Para que serve o Evangelho No Lar? Há algum perigo em fazê-lo?

Camila Guimarães

A tão recomendada prática do Evangelho no Lar nada mais é do o momento em que a família se reúne para estudo dos ensinamentos de Jesus à luz da Doutrina Espírita, buscando a harmonia e paz no ambiente familiar [1].

O núcleo familiar tem uma importância tamanha na nossa trajetória espiritual, devendo ser um local de multiplicação de amor e aprendizado. Trazendo o estudo do Evangelho para dentro do nosso lar, além de propagar os grandiosos ensinamentos de Jesus, que serão necessários para o enfrentamento dos desafios na nossa encarnação, o estudo ainda é capaz de aumentar a vibração energética da nossa casa, atraindo Espíritos benfeitores que vão beneficiar a todos os moradores daquele lar.

Caso estejamos com nossa energia vibracional baixa ou cruzemos com pessoas que assim estejam, podemos atrair irmãos desencarnados em grau de perturbação para nosso local de repouso. A prática do Evangelho no Lar repele que energias baixas adentrem as paredes da nossa casa, podendo ainda ter o condão de encaminhar eventuais Espíritos de índole inferior para tratamento espiritual.

Existe algum risco de realizar o Evangelho no Lar? Posso atrair “coisa ruim” para minha casa?

Primeiramente, Espíritos estão em todos os lugares, onde quer que você vá. A questão é a energia que vibramos: se vibrarmos boas energias, atrairemos Espíritos nesta sintonia, assim como se vibrarmos baixas energias, vamos atrair Espíritos nesta afinidade.

Sendo a prática do Evangelho no Lar um momento de estudo das palavras de Jesus, mediante preces e leituras edificantes, é possível que energias ruins sejam atraídas? Não, o ambiente é energeticamente propenso para atrair Espíritos amigos e benfeitores, que vão ajudar na condução do estudo, proporcionando o máximo de aprendizado e boas reflexões, tanto para os familiares da casa, quanto para os Espíritos que acompanham o estudo.

Mas então pode ocorrer alguma manifestação mediúnica durante o Evangelho no Lar?

O momento do culto no lar não é o local adequado para a prática mediúnica, devendo ser realizado na Casa Espírita mediante auxílio de trabalhadores devidamente preparados para tanto. Caso tenha algum médium com maior influência dos Espíritos participando do estudo, não somente no Evangelho no Lar, mas em qualquer lugar ele estará sujeito a manifestações mediúnicas, daí a importância de manter-se em constante estudo e sintonia para lidar com estas manifestações a todo lugar e qualquer tempo. Para pessoas “comuns” que buscam no culto no lar um momento de reflexão e prece, tais fenômenos não são comuns.

Então, o que é necessário para realizar o Evangelho no Lar?

Primeiro, algumas recomendações iniciais:

– A família deve escolher um dia e horário fixo na semana para a realização dos estudos. E é primordial que se tenha compromisso e responsabilidade com o cumprimento do dia e horário, já que há toda uma preparação da Espiritualidade para assistência espiritual. Caso haja algum imprevisto inadiável, recomenda-se que se faça uma prece justificando a impossibilidade, convidando a Espiritualidade para o novo dia e horário ou a próxima reunião.

– Não é recomendável que seja uma reunião longa, cerca de 30 minutos é o ideal.

– Antes de iniciar a reunião, cada participante deverá providenciar um copo com água para fluidificação durante a reunião. Os copos deverão ser individuais e tomado somente ao final da reunião.

– Não tem companhia para realizar o estudo? Faça sozinho, não há problema algum. Recomendável somente que se faça em voz alta.

Qual o roteiro a se seguir?

– Inicie a reunião com uma prece inicial, de preferência uma prece simples e espontânea que venha do coração, pedindo o amparo da Espiritualidade para aquele momento, dando luz e entendimento para os participantes e harmonizando aquele lar.

– Faça uma leitura de algum trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Abra uma página aleatória ou escolha um texto de sua preferência. Não é necessário ler todo o texto, mas alguns parágrafos até que seja compreendida a ideia exposta.

– Feita e leitura, abre-se para os participantes do estudo tecerem comentários sobre a leitura.

– Aproveite esse momento de reflexão e mentalizem boas intenções a todos os necessitados de amparo espiritual.

– Finalize a reunião com uma prece final, também de preferência simples e espontânea, agradecendo pelo amparo da Espiritualidade naquele momento.

– Beba o copo de água fluidificada, mentalizando cura para seu corpo físico e espiritual.

A prática do Evangelho no Lar só tem a nos enaltecer, harmonizando não somente nosso lar e familiares, mas toda nossa vida, estreitando nossos laços com os ensinamentos do mestre Jesus. Que tal começar a fazer na sua casa?

“Quando a pessoa experimenta e faz, acontece. Você precisa experimentar para saber o que funciona” (Zíbia Gasparetto). [2]

Ficou com alguma dúvida? Entre em contato conosco que iremos prontamente ajudá-lo.

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REFERÊNCIAS

[1] FREIRE, Evelyn. CONHECENDO O ESPIRITISMO: O que é o Evangelho no Lar? Youtube, 5 de setembro de 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ak_iIms0_aw Acesso em 23. jan. 2022

[2] GASPARETTO, Zíbia. Grandes Frases. 1.ed. São Paulo: Vida & Consciência, 2017. p. 290.

