Sê fiel até o fim

Divaldo Pereira Franco

SÊ FIEL ATÉ O FIM

Todo ideal e compromisso afetivo deve sustentar-se na fidelidade.

A faculdade de ser fiel às determinações da vida constitui um relevante significado de dignidade moral.

À medida que o ser humano se ilustra e supera a ignorância, mais percebe a grandeza da lealdade naquilo em que se fixa, assim como naqueles que participam dos seus objetivos humanos.

Muitas vezes, o indivíduo não tem ideia da contribuição que pode oferecer e que, infelizmente, escasseia na convivência social.

Enquanto os ideais são novos e ainda não foram defrontadas as naturais dificuldades para realizar o empreendimento, parece fácil a afinidade entre as pessoas que tomam parte no projeto. À medida, porém, que o tempo avança, surgem os conflitos no relacionamento, suspeitas infundadas e, quando mais tarde ocorre alguma ruptura, aparecem as embaraçosas situações da inimizade com todas as suas consequências malévolas.

Conversações e comentários, que antes sustentavam a amizade, tornam-se armas utilizadas com o objetivo de difamação, de acusações injustificáveis e de maledicência perversa, que não raro se transformam em calúnias infelizes.

Há um ditado popular que assevera: Os ouvidos que escutam hoje serão a boca da acusação mais tarde.

Dessa forma, torna-se necessário ser prudente na amizade, evitando os arroubos das confidências e narrações indevidas, mesmo porque a censura destrutiva é veneno letal nas atividades humanas.

É curioso notar como as paixões de baixo nível, agasalhadas no sentimento humano, são sensíveis e estão sempre em vigília, desbordando a qualquer sinal de desconforto, de desconfiança, de desagrado.

Casais que se entendiam antes, com afeto legítimo, não suportam qualquer ocorrência que seja desagradável, culminando em crimes hediondos, quando contrariados.

Afetos filiais e paternais na infância e/ou na adolescência desdobram-se em ódios ferrenhos, quando se sentem atingidos por legítimas ou falsas ideias, e amigos que chegam ao homicídio, por pequenezes ridículas, que antes seriam motivo de zombaria…

Empresas que se destroem, porque a ganância de um é mais forte do que a do outro, seu sócio, lentamente transformado em competidor…

Os indivíduos vivem em competição, quando seria ideal viverem em cooperação, ajudando-se reciprocamente. O problema de alguém se tornaria também do grupo em que respira, dividindo-se responsabilidades, por ter a confiança que ninguém lhe tomaria o lugar ou o sobrecarregaria com o objetivo de destruí-lo.

Foi pensando nessa fidelidade que Jesus, ao divulgar a Sua mensagem de amor, propôs: Sê fiel até o fim.

Significa estar ao lado especialmente nas situações mais deploráveis e infelizes, quando, realmente, necessita-se do amigo.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 02/06/22

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As preocupações de linguagem

Orson Peter Carrara

“PERCA TOTAL” E “NÓIS VAMO” NÃO SE PREOCUPE COM AS DETURPAÇÕES

Nossa língua portuguesa sofre permanentes deturpações, tanto na fala incorreta como na escrita que está sujeita desde os erros de digitação ou na escrita totalmente deformada e mesmo nas abreviaturas que a virtualidade provocou, com grande prejuízo no idioma. Os dois exemplos no título pouco representam diante das constantes agressões ao idioma, sua grafia e uso corrente na comunicação. Mas não se preocupe. A ideia geral, da origem correta, esta permanece, apesar do uso indevido. Ele, o idioma, é inatacável em sua grandeza e será assimilado devidamente no tempo por todos nós. Aliás, no exemplo do título, destaque-se o correto: Perda total e Nós vamos.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado às deturpações variadas em uso no movimento espírita, em desrespeito à Codificação do Espiritismo, oriunda da lucidez de Allan Kardec. Fruto de interpretações equivocadas, mal entendimento, fascinações, personalismos e mesmo ignorância de seus princípios, encontra-se todo tipo de adulteração ou tentativas e práticas equivocadas, deturpadas e precipitadas no trato com o impecável texto original de toda a obra de Kardec, especialmente em se tratando de mediunidade (inclua-se todo o desdobramento daí advindo), reencarnação, mundos habitados e outras preciosas orientações.

Considere-se, entretanto, que a ideia geral dos princípios fundamentais permanece inatacável. Os detalhes das interpretações, entendimento e usos é que sofrem a natural influência de nossas bagagens ainda medíocres e nem sempre bem direcionadas, em virtude das mazelas que ainda carregamos conosco. De uma forma ou outra, todavia, a assimilação vai se dando, consolando ainda que com equívocos, esclarecendo ainda que precariamente, orientando ainda que com deturpações. E todos assimilarão no devido tempo porque não há como alterar ou deturpar o que é da própria Lei e da própria natureza. O entendimento é que vai evoluindo.

Todos chegaremos à compreensão real da verdade. Os caminhos podem ser diferentes, e todos eles têm sua utilidade. Não nos preocupemos e nem nos desgastemos com as deturpações que vamos observando, pois é um processo natural de crescimento e entendimento. Mas, cumpramos com o nosso dever: estudar a Doutrina Espírita, com afinco e reflexão, vencendo nossas próprias opiniões pessoais – sempre precárias e limitadas – e apresentando a Doutrina Espírita como ela, íntegra e racional, em seu prioritário objetivo: nossa melhora moral.

Orson Peter Carrara

Fonte: Agenda Espírita Brasil

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A Fraternidade Substituída

Luiz Signates

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“Os agrupamentos espiritistas necessitam entender que o seu aparelhamento não pode ser análogo ao das associações propriamente humanas. Um grêmio espírita-cristão deve ter, mais que tudo, a característica familiar, onde o amor e a simplicidade figurem na manifestação de todos os sentimentos” – Emmanuel – O Consolador, questão 363

Os processos de institucionalização da vida são uma das mais fortes características do chamado período moderno da história ocidental e têm sido um dos principais objetos dos estudos contemporâneos de sociologia.

Tais processos, dentro desse período histórico, tiveram como característica essencial desenvolver sistemas institucionais vinculados a uma racionalidade do tipo instrumental, isto é, aquela cuja relação as pessoas é mediada pelo interesse ou pelo dinheiro. Esse tipo de relacionamento atua quase sempre substituindo os processos de entendimento, cuja característica básica é operar pela via do diálogo ou da identidade mútua.

