Pediatria, sensualidade e energias extrafísicas

Dr. Ricardo Di Bernardi

A sexualidade, como nós já vimos comentando no decorrer de nossos escritos, não é atributo exclusivo da atividade hormonal que pulsa em nosso organismo. Essa força provém do inconsciente e das mais profundas regiões do nosso espírito

Ao longo da imensa jornada na qual transitamos como princípios espirituais pelos diversos reinos da natureza, nós amealhamos volumoso patrimônio em todas as áreas da experiência. Assim, também, a energia sexual manifestou-se no escoar dos milênios, de forma crescente, buscando se aprimorar e se sutilizar.

Na fase humana em que hoje nos situamos, voltamos ao mundo físico ligando-nos a um óvulo que fecundado nos prende ao novo arcabouço biológico. Uma nova roupagem física, uma nova e delicada indumentária, mas contendo um Espírito pleno de conteúdos psíquicos, ou seja, uma alma rica em arquivos energéticos que, embora estejam adormecidos, estão prontos para acordarem para continuidade de seu aprendizado.

A criança, que recebemos em nosso lar, não é um bloco em branco onde poderemos escrever qualquer mensagem ou ditar qualquer conteúdo, ao contrário, é um livro com inúmeros capítulos já escritos por ela mesma e, agora, vem nos solicitar auxílio para que dê continuidade a história de sua vida, ampliando conteúdos nas mais diversas áreas do desenvolvimento humano.

O Espírito que, atualmente, está renascido em um corpo infantil, já vivenciou em diversas encarnações, alegrias e tristezas na área da sexualidade, já sofreu traumas como desfrutou momentos de afeto e amor. Cada experiência adquirida registrou-se em arquivos energéticos que pulsam e emitem estímulos com peculiaridades as mais diversas, gerando tendências específicas.

O Espírito reencarnado, hoje, se apresenta na vestidura infantil e aparentemente dócil, para ter nova oportunidade de aprendizado beneficiado pela anestesia do passado. Há necessidade das expressões da sexualidade surgirem nos momentos adequados, sob a supervisão amorosa e consciente dos pais, e não sejam essas expressões da sexualidade, estimuladas precocemente.

A “adultização” precoce das crianças é um fator prejudicial a este desenvolvimento. Observamos, em consultório de pediatria, meninas em tenra idade, usando roupas de adultos, portando telefones celulares, navegando irresponsavelmente pela internet, caminhando em saltos altos, assistindo televisão de forma descontrolada e exibindo adereços ou acessórios que mais caberiam para uma jovem adulta ou mulher.

Tudo parece muito inocente, mas são estímulos precoces que despertam interesses inadequados para a idade, além de sintonizar com outras energias externas e intrusas tanto da dimensão física como da extrafísica. Estamos em um planeta que é habitado por mentes em diversos estágios de equilíbrio e somos responsáveis por aqueles que nos foram confiados pela espiritualidade maior.

A criança deve viver como criança. Andar, vestir-se e brincar como criança. A sensualidade tem sua beleza e é, sem dúvida, inerente ao espírito humano, mas o período infantil foi oportunizado, pela sabedoria da natureza, para refazerem-se forças e ocorrer o reforço dos condicionamentos de harmonia em todas as áreas do psiquismo.

Dr. Ricardo Di Bernardi é médico pediatra, homeopata. Fundador e presidente do ICEF em Florianópolis. Autor de vários livros entre eles – Gestação Sublime intercâmbio.

http://www.estantevirtual.com.br/autor/ricardo-di-bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Espírito não sabe tudo

Orson Peter Carrara

E muita gente, inclusive médiuns e dirigentes despreparados sem conhecimento, também se enquadram nessa situação de não saber.

O fato de um espírito estar desencarnado não significa, em absoluto, que ele tem conhecimento de tudo. Muitos espíritos ignoram inclusive que já partiram desta vida material. Portanto, as comunicações vindas do plano espiritual via médiuns devem passar pelo crivo da razão e do bom senso antes de serem aceitas como verdade ou para serem divulgadas.

Isso também porque os médiuns igualmente podem estar iludidos e também fraudar. O espírito pode estar equivocado, o médium pode se enganar ou enganar propositalmente para impressionar e ambos podem criar uma situação constrangedora dentro de uma falsidade construída.

Espírito não sabe tudo, não tem informação à queima-roupa. E Espírito evoluído não fica respondendo perguntas fúteis. Perguntas frívolas são respondidas por espíritos frívolos e nem um pouco comprometidos com o bem das pessoas. E na mesma situação se encontram muitos médiuns, interessados em fraudar para impressionar ou conquistar autopromoção. E, infelizmente, isso também acontece com presidentes ou dirigentes de supostos centros espíritas que se colocam na condição de resolver todos os casos, num pedestal de vaidade e falsa humildade, colocando-se como pretensos orientadores, esquecidos que todos precisamos sim de orientação, que pode ser conquistada no estudo continuado e perseverante dos postulados espíritas, para não ficarmos por aí inventando à moda da casa.

” Cuidado, pois, como informações vindas de médiuns. Especialmente aquelas que fazem revelações bombásticas, que fixam datas, que preveem futuro ou citam acompanhamentos sombrios ou indesejáveis, ou mesmo revelam o passado. Cuidado! Muito cuidado. Os bons e sábios espíritos são discretos e jamais semeiam medo, censura, críticas ou se colocam como reveladores. Eles, os autênticos benfeitores, respeitam a vida e a liberdade das pessoas e jamais surgem como amedrontadores ou ameaçadores nas situações do cotidiano, jamais semeiam dúvidas. Não fazem prognósticos nem ficam atendendo desejos de curiosidades, não ordenam diretrizes, mas sim respeitam nossa liberdade de ação. “

Eles se comunicam? Claro que sim, mas são sempre discretos, não se preocupam com nomes e nas orientações que fazem, são sutis, sem alarde. Até porque as orientações estão fartas nos livros e pequenas mensagens avulsas, sempre à disposição.