Fonte: Letra Espírita

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Rótulos e máscaras

Vladimir Alexei

Estudar o Espiritismo é algo sublime, capaz de transformar-nos a maneira de pensar e agir em relação a pessoas, situações e de um modo geral, com a própria Vida. Mas estudar o Espiritismo ainda requer estudo, por mais redundante que seja, de tão óbvio.

Houve uma época em que a produção literária espírita, preenchia lacuna significativa, quanto a interpretações daquilo que a Doutrina Espírita revelou. Além do magistral trabalho de Allan Kardec, muitas pesquisas e estudos foram empreendidos com o objetivo de esclarecer pontos e ampliar entendimentos que o Espiritismo, por intermédio dos Espíritos Superiores, lançou luz.

Pesquisadores e pensadores espíritas teceram obras fenomenais, tanto pela forma, como pela profundidade do seu conteúdo. A cada nova interpretação e a cada novo entendimento, uma avalanche de livros era produzido tentando explicar e fazer luzir algum ângulo até então abordado de uma maneira diferente.

Essa diversidade fez com que o espírita tivesse, em suas mãos, um leque extenso de opções para seu estudo, que o movimento espírita convencionou “fragmentar” e rotular em trabalhos de cunho religioso, científico e filosófico. A crítica ao rótulo não é gratuita. Foi um recurso didático utilizado para conseguir melhor transmitir os ensinamentos dos espíritos. Entretanto, após mais de meio século de divulgação do Espiritismo nos moldes atuais, adotados pela esmagadora maioria das casas espíritas que possuem ciclos de estudos, estudos sistematizados, etc., percebe-se, mesmo sem método ou instrumento científico mais adequado, que o estudo do espiritismo ficou mascarado.

A fragmentação, por exemplo, é duramente criticada pelo educador Edgar Morin, quando diz que o retalhamento das disciplinas, torna impossível apreender “aquilo que é tecido junto”. Por que estudar “ciência, filosofia e religião”, quando o que deveríamos estudar é a “Doutrina Espírita”? Será que “tríplice aspecto” da doutrina consegue explicar a complexidade do que o Espiritismo aborda? Quando dizemos Doutrina Espírita, aplicamos um “zoom” que evidencia as inter-relações entre os conhecimentos (“tecido junto”), deixando claro que há mais do que um tríplice aspecto. No entanto, a aplicação do conteúdo fica a cargo do expositor, que pode abordar assim ou não.

Talvez – e esse é outro ponto da nossa reflexão –, quando iniciaram os estudos, no início do século XX, traduzir o pensamento das obras de Kardec, comportava um nível de abordagem que preservasse muito mais o entendimento e a interpretação, no sentido de “simplificar”, do que de ampliar considerações daquele aprendizado em relação a outros temas do cotidiano. Isso muda quando Dr. Carlos Imbassahy (Pai) assume a pena e nos dizeres do Herculano Pires, em sua “fortaleza” direto de Niterói, consegue relacionar as descobertas científicas com as revelações doutrinárias e tecer comentários filosóficos a respeito de conclusões – ilações, hipóteses, inferências, etc., todas válidas no campo da exposição de ideias –, que poderiam agradar ou não espíritas e não espíritas.

O movimento espírita – não o movimento de unificação, que não unifica nem entre eles – tem sido convidado a rever a eficácia e os objetivos do aprendizado, consequentemente, das atividades doutrinárias da casa espírita. Será que ainda buscamos “unanimidade” ou aprendemos com a diversidade nas casas espíritas?

Unanimidade é utopia no mundo atual, beirando a atrofia. Convergências de entendimento, ainda que existam diferenças na construção do conhecimento, são desejáveis. Veja um exemplo: “se dou comida aos pobres, todos me chamam de santo. Mas quando pergunto por que são pobres, me chamam de comunista.” Essa frase do Dom Helder Câmara ilustra a diferença dos pensamentos e a sua complexidade. Tentar simplificar, rotula. Explicar: mascara porque evidencia apenas a compreensão daquele que está expondo o pensamento. Na complexidade do mundo atual, percebe-se que há muito conhecimento e informação entre os extremos para se tomar uma decisão simplista.

Nesse sentido, sabendo que as necessidades humanas estão cada vez mais globais, complexas e com níveis de exigência dantes observado, um leigo, neófito, apenas curioso, que enfrenta críticas, se expõe, tendo apenas como instrumentos diminuta experiência e uma convicção pessoal, não tem alcance e nem competência para empunhar bandeira que não seja aquela de provocar, estimular e refletir acerca do que temos visto, vivido e aprendido na Doutrina Espírita.

Desconstruir rótulos começa com a revisão do próprio papel de divulgar o espiritismo. Ao contrário do que muitos divulgadores dizem, quando assumem a tribuna, ouso refletir com os amigos, que não está faltando Kardec, nem obras de conteúdo doutrinários, nem muito menos estudo. Está faltando amor, benevolência, simplicidade.

