A Busca Pelo Autoconhecimento

Maria Thereza dos Santos Pereira

Atualmente, com a quantidade de informações disponibilizadas às pessoas pelas redes sociais, canais, lives, cursos, palestras, workshop etc., conceitos são construídos e desconstruídos diariamente com muita facilidade, que dificulta a percepção concisa e clara sobre algo. Resta difícil construir uma conclusão sobre qualquer assunto, posto que o entendimento fica parecido a uma “colcha de retalhos”, com tantos pontos de vista e opinadores diferentes sobre assuntos diversos.

Temos acesso à tanta informação e queremos descobrir tantas outras que acabamos esquecendo de olhar para nós mesmos e escutar os opinadores que realmente podem fazer diferença em nossas vidas, que somos nós mesmos e Deus.

Afinal, o que realmente precisamos aprender?

É muito importante que todos busquemos nos melhorar, aperfeiçoar e estar em constante evolução em todos os aspectos de nossas vidas, mas de fato a ingestão de tantas informações, desordenadas e relativizadas, são necessárias à nossa evolução?

Há momentos na vida que precisamos realizar uma autoanálise para entender QUAL o momento estamos vivendo, O QUE buscamos e COMO chegar lá.

Esses momentos podem ser aqueles em que você medita, tira para realizar uma caminhada ou qualquer outro em que você esteja apenas com você mesmo, ou melhor, que esteja apenas na companhia de você mesmo e Deus!

Isso porque a nossa jornada desde o dia que reencarnamos até o dia do falecimento do corpo físico é individual, como nossa bagagem espiritual e lições que precisamos ter. O que precisamos passar, viver e aprender, ninguém passa por nós e Deus “não dá fardos largos a ombros fracos”, por isso, nós próprios temos que buscar.

O que é certo é que, apesar de individual, a jornada não é sozinha, já que Deus nunca deixa de assistir qualquer indivíduo através dos nossos mentores espirituais, bem como Ele próprio nos fala através de nossa consciência (que é unitária e exclusivamente nossa).

Assim, se você está lendo este artigo, pelo menos alguma afinidade com a doutrina espírita possui e, portanto, possivelmente busca ser alguém melhor e uma pessoa de bem.

Desta feita, tornemos ao questionamento anteriormente realizado de uma forma mais elaborada de acordo com o aspecto espiritual de nossas vidas: o que realmente falta aprender para sermos uma pessoa melhor amanhã do que somos hoje?

Assertivamente neste artigo não temos a resposta, repito que ela é individual, cada um sabe o que lhe falta aperfeiçoar, ou pelo menos imagina através de sua intuição e dos espíritos amigos que lhes inspiram.

Não oferecemos a resposta objetiva, porém o caminho pode ser indicado: o primeiro passo é identificar quais são os pontos de melhoria através do autoconhecimento.

A investigação de si mesmo pode fazer com que o indivíduo não apenas controle melhor suas emoções, como pode melhorar suas atitudes, refletindo sobre os erros passados, para não repeti-los. (1)

O autoconhecimento deve vir acompanhado da autoaceitação, que implica em não nos enganar, aceitarmo-nos imperfeitos como somos e traçar estratégias para nos melhorar, pelo uso da inteligência e consciência que Deus nos proporcionou, bem como inspirações dos amigos espirituais que nos envia.

O autoconhecimento, autoaceitação e auto perdão são premissas para reforma íntima e a efetiva transformação moral que todos devemos praticar. (2)

Se o leitor ainda não tem traçados seus objetivos, inclusive espirituais para buscar evoluir, ser uma pessoa melhor e de bem, convido-o a realizar o autoconhecimento e estudar a doutrina que ensina que o homem de bem “interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem” (Kardec, 2018), assim, enfim, encontrará a resposta!

Maria Thereza dos Santos Pereira

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

KARDEC, Allan; Tradução de Matheus Rodrigues Camargo. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 43ª reimp. São Paulo: Editora EME, 2018.

1- Leia mais em: “Premissas da Reforma Íntima”

2- Leia mais em: “Três Passos para a Reforma Íntima”

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Suicídio: Prefira viver

Fernanda Machado

Prezados irmãos, vivemos tempos de incertezas e angústia. Não apenas pela pandemia, mas também porque são chegados os tempos de mudança moral para nós. Muitas vezes, quando passamos por crises, ficamos desanimados e com bastante dificuldade de lidar com os problemas. É preciso estar atento para não perdermos a vontade de viver, pois o Evangelho de Jesus nos ensina a valorizar a existência terrena e a evoluir com ela. Todos os indivíduos que atentam contra a vida, atentam também contra as Leis Divinas de amor. A Doutrina Espírita é, portanto, a favor da vida e refuta qualquer ideia de morte voluntária do corpo físico.

A Associação Brasileira de Psiquiatria criou, em 2014, uma cartilha para combater o suicídio. Neste documento, são citados os três Ds que envolvem esta temática: desamparo, desespero e desesperança. Explicando melhor:

“As reações três Ds envolvem o comportamento de aflição, descontrole, angústia, irritação, furor (desespero); um sentimento de abandono acompanhado de uma sensação de vulnerabilidade, solidão, tristeza e medo (desamparo) e o sentimento e o pensamento de uma situação sem saída (desesperança)” (ALMONDES; TEODORO, 2020, p. 2).

A maioria de nós já experimentou esses sentimentos. No entanto, devemos ter em mente que acabar com a vida na Terra não extingue a vida completamente, ou seja, não é uma fuga das adversidades, uma vez que continuaremos existindo eternamente em Espírito. Assim, suicidar-se significará apenas acrescentar novos sofrimentos aos que já se possuía, pois somos responsáveis por todas as nossas atitudes.

A questão de querer fugir dos embaraços da vida explica o motivo pelo qual, muitas vezes aquele que tentou o suicídio, ao ser socorrido em um hospital, pede ajuda para sobreviver. Na verdade, nós queremos sempre eliminar as vicissitudes e não morrer. O que acontece nesses casos, é a pessoa entender que somente com a morte ela não mais sofrerá suas dores. Esse é um pensamento inflexível e rígido, através do qual não se enxerga solução e saída. E em um momento de sofrimento, por um impulso, o indivíduo tenta se matar.

O Espiritismo nos ensina que os tormentos fazem parte da vida e nos ajuda a passar por eles. Já dizia Jesus: A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos. Com este ensinamento, o Cristo nos lembra da lei de ação e reação, que traz as consequências para nossos atos, sejam bons ou ruins. Quando interiorizamos esse preceito, passamos a compreender e aceitar os contratempos, sendo inclusive gratos por eles. A partir deles é que conseguiremos evoluir e, um dia, chegar à perfeição e à felicidade plena.

