Psicopatia no entendimento Espírita

Rafaela Paes de Campos

Em termos conceituais, o psicopata é o indivíduo compreendido de forma clínica como perverso e detentor de distúrbios mentais graves que afetam sua maneira de interagir com outros indivíduos, eis que eles se comportam de forma irregular e antissocial. Geralmente são extremamente egoístas, desprovidos de afeto, culpa ou quaisquer emoções, sendo que essas só se voltam ao seu próprio bem-estar. Por fim, pode-se dizer que sentem prazer com o sofrimento alheio (SIGNIFICADOS, 2022, on-line).

Do ponto de vista Espírita, tem-se importante contribuição sobre o tema no site O Consolador, onde o médico Leonardo Machado aduz em artigo escrito por Astolfo de Oliveira Filho:

“O Espiritismo reconhece, sim, este problema. Tendo em vista a imortalidade da alma, identifica-o, porém, como um estado transitório de imperfeição do ser. São, em geral, Espíritos, por diversos motivos, com grande revolta para com as Leis Divinas. Muito dificilmente, contudo, eles conseguirão uma melhora total (às vezes, nem mesmo parcial) em uma existência somente. Só no decorrer das reencarnações, problemas tão graves são solucionados” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).

Pode-se compreender, portanto, que seguindo a lógica do aprendizado Espírita, são indivíduos ainda imperfeitos como todos nós o somos, mas que carregam ainda grandes revoltas que os compelem ao mal e aos erros grotescos, o que, via de regra, não se soluciona em apenas uma existência, pautando na sua pluralidade a resolução da gravidade que ainda portam. E segue:

“Eles também são destinados à perfeição, e um dia (certamente com grande demora para a nossa mentalidade humana) irão tomar consciência da Lei Divina e ter a capacidade de sentir culpa. Cada ser quando desencarna, fica no ‘céu ou no inferno’ mental que criou, e isto não é diferente com estas pessoas” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).

Como não poderia deixar de ser, todos somos criados com o objetivo intrínseco de evoluir e chegar à perfeição relativa. Assim ocorre com esses indivíduos, que possuem a mesma destinação que qualquer outro Espírito criado, mas que ainda se encontra envolto pelas névoas da maldade e da isenção em relação aos sentimentos alheios, o que, como dito, será atenuado e solucionado por meio das reencarnações.

Importante ressaltar que nesses casos, tão perversos e chocantes, não há que se falar em uma destinação absoluta aos acontecimentos que ocorrem, ou seja, não há no planejamento reencarnatório da vítima e nem do algoz o estabelecimento de tais ocorrências, eis que isso fugiria a todo e qualquer sentido do que nos ensina o Espiritismo. Se a ‘missão’ de todos nós, ao encarnar, é seguir na trilha evolutiva, o planejamento reencarnatório que previsse acontecimentos violentos e desumanos levaria uma das partes ao acúmulo de mais débitos, indo contra as Leis de Deus, as quais Ele jamais descumpre.

Todo e qualquer planejamento prevê a ordem de coisas que cada Espírito precisa passar para que suba mais degraus da escala Espiritual, e ser o assassino de uma ou mais pessoas não faria com que esse ‘roteiro’ fosse cumprido, e isso é uma questão lógica. Desta forma, segue o texto já mencionado:

“Como todo ser, eles também foram criados simples e ignorantes da Lei por Deus. E, como todos têm a liberdade de escolha, a existência deste problema não é uma criação do Pai, mas uma liberdade individual. Muitas vezes, Espíritos desencarnados ‘pseudo-comandantes das trevas’ são claramente psicopatas, quando desafiam as Leis do Universo, querendo fazer justiça com as próprias mãos, ou ficando insistentemente no mal” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).

Trata-se do mais puro e simples exercício do livre-arbítrio, faculdade que todos nós possuímos e da qual lançamos mão diversas vezes ao longo dos nossos dias, sempre que fazemos uma escolha. O indivíduo portador da psicopatia assim o faz, escolhe enveredar-se pelas sombras da perversidade, atingindo vidas inocentes e isso de sua escolha, caminho que aceitou e quis trilhar. A vítima não estava predestinada, é apenas uma vítima!

“Quando, no entanto, o erro afeta muitas pessoas e é muito profundo, a liberdade deles é constrangida, por exemplo, em processos de reencarnações compulsórias em corpos com grandes deficiências, em verdadeira aprendizagem na Terra. Em outras situações, são exilados do planeta para o bem do progresso geral, indo para outros planetas mais inferiores, onde poderão expiar as faltas e ajudar com o desenvolvimento intelectual do orbe de exílio” (OLIVEIRA FILHO apud MACHADO, 2011, on-line).

Por certo que, conforme nos leciona a Doutrina Espírita, o livre-arbítrio pode ser tolhido quando seu mau uso afeta de forma contundente as pessoas ao redor, o que é o caso, sendo então este Espírito impulsionado a uma encarnação compulsória de expiação onde inicie o resgate de seus débitos, assim como pode ser exilado a um orbe que ainda guarde sintonia com a sua vibração e onde sua superioridade meramente intelectual auxilie na evolução do planeta então habitado.

Finaliza-se dizendo que estamos inseridos numa coletividade de almas, cada qual em um nível evolutivo diferente, e isso faz com que salte aos nossos olhos, um pouco mais adiantados que outros, a maldade que faz parte dos noticiários e para a qual não encontramos explicação.

Esta maldade só é combatida e atenuada pela educação, conforme leciona O Livro dos Espíritos:

[…] Ele pode, por provação e por expiação, escolher uma existência em que sentirá as seduções do crime, seja pelo meio em que se encontra, seja por circunstâncias inesperadas, mas ele é sempre livre para agir ou não agir. Assim, quando se está no estado de Espírito, o livre-arbítrio consiste na escolha da existência e das provações, e, no estado corporal, na capacidade de ceder ou resistir às atrações a que somos voluntariamente expostos. Cabe à educação combater essas más tendências […]” (KARDEC, 2022, questão 872).

Portanto, estejamos sempre atentos e vigilantes ao nosso redor, observando as inclinações dos que nos cercam para que possamos agir de forma proativa, eis que a Ciência terrena está aí para servir de base para o controle e possível atenuação de descontroles que possam fazer surgir males inenarráveis.

Rafaela Paes de Campos

Fonte: Letra Espírita

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REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes: Editora Letra Espírita, 2022.

OLIVEIRA FILHO, Astolfo. O Espiritismo responde, com base em respostas de Leonardo Machado. Disponível em: http://www.oconsolador.com.br/ano4/197/oespiritismoresponde.html. Acesso em: 17 de novembro de 2022.

