O fanatismo não é para… espíritas!

José Lucas

Nos momentos difíceis da vida é que se vê o valor das pessoas, o seu estado de alma, as suas ações e reações que acabam por falar por elas, mostrando o seu patamar psicológico e espiritual. O fanatismo é normal num ser humano, numa Sociedade? O que nos diz o Espiritismo acerca deste tema?

Um modelo e ator russo, enviou vídeos recebidos de amigos ucranianos, para a sua mãe, na Rússia, denunciando as mentiras de Putin, as chacinas, os massacres ocorridos no país invadido. A mãe de Jean-Michel Scherbak, embrenhada na propaganda do regime russo, de Putin, fez algo impensável para um ser humano minimamente equilibrado: deserdou o filho, por não apoiar a invasão russa e, disse-lhe: “Já não és meu filho”.

O fanatismo, de acordo com os dicionários, é uma paixão excessiva, doentia.

Manifesta-se, de um modo geral, no âmbito religioso, político, futebolístico, sendo fácil de encontrar esta situação que, sempre gera desentendimentos, crispações e quebras de relações interpessoais.

Com o aparecimento da COVID 19 a situação exacerbou-se a tal ponto, entre defensores e opositores das vacinas e das máscaras, que as relações sociais foram severamente afetadas.

Amigos deixaram de o ser, amigos de redes sociais agrediam-se verbal e mutuamente e, mutuamente se bloqueavam, deixando de se falar.

Com a invasão da Ucrânia pela Rússia de Putin, não falta quem justifique tal barbárie, culpando os americanos por algo que apenas aos russos compete atribuir responsabilidades.

Esgrimem-se argumentos, todos eles “válidos”, de acordo com o ponto de vista de cada um, que não deixa de ser isso mesmo: um ponto de vista.

O fanático transforma o seu ponto de vista em paixão doentia, em verdade absoluta, desviando-se do bom senso e alimentando-se do seu próprio orgulho

Tal estado de alma retira a capacidade de raciocinar com serenidade.

As pessoas afastam-se, isolam-se na sua monoidéia, num processo de auto-obsessão que, pode degenerar em obsessão espiritual (interferência negativa de um Espírito inferior sobre o pensamento de quem com ele sintoniza, mentalmente).

Allan Kardec, na sua magistral obra “O Livro dos Espíritos”, item 908, refere: “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão torna-se perniciosa no momento em que a deixais de governar e, quando resulta num prejuízo qualquer para vós ou para outro.”

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo) é uma filosofia de vida, baseada em factos, pesquisáveis e comprováveis que demonstram que somos um Espírito imortal, temporariamente num corpo de carne, em intercâmbio permanente com o plano espiritual, semeando e colhendo, vida após vida, rumo ao estado de Espírito-puro, um dia.

Apresenta-nos a “Lei de Sociedade” como Lei divina que nos permite a evolução intelectual e moral, no contacto mútuo e permanente entre todos, aprendendo e ensinando, nesse ciclo sem fim, de evolução.

Um ditado popular enquadra-se perfeitamente nesta doutrina:

“Se as pessoas existem para serem amadas e as coisas para serem usadas, porque usamos as pessoas e amamos as coisas?”

Não faz sentido, numa Sociedade que quer, um dia, ser mais evoluída do ponto de vista moral!

Se as pessoas são imortais e as opiniões passageiras, fazer finca pé numa opinião, ao ponto de se afastar de amigos de sempre é atitude que denota enorme egoísmo, falta de senso e muito fanatismo.

O Espiritismo não vai por aí.

Enquadra-se mais no pensamento (de origem desconhecida): “O meu amigo não é o que pensa como eu, mas, o que pensa comigo”.

O Engº Hernani Guimarães Andrade, o cientista espírita do século XX, brasileiro, dizia com muita graça que “as opiniões são como os narizes: todos temos um, diferente e, ninguém tem o direito de esmurrar o nariz alheio.”

Embora possam existir pessoas adeptas do espiritismo, que são fanáticas em algum ponto da sua vida, essas atitudes nada têm a ver com a doutrina espírita (codificada por Allan Kardec) que se apresentou ao mundo, em 1857, como uma ciência filosófica de consequências morais, destinada a qualquer pessoa deste planeta, independentemente das suas convicções, sejam de que cariz forem.

A felicidade não consiste em ter razão, mas, em entender, fraternalmente, o ponto de vista alheio, mesmo se equivocado, na certeza de que amanhã o equivocado encontrará novo rumo mais certeiro.

Fazer ao próximo o que desejamos para nós mesmos, é a pedra de toque do Espiritismo e, nesse amplo sentimento de fraternidade, solidariedade e Amor, não há lugar para o fanatismo.

O fanatismo não é para… espíritas!!!

José Lucas

Fonte: Espiritismo na Rede

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Infecções Fluídicas (Os Nossos Vícios)

Marlene R.S. Nobre

INFECÇÕES FLUÍDICAS (Os Nossos Vícios)

“Da mesma maneira como existem infecções orgânicas, acontecem também as fluídicas. Muitos desencarnados, movidos por vingança, empolgam a imaginação dos adversários encarnados, com formas mentais monstruosas, classificadas pelos instrutores como “infecções fluídicas”, com grande poder destruidor, podendo levar até à loucura.

(…) É possível compreender, as…sim, os casos de possessos, relatados nos Evangelhos, que se curaram de doenças físicas ou de profunda deterioração mental, quando os Espíritos inferiores, que os subjugavam, foram retirados pela ação curadora de nosso mestre Jesus ou dos apóstolos. Mas não podemos nos esquecer que os encarnados também produzem larvas mentais, que são vampirizadas pelos desencarnados. Como vemos, na estrada do psiquismo, sempre existe dupla mão.

(…) Em *Missionários da Luz*, André Luiz continua os seus estudos sobre as larvas mentais. Observou que não têm forma esférica, nem são do tipo bastonetes como as bactérias biológicas, entretanto, formam colônias densas e terríveis. Em uma sessão, pôde examinar um rapaz, candidato ao desenvolvimento mediúnico em um centro espírita, constatando a presença de aluviões de corpúsculos negros, possuídos de espantosa mobilidade, que se deslocavam, desde a bexiga urinária, passando ao longo do cordão espermático e formando colônias compactas nas vesículas seminais, na próstata, na uretra, e invadindo os canais seminíferos, para, finalmente, lutar contra as células sexuais, aniquilando-as. Alexandre designou-os de *bacilos psíquicos da tortura sexual*, explicando que o rapaz os tem cultivado pela falta de domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, e, também, pelo contato com entidades grosseiras, que se afinam com as predileções dele. Essas companhias espirituais o visitam com frequência, como imperceptíveis vampiros.