Simplicidade é diferente de simplismo. Com as redes sociais, reduziram as discussões a críticas contumazes, sem ao menos apresentar argumentos. Quando as questões apontam para o “comportamento”, alguém se manifesta contrário, lamentando que a discussão “sempre” redunda em questões comportamentais. Todo aprendizado religioso, moral, filosófico, de alguma forma afeta o comportamento. Circula vídeo no WhatsApp do Padre Fabio de Melo falando sobre a “quaresma”. Em linhas gerais, o convite dele é para que o católico substitua a abstinência por comida e bebida, por melhorias no comportamento. Qual o problema do espírita de hoje em entender isso?

Precisamos resgatar a linha mestra que nos vincula aos primeiros cristãos, aqueles que sentiram o perfume da presença do Mestre, seguiram seus passos, sonhavam com suas prédicas, criavam conexões de Suas parábolas com os desafios do cotidiano. Resgatar a alegria de servir, a beleza de amar desinteressadamente, de auxiliar o próximo, mais próximo, a partir de uma renovação interior, capaz de nos mostrar a grandeza da vida e seu aprendizado.

Que as dificuldades do caminho não nos paralisem os gestos nobres. Que o desejo de servir seja maior do que os rótulos e máscaras que existem no caminho. E que a presença do Cristo seja constante em nossas vidas, hoje e sempre.

Vladimir Alexei é orador espírita na cidade de Belo Horizonte/MG e colaborador da Rede Amigo Espírita

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

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“Todos sereis médiuns”

Aceitação da imortalidade alterará todo panorama social do planeta

Imortalidade da alma

Orson Peter Carrara

A afirmação que intitula esta matéria é do Espírito São Luís, um dos espíritos responsáveis pela Codificação Espírita. Ela está em texto que parcialmente reproduzimos abaixo. O Espírito chega a afirmar, na mesma mensagem, que “feliz da sociedade que o puser em prática!…”, referindo-se ao Espiritismo. Realmente, grande verdade!

O Espiritismo é mesmo uma doutrina-luz, pelo esclarecimento racional que traz e pelos convites de aperfeiçoamento moral que apresenta. Destruindo o materialismo, que aliás nenhuma base mais encontra em nossos dias, ele promove a felicidade do ser que se autocompreende nas lutas e desafios que enfrenta e nos objetivos da existência.

Deixo aos leitores dois trechos da Revista Espírita, a tradicional publicação fundada por Allan Kardec, em 1858:

a) “(…) Sendo o Espiritismo a prova palpável e evidente da existência, da individualidade e da imortalidade da alma, é a destruição do materialismo, essa negação de toda religião, essa chaga de toda sociedade. O número de materialistas que ele trouxe a idéias mais sãs é considerável e aumenta todos os dias. Só isso representa um benefício social. (…) Se agora considerarmos a moral ensinada pelos Espíritos superiores, vemos que é toda evangélica; basta dizer que prega s caridade cristã em toda a sua sublimidade. (…) Reconduzindo os homens aos sentimentos de seus deveres recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das doutrinas subversivas da ordem social. (…)” (janeiro de 1859).

b) “O Espiritismo é a ciência e toda a luz. Feliz da sociedade que o puser em prática! (…) Chegando a esta crença todos sereis médiuns; desaparecerão todos os vícios que degradam a vossa sociedade; tudo se tornará luz e verdade; o egoísmo, esse verme roedor e retardatário do progresso, que abafa todo sentimento fraterno, não terá mais domínio sobre vossas almas; vossas ações não mais terão por móvel a cupidez e a luxúria; amareis vossa mulher porque ela terá uma alma boa e vos quererá, porque verá em vós o homem escolhido por Deus para proteger a sua fraqueza e porque ambos vos auxiliareis a suportar as provas terrenas e sereis os instrumentos votados à propagação de seres destinados a melhorar-se, a progredir, a fim de chegarem a mundos melhores, onde podereis, por um trabalho ainda mais inteligente, atingir o nosso supremo benfeitor. Ide, Espíritas! Perseverai; fazei o bem pelo bem; desprezai suavemente os gracejadores; lembrai-vos que tudo é harmonia na natureza, que a harmonia está nos mundos superiores e que, mau grado certos Espíritos fortes, terei também a vossa harmonia relativa.” (agosto de 1860).

É interessante a afirmação de que “todos sereis médiuns”. Claro, interessados no progresso, no bem próprio e do próximo, a criatura humana estará fatalmente sintonizada com os poderes maiores da vida, ensejando-lhe encontrar em cada situação e circunstância de sua existência uma sempre renovada oportunidade de fazer o bem. Buscando a fraternidade e o dever de trabalhar pelo progresso humano, se tornará médium do amor. Será decisivo instrumento para a renovação social. É a identificação com os objetivos da vida humana, por isso, “sereis médiuns”.

Nestes momentos difíceis da humanidade, no aparente caos social, de quanta inspiração e boa vontade não precisamos todos para alterar o quadro que aí está a nos desafiar. E não é exatamente o materialismo o causador de tudo isto?

O Espiritismo explica exatamente a inutilidade desta teoria e apresenta, em oposição, os mecanismos sadios do espiritualismo, agora ampliados sob a visão da imortalidade e da reencarnação. É todo um universo que se abre, onde o intercâmbio entre os chamados vivos e os chamados mortos escancara as perspectivas de progresso e felicidade.

E agora que vivemos o ano do sesquicentenário do Espiritismo (1857-2007), a oportunidade de estudar, refletir e viver tudo isso surge renovada. Não há melhor maneira de homenagear os 150 anos de O Livro dos Espíritos (18 de abril) do que estudá-lo e amplamente divulgá-lo, para vivermos todos seus princípios enobrecedores.

