TODOS FOMOS CHAMADOS, MAS….

Jorge Hessen

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Em nosso processo evolutivo, somos convidados pelo Criador a adentrar pela porta estreita que nos conduz à vida essencial através do exercício das virtudes contidas no código moral de lei da consciência; no entanto, ao marcharmos pela estrada da vida, quase sempre abraçamos a viciação e atravessamos a porta larga que nos transporta à ansiedade e à desdita, sob o aguilhão da preguiça moral, da empáfia, das facilidades inebriantes, da luxúria, da hipnose mental, da inveja, que repletam o mundo transitório das ilusões.

Eis aí a abertura da perdição, porque são amplas as viciações que trazemos enraizadas em nossa milenar e sombria hegemonia do egoísmo. Marchando de tal modo, a vida nos relega a assumirmos as consequências de nossas escolhas egoicas, consoante indicado na máxima do Cristo: “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos”. (1)

Os escolhidos conseguem despertar as potencialidades do ser essencial, para a evolução do eu divino que somos em essência, que é infinitamente maior do que as conquistas transitórias das coisas impermanentes ao longo do tempo. Por isso, a comparação da majestática festa, onde tudo é beleza e contentamento, porque aquele que evolui essencialmente, e que passa a conhecer e conviver em harmonia com o Código moral de lei da consciência, vive de forma leve, suave, alegre e feliz.

Resolvido o problema do Espírito, pela autoeducação, pelo esforço ininterrupto, tudo nos será acrescentado e nada nos entristecerá, nem as questões econômicas, nem as dificuldades de relacionamento, ou mesmo de saúde, porque conectados com a essência divina que somos transcenderemos a todos os desafios fugazes da matéria.

A rigor, naturalmente temos dois tipos de apetite: da fome material e da fome espiritual. Para atender a fome do corpo físico nos empenhamos, lutamos, lançamos mão de todos os recursos transitórios. Mas, quanto a fome espiritual, comumente não nos cuidamos. Nem queremos saber que temos necessidade de alimento espiritual. Ignoramos essa necessidade, e até tratamos mal os que nos oferecem.

De fato, muitos de nós queremos cura para o corpo, resolver os problemas de ordem material, mas são raros os que querem aprender a amar, a servir, a ser útil a seu próximo. A História nos apresenta seres moralmente esclarecidos, que trabalharam para levar o alento espiritual (compreensão das Leis Divinas da consciência) e foram incompreendidos, insultados, e muitos pagaram com a própria vida, pelo fato de se amarem e amarem o seu semelhante. O exemplo maior é o do próprio Cristo.

A rigor, todos somos convidados. Porém, não basta sermos chamados, é necessário “vestirmos a túnica”, ou seja, purificarmos os sentimentos e praticarmos a Lei de amor, justiça e caridade, a fim de reunirmos condições para sermos escolhidos na divina festança.

Não basta saber, é preciso sentir e realizar. Não adianta tão-somente informação teórica, mas experiência transformadora. O critério da divinal escolha depende de nós, do nosso desempenho no bem, para nos adjudicar o caminho para a Vida Maior.

Jesus, referindo-se à Divina Ascensão para a Vida Maior disse que “serão muitos os chamados e poucos os escolhidos” para o reino dos céus. Isso quer dizer que, sem chamada, não há escolha. Mas se estamos claramente informados de que a chamada vem de Deus, atingindo todas as criaturas na hora justa da evolução, só a escolha, que depende do nosso discernimento e exemplificação de amor, nos confere caminho para a Vida Maior.

Sobre a questão de um dos chamamentos especiais, recordamos o Espirito Emmanuel, citando Francisco de Assis na monumental obra “A caminho da Luz”, informando que na Idade Média os apelos dos Benfeitores da Humanidade insistiram para que a igreja romana oferecesse a aplicação do código do amor e da fraternidade em todas as direções. Até porque, os movimentos tidos como “heréticos” (para os bispos da Cúria) germinavam por toda parte onde existisse consciências livres e corações sinceros, contudo, as autoridades eclesiásticas estorvaram os apelos do Alto.

No início do Século XIII, o combate contra os “hereges” abarcou o espaço de duas décadas, quando componentes do alto clero da Cúria de Roma deliberaram o baldrame do tribunal da penitência. O desígnio era precipuamente disfarçar tal empreendimento à guisa de administradora imperativa de suposta unificação religiosa, contudo o objetivo real era alargar a extensa autoridade clerical sobre as consciências livres.

Em verdade, se a Inquisição absorveu as autoridades da Igreja, antes da sua fundação, como notamos acima, do mesmo modo preocupava os Benfeitores do além, motivo pelo qual, foram providenciadas medidas de renovação educativa em chamadas específicas.

Portanto, dentre tais convocados transcendes observamos a consolidação da reencarnação do ínclito filho de Assis. Isso foi marcante, porque a convocação e a atividade de Francisco iria ser reformista sem os choques próprios da verborragia, porque o seu sacerdócio seria o exemplo na pobreza e na mais absoluta humildade.

Nem por isso, o clero entendeu que a lição franciscana lhe dizia respeito e, ainda uma vez, não abrigou os convites dos Operários Divinos. A diligência atuante do filho da Úmbria, não logrou decompor o furor de domínio dos pontífices romanos, porém deixou traços cintilantes e indeléveis da sua passagem na Terra. Seu exemplo de simplicidade e de amor, de singeleza e de fé, contagiou numerosas criaturas, que se entregaram ao mister de regenerar almas para Jesus.

De fato, os seguidores de Francisco, não aderiram a porta larga e nem repousavam à sombra dos mosteiros, na falsa quietude sob a inócua contemplação, pois que reconheciam que a melhor oração, para Deus, é a da porta estreita do trabalho útil, no aprimoramento do mundo e dos corações pelos exemplos de renúncia.

Aliás, os discípulos do conspícuo filho da Úmbria destacam no exercício do amor a universalização das profundas reflexões da memorável oração. E, quando decodificamos o cântico de Francisco, à primeira vista temos a impressão que o filho de Assis apenas nos convida a sairmos por aí (esmolando), distribuindo coisas (materiais) a serem entregues aos esfaimados, porém, na verdade, a grande proposta de Francisco é que mergulhemos em nós mesmos para que  onde houver o ódio em nosso mundo  interior levemos amor; onde houver ofensa em nosso coração que plantemos o perdão.

A oração de Francisco é um convite para trilharmos um caminho de aprendizado e autotransformação e tem o código moral de leis como referência máxima a fim de que possamos trilhar pelas vias da consciência.

Recordemos que Jesus nos convidou “vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo“.(3  Se aceitarmos esse convite , observaremos na oração de Francisco de Assis um roteiro seguro de como fazer isso, seguir o caminho do Evangelho para sermos escolhidos na condição de aprendizes do Governador planetário.

Em todas as iniciativas humanas, somos chamados para realizações nobres e, no entanto, cobertos pela sombra dos egos (evidente e mascarado), prontamente desinteressamo-nos de avançar por ausência de retorno compensador ao vazio existencial, absorvendo-nos e entulhando-nos de ansiedades e ações no afã de aquisição de coisa vãs.

Destarte, ao galgarmos a estrada da evolução, faz-se mister a prudência, a temperança, a fé, a esperança, a caridade, percorrendo o caminho das lutas, dos obstáculos, dos sacrifícios, esforçando-nos para o autoaperfeiçoamento. Deste modo, permaneceremos nos aparelhando para um porvir de contentamento e felicidade.

É uma estrada árdua, bem sabemos, pois impõe ser trilhada com cuidado, examinando onde penetrar, porque poderemos levar longo tempo para retomar o caminho que nos é próprio, e entendendo, definitivamente, a importância do vigiar e orar tão alertado por Jesus.

Encontramo-nos envoltos em ações iluminativas cada vez mais austeras. Naturalmente arrostando as lutas, adquirimos sabedoria e ascendemo-nos recorrendo à oração como fonte de energia, inelutavelmente triunfaremos sobre as dificuldades que já não nos serão intransponíveis na caminhada, mas apenas uma experiência desafio no processo de autoevolução.

Portanto, na admoestação “muitos são os chamados e poucos os escolhidos” (2) para ingressarmos nos “Recintos celestiais”, metaforizado na majestosa festa, onde tudo era felicidade e alegria, podemos compreender como um convite para a evolução essencial, consoante a afirmativa de Jesus, que o “Reino divino” está em nossa própria consciência.

Jorge Hessen

Fonte: Jorge Hessen

Referências:

1) Mateus, 20:16-20

2) idem, 22: 1-14

3) idem, 11:28-30

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Hospital Esperança (No Mundo Espiritual)

Fernando Rossit

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no Livro “Tormentos da Obsessão”, nos traz detalhes, não só nesse trecho que separamos, mas em toda a obra, sobre o Hospital Esperança, localizado no Plano Espiritual.

1

 

Vejamos:

“Erguido, graças aos esforços e sacrifícios do eminente Espírito Eurípedes Barsanulfo, na década de 1930 a 1940, aquele Sanatório passou a recolher desde então as vítimas da própria incúria, tornando-se um laboratório vivo e pulsante para a análise profunda das alienações espirituais”.

“O missionário sacramentano havia constatado ser expressivo o número de almas falidas nos compromissos relevantes, após haverem recebido as luzes do Consolador (espíritas), e que retornavam à Pátria Espiritual em lamentável estado de desequilíbrio, sofrendo sem consolo na erraticidade inferior. Movido pela compaixão que o caracteriza, empenhou-se e conseguiu sensibilizar uma expressiva equipe de trabalhadores espirituais dedicados à psiquiatria, para o socorro a esses náufragos da ilusão e do desrespeito às soberanas leis da Vida, credores de misericórdia e amparo.”

Quais são os pacientes?

-Médiuns levianos, que desrespeitaram o mandato de que se fizeram portadores;

-divulgadores descompromissados com a responsabilidade do esclarecimento espiritual;

-servidores que malograram na execução de graves tarefas da beneficência;

-escritores equipados de instrumentos culturais que deveriam plasmar imagens dignificadoras e que descambaram para as discussões estéreis e as agressões injustificáveis;

-corações que se responsabilizaram pela edificação da honra em si mesmos, abraçando a fé renovadora, e delinquiram;

-mercenários da caridade bela e pura;

-agentes da simonia (troca de bem espiritual pelo material) no Cristianismo restaurado;

Ali se encontram recolhidos, muitos deles após haverem naufragado na experiência carnal, por não terem suportado as pressões dos Espíritos vingadores, inclementes perseguidores aos quais deveriam conquistar, ao invés de lhes tornarem vítimas, extraviando-se da estrada do reto dever.

Verdadeiro Hospital-Escola, constitui um brado enérgico de advertência para os viajores do carro orgânico, que se comprometeram com as atividades de enobrecimento e amor.

Fernando Rossit

 Fonte:

-Tormentos da Obsessão, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda.

(kardecriopreto.com.br)

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Agenor, um Espírita Fracassado

(Internado no Hospital Esperança)

Fernando Rossit

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No livro “Tormentos da Obsessão”, o Espírito Manoel P. de Miranda descreve-nos detalhes do Hospital Esperança, situado no Plano Espiritual, destinado especialmente para o atendimento aos espíritos fracassados nas suas tarefas na Terra, notadamente aqueles que conheceram a Doutrina Espírita na última reencarnação.

Iremos fazer um resumo do estado espiritual de Agenor, um médium fracassado.

Manoel, o autor espiritual que estava conhecendo os trabalhos de assistência do Hospital Esperança, se deparou, numa visita aos doentes em tratamento, com Agenor, paciente que se encontrava internado em estado sonambúlico há mais de dois anos.

Seu sentimento de culpa levou-o a encarcerar-se num casulo, criado pela auto-hipnose a que se permitiu inconscientemente para fugir da dor moral.

Tratava-se o casulo de um verdadeiro esconderijo para ele, já que não conseguia suportar a consciência culpada a lhe acusar dos graves erros cometidos na última reencarnação, conquanto conhecesse a mensagem esclarecedora do Espiritismo.

“Havia adquirido estranha aparência, envolvendo-se em anéis constritores que se movimentavam ao ritmo respiratório. As formas convencionais e humanas haviam sido substituídas pela esdrúxula carapaça que o envolvia externamente, apesar de a respiração eliminar a pestilencial substância que se adensava no ar em contato com a predominante no recinto”.

Foi então que o Espírito Manoel P. de Miranda tomado de sincera compaixão, com seu pensamento alcançou a área correspondente ao cérebro de Agenor, e acompanhou a luta que era travada pelo seu Espírito mergulhado em profunda angústia. Verificava que Agenor sentia-se encarcerado naquele casulo, gritando blasfêmias e imprecações, ameaçando-se de suicídio com interregnos de alucinação.

Passava pela sua mente, como numa tela cinematográfica, os atos que havia cometido e que respondiam pela situação penosa em que se encontrava, sofrendo grande aflição.

Não conseguia raciocinar ou elaborar algum mecanismo de libertação. Apareciam na sua mente as imagens do passado, especialmente as decorrentes do uso infeliz que fizera da existência dedicada ao prazer, e, por fim, ao mergulho em distúrbio depressivo sob a ação mental de vingador inclemente que o induziu ao suicídio.

Inácio Ferreira, o mentor que acompanhava Manoel F. Miranda, informou que Agenor nasceu em lar feliz, amparado pela abnegação materna, que não soube valorizar desde os verdes anos da existência física. Convidado ao estudo do Evangelho no Lar, realizado pela mãezinha, escusava-se, renitente e ingrato. Reencarnara-se, como é normal, para recuperar-se de graves delitos, e o Espiritismo dever-lhe-ia ser a diretriz de segurança para caminhar com acerto, mas pouco assimilou das lições espíritas e cristãs.

