Reflexões sobre humildade

Joanna de Ângelis

REFLEXÕES SOBRE A HUMILDADE

A humildade é uma virtude de difícil aquisição, por exigir esforço para superar-se os instintos que predominam em a natureza humana, especialmente o da sobrevivência.

Ao materialismo devem-se muitos males, entre os quais aqueles que defluem dos estímulos e aplicações pedagógicas em favor do ego e das suas mazelas. Há uma preocupação ancestral dedicada à formação do caráter que privilegia a força pessoal, o destaque, a independência, o poder. Essa preocupação em torno dos falsos conceitos de que o homem não chora, o forte prevalece, o vitorioso é aquele que soube resguardar-se, distante dos problemas alheios, demonstra que esses são elementos perniciosos e que se opõem à humildade.

Cuida-se de condicionar o educando à presunção, ao orgulho das suas conquistas em detrimento da fragilidade de que todos os seres são formados.

Uma insignificante picada de um instrumento infectado interrompe uma vida esplendorosa e um ser triunfante.

Modesto mosquito transmite vírus terríveis que devoram existências poderosas.

Bastaria ligeira reflexão para a criatura humana dar-se conta da sua fraqueza ante as forças da Vida e os fatores destrutivos que pululam em toda parte.

No sentido inverso, a grandeza cósmica que o deslumbra, pode dar-lhe dimensão da sua pequenez, levando-o a considerações profundas quanto ao significado existencial.

A humildade é virtude essencial para uma jornada feliz na Terra. Mediante a sua presença, percebe-se quanto se deve trabalhar o íntimo para aformosear-se as aspirações e avançar-se na solidariedade como fundamental comportamento para o equilíbrio.

Analisando-se as conquistas conseguidas pela ciência e tecnologia, ao invés da presunção ingênua, perceber o infinito de possibilidades a conhecer e de enigmas a solucionar.

O deslumbramento inicial pode levar o rei da criação, dito ser a criatura humana, a esse estado de orgulho infantil que o ilude a respeito dos poderes que lhe estão ao alcance das mãos para a glória e o prazer, sempre relativos, da sua breve caminhada entre o berço e o túmulo.

A vã ilusão de potência e domínio na mocidade e idade adulta dilui-se quando as energias diminuem na velhice e nos períodos de enfermidade, confirmando-lhe a fragilidade acima de toda e qualquer robustez.

A maioria dos Hércules e Vênus do culto ao corpo, passado o período específico dos esportes e dos exercícios exaustivos, da alimentação sob rígido controle, tomba nos graves problemas cardiológicos e outros que o excesso de técnicas e de substâncias que contribuem para a beleza exterior, que agora se transforma em degenerescência e debilidade.

A experiência terrestre tem como essencial a finalidade do autodescobrimento, do sentido de existir, do desenvolvimento da inteligência e do Si profundo.

Utilizar-se das ocorrências para aprimorar-se é o programa da Vida para todos.

Jesus, que é o protótipo da perfeição e da beleza de que se tem notícia, apagou a Sua grandeza na humildade para ensinar a vitória sobre as paixões inferiores.

Deu o exemplo máximo da Sua elevação na última ceia quando, cingindo-se com uma toalha, lavou os pés dos discípulos, demonstrando que sendo o Senhor fazia-se servo para todos.

Incompreendido por Pedro, que se Lhe recusara, explicou-Lhe que se o não fizesse nada teria com Ele, e o apóstolo emocionado entregou-se-Lhe em totalidade.

A grandeza do Seu gesto demonstra a força moral, o Seu poder de servir, deixando a lição perene como advertência e orientação.

Cuida de penetrar-te até às nascentes do coração, para que a mosca azul da vaidade não pouse na tua insignificância.

Busca a simplicidade e a compreensão existenciais, tendo em vista que tudo mais é transitório e tem somente o valor que lhe atribuis.

Faze-te acessível e atento para aprender com os pobres de espírito a forma de enriquecer-te de humildade e de paz.

Nunca disputes projeção e destaque, recordando o ensinamento de Jesus, quando informou que os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros.

Afeiçoa-te ao anonimato, não deixando sinais do bem que faças, a fim de que não sejas exaltado, qual ocorre com muitos fúteis e irresponsáveis, que são louvados e bajulados sem mérito real.

Mas não penses que humildade é menosprezo, desconsideração por si mesmo, subalternidade, escondendo conflitos de inferioridade.

A verdadeira humildade permite o autoconhecimento em torno dos valores que são legítimos no ser, sem os exaltar nem se engrandecer, compreendendo o quanto ainda necessitas para atingir o ideal, tendo o prazer de sacrificar-se pelo conseguir.

Muitos Espíritos reencarnaram-se com nobres missões e falharam, porque se ensoberbeceram e se permitiram as glórias terrenas que os frustraram, abandonando-os na etapa final da vida.

Recorda-te daqueles outros que se apagaram na humildade, adotando o sacrifício e a abnegação, edificando o bem em vidas incontáveis.

Bem-aventurados os humildes de coração e ricos de amor, porque eles fruirão a plenitude.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 10 de agosto de 2015, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

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Credo espírita

Escrito por Allan Kardec

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Os males da Humanidade vêm da imperfeição dos homens: é pelos seus vícios que se prejudicam uns aos outros. Enquanto os homens forem viciosos, serão infelizes, por que a luta dos interesses engendra, sem cessar, misérias.

Boas leis contribuem, sem dúvida, para a melhoria do estado social, mas são impotentes para assegurar a felicidade da Humanidade, por que não fazem senão comprimir as más paixões, sem aniquilá-las; em segundo lugar, porque são mais repressivas do que moralizadoras, e elas não reprimem senão os atos maus mais salientes, sem destruir a causa. Aliás, a bondade das leis está em razão da bondade dos homens; enquanto estes estiverem dominados pelo orgulho e pelo egoísmo, farão leis em proveito das ambições pessoais. A lei civil não modifica senão a superfície; só a lei moral pode penetrar o foro interior da consciência e reformá-lo.

Estando, pois, admitido que é a contusão causada pelo contato dos vícios que torna os homens infelizes, o único remédio para os seus males está no seu aperfeiçoamento moral. Uma vez que as imperfeições são a fonte dos males, a felicidade aumentará à medida que as imperfeições diminuírem.

Por boa que seja uma instituição social, se os homens são maus, falseá-la-ão e lhe desnaturarão o espírito para explorá-la em seu proveito. Quando os homens forem bons, farão boas instituições e elas serão duráveis, porque todos terão interesse em sua conservação.