(…) André analisou também outra candidata ao desenvolvimento da mediunidade. Em grande zona do ventre dessa senhora, observou muitos parasitos conhecidos do campo orgânico, mas lá estavam também outros como se fossem lesmas voracíssimas, que se agrupavam em colônias, desde os músculos e fibras do estômago até a válvula íleo-cecal. Semelhantes parasitos atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição.

Alexandre diagnosticou:

– Temos aqui uma pobre amiga desviada nos excessos de alimentação (…) descuidada de si mesmo, caiu na glutonaria crassa, tornando-se presa de seres de baixa condição. Um outro pretendente a médium, sob o exame de André Luiz, apresentava o aparelho gastrintestinal ensopado em aguardente, do esôfago ao bolo fecal.

(…) Alexandre ressaltou que ninguém quer fazer do mundo terrestre um cemitério de tristeza e desolação. Atender a santificada missão do sexo, no seu plano respeitável, usar um aperitivo comum, fazer a boa refeição, de modo algum significa desvios espirituais; no entanto, os excessos representam desperdícios lamentáveis de força, os quais retêm a alma nos círculos inferiores.

E concluiu o mentor: Não se pode cogitar de mediunidade construtiva, sem o equilíbrio construtivo dos aprendizes, na sublime ciência do bem-viver. O médico desencarnado desejou saber mais sobre os “bacilos mentais” que o benfeitor denominava larvas. Nascem de onde, qual a fonte?

Alexandre explicou que elas se originam da patogênese da alma: A cólera, a intemperança, os desvios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.

As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e consequências de infinitas expressões. Assim, a cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos gérmens psíquicos na esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleçam ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível.”

Da obra *A Obsessão e suas Máscaras*, de Marlene R. S. Nobre, p. 71-75.

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O sofrimento dos espíritos

Miramez

O sofrimento dos Espíritos inferiores consiste nas consequências do desrespeito às leis naturais, aquelas que marcam a harmonia da criação. Assim, elas são variáveis.

Somente depois da vivência, pelos canais da dor, é que as almas despertam no rigor dos padecimentos, reconhecendo que a obediência ser-lhes-á o melhor caminho na conquista da sua paz de consciência. Deus, sendo onisciente, fez todos os Espíritos assim, sabendo que iríamos passar por esses caminhos, para o devido aprendizado.

Os Espírito puros não sofrem; somente têm alegrias das mais apuradas, nascidas da vivência nas diretrizes que o Criador traçou para a felicidade de todas as criaturas.

A vinda de Jesus Cristo foi um ato de misericórdia de Deus para a humanidade. Ele trouxe e entregou a todos os povos o seu Evangelho, força educadora em todos os rumos, e o mundo já conhece de sobra a sua eficácia.

Os Espíritos Superiores são reconhecidos como tais, pelo seu procedimento ante a vida. Eles têm maturidade, e para chegar onde se encontram, somente o fazem pelas vias do tempo, qual a massa para fazer o pão: é necessário tempo para a fermentação indispensável.

Que fazer com os Espíritos inferiores nos seus sofrimentos? Trabalhar com esses irmãos com paciência, orando por eles e dando-lhes exemplos de fé, de confiança, de solidariedade e amor.

Por que tolerar?

Porque os benfeitores espirituais que os assistem passaram pelos mesmos caminhos.

A inferioridade induz os Espíritos inferiores às paixões desregradas, ao ciúme, ao egoísmo, ao orgulho, à violência, enfim, a ignorância é filha da infância espiritual, capaz de levar a alma aos maiores sofrimentos.

As almas são torturadas pelo que ainda não adquiriram, do modo que os Espíritos Superiores conquistaram, no entanto, isso tudo passa, e o amanhã nos mostrará que, sendo todos filhos de Deus, Ele não nos deixa órfãos. Somos todos herdeiros da divina felicidade.

A consciência, com o tempo, torna-se um celeiro de paz que nunca se perturba.

Deus fez as consciências para servirem de Sua morada, e Cristo não deixa de aparecer por lá, como sol, na obediência ao Criador.

E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo; porque diz: o velho é excelente. (Lucas, 5:39)

O Espírito amadurecido pelo tempo, tem em seu celeiro de conhecimentos o vinho divino. As suas experiências são as verdadeiras, e quem as escuta não dá ouvidos aos Espíritos equivocados.

Todos nós buscamos a palavra de Jesus, porque o Seu Evangelho é fonte de luz, é vinho de Deus na excelência do seu paladar. Quantos falsos Cristos já surgiram, e quantos deverão surgir? No entanto, isso é para conferir o verdadeiro, pelo paladar do seu vinho inigualável; quem já sorveu dele, nunca mais buscará outro.

O sofrimento dos Espíritos inferiores é falta de despertamento espiritual. Eles não sabem o que fazem; quando souberem, cessará a dor por falta da ignorância que a gera.

Os Espíritos desencarnados, qual nós, estamos ligados à humanidade por laços profundos, à qual somos devedores. Desejamos lutar junto com todas as criaturas que se encontram na Terra, até vermos e sentirmos o nascimento de nova Terra e novo Céu, na certeza de que os corações deverão conhecer e viver o amor para sempre.

É feliz somente aquele que conheceu e vive a verdade.

Ditado pelo espírito Miramez

Obra: Filosofia Espírita, Volume XX

Psicografia de João Nunes Maia

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Crianças no Além

José Marcelo Gonçalves Coelho

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Sempre nos despertou grande curiosidade a sorte das crianças após a “morte”, bem como a possibilidade de intercâmbio com aqueles que tenham se despojado prematuramente de suas roupagens carnais.

Iniciando nossa explanação a respeito do tema, citemos a questão 381, de O Livro dos Espíritos, em que Kardec assim indagava:

Por morte da criança, readquire o Espírito, imediatamente, o seu precedente vigor?