Mas, logo que lhe foi possível, Agenor entregou-se aos disparates sexuais, enveredando pelas drogas de consumo fácil.

Nos intervalos, quando despertava dos estados de alucinação, encontrava a mãezinha vigilante a convidá-lo à mudança de comportamento, sem que os resultados se fizessem eficazes.

Nesse comemos, adveio a desencarnação da senhora, crucificada no sofrimento que ele lhe impunha, e, logo recuperando-se no Além, compreendeu que somente o tempo seria o grande educador do filho rebelde.

Os anos sucederam-se, multiplicando desequilíbrios no Agenor, que mergulhou em profunda depressão, mais consumindo drogas, até que, inspirado pelos Espíritos perversos com os quais convivia mentalmente, desertou do corpo através de uma superdose.

Sua mãezinha, já desencarnada, submissa aos desígnios de Deus e conhecedora das leis que regem a vida, ao invés de censurar ou esquecer o filho, empenhou-se em prosseguir auxiliando-o, conseguindo ampará-lo além da morte com a sua posterior transferência para o Hospital Esperança, depois de um período de tempo expressivo em que Agenor permaneceu em região espiritual correspondente à situação de suicida.

Há quinze anos desencarnado, encontrava-se no Hospital fazia 2 anos em processo de recondicionamento e reequilíbrio.

Inácio Ferreira, finaliza:

“Os momentos de calma, que foram observados, são já o resultado das induções abençoadas da genitora, que o tranquilizam por breves momentos, e que se irão ampliando até que sejam conseguidos mais significativos reflexos de paz no seu mundo interior desestruturado.”

Fernando Rossit

Fonte:  -Tormentos da Obsessão, Divaldo P. Franco/Manoel Philomeno de Miranda

kardecriopreto.com.br

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Sintonia e frequência

Por Umberto Fabbri

A doutrina espírita se mostra cada vez mais atual e revolucionária, apesar da data de sua codificação; ela não se torna obsoleta, ao contrário. Cada vez que a estudamos podemos observar que suas revelações aos poucos encontram comprovações científicas irrefutáveis, algo perfeitamente justificado, uma vez que a recebemos das grandes inteligências da dimensão espiritual.

A profundidade de seu conteúdo vai emergindo na medida em que conseguimos aprofundar nossas pesquisas e métodos investigativos.

Trouxemos hoje uma questão que parece simplória em um primeiro momento, mas, quando aplicada ao que hoje já entendemos e vivemos, se mostra grandiosa em suas aplicações e consequências.

Na questão 285 de O livro dos médiuns, Kardec comenta sobre a telegrafia humana, a comunicação à distância entre duas pessoas vivas, que se evocam reciprocamente, que entram, por vontade própria, em sintonia mental, conectando-se. Nos diz ainda que esta será a comunicação do futuro, universal de correspondência, podemos pelo pensamento nos ligar a qualquer pessoa no Universo! Isto não é pouca coisa, demonstrando o poder que um pensamento possui, quando bem treinado, focado e, claro, elevado.

Fazendo pontes pelo pensamento

Visualizando o cenário mundial, inclusive na pandemia, fomos chamados a desenvolver este potencial na raça, por necessidade. Estando longe de nossos afetos, encontramos no pensamento um modo de proximidade.

Evidentemente, a tecnologia nos auxiliou, possibilitando a comunicação, pois pudemos nos ver, conversar, mas a troca emocional que se efetua não caminha pela fibra ótica, tampouco é transmitida por satélites. A emoção, o afeto, o sentimento que trocamos, bom ou ruim, caminha por onde? Já se perguntaram? De que forma somos atingidos, impactados pelo ódio, ou somos agraciados pela troca sincera de afeto? Exatamente pelo pensamento. Entrando na mesma frequência nos sintonizamos, trocamos as energias que nos alimentam ou destroem, dependendo dos nossos objetivos, ideais, ou ainda de nossa falta de conhecimento ou displicência.

Além da possibilidade da comunicação, somos ainda defrontados a cada dia com a influência programada e cada vez mais desenvolvida para motivar o consumo ou deter nossa atenção em redes sociais, por exemplo, visando fins diversos. E os amigos poderão perguntar: qual a relação disto com a pergunta 285 de O livro dos médiuns?

É justamente a sintonia mental, a troca que se efetua com outras mentes, que não vemos e percebemos, mas com as quais nos unimos pelo pensamento, vibração, nos retroalimentando das mesmas energias de nossos interesses, algumas saudáveis, boas, outras negativas, viciosas e manipuladoras.

Como espíritas que somos, sabemos que a linguagem dos espíritos é o pensamento, e a ligação que se dá também com os desencarnados.

Vigilância e oração

O pensamento é um recurso valioso, mas que precisa, conforme nos ensina Jesus, de vigilância e oração. Vigilância para o cuidado, e justo direcionamento, e oração para manter a frequência salutar e renovadora com as mentes amorosas e boas que nos auxiliam e aconselham, consolam, inspiram.

Esta capacidade de comunicação mental nos atinge muito mais do que imaginamos em nosso dia a dia, podendo ser motivo de grandes realizações evolutivas ou nos deter e atrasar nosso crescimento espiritual.

Refletir, analisar e comandar os pensamentos é receita de saúde e bem-estar. Conforme nos diz Emmanuel no livro Fonte viva, habitamos nossa casa mental, vivendo a cada dia as consequências vibratórias das nossas certezas, crenças, convicções e escolhas e, podemos acrescentar, que nos ligando a outras mentes, esta casa mental recebe as visitas de acordo com nossos interesses e objetivos.

Tomemos o cuidado para sempre tentarmos a sintonia com o mais Alto, com o Bem, e o Amor, pois só assim nossas mentes estarão unidas com a mente criadora de Deus.

Umberto Fabbri

Fonte: correio.news

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A Ciência e o Espiritismo

Allan Kardec

cienciaeespiritismo

Para muita gente, a oposição das corporações científicas constitui, senão uma prova, pelo menos forte presunção contra o que quer que seja. Não somos dos que se insurgem contra os cientistas, pois não queremos dar azo a que de nós digam que escouceamos. Temo-los, ao contrário, em grande apreço e muito honrados nos julgaríamos se fôssemos contados entre eles. Suas opiniões, porém, não podem representar, em todas as circunstâncias, uma sentença irrevogável.

Desde que a Ciência sai da observação material dos fatos, e trata de os apreciar e explicar, o campo está aberto às conjeturas. Cada um arquiteta o seu sistemazinho, disposto a sustentá-lo com fervor, para fazê-lo prevalecer. Não vemos todos os dias as mais opostas opiniões serem alternadamente preconizadas e rejeitadas, ora repelidas como erros absurdos, para logo depois aparecerem proclamadas como verdades incontestáveis? Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. Na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem sensato.

Com relação às coisas notórias, a opinião dos cientistas é, com toda razão, fidedigna, porquanto eles sabem mais e melhor do que o vulgo. Mas, no tocante a princípios novos, a coisas desconhecidas, essa opinião quase nunca é mais do que hipotética, visto que eles não se acham, menos que os outros, sujeitos a preconceitos. Direi mesmo que o cientista tem, talvez, mais preconceitos que qualquer outro, porque uma propensão natural o leva a subordinar tudo ao ponto de vista donde mais aprofundou os seus conhecimentos: o matemático não vê prova senão numa demonstração algébrica, o químico refere tudo à ação dos elementos, etc. Aquele que se fez especialista prende todas as suas ideias à especialidade que adotou. Tirai-o daí e o vereis quase sempre desarrazoar, por querer submeter tudo ao mesmo cadinho: consequência da fraqueza humana. Assim, pois, consultarei, do melhor grado e com a maior confiança, um químico sobre uma questão de análise, um físico sobre a potência elétrica, um mecânico sobre uma força motriz. Hão, porém, de permitir-me, sem que isto afete a estima a que lhes dá direito o seu saber especial, que eu não tenha em melhor conta suas opiniões negativas acerca do Espiritismo, do que o parecer de um arquiteto sobre uma questão de música.

As ciências ordinárias assentam nas propriedades da matéria, que se pode experimentar e manipular livremente; os fenômenos espíritas repousam na ação de inteligências dotadas de vontade própria e que nos provam a cada instante não se acharem subordinadas aos nossos caprichos. As observações não podem, portanto, ser feitas da mesma forma; requerem condições especiais e outro ponto de partida. Querer submetê-las aos processos comuns de investigação é estabelecer analogias que não existem. A Ciência, propriamente dita, é, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter. O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal, que os cientistas, como indivíduos, podem adquirir, abstração feita da qualidade de cientistas. Pretender deferir a questão à Ciência equivaleria a querer que a existência ou não da alma fosse decidida por uma assembleia de físicos ou de astrônomos. Com efeito, o Espiritismo está todo na existência da alma e no seu estado depois da morte. Ora, é soberanamente ilógico imaginar-se que um homem deva ser grande psicologista, porque é eminente matemático ou notável anatomista. Dissecando o corpo humano, o anatomista procura a alma e, porque não a encontra, debaixo do seu escalpelo, como encontra um nervo, ou porque não a vê evolar-se como um gás, conclui que ela não existe, colocado num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se que tenha razão contra a opinião universal? Não. Vedes, portanto, que o Espiritismo não é da alçada da Ciência.

Quando as crenças espíritas se houverem divulgado, quando estiverem aceitas pelas massas humanas (e, a julgar pela rapidez com que se propagam, esse tempo não vem longe), com elas se dará o que tem acontecido a todas as ideias novas que encontraram oposição: os cientistas se renderão à evidência. Lá chegarão, individualmente, pela força das coisas. Até então será intempestivo desviá-los de seus trabalhos especiais, para obrigá-los a se ocuparem com um assunto estranho, que não lhes está nem nas atribuições, nem no programa. Enquanto isso não se verifica, os que, sem estudo prévio e aprofundado da matéria, se pronunciam pela negativa e escarnecem de quem não lhes subscreve o conceito, esquecem que o mesmo se deu com a maior parte das grandes descobertas que fazem honra à Humanidade. Expõem-se a ver seus nomes alongando a lista dos ilustres proscritores das ideias novas e inscritos a par dos membros da douta assembleia que, em 1752, acolheu com retumbante gargalhada a memória de Franklin sobre os para-raios, julgando-a indigna de figurar entre as comunicações que lhe eram dirigidas; e dos daquela outra que ocasionou perder a França as vantagens da iniciativa da marinha a vapor, declarando o sistema de Fulton um sonho irrealizável. Entretanto, essas eram questões da alçada daquelas corporações. Ora, se tais assembleias, que contavam em seu seio a elite dos cientistas do mundo, só tiveram a zombaria e o sarcasmo para ideias que elas não compreendiam, ideias que, alguns anos mais tarde, revolucionaram a ciência, os costumes e a indústria, como esperar que uma questão, alheia aos trabalhos que lhes são habituais, alcance hoje das suas congêneres melhor acolhimento?

Embora deploráveis, esses erros de alguns homens de ciência não poderiam privá-los dos títulos que a outros respeitos conquistaram à nossa estima. Mas será precisa a posse de um diploma oficial para se ter bom-senso? Dar-se-á que fora das cátedras acadêmicas só se encontrem tolos e imbecis? Dignem-se de lançar os olhos para os adeptos da doutrina espírita e digam se só com ignorantes deparam e se a imensa legião de homens de mérito que a têm abraçado autoriza seja ela atirada ao rol das crendices de simplórios. O caráter e o saber desses homens dão peso a esta proposição: pois que eles afirmam, forçoso é reconhecer que alguma coisa há.

Repetimos mais uma vez que, se os fatos a que aludimos se houvessem reduzido ao movimento mecânico dos corpos, a indagação da causa física desse fenômeno caberia no domínio da Ciência. Como, porém, se trata de manifestações que se produzem fora do âmbito das leis já descobertas pelos homens, elas escapam à competência da ciência material, visto não poderem exprimir-se nem por números, nem por uma força mecânica. Quando surge um fato novo, que não guarda relação com nenhuma ciência conhecida, o cientista, para estudá-lo, tem que abstrair da sua ciência e dizer a si mesmo que o que se lhe oferece constitui um estudo novo, impossível de ser feito com ideias preconcebidas.

O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. Mesmo aqueles cujas ideias são as mais falsas se apoiam na sua própria razão, e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade se honra, todos endereçavam seus apelos a esse juiz, para repeli-las. O que se chama razão não é muitas vezes senão orgulho disfarçado e quem quer que se considere infalível apresenta-se como igual a Deus. Dirigimo-nos, pois, aos que são suficientemente ponderados para duvidar do que não viram, e que, julgando do futuro pelo passado, não creem que o homem haja chegado ao apogeu nem que a Natureza lhe tenha facultado ler a última página do seu livro.

Fonte: Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita. VII. A Ciência e o Espiritismo

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O que é Reencarnação

Sergio F. Aleixo

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1.1 — Metempsicose

Lemos no “Vocabulário Espírita”: “Reencarnação — Volta do espírito à vida corpórea, pluralidade das existências”. (O Livro dos Médiuns, XXXII.)

Embora essa palavra, salvo melhor juízo, tenha surgido em meados do século XIX nas obras de Allan Kardec, o conceito de reencarnação da alma não é recente, existe há milênios. (Veja-se o nosso livro Reencarnação: lei da Bíblia, lei do Evangelho, lei de Deus (Lachâtre, 1999).)

O espiritismo, porém, não assimilou o conceito de reencarnação de doutrinas preexistentes. Como aconteceu a todos os seus princípios, os espíritos é que o proclamaram. Entendendo haver lógica no ensino reencarnacionista dos espíritos reveladores, Kardec, segundo seu método específico de codificação, elevou esse ensinamento à condição de princípio espírita. (Cf. KARDEC, O Livro dos espíritos. Parte segunda, V – Considerações sobre a pluralidade das existências. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, II — Autoridade da doutrina espírita. Controle universal do ensino dos espíritos.)