Não precisamos ficar consultando espíritos a toda hora. Eles têm mais o que fazer, e nós já sabemos quais os caminhos do equilíbrio. Basta confiarmos em Deus e agirmos no bem, até porque não existe nenhuma pessoa que esteja desemparada. Todos somos muito amparados pela bondade anônima desses amigos espirituais.

“Existem, é claro, espíritos com muito conhecimento, bondade e sabedoria, mas não ficam à nossa mercê, atendendo a toda hora nossos caprichos e indicando mediocridades ou disputando destaques. Não! Eles atuam de maneira contínua, serena, equilibrada, e trabalham muito, sempre a nosso favor. Estão sempre a nos ajudar e não precisam ficar se comunicando a todo instante para dizer que ali estão ou despertando curiosidades vazias.”

Cuidado, muito cuidado, pois, com comunicações espirituais. Prudência e análise com as comunicações que vierem. Previsão de datas, indicação alarmante de acontecimentos, indicação de perseguições espirituais, semeaduras de medo e pavor, pedidos esdrúxulos e solicitações que não atendam ao mínimo de bom senso e razão (já imaginou o que cabe nessa expressão?), esqueça! Isso provém de mentes manipuladoras, inferiores, com intenções menos dignas. O que igualmente se aplica a médiuns e pretensos dirigentes, que, levianamente, se utilizam do adjetivo espírita em suas tarefas, sabe-se lá com quais objetivos.

Para saber o que seguir ou em quem confiar, analise antes se o bem é o que prevalece, ou se há outros interesses. Em havendo, esqueça! Mas para isso, estude o Espiritismo, você estará equipado para não se deixar enganar.

Para entender bem tudo isso, busque o capítulo 20 – Influência moral do médium – de O Livro dos Médiuns, de preciosas orientações. Dentre elas, essa preciosa pérola do item 230 no mesmo capítulo: “(…) vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira. (…)”.

Somos todos aprendizes, todos com parcelas bem miúdas da verdade, necessitados de humildade e respeito uns aos outros. Inclusive médiuns e espíritos, todos filhos de Deus no gigantesco processo de aprendizado e amadurecimento adquiridos nas experiências de vida.

Orson Peter Carrara

Fonte: Casa Espírita Nova Era

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A despedida do senhor Cardon

Por Redação

O senhor Cardon tinha passado uma parte de sua vida na marinha mercante, como médico em um navio de pesca de baleia e tinha adquirido nesse período ideias um pouco materialistas. Retirado em uma pequena cidade, ele exercia a modesta profissão de médico rural. Sabendo-se doente, a ideia da morte o mergulhara em uma sombria melancolia, da qual nada conseguia distraí-lo. Quando se viu próximo de morrer, reuniu a família em seu redor, para dizer um último adeus.

Sua mulher, sua mãe, seus três filhos e outros parentes estavam juntos ao lado de sua cama. No momento em que sua mulher tentava elevar-lhe o moral, ele se vergou, tornou-se de um azul lívido, seus olhos se fecharam e as pessoas acreditaram que ele estava morto. Sua mulher colocou-se diante dele para esconder esse espetáculo de seus filhos.

Depois de alguns minutos, ele reabriu os olhos, sua figura, por assim dizer, iluminada, adquiriu uma expressão de radiante beatitude e ele gritou: “Oh! Meus filhos, como é bonito! Como é sublime! Oh! A morte! Que graça! Que coisa doce! Eu estava morto e senti minha alma e elevar bem alto, bem alto, mas Deus me permitiu voltar para dizer a vocês: ‘Não duvidem, a morte é a libertação’. Não posso descrever a vocês a magnificência do que vi e as sensações que experimentei! E vocês não poderiam compreender… Oh! meus filhos, conduzam-se sempre de maneira a merecer esta inebriante felicidade, reservada aos homens de bem. Vivam de acordo com a caridade. Se vocês têm alguma coisa, deem uma parte àqueles a quem falta o necessário…

Minha cara mulher, eu a deixo em uma posição que não é feliz. Há quem nos deva dinheiro, mas eu lhe suplico que não os atormente. Se estão em dificuldade, espere até que possam pagar e faça um sacrifício por aqueles que não poderão pagar. Deus a recompensará por isso.

Você, meu filho, trabalhe para sustentar sua mãe. Seja sempre um homem honesto e não faça nada que possa desonrar nossa família. Tome esta cruz, que vem de minha mãe; não a deixe e que ela sempre o lembre de meus últimos conselhos… Meus filhos, ajudem-se e apoiem-se mutuamente. Que a boa harmonia reine entre vocês. Não sejam vaidosos nem orgulhosos; perdoem seus inimigos, se quiserem que Deus os perdoe…”

Depois, pedindo aos filhos que se aproximassem, estendeu-lhes as mãos e acrescentou: “Meus filhos, eu os abençoo.” E seus olhos se fecharam, desta vez para sempre, mas sua figura conservou uma expressão tão imponente que, até o momento em que foi sepultado, uma numerosa multidão veio contemplá-lo com admiração.

——

Esta e muitas outras histórias curiosas estão no livro O céu e inferno, que está completando 157 anos de publicação. Sabendo do acontecido, Allan Kardec entendeu que seria útil, inclusive para o próprio espírito, realizar a sua evocação na Sociedade Espírita de Paris. No capítulo 3 de O céu e o inferno há detalhes sobre o que contou o médico, senhor Cardon, para o codificador.

