Com Paciência e Paz

Joanna de Ângelis

COM PACIÊNCIA E PAZ

Revolta surda vai assenhoreando-se da tua mente ao considerares que ou teus mais salutares alvitres não são aceitos por aqueles a quem te afeiçoas ou procuras ajudar.

Argumentas com segurança, arrimado à lógica e, no entanto, os mais íntimos te parecem distanciados de qualquer programa de elevação, avançando desassisados para os ruinosos caminhos da criminalidade a que se vinculam.

Antes, quando ignoravas o testamento cristão, nas diretivas com que o Espiritismo te enseja, acalentavas o desejo de renovação segura e estável que oferecesse base à paz interior com clima ameno de confiança nas disposições superiores.

Hoje, clareado por convicções felizes, desejas expor e esclarecer, facultando oportunidades igualmente venturosas aos eleitos da tua afeição.

Ages mal, porém, por te deixares consumir pela inquietação ante a rebeldia deles.

O solo sáfaro, impermeável à água e ao adubo, demora-se calcinado e infeliz.

A nascente débil que se não liga ao rio generoso escalda-se e desaparece.

A correnteza que desdenha as fontes das margens do próprio curso, candidata-se ao desaparecimento.

A rebeldia como a presunção já caracteriza a infelicidade de quem as conduz.

Há ocasiões próprias para semear.

A oportunidade certa ensejar-te-á operosa ação para a sementeira da verdade.

Evita o peso da ira no serviço de esclarecimento ou em qualquer circunstância.

A “cólera divina” é configuração meramente humana que não corresponde à verdade.

Quem deseja ajudar no despertamento de espíritos porfia criando ambiente de luz, reconhecendo que o tempo é o grande professor dos desatentos.

* * *

Muitas vezes o Mestre não foi ouvido por aqueles a quem muito amou.

Os que conviveram no círculo do seu afeto por mais de três ano, cercados de carinho e envoltos na esfera do seu inefável devotamento atestaram conhecê-Lo pouco, quase nada entendendo das suas lições. Ele, porém, compreendia que os que O não recebiam já estavam punidos e deles se apiedava…

Desdenhar a luz e fugir-lhe à contribuição valiosa é candidatura à enfermidade e à morte.

Os que desprezam o banho lustral da palavra de vida empalidecem as possibilidades de redenção e liberdade real.

O Evangelho nos diz que “os seus não O receberam…”.

No entanto, Ele sempre recebeu a todos, estando à disposição de todos.

Entre os que O buscavam estavam homens e mulheres de renomada posição e dos mais escusos antros das cidades.

Muitos se disputavam recebê-lo em suas casas, tê-Lo às suas mesas, talvez para se beneficiarem da notoriedade d’Ele ou para conhecê-Lo de perto.

Incansável, porém, demorou-se em serviço enquanto era tempo, sem reclamar nem transigir com aqueles que não O queriam, nem O escutavam, nem O recebiam…

* * *

Não há outra conduta a adotar, a serviço dEle, senão aprendendo com Ele a lição da sua conduta.

Os que agora não podem avançar contigo, virão depois. Propicia-lhes o terreno e prossegue à frente, abrindo rota de segurança entre dificuldades.

O valor da mensagem que conduzes com doação da própria vida é tesouro que, em te enriquecendo da luz do discernimento, fará de ti emissário da paciência e da paz, sem campo para que grassem as sombras da revolta ou da ira.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 17

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Missão do Médium

Maria Silvia Orlovas

Você que tem mediunidade e trabalha com ela, já deve ter pensado por que foi escolhido, ou por que tem esse dom e, provavelmente, ao longo do seu caminhar também deve ter pensado no porquê de ter sido escolhido. Mesmo aquelas pessoas que já ouviram em algum momento que tem que desenvolver a mediunidade, com certeza, ficaram pensando em como e por que fazer isso.

Aliás, sei que muita gente “desenvolve” a mediunidade por medo do que pode dar errado, caso não o faça, e não por vontade própria ou de forma espontânea.

Os mentores sempre brincaram dizendo que quase ninguém vem para o caminho espiritual, que as pessoas despencam, esbarram-se ladeira abaixo quando estão sofrendo. E que alguns encontram nesse caminhar um sentido da vida.

Mas, então, qual a missão do médium? Pergunto o que você sente a esse respeito, porque por mais que já tenhamos ouvido alguma coisa que consideramos importante, temos que ouvir a voz interna, respeitar aquilo que sentimos, pois, mediunidade começa dentro de nós, no coração, no sentimento e nas sensações. Não é algo externo. Afinal, nós somos os médiuns, os sensitivos, somos aqueles que por um motivo conhecido ou desconhecido temos o dom de uma percepção mais aguçada do mundo à nossa volta, e também do mundo interior.

Ao longo desta vida, porque no meu caso nasci médium, percebo que o primeiro passo dessa missão é o autoconhecimento. Um médium antes de querer exercer seu dom, lapidar seu talento, ajudar as pessoas, precisa se conhecer e vencer seus próprios tormentos, porque os primeiros passos dessa trilha costumam ser feitos quase no escuro.

