As aparições de espíritos e os agêneres

José Reis Chaves

Os agêneres são espíritos encarnados e desencarnados que aparecem, podendo eles, inclusive, ser materializados e palpáveis. Esse fenômeno é chamado também pelo espiritismo de emancipação, pela Igreja Católica de bilocação, fenômeno esse que aconteceu com alguns santos católicos, sendo os mais conhecidos os ocorridos com Santo Antônio de Pádua e Santo Afonso Maria de Ligório. Os cientistas de prêmio Nobel de física e química William Croques e Charles Riches e outros, também famosos como o russo Acasakov comprovaram a realidade desse fenômeno, chamado também de viagem astral.

Geralmente, os agêneres são fenômenos rápidos, mas há exceções. O sacerdote Melquisedeque da Bíblia, sem genealogia, sem pai e sem mãe, seria um agênere? Mas vamos tratar é do Anjo Rafael, sem dúvida nenhuma, um agênere, do Livro de Tobias da Bíblia Católica. Porém, antes de entrarmos no assunto, queremos deixar claro que, para a doutrina espírita, na sua parte científica, e para a Bíblia, os anjos, “aggelos” em grego, significam espíritos humanos enviados. E os demônios, “daimones” em grego, são também espíritos humanos apenas atrasados e não de outra categoria. Daí que até se diz anjos bons e anjos maus. O que os diferencia, pois, é o nível de evolução. Aliás, Deus não criaria espíritos de categoria má eles, por serem imortais, vão se tornar anjos no decorrer das eternidades, como já ensinava o grande iluminado teólogo do cristianismo primitivo Origenes, com sua tese “Apokatastase”.

A Igreja Católica aceita esse fenômeno de agêneres com o nome de bilocação, mas de modo incompleto e confuso, por ela ter uma visão errada dos espíritos humanos já anjos (super evoluídos ou super adiantados) e os ainda muito atrasados que ela e uma tradição cristã passaram a chamar de demônios. Numa visão espírita, bíblica e científica, geralmente, os fenômenos de agêneres são aparições rápidas de espíritos desencarnados ou encarnados. Mas há exceções. E, assim, por exemplo, a história do Livro de Tobias fica fantasiosa e, pois, sem crédito, uma vez que o Anjo Rafael é um agênere. Ele curou de uma cegueira o Tobias pai, e acompanhou o Tobias filho numa longa e importante viajem, além de ajeitar para ele o casamento com Sara.

Mas os teólogos cristãos, querendo explicar o Livro de Tobias, com sua visão antiga errada de anjos e demônios, transformam este livro numa história que parece ser da carochinha… aliás, os protestantes até consideram esse livro como apócrifo, o qual não consta, pois, da Bíblia Protestante.

E eis uma prova inquestionável dada pelo próprio Anjo Rafael de que ele era um agênere, ao identificar-se para o Tobias pai, em Tobias 5: 13: “Eu sou o Azarias, filho do grande Ananias, um dos teus irmãos.”

Autor: José Reis Chaves

Fonte:  Portal do Espírito (espirito.org.br)

O que são Espíritos Agêneres?

Você já ouviu falar em espíritos agêneres? O que a doutrina espírita fala sobre o assunto? Confira as considerações a seguir.

A novela espiritualista Espelho da Vida também trata de temas relacionados a doutrina espírita, por exemplo, reencarnação, vidas passadas, espíritos agêneres, etc.

O que o espiritismo tem a nos ensinar sobre os espíritos agêneres?

Os espíritos agêneres dizem respeito ao estado de certos espíritos que podem se apresentar e revestir com formas de uma pessoa viva, causando assim, uma ilusão de estarmos interagindo com uma pessoa encarnada. Ou seja, eles possuem a aparência de um corpo sólido.

De acordo com Allan Kardec, na Revista Espírita de 1859, o espírito agênere é:

“Um Espírito cujo corpo fosse assim visível e palpável teria, para nós, toda a aparência de um ser humano; poderia conversar conosco e sentar-se em nosso lar qual se fora uma pessoa qualquer, pois o tomaríamos como um de nossos semelhantes”.

Allan Kardec completou:

“O Agênere propriamente dito não revela sua natureza e aos nossos olhos não passa de um homem comum, sua aparição corpórea pode ter longa duração, conforme a necessidade, a fim de estabelecer relações sociais com um ou vários indivíduos”.

Por que isto ocorre?

Por causa da natureza e das propriedades do perispírito, que possibilita ao espírito, por meio de seus pensamentos e suas vontades, mudanças no corpo espiritual tornando-se visível.

De acordo com Heloísa Pires, no programa O Espírito e o Tempo, o perispírito é formado da mesma matéria cósmica que forma o corpo físico. Porém, devido às leis divinas, da presença de Deus, essa condensação se realiza de forma diferente. Já que ele têm certas propriedades que o corpo físico não tem, por exemplo, a flexibilidade, a absorção.

E devido a esta condensação, o perispírito através das moléculas que o constituem adquire características de um corpo sólido que é capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios, além de tornar-se tangível as possibilidades desse espírito retornar instantaneamente ao seu estado etéreo e invisível.

Com isso, o que é necessário para que um espírito condense seu perispírito e se torne Agênere?

Vontade;

Combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados;

Permissão do plano superior;

Vale lembrar que em alguns casos de espíritos agêneres, a tangibilidade é tão forte que é possível tocar, sentir a resistência da matéria, o que não impede que o espírito desapareça rapidamente.

Quais as características dos espíritos agêneres?

Embora eles possam ser confundidos com encarnados, o olhar deles não são nítidos. E ainda, mesmo que possam conversar, a linguagem é breve, sentenciosa, além de não permanecerem por muito tempo entre os encarnados.

Para finalizar, confira a seguir uma história que está presente na Revista Espírita de 1859:

“Uma pobre mulher estava na igreja de Saint-Roque em Paris, e pedia a Deus vir em ajuda de sua aflição. Em sua saída da igreja, na rua Saint-Honoré, ela encontrou um senhor que a abordou dizendo-lhe:

“Minha brava mulher, estaríeis contente por encontrar trabalho?

– Ah! Meu bom senhor, disse ela, pedia a Deus que me fosse achá-lo, porque sou bem infeliz.

– Pois bem! Ide em tal rua, em tal número; chamareis a senhora T…; ela vo-lo dará.”

Ali continuou seu caminho. A pobre mulher se encontrou, sem tardar, no endereço indicado

– Tenho, com efeito, trabalho a fazer, disse a dama em questão, mas como ainda não chamei ninguém, como ocorre que vindes me procurar?

A pobre mulher, percebendo um retrato pendurado na parede, disse:

– Senhora, foi esse senhor ali, que me enviou.

– Esse senhor! Repetiu a dama espantada, mas isso não é possível; é o retrato de meu filho, que morreu há três anos.

– Não sei como isso ocorre, mas vos asseguro que foi esse senhor, que acabo de encontrar saindo da igreja onde fui pedir a Deus para me assistir; ele me abordou, e foi muito bem ele quem me enviou aqui”.

E ainda, o Espírito São Luís foi consultado sobre os espíritos agêneres e passou as seguintes informações: De acordo com o espírito:

como foi dito acima, é necessária uma permissão para que ocorra este fenômeno; os espíritos agêneres pertencem às categorias tanto inferiores como superiores; não possuem a necessidade de alimentação, afinal, seu corpo não é real; não há meios de identificá-los, a não ser pelo desaparecimento inesperado;

Fonte: Rádio Boa Nova

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A Aura e os Chakras no Espiritismo

Escrito por Paulo Neto

artigo 23

 “O que é evidente, para nós, pode não ser para vós outros; cada qual julga as coisas debaixo de certo ponto de vista, e do fato mais positivo nem todos tiram as mesmas consequências. (KARDEC, O que é o Espiritismo, cap. I)

Introdução

Esses dois temas – aura e chakras ([1]) – são, geralmente, tratados como alheios à Doutrina Espírita e aceitos por uns como pertencentes exclusivamente ao esoterismo e, por outros, como afetos à correntes espiritualistas.

Temos visto que, quando determinada coisa tem alguma semelhança com crenças esotéricas, muitos espíritas imediatamente a rechaçam, mesmo sem terem pesquisado nas obras da Codificação espírita para saber se nelas há alguma coisa a respeito ou não.

O nosso propósito neste estudo é exatamente esse, ou seja, pesquisar nas obras da Codificação e também nas de estudiosos ou pesquisadores espíritas, para confirmarmos ou não, se nessas fontes poderemos encontrar algum ponto de apoio para aceitar, doutrinariamente, a aura e os chakras como integrantes dos postulados espíritas, ou, quem sabe, na pior das hipóteses, abrir portas para isso, de forma que outros pesquisadores, que se destacam no movimento espírita, possam desenvolver a questão com maior propriedade que nós.

Quanto à questão de estar ou não na Codificação, é importante levarmos em conta esta fala de Allan Kardec (1804-1869): “O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão lhe colocar as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação.” ([2])

Recomendamos a você, caro leitor, que faça uma comparação entre o que consta da 1ª e da 2ª edição de O Livro dos Espíritos, quanto ao momento da ligação do Espírito com o corpo, como também em relação a evolução do princípio inteligente. Acrescentamos, ainda a questão da possessão física, veja o que consta nas obras: O Livros dos EspíritosO Livro dos MédiunsRevista Espírita 1863, mês de dezembro e A Gênese, e observe o que aconteceu.

Compreendemos que existem, pelo menos, três hipóteses em relação a aura e os chakras, sobre cada um podemos afirmar:

1) é coisa totalmente contrária;

2) parte dela consta; e

3) não consta de forma alguma.

Tomando dessa fala de Kardec, gostaríamos de ressaltar que, no caso de ocorrer a opção 2, necessariamente, não significa que não possa ser um ponto doutrinário, porquanto, para se afirmar isso devemos demonstrar que, a nível mundial, em nenhuma mensagem de origem espiritual nada podemos encontrar que nos permita  fazer alguma correlação com o que estamos querendo verificar, ou seja, aplicação prática do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, conforme proposição de Kardec, para os dois pontos – aura e os chakras.

Perispírito

Como os dois pontos estão diretamente relacionados ao corpo espiritual, designado pelo Codificador de perispírito, algumas explicações serão necessárias.

Na Revista Espírita 1866, Kardec, entre várias coisas, esclarece que:

O perispírito é uma das engrenagens mais importantes da economia. A Ciência o observou em alguns de seus efeitos e, sucessivamente, tem sido designado sob o nome de fluido vital, fluido ou influxo nervoso, fluido magnético, eletricidade animal, etc., sem se dar conta precisa de sua natureza, de suas propriedades e, ainda menos, de sua origem. Como envoltório do Espírito após a morte, foi suspeitado desde a mais alta antiguidade. Todas as teogonias atribuem aos seres do mundo invisível um corpo fluídico. São Paulo diz em termos precisos que renascemos com um corpo espiritual (1ª epístola aos Coríntios, 15:35 a 44 e 50). ([3])

Embora Kardec tenha tratado de sua formação e propriedades, observamos uma certa carência quanto às suas funções, porém, o Codificador, em O Livro dos Médiuns, deixou bem claro:

[…] Não conhecemos a natureza íntima do perispírito. Imaginemo-lo, todavia, formado de matéria elétrica, ou de outra tão sutil quanto esta; por que, quando dirigido por uma vontade, não teria propriedade idêntica à daquela matéria? ([4]) (grifo nosso)

Essa confissão de Kardec, sobre o seu desconhecimento da natureza íntima do perispírito, é importante para não achar que sabemos mais do que ele, colocando-nos, portanto, acima do mestre de Lyon.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec, em o “Ensaio teórico da sensação nos Espíritos”, e em O Livro dos Médiuns, cap. I – Ação dos Espíritos sobre a matéria, item 54, pela ordem, explica:

O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém não o da vida intelectual, que reside no Espírito. E além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. […]. ([5]) (grifo nosso)

Esse segundo invólucro da alma, ou perispírito, existe, pois, durante a vida corpórea; é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, diremos que é o fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão do pensamento; é, em suma, esse agente misterioso, imperceptível, conhecido pelo nome de fluido nervoso, que desempenha tão grande papel na economia orgânica e que ainda não se leva muito em conta nos fenômenos fisiológicos e patológicos. ([6]) (grifo nosso)

Considerando que o corpo material, para se manter vivo, precisa de uma fonte energética, que é tirada dos elementos sólidos e líquidos que ingere, a questão que se coloca é: será que o perispírito, que não deixa de ser material, ainda que quintessenciado, também não necessitaria de algum tipo de fonte energética?

Na Revista Espírita 1863, encontramos algo curioso relacionado à doenças:

O perispírito, como se viu, desempenha um papel importante em todos os fenômenos da vida; é a fonte de uma multidão de afecções das quais o escalpelo procura em vão a causa na alteração dos órgãos, e contra a qual a terapêutica é impotente. […]. ([7]) (grifo nosso)

[…] A homeopatia, provando a força da matéria espiritualizada, se liga ao papel importante que o perispírito desempenha em certas afecções; ela ataca o mal em sua própria fonte que está fora do organismo, do qual a alteração não é senão consecutiva. Tal é a razão pela qual a homeopatia triunfa numa multidão de casos onde a medicina comum fracassa: mais do que isto, toma em conta o elemento espiritualizado tão preponderante na economia, o que explica a facilidade com a qual os médicos homeopatas aceitam o Espiritismo, e porque a maior parte dos médicos espíritas pertence à escola de Hahnemann. […]. ([8]) (grifo nosso)

Eis um ponto interessante, que não foi desenvolvido na época da Codificação, o fato do perispírito ser “fonte de uma multidão de afecções” prova que suas funções são muito mais complexas do que imaginamos, talvez até mesmo as restringimos em excesso.

Bem interessante esta fala de Jorge Andréa dos Santos (1916-2017), psiquiatra e pesquisador espírita, em Lastro Espiritual nos Fatos Científicos, no cap. Buscando o Perispírito:

O físico Nizar Mullani, em Huston, nos Estados Unidos, vem desenvolvendo interessante técnica a fim de detectar doenças antes de sua instalação na organização física. Assim, com certa aparelhagem, os distúrbios seriam revelados muito antes de se instalarem nas células, não só os de origem metabólica, mas, também, os de características degenerativas, como o caso do câncer. As coisas se tornam mais importantes diante a possibilidade de serem conhecidas, em tempo, certos distúrbios nas células nervosas responsáveis por futuros componentes das doenças mentais.

A máquina para tal fim é o hoje chamado TEP – Tomógrafo de emissões de pósitrons –, diferente do já bem conhecido TAC – Tomógrafo axial computorizado. Enquanto este último detecta as doenças já instaladas na organização física, o TEP, recebe aviso das desordens no campo energético, isto é, percebe no campo organizador o metabolismo em sua real atividade. ([9]) (grifo nosso)

Assim, temos a comprovação de que o Perispírito registra as afecções como dito por Kardec.