A única forma de atingirmos tal nível evolutivo é reencarnando e, por isso mesmo, não faz sentido extinguirmos nossa vida corpórea. Devemos aproveitar ao máximo essa oportunidade de aqui estarmos! Muito provavelmente nós pedimos para nascer, e mais: Pedimos pelas provações tão difíceis a respeito das quais hoje só sabemos reclamar. Em Espírito, desejosos em reparar nossas faltas e seguir adiante, assumimos compromissos para a nova vida na Terra, a fim de conseguirmos quitar nossos débitos o quanto antes. Nosso planeta é, portanto, um grande hospital, o remédio para nosso mal.

O amor é o caminho para erradicar o sofrimento e o desejo de morte. Ele é a poção para a felicidade de viver! Deus, como nosso Pai celestial, nos ama e quer o melhor para nós. Ele jamais nos abandona e deixa também Espíritos amigos por perto para que nos amparem nos maus momentos. Basta uma oração, um pensamento elevado, para que esses nossos irmãos da espiritualidade consigam nos inspirar um lampejo de ânimo, de alegria para seguir a caminhada. Lembremos que o pensamento é a maior força que nós temos. Através dele conseguimos atrair as companhias que quisermos. Então, vamos manter sempre nossa vibração elevada para que nosso mentor e demais amigos venham estar conosco. Ninguém nunca está só, tenham certeza disso.

A fé raciocinada nos revela a necessidade de transformação moral. Não deixemos que os três Ds dominem nosso sentimento. Vamos, dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, combater tudo de negativo que há em nós. Pratiquemos a lei de justiça, amor e caridade. Sigamos os passos de Jesus. Busquemos os enfermos, os sem-teto, os abandonados, os solitários para ofertar um pouco de amor e sem esperar recompensa. Sejamos indulgentes e benevolentes para com os outros. Cultivemos o amor. E, assim, o amor nos contagiará, fazendo com que nossos problemas fiquem pequenos e quase imperceptíveis. “Só quem ama tem o poder de apagar dores e semear felicidade”. (PINHEIRO, 2018, p. 166).

Prefira viver, querido amigo! Você tem todas as ferramentas para vencer, dentro de si! Jamais duvide disso e jamais se esqueça que estamos todos juntos, criatura ajudando criatura, para chegar ao Criador. Que a paz esteja contigo hoje e sempre!

Fernanda Machado

Fonte: Letra Espírita

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REFERÊNCIAS 

ALMONDES, K. M.; TEODORO, M. Os três Ds: desespero, desamparo e desesperança em profissionais da saúde. Disponível em: https://www.sbponline.org.br/arquivos/To%CC%81pico_3_Como_oferecer_primeiros_aux%C3%ADlios_psicol%C3%B3gicos_para_profissionais_de_sa%C3%BAde_trabalhando_na_crise_da_pandemia_Covid-19_Veja_o_T%C3%B3pico_3_das_Orientacoes_t%C3%A9cnicas_para_o_trabalho_de_psic%C3%B3logasos_no_contexto_da_COVID-.pdf>. Acesso em: 09 de setembro de 2020.

FUKUMITSU, K. O. Comportamentos Suicidas, Adolescência e Velhice. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IsfomJhedH0&list=PLKmcQCW0xjAm6WLN3A7iQvFkJzHAM_Ldv. Acesso em: 17 de janeiro de 2020.

PINHEIRO, L. G. Suicídio: a falência da razão. Editora EME. 1ª edição. Capivari, 2018.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Suicídio: informando para prevenir. Associação Brasileira de Psiquiatria. Disponível em: http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14. Acesso em: 11 de setembro de 2020.

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O perdão liberta

Itair Rodrigues Ferreira

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Simão Pedro, o devotado discípulo, perguntou a Jesus: “Quantas vezes devo perdoar ao meu próximo, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”. Ao que Jesus lhe respondeu: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Se multiplicarmos esses números, achamos o resultado de 490 vezes.

Chico Xavier estava atendendo as pessoas, em Uberaba, no Grupo Espírita da Prece, quando uma mulher que sofria com o marido, alcoólatra, veio até ele e lhe disse: – Chico, se eu contar as vezes que já perdoei ao meu marido nestes trinta anos de casada, dá mais de 490 vezes; sendo assim, já estou liberada! Ao que o Chico lhe respondeu: – Emmanuel está aqui, do meu lado, dizendo que “Jesus mandou perdoar setenta vezes sete, cada ofensa que venha perturbar o nosso coração”. Esse número é simbólico, significando que o perdão deve ser constante e incondicional, como ensinou o Cristo em todos os atos de Sua estada entre nós, mostrando como se faz, fazendo.

Nas estações do sofrimento, sem precisar e sem merecer, deixou-Se imolar por amor a nós, a fim de nos impulsionar ao caminho da suprema felicidade, para a qual todos fomos criados, mas não soubemos ainda entrar na posse de nossa herança divina, trocando, ao longo das nossas múltiplas existências, pelo orgulho, pelo egoísmo, pela preguiça, pelo crime, pagando, assim, o preço pelas nossas escolhas.

Emmanuel, que foi contemporâneo de Jesus, na personalidade do senador Públio Lentulus Cornelius, conta no livro Há 2000 anos…, que participou, como legado de César na Galileia, do julgamento de Jesus, a pedido do governador da Judeia, Pôncio Pilatos, e este tudo fez para livrá-lo da condenação, dando ideias, como, por exemplo, a de “substituí-lo por algum prisioneiro com processo consumado”. Porém, tudo em vão. O povo preferiu perdoar Barrabás, e, num dado momento do flagício, Polibius, um ajudante de ordens do governador, comovido com os padecimentos de Jesus, foi falar-lhe pessoalmente para que ele pedisse indulgência ao governador.

Então, Jesus afirmou que, se quisesse, “poderia invocar as legiões dos seus anjos e pulverizar toda a Jerusalém dentro de um minuto, mas que isso não estava nos desígnios divinos e, sim, a sua humilhação infamante, para que se cumprissem as determinações das Escrituras”. Terminou na cruz, sacrificado entre dois ladrões, pedindo clemência para seus algozes, sem se ofender, compreendendo a ignorância reinante: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem!”.