Já pensei se seria um teste, mas cheguei à conclusão que se trata de um empurrão. Porque quem em sã consciência com tudo dando certo, com relações afetivas e familiares amorosas e tranquilas, com dinheiro, um bom trabalho e felicidade procuraria uma compreensão maior da vida e dos desígnios divinos?

Sinceramente, acho que pouca gente sequer olha para o lado espiritual quando as coisas estão bem. Então, se as coisas estão mal, além de olhar, pedir ajuda, ou de querer, de repente, ser médium e salvar o mundo, vamos precisar ser humildes e nos salvar. Mudar comportamentos, vencer o karma familiar, que normalmente é pesado e cheio de rebarbas complicadas. A vida é assim…

As pessoas não são perfeitas e nós não somos perfeitos.

Acredito numa mediunidade ativa, no sensitivo, no médium que estuda, que aprende, mas não apenas nos livros, nem apenas com os espíritos que recebe, nem nas mensagens que canaliza. Precisamos aprender com a vida, com aquilo que conseguimos fazer de bom e também com aquilo que dá errado.

O médium é como diz a palavra: um mediador, alguém que transita entre o mundo material e o mundo espiritual. Mas vale perguntar: que parte do mundo espiritual esse médium frequenta?

Porque não existe apenas um mundo. Existem vários mundos e o que define por onde você anda ou, no caso, é levado, é a sua conduta. Honestidade no mundo dos homens é fundamental para garantir o acesso aos portais superiores do espírito. Assim, não basta ver espíritos e se comunicar com o além. Precisamos conectar bons espíritos e, para isso, é necessário aprimorar nossa natureza, pois ainda que tenhamos nascido com lindos dons e talentos, se não lapidarmos o caráter, esses presentes se perdem numa nuvem de poeira.

Penso que não apenas a missão do médium, mas a de todos nós, é antes de querer salvar o mundo, cuidar de si mesmo, do seu aprimoramento, de cultivar a sua luz e o entendimento, amor e perdão para enfrentar as lições que o karma nos trouxe.

Por Maria Silvia Orlovas

Fonte: G.E. Casa do Caminho de S. Vicente

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O Óbvio

Antonio Carlos Navarro

O ÓBVIO

Tivemos em nossa última atividade mediúnica no Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, uma comunicação espiritual interessante.

O Espírito comunicante apresentou-se como sendo uma pessoa comum, tal como a grande maioria dos encarnados, e passou a relatar sua última experiência carnal.O ÓBVIO Não foi uma pessoa má. Também não foi um exemplo filantrópico. Viveu a vida de forma morna, nem quente, nem frio.

Pois foi justamente esse comportamento que lhe pesou na consciência ao retornar ao Mundo Espiritual, produzindo-lhe instabilidade consciencial que lhe tirou a tranquilidade e, consequentemente, o sentimento de felicidade.

Agora, na condição de orientado, passa em revista as experiências da vida que viveu, percebendo que poderia ter aproveitado muito mais a benção da reencarnação.O ÓBVIO Disse que se deixou levar pela vida vegetativa, rotineira, sem se aventurar em caminhos que lhe poderiam dar maior ganho espiritual. Nem estudos no campo da espiritualidade, nem trabalhos voluntários em benefício da dignidade humana.

Nesse ponto lembramo-nos da orientação doutrinária que diz que não basta não fazer o mal, é preciso fazer o bem, porque somos responsáveis não só pelo mal que causamos, mas por aquele que resulta do bem que não fazemos.O ÓBVIO Questionado sobre como reconhecer, enquanto encarnado, as oportunidades de crescimento, ele respondeu que não se percebe o óbvio.O ÓBVIO Discorreu dizendo que a proposta do Evangelho, nas orientações do Senhor Jesus, é a ação constante no bem, incessantemente. Todas as orientações são no sentido de agir, e não de expectação, como a lavar as mãos diante das situações.

Nesse ângulo o óbvio constitui, por exemplo, toda a oportunidade que se tem para exercitar a educação, a paciência, a tolerância, a indulgência, a boa vontade e etc. Assim como também oportunidades de dilatação da inteligência através do conhecimento, da prestação de pequenos favores ou da oração intercedente, dentre muitos outros.

Enfim, disse ainda que, muitas vezes, envolvemo-nos em movimentos fraternos de grande monta, mas que ocorrem poucas vezes em nossas vidas, e nos esquecemos das pequenas situações nas quais nos envolvemos no dia a dia, e que representam pequenos tijolos de uma grande construção.

Finalizou seu depoimento dizendo estar em treinamento para melhor aproveitamento da futura reencarnação, e aconselhou-nos a não perdermos tempo com questiúnculas que nos roubam energia e oportunidades de fazer o bem, para o próximo e para si mesmo, que é o que conta quando se adentra o mundo dos espíritos.

