Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida

Ana Paula Januário

Os Espíritos exercem uma influência sobre os acontecimentos da vida?

É uma pergunta que normalmente temos dúvidas, assim como Allan Kardec também teve e levantou esse questionamento que consta na questão 525 do Livro dos Espíritos, na qual a resposta foi: “Seguramente, visto que te aconselham”. E complementa com outra pergunta:

“Eles exercem essa influência de outro modo que pelos pensamentos que sugerem, quer dizer, eles têm uma ação direta sobre o cumprimento das coisas?”

E os Espíritos respondem: “Sim, mas eles não agem, nunca, fora das leis da Natureza”.

E Kardec comenta a resposta dos Espíritos:

“Imaginamos injustamente que a ação dos Espíritos não deve se manifestar senão por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem ajudar por meio de milagres e nós os representamos sempre armados de uma varinha mágica. Não é assim; eis porque sua intervenção nos parece oculta e o que se faz com seu concurso nos parece muito natural. Assim, por exemplo, eles provocarão a reunião de duas pessoas que parecerão se reencontrar por acaso; eles inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; eles chamarão sua atenção sobre tal ponto, se isso deve causar o resultado que querem obter; de tal sorte que o homem, não crendo seguir senão seu próprio impulso, conserva sempre seu livre-arbítrio”.

Tendo em mente essas informações, entende-se que a influência dos Espíritos é ocorrência comum, já que estão frequentemente presentes em nossas vidas e formam outra população que está em contínua troca com nós, encarnados; até porque invisibilidade dos Espíritos não significa ausência deles. Para compreender melhor essa influência entre Espíritos desencarnados com encarnados, mentalizamos todos os seres, mergulhados no fluido universal que ocupa o espaço, que vibra sob a ação do pensamento e da vontade (ESE: Cap. 27, item 10), é nesse processo que cada criatura funciona ao mesmo tempo, como uma fonte receptora e geradora das energias ou vibrações espalhadas no universo.

Dessa forma, os Espíritos conhecem aquilo que quereríeis ocultar a vós mesmos; nem atos, nem pensamentos podem lhes ser dissimulados (KARDEC, 2008, questão 457). É nessa ação que influenciam-nos para o bem ou para o mal de acordo com suas intenções e nossas disposições morais, pois eles estudam nossas virtudes e fraquezas. Em consequência disso, saber distinguir um pensamento sugerido de um bom ou de um mau Espírito é de suma importância principalmente para nossa saúde mental, pois a maioria dos desequilíbrios mentais, da instabilidade emocional e sentimental, são originados ou têm grande contribuição de Espíritos perturbados ou vinculados ao mal. Os bons Espíritos não aconselham senão o bem. Cabe a nós a distinção (KARDEC, 2008, questão 464).

Em consequência disso, muitos podem se perguntar:

“Por que Deus permite que os Espíritos nos excitem ao mal?”

Foi exatamente a pergunta que Kardec fez aos Espíritos e consta na questão 466 do Livro dos Espíritos e recebeu como resposta:

“Os Espíritos imperfeitos são instrumentos destinados a experimentar a fé e a constância dos homens no bem. Tu, sendo Espírito, deves progredir na ciência do infinito e é por isso que passas pelas provas do mal para alcançar o bem. Nossa missão é de colocar-te no bom caminho, e quando as más influências agem sobre ti é que as atrais pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em tua ajuda no mal, quando tens vontade de praticá-lo. Eles não podem te ajudar no mal senão quando queres o mal. Se és propenso ao homicídio, terás uma multidão de Espíritos que manterão esse pensamento em ti; mas, também, terás outros que se esforçarão em te influenciar no bem, o que faz restabelecer a balança e te deixa o comando”.

Portanto, Deus que é justo e misericordioso, sempre nos deixa à nossa consciência a escolha do caminho que devemos seguir, e a liberdade de ceder a uma ou a outra das influências contrárias que se exercem sobre nós (KARDEC, 2008, questão 466). Temos a capacidade de identificar os nossos pensamentos e a responsabilidade de vigiá-los.

Vale lembrar também, que a influência dos Espíritos não são apenas dos Espíritos imperfeitos, muitos Espíritos bons também nos influenciam, nos inspiram, mas tudo depende de como estamos pensando: “Se pensamos coisas boas, atraímos bons Espíritos que nos inspiram pensamentos bons. Se pensamos coisas ruins, atraímos Espíritos vinculados ao mesmo tipo de pensamento e ideal”.

Concluindo que independente da influência, cultivarmos bons sentimentos e pensamentos, realizar constantes preces e colocar em prática a caridade são os mais poderosos instrumentos para afastar o mal e atrair bons espíritos. Assim como aconselharam os Espíritos na questão 469 do Livros dos Espíritos:

“Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores, e destruís o império que eles querem tomar sobre vós. Evitai escutar as sugestões dos Espíritos que suscitam em vós os maus pensamentos, sopram a discórdia entre vós e vos excitam todas as más paixões. Desconfiai, sobretudo, daqueles que exaltam vosso orgulho porque vos tomam por vossa fraqueza. Eis porque Jesus nos faz dizer na oração dominical: “Senhor! não nos deixeis sucumbir à tentação, mas livrai-nos do mal”.

Fonte: Letra Espírita

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REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 363. ed. São Paulo: Ide, 2009.

Disponível em: A Influência dos Espíritos em Nossas Vidas – Associação Espírita Allan Kardec (kardecriopreto.com.br)

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Gosto, Dever e Necessidade

Orson Peter Carrara

Artigo Gosto, Dever e Necessidade

A necessidade se impôs primeiro, talvez o gosto veio em seguida e o dever acabou se desenvolvendo por si mesmo, face a imperativos inadiáveis que se apresentam.

Sim, o trabalho. Exigiu-se trabalhos variados por necessidade inclusive de sobrevivência e proteção. Essa necessidade desenvolveu o gosto e este mostrou o dever.

Os sábios desígnios da Providência conduzem a evolução humana com sabedoria, fazendo-nos gradativamente sentir, descobrir e viver, para finalmente encantar-se com a solidariedade que envolve tudo e todos.