Completando essa informação, tomemos de Obras Póstumas, uma outra fala de Kardec:

Sendo um dos elementos constitutivos do homem, o perispírito desempenha importante papel em todos os fenômenos psicológicos e, até um certo ponto, nos fenômenos fisiológicos e patológicos. Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado um grande passo e horizontes inteiramente novos se lhes patentearão. As causas de muitas enfermidades serão a esse tempo descobertas e encontrados poderosos meios de combatê-las. ([10])

Kardec, portanto, confirma o que havia falado antes.

Em A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos, no item 17, lemos:

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito. É por seu intermédio que o Espírito encarnado tem a percepção das coisas espirituais que escapam aos sentidos carnais. Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, eles estão generalizam. O Espírito vê, entende e sente, por todo o seu ser o que está na esfera de irradiação do seu fluido perispiritual. ([11]) (grifo nosso)

Observa-se, também, uma certa diferença entre o perispírito do encarnado do de um desencarnado, pois, neste as sensações estão localizadas por todo o perispírito e não em órgãos específicos como naquele, embora “estranhamente” sente dor em membros amputados, designados de membros fantasmas.

Daí resulta na possibilidade de que certas funções do perispírito no encarnado se manifestem de forma bem diferente do que no desencarnado, razão pela qual, em alguns casos, não se pode fazer comparações como se fossem exatamente iguais as suas funções, levando-se em conta a questão, por exemplo, de que no encarnado a alma vê pelos olhos físicos, enquanto que na condição de desencarnado, esse sentido se espalha por todo o seu corpo espiritual, ou seja, pelo perispírito. Portanto, não se deve tomar as explicações de maneira generalizada, é necessário que distingamos sobre qual das duas situações se está falando.

Antes de passarmos para a análise dos dois tópicos, vejamos estas falas de Kardec, respectivamente na Revista Espírita 1860 e Revista Espírita 1862, que, num mesmo sentido, trazem algo que merece reflexão de nossa parte:

[…] Na maioria das crenças populares há, quase sempre, um fundo de verdade, embora desnaturada e amplificada. São os acessórios, as falsas aplicações que, a bem dizer, constituem a superstição. […]. ([12])

[…] A lógica sã diz que a adoção de uma ideia, ou de um princípio, pela opinião geral, é uma prova de que ela repousa sobre um fundo de verdade. ([13])

Talvez, não seria também o caso de aplicarmos, o que Kardec diz, a esses dois tópicos que estamos analisando?

Na obra A Reencarnação, Gabriel Delanne (1857-1926), notável pesquisador experimental do Espiritismo, ao tratar das Experiências de Renovações de Memória,  traz a seguinte informação:

[…] Sabemos que a alma humana está associada a uma substância infinitamente sutil, à qual Allan Kardec deu o nome de perispírito. Esse corpo espiritual existe durante a vida e sobrevive à morte. É ele o molde no qual a matéria física se incorpora, ou, mais exatamente, o plano ideal que contém as leis organogênicas do ser humano. O perispírito está ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso; toda sensação, que abala a massa nervosa, desprende essa espécie de energia, à qual se deram os mais diversos nomes: fluido nervoso, fluido magnético, força ectênica, força psíquica, força biológica… Essa energia age sobre o perispírito, para comunicar-lhe o movimento vibratório particular, segundo o território nervoso que foi excitado (vibração visual, auditiva, táctil, muscular, etc.), de maneira que a atenção da alma seja acordada e que se produza o fenômeno da percepção; desde esse momento, essa vibração faz parte, para sempre, do organismo perispiritual, porque, em virtude da lei da conservação da energia, ela é indestrutível. Sem dúvida, poderá desaparecer do campo da consciência, mas, como vimos, persiste inalterada nas profundezas dessa memória latente a que hoje se chama inconsciente. Foram as experiências espíritas que estabeleceram a certeza absoluta desse corpo espiritual, que se torna visível durante o desdobramento do ser humano e que demonstra a sua persistência depois da morte, pelas aparições, e, sobretudo, pelas materializações. ([14]) (grifo nosso)

Sua informação de que o perispírito está ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso, remete-nos aos plexos nervosos, que, como veremos, encontram-se ligados aos chakras.

Em Evolução Anímica, Delanne, faz as seguintes afirmações:

Lembremos ainda uma vez que o sistema nervoso não é senão a com     dição orgânica, terrestres, das ações psíquicas da alma e que, de si mesmo, não é inteligente nem instintivo, visto que, depois de sua destruição, a alma sobrevive, tanto a humana como a animal.

Mas, enquanto subsiste a incorporação, ele é a reprodução material do perispírito e toda alteração grave de sua substância engendra consecutivas desordens nas manifestações do princípio pensante. ([15]) (grifo nosso)

Já dissemos que o perispírito é o molde do corpo. Estudar, pois, as modificações do sistema nervoso valem por estudar o funcionamento do perispírito, do qual esse sistema nervoso mais não é que uma reprodução material. ([16]) (grifo nosso)

É muito sintomática a informação de que o sistema nervoso é a reprodução material do perispírito, pois, como ainda veremos, é exatamente nos plexos nervosos que se localizam os centros energéticos, designados de chakras.

Em Estudos Espíritas, a autora espiritual, Joanna de Ângelis, desenvolve um capítulo ao tema Perispírito, dele destacamos o seguinte trecho: “[…] Também considerado corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura. ([17]) (grifo nosso) O próximo tópico será justamente sobre a aura.

No desenrolar de nossa pesquisa, percebemos que todos os autores que fazem referência a aura, também mencionam os chakras e vice-versa.

Aura

artigo 23

Encontramos no Dicionário Houaiss a definição da aura para a Parapsicologia como sendo: “suposto campo de energia que irradia dos seres vivos”.

Observamos que a grande maioria dos autores que a citam, também fazem referência aos chakras, isso foi algo que notamos em nossa pesquisa.

Ao se pesquisar nas obras da Codificação, é fato que não encontraremos a palavra “aura” mencionada em nenhuma delas. Porém, devemos procurar ver se algo que nos remete a essa ideia pode ser encontrada em alguma das explicações, de forma que não restem dúvidas de que se trata dela.

Na Revista Espírita 1862, mês de dezembro, Kardec publicou o artigo “Estudo sobre os possessos de Morzine”, do qual destacamos o seguinte parágrafo:

Sabemos que os Espíritos estão revestidos de um envoltório vaporoso, formando neles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, cujos elementos são hauridos no fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une ao corpo, nele existe com seu perispírito, que serve de laço entre o Espírito propriamente dito e a matéria corpórea; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. Mas esse perispírito não está confinado no corpo como dentro de uma caixa; pela sua natureza fluídica, irradia ao redor e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se libera. Mas o vapor que se libera de um corpo malsão é igualmente malsão, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas malsãs. Do mesmo modo que esse vapor está impregnado das qualidades do corpo, o perispírito está impregnado das qualidades, quer dizer, do pensamento do Espírito, e faz irradiar essas qualidades em torno do corpo. ([18]) (grifo em itálico do original, em negrito nosso)

Destaca-se a informação de que o perispírito, por não estar confinado no corpo como numa caixa, irradia a seu derredor, formando uma atmosfera, que tem as qualidades do pensamento que emana do Espírito, sejam elas boas ou más. Ora, essa irradiação do perispírito é justamente aquilo que se entende ser a nossa aura.

Na Revista Espírita 1865, mês de outubro, e na Revista Espírita 1867, mês de junho, descobrimos, em trechos de considerações de Kardec, novas referências ao perispírito. Dois deles merecem destaque:

Compreende-se, até um certo ponto, o desenvolvimento da faculdade por um meio material, mas como a imagem de uma pessoa distante pode se apresentar no corpo? ([19]) Só o Espiritismo pode resolver este problema pelo conhecimento que dá da natureza da alma, de suas faculdades, das propriedades de seu envoltório perispiritual, de sua irradiação, de seu poder emancipador e de seu desligamento do envoltório corpóreo. […]. ([20]) (grifo nosso)

Seria errado, pensamos, que se considerasse o sonambulismo e a mediunidade como o produto de dois sentidos diferentes, tendo em vista que não são senão dois efeitos resultantes de uma mesma causa. Essa dupla faculdade é um dos atributos da alma, e tem por órgão o perispírito, cuja irradiação transporta a percepção além dos limites da ação dos sentidos materiais. Propriamente falando, é o sexto sentido, que é designado sob o nome de sentido espiritual. ([21]) (grifo itálico do original, em negrito nosso)

Embora ele tenha utilizado um termo diferente, entendemos que essa irradiação do envoltório perispiritual, ou seja, do perispírito, não é outra coisa senão aquilo que se entende por aura.

Em A Gênese, cap. XIV – Os Fluidos, no item 17, se lê: “[…] Encarnado, o Espírito conserva seu perispírito com as qualidades que lhe são próprias e este, como se sabe, não está circunscrito pelo corpo, mas irradia ao seu redor e o envolve, como uma atmosfera fluídica.” ([22]) (grifo nosso)

Em Obras Póstumas, vê-se uma explicação bem interessante no artigo “Manifestações dos Espíritos”, que vem ao encontro do que estamos falando:

O perispírito não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem dilatar mais ou menos. Daí se segue que pessoas há que, sem estarem em contato corporal, podem achar-se em contato pelos seus perispíritos e permutar a seu mau grado impressões e, algumas vezes, pensamentos, por meio da intuição. ([23]) (grifo nosso)

Confirma-se, portanto, a irradiação do perispírito, que, para nós, como dito, se trata da aura.

Na obra No Invisível, Léon Denis (1846-1927), fala desse tema:

Os eflúvios do corpo humano são luminosos, coloridos de tonalidades diferentes – dizem os sensitivos – que os distinguem na obscuridade. Certos médiuns os veem, mesmo em plena luz, a escapar-se das mãos dos magnetizadores. Analisados ao espectroscópio, a extensão das suas ondas tem sido determinadas segundo cada uma das cores.

Esses eflúvios formam em torno de nós camadas concêntricas que constituem uma espécie de atmosfera fluídica. É a “aura” dos ocultistas, ou fotosfera humana, pela qual se explica o fenômeno da exteriorização da sensibilidade, estabelecidas pelas numerosas experiências do Coronel De Rochas, do Dr. Luys, do Paul Joire, etc. ([24]) ([25]) (grifo nosso)

As considerações de Denis, que se baseiam em informações de sensitivos, possivelmente os que, nos dias de hoje, chamamos de médiuns videntes, são claras em apontar a irradiação do perispírito como sendo a aura.

Sobre o que fala na nota, fomos conferir e encontramos na Revista Espírita 1860, mês de março, o artigo “Estudos sobre o espírito de pessoas vivas”, no qual se narra a experiência, na Sociedade Espírita de Paris, em 03 de fevereiro de 1860, relativa à evocação de Espírito de pessoa viva. No caso em questão foi evocada a alma do Dr. Vignal. Foram-lhe dirigidas várias perguntas, entre elas a de número 15, da qual Denis tirou a informação.

Vemos em algumas descrições de pessoas que têm a capacidade de ver a aura, no estado de vigília, dando-nos conta de que são coloridas, e também os sentimentos da pessoa estão como que “impregnados” nela. Pessoas com raiva, ódio, desejo de vingança, por exemplo, são, facilmente, detectadas por eles, quando veem as suas auras. A bem da verdade, isso não soa bem, parece mesmo ser algo estranho.

Quanto às cores, além do que foi dito por Léon Denis, logo acima, procuramos ver se encontraríamos algo a respeito nas obras da Codificação. Nelas nada vimos; porém, na obra publicada após o desencarne de Kardec, fruto de alguns de seus manuscritos particulares – Obras Póstumas –, apareceu-nos explicações que nos levaram a confirmar isso.

O fluido perispirítico é imponderável, como a luz, a eletricidade e o calórico. É-nos invisível, no nosso estado normal, e somente por seus efeitos se revela.

Torna-se, porém, visível a quem se ache no estado de sonambulismo lúcido e, mesmo, no estado de vigília, às pessoas dotadas de dupla vista. No estado de emissão, ele se apresenta sob a forma de feixes luminosos, muito semelhante à luz elétrica difundida no vácuo. A isso, em suma, se limita a sua analogia com este último fluido, porquanto não produz, pelo menos ostensivamente, nenhum dos fenômenos físicos que conhecemos. No estado ordinário, denota matizes diversos, conforme os indivíduos que o emitem: ora vermelho fraco, ora azulado, ou acinzentado, qual ligeira bruma. As mais das vezes, espalha sobre os corpos circunjacentes uma coloração amarelada, mais ou menos forte. ([26]) (grifo nosso)

Confirma-se, portanto, a sua coloração, e também a irradiação do perispírito provocando uma certa luminosidade, que, um pouco mais à frente, será novamente mencionada:

[…] Cada um de nós tem, pois, o seu fluido próprio, que o envolve e acompanha em todos os movimentos, como a atmosfera acompanha cada planeta. É muito variável a extensão da irradiação dessas atmosferas individuais. Achando-se o Espírito em estado de absoluto repouso, pode essa irradiação ficar circunscrita nos limites de alguns passos; mas, atuando a vontade, pode alcançar distâncias infinitas. A vontade como que dilata o fluido, do mesmo modo que o calor dilata os gases. As diferentes atmosferas individuais se entrecruzam e misturam, sem jamais se confundirem, exatamente como as ondas sonoras que se conservam distintas, a despeito da imensidade de sons que simultaneamente abalam o ar. Pode-se, por conseguinte, dizer que cada indivíduo é centro de uma onda fluídica, cuja extensão se acha em relação com a força da vontade, do mesmo modo que cada ponto vibrante é centro de uma onda sonora, cuja extensão está na razão propulsora do fluido, como o choque é a causa de vibração do ar e propulsora das ondas sonoras. ([27]) (grifo nosso)

Todos nós vivemos como numa redoma luminosa ou envolto num halo, que nada mais é que a nossa aura irradiando luz e cor.

Na obra Correlações Espírito-Matéria, o autor Jorge Andréa, fala de ambos – aura e chakras –, e também informa das cores da aura:

O duplo etérico, em combinação com as irradiações das células físicas, mostram um campo bem específico de energias que ultrapassam a superfície do corpo, conhecido como sendo a aura. A aura seria o resultado da difusão dos campos energéticos que partem do perispírito, envolvendo-se com o duplo etérico e o manancial de irradiações das células físicas. […]. ([28]) (grifo nosso)

Pela maneira que a aura se mostra, com os seus múltiplos aspectos e combinações de cores, já foi motivo de estudos pelos antigos que traduziam na cor escura para o negro, a presenta do ódio e maldade; no castanho e suas nuanças, avareza, ciúme e egoísmo; no vermelho, a ira ao lado da sensualidade; no cinzento, não só o medo, mas, também, o abatimento e a depressão; no rosa estaria a dedicação e o amor; no violeta, o altruísmo com espiritualidade dilatada; e no amarelo, a intelectualidade. ([29]) (grifo nosso)

Quanto aos sentimentos, vamos encontrar em A Gênese, cap. XIV, explicações sobre as qualidades dos fluidos espirituais, das quais transcrevemos estes trechos dos itens 15 e 18, respectivamente:

A ação dos espíritos sobre os fluidos espirituais tem consequências de uma importância direta e capital para os encarnados. Desde o momento em que esses fluidos são o veículo do pensamento, e que o pensamento pode modificar-lhes as propriedades, é evidente que eles devem estar impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que os põem em vibração, modificados pela pureza ou impureza dos sentimentos. Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável. […].  ([30]) (grifo nosso)

Conforme esses fluidos atuam sobre o perispírito, este reage sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. Se os eflúvios forem de boa natureza, o corpo ressente-se de uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa; se são malignas forem permanentes e enérgicas, elas podem determinar desordens físicas. Certas doenças não têm outra causa.