Quanto a nós outros, ficamos a pensar em quantas oportunidades poderíamos ter sido úteis exercitando os valores morais superiores, mas escolhemos a inércia, o desculpismo, a displicência e a negligência, perdendo a oportunidade de crescimento espiritual enquanto estamos encarnados.

Como não sabemos quando vamos voltar à pátria maior, o melhor a fazer é redirecionar nossas ações, buscando a seara que é grande e onde faltam trabalhadores.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro
Fonte: Kardec Rio Preto
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Sistema Colaborativo

Orson Peter Carrara

SISTEMA COLABORATIVO

A vida se apresenta claramente como um moderno mecanismo de colaboração mútua. Tudo demonstra um esforço gigantesco direcionado para o bem coletivo. Nos ambientes da natureza em seus conhecidos ciclos e mesmo no próprio funcionamento do corpo humano, com breve observação nota-se esse caminhar solidário. É um perfeito sistema colaborativo.

O egoísmo não faz parte desse processo, ele é fruto da imaturidade, introduzido sim pela irreflexão que gera ambição, vaidade, arrogância, elementos presentes expressivamente no comportamento humano, frutos todos do egoísmo. Este um autêntico “câncer” moral, gerador dos sofrimentos que assolam o planeta.

A consciência de colaboração, todavia, inspirada pela grandeza da solidariedade, convida-nos a essa nova postura, peculiar à natureza. Isso, todavia, exige o empenho pessoal, o esforço de continuidade na adoção de novas posturas, justamente nessa direção e foco colaborativo.

Os exemplos nessa direção são muitos. Basta pesquisar. O bem é lei da vida. Todo desvio dessa rota resultará em aflições, lágrimas, dificuldades. Atentemos para agir como facilitadores das circunstâncias, centralizadores do bem, com consciência do bem. Nunca nos esqueçamos: o bem e o amor são leis da vida. Contrariá-los é construir desdobramentos que exigirão reparação. Melhor agir como ensina a natureza. Afinal, somos capazes de raciocinar, e, melhor, somos capazes de amar também. É querer e vencer as tendências egoístas que ainda nos dominam.

Orson Peter Carrara

Fonte: G.E. Casa do Caminho de S. Vicente

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Livre arbítrio

A Liberdade do Espírito na sua Trajetória Espiritual

Camila Vieira

Em leitura de algum texto ou obra espírita é bem provável que você tenha se deparado com o termo “livre arbítrio”, que nada mais é que o poder de escolha de um Espírito sobre alguma coisa. Por trás deste conceito razoavelmente simples, guarda um dos grandes pilares do espiritismo: a Lei da Liberdade.

Enquanto algumas doutrinas seguem uma linha de proibição e rígido controle das ações dos indivíduos, a Doutrina Espírita trata a liberdade como uma lei, entendida como a faculdade de escolha do Espírito. Tal liberdade se inicia desde o seu planejamento encarnatório ainda no plano espiritual. O próprio espírito tem o poder de escolha de algumas provas que deseja passar em suas encarnações, visando o desenvolvimento do seu ciclo evolutivo.

Tal planejamento não significa que o Espírito firma um “Contrato de Adesão”, pelo qual é obrigado a segui-lo à risca. O Espírito tem total liberdade de escolha na tomada de decisões no seu ciclo terreno, que podem inclusive alterar substancialmente a jornada programada. Pensar que tudo que acontece em nossa vida é fruto de programação é equivocado, já que dependendo das decisões que tomarmos no curso do caminho seremos aproximados ou desviados do planejamento inicial.

A liberdade é uma das bases da Doutrina Espírita e a chave para a evolução: o Espírito constrói o alicerce da sua trajetória a partir das suas próprias escolhas e decisões, sendo responsável pelas suas ações. Claro que existe o amparo constante da Espiritualidade nestas decisões, mas certo que são fruto da faculdade de escolha do Espírito.

O Livro dos Espíritos contém um capítulo específico sobre a Lei de Liberdade (Capítulo 10). Estudando-o, é possível compreendermos que a liberdade faz parte da natureza do Espírito, mas não de forma absoluta [1]. Na medida que convivemos com outros Espíritos que também estão em caminhada evolutiva, há a necessidade do compartilhamento de suas liberdades. Assim, há um limite entre a liberdade de um para com o outro, visando o equilíbrio das relações.

Ainda, o Livro dos Espíritos ensina que todos os Espíritos, mesmo aqueles com faculdades limitadas, como uma criança, na medida de suas capacidades, têm o livre arbítrio de suas decisões [2]. É inerente do Espírito o poder sobre suas decisões.

Intrinsicamente ligada a ideia do livre arbítrio, vem a ideia da “ação e reação”. O Espírito tem a liberdade de escolha, mas é responsável por suas decisões.

Nesta lógica é possível compreender que a maldade não é inerente ao Espírito, na medida que ele pode escolher entre o bem e o mal. Serão as consequências das escolhas que fez durante a sua trajetória espiritual que definirão sua escala evolutiva.