A origem das espécies (Charles Darwin, 1859) há de ter sido determinante para que o codificador do espiritismo desse como verdadeiras certas instruções que só vieram a constar da segunda e definitiva edição de O Livro dos Espíritos (1860), as quais explicam a ontogênese mediante a filogênese. Isto é, o princípio inteligente da criação, de que é constituído o próprio espírito humano, elabora-se nos reinos inferiores da natureza, numa rota evolutiva, sem solução de continuidade, “desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo [o arcanjo] começou pelo átomo”. (O Livro dos Espíritos, 540. Tradução de J. Herculano Pires, LAKE, 55ª ed., 1996. Cf. 607 e 607-a. Colchetes nossos.)

Vale bem salientarmos isso, porque, uma vez ou outra, ainda há notícias de certa confusão sobre o princípio das vidas sucessivas. As doutrinas orientais não possuem, nem poderiam originalmente possuir, o conceito de evolução. É assim que, não raro, elas têm da reencarnação idéias diferentes da que a doutrina dos espíritos proclama como lei natural. A metempsicose é um exemplo disso, admitindo a volta da alma humana em corpos animais, vegetais e até minerais…

O espiritismo ensina que o espírito passa a primeira fase do seu desenvolvimento numa série de existências anteriores ao período a que chamamos humanidade. (Ibid., 607.) Portanto, a alma humana foi o princípio inteligente dos seres inferiores da criação. Em razão disso, afirmam os espíritos que tudo na natureza se encadeia e tende para a unidade, que nesses seres inferiores, cuja totalidade estamos longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida. Segundo eles, trata-se de um trabalho preparatório, semelhante ao da germinação. O princípio inteligente sofre, assim, uma transformação, e se torna espírito. (Ibid., 607-a.)

[Kardec:] Poderia encarnar num animal o espírito que animou o corpo de um homem?

[Espíritos:] “Isso seria retrogradar e o espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.” (Ibid., 612. Colchetes nossos.)

1.2 — Carma

Outra dificuldade quanto às vidas sucessivas está numa palavra que nunca foi utilizada por Allan Kardec na Codificação do espiritismo. Trata-se do vocábulo carma — do sânscrito karman, “ação”. Os pouco estudiosos costumam empregá-la apenas num mau sentido, num sentido negativo: uma dívida do passado a ser paga no presente. Mas o carma pode igualmente ser bom, positivo.

Num ponto de vista mais global, tudo depende do conjunto de nossas ações pretéritas, do “saldo”, digamos assim, de bem e de mal que temos em nossa “conta”. Se tivermos em nosso passado mais méritos que deméritos, teremos uma “conta” cármica de saldo azul, positiva; se mais deméritos que méritos, uma “conta” cármica com saldo vermelho, negativa.

Embora a palavra carma não conste do vocabulário kardeciano, o espiritismo confirma a verdade essencial por ela expressa: o passado criou o presente e este gera o futuro.

“Por meio da pluralidade das existências, o espiritismo ensina que os males e aflições da vida são muitas vezes expiações do passado, bem como que sofremos na vida presente as conseqüências das faltas que cometemos em existência anterior e, assim, até que tenhamos pago a dívida de nossas imperfeições, pois que as existências são solidárias umas com as outras.” (KARDEC, A Gênese, XV:15.)

Observe-se que o codificador não atribui todas as vicissitudes do presente a delitos de vidas passadas. Isso se dá muitas vezes. Quer dizer que nem sempre é assim!

Em espiritismo, a reencarnação é necessária por ser o meio de evolução do espírito. Ela não existe para que o espírito sofra, mas a fim de que ele evolua rumo à perfeição a que fatalmente se destina. Qualquer masoquismo é patológico e longe está de ser uma responsabilidade da doutrina espírita.

O fato é que a reencarnação tem um objetivo: a perfeição espiritual, que não pode ser atingida sem que o espírito passe por provas e, eventualmente, na proporção exata dos males praticados, por expiações. Esta é a lei. Agrade-nos ou não. (Cf. KARDEC, O livro dos espíritos. Introdução, VI e VII.)

A doutrina é muito precisa em estabelecer que nem todo sofrimento por que passamos neste mundo resulta de uma determinada falta no passado. O espírito também busca “simples provas para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso”, o que levou Kardec a dizer que “a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, V:9. O Livro dos Espíritos, 268.)

Portanto, há três campos a considerar no que respeita a tudo que nos sobrevém nesta vida: as existências anteriores, a existência atual e os períodos entre vidas, chamados erraticidade. Nestes últimos, dependendo da situação em que se encontre, o espírito é capaz de escolher os gêneros das provas — expiatórias ou não — que melhor o conduzirão a superar-se, para avançar na evolução. (Cf. KARDEC, O Livro dos Espíritos, 871.)

A causa primordial da reencarnação, segundo o espiritismo, não está nas faltas eventualmente cometidas, mas na necessidade geral que os espíritos têm de evoluir para a perfeição a que todos igualmente se destinam. A reencarnação é, portanto, o meio de eles progredirem, não propriamente de serem punidos. (Cf. KARDEC, O Livro dos Espíritos, 133. A Gênese, XI:26.)

1.3 — O Retorno

Muitas são as conjecturas acerca da união entre a alma e o corpo. Quando e como aconteceria essa ligação?

No entender espírita, considerado em sua essência, o espírito propriamente dito constitui um ser abstrato e, portanto, indefinido. Por essa razão, não pode ele ter “ação direta” sobre a matéria. Assim, necessita para tanto de um intermediário. Tal mediador é o seu envoltório fluídico, ou perispírito. Segundo Kardec, esse revestimento é “semimaterial”, porquanto “pertence à matéria pela sua origem e à espiritualidade pela sua natureza etérea”. (A Gênese, XI:17-18.)

O fluido perispirítico, ou seja, a energética do corpo espiritual, possibilita, assim, a união entre o espírito e a matéria. Enquanto a alma está ligada ao corpo físico, o perispírito serve de veículo ao pensamento, transmite movimento às diversas partes do organismo e, por outro lado, também faz que tenham repercussão na alma as sensações que os agentes materiais produzem.

No momento em que o espírito se reencarna, um “laço fluídico”, “expansão do seu perispírito”, une-o ao óvulo fecundado. À medida que o embrião se desenvolve, esse “laço” se encurta. É assim que, no dizer de Kardec, “o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação”. Desse modo, o espírito, por meio de seu perispírito, liga-se ao organismo, à semelhança de uma planta enraizando-se na terra. (Id., ibid.)

1.4 — Nexos Causais

Focalizando dois temas algo palpitantes: vícios e genética, talvez possamos expor de uma forma mais ilustrada os nexos causais que impregnam o pensamento reencarnacionista espírita.

1.4.1 — Vícios

O homem, como já vimos, não é apenas um ser biológico e social, mas fundamentalmente um ser moral e espiritual, um conjunto de fatores combinados e intimamente relacionados.

Todos os movimentos psíquicos, ou seja, da alma ou espírito, que é um foco imortal de inteligência e consciência, ficam dinamicamente “registrados” no seu perispírito.

Podemos dizer que os vícios, do mesmo jeito que as paixões, resultam do “excesso de que se acresceu a vontade” (KARDEC, O Livro dos Espíritos, 907), ou seja, que são eles o produto de uma vontade desregrada pela indisciplina, quer nesta, quer noutras vidas.

A única coisa capaz de comprometer o perispírito é a vontade mal dirigida, a vontade mobilizada pela alma em desrespeito às leis morais que regulam a natureza espiritual da vida. Disfunções no corpo perispirítico são os resultados disso.

Preexistimos, com nosso corpo espiritual, à fecundação do óvulo. Durante todo o processo embriogenético e a própria vida extra-uterina, esse nosso corpo perispirítico constrói o corpo físico em que reencarnamos. Se o perispírito apresenta anomalias, resultantes de vícios cultivados no passado recente ou remoto, mais cedo ou mais tarde elas se manifestarão. Trata-se do princípio psicossomático.

Os vícios, em seus aspectos físicos e morais, são causa de disfunções do perispírito; constituem verdadeiros atentados contra a lei de conservação do organismo terrestre, exposta na Parte terceira de O Livro dos Espíritos, em seu Capítulo V.

O corpo de carne é um instrumento de evolução do espírito; merece, portanto, para o bem do próprio corpo fluídico que o vivifica, o respeito de uma vida regrada, seja física, seja moralmente.

Dizemos isso porque os espíritos, somente por desencarnarem, não se livram dos vícios, das paixões que na Terra cultivaram. Segundo Léon Denis [1846-1927]: “As necessidades procedem do corpo e com ele se extinguem. Os desejos e as paixões são do espírito e o acompanham”. (No invisível, cap. XIX, p. 258.)

Os desejos e as paixões mais não são do que elaborações psíquicas construídas a partir da exposição do espírito às necessidades corporais. As necessidades são do corpo, com ele terminam. Porém, as elaborações psíquicas que resultam da exposição do espírito às necessidades corporais — elaborações que constituem os desejos, e, num nível deletério, as paixões — são da alma, permanecem, sobrevivem à morte biológica.

Não devemos, por isso, acrescer de excessos a vontade que mobilizamos na satisfação de nossas necessidades e desejos. Essa vontade, porque acrescida de excessos, mobilizada em demasia, transforma-se numa paixão, escraviza-nos à matéria pelas teias do vício, e faz-nos, enfim, padecer enfermidades. Estas últimas, na sabedoria infinita de Deus, provocam um aprendizado que nos reabilitará — espíritos que somos — perante a harmonia das leis cósmicas, que funcionam numa sincronia infalível, de absoluta integração entre o físico e o moral.

“Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza espiritual. Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal denota predominância do espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.” (KARDEC, O Livro dos Espíritos, 908.)

O consumo de drogas, permitidas ou proibidas, e os hábitos sexuais ou alimentares desregrados podem ser comparados a golpes de vibrações inferiores da alma sobre o seu próprio perispírito. Essas vibrações expressam atitudes mentais enfermiças. Pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, o espírito André Luiz assegurou que elas criam bacilos psíquicos, corpúsculos negros semelhantes a larvas, verdadeiras feras microscópicas, que comprometem os centros da vitalidade orgânico-espiritual, sendo causa de várias patologias. (No Mundo Maior, cap. XIV, p. 196. Os Mensageiros, cap. 40, p. 211. Missionários da Luz, caps. 3 e 4.)

Entretanto, pode-se não cultivar estes vícios sobre os quais tradicionalmente incide a censura social, ou seja, pode-se não beber, não fumar, não falar palavrões, etc., e mesmo assim se ter um perispírito degradado, por exemplo, pela inveja, pelo ciúme, pela cólera, pelo rancor, pelo sensualismo, pela gula; enfim, pelos desequilíbrios socialmente invisíveis, mas vibratoriamente indisfarçáveis.

Toda atitude mental negativa compromete não só o perispírito que a expressa como os ambientes em que esse corpo espiritual vibra. Como já vimos, o perispírito está “encaixado” no corpo material, mas, sendo fluídico (energético), manifesta-se em volta da carne, donde influencia as ambiências externas. Compreende-se, desse modo, outro fato relatado pelo espírito André Luiz, o das aglutinações de matéria mental inferior, expelida por certa classe de pessoas. Essas aglutinações flutuam em grupos compactos pelas vias públicas, sendo, por vezes, atraídas pelos transeuntes em obediência à lei das afinidades. (Os Mensageiros, cap. 40, pp. 210-11.)

André Luiz conta-nos também um triste caso de obsessão espiritual gerada pelo alcoolismo. Quatro entidades embrutecidas se revezavam na absorção das emanações alcoólicas do aparelho digestivo de uma pessoa completamente embriagada… O quadro era tão estarrecedor que André Luiz afirma não saber se estava diante de uma pessoa embriagada ou de uma “taça viva”, cujo conteúdo era sorvido por “gênios satânicos”. (No Mundo Maior, cap. XIV, p. 196.)

O mesmo ocorre, mais ou menos gravemente, no que diz respeito a outros vícios. Ninguém os cultiva sozinho! Também por isso disse Jesus: “Vigiai e orai”. (Mateus 26:41.)

1.4.2 — Genética

Todas as coisas estão interligadas. Nada é por acaso. Mesmo a constituição genética, a tão evocada hereditariedade, relaciona-se ao histórico espiritual de cada um, quer em seus aspectos positivos, quer negativos.

A reencarnação é um movimento morfogenético. O perispírito constitui fator decisivo de influência sobre os fenômenos embriológicos e vitais. Se um espírito, no seu perispírito, traz as resultantes dessas ou daquelas vicissitudes cultivadas em suas encarnações pretéritas, pode acontecer que se veja constrangido a manifestá-las mediante estruturas biológicas comprometidas. Muitas vezes, isso é necessário para depurar o corpo perispirítico e tornar mais consciente o ser imortal.

O próprio espírito é quem arregimenta as possibilidades genéticas oferecidas pelos gametas de seus pais, possibilidades que, evidentemente, estão relacionadas à sua condição perispirítica, na qual figuram dinamicamente “inscritos” os seus “registros” causais.

O espírito recebe dos pais terrenos o material genético; porém, ele é quem discrimina, combina e influencia a estrutura íntima desse material. A reencarnação obedece, portanto, a princípios de compatibilidade, de afinidade.

Sob eventual influência de espíritos-guias, o reencarnante, por meio do perispírito, exerce uma espécie de ação discriminatória dos genes paternos e maternos, para que sejam estes, conforme seus imperativos cármicos, os adequados instrumentos de sua manifestação corpórea na Terra.

