Os Efeitos do Álcool na Sociedade e no Espírito Imortal

 

 

O álcool, do árabe al-kuhl (essência) é uma das drogas mais antigas da Humanidade.

 

Inicialmente se acreditava que teria surgido em 6000 a.C., no Egito, onde foram encontradas ruínas de uma fábrica de cerveja.

 

Porém, recentemente, pesquisadores descobriram vestígios de uva apodrecida em locais habitados por homens pré-históricos, a qual tinha em torno de 5% de teor alcoólico, demonstrando que o seu consumo é ancestral.

 

No início, a utilização de bebidas alcoólicas pelas sociedades estava muito ligada à prática religiosa, pois acreditava-se que elas facilitavam o contato com os deuses. Ainda hoje, de forma diferenciada, o álcool serve de símbolo para muitas religiões. Outro sentido para o uso de alcoólicos era a sua utilização tanto como dissipador de preocupações e dor quanto como elemento abortivo.

 

Com a Revolução Industrial, foram desenvolvidas bebidas destiladas como o uísque (usquebaugh – água da vida), as quais possuem um teor extremamente alto, gerando inúmeros malefícios ao corpo humano.

 

Acompanhando a Revolução Industrial, as bebidas fermentadas também passaram a conter um grau etílico maior, aumentando o número de dependentes em álcool.

 

O alcoolismo decorre do uso prolongado, geralmente entre 20 e 25 anos, de substâncias alcoólicas.Nesta fase, o hábito de consumir a bebida já está relacionado ao ritmo de vida do indivíduo, sendo muito difícil convencê-lo a parar de ingeri-la.

 

HISTÓRICO DE UM ALCOOLISTA

 

EVENTO                  –              IDADE

1º DRINK                                  12-14

1ª INTOXICAÇÃO                   14-18

1º PROBLEMA LEVE              18-25

1º PROBLEMA GRAVE          23-33

INÍCIO DO TRATAMENTO    40

MORTE                                        55-60

(Fonte: Palestra realizada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – Centro Regional de Estudos, Recuperação e Prevenção de Dependentes Químicos)

 

Efeitos no cérebro

 

Acreditar que o álcool é somente um estimulante é um grande engano. Ele, num primeiro momento, ao agir diretamente no lobo frontal do cérebro, desinibe o indivíduo, modificando sobremaneira seu comportamento social, mas sua principal característica é provocar a depressão. Seus efeitos podem ser observados em três

 

fases:

 

Na primeira, o indivíduo, via de regra, perde seu senso moral, seus medos e inibições, passando a se comportar conforme pendores íntimos que estavam reprimidos por medo das Leis do Estado e pelos costumes vigentes no grupo social em que se relaciona. Se tinha comportamento tímido, passa a se soltar, principalmente em relação ao sexo oposto. Se era quieto, torna-se loquaz.

 

Na segunda, podem ocorrer falta de coordenação motora, descontrole dos reflexos, descontrole emocional e agressividade. Isto explica a mudança brusca de comportamento, visualizada geralmente quando ocorrem atos de violência após o consumo de bebidas alcoólicas. Muitos pais de família, que fazem uso de alcoólicos, ao retornarem ao lar acabam por extravasar seus pendores de violência na esposa e nos filhos.

 

A terceira é caracterizada pela depressão, condição em que o indivíduo reclama de tudo e de todos, da vida, do salário, e normalmente extravasa suas angústias por meio de lágrimas. Ocorrem também problemas digestivos como: vômitos, diarreias, dores de cabeça, sono, mal-estar geral, coma etc. Esta fase é mais perigosa, pois a depressão alcoólica pode levar ao suicídio, principalmente em alcoolistas que, ao retornarem à realidade, percebem que não conseguiram ficar sem a bebida.

Este sentimento de fracasso é agente impulsionador do comportamento suicida

 

A dependência

 

Denomina-se alcoolismo a dependência à bebida alcoólica, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, com progressiva tolerância à intoxicação produzida pela droga e desenvolvimento de sintomas de abstinência, quando o consumo é interrompido. Os sintomas mais comuns no caso de uma crise de abstinência são sudorese, aceleração cardíaca, insônia, náuseas e vômitos. Num estado mais avançado, ela se caracteriza como delirium tremens, causando confusão mental, alucinações e convulsões.

 

Inicialmente, o alcoolista era discriminado, sendo tratado como um ser de personalidade fraca.