Não podemos nos confundir que sendo a Terra um planeta ainda de provas e expiações, o ambiente ainda contém grande volume de espíritos com condutas desviadas para o mal, contudo não significa que todos os Espíritos aqui encarnados possuem em sua essência a maldade.

A pergunta 845 do Livro do Espíritos nos responde que por mais que existam predisposições instintivas de um Espírito que possam levá-lo à uma ação ruim, este Espírito tem o livre arbítrio.

A influência do ambiente sobre o Espírito também pode persuadi-lo, na medida que ambientes onde prevalecem paz e a bondade podem inspirá-lo para boas escolhas e ambientes mais carregados negativamente podem motivá-lo à más escolhas.

Sabendo da nossa responsabilidade perante nossas escolhas, daí a importância de buscarmos a melhor sintonia interior e exterior para que sejamos intuídos pela Espiritualidade às escolhas que mais se aproximem dos propósitos que devemos seguir nesta caminhada espiritual, por vezes tão árdua.

Afinal, “Lembrai-vos de que querer é poder”. [3]

Camila Vieira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

[1] Pergunta 844, Livro dos Espíritos.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. [Traduzido por Renata Barboza da Silva; Simone T. Nakamura Bele da Silva].São Paulo: Petit, 1999. p.284.

[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. [Traduzido por Renata Barboza da Silva; Simone T. Nakamura Bele da Silva].São Paulo: Petit, 1999. p.284.

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Os Espíritas não têm respostas sobre tudo

– E nem precisam ter…

Franklin Félix

Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e por dentro são lobos. Conhecê-los-ei pelos seus frutos.” Mateus, cap. VII. vv. 15 a 20

“O que o espiritismo diz sobre o novo coronavírus?”, “o que o espiritismo pensa sobre queda de avião?”, “o que o espiritismo afirma sobre crianças índigos?”, “como o espiritismo interpreta os tsunamis?”, “o que o espiritismo fala sobre política?”, “previsões espíritas sobre 2020”, “como o espiritismo vê os LGBTs?”.

Não é incomum ver – com muita tristeza – afirmações para esse tipo de perguntas, do tipo: “quem está morrendo de coronavírus é porque não está vibrando no amor”, “morreu todos juntos no avião porque os irmãozinhos eram romanos que jogavam cristãos na fogueira e estavam resgatando coletivamente um débito de vida passada” ou “LGBTs estão pagando débitos de vidas anteriores”.

Com a crueldade de corações bem distantes das vivências do Evangelho de Jesus e com a profundidade de um pires, negando todo o rigor metodológico de Kardec, esses são apenas alguns dos exemplos de textos, vídeos no Youtube, palestras e mais uma porção de convites à desinformação (fakenews) que alguns espiritas andam divulgando.

Enquanto escrevia esse artigo, chegou mais uma dessas tristes-pérolas. Perguntado sobre corrupção e política, um famoso palestrante espírita e que, por coincidência, também é juiz, tergiversou, enrolou e se manteve em cima do muro, local confortável para alguns desses famosos.

Ora, qualquer cidadão (e não precisa ser religioso, as vezes é até melhor que não seja), com o mínimo de senso ético, será contra qualquer tipo de corrupção dentro ou fora da política, inclusive aquela diária, travestida de “jeitinho brasileiro”, como furar fila, estacionar em local proibido ou mesmo, usurpando a fé e a fragilidade das pessoas, oferecer palestras, workshops, treinamentos, respostas milagrosas, cobrando caro por isso.

Para começo de conversa, o espiritismo não diz nada sobre as questões acima. Quem diz são espíritas que, baseados em suas ideologias (eu também tenho as minhas) e visões de mundo, interpretam, na maioria das vezes, de maneira bem catastrófica, punitivista e sensacionalista.

Como diz Paulo Freire: “Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: sua base ideológica é inclusiva ou excludente?”

Por que devemos terceirizar nossas opiniões, nossos valores e nossa capacidade de julgamento?

O espiritismo não acredita em gurus, escolhidos, profetas, pelo contrário, nos incentiva, constantemente, a uma fé racional e ao estudo constante.

Espírita nenhum, que estuda e pratica os ensinamentos dos espíritos, acredita em profecias, psicografias proféticas e mensagens aterrorizantes. Nós não somos uma “experiência” de Deus, tampouco, suas marionetes.

Indagados sobre isso, os espíritos responderam à Kardec:

“Devem, além disso, considerar-se suspeitas, logo à primeira vista, as predições com época determinada, assim como todas as indicações precisas, relativas a interesses materiais.”

Os Espíritas não sabem todas as coisas, muito menos os espíritos. Os Espíritos são as almas dos seres humanos que já perderam o corpo físico. A exemplo do que observamos na humanidade encarnada, o conhecimento que eles têm é correspondente ao seu grau de adiantamento moral e intelectual. A morte é uma passagem para a vida espiritual e não dá valores morais ou de inteligência a quem não os tem.