Há uma finalidade na arte de viver. Essa arte vai sendo gradativamente assimilada. Para uns antes, para outros depois, mas todos integrados, ainda que de forma parcial ou nos variados estágios de aprendizado e amadurecimento com que se apresentam os comportamentos humanos. Fatalmente seremos levados a assimilar o que é a Vida, seus objetivos, e especialmente a grandeza da obra da Criação.

Não é por acaso os embates em que nos envolvemos nos relacionamentos, nos desafios da profissão e da ciência, ou mesmo no educandário familiar e seus conflitos. Tudo isso visa amadurecer a mentalidade humana, moral e intelectualmente, para então alcançarmos o perfeito entendimento de nossa condição como filhos do Ser Supremo, quando estaremos integrados na solidariedade plena que é Lei da Vida, solicitando-nos estender mutuamente mãos e sentimentos para equilibrar a sociedade.

O que vivemos atualmente é resultante da indiferença, da omissão e especialmente do egoísmo que nos permitimos, distanciados ainda ou imaturos no entendimento do que é viver e trabalhar pelo próprio desenvolvimento e simultaneamente pelo bem do próximo. Almas amadurecidas empenham-se no bem coletivo, disciplinam a si mesmas e se tornam referência onde atuam. Nós, imaturos ainda, aí estamos a provocar toda série de dificuldades, criando obstáculos, adotando tolices dispensáveis, adiando providências para o próprio bem e especialmente nos deixando seduzir por paixões variadas e interesses marcados pelo egoísmo.

O trabalho, pois, remunerado ou não, é por necessidade (de sobrevivência ou de tantas outras classificações e que desenvolvem a inteligência e a moralidade, beneficiando amplamente a convivência social), por gosto (quando aprendemos a amar o que fazemos ou nos dedicamos com desprendimento a atividades que nos deem satisfação, nos variados campos da existência) ou por dever (quando sentimos que há uma lei de solidariedade que nos pede estendermos nosso tempo, nossa experiência, nosso saber, nossas habilidades, nossos recursos em favor de uma vida social equilibrada).

Pensemos, pois, leitor (a) na importância de nosso trabalho, de nosso conhecimento, de nossa habilidade, de nossa experiência. Quantos benefícios já distribuídos, quantos méritos que no tempo trarão inúmeras alegrias (se é que já não trouxeram). Todos as temos. Basta pensar de que forma fazer isso frutificar em favor uns dos outros. É a consciência da solidariedade.

Por necessidade, por gosto, por dever, trabalhemos! O trabalho é lei da vida. Tudo trabalha e isso mantém a ordem e o equilíbrio. Fruto da Lei do Progresso e da Lei de Conservação, o trabalho convoca cada um de nós onde estamos.

A presente abordagem foi inspirada no subtítulo O Ponto de Vista, constante do Capítulo II – Meu Reino não é deste mundo – de Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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A Confluência

José Herculano Pires

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A obra de Deus é tão vasta, tão rica, tão complexa que, não podendo abrangê-la em nossa curta visão, costumamos acusá-la de muitas e não raro violentas contradições. A dialética nos oferece uma chave para a superação dessa deficiência. Hegel mostrou-nos que as contradições não são mais do que as fases sucessivas do desenvolvimento dos processos criadores. Tese, antítese e síntese representam as etapas da evolução. Através dessa dinâmica espiritual a semente se transforma na plântula e esta afinal se faz planta, para nos devolver a semente multiplicada. O processo do Reino segue também esse caminho dialético, como já vimos no caso da lei da negação da negação.

Os atalhos do Reino parecem-nos contraditórios entre si e contrários aos caminhos do Reino. Por outro lado, parecem-nos contrários ao Reino. Mas a verdade é que todas essas estranhas manifestações do anseio do Reino no coração humano se entrosam num grande sistema. Não é fácil compreendermos essa ligação. As religiões se livram das dificuldades apelando para o mistério dos desígnios de Deus, insondáveis ao nosso próprio entendimento. Mas o mistério é apenas aquilo que não compreendemos. E só não compreendemos o que não conhecemos. Desde que penetremos a natureza de uma coisa, por mais misteriosa que ela nos pareça, o seu mistério desaparece.

O mistério do Reino nos mostra a sua face oculta quando conseguimos abrangê-lo numa visão de conjunto. Deixa de ser mistério para tornar-se a mais bela realidade. O Reino é o alvo do espírito. Todos avançamos para ele, através das existências sucessivas, na Terra e no espaço. Todos ansiamos por ele. Mas nem todos estamos em condições de percebê-lo na sua plena realidade. Uns o veem por um ângulo, outros por outros ângulos. As visões diferem e mais ainda as interpretações, em que a mente humana é tão fértil. Pitágoras já dizia que a Terra é a morada da opinião. Cada qual opina como entende e as divergências se acentuam. Há deturpações horrendas do Reino, como há deformações horrendas do Cristianismo. Mas em todas elas está presente a atração do Reino, que se exerce sobre todas as almas.

O Cristo dos maometanos é um profeta que nasceu no deserto, sob uma palmeira. O Alcorão nos dá um episódio árabe do Natal. O Deus antropomórfico dos brâmanes é muito diferente do Deus antropomórfico dos Católicos. O Jeová guerreiro e intrigante da Bíblia, alcoviteiro e partidário, é o contrário de Deus de amor do Novo Testamento. Mas em cada uma dessas ideias de Deus, quer o entendamos ou não, Deus está presente. E a presença de Deus em cada uma dessas concepções é relativa à capacidade de compreensão de determinadas etapas da evolução humana. Mas as etapas não se sucedem por gradação simples. É tão complexo, múltiplo e dinâmico o processo evolutivo, que a mais elevada concepção de Deus pode caber, em virtude de fatores diversos, numa etapa inferior, da mesma forma que a concepção mais primitiva pode enquadrar-se numa etapa superior.

