Comunicação de um Político Corrupto Desencarnado

Fernando Rossit

Coube a mim, certa feita, dialogar com um espírito que havia sido político na sua última existência através de um médium psicofônico.

O Espírito comunicante se encontrava atordoado. Gritava enlouquecido e pedia perdão pelas suas faltas.

Dizia-se arrependido porque havia perdido uma existência inteira. Tinha reencarnado para auxiliar as pessoas no exercício da política e houvera fracassado.

Fracassara frente ao desafio quando todos os recursos foram-lhe conferidos por Deus para sua vitória, que seria trabalhar por um país mais justo. Desviara dinheiro público (que é do povo) para benefício próprio, que deveria ser aplicado na educação, saúde transporte e infraestrutura.

E gritava desesperadamente: – Minhas mãos, cadê minhas mãos?

O Espírito porque tinha um grande sentimento de culpa fizera com que suas mãos – que sempre se lhe apresentavam sujas – desaparecessem aos seus olhos. Encontrava-se mutilado.

Ninguém engana a Lei de Deus que é inexorável e incorruptível.

Após o diálogo esclarecedor e a assistência espiritual necessária para o caso, afastou-se um pouco melhor e mais calmo.

……………………………………………

A corrupção no Brasil afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos brasileiros quando diminui os investimentos públicos na saúde, na educação, em infraestrutura, segurança, habitação, entre outros direitos essenciais à vida, e fere criminalmente a Constituição quando amplia a exclusão social e a desigualdade econômica.

Na prática a corrupção ocorre por meio de desvio de recursos dos orçamentos públicos da União, dos Estados e dos Municípios que são desviados para financiar campanhas eleitorais, corromper funcionários públicos, ou mesmo para contas bancárias pessoais no exterior. (Wikipedia)

A corrupção é crime. Como é praticada? Vejamos alguns itens:

* Favorecer alguém prejudicando outros.

* Aceitar e solicitar recursos financeiros para obter um determinado serviço público, retirada de multas ou em licitações favorecer determinada empresa.

* Desviar verbas públicas, dinheiro destinado para um fim público e canalizado para as pessoas responsáveis pela obra (empreiteiras).

Do lado do corrupto tem sempre o corruptor, é claro. Se tem alguém que recebe dinheiro “sujo” (dinheiro limpo é apenas aquele que se ganha com trabalho responsável e honesto), tem outro que lhe dá esse recurso em troca de um favor: o corruptor.

A corrupção é presente (em maior evidência) em países não democráticos e de terceiro mundo. Essa prática infelizmente está presente nas três esferas do poder (legislativo, executivo e judiciário).

Não é prática de somente um partido, mas se espalha pelo poder público. Se fosse somente de um partido político seria fácil, bastaria tirarmos ele de lá.

Quando o governo não tem transparência (União, Estados e Municípios) em sua administração é mais provável que haja ou que incentive essa prática.

Não existe país com corrupção zero, embora os países ricos democráticos tenham menos corrupção, porque sua população é mais esclarecida acerca dos seus direitos, sendo assim mais difíceis de enganar.

No Brasil, estudos indicam que a corrupção é maior nos municípios (acredite!!!).

Por difícil que possa parecer, o Brasil ocupa uma posição intermediária quando se “mede” o nível de percepção da corrupção (uma espécie de ranking da corrupção). Organizações internacionais classifica o Brasil em 70 lugar em nível de corrupção, dentre 175 países da lista, em ordem crescente. Quer dizer, quanto maior a classificação, maior o nível de corrupção.

Culturalmente, associa-se a imagem da pessoa que tem e acumula bens à imagem de pessoa bem-sucedida. São os símbolos do poder, o dinheiro associado ao sucesso pessoal. A nossa cultura “ocidental” valoriza o enriquecimento, não importando a sua origem, e principalmente se for aquele obtido por meios escusos, pois não há vigilância e punição efetiva para esse tipo de conduta.

Estima-se que no Brasil a corrupção atinja em torno de 200 Bilhões ao ano.

Toda sociedade corrupta sacrifica a camada pobre, que depende puramente dos serviços públicos.

A corrupção está diretamente ligada ao crescente aumento da pobreza e miséria em escala global.

Com essa importância de R$ 200 bilhões daria para dobrar o valor anual dos recursos destinados à educação, à saúde, à segurança. Em poucos anos teríamos serviços de primeiro mundo.

Concluindo, uma das barreiras para que possamos alcançar uma sociedade igualitária é o combate eficaz da corrupção não só no nosso país, mas em todo o sistema internacional, pois só neste plano atingiremos um nível de desenvolvimento adequado para os nossos cidadãos.

Fernando Rossit

Fonte: kardecriopreto.com.br

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Conversa com os espíritos: na teoria e na prática com Kardec

Izabel Vitusso

CONVERSA COM OS ESPÍRITOS: NA TEORIA E NA PRÁTICA COM KARDEC

Neste ano, em janeiro, O livro dos médiuns completou 160 anos, lançado por Allan Kardec, em Paris, como complemento de O livro dos espíritos. Segunda obra da codificação espírita, seu conteúdo está voltado ao ensino dos espíritos sobre a teoria e a parte experimental de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do espiritismo.

Kardec se referiu à obra como um “repositório de instrução prática”, alertando não se destinar exclusivamente aos médiuns, mas a todos os que estivessem em condições de ver e observar os fenômenos espíritas.

O codificador não cansou de chamar a atenção para o fato de a prática do espiritismo ser um ‘campo vasto’, rodeada de dificuldades, nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo comprometido e completo poderia auxiliar, não se admitindo experiências levianas ou divertimento. “Dirigimo-nos aos que veem no espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo”, advertiu.

Passados 160 anos e o alerta continua fundamental, uma lição inesquecível, como um código de conduta para quem tem compromisso com o trabalho da divulgação do espiritismo, considerando a interação com os espíritos e a responsabilidade na análise e na publicação do material que deles possa vir, em nome da propagação correta da doutrina espírita.

Expansão da literatura

Pelo crivo da razão é que passaram as incontáveis obras que enriqueceram as bases do espiritismo e auxiliaram no maior entendimento da nova realidade trazida pelos espíritos. Muitos deles, clássicos escritores, como Léon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Camille Flammarion, Albert de Rochas, Amália Domingos Soler, Cesare Lombroso, Gustave Geley, para citar muito poucos, deixaram sua marca na literatura que se seguiu às obras da codificação.

Já no Brasil, nas primeiras décadas do século 20, a produção literária espírita contou com o grande apoio das obras psicografadas, que revelaram nomes de médiuns, como Zilda Gama, Dolores Bacelar, Yvonne do Amaral Pereira, Divaldo Franco, tendo o médium Francisco Cândido Xavier, nesse período, dado grande contribuição, com o legado de mais de 400 obras ditadas pelos espíritos, em grande parte romances históricos, crônicas, coleção de estudos e reflexões sobre mensagens do Evangelho.

Ampliando o diálogo

Numa dessas publicações, de 1941, Chico Xavier psicografa uma obra até então genuína, com respostas de Emmanuel sobre temas propostos, ideia acatada pelo espírito numa das reuniões do Grupo Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, MG, quando os participantes buscavam ampliar o entendimento sobre os três aspectos do espiritismo.

A obra, O consolador1, tornou-se uma das referências na literatura espírita, com mais de 400 perguntas sobre temas doutrinários. Antes de respondê-las, o mentor espiritual precaveu o grupo de que não seria dele a última palavra sobre os assuntos, e com modéstia colocava-se à disposição para cooperar da melhor forma. Também esclareceu Emmanuel que não se deteria em exames técnicos de questões científicas, ou no objeto das polêmicas da filosofia e das religiões, intensamente movimentados “nos bastidores da opinião”.

Sobre o fato de se inquirir os espíritos, Allan Kardec elucida em O livro dos médiuns (questões 286 a 296) que é preciso se ter um fim útil para o intercâmbio e que se deve atentar sempre para “a forma e o fundo”, devendo as perguntas ser redigidas com clareza e precisão, evitando-se questões complexas. Lembrou sabiamente que “é a natureza da pergunta que provoca uma resposta correta ou falsa”.

O codificador também disse que as perguntas, longe de serem um inconveniente, são de grande utilidade, do ponto de vista da instrução, “quando se sabe encerrá-las nos limites desejados”.

Saber questionar

Sobre o fato de se organizar em forma de perguntas uma interação mais direta com os espíritos, a Sociedade Espírita Primavera, de Juiz de Fora, MG, lançou em 2019 um livro – Diálogos espíritas – fruto de um trabalho semelhante ao citado e que teve início através do contato em reuniões espíritas, por muito tempo, com o espírito Ivon. Ele se revelou, durante o extenso convívio, um grande defensor dos princípios filosóficos espíritas, e um expressivo trabalhador, na instrução e no amadurecimento dos grupos em que se fazia presente.

O grupo, que tem à frente os organizadores Daniel Salomão, Humberto Schubert Coelho e o médium Vinícius Lara – todos com sólido conhecimento, vivência doutrinária e apurada formação acadêmica –, propôs à entidade questões e problemas atuais da reflexão espírita, como o rumo do próprio movimento espírita, os embates ideológicos e culturais, a mediunidade aplicada ao trabalho em suas mais amplas acepções, temas filosóficos sobre os postulados espíritas à luz da atualidade, e tantos outros, cuidadosamente pensados e apresentados, seguindo a orientação de que fossem bem trabalhadas, pouco ambíguas e compatíveis com a experiência e competência individuais do espírito.