Perdoar em grego é aphíemi, que quer dizer desligar, soltar, libertar. Nelson Mandela, o grande estadista, ficou 27 anos preso por querer a justa distribuição dos meios de sobrevivência em sua pátria, a África do Sul, e ao ser perguntado pelos repórteres se tinha raiva dos carcereiros com quem ele teve contato durante todo o tempo de prisão, respondeu: “Não, de forma alguma. Eu queria ultrapassar aqueles muros e ficar livre. Se a raiva permanecesse em mim, eu não estaria livre, mas sim, escravizado por um sentimento mau”. (Ver o livro Os Morfeus do sonho, página 108, de minha autoria).

Não perdoar e guardar rancor é carregar um saco de lixo tóxico, prejudicando a nossa estrutura emocional e física, gerando doença num curto espaço de tempo. O Dr. Frederic Luskin, doutor em Aconselhamento Clínico e Psicologia da Saúde, pela Universidade de Stanford, nos EUA, afirmou, por meio de pesquisas, que a raiva revelou ser um risco significativo para a doença cardíaca. Num estudo fascinante com adultos que possuíam pressão arterial normal, ele constatou que cinco minutos de raiva enfraqueceram a reação imunológica dos participantes, a imunoglobulina salivar, uma medida comum da capacidade imunológica, que ficou diminuída por um período entre quatro e seis horas depois do episódio de cinco minutos de raiva.

Perdoar, em todas as línguas é doar, dar completamente. Denota totalidade, plenitude. Os prefixos per, ver e for significam para. Per doar, per donare, per donar, ver geben, for give, para dar, para doar, é o desprendimento, a liberdade de Espírito. O perdão liberta. A poetisa da Espiritualidade Superior, Maria Dolores, através de Chico Xavier, diz, em seu poema Cantiga de Perdão: “Perdoa e seguirás em liberdade, no rumo certo da felicidade”.

É necessário o treino constante do perdão, já que ofendemos e nos sentimos ofendidos. Há o ditado popular: errar é humano, perdoar é divino. Entretanto, se errar é humano, perdoar também tem que ser humano. Nós é que temos de resolver nossos problemas. Temos o hábito de dizer: – Deus que me perdoe! Mas, Deus não tem que perdoar. Ele não se ofende. O perdão está relacionado com a ofensa. Se não há ofensa, não é necessário o perdão.

Ele criou leis para regerem as nossas ações. Seremos felizes ou desgraçados, de acordo com a nossa escolha. Diz André Luiz, na psicografia de Chico Xavier, numa página intitulada nem castigo, nem perdão, que “Deus é Equidade Soberana, não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas. Nossa conduta é o processo, nossa consciência, o tribunal”. Deus dá a cada um, de forma igual, os meios de aprimoramento, mas “a cada um será dado de acordo com as suas obras”. Na prece dominical, conhecida como Pai Nosso, Jesus nos ensina: “Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, ou seja: Colheremos aquilo que plantarmos. Se não perdoamos, como querer que as pessoas nos perdoem?

Outra crença popular que atrapalha a prática do perdão é a frase tão comum: Perdoar é esquecer! Ou: Quem perdoa, esquece! Lembrar e esquecer são questões mnemônicas. Se a nossa memória é saudável, não há possibilidade de esquecer nenhum acontecimento, seja ele bom, seja mau. Perdoar é enxugar o fato, retirando-lhe, do conteúdo, a energia nervosa. Ficará apenas o fato. Isso é esquecer. Quanto ao mal, não merece comentário, em tempo algum.

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

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À Noite a Obsessão é Maior

Fernando Rossit

De acordo com Richard Simonetti, autor do livro “Quem tem Medo da Obsessão?”, a obsessão é mais intensa durante a noite, quando estamos dormindo.

Durante o sono o espírito se distancia do corpo físico, mas não fica inativo. Neste momento o encontro com entes queridos é possível da mesma forma com desafetos e Espíritos mal intencionados.

Essa influência, se não combatida, pode nos levar à Obsessão, isto é, a uma ação prejudicial que um ou mais Espíritos exercem sobre nós.

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Simonetti, cita o livro “Libertação”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, onde o Espírito André Luiz reporta-se à experiência de uma senhora perseguida por dois obsessores que tinham duplo propósito: comprometer sua tarefa como médium e conturbar o trabalho de seu marido, dedicado dirigente espírita.

Como sempre fazem, os Espíritos Obsessores atacam nossos pontos fracos ou, em outras palavras, nossos defeitos.

Essa Senhora citada na Obra “Libertação” era médium espírita, mas era frágil em suas convicções, gostava de se destacar pelas suas tarefas, se tornando presa fácil nas mãos dos Obsessores.

Como tinha dúvidas a respeito de sua mediunidade, os Espíritos perturbadores aproveitaram suas vacilações para incutir a ideia de que as manifestações que transmitia eram fruto de sua própria mente.

Além disso, como era também muito ciumenta, atiçavam nela tendências ao ciúme, sugerindo que o marido usava sua posição no centro espírita para seduzir mulheres.

Dois defeitos “bem aproveitados” pelos Espíritos perturbadores.

Os obsessores conversavam com ela, confundindo-a em relação aos seus compromissos mediúnicos e à fidelidade do marido.

Eles entravam em contato com ela durante as horas de sono.

O marido, homem disciplinado e esclarecido, amigo das virtudes evangélicas, afastava-se do veículo físico (desdobrava-se) e participava de atividades de aprendizado e trabalho, junto de benfeitores espirituais.

Já sua mulher, ao despertar, sente mal estar porque aquelas “orientações” que recebia dos Espíritos perturbadores repercutiam em seu psiquismo, inspirando-lhe desânimo e indignação.

André Luiz presencia uma dessas sessões de aliciamento para a perturbação e registra o deplorável estado da médium ao despertar.

“Oh! Como sou infeliz! – bradou, angustiada – estou sozinha, sozinha!”

O marido, inspirado por benfeitor espiritual, tem imenso trabalho para pacificá-la.

Os Obsessores, apresentando-se como “amigos” e “protetores”, conquistaram sua confiança. Como se programassem sua mente, incutem-lhes ideias infelizes que martelarão seu cérebro durante a vigília, emergindo na forma de dúvidas, temores, angústias, impulsos desajustados e depressão.

Ocorre, muitas vezes, uma verdadeira hipnose espiritual.

Seria equívoco situar as horas de sono como páginas em branco na existência humana.

São páginas escritas com tinta invisível, tão importantes quanto aquelas que escrevemos na vigília, com insuspeitada e ampla influência sobre nossos estados de ânimo, nossas ideias e sentimentos.

É muito importante nosso preparo antes de dormir, evitando programas de TV ou filmes de conteúdo negativo, por exemplo.

A prece antes de dormir é um excelente recurso para que possamos ter bons sonhos porque nos liga aos Bons Espíritos, garantindo-nos boas companhias espiritais.