Fonte: correio.news

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Uma fábrica de loucos: psiquiatria x espiritismo no Brasil

Por Eliana Haddad

Com o objetivo de investigar os motivos que levaram à interpretação da mediunidade como “loucura espírita”, a historiadora Angélica Silva de Almeida realizou vasta pesquisa sobre o espiritismo e a psiquiatria na primeira metade do século 20, quando experiências mediúnicas espíritas passaram a ser interpretadas como causa ou manifestação de doenças mentais, provocando vários embates entre espíritas e psiquiatras, que resultaram em diversas publicações em livros, artigos científicos e imprensa leiga.

Angélica, que lançou em livro sua tese de doutorado em história — Uma fábrica de loucos: psiquiatria x espiritismo no Brasil (1900-1950), ed. Dialética—, explica como se deu a resolução desse conflito, que coincidiu com a conquista de diferentes espaços, tanto da psiquiatria como do espiritismo. Isso não só marcou como definiu a história do movimento espírita no Brasil. Saiba por quê.

O que levou você a se interessar por esse tema em sua tese de doutorado?

Quando estava elaborando minha dissertação de mestrado, comecei a identificar os principais argumentos contra o espiritismo, que estava começando a chegar no Brasil. No início, as críticas vinham da Igreja Católica. A doutrina espírita foi considerada uma heresia e fruto de uma ação demoníaca. Mas, com o passar do tempo, outros argumentos começaram a chegar e vinham dos meios científicos. Os fenômenos mediúnicos foram considerados pelos médicos e psicólogos como uma importante causa de loucura. A partir de então, todos os opositores passaram a incorporar esse discurso da loucura espírita contra o espiritismo. Embora esse debate entre médicos e espíritas tenha ocorrido ao longo de vários anos, são poucas as pesquisas acadêmicas voltadas para a compreensão desse fenômeno. Foi a partir da descoberta desse tema tão interessante que resolvi realizar a minha pesquisa.

Quando surgiram as primeiras manifestações dos médicos e psicólogos sobre os “perigos do espiritismo” e por que a visão negativa de que ele seria uma fábrica de loucos?

Os debates surgiram nos Estados Unidos, quando aconteceram os primeiros fenômenos mediúnicos que deram origem ao espiritualismo moderno. Em 1858, um ano após a publicação de O livro dos espíritos, identificamos a primeira publicação médica manifestando a esse respeito.

O espiritismo, que vinha ampliando o seu número de adeptos e se espalhando por diversos países, preocupou a classe médica, pela crença dos perigos em potencial que ele representava, de que ele seria capaz de desencadear ou agravar a loucura, pela frequência às reuniões mediúnicas.

Os psiquiatras, fortemente influenciados pelos princípios do materialismo e da ciência vigentes à época, procuravam excluir completamente a possibilidade da existência do espírito. Os espíritas, que também destacavam a importância da ciência, diziam ser possível conciliá-la com o elemento espiritual, unindo a investigação científica dos fenômenos espirituais (e sua influência positiva na vida dos homens) aos avanços e descobertas científicas da época. Além disso, a moderna psiquiatria e o espiritismo, defendiam perspectivas diferentes para lidarem com questões comuns aos dois: origem da mente, a relação mente–corpo, a loucura, seu tratamento, suas causas e modos de prevenção. Esses pontos de contato e de conflito geraram esse grande debate, que percorreu a segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20.

Além da questão da loucura espírita, que outras percepções eles tinham a respeito dos fenômenos mediúnicos?

Além do argumento da loucura, o espiritismo também foi associado à charlatanice e fraude. Para muitos integrantes da classe médica, a possibilidade de aceitar a existência dos espíritos era sinônimo de primitivismo e deveria ser fortemente combatido. Como a hipótese da existência real dos espíritos não poderia ser aceita, só restava classificar esses fenômenos como fraude, charlatanismo e exploração da credulidade pública.

A ideia de que o espiritismo desencadearia à loucura ou seria uma fraude foi unânime entre médicos e psicólogos?

Não. Enquanto um grupo de médicos se ocupou dos riscos do espiritismo para o desenvolvimento de transtornos mentais, um segundo grupo enfatizou um outro aspecto: a mediunidade. Embora reconhecessem a possibilidade de que as experiências mediúnicas poderiam levar à loucura, buscaram pesquisar os fenômenos para ampliar a compreensão do funcionamento da mente. No surgimento da moderna psiquiatria e psicologia, na transição entre os séculos 19 e 20, diversos pesquisadores estudaram intensamente a mediunidade. Esse grupo era composto por: Pierre Janet, William James, Frederic Myers e Carl G. Jung. No entanto, a visão que mais prevaleceu e que permaneceu entre os médicos brasileiros foi a do desencadeamento de transtornos mentais.

Como Kardec lidou com essa questão de “loucura espírita”?

Já na introdução de O livro dos espíritos, Kardec discute as causas da loucura. Defende que os motivos dos transtornos mentais estariam associados ao organismo, à influência do ambiente cultural do paciente e a uma predisposição orgânica.

Assim, Kardec não negava as causas sociais e biológicas dos transtornos mentais, mais acrescentava uma outra: a obsessão, que seria “a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo” (A gênese). Ele também afirmou na Revista Espírita (1863): “Um dia a obsessão será colocada entre as causas patológicas, como o é hoje a ação de animais microscópicos, de cuja existência não se suspeitava antes da invenção do microscópio”.

Ele separava a loucura de causa orgânica daquela decorrente da obsessão: “Não confundamos a loucura patológica com a obsessão; esta não provém de lesão alguma cerebral, mas da subjugação que espíritos malévolos exercem sobre certos indivíduos, e que, muitas vezes, têm as aparências da loucura propriamente dita. Esta afecção, muito frequente, é independente de qualquer crença no espiritismo e existiu em todos os tempos” (O que é o espiritismo).