Leitura crítica

Conscientes da tarefa e com o senso crítico apurado, ao disponibilizar o resultado do trabalho de anos em formato de livro, o grupo faz o convite para que o leitor também exercite a recomendação de uma leitura criteriosa, com o uso do bom senso e da atenção ao ‘método do controle universal do ensino dos espíritos’, que coloca toda informação frente a frente com o conhecimento já consolidado.

Ao falar sobre a necessidade da leitura crítica de qualquer obra, Daniel Salomão lembra também que, se por um lado há os que aceitam indiscriminadamente tudo o que é admitido como mediúnico, há no outro extremo os que rejeitam todo trabalho psicográfico. “Para alguns, tudo estaria pronto em Kardec”, ressalta o pesquisador, complementando ser esse pensamento contrário à proposta do codificador, que nunca se colocou como único apto, nem pretendeu ter em sua obra o esgotamento do assunto.

Salienta também que não há como haver ‘controle universal do ensino dos espíritos’ se textos e possíveis ensinos não forem publicados!

“Não é possível encontrar concordância em mensagens que não são lidas e divulgadas responsavelmente. Não devemos temer a mediunidade nos dias de hoje, pois nunca tivemos tanto à disposição para acolhê-la com segurança”, conclui.

Algumas abordagens do livro

Poder-se-ia dirigir mais frequentemente questões de caráter científico e problemático aos espíritos de modo ainda mais específico do que se tem praticado?

Compreendemos que o desenvolvimento da ciência humana é atribuição dos encarnados, pois que se ancora ao tempo e ao espaço em que se desenvolve, não cabendo aos desencarnados maiores intervenções do que a sugestão intuitiva daquilo que poderia ser mais útil neste ou naquele campo de saber, em relação com o amadurecimento coletivo das populações. Foi assim inclusive, que grandes projetos artísticos e científicos se desenvolveram ao longo da história, mas sempre reservando aos homens a função de protagonistas na evolução do planeta.

De que forma devemos aplicar hoje o princípio do ‘controle universal do ensino dos espíritos’?

Exatamente da mesma maneira que Allan Kardec, Léon Denis e outros pioneiros do espiritismo o faziam. Inicialmente, entre as atividades mediúnicas da própria instituição, para, em seguida, através do contato salutar com as demais agremiações irmãs, expandir o controle das informações espíritas às raias do que chamamos movimento organizado. Para tanto, todavia, cumpre que a mediunidade seja encarada novamente como parte do corpo de práticas e pesquisas, saindo do campo do tabu religioso e adentrando novamente no espaço da ciência natural de consequências morais.

Estando a lei moral escrita na consciência, é da falta de meditação ou da malícia que decorrem os erros dos homens?

Os erros decorrem da inércia reencarnatória. Por séculos a mente acumula camadas e mais camadas de hábitos iludidos ao longo das encarnações sucessivas. O ego, que deve ser entendido enquanto estrutura mental consolidada, aprendeu no tempo quais os meios mais eficazes para supostamente fugir do sofrimento, sendo esta a origem das especificidades psicológicas e psíquicas assumidas por cada indivíduo, em busca da manutenção de sua visão de mundo. Diálogos espíritas, org. Daniel Salomão e Humberto Schubert Coelho, Editora Sociedade Espírita Primeira, 2019.

Controle universal do ensino dos espíritos

Estava nos planos superiores a nova revelação chegar aos homens por um meio mais rápido e autêntico. Eis porque os espíritos manifestaram-se por toda parte, sem dar a ninguém a exclusividade de ouvir a sua palavra, porque um homem poderia ser enganado, mas não aconteceria assim se milhões deles ouvissem a mesma coisa, o que é uma garantia para cada um e para todos. Os espíritos, comunicando-se por toda parte, seriam aceitos por todos, sem nacionalidade exclusiva e independe de todos os cultos particulares. Esta universalidade do ensino dos espíritos faz a força do espiritismo e também encerra uma garantia contra dissidências que poderiam ser suscitadas, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos espíritos. (Baseado na introdução de O evangelho segundo o espiritismo.)

Izabel Vitusso

Fonte: Correio.News

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Joana D’Arc, um ícone francês

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília – DF

Estudamos em Leon Denis que Joana D’Arc foi filha de pobres lavradores. Aprendeu a fiar a lã junto com sua mãe e guardava o rebanho de ovelhas. Teve três irmãos e uma irmã. Era analfabeta, pois cedo o trabalho lhe absorveu as horas. A aldeia era bastante afastada e os rumores da guerra demoravam a chegar ao local. Finalmente, um dia, Joana tomou contato com os horrores da guerra, quando as tropas inglesas se aproximaram e toda a família precisou fugir e se esconder.

Aos 12 anos começou a ter visões. Era um dia de verão, ao meio-dia, Joana orava no jardim próximo à sua casa, quando escutou uma voz que lhe dizia para ter confiança no Senhor. [1] A figura que ela divisou, identificou como sendo a do arcanjo São Miguel. Duas mensageiras espirituais a acompanhavam (Catarina e Margarida), “santas” conforme a Igreja que ela frequentava.  Aos 17 anos de idade, Joana, doce e amável, parte para sua missão acompanhada de seu tio Durand Laxart e se apresenta ao comandante, falando da sua missão em nome das vozes que a conduziam, daí em diante surgem grandes obstáculos em sua vida até a libertação da França, quando a virgem de Lorena contava apenas 19 anos.

Logo após o final da guerra Joana é presa pelas forças inglesas e supliciada até a morte na fogueira, condenada como bruxa, feiticeira e herege pela Santa Inquisição. Finalmente, a 30 de maio de 1431, a maior heroína da França é queimada em praça pública. No dia de sua morte, não havia, pois, somente inimigos que a declaravam apóstata, idólatra, impudica, ou amigos fiéis que a veneravam como uma santa. Havia também ingratos que a esqueciam, sem falar dos indiferentes, que não se preocupavam com ela, e gente esperta que se gabava de jamais ter acreditado em sua missão, ou de nela ter pouco acreditado. [2]

Em seu caráter admirável se fundem as qualidades aparentemente mais contraditórias: força e doçura, energia e ternura, previdência, sagacidade, mente viva, engenhosa e penetrante, capaz de, em poucas palavras claras e precisas, resolver as questões mais difíceis e as situações mais ambíguas. Seu ar angelical reflete: ingenuidade e sabedoria, humildade e altivez, ardor viril, angelitude e pureza e, acima de tudo, infinita bondade. Todas as virtudes a adornavam. Ela foi um rastro de luz a iluminar a terrível noite da Idade Média. [3]

Quatro séculos mais tarde, em Paris, O Espírito Joana D’Arc dirigiu e mediunidade da jovem Ermance Dufaux que ainda contava com seus 14 anos de idade quando psicografou a obra “História de Joana D’Arc, ditada por ela própria”. Destaque-se que das 300 obras queimadas em praça pública no Auto de fé de Barcelona, constava alguns volumes dessa obra psicografada por Ermance.

No capítulo XXXI de O livro dos médiuns, vindo a lume no ano de 1861, quando o Codificador reúne Dissertações Espíritas, confere à de Joana D’Arc o número 12, onde ela se dirige aos médiuns, em especial, concitando-os ao exercício do mediunato. Recomenda-lhes, ainda, que confiem em seu anjo guardião e que lutem contra o escolho da mediunidade que é o orgulho. Conselhos que ela, em sua vida terrena, na qualidade de médium, muito bem seguira.

“O Papa Calixto III, em 1456, por uma comissão eclesiástica, fez pronunciar a reabilitação de Joana e foi declarado, por uma sentença solene, que Joana morreu mártir para a defesa de sua religião, de sua pátria e de seu rei. O Papa quis mesmo canonizá-la, mas sua coragem não foi tão longe. [4] A Igreja, arrependida do grave erro cometido pela Inquisição, buscou reabilitá-la e a beatificou em 24 de abril de 1909, na Catedral de São Pedro, no Vaticano, em Roma, com enorme pompa, sob a direção do papa Pio X, diante de mais de 30.000 pessoas presentes. Em 1920 foi canonizada, recebendo o título de “santa”.

Joana d’Arc não é um problema nem um mistério para os espíritas. É um modelo eminente de quase todas as faculdades mediúnicas, cujos efeitos, como uma porção de outros fenômenos, se explicam pelos princípios da doutrina, sem que haja necessidade de lhes buscar a causa no sobrenatural. Ela é a brilhante confirmação do Espiritismo, do qual foi um dos mais eminentes precursores, não por seus ensinamentos, mas pelos fatos, tanto quanto por suas virtudes, que nela denotam um Espírito superior.[5]

“Não há muitos personagens históricos que tenham estado, mais que Joana d’Arc, expostos à contradição dos contemporâneos e da posterioridade. Não há nenhum, entretanto, cuja vida seja mais simples nem melhor conhecida.” [6] Temos que aprender com esses Espíritos a desenvolver em nosso caráter a disciplina, a seriedade e o planejamento organizado, que são virtudes a serem conquistadas por todos os Espíritos que ainda não as possuem, ao longo das reencarnações.