Sintonia com o bem, confiança em Deus e trabalho contínuo pelo progresso intelecto-moral humano constituem verdadeira receita para viver o Espiritismo!

Orson Peter Carrara

Postado em 11/04/2007 – Atualizado em: 24/01/2020

Fonte: Casa Espírita Nova Era

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Educação no Lar

Divaldo P. Franco

EDUCAÇÃO NO LAR

Cada dia a violência torna-se mais constante e perversa, atingindo índices insuportáveis. Todo o sentido ético da existência humana vem desaparecendo para dar lugar à agressividade, ao desrespeito aos códigos do dever e do respeito que nos devemos todos uns aos outros. As estatísticas sobre o comportamento primitivo são alarmantes, inclusive, na intimidade doméstica, na qual não vigem a consideração nem a compreensão entre pais e filhos, irmãos e demais membros da família.

O feminicídio covarde assusta e a cada dia aumenta na razão direta em que se avolumam os desequilíbrios de toda ordem, inclusive, de natureza sexual, que se fazem naturais na sociedade. A mulher, quase sempre desrespeitada, vem sofrendo tratamento incompatível com os princípios da cultura e da civilização.

Nas escolas confundem-se as más condutas de alguns mestres despreparados para o mister, assim como de alunos deseducados e cínicos que se agridem reciprocamente, assim como aos professores, especialmente femininos.

A desordem reina de maneira assustadora e as pessoas estão praticamente armadas umas contra as outras, demonstrando nas feições carrancudas os tormentos íntimos que as afligem e descaracterizam.

Sem dúvida, vivemos momentos muito graves na infeliz civilização dos nossos dias, nos quais o amor e a honra perderam o significado, estimulando os valores insensatos do aventureirismo.

Há uma necessidade urgente de reorganizar-se o lar, de voltar-se para os costumes retos e as famílias equilibradas, reconstruindo-se o ninho doméstico e tornando-o essencial para uma existência feliz.

Narra-se que oportunamente o jovem Edison entregou à genitora uma carta que o seu professor encaminhara-lhe. Indagada sobre o conteúdo, ela explicou ao filho que se tratava de uma informação na qual o professor explicava-lhe ser necessário que ela mesma educasse e instruísse o filho, por ser ele portador de inteligência brilhante e de muitos valores morais que necessitavam ser trabalhados.

Edison, o criador da lâmpada elétrica entre outros notáveis descobrimentos, sensibilizou o mundo e o deslumbrou com as suas conquistas. Após a desencarnação da mãezinha, dispôs-se a arrumar papéis e outros objetos, havendo reencontrado a carta em uma gaveta. Abriu-a e leu-a.

Tomado de surpresa, constatou que a carta dizia exatamente o contrário do que a sua mãe lera: Seu filho é um doente mental e não tem condições de frequentar a escola. Assim cancelamos sua matrícula.

A nobreza dessa senhora incomum transformara o diamante bruto em estrela luminosa que clareia o mundo até hoje.

Ninguém mais nem melhor do que os pais para serem os primeiros educadores, porque o lar é a primeira escola, no qual se corrigem as heranças morais negativas, as tendências nefastas, as paixões primitivas e mediante os exemplos de amor e de treinamento para o bem são desenvolvidos os sentimentos morais que jazem adormecidos.

O ser humano está fadado a conquistar as estrelas, mas necessita muito antes de autoiluminar-se, conhecendo as imensas possibilidades espirituais e morais que lhe jazem adormecidas no imo do ser.

Na convivência doméstica caldeiam-se as paixões que se transformam em fontes de bênçãos e de plenitude.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, de 28.11.2019.

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Cleptomania na Visão Espírita

Fernanda Oliveira

Segundo o dicionário online, cleptomania é impulso anormal ou tendência incontrolável que leva alguém a roubar, não se importando com o valor da coisa roubada, chegando a roubar coisas sem valor algum.(Dicionário Online de Portugues, s. d, on-line) O indivíduo com este transtorno sente uma necessidade incontrolável de subtrair o objeto de terceiros, mesmo que possua condições financeiras para obter licitamente aquele objeto. É um transtorno de impulso, a pessoa sente uma adrenalina no momento da realização do ato. Após a adrenalina a pessoa frequentemente sente medo de ser apanhada e pode se sentir culpada e até mesmo deprimida.

Geralmente os indivíduos que apresentam a cleptomania apresentam mais de um transtorno mental e/ou emocional como transtorno de humor e ansiedade – e pode ser desencadeado por carência de afeto, depressão, angústia, obsessão, alívio e conforto emocional. Esse transtorno acomete de 0,3 a 0,6 % da população geral, sendo mais prevalente em mulheres. De difícil diagnóstico, pois, o ser tem dificuldade de relatar e procurar auxílio com medo de punições ou de ser preso.