O fato é que nós, espíritos, interagindo com o meio ambiente, também concorremos para as mutações genéticas que ocasionam a evolução biológica. O acaso não existe! Isto se dá pelas múltiplas reencarnações, nas particularidades da interatividade entre a energia (perispírito) e a matéria (corpo físico). Assim, construímos as estruturas cromossômicas mediante as quais nos temos manifestado, sempre recebendo da vida exatamente o que a ela demos.

O passado espiritual determina, portanto, a parte da obra multimilenar da evolução biológica que cabe a cada ser humano reencarnante na Terra. Se lhe é outorgada a saúde ou a doença, a capacidade ou a incapacidade, vale uma vez mais o princípio cristão que estabelece: “A cada um, segundo suas obras”.

Em espiritismo, a hereditariedade está, como se vê, no campo dos efeitos e não no das causas. O perispírito é o modelo da organização biológica; a fôrma, por assim dizer, das formas corpóreas; um fator decisivo para a futura vitalidade física do reencarnante.

Podemos dizer sem medo que, do ponto de vista genético, o perispírito estabelece afinidade com os tipos de cromossomos e genes que a maneira de viver do espírito construiu e constrói no processo da sua contínua evolução, sempre em dois mundos: físico e extrafísico.

“(…) em virtude de cada espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lançamos em circulação nas correntes da vida. A cólera, o desespero, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma. (…) Cumpre reconhecer que nós mesmos, em todo o curso das experiências terrestres, na maioria das ocasiões, fomos campeões do endurecimento e da perversidade contra as nossas próprias forças vitais. Entre abusos do sexo e da alimentação, desde os anos mais tenros, nada mais fazíamos que desenvolver as tendências inferiores, cristalizando hábitos malignos. Seria, pois, de admirar tantas moléstias do corpo e degenerescências psíquicas?” (ANDRÉ LUIZ (espírito). Missionários da Luz, cap. 4, pp. 38-39. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.)

Vemos assim que as doenças, sobretudo em seus aspectos expiatórios, têm por causas primeiras a cólera, o desespero, o ódio e o vício. O espiritismo, então, como nenhuma outra doutrina, demonstra que correlatas às leis físicas existem leis morais, um perfeito intercâmbio entre o conhecimento exato e a ação justa; a ciência e a consciência; a razão e a fé.

Sergio F. Aleixo

ADE-RJ

Fonte: espiritualidades.com.br

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Espiritismo e Política

“Para que o mal triunfe, basta que os bons cruzem os braços”

Por Eliana Haddad

Luís Eduardo Girão, senador, empresário e espírita

Luís Eduardo Girão, senador, empresário e espírita

“Para que o mal triunfe, basta que os bons cruzem os braços”. A frase é do filósofo e político irlandês Edmund Burke. Uma reflexão que enaltece a importância da disposição daqueles que acreditam e agem para a construção de um mundo melhor. Há mais de 10 anos, o empresário espírita Eduardo Girão engajou-se nos bastidores da política, posicionando-se a favor da vida, no momento em que a tentativa de se descriminalizar o aborto tomava fôlego no país. Eleito senador pelo Ceará na últimas eleições, ele fala sobre os desafios a serem enfrentados nesse delicado momento por que passa o País e conta o que o motivou logo na primeira semana de trabalhos no Senado a desarquivar a Proposta de Emenda à Constituição da Vida para adicionar ao texto a questão da vida ser inviolável desde o momento da sua concepção.

Empresário, ex-presidente do Fortaleza Esporte Clube, produtor de cinema e teatro, o que o levou a entrar também para a política?

A vida foi me convidando para o serviço. Mal sabia que a espiritualidade estava me reservando a entrada na política, por mais que relutasse a minha vida inteira, embora atuasse em seus bastidores pela preservação de causas humanas, na defesa da vida, contra o aborto, contra as drogas, contra a jogatina e as armas de fogo. Sempre fui muito tímido e nunca passou pela minha cabeça um dia me candidatar a nada, apesar de muitos convites. Até que em 14 de fevereiro de 2018, passei por uma situação familiar, no exterior, muito dramática. Um garoto entrou na escola da minha filha com uma arma de fogo, disparou, matando 17 adolescentes e professores. Ela foi poupada e estava bem próxima de tudo. Para mim, ali, foi o chamamento. Por gratidão a Deus, cresceu em mim a vontade de retribuir, trabalhando para o meu semelhante. E senti que a política era algo que não poderia deixar de tentar.

Como foi a preparação para ser senador da República com mais de um milhão de votos?

Inesperado. Penso que Deus usou as pessoas de bem, de bom coração, que queriam mudança e que queriam renovação. Não tenho dúvida de que houve aí algo muito transcendental, o que aumenta a minha responsabilidade de fazer o que é certo e me dedicar no limite das minhas forças, como ensina a questão 642, de O livro dos espíritos. Nunca tinha sido candidato a nada, nem a síndico de prédio, e acabei senador eleito pelo Estado do Ceará, terra de doutor Bezerra de Menezes, o grande político humanista, em quem muito me espelho e longe do qual estou a anos-luz. Estou entusiasmado, com muita vontade de acertar.

Como espírita, em que o senhor se diferenciou na sua campanha?

Combatemos o bom combate, dentro da ética, dentro dos nossos princípios e valores durante a campanha. Apesar de ter visto os que queriam ganhar a todo custo, e mesmo sabendo da dificuldade que seria uma eleição dessa, em que todos diziam que eu deveria mostrar as falhas do outro lado, ser mais agressivo, eu disse: se for para ganhar assim, prefiro não ganhar. Vamos trabalhar com a nossas armas, com ética, serenidade. Se tivesse que acontecer, a espiritualidade colocaria a mão.

Que diferença pode fazer um espírita no Senado?

Colocar em prática aquilo que já sabe e acredita, sem querer doutrinar ninguém. Sem querer ser dono da verdade, retratando nas suas atitudes as verdades que conhece da relação entre os mundos espiritual e material, da vida após a morte. Tudo com paciência, respeito, compreendendo cada um como sendo um filho de Deus, um irmão em Cristo. Por mais que tenham um passado de erros, temos que acreditar no ser humano e não julgar. Meu objetivo é servir, mas também me melhorar. Saber ouvir, tentar tocar o coração dessas pessoas sobre algumas pautas, que pensamos diferente, tentando levar outro olhar sobre algumas questões e lembrando que estamos plantando algo do qual depois iremos sofrer suas consequências. É preciso tentar fazer a diferença, posicionando-se com coragem e não abrir mão de certos princípios. A guerra é espiritual, ela não é entre os homens, não é material. No Congresso Nacional, a energia é densa, de muitos interesses. Conto com as vibrações positivas de todos, para que tenhamos cada vez mais próxima a Regeneração e que o Brasil se torne o coração do mundo, a Pátria do Evangelho.

Como o senhor avalia a participação dos espíritas na política?

Já tivemos grandes parlamentares espíritas no Brasil: Eurípedes Barsanulfo, Freitas Nobre, Cairbar Schutel, Bezerra de Menezes, muitos nomes que são referências e que foram também passíveis de erros, como todos nós. É uma grande prova e a gente procura se espelhar nesses grandes homens de bem que por aqui passaram, tentando enfrentar nossas limitações e imperfeições, refletindo sobre o que Jesus faria em algumas situações. Vivemos um momento muito importante, tempos realmente de grande renovação.

Como conciliar ideais políticos pessoais com as direções partidárias?

Vejo isso de forma muito tranquila, porque é bom ouvir um grupo partidário, estar numa agremiação, mas jamais vou abrir mão da minha liberdade, dos valores, dos princípios que me norteiam. Acredito também que é importante ter candidaturas avulsas, independentes. Você não precisa entrar em partido para disputar uma eleição. Isso é muito democrático, já acontece em outros países, um avanço no meu ponto de vista. Já tentei fundar com um grupo de pessoas de São Paulo, do Nordeste e de outros estados um partido político, o PAZ, dedicado a ativistas da paz, pela vida. Quem sabe esse partido possa ocorrer nos próximos anos.

Como a bancada do Senado tem visto o senhor, como espírita?

As pessoas me respeitam muito. Não sou de ficar me rotulando ou rotulando algum colega porque é evangélico ou católico. Procuro colocar na prática o que a gente acredita, e alguns deduzem, perguntam qual a minha religião e aí eu digo. Muitos até acham que sou de outra corrente religiosa, porque falo muito em Deus e em Jesus e essa ousadia está mais marcada de uma forma pública pelos evangélicos. É muito interessante esse relacionamento e acho que temos que andar juntos, católicos, evangélicos, espíritas, budistas. Temos que ver o que nos une, ampliar as nossas convergências. O aborto não foi legalizado no Brasil graças a essa união

Como se tornou um ativista a favor da vida?

O assunto do aborto e das armas de fogo me tocaram profundamente a alma em 2003, depois de contatos com parlamentares, pela curiosidade de saber como poderia ser essa defesa da vida. Então me senti chamado para servir. É muito bacana isso, a oportunidade de aprendizado, de participar de marchas, de fazer filmes, de fazer documentários, peças de teatro, palestras, seminários. Isso foi me trazendo muita luz, conhecimento, motivação para levar para as pessoas um outro olhar.

Logo nas primeiras sessões do Senado deste ano, o senhor conseguiu paralisar a pauta de aprovação do aborto no Brasil. Quais os próximos passos?

Tivemos a bênção de resgatar a Proposta de Emenda à Constituição da Vida (nº29, de 2015), que coloca como cláusula pétrea que o direito à vida é inviolável ‘desde a concepção’. Esse complemento acaba judicialmente com as tentativas de se legalizar o aborto. O povo brasileiro já disse que os valores dele são contra o aborto. E nós estamos aqui para legislar. Será uma grande conquista para que o Brasil não manche a sua linda bandeira com o sangue de inocentes, e de mulheres, porque no aborto não é apenas a criança que é vítima, que é assassinada, mas também a mulher, que fica com traumas, de ordem mental, psicológica, emocional e física. Com propensão a crises de depressão, ansiedade, a maior envolvimento com álcool e drogas e até o suicídio.

Qual sua análise sobre o momento atual do Brasil?

Houve uma grande transformação no Congresso, especialmente no Senado. É um momento riquíssimo. Mas ao mesmo tempo muito delicado, porque não podemos transformar Brasília em uma ‘Bastilha’. Os poderes estão sendo investigados. Há uma demanda da sociedade brasileira. São denúncias robustas. E o único poder que tem a prerrogativa para fazer isso é o legislativo através do senado. Estamos vivendo um problema grave de crise política, econômica e social, com 13 milhões de desempregados. Mas a mãe de todas crises é a crise moral e essa deve ser debelada prioritariamente.

Como os espíritas podem participar mais ativamente na condução das pautas político-sociais e econômicas do Brasil?

Pelos conhecimentos que possui da encarnação, da comunicação com os Espíritos, da pluralidade das existências, dessa relação do mundo espiritual e material, causa e efeito. Os espíritas têm papel fundamental na condução do país. Acho que nós tivemos algum problema em outras vidas por utilização equivocada no poder e do dinheiro e hoje a gente fica muito receoso de errar de novo. Penso que o espírita tem que participar da política. Não podemos nos omitir. O estadista, Edmundo Burke (1729-1797) tem uma frase bastante interessante: “Para que o mal triunfe, basta que os bons cruzem os braços”. Platão, antes de Cristo, também disse que “o destino das pessoas boas e justas que não gostam de política é serem governadas por pessoas não tão boas e não tão justas que gostam de política”. É um convite ao serviço, a fazer a caridade em maior escala através da política humana, uma grande oportunidade. A gente sabe do trabalho que os espíritas têm desenvolvido nas outras áreas sociais, no terceiro setor. Chegou a hora de entrar na política, com coragem e responsabilidade, não focando em nichos espíritas para se eleger, mas em colocar as ideias aos diversos públicos.

Num exercício de visão de futuro, o que o senhor pretende ter realizado ao final do seu mandato?

Peço a Deus que depois desses oito anos eu possa ter cumprido tudo que eu puder fazer no limite das minhas forças. Tudo o que você planta, você colhe. Que eu possa entregar uma sociedade mais justa, mais fraterna para nossos filhos e netos, mais espiritualizada, com menor desigualdade, com princípios, valores definidos, as pessoas com maior despertar de consciência nesses debates, com novas leis. Espero corresponder a toda essa generosidade da espiritualidade e à confiança em mim depositada. Que tenhamos sabedoria, saúde, discernimento e vontade de fazer o que tem de ser feito. E, daqui a oito anos, que eu possa voltar para minha família, para uma atividade de bastidores, dentro do meu tempo, com liberdade. Mas até lá, quero entrar de cabeça, me dedicar nesses anos importantes da minha vida. Tenho 46 anos. Se Deus permitir, com 54 anos poderei fazer outras reflexões da vida, outros trabalhos também. O Brasil precisa de muitas orações a seus governantes e ministros. Com amor, trabalho e fé, vamos chegar lá. Assim espero.

(Artigo original publicado no Jornal Correio Fraterno)

Fonte: correio.news

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A necessidade do estudo

Rogério Coelho

A NECESSIDADE DO ESTUDO

Os livros espíritas são degraus que oferecem acesso à luz do conhecimento maior “(…) espíritas, instruí-vos…” – O Espírito de Verdade (1)

O verbo “estudar” é o mais conjugado por todos os Instrutores Espirituais a começar pelo Espírito de Verdade.

Em “O Livro dos Espíritos” q. 780, os Benfeitores Amigos afirmam que o progresso moral vem a reboque do progresso intelectual. Sem o estudo, como lograr esses dois tipos de progresso?!

É pelo estudo da Doutrina Espírita que descobrimos que a causa de todos os males da humanidade se apoia nos pilares do orgulho e do egoísmo; e é também pelo autoconhecimento que podemos estabelecer uma programação de melhoria íntima gradual.