Dois amigos, por exemplo, relacionam-se entre si por laços de reciprocidade, mesmo pelo simples prazer de estar juntos. Por outro lado, dois negociantes vinculam-se um ao outro se e enquanto existem possibilidades de lucro para si mesmos dentro da relação. A diferença fundamental entre ambos os exemplos de relacionamento está nos processos de mediação, que no primeiro caso, são o afeto e o entendimento e, no último, o dinheiro e o interesse. O fato de homens de negócio não terem de se tornar necessariamente amigos significa claramente que o mecanismo de coordenação da fraternidade tornou-se dispensável para que houvesse a convivência entre eles, pois foi substituído pelo mecanismo da instrumentalização.

Chamamos a atenção para este assunto, porque o Espiritismo vive atualmente um período histórico caracterizado por um intenso processo de institucionalização e sistematização de suas práticas. Já quase inexistem os pequenos grupos familiares, formados por pessoas simples de vizinhanças humildes, ou as agremiações improvisadas em galpões e casa de fazenda. O centro espírita acompanhou o processo de urbanização da população brasileira e, hoje em dia, se estrutura dentro de uma lógica empresarial, com seus planejamentos estratégicos, políticas financeiras e de recursos humanos, assessorias jurídicas e departamentarização de atividades, as quais se tornam cada vez mais ocupadas por profissionais contratados ou especialistas.

Não consideramos de todo ruim esse movimento, até porque ele demonstra a inserção do Espiritismo na sociedade, mimetizando o período histórico correspondente. Entretanto, é preciso ter cuidado para que a trajetória da institucionalização não esqueça o Espiritismo, no meio do caminho, como parece ter ocorrido com a Igreja Católica, nos primeiros séculos, que, ao se estruturar materialmente, acabou deixando o cristianismo primitivo de lado.

E isso o dizemos sem qualquer preocupação quanto a uma hipotética “pureza doutrinária”, a qual costuma estar vinculada a procedimentos anti-fraternos de censura e fiscalização. O alerta que procuramos fazer diz respeito ao grande risco embutido no processo de institucionalização do Espiritismo: o de que as estruturas e sistemas organizados venham a substituir a fraternidade. Tal substituição pode ocorrer de duas maneiras: dispensando a fraternidade existente ou criando na vida interna da instituição uma aparência de fraternidade, mascarada nos demonstrativos de lucros e de eficácia. Os quadros descrevendo a quantidade de pessoas atendidas, os valores aplicados (normalmente subsidiados pelos governos) e a grande organização da instituição podem significar espiritualmente muito pouca coisa, se a casa espírita se tornar uma mera empresa.

Ora, centro espírita bom é aquele dentro do qual as pessoas se amam, se compreendem, se perdoam e se toleram. É aquele onde inexistem processos de exclusão e onde as direções compartilham responsabilidades com todos, num processo em que o diálogo e a fraternidade jamais são substituídos por resoluções formais e, ainda assim, resolvam todos os problemas, sem exceção de um só. É, enfim, uma comunidade dentro da qual os beneficiários não são distinguidos dos benfeitores, seja pela aparência física, seja pelo tratamento que recebem, seja pelas práticas que executam.

O centro espírita, portanto não pode simplesmente se basear em modelos sistemáticos de produtividade, ou tomar por objetivo último manipular os frequentadores no sentido de transformá-los em trabalhadores, pois com isso estará instrumentalizando as pessoas, em função das estruturas que existem para servi-las. O dirigente espírita não pode pretender simplesmente alcançar volume e eficiência nas atividades, e sim deve compreender que a medida do sucesso da instituição que dirige está no grau de fraternidade existente entre os que ali convivem.

E, o mais sério, é que não raro tais providências e estruturações acabam alterando as mediações internas, isto é, convertendo relações entre irmãos em relações patrão-empregado ou chefe-subordinado, e, com isso, substituindo a fraternidade do prazer de estar junto e compartilhar os sentidos da ação cristã, pelas obrigações descritas nos organogramas e cronogramas, simbolizadas por critérios de eficiência e eficácia e mascaradas de sucesso aparente, graças aos demonstrativos de produção e consumo de bens e serviços espíritas.

Quando e onde isso acontece, funda-se de novo o sinédrio e Jesus volta para as ruas, para conviver no meio do povo, a fim de ensinar e vivenciar o “Amai-vos uns aos outros”, somente possível onde o cotidiano das pessoas não se vê substituído pelas estruturas instrumentalizantes “das associações propriamente humanas.”

Luiz Signates

Fonte: espiritualidades.com.br

* Luiz Signates é jornalista, pesquisador e professor adjunto da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Políticas Públicas pela UFG, Mestre em Comunicações pela UnB e Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.
É coordenador do Núcleo de Pesquisas em Comunicação e Política – NPCP/UFG/CNPq, do Curso de Marketing Político da UFG e do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Cambury, de Goiânia. Em movimentos sociais, atua hoje como presidente do Instituto de Comunicação Social Espírita – ÍCONE e da Fundação de Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Goiás – FRTVE; é Diretor de Política Nacional de Comunicação da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo – ABRADE.
Fonte: http://www.ieja.org/portugues/Estudos/Artigos/p_afraternidadesubstituida.htm
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Nova Idade Média?

O retrocesso cultural no ciberespaço

Por Dora Incontri

Tenho uma tese que ainda vou desenvolver melhor num livro ou em alguns artigos mais profundos: é a de que corremos o risco de mergulhar numa nova Idade Média, claro, diferente da que foi. Mas há sinais fortes e semelhantes à chamada Alta Idade Média que vai do século V até mais ou menos o ano mil, período da desagregação do Império Romano e do retrocesso da cultura, da civilização… Depois, a Baixa Idade Média não pode mais ser considerada como um período de trevas, pois houve o nascimento das Universidades, a retomada gradativa das cidades e do comércio, as catedrais góticas, as línguas europeias, nascentes em poesia… e assim por diante.

O que indica esse risco de novo mergulho medieval? A onda fundamentalista das religiões, deflagrando irracionalidade e fanatismo; a desagregação da linguagem, da música, da arte em geral; o desaparecimento da infância (veja-se o livro de Philippe Ariès, História Social da Criança e da Família, demonstrando que na Idade Média, as crianças eram adultas em miniatura e não eram vistas e tratadas como crianças, que é o que está acontecendo hoje, quando a mídia e a propaganda fazem da criança um pequeno, sensualizado e obeso consumidor!). Outro sinal de retrocesso é o brotar do misticismo fácil, das seitas irracionais e de uma espiritualidade light, indicando falta de consistência e conhecimento filosófico, podendo nos levar a superstições já cientificamente superadas.