Contudo, reconhecia que a separação entre esses dois tipos (orgânica e espiritual) não era simples, pois as obsessões poderiam agravar problemas orgânicos que já existiam, ou gerar esses problemas (A gênese). Kardec também chamava a atenção dos espíritas sobre o erro de classificar todos os transtornos como sendo de base espiritual (obsessão): “Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismo, têm sido tomados por possessos” (O livro dos espíritos).

E sobre a fraude/charlatanismo?

Kardec rebateu as acusações de que as manifestações dos espíritos não passavam de uma fraude utilizando quatro argumentos. O primeiro seria o de que a existência de fraudes em qualquer área de atividade humana não significava que todos os fenômenos desta mesma área fossem fraudulentos. O segundo ponto era de que os fenômenos espíritas teriam sido amplamente investigados por diversos cientistas, que afirmaram a sua autenticidade, inclusive se tornando adeptos. No terceiro, afirmava que os dados apresentados pelos médicos negando a existência dos espíritos não se baseavam num estudo aprofundado dos fenômenos mediúnicos, nem analisavam as pesquisas já realizadas. Por fim, argumentava que os médiuns não recebiam qualquer benefício pecuniário pelo exercício da mediunidade.

Quando esse conflito chegou ao Brasil e como ele se desenvolveu?

O espiritismo chegou ao Brasil já na segunda metade do século 19. A crescente disseminação de suas práticas e ideias em nossa sociedade contribuiu para despertar a atenção dos médicos. Nesse período, começaram a aparecer as primeiras manifestações sobre os “perigos” do espiritismo para a sociedade e os riscos para a saúde mental. Para o médico Brasílio Marques (1929): “O combate ao espiritismo deve ser igualado ao que se faz à sífilis, ao alcoolismo, aos entorpecentes (opio, cocaína, etc.), à tuberculose, à lepra, às verminoses, enfim, a todos os males que contribuem para o enfraquecimento, para o aniquilamento das energias vitais, físicas, psíquicas, do nosso povo, da nossa raça em formação”. O espiritismo chegou a ser criminalizado no código penal de 1890 e os médicos passaram a cobrar medidas efetivas do poder público e o cumprimento do código penal. Às acusações de loucura, crime, suicídio, misticismo e fraude, acrescentou-se a de exercício ilegal da medicina.

Por que dessa acusação de exercício ilegal da medicina?

No Brasil foi muito comum o desenvolvimento de práticas assistenciais, focado nas atividades de cura. Talvez essa tenha sido a maior contribuição do espiritismo brasileiro, o desenvolvimento das implicações terapêuticas presentes nas obras de Allan Kardec. O movimento espírita no Brasil organizou uma ampla rede de terapias complementares, como não encontramos em nenhum outro lugar.

Em relação aos transtornos mentais, não só aceitaram a causa das doenças mentais proposta por Kardec, mas colocaram em prática propostas de tratamento. Defendiam a junção do tratamento médico ao espiritual para ajudar no reequilíbrio dos doentes. Para materializar essas ações, fundaram dezenas de hospitais psiquiátricos espíritas no Brasil. Estes estabelecimentos começaram a ser criados no final da década de 1910. Num levantamento realizado por Souza e Deitos, em 1980 haveria cerca de cem hospitais psiquiátricos de orientação espírita no país. Somente no estado de São Paulo haveria vinte e dois e sem fins lucrativos.

No entanto, muitos psiquiatras utilizaram a criação dessas instituições para atacar o espiritismo, argumentando que ele gerava tantos loucos que foi necessário abrir instituições para o tratamento deles.

Esse conflito entre psiquiatria e espiritismo permanece até hoje?

Por volta dos anos de 1950, o conflito foi diminuindo. Podemos apontar alguns fatores para isso: o primeiro, seria a legitimação do espiritismo como uma religião no Brasil, deixando de ser um concorrente direto da psiquiatria no trato das questões que envolviam a loucura, causas, modos de tratamento e prevenção. O segundo, seria a conquista pela psiquiatria da respeitabilidade no meio acadêmico e social, associado ao desenvolvimento com sucesso de medicamentos para o tratamento das doenças. Por fim, a adoção gradual de uma visão diferente sobre as questões religiosas por parte dos psiquiatras. A religião começou, gradativamente, a ser vista como um possível agente colaborador no processo de tratamento dos doentes.

Fonte: correio.news

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O que dizem os espíritos sobre a arte?

Gilberto Lepenisck

Quando dizemos que a Arte Espírita... Allan Kardec - Pensador

O Espírito Emmanuel no livro “O Consolador” diz que a arte pura “é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse “mais além” que polariza as esperanças da alma.

O artista verdadeiro é sempre o “médium” das belezas eternas e o seu trabalho em todos os tempos foi tanger as cordas vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o infinito e abrindo em todos os caminhos a ânsia dos corações para Deus nas suas manifestações supremas de beleza, sabedoria, paz e amor.”

Sendo assim, na atualidade, devemos nos preocupar com o consumo de muitos produtos, cujo título sugere um trabalho de arte com temática Espírita.

Nem tudo que reluz é ouro. Conforme orientou Allan Kardec, cabe-nos antes de tudo fazer um estudo cuidadoso, utilizando o método de observação e comparação para, então, admitir como sendo uma verdade. (???)

O critério deve ser meticuloso, isento de corporativismo, porque estamos todos comprometidos com o avanço de uma Doutrina ditada pelos Espíritos Superiores.

Aos artistas cabe usufruir da qualidade do pensamento desses Benfeitores Espirituais e tentar ao menos aproximar-se de suas exortações, sem a pretensão vaidosa de acrescentar algo pessoal.

Devemos sim, divulgar as verdades imperecíveis de Jesus Cristo sem utilizar contornos inúteis, que só depõem contra o ideal espírita.

