Progresso do Espiritismo

Orson Peter Carrara

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Um dia desses folheando o livro Obras Póstumas (textos de Allan Kardec publicados após sua desencarnação), encontramos na segunda parte da obra, o subtítulo Projeto 1868. No magnífico texto há uma frase igualmente magnífica: Dois elementos devem concorrer para o progresso do Espiritismo; estes são: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios de popularizá-la. A frase é do próprio Codificador e indica o caminho para espíritas conscientes e comprometidos com a Causa Espírita.

Analisemos cada item da frase. Estamos falando de progresso do Espiritismo, finalidade para a qual devemos centralizar nossos esforços, conhecedores que somos da grandeza desta Doutrina e seu papel fundamental para o progresso humano.

Bases sólidas

Observemos: estabelecimento teórico da Doutrina. Isto significa estabelecer teoricamente. O que é isto? É estar definido o programa teórico, as bases. Isto está na Codificação e deve ser a base inspiradora, norteadora das atividades e grupos espíritas. Em outras palavras: toda e qualquer atividade espírita deve estar baseada no conhecimento da Codificação. Havendo esta conscientização, não há perigos ou temores, estamos orientados e saberemos como agir. Por aí, já ficamos sabendo a razão das distorções e desvios: faltou o estabelecimento teórico. Falhou a base. Isto vale para situação local ou coletiva, para o espírita em particular, para um grupo, ou para o conjunto do movimento que se denomina espírita. Verificamos com facilidade que os desentendimentos, melindres, afastamentos e práticas abusivas ou distorcidas provem da ausência desta base estabelecida pela teoria bem compreendida.

E o outro item: os meios de popularizá-la. Eis aqui o efeito do item precedente. Uma vez estabelecida a base teórica, bem formada, bem compreendida, os meios utilizados para sua popularização farão o restante. Quer dizer, pessoas ou grupos bem formados, conscientes, multiplicarão conhecimentos sólidos, que evitam distorções e preservam dos desvios. E como os níveis de entendimento são diferentes, pela própria característica humana, há necessidade aqui da utilização de constantes meios de popularização das bases teóricas, onde entra o esforço e a criatividade humana. Em linguagem já conhecida do Movimento, aí está a divulgação espírita. Que ocorre por meio de muitas formas.

Como alcançar?

Mas pensemos na colocação de Allan Kardec: estabelecimento teórico e meios de popularizá-lo. O estabelecimento teórico somente será alcançado pelo estudo doutrinário, seja individual ou na programação da Casa, em reuniões participativas e atraentes, que motivem o estudioso espírita. Somente o estudo bem estruturado e bem conduzido fará o adepto consciente, esclarecido. E convenhamos que há muito a estudar na Codificação, sendo absolutamente incompreensível a substituição dos livros da Codificação por obras de origem duvidosa como programa de estudo. O Espiritismo, por mais incrível que possa parecer, ainda é um desconhecido dos próprios espíritas.

E interessante, os meios de popularizá-lo serão igualmente alcançados pelo estudo. Podem-se criar inúmeras formas de divulgação, mas se esta não estiver alicerçada no conhecimento de quem a promove, todo o esforço estará comprometido. Daí a importância da seleção dos livros a serem divulgados, dos artigos a serem publicados, das palestras a serem proferidas. Muitas informações sobre a Doutrina são transmitidas com incorreções e verdadeiras aberrações, por desconhecimento de seus fundamentos.

Divulgação espírita é coisa muito séria e tem que ser feita com responsabilidade, seja por escritores, oradores, editores e outros modalidades e meios de divulgação. Não há melhor critério que embasar tudo que fazemos em termos de divulgação do que utilizarmos o estabelecimento teórico da Doutrina. Tudo que vier fora disso será invenção ou imaginação, pois os fundamentos da Doutrina são alicerçados na razão, no bom senso, na lógica e visam o bem.

Esforço necessário

Esforcemo-nos, pois, pela permanente implantação de grupos de estudos da obra de Allan Kardec e lutemos pela expansão dessas idéias com critério baseado no próprio conhecimento, para não corrermos o risco de comprometer o que estamos fazendo. Afinal, trata-se do progresso do Espiritismo, esta Doutrina que tanto bem nos faz e tanto pode beneficiar a humanidade.

Agora que alcançamos um bom nível de maturidade no entendimento da proposta espírita, especialmente considerando as quinze décadas já decorridas após a Codificação do Espiritismo, é oportuno esforço redobrado para que a Doutrina seja conhecida em suas bases autênticas. Vivemos um momento de crescente adesão aos princípios do Espiritismo, o que requer permanente atualização das instituições, dirigentes, divulgadores e tarefeiros, pois que também no movimento espírita não podemos permanecer estanques e indiferentes ao progresso que conduz a humanidade.

Sempre essencial citar

Como ferramentas, as citações permanentes de Kardec, de suas obras e mesmo de sua biografia, do conteúdo de sua obra, dos mais de 150 anos de Codificação, das experiências da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, do laboratório de idéias que é a Revista Espírita e de todo o desdobramento que resultou na farta literatura à disposição, bem como do fecundo trabalho de nossas instituições.

Exemplos, experiências positivas e negativas do movimento, informações históricas, debates, encontros, entre outros, são os mecanismos à disposição. E atualmente ainda temos o incomparável recurso da internet.

Tudo isso nos faz depositários de imensa riqueza cultural e, ao mesmo tempo, de imensa responsabilidade!

Para refletir

Por isso ousamos repetir o início do artigo, usando palavras de Kardec: “Dois elementos devem concorrer para o progresso do Espiritismo; estes são: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios de popularizá-la”.