A Codificação Espírita, juntamente com as excelentes obras que lhe são subsidiárias, tais as da lavra de Léon Denis, André Luiz, Emmanuel, Yvonne Pereira, Camilo, Irmão José, Joanna de Ângelis, Amélia Rodrigues, Manoel Philomeno de Miranda, Vianna de Carvalho etc…, constituem o imbatível cardápio de luz com o qual podemos alimentar o Espírito, facultando-lhe o conhecimento emancipador…

O Espiritismo oferece-nos “a chave para compreendermos tudo de maneira fácil”, e em “espírito e verdade” especialmente os ensinamentos de Jesus.

No livro: “Atualidade do pensamento Espírita”, (LEAL), Vianna de Carvalho, através da mediunidade de Divaldo Franco, esclarece: “(…) o conhecimento elevado sempre liberta o Espírito de suas paixões perturbadoras. Assim, quando os postulados espiritistas forem conhecidos e vividos, haverá uma radical mudança de comportamento em todas as áreas do pensamento e do relacionamento interpessoal, tempo em que o amor vicejará forte nos corações, banindo em definitivo, da Terra, os terríveis monstros do egoísmo, da guerra, da desolação, da infelicidade. (…) Quanto mais instruções recebermos, melhores possibilidades haverão para compreendermos os objetivos essenciais da existência e a finalidade da nossa jornada terrena”.

A ancestral e, entre nós, pouquíssima conhecidíssima cultura árabe compara todo livro a um degrau. Sendo que o bom livro é um degrau que nos leva para cima, na direção dos arejados proscênios de luz; o mau livro é um degrau que nos leva para os baixios pantanosos, para os pestilentos marnéis existenciais.

Portanto, não fica difícil deduzir que tipos de degraus são aqueles que apontamos acima e para onde devem nos levar… Assim, se desejamos – verdadeiramente – nos modificarmos, construindo um futuro espiritual melhor, devemos nos empenhar em estudar e conhecer a bibliografia espiritista, verdadeiros degraus de luz, a começar pela Codificação Espírita. Ali vamos encontrar explicações filosóficas, com embasamento científico e consequências religiosas. Destarte descobriremos novos caminhos, novos posicionamentos, nova compreensão que, por certo, modificarão a nossa forma de pensar, de ver, de falar e de agir… é o progresso intelectual engendrando o progresso moral, constituindo-se ambos os fatores que impulsionarão a nossa definitiva emancipação espiritual.

O Espírito de Verdade não aconselharia a “instrução”, se tal não fosse essencial para o nosso progresso.

Portanto, tenhamos o gosto pela leitura e dirijamo-nos – perseverante e obstinadamente – às searas dos estudos que nos ensejarão o conhecimento alforriador, conhecimento esse que, por sua vez, nos livrará da ignorância ancestral que tanto prejuízo tem causado à nossa economia espiritual.

Rogério Coelho

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 125.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, cap. VI, item 5.

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Aparições de espíritos no momento da morte

Por José Lucas

Uma análise de alguns casos investigados pelo pesquisador Ernesto Bozzano, que são claras evidências da vida após a morte do corpo

Momentos antes de morrer, muitas pessoas alegam ver junto de si seres conhecidos, familiares e amigos, também já falecidos. O estudo destes fenômenos tem tido o interesse de muitos pesquisadores.

Ernesto Bozzano (1861-1943) foi um dos mais eruditos sábios dos últimos tempos. Foi um famoso escritor italiano, mundialmente conhecido pelas excelentes obras espíritas legadas ao mundo, através de suas investigações. Uma de suas pesquisas denomina-se Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte e relata muitos casos confirmados e catalogados de pessoas que tiveram contato visual com seres conhecidos, familiares, amigos, todos eles já falecidos e que viriam então “buscá-los” para a sua nova vida. Fatos muito interessantes que acontecem amiúde, e que os mais desavisados facilmente consideram ser apenas uma alucinação visual, não dando a menor importância aos mesmos.

Irei dissecar, neste espaço, algumas das nuanças existentes neste tipo de fenômenos psíquicos, no momento da morte do corpo físico.

Ensina-nos o Espiritismo (ver O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec) que as pessoas, quando o corpo físico vai se deteriorando ao ponto de não mais suportar a vida no planeta Terra, começam a desligar-se naturalmente, passo a passo, desse mesmo corpo.

Sendo o ser humano um espírito eterno, que tem temporariamente um corpo físico, esse ser volta um dia para o mundo espiritual, continuando aí a viver em várias cidades e organizações existentes nesse mesmo mundo espiritual, mas, agora, vivendo com o corpo espiritual (denominado de perispírito), que é uma espécie de duplicação do corpo físico, só que em outro estado da matéria.

Nesse sentido, e por um processo de “condensação” desse mesmo corpo espiritual, é possível aos falecidos (chamados de desencarnados, isto é, fora do corpo de carne) tornarem-se visíveis perante nós, encarnados. É o que acontece amiúde com pessoas que se encontram em estado de doença prolongada e que vão, assim, desligando-se paulatinamente do corpo físico, estando por vezes, no momento da morte, mais “do lado de lá” do que “no lado de cá”, como é usual dizer-se. Essas pessoas, descrevem seres conhecidos já falecidos, que estão ao seu lado, amistosamente, e relatam muitas vezes suas conversas com esses mesmo seres, podendo inclusive prever com alegria o momento da morte do corpo físico.

Um caso pessoal

Recordo-me de um caso curioso que aconteceu na minha família. A minha avó materna, excelente pessoa com quem tinha muita afinidade, já bastante idosa, entrou em estado de doença. Sendo diabética, poder-se-ia, no entanto, dizer que a sua doença seria aquilo a que comumente se designa de velhice. Acamada, e com os extremados zelos da minha mãe, diariamente inteirava-me do seu estado de saúde. Um dia, a minha mãe, muito preocupada, veio dizer-me que a minha avó começara a delirar, isto é, que ao acordar de manhã, falava como se estivesse em outra casa, dizendo que queria ir para a sua casa (onde se encontrava acamada), e relatando com extrema felicidade que o seu marido, bem como seus pais (já falecidos), estavam muito luminosos, felizes, e que estavam ali com ela. Depois, com o passar dos minutos, lá se apercebia que estava em sua casa, realmente. Neófito no Espiritismo, informei a minha genitora que era muito comum isso acontecer às pessoas que estão para desencarnar e que fosse se preparando para o desenlace, pois tudo indicaria que assim acontecesse. De fato, passadas três semanas de consecutivos relatos diários de visitas dos familiares já falecidos, minha avó acabou por desencarnar em muita paz e serenidade.

As pessoas mais distraídas facilmente dirão que se tratam de alucinações as descrições que os moribundos muitas vezes fazem, de seres conhecidos, já falecidos, que eles dizem estarem ali no momento da morte. No entanto, a investigação e uma análise mais cuidada do assunto, por parte de investigadores conceituados, mostra-nos o contrário. Diz Ernesto Bozzano que “(…)se o pensamento, ardentemente voltado para as pessoas caras, fosse a causa determinante dos fenômenos, o moribundo, em lugar de experimentar exclusivamente formas alucinatórias representando defuntos – por vezes, mesmo, defuntos esquecidos pelo doente – deveria ser sujeito, as mais das vezes, a formas alucinatórias representando pessoas vivas às quais fosse vivamente ligado – o que não se produz (…) São bem conhecidos casos de agonizantes que têm tido visões de fantasmas que se crê sejam de pessoas vivas; mas, nesses casos, verifica-se invariavelmente, em seguida, que essas pessoas tinham morrido pouco antes, posto que nenhum dos assistentes nem o próprio doente o soubessem” – Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte, Ernesto Bozzano, FEB.

Refere ainda Ernesto Bozzano: “(…) já citei um fato (VIII Caso), no qual o moribundo, percebendo aparições semelhantes, exclama:

– Como! Mas são pessoas como nós! – Sobre o que o narrador observa: ‘Provavelmente, ele sentia a imaginação cheia das imagens habituais dos anjos alados e das harpas angélicas; por consequência, nada mais provável que no último momento haja exprimido surpresa, vendo que os mortos que o vinham acolher tinham o aspecto de pessoas como nós’. Contarei mais adiante (XXIV caso) um terceiro episódio concernente a uma menina de 10 anos, que, por seu turno, manifesta admiração vendo ‘anjos sem asas’. Ora, esses incidentes apresentam um valor probante real, pois que os fantasmas alucinatórios, como se sabe, tomam formas correspondentes às ideias que se têm figurado, anteriormente, na mentalidade do doente, e não podia ser de outra maneira. Resulta daí que, se a ideia dos anjos alados (de que temos ouvido falar por nossa mãe durante nossa infância e de que mais tarde lemos a descrição na Bíblia e vemos centenas de vezes representada nos quadros de assuntos religiosos), se tivesse gravado nas vias cerebrais do doente, este deveria supor estar vendo anjos com asas. Ora, como vimos nos casos narrados, os moribundos, dominados por essa ideia preconcebida, perceberam fantasmas cuja aparência era contrária à ideia em questão; devemos, pois, concluir que, nas circunstâncias descritas, se trata de aparições verídicas de fantasmas de defuntos e não de alucinações patológicas.”

Vamos ver um caso de um moribundo que vê fantasmas de defuntos que não conhece, se bem que fossem eles conhecidos dos de sua roda, o que elimina a hipótese da autossugestão (extraído do Journal of The American Society for Psychical Research, 1907).

“…Fui encontrar uma senhora, cujo filho, uma criança de 9 anos, morrera há 15 dias. Tinha sido operado de apendicite, dois ou três anos antes e a operação provocara uma peritonite, de que se tinha, no entanto, curado. Mas ficou de novo doente e foi preciso transportá-lo ao hospital para nova operação. Quando acordou da anestesia, estava perfeitamente consciente, reconheceu os seus pais, o médico e a enfermeira. Teve, no entanto, o pressentimento de morrer e pediu à sua mãe que lhe segurasse a mão até a hora de se ir embora… Olhando para o alto, disse:

‘– Mãe, não vês lá em cima a minha irmãzinha?’

‘– Não, querido, onde a vês?’

‘– Aqui; ela olha para mim.’

Então, a mãe, para acalmá-lo, assegurou-lhe que a via também. Algum tempo depois, a criança sorriu de novo e disse:

‘– Quem está agora é a Sra. C…., que também vem me ver.’ (Era uma senhora de quem ele gostava muito e que tinha morrido dois anos antes). ‘Ela sorri e chama-me… Chega também Roy. Eu vou com eles, mas não te queria abandonar, mãe, e tu virás em breve ter comigo, não é? Abre a porta e pede-lhes para entrar. Eles estão à espera do lado de fora.’ E assim dizendo, expirou.

Ia esquecendo a mais importante visão: a da avó. Enquanto a mãe lhe segurava a mão, ele diz:

– ‘Mãe, tu tornas-te cada vez menor; estás sempre com a minha mão presa? A avó está aqui comigo e é muito maior e mais forte que tu, não é?…’ – Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte, Ernesto Bozzano, FEB.

Neste caso foi confirmado que a criança de 9 anos, falecida, nunca tinha visto a avó, morta 4 anos antes do seu nascimento, e Roy era um amigo seu, morto um ano antes.

Visões coletivas

São comuns os casos em que moribundos relatam a presença de pessoas falecidas junto ao seu leito e que essas presenças são também apercebidas por familiares e/ou acompanhantes desse mesmo moribundo, mesmo que em outra divisão da casa.

Este grupo de casos, percepção coletiva do mesmo espírito, tem um grande interesse, embora possamos, igualmente no plano teórico, encontrar outras hipóteses de explicação.

“Com efeito, a coincidência da aparição vista por terceiras pessoas, coletivamente com o moribundo, nos casos de visualidade simultânea, pode atribuir-se a ter este último servido de agente transmissor de uma forma alucinatória elaborada no seu cérebro. Se, ao contrário, o fantasma é percebido pelos assistentes e pelo moribundo, em momentos e em lugares diferentes, o caso, então, atinge grande significação teórica no sentido da sua interpretação espírita” – Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte, Ernesto Bozzano, FEB.

As evidências das aparições de pessoas falecidas junto de moribundos, dizendo que os vêm buscar e auxiliar no momento do desenlace físico, são indicativos de que a vida continua para além da morte do corpo físico.

De realçar os casos em que as pessoas que assistem ao moribundo percebem a aparição no momento em que o doente se encontra em estado de coma, o qual exclui toda e qualquer elaboração do seu pensamento, bem como quando o moribundo é uma criança de tenra idade, circunstância que, na maior parte dos casos, exclui a possibilidade de elaboração mental do doente.

Joy Suell, enfermeira diplomada, Inglaterra, depois de exercer a sua profissão durante vinte anos, escreveu um livro sobre Metapsíquica, The Ministry of Angels, em que conta as suas próprias experiências como sensitiva clarividente, à cabeceira de inumeráveis doentes a que assistira. O livro é interessante, atraente e instrutivo, e relata casos em que o moribundo percebe, ao lado do leito, personalidades de defuntos que reconhece, mas que são invisíveis para os outros. No seu caso, graças à clarividência, ela podia confirmar a presenças de seres espirituais relatados pelo moribundo.

Este e outros casos bem interessantes, que por falta de espaço não publicamos, bem como a análise dos mesmos, poderão ser encontrados em diversos livros, especialmente em Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte, de Ernesto Bozzano, que recomendamos vivamente.