SIGNIFICADOS. Psicopata. Disponível em: https://www.significados.com.br/psicopata/. Acesso em: 17 de novembro de 2022.

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Pacificação da Terra

Redação FE

É da lei de Deus que vivamos em sociedade, seja enquanto estejamos encarnados ou mesmo desencarnados. É pela experiência que obtemos vivendo em grupos, famílias e comunidades que amadurecemos o nosso desejo de estabelecer valores e atitudes que possam nos auxiliar a conquistar um bom convívio social, com harmonia e paz entre todos. Diante disso, como deve ser a postura do espírita para que essa convivência em sociedade seja coerente com os princípios do Evangelho? Sem dúvida, o ponto essencial será sempre observar o comportamento de Jesus, enquanto esteve entre nós, como maior e única inspiração que possa nos guiar em todos os momentos da caminhada.

No entanto, nem sempre conseguimos traduzir os ensinamentos do Mestre para a nossa própria realidade pessoal. E para nos auxiliar na compreensão das lições de Jesus, a fim de que possamos progredir na jornada, a Misericórdia Divina nos dá valiosas ferramentas ao longo do percurso. Foi assim quando Allan Kardec publicou O Evangelho segundo o Espiritismo, no século XIX, obra que explica e comenta as passagens do Evangelho original com a ajuda da Espiritualidade Superior, para que possamos ampliar o nosso entendimento.

Esse esforço de aprofundarmos o nosso próprio entendimento se faz cada vez mais necessário, mais ainda agora, quando nos encontramos na etapa de transformação do nosso planeta, que se prepara para passar da categoria de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração. São tempos que exigem de nós todos os esforços para a pacificação e a harmonia, no Brasil e no mundo.

No capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, “Sede perfeitos”, encontramos inúmeras informações úteis para essa caminhada. Logo no início, Jesus nos convida: “Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos?”

Não nos é difícil entender o convite amoroso feito por Ele para todos nós, mas será que temos conseguido colocá-lo em prática no nosso dia a dia?

Jesus nos explica que a perfeição moral que Ele nos pede consiste “em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem”. Ele mostra, desse modo, que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção e que devemos aplicá-la para todos, e não somente para aqueles que pensam ou agem como queremos. Essa é a base segura da pacificação no mundo, que tanto precisamos. O amor que une, compreende e jamais julga ou repele um irmão. Temos conseguido agir assim verdadeiramente?

A conquista desse amor incondicional é sempre o indício da nossa maior ou menor superioridade moral, pois o grau da nossa perfeição está na razão direta da capacidade de amarmos sem restrições, sem impor quaisquer condições.

O capítulo XVII nos explica além, detalhando o que seria o verdadeiro homem de bem e o verdadeiro espírita. Vale a pena a leitura e o estudo dos textos, a fim de podermos observar as nossas próprias atitudes para avançarmos no autoaperfeiçoamento.

Vemos, portanto, nesse capítulo, que o verdadeiro homem de bem é aquele que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza. É aquele que interroga a própria consciência sobre seus atos e pergunta todos os dias a si mesmo se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desperdiçou alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez ao outro tudo o que desejaria que lhe fizessem.

Encontramos, ainda, a descrição do verdadeiro homem de bem como aquele que tem fé inabalável em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Porque sabe que sem a sua permissão nada acontece.

Esse verdadeiro homem de bem compreende a transitoriedade dos bens materiais, das circunstâncias do mundo e das perdas temporárias da vida, pois somente o que vem de Deus é eterno. Ele faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, e retribui o mal com o bem. Sacrifica seus interesses pessoais pelo que é melhor para todos, porque seu primeiro impulso é pensar nos outros antes de pensar em si, cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse.

Não faz distinção de raças ou crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros as convicções diferentes das suas e não critica os que não pensam como ele. Não profere palavras malévolas, que possam ferir o outro, que possam causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira. É indulgente com as fraquezas alheias, porque sabe que também vai precisar de indulgência, e tem bem claro na cabeça aquela sentença do Cristo: “Atire a primeira pedra aquele que se achar sem pecado”.

O Evangelho inteiro é o verdadeiro manual prático para a vida, nos auxiliando a entender a melhor atitude para todo e qualquer desafio que se apresente. Infelizmente, a sociedade humana, não tendo jamais compreendido a grandeza das lições de Jesus, criou, ao longo da história, religiões segregadas umas das outras, dogmas e interpretações divergentes que afastaram as lições de Jesus de sua simplicidade original, impedindo assim que suas palavras pudessem exercer o seu papel de harmonizar e pacificar os corações de todos nós. Criou-se, até mesmo, certa resistência ao se falar sobre Jesus, como se fosse algo reservado somente àqueles que professam alguma religião. É importante salientar, porém, que as lições de Jesus são absolutamente necessárias para todos nós, pois Ele veio para nos mostrar como viver em harmonia com Deus, em harmonia com as leis imutáveis que regem todo o Universo, para vivermos em paz uns com os outros.

Concluímos com as palavras do apóstolo Paulo de Tarso, numa mensagem que aparece no capítulo XV, “Fora da Caridade não há salvação”: “Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam”.

Fonte: Folha Espírita

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Questões de consciência…

E, assim, pois, como tudo no Mundo, vamos ficando mais velhos, e, consequentemente, mais maduros…

E, de minha parte, vejo que estou um tanto mais humilde, pensativo e calado, falando, pois, e, escrevendo, pois, quando vem a ordem, a ideia, a participação conjunta de nós todos para o trabalho imprescindível de nossa Evangelização que, chegando a mim, também há de chegar a vós, e, mais adiante, a todos os povos da comunidade terrena…

Pelo menos é o que nos parece; e, isto, pois, por alguns fatos ocorridos em nossa modesta vida de espiritista, ou, se o quisermos: de Cristão Redivivo pelo Consolador, hoje representado pelo que se conhece como Espiritismo: Doutrina dos Espíritos Superiores ao Comando daquele mesmo Mestre: Soberano Jesus.

Ainda ontem, aparando o gramado do meu pequeno jardim à frente da casa, jardim este que se encontra cercado por uma pequena grade metálica, fôramos surpreendidos por uma dama, que, cruzando a calçada que margeia a rua de nosso modesto bairro, dirigira-se a mim questionando: “Você que é o dono do Centro?”

E, não sei por que cargas d’água lhe respondi com alguma afetuosidade na voz: “Olha, falando a verdade o dono é Jesus!”