Toda essa complexidade desnorteia os mais atilados observadores. É preciso muitas vezes que se dê o insight, o chamado estalo de Vieira, numa cabeça ilustrada e capaz, para que ela perceba essa complexidade e se liberte de certos preconceitos, de certos estereótipos mentais. Por isso brigam, não se entendem e acabam criando partidos. O Reino de Deus é um só e os seus caminhos correspondem precisamente aos seus princípios. Todo caminho de violência, de acomodação, de subterfúgio, não leva ao Reino, mas aos reinozinhos humanos, contraditórios e mesquinhos, quando não brutais. Os atalhos sectários e ideológicos variam de gradação na percepção do Reino, mas todos são atalhos. Por mais generosos que sejam nos seus princípios, os meios de que se servem são em geral contrários aos fins. Essa a tragédia religiosa e política em que nos perdemos.

Mas a visão de conjunto, a percepção gestáltica do problema do Reino, nos mostra a suprema inteligência que preside a todas essas manifestações. No final, todas essas correntes fluem para um delta comum. E há um momento de confluência em que as dissensões se apagam, as contradições se fundem numa síntese superior. É no tempo que se realiza a fusão. Por mais absurda que essa tese possa parecer, a verdade é que os processos gerais da natureza a comprovam. Basta vermos a sucessão de fases inferiores do embrião humano, no seu desenvolvimento; a sucessão das fases psicológicas do espírito humano, no processo da sua formação; as etapas do desenvolvimento de uma dada sociedade ou da própria Humanidade. Em todas essas fases encontramos divergências profundas, que podem parecer-nos insolúveis, mas que os especialistas nos mostram ligadas por uma unidade substancial, que as conduz ao mesmo objetivo.

O mensageiro do Reino me disse, nesta tarde, ao ver-me examinar esses problemas:

– Examine o caso de Ananias e Safira, no capítulo V do livro de Atos. E veja depois, no mesmo capítulo, o versículo 15. Veja se é possível conciliar a contradição aparente.

Corri ao livro de Atos e ali encontrei o tenebroso caso. Ananias e Safira queriam entrar para o Reino. Venderam sua propriedade, que era apenas um campo, mas só depuseram aos pés dos apóstolos uma parte do dinheiro, escondendo outra parte. Então primeiro Ananias entrou e foi Pedro quem o recebeu, admoestando-o imediatamente a respeito:

– Por ventura não te era lícito ficar com todo o dinheiro?

E Ananias, ouvindo a exprobração de Pedro, caiu morto aos seus pés. Os jovens presentes carregaram o corpo. Três horas depois veio Safira, que não sabia do ocorrido. Pedro a interpelou e ela confirmou a mentira do marido. Então Pedro respondeu com firmeza:

“Concertastes a mentira entre vós. Eis aí à porta os que levaram há pouco o corpo do teu marido e agora levarão o teu”.

No mesmo instante Safira caiu morta e os jovens a levaram.

O versículo 15 nos diz que as virtudes dos apóstolos eram tais que os doentes eram expostos às ruas, deitados em leitos e enxergões, para que, ao passar por eles o apóstolo Pedro, sua sombra os curasse. Que estranhas virtudes emanavam de Pedro! Suas palavras matavam e sua sombra curava. A contradição aparente está aí. Pedro mata e cura em nome do Reino. E mata sem piedade, friamente, primeiro o marido, depois a mulher; somente porque haviam mentido e escondido, com receio de não dar certo a Tentativa do Reino, parte de suas economias. Não seria mais de acordo com o amor e a justiça do Reino que Pedro lhes devolvesse o dinheiro e lhes recusasse entrada na comunidade?

Sim, seria mais certo. Mas acontece que não foi Pedro que matou Ananias e Safira. O Apóstolo limitou-se a cumprir o seu dever, advertindo-os. Acontece que Ananias não suportou o choque provocado pela revelação de Pedro em sua consciência culposa. Ananias foi vítima de sua própria manobra. Mas no caso particular de Safira as coisas não parecem tão simples. Pedro declara que ela vai morrer, parece mesmo ameaçá-la, predispô-la à morte. O Apóstolo era dotado do que hoje chamamos cientificamente percepção extra-sensorial, possuía a mediunidade profética. Ao entrar a mulher de Ananias no recinto, ele viu o que ia acontecer. E em benefício da própria mulher preparou-a para o momento inevitável.

Entretanto, as duas ações de Pedro conduziam ao Reino. A cura despertava as consciências, tocava os corações, preparando-os para o Reino. A repreensão tinha por fim corrigir as imperfeições morais dos que não se encontravam em condições de entrar no Reino, embora o desejassem. A morte de Ananias e Safira, consequência natural de seus atos fraudulentos, parecia uma expulsão definitiva de ambos do portal do Reino. Mas só lhes acontecera o que vimos no caso do rico da parábola: Ananias e Safira não haviam deixado os seus fardos que não cabiam na portinhola estreita. O rico, em espírito, já morto para o mundo, precipitara-se no abismo. O casal fraudulento caíra em vida no abismo da morte. Mas assim como a queda do rico era uma lição de após morte, que o ajudaria a corrigir-se na próxima encarnação, assim a morte de Ananias e Safira lhes ensinava a buscar a sinceridade e a verdade no mundo espiritual.

Os que não acreditam ou não querem compreender que só podemos entrar no Reino pelo renascimento, não encontram explicação para as contradições que apontamos. Aplicam em defesa de Pedro o argumento de justiça. Mas onde fica o argumento do amor? Já vimos que o Reino não se constitui apenas de justiça, o que seria uma negação do amor de Deus. Não podemos, pois, compreender o Reino sem compreender a advertência do jovem Carpinteiro a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. Como poderiam todos chegar ao Reino, se são tantos os que fazem como Ananias e Safira? E como agiria o amor do Reino em favor dos que não dispõem de tempo e oportunidade para se tornar aptos a habitá-lo?

É o princípio da reencarnação a chave do Reino. A grande maioria das criaturas humanas estaria impedida de entrar no Reino se Deus não lhes concedesse a oportunidade do reinício. Então o Reino não seria de todos, mas de alguns. Deus não seria o Pai do Evangelho mas o guerreiro da Bíblia. A balança da justiça tem dois pratos, mas um deles é do amor. A balança de Jeová tem o prato da justiça abaixado, pois é nela que o Deus Bíblico põe a sua força. A balança do Deus-Pai está sempre equilibrada, porque o seu amor se mede pela sua justiça e vice-versa. O Reino não está reservado a estes nem àqueles, mas abre sua pequena porta aos homens de todas as raças, de todas as nacionalidades, de todos os quadrantes da Terra.