José Lucas

Fonte: Vivência Espiritualista

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Introdução ao conhecimento do Mundo dos Espíritos

INTRODUÇÃO AO CONHECIMENTO DO MUNDO INVISÍVEL OU DOS ESPÍRITOS, CONTENDO OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ESPÍRITA E A RESPOSTA A ALGUMAS OBJEÇÕES PREJUDICIAIS.

por ALLAN KARDEC

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As pessoas que só possuem do Espiritismo um conhecimento superficial são naturalmente levadas a fazer certas perguntas, cujo estudo completo lhes daria sem dúvida a solução, mas lhes falta tempo e muitas vezes vontade para se entregarem a observações seguidas. Desejariam, antes de empreender essa tarefa, ao menos saber do que se trata e se vale a pena se ocuparem com isso. Assim, pareceu-nos útil apresentar, num quadro restrito, a resposta a algumas perguntas fundamentais que nos são dirigidas diariamente. Para o leitor será uma primeira iniciação e para nós, tempo ganho pela dispensa de constantes repetições das mesmas coisas. A forma de diálogo pareceu-nos mais conveniente, porque não tem a aridez da forma puramente dogmática.

Terminamos esta introdução por um resumo que permitirá, numa leitura rápida, apreender o conjunto dos princípios fundamentais da Ciência. Aqueles que depois desta curta exposição julgarem o assunto digno de sua atenção, poderão aprofundá-lo com conhecimento de causa. Na maioria das vezes as objeções nascem das ideias falsas que adquirimos a priori sobre aquilo que não conhecemos. Retificar tais ideias é antecipar-se às objeções. Eis o objetivo a que nos propusemos ao publicar este opúsculo.

As pessoas estranhas ao Espiritismo nele encontrarão os meios de, em pouco tempo e com pouca despesa, adquirir uma ideia do assunto; as que já são iniciadas, a maneira de resolver as principais dificuldades que lhes são propostas. Contamos com o concurso de todos os amigos desta ciência, auxiliando na divulgação desse curto resumo.

(Fonte: Revista Espírita Ano 2, Número 7, julho de 1859)

Desde longos séculos as humanidades prosseguem uniformemente sua marcha ascendente através do tempo e do espaço. Cada uma delas percorre, etapa por etapa, a rota do progresso, e se diferem pelos meios infinitamente variados que a Providência dispôs em suas mãos, são chamadas a se fundirem todas, a se identificarem na perfeição, já que todas partem da ignorância e da inconsciência de si mesmas para se aproximarem indefinidamente do mesmo fim: Deus; para alcançarem a felicidade suprema pelo conhecimento e pelo amor.

Há universos e mundos, como povos e indivíduos. As transformações físicas da terra, que sustenta o corpo, podem dividir-se em duas formas, assim como as transformações morais e intelectuais que alargam o espírito e o coração.

A terra se modifica pela cultura, pelo arroteamento e pelos esforços perseverantes dos seus possuidores e interessados; mas, a esse aperfeiçoamento incessante devemos juntar os grandes cataclismos periódicos, que são, para o regulador supremo, o que são a enxada e a charrua para o lavrador.

As humanidades se transformam e progridem pelo estudo perseverante e pela permuta de pensamentos. Instruindo-se e instruindo os outros, as inteligências se enriquecem, mas os cataclismos morais que regeneram o pensamento são necessários para determinar a aceitação de certas verdades.

Assimilam-se sem abalos e progressivamente as consequências de verdades aceitas. É preciso um concurso imenso de esforços perseverantes para que se aceitem novos princípios. Marcha-se lentamente e sem fadiga sobre um caminho plano, mas é necessário reunir todas as suas forças para transpor um atalho agreste e destruir os obstáculos que surgem. É então que, para avançar, deve o homem quebrar necessariamente a corrente que o liga ao pelourinho do passado, pelo hábito, pela rotina e pelo preconceito; a não ser assim, o obstáculo fica sempre de pé, e ele girará num círculo sem saída até que tenha compreendido que, para vencer a resistência que obstrui a rota do futuro, não basta quebrar armas envelhecidas e danificadas: é indispensável criar outras.

estruir um navio que faz água por todos os lados, antes de empreender uma travessia marítima, é medida de prudência, mas será ainda necessário, para realizar a viagem, que se criem novos meios de transporte. Entretanto, eis onde se encontra atualmente certo número de homens de progresso, tanto no mundo moral e filosófico, quanto nos outros mundos do pensamento! Minaram tudo, tudo atacaram! As ruínas se espalham por toda parte, mas eles ainda não compreenderam que sobre tais ruínas é preciso edificar algo de mais sério que um livre-pensamento e uma independência moral, independentes apenas da moral e da razão. O nada em que se apoiam não é uma palavra muito profunda somente por ser vazia. Assim como Deus já não cria os mundos do nada, o homem não pode criar novas crenças sem bases. Estas bases estão no estudo e na observação dos fatos.

A verdade eterna, como a lei que a consagra, não espera para existir a aceitação dos homens; ela é e governa o Universo, a despeito dos que fecham os olhos para não a ver. A eletricidade existia antes de Galvani e o vapor antes de Papin, como a nova crença e os princípios filosóficos do futuro existiam antes que os publicistas e os filósofos os tivessem consagrado.

Sede pioneiros perseverantes e infatigáveis!… Se vos chamarem de loucos como o fizeram a Salomão de Caus, se vos repelirem como Fulton, marchai sempre, porque o tempo, esse juiz supremo, saberá tirar das trevas os que alimentam o farol que deve, um dia, iluminar a Humanidade inteira.

Na Terra, o passado e o futuro são os dois braços de uma alavanca que tem no presente o seu ponto de apoio. Enquanto a rotina e os preconceitos tiverem curso, o passado estará no apogeu. Quando a luz se faz, a báscula balança, e o passado, que já escurecia, desaparece para dar lugar ao futuro que irradia.

Os males da Humanidade vêm da imperfeição dos homens: é pelos seus vícios que se prejudicam uns aos outros. Enquanto os homens forem viciosos, serão infelizes, por que a luta dos interesses engendra, sem cessar, misérias.

Boas leis contribuem, sem dúvida, para a melhoria do estado social, mas são impotentes para assegurar a felicidade da Humanidade, por que não fazem senão comprimir as más paixões, sem aniquilá-las; em segundo lugar, porque são mais repressivas do que moralizadoras, e elas não reprimem senão os atos maus mais salientes, sem destruir a causa. Aliás, a bondade das leis está em razão da bondade dos homens; enquanto estes estiverem dominados pelo orgulho e pelo egoísmo, farão leis em proveito das ambições pessoais. A lei civil não modifica senão a superfície; só a lei moral pode penetrar o foro interior da consciência e reformá-lo.

Estando, pois, admitido que é a contusão causada pelo contato dos vícios que torna os homens infelizes, o único remédio para os seus males está no seu aperfeiçoamento moral. Uma vez que as imperfeições são a fonte dos males, a felicidade aumentará à medida que as imperfeições diminuírem.

Por boa que seja uma instituição social, se os homens são maus, falseá-la-ão e lhe desnaturarão o espírito para explorá-la em seu proveito. Quando os homens forem bons, farão boas instituições e elas serão duráveis, porque todos terão interesse em sua conservação.

A questão social não tem, portanto, o seu ponto de partida na forma de tal ou tal instituição; está inteiramente no aperfeiçoamento moral dos indivíduos e das massas. Aí está o princípio, a verdadeira chave da felicidade da Humanidade, porque então os homens não pensarão mais em se prejudicarem uns aos outros. Não basta colocar um verniz sobre a corrupção, é a corrupção que é preciso extinguir.

O princípio do aperfeiçoamento está na natureza das crenças, porque as crenças são o móvel das ações e modificam os sentimentos; está também nas ideias inculcadas desde a infância e identificadas com o Espírito, e nas ideias que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão podem fortificar, e não destruir. Será pela educação, mais ainda do que pela instrução, que se transformará a Humanidade.

O homem que trabalha seriamente pelo seu próprio aperfeiçoamento assegura a sua felicidade desde esta vida; além da satisfação de sua consciência, isenta-se das misérias, materiais e morais, que são a consequência inevitável de suas imperfeições. Terá a calma porque as vicissitudes não farão senão de leve roça-lo; terá a saúde porque não usará o seu corpo para os excessos; será rico, porque se é sempre rico quando se sabe contentar-se com o necessário; terá a paz da alma, porque não terá necessidades factícias, não será mais atormentado pela sede das honras e do supérfluo, pela febre da ambição, da inveja e do ciúme; indulgente para com as imperfeições de outrem, delas sofrerá menos; excitarão a sua piedade e não a sua cólera; evitando tudo o que pode prejudicar o seu próximo, em palavras e em ações, procurando, ao contrário, tudo o que pode ser útil e agradável aos outros, ninguém sofrerá com o seu contato.

Assegura a sua felicidade na vida futura, porque, quanto mais estiver depurado, mais se elevará na hierarquia dos seres inteligentes, e logo deixará esta Terra de provas por mundos superiores; porque o mal que tiver reparado nesta vida não terá mais que reparar em outras existências; porque, na erraticidade, não encontrará senão seres amigos e simpáticos, e não será atormentado pela visão incessante daqueles que teriam do que se lamentar dele.

Que homens, vivendo juntos, estejam animados desses sentimentos, serão tão felizes quando o comporta a nossa Terra; que, gradualmente, esses sentimentos ganham todo um povo, toda uma raça, toda a Humanidade, e o nosso globo tomará lugar entre os mundos felizes.

É uma quimera, uma utopia? Sim, para aquele que não crê no progresso da alma; não, para aquele que crê em sua perfectibilidade indefinida.

O progresso geral é a resultante de todos os progressos individuais; mas o progresso individual não consiste somente no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos; isso não é senão uma parte do progresso, e que não conduz necessariamente ao bem, uma vez que se veem homens fazerem muito mau uso de seu saber; consiste, sobretudo, no aperfeiçoamento moral, na depuração do Espírito, na extirpação dos maus germes que existem em nós; aí está o verdadeiro progresso, o único que pode assegurar a felicidade da Humanidade, porque é a própria negação do mal. O homem mais avançado em inteligência pode fazer muito mal; aquele que é avançado moralmente, não fará senão o bem. Há, pois, interesse para todos no progresso moral da Humanidade.

Mas o que fazem o aperfeiçoamento e a felicidade das gerações futuras, para aquele que crê que tudo acaba com a vida? Que interesse tem em se aperfeiçoar, em se constranger, em domar as suas paixões, de privar-se pelos outros? Não tem nenhum; a própria lógica lhe diz que seu interesse está em gozar depressa e por todos os meios possíveis, uma vez que, amanhã talvez, não será mais nada.

A doutrina do nada (niilismo) é a paralisia do progresso humano, por que circunscreve a visão do homem sobre o imperceptível ponto da existência presente; porque restringe as ideias e as concentra forçosamente sobre a vida material; com essa doutrina, o homem não sendo nada antes, nada depois, todas as relações sociais cessam com a vida, a solidariedade é uma palavra vã, a fraternidade uma teoria sem raízes, a abnegação em proveito de outrem um logro, o egoísmo com a sua máxima: cada um por si, um direito natural, a vingança um ato de razão; a felicidade está para o mais forte e os mais espertos; o suicídio, o fim lógico daquele que, ao cabo de recursos e expedientes, não espera mais nada, e não pode se tirar do lodaçal. Uma sociedade fundada sobre o niilismo, levaria em si o germe da próxima dissolução.

Outros, porém são os sentimentos daquele que tem fé no futuro; que sabe que nada do que adquire em saber e em moralidade não está perdido para ele; que o trabalho de hoje trará frutos amanhã; que ele mesmo fará parte dessas gerações futuras mais avançadas e mais felizes. Sabe que, trabalhando para os outros, trabalhará para si mesmo. Sua visão não se detém na Terra: ela abarca o infinito dos mundos que serão um dia sua morada; entrevê o lugar glorioso que será seu quinhão, como o de todos os seres chegados à perfeição.

Com a fé na vida futura, o círculo das ideias se alarga; o futuro está para si; o progresso pessoal tem um objetivo, uma utilidade efetiva. Da continuidade das relações entre os homens, nasce a solidariedade; a fraternidade está fundada sobre uma lei natural e sobre o interesse de todos.

A crença na vida futura, portanto, é o elemento de progresso, porque é o estimulante do Espírito: só ela pode dar coragem nas provas, porque lhe fornece a razão, a perseverança na luta contra o mal, porque mostra um objetivo. É, pois, em consolidar essa crença no espírito das massas que é preciso se ligar.

No entanto, essa crença é inata no homem; todas as religiões a proclamam; por que não deu, até este dia, os resultados que se deve dela esperar? É que, em geral, é apresentada em condições inaceitáveis para a razão. Tal como a mostram, rompe todas as relações com o presente; desde que se deixa a Terra, torna-se estranho à Humanidade; nenhuma solidariedade existe entre os mortos e os vivos; o progresso é puramente individual; trabalhando para o futuro, não se trabalha senão para si, não se pensa senão em si, e ainda por um objetivo vago que nada tem de definido, nada de positivo sobre o que o pensamento possa repousar com segurança; é, enfim, porque é antes uma esperança do que uma certeza material. Disso resulta em uns a indiferença, em outros a exaltação mística que, isolando o homem da Terra, é essencialmente prejudicial ao progresso real da Humanidade, porque negligencia os cuidados do progresso material, ao qual a Natureza lhe faz um dever concorrer.

Entretanto, por incompletos que sejam os resultados, não são menos reais. Quantos homens foram encorajados e sustentados no caminho do bem por essa esperança vaga! Quantos se detiveram sobre a rampa do mal pelo medo de comprometer o futuro? Quantas nobres virtudes essa crença não desenvolveu! Não desdenhemos as crenças do passado, embora imperfeitas que elas sejam, quando conduzem ao bem: estão em relação com o grau avançado da Humanidade. Mas a Humanidade progredindo, quer crenças em harmonia com as novas ideias. Se os elementos da fé ficam estacionários, e são ultrapassados para o Espírito, perdem toda influência, e o bem que produziram num tempo não pode prosseguir, porque não estão mais à altura das circunstâncias.