Orson Peter Carrara

Fonte: Nova Era

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Mediunidade – Amor em serviço

Sérgio Vencio

Muita gente não sabe, mas a mediunidade não foi inventada pelo espiritismo e muito menos por Allan Kardec. Ela existe desde que o mundo é mundo. E já existia antes que nosso próprio mundo fosse criado. A bíblia está repleta de momentos mediúnicos, ou seja, de narrativas aonde alguém serviu de ponte, de elo de ligação entre o mundo espiritual e o mundo físico.

O grande codificador nos diz claramente que todos somos médiuns, e mais, que na relação com o mundo invisível somos mais comandados do que imaginamos. Um dos motivos para isso é justamente a falta de interesse da maioria das pessoas em aprofundar no assunto, entender o que significa e a forma como desenvolver, se proteger, ajudar, etc…

A relação com o espiritual tem sido confundida com misticismo, feitiçaria, macumba, ou o nome que queiram dar, mas a verdade é que a todo momento quando elevamos o nosso pensamento a Deus, estabelecemos essa ligação e iniciamos uma relação direta com o plano astral. Da mesma forma, a todo momento que emitimos pensamentos negativos, iniciamos uma relação com os espíritos que se afinizam com nossa energia. Isso é mediunidade.

A grande questão é que todos pensamos em mediunidade somente quando lembramos de um Chico Xavier, um Divaldo Franco, mas na nossa vida prática diária, pensar assim nos impede de aproveitar mais e melhor essa relação com o espiritual, nos impede de perceber que a cada momento somos e agimos como médiuns. Podemos não perceber, visualizar, escutar como os grandes médiuns mais famosos pela relação com além, porém isso não muda o fato de que estamos a todo momento emitindo e recebendo energias e pensamentos que podem nos auxiliar ou prejudicar.

Mesmo trabalhadores espíritas experimentados costumam utilizar uma tecla de LIGA-DESLIGA, ligando no centro espírita e desligando quando saem.

O ideal seria que tentássemos manter uma relação saudável, de fé e consciência com a espiritualidade superior, com Deus e seus trabalhadores. Isso traria grande impacto na nossa saúde física e espiritual. Trabalhos científicos interessantes tem mostrado o poder da fé e da oração na manutenção ou restabelecimento da saúde, com aspectos importantes no tratamento do câncer.

Fingir que essa relação com o espiritual não existe e se negar a entender o processo, é deixar que qualquer energia deletéria possa nos influenciar e prejudicar nossa saúde. Por outro lado, se entendermos que existe uma relação contínua com o plano espiritual, isso poderia nos trazer conforto e proteção, nos mantendo constantemente em contato com energias sutis. E não precisamos esperar o trabalho mediúnico semanal para exercermos nossa mediunidade, o ideal é entendermos que tudo é mediunidade, a todo momento podemos ser e somos instrumentos da espiritualidade para confortar ou desequilibrar, a depender da nossa vontade e disciplina.

Paz e luz!

Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Nossos desencontros e reencontros

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Com o passar do tempo, vamo-nos apercebendo de que nada acontece por acaso. Muito antes de nascermos, ajustamos com a espiritualidade Superior os caminhos que iremos palmilhar, sem que nos tornemos prisioneiros do “destino”.

Há uma programação reencarnatória onde participamos do planejamento colimado. A consciência que adquirimos além-túmulo faculta-nos optar pelas provas e expiações de que necessitamos para a reparação dos equívocos do pretérito.

No Livro dos Espíritos, questão 132, temos: Qual o motivo da encarnação dos Espíritos? – “Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação.”

A misericórdia divina concede-nos sempre um novo recomeço. Quando despertos pelo arrependimento, buscamos a “porta estreita”, que é o caminho para o burilamento do Espírito.

Em Mateus 5:25 encontramos: “Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele”. Quando reencarnamos trazemos as dissensões do passado que eclodem como provas para que sejam reparadas. Por outro lado, com aqueles que mantivemos afeto poderemos experimentar uma convivência fraterna.

O nosso livre-arbítrio, que é dádiva divina, oportuniza-nos novas conquistas para o aprimoramento espiritual, já que o Orbe terrestre é escola que exige provas, e também hospital que trata das almas enfermas.

As ocorrências da vida fazem parte dessa estrada longínqua, onde nem sempre nos apercebemos de que se trata de provas que necessitamos experimentar ou mesmo, novas experiências que irão fortalecer nosso crescimento espiritual.

É nesse contexto que vivenciamos os encontros, desencontros e reencontros. No livro A Coragem da Fé, pg.26, psicografia de Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Bezerra de Menezes, consta: “Todos estamos mais próximos do ontem que do amanhã: o passado exerce maior influência sobre as nossas ações do que o próprio presente, que somos chamados a viver no hoje das oportunidades que se nos renovam, através da reencarnação”.

Nessa trajetória em que a batalha maior é aquela travada em nosso interior, as sombras do passado estão presentes atormentando-nos para que continuemos seguindo caminhos malfazejos. Contudo alimenta-nos a esperança nas promessas do Mestre Jesus nas Bem Aventuranças que nos encorajam na busca da redenção.

Nossa evolução dar-se-á pela perseverança fortalecida pela Fé, que nos direciona para a Luz ao seguirmos o exemplo de Jesus. Essa é a tarefa de todos nós. Não há privilégios nem regalias, pois sendo Deus bom, justo e misericordioso, jamais daria tratamento diferenciado para nenhum de seus filhos.