As circunstâncias são outras, as características são outras, mas estamos caminhando a passos largos para o eclipse da cultura, da razão, das conquistas civilizatórias dos últimos séculos. É verdade que um pouco disso pode ser decorrência de um processo de resistência e desagrado com a civilização predatória, instalada pelo capitalismo. Mas o que se observa em grande escala (e não é só no Brasil, mas no mundo todo) é um recrudescimento da ignorância, um analfabetismo filosófico, literário, político, espiritual. A mediocridade está tomando conta.

Um dos sinais evidentes que observo diariamente na internet é a circulação crescente de frases soltas, de powerpoints coloridos, ralos e de autoajuda brega, de citações – que revelam uma pseudocultura: superficial, falsa e emprestada. Fico impressionada de ver quanta gente produz e reproduz fartamente frases que são atribuídas a Gandhi, Platão, Pitágoras, Confúcio, Buda, Dalai Lama, Clarice Lispector, Carlos Drummond, Saramago… e assim vai. Ou seja, líderes espirituais antigos e contemporâneos, filósofos, literatos – todos originais, inteligentes e que deram suas contribuições importantes à história, são colocados no mesmo saco de superficialidade e besteirol. Quase nenhuma das frases que lhes são atribuídas na internet é deles mesmos!! Mas ninguém consulta um livro, ninguém lê uma obra de fato sobre a vida ou sobre o pensamento de nenhum deles. Todo mundo repete frases prontas, pobres, vazias, como papagaios, sem nenhum compromisso com os autores, sem nenhum espírito crítico, sem nenhum cuidado de veracidade! Ou seja, estamos criando uma pseudocultura virtual, que consiste em repetir pensamentos ralos, que não formulamos e que atribuímos a pessoas inteligentes, que nunca disseram tais coisas. Nem pensamos e nem recorremos a quem de fato pensou, para aprendermos a pensar. Vamos papagaiando frivolidades. Isso vale para o Facebook, para os e-mails, para os blogs, para as apresentações que circulam por aí!

É tudo rápido, descartável, superficial, vazio…

Outro aspecto que revela a decadência da cultura é o aviltamento da linguagem, a degeneração dos idiomas (mais uma vez, o fenômeno não é só no Brasil). Neste texto mesmo haverá muitas palavras que algumas pessoas nunca viram, porque seu vocabulário é cada vez mais reduzido. Isso vale principalmente para os mais jovens. A língua é um instrumento delicado, harmonioso, embora vivo e dinâmico, que se estrutura a partir da expressão de um povo. Mas antes, essa expressão era tomada por cima. Ou seja, a linguagem culta, literária era o padrão a servir de medida. Hoje, dá-se o contrário. Ninguém mais conhece o padrão culto. As palavras são truncadas nas mensagens, nos e-mails, nos textos; a correção gramatical ausentou-se completamente – mesmo professores de português escrevem errado, não sabem onde colocar uma crase, cometem deselegâncias na concordância! O vocabulário está cada vez mais restrito, pobre, desgastado. O que isso significa? Quanto menos palavras temos para nos expressar e quanto menos regras conhecemos e seguimos para estruturar a linguagem, mais nosso pensamento se torna pobre, por falta de capacidade de expressão; mais se torna feio, desajeitado, por falta de correção na escrita. Ou seja, estaremos caminhando para os grunhidos da caverna?

Conhecer as fontes do que se cita, certificar-se da autoria de um texto, expressar-se bem, elegantemente, com um vocabulário farto – tudo isso faz parte de uma educação bem cuidada. E o problema é justamente esse. Não temos educação: temos manipulação da TV, dispersão na internet, excesso de jogos e msn e falta de livros, falta de conversas, falta de conhecimento em geral.

Mas nem tudo está perdido! Não penso que a internet seja um lugar demoníaco, que deva ser abandonado. Há sites, blogs, escritos inteligentes, bem feitos. Basta saber buscar, escolher, selecionar. Há ciência, filosofia, livros inteiros antigos e contemporâneos, já disponíveis no universo virtual. E é fantástico poder entrar numa biblioteca internacional e achar livros do século XVIII, XIX, XX, e baixá-los gratuitamente… poder entrar num museu virtual e ver obras de arte antigas… poder se associar a um site como Classics Online e ter acesso a 40 mil músicas de todos os gêneros! Poder folhear pela manhã no I Phone, jornais do mundo inteiro!

Por outro lado, poder escrever um poema, um bom texto, uma crônica e no mesmo instante colocá-los à disposição de milhares de pessoas, num blog, num site, divulgando no Facebook, no Twiter…

Os recursos tecnológicos são fantásticos, as possibilidades são infinitas! Nós é que temos de ter cuidado para não mediocrizá-los, não torná-los uma distração tola e às vezes viciante!

Podemos e devemos fazer conscientemente nossa resistência cultural e só divulgar coisas realmente consistentes, procurando também fazermos algo pessoal, original e não apenas copiar o que outros dizem que alguém disse! E mais do que tudo, não devemos abandonar os livros, porque eles são ainda (embora nem sempre) a fonte da cultura mais profunda e mais saudável a nosso dispor.

Dora Incontri

Fonte: Nova Idade Média? O retrocesso cultural no ciberespaço | Dora Incontri

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Espiritismo e Penas Futuras

Martins Peralva

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ESPIRITISMO E PENAS FUTURAS

LE – Questão 1004: Em que se baseia a duração dos sofrimentos do culpado?

R — No tempo necessário a que se melhore. Sendo o estado de sofrimento ou de felicidade proporcionado ao grau de purificação do Espírito, a duração e a natureza de seus sofrimentos dependem do tempo que ele gaste em melhorar-se.

Em matéria, pois, de castigos, depois da morte, reflitamos, sim, na justiça da Lei que determina realmente seja dado a cada um conforme as próprias obras. – Emmanuel

* * *

Estudaram os Espíritos minuciosamente, com Allan Kardec, o insigne e valoroso missionário da codificação, o tema “Das penas e gozos futuros”.

Surgiu, assim, com o advento do Espiritismo, numa época de intenso materialismo e de profundas transformações sociais, nova era para a humanidade estonteada.

Era de esperanças e consolações.

Consolações e esperanças que nenhuma outra doutrina, além do Cristianismo, por ele revivido, conseguiram trazer à face planetária.

Com a Doutrina dos Espíritos, que desde o século passado brilha na consciência e no coração humanos, não mais a terrível concepção de um inferno absurdamente eterno, nem, os horrores de impiedoso purgatório.