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1] DENIS Leon. Joana D’Arc médium, RJ: Ed. FEB, 1971

[2] KARDEC, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1867,  Jeanne d’Arc e seus comentadores            

[3] DENIS Leon. Joana D’Arc médium, RJ: Ed. FEB, 1971

[4] KARDEC, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1867,  Jeanne d’Arc e seus comentadores

[5] Idem 

[6] Trecho do artigo é extraído do Propegateur de Lille, de 17 de agosto de 1867 e publicado na Revista Espírita 1867 dezembro » Jeanne d’Arc e seus comentadores

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À procura de Deus

Por Eliana Haddad

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Num exercício criativo, fiel aos escritos do seu primeiro livro espírita, Os procuradores de Deus, de 1967, o Correio Fraterno entrevista o autor Herminio C. Miranda, no intuito de registrar em forma de perguntas (de hoje) e respostas (da obra) o incrível conteúdo da pesquisa histórica do “velho escriba”, como ele se autodenominava. O livro é um guia seguro para quem busca a verdade sobre a existência de Deus, do espírito, da vida. Raridade, é atual em seu conteúdo original, apresentado em roupagem moderna e com todas as ‘escovadas’, como quis Hermínio, que também se viu surpreso diante da notícia sobre a descoberta da obra num sebo, visitado por Raymundo Espelho, fundador do Correio Fraterno. Com gratidão, esta edição homenageia esse incansável pesquisador, que desencarnou aos 92 anos, em 2013, deixando uma obra necessária a todos nós, espíritas e não espíritas, com seus 42 títulos publicados em português e cinco traduzidos e comentados. Aqui estão suas reflexões em Os procuradores de Deus. Esperamos que ele também possa celebrar conosco a consolidação desse grandioso projeto.

Como surgiu esse seu primeiro livro espírita?

Escrevi numa praça, de férias, em Caxambu, MG. Trata-se de uma conversa informal acerca do problema da vida e da morte. Não me preocupou na sua elaboração o desenvolvimento de um plano muito metodizado, numa sequência rígida, pejada de citações eruditas e obscuras. Deixemos essas virtudes austeras aos sisudíssimos tratados de teologia. Estamos cansados de erudição e obscuridade. Queremos agora uma discussão franca de problemas que tão profundamente nos interessam: a majestosa equação da vida.

Como analisar o conflito histórico entre ciência e religião?

É preciso ver onde acaba a ciência – se é que acaba – e onde começa a religião; ou se aquilo que nos parece uma linha demarcatória não resulta de mera deficiência dos métodos de observação. É preciso que se discuta tudo isso em linguagem desataviada daquilo que teologias milenares têm procurado explicar a seu modo.

O estudo sobre a morte e sobre Deus é da alçada da ciência?

A morte tem sido através dos tempos um dos principais objetos das cogitações teológicas, desde as religiões mais primitivas até as sofisticadas discussões da moderna teologia. Nesta, tanto se especula em torno da ideia de Deus que se esquece de praticar as virtudes que levam a Ele. O que não se pode, entretanto, é admitir que o assunto seja da alçada exclusiva da religião. Não estamos ainda equipados intelectual e moralmente para uma abordagem, mesmo primária, do assunto. E acho tão perniciosa à evolução do espírito a descrença pseudocientífica, como o exagerado misticismo que atribui a Deus condições humanas.

Muitos ainda ridicularizam a ideia da existência do espírito. Como essa obra pode auxiliar esse entendimento?

Se o leitor estiver entre aqueles que duvidam da existência do espírito é de mais fácil recuperação. Se, não obstante, é dos que negam enfaticamente essa realidade, está com um atraso de pelo menos um século na sua formação filosófica. Para ambos há uma grande novidade a oferecer: o espírito existe de fato e não apenas como abstração filosófica para ocupar o tempo dos que escrevem tratados de metafísica e o daqueles que os leem. Aliás, a novidade é ainda mais ampla, porque não apenas ‘temos um’ espírito, senão que ‘somos’ espíritos.

Por que tanta dificuldade em se aceitar a imortalidade?

São ilusões. Apenas o corpo físico desmorona, desintegra-se e se apaga na superfície da Terra. O espírito não. Ele aqui vem como visitante, como escafandrista que veste a sua armadura para descer ao fundo do oceano, mas um dia sobe à tona, abandona o casulo e regressa à sua verdadeira condição.

O modelo materialista seria o principal fermento do ceticismo?

Na adolescência experimentei também a doença do ceticismo. Recém-egresso de uma fase de misticismo religioso, sentia-me um homem livre de crenças e de crendices. Julgava-me um ser emancipado e também dava graças a Deus por não mais acreditar Nele. É uma curiosa emoção essa. Eu era livre para cometer qualquer deslize e fazer do meu destino o que bem entendesse. Não havia ninguém para tomar conta dos meus atos e nem eu tinha de responder por eles jamais. A morte seria o simples dobrar de uma página em branco de um livro inútil. A vida, um jogo não menos inútil e incompreensível de emoções e de canseiras, com algumas alegrias aqui e acolá. Mas o espírito que abandona uma crença religiosa, porque não mais lhe acalma os anseios e nem lhe satisfaz às especulações do intelecto, acaba por sentir-se também insatisfeito com o dar de ombros do negativismo. Quando procura respostas claras, diretas, objetivas às suas inquietações não se dá por satisfeito dentro das estreitezas do materialismo, como não se sente à vontade no acanhamento do dogmatismo religioso.

O senhor comenta em seu livro sobre as complicações advindas dos dogmas, do inferno e dos castigos eternos. Isso nos afastou de Deus?

Poucas coisas neste mundo são tão perniciosas quanto uma ideia mal assimilada. O aspecto mais lamentável dessa doentia criação humana que é o inferno é o caráter verdadeiramente blasfemo da punição eterna. Se admitirmos a existência de um Deus justo e bom, compassivo e puro, como é que vamos conciliar a ideia de Deus com a do castigo eterno? A questão é que esse samburá teológico parece não ter fundo. A gente começa a remexer e vai retirando dele novas dúvidas e novos problemas a resolver.

Com sua vasta experiência em reuniões mediúnicas, tem observado esses enganos nas histórias espirituais?

O católico e o protestante, cumpridores de suas obrigações religiosas, sofrem tremendas decepções ao morrer, porque não encontram do ‘lado de lá’ as instituições e a acolhida que lhes foram anunciadas. Como é que sabemos disso? É fácil. Basta ouvir os que já se foram para lá.**

Outro ponto interessante é sua análise sobre a condição humana de Jesus. Pode nos falar a respeito?

Não se pode deixar de observar na obra de Jesus indícios dos mais evidentes da sua inegável condição humana. Nas suas irritações, no seu temor, nas suas angústias, em certas mudanças de atitude. Às vezes se aborrece e se impacienta com o que ouve ou presencia. Numa das passagens, repreende asperamente a Pedro, por lhe ter assegurado que as desgraças que anunciou não chegariam a ocorrer. Aos escribas e fariseus são constantes as suas censuras, chamando-os de hipócritas, geração de víboras. Outro gesto de incontida irritação é a cena de explosão com os mercadores. A cena da expulsão – a ser legítima – só pode ser atribuída a um momento de profunda irritação. Dos seus temores e angústias não há passagem mais eloquente do que o drama de Getsemani, onde implora ao Pai que se estivesse na vontade dele, Pai, que o poupasse ao tormento que pressente. Também a cena da última ceia tem uns laivos sombrios de melancolia e apreensão.

E sobre a pesquisa científica com relação ao espírito. Afinal, já não existem essas provas?

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Queremos a prova da maneira inadequada, à nossa maneira, sem cogitar de que para cada sistema de fenômenos há um conjunto específico de testes e provas. Quando se trata, porém, da existência do espírito, nada disso se aplica. Queremos ver essa ‘coisa’, encerrada numa jaula, sob as lentes de um microscópio eletrônico, no fundo de uma proveta. Queremos que ele faça para nós algumas mágicas, nos deixe examinar suas impressões digitais, nos mostre a língua, deixe-se pesar e medir pelos nossos toscos e ridículos instrumentos. Não adianta que homens da mais elevada reputação pessoal, científica e intelectual, tenham já nos assegurado a existência do espírito. O fenômeno é realmente de delicada natureza e só ocorre mediante determinadas condições, como qualquer outro fenômeno natural.

E sobre a justificativa de que tudo não passa de simples resposta fisiológica?

Se o fenômeno resulta de uma simples operação fisiológica, por que não a pode executar igualmente bem um cadáver? Ali estão as mesmas células, os mesmos órgãos, os mesmos sistemas. Ah! mas falta a vida, dirá o cético. É verdade, falta a vida e o que será essa coisa a que chamamos vida?

Qual o papel do espiritismo nessa caminhada do conhecimento?

A história da humanidade registra a eclosão de muitas crenças espiritualistas. Infelizmente, porém, foram ‘crenças’ e não um conjunto de fatos que a inteligência pudesse tomar para exame e a razão aceitar sem degradar-se e sem fazer concessões. Provavelmente impacientados ante a cegueira espiritual do homem, os próprios espíritos desencadearam um movimento destinado a revelar certas verdades singelas e naturais que até então se achavam encobertas pelo véu do mistério.

Se essas informações já chegaram até nós, por que ainda há tanta resistência em se aceitar a vida espiritual?

Fatos sustentam na parte experimental um majestoso edifício filosófico, que pouco a pouco foi-se revelando aos olhos daqueles que há mais de um século vêm estudando o fenômeno com os “olhos de ver” de que falava o Cristo. Fora da literatura espírita há também trabalhos sérios de autores aos quais não assentam os rótulos costumeiros de leviandade, ingenuidade ou partidarismo. O leitor interessado busque Lodge, Conan Doyle, William Barrett, Aksakof, Ernesto Bozzano, Camille Flammarion, Gustave Geley, Epes Sargent – a escolha é ampla. Deixo à margem os que, não menos dignos que esses, nem menos brilhantes, inclinaram-se desde o início pela chamada hipótese espírita: Léon Denis, Paul Gibier, Gabriel Delanne. Também não pretendo impingir Kardec a ninguém. O leitor irá a ele quando sentir que deve e precisa da sua meridiana clareza expositiva e do seu lúcido raciocínio lógico. Cabe a você decidir. Minha função aqui não é fazer proselitismo, pois entendo que conceituação doutrinária é questão de maturidade.