 

Mas, com o avanço da Ciência e dos tratamentos, chegou-se à conclusão de que o alcoolismo é uma doença, potencialmente forte e destruidora do caráter do indivíduo, que faz de tudo para ter satisfeita a sua vontade de beber: mente, rouba, trai, seduz.

 

O alcoolismo gera deterioração psicológica e física. O indivíduo, aos poucos, pela perda dos neurônios, tem sua capacidade mental reduzida, descuida-se da sua apresentação, torna-se impontual e tem a concentração nas atividades corriqueiras limitada.

 

Para esta doença não há cura, o que existe é um tratamento ininterrupto, a fim de que jamais ocorra novamente o consumo, sob risco de retornar todo o prazer em sorver os alcoólicos, colocando a perder todo o tratamento já realizado.

 

O álcool e a sociedade

 

Impulsionado pelos costumes sociais, pela tradição das festas e comemorações múltiplas, o homem não se dá conta de que o álcool é um dos maiores males que existem na face da Terra. É agente impulsionador da violência, possui inúmeras doenças atreladas ao seu uso abusivo, e está entranhado em quase todas as ocasiões em que um grupo humano se reúne, como se fosse impossível conversar, trocar ideias, tomar decisões na vida particular ou em sociedade, sem estar com um copo na mão.

 

Aliado ao baixo custo de produção, tornando-o uma droga acessível a qualquer grupo social, e às políticas de governo pouco eficazes no combate ao seu consumo indiscriminado, ele se torna um verdadeiro destruidor de vidas, de carreiras e da sociedade.

 

Considerações

 

Se o indivíduo bebe uma vez por semana, é um bebedor social; se de três a quatro vezes, é um bebedor excessivo; mas se bebe todos os dias, é considerado bebedor dependente. Nem todo bebedor social vai ser um bebedor dependente, porém todo dependente, um dia, já foi bebedor social. Na fase da dependência, ele dificilmente sairá sem ajuda; é preciso solicitar auxílio a parentes, amigos e especialistas.

 

A maior dificuldade de se combater o uso abusivo de alcoólicos está em ser o álcool uma droga socialmente aceita. A maioria das pessoas tem o seu primeiro contato com o álcool dentro do próprio lar.

 

Fonte: Espiritismo na Rede

Bibliografia:

www.sebemnet.org.br; por Roberto Carlos Fonseca.

Inteligência. Qual o tamanho da sua? Revista Superinteressante, ano 22, n. 8, ago. 2008. São Paulo: Editora Abril S/A.

Palestra realizada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – Centro Regional de Estudos, Recuperação e Prevenção de Dependentes Químicos.

SANTOS, Rosa Maria Silvestre. “A prevenção de drogas à luz da ciência e da doutrina espírita – Reflexões para jovens e educadores”. Apostila.

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Secretaria Nacional Antidrogas. Prevenção ao uso indevido de drogas: Curso de Capacitação para Conselheiros Municipais. Brasília: 2008.

Sites pesquisados: a href=”http://www.senad.gov.br>”>www.senad.gov.br>;; a href=”http://www.cebrid.epm.br>”>www.cebrid.epm.br>;. VILELLA, Ana Luisa Miranda. “Drogas”. Apostila.

1 FRANCO, Divaldo P. Após a tempestade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 8. ed. Salvador (BA): LEAL, 1985. Cap. 9, Viciação alcoólica, p. 49.

2 Idem. Nas fronteiras da loucura. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. Salvador, BA: LEAL, 1982.Cap. 11, Efeitos das drogas,p. 88.

Romeu Leonilo Wagner

 

DA REDAÇÃO:

Se você é Espírita, qual é a sua posição sobre o uso de drogas em quaisquer circunstâncias? Será o álcool uma exceção dentre as demais drogas?

O estudo sério do Espiritismo é essencial para o nosso esclarecimento, mas somente teoria é insuficiente para o nosso progresso moral, objetivo maior de nossa atual encarnação na terra.

Se ainda deixamos que nossos interesses pessoais interfiram em nosso comportamento social, sendo permissivos e coadunando com idéias que alimentam uma herança cultural altamente corrosiva na essência moral da humanidade, isso ocorre em razão da nossa fragilidade moral e falta de coragem para uma tomada de atitude adequada, em vista de uma pobre assimilação do nosso aprendizado, o qual, parece permanecer ainda abandonado nas prateleiras do conhecimento, sem ser utilizado para as devidas correções de comportamento perante uma sociedade viciada, com a qual, sabemos que temos grandes compromissos.