E Emmanuel completa: “o Céu começará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada um”.

Com o Espiritismo, o Amor de Deus passou a nova e sublime dimensão, alicerçada na magnanimidade.

Cada um de nós se tornou responsável pelos próprios atos.

Mensageiros de Mais Alto vieram nos falar de situações transitórias, nos círculos espirituais inferiores, destinadas aos processos de auto-retificação.

Ê possível — sinceramente o admitimos — que o ensino do inferno e do purgatório haja cumprido, nos idos da Humanidade, sua tarefa de reprimir, pelo temor, os abusos do homem, o que, no entanto, não mais se justifica, em nossos dias, quando somos convidados pela razão consciente a refletir, e, refletindo, darmos rumo ao nosso próprio destino.

Muito devemos a André Luiz no tocante a esclarecimentos sobre a vida além da morte, bem assim a outros autores, desencarnados e encarnados, cabendo-nos realçar a excelente monografia “A Crise da Morte”, de Ernesto Bozzano.

O ex-médico brasileiro, no entanto, vem transmitindo — de “Nosso Lar” a “Libertação” — farta literatura (seis notáveis livros) em que fornece segura orientação aos encarnados, que, antes, perguntavam, angustiados:

– Como será a vida do Espírito, após a morte?

– Para onde iremos e como iremos?

– O que nos estará reservado?

– O que faremos lá e o que de nós será feito?

– Haverá céu? e inferno?

Com o advento do Espiritismo — o Consolador prometido —, dissiparam-se, inteiramente, as dúvidas.

Monografias de notáveis escritores focalizam o assunto.

Os Espíritos, atentos à argúcia filosófica de Allan Kardec, respondem às indagações, em todos os detalhes.

Emmanuel estuda as diversas conceituações do inferno, referindo-se ao que, sobre ele, pensam hindus, chineses, egípcios e gregos, hebreus e persas, romanos e escandinavos, muçulmanos e vários setores da atividade cristã.

E, ao estudar tão velho quanto palpitante tema, o esclarecido Instrutor acentua: “Disse-nos o Cristo: O Reino de Deus está dentro de vós, ao que, de acordo com ele mesmo, ousamos acrescentar: e o inferno também”.

André Luiz, especialmente, servindo-se da missionária mediunidade de Francisco Cândido Xavier, tornaria mais claros, ainda, estes ensinos.

Que não há penas eternas, di-lo a Codificação.

Duvidamos, mesmo, que a idéia das penas eternas, mesmo nos círculos não-espíritas, tenha, na atualidade, sólida e convicta aceitação.

Cremos nós que entre os divulgadores das penas eternas exista, já, para uso interno, a certeza de sua irrealidade.

As leis humanas tendem a modificar-se e vão-se modificando sempre, com o objetivo, indisfarçável, de amparar o culpado.

De dar ao criminoso oportunidade não “de sofrer”, mas de “regenerar-se”, a fim de que, recuperado moral e espiritualmente, seja reintegrado na sociedade.

Teriam de ser as leis divinas, criadas para tornar o homem feliz, inexoráveis, punitivas, cruéis, impiedosas, contrastando com a tolerante flexibilidade das leis dos homens! . . .

Em regiões sombrias do mundo espiritual, próximas à crosta terráquea, localizam-se, efetivamente, Espíritos culpados — criminosos, suicidas, hipócritas, devassos, etc. — mas “pelo tempo necessário a que se melhorem” , pois que Deus nunca “obra caprichosamente”.

De dias, semanas, meses e anos pode ser, para o culpado, o tempo de sofrimento, segundo a natureza das faltas cometidas.

Tão logo surja, porém, a bênção do arrependimento sincero, começa o Espírito a preparar-se para a etapa seguinte: a da reparação dos males que haja praticado.

Criadas pela vontade do culpado as condições de reabilitação, na Espiritualidade ou na Terra, encontram os Mensageiros de Deus recursos para instilar, em sua mente arrependida, já tocada pelo desejo de felicidade e de fuga ao desespero, elevados princípios que o levarão a soerguer-se, confiante, do báratro escuro para a renovação luminosa.

É profundamente humana a mensagem que o Espiritismo trouxe à Humanidade.

Confortador é o ensino por ele trazido a todos os homens que lhe dediquem alguns momentos de atenção, buscando conhecer-lhe as sublimes verdades.

Nada, portanto, de inferno, nem de purgatório, com suas penas eternas e seus terríveis efeitos.

A Doutrina Espírita preconiza, como realidade espiritual depois da morte, regiões de sofrimento transitório, criadas pelas mentes culpadas, cuja duração estará na razão inversa do esforço do culpado para readaptar-se ao Bem, jamais condicionada ao cruel arbítrio de inexoráveis leis que o banissem das planícies da alegria e da esperança renovadora, para lançá-lo nos ignescentes labirintos do eterno desespero…

Martins Peralva

Livro: Pensamento de Emmanuel – 38

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O verdadeiro tesouro

Itair Rodrigues Ferreira

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Disse Jesus: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem corroem, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Apesar dessa advertência do Mestre e da certeza que temos de que ninguém nunca levou consigo nenhum patrimônio, por mais ínfimo que seja, para o além-túmulo, falta-nos o mínimo de bom senso e a mais simples lógica para seguirmos essa orientação.

Somos usufrutuários dos bens que pertencem a Deus, que no-los empresta para utilizarmos na medida de nossas necessidades. Até o nosso corpo é um empréstimo temporário que devolvemos à natureza após a nossa partida.

É comum ouvirmos relatos de jovens e adultos que não têm saudade ou boas lembranças da infância e da juventude, porque seus pais no afã da conquista das posses materiais não passearam com eles, não os acariciaram suficientemente alegando falta de tempo e nem tiveram paciência, em sua missão de paternidade, dada por Deus, (2) para esperar o seu desenvolvimento natural na descoberta dos seus objetivos.

É necessário que trabalhemos dignamente para conquistar os bens materiais, que são importantes para o nosso progresso e a nossa felicidade e que nos estimulam à continuidade da vida. Uma coisa, no entanto, é ser possuidor e outra bem diferente é ser possuído. Entre essas duas ações existe o “r”, que é o r da redenção.

O trabalho é uma lei moral. Ele foi classificado pelo insigne Allan Kardec em segundo lugar na composição das dez leis morais. Não devemos, entretanto, nos deixar possuir por essa visão materialista, esquecendo os principais tesouros: o amor à família; o bom relacionamento com os amigos; a boa convivência no trabalho; o tratamento amável com todas as pessoas que encontramos; a alegria de viver e a saúde que devemos conservar, agradecendo a Deus, todos os dias, por essas bênçãos.