As heranças do passado próximo ou remoto dão lugar aos transtornos psicóticos e neurológicos; são múltiplas as manifestações de desequilíbrio mental e emocional cujas causas estão nos pensamentos, palavras e atos que constituem a existência. Refletem no perispírito e registram-se no corpo físico em encarnações posteriores. As enfermidades mentais são efeitos e não causas. Segundo Kardec: “As doenças fazem parte das provas e das vicissitudes da vida terrena; são inerentes à grosseria da nossa natureza material e à inferioridade do mundo que habitamos.” (Kardec,2010,p538)

Podemos entender uma doença como uma alteração no estado normal de saúde, que pode ocorrer no organismo, em algum órgão ou no estado mental e psicológico. Além de saúde ser ausência de doença, concebe-a como o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Não se pode pensar em uma vida digna e plena sem ter saúde. (Oliveira,2016,p11)

A doença não é uma punição, é sim um recurso de aprendizado. Certos acontecimentos e doenças são permitidas para estimular o espírito a cumprir com a sua jornada evolutiva. (Schubert,2019,p130) Onde colocamos os nossos pensamentos e sentimentos, desenvolvemos a nossa vida, pois vivemos dos valores que cultivamos.

Os transtornos psicológicos são efeito das escolhas praticadas em outras existências – só existem consequências quando ocorrem ações anteriores, é do íntimo do ser que são gerados esses comportamentos. Segundo as leis naturais de Deus que nos orientam e estão escritas em nossa consciência; todas as nossas ações produzem reações que podem ser positivas ou negativas. Tudo vai depender da sintonia e afinidade dos pensamentos – conforme a Lei da Afinidade- débito/ crédito – já que cada Espírito é autor de suas conquistas e infortúnio, conquistando admiração ou desconsideração. ( Franco,2018,p30).

Cada um de nós constrói em seu íntimo a sua atmosfera moral, trazendo de bagagem de suas múltiplas existências todas as necessidades evolutivas que se expressam como saúde ou enfermidade. A influência dos nossos pensamentos é de grande significação para a nossa saúde. Todo mal por nós praticado expressa de algum modo, lesão em nossa consciência e toda lesão determina distúrbio ou mutilação no organismo que exterioriza o modo de ser.

Não é um castigo, mas uma consequência natural das escolhas pessoais do Espírito, com o objetivo de corrigir na vida física o que deixamos de corrigir no Espírito, funcionando como uma reabilitação moral do Espírito (Carvalho,2020, p163).

O indivíduo buscando se curar deve procurar tratamento psicológico e psiquiátrico, procurando manter o equilíbrio com orações em sintonia com uma conduta saudável dos pensamentos e conversas edificantes, procurando treinar a mente para o aprendizado do bem. A atitude mental é que faz a diferença. (Schubert ,2019, p170).

A reeducação íntima harmoniza a mente e a prática do bem fortalece o indivíduo, a consciência pode contribuir pelo poder de escolha na educação ou reeducação de si próprio, selecionando os recursos capazes de favorecer o seu aperfeiçoamento moral e espiritual.

A cura é a restauração biológica que reorienta o espírito, é como perder o caminho, a direção e depois retornar para a rota. Dentro de cada um está a sua cura para todos os males. Não existe mudança nos efeitos se não mudarmos as causas.

Vamos caminhar buscando o nosso equilíbrio, cultivando pensamentos elevados e positivos e praticando o bem com muitas energias positivas.

“Evoluir é saber escolher” (Dr. Sérgio Felipe de Oliveira).

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

Dicionário Online de Português. Significado de Cleptomania. Disponível em https://dicio.com.br. Acesso em novembro de 2021.

Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.74 edição 2018. Editora Boa Nova. Catanduva-SP.

Carvalho, Evelyn Freire. A Imortalidade da Alma.1 edição.2020. Editora Letra Espírita. Campos dos Goytacazes-RJ.

Carvalho, Evelyn Freire. A Morada dos Espíritos e suas leis. 1 edição. 2020. Editora Letra Espírita. Campos dos Goytacazes-RJ.

Schubert, Suely. Transtornos Mentais. 1 edição Premium, 2 tiragem. 2019. Editora InterVidas. Catanduva-SP.

Franco, Divaldo – pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. Transtornos Psiquiátricos e Obsessivos. Ebook do Kindle.2015. Editora Leal. Salvador-BA.

Oliveira, Fernanda Guimarães Santa Rita. Judicialização da Saúde – A mediação como uma alternativa – Monografia do Curso de pós-graduação Lato Sensu em Estado e Direito- Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro- AMPERJ; Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro- IUPERJ; Instituto Superior do Ministério Público – ISMP; Universidade Cândido Mendes – UCAM.2016. Niterói-RJ.

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Nas culminâncias da luta

Cairbar Schutel

Muitas vezes, vivemos normalmente dez longos anos, conquistando patrimônios espirituais, para viver apenas dez minutos fugazes de modo extraordinário e excepcional. São o “clímax da vida”, onde somos chamados às contas, na aferição de responsabilidades intransferíveis e que, não raro, percebemos intuitivamente, a derramar lágrimas que pressagiam amargas lutas.