Sozinhos somos apenas um ponto de vista, mas juntos, podemos formar uma opinião com base nos ensinamentos do Cristo, Jesus, que certamente não nos ensinou a alimentar ideias que possam servir de alimento venenoso para o caráter humano e prejudicar a sociedade em sua saúde física e mental.

Pensemos nisso…

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O “Caminho de Damasco” de Eurípedes Barsanulfo

 

Eurípedes veio aliviar a dor, doar o seu amor e viver o que o Evangelho diz

 

Tudo começou no ano de 1903, no século passado… Por mais incrível e paradoxal que possa parecer – ainda que indiretamente – foi, na verdade, um padre da Igreja Católica quem colocou Eurípedes Barsanulfo nos hostes espiritistas!… O padre Augusto Teodoro da Rocha Maia, (que mais tarde viria a sofrer das faculdades mentais causados por conflitos íntimos), em conversa amistosa, apresentou-lhe um compêndio e, em tom confidencial disse-lhe: – “Eurípedes, sei que você é um bom e fervoroso católico, amigo das boas leituras. Você vai ler este livro – mas, cuidado! – Não o passe adiante. A leitura deste livro é proibida pela Igreja a seus adeptos”.

 

O sacerdote passara às mãos de Eurípedes um exemplar da Bíblia!…

 

Aquele empréstimo seria de grande importância para a sua conversão ao Espiritismo, como veremos mais adiante…

 

Compulsemos as páginas luminosas do livro “Eurípedes, o homem e a missão”, de Cora Novelino, ed. IDE, para nos inteirarmos do resto da história:

 

“(…) Um brilho de interesse santo iluminou os belos olhos do jovem. Em poucos minutos, ei-lo de volta à casa comercial do progenitor, portando a Bíblia sob o braço direito. Ao passar pela residência do Sr. Leão Coelho de Almeida, Eurípedes fora abordado por esse grande amigo e por José Martins Borges, muito ligados desde o Colégio Miranda por profundas afinidades, nas áreas do trabalho e do estudo. Aludindo-se ao livro que Eurípedes sobraçava com cuidado, o Sr. Leão exclamou, jocosamente: — “Olá, Eurípedes, só lhe falta agora a batina! Não demora muito e teremos padre novo na terra!” — José Martins secundou o amigo, rindo gostosamente.

 

— “Os senhores bem sabem quanto aprecio os bons livros e como amo conhecer e analisar tudo. As boas leituras são para mim como o mel é para a abelha…” A resposta evasiva e sincera, acompanhada de um gesto cortês de despedida, deixara os amigos sem outras argumentações… Eurípedes alcançara a loja do pai, a poucos passos dali, ansioso por iniciar a leitura, que se lhe antolhava empolgante. Tudo o que conhecia dos Evangelhos resumia-se nos ensinamentos que os padres, bons amigos, sem dúvida, porém muito sóbrios e omissos na exposição da palavra sagrada, lhe ministravam. O jovem começou a leitura pelo Novo Testamento… Nos interregnos, o pensamento, a razão, o cérebro, voltavam-lhe irresistivelmente para aquele compêndio extraordinário. Fez anotações, que lhe serviriam para futuros roteiros. Leu, paciente e com fervor crescente todos os capítulos e versículos dos Evangelhos. O discernimento vigoroso despertava-se, apreendendo com justeza as lições do Senhor…

 

Instala-se a dúvida

 

Uma página, por sinal de significativa importância, não conseguiu ele entender: o discurso do Cristo, expresso em letras de ouro em Mateus e Lucas, caps. V e VI respectivamente, no cântico das Bem-aventuranças. Apegara-se ao Sermão do Monte, como supremo óbice ao seu raciocínio. Chocavam-se-lhe as aspirações de entendimento, ao impacto daquela barreira. Vira tantos desconsolados na vida baixarem à tumba sem os prometidos reconfortos, exarados na promessa divina… Não compreendia, então, como o Cristo — Sábio e Misericordioso — pro­metera consolações a pobrezinhos sem eira nem beira — os que foram injustiçados em todos os tempos e que não raro sucumbem à ação da revolta…

 

Na mente do jovem fervilhavam angustiosos pontos reticentes, quando procurou o Pe. Augusto Teodoro da Rocha Maia para um esclarecimento mais direto do assunto.