E não é que eu próprio me surpreendi com aquilo, com minha resposta simples, porém, repleta de tanta verdade?

Ora, consultando-se a Mateus (28-18), temos, da parte de Jesus, que: “É-me dado todo o poder no Céu e na Terra” (Opus Cit.).

E, pois, se lhe é dado todo o poder, Jesus seria, ou, É – por aí mesmo, e, pois, conforme o Espiritismo que lhe completa doutrinariamente o magistral ensino -, o Médium de Deus na condição de Escultor do nosso Planeta, bem como de seu satélite lunar, desde suas origens de há 4,5 bilhões de anos atrás:

“Com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do Orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça”.

“Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda parte do universo galáxico”.

“Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao nascimento no Mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no Orbe”.

“Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias”. (Vide: A Caminho da Luz – FCX – Emmanuel – 1938).

E tudo isto, pois, é meio estonteante a nós Todos, de Sua Direção planetária desde sua origem, comandando e coordenando Tudo; e, mais ainda, este finalzinho é deveras expressivo quando fala de nós mesmos, dessa humanidade do nosso tempo e dos tempos futuros, donde vemos, por aí, que tudo quanto experienciamos: ontem, hoje, e, óbvio, ainda teremos por experienciar, já constavam dos planos do Mestre divino de nós todos: o Senhor Jesus.

Porém, há mais, muito mais do grandiosíssimo espetáculo da criação nas mãos amoráveis do Cristo e de seus prepostos desde o início de tudo do nosso Mundo, de seus reinos diversos até ao Homem, e pois, de nossa real condição ante os demais Mundos do Sistema Solar, de suas órbitas cíclicas, complexas e tudo o mais.

Donde tudo, pois, se movimenta às cercanias de uma luminosa galáxia, de seus Mundos habitados, desconhecidos, e, pois, de suas respectivas e complexas dimensões, donde Tudo nos deixa pensativos, boquiabertos e, pois, admirados ante tão vasta floresta de estrelas, seus planetas, humanidades outras, seus mistérios e tudo o mais.

E, se o Cristo participara e participa de tudo isso, e muito mais ainda, temos que, de fato, é Ele o Comandante Divino do nosso modesto Orbe terreno, seus países, suas instituições, chefes e tudo o mais, e, óbvio, até nós, Seres humanos mais comuns, ou, um tanto mais modestos da comunidade terrena, que, pois, é também partícipe da imensa comunidade sideral.

E tem gente por aí que se acha…

Tem gente por aí que não enxerga um palmo além do seu nariz…

Gente que pensa ser melhor que os outros, que são os maiorais, dando carteiradas, e, pois, praticando o mal e não o Bem, esquecendo que, por aqui, tudo passa, e que ele – ou ela – também vão passar, pois do pó vieram e, pois, para o pó seus corpos vão voltar, restando, pois, ao Espírito sobrevivente o acerto para com o Pai, para com Jesus: o Mestre dos Mestres terrenais, que sua consciência sombria não quisera escutar.

Fernando Rosemberg Patrocínio

Fonte: Espiritismo na Rede

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Notas sobre as leis morais

Manoel Fernandes Neto

“O Espiritismo só será maior quando nós avançarmos com seus saberes sem que a todo momento tenhamos que lembrar que é o Espiritismo.”

Pensar por si mesmo, baseado em estudo, mas também em reflexões permanentes. Estar no mundo, consciente das responsabilidades. Na medida do possível, saber distinguir o certo e o errado, admitir erros, avançar e recuar com vontade e destemor. Essas poderiam ser uma boa leitura das Leis Morais, de “O livro dos Espíritos” (OLE).

Confesso que o meu lado rebelde mantém um diálogo constante com minha racionalidade; custou-me aceitar que deveríamos ter alguma lei moral para todas as situações. Com o tempo e a convivência dentro do Espiritismo, reparei que a liberdade de pensamento é a verdadeira conquista do ser.

Pensar e saber que podemos usufruir de tudo, mantendo nossas responsabilidades. Não! Não vou citar Paulo de Tarso, mas vou lembrar do maior mandamento: respeito ao próximo.

Gosto de ateus e de agnósticos; estes procuram ter uma visão aprimorada de moral e ética sem amarras e imposições. Estudar Espiritismo é, sim, muito bom, mas de uma forma aberta, sem igrejismos, messianismos e que tais. Ler e estudar, também, obras laicas de todas as escolas é algo que me engrandece. Confesso até que falar demasiadamente da doutrina de Kardec me aprisiona um pouco; pode ser pelos meus atavismos, por uma negação de imposições ou algo que ainda não compreendi.

Vasectomia

Nunca achei que devo adorar algo. Deus, ou uma divindade, é algo interior, muito íntimo; algo que não se diz o nome, algo para manter em um local protegido. “Deus, eu estou aqui”, sussurrando, vale mais do que qualquer tipo de ode apologética. Se Deus “percebe” isso ou não, é algo que pertence a cada um. Meu entendimento é diferente do seu e, como tal, deve ser respeitado. Mas adorar Deus não é algo externo; é a plena compreensão de que não somos nada e que seremos um nadinha a mais, a cada dia.

Trabalhar nunca foi uma obsessão. “Trabalho porque sou obrigado” é uma máxima que aprecio. Quero usar o trabalho mesmo na acepção mais filosófica e criativa do termo, sem muito blá, blá, blá: fazer algo a si mesmo. Ler, amar, caminhar com os amigos, pescar – se eu gostasse de pescar. Escalar uma montanha, se eu gostasse de adrenalina. Quero mesmo é ficar parado, lendo ou pensando, ouvindo música, saboreando a vida em seus brevíssimos segundos. Sem nada a fazer, somente viver.

Li recentemente algumas notícias no jornal: a dificuldade que as pessoas têm em aceitar que uma mulher ou um casal não deseje ter filhos (1). Se há pessoas que querem um número grande ou poucos, por que não respeitar quem não quer? Gerar conhecimento também é uma forma de multiplicação de si mesmo, independente dos laços materno ou paterno.

Outra notícia: depois da mudança da lei do aborto nos Estados Unidos, os homens estão utilizando mais os métodos contraceptivos, como vasectomia ou pílulas masculinas (2). Se você acha que em todos esses casos seria menos amado por Deus, “volte para a primeira casa”.

Planetinha azul

Conservar é divino, sim. Destruir sempre estará no cardápio da humanidade. Faça sua reciclagem, vista branco pela paz, mas pode ser que seja tarde demais para a salvação – literal nesse caso – do planeta. E não terá oração que evite o cataclisma!