A questão social não tem, portanto, o seu ponto de partida na forma de tal ou tal instituição; está inteiramente no aperfeiçoamento moral dos indivíduos e das massas. Aí está o princípio, a verdadeira chave da felicidade da Humanidade, porque então os homens não pensarão mais em se prejudicarem uns aos outros. Não basta colocar um verniz sobre a corrupção, é a corrupção que é preciso extinguir.

O princípio do aperfeiçoamento está na natureza das crenças, porque as crenças são o móvel das ações e modificam os sentimentos; está também nas ideias inculcadas desde a infância e identificadas com o Espírito, e nas ideias que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão podem fortificar, e não destruir. Será pela educação, mais ainda do que pela instrução, que se transformará a Humanidade.

O homem que trabalha seriamente pelo seu próprio aperfeiçoamento assegura a sua felicidade desde esta vida; além da satisfação de sua consciência, isenta-se das misérias, materiais e morais, que são a consequência inevitável de suas imperfeições. Terá a calma porque as vicissitudes não farão senão de leve roça-lo; terá a saúde porque não usará o seu corpo para os excessos; será rico, porque se é sempre rico quando se sabe contentar-se com o necessário; terá a paz da alma, porque não terá necessidades factícias, não será mais atormentado pela sede das honras e do supérfluo, pela febre da ambição, da inveja e do ciúme; indulgente para com as imperfeições de outrem, delas sofrerá menos; excitarão a sua piedade e não a sua cólera; evitando tudo o que pode prejudicar o seu próximo, em palavras e em ações, procurando, ao contrário, tudo o que pode ser útil e agradável aos outros, ninguém sofrerá com o seu contato.

Assegura a sua felicidade na vida futura, porque, quanto mais estiver depurado, mais se elevará na hierarquia dos seres inteligentes, e logo deixará esta Terra de provas por mundos superiores; porque o mal que tiver reparado nesta vida não terá mais que reparar em outras existências; porque, na erraticidade, não encontrará senão seres amigos e simpáticos, e não será atormentado pela visão incessante daqueles que teriam do que se lamentar dele.

Que homens, vivendo juntos, estejam animados desses sentimentos, serão tão felizes quando o comporta a nossa Terra; que, gradualmente, esses sentimentos ganham todo um povo, toda uma raça, toda a Humanidade, e o nosso globo tomará lugar entre os mundos felizes.

É uma quimera, uma utopia? Sim, para aquele que não crê no progresso da alma; não, para aquele que crê em sua perfectibilidade indefinida.

O progresso geral é a resultante de todos os progressos individuais; mas o progresso individual não consiste somente no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos; isso não é senão uma parte do progresso, e que não conduz necessariamente ao bem, uma vez que se veem homens fazerem muito mau uso de seu saber; consiste, sobretudo, no aperfeiçoamento moral, na depuração do Espírito, na extirpação dos maus germes que existem em nós; aí está o verdadeiro progresso, o único que pode assegurar a felicidade da Humanidade, porque é a própria negação do mal. O homem mais avançado em inteligência pode fazer muito mal; aquele que é avançado moralmente, não fará senão o bem. Há, pois, interesse para todos no progresso moral da Humanidade.

Mas o que fazem o aperfeiçoamento e a felicidade das gerações futuras, para aquele que crê que tudo acaba com a vida? Que interesse tem em se aperfeiçoar, em se constranger, em domar as suas paixões, de privar-se pelos outros? Não tem nenhum; a própria lógica lhe diz que seu interesse está em gozar depressa e por todos os meios possíveis, uma vez que, amanhã talvez, não será mais nada.

A doutrina do nada (niilismo) é a paralisia do progresso humano, por que circunscreve a visão do homem sobre o imperceptível ponto da existência presente; porque restringe as ideias e as concentra forçosamente sobre a vida material; com essa doutrina, o homem não sendo nada antes, nada depois, todas as relações sociais cessam com a vida, a solidariedade é uma palavra vã, a fraternidade uma teoria sem raízes, a abnegação em proveito de outrem um logro, o egoísmo com a sua máxima: cada um por si, um direito natural, a vingança um ato de razão; a felicidade está para o mais forte e os mais espertos; o suicídio, o fim lógico daquele que, ao cabo de recursos e expedientes, não espera mais nada, e não pode se tirar do lodaçal. Uma sociedade fundada sobre o niilismo, levaria em si o germe da próxima dissolução.

Outros, porém são os sentimentos daquele que tem fé no futuro; que sabe que nada do que adquire em saber e em moralidade não está perdido para ele; que o trabalho de hoje trará frutos amanhã; que ele mesmo fará parte dessas gerações futuras mais avançadas e mais felizes. Sabe que, trabalhando para os outros, trabalhará para si mesmo. Sua visão não se detém na Terra: ela abarca o infinito dos mundos que serão um dia sua morada; entrevê o lugar glorioso que será seu quinhão, como o de todos os seres chegados à perfeição.

Com a fé na vida futura, o círculo das ideias se alarga; o futuro está para si; o progresso pessoal tem um objetivo, uma utilidade efetiva. Da continuidade das relações entre os homens, nasce a solidariedade; a fraternidade está fundada sobre uma lei natural e sobre o interesse de todos.

A crença na vida futura, portanto, é o elemento de progresso, porque é o estimulante do Espírito: só ela pode dar coragem nas provas, porque lhe fornece a razão, a perseverança na luta contra o mal, porque mostra um objetivo. É, pois, em consolidar essa crença no espírito das massas que é preciso se ligar.

No entanto, essa crença é inata no homem; todas as religiões a proclamam; por que não deu, até este dia, os resultados que se deve dela esperar? É que, em geral, é apresentada em condições inaceitáveis para a razão. Tal como a mostram, rompe todas as relações com o presente; desde que se deixa a Terra, torna-se estranho à Humanidade; nenhuma solidariedade existe entre os mortos e os vivos; o progresso é puramente individual; trabalhando para o futuro, não se trabalha senão para si, não se pensa senão em si, e ainda por um objetivo vago que nada tem de definido, nada de positivo sobre o que o pensamento possa repousar com segurança; é, enfim, porque é antes uma esperança do que uma certeza material. Disso resulta em uns a indiferença, em outros a exaltação mística que, isolando o homem da Terra, é essencialmente prejudicial ao progresso real da Humanidade, porque negligencia os cuidados do progresso material, ao qual a Natureza lhe faz um dever concorrer.