Temos agora a oportunidade de colaborar na manutenção e na elevação espiritual da humanidade através da arte, e não podemos ficar a mercê de impetuosos tufões que visam tão-somente o atraso da civilização.

Quando o crítico procurou Allan Kardec, na proposta absurda de participar de uma ou duas sessões espíritas, para que ele pudesse tirar suas conclusões sobre o espiritismo, o mestre de Lion, impugnou imediatamente a sua estratégia sombria de malbaratar o tempo preciso. Para Allan Kardec, o Espiritismo era e é coisa séria, uma realidade divina.

Então, por que tanta produção desnecessária em nome do Espiritismo através da arte? Por que tantos querendo produzir pelo simples fato de achar compatível a sua divulgação?

A arte tem a sua peculiaridade e somente espíritos de talento podem alcançar esse “mais além”.

Muitas vezes o materialismo vem encoberto por uma linguagem camuflada, visando apenas remediar um assunto ou estabelecer algo menor em nome da chamada “licença poética”.  Convidando-nos à reflexão, citamos como exemplo, o artigo INFLUÊNCIA PERNICIOSA DAS IDEIAS MATERIALISTAS do Livro “Obras Póstumas”.

“A decadência das artes, neste século, resultou inevitavelmente da concentração dos pensamentos sobre as coisas materiais, o que, a seu turno, é o resultado da ausência de toda crença, de toda fé na espiritualidade do ser”. O século apenas colhe o que semeou. Quem semeia pedras não pode colher frutas. As artes não sairão do torpor em que jazem, senão por meio de uma reação no sentido das ideias espiritualistas.

Portanto, devemos verificar sempre o que vamos consumir, para não nos prestarmos ao serviço de divulgadores imparciais em nome da caridade, sem o mínimo critério de avaliação raciocinada.

Léon Denis nos deixou também muitas informações com respeito à arte. Devemos na medida do possível, nos debruçar sobre seus esclarecimentos orientadores e tirarmos nossas próprias conclusões.

Vejamos o que diz o filósofo do Espiritismo:

“A beleza é um dos atributos divinos. Deus colocou nos seres e nas coisas esse misterioso encanto que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração.”

A arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna, da qual aqui na Terra não percebemos senão um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte da qual ela emana, e para a maioria de nós esta é uma tarefa difícil. Podemos, ao menos, conhecê-la através do espetáculo que o universo oferece aos nossos sentidos, e também através das obras que ela inspira aos homens de talento.

O espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis superiores da harmonia e de beleza que regem o universo, vem oferecer a nossos pensadores, a nossos artistas, inesgotáveis temas de inspiração.

A observação dos fenômenos de aparição proporciona a nossos pintores imagens da vida fluídica, das quais James Tissot já pôde tirar proveito nas ilustrações de sua Vie de Jésus (Vida de Jesus). Oradores, escritores, poetas, encontrarão nesses fenômenos uma fonte fecunda de ideias e de sentimentos. O conhecimento das vidas sucessivas do ser, sua ascensão dolorosa através dos séculos, o ensinamento dos espíritos a respeito dessa grandiosa questão do destino, lançarão em toda a história uma inesperada luz e fornecerão ainda aos romancistas, aos poetas, temas de drama, móbeis de elevação, todo um conjunto de recursos intelectuais que ultrapassarão em riqueza tudo o que o pensamento já pôde conhecer até o momento.

Quando refletimos a respeito de tudo o que o espiritismo traz à humanidade, quando meditamos nos tesouros de consolação e de esperança, na mina inesgotável de arte e de beleza que ele nos vem oferecer, sentimo-nos cheios de piedade pelos homens ignorantes e pérfidos cujas malévolas críticas não têm outra finalidade senão desacreditar, ridicularizar e até mesmo sufocar a ideia nascente cujos benefícios já são tão sensíveis. Evidentemente essa idéia em sua aplicação, necessita de um exame, de um controle rigoroso, mas a beleza que dela se desprende revela-se deslumbrante a todo pesquisador imparcial e a todo observador atento.

A insensibilidade do materialismo havia esterilizado a arte, que se arrastava na estreiteza do realismo sem poder elevar-se ao máximo da beleza ideal. O espiritismo veio dar-lhe novo curso, um impulso mais vivo em direção às alturas, onde ela encontra a fonte fecunda das inspirações e a sublimidade do gênio.

Gilberto Lepenisck

Fonte: Correio Espírita

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Férias na Casa Espírita

Doris Madeira Gandres

A CASA ESPÍRITA NÃO TEM FÉRIAS NEM FERIADOS E NUNCA DEVE FECHAR AS SUAS  PORTAS. ARTIGO DE RUDYMARA ALLAN KARDEC E VÍDEO DO CANAL “A CAMINHO DA LUZ”  – Blog do Bruno

A Espiritualidade tira férias?

Essa época do ano se apresenta para uma boa parte da humanidade como um período de muitas ocupações, com um acréscimo de compromissos que as contingências sociais impõem, sobrecarregando as criaturas de atividades, a que elas se deixam arrastar, sem conseguir resistir-lhes e nem ao menos buscar um pouco de serenidade para avaliar de sua real necessidade.

E, desse modo, muitas vezes, o que considerávamos prioridade vai ficando de lado, enquanto as exigências convencionais, algumas vezes até frívolas, vão ganhando destaque, preenchendo nossa mente e nosso tempo…

Porém, asseguram-nos os Espíritos esclarecidos, somos “seres inteligentes da criação” (OLE q.76); conseqüentemente, nós, espíritas, cientes dessa responsabilidade, precisamos analisar com muito cuidado a nossa postura diante das necessidades do convívio social, inserido dentro da lei de sociedade, leis naturais, divinas, extremamente úteis para nossa evolução ético-fraterna a fim de aprendermos e sedimentarmos em nós o amor ao próximo preconizado pelo Cristo.