No entanto, a forma mais eficaz para estarmos ligados ao Bem e impedirmos que venhamos a ser influenciados por Espíritos maus, é a nossa mudança de hábitos e costumes, nossa transformação moral.

Façamos sempre uma autoanálise sincera a respeito do nosso comportamento, analisando nossos pensamentos e atos, e busquemos ser melhores a cada dia.

Lembremo-nos: um mau pensamento sempre é inspirado por um Espírito perturbador. No entanto, a sua influência somente ocorrerá se houver sintonia, isto é, se ele encontrar dentro de nós o canal para estabelecer a perturbação espiritual.

Esse canal chama-se imperfeições morais, tais como: ciúme, inveja, maledicência, orgulho, vaidade, intolerância, preconceito, irritabilidade, hábitos negativos de reclamação, críticas, julgamentos etc.

Atenção, portanto.

Fernando Rossit

Fonte: Associação Espírita Allan Kardec

Referências:

-Quem tem medo da Obsessão, de Richard Simonetti

(Esse livro está sendo estudado no Kardec, todas as quartas-feiras, às 20hs. Participe!!)

-O Livro dos Espíritos, Cap. VIII, 2ª parte, Allan Kardec.

-Libertação – Chico Xavier/André Luiz

 

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ESPÍRITAS CONFUSOS COM A IDEOLOGIA DE GÊNERO

Ivomar Costa

Há algumas semanas li no site de um conhecido articulista espírita que faz parte de uma destacada entidade espírita paulista, o seguinte:

“está provado que ninguém nasce homem ou mulher, mas torna-se homem ou mulher”.

Talvez, numa interpretação equivocada da lei de liberdade, o articulista e escritor tenha confundido o princípio reencarnatório da alternância de sexos, meio de aprendizado para os espíritos em evolução, como liberdade para romper com os rígidos padrões disciplinares desta importante experiência do espirito.

Os espíritos reencarnam como homens ou mulheres para que cada um aprenda a entender o mundo subjetivo do outro; o espírito predominantemente masculino para entender o mundo feminino, assim como os espíritos predominantemente femininos para entender o mundo masculino. Contudo, nenhum deles, quando nascidos em sexos diferentes das suas polaridades sexuais está autorizado a manter práticas que ferem a sua conformação biológica terrena. O que deve imperar é a disciplina, o autocontrole.

Certamente, não se deve extrair sentidos inexistentes nestas afirmações. De modo algum a pessoa com tendências homossexuais deve ser excluída do convívio dos outros, sobretudo a dos espíritas. Se a pessoa mantém práticas homossexuais, isso também não é motivo para afastamentos, ou impedimentos outros, ademais desnecessários. A indisciplina sexual, lembremos, não ocorre somente com os homossexuais, pois a maioria das pessoas, ainda que em segredo, é sexualmente indisciplinada.

O grande problema da atualidade brasileira, e talvez mundial, é que existe uma campanha massiva para conduzir as pessoas a aceitarem as esdrúxulas hipóteses da “sexualidade em fluxo”, a qual propõe que a cada momento podemos ser homens ou mulheres, de acordo com as nossas disposições, sem qualquer freio. O nível de insanidade chegou a tal ponto que os apologistas dessas ideias querem que crianças, ou seja, seres ainda em formação psicológica e em busca da sua identidade, possam realizar delicadas cirurgias para mudança de sexo. O absurdo vai mais longe ainda quando assume corte totalitário, ao tentarem criar leis que permitam essas arriscadas e imorais operações sem o consentimento dos pais!!!

Em termos políticos isso significa que o estado, o governo, pode se imiscuir na liberdade e na autoridade dos pais permitindo que crianças, sabe-se lá com que critérios, possam extirpar suas genitálias sem possibilidade de readquirir estes órgãos caso mudem de ideia mais adiante. No fundo, estas cirurgias monstruosas servem apenas para, se aprovadas, dessensibilizar as pessoas no que tange às teratologias morais que representam, acostumando-as a cederem sua liberdade para o estado que se agiganta e passa a interferir em tudo.

Parece que já não bastou o que diversos poderosos faziam com os meninos na antiguidade e na Idade Média, castrando-os para que permanecem todo o restante das suas vidas com vozes infantis, ou modernamente, em alguns países da África muçulmana, com a extirpação dos clitóris das meninas púberes. Felizmente, esta prática injustificável foi legalmente proibida na Nigéria.

Infelizmente, muitos espíritas, seduzidos por essas ideias tresloucadas, passaram a apoiá-las abertamente. O perigo reside no fato de que outros espíritas acreditam piamente nestas pessoas, atribuindo autoridade doutrinária a elas, porque escreveram um ou outro livro, ainda que tais obras careçam de lógica e, sobretudo, de lógica espírita, amontoando ideias desconexas.

Judith Butler

Como vimos, o autor que citei anteriormente afirma que a tese do fluxo dos gêneros está provada. A pergunta é: quem provou? Judith Butler? Ora, esta senhora indecisa, que uma hora se diz homem e na outra se diz mulher, não provou absolutamente nada. O que ela fez foi apresentar uma hipótese, apenas; Simone de Bouvoir? como podemos ver na postagem do site Gospel (veja aqui), ela também não defendia a atual ideologia de gênero. Então, a tal prova não existe. Mas alguns espíritas, talvez por privação de conhecimentos mais profundos, tanto de lógica quanto de Espiritismo, já tomam as ideias como provadas.

Simone de Bouvoir

O nosso grande problema está, entretanto, na assunção dessas teses pelos mais altos tribunais do país, justamente aquele que deveria ser o primeiro a afastar estas imbecilidades, mas contrariamente, passam a defendê-la.

Os autênticos espíritas precisam reagir, retomando as verdadeiras teses espíritas, os postos de comando nas federações, hoje quase que totalmente ocupados por pseudo-espíritas, e tendo a coragem de se posicionar firmemente na sociedade.

No estudo das obras fundamentais do Espiritismo aprendemos que aqueles que não praticam o bem, estão automaticamente praticando o mal. Aqueles que não se opõem ao mal reinante na sociedade contribuem para a sua expansão e são considerados cumplices de todos os que o promovem.

Estamos em guerra, mas não uma guerra militar, com tiros e canhões, mas uma guerra cujas armas são as palavras. A técnica baseia-se em distorcer o sentido das palavras para confundir as pessoas, levando-as a aceitar o mal como se este fosse o bem. Estamos numa guerra semântica e o campo de batalha é a sua consciência.