 

Colocou o pároco a par de suas elucubrações metafísicas; e este lhe falou, bondosamente: — “Meu filho, o Cristo jamais foi tão claro, como no Sermão do Monte. Não há necessidade de interpretações. Tudo claríssimo como o sol da manhã…”

 

— “De acordo, Padre, ao que se refere à extraordinária beleza das expressões do Senhor. Mas, o que não entendo é até onde vai o pensamento do Mestre, no tocante às promessas que não se realizam…”

 

— “Não diga assim, meu filho. Sempre há um motivo oculto — um mistério — no ensino cristão, que não podemos e nem devemos penetrar. Compreende Eurípedes?”

 

Evidentemente tais considerações não satisfizeram ao Espírito analista do jovem. Contudo, baixara a cabeça, em face da impossibilidade de prosseguir, no desdobramento do absorvente tema. Despedira-se cordialmente do bom amigo e conselheiro, mas trazia cravados no Espírito os primeiros acúleos da dúvida…

 

Por alguns meses, mantivera-se o moço preso à leitura dos Evangelhos. Gradativamente, assinalava com profundeza a distância entre o dogmatismo católico tão complexo na sua estrutura, essencialmente assentada na tela mística da letra e o Sublime Código de ensinamentos morais, com embasamento nas máximas tão singelas quão sábias e nas parábolas de luminosa tessitura educativa do Mestre. Permanecia, contudo, o discurso da Montanha como obstáculo maior aos sublimes empenhos do jovem para a compreensão da palavra divina… Instalara-se-lhe no Espírito a chave, que lhe abriria as portas da verdade sob o painel da análise comparativa. Achava-se sob o domínio da dúvida.

 

O toque de despertar

 

Mariano da Cunha, o “tio Sinhô”, espírita convicto, mas sem maiores descortinos intelectuais, irmão de dona Meca, mãe de Eurípedes fazia viagens periódicas a Sacramento. Muito amigo do tio, Eurípedes pedia à mãe lhe arrumasse a cama no quarto dele, Eurípedes, embora preferisse, habitualmente, ter o seu aposento separado. Por essas ocasiões, estabelecia-se entre o tio e o sobrinho porfiadas polêmicas a respeito do Espiritismo. Eurípedes fazia tudo o que podia para demover o tio daquela “doutrina do diabo”.

 

Ele não podia entender como pessoas honestas e equilibradas, apesar de incultas, como tio Sinhô, madrinha Sana e outros tios, empenhavam-se tanto na difusão daquela abominável doutrina… As discussões repetiam-se, no conflito fraterno, entre tio e sobrinho, às vezes noite adentro…

 

Eurípedes, senhor de invejável cultura adquirida na leitura de todos os dias, apresentava argumentos brilhantes, sublimados sempre por sua delicadeza inata. Do outro lado, o tio, homem rude do campo, elementarmente instruído na Doutrina dos Espíritos — por sinal nascente na região —, muitas vezes se mantivera em silêncio à falta de argumentação segura. Justificavam-se, assim, as vitórias de Eurípedes nesses “duelos” desiguais, em que se entrechocavam diferentes pontos de vista religiosos.

 

No começo de 1903, tio Sinhô visitara a família de Meca, numa tarde morna da cidade de Sacramento-MG. Como sempre, Eurípedes recebera-o com sinceras demonstrações de júbilo e apreço. À noite, como de costume, o moço iniciara a conversa: — “Como é, tio Sinhô, as sessões continuam?”. — “Nada mudou. Antes o trabalho cresce, porque a dor aumenta dia a dia”. A resposta singela do bom campeiro penetrara o coração sincero do moço… O tio parecia dominado por estranho poder de persuasão. Dir-se-ia a antecipação de um triunfo, há muito sonhado!

 

Às primeiras investidas do sobrinho, mostrou-se sóbrio. Para que falar? Ainda se Eurípedes fosse ouvi-lo e aos outros médiuns em Santa Maria… Ali, sob a ação benfazeja de Espíritos Protetores, se elucidariam tantos assuntos que, normalmente, lhes seria impossível fazê-lo. Mas, viera “armado”, sob a inspiração do Alto…

 

Naquela noite, Eurípedes esforçava-se — mais que de costume — por envolver o tio nas malhas de brilhante argumentação. Quando o moço terminou a peroração, tio Sinhô retira do bolso da ca­saca um livro e lhe coloca nas mãos, e torna com simplicidade característica: “ o que não posso explicar a você, este livro vai fazer, por mim”.