Os meios onde predominam os maus Espíritos estão impregnados de maus fluidos, que são absorvidos por todos os poros perispirituais, como se absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilentos. ([31]) (grifo nosso)

Diante de tão claras explicações não podemos deixar de levá-las em consideração para aceitar, de forma pacífica, a realidade da repercussão dos sentimentos na aura, influenciando-a positiva ou negativamente, o que, se não estivermos enganados, significa dizer que influenciam de alguma forma o nosso perispírito.

O que seriam propriamente esses “poros perispirituais” que absorvem os fluidos? Poderíamos pensar que pode ser os centros de força (centros vitais), ou estaríamos indo longe demais?

Temos na Revista Espírita 1867 algo que corrobora isso:

[…] Segundo os pensamentos que dominam num encarnado, ele irradia raios impregnados desses mesmos pensamentos que os viciam ou os saneiam, fluidos realmente materiais, embora impalpáveis, invisíveis para os olhos do corpo, mas perceptíveis para os sentidos perispirituais, e visíveis para os olhos da alma, uma vez que impressionam fisicamente e tomam aparências muito diferentes para aqueles que estão dotados de visão espiritual. ([32]) (grifo nosso)

Confirma-se que a irradiação vem impregnada dos pensamentos e, além disso, que podem ser vistos pelos que são dotados de vidência, ou por médiuns sonambúlicos.

Chakras

Recorremos a dois dicionários para vermos qual é a definição desse termo:

Chacras locais

Dicionário Houaiss s.m. fil rel em certas formas de hinduísmo e no budismocada um dos centros de acumulação de energia espiritual distribuídos pelo corpo; xacra [Os chacras principais, situados ao longo do eixo vertical que perpassa o centro do corpo, são em número de sete para a ioga e o tantrismo, e quatro para o budismo; são supostamente ativados através de meditação, ássanas, recitação de mantras etc.]. ¤ etim sânsc. chakra ‘roda, círculo’ ([33]) (grifo nosso)

Dicionário Michaelis: s.m. FILOS, REL Cada um dos centros energéticos distribuídos pelo corpo, que captam e distribuem energia. O número de chacras varia de acordo com a linha filosófica ou religiosa, mas existem sete chacras considerados principais: três inferiores (básico, umbilical e plexo solar), assim chamados por estarem localizados abaixo do chacra cardíaco; três superiores (laríngeo, frontal e coronário), por estarem localizados acima do coração; e o central (chacra cardíaco), que representa o ponto de encontro das energias espiritual e material. ([34]) (grifo nosso)

artigo 1

Será que os lexicógrafos têm os chakras como certos, já que não utilizaram a palavra “supostamente”, como, geralmente, se faz com coisas ligadas somente às crenças?

Essa ligação dos chakras com o Hinduísmo ([35]) e Budismo ([36]), citada na definição, pode bem ser o motivo pelo qual alguns confrades não os querem relacionados com o Espiritismo. Aliás, segundo estudiosos do movimento espírita, o termo mais apropriado para uso de seus adeptos seria: centros vitais ou centros vitais perispirituais.

O rev. C. W. Leadbeater (1847-1934), que foi sacerdote da Igreja Anglicana e Bispo da Igreja Católica Liberal, escritor, orador, maçom e uma das mais influentes personalidades da Sociedade Teosófica, em sua obra Os Chakras, no cap. I – Centros de Força, inicia dizendo que “A palavra chakra é sânscrita, e significa roda. […].” ([37]) Um pouco mais à frente, no tópico “Os Centros”, esclarece-os com mais detalhes:

Os chakras, ou centros de força, são pontos de conexão ou enlace pelos quais flui a energia de um a outro veículo ou corpo do homem. Quem quer que possua um ligeiro grau de clarividência, pode vê-los facilmente no duplo etérico, em cuja superfície aparecem sob forma de depressões semelhantes a pratinhos ou vórtices. Quando já totalmente desenvolvidos, assemelham-se a círculos de uns cinco centímetros de diâmetro, que brilham mortiçamente no homem vulgar, mas que, ao se excitarem vividamente, aumentam de tamanho e se veem como refulgentes e coruscantes torvelinhos à maneira de diminutos sóis. Às vezes falamos destes centros como se toscamente se correspondessem com determinados órgãos físicos; mas em realidade estão na superfície do duplo etérico, que se projeta ligeiramente mais além do corpo denso. ([38]) (grifo nosso)

Um tipo de conhecimento como o dos chakras, certamente, que não caiu de paraquedas e muito menos é fruto de imaginação de algum “revelador”, mas algo mais concreto. Sim, os videntes da antiguidade foram, provavelmente, os que deram as primeiras notícias deles. E, entendemos, que esse conhecimento sobrevivendo até os nossos dias lhe dá um certo caráter de coisa séria e, talvez, real, vamos assim dizer.

Há detalhes em textos que lemos e não nos chamam nenhuma atenção, porém um amigo postou uma fala de Kardec, constante do artigo “História do maravilhoso” publicado na Revista Espírita 1860, mês de dezembro, ao se referir à obra Historie du merveilleux, do sr. Louis Figuier, que achei fantástica para o nosso estudo, porque também demonstra um Kardec livre de preconceitos em relação a outros conhecimentos:

[…] Nós o lemos com cuidado, e o que dele ressalta mais claro para nós, é que o autor tratou de uma questão que ele não conhecia de modo nenhum; para isso não queremos outra prova senão as duas primeiras linhas assim concebidas: Antes de abordar a história das mesas girantes e dos médiuns, cujas manifestações são todas modernas, etc. Como o Sr. Figuier não sabe que Tertuliano fala em termos explícitos das mesas girantes e falantes; que os Chineses conhecem esse fenômeno de tempos imemoriais; que é praticada entre os Tártaros e os Siberianos; que há médiuns entre os Tibetanos; que os havia entre os Assírios, os Gregos e os Egípcios; que todos os princípios fundamentais do Espiritismo se encontram nos filósofos sânscritos? É falso, pois, avançar que essas manifestações são todas modernas; os modernos nada inventaram a esse respeito, e os Espíritas se apoiam sobre a antiguidade e a universalidade de sua doutrina, o que o Sr. Figuier deveria saber antes de ter a pretensão de fazer-lhe um tratado ex professo. Sua obra não teve menos as honras da imprensa, que se apressou em render homenagem a esse campeão das ideias materialistas. ([39]) (grifo em itálico do original, negrito nosso)

Pela importância ao nosso estudo, ressaltaremos estes dois trechos, pois, a nosso ver, são falas que merecem sérias reflexões da parte de todos nós: “que todos os princípios fundamentais do Espiritismo se encontram nos filósofos sânscritos”.

Ora, não poderíamos aí incluir os chakras, apesar deles, expressamente, não terem sido desenvolvidos na Codificação? Ademais, se “os Espíritas se apoiam sobre a antiguidade […] de sua doutrina”, não se poderia aceitar os chakras também pela sua antiguidade, levando-se em conta, como dito, não caiu do céu? Pode-se alegar que a antiguidade de um conhecimento não prova que ele seja verdadeiro, sim, porém, que a ciência venha demonstrar que é pura crença e não simplesmente descartar sem apresentar as devidas provas. Por outro lado, há um paradoxo, pois não podemos tomar a própria ciência para dizer que uma coisa existe ou não, haja vista que nós acreditamos que somos um espírito, sobrevivemos à morte física e, do além podemos nos comunicar com os que ainda se encontram presos à carne, porém, nada disso foi provado pela ciência.

A nosso ver, são mais fáceis de identificar na Codificação do que a aura. Vejamos essas duas questões de O Livro dos Espíritos:

  1. Que se deve pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos e presidindo assim a cada uma das funções do corpo?

“Ainda isto depende do sentido que se empreste a palavra alma. Se se entende por alma o fluido vital, essa teoria tem razão de ser; se se entende por alma o Espirito encarnado, é errônea. Já dissemos que o Espirito é indivisível. Ele imprime movimento aos órgãos, servindo-se do fluido intermediário, sem que para isso se dívida.”

  1. a) Entretanto, alguns Espíritos deram essa definição.

“Os Espíritos ignorantes podem tomar o efeito pela causa.”

A alma atua por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital, que por eles se reparte, existindo em maior abundância nos que são centros ou focos de movimento. Esta explicação, porém, não procede, desde que se considere a alma o Espírito que habita o corpo durante a vida e o deixa por ocasião da morte.

  1. A alma tem, no corpo, sede determinada e circunscrita?

“Não; porém, nos grandes gênios, em todos os que pensam muito, ela reside mais particularmente na cabeça, ao passo que ocupa principalmente o coração naqueles que muito sentem e cujas ações têm todas por objeto a Humanidade.”

  1. a) Que se deve pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital?

“Quer isso dizer que o Espírito habita de preferência essa parte do vosso organismo, por ser aí o ponto de convergência de todas as sensações. Os que a situam no que consideram o centro da vitalidade, esses a confundem com o fluido ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.” (([40]) (grifo nosso)

Embora não encontremos nas obras da Codificação a especificação dos Centros Vitais, entendemos que, s.m.j., não há como negar a referência a eles tomando-se, por exemplo, como dito acima, de “são centros ou focos de movimento”, que julgamos se tratar dos plexos nervosos. Temos ainda, na questão 146-a, a expressão “centro vital” nominalmente citada por Kardec.

No site Centro Espírita Assistencial Maria de Nazaré – Taubaté, SP, descobrimos que a expressão “o centro da vitalidade”, corresponde ao chakra esplênico. ([41])

Em O Livro dos Espíritos, no item 455, Kardec apresenta um “Resumo teórico do sonambulismo, do êxtase e da segunda vista” ([42]), do qual destacamos:

chacras regioes

A vista da alma ou do Espírito não é circunscrita e não tem sede determinada, razão por que os sonâmbulos não lhe podem assinalar um órgão especial. Veem porque veem, sem saberem o motivo nem o modo, já que, na condição de Espíritos, a vista carece de foco próprio. Se se reportam ao corpo, esse foco lhes parece estar nos centros em que a atividade vital, é maior, principalmente no cérebro, na região do epigástrica, ou no órgão que considerem o ponto de ligação mais forte entre o Espírito e o corpo. ([43]) (grifo nosso)

Entendemos como centros com atividade vital, a designação dos chakras como centros vitais, pelo menos dois são mencionados: o localizado no cérebro (frontal) e o na região epigástrica (esplênico).

Aliás, se sensitivos, conforme afirmara Léon Denis, podiam ver que “Os eflúvios do corpo humano são luminosos, coloridos de tonalidades diferentes” ([44]), por que motivo também não poderiam ver os centros vitais ou chakras? Quem sabe se aqui não temos uma ótima sugestão de tema para se desenvolver uma pesquisa?

Em André Luiz, especialmente, nas obras Evolução em dois mundos, capítulo “Corpo Humano” ([45]) e Entre a Terra e o Céu, capítulo XX “Conflitos da alma” ([46]), temos a especificação dos Centros Vitais ou Centros de Força. Vejamos:

CENTROS VITAIS – Estudado no plano em que nos encontramos, na posição de criaturas desencarnadas, o corpo espiritual ou psicossoma é, assim, o veículo físico, relativamente definido pela ciência humana, com os centros vitais que essa mesma ciência, por enquanto, não pode perquirir e reconhecer.

Nele possuímos todo o equipamento de recursos automáticos que governam os bilhões de entidades microscópicas a serviço da Inteligência, nos círculos de ação em que nos demoramos, recursos esses adquiridos vagarosamente pelo ser, em milênios e milênios de esforço e recapitulação, nos múltiplos setores da evolução anímica.

É assim que, regendo a atividade funcional dos órgãos relacionados pela fisiologia terrena, nele identificamos o centro coronário, instalado na região central do cérebro, sede da mente, centro que assimila os estímulos do Plano Superior e orienta a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada, nas cintas de aprendizado que lhe corresponde no abrigo planetário. O centro coronário supervisiona, ainda, os outros centros vitais que lhe obedecem ao impulso, procedente do Espírito, assim como as peças secundinas de uma usina respondem ao comando da peça-motor de que se serve o tirocínio do homem para concatená-las e dirigi-las.

Desses centros secundários, entrelaçados no psicossoma e, consequentemente, no corpo físico, por redes plexiformes, destacamos o centro cerebral contíguo ao coronário, com influência decisiva sobre os demais, governando o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endocrínicas e administrando o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação, atividade e mecanismo, desde os neurônios sensitivos até as células efetoras; o centro laríngeo, controlando notadamente a respiração e a fonação; o centro cardíaco, dirigindo a emotividade e a circulação das forças de base; o centro esplênico, determinando todas as atividades em que se exprime o sistema hemático, dentro das variações de meio e volume sanguíneo; o centro gástrico, responsabilizando-se pela digestão e absorção dos alimentos densos ou menos densos que, de qualquer modo, representam concentrados fluídicos penetrando-nos a organização, e o centro genésico, guiando a modelagem de novas formas entre os homens ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas. ([47]) (grifo nosso)

Como não desconhecem, o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado. Nossa posição mental determina o peso específico do nosso envoltório espiritual e, consequentemente, o “habitat” que lhe compete. Mero problema de padrão vibratório. […] Quanto mais nos avizinhamos da esfera animal, maior é a condensação obscurecente de nossa organização, e quanto mais nos elevamos, ao preço de esforço próprio, no rumo das gloriosas construções do espírito, maior é a sutileza de nosso  envoltório, que passa a combinar-se facilmente com a beleza, com a harmonia e com a luz reinantes na Criação Divina.

[…] Tal seja a viciação do pensamento, tal será a desarmonia no centro de força, que reage em nosso corpo a essa ou àquela classe de influxos mentais. Apliquemos à nossa aula rápida, tanto quanto nos seja possível, a terminologia trazida do mundo, para que vocês consigam fixar com mais segurança os nossos apontamentos. Analisando a fisiologia do perispírito, classifiquemos os seus centros de força, aproveitando a lembrança das regiões mais importantes do corpo terrestre. Temos, assim, por expressão máxima do veículo que nos serve presentemente, o “centro coronário” que, na Terra, é considerado pela filosofia hindu como sendo o lótus de mil pétalas, por ser o mais significativo em razão do seu alto potencial de radiações, de vez que nele assenta a ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. […] Logo após, anotamos o “centro cerebral”, contíguo ao “centro coronário”, que ordena as percepções de variada espécie, percepções essas que, na vestimenta carnal, constituem a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito à palavra, à cultura, à arte, ao saber. É no “centro cerebral” que possuímos o comando do núcleo endocrínico, referente aos poderes psíquicos.