Para que a doutrina da vida futura leve, doravante, os frutos que dela se deve esperar, é preciso, antes de tudo, que ela satisfaça completamente a razão; que responda à ideia que se tem da sabedoria, da justiça e da bondade de Deus; que não possa receber nenhum desmentido da ciência; é preciso que a vida futura não deixe no Espírito nem dúvida, nem incerteza; que seja tão positiva quanto a vida presente, da qual é a continuação, como o dia de amanhã é a continuação da véspera; é necessário que a vejam, que a compreendam, que a toquem, por assim dizer, com o dedo; é preciso, enfim, que a solidariedade do passado, do presente e do futuro, através das diferentes existências, seja evidente.

Tal é a ideia que o Espiritismo dá da vida futura; é o que lhe faz a força, é que isso não é uma concepção humana, que não teria senão o mérito de ser mais racional, mas sem mais de certeza do que as outras. É o resultado dos estudos feitos sobre os exemplos fornecidos por diferentes categorias de Espíritos que se apresentam nas manifestações, o que permitiu explorar a vida extracorpórea em todas as suas fases, desde o alto até o mais baixo da escala dos seres. As peripécias da vida futura não são, pois, mais uma teoria, uma hipótese mais ou menos provável, mas um resultado de observações; são os próprios habitantes do mundo invisível que vêm descrever o seu estado, e é tal situação que a imaginação mais fecunda não teria podido conceber, se não fosse apresentada aos olhos do observador.

Dando a prova material da existência e da imortalidade da alma, nos iniciando nos mistérios do nascimento, da morte, da vida futura, da vida universal, tornando-nos palpáveis as consequências inevitáveis do bem e do mal, a Doutrina Espírita faz, melhor do que todas as outras, ressaltar a necessidade de aperfeiçoamento individual. Por ela o homem sabe de onde vem, para onde vai, por que está sobre a Terra; o bem tem um objetivo, uma utilidade prática; ela não forma o homem somente para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade; pelo seu aperfeiçoamento moral, os homens preparam sobre a Terra o reino de paz e de fraternidade.

A Doutrina Espírita é, assim, o mais poderoso elemento moralizador, naquilo em que ela se dirige, ao mesmo tempo, ao coração, à inteligência e ao interesse pessoal bem compreendido.

Por sua própria essência, o Espiritismo toca em todos os ramos dos conhecimentos físicos, metafísicos e da moral; as questões que ele abarca são inumeráveis; no entanto, podem se resumir nos pontos seguintes que, sendo considerados como verdades adquiridas, constituem o programa das crenças espíritas.

(Fonte: Obras Póstumas. Segunda parte. Credo Espírita, 1890.)

A questão da pluralidade das existências há muito tempo preocupa os filósofos, e mais de um viu, na anterioridade da alma, a única solução possível dos problemas mais importantes da psicologia; sem esse princípio, encontraram-se parados a cada passo e acolhidos num impasse de onde não puderam sair senão com a ajuda da pluralidade das existências.

A maior objeção que se possa fazer a essa teoria é a ausência da lembrança das existências anteriores. Com efeito, uma sucessão de existências inconscientes umas das outras; deixar um corpo para retomar logo um outro sem a memória do passado, equivaleria ao nada, porque isso seria o nada do pensamento; isso seria tantos pontos de partida novos, sem ligação com os precedentes; isso seria uma ruptura incessante de todas as afeições que fazem o encanto da vida presente e a esperança mais doce e mais consoladora do futuro; isso seria, enfim, a negação de toda responsabilidade moral. Semelhante doutrina seria tão inadmissível e tão incompatível com a justiça de Deus, quanto aquela de uma só existência com a perspectiva de uma eternidade absoluta de penas para faltas temporárias. Compreende-se, pois, que aqueles que formam semelhante idéia da reencarnação a repilam, mas não é assim que o Espiritismo no-la apresenta.

A existência espiritual da alma, nos diz ele, é sua existência normal, com lembrança retrospectiva indefinida; as existências corpóreas não são senão intervalos, curtas estações na existência espiritual, e a soma de todas essas estações não é senão uma parte mínima da existência normal, absolutamente como se, numa viagem de vários anos, se parasse de tempos em tempos durante algumas horas. Se, durante as existências corpóreas, parece nela haver solução de continuidade pela ausência da lembrança, a ligação se estabelece durante a vida espiritual, que não tem interrupção; a solução de continuidade não existe, em realidade, senão para a vida corpórea exterior e de relação; e aqui a ausência da lembrança prova a sabedoria da Providência que não quis que o homem fosse muito desviado da vida real, onde tem deveres a cumprir; mas, no estado de repouso do corpo, no sono, a alma retoma em parte o seu vôo, e aí se restabelece a cadeia interrompida somente durante a vigília.

A isso se pode ainda fazer uma objeção e perguntar que proveito se pode tirar de suas existências anteriores para a sua melhoria, se não se lembra das faltas que se cometeu. O Espiritismo responde primeiro que a lembrança de existências infelizes, juntando-se às misérias da vida presente, tornaria esta ainda mais penosa; é, pois, um acréscimo de sofrimentos que Deus quis nos poupar; sem isso, freqüentemente, quanto não seria nossa humilhação pensando no que fomos! Quanto ao nosso adiantamento, essa lembrança é inútil. Durante cada existência, damos alguns passos adiante; adquirimos algumas qualidades e nos despojamos de algumas imperfeições; cada uma delas é, assim, um novo ponto de partida, em que somos o que nos houvermos feito, em que nos tomamos por aquilo que somos, sem ter que nos inquietarmos com aquilo que fomos. Se, numa existência anterior, fomos antropófagos, o que isso nos faz se não o somos mais? Se tivemos um defeito qualquer do qual não resta mais os traços, é uma conta liquidada, com a qual não temos nada a nos preocupar. Suponhamos, ao contrário, uma falta da qual não se corrigiu senão a metade, o saldo se reencontrará na vida seguinte e é em corrigi-lo que é preciso se fixar. Tomemos um exemplo: um homem foi assassino e ladrão; disso foi punido, seja na vida corpórea, seja na vida espiritual; arrepende-se e se corrige da primeira tendência, mas não da segunda; na existência seguinte, ele não será senão ladrão; talvez grande ladrão, mas não mais assassino; ainda um passo adiante e ele não será senão pequeno ladrão; um pouco mais tarde, não roubará mais, mas poderá ter a veleidade de roubar, que sua consciência neutralizará; depois um último esforço, e, todo traço da doença moral tendo desaparecido, será um modelo de probidade. Que lhe faz então o que foi? A lembrança de ter morrido no patíbulo não seria uma tortura, uma humilhação perpétua? Aplicai este raciocínio a todos os vícios, a todas as manias, e podereis ver como a alma se melhora passando e repassando pela estamenha da encarnação. Deus não é mais justo por ter tornado o homem árbitro de sua própria sorte pelos esforços que pode fazer para se melhorar, do que ter feito a sua alma nascer ao mesmo tempo que seu corpo, e de condená-la a tormentos perpétuos por erros passageiros, sem dar-lhe os meios de se purificar de suas imperfeições? Pela pluralidade das existências, seu futuro está em suas mãos; se leva muito tempo para se melhorar, disso sofre as conseqüências: é a suprema justiça; mas a esperança jamais lhe é obstruída.

A comparação seguinte pode ajudar a fazer compreender as peripécias da vida da alma.

Suponhamos uma longa estrada, sobre o percurso da qual se encontram, de distância em distância, mas em intervalos desiguais, florestas que é preciso atravessar; à entrada de cada floresta, a estrada larga e bela é interrompida e não retoma senão na saída. Um viajor segue essa estrada e entra na primeira floresta; mas lá, não mais vereda batida; um dédalo inextricável no meio do qual se perde; a claridade do Sol desapareceu sob o espesso maciço das árvores; ele erra sem saber para onde vai; enfim, depois de fadigas extraordinárias chega aos confins da floresta, mas abatido de fadiga, rasgado pelos espinhos, machucado pelos calhaus. Lá, reencontra a estrada e a luz, e prossegue seu caminho, procurando se curar de suas feridas.

Mais longe, encontra uma segunda floresta, onde o esperam as mesmas dificuldades; mas já tem um pouco de experiência e dela sai menos contundido. Numa, encontra um lenhador que lhe indica a direção que deve seguir e impede-o de se perder. A cada nova travessia a sua habilidade aumenta, se bem que os obstáculos são mais e mais facilmente superados; seguro de reencontrar a bela estrada na saída, essa confiança o sustenta; depois sabe se orientar para encontrá-la mais facilmente. A estrada termina no cume de uma montanha muito alta, de onde avista todo o percurso desde o ponto de partida; vê também as diferentes florestas que atravessou e se lembra das vicissitudes que experimentou, mas essa lembrança nada tem de penosa, porque alcançou o objetivo; é como o velho soldado que, na calma do lar doméstico, se lembra das batalhas às quais assistiu. Essas florestas disseminadas sobre a estrada são para ele como pontos negros sobre uma condecoração branca; ele diz a si mesmo: “Quando estava nessas florestas, nas primeiras sobretudo, como me pareciam longas para atravessar! Parecia-me que não chegaria mais ao fim; tudo me parecia gigantesco e intransponível ao meu redor. E quando penso que, sem esse bravo lenhador que me recolocou no bom caminho, talvez estaria ali ainda! Agora que considero essas mesmas florestas, do ponto de vista onde estou, como me parecem pequenas! Parece-me que, com um passo, teria podido transpô-las; bem mais, a minha vista as penetra e nelas distingo os menores detalhes; vejo até as faltas que cometi.”

Então, um velho lhe diz: – Meu filho, eis-te no fim da viagem, mas um repouso indefinido te causaria logo um tédio mortal, e ficarias a lamentar as vicissitudes que experimentaste e que deram atividade aos teus membros e ao teu Espírito. Vês daqui um grande número de viajores sobre a estrada que percorreste, e que, como tu, correm risco de se perder no caminho; tens a experiência, não temes mais nada; vai ao seu encontro e, pelos teus conselhos, trata de guiá-los, a fim de que cheguem mais cedo.

– Vou com alegria, redargui nosso homem; mas, ajuntou, por que não há uma estrada direta do ponto de partida até aqui? Isso pouparia, aos viajores, passar por essas abomináveis florestas.

– Meu filho, replica o velho, olha bem nelas e verás que muitos evitam um certo número delas; são aqueles que, tendo adquirido mais cedo a experiência necessária, sabem tomar um caminho mais direto e mais curto para chegar; mas essa experiência é o fruto do trabalho que as primeiras travessias necessitaram, de tal sorte que não chegam aqui senão em razão de seu mérito. Que saberias, tu mesmo, se por ali não tivesses passado? A atividade que deveste desdobrar, os recursos de imaginação que te foram necessários para te traçar um caminho, aumentaram os teus conhecimentos e desenvolveram a tua inteligência; sem isso, serias novato como em tua partida. E depois, procurando tirar-te dos embaraços, tu mesmo contribuíste para a melhoria das florestas que atravessaste; o que fizeste é pouca coisa, imperceptível; mas pensa nos milhares de viajores que o fazem também, e que, trabalhando todos para eles, trabalham, sem disso desconfiarem, para o bem comum. Não é justo que recebam o salário de seu trabalho pelo repouso do qual gozam aqui? Que direito teriam a este repouso se nada tivessem feito?

– Meu pai, reflete o viajor, numa dessas florestas, encontrei um homem que me disse: “Sobre a borda há um imenso abismo que é preciso transpor de um salto; mas, sobre mil, apenas um consegue; todos os outros lhe caem no fundo, numa fornalha ardente e estão perdidos sem retorno. Esse abismo eu nunca vi.”

– Meu filho, é que não existe, de outro modo isso seria uma armadilha abominável estendida a todos os viajores que viessem em minha casa. Eu bem sei que lhes é preciso superar as dificuldades, mas sei também que, cedo ou tarde, as superarão; se tivesse criado impossibilidades para um único, sabendo que deveria sucumbir, teria sido cruel, e com mais forte razão se o fizera para o grande número. Esse abismo é uma alegoria da qual vais ver a explicação. Olha sobre a estrada, nos intervalos das florestas; entre os viajores, vês os que caminham lentamente, com um ar feliz, vês esses amigos que se perderam de vista nos labirintos da floresta, como estão felizes em se reencontrarem na saída; mas, ao lado deles, há outros que se arrastam penosamente; são estropiados e imploram a piedade dos que passam, porque sofrem cruelmente das feridas que, por sua falta, fizeram a si mesmos através das sarças; mas disso se curarão, e isso será, para eles, uma lição da qual aproveitarão na nova floresta que terão que atravessar, e de onde sairão menos machucados. O abismo é a figura dos males que sofrem, e dizendo que sobre mil só um o transpõe, esse homem teve razão, porque o número dos imprudentes é muito grande; mas errou dizendo que, uma vez caído dentro, dele não se sai mais; há sempre uma saída para chegar a mim. Vai, meu filho, vai mostrar essa saída àqueles que estão no fundo do abismo; vai sustentar os feridos da estrada e mostra o caminho àqueles que atravessam as florestas.

A estrada é a figura da vida espiritual da alma, sobre o percurso da qual se é mais ou menos feliz; as florestas são as existências corpóreas, onde se trabalha para o seu adiantamento, ao mesmo tempo que para a obra geral; o viajor que chega ao objetivo e que retorna para ajudar aqueles que estão atrasados, é a dos anjos guardiães, missionários de Deus, que encontram a sua felicidade em seu objetivo, mas também na atividade que desdobram para fazerem o bem e obedecerem ao supremo Senhor.