Ao que responderam os Espíritos:

“Assim tem que ser, pois que se vê desembaraçado de seu invólucro corporal. Entretanto, não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório, isto é, quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo.”

Ocorre que esse desligamento será tanto mais rápido quanto mais elevado for o grau evolutivo do Espírito em questão. Vejamos alguns exemplos:

Na quarta obra basilar da Codificação, O Céu e O Inferno, publicada pela primeira vez em 1865, temos, precisamente na segunda parte, capítulo VIII, a oportunidade de analisar uma comunicação de alto teor filosófico, que revela a rápida emancipação do Espírito Marcel, desencarnado alguns meses antes, aproximadamente aos oito anos de idade, após atrozes sofrimentos que ele havia superado de maneira exemplar.

Anos mais tarde, já no Brasil, um triste episódio marcaria sensivelmente a vida do casal Francisco e Terezinha Cruañes.

Foi em tarde ensolarada, numa fazenda do interior de São Paulo, quando a pequena Fernanda Cruañes, de apenas quatro anos de idade, caía do trator em que se encontrava, vindo a desencarnar em 08 de agosto de 1981. Menos de doze meses após o ocorrido, exatamente em 30 de julho de 1982, Fernanda se manifestava através da mediunidade segura de Francisco Cândido Xavier, em comunicação reproduzida na obra “Estamos no Além”, solicitando aos seus pais que não se entregassem tanto ao desespero, como freqüentemente vinham fazendo, posto que todas aquelas sensações de sofrimento lhe eram integralmente transmitidas. Declarava, ainda, que sua avó Jenny, também desencarnada, conduzia-lhe as mãos durante a comunicação, pois que ela se ressentia da dificuldade de “não saber escrever”, revelando um condicionamento psíquico comumente observado na maioria dos espíritos precocemente desencarnados, sem prejuízo, porém, da consistência de sua mensagem, que acusava uma situação evolutiva satisfatória.

Também pode se dar, ainda que raramente, encontrarmos “crianças” em funções espirituais de grande relevância, conforme relatado por Rafael Ranieri em sua obra Materializações Luminosas, em que ele discorre sobre diversas reuniões de materialização de espíritos em que tomou parte, inclusive com a presença de Chico Xavier.

Naquelas memoráveis sessões, o Espírito Araci, Guia Espiritual do conceituado médium Francisco Peixoto Lins (Peixotinho), tangibilizava-se sob a aparência de uma criança de aproximadamente três anos de idade. Assim também, para sua surpresa e satisfação, descobre que a dirigente espiritual daqueles trabalhos de alta importância era exatamente sua filha Heleninha, desencarnada quando contava apenas um ano e oito meses. Por vezes, ela se apresentava na forma infantil; noutras ocasiões, mostrava-se sob aparência adotada em encarnação pregressa, demonstrando grande domínio sobre seu perispírito.

Informações igualmente preciosas nos deu André Luiz, em sua obra intitulada Entre a Terra e o Céu, psicografada por Francisco Cândido Xavier.

Conta-nos ele que, em determinado momento no plano espiritual, passa a ouvir uma suave melodia; ao se aproximar, percebe que a música era entoada por um coro de crianças felizes e sorridentes, em meio a paisagens de rara beleza. Ele se encontrava no Lar da Bênção — um misto de escola de preparação para a maternidade e abrigo para espíritos que haviam desencarnado na infância. Alguns deles, naquele exato momento, recebiam a visita de suas mães, ainda encarnadas, que para lá se deslocavam por ocasião do sono físico. André Luiz, então, fascinado com o que via, questiona se haveria ali cursos primários de alfabetização; ao que a dirigente daquele educandário responde afirmativamente, pois que se tratava de um verdadeiro estabelecimento de ensino no além, que abrigava, à época, cerca de dois mil espíritos desencarnados em tenra idade, que lá permaneciam até reunir condições para retornar ao plano físico, o que se dava, na maioria das vezes, antes que o Espírito retomasse sua compleição adulta.

Surge, então, a instigante questão do “crescimento das crianças no plano espiritual”, que estará intimamente atrelada à retomada de consciência por parte do Espírito desencarnado, o que lhe permitirá plasmar as modificações necessárias em seu corpo fluídico.

Exemplo disso encontramos novamente na obra “Estamos no Além”, através do relato mediúnico de Sandra Regina Camargo. desencarnada aos nove anos de idade, após ter padecido durante três anos em virtude de pertinaz leucemia. Menos de quatro anos após seu desencarne, na noite de 17 de janeiro de 1981, ela se comunicaria com seus entes queridos, através de Chico Xavier, declarando: “saibam também que cresci. Isso aconteceu na medida de meu desejo de me fazer pessoa grande…”.

Assim também se deu com Upton, desencarnado com apenas três meses de vida. Em carta psicografada por Chico Xavier, e publicada na obra Reencontros, demonstrava ter recobrado sua maturidade espiritual em poucos anos de regresso à Vida Maior.

Há, portanto, espíritos que, tendo desencarnado na infância, em retorno ao plano espiritual reassumem em curtíssimo prazo a forma adulta que tinham antes de reencarnar, ou, ainda, outra apresentação perispiritual que lhes convenha, sempre de acordo com suas potencialidades anímicas.

Entretanto, o Espírito André Luiz, ainda na obra Entre a Terra e o Céu, nos afirma que essas são exceções, pois que a maioria dos seres que estagiam no planeta Terra necessitam de longo espaço de tempo e total amparo da Espiritualidade para se desvencilharem dos impositivos da forma infantil, a que se encontram mentalmente fixados. Ademais, são em grande número aqueles que, ao desencarnarem precocemente, adentram o plano espiritual em extremo desequilíbrio, razão pela qual são recolhidos em alas isoladas, com o fito de receberem cuidados especiais.

Certamente que a temática não se esgota neste breve estudo, todavia, desde já podemos concluir, mais uma vez, que o Espiritismo é, irrefutavelmente, o Consolador prometido por Jesus, por nos brindar com a realidade da sobrevivência da alma, notadamente em relação àqueles que retornaram às esferas espirituais quando ainda ensaiavam seus primeiros passos no mundo.

José Marcelo Gonçalves Coelho

Fonte: G.E.Casa do Caminho de S. Vicente

Bibiografia:

Kardec, Allan: O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76 ª edição.