Seria uma questão de dar tempo ao aprendizado da vida?

A verdade é que todos têm idênticas oportunidades de aprendizado e evolução. A escola da vida está igualmente aberta a todos nós, em todos os graus, desde o jardim da infância até os mais avançados cursos universitários. Caminhamos espiritualmente à medida que vamos sendo promovidos. Às vezes, repetimos determinadas séries, especialmente nas mais elementares, porque ao alcançarmos as superiores já temos mais desenvolvimento e senso de responsabilidade. De outras, simplesmente paramos, indiferentes ao fantástico ritmo evolutivo que vibra por todo o Universo à nossa volta. Jamais recuamos, porém.

O que dizer para quem não se convence de que a vida continua?

Você terá a sua prova definitiva, irrefutável, com a sua própria morte. (…) O espírito existe, preexiste e sobrevive.

Fonte: correio.news

(*) Respostas transcritas do livro Os procuradores de Deus, reeditado pela Correio Fraterno.

(**) Leia mais nos livros da coleção “As histórias que os espíritos contaram” – A dama da noite, O exilado, A irmã do vizir e As mãos de minha irmã (Ed. Correio Fraterno).

(Publicado no Jornal Correio Fraterno – Edição 464, jul./ago. 2015).

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Caráter progressivo da doutrina espírita

Escrito por Afonso Fioravante

caraterprogressista

As obras básicas da Codificação Espírita devem ser lidas como se lê livros sagrados, obtidos prontos e acabados ou elas admitem análise crítica dentro do princípio da Fé raciocinada? Inclui-se neste contexto as obras psicografadas, classificadas como subsidiárias.

Na primeira parte do Livro “O céu e o inferno”1, Allan Kardec comenta que “se a religião, apropriada em começo aos conhecimentos limitados do homem, tivesse acompanhado sempre o movimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos, por que está na própria natureza do homem a necessidade de crer, e ele crerá desde que se lhe dê o pábulo espiritual de harmonia com suas necessidades intelectuais”.

Um ano antes de retornar ao mundo espiritual, o codificador, amadurecido em suas ideias, publica em

1868 “A Gênese”2. Neste livro, escreve um monumental texto intitulado “Caráter da revelação espírita” que, de tão importante, deveria servir como introdução a todos aqueles que desejassem conhecer com profundidade a Doutrina espírita.

Explica Kardec que, por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter, participando ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. A revelação foi divina porque não partiu da iniciativa humana à vontade de obtê-la. Mas como não são passivos os espíritos que a trouxeram e nem os que a receberam, não nos foi dispensado o trabalho de observação e de pesquisa.

Os Espíritos não interditaram o exame das questões, mas, ao contrário, o recomendaram.

Conforme Kardec, a doutrina espírita não foi ditada por completo, nem imposta à crença cega. É deduzida pelo trabalho e pela observação dos fatos. Em resumo: a revelação espírita é de origem divina, mas sua elaboração é fruto do trabalho do homem.

O espiritismo e a ciência se completam reciprocamente. Segundo o mestre de Lion, nenhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem. Todas, sem exceção de nenhuma, são frutos de observações sucessivas, apoiadas em observações precedentes, como em um ponto conhecido para chegar ao desconhecido.

Finalizado sua análise na Gênese, Allan Kardec ressalta um último caráter da revelação espírita: ser essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. As descobertas da ciência, longe de rebaixarem o espiritismo, glorificam a Deus e mais: “caminhando de par com o progresso, o espiritismo jamais será ultrapassado, por que, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará neste ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.

Este posicionamento corajoso e honesto do Codificador coloca a ciência espírita com uma característica fundamental da própria ciência: o da Autocorreção. Devido a esta característica, a ciência tradicional tornou-se por excelência, a doutrina pela qual a humanidade acumula conhecimento. Daí a sabedoria de Kardec, quando lamentou que as religiões não acompanharam o movimento progressivo do espírito humano.

A ciência evolui se comportando como a seleção natural, se livrando de erros, teorias obsoletas com muita facilidade, para poder avançar. Por que a ciência espírita deveria temer, se privar ou se envergonhar disto? O físico Stephen Hawking, considerado o mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein, ocupando a cadeira de Isaac Newton em Cambridge, revelou ao mundo que cometeu um erro em seus cálculos relativo aos buracos negros. Atitude louvável, que nem por isso invalidou sua contribuição para a ciência.

A ciência espírita não está cristalizada nas obras da codificação nem nas chamadas obras subsidiárias. Ela necessita de desenvolvimento constante e permanente. O próprio codificador demonstrou isto ao publicar a 2ª edição do Livro dos Espíritos, três anos após a primeira. Como a 1ª edição é completamente desconhecida pela imensa maioria dos espíritas, muitos acreditam que a 2ª edição contém apenas mais algumas perguntas. Na verdade, Kardec se debateu com questões gravíssimas, estudando-as e analisando-as de 1857 até 1860, quando reformulou a 1ª edição do LE: eliminou questões, revisou algumas e acrescentou muitas outras novas.

Isto demonstra que não há “pecado” nem heresia em questionar, investigar, rever, reformular, em progredir. Revisando a 1ª edição Allan Kardec abriu as portas para o progresso da ciência espírita.

Esta ciência poderia avançar muito mais, se não estivesse travada por alguns companheiros de doutrina ainda vinculados aos paradigmas ultrapassados das igrejas, que ainda não perceberam que continuam impondo medo às pessoas incautas, não com a ameaça do inferno, mas com a do umbral; não com o demônio, mas com os obsessores; não com a imposição de anjos, mas com a de “mentores espirituais”. Se as lideranças ainda não compreendem o verdadeiro caráter da revelação espírita, que esperar dos frequentadores que vão ao centro apenas para “tomar passe”?

Grande parte da terminologia adotada por Kardec, veio de Paracelso, no século XVI e de Anton Mesmer, do século XVIII. Esta terminologia não é mais utilizada pela ciência. Não há erro em Kardec, que usou o conhecimento de sua época. O erro é continuar cristalizando conceitos superados. Precisamos refletir profundamente sobre os termos “Princípio Vital”, “Fluido Vital”, “Fluido magnético”, “Passe magnético”, e outros.

O médium Divaldo Franco tem utilizado o termo “Passe bioenergético”, como uma atualização interessante.

Conforme a metodologia Kardequiana, não devemos simplesmente seguir por seguir o que um dito guia mandou ou o que o Espírito escreveu ou o médium psicografou. É fundamental a análise, com base na razão e na coerência doutrinária. Aliás, guia ou mentor de mais elevação, jamais dá ordens para serem seguidas.

Será que temos o direito de exigir que André Luiz tenha se tornado um Espírito superior, logo após passar oito anos no umbral? Foram tantas informações colhidas no mundo espiritual, que não é de se admirar que alguma delas não corresponda ao que ele quis trazer para nós. Algum absurdo nisto? Pior para ele é o considerarmos infalível.

Vejamos um outro exemplo: podemos considerar como correta a afirmativa de Humberto de Campos3 (Espírito) colocando João Batista Roustaing como responsável pela organização do trabalho da fé, na implantação da doutrina espírita, no mesmo nível de Leon Denis? A razão nos indica que isto não seria lógico. Organizar implica em refazer aquilo que está desorganizado. A obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo6” já não teria cumprido o papel de levantar o véu das alegorias do Evangelho, contribuindo com a Fé raciocinada? A Fé espírita nunca esteve desorganizada.

Temos o direito de questionar se no original desta obra constava esta referência. Infelizmente os originais foram queimados pela FEB, assim como outros, com objetivo de evitar polêmicas.

O certo é que, em 1937, no Livro “Crônicas de além túmulo5”, Humberto de Campos dita um texto com os nomes de grandes vultos sem citar Roustaing. Em 1938, o mesmo autor espiritual “insere” o nome polêmico de Roustaing em texto similar. Na verdade, Roustaing nunca colaborou com Kardec na codificação.

No livro “A caminho da Luz”, psicografia de F. C. Xavier, o espírito Emmanuel informa que existem planetas orbitando o sistema de Capela, na constelação do Cocheiro, que é um sistema estelar quádruplo com quatro componentes. A existência destes planetas ainda não foi confirmada pela ciência. Se realmente a ciência confirmar que não existem planetas neste sistema, ficaremos com a ciência, segundo Kardec. Caberá ao Espírito Emmanuel esclarecer o motivo de sua informação.

Seremos dignos de anátema levantando estas questões? Fé inabalável é somente aquela que resiste ao crivo da razão.

Infelizmente a ciência oficial ainda é puramente materialista. A ciência espírita precisa avançar. Os cientistas bem-sucedidos só formulam problemas que apresentem boa probabilidade de serem resolvidos. A ciência espírita é a porta de entrada para uma nova concepção do universo. Mas, pelo andar da carruagem, é provável que os cientistas descubram esta porta sozinhos, quando seu conhecimento esbarrar na fronteira matéria-espírito. A atual postura do movimento espírita não funcionará como facilitador deste processo, pelo contrário, talvez até como mais um entrave do pensamento religioso.