Entretanto, por incompletos que sejam os resultados, não são menos reais. Quantos homens foram encorajados e sustentados no caminho do bem por essa esperança vaga! Quantos se detiveram sobre a rampa do mal pelo medo de comprometer o futuro? Quantas nobres virtudes essa crença não desenvolveu! Não desdenhemos as crenças do passado, embora imperfeitas que elas sejam, quando conduzem ao bem: estão em relação com o grau avançado da Humanidade. Mas a Humanidade progredindo, quer crenças em harmonia com as novas ideias. Se os elementos da fé ficam estacionários, e são ultrapassados para o Espírito, perdem toda influência, e o bem que produziram num tempo não pode prosseguir, porque não estão mais à altura das circunstâncias.

Para que a doutrina da vida futura leve, doravante, os frutos que dela se deve esperar, é preciso, antes de tudo, que ela satisfaça completamente a razão; que responda à ideia que se tem da sabedoria, da justiça e da bondade de Deus; que não possa receber nenhum desmentido da ciência; é preciso que a vida futura não deixe no Espírito nem dúvida, nem incerteza; que seja tão positiva quanto a vida presente, da qual é a continuação, como o dia de amanhã é a continuação da véspera; é necessário que a vejam, que a compreendam, que a toquem, por assim dizer, com o dedo; é preciso, enfim, que a solidariedade do passado, do presente e do futuro, através das diferentes existências, seja evidente.

Tal é a ideia que o Espiritismo dá da vida futura; é o que lhe faz a força, é que isso não é uma concepção humana, que não teria senão o mérito de ser mais racional, mas sem mais de certeza do que as outras. É o resultado dos estudos feitos sobre os exemplos fornecidos por diferentes categorias de Espíritos que se apresentam nas manifestações, o que permitiu explorar a vida extracorpórea em todas as suas fases, desde o alto até o mais baixo da escala dos seres. As peripécias da vida futura não são, pois, mais uma teoria, uma hipótese mais ou menos provável, mas um resultado de observações; são os próprios habitantes do mundo invisível que vêm descrever o seu estado, e é tal situação que a imaginação mais fecunda não teria podido conceber, se não fosse apresentada aos olhos do observador.

Dando a prova material da existência e da imortalidade da alma, nos iniciando nos mistérios do nascimento, da morte, da vida futura, da vida universal, tornando-nos palpáveis as consequências inevitáveis do bem e do mal, a Doutrina Espírita faz, melhor do que todas as outras, ressaltar a necessidade de aperfeiçoamento individual. Por ela o homem sabe de onde vem, para onde vai, por que está sobre a Terra; o bem tem um objetivo, uma utilidade prática; ela não forma o homem somente para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade; pelo seu aperfeiçoamento moral, os homens preparam sobre a Terra o reino de paz e de fraternidade.

A Doutrina Espírita é, assim, o mais poderoso elemento moralizador, naquilo em que ela se dirige, ao mesmo tempo, ao coração, à inteligência e ao interesse pessoal bem compreendido.

Por sua própria essência, o Espiritismo toca em todos os ramos dos conhecimentos físicos, metafísicos e da moral; as questões que ele abarca são inumeráveis; no entanto, podem se resumir nos pontos seguintes que, sendo considerados como verdades adquiridas, constituem o programa das crenças espíritas.

Fonte: Obras Póstumas. Segunda parte. Credo Espírita, 1890.

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A estrada da vida

Allan Kardec

Cinco curiosidades sobre Allan Kardec

A questão da pluralidade das existências há muito tempo preocupa os filósofos, e mais de um viu, na anterioridade da alma, a única solução possível dos problemas mais importantes da psicologia; sem esse princípio, encontraram-se parados a cada passo e acolhidos num impasse de onde não puderam sair senão com a ajuda da pluralidade das existências.

A maior objeção que se possa fazer a essa teoria é a ausência da lembrança das existências anteriores. Com efeito, uma sucessão de existências inconscientes umas das outras; deixar um corpo para retomar logo um outro sem a memória do passado, equivaleria ao nada, porque isso seria o nada do pensamento; isso seria tantos pontos de partida novos, sem ligação com os precedentes; isso seria uma ruptura incessante de todas as afeições que fazem o encanto da vida presente e a esperança mais doce e mais consoladora do futuro; isso seria, enfim, a negação de toda responsabilidade moral. Semelhante doutrina seria tão inadmissível e tão incompatível com a justiça de Deus, quanto aquela de uma só existência com a perspectiva de uma eternidade absoluta de penas para faltas temporárias. Compreende-se, pois, que aqueles que formam semelhante idéia da reencarnação a repilam, mas não é assim que o Espiritismo no-la apresenta.

A existência espiritual da alma, nos diz ele, é sua existência normal, com lembrança retrospectiva indefinida; as existências corpóreas não são senão intervalos, curtas estações na existência espiritual, e a soma de todas essas estações não é senão uma parte mínima da existência normal, absolutamente como se, numa viagem de vários anos, se parasse de tempos em tempos durante algumas horas. Se, durante as existências corpóreas, parece nela haver solução de continuidade pela ausência da lembrança, a ligação se estabelece durante a vida espiritual, que não tem interrupção; a solução de continuidade não existe, em realidade, senão para a vida corpórea exterior e de relação; e aqui a ausência da lembrança prova a sabedoria da Providência que não quis que o homem fosse muito desviado da vida real, onde tem deveres a cumprir; mas, no estado de repouso do corpo, no sono, a alma retoma em parte o seu vôo, e aí se restabelece a cadeia interrompida somente durante a vigília.

A isso se pode ainda fazer uma objeção e perguntar que proveito se pode tirar de suas existências anteriores para a sua melhoria, se não se lembra das faltas que se cometeu. O Espiritismo responde primeiro que a lembrança de existências infelizes, juntando-se às misérias da vida presente, tornaria esta ainda mais penosa; é, pois, um acréscimo de sofrimentos que Deus quis nos poupar; sem isso, freqüentemente, quanto não seria nossa humilhação pensando no que fomos! Quanto ao nosso adiantamento, essa lembrança é inútil. Durante cada existência, damos alguns passos adiante; adquirimos algumas qualidades e nos despojamos de algumas imperfeições; cada uma delas é, assim, um novo ponto de partida, em que somos o que nos houvermos feito, em que nos tomamos por aquilo que somos, sem ter que nos inquietarmos com aquilo que fomos. Se, numa existência anterior, fomos antropófagos, o que isso nos faz se não o somos mais? Se tivemos um defeito qualquer do qual não resta mais os traços, é uma conta liquidada, com a qual não temos nada a nos preocupar. Suponhamos, ao contrário, uma falta da qual não se corrigiu senão a metade, o saldo se reencontrará na vida seguinte e é em corrigi-lo que é preciso se fixar. Tomemos um exemplo: um homem foi assassino e ladrão; disso foi punido, seja na vida corpórea, seja na vida espiritual; arrepende-se e se corrige da primeira tendência, mas não da segunda; na existência seguinte, ele não será senão ladrão; talvez grande ladrão, mas não mais assassino; ainda um passo adiante e ele não será senão pequeno ladrão; um pouco mais tarde, não roubará mais, mas poderá ter a veleidade de roubar, que sua consciência neutralizará; depois um último esforço, e, todo traço da doença moral tendo desaparecido, será um modelo de probidade. Que lhe faz então o que foi? A lembrança de ter morrido no patíbulo não seria uma tortura, uma humilhação perpétuas? Aplicai este raciocínio a todos os vícios, a todas as manias, e podereis ver como a alma se melhora passando e repassando pela estamenha da encarnação. Deus não é mais justo por ter tornado o homem árbitro de sua própria sorte pelos esforços que pode fazer para se melhorar, do que ter feito a sua alma nascer ao mesmo tempo que seu corpo, e de condená-la a tormentos perpétuos por erros passageiros, sem dar-lhe os meios de se purificar de suas imperfeições? Pela pluralidade das existências, seu futuro está em suas mãos; se leva muito tempo para se melhorar, disso sofre as conseqüências: é a suprema justiça; mas a esperança jamais lhe é obstruída.