Ao levantarmos essa questão de “férias na casa espírita”, primeiramente devemos entender que “a casa espírita” somos nós, seus integrantes trabalhadores, qualquer que seja a nossa função, aí se incluindo os encarnados e os desencarnados; que de nós depende a qualidade de seu funcionamento, de seu atendimento tanto a uns quanto a outros; e que nós é que teremos que responder, à luz da lei de reciprocidade, pelos efeitos originados por nossas atitudes ou por nossa omissão.

Pontos relevantes a serem analisados são: 1) se aqueles que buscam esses núcleos para esclarecimento, apoio e compreensão de seus sofrimentos, incertezas e apreensões podem esperar… 2) Se os Espíritos podem, por sua vez, interromper tratamentos em curso na casa, mediante a colaboração medianímica e/ou ectoplásmica dos encarnados, e também esperar que nós, os “trabalhadores da área terrena”, disponhamos de tempo para dar prosseguimento à tarefa a que, na maior parte das vezes, nos propusemos espontaneamente, “semi-conscientes” da programação reencarnatória previamente aceita …

Jesus, nosso modelo e guia, nos disse que ele e o Pai trabalham sem cessar; talvez essa declaração, envolvendo Deus e tendo em vista o elevado grau evolutivo desse nosso irmão, tenha originado em nosso íntimo, à guisa de desculpa, a idéia de que podemos ser temporariamente “dispensados” das nossas atribuições em função de nossos interesses pessoais porque ambos se encarregarão de suprir a nossa parte…

No entanto, ainda que com conhecimentos incipientes, já podemos compreender o alcance físico e extrafísico dos trabalhos, quaisquer que sejam, realizados nas casas espíritas; já não podemos pretextar ignorância da lei de causa e efeito que tantas vezes atinge irmãos sem que estes compreendam o que com eles se passa; nem desconhecimento das dolorosas relações obsessivas de uns para com os outros, as quais, em inúmeros casos, pelo menos se amenizam diante do esclarecimento oferecido pela doutrina espírita; assim como não podemos mais ignorar a perturbação de Espíritos desencarnados ainda aturdidos em sua nova situação e que vêm procurar explicação para o que está acontecendo com eles…

Enfim, poderíamos continuar enumerando situações e necessidades que estão acima e além dos quesitos materiais e para as quais o tempo e os compromissos terrenos não têm nenhum significado.  Portanto, ao final do ano, com a comemoração do Natal, de ano novo, férias escolares, férias no trabalho convencional, os que fazemos parte de um grupo espírita com atribuições nos diversos tipos de atendimento na casa espírita, na sua manutenção como posto de apoio e esclarecimento particularmente, talvez devêssemos pensar um pouquinho mais antes de optarmos pelo fechamento das portas, ainda que por apenas um mês ou dois.

Se todos não podemos ficar ao mesmo tempo nesse período, muitas podem ser as opções de combinação entre os membros, no sentido de formar equipes de plantão, que se revezariam conforme suas possibilidades, já que também sabemos que uma de nossas grandes responsabilidades é a presença e a participação amorosa e prestativa junto à nossa família, entes queridos e amigos.  É no lar e com os que chamamos “nossos” que iniciamos e exercitamos o nosso aprendizado na fraternidade e na solidariedade.

Assim, como também já sabemos o cuidado que temos que ter com o “interesse pessoal”, que a Espiritualidade maior nos afirmou ser a origem do egoísmo, essa ocasião é, sem dúvida, uma oportunidade de tentarmos por em prática a lei suprema de amor, justiça e caridade e “fazer aos outros o que desejaríamos que nos fizessem”.

Doris Madeira Gandres

Fonte: Correio Espírita

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O Oficial Nazista Reencarnado

Fernando Rossit

Ele chegou ao Centro Espírita muito doente. O desequilíbrio atingira o ápice e, embora não fosse espírita, os recursos que a Doutrina poderia lhe oferecer era sua “última chance”.

Não conseguia dormir. Sentia a presença de “pessoas” dentro da sua casa e passou a ter crises de pânico. Não conseguia entrar na piscina de sua casa porque “percebia” que estava repleta de sangue. Seu quarto se transformou num quartel-general e ele percebia a presença de “oficiais militares” em movimentação constante. Queria se matar, pois não via saída para seu sofrimento.

Podemos dizer que o caso de Carlos (nome fictício) foi um tratamento espiritual emblemático para nós em 38 anos de sala mediúnica.

Tratava-se de um ex-oficial nazista, que participou diretamente das fileiras de Hitler na segunda guerra mundial. Suas vítimas, hoje transformadas em perseguidores espirituais, eram, na sua maioria, judeus desencarnados. Conseguiram localizá-lo reencarnado aqui no Brasil e a partir daí montaram um verdadeiro cerco para “destruí-lo”.

Criaram, com o poder da mente e graças a fluidez da matéria primitiva (Fluido Cósmico Universal), bem como a plasticidade com que responde ao poder criativo do pensamento, um verdadeiro quartel-general na residência de Carlos.

Para os médiuns videntes, sua casa física não “mais existia”, dado que fora totalmente sobreposta por uma outra construção – fluídica – onde centenas de judeus faziam guarda no seu entorno bem como nas duas torres erguidas para “vigilância”. Para eles, Carlos não poderia escapar. Tinham que destruí-lo fazendo justiça aos desmandos de que participou na guerra estúpida, destruindo suas casas, famílias e país.

O caso para nós, pequenos e imperfeitos servidores, era desafiador. Mas insistimos no Bem, eis que tudo podemos Naquele que nos fortalece, e movidos, também, pela compaixão que nos envolveu seu caso delicado. Tínhamos que fazer algo por aquele jovem de 23 anos.