Conscientes de que a nossa melhora espiritual depende das atitudes que tomamos, cabe-nos controlar as nossas emoções e sentimentos, para que não sejamos vítimas das reações impulsivas, que poderão gerar ressentimentos.

Sanear os pensamentos é purificar a conduta na fonte sublime do amor, da caridade e de tantas outras virtudes que necessitamos cultivar. (As quedas machucam, mas as oportunidades do soerguimento consolam).

Luiz Guimarães Gomes de Sá

Fonte: Espiritismo na Rede

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Reflexões sobre a humildade

Joanna de Ângelis

A humildade é uma virtude de difícil aquisição, por exigir esforço para superar-se os instintos que predominam em a natureza humana, especialmente o da sobrevivência.

Ao materialismo devem-se muitos males, entre os quais aqueles que defluem dos estímulos e aplicações pedagógicas em favor do ego e das suas mazelas. Há uma preocupação ancestral dedicada à formação do caráter que privilegia a força pessoal, o destaque, a independência, o poder. Essa preocupação em torno dos falsos conceitos de que o homem não chora, o forte prevalece, o vitorioso é aquele que soube resguardar-se, distante dos problemas alheios, demonstra que esses são elementos perniciosos e que se opõem à humildade.

Cuida-se de condicionar o educando à presunção, ao orgulho das suas conquistas em detrimento da fragilidade de que todos os seres são formados.

Uma insignificante picada de um instrumento infectado interrompe uma vida esplendorosa e um ser triunfante.

Modesto mosquito transmite vírus terríveis que devoram existências poderosas.

Bastaria ligeira reflexão para a criatura humana dar-se conta da sua fraqueza ante as forças da Vida e os fatores destrutivos que pululam em toda parte.

No sentido inverso, a grandeza cósmica que o deslumbra, pode dar-lhe dimensão da sua pequenez, levando-o a considerações profundas quanto ao significado existencial.

A humildade é virtude essencial para uma jornada feliz na Terra. Mediante a sua presença, percebe-se quanto se deve trabalhar o íntimo para aformosear-se as aspirações e avançar-se na solidariedade como fundamental comportamento para o equilíbrio.

Analisando-se as conquistas conseguidas pela ciência e tecnologia, ao invés da presunção ingênua, perceber o infinito de possibilidades a conhecer e de enigmas a solucionar.

O deslumbramento inicial pode levar o rei da criação, dito ser a criatura humana, a esse estado de orgulho infantil que o ilude a respeito dos poderes que lhe estão ao alcance das mãos para a glória e o prazer, sempre relativos, da sua breve caminhada entre o berço e o túmulo.

A vã ilusão de potência e domínio na mocidade e idade adulta dilui-se quando as energias diminuem na velhice e nos períodos de enfermidade, confirmando-lhe a fragilidade acima de toda e qualquer robustez.

A maioria dos Hércules e Vênus do culto ao corpo, passado o período específico dos esportes e dos exercícios exaustivos, da alimentação sob rígido controle, tomba nos graves problemas cardiológicos e outros que o excesso de técnicas e de substâncias que contribuem para a beleza exterior, que agora se transforma em degenerescência e debilidade.

A experiência terrestre tem como essencial a finalidade do autodescobrimento, do sentido de existir, do desenvolvimento da inteligência e do Si profundo.

Utilizar-se das ocorrências para aprimorar-se é o programa da Vida para todos.

*****

Jesus, que é o protótipo da perfeição e da beleza de que se tem notícia, apagou a Sua grandeza na humildade para ensinar a vitória sobre as paixões inferiores.

Deu o exemplo máximo da Sua elevação na última ceia quando, cingindo-se com uma toalha, lavou os pés dos discípulos, demonstrando que sendo o Senhor fazia-se servo para todos.

Incompreendido por Pedro, que se Lhe recusara, explicou-Lhe que se o não fizesse nada teria com Ele, e o apóstolo emocionado entregou-se-Lhe em totalidade.

A grandeza do Seu gesto demonstra a força moral, o Seu poder de servir, deixando a lição perene como advertência e orientação.

Cuida de penetrar-te até às nascentes do coração, para que a mosca azul da vaidade não pouse na tua insignificância.

Busca a simplicidade e a compreensão existenciais, tendo em vista que tudo mais é transitório e tem somente o valor que lhe atribuis.

Faze-te acessível e atento para aprender com os pobres de espírito a forma de enriquecer-te de humildade e de paz.

Nunca disputes projeção e destaque, recordando o ensinamento de Jesus, quando informou que os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros.

Afeiçoa-te ao anonimato, não deixando sinais do bem que faças, a fim de que não sejas exaltado, qual ocorre com muitos fúteis e irresponsáveis, que são louvados e bajulados sem mérito real.

Mas não penses que humildade é menosprezo, desconsideração por si mesmo, subalternidade, escondendo conflitos de inferioridade.

A verdadeira humildade permite o autoconhecimento em torno dos valores que são legítimos no ser, sem os exaltar nem se engrandecer, compreendendo o quanto ainda necessitas para atingir o ideal, tendo o prazer de sacrificar-se pelo conseguir.

*****

Muitos Espíritos reencarnaram-se com nobres missões e falharam, porque se ensoberbeceram e se permitiram as glórias terrenas que os frustraram, abandonando-os na etapa final da vida.

Recorda-te daqueles outros que se apagaram na humildade, adotando o sacrifício e a abnegação, edificando o bem em vidas incontáveis.

Bem-aventurados os humildes de coração e ricos de amor, porque eles fruirão a plenitude.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 10 de agosto de  2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Em 9.9.2015

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Causa de todos os males

A ignorância das coisas espirituais alimenta nossas sombras.