A sabedoria está no meio, não nos extremos. Duvidar de tudo é idiotice; acreditar cegamente em tudo sem análise é imprudente. Basta observarmos a produção dita mediúnica, atualmente: quanta bobagem, quanto mercantilismo.

Entretanto a base Kardequiana permanece de pé, firme, resistindo ao progresso científico espetacular deste último século. Segundo Herculano Pires4, se os espíritas soubessem o que é o centro espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da terra.

Infelizmente, prossegue Herculano, este vasto conhecimento do mundo espiritual é ofuscado pela insistência em emparelhar a doutrina espírita com as religiões decadentes e ultrapassadas.

Observamos muitos expositores espíritas “pregando” o evangelho, de forma despreparada, competindo com pastores, sem vincular a mensagem com os princípios espíritas. Pelo menos os pastores sérios estudaram teologia e falam do que conhecem.

Se Jesus é a porta e Kardec a chave, é necessário estudar e compreender os princípios básicos da Doutrina Espírita primeiro, para depois compreender as mensagens do Evangelho. O que observamos são palestras de temas de um livro só: O Evangelho segundo o Espiritismo. Onde estão as palestras com conteúdo das demais obras da Codificação? Onde estão as palestras sobre as obras de Leon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano e outros continuadores confiáveis da Doutrina Espírita? Palestras de um livro só não divulgam a Doutrina Espírita.

Estamos descartando o aspecto moral da doutrina espírita? Claro que não, pois ele bem compreendido é fundamental para nossa progressão espiritual. Mas não podemos transformar este aspecto em mais uma religião qualquer, disseminando a mentalidade de rebanho em nosso movimento, fazendo as pessoas continuarem a temer a Deus e se sentirem pecadoras.

No extraordinário texto de Kardec sobre o caráter da revelação espírita, o mesmo afirma que a parte mais importante da revelação do Cristo, considerando-a como pedra angular de toda a sua doutrina é o ponto de vista inteiramente novo sob que considera ele a divindade. Jesus nos mostra um Deus de amor e não um Deus antropomórfico, terrível, ciumento e vingativo como é o Deus de Moisés o qual não é possível amar, mas temer.

Convidamos o leitor a estudar com atenção o texto de Kardec sobre o caráter da revelação espírita, em “A Gênese”. Só afirmar que a doutrina espírita é não dogmática não basta: é preciso vivenciar isto.

Concordamos com o codificador quando afirma que os Espíritos não vieram e não virão para resolver nossos problemas da ciência; não virão para dar saber aos ignorantes e preguiçosos e nem trazer para nós meios para enriquecermos sem trabalho.

Espíritas amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, o segundo.

Afonso Fioravante

Fonte: geae.net.br

BIBLIOGRAFIA:

1 – KARDEC, Allan – O céu e o inferno – 36ª edição – FEB – cap. 1, item 13.

2 – KARDEC, Allan – A gênese – 21ª edição – FEB – cap. 1.

3 – CAMPOS, Humberto / XAVIER, Francisco Cândido – Brasil coração do mundo, pátria do evangelho.19ª edição – FEB – cap. XXII.

4 – PIRES, J. Herculano – O centro espírita – 3ª edição – LAKE – introdução

5 – CAMPOS, Humberto / XAVIER, Francisco Cândido – Crônicas de além túmulo.1ª edição – FEB – 1937.

6 – KARDEC, Allan – O Evangelho segundo o Espiritismo – 36ª edição – FEB

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Reforma Íntima

João Batista Armani

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Muitos são os motivos que nos levam à Casa Espírita: Pelo amor, pela dor, convite de alguém, hoje pela razão, etc…

E o que acontece? Assistimos palestras, recebemos o passe, tomamos água fluidificada e vamos embora. Somos espíritas apenas dentro da Casa Espírita, estas atitudes irão se repetir por longo tempo. Mas à medida que vamos estudando e compreendendo melhor os ensinamentos espíritas, sentimos que necessitamos nos integrar mais nas ações de reforma moral da sociedade, e nada melhor para fazermos isso do que iniciando por nós mesmos, ou seja, que sejamos espíritas na convivência com o mundo, e isso nos leva à nossa reforma moral.

Todo espírita estudioso caminha neste sentido, porque compreende que o Espiritismo como filosofia busca atingir o seu mais nobre objetivo, que é a reforma moral da criatura.

A grande maioria dos livros escritos pelas vias mediúnicas são ricos de ensinamentos e verdadeiros tratados de saúde mental, com uma terapia baseada no Evangelho de Jesus e na Codificação Kardequiana.

Livros como: “Auto Conhecimento”, “O Homem Integral”, “O Ser Consciente”, “Espelho D’alma”, “Momentos de Renovação” e outros não necessariamente espíritas, nos indicam a importância da Reforma Íntima, ou renovação de atitudes, como fator essencial para alcançarmos o progresso moral e espiritual, visando à nossa felicidade relativa.

Duas afirmativas nos chamam à reflexão:

  1. Renovação de atitudes…

Um jovem foi ao médico, queixando-se de dores abdominais. Tendo sido atendido pelo médico, este atencioso, realizou exames, fez entrevistas, e ao final chegou ao diagnóstico: Cirrose hepática, doença do fígado por ingestão de bebida alcoólica. Enfermidade conhecida e facilmente tratável, receitou um tratamento, onde o paciente deveria tomar uma medicação, fazer caminhadas diárias, ao final da caminhada realizar algumas ginásticas. O paciente saiu satisfeito pois ver-se-ia livre de suas dores. Ao final de um mês, retornou novamente o paciente ao consultório médico, onde o doutor o atendeu solícito.

Há doutor! O tratamento não deu resultado, pois continuo a sentir dores. O profissional estranhou, pois tinha confiança em seu diagnóstico, mas voltou a examiná-lo.

– O senhor tomou o remédio que lhe receitei? Sim senhor doutor, certinho, três vezes ao dia!

– O senhor fez as caminhadas para melhorar a circulação? Cinco quilômetros todos os dias doutor!

– O senhor fez as ginásticas como recomendado? Uma hora diária após as caminhadas doutor!

– O senhor parou de beber? Não doutor… doutor continua doendo…

A medicina terrena trata das enfermidades do corpo físico, o Espiritismo trata das enfermidades do espírito (estando ele encarnado ou não). O médico nos escuta, analisa, faz exames e nos recomenda um tratamento. A Casa Espírita, nos escuta, analisa, consola, e também nos recomenda mudanças de atitudes; mas esta vai mais além em nosso benefício, pois nos fornece o passe magnético, a água fluidificada e em alguns casos tratamentos de desobsessões.

Mas assim como no caso do paciente enfermo, se quisermos melhorar, cumpre que façamos a nossa parte mudando as nossas tendências negativas, ou ficaremos indefinidamente tomando remédios, realizando caminhadas, fazendo ginásticas, recebendo passes, tomando água fluidificada…

Emmanuel, em uma de suas mensagens no diz: “O pastor conduz o seu rebanho, mas são as ovelhas que andam com as próprias pernas”.

  1. Felicidade relativa… (Em virtude da afirmativa de Jesus – “A felicidade não é deste mundo” Bíblia/Eclesiastes, Evangelho Segundo o Espiritismo/ Capítulo V, item 20). Analisando esta afirmativa do Cristo apenas pela letra que mata e não pelo espírito que vivifica, muitos apressados, inimigos do estudo e cultores do negativismo atribuem que estamos na Terra para sofrer, que este é um vale de lágrimas, aqui só há dores e aflições, etc. Semelhantes afirmativas são no mínimo equivocadas e inconsequentes, pois espalham o desânimo, pessimismo, descrença, resignação incondicional. A nossa razão nos mostra que podemos e temos momentos felizes mesmo no estágio evolutivo em que nos encontramos, pois quem não fica feliz com um casamento? O nascimento do primeiro filho? Uma formatura? O primeiro emprego? No aniversário, receber aquele presente tão esperado? Jesus, profundo conhecedor, não iria contrariar as Leis Naturais, negando estes fatos. Ele se referia tão somente à felicidade plena, que é atributo apenas dos Mundos Felizes e Angélicos.

Sabemos então que para evoluirmos espiritualmente temos que realizar a nossa Reforma Íntima, mas algumas perguntas nos assaltam:

  • O que é Reforma Íntima? Ela deve ser compreendida como a chave mestra para o sucesso de sua melhora interior e, conseqüentemente, da sua felicidade exterior.
  • Para que serve? Renovar as esperanças interiores tendo por meta o fortalecimento da fé, a solidificação do amor, a incessante busca do perdão, o cultivo dos sentimentos positivos e a finalização no aperfeiçoamento do ser.
  • O que fazer? Realizar atos isolados, no dia-a-dia levando-nos a melhorar as nossas atitudes, alterando para melhor a nossa conduta aproximando-a tanto quanto possível do ideal cristão.
  • Por onde começar? Pela auto crítica.
  • Como fazer a reforma íntima? Bem …..

(Cairbar Schutel – “Fundamentos da Reforma Íntima” Abel Glaser).

Embora uma linha de pensadores espíritas entenda que os meios de o conseguir é obra e esforço de cada um, as obras literárias estão repletas de indícios e dicas.

Em “O Livro dos Espíritos” no capítulo Conhecimento de si mesmo, à pergunta 919, Allan Kardec questiona aos Espíritos:

– Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

Allan Kardec, profundo conhecedor das deficiências humanas, investiga mais a fundo no desdobramento da questão acima.

919a) – Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar…(SANTO AGOSTINHO).( O Livro dos Espíritos – Allan Kardec)”

Parece resultar daí que o conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual.