Em seguida, temos o “centro laríngeo”, que preside aos fenômenos vocais, inclusive às atividades do timo, da tireoide e das paratireoides. Logo após, identificamos o “centro cardíaco”, que sustenta os serviços da emoção e do equilíbrio geral. Prosseguindo em nossas observações, assinalamos o “centro esplênico” que, no corpo denso, está sediado no baço, regulando a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os escaninhos do veículo de que nos servimos. Continuando, identificamos o “centro gástrico”, que se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluidos em nossa organização e, por fim, temos o “centro genésico”, em que se localiza o santuário do sexo, como templo modelador de formas e estímulos. ([48]) (grifo nosso)

Portanto, conforme essas duas obras, são em número de sete os centros vitais, que se conjugam nas ramificações dos plexos nervosos.

Vejamos, por curiosidade, as colocações de José Herculano Pires (1914-1979) e a resposta de Chico Xavier (1910-2002) que lhe deu com relação à psicografia da primeira obra citada. De Pinga-fogo com Chico Xavier, tomamos este registro de Saulo Gomes:

HERCULANO PIRES: Chico, eu me lembro, entre as suas obras, de algumas obras de psicografia que são bastante importantes do ponto de vista doutrinário para o espiritismo. Por exemplo, Evolução em dois mundos. Eu me lembro que esse livro foi escrito psicograficamente por você e pelo Dr. Waldo Vieira. Na ocasião, você morava, se não me engano, em Pedro Leopoldo, e o Dr. Waldo Vieira, em Uberaba. Os capítulos foram dados a vocês dois pelo mesmo autor espiritual, que é André Luiz, sendo que você não sabia qual era o capítulo que o Waldo havia recebido, e vice-versa. Bom, eu gostaria que você disse alguma coisa sobre isso.

Mas queria lembrar também Mecanismos da mediunidade, que me parece um livro dotado de tanta informação científica atual, dos nossos tempos, e relacionando todas as conquistas da técnica atual com os problemas mediúnicos, que eu creio que você nunca teve oportunidade de obter conhecimentos pessoalmente a respeito desses dois assuntos.

Eu gostaria que você nos dissesse alguma coisa sobre esses dois livros:

CHICO XAVIER: O que eu posso dizer é que tenho a maior dificuldade para compreender esses dois livros, porque eles são baseados numa linguagem quase que inacessível à minha capacidade de entendimento, porque eles foram recebidos nas condições em que o nosso caro amigo, professor Herculano Pires, menciona. É o caso de mediunidade psicográfica.

Eu não posso emitir juízo algum, porque o livro é mais para técnicos, em matéria de evolução e em matéria de comunicações, neste mundo mesmo. Não posso emitir julgamento nenhum, porque não estou à altura, para isso eu precisaria ter de mim mesmo uma diplomação acadêmica para que o Espírito de Emmanuel encontrasse em mim recursos. ([49]) (grifo nosso)

É bem interessante a forma pela qual Herculano Pires inicia a sua fala, dizendo a Chico Xavier que “entre as suas obras, de algumas obras de psicografia que são bastante importantes do ponto de vista doutrinário para o espiritismo”. Ora, a nosso ver, isso, claramente, demonstra o valor que ele dava às duas obras que menciona, não fazendo nenhuma objeção ao conteúdo delas do ponto de vista doutrinário.

Ao que nos parece, na psicografia de Evolução em Dois Mundos, foi utilizada a “correspondência cruzada”, pois somente com os textos recebidos pelos dois médiuns de localidades diferentes pode-se ter a obra por inteiro.

No cap. XIV – Os três corpos do homem, constante de Curso Dinâmico de Espiritismo, Herculano Pires, oferece-nos a seguinte explicação sobre aquele que aqui estamos tratando:

O perispírito, corpo espiritual ou corpo bioplásmico possui, em sua estrutura extremamente dinâmica, os centros de força que organiza o corpo material. É o modelo energético previsto com grande antecedência por Claude Bernard. Os pesquisadores russos compararam esse corpo, visto através das câmaras Kirlian de fotografia paranormal, em conjugação com telescópio eletrônico de alta potência, a um pedaço de céu intensamente estrelado. Esse é o corpo da ressurreição espiritual do homem, dotado de todos os recursos necessários para a vida após a morte. Esse corpo de plasma físico e plasma espiritual vai perdendo seus elementos materiais na vida espiritual, na proporção exata da evolução do espírito. […] O elemento mais importante e vital do ectoplasma é a energia espiritual, que não permanece nas porções colhidas pelos pesquisadores. Nesse corpo, segundo os pesquisadores russos, as condições de doença e saúde e a previsão de doenças nas plantas, nos animais e no homem são feitas com grande precisão através das variações de cores do plasma e um sistema de sinais coloridos ainda em estudo. ([50])

Portanto, Herculano Pires, “o melhor metro que mediu Kardec”, é um dos que também pacificamente aceita a existência dos centros de força ou centros vitais, sem mencionar nenhuma obra da série André Luiz. O que ainda se pode corroborar com esta outra fala, tomada do seu livro Educação para a Morte:

[…] A formação total do organismo é dirigida pelo corpo bioplásmico, provado e pesquisado pelos cientistas soviéticos da Universidade de Kirov, mas os centros energéticos desse corpo se distribuem em subcentros locais que operam no processo genésico de acordo com as funções específicas dos órgãos. Por outro lado, as pesquisas parapsicológicas revelaram a poderosa influência da mente – já há muito aceita pelo povo e suspeitada por diversos especialistas – na formação e desenvolvimento dos organismos humanos. ([51]) (grifo nosso)

Aqui, Herculano Pires, amplia os centros de força, noticiando a existência dos “secundários”, após mencionar os principais, que julgamos serem os sete: 1) coronário, 2) frontal, 3) laríngeo, 4) cardíaco, 5) plexo solar ou gástrico, 6) genésico ou sexual e 7) raiz ou fundamental, utilizando-nos das denominações apresentadas pelo amigo prof. Paulo Cesar Pfaltzgraff Ferreira, mestre em Reiki.

Gabriel Dellane, como vimos, disse que durante a encarnação, o sistema nervoso torna-se a reprodução material do perispírito, com isso podemos ver que a relação deles com os plexos nervosos têm algum sentido.

O escritor Jorge Andréa, presidente de honra do Instituto de Cultura Espírita do Brasil – ICEB ([52]), reforçou-nos essa ideia, pois, em Correlações Espírito-Matéria, sem citar André Luiz, esclarece que:

Carrega o perispírito, em sua estrutura, um componente de centros de força bem específicos, conhecidos como centros-vitais, e descrito pelos antigos, através da teosofia, como chacras. Segundo informações espirituais, existem sete centros principais, salientando-se o centro-coronário, correspondendo ao alto da cabeça, como orientador dos demais, numa verdadeira cadeia de funcionalidade, influenciando as zonas físicas que lhes correspondem. Assim, segue-se o centro-cerebral, ao lado do coronário, o centro-larígeo na altura do pescoço, o centro-cardíaco correspondendo a região do coração, o centro-esplênico na altura do baço, o centro-gástrico na região estomacal e o centro-genésico em correspondência aos órgãos sexuais. Todos esses centros, pelas suas características de impulsão, organização e direção de trabalho podem exteriorizar-se, contrair-se e expandir-se, a fim de absorverem ou emitirem energias com variada finalidade. A sua precípua função seria a de canalizar as energias do espírito, após adaptação vibratória, nos campos materiais. Os campos da matéria que melhor se identificam com os chacras são os plexos nervosos do sistema neurovegetativo, por onde as sugestões espirituais seriam feitas sem interferência da vontade consciente do sistema nervoso cérebro-espinhal ([53]) (grifo nosso)

Portanto, temos aí, com Jorge Andréa, a relação íntima do chakras com os plexos nervosos.

Da mesma forma, vamos também encontrar em Técnica da Mediunidade, o ex-padre Carlos T. Pastorino (1931-2015), que foi um estudioso da fenomenologia mediúnica, argumentando, entre outras coisas, isto sobre os chakras:

Correspondendo aos locais dos plexos, no físico, o corpo astral possui “turbilhões” ou “motos vorticosos”, que servem de ligação e captação das vibrações e dos elementos fluídicos do plano astral – que nos envolve externamente, passando tudo à parte astral solidificada em nosso corpo – os nervos.

O conglomerado dos nervos no físico produz os plexos que ativam e sustentam esses vórtices com mais intensidade, ao passo que no resto do corpo, onde os nervos correm sem formar esses nós, aparece apenas no astral a aura simples. Essa aura, ao chegar à altura dos plexos nervosos, gira com intensidade, estabelecendo verdadeiros canais de sucção ou de expulsão (redemoinhos).

Tal como exaustores ou ventiladores, que giram quando passa por eles o ar, ou que giram por efeito de um motor, movimentando o ar, assim essas “rodas” (chakras em sânscrito) giram ao dar passagem à matéria astral, de dentro para fora ou de fora para dentro. São chamados rodas porque têm a aparência de pequeno exaustor ou ventilador, com suas pás (denominadas “pétalas”), que giram incessantemente quase, já que é constante a “corrente de ar” que por elas passa ([54]). ([55]) (grifo nosso)

Em Bibliografia, Pastorino informa haver estudado “[…] as obras de Kardec e de outros espíritas e espiritualistas, sobretudo as recebidas por Francisco Cândido Xavier (mormente ‘Mecanismos da Mediunidade’ e ‘Evolução em Dois Mundos’).” ([56])

No capítulo 6 – Os Centros Vitais, da obra O Cure-se e Cure pelos Passes, o estudioso Jacob Melo também relaciona os Centros de Força com os plexos nervosos. ([57])

Em Depois da Morte, Léon Denis esclarece que: “É pelas correntes magnéticas que o perispírito se comunica com a alma. É pelos fluídos nervosos que ele está ligado ao corpo. […].” ([59]) (grifo nosso)

Autora espiritual Joanna de Ângelis, através do médium baiano Divaldo Pereira Franco, além de mencionar a aura também fala dos chakras ([60]) ou Centros Vitais, conforme se comprova na obra Estudos Espíritas, capítulo 4, “Perispírito” ([61]), cuja lista desses vórtices energéticos confere exatamente com a mencionada por André Luiz. Fechando o capítulo, temos duas transcrições de obras da Codificação, destacamos esta: “‘[…] Somente faremos notar que no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.’ (O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 54).”

Em Diretrizes de Segurança, o médium José Raul Teixeira à pergunta “Qual o papel dos centros vitais no intercâmbio mediúnico?” responde o seguinte:

Encontramos os centros vitais como sendo representações do corpo psicossomático ou perispírito, correspondendo aos plexos no corpo físico. São verdadeiras subestações energéticas.

À proporção que encontramos no mapa fisiológico do indivíduo os diversos entroncamentos nervosos, de vasos, de veias, temos aí um foco de expansão de energia.

O nosso centro coronário, que é a porta que se abre para o cosmo, é a “esponja” que absorve o influxo de energia e o distribui para o centro cerebral, para o centro laríngeo, e, respectivamente, para outros centros que se distribuem com maior ou menor intensidade, através do corpo.

Sabemos que tais energias, antes de atingir o corpo físico, abrigam-se no corpo espiritual. Do mesmo modo como se tivéssemos uma grande cisterna de água abastecendo uma cidade, tendo em cada residência a nossa particular, verificamos no organismo a grande “cisterna” que absorve as energias de maior vulto, que é o citado centro coronário, e as pequenas “cisternas” que vão atendendo às outras regiões: […].

Esses centros espalhados são tidos como os mais importantes, mas, ao longo do corpo, temos vários outros centros por onde as energias penetram ou por onde elas são emitidas.

Dessa forma, os centros de força são distribuidores de energia ao longo do corpo psicossomático que têm a função de atender ao corpo somático.

Identificamos a correspondência das veias, das artérias e dos vasos no corpo físico com as “linhas de força” do corpo perispiritual.

Eis porque, quando recebemos o passe, imediatamente, sentimos bem-estar, nos sentimos envolvidos numa onda de leveza que normalmente provoca-nos emoção. Porque as energias penetram o centro coronário e são distribuídas por essas “linhas de força”, à semelhança de qualquer medicamento, elas vão atingir as áreas carentes.

Se estivermos com uma problemática cardíaca, por exemplo, não haverá necessidade de aplicarmos as energias sobre o músculo cardíaco, porque em penetrando nossa intimidade energética, aquele centro lesado vai absorver a quantidade, a parcela de recursos fluídicos de que necessita.

Do mesmo modo, se temos uma dor na ponta do pé e tomamos um analgésico, que vai para o estômago, a dor na ponta do pé logo passa. Então, o nosso cosmo energético está, como diz a Doutrina Espírita, ligado célula por célula ao nosso corpo somático.

Por isso, os centros de força do perispírito têm seus correspondentes materiais nos plexos do corpo carnal, ou, diríamos de melhor maneira, os plexos do corpo carnal são representantes materiais, são a expressão materializada dos fulcros energéticos ou dos centros de força, ou, ainda, dos centros vitais do nosso perispírito. ([62]) (grifo nosso)

O que consta neste último parágrafo parece que há perfeita correlação com o que vimos da opinião de Gabriel Delanne.

Citaremos também a obra Mãos de Luz, como mais uma obra que aborda tanto a aura quanto os chakras ([63]), aliás, observamos que sempre os dois são mencionados, pela ligação íntima entre eles.

Estamos mencionando essa obra pela qualificação da autora Barbara Brennan: “cientista, foi pesquisadora da NASA no Centro de Voo Espacial de Goddard logo após completar seu Mestrado de Ciência em Física Atmosférica na Universidade de Wisconsin. Nos últimos quinze anos vem estudando o campo da energia humana e trabalhando com ele, e envolveu-se em projetos de pesquisa da Drexel University e do Institute for the New Age.” ([64])

Em resumo, temos:

Os Chakras: alguns autores e obras que os mencionam

Autores com transcrições

1 – Espirituais

André Luiz, Evolução em Dois Mundos e Entre a Terra e o Céu

Joanna de Ângelis, Estudos Espíritas

2 – Estudiosos da atualidade

Carlos T. Pastorino, Técnica da Mediunidade

José Herculano Pires, Curso Dinâmico de Espiritismo e Educação para a Morte

Jacob Melo, Cure-se e Cure pelos Passes

Jorge Andréa, Correlações Espírito-Matéria

José Raul Teixeira, Diretrizes de Segurança

Outros autores que os citam, mas dos quais nada foi transcrito

Astolfo Olegário de Oliveira Filho, Seminário “Passes e Passistas”

Carlos Bernardo Loureiro, Perispírito: natureza, funções e propriedades

Durval Chiamponi, Perispírito e Corpo Mental

FEB – Estudo e Prática da Mediunidade – Programa I

João Sérgio Sell, Perispírito

José Náufel, Do ABC ao infinito, Vol. 4

Luiz Gonzaga Pinheiro, O perispírito e suas modelações

Salvador Gentile, O passe magnético: seus fundamentos e sua aplicação

Zalmiro Zimmermann, Perispírito e Teoria da Mediunidade

O certo é que alguns veem coisas onde elas não existem, enquanto outros não veem onde elas existem, daí resulta a polêmica, que, talvez, só o tempo poderá resolver.