Orson Peter Carrara

Indicação de um leitor da RIE que, estudando o livro Visão Espírita de um Bandeirante (no 2º Volume), sugeriu abordagem em torno de uma frase de Cairbar Schutel.

Como se sabe, a obra em questão – em dois volumes – reúne os editoriais do próprio fundador da citada revista durante os anos que esteve à frente da publicação. Lançada no ano do centenário do jornal O Clarim, em 2005, os preciosos textos oferecem substancial material de pesquisa e reflexão.

A frase de Cairbar é: “A ignorância das coisas espirituais é a causa de todos os males que afligem os homens”.

Realmente, os prejuízos decorrentes dessa ignorância, aquela de não saber ou não compreender, não assimilar, não estudar, é a causa maior das aflições sem conta na sociedade humana.

A ausência dessa compreensão de uma realidade patente, ainda não percebida pela maioria da população que se debate em dúvidas, deixando-se dominar por posturas egoístas ou seduzidas por paixões variadas, ilusórias, tem gerado os ambientes de agressão, violência de todo tipo, miséria, corrupção, desespero, guerras e mesmo enfermidades, manipulações de bastidores, apegos tolos – inclusive de cargos e posições –, ilusões de posses efêmeras, disputas intermináveis de poder, de heranças e de domínios.

É pela ausência de uma mentalidade renovada e trazida pela noção da imortalidade que ocorrem as vinganças, as traições, os planejamentos criminosos, a retenção de recursos que poderiam ser utilizados em favor de tantas causas ou mesmo a interrupção ou adiamento de projetos que poderiam beneficiar a tantos, em todos os segmentos da sociedade.

E mais grave é que mesmo os que consideram cristãos, e por desdobramento também os espíritas, quantas vezes somos levados por ilusões variadas em disputas de poderes – ainda que sem envolver recursos monetários – ou seduzidos por autopromoção, pelo orgulho e vaidade, destruindo ou impedindo ações que resultariam em benefícios variados, dentro e fora do ambiente das várias denominações religiosas, inclusive a espírita.

A frase em referência, de Schutel, está no capítulo “Recapitulando fatos e princípios”, datado da RIE de janeiro de 1933, incluído no livro em questão. São quase 90 anos da redação do texto e a ignorância continua imperando.

Afinal, observe-se:

a) Que são as “coisas espirituais”, a que se referiu Cairbar Schutel? Sobre a ignorância, como dissemos, advêm do não saber mesmo, do não pensar no assunto, do não refletir ou buscar a realidade estampada claramente. Mas que são realmente as “coisas espirituais”?

“Não é difícil concluir, até pela própria expressão, que se trata de realidade além da matéria palpável. Que transcende e pode ser alcançado pelo pensamento, refletindo na realidade da própria vida, que não se circunscreve ao que apenas vemos. Há mais de realidade além dos sentidos. E apesar das pesquisas científicas, sérias e consagradas nessa direção, nem dela precisamos num primeiro exame. Basta pensar que não haveria lógica nenhuma na vida e seus desafios se tudo se resumisse na realidade fugaz de uma existência, que, por mais longa seja, conclui-se materialmente após determinado tempo, até por força do esgotamento dos órgãos que compõem o corpo físico.”

Mas não é só. A perspectiva que se abre diante disso é igualmente imensa, em face das influências que se nutrem mutuamente, entre a vida material e a espiritual. De vez que imortais (parece mesmo que até nos esquecemos desse detalhe), há uma dinâmica intensa além-túmulo, composta dos mesmos seres humanos, apenas desprovidos do envoltório material.

Incluem-se também nessas “coisas espirituais” o valor dos sentimentos, das vibrações, das vontades, das memórias, do caráter, dos efeitos e desdobramentos próprios que não se perdem porque o ser que alimentava esses predicados deixou o planeta pelo fenômeno biológico da morte. E na dimensão original permuta impressões com os que ainda estão encarcerados na carne.

Objetivo aqui não é convencer o leitor novato no assunto. Aliás, recomendo ampliar pesquisas com os livros de Allan Kardec. O que se busca, no modesto comentário, é destacar a existência real de algo mais além das aparências e da fragilidade da vida material, que vai constituir-se em valores ou, como escreveu o autor, “coisas” espirituais.

E aí vem a razão da abordagem e mesmo o sentido da afirmação que gerou a presente reflexão:

b) “(…) causa de todos os males.”

Sim, o desconhecimento (seja por não saber, por não querer saber ou mesmo não alcançar exata compreensão, por comodismo, indiferença ou omissão) de nossa origem, natureza e destinação espiritual, é alimentador de uma mentalidade egoísta e orgulhosa, que vai gerar indiferença à solidariedade que nos devemos mutuamente. Vai igualmente gerar violência e desrespeito – uma vez que iludidos pela crença da vida única, somos levados a uma disputa feroz pela posse nos apegos variados que vamos nos permitir e mesmo procurar e incentivar –, criando ambientes de tensões sem fim, causa de guerras e violência de todo tipo.

É causa imediata da miséria que assola populações inteiras, justamente pelo egoísmo gerado nos que poderiam movimentar forças e recursos em favor dos que carecem, eliminando desvios de recursos que são utilizados para satisfação própria. É também causa de abortos, suicídios, homicídios e outras agressões, de vez que ignorando a natureza imortal, perde-se a noção de amplitude da própria vida, que se desdobrará incessantemente no tempo e no espaço.