A comparação seguinte pode ajudar a fazer compreender as peripécias da vida da alma.

Suponhamos uma longa estrada, sobre o percurso da qual se encontram, de distância em distância, mas em intervalos desiguais, florestas que é preciso atravessar; à entrada de cada floresta, a estrada larga e bela é interrompida e não retoma senão na saída. Um viajor segue essa estrada e entra na primeira floresta; mas lá, não mais vereda batida; um dédalo inextricável no meio do qual se perde; a claridade do Sol desapareceu sob o espesso maciço das árvores; ele erra sem saber para onde vai; enfim, depois de fadigas extraordinárias chega aos confins da floresta, mas abatido de fadiga, rasgado pelos espinhos, machucado pelos calhaus. Lá, reencontra a estrada e a luz, e prossegue seu caminho, procurando se curar de suas feridas.

Mais longe, encontra uma segunda floresta, onde o esperam as mesmas dificuldades; mas já tem um pouco de experiência e dela sai menos contundido. Numa, encontra um lenhador que lhe indica a direção que deve seguir e impede-o de se perder. A cada nova travessia a sua habilidade aumenta, se bem que os obstáculos são mais e mais facilmente superados; seguro de reencontrar a bela estrada na saída, essa confiança o sustenta; depois sabe se orientar para encontrá-la mais facilmente. A estrada termina no cume de uma montanha muito alta, de onde avista todo o percurso desde o ponto de partida; vê também as diferentes florestas que atravessou e se lembra das vicissitudes que experimentou, mas essa lembrança nada tem de penosa, porque alcançou o objetivo; é como o velho soldado que, na calma do lar doméstico, se lembra das batalhas às quais assistiu. Essas florestas disseminadas sobre a estrada são para ele como pontos negros sobre uma condecoração branca; ele diz a si mesmo: “Quando estava nessas florestas, nas primeiras sobretudo, como me pareciam longas para atravessar! Parecia-me que não chegaria mais ao fim; tudo me parecia gigantesco e intransponível ao meu redor. E quando penso que, sem esse bravo lenhador que me recolocou no bom caminho, talvez estaria ali ainda! Agora que considero essas mesmas florestas, do ponto de vista onde estou, como me parecem pequenas! Parece-me que, com um passo, teria podido transpô-las; bem mais, a minha vista as penetra e nelas distingo os menores detalhes; vejo até as faltas que cometi.”

Então, um velho lhe diz: – Meu filho, eis-te no fim da viagem, mas um repouso indefinido te causaria logo um tédio mortal, e ficarias a lamentar as vicissitudes que experimentaste e que deram atividade aos teus membros e ao teu Espírito. Vês daqui um grande número de viajores sobre a estrada que percorreste, e que, como tu, correm risco de se perder no caminho; tens a experiência, não temes mais nada; vai ao seu encontro e, pelos teus conselhos, trata de guiá-los, a fim de que cheguem mais cedo.

– Vou com alegria, redargüe nosso homem; mas, ajuntou, por que não há uma estrada direta do ponto de partida até aqui? Isso pouparia, aos viajores, passar por essas abomináveis florestas.

– Meu filho, replica o velho, olha bem nelas e verás que muitos evitam um certo número delas; são aqueles que, tendo adquirido mais cedo a experiência necessária, sabem tomar um caminho mais direto e mais curto para chegar; mas essa experiência é o fruto do trabalho que as primeiras travessias necessitaram, de tal sorte que não chegam aqui senão em razão de seu mérito. Que saberias, tu mesmo, se por ali não tivesses passado? A atividade que deveste desdobrar, os recursos de imaginação que te foram necessários para te traçar um caminho, aumentaram os teus conhecimentos e desenvolveram a tua inteligência; sem isso, serias novato como em tua partida. E depois, procurando tirar-te dos embaraços, tu mesmo contribuíste para a melhoria das florestas que atravessaste; o que fizeste é pouca coisa, imperceptível; mas pensa nos milhares de viajores que o fazem também, e que, trabalhando todos para eles, trabalham, sem disso desconfiarem, para o bem comum. Não é justo que recebam o salário de seu trabalho pelo repouso do qual gozam aqui? Que direito teriam a este repouso se nada tivessem feito?

– Meu pai, reflete o viajor, numa dessas florestas, encontrei um homem que me disse: “Sobre a borda há um imenso abismo que é preciso transpor de um salto; mas, sobre mil, apenas um consegue; todos os outros lhe caem no fundo, numa fornalha ardente e estão perdidos sem retorno. Esse abismo eu nunca vi.”

– Meu filho, é que não existe, de outro modo isso seria uma armadilha abominável estendida a todos os viajores que viessem em minha casa. Eu bem sei que lhes é preciso superar as dificuldades, mas sei também que, cedo ou tarde, as superarão; se tivesse criado impossibilidades para um único, sabendo que deveria sucumbir, teria sido cruel, e com mais forte razão se o fizera para o grande número. Esse abismo é uma alegoria da qual vais ver a explicação. Olha sobre a estrada, nos intervalos das florestas; entre os viajores, vês os que caminham lentamente, com um ar feliz, vês esses amigos que se perderam de vista nos labirintos da floresta, como estão felizes em se reencontrarem na saída; mas, ao lado deles, há outros que se arrastam penosamente; são estropiados e imploram a piedade dos que passam, porque sofrem cruelmente das feridas que, por sua falta, fizeram a si mesmos através das sarças; mas disso se curarão, e isso será, para eles, uma lição da qual aproveitarão na nova floresta que terão que atravessar, e de onde sairão menos machucados. O abismo é a figura dos males que sofrem, e dizendo que sobre mil só um o transpõe, esse homem teve razão, porque o número dos imprudentes é muito grande; mas errou dizendo que, uma vez caído dentro, dele não se sai mais; há sempre uma saída para chegar a mim. Vai, meu filho, vai mostrar essa saída àqueles que estão no fundo do abismo; vai sustentar os feridos da estrada e mostra o caminho àqueles que atravessam as florestas.