(esta é uma tarefa que compete a cada um individualmente).

Ocorre-nos lembrar de Benjamin Franklin, Estadista, escritor e inventor norte americano (inventor do para-raios, Boston 17-01-1706 – Filadélfia 17-04-1790).

Benjamin Franklin era um tipógrafo na Filadélfia, homem fracassado e cheio de dívidas, achava que tinha aptidões comuns, mas acreditava que seria capaz de adquirir os princípios básicos de viver com êxito, se pudesse apenas encontrar o método certo. Método este encontrado e relatado em seu livro a “Autobiografia de Benjamin Franklin” (1771-1788).

Benjamin Franklin, em sua juventude era um homem de muita inteligência e perspicácia, apesar de ter estudado apenas até o segundo ano primário. Era ávido por conhecimento e lia muito, estudava e escrevia ensaios e poesias. Estudava sobre tudo que lhe interessava, principalmente sobre os grandes vultos da história de todos os tempos. Por isso mesmo tinha uma grande cultura e um conceito moral muito rígido, e cobrava-se muito, bem como, cobrava aos outros a mais correta e ilibada conduta. Em suas reuniões sociais, tecia críticas francas e ácidas sobre todos os deslizes de seus colegas, sentindo um prazer mórbido em derrotar verbalmente aos seus oponentes, fato que ao longo do tempo foi deixando-o só e isolado nas reuniões a que eram “obrigados” a convidá-lo pelo seu cargo político.

Sentindo o peso deste isolamento, em conversa com um amigo muito chegado, comentou esta aversão das pessoas de seu convívio.

Tendo sido localizada a causa deste sentimento de aversão, com uma tenacidade que só as almas valorosas possuem, empreendeu luta acirrada ao combate às suas imperfeições.

Mas por mais que se esforçasse, controlava uma imperfeição, mas caía invariavelmente em outra, quando esta outra recebia a sua atenção, novo deslize fazia-o tropeçar, e a situação não avançava. Era como se estivesse tentando reter água com as mãos que, não obstante, escorria por entre seus dedos.

O isolamento continuava e até acentuava-se.

Lembrando-se das habilidades bélicas de Napoleão Bonaparte, que adotava a estratégia de “dividir para vencer”, de espírito inventivo, Franklin imaginou um método tão simples, porém tão prático, que qualquer pessoa poderia empregá-lo.

Franklin escolheu treze princípios que julgava ser necessário ou desejável aprender e procurar praticar. Escreveu-os em pequenos pedaços de cartolina, com breve resumo do assunto, e dedicou uma semana da mais rigorosa atenção a cada um desses princípios separadamente. Desse modo, pode percorrer a lista toda em treze semanas, e repetir o processo quatro vezes por ano.

Quando passava ao princípio seguinte não esquecia os anteriores, e cada vez que se pegava em falha, fazia uma pequena marca no verso do cartão, assim no retorno àquele princípio dedicava maior atenção e esforço.

Manteve em segredo o que estava fazendo, pois receava que os outros se rissem dele. (é triste constatar que até os dias de hoje nos vangloriamos de atos incorretos, falcatruas, engodos, vícios que cometemos, mas temos vergonha de admitirmos que estamos tentando melhorar praticando alguma virtude).

Ao fim de um ano Franklin havia completado quatro cursos, e constatou que já buscava com naturalidade o controle de suas falhas, apesar de estar longe de dominar com perfeição qualquer daqueles princípios.

Este procedimento deu tão certo que Franklin utilizou-o ao longo de toda a sua vida, embora mudando os princípios uma vez já tendo controlado aquela deficiência combatida.

Os treze princípios de Benjamin Franklin eram:

(Autobiografia de Benjamin Franklin):

(tais como escreveu e na ordem que lhes deu)

Temperança – Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.

Silêncio – Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.

Ordem– Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.

Resolução – Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.

Frugalidade – Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja nada desperdice.

Diligência – Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda atividade desnecessária.

Sinceridade – Não use de artifícios enganosos; pense de maneira reta e justa, e, quando falar, fale de acordo.

Justiça – A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.

Moderação – Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o merecem.

Asseio – Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.

Tranquilidade – Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.

Castidade – Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.

Humildade – Imite Jesus e Sócrates.

A quantos desejarem experimentá-lo, sugere-se analisarem-se, buscando aquelas deficiências mais comuns e corriqueiras, que sabemos possuir, ou as qualidades que não temos, mas que gostaríamos de ter, adaptando o método às necessidades e interesses de cada um. Ao alcançar uma conquista, alterar a meta, buscando por outra, que vão surgindo ao longo do tempo, mas cuidando sempre para que não incorram em recaída.

Este não é o primeiro e nem será o último método inventado, que visa à melhoria das pessoas através da reforma íntima, mas com certeza, nos aponta mais uma alternativa palpável e simples, que está ao alcance de quantos tiverem a coragem e a vontade firme de empreender esta luta íntima na escalada evolutiva.

Não é um caminho fácil. Não existe caminho fácil. Mas é um caminho seguro.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo XVII, SEDE PERFEITOS, Allan Kardec escreveu:

“Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações”.

Na Bíblia em “O Novo Testamento”, Tiago em suas epístolas nos adverte: “Fé sem obras é estéril”.

Que Jesus nos ilumine e guie.

Muita paz.

João Batista Armani

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

Bibliografia:

O Evangelho Segundo o Espiritismo. (Allan Kardec).

O Livro dos Espíritos. (Allan Kardec).

O Homem Integral. ( Divaldo Pereira Franco – Joanna de Angelis).

Autobiografia de Benjamin Franklin.

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O Espiritismo e a questão social

Deolindo Amorim

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Embora se preocupe diretamente com a vida futura ou extraterrena, não deixa o Espiritismo, todavia, de cogitar do bem-estar humano, discutindo os aspectos fundamentais da questão social. Não se pense, pois, que a Doutrina Espírita seja omissa nos pontos essenciais da vida terrena. E tanto é verdade, que o Espiritismo encara a questão social com realismo, situando-a racionalmente no ângulo em que ela se encontra. Neste ponto, conquanto não concorde com a solução puramente científica, divergindo assim, da dialética materialista de Engels e de Marx, o Espiritismo é objetivo, é muito objetivo até, porque não é nas regiões etéreas nem pela prática de penitências, mas no mundo material, pelo aperfeiçoamento das próprias instituições sociais, que procura a solução da luta entre o capital e o trabalho.

Embora o conflito social, que não é deste século, mas um fenômeno peculiar ao desenvolvimento da civilização, tenha a sua origem nas relações humanas, não pode ser resolvido exclusivamente por meios materiais. Coerente com este princípio, o Espiritismo não esposa a tese materialista e analisa a questão à luz de outra ordem de ideias. Neste momento de confusão universal, talvez nem todos os estudiosos dos problemas sociais, incluindo-se possivelmente alguns espíritas, tenham procurado conhecer o pensamento da Doutrina a respeito da questão social.

O materialismo admite o nivelamento geral enquanto que a Doutrina Espírita explica as desigualdades à luz da reencarnação, valendo recordar que a dialética materialista considere o assunto como sendo problema fundamental da sociedade e tendo natureza econômica.

Ora, a questão social existe, sim. Os problemas são evidentes. Mas o Espiritismo e o materialismo histórico encaram a questão por prismas diferentes. O Espiritismo não nega a existência da questão social, uma vez que a má distribuição da riqueza, produzindo a opulência de uns e a miséria de outros, é um fato notório e incontestável. A Igreja Católica Romana também reconhece que a riqueza não está sendo distribuída com equidade, pois não é outro o pensamento da encíclica Rerum Novarum. (1)

A questão social existe porque há desarmonia entre o capital e o trabalho, determinando o conflito de classes. Mas as soluções propostas são desiguais, de acordo com as divergências filosóficas.

Tomando-se por premissa a negação da existência da alma, está claro que o materialismo não pode chegar à conclusão espiritualista, dentro de cuja concepção o problema do homem não é exclusivamente econômico. O Espiritismo, neste particular, não diverge da Igreja, porque ambos admitem, sem qualquer atrito filosófico, três pontos primordiais: a) existência de Deus; b) imortalidade da alma; c) preponderância do princípio moral. Até aí não há divergência. A discordância entre o Espiritismo e a Igreja, em matéria filosófica, começa quando se abre a questão reencarnacionista. Embora seja também espiritualista e tenha, como o Espiritismo, aqueles três pontos de coincidência, a Igreja não admite a reencarnação e, por isso mesmo, não pode apreciar as desigualdades sociais com a mesma visão da Doutrina Espírita.

Não aceitando o princípio da igualdade absoluta, justamente porque a concepção igualitária entra em conflito com a teoria da reencarnação, o Espiritismo prescreve, todavia, solução pacífica, condicionada ao progresso moral. Pouca gente, porém, sabe o que diz a Doutrina Espírita acerca do debatido e complexo problema social. É o aspecto menos estudado no Espiritismo. Entretanto, não conheço orientação mais segura, mais equilibrada do que esta que encontramos em Obras Póstumas, de Allan Kardec (9ª edição, pág. 361): “Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhes desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio.”

Como se vê, a reforma social exige, antes de tudo, a reforma do indivíduo. Nenhuma transformação violenta resolve o problema do equilíbrio social sem obter, primeiramente, o progresso moral pela educação do espírito. A chave da questão social não está na subversão radical das instituições, porque ainda que se substitua a estrutura da sociedade ou se dê nova organização ao Estado, sem elevar o nível moral das massas, haverá os mesmos choques, uma vez que o egoísmo humano subsiste em qualquer situação. Só se poderá aperfeiçoar o mecanismo social com o gradativo aperfeiçoamento individual. A tese espírita, portanto, é realista, senão talvez a que menos se aproxima da utopia, porque se baseia no conhecimento da natureza humana.