 

Eurípedes tomou o volume e abriu-o na primeira página. Era a to­cante dedicatória do autor — o filósofo francês Léon Denis — para Entidades Benfeitoras que o haviam inspirado, no esquema e na estrutura do livro.

 

— “Isto é muito bonito e profundo” — diz Eurípedes — espelhando no olhar brando e indisfarçável interesse.

 

Tio Sinhô acomodara-se, algo cansado… No outro lado, o sobrinho começara a leitura, já à luz frouxa de um lampião a querosene. O tio acordara, algumas vezes, e surpreendera o sobrinho ainda a ler. Ao dealbar do dia imediato, o moço brindou o coração do bom Mariano da Cunha com alegre exclamação: — Muito obrigado, meu tio! Isto é um monumento!”

 

Eurípedes lera toda a obra naquela noite memorável e confessava-se plenamente empolgado com a lógica expressivamente convincente do autor. Trezentas e trinta e quatro páginas repletas de interesse. O livro trazia o título: “Depois da morte”. Era a primeira obra do grande filósofo, traduzida recentemente para o idioma português, e que merecera da crítica francesa as mais elogiosas referências.

 

Rogério Coelho

Fonte: Espiritismo na Rede

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Mundos felizes: o que sabemos sobre eles

 

Ao demonstrar pleno conhecimento da sabedoria celestial Jesus Cristo afirmou “há muitas moradas na casa do Pai” – muito provavelmente esta foi a primeira revelação à humanidade sobre a pluralidade dos mundos habitados.

Hodiernamente, nossos sofisticados telescópios e veículos espaciais esquadrinham o espaço, gerando imagens simplesmente encantadoras de planetas e galáxias, ou seja, extraordinárias criações divinas. Concomitantemente, pesquisadores ufológicos continuam coligindo uma profusão de relatos de contatos diretos entre humanos e alienígenas, bem como vídeos espetaculares de Óvnis. A conclusão insofismável é que não estamos sozinhos no universo, pois a vida estua por toda parte guiada pelo incomensurável amor do arquiteto divino.

Nesse sentido, cumpre esclarecer que há mundos bem mais avançados do que o nosso, assim como atrasados, conforme nos informam os Espíritos mensageiros de Deus. Posto isto, a Terra é mais um mundo no contexto cósmico, que abriga, por força das circunstâncias, uma grande quantidade de almas ora submetidas aos purificadores processos de expiação e provas. Ou seja, há degraus evolutivos que abrangem os mundos tal qual as criaturas que neles vivem, variando, assim, desde planetas primitivos onde a vida inteligente começa, por assim dizer, a brotar, até moradas celestiais dotadas de elementos etéreos sutis, quase imateriais, que abrigam seres purificados onde a felicidade reina absoluta.

Assim sendo, a Terra ainda se encontra nos estágios iniciais da evolução dos mundos, infelizmente. Por conta do nosso acentuado atraso espiritual, nosso planeta continua sendo sacudido por poderosas forças telúricas, que vêm gerando intensa destruição e perda de vidas na atualidade. Terremotos, maremotos, furacões, ciclones, tornados, enchentes, incêndios, entre outros fenômenos meteorológicos, têm vergastado, com frequência assustadora, as nações do mundo inteiro.

Por essa razão, ninguém está isento de sofrer os seus efeitos devastadores que, com maior ou menor grau, têm golpeado a todos nós. No geral, a experiência de viver na Terra tornou-se consideravelmente mais arriscada. Chegamos a um ponto no qual, de um momento para outro, podemos – sem exagero – ser atingidos por uma chuva torrencial – diluviana, poderiam alguns considerar – com potencial de ceifar as nossas existências de várias e inesperadas maneiras. Em suma, o clima no planeta está caótico e a natureza dá sólidas mostras de reação.

O Espírito Joanna de Ângelis, na obra Transição Planetária (psicografada por Divaldo Pereira Franco) refere-se a esse período em que nos encontramos nos seguintes termos:

“As dores atingem patamares quase insuportáveis e a loucura que toma conta dos arraiais terrestres tem caráter pandêmico, ao lado dos transtornos depressivos, da drogadição, do sexo desvairado, das fugas psicológicas espetaculares, dos crimes estarrecedores, do desrespeito às leis e à ética, da desconsideração pelos direitos humanos, animais e da Natureza… Chega-se ao máximo desequilíbrio, facultando a Interferência Divina, a fim de que se opere a grande transformação de que todos temos necessidade urgente.”