Para o Espiritismo, a evolução envolve aspectos distintos e plurais, com infinitas trajetórias possíveis. Não é um processo linear, não há um caminho certo. A evolução não é apenas individual, mas do grupo de pessoas, encarnadas e desencarnadas, ao qual se está ligado. Evoluir implica em mudar a mentalidade e a massa crítica do grupo social.

Segundo os ensinamentos dos espíritos, evoluir significa modificarmos alguns comportamentos, por meio das sucessivas experiências (e vidas), ultrapassando limites pessoais, desenvolvendo potencialidades e ampliando a nossa capacidade de fazermos para os outros aquilo que gostaríamos que os outros nos fizessem. Jesus é o nosso modelo e guia.

O espiritismo não faz milagres, nem prodígios. Propicia aos seres humanos o conhecimento de algumas leis espirituais, também leis da natureza, causadoras de muitos fatos, considerados extraordinários, apenas por desconhecimento de sua origem. Ensina o ser humano a usar esses conhecimentos no exercício da sua transformação moral, por meio de um entendimento melhor dos ensinos de Jesus.

Percebam que temos muito trabalho pela frente, dentro e fora do movimento espírita: disputando narrativas, denunciando abusos cometidos por representantes espíritas, eliminando velhos paradigmas, construindo pontes em vez de muros, ensinando, didaticamente, conceitos de bem viver e justiça social e, sobretudo, resgatando os preceitos de amor e diálogo de Kardec, esquecidos pelos pseudo-médiuns midiáticos, pelos dirigentes fanáticos e pelos expositores ensimesmados.

Franklin Félix

Fonte: kardecriopreto

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Do Excesso De Prudência Ao Excesso De Confiança

Orson Peter Carrara

Em suas Impressões Gerais, constante do indispensável livro Viagem Espírita em 1862 (que recomendamos com ênfase aos dirigentes, médiuns e tarefeiros espíritas), de Allan Kardec – com a tradução e precioso Prefácio de Wallace Leal V. Rodrigues (edição do CLARIM), entre valiosas e pertinentes considerações sobre vários ângulos, às páginas 32 a 33 da 2ª. edição, o Codificador refere-se à obsessão, onde afirma:

“(…) os casos de obsessão são muito raros entre aqueles que fizeram um estudo prévio e atento de O Livro dos Médiuns e se identificaram com os princípios nele contido, pois que se mantêm vigilantes, atentos aos menores sinais que podem atrair a presença de um Espírito suspeito. Vimos alguns grupos que, sem dúvida, encontram-se sob uma influência abusiva. Mas é evidente que se comprazem com ela e dela se tornam presa por uma confiança demasiada cega e, além disso, por certas predisposições morais. Outros, pelo contrário, alimentam um tal temor de serem enganados, que levam a desconfiança, por assim dizer, ao excesso (…) preferindo rejeitar o duvidoso a correr o risco de admitir o que seria mau. (…)”.

E continua com sua habitual lucidez: “(…) O excesso em tudo é prejudicial, mas, em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança. (…)”.

E antes havia ponderado: “(…) Assim, os Espíritos mentirosos, sentindo-se inúteis, terminam por se retirar, indo se desforrar junto daqueles que percebem menos vigilantes e nos quais encontra fraquezas e exuberâncias de espírito a explorar (…)”.

Prudência e confiança cega são dois extremos.

A prudência solicita a análise cuidadosa que evita desastres futuros; a confiança sem ponderação trará as consequências sempre lamentáveis e desastrosas justamente pela falta de análise racional e imparcial.

Portanto, há que se concordar com Kardec: vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança. A melhor defesa para essas armadilhas que podem surgir no caminho de qualquer pessoa ou instituição será sempre o conhecimento e a prática do bem. O conhecimento clareia o caminho e previne de ilusões, a prática do bem protege, mas ambos precisam andar juntos, pelo mens no que se refere à prática mediúnica.

Registre-se os 160 anos, em 2022, das proveitosas viagens de Kardec, registradas na obra em referência.

Orson Peter Carrara

Fonte: kardecriopreto.com.br

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“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”

Renato Confolonieri

QUEM É MINHA MÃE, E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?

Temos nos evangelhos de Marcos (capítulo III, versículos 20, 21 e 31 a 35) e de Mateus (capítulo XII, versículos 46 a 50) uma passagem de Jesus um tanto curiosa, pois que incompreendida. E até certo modo explicada superficialmente no capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo.

De acordo com essa passagem, “e, tendo chegado à casa, de novo se formou uma grande multidão, de tal maneira que eles não podiam se alimentar. E quando seus parentes tomaram conhecimento disso, vieram apanhá-lo, pois diziam que tinha perdido o juízo.”.

Dando continuidade, os evangelistas contam que “chegaram então sua mãe e seus irmãos, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e te chamam. Mas ele lhes respondeu: Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? E olhando os que estavam sentados ao seu redor, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois quem fizer a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”.