É visível que os chakras foram considerados como ponto doutrinário por estudiosos dos primórdios da Codificação e vários outros da atualidade, temos aqui, nesse estudo, apenas duas fontes espirituais, isso é fato. Uma delas, Joanna de Ângelis, em Estudos Espíritas, faz uma colocação bem interessante ao se referir ao Perispírito, diz que:

Desde épocas imemoriais, a filosofia hindu, estudando as suas manifestações no ser reencarnado, relacionou-o com os chakras ([65]) ou centros vitais que se encontram em perfeito comando dos órgãos fundamentais da vida, espalhados pela fisiologia somática, […]. ([66]) (grifo nosso)

Então, temos uma questão a ser resolvida: o que disseram estes dois autores – André Luiz e Joanna de Ângelis – é nova revelação, que necessita passar pelo CUEE, ou trata-se simplesmente de detalhamento de algo não objetivamente abordado na Codificação, mas consta nas entrelinhas…

Abstraindo-se da hipótese de estar na Codificação, como acreditamos que está, julgamos que para se afirmar categoricamente que não é ponto doutrinário, ter-se-á que consultar, em várias fontes mediúnicas da literatura espírita mundial, para se dizer que passou ou não pelo CUEE.

Conclusão

Diante de tudo isso que encontramos, entendemos que, s.m.j., tanto a aura como os chakras (Centros Vitais) são abordados nas obras da Codificação, ainda que sob outras denominações, razão pela qual passamos a aceitá-los como pontos doutrinários.

Claro que, por questão moral, respeitaremos todos aqueles que não comungarem de nossa conclusão, já que estimaríamos que também respeitassem a nossa opinião, que é a de uma pessoa que quer respaldar seus estudos em bases doutrinárias coerentes, procurando, na medida do possível, deixar de lado eventuais “achismos”.

E, finalizamos, com esta frase de Matthieu Tubino (2005): “[…] no que se refere às teorizações ou hipóteses, deve-se ter o cuidado para não tomá-las como afirmações, pois, dependem muito de opiniões próprias de quem teoriza.” Não garantimos que não tenhamos sido vítima de nossas próprias opiniões.

Mesmo que estejamos equivocados em nossa forma de pensar, tendo-os como possível ponto doutrinário, o fato de estarmos alinhados com o pensamento de destacados estudiosos, já consideramos isso um lucro.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Revisor: Hugo Alvarenga Novaes

Nota explicativa:

Observações do Prof. Paulo Cesar Pfaltzgraff Ferreira, estudioso do tema, a respeito de:

1) Definição – O Chakra do Baço não está situado ao longo do eixo vertical que perpassa o centro do corpo, logo a definição do dicionário fica em contraposição ao fato de colocar o Chakra do Baço como sendo um dos sete principais, fazendo com que o leitor fique confuso.

Na verdade, a palavra no singular é āsana (devanāgarī: आसन; pronúncia: aassana; tradução:

postura, acento) → plural: āsanāni (devanāgarī: आसनानि; pronúncia: aassanaani). O plural “āsanas” é “aportuguesado”.

2) Imagem: – Na figura estamos com 8 chakras principais e creio que seria interessante observar que algumas tradições, conforme a indiana, não incluem o Chakra Esplênico ou do (faltou este “do” na figura) Baço como sendo um dos sete principais, mas incluem o Chakra Genésico ou Sexual. Os teosofistas, seguindo o modelo proposto por Charles Webster Leadbeater, não incluem o Chakra Genésico ou Sexual, porém, incluem o Chakra Esplênico ou do Baço.

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Este artigo foi publicado:

– revista Espiritismo – o Grande Consolador nº 7, São Paulo: Mythos Editora, jan/2015, p. 36-42 (versão original).

[1]    Optamos por essa grafia, embora, nos Dicionários Houaiss e Michaelis, lemos chacra.

[2]    KARDEC, Revista Espírita 1866, p. 223.

[3]    KARDEC, Revista Espírita 1866, p. 72.

[4]    KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 18.

[5]    KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 189.

[6]    KARDEC, O Livro dos Médiuns, p. 63.

[7]    KARDEC, Revista Espírita 1863, p. 1.

[8]    KARDEC, Revista Espírita 1863, p. 234.

[9]    SANTOS, Lastro Espiritual nos Fatos Científicos, p. 49.

[10]  KARDEC, Obras Póstumas, 50.

[11]  KARDEC, A Gênese, p. 295.

[12]  KARDEC, Revista Espírita 1860, p. 155.

[13]  KARDEC, Revista Espírita 1862, p. 43.

[14]  DELANNE, A reencarnação, p. 144-145.

[15]  DELANNE, Evolução Anímica, p. 112.

[16]  DELANNE, Evolução Anímica, p. 124.

[17]  FRANCO, Estudos Espíritas, p. 39.

[18]  KARDEC, Revista Espírita 1862, p. 355.

[19]  Kardec comenta o caso de um camponês do cantão de Berna que tinha a faculdade de ver, num copo de vidro, as coisas distantes. (KARDEC, Revista Espírita 1865. p. 289)

[20]  KARDEC, Revista Espírita 1865, p. 295.

[21]  KARDEC, Revista Espírita 1867, p. 172.

[22]  KARDEC, A Gênese, p. 292.

[23]  KARDEC, Obras Póstumas, p. 50.

[24]  Nota da transcrição: […] Já desde 1860 (“Revue Spirite”, pág. 81), Allan Kardec afirmava, de acordo com as revelações do Espirito do Dr. Vignal, que os corpos emitem vibrações luminosas, invisíveis aos sentidos materiais, o que mais tarde a Ciência confirmou. O Espiritismo tem, pois, o mérito de haver, em primeiro lugar, sobre esse como sobre tantos outros pontos, apresentado teorias físicas que a Ciência não admitiu senão trinta anos depois, sob a reiterada pressão dos fatos.

[25]  DENIS, No Invisível, p. 177.

[26]  KARDEC, Obras Póstumas, p. 121-122.

[27]  KARDEC, Obras Póstumas, p. 123.

[28]  SANTOS, Correlações Espírito-Matéria, p. 26.

[29]  SANTOS, Correlações Espírito-Matéria, p. 26-27.

[30]  KARDEC, A Gênese, p. 291.

[31]  KARDEC, A Gênese, p. 325-326.

[32]  KARDEC, Revista Espírita 1867, p. 130-131.

[33]  Ver nota explicativa no final deste artigo.

[34]  MICHAELIS ON-LINE: https://michaelis.uol.com.br/palavra/ZojK/chacra-2/.

[35]  Principal religião da Índia, o Hinduísmo é um tipo de união de crenças com estilos de vida. Sua cultura religiosa é a união de tradições étnicas. Atualmente é a terceira maior religião do mundo em número de seguidores. Tem origem em aproximadamente 3.000 a.C. na antiga cultura Védica. (https://suapesquisa.com/religiaosociais/hinduismo.htm)

[36]  O budismo não é só uma religião, mas também um sistema ético e filosófico, originário da região da Índia. Foi criado por Sidarta Gautama (563? – 483 a.C.?), também conhecido como Buda. Este criou o budismo por volta do século VI a.C. Ele é considerado pelos seguidores da religião como sendo um guia espiritual e não um deus. Desta forma, os seguidores podem seguir normalmente outras religiões e não apenas o budismo. § O início do budismo está ligado ao hinduísmo, religião na qual Buda é considerado a encarnação ou avatar de Vishnu. (https://www.suapesquisa.com/budismo/)

[37]  LEADBEATER, Os Chakras, p. 17.

[38]  LEADBEATER, Os Chakras, p. 19-20.

[39]  KARDEC, Revista Espírita 1860, p. 369.

[40]  KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 127-129.

[41]  Passe direcionado no Centro de Força (PDCF), artigo disponível em: http://ceamariadenazaretaubate-sp.blogspot.com.br/2015/05/passe-direcionado-no-centro-de-forca_16.html,

[42]  KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 223-228.

[43]  KARDEC, O Livro dos Espíritos, p. 225.

[44]  DENIS, No Invisível, p. 177.

[45]  XAVIER, Evolução em dois mundos, p. 25-30.

[46]  XAVIER, Entre o céu e a terra, p. 123-129.

[47]  XAVIER, Evolução em Dois Mundos, p. 26-27.

[48]  XAVIER, Entre a Terra e o Céu, p. 126-128.

[49]  GOMES, Pinga-fogo com Chico Xavier, p. 93-94.

[50]  PIRES, Curso Dinâmico de Espiritismo, p. 103-104.

[51]   PIRES, Educação para a Morte, p. 54.

[52]  Biografia de Jorge Andréa, disponível em: http://fraterluz.blogspot.com/2014/07/biografia-jorge-andrea.html.

[53]  SANTOS, Correlações Espírito-matéria, p. 21.

[54]  N.T.: Para estudos especiais mais profundos, enviamos às obras especializadas, publicadas por espiritistas, teósofos, rosa-cruzes, esoteristas e ocultistas. Aqui fazemos simples vulgarização.

[55]  PASTORINO, Técnicas da Mediunidade, p. 111.

[56]  PASTORINO, Técnicas da Mediunidade, p. 143.

[57]  MELO, Cure-se e Cure pelos Passes, p. 73-92.

[58]  Editora Auta de Souza – Curso de Passe – Centros de Força, disponível em: http://www.ocentroespirita.com/centroespirita/download/passe/03-Centros-de-Forca.pdf.

[59]  DENIS, Depois da Morte, p. 176.

[60]  Chakra – Palavra sânscrita que significa roda. Igualmente conhecida, em páli, como Chakka. (Nota da Autora espíritual), em FRANCO, Estudos Espíritas, p. 43, grifo do original.

[61]  FRANCO, Estudos Espíritas, p. 39-45.

[62]  FRANCO e TEIXEIRA, Diretrizes de Segurança, p. 30-32.

[63]  BRENNAN, Mãos de Luz, p. 70-78.

[64]  BRENNAN, Mãos de Luz, p. 17.

[65]  N.T.: Chakra – Palavra sânscrita que significa roda. Igualmente conhecida, em páli, como Chakka – Nota da Autora espiritual. (grifo do original)

[66]  FRANCO, Estudos Espíritas, p. 43.

Sobre o autor:

Paulo Neto: Nascido em Guanhães, MG. Bacharel em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas pela Universidade Católica-MG (PUC-BH). Aposentou-se como Fiscal de Tributos pela Secretaria da Fazenda-MG. Adepto do Espiritismo desde Julho/1987. É escritor, articulista e orador espírita com vários artigos publicados em periódicos e imprensa na internet. Autor de livros espíritas com foco em vasta pesquisa da literatura espírita e convencional.

Extraído de geae.net.br

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Jesus e sofrimentos

Quando procurado pelos portadores de enfermidades, Jesus sempre lhes perguntava se realmente desejavam a saúde, ou criam que Ele os poderia curar.

Era de fundamental importância para o restabelecimento do enfermo a sua segurança íntima sobre estes dois requisitos: querer e crer.

Complementando-se um no outro, tornam-se essenciais para o restabelecimento físico e psíquico do candidato à cura.

O querer em profundidade, sem reservas, altera completamente o quadro psicofísico do indivíduo, que se transfere do estado de desarmonia em que se encontra para o de equilíbrio, auxiliando o organismo na restauração dos seus equipamentos danificados.

A doença não é mais do que um sintoma do desarranjo do Espírito, em realidade o portador da mesma.

O ato de querer libera-o dos elementos perniciosos, geradores dos distúrbios que se apresentam na emoção, na mente e no corpo.

Querer é decidir-se, abandonando a acomodação parasitária ou o medo de assumir responsabilidades novas perante a vida, desse modo arrebentando as cadeias da revolta persistente, da autocompaixão, das sombras nas quais o indivíduo se oculta.

Quem quer, investe; e ao fazê-lo, age de forma a colher os resultados almejados.

O crer é uma decisão grave, de maturidade emocional e humana.

A crença vive inata no homem, aguardando os estímulos que a façam desabrochar, enriquecendo de forças a vida.

Há uma crença automática, natural, herança característica das gerações passadas, que induz à aceitação dos fatos, das ideias e experiências, sem análise racional.

E existe outra que é resultado da elaboração da lógica, das evidências dos acontecimentos com os quais a razão concorda.

Crê-se, portanto, por instinto e por conhecimento experimental.

Quando se quer, despojado de dúvida, a crença no êxito já se encontra no bojo do desejo exteriorizado.

O receio aí não tem guarida, nem as vacilações produzem desconfiança.

A paisagem mental banha-se de luz e os componentes da infelicidade se diluem sob os raios poderosos da vontade bem dirigida.

Querer e crer conduzem à luta, mediante a decisão de sair da fumaça sombria para o campo do êxito.

Após a vitória feliz, estes dois valores morais devem prosseguir comandando a integridade emocional, para impedir a recaída.

No episódio do paralítico, que foi descido pelo telhado e posto ao lado de Jesus, como em outros variados, as duas questões são postas em evidência pelo Mestre.

À pergunta direta: Tu crês que Eu te posso curar? o doente respondeu: Sim, demonstrando a fé que o dominava, ao mesmo tempo retratando querer recuperar a saúde, tal o esforço empreendido para estar ali.

Movimentara amigos e pessoas solidárias; submetera-se ao desconforto de ser conduzido, tivera aumentadas as dores e, porque queria, conseguiu.

Sensibilizado por tal esforço, Jesus o libertou da doença, de que ele, sem revolta, desejava despojar-se.

Reflitamos . . .

Nas suas dificuldades e dores, abandona a complacência para com elas e toma a  decisão de querer ser feliz e  com  a certeza  conseguirá.

Nada te impede a tentativa. Basta que estabeleças, no íntimo, o desejo forte de libertação.

Se a dúvida se apresentar, afugenta-a.

Perturbado pelo pessimismo, contempla os triunfadores que lutaram antes de ti.

Não lhes foi diverso o esforço para a vitória.

Sucede que iniciaram o labor sem que o soubesses e agora vês somente o seu resultado.

Ademais, apela para Jesus com firmeza, certo de que a tua rogativa não ficará sem resposta, e abre-te ao influxo da força restauradora, não lhe opondo barreiras.

Se queres a paz e a saúde e crês na sua imediata conquista, não adies o teu momento de consegui-las, pois, este momento é agora.