Aprendemos, dia a dia, a pouco e pouco, anos seguidos, o desprendimento de bens transitórios para enfrentarmos a prova do desapego maior em momentos breves; experimentamos, por vários lustros, a repetição, instante a instante, de um dever trivial para testarmos a própria perseverança, no epílogo desse ou daquele problema, aparentemente vulgar, mas de profunda significação em nosso destino; adquirimos forças íntimas vivendo toda uma encarnação a preparar-nos para a demonstração de coragem num minuto grave de testemunho…

Alpinistas da evolução, que destilam suor, de escarpa em escarpa, galgamos a montanha da experiência, adestrando-nos para transpor a garganta que nos escancara o abismo diante da tentação; estudantes comuns, nos currículos da existência, enceleiramos preciosos conhecimentos em cursos laboriosos de observação e trabalho, para superarmos a prova eliminatória, às vezes num só dia de sacrifício…

Estamos sempre, face à face, com a banca examinadora do mundo, pois onde formos aí seremos convocados à confissão de nossa fé e consequente valor moral. O minuto que se esvai é a nossa oportunidade valiosa; o lugar onde estamos é o anfiteatro de nossas lições contínuas.

Por isso, caminhar sem Jesus, nos domínios humanos, é sentir que a água não dessedenta, o alimento não sacia, a melodia não eleva, a página não edifica, a flor não perfuma, a luz não aquece… Entretanto, amparados no Cristo, todos somos autossuficientes, porquanto dispomos de apoio, esclarecimento e fortaleza em qualquer transe aflitivo com que a vida nos surpreenda.

O alento que a certeza da fé raciocinada nos proporciona transcende todas as consolações efêmeras que possamos auferir de vantagens terrenas, de vez que nos faculta trabalhar sem fadiga, ajudar sem esforço, sofrer sem ressentimento e rir engolindo pranto.

Marchemos assim, arrimados nos padrões do Divino Mestre sem que nos creiamos no pretenso direito de reclamar ou maldizer, tumultuar ou censurar.

Desistamos de reivindicações, privilégios, prêmios ou honrarias de superfície, porquanto urge aspirarmos à medalha invisível do dever retamente cumprido que nos brilhe na consciência, à coroa da paz que nos cinja os pensamentos e a carta-branca do livre arbítrio que nos amplie o campo de ação no bem puro.

Regozija-te, pois, se a tua fé vive analisada na intimidade do lar, combatida na oficina de trabalho, fustigada no círculo de amigos, fiscalizada na ribalta social ou testada no catre* de sofrimento… Somente conduzindo a nossa cruz de renúncia às gloríolas do século, com a serenidade da abnegação e com o sorriso da paciência, é que poderemos ser recompensados pelo triunfo sobre nós mesmos, nas rotas da Perfeita Alegria.

Autor: Cairbar Schutel

Do livro “Ideal Espírita”, Cairbar Schutel, Francisco Cândido Xavier, Espíritos Diversos

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Coragem – a força do bem

Itair Rodrigues Ferreira

Levanta a cabeça! 57 frases de força para ajudar a superar momentos  difíceis - Pensador

Muitas vezes interpretada como valentia, agressividade ou violência, devido à predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual, a coragem é uma energia moral que, disciplinada, transforma-se em força de vontade. Quando somos impulsionados pela coragem, reagimos às dificuldades e às dores inevitáveis do mundo e controlamos o medo nos instantes mais assustadores, desobstruindo nosso caminho.

Ter coragem não é estar isento de medo, porque o medo é uma das maiores emoções da alma. Ser corajoso é não nos deixarmos comandar por ele; é idealizar nosso sonho e não desanimar até que ele se concretize, sem nos importarmos com os obstáculos. Corajoso é ser feliz neste mundo de expiações e provas, que nos pede a evolução por meio do reajuste e a erosão de nossas mazelas.

Ao nascermos, trazemos esta inscrição na consciência: para frente e para o alto. É a lei do progresso. Com dificuldade para entender essa diretriz divina, acabamos nos perdendo nos desvãos do caminho, como a Alice, personagem de Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas, que indaga ao gato de Cheshire qual o caminho a seguir em uma bifurcação. Ao que ele lhe responde com outra pergunta: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei! Então o gato retruca: Se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve.

Assim somos nós: ficamos perdidos, sem coragem e sem saber para onde ir. Idealizar, planejar e realizar é o roteiro do sucesso. Querer, saber e amar são as palavras-chave para a nossa felicidade. Mas nessa ordem. Em primeiro lugar, o querer, pois ele determina nossa escolha; o saber é muito importante, porque sem ele não podemos construir nossos passos, e o amor é o mandamento maior, que nos conduz ao caminho do bem.

A coragem, ao ser estruturada pela disciplina em vontade, adquire o poder de decisão, que é o querer. Coragem também é fé, pois a fé é a vontade de querer. São três palavras importantes em uma só.

Coragem têm os cientistas, que repetem centenas, milhares de vezes, uma experiência, na certeza de que chegarão à descoberta benéfica para a humanidade. Thomas Edison tentou mais de mil vezes a invenção da lâmpada incandescente. Quantas noites sem dormir e quantos dias sem comer, até iluminar a Terra e nos legar 1.093 inventos patenteados, e tornar-se o maior inventor de todos os tempos!

Louis Pasteur, que revolucionou a ciência com a descoberta das doenças microbianas, trabalhava para identificar as bactérias causadoras de doenças, quando sua querida filha Raquel adoeceu. Deixou-a no leito e foi para o laboratório continuar as pesquisas. Ao receber a notícia de sua morte, respondeu: Se ela morreu, que posso fazer? Preciso continuar trabalhando para aqueles que estão vivos.