Kardec, Allan: O Céu e o Inferno, Segunda Parte, cap. VIII, Editora FEB, 76ª edição.

Ranieri, Rafael R.: Materializações Luminosas, cap. IX, XIII e XXVI, Edições FEESP, 1989.

Xavier, Francisco Cândido (Espíritos diversas);

Estamos do Além-Instituto de Difusão Espírita, cap. 2 e 10, 1986.

Xavier, Francisco Cândido (Espíritos diversos):

Reencontros-Instituto de Difusão Espírita, cap. 10,1987.

Xavier, Francisco Cândido (André Luiz):

Evolução em Dois Mundos, Segunda Parte, cap. IV, FEB, 1991.

Xavier, Francisco Cândido (André Luiz):

Entre a Terra e o Céu, cap. X e XI, FEB, 1991.

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O poder da vontade

Itair Rodrigues Ferreira

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O nosso pensamento determina a nossa realidade. Somos seres pensantes. Dizem os Espíritos: “A forma nada vale, o pensamento é tudo.” (1)

Pensamos sempre, entretanto, existem duas ocorrências em nossas vidas das quais nunca podemos nos evadir. Uma é a morte; dela ninguém escapa; todos iremos morrer, e, a outra, é a escolha. A todo o instante de nossa vida, escolhemos o que queremos. Então, o indivíduo diz: “Sendo assim, não escolherei”. Mas, não escolher é, também, uma escolha.

Escolha é a liberdade de ação do indivíduo, o livre-arbítrio, que dá a cada um o direito inalienável de ser o que quiser. Se porventura nos fosse tirado esse direito, nós nos tornaríamos uma máquina.

A veneranda Joanna de Ângelis, escreveu: “o ser humano experimenta, em média, sessenta mil pensamentos por dia, o que demonstra a grandeza, a majestade da sua organização mental, descobrindo quanto é nobre aprender a utilizar desse tesouro abundante, que muitas vezes se perde em círculo de viciações mentais, malbaratando tempo e oportunidade em lamentações, queixas, pessimismo, desgaste das potências de que é constituído.” (2)

Viktor Frankl, o grande neuropsiquiatra austríaco, fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, a Logoterapia, afirmou: “Entre o estimulo e a reação, há sempre a escolha”.

A escolha é a vontade que seleciona o pensamento que iremos utilizar para determinar o nosso caminho, através do reflexo de nós mesmos.

Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, compara a mente humana a um grande escritório de departamentos. Possuímos o Departamento do Desejo, o Departamento da Inteligência, o Departamento da Imaginação, o Departamento da Memória, e outros ainda que definem os investimentos da alma.

“Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.

A vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.” (3)

O medo e o desejo são os grandes vilões em nossa existência. Saber administrá-los é fundamental para nossa felicidade. A nós compete a escolha.

O cérebro humano grava e executa tudo o que lhe é enviado. Por meio dos pensamentos, das palavras e dos atos, positivos ou negativos. Basta queiramos, que os aceitemos. Isso sempre acontecerá, independentemente se trará ou não trará benefícios para nós.

Um cientista de Phoenix, Arizona, EUA, queria provar a teoria da autossugestão, proposta pelo boticário Émile Coué, em 1875. Para isso, precisava de um voluntário que chegasse às últimas consequências.

Conseguiu um prisioneiro, em uma penitenciária do Estado. Era um condenado à morte, que seria executado em uma cadeira elétrica. O cientista lhe fez a seguinte proposta:

— Você participará de uma experiência científica, na qual será feito um pequeno corte em seu pulso o suficiente para go­tejar o seu sangue até a última gota. A sua chance de sobreviver será se o sangue coagular e deixar de escorrer. Se isso acontecer, você ganhará a liberdade caso contrário, você morrerá pela perda de sangue. Porém, terá uma morte sem sofrimento e sem dor.

O condenado aceitou, pois era melhor do que morrer na cadeira elétrica, e ainda teria a chance de sobreviver e contribuir numa pesquisa para o progresso humano.

No dia marcado, o condenado foi colocado em uma cama alta de hospital e amarraram o seu corpo para que não se moves­se. Um membro da equipe fez um pequeno corte em seu pulso e colocou uma pequena vasilha de alumínio em baixo da cama e lhe disse que ele ouviria o gotejar de seu sangue na vasilha.

O corte foi superficial e não atingiu nenhuma veia ou artéria, mas foi suficiente para que ele sentisse o pulso sendo cortado. Sem que ele soubesse, debaixo da sua cama colocaram também um frasco de soro com uma pequena válvula.

Ao cortarem seu pulso, abriram a válvula do frasco para que ele acreditasse que era o seu sangue que estava pingando na va­silha de alumínio.

Na verdade, era o soro do frasco que gotejava. De dez em dez minutos, o cientista e sua equipe, sem que o condenado visse, fechavam um pouco a válvula do frasco e o gotejamento diminuía.

O condenado acreditava que era o seu sangue que estava diminuindo.

Com o passar do tempo, ele foi perdendo a cor e ficando cada vez mais pálido. Quando o cientista fechou a válvula… teve uma parada cardíaca e morreu. Morreu sem ter perdido uma única gota de sangue.

O cientista conseguiu provar que o cérebro humano cumpre ao pé da letra o que lhe é enviado e aceito pela mente, seja posi­tivo, seja negativo e que sua ação envolve todo o organismo, quer seja na parte psíquica, quer seja na parte orgânica.

Escreveu Nuno Cobra, o personal trainer do grande campeão Ayrton Senna, em seu livro best seller “A Semente da Vitória”: “O cérebro é burro. Ele executa aquilo que ordenamos pelo pen­samento”.

Nosso cérebro não distingue o real da fantasia, o certo do errado; simplesmente executa o que lhe é enviado. (4)

Não podemos evitar os pensamentos, que fluem com naturalidade, entretanto, podemos impor neles, o jugo da disciplina, dominando o medo e o desejo, com o poder da vontade, que é soberana para sustentar a harmonia do espírito.

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

Dados bibliográficos:

1 – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 1, Allan Kardec, FebFEB.

2 – Vida: desafios e Soluções, Joanna de Ângelis, Divaldo P. Franco, pág. 62, 4ª ed., Leal.