É comum não valorizarmos o que temos. Às vezes precisamos perder para darmos o devido valor.

Conta-se que um comerciante carioca, no século passado, amigo do grande poeta parnasiano Olavo Bilac, certo dia pediu-lhe um favor:

— Bilac, estou querendo vender o meu sítio, que você conhece muito bem. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal?

— Perfeitamente!

Olavo Bilac, de imediato, apanhou lápis e papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortado por cristalinas e borbulhantes águas de um lindo ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda.”

Alguns meses depois, o poeta encontrou-se com o comerciante e perguntou-lhe se já havia vendido o sítio.

— Nem pensei mais nisso, disse o homem. Depois que li o anúncio é que percebi a maravilha que possuía!

Albert Einstein, o grande gênio científico do século XX, disse: “Procure ser uma pessoa de valor em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é consequência”.

Procurar ser uma pessoa de valor significa penetrar no universo do mundo interior e, por meio do autoconhecimento, melhorar a nossa conduta, com perseverança, usando o tempo, esse patrimônio divino, distribuído com equidade a todos, sem distinção.

O objetivo único do homem na Terra é fazer o bem, evoluindo moral e intelectualmente. Esse o sentido da vida, o verdadeiro tesouro.

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

Dados bibliográficos:

1 – A Bíblia Sagrada, João Ferreira de Almeida, Mateus, 6, 19 a 21.

2 – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, parte 2ª, Capítulo X, questão 582, Feb.

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A ansiedade sob o prisma Espírita

Rodrigo Fonseca

Se analisarmos como está o mundo à nossa volta, facilmente chegaremos à conclusão de que tudo nos conduz à loucura, ao infantilismo, à imaginação exasperada, e, obviamente, à ansiedade. Ouvimos diariamente que temos que, cursar uma faculdade, trabalhar, ter uma carreira bem sucedida, ser independente, encontrar um amor, ir à igreja, fazer atividades físicas, consumir comida saudável, adquirir bens, buscar cultura, ter um hobby e ainda ter tempo livre. Quando optamos por caminhos diferentes, somos apontados, pressionados e cobrados por nossas escolhas. Isto nos ajuda a compreender, em partes, o porquê de tantas pessoas terem desenvolvido transtorno de ansiedade nos últimos tempos.

Esses tantos afazeres nos induz a querermos antecipar tudo o que imaginamos ser importante, a resolver inúmeras coisas em um único dia, cuja quantidade de horas são apenas 24. Na ânsia de querer tudo para ontem, atropelamos nossa saúde, ignorando o mal estar físico e psíquico, como se não houvesse o amanhã. Sensações de desgaste físico ao final do dia, impaciência, coração acelerado, suor excessivo, dificuldade de respirar, choro constante, são alguns dos sintomas de quem sofre de ansiedade patológica. É uma angústia sem fim, porque o controle miraculoso sobre os sintomas não existe.

Ao nos referirmos a um indivíduo que é naturalmente ansioso, lidando com este mal desde a infância, faz-se necessário, que busquemos respostas para esse transtorno nas causas espirituais. Neste sentido, o Espiritismo esclarece que, possivelmente, em uma vida pretérita, o indivíduo enfrentou situações de conflitos, nas quais, não teve controle, deixando-o rendido e envolvido em sentimentos de culpa, revolta, frustração e dor. Mesmo não recordando das vidas pregressas, os sentimentos ficaram registrados em seu espírito e vem à tona sempre que passa por momentos desconfortáveis desencadeando a crise de ansiedade.

É importante prestarmos atenção aos ansiosos, oferecer-lhes uma acolhida fraternal e a possibilidade de tratamentos, pois estamos lidando com um mal estar físico, psíquico e espiritual. Físico, porque todo esse estresse causa dano ao sistema imunológico; psíquico, porque impede o ansioso de ter uma vida relativamente normal e feliz; e espiritual, porque é uma porta aberta para que espíritos obsessores o influenciem a fazer algum mal para si ou para outrem.

O que a doutrina Espírita nos orienta sobre o transtorno de ansiedade?

No Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V – Bem aventurados os aflitos, a Espiritualidade Superior nos orienta que as ansiedades armam muitos crimes e jamais edificam algo de útil na Terra, e que ninguém nasce ansioso, se assim o fosse, sua vinda não seria com o propósito do trabalho com o intuito do auto-aperfeiçoamento e sim, viver como um desesperado, sem remissão. Neste capítulo, supõe-se que a ansiedade seja acompanhada por influências de obsessores. Para isso, o diálogo é necessário no intuito de afastar esses espíritos menos esclarecidos. Outras alternativas são os passes, as palestras e os cursos oferecidos pelas casas Espíritas.

No que tange à parte orgânica, é apontado como maneiras de controlar a ansiedade: a meditação, os exercícios de respiração, a prática de esportes (pois libera endorfina, que causa sensação de bem-estar e dever cumprido, relaxando assim os nervos) e a terapia, seja essa psicanalítica ou alternativa / holística. No que tange à parte espiritual, é de suma importância buscar não apenas a ajuda espiritual nos centros Espíritas, mas a conexão com os espíritos de luz, para que eles possam nos proteger e orientar os nossos caminhos. Assim, somando o conhecimento adquirido nos estudos, os bons fluidos que atrairmos pela nossa elevação e a luz dos espíritos benfeitores, certamente a existência será mais tranquila, com paz no coração, na mente e na alma.

Nosso querido Chico Xavier ainda salienta: “Lança as inquietudes sobre as tuas esperanças em Nosso Pai Celestial, porque o Divino Amor cogita do bem-estar de todos nós”.

Abraços e muita luz para ti!

Rodrigo Fonseca

Fonte: Letra Epírita

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Espiritismo para americanos: Um desafio para brasileiros

Por Eliana Haddad

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Umberto Fabbri, 56 anos, tem se dedicado à divulgação do espiritismo com bastante entusiasmo nos Estados Unidos. Orador internacional, com diversos trabalhos como expositor da doutrina na Federação Espírita de São Paulo, lançou recentemente seu primeiro livro – Cisco Cândido Xavier – com histórias da convivência com o médium mineiro, colhidas desde quando jovem passou a frequentemente visitar o Grupo Espírita da Prece, em Uberaba.