Consumir menos, querer menos, ser menos ambicioso poderiam ter sido atitudes que nos redimissem. Talvez agora seja tarde e isso serve também para guerras convencionais ou nucleares. Perguntam os desinformados: qual será o entendimento da Vida de quem aperta o botão vermelho na hora H? Será que o Espírito encarnado para a “missão” naquele instante final leu o OLE? Por isso gosto de refletir que (quase) tudo é entendimento íntimo e nem tudo se aplica a todos ou a tudo; complicado? Sim, sim, já sei que o mundo espiritual sobrevive ao apocalipse, mas eu gosto em demasia desse planetinha azul, pode ser?

Viver em sociedade pode também ser harmonioso: tocar Raul Seixas e dar um viva para a sociedade alternativa. Porque na sociedade normal sempre terá um supermercado cheio, uma rodovia interrompida, um almoço em família, uma fila indesejada e alguém que pensa diferente de você.

O novo se impõe

Sei que é natural, mas é desconfortável ouvir quem não vai mudar de ideia ou não vai fazer você mudar de ideia; na maioria das vezes, claro. Ou mesmo quem pensa igual a você, mas fica insistindo o tempo inteiro como “isso é legal”. Como se cada um não mudasse a todo segundo (ou reencarnação): “um dia rico, um dia pobre, um dia no poder, um dia chanceler, um dia sem comer.” (3)

Progredir, sim, é inevitável; é bem difícil duvidar em relação a isso. Mesmo aquele que insiste em absurdos ou acredita na fake salvadora vai reparar, em algum momento, que tem algo de errado em suas crenças e valores.

Gosto do progresso, de modelos diversos de pessoas, de famílias, de fé e de filosofias adotadas; nada deve ser fixo, o desequilíbrio é o que permite avançarmos e darmos um passo a mais. Ficar insistindo em um modelo único e inabalável de tudo é não compreender o vento que move areias de um local para outro, a chuva que leva o que encontra pelo caminho, o rio que sempre transborda. Novo e velho convivem, às vezes; mas o novo sempre se impõe.

Igualdade e liberdade são irmãs. Não respeitar o outro é não cultivar para si mesmo a liberdade de pensar e agir. Gosto da definição de Ubuntu (que também é um OS Linux, free): “Eu sou porque nós somos”. Somos todos humanos porque caminhamos juntos, estamos inexoravelmente interligados. É uma ideia válida mesmo sabendo que poucos a colocarão em prática, a usando somente em momentos “bacaninhas”, para engajamento em redes sociais.

Aprender, viver e doar, nada além disso; só assim teremos justiça, amor e caridade na sua plenitude; algo bem distante, sem previsão. Regeneração? Não foi em 2019, não será em 2030, nem em 2100. Então, se liberte das amarras das imposições, crie seu próprio caminho. Esqueça qualquer tipo de “reforma íntima” imposta por “confrades”, ela quer colocar você em um molde. O Espiritismo só será maior quando nós avançarmos com os seus saberes sem que a todo momento tenhamos que lembrar que é o Espiritismo.

Fiquemos atentos a nós mesmos!

Essa aparência de um mero vagabundo

É mera coincidência

Deve-se ao fato de eu ter vindo

Ao seu mundo com a incumbência

De andar a Terra, saber por que o amor

Saber por que a guerra

Olhar a cara da pessoa comum e da pessoa rara (3)

Notas:

(1) “Não quero ter filhos: as pessoas que estão abandonando a mais antiga tradição da humanidade”. GZH. Disponível em <https://gauchazh.clicrbs.com.br>. Acesso em 10. Nov. 2022.

(2) “Os homens nos EUA que estão fazendo vasectomia após mudança sobre direito ao aborto”. UOL. VivaBem. Disponível em<https://www.uol.com.br>. Acesso em 10. Nov. 2022.

(3) Trecho da letra da canção do “Extra II – O Rock da segurança”, de Gilberto Gil.

Publicado originalmente na revista Harmonia, edição de Novembro:

Espiritismo com Kardec – ECK

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – Santa Catarina – SC

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Uma Reencarnação Identificada

Marlene R.S. Nobre

UMA REENCARNAÇÃO IDENTIFICADA

O estranho caso que vou contar aqui começou por volta de 1975, no Estado do Pará, com alguns de seus personagens consultando Chico Xavier, em Uberaba, Minas Gerais.

No verão de 76, o médium Chico recebeu a visita de uma professora muito simpática, acompanhada de seu irmão, um rico fazendeiro com muitas terras, lavouras e gado naquele Estado. Contou à professora que seu irmão ali presente tinha uma filha única de 21 anos, que se apaixonara por um rapaz filho de outro fazendeiro, cujas terras eram limítrofes com os campos de seu irmão.

Precisamente por causa de divisas de terra, os dois homens tornaram-se inimigos mortais, com atentados de ambas as partes. De forma que seu irmão, ao saber da paixão da filha pelo moço, primeiramente advertiu-a com a máxima severidade, mais tarde ameaçou deserdá-la e mais adiante prendeu-a por dez dias a pão e água no porão da casa da fazenda. Como a jovem não aceitasse o término daquele amor, o pai enviou-a para São Luiz do Maranhão, como interna num colégio de freiras.

Nesse ponto da narrativa o fazendeiro toma a palavra e diz a Chico Xavier: “Seu Chico, sou de outra religião mas aceitei vir aqui com minha irmã para lhe dizer que mesmo essa mudança de cidade não adiantou, porque o cabra da peste descobriu o paradeiro da minha filha, indo morar em São Luiz. Trouxe-a de volta e agora estou diante do senhor para saber se o senhor tem alguma reza forte para que minha Aninha esqueça esse cafajeste. Se não tem, o único jeito de solucionar o caso é mandar esse cara pros sete palmos. Não vou entregar minha fortuna para o filho de meu pior inimigo”.

Chico ponderou-lhe que um tal amor sugeria o encontro de almas afins, que esse amor não deveria ser proibido, que matar o rapaz também não extinguiria a ligação de compromisso entre os dois, e que a única prece a fazer era pedir muita inspiração a Deus, aos nossos espíritos superiores.

No dia seguinte, os dois irmãos regressaram a Belém do Pará e, um mês após essa visita, soube-se que o rapaz apaixonado fora morto numa emboscada por dois pistoleiros, caso esse que a polícia não haveria de deslindar.

Cinco anos após esse acontecimento, a professora paraense retorna a Uberaba para falar com o médium Chico, a quem contou isto:

“Após a morte do rapaz, sua sobrinha caiu em profunda depressão, quase a loucura. Ficou seis meses internada num hospital psiquiátrico, após o que ganhou alta médica, em observação. A seguir, a insistentes rogativas de seu pai, concordou finalmente em casar-se com o filho de um fazendeiro da região, este muito amigo da família.