E é graças a isso que os atalhos e os caminhos do Reino se encontram na confluência. Heresias e ideologias desempenham o seu papel no grande esquema do Reino. Preparam cada qual as criaturas colocadas em diversos planos evolutivos, de acordo com as sintonias de seus interesses e com os impulsos de suas tendências, para o momento supremo de compreensão gestáltica do Reino, que chegará normalmente para todos. Fanáticos religiosos e fanáticos políticos não perdem o seu tempo: são aprendizes de primeiro grau, exercitando-se para as virtudes do Reino, adestrando-se para amá-lo. Porque não é fácil amar o Reino. Os reinozinhos da Terra, esses pequenos e absorventes reinos dos homens, atraem poderosamente as almas inexperientes. Então o Reino se disfarça em estreitas concepções humanas e atrai aquelas almas que se perderiam nas atrações inferiores.

Deus sabe conduzir as almas para o Reino. Nós, os conduzidos, é que não sabemos ver e compreender o seu imenso trabalho. Por isso não o auxiliamos. Devemos aprender que Deus, nosso Pai, trata-nos como filhos. E em vez de guerrear os irmãos que procuram o Reino por atalhos ou caminhos diferentes dos nossos, devíamos ajudá-los. Todos os caminhos levam ao Pai. Isso, porém, não quer dizer que devamos esperar sentados o estabelecimento do Reino na Terra. Cada um de nós, em seu caminho ou seu atalho, tem a obrigação espiritual de trabalhar incessantemente pelo Reino, amando a todos, fazendo sempre justiça em todas as coisas, mas trabalhando sem cessar para despertar em todos a compreensão do Reino, que extinguirá do planeta o orgulho, a vaidade, o egoísmo e o ódio. A compreensão do Reino fará corar de vergonha os que hoje só pensam em conquistar para si mesmos. Os ricos do Reino serão os que ajuntam para todos.

Fonte: – no livro O Reino, cap. VII.

Espiritualide e Sociedade

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Benefícios da Água Magnetizada e Qualidade de Vida

Wellington Balbo

A água, elemento formado por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio é fundamental para a existência da vida na Terra. Cerca de 75 a 85% da estrutura dos seres vivos é composta por água, de modo que, apenas esta simples observação oferece uma visão ainda pálida da importância desta substância para todos. Desnecessário, portanto, discorrer aqui em torno de pormenores pertinentes a água. O espaço será utilizado para a abordagem da água como ferramenta de cura, alívio de dores físicas e promoção de uma melhor qualidade de vida aos encarnados.

Vale lembrar que Allan Kardec interessava-se pelas curas espirituais e pelas terapias alternativas oferecidas pelos Espíritos. Trago, aqui, interessante tema tratado por Allan Kardec na Revista Espírita, mês de novembro, 1862. O título do texto é “Remédio dado pelos Espíritos”. Nele, Kardec narra o caso da Srta. Dufaux que estava com complicado problema nas pernas. Ao perguntar ao guia espiritual sobre o caso, o invisível informou que a cura estaria ao passar a pomada que o tio da Srta. Dufaux, já desencarnado, utilizava em ferimentos. A receita, pois, havia se perdido, mas o guia ditou os ingredientes para a médium. Ela utilizou e teve sua perna curada. Outros indivíduos também utilizaram e receberam a cura por meio da pomada. Vale lembrar que Kardec recomenda a utilização, pois a pomada nada tem de ofensiva, sendo composta apenas por ervas e plantas. Mais uma prova de que os Espíritos interessam-se, genuinamente, pela melhora física dos homens e, quando possível, oferecem concursos diretos para recuperação e, consequentemente, melhora na qualidade de vida das pessoas.

O mesmo raciocínio no tocante à pomada pode-se aplicar a utilização da água como substância que proporciona melhoria na qualidade de vida. Extrai do livro, “Segue-me”, a seguinte informação da dupla Chico Xavier/Emmanuel: “A água é dos corpos o mais simples e receptivo da terra. É como que a base pura, em que a medicação do Céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais”.

Sendo a água, nas palavras da dupla, uma substância altamente receptiva fica fácil concluir que se torna, a água, um excelente elemento para que se deposite os bons fluidos, emanados por um encarnado e que, por meio de sua fé e vontade convida os bons Espíritos a também depositarem no precioso líquido as substâncias que possibilitarão o auxílio ao necessitado.

No livro “O Consolador”, novamente da dupla Chico Xavier/Emmanuel, na questão de número 103, ambos assinalam que a água pode ser fluidificada, ou magnetizada que, em tese configuram-se a mesma coisa, tanto para a coletividade quanto para um único indivíduo, sendo, neste último caso, importante a utilização exclusiva.

Parece-me, também, muito importante considerar que, assim como o passe magnético exige que o seu aplicador encarnado esteja em bom estado físico e psíquico, o mesmo cuidado deve ocorrer com relação a “fluidificação” da água por parte do encarnado.

Fundamental, portanto, o encarnado que se habilita a trabalhar nesta fluidificação estar apto a fazê-la.

Peço licença ao leitor para narrar um caso pessoal. Entusiasta do Grupo Curador de Marmande, cujas experiências Kardec narra na Revista Espírita e deixo aqui como dica de pesquisa ao leitor, costumo magnetizar ou fluidificar a água e dá-la ao meu filho, portador de hipercolesterol e atesto que obtivemos, em todas as oportunidades, ótimos resultados, pois aferimos seus exames antes e depois do início da terapia de passes junto a magnetização da água.

É que o amor, conforme a própria metodologia utilizada pelo Grupo Curador de Marmande, tem o poder fabuloso de potencializar ainda mais a ação magnética da água e demais, eis porque o referido grupo utiliza o expediente de passes aplicados por familiares e amigos.