Executivo da área de marketing, com atividades profissionais no Brasil e Estados Unidos, Umberto se engajou no movimento espírita no exterior, participando de atividades em vários centros, principalmente na região norte da Flórida, realizando palestras, seminários e coordenando cursos de formação doutrinária, inclusive para expositores.

Em entrevista exclusiva ao Correio Fraterno, Umberto aborda os desafios dos brasileiros para levar as ideias espíritas para os americanos, com os mesmos anseios e buscas inerentes ao homem, independentemente do local onde vive. Afinal, “a dor é a mesma em qualquer lugar e o impulso do progresso espiritual é inexorável”, assinala.

Vale a pena acompanhar esse bate-papo, por que não é mesmo por acaso que os brasileiros estão tão presentes, consumindo e visitando as terras de Tio Sam.

Como é a divulgação do espiritismo nos Estados Unidos?

A divulgação é tão carente quanto no Brasil. Se no Brasil, as pessoas reclamam, nos Estados Unidos ela ainda é mais complicada. Porém algumas coisas facilitam a vida por aqui, como, por exemplo, o acesso à tecnologia com custo muito baixo. Assim, a grande maioria dos centros faz a transmissão da palestra ao vivo pela internet e ao mesmo tempo grava e a disponibiliza em seus sites. Alguns também gravam em DVD e os colocam à venda para aferirem alguma receita para o centro. Há também uma feira de livro anual em Miami. Mas as dificuldades ainda são grandes, porque a doutrina não tem penetração entre os americanos e apenas alguns centros começam a fazer um trabalho mais intenso.

Por que o espiritismo não atinge os americanos? Há algum preconceito?

Não vejo problema de preconceito. Espiritismo aqui sempre foi feito por latinos e brasileiros para latinos e brasileiros. E da mesma forma, não adianta levar uma doutrina para o Brasil, se ela estiver sendo falada, por exemplo, em russo.

E na atualidade, há alguma mudança mais perceptível?

Sim. Alguns centros, como o de Boston, por exemplo, decidiram começar a divulgar o espiritismo para americanos, colocando palestras somente em inglês. Outros já estão fazendo palestras com tradução simultânea, onde na média comparecem de 50 a 80 pessoas. Nos maiores centros chegam a comparecer 120, 150 pessoas.

Esses brasileiros são frequentadores do espiritismo ou já são trabalhadores?

Nesses centros maiores, uma boa parte já é formada por trabalhadores espíritas. Mais ou menos 30 e 70 % respectivamente, entre trabalhadores e frequentadores. Mas a questão da tradução tem sido uma decisão importante.

E tem muito público interessado nisso?

Depende. Você começa a atingir os brasileiros casados com americanos e com filhos alfabetizados nos Estados Unidos que falam inglês e não têm pleno domínio de português. No KSFF – Kardecian Spiritist Society of Florida, por exemplo, onde há tradução simultânea, já recebemos um público formado por casais americanos/brasileiros que podem assistir às palestras, entendendo com maior facilidade, cada qual no seu idioma, o que se está falando. No caso de Boston, todas as atividades são em inglês, apesar da maioria dos frequentadores serem brasileiros.

Quais trabalhos são realizados nos centros, além das palestras?

Dependendo do centro, há todos. Tanto voltados para área da assistência espiritual como da assistência social. A diretriz é da FEB  e os cursos sobre a doutrina seguem sua metodologia e material de apoio. São dados em português, porque os interessados são brasileiros. Mas há também centros onde se utiliza o espanhol.

Como são feitos os trabalhos de desobsessão? Os espíritos que se manifestam são culturalmente ligados a qual país?

(Risos) Já estava esperando esta pergunta. Algumas experiências são na língua nativa do indivíduo, embora a manifestação do pensamento descarte a necessidade da linguagem, mas pode acontecer… Já vi casos desta natureza. A comunicação através do pensamento permite que o médium a transmita em português e o doutrinador oriente em português; e também há o caso que o médium fala em inglês e o doutrinador orienta em inglês.

Como são formados os grupos mediúnicos?

Na grande maioria, todos são brasileiros. Ainda não tive a oportunidade de conhecer um grupo de trabalho que tenha um médium americano. Mas já começa a haver necessidade de trabalhos que não estejam limitados aos brasileiros. Há um grupo próximo, criado há um ano e meio, que tem trabalho mediúnico, passe, palestra na língua nativa, além do português.

A assistência social realizada pelos centros nos Estados Unidos é bastante diferenciada. Fale um pouco sobre isso.

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Os centros fazem um trabalho de cadastramento de pessoas necessitadas onde todo mês elas podem fazer uma compra. O Bezerra de Menezes – o centro mais antigo da Flórida, com 26 anos, não sei se dos Estados Unidos–, tem um programa chamado Food Pantry. Trata-se de um supermercado dentro do centro, amparado legalmente pelo governo federal, para onde mensalmente as empresas levam seus produtos que estão relativamente próximos da data do vencimento. Para a empresa é doação, que acaba abatendo no Imposto de Renda. Um relatório com dados do cadastro das pessoas é enviado com detalhes para o governo, dizendo quem são, o que fazem, número de familiares, etc. Normalmente estão desempregadas passando necessidades. A compra no centro é simbólica, naturalmente. Ninguém paga nada.

Quantas pessoas já estão sendo atendidas neste programa?

Não dá para saber. O Bezerra atende pouco mais de 70 famílias, mas o número é limitado, dada a própria condição, os limites do centro. Demanda existe, porque o desemprego aqui continua bastante acentuado, com taxa em torno de 7%.  Sem contar os imigrantes ilegais, que não estão inseridos nestas taxas, obviamente.

Você acha que isso também tem levado os americanos a procurarem algo mais, chegando às casas espíritas?

Na realidade não vejo grandes diferenças na situação entre Estados Unidos e Brasil. Trabalho em casas espíritas em uma região em que a pessoas são muito religiosas. Estão voltadas para o catolicismo e também para o protestantismo. É a mesma situação do Brasil e de todos os lugares. O ponto crucial é que chega um momento em que há buscas por respostas para fatos específicos da vida. Surge também uma nova busca para o público americano por um esclarecimento maior da vida. E, embora o Evangelho esteja em primeiro lugar, não havendo como descartar a parte filosófica e religiosa do espiritismo, percebo que há algo que pode tocá-los mais de perto. É a parte científica da doutrina.

Você diz no sentido da ciência materialista ou da busca essencial do espírito, tendo a doutrina como uma nova ciência?