Ivomar Costa

Fonte: Espiritismo: Centro e Movimento

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Mansuetude e poder

Huberto Rohden

A mansuetude é, por vezes, confundida com fraqueza espiritual, apatia ou indiferença. Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos.

Acredita-se que a mansuetude não combina com o poder, pois este tem se confundido com prepotência, despotismo e violência.

Contudo, mais uma vez vamos encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a mansuetude.

Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso. O sol nasce e se põe em profunda quietude. Move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.

Acaricia as pétalas de uma flor sem a ferir e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar.

As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do Cosmo, mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído.

O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença.

A luz, a vida e o Espírito, os maiores poderes do Universo, atuam com a suavidade de uma aparente ausência.

Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física, mas sim numa atitude de presença metafísica. Não se trata de fazer algo, mas de ser alguém.

Quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência.

A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder.

Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mansuetude e a benevolência.

O Criador, que é o Supremo Poder, age com tamanha mansuetude que a maioria dos homens nem percebe a Sua ação.

Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, cria novos mundos a cada instante, faz pulsar o coração dos abutres e dos colibris, dos bandidos e dos homens de bem, na mais harmoniosa mansuetude.

Até mesmo a morte, mensageira da liberdade, chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

Assim se expressa o verdadeiro poder: sem ruído, sem alarde e sem violência.

Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do sol e de sua incontestável mansuetude.

Redação do Blog Espiritismo Na Rede com base no cap. Bem-aventurados os mansos porque eles possuirão a Terra, do livro Sabedoria das parábolas, de Huberto Rohden, ed. Alvorada.

Fonte: Espiritismo na Rede

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A tempestade, o marinheiro e Jesus

Por Umberto Fabbri*

A vida não é só feita de momentos abundantes, de marés calmas, em que somos felizes e alegres e que gozamos de boa saúde. Ela também se constitui de momentos difíceis, aterrorizantes, incertos, da culpa, da falta, da revolta. São as marés altas, tempestuosas, em que pensamos não ser possível sobreviver, momentos em que nossas angústias, medos e revoltas parecem tentar nos afundar, nos afogar em nosso pessimismo, egoísmo, baixa autoestima, momentos em que sentimos a morte eminente de nossas forças.

No mar da vida somos todos marinheiros. Alguns mais experientes, outros ainda aprendizes na arte de ‘navegar’, mas somente navegando é que aprendemos a enfrentar as grandes ondas, as tempestades.

Os mais preparados, apesar do medo e do desconforto, enfrentam e lutam para ter foco, resistindo às grandes marés e temporais. Já os menos avisados pedem a Deus que os retirem das chuvas, esquecendo-se que estão ali para ganharem habilidades de marinheiros experientes.

Jesus, quando anda sobre as águas no episódio da tempestade, indo ao socorro dos apóstolos, não acalma o mar, mas caminha sobre ele, demonstrando nossa capacidade de nos colocarmos interiormente acima dos temporais.

Quando encoraja Pedro a ir ao seu encontro, ensina que ele também possuía condições para isso, mas, ao ter medo dos ventos, afunda.

Vejamos que esta passagem nos ensina muito sobre o auxílio permanente do Alto e de que as potencialidades estão em nós, necessitando ser exercitadas para que se transformem em habilidades.

Dizem que marés calmas não produzem bons marinheiros, pois não ensinam como enfrentar as dificuldades. Jesus não acalma o mau tempo, mas o encara, nos orientando a enfrentar as tempestades de fora com a paz de dentro, e este é um grande desafio de confiança, de inteligência emocional.

Não procuremos as tempestades, não criemos as tempestades, mas se elas vierem ao nosso encontro, nos esforcemos para encará-las com fé, empenho e esperança.

Umberto Fabbri

*Profissional de marketing, Umberto é orador e escritor brasileiro, morando atualmente na Flórida, EUA. Autor de diversos livros espíritas, dentre eles: O traficante (pelo espírito Jair dos Santos) O político (Adalberto Gória) e Bastidores de uma casa espírita (Luiz Carlos), ed. Correio Fraterno.

Fonte: correio.news

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Espiritismo Progressista, sem amor, é falácia!

Alexandre Júnior

Falamos constantemente sobre a liberdade que Kardec conclama ao elevar o ser Espiritual a condição de “Livre Pensador”.  O objetivo desta transcendência da liberdade intelectual dos habitantes do orbe, é ascender este espirito a uma vivência autônoma das suas próprias demandas. É viver um processo de autoconstrução, consciente da concepção das leis naturais nas ações da condição humana a partir das nossas próprias compreensões e comportamentos.

Saímos assim do período da inconsciência de nossos atos, para o período da vivência comportamental, pois, o Espiritismo é uma Doutrina comportamental e não contemplativa. Quando falamos, escrevemos e ou discutimos em nome do Espiritismo, as nossas convicções pessoais devem ser relegadas a segundo plano, sob pena de nos constituirmos personalistas, ou, de confundirmos o que pensamos com o próprio Espiritismo; ou, imaginarmos pelos motivos citados acima, que aquilo que falamos trata-se de uma verdade universal e absoluta, o que bem sabemos não é um fato.

As discordâncias fazem parte dos cenários sociais, ajudam na construção da sociedade e compõem as lutas. Em que pese, que a forma com que discordamos, é a compreensão das demandas humanas em uma perspectiva plural, defender ideais com violência, seja ela virtual, emocional, psicológica, com o objetivo de cancelar o que outro pensa, e consequentemente quem ele é, não é nem democrático, quiçá, Espírita.

O Movimento Espírita Progressista, assim como todo e qualquer movimento organizado por seres humanos, possuem as suas dificuldades de atuação, pois encontra em seus atores, pessoas normais, desta maneira, egos inflados, associados a destemperos emocionais, desaguam em desrespeito e arbitrariedade. Precisamos repensar as nossas práticas com urgência, sob pena, de sermos o mesmo Movimento Espírita instituído a mais de um século, apenas com uma diferença: o fato de sermos do espectro de Esquerda.

Não me incomoda sermos taxados de “cafonas”, “progressistas de Direita”; mas, política sem amor, “NÃO É ESPIRITISMO”, nem progressista nem conservador, se me valho de uma compreensão social da vida para oprimir outras pessoas, “NÃO É ESPIRITISMO”. O Espiritismo nos convida: a amar, ao debate lúcido, respeitoso. Não somos obrigados a concordar com nada, imagina com tudo, mas temos o dever de entender o outro, como cidadãos que somos, aprendemos a respeitar os diferentes, como Espíritas que nos dizemos ser, somos educados a “AMAR”, os diferentes, bem como as diferenças.