A ignorância de tal realidade ainda alimentará tristeza, doenças causadas pelo acúmulo de vibrações viciosas ou da falta de perspectivas, seja pelo desemprego, pelas dificuldades de toda ordem ou até mesmo pelas violências que se vai enfrentando decorrente de outras atitudes alimentadas igualmente pela indiferença com o valor da vida. Enumere-se os males humanos e se encontrará a causa na descrença, no egoísmo alimentado e incentivado – que agrava o quadro – daí surgindo disputas e apegos sem fim. Ou, em síntese, no desconhecimento daquelas “coisas espirituais”, que, por sua vez, estão saturadas de recursos em favor do bem-estar humano, da vida saudável, solidária e compartilhada – incentivando a conexão com os altos propósitos da vida.

Aos habituados com essas reflexões, mesmo com conhecimento acumulado sobre a velha questão da imortalidade, há dificuldades reais na assimilação interior, devido às imperfeições morais que ainda nos dominam. Mesmo assim, é tema permanente a nos convidar a mudanças.

Quanto aos que agora tomam contato com tais perspectivas, queremos sugerir com ênfase que busquem (o que também será de grande utilidade aos habituados aos estudos):

1 – O capítulo 1 de O Livro dos Médiuns, com o sugestivo título “Há espíritos”?

2 – A Introdução e a Conclusão de O Livro dos Espíritos, sem prejuízo de consultas em toda obra.

3 – Item II da Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo – Autoridade da Doutrina Espirita – Controle Universal do ensino dos Espíritos.

A leitura atenta desses preciosos textos abrirá universo imenso à compreensão do leitor quanto às “coisas espirituais”, entusiasmando o leitor para outras pesquisas que ampliem o sentido do algo mais além das aparências, cuja ignorância é causa das aflições humanas, pois que sem aqueles valores, que constituem nossa própria essência, perdemos a referência nos enfrentamentos e na melhora de nós mesmos, que será decisiva para alteração do sofrido panorama humano.

Gratidão ao assinante da RIE, Antonio Andrade, de Taubaté-SP, que sugeriu abordagem a partir da mencionada afirmação de Schutel. São essas pérolas colhidas no imenso celeiro que nos abrem perspectivas gigantescas de reflexão.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal da Casa Espírita Nova Era – Blumenau – Santa Catarina – SC

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Lesões Afetivas

 Emmanuel / Chico Xavier

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Um tipo de auxílio raramente lembrado: o respeito que devemos uns aos outros na vida particular.

Caro é o preço que pagamos pelas lesões afetivas que provocamos nos outros.

Nas ocorrências da Terra de hoje, quando se escreve e se fala tanto, em torno de amor livre e de sexo liberado, muitos poucos são os companheiros encarnados que meditam nas consequências amargas dos votos não cumpridos.

Se habitas um corpo masculino, conforme as tarefas que foram assinaladas, se encontraste essa ou aquela irmã que se te afinou com o modo de ser, não lhe desarticules os sentimentos, a pretexto de amá-la, se não estás em condição de cumprir com à própria palavra, no que tange a promessas de amor.

E se moras presentemente num corpo feminino, para o desempenho de atividades determinadas, se surpreendestes esse ou aquele irmão que se harmonizou com as tuas preferências, não lhe perturbes a sensibilidade sob a desculpa de desejar-lhe a proteção, caso não estejas na posição de quem desfruta a possibilidade de honorificar os próprios compromissos.

Não comeces um romance de carinho a dois, quando não possas e nem queiras manter-lhe a continuidade.

O amor, sem dúvida, é lei da vida, mas não será lícito esquecer os suicídios e homicídios, os abortos e crimes na sombra, as retaliações e as injúrias que dilapidam ou arrasam a existência das vítimas, espoliados do afeto que lhes nutria as forças, cujas lágrimas e aflições clamam, perante a Divina Justiça, porque ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro e nem sabe a qualidade das reações que virão daqueles que enlouquecem, na dor da afeição incompreendida, quando isso acontece por nossa causa.

Certamente que muitos desses delitos não estão catalogados nos estatutos da sociedade humana; entretanto, não passam despercebidos nas Leis de Deus que nos exigem, quando na condição de responsáveis, o resgate justo.

Tangendo este assunto, lembramo-nos automaticamente de Jesus, perante a multidão e a mulher sofredora, quando afirmou peremptório: -“aquele que estiver isento de culpa, atire a primeira pedra”.

Todos nós, os espíritos vinculados à evolução da Terra, estamos altamente compromissados em matéria de amor e sexo, e, em matéria de amor e sexo irresponsáveis, não podemos estranhar os estudos respeitáveis nesse sentido, porque, um dia, todos seremos chamados a examinar semelhantes realidades, especialmente as que se relacionem conosco, que podem efetivamente ser muito amargas, mas que devem ser ditas.

Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Livro: Momentos de Ouro. Lição nº 31 Página 135

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Existe Morte por Acidente?

Fernando Rossit

DOUTRINA ESPIRITA

Muitas mães, aflitas e saudosas, procuram a Casa Espírita para se informar a respeito das causas espirituais dos acidentes, notadamente com veículos, que vitimaram seus filhos.

– Foi inevitável? – meu filho tinha que partir mesmo? – havia programação espiritual para meu filho morrer?

Depende das circunstâncias e dos fatos que foram determinantes para a ocorrência do acidente.

A análise desse tema, sob a ótica espírita, não possui o condão de ser definitiva e abarcar todas as variáveis. Quem seria capaz de conhecer, em profundidade, os desígnios de Deus?