Quem, afinal, quererá com mais vontade a cura do que alguém que ama em tem ligação com o necessitado?

Wellington Balbo

Fonte: Portal do Espírito

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SENTIR QUE ESTAMOS SENDO SENTIDOS

Dr. Milton Moura

SENTIR QUE ESTAMOS SENDO SENTIDOS

Há algo interessante no mundo dos relacionamentos. Compartilhamos emoções! Aquilo que sai do particular de cada um, o sentimento, pode ser percebido e até mesmo sentido por outros. Perceber o que o outro sente. Perceber também que o outro está nos sentindo. Essa é a base da empatia. Uma capacidade de visão mental que promove um verdadeiro escaneamento interno e externo. Cada pensamento promove um sentimento. O ciclo entre pensar e sentir – sentir e pensar – infinitas vezes, cria o Estado de Ser de cada um. Transmitimos aquilo que somos. É a nossa assinatura energética.

De alguma maneira precisamos sentir que estamos sendo sentidos. Criamos uma modificação no espaço que conecta a tudo e a todos. Lembram? A matéria corresponde a 0,0000001% de tudo e o espaço corresponde a 99,9999999% de tudo. Somos muito mais nada do que algo. Irônico isso? Dar mais importância a 0,0000001%. Não estamos esquecendo algo? O espaço que é onde nascem todas as possibilidades. Percebam que o espaço que permeia as minhas células é o mesmo espaço que permeia as suas células. Somos conectados pelo espaço.

A todo instante estamos realizando um verdadeiro “mapeamento” do outro e também de nós próprios. Em qualquer relacionamento – para que exista o compartilhamento de emoções – necessitamos da capacidade de auto “mapeamento” e também de “mapear” o outro, ou seja, criar uma “imagem” que represente ambos. Essa é a base da visão mental. Durante qualquer experiência que envolva relações interpessoais a visão mental está presente fazendo um levantamento das informações e energia do próprio corpo e simultaneamente realizando um levantamento das informações e energia do outro.

Há uma espécie de “ressonância” mediada pelas emoções que podem ser compartilhadas de forma não verbal e que são fundamentais para a “percepção” do outro. É como se cada um de nós, como observadores, fossemos cocriadores uns dos outros. Somos sujeito e objeto simultaneamente em qualquer relacionamento. A emoção/sentimento “permeia” essa observação simultânea e consegue-se criar um mapa de “nós” em cada relacionamento. Essa ressonância ocorre em um relacionamento entre mãe e filho(a), entre namorados, entre amantes, entre amigos, entre grupos, entre comunidades, entre sociedades, entre cidades, entre países, entre… todos.

Agora, imagine por um instante se perdessemos a capacidade de sentir que somos sentidos. O que aconteceria? Indiferença? Frieza? Mecanicidade dos movimentos? Incapacidade de criar um mapa do outro? Exatamente isso. Estamos todos interconectados por uma realidade fundamental. Estamos todos permeados por um espaço inteligente e rico energeticamente. Diante desse conhecimento, podemos aprimorar a capacidade de autopercepção e também de perceber o outro. Somos todos conectados. A importância de sentir a si mesmo e sentir o outro é a base de qualquer relacionamento.

Cultivemos, então, excelentes relacionamentos entre todos nós. Que possamos transformar nossas reações emocionais negativas em emoções positivas de amor, gratidão, admiração pela vida para que cada vez mais isso torne-se a “substância” principal de nossos mapeamentos mútuos, aumentando a vibração e permitindo que haja uma expansão da compreensão da vida.

Milton Moura é autor do site Criatividade quântica. Médico cardiologista e ativista quântico, é também um estudioso da neurociência. – http://drmiltonmoura.com/about/

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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Uma reflexão sobre a conquista da alma

Léon Denis

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A alma deve conquistar, um por um, todos os elementos, todos os atributos de sua grandeza, de seu poder, de sua felicidade, e, para isso, precisa do obstáculo, da natureza resistente, hostil mesmo, da matéria adversa, cujas exigências e rudes lições provocam seus esforços e formam sua experiência. (…). É indispensável a luta para tornar possível o triunfo e fazer surgir o herói.

Sem a iniquidade, a arbitrariedade, a traição, seria possível sofrer e morrer por amor da Justiça? Cumpre que haja o sofrimento físico e a angústia moral para que o espírito seja depurado, limpe-se das partículas grosseiras, para que a débil centelha, que se está elaborando nas profundezas da inconsciência, se converta em chama pura e ardente, em consciência radiosa, centro de vontade, energia e virtude. Verdadeiramente só se conhecem, saboreiam e apreciam os bens que se adquirem à própria custa, lentamente, penosamente.

A alma, criada perfeita, como o querem certos pensadores, seria incapaz de aquilatar e até de compreender sua perfeição, sua felicidade. Sem termos de comparação, sem permutas possíveis com seus semelhantes, perfeitos quanto ela, sem objetivo para sua atividade, seria condenada à inação, à inércia, o que seria o. pior dos estados; porque viver, para o espírito, é agir, é crescer, é conquistar sempre novos títulos, novos méritos, um lugar cada vez mais elevado na hierarquia luminosa e infinita. E, para merecer, é necessário ter penado, lutado, sofrido.

Para gozar da abundância, é preciso ter conhecido as privações. Para apreciar a claridade dos dias é mister haver atravessado a escuridão das noites. A dor é a condição da alegria e o preço da virtude, e a virtude é o bem mais precioso que há no Universo. Construir o próprio eu, sua individualidade através de milhares de vidas, passadas em centenárias de mundos e sob a direção de nossos irmãos mais velhos, de nossos amigos do Espaço, escalar os caminhos do Céu, arrojarmo-nos cada vez mais para cima, abrir um campo de ação cada vez mais largo, proporcionado à obra feita ou sonhada, tornarmo-nos um dos atores do drama divino, um dos agentes de Deus na Obra Eterna; trabalhar para o Universo, como o Universo trabalha para nós, tal é o segredo do destino! Assim, a alma sobe de esfera em esfera, de círculos em círculos, unida aos seres que tem amado; vai continuando as suas peregrinações, em procura das perfeições divinas.