3 – Pensamento e Vida, Emmanuel, Francisco C. Xavier, pág. 16, 3ª edição, FebFEB.

4 – Século XXI: A Era do Sentimento, Itair R. Ferreira, 1ª ed., pág. 125 a 127, Emican Editora.

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Aptidão para todas as aquisições

Por Orson Peter Carrara

ceu inferno

Convido o leitor pensar comigo. O título acima é um trecho pequeno de extraordinário capítulo que fala da felicidade dos espíritos puros, dos quais a única referência que temos é Jesus. O capítulo é o terceiro – com o título O Céu – composto de 19 itens, no livro O Céu e o Inferno, publicado em 1865.

No citado capítulo o Codificador apresenta maravilhosa síntese da evolução na conquista da felicidade completa que traz aos espíritos que já a alcançaram “(…) novas faculdades, novas percepções, e, por conseguinte, novos gozos desconhecidos aos espíritos inferiores; eles veem, ouvem, sentem e compreendem o que os espíritos atrasados não podem nem ver, nem ouvir, nem sentir, nem compreender. (…)”.

Será que conseguimos imaginar a felicidade completa? Será que conseguimos imaginar o que sentem aqueles que compreendem e vivem o Reino dos Céus dentro de si? Que se encantam com a grandeza da vida e seus propósitos, que já compreendem Deus em sua soberania, grandeza e bondade? Não… Não somos capazes de imaginar. Faltam-nos referenciais ainda não vividos. Ainda patinamos na mediocridade, na fase necessária do aprendizado que nos situamos.

Todavia, voltemos ao título da abordagem. Por grandeza e bondade do Criador, todos guardamos aptidões infinitas para todas as aquisições do intelecto, da moralidade, da emotividade, para os progressos sem fim que a imortalidade proporciona a todos. Não há privilégios, não há preferências. Todos somos capazes. Basta acionar a vontade!

Não é empolgante pensar nisso? Que somos capazes!!?? A lei do progresso impulsiona-nos sem cessar, as oportunidades de aprendizado e retificação do comportamento nos convidam a novas posturas, para sairmos do comodismo e da indiferença. O esforço próprio e continuado nos levará à condição de espíritos puros, onde reina a felicidade completa, ainda que não consigamos mensurar o tempo para isso… Mas é inevitável, é lei, todos alcançaremos. Só vai variar o tempo dessa conquista, a depender do esforço ou da acomodação….

É um processo, um longo estágio de aprendizados. Mas o destaque fica mesmo para que agora, hoje, no estágio que estamos, temos todos, aptidões variadas e infinitas para todas as aquisições que gradativamente nos capacitam para essa maravilhosa e incomparável conquista.

A propósito, até para acalmar os ânimos diante de tantas perplexidades do momento atual, busque o citado capítulo, o terceiro, de O Céu e o Inferno, para empolgar-se com tanta clareza e tanta visão global do complexo processo da evolução espiritual, saturado o capítulo todo dessa bondade que envolve o ser humano, desse esforço da vida em nos proporcionar alegria e confiança, fé e gratidão. Pelo simples fato e prazer de viver!

Orson Peter Carrara

Fonte: geae.net.br

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A Dor é Inevitável, o Sofrimento é Opcional

Fernando Rossit

Uma amiga deu um depoimento muito elucidativo de como a dor e o sofrimento são coisas bem diferentes.

Relatou que por ocasião do Plano Real (1994), ela e o marido possuíam uma construtora. Os negócios estavam indo de vento em popa e, da noite para o dia, eles perderam tudo e ficaram devendo milhares de reais para fornecedores e funcionários. A empresa quebrou.

Eles tinham duas opções: se desesperarem, se revoltarem ou encararem o problema de frente e buscarem a melhor solução.

Optaram por aproveitar a dor e transformá-la em ferramenta de crescimento. Passaram por inúmeras dificuldades, privações, mas não se desesperaram. Reuniram forças e deram a volta por cima.

Uma porta se fecha, muitas outras se abrem. Vida é oportunidade.

Uma outra amiga me revelou que tem dois irmãos separados.

O primeiro, seis meses após a separação, conseguiu se reerguer e voltou a ser o que era antes. Deu a volta por cima.

O outro, diante da dor da separação, optou pelo sofrimento e após 17 anos do ocorrido ainda se encontra deprimido.

A pior das mortes é o que morre dentro de nós enquanto vivemos. Tornou-se um morto vivo, um autômato, um zumbi. Morreu por dentro, não sente mais vontade de viver e aguarda o fim “definitivo”.

Imagine um casal que se separou depois de alguns anos juntos. Imagine que um deles sente uma dor terrível no início. É normal? Sim, a dor da separação é natural, é esperada. A dor, vem e vai, ela tem um movimento fluido, ela passa.  Depois de alguns anos, se essa “dor” ainda persiste, na verdade não é mais dor, é “sofrimento”, ou seja, uma dor “arrastada”.

Conheci um casal que perdeu um filho num acidente. Até hoje não se recuperaram. Sofrem dia e noite, num tormento sem fim. Se revoltaram, não aceitam a perda e se colaram na condições de vítimas da vida.

Outro casal que passou pela mesma perda, decidiu ajudar crianças órfãs e pobres. Encontraram na renovação espiritual o suporte para viver com alegria.

As perdas, todas elas, umas mais outras menos, costumam nos trazer grandes sofrimentos, mas não irremediáveis.

Dor e sofrimento são coisas diferentes.

A dor faz parte da vida, não há como evitá-la. O sofrimento, não. O sofrimento pode ser diminuído e até evitado. Vai depender de nós.

Existem maneiras de atenuarmos e evitarmos o sofrimento, trabalhando com nossos pensamentos e emoções.

O sofrimento é como se fosse uma dor crônica, não tratada, não cuidada, negligenciada.

A dor física anuncia que algo em nós não vai bem e precisa ser tratado.

A dor não é castigo: é contingência inerente à vida, cuja atuação enobrece o espírito.

O sofrimento é um conceito mais abrangente e complexo do que a dor: “em se tratando de uma doença, é o sentimento de angústia, vulnerabilidade, perda de controle e ameaça à integridade do eu. Pode existir dor sem sofrimento e sofrimento sem dor. O sofrimento, sendo mais vasto, é existencial. Ele inclui as dimensões psíquicas, psicológicas, sociais e espirituais do ser humano”.