Feito o casamento, com grande pompa e circunstância, 11 meses após nascia um lindo e robusto menino, quando então passou a surgir um novo problema. Com apenas um mês de idade, a criança demonstrava estranha alergia pelo avô, felicíssimo com o neto varão. Ao longo de três anos, uma imensa equipe de médicos especializados, psicólogos e pediatras examinou o menino sem êxito, nem explicação plausível”.

Agora, a tia vinha indagar de Chico Xavier se havia algum remédio para inverter ou melhorar essa situação, possibilitando que a criança gostasse um pouco mais do avô. Ao que Chico respondeu: Infelizmente, agora pouco há fazer. Estão me dizendo aqui que o Espírito dessa criança é o do próprio rapaz que foi morto. A paixão de ambos não se findou com a morte dele. Não tendo conseguido entrar na sua família pela porta do matrimônio, voltou aos braços de sua amada por via da reencarnação.

Marlene Rossi Severino Nobre

Lições de Sabedoria

Fonte: Kardec Rio Preto

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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Fecundação: início da formação de um novo ser

Dra Cristiane Assis

O ser humano sempre teve curiosidade sobre os mistérios da vida. Com as descobertas científicas, em particular a do microscópio, o homem foi capaz de vislumbrar o momento do encontro entre óvulo e espermatozóide, ao qual denominou fecundação. A explosão de vida que surge desse encontro surpreendeu e surpreende até hoje. O surgimento de um ser único e com identidade genética própria, a partir do simples encontro de duas pequenas células, é algo que deixa qualquer um deslumbrado.

Porém, informações que nos são dadas pela generosidade dos amigos do plano espiritual mostram que tal encontro não é tão simples assim. Inúmeros são os fatores que envolvem o retorno de um espírito ao corpo físico e para observá-los o homem ainda não foi capaz de desenvolver instrumentos adequados.

Falaremos sobre as gestações que envolvem um espírito reencarnante, deixando para abordar as fecundações sem espíritos quando comentarmos sobre as complicações da gravidez.

Não existe fórmula fixa para a reencarnação. André Luiz nos lembra que acreditar que existe uma técnica invariável no serviço reencarnatório seria a mesma coisa que dizer que a forma de morrer é única para todas as pessoas. A reencarnação pode envolver grandes planejamentos ou ocorrer de forma compulsória, dependendo da evolução e grau de merecimento do ser reencarnante. Em Entre a Terra e o Céu, o Ministro Clarêncio explica a André Luiz que milhares de renascimentos na Terra ocorrem de maneira automática, bastando para isso o magnetismo dos pais, aliado ao forte desejo do espírito reencarnante.

Mas em que momento ocorre essa ligação? Em A Alma da Matéria, Dra Marlene Nobre ressalta que as orientações dos Espíritos Superiores não deixam dúvidas de que a união da alma com o corpo ocorre no instante da concepção. Isso demonstra a importância desse momento no processo reencarnatório. A partir daí, ao longo de toda gestação, o feto estará sujeito a influências físicas, mentais e espirituais provenientes de sua mãe e do meio ambiente.

Em Missionários da Luz, André Luiz nos fornece um relato detalhado sobre os mecanismos envolvidas na reencarnação de Segismundo. Destacaremos aqui as informações referentes à fecundação.

Em 1943, ano em que o livro foi psicografado, André Luiz nos explicava que o perispírito do reencarnante atua sobre o óvulo, dirigindo-o na seleção do espermatozóide, de modo a escolher o mais “útil” à programação reencarnatório. Essa informação só foi comprovada pela ciência em 1991, quando um estudo realizado em conjunto por cientista americanos e israelenses, demonstrou que uma substância produzida pelo óvulo ou por suas células vizinhas, era a responsável pela seleção do espermatozóide mais apto. Tal descoberta provoca uma mudança significativa nos estudos sobre fertilidade, uma vez que até então, acreditava-se que o espermatozóide “vencedor” seria o mais rápido.

Assim, passamos a entender um pouco melhor porque em alguns casos de anomalias cromossômicas, entre milhões de espermatozóides, aquele que fecunda o óvulo é “anormal”.

André Luiz prossegue seu relato descrevendo que o encontro entre os gametas dos pais gera um microscópico globo de luz, sobre o qual Alexandre ajustou a forma de Segismundo que se encontrava interpenetrada no perispírito de sua mãe. Quando isso ocorre ele nos conta que “essa vida latente começou a se movimentar”.

Através de relatos como os de André Luiz, podemos compreender melhor as emoções provocadas pela divisão celular aparentemente desordenada de um zigoto, capaz de gerar um novo ser. Não é o acaso que orienta sua formação, mas sim um espírito em busca de aprimoramento. A “construção” de seu corpo é apenas o primeiro passo de sua nova jornada.

Dra Cristiane Assis

Fonte: Medicina e Espiritualidade

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

– A Alma da Matéria – Marlene Nobre – Cap 4: O processo reencarnatório – FE Editora Jornalística

– Entre a Terra e o Céu – Francisco Cândido Xavier pelo espírito André Luiz – Cap 28: Retorno -Federação Espírita Brasileira

– Missionários da Luz – Francisco Cândido Xavier pelo espírito André Luiz – Cap 13: Reencarnação

Para maiores informações consulte o site da folha espírita –  – http://www.folhaespirita.com.br/

Dra Cristiane é ginecologista, especializada em Medicina Fetal, escreve na Folha Espírita e é autora de livros, sendo o último – Gestação encontro entre almas.

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TESOURO DA FELICIDADE

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Ali Rafed era um homem que se dizia feliz, vivia na Pérsia, hoje Irã. Considerava-se feliz porque amava uma mulher e com ela havia se casado. Tinha filhos e plantara árvores.

No seu conceito de fiel seguidor do livro sagrado, o Alcorão, ele fizera tudo o que uma pessoa deveria fazer em sua vida.

Certo dia, um homem, trajado com muita simplicidade, passou por suas terras e lhe pediu asilo.

Ali Rafed o recebeu, alimentou-o e o abrigou. Ao se despedir, na manhã seguinte, o pedinte lhe perguntou se ele se considerava feliz.

Como o anfitrião sorrisse afirmativamente, ele perguntou:

Tens diamantes?

Não, respondeu Ali Rafed. Nem sei o que são.

O homem sacudiu os ombros, reiniciando a sua jornada e falou: E pretendes ser feliz, se não tens diamantes e nem sabes o que são?