A estrada é a figura da vida espiritual da alma, sobre o percurso da qual se é mais ou menos feliz; as florestas são as existências corpóreas, onde se trabalha para o seu adiantamento, ao mesmo tempo que para a obra geral; o viajor que chega ao objetivo e que retorna para ajudar aqueles que estão atrasados, é a dos anjos guardiães, missionários de Deus, que encontram a sua felicidade em seu objetivo, mas também na atividade que desdobram para fazerem o bem e obedecerem ao supremo Senhor.

 Fonte. Allan Kardec. Obras Póstumas. Primeira Parte. A Estrada da Vida.

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Dos Desvios e Distorções Doutrinárias

Orson Peter Carrara

Há que se dedicar muito cuidado e atenção na prática cotidiana da programação de nossas instituições espíritas. O compromisso do adepto espírita é com o Espiritismo. E Espiritismo está claramente definido nas obras básicas de Allan Kardec. As inclusões indevidas, práticas que geram distorções doutrinárias, inovações oriundas de nossas distrações e mesmo quando criamos o “nosso espiritismo”, correm por nossa conta e risco, gerando responsabilidades de expressão, face às noções indevidas que podemos estar semeando em pessoas que agora se aproximam da Doutrina Espírita e o conhecem distorcido de suas propostas verdadeiras.

O compromisso do Espiritismo é com a renovação moral do ser humano. Totalmente conectado com o Evangelho de Jesus, suas bases visam esclarecer e orientar sobre nossa natureza, origem e destinação como filhos de Deus. Fundamentado em bases racionais e exclusivamente voltado ao crescimento intelecto moral dos filhos de Deus, o Espiritismo dispensa condicionamentos, dependências de qualquer espécie, imposições, exigências e fanatismos que possam ou queiram se impor.

Quando se fala em condicionamentos e dependências, há um leque enorme de situações sutis que vamos nos permitindo e que deformam totalmente a genuína prática espírita. Alguém poderia perguntar: mas qual ou quais? Relacione uma ou mais. Não há necessidade de citar, discriminar ou criar outros perigosos caminhos que são os do preconceito ou do orgulho ferido e mesmo possíveis imposições ou críticas que não cabem.

A resposta é fácil. O Espiritismo possui e oferece ferramentas úteis e precisas para se evitar condicionamentos e dependências. Basta que perguntemos a nós mesmos: o que espero ou faço do Espiritismo? Como dirigente, palestrante, escritor ou colaborador/tarefeiro em qualquer área de atividade nas instituições – pois que não há qualquer atividade que seja mais importante ou mereça qualquer destaque, já que somos todos meros aprendizes –, como estou me portando?

Aprisiono ou liberto e motivo as pessoas? Uso ameaças, chantagem e imponho minhas ideias e vontades como as únicas corretas? Sou daqueles que recriminam e acusam, desprezam ou não desmerecem o esforço alheio? Não é preciso continuar. Muitas outras situações podem ser incluídas.

Com tais posturas, onde vão se incluir os desdobramentos próprios do orgulho, da vontade de dominar, da vaidade e da prepotência, geram os problemas de distorções doutrinárias, esperando nossa submissão à realidade do que realmente somos: todos meros aprendizes.

O pior de tudo isso é que deixamos que nossas tendências introduzam práticas estranhas ao Espiritismo na prática cotidiana dos Centros, como as atuais novidades incoerentes com a genuína prática espírita. Quais são as novidades? Novamente não é nem preciso citar. Basta observar com atenção! Os desvios surgem e as novidades aparecem quando esquecemos a prioridade do Espiritismo: nossa melhora e progresso moral.

E a orientação desse programa está claramente nas obras básicas, que esquecemos de consultar, de estudar, refletir e divulgar. E principalmente de fazê-la amplamente compreensível, em suas riquezas, para aqueles que se aproximam – sedentos por entender – e são bombardeados com condicionamentos que, ao invés de libertarem, aprisionam e repetem os mesmos equívocos da história bem conhecida, ao longo do tempo.

É nosso dever respeitar o Espiritismo! É nosso dever transmitir Espiritismo com fidelidade. Muitas pessoas que agora se aproximam do Espiritismo não trazem uma formação anterior que lhes facilite entender os fundamentos do Espiritismo e estes precisam ser explicados, comentados, exemplificados com clareza.

E, infelizmente, diante de tanta grandeza moral à disposição para cumprir sua justa finalidade, ficamos usando nosso tempo, recursos e inteligência para finalidades absolutamente distantes da genuína prática espírita que não é outra senão a caridade, em sua ampla abrangência, que não se restringe à doação de coisas, mas à doação de nós mesmos na gentileza, na sensibilidade, na atenção, no estender das mãos, no trabalho em favor do bem geral, etc, etc.

Abramos os olhos. Nossa responsabilidade é enorme. E nossa fragilidade também…

Autor: Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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Curas e fé

Orson Peter Carrara

No conhecido episódio narrado por Marcos (cap. V, 25 a 34), no caso da mulher enferma da perda de sangue havia muitos anos, o diálogo oferece interessantes oportunidades de aprendizado. Kardec tratou do assunto no capítulo XV de A Gênese (item 10), apresentando as importantes e seguintes considerações a partir da genial indagação (aqui parcialmente transcritas):

“(…) Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão? É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só.

O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos. Razão, pois, tinha Jesus para dizer: Tua fé te salvou. Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo, também, se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural. (Cap. XIV, nos 31, 32 e 33.)”. Nada a acrescentar.

Autor: Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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Exemplo de Ressurreição como Reencarnação

Enviado em 28/08/2019

A LEI DA PALINGENESIA: A REENCARNAÇÃO EM SEU TRÍPLICE ASPECTO.  ESTUDO-PALESTRA MINISTRADO NA CASA DOS HUMILDES – Blog do Bruno Tavares / O  Seu Blog Espírita

Na Bíblia, às vezes, a ressurreição quer dizer reencarnação, até mesmo porque as duas são do espírito e não do corpo. Temos dois corpos: um espiritual e um da natureza, e ressuscita o espiritual (1 Coríntios 15: 45).