A simples reflexão sobre a dor e o sofrimento basta para evidenciar que eles têm uma razão de ser muito profunda:

A dor é um alerta da natureza, que anuncia algum mal que está nos atingindo e que precisamos enfrentar. Se não fosse a dor sucumbiríamos a muitas doenças sem sequer nos dar conta do perigo.

– “O sofrimento é inerente ao estado de imperfeição, mas atenua-se com o progresso e desaparece quando o Espírito vence a matéria”. “O sofrimento é um meio poderoso de educação para as Almas, pois desenvolve a sensibilidade, que já é, por si mesma, um acréscimo de vida”. “O sofrimento é o misterioso operário que trabalha nas profundezas de nossa alma, e trabalha por nossa elevação”. “Em todo o universo o sofrimento é sobretudo um meio educativo e purificador”. “O primeiro juiz enviado por Deus é o sofrimento, que procura despertar a consciência adormecida”. “É apelo à ascensão. Sem ele seria difícil acordar a consciência para a realidade superior. Aguilhão benéfico, o sofrimento evita-nos a precipitação nos despenhadeiros do mal, auxilia-nos a prosseguir entre as margens do caminho, mantendo-nos a correção necessária ao êxito do plano redentor”. (Equipe Feb, 1995)

Allan Kardec, no cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz-nos que todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perda de entes queridos encontram sua consolação na fé no futuro, na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Naquele que não crê na vida futura as aflições se abatem com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem suavizar-lhe a amargura. O jugo será leve desde que obedeçamos à lei. Mas, que lei? A lei áurea deixada por Jesus: “Fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito”. Praticando-a, vamos atualizando as nossas potencialidades de justiça, amor e caridade, primeiramente com relação a Deus e, secundariamente, com relação a nós mesmos e ao nosso próximo.

Fernando Rossit

Fonte: kardecriopreto.com.br

Bibliografia de apoio:

ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967/ KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984/ IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983/ EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995/ http://www.ceismael.com.br/ http://grazielabergamini.com.br.

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A verdadeira propriedade

Escrito por Ary Brasil Marques

propriedade

A Terra é uma escola onde os espíritos passam várias temporadas com a finalidade de aprender e buscar a perfeição. A maioria dos habitantes atuais de nosso planeta ainda está em fase de valorização do ter ao invés do ser.

Isso explica a alegria que o ser humano tem ao adquirir um bem material, na doce ilusão de posse. Digo doce ilusão porque na verdade ninguém no planeta tem nada. As propriedades, os cargos elevados, os altos salários e a posse de riquezas terminam com a morte do corpo físico.

O espírito imortal recebe de Deus várias oportunidades de aprendizado, e através da reencarnação com vidas sucessivas utilizando corpos físicos diferentes, ele vai se depurando, evoluindo, crescendo, aprendendo.

Depois de algum tempo, descobre o espírito que a verdadeira propriedade ele a tem em ser e não em ter. Ao voltar para o plano espiritual, no término de cada missão terrena, os valores que leva para lá são os valores morais que adquiriu na prática do bem e do amor ao próximo. Assim, quem utiliza em sua vida do amor como forma de viver, é mais rico do que aquele que possui fortunas em bens materiais.

Uma famosa história nos conta que havia um rei de poderoso país que, apesar de possuir uma imensa riqueza e viver em palácio rodeado de ouro e pedras preciosas, vivia amargurado. Ele não se sentia feliz e vivia em profunda depressão. Na tentativa de alcançar a alegria de viver, mandou pelo mundo afora alguns mensageiros para que eles encontrassem alguém que fosse feliz para que essa pessoa lhe emprestasse sua camisa para assim, também ele, Rei, pudesse ser igualmente feliz.

Os mensageiros do Rei saíram pelo mundo. Visitaram cidades grandes e pequenas, observando as criaturas. Em todos havia sinais de preocupação, de insegurança, de medo do futuro, de revolta contra os seus governantes, de tristeza.

Já iam desistir, quando passaram pelo cais do porto, onde vários trabalhadores estavam carregando sacos de café para o interior de um navio mercante. Notaram que um daqueles homens fazia o seu trabalho cantando, sorrindo e muito alegre.

Resolveram entrevistar aquele homem e perguntar a ele se o mesmo era feliz. Caso afirmativo, iriam lhe convidar para ir com eles até o Rei. Fizeram a ele a pergunta, e o homem, mantendo o seu bom humor, disse que era realmente feliz.

O homem feliz morava em modesta casinha perto dali, e vivia alegre e cantando mesmo tendo que fazer aquele trabalho pesado de todos os dias. Os mensageiros do Rei exultaram. Finalmente poderiam cumprir as ordens do Rei. Iriam levar o homem feliz ao Rei. Pediram a ele que levasse sua camisa para o Rei.

O homem então disse que isso não seria possível. O homem feliz não possuía camisa.

Fonte: Boletim GeaE, Ano 20, Número 550, 2012

geae.net.br

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Sono e Sonambulismo

Cláudio Conti

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Léon Denis expressa com grande maestria a realidade da natureza humana ao dizer que “o homem é para si mesmo um mistério vivo. De seu ser não se conhece nem utiliza senão a superfície. Há em sua personalidade profundezas ignoradas em que dormitam forças, conhecimentos, recordações acumuladas no curso das anteriores existências, um mundo completo de ideias, de faculdades, de energias, que o envoltório carnal oculta e apaga, mas que despertam e entram em ação no sono normal e no sono magnético” [1].

Vemos, portanto, que durante o sono muitas das potencialidades humanas ficam ativas. Contudo, além do sono, o sonambulismo também é um estado em que outras mais potencialidades da alma ficam ativas. Há diferenças e similaridades entre os dois estados, mas ambos se assentam sobre o mesmo princípio: a emancipação da alma. Emancipação significa libertação e, para que essa “libertação” ocorra, é necessário uma predisposição do organismo físico.