Temos aqui, neste pequeno trecho, a interpretação da luta entre o capital e o trabalho, à luz da Doutrina Espírita: “A questão social não tem pois, por ponto de partida a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no MELHORAMENTO MORAL dos indivíduos e das massas. Aí é que se acha o princípio, a verdadeira chave da felicidade do gênero humano, porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente.” (Allan Kardec em Obras Póstumas, já citado).

Não aceito a tese comunista porque não vejo traço de afinidade entre Comunismo e Espiritismo. Não creio que a questão social possa ser resolvida satisfatoriamente por meio da solução econômica, quando é certo que as necessidades do homem não são apenas as de ordem material. O problema econômico não contém em si mesmo toda a extensão e complexidade da questão social. Portanto, a problemática das desigualdades sociais não se subordina, exclusivamente, ao desajustamento econômico. Ela reclama indagações de maior transcendência, acima do plano material, embora prevaleçam, é bem verdade, até certo limite, as causas de ordem biológica.

De acordo, pois, com a Doutrina Espírita, não creio na solução materialista. Não encontro semelhança de concepções entre a doutrina materialista e a Doutrina Espírita, porque reconheço a prevalência de três razões que considero substanciais:

a) O Espiritismo, dada a vocação de sua doutrina, está em desacordo com o materialismo, e, portanto, encara a questão social sob ponto de vista diferente.

b) Em face da reencarnação, a pedra filosofal do Espiritismo, a igualdade absoluta é impossível, sob pena de derrogação da Justiça Divina.

c) O problema da felicidade humana, tendo raízes profundas no Espírito, e não exclusivamente na matéria, está condicionado à reforma moral do indivíduo, porque na sociedade composta de indivíduos desorganizados e corrompidos, não pode gozar-se a plenitude de paz e de justiça.

Quando, pois, o indivíduo é mau, nenhum regime consegue convertê-lo em homem de bem, sem que ele se reforme interiormente. A Doutrina Espírita prescreve, exatamente por isto, a reforma do indivíduo para que se possa reformar o grupo. E sem a reforma individual, sem a observância do fator moral com base na existência do Espírito, não se destrói o antagonismo social provocado pela luta de classe e pela desproporção dos bens materiais.

Se, sob o aspecto filosófico, vejo profunda divergência entre o Espiritismo e o Comunismo, porque aquele apoia toda a sua filosofia na existência e sobrevivência do Espírito, enquanto este se baseia no materialismo histórico, não é menor a discordância sob o ponto de vista político. Ora, politicamente o Comunismo admite o direito do Estado sobre a propriedade privada, o que está em desacordo com os princípios espíritas. Veja-se Allan Kardec em O Livro dos Espíritos (Parte Terceira, cap. XI). O regime que melhor corresponde à índole da Doutrina Espírita é a democracia, porque a estrutura filosófica do Espiritismo não se adapta a nenhuma forma de poder totalitário. O nacionalismo estreito é tão contraproducente quanto o internacionalismo incondicional. A democracia é regime de conciliação, de equilíbrio, porque repele instintivamente qualquer hegemonia e permite a participação de TODOS no progresso comum, sem distinção de classes.

O sistema democrático, embora sujeito a deformações humanas, também evolui, marchando para o reinado pacífico da grande democracia cristã. Os exclusivismos são prejudiciais à ordem social, porque o progresso da sociedade depende da cooperação de todas as classes e não apenas de uma só classe.

A democracia cristã não comporta a precedência de nenhuma classe social sobre as outras, mas, ao contrário, oferece oportunidade para o bem-estar coletivo, o entendimento, a solidariedade, dentro da Justiça Social iluminada pelo Evangelho. Qualquer ditadura, seja de um indivíduo ou de uma classe, de um partido ou do Estado; seja do capitalismo ou do proletariado, da cruz ou da espada, da ciência ou da fé, não oferece ambiente propício à livre manifestação do pensamento porque é sempre unilateral. Dentro de um regime democrático não pode subsistir qualquer exceção de classe em detrimento da liberdade humana.

A questão social deixará de ser o pesadelo da civilização quando cessar a exploração do homem pelo homem com a socialização do capitalismo. O Estado é entidade abstrata. Logo, não é o Estado que traz a felicidade geral. O Estado é bom quando os homens são bons. O maior problema, portanto, é melhorar os homens. Creio, nesse caso, que a Democracia Cristã, sem o predomínio de uma classe ou de outra, mas pela união de todas as classes, realizará a maior missão social da História, resolvendo o conflito entre o capital e o trabalho, para o bem-estar geral.

Por todas estas razões é que à luz da Doutrina Espírita não aceito a tese materialista nem qualquer doutrina que reconheça a supremacia do deus Estado. Creio, finalmente, que a questão social, segundo a concepção da Doutrina Espírita, será resolvida, cedo ou tarde, mas pelo processo normal de evolução.

A desarmonia entre as classes (patrões e empregados, ricos e pobres, chefes e subordinados, governantes e governados) não será destruída pelo providencialismo de uma fórmula ou de um sistema, e sim pela compreensão recíproca, pela exatidão de consciência, pelo sentimento de tolerância, quando cada um, em qualquer circunstância ou posição em que se encontre, sem que se faça necessária a fiscalização ou a rigidez da lei, souber viver e agir dentro da sabedoria universal do DEVER.

Deolindo Amorim

Fonte: Espiritualidade e Sociedade

Deolindo Amorim nasceu na Bahia em 23 de janeiro de 1906 e desencarnou no Rio de Janeiro, em 24 de abril de 1984. É considerado, ao lado de Carlos Imbassahy e Herculano Pires, um dos maiores pensadores espíritas do Brasil. Jornalista, sociólogo, escritor espírita de estilo professoral, extremamente didático e elegante, Deolindo foi um dos maiores divulgadores do Espiritismo como cultura e voltado para a análise de questões da atualidade. Fundou o Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB), foi um dos idealizadores da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas (Abrajee) e graças ao seu empenho, em conjunto com a Liga Espírita do Brasil, realizou-se no Rio de Janeiro, em 1949, o II Congresso Espírita Pan-Americano. Obras: Espiritismo e Criminologia; O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas; Africanismo e Espiritismo; O Espiritismo e os Problemas Humanos; Ideias e Reminiscências Espíritas; Allan Kardec, o Homem e o Meio, dentre outras.

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A viagem

Iris Sinoti

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A meta do Espírito é tornar-se pleno, conquista essa que se dá através de uma longa trajetória, na qual vai realizando suas experiências e aprendizados em diversas existências corporais.

O caminho dessa trajetória não é único, porquanto o livre arbítrio, a possibilidade de escolher os próprios passos é parte importante desse processo. Como citado no Evangelho, “os caminhos do Senhor são infinitos”, os caminhos são inúmeros, assim como inúmeros são os indivíduos, e cada um deve percorrer seu próprio caminho, realizar sua viagem, vivenciar o mistério da vida, o qual normalmente é inefável e contraditória.

Carl Gustav Jung, no conceito de individuação, ressalta a necessidade de diferenciarmo-nos, a necessidade de sermos únicos e assumirmos o nosso papel nas nossas vidas. De forma resumida, a individuação é a jornada através da qual o indivíduo é impulsionado a tornar-se consciente de suas próprias potencialidades, a ser a pessoa que nasceu para ser. Para que isso ocorra, o pai da Psicologia Analítica esclareceu que é necessário diferenciar-se do coletivo para que o indivíduo possa viver sua própria identidade.

Diferenciar-se não é tarefa fácil, pois ainda somos emocionalmente dependentes das opiniões alheias, ainda somos “tentados” a manter nossas máscaras, a persona, para poder agradar ao coletivo. Muitas vezes, a pressão vem do próprio ambiente familiar, que tenta modelar o indivíduo para que cumpra o que lhe agrada, e não o chamado de sua própria alma.

Por isso mesmo, diferenciar-se para atender o chamado da individuação requer alguns requisitos essenciais, dos quais ressaltamos: coragem, humildade e perseverança.

Todos nós somos, de certo modo, programados para a grande viagem da individuação, que é um processo “natural”, ou seja, faremos esta viagem estejamos com as malas prontas e passagens comprados ou não. A diferença é a quantidade de envolvimento que disponibilizamos para fazê-la e o quanto ela seja prazerosa dependerá disso!

A vida é assim, convida, e resta-nos crescer com esses convites, recuperando-nos e principalmente assumindo as consequências, quando não aceitarmos esse convite, pois tudo é resultado das escolhas feitas e dos compromissos não assumidos.

Muitos de nós ficamos preocupados em descobrir nossa “missão”, e deixamos passar o maior trabalho que temos que realizar: o trabalho de uma vida inteira, que é o nosso processo de individuação, tornarmo-nos o mais consciente de quem somos. Somos convidados a vencer o desafio de sustentar a contraditoriedade da existência, e isso significa viver algumas experiências que amamos e outras que odiamos.

Afinal, como já recordava o apóstolo Paulo, queremos o bem, mas ainda fazemos escolhas ruins para nós e para os outros, e por isso mesmo precisamos aceitar nossa sombra como parte importante para a nossa evolução como espíritos.

Justamente por não estarmos vivendo a vida como deveríamos, aceitamos atender a pulsão de tânatos e nos deprimimos com as sombras do passado, atendemos as pressões do presente e nos envolvemos no medo do futuro, ficando cansadas e cansados da própria vida.