Há momentos que nos propiciam aprendizados e possuem o objetivo, não velado, mas, escancarado, de provar para nós mesmos, que não estamos tão distantes assim uns dos outros, oxalá nos sirva, para trabalharmos a humildade de percebermos, sentirmos, que o outro está apenas em um momento diferente do nosso e apenas um rótulo de  “Espírita Progressista”, sem uma ação que coadune com  a adjetivação, de nada nos vale, nada nos engrandece e o que é pior, em nada muda a sociedade, tal quanto a desigualdade e a injustiça social, estas precisam ser rompidas primeiramente em nós, depois sim, trabalhemos juntos para a construção deste reino na terra, como já nos dizia o saudoso Herculano Pires. Até lá, doa, em quem doer, “Progressistas ou Conservadores”, precisamos sim propiciar o diálogo, pois, sem ele não avançaremos, seja em que seara for, o que nos deixa cientes, de que no campo das humanidades, temos muita coisa ainda para aprendermos uns com os outros.

Uma coisa é certa, não dá para sermos Sexistas, Misóginos, Racistas, LGBTfobicos, Machistas, Xenofóbicos e buscar pontos ou vírgulas na Doutrina Espírita, que justifiquem tais violências, ou, aviltar a intimidade das pessoas com cancelamentos e linchamentos virtuais ou presenciais, que de maneira alguma são ações validadas pelo Espiritismo.

Nossa solidariedade a todas e todos, que além da vileza de um Brasil pandêmico, foram de alguma forma vítimas de qualquer tipo de violência e ou cancelamento, sejam estes presencias ou virtuais.

Editorial Ágora Espírita: Alexandre Júnior

Fonte: Grupo Ágora Espírita

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Afinal o que é espiritismo laico?

Por Salomão Jacob Benchaya

Não tendo o espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor, inevitavelmente, se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

(Allan Kardec – RE dez/1868)

Adjetivação, origem e contexto

A rigor, o espiritismo não deveria ser adjetivado. A expressão espiritismo laico só existe por necessidade comunicacional de distinguir-se do espiritismo cristão ou evangélico, segmento majoritário liderado pela FEB. No movimento espírita, é constituído pelos que consideram o espiritismo sob uma perspectiva laica, humanista, livre-pensadora, progressista, pluralista e alteritária. A expressão “espiritismo laico” é tão imprópria como “espiritismo cristão” ou “espiritismo religioso”, mas permite identificar as posturas decorrentes, na prática espírita, de uma ou de outra posição. Queiramos ou não, é forçoso admitir que os espíritas se agrupam por preferências e particularidades formando segmentos ou vertentes, tais como, religiosos ou evangélicos ou cristãos, laicos ou não religiosos, roustainguistas, ubaldistas, ramatizistas, armondistas, apometristas, chiquistas, divaldistas, etc.

O espiritismo laico e livre-pensador contrapõe-se ao modelo dominante de espiritismo religioso, cristão e/ou evangélico. Enquanto o espiritismo religioso apregoa a tríade ciência-filosofia-religião, os laicos preferem ciência-filosofia-moral, embora admitam que Kardec nunca propôs essa tripartição. Kardec classificava o espiritismo como ciência filosófica de consequências morais. A definição de espiritismo dada por Kardec na Introdução do livro “O que é o Espiritismo” expressava essa condição epistemológica.

No Cap. I de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando Kardec idealizou a “Aliança da Ciência e da Religião” sua intenção era de que o espiritismo se tornasse um traço de união entre as mesmas. Ou seja, o espiritismo forneceria à Religião argumentos racionais que a fortaleceriam e à Ciência o elemento espiritual de que esta carece para a melhor compreensão dos fenômenos que estuda. Mas, para isso, não necessitaria se transformar em uma religião.

As ideias fomentadas pelo racionalismo e pelo livre-pensamento originadas com a Revolução Francesa preocupavam a Igreja que começava a perder o controle sobre o seu rebanho. Kardec percebia o crescente descrédito das religiões e o anseio da sociedade por uma espiritualidade desvinculada do dogmatismo clerical. Até então, o domínio da Igreja no terreno do espiritualismo era completo e apregoava uma moral heterônoma.

A primeira acusação de que o espiritismo surgira como uma nova religião partiu da própria Igreja na pessoa do Abade François Chesnel, com quem Kardec polemizou através do periódico “L’Univers” (Allan Kardec, Revista Espírita, maio/1869).

A publicação das obras que se seguiram ao lançamento de “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns” – em especial “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”, todas enfatizando uma acentuada relação entre a revelação espírita e o cristianismo – contribuiu, de certa forma, para a formação de um movimento de caráter religioso, notadamente no Brasil, onde a nova doutrina encontrou um solo fértil para sua disseminação.

Mas, o que é o Laicismo?

O Laicismo, ou secularismo, é uma doutrina filosófica que surgiu na França como reação à intromissão religiosa na política e que defende a autonomia das atividades humanas em relação à religião. O laicismo ganhou prestígio no fim do século XIX e no início do século XX mas, por contrariar os interesses da Igreja, foi por esta combatido e acusado de estimular a antirreligiosidade e o ateísmo.

Todavia, ser laico não é ser antirreligioso, nem ser ateu. Ser laico é ser “arreligioso”, ou seja, isento, autônomo, neutro em relação à religião, embora tolere, respeite e conviva com esta. A religião é um fenômeno cultural da humanidade e, como tal, deve ser considerada.

A Laicidade é uma conquista civilizatória associada ao livre-pensamento, daí encontrar séria oposição nos regimes políticos totalitários, quer sejam estes relacionados a alguma confissão religiosa, ou a uma ideologia política. O Brasil é um Estado laico desde a Constituição de 1891, ou seja, deve garantir a liberdade religiosa, o direito do cidadão de ter ou não ter religião, não deve interferir nos cultos, como também não deve sofrer influência de natureza religiosa. Se a Constituição é respeitada, isso é outra questão.

Laicismo não é materialismo

É um equívoco confundir laicismo com materialismo.

Há uma ideia, equivocadamente difundida no meio espírita, por desinformação ou má fé, de que os espíritas laicos seriam ateus, materialistas, céticos, sem sentimentos ou sem afetividade. Que o espiritismo laico seria constituído por espíritas “duros”, “secos”, que não se sensibilizam diante do sofrimento humano, ao ouvir uma música melodiosa ou apreciar a Natureza, que não fazem preces, que não são solidários e caridosos, que não choram com suas perdas afetivas, etc. Há quem, inclusive, classifique os laicos como “não espíritas”! Isso proveniente de espíritas ditos “cristãos”.

