melhor com as adversidades. Qual o próximo passo? O que esperar do futuro?

Não há mais dúvidas sobre o impacto da espiritualidade sobre a saúde. Um dos desafios práticos agora é ensinar aos profissionais de saúde como abordar este tema de modo ético e baseado em evidências, jamais impondo visões, crenças, mas levando em consideração o que o paciente vivencia. Outro grande desafio é a abordagem efetiva das experiências espirituais. São elas que geram as crenças espirituais. Devemos estudar com mais detalhes essas experiências, as suas características e até mesmo a sua origem, até quanto elas podem indicar efetivamente esse lado extramaterial do ser humano.

15 de outubro de 2021

Fonte: correio.news

Saiba mais sobre o tema: TV NUPES (www.youtube.com/nupesufjf), e site do NUPES (www.nupes.ufjf.br).

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A renovação exige coragem e perseverança

Leda Maria Flaborea

O trabalho de renovação das disposições íntimas vai exigir, de todo aquele que se proponha executá-lo, perseverança e determinação. Perseverança, por causa da necessidade da repetição contínua e sistemática na correção do desvio feito nos caminhos da existência, e determinação, para que não se abandone o comprometimento com essa nova atitude.

As ideias fantasiosas que temos sobre renovação deixam-nos manietados a outros erros, e iludidos na certeza de que a estamos realizando. Quase sempre, por desconhecimento, apenas trocamos o nome, o rótulo de antigos enganos, que insistimos em manter – nos apraz tal situação –, distorcendo o verdadeiro significado de tal fato.

Esse engano, parece-nos, está ligado à noção equivocada de que estamos, realmente, comprometidos com a mudança e que a estamos realizando. Mas a verdade é que, se observarmos nossa conduta, poderemos perceber, muitas vezes, que insistimos em cometer os mesmos erros, fazendo as mesmas escolhas e guardando a certeza de que já havíamos superado essa fase. Todavia, a consciência dessa repetência permitirá que nos coloquemos em alerta, porque nos permitirá saber que, ainda, estamos no início da caminhada e distantes dessa superação.

As situações, nas quais somos chamados a dar testemunho daquilo que já aprendemos – e quase sempre supomos que já o fizemos –, constituem-se em excelentes vitrines para essas observações. São armadilhas que surgem para que nos testemos, para que tenhamos um parâmetro da nossa evolução, para que possamos medir o quanto, ainda, a paciência, a tolerância com as diferenças, o entendimento fraterno a quem nos agride, a capacidade de perdoar e esquecer e tantos outros, que imaginávamos já dominar, estão longe do ideal da prática amorosa que Jesus nos ensinou.

São decepções que infligimos a nós mesmos e que sacodem a nossa acomodação, no pouco que fizemos, mas que supomos ser muito. É importante lembrar aqui que qualquer avanço na senda do progresso é louvável e, às vezes, requer muito esforço de quem o executa. O que não pode ocorrer é a estagnação desse movimento renovador, com a justificativa de que muito já foi feito. Isso nos desequilibra e nos adoece física e emocionalmente, permitindo que, inúmeras vezes, sejamos alvos fáceis de aproximação de outras mentes em desalinho, sejam elas encarnadas ou desencarnadas.

Por essa razão, a superação de sentimentos inferiores, sob o ponto de vista de Jesus, como os de revide, vingança, vaidade, personalismo, por exemplo – expressões do egoísmo na vida de relação –, é de vital importância para a recuperação e manutenção do equilíbrio e da harmonia no âmbito da vida íntima. É essa condição que nos permitirá não sermos feridos pelas correntes aflitivas e conflitantes que nos cercam, proporcionando um outro olhar sobre essas armadilhas, um olhar com objetividade, dando a cada situação o justo peso de importância.

Para que isso ocorra, faz-se mister buscar conhecer nossos sentimentos – raiz de nossas escolhas –, dimensioná-los, estabelecendo prioridades para serem trabalhadas, com foco nas suas transformações, partindo do mais simples e, portanto, do mais fácil – aquele mais imediato, mais próximo, que está mais claro para nós – para o mais complexo e mais difícil.

O mais importante nesse processo, em última análise, é ter a coragem de identificar esses sentimentos malsãos, iniciar a tarefa de renovação e, depois, permanecer nesse caminho. Passeando entre a luz e a sombra, a razão e a emoção, nunca acertaremos a rota se não nos comprometermos com a mudança e perseverar nela, mesmo que se tenha de refazer os passos mil vezes.

Muitos de nós creem que somente a fé em Deus seja suficiente para que essas mudanças ocorram. Entretanto, a proposta de renovação, que Jesus nos convida a realizar, transcende a simples fé divina. Ela vai além e toca na essência do Espírito, na vontade genuína de realizá-la. Daí, a presença dessas duas forças transformadoras em nós: a fé humana e a fé divina, porque, ainda que se aceite a soberana presença de Deus em nossa vida; ainda que a fé nos leve a adorá-lo em Espírito e Verdade; ainda que a Natureza O revele através das belezas que nos cercam, se não O sentirmos e mostrarmos ao mundo, através de nossas atitudes, nada terá sentido. Aceitar a Sua presença e não vê-lo no próximo é cegueira mental; adorá-lO em Espírito e Verdade e só colocá-lo em altares terrenos é diminuir-Lhe a majestade; e vê-lO revelado em Suas obras e não entendê-lo é olhar-se no espelho e não reconhecê-lo em si mesmo.

É na busca dessa identidade com o Criador que reside nossa luta renovadora. “O Pai e eu somos um só”, disse Jesus, mostrando que somente pela superação de nós mesmos e da materialidade na qual insistimos em permanecer, seremos livres e nos reconheceremos, finalmente, como filhos de Deus.

Leda Maria Flaborea

Fonte: Espiritismo na Rede

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