Vivemos num mundo de matéria muito grosseira onde qualquer acidente ou doença poderá levar à morte. Conclusivamente, a vida aqui na Terra, por si só, já é uma expiação para os Espíritos (ver questão 132 de O Livro dos Espíritos).

Denominamos de Suicídio Direto aquele que a pessoa que o pratica tem a intenção de acabar com a própria vida. Exemplos: enforcamento, uso de armas de fogo, ingestão de medicamentos e venenos, objetivando a morte do corpo físico.

De Suicídio Indireto aquele que a pessoa não tem a intenção de se matar, mas por imprudência, negligência, desrespeito ao corpo e à vida, age de forma irresponsável, desencarnando prematuramente. Exemplo: pessoa que, embriagada, dirige em alta velocidade, desrespeitando as normas do trânsito.

Muitos acidentes são provocados, isto é, são resultado de imprudência e irresponsabilidade das pessoas. Quando isso ocorre, não há como pensar que tal ocorrência estava prevista para acontecer nos planos divinos. Trata-se de suicídio indireto (da parte de quem provocou).

No entanto, temos que considerar que num acidente envolvendo outro veículo, quando a acontecer da batida provocar vítimas fatais no outro carro, para elas ( as vítimas da imprudência do primeiro motorista ), tratar-se-á de provação e talvez expiação, isto é, resgate de dívidas do passado, quando também malbarataram a própria vida. Claro que nesses casos não serão considerados suicidas indiretos.

Concluindo:

1- suicídio indireto no caso de imprudência do motorista (pessoa que passa num farol vermelho em alta velocidade, consciente do perigo a que se sujeita, e perde a vida, por exemplo);

2- provação ou expiação para aquele que é vítima da imprudência de outros motoristas. Por exemplo, um jovem passa em alta velocidade num cruzamento com farol vermelho e colide com outro veículo, levando seu condutor à morte.

De destacar que, não havendo INTENÇÃO de se matar, o Espírito desencarnado, vítima de si mesmo, terá abrandados seus sofrimentos com a ajuda espiritual que não lhe faltará – aliás, não faltará para ninguém. No caso do suicídio indireto, sempre haverá atenuantes para o sofrimento.

No trabalho mediúnico realizado em favor dos irmãos suicidas, realizados nas últimas sextas-feiras de cada mês, no Kardec, já presenciamos a comunicação de muitos desses irmãos em desespero pelo acidente que os vitimou, provocando a morte prematura. O caminho de volta ao reequilíbrio é sempre doloroso, até porque se trata de uma morte violenta, inesperada.

Não há saída: terão que encarar a nova realidade em que se precipitaram e reconstruir suas vidas, com a ajuda e socorro dos Benfeitores Espirituais. Preces, aceitação, esforço próprio e confiança em Deus.

Não podemos nos esquecer, também, que cada caso é um caso. A situação de cada um após a desencarnação vai sempre depender de variáveis que estamos longe de conhecer em razão do nosso pouco entendimento. Uns sofrem mais, outros menos.

Queremos ajudar?

Incluamos em nossas preces diárias esses irmãos, envolvendo-os com amor e compreensão, respeitando a situação que atravessam, certos de que não temos direito nem condições de expressar qualquer julgamento depreciativo, haja vista que também somos vítimas de nós mesmos em várias situações das nossas vidas, em face das imperfeições que carregamos dentro de nós.

Fernando Rossit

Fonte: Associação Espírita Allan Kardec

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Período de Transe

Joanna de Ângelis

PERÍODO DE TRANSE

As densas névoas de natureza vibratória que pairam sobre a sociedade atual produzem um tóxico de natureza entorpecente que a quase todos os indivíduos coloca em semitranse.

Parecendo fantasmas que deambulam sem destino, as massas humanas movimentam-se atoleimadas em faixas de energia deletéria sem a capacidade de entender o que lhes está ocorrendo.

Sob um aspecto, arrastam-nas ao embalo de ruídos alucinatórios e luxúria exacerbada, ou anulam-lhes o discernimento e o bom-tom, permitindo-se quaisquer arrastamentos.

Entorpecidas pelas sensações grosseiras do primitivismo em que se situam, elegem condutas estranhas, distantes dos comportamentos do amor e da responsabilidade que a vida impõe inexoravelmente.

Arrebanhados pela força hipnótica na qual se nutrem, vivem as situações asselvajadas para atenderem falsas necessidades orgânicas, em particular as que pertencem aos instintos primários.

Mentes poderosas da Erraticidade inferior infiltraram ideias torpes nas suas redes psíquicas e não possuem energias saudáveis para arrebentar as amarras magnéticas nas quais estertoram.

Esse estágio que caracteriza a atualidade social é o fruto espúrio de comportamentos materialistas apresentados por doutrinas cínicas e existencialistas que reduzem a vida humana ao estúpido amontoado de células montadas pelo acaso.

O predomínio da natureza animal sobre a espiritual do ser tornou-o brutamonte, insensível às manifestações do amor e da solidariedade.

O individualismo egoísta, ao fracassar, empurrou as comunidades para o coletivismo das modas e hábitos viciosos que desgovernam a Terra.

Problemas que o amor soluciona com facilidade ficaram ao abandono e agigantaram-se em razão da preferência do gozo pessoal em detrimento de outros valores éticos que são a segurança emocional para a existência terrenal.

Esse transe é pestífero porque vitaliza miasmas psíquicos que se transformam em vírus e bactérias agressivos que infestam os organismos em desarmonia.

Surgem doenças repentinamente, e distúrbios individuais de etiologia desconhecida dizimam esses incautos.