Na coluna: “Também no Apocalipse a ideia da reencarnação”, de 15-7-2019, um comentarista confunde a doutrina milenar da reencarnação (palingenesia na Bíblia) com a data da criação dessa palavra reencarnação por Kardec. Mas pode ser que ele tenha feito isso de propósito, em defesa de sua descrença nela. Porém o que diz o tal de comentarista não é desimportante para mim, pois ele me deu chance de explicar com mais detalhes o assunto. Essa palavra palingenesia aparece nos textos gregos bíblicos (Mateus 19: 28; e Tito 3: 5). E ela significa sim reencarnação e não geração, como está nas traduções da Bíblia do grego para o português e outras línguas. Sugerimos, pois, aos queridos leitores desta coluna que consultem os dicionários de português e constatem que, de fato, palingenesia significa reencarnação, retorno à vida, viver de novo, ou ainda novo nascimento do espírito na terra. Ela, a palingenesia, é o tempo em que ocorre a regeneração, mas não a própria regeneração! E lembramos que ela, a palingenesia, tem, em português, a mesma forma do grego e o mesmo som, embora as letras gregas sejam diferentes das do alfabeto português e, também, geralmente o mesmo som. Será que o tal de comentarista, que é erudito, desconhece essa verdade? Tito citado acima diz sobre nossa regeneração: “… isso não por obras em justiça, as quais fizemos nós, mas segundo sua misericórdia salvou a nós durante o lavar ou banho da palingenesia. (Para Jesus, a cada um será dado segundo suas obras). E a renovação é feita pelo Espírito Santo do indivíduo. Mas o texto foi truncado. E o artigo ‘o’ diante do Espírito Santo está entre parênteses, em algumas traduções, exatamente porque ele não existe no texto grego. Na verdade, então, trata-se de ‘um’ espírito santo, ou seja, a alma, a centelha divina, o nosso espírito santo, que habita em nós. (1 Coríntios 6: 19), e que tem que ser por nós mesmos regenerado, purificado, durante o tempo da palingenesia ou da reencarnação.

Mas o objetivo principal desta coluna é demonstrar, como já foi dito, que, às vezes ressurreição na Bíblia é reencarnação (palingenesia). Está no Apocalipse: “…eu vi também as almas dos decapitados… que não tinham adorado a besta… eles voltaram a viver, reinando com Cristo durante mil anos” (20: 4). “Os outros mortos não voltaram a viver, enquanto não terminaram os mil anos. Tal é a primeira ressurreição.” (20: 5). Há pessoas que não aceitam que, nesses claros textos apocalípticos, os espíritos que ressuscitam ou que voltam a viver estão reencarnando. Elas creem ou não na Bíblia?

PS:  9º Congresso Espírita Mundial no México, de 28/09 a 08/10/2019.

Fonte: Portal do Espírito

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Insatisfação Amorosa e Sexual

Morel Felipe Wilkon

Muitas pessoas ainda atrelam a sua felicidade à outra pessoa. Acham que precisam de alguém pra ser felizes. Isso gera uma constante insatisfação, pois não é possível nos apossarmos dos sentimentos de outra pessoa para preencher nosso próprio vazio existencial.

Muita gente atravessa problemas emocionais e sentimentais:

-Pessoas que estão traindo e não querem abrir mão nem do parceiro nem do amante.

-Pessoas que foram traídas, acham que perdoaram, mas não superam o desgosto.

-Pessoas que não conseguem se relacionar com ninguém.

-Pessoas que têm dúvidas sobre a própria sexualidade.

-Pessoas que pulam de um relacionamento pro outro e nunca estão satisfeitas.

É assombroso o egoísmo de algumas pessoas. É o caso de quem vive um relacionamento extraconjugal, mas não quer romper os laços com o cônjuge. Pode parecer que se trata de amor ou de compaixão. Se analisarem um pouquinho a si mesmos perceberão que pensam, mesmo, é em si próprios, e o que não querem é diminuir a sua cota de prazeres e atenção.

Ou então a pessoa para quem nenhum relacionamento dá certo, e culpam a Deus, à Vida, ao “carma”. Perguntam, revoltadas, se estão aqui só pra “pagar”, e por que Deus não as deixa ser felizes. Não se deram ao trabalho de se perguntarem por que ninguém fica mais tempo com elas. Será que todo mundo está errado e só elas estão certas? Será que não estão exigindo demais?

Noutros casos, as pessoas se debatem durante anos em dolorosos conflitos sobre a própria orientação sexual, cheias de culpas e dúvidas. Casos complexos demais, originados de desajustes iniciados em outras existências, que exigem muito mais do que conselho ou consolo.

Ou aqueles que não se sentem amados, ou que deixaram de amar, ou que traíram e não se perdoam.

A busca pela solução demonstra o desejo de resolver o mal que os aflige. Só que pedir ajuda ou orientação pela internet, digitando algumas dúzias de palavras, é fácil. E não há soluções fáceis para problemas difíceis. Problemas sérios exigem soluções sérias. É preciso querer se ajudar. É preciso deixar a preguiça, o medo, a inércia, o comodismo, a indiferença.

Problemas são oportunidades de crescimento.

É preciso, antes de mais nada, perceber algo que é óbvio, mas infelizmente ainda não é óbvio pra todos: “o mundo não gira em torno de você. As pessoas não são sua propriedade. A Vida não existe para transarmos com todo mundo; prazer sexual não é amor; romantismo não é amor”.

A ideia de que a nossa felicidade está na dependência de uma relação qualquer afasta qualquer possibilidade de bem-estar íntimo.

É importante ter alguém para dividir a passagem pela matéria; a própria natureza, enquanto reencarnados, nos induz a isso.

Mas isso não é sinônimo de felicidade. Ser feliz é um estado de ser que independe de fatores externos.

A preocupação quanto à vida amorosa ou sexual (que quase sempre se confundem) gera cada vez mais incertezas, produz desconforto com a situação vigente, faz a Vida perder o sentido.

A Vida é muito mais que isso. A Vida é oportunidade de aprendizado, de disciplina, de autoconhecimento e de troca de conhecimentos e experiências. Resumir a Vida a encontros e desencontros sexuais é voltar ao estágio animal.

Quem passa por problemas desse tipo e quer solução, deve buscá-la com todas as suas forças. Se está lendo um artigo espírita é de se supor que seja simpatizante do Espiritismo. Leia. Estude. Se esclareça. Ore. Ore várias vezes ao dia, faça disso um hábito. Frequente o centro espírita. Procure um tratamento no centro espírita.