Essas palavras supostamente ditas por Jesus parecem realmente estranhas, mostrando-se contraditórias diante de tudo o que ele ensinou, vivenciou e deixou como legado, a lei do amor e da caridade.

A primeira interpretação que se dá vai no sentido de que as palavras atribuídas ao Cristo foram mal reproduzidas, mal compreendidas ou não são do guia e modelo da humanidade. Nos ditos de Allan Kardec no item 7 do citado capítulo XIV de O Evangelho segundo o Espiritismo, “espanta-se com razão de ver, nessa circunstância, Jesus mostrar tanta indiferença para com seus parentes, e, de certa forma, renegar sua mãe.”.

Mais adiante nesse mesmo item 7, o codificador continua analisando as frases imputadas ao Mestre Divino, dizendo que “no que diz respeito a Jesus, supor que tenha renegado sua mãe seria ignorar seu caráter; tal pensamento não poderia animar quem disse ‘honra teu pai e tua mãe’. É preciso, pois, buscar um outro sentido para suas palavras, quase sempre veladas sob forma alegórica.”.

Terminando o item em análise, Kardec diz que “Jesus não negligenciava nenhuma ocasião de dar um ensinamento. Tomou, pois, a que lhe ofereceu a chegada de sua família, para estabelecer a diferença que existe entre o parentesco material e o parentesco espiritual.”.

Acontece, porém, que é no item 2 do capítulo XVII de A Gênese que o mestre de Lyon – logicamente que com a assistência dos benfeitores espirituais – traça maiores e mais profundas explicações sobre o hipotético comportamento de Jesus na ocasião.

Nas palavras do professor Rivail, “o hábito de se verem desde a infância, em todas as circunstâncias ordinárias da vida, estabelece entre os homens uma espécie de igualdade material que, muitas vezes, faz que a maioria deles se negue a reconhecer superioridade moral num de quem foram companheiros ou comensais, que saiu do mesmo meio que eles e cujas primeiras fraquezas todos testemunharam. Sofre-lhes o orgulho com o terem de reconhecer o ascendente do outro. Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à altura em que aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo arruído que promovem.”.

Assim, o fato de terem compartilhado de intimidade na infância, na adolescência, na juventude, dá uma espécie de autorização para as pessoas se arvorarem o direito de não reconhecer a ascensão moral que um companheiro pode ter alcançado. Tal reconhecimento se mostra deveras dolorido, em razão da pequenez espiritual, do orgulho, da inveja e do ciúme que ainda habitam em nós. É preciso muita elevação para agir como João Batista agiu com relação a Jesus, primos carnais que eram…

Tratando especificamente do ocorrido com o Mestre, Allan Kardec explica que “tanto menos podia Jesus escapar às consequências deste princípio, inerente à natureza humana, quanto pouco esclarecido era o meio em que ele vivia, meio esse constituído de criaturas voltadas inteiramente à vida material. Nele, seus compatriotas apenas viam o filho do carpinteiro, o irmão de homens tão ignorantes quanto eles e, assim sendo, não percebiam o que lhe dava superioridade e o investia do direito de os censurar. Verificando então que a sua palavra tinha menos autoridade sobre os seus, que o desprezavam, do que sobre os estranhos, preferiu ir pregar para os que o escutavam e aos quais inspirava simpatia”.

Diante de tudo o que foi apresentado, pode-se aferir que a criatura corpórea, material, por estar amplamente envolta pelos sentidos carnais, praticamente apaga o ser espiritual, percebido somente pelos espíritos. Novamente nas palavras de Allan Kardec, .“depois da morte, nenhuma comparação mais sendo possível, unicamente o homem espiritual subsiste e tanto maior parece, quanto mais longínqua se torna a lembrança do homem corporal. É por isso que aqueles cuja passagem pela Terra se assinalou por obras de real valor são mais apreciados depois de mortos do que quando vivos. São julgados com mais imparcialidade, porque, já tendo desaparecido os invejosos e os ciosos, cessaram os antagonismos pessoais. A posteridade é juiz desinteressado no apreciar a obra do espírito; aceita-a sem entusiasmo cego, se é boa, e a rejeita sem rancor, se é má, abstraindo da individualidade que a produziu”

Dessa forma, esforcemo-nos por ascender espiritualmente, ainda, mesmo e enquanto encarnados, livrando-nos de julgamentos precipitados com relação às demais criaturas, circunstâncias, fatos ou acontecimentos.

Façamos a nossa reforma íntima também nesse sentido, expurgando de nós os sentimentos inferiores de inveja das conquistas dos outros, de ciúme com relação ao próximo, de orgulho em não reconhecer os méritos e conquistas espirituais alheios, de cegueira quanto aos esforços das outras pessoas.

Tenhamos a humilde elevação de “dar a César o que é de César”, no que se refere aos méritos dos demais, reconhecendo as conquistas morais das pessoas, não importa quem elas sejam, se distantes ou próximas.