Enquanto as desgraças coletivas se sucedem, os chefes das nações têm fracassado fragorosamente no cumprimento dos seus papéis. Surpreendentemente, o que se observa, com extrema clareza, é a prevalência de um cenário geopolítico contaminado por crescentes incertezas que fragilizam ainda mais as relações entre as nações. Com efeito, não se trabalha com o devido afinco para a construção de coesão e integração que permitiria assegurar a eliminação das tensões entre as chamadas grandes potências. Aliás, um exemplo marcante nesse particular é a sinistra aproximação entre a China, Rússia, Coreia do Norte – países governados com mão de ferro pelos seus líderes -, envolvendo estreita cooperação militar, que certamente em nada contribui para arrefecer as desconfianças.

Igualmente preocupante é a volta da corrida armamentista. A propósito, a imprensa mundial anunciou recentemente o desenvolvimento do míssil balístico intercontinental russo Satã 2, que foi concebido para transportar ogivas nucleares com capacidade de cruzar continentes inteiros, e atingir um alvo em praticamente qualquer lugar do planeta, sem que se possa detê-lo. Trata-se de uma arma tão sofisticada que chega a realizar manobras verticais e horizontais, além de superar a velocidade do som. Posto isto, a criação de armas como essa dão uma ideia da precariedade da paz em nosso planeta, pois qualquer movimento mais abrupto por parte dos principais atores mundiais poderá desencadear uma guerra em escala planetária e certamente com trágicas consequências para toda a humanidade.

Entretanto, dirijo-me no presente artigo aos que já algo perceberam do poder divino, e que aceitam a tese da pluralidade dos mundos habitados. Minha intenção é discorrer sobre o que já sabemos sobre os planetas nos quais o estado de felicidade permanente já foi alcançado. Como estamos longe de viver num autêntico Shangri-la, isto é, uma morada de paz, alegrias, bem-estar e felicidades permanentes, podemos ao menos abrir nossas mentes para algo mais elevado, o que faz sentido, já que na criação divina tudo evoluí. Ademais, é extremamente reconfortante saber que nem tudo se resume aos acanhados limites do nosso (belo) orbe – implacavelmente judiado pela incúria dos seus inconsequentes inquilinos (nós humanos).

Como muito bem ponderou o Espírito Emmanuel, no livro que leva o seu nome no título, psicografado por Francisco Cândido Xavier, “O conhecimento das condições perfeitas da vida em outros mundos, não deve trazer abatimento aos extremistas do ideal. Semelhante verdade deve encher o coração humano de sagrados estímulos”. Com efeito, é muito alentador poder divisar essa possibilidade, especialmente quando encaramos a existência como um processo motivacional no qual podemos desenvolver virtudes rumo ao alcance de tal beatitude.

Por sua vez, Allan Kardec examinou o assunto com extrema seriedade extraindo algumas conclusões que merecem ser destacas. Por exemplo, n’O Livro dos Espíritos (questão nº 55) somos informados pelas entidades espirituais que os mundos são habitados, desfazendo qualquer presunção humana de sermos os mais dotados em inteligência, bondade e perfeição. Kardec acrescentou que:

“Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no Planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.”

Mais ainda: suas investigações permitiram-no concluir que não se abriga mais nesses mundos o sentimento de egoísmo, tão comum na Terra ainda e gerador de enormes disparidades e distorções econômicas e sociais. Em tais moradas, ao contrário, reina o sentimento de fraternidade, as guerras foram banidas, ódios e discórdias inexistem, já que não se admite a ideia de prejudicar a outrem. Ou seja, os seres viventes nesses mundos fazem aos outros, de maneira natural, o que desejam para si próprios. Ao que tudo indica, vivem mergulhados sob as diretrizes do mais puro código de ética e moral instituído pelo Criador. E usam a sua inteligência para erigir coisas positivas e benéficas às humanidades que neles habitam.