(Fonte. Allan Kardec. Obras Póstumas. Primeira Parte. A Estrada da Vida.)

Está bem reconhecido que a maioria das misérias humanas tem a sua fonte no egoísmo dos homens. Então, desde que cada um pensa em si, antes de pensar nos outros, e quer a sua própria satisfação antes de tudo, cada um procura, naturalmente, se proporcionar essa satisfação, a qualquer preço, e sacrifica, sem escrúpulo, os interesses de outrem, desde as menores coisas até as maiores, na ordem moral como na ordem material; daí todos os antagonismos sociais, todas as lutas, todos os conflitos e todas as misérias, porque cada um quer despojar o seu vizinho.

O egoísmo tem a sua fonte no orgulho. A exaltação da personalidade leva o homem a se considerar como acima dos outros, crendo -se com direitos superiores, e se fere com tudo o que, segundo ele, seja um golpe sobre os seus direitos. A importância que, pelo orgulho, liga à sua pessoa, torna-o naturalmente egoísta.

O egoísmo e o orgulho têm a sua fonte num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porque Deus nada pode fazer de inútil. Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arbítrio.

Esse sentimento, encerrado em seus justos limites, portanto, é bom em si; é o exagero que o torna mau e pernicioso; ocorre o mesmo com todas as paixões que o homem, frequentemente, desvia de seu objetivo providencial. De nenhum modo Deus criou o homem egoísta e orgulhoso; criou-o simples e ignorante; foi o homem que se fez egoísta e orgulhoso exagerando o instinto que Deus lhe deu para a sua conservação.

Os homens não podem ser felizes se não vivem em paz, quer dizer, se não estão animados de um sentimento de benevolência, de indulgência e de condescendência recíprocos, em uma palavra, enquanto procurarem se esmagar uns aos outros. A caridade e a fraternidade resumem todas as condições e todos os deveres sociais; mas supõem a abnegação; ora, a abnegação é incompatível com o egoísmo e o orgulho; portanto, com seus vícios nada de verdadeira fraternidade, partindo, da igualdade e da liberdade, porque o egoísta e o orgulhoso querem tudo para eles. Estarão sempre aí os vermes roedores de todas as instituições progressistas; enquanto eles reinarem, os sistemas sociais mais generosos, mais sabiamente combinados, desabarão sob os seus golpes.

É belo, sem dúvida, proclamar o reino da fraternidade, mas para que serve se existe uma causa destruidora? É edificar sobre um terreno movediço; tanto valeria decretar a saúde para um país insalubre. Num tal país, querendo -se que os homens se portem bem, não basta enviar-lhe médicos, porque eles morrerão como os outros; é necessário destruir as causas da insalubridade.

Se quereis que vivam como irmãos sobre a Terra, não basta lhes dar lições de moral; é necessário destruir as causas do antagonismo; é necessário atacar o princípio do mal: o orgulho e o egoísmo.

Aí está a praga; aí deve se concentrar toda a atenção daqueles que querem seriamente o bem da Humanidade. Enquanto esses obstáculos subsistirem, verão seus esforços paralisados, não só por uma resistência de inércia, mas por uma força ativa que trabalhará, sem cessar, para destruir a sua obra, porque toda ideia grande, generosa e emancipadora, arruína as pretensões pessoais.

Destruir o egoísmo e o orgulho é coisa impossível, dir-se-á, porque esses vícios são inerentes à espécie humana. Se isso fora assim, seria necessário desesperar de todo o progresso moral; no entanto, quando se considera o homem em suas diferentes idades, não se pode desconhecer um progresso evidente: portanto, se ele progrediu, pode progredir ainda. Por outro lado, é que não se encontra nenhum homem desprovido do orgulho e do egoísmo? Não se veem, ao contrário, essas naturezas generosas nas quais o sentimento de amor ao próximo, de humildade, de devotamento e de abnegação, parecem inatos? O número é menor do que o dos egoístas, isto é certo, de outro modo estes últimos não fariam a lei; mas há deles mais do que se crê, e se parecem tão pouco numerosos é que o orgulho se põe em evidência, ao passo que a virtude modesta permanece na sombra. Se, pois, o egoísmo e o orgulho estivessem nas condições necessárias à Humanidade, como as de se nutrir para viver, não haveria exceções; o ponto essencial é, pois, chegar a fazer a exceção passar ao estado de regra; para isso, antes de tudo, trata-se de destruir as ca usas que produzem e sustentam o mal.

A principal dessas causas se liga, evidentemente, à falsa ideia que o homem faz de sua natureza, de seu passado e de seu futuro. Não sabendo de onde vem, se crê mais do que não o é; não sabendo para onde vai, concentra todo o seu pensamento sobre a vida terrestre; ele a vê tão agradável quanto possível; quer todas as satisfações, todos os gozos: é porque caminha, sem escrúpulos, sobre o seu vizinho, se este lhe faz obstáculo; mas, para isso, é necessário que ele domine; a igualdade daria a outros direitos que quer ter sozinho; a fraternidade lhe imporia sacrifícios que estariam em detrimento de seu bem -estar; a liberdade, ele a quer para si, e não a concede, aos outros, senão quando ela não leve nenhum prejuízo às suas prerrogativas. Tendo cada um as mesmas pretensões, disso resultam conflitos perpétuos, que fazem pagar bem caro alguns dos gozos que venham a se proporcionar.

Que o homem se identifique com a vida futura, e a sua maneira de ver muda completamente, como a de um indivíduo que não deve permanecer senão poucas horas numa habitação má, e que sabe que, à sua saída, terá outra magnífica, para o resto de seus dias.

A importância da vida presente, tão triste, tão curta, tão efêmera, se apaga diante do esplendor do futuro infinito que se abre diante dele. A consequência natural, lógica, dessa certeza, é a de sacrificar um presente fugidio a um futuro durável, ao passo que antes sacrificava tudo ao presente. Tornando-se a vida futura o seu objetivo, pouco lhe importa ter um pouco mais, ou um pouco menos neste; os interesses mundanos são os acessórios, em lugar de serem o principal; ele trabalha no presente tendo em vista assegurar a sua posição no futuro, além disso, sabe em que condições pode ser feliz. Pelos interesses mundanos, os homens podem lhe opor obstáculos: é preciso que os afaste, e se torna egoísta pela força das coisas; se leva suas vistas mais alto, para uma felicidade que nenhum homem pode entravar, não tem interesse em esmagar ninguém, e o egoísmo não te m mais objeto; mas resta -lhe sempre o estímulo do orgulho.

A causa do orgulho está na crença que o homem tem de sua superioridade individual; e é aqui que se faz sentir ainda a influência da concentração do pensamento sobre a vida terrestre. No homem que nada vê diante dele, nada depois dele, nada acima dele, o sentimento da personalidade o arrebata, e o orgulho não tem nenhum contrapeso.

A incredulidade não só não possui nenhum meio de combater o orgulho, mas o estimula e lhe dá razão negando a existência de um poder superior à Humanidade. O incrédulo não crê senão em si mesmo; é, pois, natural que ele tenha orgulho; ao passo que, nos golpes que o atingem, ele não vê senão o acaso e se endireita, aquele que tem a fé, vê a mão de Deus e se inclina.

Crer em Deus e na vida futura é, pois, a primeira condição para moderar o orgulho, mas isso não basta; ao lado do futuro, é preciso ver o passado para se fazer uma ideia justa do presente. Para que o orgulhoso cesse de crer em sua superioridade, é preciso lhe provar que ele não é mais do que os outros, e que os outros são tanto quanto ele; que a igualdade é um fato e não, simplesmente, uma bela teoria filosófica; verdades que ressaltam da preexistência da alma e da reencarnação.

Sem a preexistência da alma, o homem é levado a crer que Deus o beneficiou excepcionalmente, quando crê em Deus; quando não crê, rende graças ao acaso e ao seu próprio mérito. A preexistência, iniciando -o na vida anterior da alma, lhe ensina a distinguir a vida espiritual infinita, da vi da corpórea, temporária; sabe, por aí, que as almas saem iguais das mãos do Criador; que têm um mesmo ponto de partida e um mesmo objetivo, que todas devem alcançar, em mais ou menos tempo segundo os seus esforços; que ele mesmo não chegou ao que é senão depois de ter, por muito tempo e penosamente, vegetado como os outros nos graus inferiores: que não há, entre as mais atrasadas e as mais avançadas, senão uma questão de tempo; que as vantagens de nascimento são puramente corpóreas e independentes do Espírito; que o simples proletário pode, numa outra existência, nascer sobre um trono, e o mais poderoso renascer proletário.

Se não considera senão a vida corpórea, vê as desigualdades sociais do momento; elas o ferem; mas se leva seus olhares sobre o conjunto da vida do Espírito, sobre o passado e sobre o futuro, desde o ponto de partida até o ponto de chegada, essas desigualdades se apagam, e reconhece que Deus não favoreceu a nenhum de seus filhos em prejuízo dos outros; que fez parte igual a cada um e não aplainou o caminho mais para uns do que para outros; que aquele que é menos avançado do que ele sobre a Terra, pode chegar antes dele, se trabalha mais do que ele pelo seu aperfeiçoamento; reconhece, enfim, que cada um não chegando senão pelos seus esforços pessoais, o princípio de igualdade se acha ser, assim, um princípio de justiça e uma lei da Natureza, diante das quais cai o orgulho do privilégio.

A reencarnação, provando que os Espíritos podem renascer em diferentes condições sociais, seja como expiação, seja como prova, ensina que naquele que se trata com desdém, pode -se encontrar um homem que foi nosso superior ou nosso igual numa outra existência, um amigo ou um parente. Se o homem o soubesse, tratá-lo-ia com respeito, mas, então, não teria nenhum mérito; e, pelo contrário, se soubesse que seu amigo atual foi seu inimigo, seu servidor ou seu escravo, o repeliria; ora, Deus não quis que isso fosse assim, por isso lançou um véu sobre o passado; desta maneira, o homem é levado a ver, em todos, irmãos e seus iguais; daí uma base natural para a fraternidade; sabendo que ele mesmo poderá ser tratado como houver tratado os outros, a caridade se torna um dever e uma necessidade, fundados sobre a própria Natureza.

Jesus colocou o princípio da caridade, da igualdade e da fraternidade; fez dele uma condição expressa de salvação; mas estava reservado à terceira manifestação da vontade de Deus, ao Espiritismo, pelo conhecimento que dá da vida espiritual, pelos horizontes novos que descobre e as leis que revela, sancionar esse princípio, provando que não é somente uma doutrina moral, mas uma lei da Natureza, e que está no interesse do homem praticá-lo. Ora, ele o praticará quando, cessando de ver no presente o começo e o fim, compreenderá a solidariedade que existe entre o presente, o passado e o futuro.

No campo imenso do infinito que o Espiritismo lhe faz entrever, sua importância pessoal se anula; compreende que sozinho não é nada e nada pode; que todos têm necessidade uns dos outros; duplo revés para o seu orgulho e o seu egoísmo.

Mas, para isso, lhe é necessária a fé, sem a qual ficará forçosamente na rotina do presente; não a fé cega que foge da luz, restringe as ideias, e, por isso mesmo, mantém o egoísmo, mas a fé inteligente, raciocinada, que quer a clar idade e não as trevas, que rasga temerariamente o véu dos mistérios e alarga o horizonte; é essa fé, primeiro elemento de todo o progresso, que o Espiritismo lhe traz, fé robusta porque está fundada sobre a experiência e os fatos, porque lhe dá provas palpáveis da imortalidade de sua alma, lhe ensina de onde vem, para onde vai, e porque está sobre a Terra; porque, enfim, ela fixa suas ideias incertas sobre seu passado e sobre seu futuro.

Uma vez entrado largamente nesse caminho, o egoísmo e o orgulho, não tendo mais as mesmas causas de superexcitação, se extinguirão, pouco a pouco, por falta de objetivo e de alimento, e todas as relações sociais se modificarão sob o império da caridade e da fraternidade bem compreendidas. Isso pode chegar por uma mudança brusca? Não, isso é impossível: nada é brusco na Natureza; jamais a saúde se torna, subitamente, em uma doença; entre a doença e a saúde há sempre a convalescença.

O homem não pode, pois, instantaneamente, mudar seu ponto de vista, e levar os seus olhares da Terra ao céu; o infinito o confunde e o ofusca; é -lhe necessário o tempo para assimilar as ideias novas.

O Espiritismo é, sem contradita, o mais poderoso elemento moralizador, porque mina o egoísmo e o orgulho pela base, dando um ponto de apoio à moral: fez milagres de conversões; não são ainda, é verdade, senão cuidados individuais, e frequentemente parciais ; mas o que produziu sobre os indivíduos é a garantia do que produzirá um dia sobre as massas. Ele não pode arrancar as más ervas de repente; dá a fé; a fé é uma boa semente, mas é necessário, a essa semente, o tempo para germinar e dar frutos; eis porque todos os espíritas não são ainda perfeitos. Ele pegou o homem no meio da vida, no fogo das paixões, na força dos preconceitos, e se, em tais circunstâncias, operou prodígios, que será quando o tomar em seu nascimento, virgem de todas as impressões malsãs; quando aquele receber a caridade desde a meninice, e for embalado pela fraternidade; quando, enfim, toda uma geração será elevada e nutrida nas ideias que a razão aumenta, fortificará em lugar de desunir? Sob o império dessas ideias, tornadas a fé para todos, o progresso, não encontrando mais obstáculo no egoísmo e no orgulho, as próprias instituições se reformarão e a Humanidade avançará rapidamente para os destinos que lhe foram prometidos sobre a Terra, esperando os do céu.

(Fonte. Allan Kardec. Obras Póstumas. Primeira Parte. O Egoísmo e o Orgulho. Causas, efeitos e meios de destruí-los, 1890.)

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