Não nos esqueçamos, no entanto, que, em essência, somos todos oriundos do mesmo seio, o do Pai Criador. Quanto mais rápido introjetarmos as virtudes em nós, nas nossas atitudes para conosco e para com as demais criaturas, mais rápido alcançaremos as esferas espirituais superiores.

Voltando à passagem de Jesus, é evidente que um espírito da sua envergadura – pertencente às esferas mais elevadas da Espiritualidade, o plasmador do planeta – jamais agiria de modo a renegar ou menosprezar sua mãe e seus irmãos na carne. O que o Mestre fez foi nos ensinar que há diferença entre parentesco material e espiritual, que há famílias espirituais, nas quais se reúnem os que se afinam em ideias e sentimentos, e que existem as corporais, que são provisórias, embora importantes instrumentos para o desenvolvimento moral do espírito.

Renato Confolonieri

Fonte: Espiritismo na Rede

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Parto no Plano Espiritual

Suely Caldas Schubert

Muitas vezes, embora os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos oferece, chegamos a pensar que o Mundo Espiritual é algo etéreo, fluido, sem nenhuma constituição material. Esse pensamento advém dos conceitos errôneos, desta e de outras vidas, que trazemos de outras religiões a respeito do “céu”.

Vejamos alguns trechos sobre “parto” na espiritualidade:

Ao fazer um atendimento, juntamente com Oscar, a uma senhora desencarnada, que tentava libertar-se dos liames perispirituais, sem conseguir, debatendo-se muito angustiada, Miranda deu-se conta de que ela desencarnara em adiantado estado de gestação, mantendo junto a si a presença do Espírito-feto, que se encontrava adormecido após a morte orgânica, todavia imantado ao corpo da mãe. Inseguro quanto ao que deveria fazer solicitou a ajuda do mentor que, ao constatar o quadro sugeriu que deveriam primeiramente adormecer a gestante, para depois realizarem o parto (Transição Planetária, Manoel P. de Miranda).

A cena que se seguiu bem que poderia ser denominada de “parto espiritual”. Com a palavra o amigo Miranda: Dr. Charles pediu a Ana que atendesse ao filhinho, enquanto ele aplicava recursos especiais na área do chacra coronário do pequenino, diluindo a energia densa que se foi alterando, mudando de tonalidade e de formato até diluir-se como um fio que se esgarça, sendo separadas totalmente as fibras de energia que os uniam.

Nesse comenos, observamos que a gestante movimentou-se, embora adormecida, e expeliu uma espessa massa informe, como se fora o parto. Logo nos demos conta que se tratava da condensação mental de ambos, filho e genitora, acumulada no útero, em cujo claustro desenvolvia-se a gestação. A partir desse momento, o seu sono tornou-se tranquilo, sendo encaminhado por Ana pra uma das áreas especiais e dali seria levado para uma comunidade infantil. Vários aspectos desse caso merecem algumas reflexões.

Pessoalmente sempre me comoveram as desencarnações violentas e traumáticas de mulheres em gestação. Ficava a conjecturar qual seria o atendimento à gestante e ao Espírito a ela ligado, no processo reencarnatório que não chegara a termo. Perguntava-me como ficariam esses Espíritos, passando por essa experiência dolorosa. Sentiriam a própria morte e daquela que lhe seria mãe? E em relação a esta, por sua vez passaria igualmente por esse mesmo processo? Como se daria o desligamento entre ambos?

As indagações ficavam sem respostas, porém, muitas suposições ocorriam aos estudiosos dessa área, todos buscando as explicações sempre elucidativas da Doutrina Espírita e dentro da lógica notável a que nos habituamos. Ao mesmo tempo aguardávamos as orientações dos benfeitores espirituais, sempre trazendo elucidações avançadas, adiante do tempo.

Eis que o próprio Manoel Philomeno de Miranda traz a lume uma excelente obra, “Painéis da Obsessão” (1983), de sua autoria espiritual, em que relata um fato extraordinário, que eu denominei de “cesariana realizada no plano espiritual”. Devido exatamente a esse caso, escrevi um artigo com esse título, publicado na revista “O médium” de Juiz de Fora, no bimestre de março/abril de 1985.

Embora existam diferenças entre as duas ocorrências, a da gestante desencarnada pelo tsunami (Transição Planetária) e a que está no livro citado acima, existem pontos semelhantes que, sobretudo, atestam a misericórdia divina que atende a todas as criaturas, conforme seus méritos, suas necessidades, ao arbítrio das Leis Divinas. Para que os leitores e leitoras se instruam com o caso em pauta, transcrevo aqui os pontos principais, conforme meu artigo.

O autor narra, pois, no livro “Painéis da Obsessão”, acima citado, no capitulo 16, a desencarnação de uma senhora em adiantado estado de gravidez, em um desastre provocado por obsessores. A cena é chocante como chocante são os acontecimentos do passado que culminaram na sua morte e na morte do filhinho na presente reencarnação. Miranda relata o atendimento e o socorro espiritual que receberam.