Não existe um único dia que o convite para essa transformação não aconteça, ele é o nosso passaporte à maturidade, à integridade, à diferenciação e à integração. Estamos aceitando esse convite? Ou elegemos a ansiedade como nossa guia na viagem chamada vida?

O que estamos fazendo da nossa vida? Mesmo que ninguém nos faça essa pergunta, um dia nossa própria alma fará. Será que teremos uma resposta? Será que estamos empenhados de fato na nossa transformação, na mudança que desejamos, ou apenas seguimos sem olharmos as sementes que estamos plantando?

Afinal, querendo ou não, “A viagem” já começou…

Iris Sinoti

Fonte: Correio Espírita

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O perispírito possui órgãos?

Ricardo Baesso de Oliveira

Quase nada sabemos a respeito do corpo que reveste o Espírito – o perispírito, da denominação kardequiana. Mais dúvidas do que certezas envolvem os estudiosos espíritas que aceitam o desafio de buscar uma melhor compreensão do corpo espiritual.

A questão da existência de órgãos divide a opinião dos autores. André Luiz, em sua vasta obra mediúnica, através de Chico Xavier, descreve no corpo espiritual os mesmos órgãos existentes no corpo físico. Nos reportamos, para ilustrar, apenas ao livro Nosso lar, quando o facultativo chamado a cuidar da saúde de André Luiz, recém-hospitalizado, descreve em seu perispírito intestinos, fígado, rins etc. [I]

Léon Denis e Gabriel Delanne consideram a possibilidade de um cérebro, no corpo espiritual. Segundo Denis, o perispírito conserva todas as aquisições do ser vivo. É no cérebro desse corpo espiritualizado que os conhecimentos se armazenam e se imprimem em linhas fosforescentes e sobre ele é que se modela e se forma o cérebro da criança, na reencarnação. [II]

Delanne segue com a mesma suposição. Examinando as aparições tangíveis, comenta que o ser que se manifesta tem, nos primeiros tempos, grande dificuldade em servir-se do seu cérebro perispiritual, que acaba de ser profunda e subitamente modificado. [III]

Para Gustavo Geley, médico francês desencarnado em 1924, o perispírito funciona como um órgão único. Referindo-se ao corpo espiritual, coloca que já não há órgãos diversos e múltiplos, mas um organismo homogêneo, fluídico – o perispírito.

Já não há sentidos especiais, mas um sentido único que os condensa a todos e generalizado por toda a superfície do perispírito. [IV]

Kardec, bem antes de todos eles, havia apresentado o perispírito tal qual a proposta de Geley. Na Revista espírita de dezembro de 1858, Kardec escreve que o perispírito é o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais […] sabemos que no Espírito há percepção, sensação, audição, visão; que essas faculdades são atributos do ser todo e não, como no homem, de uma parte apenas do ser.

Kardec se valeu deste texto na segunda edição de O Livro dos Espíritos (1860), ao redigir o significativo item 257- Ensaio teórico sobre a sensação dos Espíritos.

Como entender essa visão contraditória entre nossos mais importantes autores?

Aventamos a possibilidade de que as diferentes visões sobre o perispírito, encontradas nas obras de Kardec e de André Luiz, se devem ao fato de que Kardec, em geral, se reporta a Espíritos com grau maior de evolução intelecto-moral, vinculados a esferas superiores, enquanto André Luiz concentra seus relatos em Espíritos vivendo em regiões mais próximas da crosta terrestre.

A relativa materialidade do perispírito tende a diminuir conforme o Espírito se eleva. [V] Relevante lembrar que o corpo espiritual retrata em si os recursos da mente que lhe preside a formação. [VI] Sabemos que quanto mais os Espíritos se purificam, deslocando seus centros de interesse da corporeidade, tanto mais etérea se torna a essência do perispírito. Isso talvez explicaria a presença de órgãos no perispírito das entidades menos evoluídas, que, ainda ligadas psiquicamente à vida corpórea, materializariam em seu corpo espiritual os sistemas e aparelhos da fisiologia orgânica. O pensamento desfocado das experiências materiais justificaria a inexistência dos mesmos sistemas e aparelhos nas entidades superiores.

Ricardo Baesso de Oliveira

Fonte: Espiritismo na Rede

[I] Nosso Lar, cap. 4

[II] Depois da morte, cap. 21

[III] A reencarnação, cap. 7

[IV] Resumo da Doutrina espírita, parte I

[V Revista Espírita, dezembro 1958

[VI] Evolução em dois mundos, parte I, cap. 2

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A Astrofísica e o Espírito

Luís de Almeida

Espirito Protetor

Dizer que vivemos num mundo material, hoje em dia é simplesmente uma força de expressão, pois vivemos num mundo eminentemente energético.

A Teoria-M, vem de encontro à existência de uma partícula divina consciêncial no final da escala das partículas subatómicas. Esta, está em constante aperfeiçoamento, afirmando que os quarks, a mais ínfima partícula subatómica conhecida até o momento, estariam ligados entre si por supercordas que, de acordo com sua vibração, dariam a “tonalidade” específica ao núcleo atómico a que pertencem, dando assim as qualidades físico-químicas da partícula em questão. Querer imaginá-las traduz um enorme esforço mental, para termos uma ideia: o planeta Terra é dez a vinte ordens grandeza mais pequeno do que o universo, e o núcleo atómico é dez a vinte ordens de grandeza mais pequeno que do que a Terra. Pois bem, uma supercorda é a dez a vinte ordens mais pequena do que o núcleo atómico.

O professor Rivail, esclarece In O Livro dos Espíritos (1):

  1. A matéria é formada de um só ou de muitos elementos?

– De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.

Ou seja, é a vibração dessas infinitesimais cordinhas que são as responsáveis pelas características do átomo a que pertencem. Conforme vibrem essas dariam origem a um átomo de hidrogénio, hélio e assim por diante, que por sua vez, agregados em moléculas, dão origem a compostos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a pelo menos 11 dimensões.

Corrobora Allan Kardec In O Livro dos Espíritos (1):

  1. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?

– Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.

  1. Vimos que o Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro?

– É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigénio e o hidrogénio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio.

Essa teoria traz a ilação de que tal tonalidade vibratória fundamenta é dada por algo, de onde abstraímos a “consciência” ou espírito como factor propulsor dessas cordas quânticas. Assim sendo, isso ainda mais nos faz pensar numa unidade consciencial vibrando a partir de cada ser. Complementa Kardec In O Livro dos Espíritos (1):

  1. É eterna a lei de Deus?

– Eterna e imutável como o próprio Deus.

  1. Onde está escrita a lei de Deus?

– Na consciência.

Seguindo esta teoria e embarcando na idéia lançada por André Luiz In Evolução em Dois Mundos (3), onde somos co-criadores dessa consciência universal, e cada vez mais responsáveis por gerir o estado vibracional das nossas próprias cordinhas à medida que delas nos conscientizemos, chegaremos à harmonia perfeita quando realmente entrarmos em sintonia com a consciência geradora que está em nós – espírito, e também no todo, vulgarmente conhecida por Deus, ou como alguns físicos teóricos sustentam “O Supremo Agente Estruturador”

Socorramo-nos novamente do Codificador In O Livro dos Espíritos (1):

  1. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

– A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio – não há efeito sem causa.

  1. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?

– Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.

Interpretemos Allan Kardec In A Génese (2) Cap. II – A Providência:

  1. «A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a acção providencial. «Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores actos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua acção, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas actividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.»

Esta consciência única do raciocínio quântico, transforma-se em dois elementos: um objectivo e outro subjectivo. O subjectivo chamamos de ser quântico, universal, indivisível, como tão bem o dr. Hernâni Guimarães de Andrade definiu. A individualização desse ser é consequência de um condicionamento. Esse ser quântico é a maneira como pensamos em Deus, que é o ser criador dentro de nós.

Voltemos ao génio de Lyon In A Génese (2) Cap. II – A Providência:

  1. Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo facto de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da Natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz.

Costumamos a avaliar Deus como algo unicamente externo. Pensamos em Deus como um ser separado de nós. Isso, é uma causa dos nossos conflitos internos. Se Deus também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que Deus está exclusivamente do lado de fora, então, supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Não podemos excluir a nossa vontade, dizendo que tudo ocorre pela vontade de Deus. Temos de reconhecer o deus que há em nós, como afirmou o Doce Amigo há 2000 anos, “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”, então, seremos livres.

Allan Kardec atesta In A Génese (2) Cap. II – A Providência:

  1. «(…) Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas acções lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo. Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.»

A Astronomia continua surpreender a Humanidade ao revela-nos as leis Divinas, transformando paulatinamente o nosso olhar, e, este, tornar-se-á mais simples, como seres imortais que o somos e co-criadores do universo e seus herdeiros.

  1. Herculano Pires resume: “Na verdade, o desenvolvimento da ciência se processa exactamente na direcção dos princípios espíritas.”.

* Membro e colaborador do CECA – Centro Espírita Caridade por Amor

Rua da Picaria, 59 – 1º Frente 4050-478 Porto – www.ceca.web.pt

Luís de Almeida

(PORTO – PORTUGAL)

Fonte: Espiritualidades

Bibliografia:

(1) Kardec, Allan em O Livro dos Espíritos – Edições FEB 76ª edição

(2) Kardec, Allan em A Génese – Edições FEB 36ª edição.

(3) Luiz, André em Evolução em Dois Mundos – Edições FEB 12ª edição

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