O pensamento é o dínamo gerador de forças por ser a casa mental a emissora de ondas que se transformam em ideais e se condensam em fenômenos materiais.

A cada momento, novas propostas de prazer, recreações variadas inconsequentes arrebatam as multidões desestruturadas.

Há um vazio existencial que o gozo material não preenche porque é de breve duração.

Cada dia mais se avoluma a degradação moral e dos sentimentos que adquire cidadania, embriagando os viandantes incautos da organização material.

*****

Quando a situação se tornou desesperadora entre os seres humanos, em cada fase, os Céus ensejaram a oportunidade para que antigos mártires, missionários do bem e da caridade, renascessem no mundo para o despertamento dos anestesiados nas ilusões infelizes.

Esses Espíritos oferecem-se para arrancar do transe nefasto os irmãos que não têm sabido resistir às atrações do mal.

Nesses períodos, a angústia domina as emoções, e os sofrimento se oculta em sorrisos de embriaguez e de paixões imediatistas que consomem as massas.

A angústia, de alguma forma, é necessária no processo da evolução.

A lagarta que ambiciona voar em forma de borboleta leve retorce-se no casulo, experimenta mudanças totais e consegue sair do solo para planar nas correntes aéreas.

Assim também o Espírito vê-se constrangido ao camartelo das injunções, às vezes penosas, para ascender no rumo da Grande Luz.

És membro dessa grei sublime, capacitada para o soerguimento moral da Humanidade.

Alguns que estão participando do movimento revolucionário permanecem na Espiritualidade, a fim de sustentarem os que se sacrificam no corpo que lhes é imposto e tenham assistência especial até a etapa final do compromisso.

Para que bem atendam essa específica tarefa de despertamento para a iluminação, serás convidado aos desafios das sombras e ciladas do mal, permanecendo intimoratos e fiéis no dever aparentemente vencido.

Trata-se de uma verdadeira guerra de ideias que se tornaram vidas, ora necessitadas de socorro e de vitalização. Não aguardes compreensão generalizada nem apoio emocional. As vítimas do transe não estão dispostas à reabilitação, ao reencontro com a lucidez. E outros que também são sustentados pelo sopro nefasto tecerão armas contra ti, infligindo-te dores e punições perversas para que desanimes.

Formarão grupos bem organizados para o combate e se multiplicarão, surpreendendo pelas armas de que se utilizarão para destruir-te, para silenciar-te.

Mantém-te atento e não revides, caindo nas sórdidas armadilhas que sabem preparar.

Permanece fiel ao compromisso com Jesus, que enfrentou situação equivalente, sempre perseguido, porém, amoroso sem cessar. Não te surpreendas ante as pequenas vitórias que apresentarão, recordando-te de que a batalha final é a que decide o conflito. Essa luta final não foi a crucificação do Mestre, mas a Sua ressurreição que demonstrou a vitória da verdade.

*****

Nada consiga abater o teu ânimo, nem cedas à dúvida, que é uma nuvem dificultando a claridade do raciocínio.

Luta contra as tuas fracas forças e não te deixes abater, não te entregues.

O Evangelho é canção de alegria inefável e a ti está confiado.

Vive-o em toda a sua magnitude e não concedas espaço ao temor ou à entrega do amolentamento, que logo mais desaparecerá, no fragor da batalha redentora, se permaneceres irretocável no teu dever.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 9.4.2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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O que é Espiritismo?

CARTA DO EDITOR – 1º Editorial.

A doutrina Espírita é o resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A ciência é chamada a constituir a Gênese segundo as leis da natureza. Deus prova sua grandeza e seu poder pela imutabilidade de suas leis, e não pela suspensão. Para Deus, o passado e o futuro são o presente. (KARDEC, A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo O Espiritismo, 2018, P. De rosto).

O Espiritismo é uma doutrina Científica de cunho filosófico e consequência ético moral, enquanto ciência o seu objetivo é intercambiar as duas margens do rio da vida, à margem dos encarnados e a dos desencarnados, enquanto filosofia seu propósito é produzir um despertar ético e moral.

O Espiritismo enquanto ciência dá-se a partir das relações estabelecidas pela vivência do mundo material e as suas correlações com o mundo espiritual, assim como diz Allan Kardec (2017), “A crença nos Espíritos constitui sem dúvida a sua base, mas não basta para fazer um espírita esclarecido, como a crença em Deus não basta para fazer um teólogo.”, desta forma não discutimos aqui o fato de se acreditar ou não nos Espíritos, pois a ciência Espírita tem como fim precípuo comprovar a sua existência, mas discutir e apresentar o encadeamento entre as duas margens, neste ponto nos dizem os Espíritos na pergunta 459 do Livro dos Espíritos “ Que de ordinário são eles que nos dirigem”.  Assim, dividimos gostos, sabores, felicidades, bem como dissabores e infelicidades com aqueles que por algum motivo ou de alguma forma estamos ligados, pois, a ciência comprova, a filosofia convida e o efeito é a revolução ética e moral que provocará pessoas mais justas e comprometidas com o social, desta forma como diz Paulo Freire (1981), “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”

Diante da proposição da filosofia Espírita, haveremos de inserir na estrutura universal de onde somos parte integrante e que não encontramos em nosso mundo tal referência para estruturar nosso íntimo que terá em cada uma de nossas experiências, reiteradas oportunidades de reavaliação e aprendizado, onde desta forma são estabelecidos vivencialmente esses princípios filosóficos. O que se faz entender, que a medida que se mergulha no mundo das concordâncias e discordâncias, dos amores e das frustrações constroem-se caminhos, experiências e aptidões para que se seja o melhor possível.