A partir de então, Ali Rafed se tornou angustiado. Depois de muito perguntar, alguém lhe disse que diamantes eram pedras preciosas, normalmente encontradas nas nascentes dos grandes rios, como o Nilo e o Eufrates.

Pediu, então, ao seu cunhado que cuidasse da esposa e dos filhos. Deu-lhe metade de sua propriedade e vendeu a outra parte.

Depois partiu, procurando por diamantes. Andou por terras distantes, por anos e anos. Perdeu todos os haveres que havia levado. Finalmente, morreu doente perto de Barcelona, na Espanha.

Mas, dez anos depois de Ali Rafed ter deixado sua propriedade, mulher e filhos, o homem de roupas rasgadas tornou a passar por ali.

Encontrando o novo proprietário das terras, perguntou pelo antigo e teve notícias de suas aventuras em busca das pedras preciosas.

Pediu hospedagem por aquela noite. Após o jantar, enquanto descansava em uma cadeira, na sala, o homem ergueu os olhos e foi atraído por algumas pedras maravilhosas que enfeitavam a lareira.

Aproximou-se, tocou-as e seu olhar brilhou mais que todas elas. Perguntou ao dono da casa onde conseguira aquelas pedras. Eram diamantes!!!

Ora, disse o outro, no córrego que atravessa minhas terras. Aquele mesmo onde bebem as cabras.

Quando amanheceu o dia, o homem já alcançara o córrego e descobrira a maior mina de diamantes do mundo: a mina de Golkonda, que brindou o mundo com extraordinários diamantes como o Koinorr e o príncipe Orloff.

* * *

Na ânsia de buscar felicidade, o homem, por vezes, se parece com Ali Rafed. Desconsidera o que tem nas mãos, o que usufrui e sai em busca de ilusões.

Não se apercebe que os maiores tesouros, aqueles que lhe deverão conferir felicidade, são justamente a paz de consciência pelo dever cumprido, a bênção do afeto dos familiares, o trabalho que lhe propicia o prazer de autossustentar-se, a possibilidade do estudo e da experiência bem vivida.

Felicidade, em verdade, não é ter coisas, mas é um estado de tranquilidade íntima e paz de consciência.

* * *

Redação do Momento Espírita, com base na palestra “Floresça onde for plantado” de Divaldo Pereira Franco.

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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Sobre a Lei Natural e a Lei de Adoração

Por A. C. Amorim

Na Lei de Adoração, o “Amar a Deus” levou Allan Kardec a estudar o nosso contato com Deus. E, de forma esclarecedora, as perguntas que ele compilou receberam dos Espíritos Superiores respostas que não relacionam a adoração a qualquer manifestação exterior.

É “O livro dos Espíritos”, como sabido, um repositório de conhecimentos sobre a vida ainda a ser profundamente explorado. A par de tocar nas questões da Criação e de nossa fase livre, enquanto desencarnados, trata amplamente das questões do relacionamento entre nós e o Criador, e com os demais, os ‘próximos’.

O que é esse ‘Criador’, no conceito espírita? Aparece inteiro nesse livro? Como nos relacionarmos com ele – ou há como nos relacionarmos?

Ao apresentar como primeira questão “O que é Deus?”, o professor Rivail, nosso Allan Kardec, pedagogicamente inicia a aula pelo mais básico, pois falar da existência espiritual exige que comecemos por seu surgimento e, portanto, por aquele que lhe (nos) deu origem. E a resposta dos Espíritos é muito esclarecedora, mas ao mesmo tempo aberta: sendo inteligência suprema e causa primária, Deus não é um ser como nós, nada tem de antropomórfico; e, também, não define o que Ele é, pois inteligência e causa são conceitos abstratos, portanto. E as questões seguintes reforçam essa situação, pois as tentativas de Allan Kardec de melhor defini-Lo resultam em mais limitações (de nossa parte) para apreendermos suas características – no máximo sabemos o que Ele não é, e algumas coisas que Ele deve ser – e ‘Ele’, aqui, é apenas uma forma de nos referirmos a esse Criador, por falta de uma expressão mais própria.

Ao tratar, no primeiro capítulo da Parte Terceira da obra em comento, da Lei Natural, entendemos que tal se refere a todas as leis ditas como da Natureza material, e acrescidas das que regem as relações entre os seres e para com o Criador. E um aspecto importante é o que aparece na questão 619, “A todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem sua lei?”, a que as Inteligências Superiores responderam: “Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue.” Qual a implicação disto com o que vivemos na Terra, atualmente? O Espiritismo nos auxilia nessa vida cotidiana?

São muitos os que se denominam sábios, em vários campos do conhecimento. Como nas disciplinas materiais, em que a exploração do espaço interplanetário e da intimidade da matéria, consumindo até vidas inteiras, alcança novas fronteiras, mas nem sempre resultam em sucesso. Assim, nas disciplinas morais, estão os seres falíveis (nós) que, muitas vezes, se revestem de santidade e cometem graves erros por pretender ‘dar passos mais amplos que nossas pernas’. E isto, simplesmente, por não observar a limitação em compreender a Lei Natural.

Mas, afinal, onde está a ‘chave’ para essa compreensão? Dizem-nos os espíritos que essa lei está escrita “na consciência” de cada um (questão 621), e que nossa ligação à materialidade é que obstrui o nosso entendimento, força de nossos orgulho e egoísmo, pelo que fazemos pouco caso do sentimento interior que nos levaria a expressar compaixão pelo companheiro de jornada terrena. Surgem daí todas as mazelas sociais, desde a miséria a que lançamos muitos, até as guerras, em que, ao final, só restam destruição e tristeza. A estreiteza de vista que ainda nos caracteriza dificulta perceber o quanto ganharíamos se, ao invés de competição, pretendendo ‘lucros’ à custa dos outros, optássemos pela cooperação, todos tornando-se mais felizes, apoiando-se mutuamente.

Não é outra a mensagem trazida pelo Nazareno, citado pelos Amigos Espirituais como um dos modelos para a Humanidade que, ao afirmar que a lei e os profetas se resumiriam em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo”, está indicando o Amor como A Lei.