Redação do Blog Espiritismo Na Rede com base no cap. 18 do livro Jesus e atualidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Pensamento.

Fonte: Espiritismo na Rede

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O impacto dos documentos inéditos de Kardec

Por Eliana Haddad

Engenheiro naval, pós-graduado em direito tributário, conselheiro do Instituto Espírita de Educação de São Paulo, pesquisador e curador do museu virtual AKOL – AllanKardec.online, Adair Ribeiro Jr. conversou com o Correio Fraterno sobre o projeto que reúne cartas, documentos, fotos, manuscritos, além de obras raras relativos à doutrina espírita.

Quantos acervos existem hoje no Brasil sobre Kardec e como estão sendo tratados?

Há três grandes acervos, compostos basicamente por cartas, manuscritos e documentos. Grande parte deste material veio dos arquivos que Kardec guardou para a posteridade, como relatado em várias oportunidades na Revista Espírita.

O primeiro acervo é do Museu AKOL, que possui dezenas de cartas de diversos períodos da vida de Denisard Hippolyte Léon Rivail (Allan Kardec) e de sua esposa Amélie Boudet; centenas de páginas de manuscritos das sessões espíritas realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – SPEE; atas de presença dos participantes das reuniões; caderno de sessões espíritas realizadas durante a denominada Viagem espírita em 1862; manuscritos de comunicações de diversos grupos espíritas; documentos da SPEE; fotos de Allan Kardec, Amélie Boudet, P. G. Leymarie e outros; documentos da Sociedade Anônima; provas das gráficas com correções efetuadas por Kardec de várias páginas da Revista Espírita; etc.

O segundo acervo encontra-se na França, sob a curadoria de Charles Kempf, presidente da Fédération Spirite Française. O terceiro pertence à família de Silvino Canuto Abreu e está sob a guarda da FEAL – Fundação Espírita André Luiz – no Centro de Documentação e Obras Raras.

Através de uma iniciativa conjunta, entre os curadores dos respectivos acervos e a Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, foi criado um portal multilíngue, denominado Projeto Allan Kardec, inaugurado em setembro de 2020, com o objetivo de divulgar estes acervos, permitindo pesquisas sobre Allan Kardec e suas obras. Os documentos e manuscritos são digitalizados pelos detentores de cada acervo e enviados para a universidade, que efetua a transcrição e tradução, através de um grupo de voluntários.

Qual a importância da historiografia para a doutrina espírita?

A história pode ser entendida como o conjunto de acontecimentos, situações e fatos ocorridos no passado, que existe independentemente do trabalho dos historiadores. Já a historiografia é o produto primário da atividade dos historiadores, constituída essencialmente por textos escritos, trazendo luz sobre acontecimentos históricos, procurando desvendar seus diversos aspectos. A historiografia se dedica à pesquisa histórica em si e aos critérios de escolha e de coleta de dados, fazendo uso de aspectos metodológicos próprios. Embora o termo historiografia seja recente, Kardec já destacava sua importância, ao reforçar a necessidade de se contar a história do espiritismo.

Qual a maior contribuição desses acervos para a história do espiritismo?

Os pesquisadores poderão efetuar análises da personalidade dos vários personagens que atuaram no movimento espírita nascente na França, levantar seus perfis psicológicos, verificar e construir os contextos em que se encontravam inseridos nos anos iniciais da codificação. Também, acompanhar a evolução do pensamento de Allan Kardec ao longo da elaboração de toda a codificação, conhecendo melhor a ambiência, pressões e intrigas a que ele foi submetido. A análise dos documentos ajudará a verificar a metodologia utilizada por ele, bem como sua influência no tratamento dos ensinamentos recebidos através das comunicações na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Com novas fontes primárias, as interpretações serão mais completas e precisas para a história do espiritismo, reafirmando-a ou fazendo complementações, ou mesmo corrigindo-a.

O que revelaram as últimas pesquisas sobre Kardec e o espiritismo?

Muitas pesquisas têm sido desenvolvidas desde 2018, em especial por Carlos Seth. Por exemplo, o levantamento meticuloso sobre os vários médiuns que atuaram na Sociedade Parisiense e na codificação, que propiciou a identificação de muitos destes personagens. Outra referência é sobre a pesquisa das irmãs Baudin, que culminou com a publicação de um artigo no Jornal de Estudos Espíritas – JEE: A verdadeira identidade das primeiras médiuns utilizadas por Kardec. Desde 2020, com a criação do museu AKOL, nos aproximamos de Carlos Seth, e através de uma pesquisa colaborativa – juntamente com Luciana Farias do portal obrasdekardec.com.br – ocorreu uma dedicação quase que exclusiva à polêmica hipótese da adulteração da 5ª edição de A gênese. Após diversos posts no Facebook, com as informações que foram sendo encontradas, abrindo a oportunidade para o debate e a contribuição daqueles que nos acompanham, estamos publicando nossas conclusões em uma série de artigos no JEE: “Uma revisão na história da 5a edição de A gênese”.

Esta pesquisa sugere Allan Kardec como o autor das alterações efetuadas na 5ª edição de A gênese como hipótese mais provável, à partir de uma série de fontes primárias e da localização de um exemplar de uma 5ª edição de A gênese de 1869, na biblioteca da Universidade de Neuchâtel na Suíça.

Outra pesquisa conjunta se refere à autoria da 4ª edição da obra O céu e o inferno, publicada após o desencarne de Kardec, cuja hipótese também caminha colocando-o como o autor das alterações encontradas na edição.

Como foram encontrados esses documentos?

O acervo do AKOL foi adquirido de Philippe Chigot em 2018, proprietário da centenária Livraria Leymarie, estabelecimento historicamente ligado ao espiritismo no século 19. O da FEAL foi obtido por Canuto Abreu, em Paris, em meados do século 20. O acervo gerido por Charles Kempf, denominado Acervo Forestier, veio através da família de Hubert Forestier, um dos continuadores do espiritismo francês, juntamente com Jean Meyer. Acreditamos que ainda possam existir documentos relativos ao arquivo pessoal de Kardec espalhados em coleções ao redor do mundo. Muito material impresso da época, jornais ou obras publicadas relativas ao espiritismo, está sendo encontrado e disponibilizado a todo momento, através também do trabalho de divulgação de Wanderlei Santos (Autores Espíritas Clássicos), Ery Lopes (portal luzespirita.org.br) e Charles Kampf (spiritisme.net).

Avaliam como serão assimiladas essas novas informações?

Todo este material propiciará que ocorra uma descrição mais detalhada de muitos acontecimentos durante a elaboração da codificação e do pós-desencarne de Kardec. A mudança de pensamento dos estudiosos, pesquisadores e do movimento espírita em geral não é algo tão simples e natural. A escrita dessa atualização na história e sua disseminação não garantem a rápida assimilação por todos.

Por exemplo: mesmo depois de demonstrado que as irmãs Baudin (as médiuns participantes do início da codificação) tinham cerca de 30 anos quando trabalharam em O livro dos espíritos, e que seus nomes eram, na verdade, Caroline e Pélagie, muitos continuam afirmando que elas eram adolescentes e se chamavam Caroline e Julie. Novos fatos devem ser assimilados de forma gradativa. Esta é uma das importantes contribuições que os órgãos de comunicação podem dar.

Em termos éticos, como você analisa a revelação de assuntos pessoais de Kardec?

O interesse pela biografia de Rivail e demais personagens deve ser pautado sempre por elevados sentimentos morais que devem estar presentes em todos os adeptos do espiritismo, um princípio de nossa própria doutrina.

Não verificamos nos documentos que tivemos acesso nada que possa ferir a integridade de ninguém, segundo os costumes da época, ou que possa ser suscetível de violar qualquer regra de conduta ética na sua divulgação. Kardec defendia a necessidade de as gerações futuras terem acesso à memória de pioneiros para que não houvesse “glórias usurpadas.” (Revista Espírita, maio/ 1864).

Qual a importância desses documentos para o estudo comparado das obras de Kardec?

Contribuir para o estudo comparado foi uma das motivações para a criação do site obrasdekardec.com.br, que compartilha ebooks gratuitos com os textos lado a lado de diferentes edições, em francês e em português. Mas, isoladamente, ele não permite a determinação da autoria de uma obra, que tende a ficar restrita a simples interpretação dos textos, ainda que esta comparação inclua a análise de coerência com as demais obras da codificação, visto que há, no movimento espírita, diferentes entendimentos a respeito de textos de edições sabidamente de Kardec. Por outro lado, a determinação de autoria de uma obra tem um grande espaço e pertinência com a historiografia.

Fisicamente, com quem estão esses materiais de acervo histórico? Não se corre o risco de ficarem com acesso restrito?

Estão de posse dos respectivos curadores. O que posso informar é que existe, por parte do museu AKOL, a disposição de divulgar todos os documentos de forma gratuita e universal. Isso será feito na medida e na capacidade de transcrição e tradução dos voluntários do Projeto Allan Kardec.

Em sua opinião, o que há ainda de mais importante para se revelar?

Ainda é muito cedo para dizer. A grande maioria dos manuscritos não foi transcrita nem traduzida.

Esses documentos de acervos diferentes se complementam ou são contraditórios?

Excelente pergunta! Esta era uma curiosidade de vários pesquisadores. Do que verificamos, os acervos se complementam. Muitas cartas que se encontram em um acervo possuem suas respectivas respostas em cartas localizadas em outro.

Quais pesquisas estão em andamento? 

Recentemente, terminamos duas pesquisas que serão publicadas em artigos no 16º Enlihpe – Encontro da Liga dos Pesquisadores do Espiritismo (acontece online em agosto). Um artigo trata da versão original e inédita do Catálogo Racional, enquanto o outro aborda o papel de Amélie Boudet na continuidade do movimento espírita pós-desencarne de Kardec.

Estamos focados agora no levantamento de dados sobre os fatos ocorridos no movimento espírita francês de 1869 até o final daquele século, com especial atenção à atuação de Amélie Boudet e Pierre Gaëtan Leymarie.

Acredita que possa haver maior interesse acadêmico em relação a pesquisas com temáticas espíritas?

Assim como Kardec, tenho convicção disso. O que vemos acontecer na Universidade Federal de Juiz de Fora, que possui um trabalho com relação à espiritualidade através do NUPES (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde), é um caminho que deveria ser seguido por outras instituições. A porta de entrada para a divulgação da doutrina espírita, como já nos ensinava Kardec, passa pelo entendimento da espiritualidade: “Não sendo os espíritos senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é a existência da alma…”. É o caminho natural a ser seguido. Pesquisas sobre a comprovação de uma ‘alma’, algo que há em nós além do material, contribuem para este primeiro passo na aceitação do espiritismo também no meio acadêmico.

Extraído de correio.news/entrevista

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O envolvimento dos jovens na casa espírita

Por Eliana Haddad

Pai de seis filhos, Walteno Silva mora há 12 anos em São Paulo, onde participa como secretário geral da USE Estadual. Mas o seu vínculo com o espiritismo e com a juventude espírita teve início no Rio de Janeiro, onde nasceu. Desde então, ele manteve os laços com as mocidades espíritas, através das confraternizações realizadas no Estado, e também com as atividades de evangelização. Infância e juventude espírita é tema que palpita na vida em família de Walteno Silva, incluindo todos os desafios da atualidade. É o que ele nos conta nesta entrevista.

Como você analisa a participação dos jovens no espiritismo?

Os jovens são cativantes. Quando vemos a inteligência da argumentação deles, o sentimento de amorosidade que eles oferecem, é algo que mexe com nossos sentimentos mais profundos, dando-nos esperança de que o mundo vai mudar.

Entretanto, nós temos percebido que existe um distanciamento do jovem da casa espírita. Os hábitos sociais mudaram muito nos últimos anos. Alguma coisa na concentração mental e no interesse das pessoas pelas leituras e pelos estudos modificou substancialmente. Com isso, as casas espíritas enfrentam muita dificuldade em estabelecer grupos de jovens para o estudo da doutrina espírita.

Acha que eles são desinteressados pela religiosidade?

Considerando o plano divino para a regeneração da Terra, considerando os milhares de espíritos pertencentes à nova geração que reencarnam todos os anos, entendemos que temos muitos jovens interessados pela religiosidade; do contrário, onde estariam os ciclos de transformação que são previstos no livro A gênese de Allan Kardec?

O que acontece é que essa nova geração precisa ser despertada para os objetivos superiores de suas vidas. E se não temos uma estrutura que os receba e os relembre desses compromissos, podem seguir a rota da ilusão da matéria que a experiência da carne oferece naturalmente. E seguindo essa rota, podem, sim, ser contaminados pelas filosofias materialistas, em especial nos bancos escolares e nas universidades, instituições que permanecem ainda hoje com uma influência fortíssima dos pensamentos de dúvida e de negação de Deus.

A que você atribui a prevalência de pessoas com mais idade nas casas espíritas? Compreender o espiritismo pode ser uma questão de maturidade?

No meu entendimento, o primeiro fator seria a falta de um processo inclusivo para as novas gerações. É como um lapso de atenção dos dirigentes e trabalhadores das instituições para com elas, e eu me incluo nessa falta. Sem julgamento a quem quer que seja, e com muita consideração pelos que se dedicam e trabalham muito para oferecer um núcleo de oração na comunidade onde residem. Mas essa nossa desatenção pode nos custar a continuidade da obra a que nos dedicamos com tanto carinho. Podemos ver os centros envelhecerem e morrerem pelo problema da sucessão.

Um segundo fator seria a falta de uma abordagem dinâmica no estudo da doutrina, não especificamente na forma divertida ou animada de se trabalhar com jovens, mas nas propostas que desafiem a inteligência e provoquem o interesse deles pelos dilemas atuais que o espiritismo pode solucionar.

É comum ouvir que os dirigentes espíritas não acreditam no trabalho dos mais novos, delegando a eles tarefas simples, que não comprometam o andamento da casa. O que você acha disso?

É comum não cuidarmos do jovem com a atenção que deveríamos. Não é apenas uma questão de delegar tarefas mais complexas, mas, antes de tudo, estar ao lado dele mostrando como se faz, observando o seu desenvolvimento e apoiando-o a superar cada novo desafio.

Somos a favor de preparar os jovens para assumirem um papel ativo dentro do movimento espírita. Mas para fazer isso temos que ter tempo nosso disponível para mostrar os primeiros passos e caminhar junto. Às vezes, é mais conveniente para o adulto entregar a chave do centro e dizer que ele agora é o protagonista. Mas será que os trabalhos espirituais devem ser tratados dessa forma?

E o resultado disso é um isolamento maior ainda, pois então são criados núcleos de mocidades totalmente apartados do centro espírita, com uma cultura muito particular que depois torna-se inviável uma tentativa de harmonização com outras áreas do centro.

Quais os maiores benefícios que o espiritismo pode proporcionar à juventude?