Coragem tiveram os grandes vultos da ciência, da filosofia, da religião e de todas as áreas do conhecimento humano, para trazer-nos o progresso. Seria dispendioso e até impossível identificá-los, porque muitos ficaram anônimos, passaram despercebidos pela história da humanidade.

Exemplo disso é Joana de Cusa, velha discípula de Jesus, a respeito de quem o Espírito Humberto de Campos nos fala, no livro Boa Nova, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Por ser cristã, foi amarrada ao poste do martírio no circo romano, no ano 68 d.C., para ser queimada viva, juntamente com seu filho, que, desesperado, lhe dizia, entre lágrimas: “Repudia a Jesus, minha mãe!… Não vês que nos perdemos?! Abjura!… por mim, que sou teu filho!…” Possuída de força sobre-humana, a viúva de Cusa contemplou o filho ensanguentado e, fixando no jovem um olhar profundo e inexprimível, na sua dor e na sua ternura, exclamou firmemente: “Cala-te meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício…” Em poucos instantes, as labaredas lamberam-lhe o corpo envelhecido e o de seu filho.

Joana de Cusa hoje é o Espírito Joanna de Ângelis, que tem a sublime missão no Espiritismo como mentora de Divaldo Pereira Franco, esse grande apóstolo de Jesus. Juntos, divulgam o Espiritismo em todos os continentes do nosso planeta, em um trabalho de amor e de coragem.

Emmanuel relata, no livro Ave, Cristo! vários casos de coragem de Espíritos que, apesar de passarem anonimamente pela Terra, contribuíram para a implantação do cristianismo. O escravo cristão de nome Rufo servia em uma chácara cujo senhor, Taciano, era adepto da deusa Cíbele, mãe dos deuses romanos, e por isso foi obrigado a renegar Jesus e a render graças à Divina Cíbele. Rufo não aceitou. Foi açoitado, preso e, amarrado no rabo de um potro selvagem, teve seu corpo despedaçado, diante da mulher e das filhas, que imploravam para que ele se salvasse. Posteriormente, no dia 1º de maio de 1880, reencarnava em Sacramento, Minas Gerais, como Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade.

Jesus, o Maior Intérprete da Coragem, nosso guia e modelo, que, sem precisar e sem merecer, deixou-se imolar na cruz do sofrimento, ao ser interrogado por Anás, foi esbofeteado por um dos guardas e reagiu dizendo: “Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que me feres?” Em outro momento, convidando-nos à coragem, disse: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo: eu venci o mundo.”

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

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A MORTE É A PRÓPRIA VIDA NUMA NOVA EDIÇÃO

Emmanuel

MORTE

Sendo a mente o espelho da vida, entenderemos sem dificuldade que, na morte, lhe prevalecem na face as imagens mais profundamente insculpidas por nosso desejo, à custa da reflexão reiterada, de modo intenso.

Guardando o pensamento – plasma fluídico – a precisa faculdade de substancializar suas próprias criações, imprimindo-lhes vitalidade e movimento temporários, a maioria das criaturas terrestres, na transição do sepulcro, é naturalmente obcecada pelos quadros da própria imaginação, aprisionada a fenômenos alucinatórios, qual acontece no sono comum, dentro do qual, na maioria das circunstâncias, a individualidade reencarnada, em vez de retirar-se do aparelho físico, descansa em conexão com ele mesmo, sofrendo os reflexos das sensações primárias a que ainda se ajusta.

Todos os círculos da existência, para se adaptarem aos processos da educação, necessitam do hábito, porque todas as conquistas do espírito se efetuam na base de lições recapituladas.

As classes são vastos setores de trabalho específico, plasmando, por intermédio de longa repercussão, os objetivos que lhes são peculiares naqueles que as compõem.

É assim que o jovem destinado a essa ou àquela carreira é submetido, nos bancos escolares, a determinadas disciplinas, incluindo a experiência anterior dos orientadores que lhe precederam os passos na senda profissional escolhida.

O futuro militar aprenderá, desde cedo, a manejar os instrumentos de guerra, cultuando as instruções dos grandes chefes de estratégia, e o médico porvindouro deverá repetir, por anos sucessivos, os ensinos e experimentos dos especialistas, antes do juramento hipocrático.

Em todas as escolas de formação, vemos professores ajustando a infância, a mocidade e a madureza aos princípios consagrados, nesse ou naquele ramo de estudo, fixando-lhes personalidade particular para determinados fins, sobre o alicerce da reflexão mental sistemática, em forma de lições persistentes e progressivas.

Um diploma universitário é, no fundo, o pergaminho confirmativo do tempo de recapitulações indispensáveis ao domínio do aprendiz em certo campo de conhecimento para efeito de serviço nas linhas da coletividade.

Segundo o mesmo princípio, a morte nos confere a certidão das experiências repetidas a que nos adaptamos, de vez que cada espírito, mais ou menos, se transforma naquilo que imagina.

É deste modo que ela, a morte, extrai a soma de nosso conteúdo mental, compelindo-nos a viver, transitoriamente, dentro dele. Se esse conteúdo é o bem, teremos a nossa parcela de céu, correspondente ao melhor da construção que efetuamos em nós, e se esse conteúdo é o mal estaremos necessariamente detidos na parcela de inferno que corresponda aos males de nossa autoria, até que se extinga o inferno de purgação merecida, criado por nós mesmos na intimidade da consciência.