De modo geral, esclarece Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, as condições morais e materiais dos mundos superiores são muito diferentes das nossas. Os seus habitantes apresentam forma semelhante à nossa – aliás, pesquisas ufológicas reforçam tal conclusão. Entretanto, seus corpos têm outra composição, e, por isso, não estão sujeitos às necessidades, doenças e deteriorações típicas do nosso planeta. Além disso, argumenta o Codificador que:

“Mais apurados, os sentidos são aptos a percepções a que neste mundo a grosseria da matéria obsta. A leveza específica do corpo permite locomoção rápida e fácil: em vez de se arrastar penosamente pelo solo, desliza, a bem dizer, pela superfície, ou plana na atmosfera, sem qualquer outro esforço além do da vontade, conforme se representam os anjos, ou como os antigos imaginavam os manes nos Campos Elíseos. Os homens conservam, a seu grado, os traços de suas passadas migrações e se mostram a seus amigos tais quais estes os conheceram, porém, irradiando uma luz divina, transfigurados pelas impressões interiores, então sempre elevadas. Em lugar de semblantes descorados, abatidos pelos sofrimentos e paixões, a inteligência e a vida cintilam com o fulgor que os pintores hão figurado no nimbo ou auréola dos santos.”

Além disso, a vida nesses orbes é geralmente mais longa do que na Terra porque seus habitantes não desfrutam de existências angustiantes, sem falar do elevado grau de adiantamento obtido. Desse modo, “[…] A morte de modo algum acarreta os horrores da decomposição; longe de causar pavor, é considerada uma transformação feliz, por isso que lá não existe a dúvida sobre o porvir. Durante a vida, a alma, já não tendo a constringi-la a matéria compacta, expande-se e goza de uma lucidez que a coloca em estado quase permanente de emancipação e lhe consente a livre transmissão do pensamento”.

Portanto, é de se supor pleno conhecimento da vida espiritual por parte desses seres – algo que se engatinha ainda na Terra. Ao que tudo indica, suas mentes já alcançam o correto entendimento da passagem à dimensão espiritual como um fato normal e em perfeita consonância com as leis cósmicas.

Em tais moradas divinas, as relações entre os povos são marcadas pela harmonia. A diferença entre os seres se dá em virtude da superioridade moral e intelectual, que confere a supremacia por ordem natural. Nelas prevalecem o respeito à autoridade e à justiça. Conforme Kardec, nos mundos felizes, a busca do autoaperfeiçoamento é um imperativo com vistas à conquista da categoria dos Espíritos puros. De modo geral,

“[…] Lá, todos os sentimentos delicados e elevados da natureza humana se acham engrandecidos e purificados; desconhecem-se os ódios, os mesquinhos ciúmes, as baixas cobiças da inveja; um laço de amor e fraternidade prende uns aos outros todos os homens, ajudando os mais fortes aos mais fracos. Possuem bens, em maior ou menor quantidade, conforme os tenham adquirido, mais ou menos por meio da inteligência; ninguém, todavia, sofre, por lhe faltar o necessário, uma vez que ninguém se acha em expiação. Numa palavra: o mal, nesses mundos, não existe.”

Nos orbes felizes, imperam a luz, a beleza, a serenidade que conferem uma alegria constante aos indivíduos. Em decorrência disso, pode-se imaginar que as aflições e estresse tenham sido completamente banidas. Além disso, as pessoas não são perturbadas pelas experiências angustiantes da vida material ou pela convivência com os seres maus, que abundam em mundos atrasados como o nosso, mas lá inexistem.

Kardec, por fim, destaca que

“12. Entretanto, os mundos felizes não são orbes privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer de seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem a tais mundos. Fá-los partir todos do mesmo ponto e a nenhum dota melhor do que aos outros; a todos são acessíveis as mais altas categorias: apenas lhes cumpre conquistá-las pelo seu trabalho, alcançá-las mais depressa, ou permanecer inativos por séculos de séculos no lodaçal da Humanidade.”

Não obstante a Terra encontrar-se numa categoria muito inferior à dos mundos felizes, eleva-se lentamente – seguindo as determinações do Criador – à condição de mundo regenerado. Trata-se de uma categoria intermediária, na qual a felicidade ainda não é plenamente alcançada, mas as agruras dos povos são consideravelmente arrefecidas. Com o acrisolamento das consciências e a consequente mudança no padrão comportamental, progressos em todas as áreas são factíveis tornando a vida mais suave e harmoniosa.

É importante frisar que nas moradas regeneradas,

“…o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.”

Portanto, é nosso destino morar um dia num mundo feliz, mas, para merecer isso, precisamos trabalhar fortemente eliminando as nossas imperfeições e, sobretudo, amando a Deus e aos que nos cercam, como Jesus nos ensinou.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Fonte: Espiritismo na Rede

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Suicídio é a terceira causa de morte entre jovens.