Kardec e a religião

Kardec recusou classificar o espiritismo como religião, definindo-o como filosofia espiritualista, ciência filosófica, mas valorizou o sentimento religioso do homem e o papel da religião. Colocou, inclusive, o espiritismo como subsídio para o fortalecimento das religiões e para a complementação da Ciência. Sem, todavia, ser uma religião. Em O que é o Espiritismo, Kardec assevera que das reuniões espíritas podem participar adeptos de todas as religiões, destacando, com isso, o caráter de neutralidade da filosofia espírita.

Por ocasião do discurso de abertura da sessão anual comemorativa dos mortos, realizada na Sociedade de Paris, em 01 de novembro de 1868, Kardec afirmou: “No sentido filosófico, o Espiritismo é religião e nós nos ufanamos disso porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza. ”Os que utilizam essa afirmativa de Kardec para defender o aspecto religioso da Doutrina, estão desconsiderando o fato de que o codificador se referia ao “resultado produzido pela comunhão de pensamentos que se estabelece entre pessoas reunidas com o mesmo objetivo” (RE-dez/1868). Kardec conceitua o “sentido filosófico” da palavra religião quando diz, no mesmo discurso: “Dissemos que o verdadeiro objetivo das assembleias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção nata e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças.”

Assim, fica evidente que “religião”, para Allan Kardec, não tem o sentido que comumente lhe é atribuído, de “religar o homem a Deus” – uma interpretação católica, que remete ao mito do “pecado original”, e da “expulsão do paraíso”, incompatíveis com o Espiritismo, embora conveniente para a Igreja no seu pretendido papel de intermediária entre Deus e o homem – mas sim o de “laço” social resultante da comunhão de pensamentos que o Espiritismo inspira entre os que o estudam e praticam, portanto, uma relação horizontal, laica.

O Espiritismo não nega a dimensão religiosa do ser humano, mas prefere não se revestir do caráter de religião para não assimilar desta o comportamento sectário, exclusivista, dogmático que, definitivamente, ele – o Espiritismo – recusa. Além de tudo, como crença religiosa, ele se descredencia para o exame e para a discussão na Academia.

O uso da expressão

Uma das recomendações do I Congresso Espírita Internacional, celebrado em Barcelona, Espanha, em setembro de 1888, foi: “O Congresso Espírita recomenda um constante esforço para difundir o LAICISMO por todas as esferas da vida. A absoluta liberdade do pensamento, o ensino integral para ambos os sexos e o cosmopolitismo como base das relações sociais”. Essa manifestação vinha corroborar o pensamento de Allan Kardec, que, afirmou, repetidas vezes, não ser o espiritismo uma religião. Foi, todavia, após a publicação do livro “Espiritismo Laico”, de David Grossvater, na Venezuela, em 1966, que se popularizou a expressão “espíritas laicos”.

O Laicismo espírita no Brasil

A autonomia e a laicidade inerentes ao espiritismo logo seriam corrompidas por alguns continuadores de Kardec, particularmente por influência da obra Os Quatro Evangelhos – Revelação da Revelação”, de Jean Baptiste Roustaing, advogado contemporâneo de Kardec, assessorado pela médium Émilie Collignon.

Os primeiros líderes espíritas brasileiros eram, em sua maioria, extremamente católicos e roustainguistas. A adoção da obra de Roustaing, pela FEB, desde os seus primórdios, impingiu ao espiritismo brasileiro a feição heterônoma das religiões salvacionistas, radicalmente discordantes da proposta original de Allan Kardec. Na Bahia, onde surgiu o primeiro centro espírita no Brasil e o primeiro jornal espírita no Brasil – O Eco de Além-Túmulo – o seu fundador, Luiz Olímpio Teles de Menezes, católico fervoroso, amigo de Roustaing, convertido ao espiritismo, escreveu, em polêmica travada com o Padre Juliano José de Miranda, do Arcebispado de Salvador, que “o Espiritismo e o Catolicismo são a mesma Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo: somente estão mudados os tempos e as palavras; O Espiritismo é o tradutor fiel, pelos enviados de Deus, das doutrinas do Evangelho”. Mais recentemente, o médium Francisco Cândido Xavier e o seu espírito-guia Emmanuel tiveram decisivo protagonismo no desenvolvimento da religião espírita.

No final do século XIX o movimento espírita já se dividia entre “místicos” e científicos”, os primeiros liderados por Bezerra de Menezes e os outros pelo jornalista e professor Afonso Angeli Torteroli, fundador do Centro da União Espírita do Brasil, a primeira instituição unificadora do movimento espírita nacional. Nessa ocasião, aconteceu a primeira tentativa de resgate do caráter não religioso do espiritismo. Dos embates travados, resultou a vitória dos religiosos. A partir da gestão de Bezerra de Menezes à frente da FEB, em 1895, formatou-se o modelo de religião espírita que logo seria assimilado e assumido pelo movimento espírita, para o que contribuíram as características culturais da população brasileira.

O MUE-Movimento Universitário Espírita, de São Paulo, no final da década de 1960, também viria a discutir a laicidade do espiritismo. Esse movimento, entretanto, passaria a ostentar um caráter mais social e político, sob influência do pensamento filosófico dos pensadores argentinos Humberto Mariotti (1905 – 1982) e seu “Parapsicologia e Materialismo Histórico” e Manuel S. Porteiro (1881 – 1936) com seu livro “Espiritismo Dialético” além de outras influências marxistas, como David Grossvater e seu “Espiritismo Laico”, Eusínio Lavigne e Souza do Prado com a obra “Os espíritas e as questões sociais”, e Jacob Holzmann Netto (1934 – 1994) com “Espiritismo e Marxismo”, obras que serviram de inspiração para o discurso crítico, laico e politizado dos universitários espíritas da época. Esse movimento teve curta duração.

Em 1978, a defesa do caráter laico do Espiritismo ressurge com grande ímpeto, com o chamado “grupo de Santos”, principalmente através do jornal “Espiritismo e Unificação”, órgão oficial da UMES – União Municipal Espírita de Santos e da LICESPE-Editora. Esse grupo, liderado pelo jornalista e psicólogo Jaci Regis, era também integrado por José Rodrigues, Egydio Régis, Henrique Diegues e outros. Vários deles eram integrantes da UMES, mantinham forte atuação na USE-SP e instituíram a campanha denominada de “espiritização” combatendo a igrejificação do espiritismo e promovendo a cultura espírita.