O primeiro é trazê-los para a vida verdadeira. Já pudemos ouvir de alguns jovens como foi importante conhecer o espiritismo da maneira profunda e espiritualizada como havíamos estudado. É como um renascer na mesma vida. Tudo muda, todas as aspirações da vida mudam de foco. E considerando o clima de ansiedade e se espalha em toda parte, entendemos que um dos grandes benefícios que o espiritismo pode trazer para os jovens é uma segurança íntima e fé tão robusta, que lhes permita facear as provações da vida com mais serenidade e paz no coração.

Seria algum fator de negligência nossa na formação dessas crianças e jovens dentro do lar espírita?

Entendo que num futuro nós teremos muito mais habilidade em conduzir os nossos filhos para o espiritismo. É algo intrigante ver que muitos trabalhadores dedicados não tiveram a alegria de ver seus filhos acompanharem os mesmos passos. Não é uma tarefa simples. É verdade que nem todos os espíritos que recebemos no lar terão afinidade pelos temas de espiritualidade. Mas será que não existem mecanismos educativos que ajudariam nesse mister?

Levando em consideração sua experiência no contato com os jovens espíritas, já chegou a alguma conclusão sobre o que pode ser feito, no sentido de reverter esse quadro?

De tudo que fizemos nesse campo de trabalho com a juventude, o que trazemos na bagagem de mais relevante é a necessidade de trabalharmos o despertamento. É claro que ninguém conscientiza ninguém, as próprias pessoas que se descobrem e que se despertam. Mas nós podemos trazer bons estímulos. É como acender uma brasa que está lá no coração de cada um. Dentro da programação dos nossos estudos, havia sempre uma priorização em reflexões sobre os objetivos superiores da nossa existência e os compromissos assumidos ainda no plano espiritual. Em resumo, os estudos espíritas tendo como pano de fundo muitos estímulos para o autoconhecimento e a transformação moral, além de relembrar esse preparo que tivemos no plano espiritual para a nossa vida atual. Não esquecendo, obviamente, de adaptar os estudos com uma linguagem adequada e uma abordagem dinâmica, de forma a tirar os jovens de uma posição passiva, chamando-os para interagir, discutir e dar sua contribuição, que é sempre muito valiosa.

Você está envolvido com projetos que mobilizam jovens, como o “Mocidade itinerante” e o “Revista Espírita ilustrada”. Que trabalhos são esses?

Na verdade, faço parte de equipes específicas para cada um desses projetos, e tenho a felicidade de realizar tudo isso em companhia da minha esposa, Mônica, com quem temos compartilhado todas essas experiências com a juventude.

O primeiro projeto da “Revista Espírita ilustrada”, é publicado na revista Dirigente Espírita, da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Foi interessante descobrir talentos valiosos nos jovens que formaram essa equipe. Uns fazem os desenhos e ilustrações e outros preparam e adaptam histórias de espíritos, selecionadas da Revista Espírita, para o público infantojuvenil. O resultado superou nossas expectativas, tendo em vista ser uma iniciativa nova para todos nós e pelo fato de contarmos com a mão de obra bem jovem.

O segundo projeto, “Mocidade itinerante”, está em fase de preparação. É uma iniciativa da USE Regional do Grande ABC, onde a Mônica está como presidente, e tem a finalidade de fomentar a criação de novos grupos de mocidades em casas que ainda não a possuem. Estamos convocando jovens, filhos de trabalhadores, ou conhecidos dos centros espíritas da região do Grande ABC, para através de encontros de capacitação se prepararem para serem os multiplicadores. É como criar um canteiro de mudas para plantar depois.

Tivemos contato com casas em São Bernardo do Campo, SP, que dez anos atrás se ressentiam pelo fato de não terem um grupo de jovens, realidade que ainda não mudou. Quem sabe essa não é uma nova forma de conceber uma mocidade espírita?

Como estão esses movimentos com jovens espíritas fora do Brasil?

Em 2021, fomos convidados a participar da coordenação de um trabalho chamado Juventude Espírita Internacional Sembradores de Luz e deu para ter uma noção. É um projeto com uma proposta superinteressante, que possibilita o compartilhamento de experiências e aprendizados entre jovens espíritas de diferentes países e consequentemente de vários idiomas. Utilizando tecnologia bem apropriada, conseguimos realizar encontros com tradução simultânea em espanhol, português, inglês e francês. O que nos chamou muito a atenção é o nível de profundidade das reflexões desses jovens. Vemos nesse tipo de iniciativa o início de um movimento que deve se espalhar com muita energia. Participar dele é como encher a alma de esperança na proposta do espiritismo para a transformação da Terra num mundo melhor.

Como os espíritas devem se preparar para receber essa nova geração, com suas peculiaridades e demandas? Qual seria a prioridade?

Precisamos entender mais o mundo jovem, entender suas necessidades, seus conflitos. Estudar essa fase juvenil, os desafios psicológicos dessa faixa etária. Estudar como eles constroem a sua identidade, quais os movimentos sociais que estão fazendo convites para eles. Devemos nos preparar mesmo. Apoiá-los com muito respeito e sem autoritarismo, observá-los com um olhar e uma escuta sensíveis.

A prioridade é o acolhimento do jovem. O grupo espírita deveria ser um porto seguro para ele, onde seus anseios e medos podem ter uma solução. E mostrar que com o auxílio do espiritismo ele terá mais liberdade e discernimento para fazer suas escolhas na vida.

Extraído de correio.news/entrevista

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Prece: Uma Conexão com Deus

Ana Paula Januário

“A forma nada vale, o pensamento é tudo. Ore, pois, cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.”

(Allan Kardec – ESE-Cap. XXVIII)

Como consta no livro “A Prece Segundo o Espiritismo” por Allan Kardec:

“A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus. Quando oramos para outros seres, e não para Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem a vontade de Deus”.

O objetivo da prece é elevar nossa alma a Deus como consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, seja por meio de palavras ou do pensamento, realizada tanto em particular como em público. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele (KARDEC, 2008, questão 659).

Tendo em mente essas informações, a prece é sempre uma projeção do pensamento que estabelece uma corrente fluídica que depende do seu teor vibratório, ou seja, depende da vibração de quem ora. Acaba sendo refúgio, a calma, o reconforto para muitas pessoas aflitas, de corações magoados. Quem nunca fez uma oração direcionada a Deus, ou a Jesus, o Cristo, ou, ainda, para nosso Espírito Protetor, nosso Anjo da Guarda? Nesses momentos sabemos que podemos contar com eles, sabemos que estamos sendo ouvidos e no momento certo no santuário da consciência, uma voz secreta responde: É a voz dAquele donde dimana toda a força para as lutas deste mundo, todo o bálsamo para as nossas feridas, toda a luz para as nossas incertezas. E essa voz consola, reanima, persuade; traz-nos a coragem, a submissão, a resignação estóicas. E, então, erguemo-nos menos tristes, menos atormentados; um raio de sol divino luziu em nossa alma, fez despontar nela a esperança (DENIS, 2005).

Devemos lembrar que sempre podemos ter esse momento íntimo com Deus, dirigir a palavra e adquirir a tranquilidade para aquele momento, seja em casa, na rua ou dentro de um centro espírita. Não importa o local na qual se encontre, a prece faz com o ser entre em comunhão com Deus a fim de receber seu auxílio e proteção.

Em consequência disso, vale lembrar que não necessitamos utilizar palavras pomposas, ser formal para realizar uma prece. Como consta na coletânea de preces espíritas do Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo XXVII:

“A principal qualidade da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos que não são enfeites de brilho falso. Cada palavra deve ter a sua importância, revelar uma ideia, movimentar uma fibra: uma palavra, deve fazer refletir; só com essa condição, a prece pode alcançar o seu objetivo, de outro modo, não é senão ruído. Vede também com que ar de distração e volubilidade elas são ditas na maioria das vezes; veem-se lábios que se movimentam, mas, pela expressão da fisionomia e mesmo o som da voz, reconhece-se um ato maquinal, puramente exterior, ao qual a alma permanece indiferente”.

Em consequência disso, a prece também não deve ser uma ação engessada, repetir palavras, fórmulas determinadas, um movimento mecânico de lábios. A prece é vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder (XAVIER, 2004).

Como sempre falamos, Deus que é justo e misericordioso, nunca deixa uma prece sem resposta. Devemos ter em mente que uma oração, filha do amor, não é apenas uma súplica, é comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos (XAVIER, 2004). Portanto, manter um hábito constante e diário para realizar uma prece a Deus e nossos amigos espirituais, é de suma importância para saúde, principalmente mental. Além de atrair o auxílio de espíritos benfeitores que vem nos sustentar e inspirar-nos bons pensamentos, sejam eles através da intuição ou da inspiração.

Quando oramos temos a capacidade de emitir vibrações mentais que acabam se espalhando pelo ambiente por meio das correntes do pensamento e emitindo o bem para nossos semelhantes.

Dessa forma, que a cada dia possamos colocar em prática essa ação, possamos entrar em contato com Deus e perceber a eficácia, efeitos e resultados obtidos, como citar Chico Xavier no livro Missionários da luz pelo espírito André Luiz:

“Os […] raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores

adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da

alma e iluminação da consciência. Toda prece elevada é manancial de magnetismo

criador e vivificante e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do

sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de energias da Divindade”.

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

Centro Espírita Nosso Lar: O poder da Prece, 2019. Disponível em:  https://nossolarfraiburgo.com.br/o-poder-da-prece-2/ Acesso em 30 nov. 2021.

DENIS, Léon. Depois da morte. Tradução de João Lourenço de Souza. 25. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Quinta parte, cap. 51 (A Prece), p. 295.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008. 214 p.

KARDEC, Allan. A prece segundo o espiritismo. 1. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2016.

XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 38. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. 6 (A oração), p. 83 e 84

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Apuros de um morto

Quando Apolinário Rezende acordou, além da morte, viu-se terrivelmente sacudido por estranha emoção. Ouvia a esposa, Dona Francina, a chamá-lo em gritos estertorosos. E qual se fosse transportado a casa por guindaste magnético, reconheceu-se, de chofre, diante dela, que se descabelava chorosa.

– “Ingrato! Ingrato!” – era o que a viúva dizia em pensamento, embora apenas tartamudeasse interjeições lamentosas com a boca.

Julgando no corpo de carne, Rezende, em vão, se fazia sentir. Gritava pela companheira. Pedia explicações. Esmurrava a mesa em que a senhora apoiava os cotovelos. Dona Francina, entretanto, procedia como quem lhe ignorava a presença.

O infeliz, no primeiro instante, julgou-se dementado. Acreditava em pesadelo e queria retornar à vida comum, despertar… Beliscava-se inutilmente.

Nisso, escutou o próprio nome no andar térreo. Despencou-se e encontrou Maria Iza, a copeira que se habituara a estimar como sendo sua própria filha, em conversação discreta com o advogado que lhe era amigo íntimo.

O Dr. Joaquim Curado ouvia, atento a moça, que lhe confidenciava uma infâmia. A empregada, que sempre lhe recolhera a melhor atenção, não se pejava de acusá-lo, afirmando que o pequeno Samuel, o menino que lhe nascera, quatro anos antes, do coração de mãe solteira, era filho dele, Rezende.

A serviçal, no extremo da calúnia, dramatizava em pranto. Dizia, despudorada, que seu filhinho Samuel não podia privar-se da herança, que ela, em outros tempos, vivia sofrendo injuriosas cenas de ciúme, por parte da patroa, e que estava agora resolvida a colocar a questão em pratos limpos.

Apolinário cerrou os punhos e dispunha-se a esbofeteá-la, quando o causídico asseverou: “Bem, desde que o Rezende morreu…”

O pobre Espírito liberto sofreu tremendo choque.

Morrera então? Que significava tudo aquilo?

Sentia-se louco… Gritou desesperado, lembrando fera aguilhoada no circo, mas os dois interlocutores nem de leve lhe perceberam a reação, e o entendimento continuou…

Chorando copiosamente, Apolinário ficou sabendo que o inventário dos seus bens seguia em meio, que Maria Iza alegava-se seduzida por ele e exigia mais de dois milhões de cruzeiros, parte igual ao montante que se reservava a cada um de seus filhos.

O Dr. Joaquim falava em exame de sangue e pedia provas. A moça notificou que Renato, o filho caçula de Dona Francina, fora testemunha da experiência infeliz a que se submetera, em acedendo às tentações que lhe haviam sido movidas pelo morto.

Aterrado, Rezende viu seu próprio filho mais novo entrar, a chamado, no parlatório doméstico, apoiando a invencionice. O jovem, que ultrapassara os vinte e dois de idade, preocupava-o sempre, pelo caráter leviano; contudo, não foi sem espanto que passou a escutá-lo, confirmando a denúncia.

Perante o advogado, surpreendido, Renato anunciou que, simplesmente tocado pela compaixão, deliberara ajudar Maria Iza, declarando que o pai, pilhado por ele em vários encontros com ela, resolvera confiar-lhe a verdade, salientando que, um dia, quando viesse a falecer, o menino Samuel não devia ser esquecido, de vez que lhe devia a paternidade.

Rezende, tomado de repugnância, desmentia tudo, até que lhe pareceu ouvir os pensamentos do filho, compreendendo, por fim, que Renato se mancomunara com a copeira, de modo a senhorear metade da importância que a ela fosse atribuída pela Justiça.

Entendeu a chantagem. O rapaz pretendia o maior quinhão e, para isso, não vacilava enxovalhar-lhe o nome. Abatido, procurou Reinaldo, o filho mais velho, moço de comportamento exemplar; entretanto, foi achá-lo no gabinete, conformado com a situação. O irmão desfechara habilmente o golpe e o primogênito preferia perder parte da herança a desrespeitar a memória do pai.

Voltou Rezende ao quarto da esposa e debalde quis confortá-la. Dona Francina ensopara o lenço de lágrimas. Não chorava tanto o dinheiro de que deveria dispor. Lastimava a suposta infidelidade do falecido marido. Recordava todos os dias felizes, em que ambos haviam desfrutado confiança perfeita… Era preciso ser desumano para que lhe mentisse, qual o fizera, dentro do próprio lar. Ansiava conservá-lo puro, na lembrança, viver o resto da existência preparando-se para reencontrá-lo; entretanto…

Esforçava-se Rezende para consolá-la, a procurar em si mesmo a razão por que sofria semelhante prova, quando lhe ocorreu um estalo na consciência.

Via-se recuar, recuar… Sim, sim, Maria Iza recebera dele tão somente considerações respeitosas; contudo, Julieta surgia-lhe agora… Fora-lhe a companheira da juventude, quarenta anos antes… Menina de condição modesta aguentara-lhe a ingratidão. Cedera aos seus caprichos de moço impulsivo e passara a aguardar-lhe um filhinho, confiando no casamento. Examinando, porém, as próprias conveniências, obrigara Julieta a sujeitar-se a vergonhoso processo abortivo e, em seguida, ao vê-la frustrada, abandonou-a na vala do meretrício.