Tudo o que foge à lei do amor e do progresso, sem a renovação e a sublimação por bases, gera o enquistamento mental, que nada mais é que a produção de nossos reflexos pessoais acumulados e sem valor na circulação do bem comum, consubstanciando as ideias fixas em que passamos a respirar depois do túmulo, à feição de loucos autênticos, por nos situarmos distantes da realidade fundamental.

É por esta razão que morrer significa penetrar mais profundamente no mundo de nós mesmos, consumindo longo tempo em despir a túnica de nossos reflexos menos felizes, metamorfoseados em região alucinatória decorrente do nosso monoideísmo na sombra, ou transferindo-nos simplesmente de plano, melhorando o clima de nossos reflexos ajustados ao bem, avançando em degraus consequentes para novos horizontes de ascensão e de luz.

Emmanuel

Fonte: XAVIER, Francisco C. Pensamento e vida

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Ávidos por novidades

Orson Peter Carrara

Canteiro de Ideias: Novembro 2019

Ávidos por novidades – Com esse mesmo título, a conhecida revista FidelidadEspírita, edição 77, de fevereiro/09, publicou importante editorial que nos permitimos reproduzir, na íntegra e com autorização da publicação, face à oportunidade de abordagem, aos amigos do Movimento Espírita:

Editorial – Revista FidelidadEspírita, nº 77, fevereiro de 2009

“Os que no Espiritismo veem mais do que fatos, compreendem-lhe a parte filosófica; admiram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Insignificante ou nula é a influência que lhes exerce nos caracteres. Em nada alteram seus hábitos e não se privariam de um só gozo que fosse. O avarento continua a sê-lo, o orgulhoso se conserva cheio de si, o invejoso e o cioso sempre hostis. Consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.” (O Livro dos Médiuns, Cap. III, item 28 – 2º)

Periodicamente, surgem os mais diversos modismos no Movimento Espírita. A origem dessas modas é a dificuldade que alguns adeptos têm de aceitar a simplicidade da Doutrina dos Espíritos.

Egressos das religiões dogmáticas ou ritualísticas, eles pretendem introduzir no Espiritismo aquilo que não lhe pertence. Por isso, estão sempre à caça de terapias maravilhosas, médiuns curadores, profecias, métodos novos para a mediunidade, “detetives” que desvendam vidas passadas e, como é natural, acabam nas mãos dos charlatães.

De fato, o Espiritismo não é uma doutrina comum; embora simples, na prática e vivência dos seus postulados, é ciência, filosofia e religião, a exigir do seu adepto uma adequação ao método de pesquisa, que levará ao conhecimento doutrinário seguro, sedimentando, definitivamente, a fé do espírita, libertando-o da ânsia por novidades.

Não estamos dogmatizando o Espiritismo, mas apontando alguns problemas que podem prejudicar o seu entendimento.

Kardec chamou de espíritas imperfeitos os que se prendem à forma e não à essência. Os que admiram e não praticam.

Enquanto buscamos “novidades”, não estudamos a Doutrina, permanecendo na superficialidade. O Espiritismo continua um grande desconhecido!

Compete, portanto, às casas espíritas a tarefa de esclarecer seus adeptos, oferecendo ambiente adequado de estudo e prática da caridade (moral e material), para que o espírita tenha amplo campo para o desenvolvimento de suas potencialidades.

Quando entendermos com mais profundidade a Doutrina dos Espíritos, encontraremos nela a sublimidade da mensagem central: a transformação do homem.

Sempre que nos preocupamos mais com o exterior, introduzindo práticas antidoutrinárias no Espiritismo, desviamo-nos do compromisso moral de melhoramento, dando maior atenção ao efeito que à causa.

O Espiritismo não está ultrapassado, como querem alguns, permanece atual e pouco conhecido.

Esperamos que os centros comprometidos com a Doutrina formem, competentemente, os espíritas de agora e do futuro, como prenunciou Allan Kardec:

“Os que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as consequências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierarquia do mundo dos Espíritos, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pendores. As relações com eles sempre oferecem segurança, porque a convicção que nutrem os preserva de pensarem em praticar o mal.

A caridade é, em tudo, a regra de proceder a que obedecem. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos.” (O Livro dos Médiuns, Cap. III, item 28 – 3º)

Notem os amigos que o que vem ocorrendo no Movimento Espírita está muito bem expresso no editorial em referência. Não pude evitar um brado de entusiasmo ao ler nas últimas linhas: “(…) O Espiritismo não está ultrapassado, como querem alguns, permanece atual e pouco conhecido. Esperamos que os centros espíritas comprometidos com o futuro da Doutrina formem, competentemente, os espíritas de agora e do futuro, como prenunciou Allan Kardec.”

Eis, pois, nossa maior necessidade: estudar para conhecer e viver a abençoada, incomparável, inesgotável Doutrina dos Espíritos. Eis o compromisso que precisamos abraçar com fidelidade.

Orson Peter Carrara

Fonte: geae.net.br

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Feliz do filho que é pai de seu pai antes da Morte

Fabricio Carpinejar

FELIZ DO FILHO QUE É PAI DE SEU PAI ANTES DA MORTE

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela – tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

— Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. ”

Fabricio Carpinejar

Fonte: G.E.Casa do Cainho de S. Vicente

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