Embora não fosse possível evitar ou desviar o curso da trama dos obsessores, em razão dos débitos passados e do comportamento do presente, mãe e filho tiveram a proteção espiritual que fizeram por merecer. A gestante, sem se dar conta do desastre, após ser liberada juntamente como filhinho dos liames carnais, passou a sentir dores sendo, então, conduzida para o centro cirúrgico de um hospital na esfera extrafísica. Adormecida foi submetida a uma “cesariana”, tal qual conhecemos na Terra e o recém-nascido foi colocado no leito ao seu lado.

Surpreso, Miranda recebe a explicação do fato por meio da palavra de um de seus instrutores na referida obra, o Dr. Lustoza, que esclarece: (…) em muitos casos de gestantes acidentadas, em avançados meses de gravidez, em que ocorre, também, a desencarnação do feto, é de hábito nosso, quando as circunstâncias assim nos permitem, proceder como se não houvesse sucedido nenhuma interrupção da vida física.

Em primeiro lugar, porque o Espírito, em tais circunstâncias, quase sempre já se encontra absorvido pelo corpo que foi interpenetrado e modelado pelo perispírito, no processo de reencarnação, merecendo ser deslindado por cirurgia mui especial para poupar-lhe choques profundos e aflições várias, o que não se daria se permanecesse atado aos despojos materiais, aguardando a consumpção deles.

É muito penoso este período para o ser reencarnante, que pelo processo da natural diminuição da forma e perda parcial da lucidez, é colhido por um acidente deste porte e não tem crédito para a libertação mais cuidadosa. Quando isto se dá, os envolvidos são, quase sempre, irmãos calcetas, inveterados na sandice e na impiedade que sofrem, a partir de então, demoradamente, as consequências das torpezas que os arrojam a esses lôbregos sítios de tormentos demorados.

No caso em tela, o pequenino se desenvolverá como se a reencarnação se houvera completado, crescendo normalmente, participando das atividades compatíveis aos seus vários períodos em Institutos próprios, que os amigos conhecem. Outros esclarecimentos são prestados pelo Dr. Lustoza, mas convém encerrar por aqui, com as palavras de Miranda, em uma reflexão pessoal: Vivendo ainda muito próximos dos interesses humanos e considerando ser a vida física uma cópia imperfeita da espiritual, compreender-se-á que, nesta última se encontram todos os elementos da primeira, embora a recíproca não seja verdadeira. (Painéis da Obsessão)

Essa frase de Philomeno de Miranda sintetiza perfeitamente a premissa básica de todos os temas concernentes à conduta do ser humano, da sua vida prática, especialmente no âmbito material, tratados à luz do Espiritismo. Que fique bem claro: tudo o que existe na Terra, como obra do homem, é uma cópia imperfeita do que existe no mundo espiritual.

Portanto, a ciência, por mais avançada e por maiores conquistas que apresente nada mais expressa do que a realidade preexistente na esfera espiritual, o mesmo sucede em relação a invenções, descobertas, progresso da medicina, ideias “novas” que surgem etc.

Suely Caldas Schubert

Fonte: Parto no Plano Espiritual (kardecriopreto.com.br)

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Muitos Pedem e Não Recebem

Orson Peter Carrara

MUITOS PEDEM E NÃO RECEBEM

Com a sabedoria que lhe é peculiar, Emmanuel está sempre nos surpreendendo. Referindo-se a Thiago 4:3: “Pedi e não recebeis, porque pedis mal (…)”, cita as rogativas irrefletidas como as facilidades econômicas, as posições de evidência ou as expressões de poder e autoridade. Em outros casos, comenta, pedimos cessação das lutas purificadoras, as providências descabidas, entre outros pedidos que não levam em conta as necessidades que todos trazemos. Em muitos casos, como comenta, se atendidos, alguns pedidos deslocariam o equilíbrio.

É então que traz a referência de Thiago: “(…) muitos pedem e não recebem, porque pedem mal (…)”. E acrescenta que tais pedintes, por não serem atendidos, partem para acusações e revoltas, abandonando inclusive as preces, esquecendo que o não atendimento é misericórdia de Deus.

No último parágrafo, no entanto, ele conclui: Tais anulações de pedidos não pensados “Impedem que os pedintes vagabundos sejam criminosos, auxiliando-os a preservar a paz de seu próprio futuro”. É que muitos pedidos comprometem o futuro, já que nem sempre temos o panorama completo. Não se assuste com o uso da expressão pedintes vagabundos. A palavra vagabundo significa aquele que perambula sem destino e não tem o sentido pejorativo que normalmente utilizamos.

Estamos sempre aprendendo com Emmanuel. Reflitamos no que pedimos. Podemos estar sendo incoerentes, inconvenientes e pior, comprometendo nosso futuro. A lição em referência tem o título de Más rogativas e está no livro Trilha de Luz (edição IDE).

Orson Peter Carrara

Fonte: Kardec Rio Preto

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