No sentido de uma boa junção do que acredito aconteça num futuro breve. Teremos as evidências através de uma nova ciência que vai fazer todo o sentido em relação à questão do espírito, do perispírito e coisas do gênero. O ponto principal é que há, sim, um processo em andamento. Existe um trabalho muito forte feito no passado por alguns cientistas americanos e um deles que se destacou é o Joseph Rhine, dentre outros iniciadores nessa área de ciência e espiritualidade. Mas, por exemplo, até bem pouco tempo não se encontrava em revistas americanas uma matéria de capa, como o caso recente na Newsweek de outubro do ano passado, com um depoimento gigantesco de um neurocirurgião mostrando que alguém responde a estímulos e compreende com o cérebro completamente paralisado. Isso é sair do lugar-comum. Aceitar esse conhecimento será uma questão de tempo. O espiritismo não é ciência como a ciência tradicionalista, a ciência positivista – para se ter um nome melhor do que materialista. A ciência na realidade tem os seus próprios dogmas. Quando ela não explica, explicado está. É o absurdo dos absurdos. Foge-se da religião ou do ocultismo — porque para a ciência tudo o que ela não domina passa a ser ocultismo por conta da dogmatização religiosa – e acabam caindo no dogmatismo científico. Essa postura, claro, não é só dos americanos, mas há uma influência muito grande dela sobre eles. A influência da psiquiatria do próprio Freud está dentro deste contexto, quando seu discípulo Jung foi para o outro caminho, o reencarnacionista. Não dá para ignorar tudo isso, dentro da história do conhecimento humano.

Essa postura mais dogmática faz com que o americano seja mais cético, desconfiado em função do próprio desenvolvimento científico e tecnológico?

O que pude sentir é que ele não é cético, não. O americano também não é frio, é muito acolhedor. Ele é muito prático e talvez por isso sua religiosidade esteja muito fechada ainda. Mas existe a busca. Tanto é que as novidades acabam tendo adeptos até demais por aqui, como a teoria lançada da criança índigo, da criança cristal. E, quando as criaturas começam a querer algo além, os oportunistas que estão aí de plantão aproveitam-se dessa situação. Por isso não podemos esmorecer. Há um trabalho a realizar.

Em sua opinião, depois do espiritismo ter se evidenciado nos Estados Unidos com as Irmãs Fox, os espíritos batedores, etc., por que não se expandiu imediatamente por aí?

Acho que o que aconteceu é que havia uma sociedade extremamente fechada em suas bases – catolicismo ou protestantismo. A questão fundamental é o fato de que paradigmas estão sendo alterados. O povo americano está se abrindo mais para as questões do espírito. E, de uma maneira surpreendente, muitas vezes num mix entre ciência positivista e espiritualidade, e ao mesmo tempo despertando uma nova versão de ciência que acaba surgindo através desses pioneiros que têm coragem de admitir algo além da matéria, como no caso da revista, que revela ter-se feito uma viagem fora do corpo.

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Você acredita que, em função desse trabalho na divulgação do espiritismo, os brasileiros passem a ser mais respeitados nos Estados Unidos?

Penso que estejamos, sim, fazendo a diferença. Inclusive na economia dos Estados Unidos, porque consumimos muito por aqui. Talvez esse movimento de “invasão” dos brasileiros não seja espiritualmente tão inocente. São eles os divulgadores do espiritismo para o povo americano. Nada realmente acontece por acaso.

A mudança é mesmo então uma realidade e o espiritismo aí está para colaborar, esclarecendo e consolando. É isso?

Os Estados Unidos vivem um momento importante, onde há muitos paradigmas sendo quebrados. Negros ainda estigmatizados em alguns locais e um presidente negro que foi reeleito, por exemplo. Antes, eram eles e os outros. Agora, com a globalização, estão vendo que apenas fazem parte, como os outros. O desafio é a divulgação do cristianismo redivivo, o que muitos confundem com o proselitismo, mas Jesus disse que não deveríamos colocar a luz debaixo do alqueire nem enterrar os talentos. Devemos aproveitar todos os instrumentos para isso. Não sei se o espiritismo vai entrar nos estados americanos. O que importa é que suas ideias sejam divulgadas que, aliás, não são espíritas, são de Jesus, portanto universais. O nome pouco importa.

Eliana Haddad

Fonte: correio.news

Saiba mais em www.divulgadorespirita.com.br

(Publicado no Jornal Correio Fraterno – Edição 449 jan./fev. 2013)

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O silêncio das religiões

José Passini

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Vivemos uma época de paradoxos: nunca se falou tanto em paz, mas nunca se ensinou tanto a guerra, a grosseria, a brutalidade, a violência. Como é possível criar uma sociedade pacífica, serena, nos modelos ensinados por Jesus, por Buda, por Francisco de Assis, por Gandhi, se desde a infância a criatura humana é submetida a um aprendizado de violência por meio audiovisual em cores no cinema e no lar? Observem-se os desenhos animados, plenos de exemplos de brutalidade, de destruição, de desrespeito às coisas e à vida, que são apresentados às crianças na televisão e na internet. As cenas se sucedem, mostrando seres disformes, monstruosos, criaturas que se combatem e se destroem de modo espetacular, arruinando tudo o que está ao seu redor, através de socos, pancadas, raios, explosões.

Pergunta-se como ensinar à criança a paz, a tranquilidade, o respeito às coisas e às criaturas, se lhe são apresentados exemplos que a induzem exatamente ao contrário? O resultado dessa sementeira de brutalidade e desumanização é visto todos os dias nas estatísticas, que apresentam o crescente número de desavenças, de agressões e de mortes.

Como será possível a uma criança chegar à condição de adulto sem tornar-se consumidora de alcoólicos, se a televisão faz uma pregação insistente sobre o prazer de consumi-los, em todos os horários, dentro dos lares, usando como pano de fundo a euforia do futebol, a alegria do convívio humano? Nesse particular, evidencia-se o imenso poder dos produtores de bebidas alcoólicas, que não só conseguiram manter sua propaganda na mídia, como ganharam o espaço anteriormente usado pelos produtores de cigarros.

A batalha contra o fumo foi vitoriosa, colocando o Brasil bem à frente de países mais desenvolvidos. Entretanto, o fumo é bem menos lesivo à sociedade do que o álcool. O dano produzido pelo fumo se restringe quase que só ao seu usuário, enquanto que o do álcool é capaz de destruir uma família inteira. Por que não regulamentar a propaganda, a venda e o uso de alcoólicos como se fez com o fumo? Mas apesar de o uso do álcool ser muito mais danoso que o do fumo, não há legislação que obrigue os fabricantes de bebidas alcoólicas colocarem, nos seus produtos, avisos quanto aos malefícios do seu uso, conforme é exigido nas embalagens de cigarros.