A orientação doutrinária como o mais eficaz medicamento para amenizar seu sofrimento foi-lhe ministrada: passes, palestras, Evangelho no Lar, preces e vigilância, bem como reforma íntima com mudanças de hábitos e costumes.

As entidades comunicavam-se revoltadas. O desequilíbrio causado pelo ódio e desejo de desforço levaram-nas, em alguns casos, à licantropia.

Foi um trabalho que durou mais de um ano. Até que, graças a misericórdia do Pai e dedicados trabalhadores da seara do Bem desencarnados, um dia o destino desses irmãos mudou para sempre.

Grupos de judeus desencarnados, alguns deles parentes e amigos daqueles irmãos infortunados, construíram uma grande barraca hospitalar no ambiente espiritual da nossa Casa Espírita, para recebê-los em tratamento naquela noite inesquecível. Era comovedora a visão espiritual desses irmãos em fila, ingressando, um a um, no pronto-socorro montado pelos trabalhadores de Cristo.

Na reunião mediúnica, parentes da metade do século passado se acercaram dos judeus perseguidores e os acalmaram, envolvendo-os amorosamente, com a promessa que de após recolhidos e receberem os primeiros socorros, seriam “repatriados”, podendo retornar aos seus países de onde foram retirados cruelmente durante a segunda guerra mundial. E mais: nossos irmãos judeus poderiam reencarnar nas famílias que “perderam”, reencontrando parentes e afetos queridos.

Trabalhadores espirituais, especializados em manipulação fluídica, se encarregaram de desfazer a construção assustadora que fora criada pelos nossos irmãos vítimas da guerra.

A reunião mediúnica durou cerca de uma hora e meia….

Ao final da comovedora experiência que nosso grupo mediúnico teve a alegria de participar, agradecemos ao Senhor da Vida e a Jesus, o fiel Amigo nas provações e sofrimentos por que passamos na Terra.

Carlos, a partir daquela noite memorável, obteve melhora significativa. Aos poucos todos os sintomas desapareceram e retornou ao equilíbrio. Hoje está liberto das injunções obsessivas daquela época.

Casou-se e tem um filho. Enviou-me uma foto onde aparece ele, a esposa e o filho, sorridentes e felizes aproveitando a refrescante água da piscina nesses dias de calor.

Fernando Rossit

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Fonte: marcoaureliorocha5.blogspot.com

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Sentimento e moralidade precedem à intelectualidade

Jorge Hessen

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SENTIMENTO E MORALIDADE PRECEDEM À INTELECTUALIDADE

Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre? Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas. [1]

Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, que, entretanto, desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas. Todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart? Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).

Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossos bisavós padeceram com máquinas de escrever, e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet ou um smartphone ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.

Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual e moral, pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educativa da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da moralidade e da inteligência.

“Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor”. [2] Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”. [3] Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.

Considerando que o colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição. [4]

Lamentavelmente, a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos da moralidade e do coração nos caminhos da vida.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Fonte: G.E. Casa do Caminho de S. Vicente

Referências bibliográficas:

[1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed FEB, 2000

[2] Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, cap. 2, RJ: Ed FEB, 2006

[3] Idem cap. 17

[4] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed FEB, 2000

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Não temos que seguir pessoas, mas seguir ao Cristo

Orson Peter Carrara

cristo

Pessoas humanas somos falíveis, sujeitos a equívocos e distrações, seduzidos muitas vezes pela vaidade ou pelas variadas paixões, manipulados por vontades alheias ou conduzidos por impressões e imperfeições que tanto nos caracterizam, que nos dão visão limitada e bem pequena da realidade que nos cerca, bem como dos objetivos maiores nas ocorrências e acontecimentos.

Isso vale para tudo, considerando nossa condição de aprendizes, onde muitas vezes o comportamento caracteriza-se incoerente com as informações já disponíveis.

Em considerando o movimento espírita (este composto por seres humanos adeptos do Espiritismo), que é uma representação pálida da Doutrina Espírita que o motiva, dada nossas fraquezas e limitações, carências e interpretações ainda repletas de nossas distorções pessoais e coletivas, o raciocínio é o mesmo.

Palestrantes, dirigentes espíritas, médiuns ou tarefeiros de qualquer natureza, constituímos imenso exército de treinandos para a sabedoria de viver, exercitando ainda a conquista de virtudes. Portanto, igualmente falíveis nessas atividades, em desdobramento natural da condição humana.

Não temos, pois, que seguir pessoas. Temos que seguir o Cristo. É um equívoco elegermos pessoas, sejam dirigentes ou palestrantes, médiuns ou outros tarefeiros de instituições espíritas, para seguir. Sujeitamo-nos a decepções variadas, sem contar os prejuízos das interpretações que elejam como diretrizes – conforme nossas limitadas percepções humanas e que qualquer pessoa carrega consigo – e que podem estar completamente equivocadas, já que fruto das interpretações pessoais, nem sempre condizentes com a realidade.

Seguir o Cristo é nosso dever. Ele é o modelo e guia. E em termos de Doutrina Espírita, o raciocínio é o mesmo. Lideranças, médiuns e palestrantes podem estar completamente equivocados em suas ações. A segurança está em seguir a Codificação de Allan Kardec, para não cairmos nas raias do fanatismo e do ridículo. Isso constrói estabilidade, segurança, harmonia. Seguir pessoas cria instabilidades, desarmonia, insegurança. A história aí está para exemplificar isso, na história humana e, por consequência, também no movimento espírita. Daí as confusões reinantes. Pessoas… somos falíveis…

Orson Peter Carrara

Fonte: geae.net

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O que há por detrás da irritação e da impaciência?