Chegada às regiões superiores, está livre da lei dos renascimentos; a reencarnação deixa de ser para ela obrigação para ficar somente ato de sua vontade, o cumprimento de uma missão, obra de sacrifício. Depois que atingiu as alturas supremas, o Espírito diz, às vezes, de si para si: “Sou livre; quebrei para sempre os ferros que me acorrentavam aos mundos materiais. Conquistei a ciência, a energia, o amor. Mas, o que granjeei, quero reparti-lo com meus irmãos, os homens, e, Para isso, irei de novo viver entre eles, irei oferecer-lhes o que de melhor há em mim, retomarei um corpo de carne, descerei outra vez para junto daqueles que penam, que sofrem, que ignoram, para ajudá-los, consolar, esclarecer”. E, então, temos Lao-Tse, Buda, Sócrates, Cristo, numa palavra, todas as grandes almas que têm dado sua vida pela Humanidade!

Transcrição parcial do capítulo XVIII – Justiça e Responsabilidade – O Problema do Mal, do livro O Problema do Ser, do Destino, da Dor, de Leon Denis.

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Como o Espiritismo explica o Alzheimer?

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A doença é a forma mais comum de demência, é incurável, neurodegenerativa e se agrava ao longo do tempo. Neste 21 de setembro ressaltamos o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

Conforme o portal de conteúdo sobre Alzheimer na Web Mundial estima-se no Brasil 1 milhão e 200 mil pessoas com a doença e o número de pacientes é estimado em 35,6 milhões no mundo.

Os hábitos atuais de vida, o estresse, as alterações no sono, medicamentos e outros tipos de estimulantes levam ao aumento deste percentual, inclusive entre os jovens.

Podemos destacar algumas características mais comuns das pessoas com Alzheimer: perda da memória recente, muito focadas em si mesmas, gostam de viver isoladas, extremamente conservadoras, teimosas, desconfiadas, etc.

Visão da Doutrina Espírita

Quando relacionamos com a espiritualidade notamos que no desenvolvimento da doença os laços fluídicos ficam tão flexíveis que eles se comunicam com pessoas que não enxergamos nem sentimos, chegando até mesmo a transmitirem mensagens de desencarnados.

Refletindo sobre os aspectos gerais chegamos a seguinte conclusão: o Alzheimer é uma grande oportunidade para a família do doente e não para o doente em si.

Por quê? Os familiares ou cuidadores possuem com esta realidade a chance de desenvolver suas qualidades espirituais. Paciência, tolerância, aceitação, dedicação incondicional ao próximo, desprendimento, humildade, capacidade de decidir por si e pelo outro, amor… São virtudes adquiridas ao se dedicarem a “estas crianças” como se tornam os portadores desta enfermidade.

Visão de quem lidou com o Alzheimer

Moacir Tamburu é publicitário e designer gráfico na FEAL – Fundação Espírita André Luiz e conviveu com a doença dentro de casa. Seu pai começou a ter sintomas de Alzheimer aos 78 anos e ele dá a sua opinião a respeito do que adquiriu com este fato:

“O meu maior aprendizado foi exercitar o amor e a paciência em relação ao meu pai, pois não é fácil ter que tratar de alguém que você ama em condições tão delicadas. Vê-lo perdendo a consciência de sua própria existência, da debilidade do corpo, causa muita dor.

A melhor maneira de aceitar é ter a consciência de tentar se colocar no lugar do outro, ter gratidão por tudo que a pessoa fez por você quando estava saudável, pois apesar de pensar que eu tenha feito muito por meu pai, não é nem um terço do que ele fez por mim”.

O Espiritismo também colabora muito para o tratamento das doenças, conforme elucida Emmanuel no livro Leis do Amor, psicografado pelo médium Chico Xavier e Waldo Vieira: “A Doutrina Espírita, expressando o Cristianismo Redivivo, não apenas descortina os panoramas radiantes da imortalidade, ante o grande futuro, mas é igualmente luz para o homem, a clarear-lhe o caminho; desse modo, desempenha função específica no tratamento das doenças que fustigam a Humanidade, por ensinar a medicina da alma, em bases no amor construtivo e reedificante. Nas trilhas da experiência terrestre, realmente, a cada trecho, surpreendemos desequilíbrios, a se exprimirem por enfermidades individuais ou coletivas”.

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Jesus e Revolução

Joanna de Ângelis

JESUS E REVOLUÇÃO

Jesus sempre agiu na condição de psicólogo profundo.

Não importava o revestimento, a aparência com que se Lhe apresentavam as pessoas ou estas se referiam às suas doenças, aos seus sentimentos.

* * *

Quando verbaliza o que lhe vai no íntimo, o homem invariavelmente escamoteia, no envoltório das palavras, o que desejaria dizer.

Há mesmo, de forma inconsciente, um terrível pavor para alguém desnudar-se perante si próprio, e não menor diante de outrem.

Por sua vez, são poucas as pessoas que sabem escutar, ver, compreender.

O sorriso de simpatia de um momento transforma-se em esgar noutro instante e a gentileza transmuda-se em agressividade.

Além disso, o ouvinte capta a projeção do narrador, adaptando a informação à própria problemática; o entendimento de que é capaz, ao seu campo de conflitos.

Jesus, por ser o Homem Integral, límpido na Sua transparência efetiva, penetrava os arcanos mais profundos do indivíduo, desconhecidos para si mesmo, que se debatia na superfície dos efeitos sem lograr remontar às suas causas.

Seus diálogos eram rápidos e diretos.

Não se utilizava de circunlóquios, nem de evasões.

Quando recorria a parábolas ou apresentava contrainterrogações aos fariseus e hipócritas, usava de uma técnica sem paralelo, mediante a qual o farsante se descobria nas suas próprias palavras.

Assim o fez, repetidas vezes, inclusive com o sacerdote que Lhe indagara quem era o seu próximo, narrando-lhe a parábola do “Bom samaritano” e obrigando-o, pela lógica, à conclusão. Igualmente, aplicou o método com aqueles que Lhe inquiriram se era lícito pagar-se o imposto, pedindo-lhes uma moeda e indagando lhes de quem era a efígie nela esculpida.