Para adentrar nestas questões, é preciso ter em mente que o ser humano é constituído por três partes principais: espírito, perispírito e corpo físico. A constituição do perispírito, por sua vez, não é a mesma para todos os espíritos; dependendo do seu grau de adiantamento, será mais ou menos sutil. Diante disto, podemos compreender que a quantidade de matéria que “envolve” o espírito proporcionará limitações para sua manifestação, pois, quanto mais matéria, maior a limitação. Como exemplo, não podemos comparar a versatilidade durante o verão, quando usamos roupas mais leves, com o inverno, quando normalmente vestimos roupas pesadas. Nos mundos mais evoluídos, nos quais o espírito necessita de maior liberdade de ação, o envoltório material é muito mais sutil do que o corpo que conhecemos [2].

Embora comumente sejam utilizados termos relacionados com “envoltório”, não devemos imaginar que o espírito esteja enclausurado no corpo. Segundo os espíritos responsáveis pela Codificação Espírita, “a alma não se acha encerrada no corpo, qual pássaro numa gaiola. Irradia e se manifesta exteriormente, como a luz através de um globo de vidro, ou como o som em torno de um centro de sonoridade. Neste sentido, pode dizer que ela é exterior, sem que por isso constitua o envoltório do corpo…”[3].

Em uma abordagem didática, podemos considerar, em uma extremidade, algo tão sutil e etéreo como o espírito e, na outra extremidade, algo tão material como a matéria densa. Para que seja possível uma comunicação perfeita entre esses dois extremos, a composição do perispírito, de um mesmo espírito, varia seguindo um sistema de camadas, onde as camadas mais sutis do perispírito ficam mais próximas do espírito, adensando gradativamente até o contacto com o corpo físico.

Ao nos prepararmos para dormir, estamos, na verdade, nos preparando para um desprendimento. Durante o sono, o espírito se liberta parcialmente do corpo físico, mantendo-se ligado pelo cordão fluídico, que, didaticamente, podemos conceber como um fio condutor, através do qual o espírito é capaz de receber e transmitir informações, numa comunicação constante com o corpo físico, que permanece dormindo. Desta forma, mesmo com o espírito estando afastado do corpo, esse não está abandonado e o espírito mantém o controle.

Apesar de soar estranho, o espírito tem uma grande necessidade desses momentos de libertação, não sendo nem mesmo necessário que se esteja em sono profundo [4]. Neste estado de desdobramento, o espírito poderá se deslocar livremente, pois, o cordão fluídico não exerce nenhum impedimento, mesmo à longas distâncias.

Léon Denis dividiu os sonhos em três tipos principais [5]: 1) Sonho ordinário: puramente cerebral, simples repercussão das disposições físicas ou preocupações morais, além do reflexo das impressões arquivadas no cérebro durante a vigília; 2) Primeiro grau de desprendimento: mergulha no oceano de pensamentos e imagens, que de todo lado rolam no espaço, deles se impregna, e aí colhe impressões confusas, tem estranhas visões e inexplicáveis sonhos, podendo mesclar com reminiscências de vidas anteriores e; 3) Sonhos etéreos: no qual o espírito se subtrai à vida física, desprende-se da matéria, percorre a superfície da Terra e a imensidade, onde procura os seres amados e guias espirituais.

Em resumo, há três tipos do que é considerado sonho, sendo que um deles, o último, corresponde a lembranças das experiências do espírito enquanto desdobrado. E é precisamente nesse grau de liberdade que há diferença com o sonambulismo.

É no estado de sonambulismo que o espírito desdobrado se encontra em condições de usufruir maior liberdade de ação, estado no qual, estando ainda mais livre, terá percepções muito mais apuradas que no sonho.

O interessante no sonambulismo é que o espírito pode usar o seu próprio corpo para efetuar qualquer ação. Neste caso é que se dá o fenômeno de sonambulismo comumente conhecido, quando a ação do espírito sobre o corpo não é o mesmo de quando está em vigília.

Comparando o sono e o sonambulismo, é possível reconhecer que existem algumas gradações com que o espírito poderá se libertar do corpo físico. Conforme já visto, a maior ou menor quantidade de matéria que impõe limites ao espírito. Assim, podemos considerar que o grau de liberdade em que o espírito poderá vivenciar está relacionado com a camada do perispírito em que ocorre o desdobramento. Quanto mais matéria o espírito carregar consigo, isto é, quanto mais próximo do corpo ocorrer a liberação, menor o grau de liberdade, em contrapartida, quanto mais próximo do espírito, maior o grau de liberdade.

Cláudio Conti

Fonte: Correio Espírita

Notas bibliográficas:

  1. Léon Denis; No Invisível, pg. 131.
  2. Allan Kardec; O Livro dos Espíritos, questão 186.
  3. Ibidem; questão 141.
  4. Ibidem; questão 407.
  5. Léon Denis; O Invisível, pgs. 156 e 157.
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Estupro: a Visão Espírita

Marcelo Henrique Pereira

ESTUPRO: A VISÃO ESPÍRITA

Dentre os crimes existentes, mormente no âmbito da natureza sexual, um dos mais aberrantes e horrendos é, sem dúvida nenhuma, o estupro. A legislação humana – particularmente, a brasileira, – impinge-lhe uma severa capitulação, dispondo sobre ele no título reservado aos Crimes contra os Costumes, no capítulo dos Crimes contra a Liberdade Sexual, conforme os artigos reproduzidos no quadro ao lado.

A moderna legislação pátria considera-o, ainda, como crime hediondo (1), o qual significa depravado, vicioso, sórdido, imundo, repelente, repulsivo, horrendo, sinistro, pavoroso, medonho. (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª ed., p. 884, Nova Fronteira, 1986).

As características fundamentais do tipo-crime dão-nos conta da atitude criminosa de alguém que constrange outrem à prática de conjunção carnal ou ato libidinoso, por meio de violência ou grave ameaça (artigo 213, do Código Penal Brasileiro).

Deixando de lado os aspectos puramente legais do tema, pretendemos traçar uma abordagem acerca da visão espírita (e espiritual) deste ato, assim como de suas causas e conseqüências, abstratamente falando. Queremos deixar bem claro que nossas posições são pessoais, com base em informações genéricas contidas nas obras básicas da Codificação Kardequiana, em virtude da escassa bibliografia existente.