Procure participar de grupos de estudo no centro espírita – a troca de experiências é um dos aprendizados mais eficazes.

Pergunte-se acerca dos seus reais valores: O que você espera acrescentar nesta vida? O que você pretende fazer para aproveitar a oportunidade da atual reencarnação?

Você já percebeu que sexo e atração física são fenômenos ilusórios e, portanto, passageiros? Já se deu conta de que músculos e nádegas caem, que rostinhos bonitos murcham, que o tesão acaba, que palavrinhas românticas só têm valor nos momentos fugazes de prazer?

Você não notou, ainda, que a consciência é o seu juiz, e que cobra você e continuará cobrando você sempre que você errar?

Não sabe que não há como ser feliz mentindo pra si mesmo, tentando enganar à própria consciência?

Ou você pensa que respeito, retidão de caráter, fidelidade, amizade, são apenas conceitos? Ou acha que essas coisas são fruto de pregações religiosas atrasadas e conservadoras?

Está encrencado? Quer viver em paz? Mude!

Quando você muda, o mundo muda.

Pare de se queixar e de achar que a Vida é um complô contra você. Há 7 bilhões de espíritos encarnados iguaizinhos a você. Você acha que você merece uma atençãozinha especial de Deus? Não sabe que não há privilégios na Lei divina? Faça alguma coisa por si mesmo, torne-se uma pessoa melhor, deixe de pensar só em si. Você irá se cobrar severamente se não mudar de atitude a tempo.

Você é o seu juiz…

E o seu estado de espírito de hoje, a maneira como você está se sentindo neste exato momento lhe responde como você vem agindo.

Morel Felipe Wilkon

Fonte: Kardec Rio Preto

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A codificação

Rogério Coelho

codificacao

 “Se algum dia, eu disser algo diferente do que disse Jesus e Kardec, fique com Eles e abandone-me”    – Emmanuel

Lúcidas e coerentes, como sempre, estas palavras de Emmanuel foram dirigidas ao médium Francisco C. Xavier, quando aquele pretendia utilizar-se dos recursos mediúnicos deste para o trabalho de divulgação da Doutrina dos Espíritos.

O caminho seguido pelas informações dos Espíritos passou primeiro por dois poderosos filtros chamados Jesus e Kardec, sendo enfeixados em síntese em “O Livro dos Espíritos” e ampliados depois nos livros: “A Gênese”, “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “O Céu e o Inferno”, que constituem o Pentateuco, indivisível bloco monolítico.

Assim, todo livro subsidiário não poderá deslocar-se da órbita desses livros que são a base do Espiritismo. Destarte, quem deseja escrever ou falar sobre Espiritismo, tem necessariamente que se balizar pelos parâmetros básicos, sob pena de caracterizar conteúdos apócrifos pela não observância de tais critérios.

Espíritas amai-vos; Espíritas instruí-vos; é a sempre oportuna conclamação do Espírito de Verdade. Instruamo-nos, portanto, principalmente nas fontes básicas, o que nos ensejará maiores condições de avaliar e separar o joio do trigo.

No livro “A Gênese”, Capítulo I, item 52, Kardec faz notar que “em parte alguma, o ensino Espírita foi dado integralmente. Ele diz respeito a tão grande número de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhecimentos e aptidões mediúnicas, que impossível era acharem-se reunidas num mesmo ponto todas as condições necessárias. Tendo o ensino que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho, disseminando os assuntos de estudo e observação como, em algumas fábricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários.

A revelação fez-se, assim, parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários e é dessa maneira que prossegue ainda, pois nem tudo foi revelado. Cada centro encontra nos outros centros o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de todos os ensinos parciais que constituíram o Espiritismo.

Era, pois, necessário grupar os fatos espalhados, para se lhes apreender a correlação, reunir os documentos diversos, as instruções dadas pelos Espíritos sobre todos os pontos e sobre todos os assuntos, para as comparar, analisar, estudar-lhes as analogias e as diferenças. Vindo as comunicações de Espíritos de todas as partes, de todas as ordens, mais ou menos esclarecidos, era preciso apreciar o grau de confiança que a razão permita conceder-lhes, distinguir as ideias sistemáticas individuais ou isoladas das que tinham a sanção do ensino geral dos Espíritos, as utopias das ideias práticas, afastar as que eram notoriamente desmentidas pelos dados da ciência positiva e da lógica, utilizar igualmente os erros, as informações fornecidas pelos Espíritos, mesmo os da mais baixa categoria, para conhecimento de estado do mundo invisível e formar com isso um todo homogêneo.

Era preciso, numa palavra, um centro de elaboração, independente de qualquer ideia preconcebida, de todo prejuízo de seita, resolvido a aceitar a verdade tornada evidente, embora contrária às opiniões pessoais. Este centro se formou por si mesmo, pela força das coisas e sem desígnio premeditado.”

O Espiritismo estará preservado dos cismas?

“Não, certamente,” – responde Kardec no livro “Obras Póstumas” no capítulo referente à constituição do Espiritismo – “porque terá, sobretudo no começo, de lutar contra as ideias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias a se amalgamarem com as ideias dos demais; e contra a ambição dos que, a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação qualquer; – dos que criam novidades só para poderem dizer que não pensam e agem como os outros, pois lhes sofre o amor-próprio por ocuparem uma posição secundária.

Se, porém, o Espiritismo não puder escapar às fraquezas humanas com as quais se tem de contar sempre, pode, todavia, neutralizar-lhes as consequências e isso é essencial. Consequentemente, seitas poderão formar-se ao lado da Doutrina, seitas que não lhe adotem os princípios ou todos os princípios, porém, não dentro da Doutrina, por efeito da interpretação dos textos, como tantas se formaram sobre o sentido das próprias palavras do Evangelho. É esse um primeiro ponto de capital importância.

O segundo ponto está em não se sair do âmbito das ideias práticas. Se é certo que a utopia da véspera se torna – muitas vezes – a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém, não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos.

O terceiro ponto, enfim, é inerente ao caráter essencialmente progressivo da Doutrina. Pelo fato de ela não se embalar com sonhos irrealizáveis, não se segue que se imobilize no presente. Apoiada tão-só nas Leis da Natureza, não pode variar mais do que estas leis; mas, se uma nova lei for descoberta, tem ela de se por de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias da sua perpetuidade.

Acrescentamos que a tolerância, fruto da caridade, que constitui a base da Doutrina Espírita, lhe impõe como um dever respeitar todas as crenças. Querendo ser aceita livremente, por convicção e não por constrangimento, proclamando a liberdade de consciência um direito natural imprescritível, diz: Se tenho razão, todos acabarão por pensar como eu; se estou em erro, acabarei por pensar como os outros.