* * *

Era com os sofredores, porém, que Ele mantinha a mais correta psicoterapia de que se tem conhecimento.

Não recorria aos sonhos dos seus pacientes, para descobrir-lhes o inconsciente, os seus arquivos, as suas sombras psicológicas.

Não administrava os medicamentos usuais ou outros de complicadas fórmulas.

Não transferia para os seus familiares o peso da culpa, da hereditariedade, dos fatores sócio-econômicos.

Não fazia que somatizassem os fenômenos desgastantes, mediante acusações de qualquer procedência.

Amava-os, transmitindo-lhes segurança e auxiliando-os a redescobrirem as potencialidades latentes, abandonadas.

Despertava neles uma visão nova da existência, amparando-os naquele instante, não porém impedindo que prosseguissem conforme o desejassem.

Jamais se lhes impôs.

Era buscado por todos, sem os procurar, porque o êxito de qualquer empreendimento depende do seu realizador. Os fatores circunstanciais são-lhe o campo, o espaço onde agirá.

* * *

É certo que, beneficiados, quase todos que Lhe receberam a claridade libertadora foram adiante, a sós, por eleição pessoal.

Muitos, se não a quase totalidade, foram ingratos; outros tantos recaíram nas redes em que se amolentaram na indolência; diversos O acusaram, inconscientes e inadvertidos. Todos, porém, sem exceção, não ficaram indenes ao Seu magnetismo, à Sua afabilidade, ao Seu poder.

Revolucionário por excelência, estabelecia a luta de dentro para fora: a morte do homem velho e o nascimento do homem novo.

Oferecia a contribuição do primeiro passo. Os demais pertenciam ao candidato, que os deveria dar.

A obra era geral; a ação de cada um, que Lhe cabia realizar.

Seguindo à frente, aplainava a estrada.

Os inimigos estavam no foro íntimo dos combatentes.

Ele sabia, também, que o esforço era árduo e só a perseverança, o tempo e o trabalho levariam à vitória. Assim, não se irritava, e nunca se impacientava.

* * *

Se desejas, realmente, a cura dos teus males, deixa-te auscultar por este sublime psicoterapeuta.

Segue-lhe as instruções. Revoluciona-te, rompendo com o comodismo, a autoflagelação, a autopiedade, o passado sombrio.

Renasce de dentro de ti.

Se queres o triunfo real, sai a campo e luta. Abre-te ao amor e ama sem esperar resposta.

Não estás sozinho na batalha.

Ao teu lado outros combatentes aguardam apoio, qual ocorre contigo.

Descobre-os e une-te a eles, sabendo, porém. que a tua será a revolução com Jesus e não contra o mundo, a humanidade ou a vida.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Jesus e Atualidade – 13

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Estamos esquecidos?

Orson Peter Carrara

esquecidos mulher estudando

ESTAMOS ESQUECIDOS?

No livreto O Espiritismo em sua expressão mais simples, da FEESP, de Allan Kardec, que é dividido em 3 partes (Histórico do Espiritismo, Resumo do Ensinamento dos Espíritos e Máximas extraídas do ensinamento dos Espíritos, além das Notas), encontramos essas preciosidades que parecem esquecidas de todos nós na atualidade do movimento espírita: (transcrevo pequenos trechos parciais)

Item 35 no item “Máximas”: O objetivo essencial do Espiritismo é o melhoramento dos homens. Não é preciso procurar nele senão o que pode ajuda-lo para o progresso moral e intelectual;

Item 36 no mesmo item: O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que faz bom proveito do ensinamento dado pelos Espíritos. Nada adianta acreditar se a crença não faz com que se dê um passo adiante no caminho do progresso e que não o faça melhor para com o próximo. 

Item 38, continuando: A crença no Espiritismo só é proveitosa para aquele de quem se pode dizer: hoje está melhor do que ontem.

E para concluir as transcrições, no item 60: Com o egoísmo, os homens estão em luta perpétua; com a caridade, estarão em paz (…).

Estamos esquecidos dessas orientações? Por que estamos nos perdendo tanto em polêmicas e discussões absolutamente dispensáveis, que só desviam o foco do principal objetivo da Doutrina: nosso melhoramento moral. Quanta discussão vazia, quanta perda de tempo, entre acusações e disputas absolutamente dispensáveis??!!

Temos um tesouro nas mãos, com o dever de espalhá-lo em benefício da humanidade! Enorme responsabilidade essa! E ficamos em disputas internas, em acusações e polêmicas desnecessárias, absolutamente dispensáveis, desviando focos e desvirtuando objetivos.

Melhor não será prestarmos atenção nessas máximas e concentrarmos esforços para a proposta do Espiritismo. Agora que o filme Kardec desperta interesse, exatamente pela movimentação na mídia, deverá naturalmente haver uma demanda maior nas instituições. Estamos preparados para atender essa nova demanda? Analisemos com imparcialidade para responder: estamos preparados, estruturados? OU ainda estamos em discussões vazias, concorrendo opiniões e pontos de vistas?

O que verdadeiramente buscamos no Espiritismo? Com que objetivo? Quais nossos propósitos? Não é melhor despertarmos desses pesadelos e agirmos na direção do bem? Que autoridade tenho para questionar isso? Nenhuma, também sou um aprendiz, necessitado igualmente desse olhar interno, mas entristecido do esquecimento de nosso dever maior de estudar e viver a Doutrina Espírita, embalados que estamos pelas ilusões da vaidade, da disputa de opiniões e de posturas personalistas que ainda imperam em nós….  Voltemos a estudar Kardec para viver o Espiritismo. A pergunta é para mim, para você, para todos nós: estamos esquecidos?

Autor: Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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Vingança e justiça

Eder Andrade

Ao longo da história da humanidade, devido aos abusos cometidos pelo próprio homem contra o seu semelhante, foram criadas leis muito rígidas, que estabeleciam penas aos infratores, proporcionais aos delitos cometidos.