Paulo Velasco

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A maior parte das pessoas impacienta-se e irrita-se com facilidade, seja com uma manifestação corriqueira ou acidental. Determinadas pessoas ainda desconhecem a dessemelhança entre a irritabilidade e a irritação. A irritabilidade consiste somente de uma condição do estado de espírito predisposto, ao passo que a irritação é o próprio impulso que precipita a irritabilidade. As características essenciais da irritação são manifestações de impaciência em total desestabilização, criadas até mesmo, por insignificantes questões. Em alguns casos, o indivíduo submetido ao experimento de situações circunstanciais de aborrecimentos pode não se importar e conservar-se imune diante de tais dificuldades. Todavia, não é capaz de travar o impulso da impaciência diante de um simplório episódio pouco expressivo.  O mesmo indivíduo pode manifestar total tranquilidade perante a desencarnação de um familiar muitíssimo amado, mas, contraditoriamente, pode perder a paciência se alguém esbarrar em seu corpo sem intenção. Essa oscilação de temperamento evidencia que a irritação é um consumo desnecessário de energia gerada por eventos sem relevância.

A irritação pode originar-se pela intervenção de pequenos pormenores. Isto não quer dizer que os mesmos pormenores sejam o agente direto da irritação, mas somente a ponte para desenvolvê-la. O motivo da irritação, em questão, habita dentro da própria pessoa. É o resultado da colisão de dois trajetos nervosos, que geram este conflito. Quando este choque passa a existir, tornam-se visíveis os sintomas da irritação.

Ainda que a irritação consista em estimular uma descarga de crise nervosa, ela é dotada de uma incumbência: Corresponder pela descarga nervosa a intervenção de sua procedência, como contrapeso ao dano que uma intervenção qualquer acarretou ao nosso amor-próprio, ou mexeu com nossos brios. Ela busca menosprezar o elemento originário dessa irritação.

Sabemos que perder a cabeça é uma coisa que se tornou rotineira nos dias de hoje: Pressões no trabalho, problemas da casa, situações financeiras, tudo isso contribui para momentos de irritação e nervosismo. Mas há algumas maneiras de controlar a situação. Muitas técnicas ajudam pessoas que têm problemas de irritação acima da média. Você é uma delas e ainda não achou a melhor maneira de controlar momentos de irritação? Eis aqui algumas técnicas que ajudarão a acalmar a sua mente e contribuirão para uma vida melhor no dia a dia: Harmonia espiritual, terapias complementares, meditações e exercícios físicos.

O problema normalmente se dá quando a pessoa perde o controle do estado emocional e começa a reagir intensamente sobre algo que não tem essa devida proporção. Por consequência de outros sentimentos que surgem muitas vezes ao mesmo tempo, como ansiedade, agitação, pressa e descontrole emocional, ocorrem alterações fisiológicas, como: tremor, falta de ar, dor muscular, coração acelerado, pelos arrepiados etc.  O que desencadeia a irritação pode ser algo interno ou externo. Existem diversas causas que podem provocar irritabilidade e descontrole emocional; muitas vezes a causa está no mau funcionamento do cérebro, e do estado emocional que a pessoa se encontra por consequência das escolhas e pensamentos que ela tem sobre a vida. Quando pensamos e agimos de forma irritada recebemos vários feedbacks, respostas e estímulos de outras pessoas por consequência de nossos atos e isso pode se tornar uma bola de neve negativa.

Os acontecimentos em si não são justificativas para um ato grosseiro ou mesmo irritadiço. Na verdade, não são os outros que nos irritam, mas nós que nos irritamos e nos incomodados com as pessoas e situações à nossa volta. O controle está em nossas mãos, cada um pode fazer diferente com novas ferramentas emocionais e atitudes. Lembre-se “As pessoas sempre fazem o melhor que podem, segundo seus recursos disponíveis em cada momento.” Assim como você faz seu melhor no momento, as outras pessoas também fazem. E a partir da aceitação disso, você pode buscar melhorias, um estado de melhor resultado e qualidade naquilo que você quer. Todos fazem o que podem, com as informações que dispõem no momento. Depois que o tempo passou é mais fácil ver e refletir sobre o que passou, mas não se pode aplicar essa percepção injustamente, pois agimos segundo o presente. Por isso, todo e qualquer julgamento pode ocorrer distorções, generalizações ou equívocos, as atitudes podem dar margem para interpretação impensada e errada.

A impaciência, por sua vez, não está instalada nos seu DNA, nem na sua constituição como ser humano. Trata-se de um padrão de conduta aprendido. Desse ponto de vista, também é possível reeducar as emoções para que correspondam a uma forma de agir mais construtiva. Existem diferentes formas de conseguir isso, mas uma das mais eficazes é simplesmente praticar a paciência.

O espiritismo acrescenta que a paciência é a virtude de suportar calmamente as dificuldades físicas e morais, para vencê-las. Foi exatamente o que Jesus exemplificou durante toda a Sua vida aqui na Terra; afinal, Ele é o modelo e guia oferecido por Deus à humanidade. Nessa condição, o Mestre nos ensinou que “é na paciência que ganhareis as vossas almas” (Lucas, 21: 19). Isto quer dizer que a criatura impaciente, que perde a calma e é incapaz de manter o controle emocional, acaba perdendo sua alma nos labirintos da perturbação.

E caso você precise vencer a impaciência, ore assim como Bezerra de Menezes nos orientou no livro “Preces Espíritas – do autor Pompílio Possera de Eufrásio – Ed. Eco: “Pai de Amor e Bondade. Dá-me forças para suportar com paciência as provas por que passo; ilumina minha alma para compreender o próximo que tudo faz para me irritar; ajuda-me sempre, Senhor, a ficar calado na hora de qualquer conflito; ampara-me, a fim de não tomar qualquer decisão precipitada na vida e vir a me arrepender depois; e que eu tenha, Senhor, muita paciência para perseverar na edificação do bem, mantendo a calma em todos os momentos da vida. Assim Seja!”

Paulo Velasco

Fonte: Correio Espírita

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