Nessa época, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul (FERGS) era conduzida pelo grupo oriundo da S.E. Luz e Caridade (SELC), atual Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA), integrado por Maurice Herbert Jones, Salomão Jacob Benchaya e Milton Rubens Medran Moreira, entre outros. Em 1986, o autor deste artigo, ao início de seu segundo mandato como presidente da FERGS, lança o “Projeto: Kardequizar”, em sintonia com a campanha “espiritização” deflagrada por Jaci Regis e seu grupo. Em outubro de 1986, com o lançamento, pela FERGS, da edição de nº 402 da revista “A Reencarnação”, cuja capa estampava a expressão “Espiritismo: Ciência e Filosofia. Até que ponto é Religião? ”, ocorre uma forte reação conservadora e, na eleição seguinte, uma nova diretoria assume a Federação e reafirma o caráter religioso da Doutrina Espírita.

O Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (SBPE), idealizado por Jaci Regis, realizado bienalmente, de 1989 a 2017, pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS) teve destacada importância na consolidação do segmento laico e livre-pensador espírita no Brasil. Esse evento contribuiu para o retorno da Confederação Espírita Pan-americana (CEPA) ao Brasil, do qual estava ausente desde 1949, após a realização do seu II Congresso Pan-americano, no Rio de Janeiro. Esse evento havia sido organizado com o apoio da Liga Espírita do Brasil, mas contrariava os interesses da Federação Espírita Brasileira (FEB) que, reunindo alguns dirigentes de federativas estaduais presentes no Rio de Janeiro, institui o chamado “Pacto Áureo”, expresso numa Ata que orienta o movimento espírita federado no Brasil.

A CEPA-Associação Espírita Internacional, antiga Confederação Espírita Pan-Americana, fundada em 1946, na Argentina, herdeira da tradição espírita espanhola de características acentuadamente livre-pensadoras, onde se destacaram José María Fernandez Colavida e Amália Domingo Soler, e que encontraram ressonância entre pensadores sul-americanos como Cosme Mariño, Manuel Porteiro, Humberto Mariotti, David Grossvater, Luiz di Cristóforo Postiglioni e, mais recentemente, Jon Aizpúrua, dentre outros, sempre se manteve distante do religiosismo vigente no espiritismo brasileiro, sendo hoje a instituição mais representativa da vertente doutrinária laica e livre-pensadora.

Felizmente, o movimento espírita, mais amadurecido, aos poucos se distancia do modelo hegemônico e imobilizante. Líderes e pensadores identificados com o genuíno projeto kardeciano compõem uma nova força que deverá impulsionar o espiritismo a assumir a sua verdadeira identidade e a se libertar das amarras religiosas para exercer o seu papel libertador junto à Humanidade.

Salomão Jacob Benchaya

(*) Economista (74), bancário aposentado, microempresário de transporte escolar. Presidiu o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA) por vários mandatos, ex- presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul (1984-1987), onde coordenou a criação e o lançamento da Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE); delegado da CEPA desde 1996, em 2000 presidiu a organização do XVIII Congresso Espírita Pan-americano, em Porto Alegre; Secretário Geral da CEPA na gestão do Dr. Milton Medran Moreira (2000-2008) e na atual gestão da Dra. Jacira Jacinto da Silva. Organizador dos livros “A CEPA e a atualização do Espiritismo” e “Espiritismo: O pensamento atual da CEPA” e autor do livro “Da Religião Espírita ao Laicismo: a trajetória do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre”.

By Grupo Ágora Espírita – dezembro 03, 2020 – http://grupoagoraespirita.blogspot.com/

Fonte: cepainternacional

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A responsabilidade de cada um

Momento Espírita

A RESPONSABILIDADE DE CADA UM

Fotos e vídeos de diferentes partes do mundo vêm mostrando imensos danos que o acúmulo de lixo tem causado na natureza.

Praias abarrotadas de resíduos plásticos, animais marinhos e aves mortos por terem ingerido grandes quantidades desses materiais, confundindo-os com alimentos.

Outros com os movimentos comprometidos, enrolados em redes de pesca, sacolas plásticas e resíduos descartados indevidamente.

Vemos tartarugas com canudos plásticos enterrados nas narinas, morrendo por asfixia… enfim, uma série de cenas que chocam e entristecem.

Campanhas alertam para não jogar esses materiais nas praias, nos rios, nas ruas.

Outras conclamam a deixarmos de utilizar materiais plásticos ou reduzir drasticamente sua utilização, e mesmo, reciclar, reutilizar, reaproveitar.

Há quem considere o plástico como vilão, no entanto, ele não é o vilão real. Os copos plásticos e os canudos, por exemplo, ajudaram a reduzir enormemente as contaminações hospitalares por conta de copos mal lavados e infectados, salvando assim inúmeras vidas.

O grande responsável pela poluição e pela morte de milhares de animais é, na verdade, o ser humano, que age de maneira descuidada.

Culpar canudos, potes, tampas e sacolas plásticas é uma forma de desviar a responsabilidade do real culpado.

Quando jogamos um papel de bala na rua, ele vai parar na galeria de esgotos e vai desembocar em um rio e no mar.

Uma sacola plástica não vai por vontade própria para o mar. Ela é um objeto inanimado, não tem pernas nem escolhe sua destinação.

A ação humana, por negligência, é que a coloca na rota do mar, e no estômago de algum animal faminto.

Nós, seres humanos, precisamos ampliar nossa visão de mundo, indo além de nosso entorno, prestando atenção nas consequências de nossos atos, mesmo aqueles que, nos momentos em que os realizamos, nos pareçam insignificantes.

Ano após ano, é preciso investir recursos, que poderiam ser utilizados em outras áreas, para desenvolver tecnologias e ações para resolver problemas causados por nós, em diferentes setores da sociedade.

Verificamos que tais tecnologias não têm sido suficientes para solucionar todos os problemas que se originam, na maioria das vezes, da nossa irresponsabilidade.

A questão do lixo é apenas uma delas.

Enquanto não nos conscientizarmos de que a natureza não existe para nos servir, que somos parte integrante dela, assim como as plantas e os animais, criaremos sempre novos e mais sérios problemas.

Abandonar o uso de embalagens plásticas e reciclar o lixo diminui muito o problema da poluição dos oceanos e das praias.

No entanto, se continuarmos focados apenas em nós, ignorando a natureza que nos cerca, corremos o risco de não darmos conta dos problemas e ainda criarmos outros, comprometendo severamente a existência de tudo o que tem vida na Terra.

Que possamos ter um olhar mais abrangente, respeitoso e responsável para com a natureza e que consigamos desenvolver um senso de responsabilidade sobre tudo o que nos cerca.

Pensemos nisso porque, afinal, trata-se da sobrevivência de toda espécie de vida, sobre a Terra.

Por Redação do Momento Espírita

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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