O primeiro código de leis de que se tem notícia na história do homem, talhado em uma rocha cilíndrica de diorito (rocha extremamente dura, tornando difícil de esculpir trabalhos maiores, porém extremamente resistente ao tempo), foi o código de Hamurabi, escrito em língua acadiana sob a forma da escrita cuneiforme, desenvolvida pelos sumérios na Mesopotâmia por volta do século XVIII a.C. Foi um grande avanço do ponto de vista da civilização para a Mesopotâmia.

Esse código estabeleceu uma penalidade que ficou conhecida como, olho por olho, dente por dente, era a Lei de Talião. Consistia na rigorosa reciprocidade do crime e da pena, apropriadamente chamada retaliação. Eram leis rígidas para uma sociedade atrasada, um povo ignorante e violento, uma forma de punição para determinadas condutas dos cidadãos da Babilônia.

A ideia de justiça se confundia com vingança, pois na verdade as pessoas prejudicadas desejavam penalizar os infratores com castigos muito mais severos do que o ato por eles cometido. Dessa forma antigos governantes com alguma sabedoria criaram leis duras, para intimidar possíveis retaliações, com penalidades severas e dessa forma conter boa parte da violência e do sentimento de desforra e vingança, por parte dos ofendidos.

Existia um outro problema com relação à aplicação da justiça, principalmente imposta pelos governantes, quando penalizavam severamente os povos vencidos. Essa atitude acabou confundindo a ideia de justiça, como um sinônimo para vingança ou desforra. A compreensão distorcida de como aplicar a justiça, dificultava um acerto de contas e consequentemente a aplicação das leis. O jogo de interesse entre as classes, dificultava a aplicação das leis, que infelizmente acabavam favorecendo a classe dominante, em detrimento da classe oprimida. Essa é uma análise histórica da humanidade.

Esse comportamento gerou um grave comprometimento de ordem moral entre os homens, criando débitos que se transferiram para futuras gerações, por séculos. Pela falta de noção de limite e com uma cultura que endossava certas atitudes imprudentes, tornava-se difícil aceitar a ideia de perdão. O perdão em alguns casos era visto como sinal de fraqueza.

Em alguns povos de diferentes culturas do Oriente Médio, a pena de morte passou a ser aplicada como uma forma de reprimir manifestações de vingança e ao mesmo tempo intimidar os indivíduos prejudicados para não cometerem uma justiça com as próprias mãos. Deixando ao encargo dos governantes a aplicação das leis vigentes, assim como o cumprimento das penas, relativamente proporcionais aos delitos cometidos.

A questão cultural acabava influenciando na organização das leis de uma nação, embora a grande maioria dos povos ocidentais, estruturaram seus códigos de leis, com base no direito romano, que por sua vez se organizou influenciado pela cultura dos povos do Oriente Médio e da Cultura Clássica.

A desigualdade socioeconômica, assim como a falta de oportunidades, acabou favorecendo uma série de questões, desafiando o Estado, que passa a combater a desordem e as irregularidades sociais, no lugar de investir em uma política preventiva. Isso desde a Idade Antiga, devido a manutenção de uma sociedade de classes.

Parece que estamos falando de um assunto recente, mas na verdade é uma questão muito antiga na história da humanidade, sociedade de classe ou sociedade estamental, onde as pessoas ocupavam uma posição social de acordo com seu local de nascimento, seu berço ou sua família.

Os problemas sociais refletiam o distanciamento entre Estado e o Cidadão, isso desde o Império Romano. As graves crises sociais que ocorreram durante o império, como os incêndios em Roma durante o governo de Nero, atribuídas aos cristãos, já refletiam um ápice nas desigualdades sociais, que ao longo dos séculos foram se acentuando.

Não adiantava aperfeiçoar as leis, se continuassem existindo um abismo social entre as classes. Faz-se necessário uma mudança, onde todo cidadão tenha direito a uma vida mais digna.

No livro A Caminho da Luz1, psicografado por Chico Xavier e ditado pelo Espírito Emmanuel, podemos perceber que, tanto na Idade Antiga, Idade Média e Idade Moderna, a desigualdade social foi a mola mestra para os graves conflitos e disputas pelo poder entre os segmentos das camadas sociais.

Aqueles que reencarnaram com o objetivo de promoverem mudanças que beneficiassem a sociedade, tanto no campo da realeza, assim como junto ao clero, abandonaram seus compromissos. Isso gerou uma defecção espiritual ou abandono voluntário, agravando a programação confiada pelo Cristo, o que acentuou consideravelmente às questões sociais que já existiam no seio da sociedade.

Os Iluministas no século XVIII já haviam percebido que a educação do homem deveria ser acompanhada por uma mudança nas leis sociais, permitindo as pessoas terem acesso a uma melhor oportunidade de vida, pois caso contrário as novas ideias não iriam sair do papel.

O advento da segunda revelação com o Cristo, que convidou a todos os homens ao exercício do amor ao próximo e o perdão das ofensas, representou um grande marco na mudança de conduta para a humanidade, principalmente no trato entres os semelhantes, para aqueles que tinham “olhos de ver e ouvidos de ouvir”. (Mateus 13:16-17)

Já na Terceira Revelação com Allan Kardec, ficou melhor explicado por intermédio do Espírito da Verdade, que devemos ressignificar os acontecimentos em nossas vidas, assim como uma reeducação de valores. A compreensão da imortalidade da alma vai nos ajudar a mudar o nosso foco de vida e de como venha a ser, a aplicação da justiça terrena, assim como o exercício da verdadeira compaixão para com o próximo!

Somos espíritos imortais, com a posse temporária de um corpo físico, vivendo uma experiência no mundo material, para nosso aprimoramento e evolução espiritual. Sabemos das dificuldades, porém na medida do possível, ajudar e colaborar na evolução coletiva daqueles que nos cercam. Um compromisso social para com todos nós.

Eder Andrade

Referências:

1) Xavier, Francisco Cândido; A caminho da Luz; XIII – O Império Romano e seus desvios; XVIII – Os abusos do poder religioso; XXIV – O Espiritismo e as grandes transições; FEB.

2) Wikipédia (Enciclopédia livre)

Fonte: marcoaureliorocha5.blogspot.com

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