A compreensão desta filosofia e a sua vivência, facultam-nos a possibilidade de um despertar Ético e Moral, pois a construção do saber Espírita, dar-se mediante a vivências das relações sociais, pois embasa-se em comportamentos que possuem no amor a sua matiz, a inspiração para que construa-se uma sociedade justa e equânime. Tendo em Jesus seu modelo e guia entende-se que a Doutrina Espírita tem como um dos seus objetivos formar uma sociedade que se ame.

Equipe Editorial Ágora Espírita.

Alexandre Junior.  Manoel Gomes.

Fonte: ÁGORA ESPÍRITA

Referências Bibliográficas.

KARDEC, A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo O Espiritismo, 2018, Página. De rosto.1º Edição, 2018, FELEAL.

KARDEC, O Livro dos Espíritos, pergunta 459, LAKE, 2007, Tradução José Herculano Pires.

FREIRE, Pedagogia do Oprimido. 9 ed. Rio de Janeiro. Editora Paz e Terra. 1981, p.79.

KARDEC, O Livro dos Médiuns, 1º Edição Março de 2017, Catanduva, São Paulo, Editora Boa Nova, Tradução José Herculano Pires.

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Os dois tipos de espíritas

Ricardo Orestes Forni

Li uma interessante página do Espírito Albino Teixeira, psicografia de Chico Xavier, o que me motivou a levar uma breve página ao Centro espírita que frequento, começando por indagar exatamente o que está no título do artigo, ou seja, quais os dois tipos de espíritas que existem.

A pergunta ficou propositalmente sem resposta porque ninguém tinha lido, naquela ocasião, os ensinamentos desse Espírito.

Antes que passemos às explicações de Albino Teixeira, quais seriam os dois tipos de espíritas que existem? Você, por acaso, tem ideia?

Já faço questão de adiantar que pertenço ao primeiro tipo sem falsa modéstia, mas de mãos dadas com a verdade e a paz de consciência.

Obviamente, por estarmos num planeta de provas e de expiações, não podemos esperar enormes joias morais a não ser dos Espíritos missionários que sacrificialmente retornam em novas reencarnações para darem uma mão na evolução planetária.

Ouso dizer, e me perdoem se estou errado, que a maioria do primeiro grupo de espíritas se caracteriza em comparecer ao Centro, ouvir uma página ou palestra, tomar o seu passe, beber a água energizada, comparecer a um grupo de estudo doutrinário. Contudo, dão a impressão (não se esqueçam de que me incluí no primeiro grupo) que vestem um uniforme na entrada da Casa espírita e o desvestem e deixam dependurado, na saída desse mesmo local, em um cabide imaginário.

Albino Teixeira qualifica esse comportamento como característico de espíritas que entram na Doutrina.

O segundo grupo já é em menor número se não faço juízo errado e acredito que não. São aqueles que assumem o “uniforme” espírita no seu cotidiano e não somente quando entram em um Centro espírita e não o desvestem ao sair desse local. Ou seja, conseguem vivenciar (pelo menos em parte) os ensinamentos que aí recolhem colocando-os em prática no seu dia a dia.

A esse segundo grupo Albino Teixeira caracteriza aqueles nos quais a Doutrina Espírita entrou.

E cita o autor espiritual dez regras para identificá-los:

– Mais serviço espontâneo e desinteressado aos semelhantes

– Mais empenho no estudo

– Mais noção de responsabilidade

– Mais zelo na obrigação

– Mais respeito pelos problemas dos outros

– Mais devotamento à verdade

– Mais cultivo de compaixão

– Mais equilíbrio nas atitudes

– Mais brandura na conversa

– Mais exercício de paciência.

E arremata ele a lição com os seguintes ensinamentos:

Ser espírita de nome, perante o mundo, decerto que já significa trazer legenda honrosa e encorajadora na personalidade.

Mas para que a criatura seja espírita, à frente dos Bons Espíritos, é necessário apresentar o sinal espírita da renovação interior, que, ante a Vida Maior, tem a importância que se confere na Terra às prerrogativas de um passaporte ou ao valor de uma certidão.

Talvez essa classificação de Albino Teixeira tenha ligação mais direta com a informação de Chico, enquanto encarnado, quando afirmava que a maioria dos Espíritos desencarnados que encontrava na dimensão espiritual durante o seu desdobramento e que tinham sido espíritas em sua última existência aqui na Terra, lamentavam o tempo e as oportunidades perdidas na última reencarnação.

Da mesma forma como determinado número de espíritas entra e sai de um Centro desvestindo-se como tal, muitas pessoas entram e saem da vida trocando de uniforme através das mais diversas religiões onde supõe estejam sendo cristãs com atitudes que revelam ter entrado numa denominação religiosa sem que os ensinamentos de Jesus tenham encontrado repercussão em suas vidas.

Que o nosso entusiasmo em buscar ensinamentos de Emmanuel, André Luiz, doutor Bezerra, Meimei e todos os exemplos superiores que conhecemos, seja estendido no sentido de permitirmos que esses mesmos ensinamentos comecem a fazer parte do nosso dia a dia aqui na Terra no menor espaço de tempo possível!

Que o “cabide” invisível aos nossos olhos, mas concretamente existente na prática de nosso dia a dia, possa ser removido do nosso comportamento, impedindo que continuemos a ser espíritas que entramos na Doutrina e ainda não permitimos que a Doutrina entre em nós!

Ricardo Orestes Forni

Fonte: Espiritismo na Rede

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