E não se trata de mera receita fútil: mesmo ainda ignorantes, vaidosos, selvagens até, se seguíssemos a instrução dos Espíritos na resposta ao item 632, “Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis”, estaríamos cientes de que isto é objetivo e ativo; trata-se de ação, e não de omissão. A Lei Natural é de conhecimento e amor, e não é possível avançar significativamente em um aspecto sem o outro – é preciso amar, para saber a importância de conhecer; e, ao conhecer, se reconhece a importância de amar; dessa maneira, o progresso de cada um é realimentado, cada vez busca-se mais amar e conhecer. Se o conhecimento é infinito, e nessa direção nos ‘movemos’, assim também é o amor, que nos impele à superação, pouco a pouco, das limitações físicas de família, grupos, pátrias… Quanta dor deixaríamos de vivenciar se enxergássemos a todos como irmãos realmente, além da retórica!

“Depois disto tudo, chegamos à Lei de Adoração. O “Amar a Deus”, cotejado com o questionamento inicial (se podemos nos relacionar com o Criador), levou Allan Kardec a estudar o nosso contato com Deus. E, de forma esclarecedora, as respostas não relacionam a adoração (o termo à disposição) a qualquer manifestação exterior. Trata-se, então, de elevar o pensamento a Deus, ou seja, dirigirmo-nos, intimamente, já que o pensamento é a própria expressão da vontade de cada um de nós, ao Criador – essa entidade que sabemos existir, por uma necessidade lógica e inata, mas sobre a qual poucas informações possuímos. Portanto, nenhuma fórmula vale mais do que um pensamento sincero, e as exibições exteriores só servem a isso, mostrar-se para os circunstantes, e nisso mesmo está seu aparente benefício, pois Deus e os Espíritos em nada valorizam tal espetáculo.”

Fica muito evidente, também, a nossa limitação quanto à linguagem para tratar desses temas, porque Kardec e os Espíritos usam frequentemente palavras como ‘coração’ para se referir aos sentimentos íntimos ou ‘desígnios de Deus’ para falar da Lei Natural, e mesmo ‘adoração’ em referência ao amor e respeito a Deus- e todas elas são limitadas e vinculadas a nossa experiência material…

Nessa relação com Deus surge a prece, que é a própria elevação do pensamento, e que dispensa completamente qualquer formato padronizado; inclusive, alertam aqueles Amigos que a prece lida ou decorada, desvinculadas, ambas, de sentimento, figuram como apenas lançar ao vento palavras vazias, em puro exibicionismo. Não é pelo número de palavras, ou pelo volume da voz, que se alcança qualquer resultado, pois nossa intenção é que define se haverá conexão com o ambiente superior, proporcionando-nos mais intenso acompanhamento e amparo através da inspiração- e de qualquer maneira, a Lei Natural segue seu curso, sem mágicas ou milagres, seja em termos pessoais ou humanos.

Nossa humanidade tem vivido, desde seu início neste planeta, um ‘pequeno ponto azul’ na imensidão do espaço, constantemente disputando e destruindo, tomando ao outro o que ele construiu e nos atrai a ganância. Como povo, parte de nós começa a perceber que esse é um caminho sem saída, porque o conhecimento material nos trouxe à condição de tal destruição, de pessoas, cidades, países e até o ambiente natural, que, em persistindo, nos fará retornar talvez à condição primitiva. Uma atitude urgente é requerida, e não só dos dirigentes políticos, mas de todos nós: assumir uma tomada de consciência dos erros cometidos, mudança dos hábitos, respeito ao outro, cooperação em todos os campos. Como na fábula, um passarinho sozinho não pode levar em seu bico água suficiente para combater o incêndio na floresta, mas todos juntos podemos acabar com o fogo.

Como espíritas, não temos a ‘missão’ de tornar o mundo espírita. Mas temos o compromisso de nos portarmos como conhecedores da Lei, agindo adequadamente, sendo exemplo para a sociedade – não por sermos espíritas exemplares, nem para sermos ‘estandartes de luz’, mas por sermos indivíduos seguros de nosso papel de colaboradores no progresso humano e espiritual.

Publicado originalmente na Revista Harmonia de janeiro.

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – Santa Catarina – SC

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“Todos sereis médiuns”

Aceitação da imortalidade alterará todo panorama social do planeta

Orson Peter Carrara

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A afirmação que intitula esta matéria é do Espírito São Luís, um dos espíritos responsáveis pela Codificação Espírita. Ela está em texto que parcialmente reproduzimos abaixo. O Espírito chega a afirmar, na mesma mensagem, que “feliz da sociedade que o puser em prática!…”, referindo-se ao Espiritismo. Realmente, grande verdade!

O Espiritismo é mesmo uma doutrina-luz, pelo esclarecimento racional que traz e pelos convites de aperfeiçoamento moral que apresenta. Destruindo o materialismo, que aliás nenhuma base mais encontra em nossos dias, ele promove a felicidade do ser que se autocompreende nas lutas e desafios que enfrenta e nos objetivos da existência.

Deixo aos leitores dois trechos da Revista Espírita, a tradicional publicação fundada por Allan Kardec, em 1858:

a) “(…) Sendo o Espiritismo a prova palpável e evidente da existência, da individualidade e da imortalidade da alma, é a destruição do materialismo, essa negação de toda religião, essa chaga de toda sociedade. O número de materialistas que ele trouxe a idéias mais sãs é considerável e aumenta todos os dias. Só isso representa um benefício social. (…) se agora considerarmos a moral ensinada pelos Espíritos superiores, vemos que é toda evangélica; basta dizer que prega a caridade cristã em toda a sua sublimidade. (…) Reconduzindo os homens aos sentimentos de seus deveres recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das doutrinas subversivas da ordem social. (…)” (janeiro de 1859).

b) “O Espiritismo é a ciência e toda a luz. Feliz da sociedade que o puser em prática! (…) Chegando a esta crença todos sereis médiuns; desaparecerão todos os vícios que degradam a vossa sociedade; tudo se tornará luz e verdade; o egoísmo, esse verme roedor e retardatário do progresso, que abafa todo sentimento fraterno, não terá mais domínio sobre vossas almas; vossas ações não mais terão por móvel a cupidez e a luxúria; amareis vossa mulher porque ela terá uma alma boa e vos quererá, porque verá em vós o homem escolhido por Deus para proteger a sua fraqueza e porque ambos vos auxiliareis a suportar as provas terrenas e sereis os instrumentos votados à propagação de seres destinados a melhorar-se, a progredir, a fim de chegarem a mundos melhores, onde podereis, por um trabalho ainda mais inteligente, atingir o nosso supremo benfeitor. Ide, Espíritas! Perseverai; fazei o bem pelo bem; desprezai suavemente os gracejadores; lembrai-vos que tudo é harmonia na natureza, que a harmonia está nos mundos superiores e que, mau grado certos Espíritos fortes, terei também a vossa harmonia relativa.” (agosto de 1860).