Dentre as liberdades de que a criatura humana é detentora, na qualidade de direitos fundamentais, talvez a mais significativa seja a liberdade sexual. Afinal de contas, baseada em padrões de moralidade, distintos entre si e peculiares a cada individualidade, a escolha de parceiros sexuais não obedece a nenhum padrão. O ser, baseado em sentimentos e (ainda) em instintos, deixa aflorar sua sexualidade, partindo para a busca e o encontro de um companheiro para satisfazer seu prazer, na permuta de energias sexuais.

Por isso, quando se tem notícia de que ocorreu um estupro, isto é, a conjunção carnal forçada, imposta pela força física ou pela coação moral (psicológica), estamos diante da maior violência que se pode praticar contra o ser, excetuando-se, é claro, o aborto, onde a vítima é totalmente incapaz de defender-se.

“No estupro, o que conta não é a possibilidade (ou não) de resistência da vítima às ações do agressor. Isto é secundário. Tampouco se deve verificar se a primeira, por sua ação ou intenção, manifesta em gestos, comportamentos, olhares, sinais, ou, ainda, em sua forma de trajar ou sua conversação, tenha provocado o aflorar dos desejos sexuais de outrem. Ou, ainda, se o criminoso possuía um estado psicopatológico anterior que o mantinha intimamente ligado à idéia da relação sexual, ou, até a sua vinculação mental (fixação mental) ao objeto de seus desejos. O que realmente conta é a atitude desmedida, agressiva e irracional, e a enorme carga de responsabilidade que resulta do ato cometido, que agride a função sexual da vítima e interfere na energia contida nas gônadas femininas.”

Em alguns encontros espíritas, presenciamos discussões que procuravam delimitar o estupro perante a Espiritualidade, isto é, tentavam analisar se, dentre as provas e expiações a que o homem se sujeita, em razão de seu grau evolutivo e da sua passagem por este planeta, não poderia estar planejada uma situação em que ocorreria o estupro, como forma de resgate de erros pretéritos, por parte da vítima.

O exame das obras básicas é, como dissemos, fundamental e constitui o primeiro passo, para entender tal situação.

Então, o que constitui o Planejamento Encarnatório?

Do exame de “O Livro dos Espíritos” (2), podemos extrair a cristalina idéia de que nem todas as tribulações que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós. A escolha se resume ao gênero da prova. Exemplificadamente, o Espírito de Verdade nos adverte: “Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, sabia a que tentações se expunha, mas ignorava cada um dos atos que viesse a praticar. Estes atos são efeito de sua vontade, ou de seu livre arbítrio.”

A regra norteadora, como sempre é a liberdade de ação, com a necessária atenção para a responsabilidade quanto ao reflexo destes, o resultado.

Fazendo, pois, uma analogia com o suicídio, encontramos na literatura espírita a consideração de que todos os desencarnes são previstos pela Espiritualidade, à exceção daquele, quando o ser renuncia voluntariamente à oportunidade de vida, abreviando sua existência.

Assim, afirmamos que há certa resistência de nossa parte em aceitar que uma brutalidade como o estupro possa estar incluída como uma prova escolhida pelo espírito reencarnante, tendo em vista que, deste modo, quem seria “escalado” para ser o algoz, o estuprador? Não estaria sendo ele, instrumento de uma severa e dolorosa forma de “resgate”?

“Poderiam afirmar alguns: quem sabe a vítima, numa vida, poderia retornar para ser o agressor em outra? Pois bem! Onde fica a Lei de Justiça, Amor e Caridade? Ou, quem sabe, voltaríamos nós à época da barbárie, onde a Lei de Talião era a severa espada da justiça, isto é, o que se fez, da mesma maneira se sofre? A razão espírita repudia tais considerandos…”

Todavia, há que se mencionar, também, a questão da “necessidade dos escândalos” (Mateus: 18, 6-11), tão bem enfocada por Jesus. Mas, “ai de quem seja instrumento dos escândalos”, diz a passagem, demonstrando claramente que a Lei Natural presente no Universo aproveita as situações surgidas pela vontade humana, filtrando-as e enquadrando-as no contexto das encarnações dos seres. Uma guerra ocorre por vontade humana, dos dirigentes das nações e sua efetivação ceifará muitas vidas, entre civis e militares. Portanto, as pessoas atingidas pela desencarnação violenta decorrente das guerras, assim como aquelas que terão seqüelas físicas e psicológicas, aproveitam o acontecimento funesto para resgatarem dívidas de ontem. Mas, e quanto a seus algozes, os guerreiros que provocaram mortes e ferimentos? Evidentemente, por suas atitudes, serão julgados pelo tribunal da consciência e carecerão de novos reajustes, onde saldarão seus débitos, em outras existências.

O estupro, assim, não obedece a nenhum planejamento espiritual. Todavia, em acontecendo, vítima e agressor submetem-se aos desígnios da Lei Maior, sujeitos à completa análise espiritual da questão, resultando para a primeira, por suportar a prova com coragem e resignação, condição de progresso espiritual e, para o segundo, dolorosa senda de refazimento de seus atos, esperando contar, ainda, com o perdão da primeira como forma de ajuda para superar suas próprias deficiências.

E para nós, que ainda nos revoltamos quando presenciamos notícias sobre a ocorrência de um estupro, bradando justiça, entendamos que nada escapa aos desígnios da Providência e, antes de nos transformarmos em juízes dos infelizes seres que cometem tal atrocidade, lembremos da mensagem do Nazareno do “atire a primeira pedra”, recolhendo-nos à meditação e à prece em seu favor, para que os mesmos possam sair do mar de lama em que se encontram, arrependendo-se sinceramente de seus atos, reivindicando, assim, nova oportunidade benfazeja de reparação, para, ao final, alcançar a paz e a serenidade.

(1) Lei Federal n.o 8.072/90.

(2) Questões 258 a 273.

Código Penal Brasileiro

Art. 213. Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça: Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.07.90) Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 9.281, de 04.06.96) Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 8.069, de 13.07.90)

Art. 223. Se da violência resulta lesão corporal de natureza grave:

Pena – reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.07.90)

Parágrafo único: Se do fato resulta a morte:

Pena – reclusão, de 12 (doze) a 25 (vinte e cinco) anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.07.90)

Art. 224. Presume-se a violência, se a vítima:

a) não é maior de 14 (catorze) anos;

b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância;

c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência.

Marcelo Henrique Pereira

Fonte: Portal Casa Espírita Nova Era

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