E, por falarmos em propaganda danosa, o que dizer quanto à licenciosidade sexual, o que dizer sobre as aulas de prostituição que entram nos lares, em todos os horários? As cenas de intimidade vividas por casais são apresentadas em novelas exibidas à tarde e à noite. Alguns programas são apresentados em horário mais avançado, dado o nível de sensualidade que apresentam, mas as suas chamadas, os seus anúncios são feitos em todos os momentos. Há programas que não apenas são atentatórios aos bons costumes, à moral, à ética, mas à própria dignidade humana, onde se evidencia não só a licenciosidade, mas também a ausência de pudor, de senso de privacidade, este, um dos atributos que distingue o ser humano do restante da criação. Há programas humorísticos que pregam abertamente a promiscuidade, o desrespeito, o deboche, o uso do palavrão. O aviltamento da mulher se tornou tão comum que é olhado pelo viés humorístico. Há flagrante apoio à mulher leviana, despudorada, em detrimento da nobre figura da mulher-esposa, da mulher-mãe.

Mas, afinal, vivemos num país que se diz cristão. Será que o Cristianismo é para ser vivenciado apenas no interior das comunidades religiosas? Será que se deveriam isolar do mundo aqueles que não desejam compactuar com esse estado de coisas, ou lutar para que o mundo se torne compatível com os ensinamentos do Cristo? Se aqueles que desejam manter uma vida equilibrada, respeitosa, pretenderem afastar-se do convívio com a sociedade, como interpretariam a recomendação de Jesus, registrada por dois evangelistas: “Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos (…)” (Mt., 10: 16) e “Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.” (Lc., 10: 3)?

Diante da recomendação de Jesus, não devemos criar ilhas onde se viva cristãmente, mas devemos trabalhar no sentido de cristianizar todos os lugares. Como nos sentiríamos se, subitamente, aparecesse Jesus ao nosso lado, quando nossas crianças estão vendo certos desenhos, ou estamos assistindo a algumas dessas novelas, desses filmes ou algum desses programas?

E o que estão fazendo as religiões no sentido de despertar as criaturas para uma mudança de atitude, a fim de que assumam sua real posição diante do Cristo? Será que o papel das religiões é levar seus fiéis a pensarem em Deus, ouvindo enternecidamente comentários sobre os ensinamentos de Jesus, somente no interior dos templos, em momentos sagrados? Mas Jesus nunca separou a vida em momentos sagrados e momentos profanos. De acordo com os Seus ensinos, os princípios éticos e morais devem permear todos os atos da vida, em todos os ambientes. Portanto, é premente a necessidade de se despertar o homem para o esforço de proceder de conformidade com esses ensinamentos, em todas as circunstâncias da vida, conforme Ele ensinou e exemplificou. Logo, as religiões devem esclarecer o homem no sentido de não esperar o Céu depois da morte, mas de construí-lo aqui, em todos os ambientes, principalmente dentro de si mesmo, desde agora.

E como estamos procedendo, nós espíritas, nesse cenário caótico em que vivemos? As casas espíritas estão promovendo reflexões sérias que nos levem a nos situarmos na vida como Espíritos imortais temporariamente encarnados? Estamos tendo oportunidade de avaliação das propostas da televisão, do cinema, do teatro, da literatura ante nosso futuro no Mundo Espiritual?

Lembremo-nos de que, se o Espiritismo não nos atemoriza com o Inferno, também não nos oferece um Céu conquistado sem esforço no Bem. A verdade é que também nós estamos um tanto acomodados diante do panorama atual, pois raras vozes se erguem para denunciar esse tremendo antagonismo entre o que nos oferece a mídia, e as diretrizes de conduta ensinadas no Evangelho. Portanto, diante dessa ruína moral que se vê na atualidade, é de se perguntar onde estão as vozes dos condutores de almas, onde estão as vozes das religiões que silenciam diante de tanta ignomínia? Será que aguardam a volta de João Batista?

José Passini

Fonte: espiritualidades.com.br

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Destinação da Terra

Nilton Moreira

DESTINAÇÃO DA TERRA

“Muitos se admiram de que na Terra haja tanta maldade e tantas paixões grosseiras, tantas misérias e enfermidades de toda natureza, e daí concluem que a espécie humana bem triste coisa é. Provém esse juízo do acanhado ponto de vista em que se colocam os que o emitem e que lhes dá uma falsa ideia do conjunto.

Deve-se considerar que na Terra não está a Humanidade toda, mas apenas uma pequena fração da Humanidade. Com efeito, a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão que povoam os inúmeros orbes do Universo.

Ora, que é a população da Terra, em face da população total desses mundos? Muito menos que a de uma aldeia, em confronto com a de um grande império. A situação material e moral da Humanidade terrena nada tem que espante, desde que se leve em conta a destinação da Terra e a natureza dos que a habitam.

Faria dos habitantes de uma grande cidade falsíssima ideia quem os julgasse pela população dos seus quarteirões mais ínfimos e sórdidos.

Num hospital, ninguém vê senão doentes e estropiados; numa penitenciária, veem-se reunidas todas as torpezas, todos os vícios; nas regiões insalubres, os habitantes, em sua maioria, são pálidos, franzinos e enfermiços. Pois bem: figure-se a Terra como um subúrbio, um hospital, uma penitenciária, um sítio malsão, e ela é simultaneamente tudo isso, e compreender-se-á por que as aflições sobrelevam aos gozos, porquanto não se mandam para o hospital os que se acham com saúde, nem para as casas de correção os que nenhum mal praticaram; nem os hospitais e as casas de correção se podem ter por lugares de deleite.

Ora, assim como, numa cidade, a população não se encontra toda nos hospitais ou nas prisões, também na Terra não está a Humanidade inteira. E, do mesmo modo que do hospital saem os que se curaram e da prisão os que cumpriram suas penas, o homem deixa a Terra, quando está curado de suas enfermidades morais.”

O presente texto faz parte das nossas leituras da madrugada, e nos possibilita esclarecimento para que melhor entendamos o motivo pelo qual existe tanto sofrimento na Terra.

Na realidade neste Planeta não existe a felicidade plena, existindo sim apenas momentos felizes de acordo com o merecimento de cada um.

Nilton Moreira

Artigo da Semana – Estrada Iluminada

Fonte:  Espirit Book

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