É interessante a afirmação de que “todos sereis médiuns”. Claro, interessados no progresso, no bem próprio e do próximo, a criatura humana estará fatalmente sintonizada com os poderes maiores da vida, ensejando-lhe encontrar em cada situação e circunstância de sua existência uma sempre renovada oportunidade de fazer o bem. Buscando a fraternidade e o dever de trabalhar pelo progresso humano, se tornará médium do amor. Será decisivo instrumento para a renovação social. É a identificação com os objetivos da vida humana, por isso, “sereis médiuns”.

Nestes momentos difíceis da humanidade, no aparente caos social, de quanta inspiração e boa vontade não precisamos todos para alterar o quadro que aí está a nos desafiar. E não é exatamente o materialismo o causador de tudo isto?

O Espiritismo explica exatamente a inutilidade desta teoria e apresenta, em oposição, os mecanismos sadios do espiritualismo, agora ampliados sob a visão da imortalidade e da reencarnação. É todo um universo que se abre, onde o intercâmbio entre os chamados vivos e os chamados mortos escancara as perspectivas de progresso e felicidade.

E agora que vivemos o ano do sesquicentenário do Espiritismo (1857-2007), a oportunidade de estudar, refletir e viver tudo isso surge renovada. Não há melhor maneira de homenagear os 150 anos de O Livro dos Espíritos (18 de abril) do que estudá-lo e amplamente divulgá-lo, para vivermos todos seus princípios enobrecedores.

Sintonia com o bem, confiança em Deus e trabalho contínuo pelo progresso intelecto-moral humano constituem verdadeira receita para viver o Espiritismo!

Orson Peter Carrara

Fonte: Nova Era

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Esquecimento do Pretérito

Joanna de Ângelis

ESQUECIMENTO DE PRETÉRITO

Conquanto estejas informado a respeito da ação do passado sobre o presente, deixas-te dominar quase sempre por dúvidas atrozes que espezinham tuas convicções, fazendo-te sofrer.

Conjecturas quanto ao esquecimento que acompanha o espírito na reencarnação, e supões que esse olvido, de certo modo se faz obstáculo ao discernimento entre amigos e adversários da tua felicidade.

Seria mais justo que, assim pensas, em momentos de rudes provanças, os centros da memória anterior fossem libertados e a censura que frena as recordações deixasse fluir os rios do conhecimento de modo a agires com acerto.

Confessas intimamente o tormento que te consome por caminhares sem o conhecimento do destino, tendo em vista a ignorância do pretérito, assinalando desolação e dor.

E concluis, apressado, que a reencarnação, em tais bases, não expressa condignamente o amor de Nosso Pai, afirmando que, em ti mesmo não encontras, na memória, os fundamentos que favoreçam a segurança que gostarias de possuir para levares de vencida a experiência evolutiva.

Pensas, e no entanto desconheces a mecânica do raciocínio a nascer nos centros cerebrais.

Ages sob impulsos desconhecidos, e ignora a razão deles.

Vives governado por automatismos fisiológicos que te mantém a harmonia orgânica sem lhes conheceres a procedência…

….Vês, ouves, sentes, falas, distingues gostos, no que se refere aos débeis órgãos dos sentidos físicos sem indagações, sem exigências e, todavia, deixas-te conduzir tranquilamente.

Observa a dificuldade que experimenta uma criatura excepcional aprendendo a falar, comer, controlar os movimentos…

Entenderás, então, que se não te é lícito recordar o passado, a outros espíritos mais esclarecidos e fortes que o teu é permitido navegar no oceano das recordações com alguma segurança e naturalidade….

Ao invés de castigo, o esquecimento das vidas passadas é dádiva celeste.

Desejarias identificar os sicários da tua paz e os cooperadores da tua alegria. Examina, no entanto, as afinidades, considera as emoções junto aos que te cercam, medita e conclui com o auxílio do tempo.

Abre, todavia, os braços, a quantos se acercam de ti, procurando envolvê-los nas vibrações do entendimento e da cordialidade, para fruíres afeição e simpatia.

* * *

Encontras obstáculos afetivos no lar entre os membros da família e experimentas, não raro, asco senão revolta por aqueles a quem deverias amar nas amarras do sangue.

Reações indomáveis, a se manifestarem como animosidade, alquebram o teu ânimo em casa, levando-te a desesperos e atritos lamentáveis.

Acalentas, ou és vítima de idiossincrasias, senão aversões, por filhos ou irmãos, lutando tenazmente por vencer a força negativa que te assoma na presença deles, sem resultados positivos.

A estada na intimidade doméstica se constitui penoso período, encontrando, todavia, motivos de júbilos sob tetos alheios…

….E desejarias recordar o ontem!…

Se em ignorância quanto ao mal que te hajam feito, eles os teus familiares, te sentes incapaz de fitá-los, entendê-los, ajudá-los e amá-los, oferecendo-lhes compreensão e simpatia, como te portarias se, na filha revel identificasses antiga companheira que o adultério arrastou, no irmão consanguíneo o destruidor do antigo ninho de venturas que o tempo não consumiu, no pai ou mãe, no filho ou noutro parente o arquiteto da tua ruína ou a vítima da sua sandice?

Esquecer o mal para agir com acerto é luz de amor na lâmpada da oportunidade.

Ignorar os maus para ajudá-los, significa ensejar-lhes, com igualdade de condições, ocasião de repararem os males que tenham praticado.

Lutar contra a antipatia, procurando ignorar as causas da aversão representa valioso esforço de libertação íntima.

Considerando a pequenez e a inferioridade moral de quantos se encontram na Terra, o abençoado Hospital-Escola para os recalcitrantes, os Excelsos Promotores dos renascimentos fazem que a mente espiritual mergulhe no olvido, a fim de que as lembranças dos atos infelizes não os enlouqueçam e as evocações abençoadas não os paralisem em recordação insensata ou improfícua.

* * *

Jesus, o Egrégio Coordenador da Vida na Orbe, lecionando sobre a necessidade do bem atuante, não poucas vezes exortou ao amor puro e simples com o esquecimento do mal, para que este não se corporificasse em sombra tenebrosa acompanhando nossa consciência. E desejando imprimir com sulcos profundos o ensino sublime, conclamou os que O seguissem a duplicar a bondade em relação aos que nos peçam algo, mandando oferecer a outra face ao agressor para que não fôssemos os promotores do mal ou vitalizadores da impiedade.

E assim o fez por conhecer o abismo que a ignorância da verdade representa e a balisa de luz que significa o amor no caminho da evolução, amor que nos faz esquecer o mal para somente nos lembrarmos do bem…

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 11

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