Rezende, atormentado em dolorosas reminiscências, inquiria a si próprio se a calúnia de Maria Iza seria a resposta do destino ao sarcasmo em que lançara Julieta… Onde encontrar a vítima de outra época? Por outro lado, ali estava Dona Francina, a reclamar-lhe assistência, e Maria Iza, a quem devia perdoar a seu turno.

Tateava o crânio em fogo.

Atravessava o primeiro dia de consciência acordada, depois da morte, e parecia estar no ínfero mental, desde muito tempo.

Caiu a noite e Rezende permaneceu aflito junto da esposa, tentando, em vão, falar-lhe durante o sono… Manhã cedo, Dona Francina levantou-se, orou à frente da própria imagem dele, na foto de cabeceira, tomou grande ramo de flores e saiu na direção de um templo. Apolinário seguiu-a, reconhecendo, emocionado, que a esposa encomendara um ofício religioso, a benefício da sua felicidade. Findas as preces, Dona Francina tocou para o cemitério.

Só então Rezende veio saber que a leal companheira comemorava o sexto mês de sua partida.

Cento e oitenta e três dias de inconsciência na vida espiritual!

Assombrado, fitou a esposa, que se ajoelhara à frente do seu próprio túmulo. Entre angustiado e curioso, inclinou-se para a lápide e soletrou espantadiço: “Aqui jaz Apolinário Rezende.” E, em letras menores: “Orai pelo descanso eterno de sua alma”.

Quando leu as palavras “descanso eterno”, Rezende passou a refletir sobre as agonias morais a que era submetido, desde a véspera, e, embora sentindo imenso desejo de chorar, esqueceu a quietude do campo santo e desferiu, em desespero, enorme gargalhada…

Extraído do livro Contos desta e doutra vida, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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Dos desvios e distorções doutrinárias

Orson Peter Carrara

Há que se dedicar muito cuidado e atenção na prática cotidiana da programação de nossas instituições espíritas. O compromisso do adepto espírita é com o Espiritismo. E Espiritismo está claramente definido nas obras básicas de Allan Kardec. As inclusões indevidas, práticas que distorcem, inovações oriundas de nossas distrações doutrinárias e mesmo quando criamos o “nosso espiritismo”, correm por nossa conta e risco, gerando responsabilidades de expressão, face às noções indevidas que podemos estar semeando em pessoas que agora se aproximam da Doutrina Espírita e o conhecem distorcido de suas propostas verdadeiras.

O compromisso do Espiritismo é com a renovação moral do ser humano. Totalmente conectado com o Evangelho de Jesus, suas bases visam esclarecer e orientar sobre nossa natureza, origem e destinação como filhos de Deus. Fundamentado em bases racionais e exclusivamente voltado ao crescimento intelecto moral dos filhos de Deus, o Espiritismo dispensa condicionamentos, dependências de qualquer espécie, imposições, exigências e fanatismos que possam ou queiram se impor.

Quando se fala em condicionamentos e dependências, há um leque enorme de situações sutis que vamos nos permitindo e que deformam totalmente a genuína prática espírita. Alguém poderia perguntar: mas qual ou quais? Relacione uma ou mais. Não há necessidade de citar, discriminar ou criar outros perigosos caminhos que são os do preconceito ou do orgulho ferido e mesmo possíveis imposições ou críticas que não cabem.

A resposta é fácil. O Espiritismo possui e oferece ferramentas úteis e precisas para se evitar condicionamentos e dependências. Basta que perguntemos a nós mesmos: o que espero ou faço do Espiritismo? Como dirigente, palestrante, escritor ou colaborador/tarefeiro em qualquer área de atividade nas instituições – pois que não há qualquer atividade que seja mais importante ou mereça qualquer destaque, já que somos todos meros aprendizes –, como estou me portando?

Aprisiono ou liberto e motivo as pessoas? Uso ameaças, chantagem e imponho minhas ideias e vontades como as únicas corretas? Sou daqueles que recriminam e acusam, desprezam ou não desmerecem o esforço alheio? Não é preciso continuar. Muitas outras situações podem ser incluídas.

Com tais posturas, onde vão se incluir os desdobramentos próprios do orgulho, da vontade de dominar, da vaidade e da prepotência, geram os problemas que aí estão, esperando nossa submissão à realidade do que realmente somos: todos meros aprendizes.

O pior de tudo isso é que deixamos que nossas tendências introduzam práticas estranhas ao Espiritismo na prática cotidiana dos Centros, como as atuais novidades incoerentes com a genuína prática espírita. Quais são as novidades? Novamente não é nem preciso citar. Basta observar com atenção! Os desvios surgem e as novidades aparecem quando esquecemos a prioridade do Espiritismo: nossa melhora e progresso moral.

E a orientação desse programa está claramente nas obras básicas, que esquecemos de consultar, de estudar, refletir e divulgar. E principalmente de fazê-la amplamente compreensível, em suas riquezas, para aqueles que se aproximam – sedentos por entender – e são bombardeados com condicionamentos que, ao invés de libertarem, aprisionam e repetem os mesmos equívocos da história bem conhecida, ao longo do tempo.

É nosso dever respeitar o Espiritismo! É nosso dever transmitir Espiritismo com fidelidade. Muitas pessoas que agora se aproximam do Espiritismo não trazem uma formação anterior que lhes facilite entender os fundamentos do Espiritismo e estes precisam ser explicados, comentados, exemplificados com clareza.

E, infelizmente, diante de tanta grandeza moral à disposição para cumprir sua justa finalidade, ficamos usando nosso tempo, recursos e inteligência para finalidades absolutamente distantes da genuína prática espírita que não é outra senão a caridade, em sua ampla abrangência, que não se restringe à doação de coisas, mas à doação de nós mesmos na gentileza, na sensibilidade, na atenção, no estender das mãos, no trabalho em favor do bem geral, etc., etc.

Abramos os olhos. Nossa responsabilidade é enorme. E nossa fragilidade também…

Orson Peter Carrara

Fonte: marcoaurelio5.blogspot.com

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Espiritismo e sentimento religioso: uma resposta de Léon Denis

Autor:

Jáder dos Reis Sampaio

Acabo de ler um artigo de Léon Denis, publicado na revista Le Spiritisme, de junho de 1889, no qual ele comenta a proposta do Sr. Marius George de criar em meio ao espiritismo um grupo positivista, que se apoiasse exclusivamente nos fatos e abandonasse tudo o que pudesse pertencer “ao domínio da hipótese”.

Denis estava participando da organização de um congresso organizado pela União Espírita Francesa, e confirma ao seu correspondente que “sua forma de ver será acolhida não só pelo congresso, mas de forma permanente por todos os seus irmãos, com o respeito que é devido às convicções sinceras e esclarecidas” (p. 81)

A seguir, Marius afirma que a obra de Allan Kardec “está manchada com dogmatismo e misticismo” e que por isso guardaria pouca relação com “os gostos e aspirações” da época em que eles viviam.

Denis argumenta que Kardec agrupou e coordenou o ensino dos espíritos, de forma a lhe dar um “corpo” de doutrina. Ele afirma que isso levou o espiritismo à “idade adulta”. Ele afirma que todos os que fugiram desse método, com teorias pessoais, edificaram obras efêmeras. Ele se refere a Roustaing, como exemplo, dizendo que ele merece o epíteto de místico com mais justiça.

Analisando Kardec ele cita o combate, com rigor, dos dogmas católicos em O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese. Mostra a diferença do conceito de Deus entre os católicos, e penso que também entre os deístas como Voltaire, porque fala do Deus-relojoeiro, e faz uma imagem muito interessante, que já havia percebido na leitura de O céu e o inferno, a substituição de um Deus visto como imperador do universo (cercado por seus anjos-cavaleiros), por uma “imensa república de mundos governada por leis imutáveis, acima dos quais paira a Razão, Razão consciente, que conhece a si mesma e que é dona de si, que é Deus.” (p. 82)

Surpreendendo seu interlocutor, Denis afirma que a noção de Deus nos escapa (ele está discutindo com Marius George o misticismo da concepção de Deus) assim como as noções positivistas de infinito e eternidade. Em outras palavras, ele aponta uma contradição interna do positivismo: conceitos que não surgem da observação de fatos, mas da razão.

O autor espírita francês continua dizendo que Kardec entende “o sentimento religioso como uma força” que pode ser utilizada para o bem da humanidade. Ele afirma que a humanidade não tem menos necessidade do ideal que do real.

Para ele, “o ideal é essa intuição do melhor que nos eleva acima do visível, do conhecido, do realizado, em direção de concepções e de formas mais perfeitas.” (p. 82) Nessa frase, Denis mostra a seu interlocutor que uma visão exclusivamente positivista seria reducionista, defendendo certo idealismo (escola filosófica).

Outra colocação genial de Denis foi reconhecer que o sentimento religioso foi explorado por uma casta sacerdotal que produziu abusos em seu nome, mas que “fortificado pela ciência e pela Razão ele se tornará motivo de aperfeiçoamento individual e de transformação social”. (p. 82)

O espírita de Tours faz uma análise das religiões e mostra que sua parte exclusivamente humana e material é a “das definições, dos dogmas e de todo o aparato dos cultos e dos mistérios”, da mesma forma que Kardec havia discutido em seu artigo de 1868.

Ele afirma que as experiências espíritas dão uma base sólida à crença na vida futura, retirando-a do domínio das hipóteses e situando-a no domínio dos fatos (ele estaria se referindo a uma teoria baseada em evidências, como se diz hoje?). Também afirma que “seria uma grande falta, deixar às igrejas o monopólio da ideia de Deus”.

Com uma frase contundente, Denis reafirma a insuficiência do positivismo e o valor do sentimento religioso, quando escreve: “A missão do espiritismo não é excluir o sentimento religioso do coração humano e a noção de Deus, mas sim secularizá-los, para para purificar, para elevá-los, para apoiá-los na razão, a fim de torná-lo o motivo de melhoria.” (p. 83)

O mais interessante do artigo é ver que mesmo se opondo claramente à tese da redução do espiritismo aos limites traçados pelo positivismo, Denis respeita seu interlocutor. Ele conclui seu artigo dizendo:

“Mas qualquer que seja sua opinião sobre este assunto, creia, meu amigo e irmão, que estamos de acordo em pontos suficientes para que certas diferenças de opinião não nos possam separar e que você vai me encontrar sempre disposto a caminhar de mãos dadas na conquista de destinos melhores para nós e para a humanidade.” (p. 83)

Um texto muito importante para refletirmos no meio espírita, nos dias de hoje.

Jáder dos Reis Sampaio

Fonte: espiritismo.net

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A Enfermidade e a Cura

Nara de Campos Coelho

A ENFERMIDADE E A CURA

Nunca me esquecerei do dia em que vi o corpo de minha avó estendido no leito, minutos após o seu desencarne. Seus cabelos fartos e brancos pareciam vivos ao sabor da brisa que entrava pela janela do quarto. Mas eu, olhando demoradamente para aquele corpo, cujos olhos cerrados davam mostras de um sono tranquilo, senti que ele estava vazio. Os olhos se fecharam por não ter mais a alma para espelhar…

Essa foi a sensação mais forte daquele momento. Minha avó não estava ali. Saíra, deixando o corpo que lhe servira de instrumento de progresso durante 95 anos. Naquele dia, entendi como nunca porque o espiritismo usa o termo desencarne: o espírito continua vivo, mas despe-se da roupagem de carne dispensável no mundo espiritual para onde retorna. E o corpo sem espírito é apenas a veste adequada a nossa vida material. Tal qual um casaco útil para nos aquecer no inverno, inadequado, porém, ao verão.

Não somos as nossas vestimentas, por mais ricas, queridas e apropriadas que elas sejam. Por isso o apóstolo Paulo fez distinção entre o corpo da corrupção e o da ressurreição.

Quando a enfermidade bate à porta do nosso cotidiano, visitando-nos ou a entes queridos, sentimo-nos em meio a um terremoto interior. Ato contínuo, buscamos a cura, como famintos ao pão. Urge que a alcancemos, não nos importando de onde venha. Assim, é comum engrossarmos as fileiras dos mais inesperados e esdrúxulos processos terapêuticos, se ali identificarmos alguma expectativa de cura. Tal comportamento é tão antigo quanto o homem e a doença. Entretanto, raramente buscamos a cura real, pois basta sentirmos os primeiros efeitos positivos do tratamento para nos esquecermos de todos os medos e retomarmos a rotina anterior, muitas vezes a causa da doença.

O espiritismo nos dá informações muito úteis e práticas no trato com a doença, dizendo-nos que ela já traz em si um processo terapêutico o qual precisamos identificar para seu melhor aproveitamento. Eis que somos espíritos em evolução, com bagagem adquirida através das renovadas experiências no corpo físico a nos situar os vários matizes de necessidades. Dessa forma, não podemos viver como se fossemos corpo, pois apenas vestimos o corpo, verdadeira expressão do espírito.

E as doenças deste procedem, levando-nos a entender a fragilidade das profilaxias que nos reduzem a máquinas, desprezando-nos a essência. A Medicina oficial, embora já não considere a existência de doenças, mas de doentes, tem caminhado muito lentamente na adequação dos tratamentos a essa concepção.

Resultado: com todo seu inacreditável avanço, ainda luta com os remédios que, se fazem bem a um paciente, não surtem efeito em outro com o mesmo diagnóstico e, num terceiro, provocam efeitos colaterais, acabando por complicar o quadro. E permanecem inexplicáveis muitos acontecimentos como a reação de determinados pacientes que, ao contrário da maioria, vencem as doenças tidas como fatais ou irreversíveis. Bem como as epidemias, quando poupam muitos ao invés de exterminar todos, ocorrência certa se fossemos apenas corpos.

Por isso, a Homeopatia, a Antroposofia e outros caminhos da Medicina que vêem os pacientes também como espírito vão ocupando o espaço que de há muito lhes pertencia e, certamente, num futuro próximo, atuarão todas juntas, completando-se para beneficiar a humanidade inteira.

Com o espiritismo sabemos que as doenças estão na constituição íntima de cada um de nós e só se desenvolverão se lhe oferecermos ambiente propício. E mais uma vez percebemos que Jesus veio trazer-nos um código de vida, mas de vida em abundância, com muita saúde, paz e alegria.

Todos os seus ensinos revelam-nos formas de conduta capazes de sintonizar-nos a faixas superiores de vibração, pois tanto na saúde como na doença pesam a lei de causa e efeito. Assim, amando, perdoando, sendo fraternos, solidários, úteis e, enfim, combatendo nossas más tendências para viver segundo as leis de Deus, exemplificadas por Jesus, alcançaremos a terapêutica infalível da renovação, que nos libertará dos velhos hábitos que nos fizeram “abrir a porta” para a doença.

E então alcançaremos a cura, onde estivermos, pois teremos entendido a mensagem espiritual contida na enfermidade, e que Jesus revelou ao repetir: “Tua fé te curou. Vai e não tornes a errar para que não te suceda o pior!”

Nara de Campos Coelho

Fonte: kardecriopreto.com.br

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