Em virtude destes princípios, não atirando pedras a ninguém, ela nenhum pretexto dará para represálias e deixará aos dissidentes toda a responsabilidade de suas palavras e seus atos.”

É ainda Kardec, neste mesmo capítulo que nos alerta:

“(…) Não faltarão intrigantes, pseudo-espíritas, que queiram elevar-se por orgulho, ambição ou cupidez; outros que estadeiem pretensas revelações com o auxílio das quais procurem salientar-se e fascinar as imaginações por demais crédulas. É também de prever que, sob falsas aparências, indivíduos haja que tentem apoderar-se do leme, com a ideia preconcebida de fazerem soçobrar o navio, desviando-o de sua rota. O navio não soçobrará, mas poderia sofrer prejuízos como atrasos que se devem evitar.”

Acreditamos nada ter a acrescentar às palavras de Kardec, por demais claras e judiciosas. Por elas concluímos que verdadeiro Espírita será também aquele que guardar fidelidade à Codificação Kardequiana.

Fonte: geae.net.br

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As casas do caminho

José Cid

casadocaminho

Logo depois da crucificação de Jesus os Apóstolos ficaram atônitos, sem saber o que fazer. Mas João começou a receber pessoas necessitadas, em busca de ajuda, em sua casa. Doentes, pobres, famintos. Todos eram bem-vindos. Mas um dia, surgiu a sua porta uma pessoa buscando ajuda que, segundo seu entender, não merecia.

E nesse momento ele pôde ver quem realmente o inspirava em suas atitudes, pois foi Jesus quem “apareceu” para dizer-lhe que acolhesse aquela pessoa.

A casa de João foi a primeira Casa do Caminho. Casas de fiéis seguidores de Jesus, onde os necessitados podiam receber socorro a qualquer hora foram surgindo depois, seguindo esse exemplo.

Hoje em dia ainda se encontra no mundo uma grande quantidade de pessoas necessitadas, que precisam de ajuda. Mas onde encontrar a casa Cristã, que acolha sem discriminação quem busca ajuda? Onde estão estas ilhas de socorro em meio ao burburinho do mundo, com pessoas atarefadas, buscando a realização material, a felicidade apoiada em coisas que perecem.

Com certeza as casas Espiritas estão entre elas. Mas que tipo de socorro a Casa Espírita pode prestar? O mundo está cada vez mais difícil, violento; as pessoas não se entendem, como receber um estranho?

Nesse ponto lembremos de João. Ele, como nós, ficou em dúvida diante daquele homem que tinha agredido tanto aos Cristãos. Mas Jesus foi a inspiração para que ele agisse como Cristão, e ajudasse aquele necessitado, sem olhar quem era. Meus amigos, quem realmente dirige as obras espíritas não são os que carregam no peito o título de presidente-de-sei-lá-o-que. Os verdadeiros dirigentes da obra estão anônimos, apenas inspirando os que se dispõe a trabalhar. E quanto mais doce o instrumento, mais produtiva pode ser a obra.

Nós não podemos nos orgulhar de nossas realizações. Mas, ao contrário, devemos agradecer a oportunidade de servir de instrumentos de progresso, de auxílio aos necessitados.

Não me lembro dos nomes, mas existe aquela passagem do novo testamento, onde alguém tinha pedido a Jesus que o visitasse em determinado dia. Mas no dia combinado essa pessoa recebeu a visita de várias pessoas pedindo ajuda. A grande lição foram as palavras de Jesus, quando perguntado porque tinha faltado ao encontro: Ele tinha visitado aquela pessoa várias vezes durante o dia, na pessoa de cada um daqueles que foram lá pedir ajuda, e o anfitrião tinha se recusado a recebe-Lo. Isso mostra, a todos aqueles que vivem pedindo uma oportunidade de servir, ou de ser inspirado, que é preciso ter o coração aberto para perceber a visita de Jesus, quando Ele aparece.

Em outras palavras, Jesus está presente em cada oportunidade que temos de servir, seja cuidando de um doente, ou esclarecendo, ou fornecendo alimento para quem não tem. E aqui vale ressaltar algo muito importante, que talvez tenha passado desapercebido de quem está lendo. As casas Espiritas são ALGUMAS das ilhas de socorro que existem, e não as únicas. E ser espírita não é passaporte para a sabedoria eterna, nem transforma ninguém em anjinho. É muito mais valioso o ateu que sinceramente ajuda aos necessitados do que o espírita (com letra minúscula) que conhece de cabo a rabo as obras Espiritas, mas não põe esse conhecimento a serviço do progresso.

Fonte: geae.net.br

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Sofrimentos. Como evitá-los?

Orson Peter Carrara

A resposta foi dada por Chico Xavier à pergunta, durante entrevista. A indagação, inclusive, refere-se a situações de intenso sofrimento. A resposta veio de forma consoladora:

“Aceitação sem inércia no trabalho de renovação íntima, é o que a Espiritualidade nos ensina. Temos aprendido que o livre-arbítrio é absoluto em nossas escolhas mentais, fazendo-se relativo quando os nossos pensamentos tomam forma, compelindo-nos a sentir os princípios de causa e efeito. É por isso que liberdade de escolha e destino coexistem na vida (…)”.

Peço ao leitor reler o parágrafo acima e deter-se especialmente na última linha, na expressão perfeitamente conectada entre escolha e destino. Nossas ações definem nossa vida. Prossegue o médium com clareza:

“(…) Todos os dias na existência humana, podemos criar causas ou enfrentá-las. (…) podemos modificar nossa vida, para melhor, aceitando o que já fizemos de nós em outras existências (ou nesta existência mesmo, e procurando melhorar-nos sempre. Um irmão reeducando em qualquer instituto penal, na própria cela em que se vê segredado, conseguirá, se quiser, entrar em novo campo de aceitação do que fez de si mesmo e, agindo com humildade e compreensão, no trabalho de recuperação e liberdade, começará conquistando o respeito e a simpatia dos próprios guardas que o acompanham, candidatando-se ao livramento condicional e até mesmo à definitiva libertação.”

Note que o raciocínio não é exclusivo para presos, pois pode ser aplicado a qualquer situação de constrangimento ou aflição, evitando sofrimentos. Vale pensar na orientação contida no livro Chico Xavier, Diálogos e Mensagens, edição IDE. A questão é sempre de escolhas.

Orson Peter Carrara

Fonte: marcoaureliorocha5.blogspot.com

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