Veja o que dizem especialistas

28/09/2024

Por Carolina Delboni

 

Suicídio é a terceira causa de morte entre adolescentes e jovens no Brasil, segundo dados da Fiocruz. Mas por quê? O que acontece com essa geração e como podemos ajuda-los? Especialistas esclarecem dúvidas.

“Na minha geração é comum tentar se matar. Eu tenho amigos que já tentaram. Isso é não é estranho pra gente”, me disse um adolescente de 16 anos enquanto conversávamos sobre um acontecimento numa festa. A frase, que eu escutei em março, ressoa constantemente na minha cabeça. Como pode uma geração de adolescentes “normalizar” o suicídio? Por que naturalizamos o que não é natural? Ou como pode uma geração de adolescentes ter o suicídio como saída dos problemas da vida? O que será que eles não estão dando conta? Onde estamos falhando como pais e educadores?

As perguntas sempre são muitas quando o assunto é suicídio. Buscar respostas, buscar compreensão de algo que parece incompreensível parece nos dar uma chance de respiro. Mas o tema exige aprofundamento, cuidado e responsabilidade. É preciso falar sobre ele para que mais pessoas possam conhecer as causas e possam oferecer apoio a adolescentes e jovens que estão por perto.

Os números têm crescido e a Fiocruz identificou um aumento de 6% no suicídio de adolescentes e jovens entre 2011 e 2022. É a terceira causa de morte no Brasil. De fato, temos uma geração exposta a elevadas tentativas de suicídio e aumento das práticas de autolesão. Para a psicóloga e Dra. em Saúde Mental, Karen Scavacini, do instituto Vita Alere, a suposta normalização expressa na frase do adolescente pode estar relacionada à exposição constante a violência e ao sofrimento coletivo, o que influenciam a percepção deles frente ao suicídio.

“O suicídio é multifatorial em todos os casos. Essa questão mais social, a violência, o impacto de uma comunicação ou de gatilhos que esse adolescente pode ter, é parte desses multifatores que vão ser sociais, culturais, econômicos, psicológicos, psiquiátricos, tecnológicos e situacionais,” elenca.

Ela acrescenta que, quando você está muito exposto a violência, ao sofrimento coletivo, pode ocorrer o que chamamos de dessensibilização em relação ao sofrimento, que significa perder pessoas, perder vidas.

“A própria normalização do suicídio, em alguns casos, pode ser a romantização do suicídio como saída para essa violência. Quanto mais os jovens são expostos a cenas de tragédia, seja em seu ambiente, na mídia, ou no conteúdo que consomem, isso vai trazendo a sensação de que essas questões são comuns, e isso pode diminuir a percepção do valor da vida”, observa Scavacini.

Além disso, pode também dar a sensação de que ninguém se importa com aquela dor, com aquelas vidas perdidas, o que pode aumentar a sensação de injustiça e a ideia de que a vida não é valorizada.


Segundo dados da Fiocruz, suicídio é a terceira causa de morte na adolescência Foto: Adobe Stock

Alguns números. Conforme o artigo publicado pela Fiocruz em fevereiro deste ano, a taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano no Brasil entre 2011 e 2022.

Já as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 aumentaram 29% a cada ano nesse mesmo período. O número foi maior que na população em geral, cuja taxa de suicídio teve crescimento médio de 3,7% ao ano e a de autolesão 21% ao ano, neste mesmo período.

Esses resultados foram encontrados na análise de um conjunto de quase 1 milhão de dados, divulgados em um estudo recém-publicado na The Lancet Regional Health – Américas, desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de Harvard.

Segundo a especialista do Vita Alere, a racionalização da violência também afeta a saúde mental dos jovens. Quando a violência é percebida como aceitável ou inevitável, os adolescentes podem ver o suicídio e a autolesão como respostas ao desespero. “Quando você normaliza o comportamento agressivo e dessensibiliza o sofrimento, isso pode aumentar tentativas de suicídio e autolesão”, explica Scavacini.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) recebe milhões de ligações por ano no Brasil, indicando a alta demanda por suporte emocional. Só em 2021, o CVV registrou mais de 3 milhões de atendimentos via telefone, chat, e-mail e presencialmente.

A violência como expressão emocional e a vulnerabilidade dos jovens

Outra questão, diz respeito a maneira como o suicídio é noticiado ou percebido. Para Karen, o aumento de casos podem ser influenciados, especialmente entre jovens que já estão vulneráveis, por perdas de amigos ou parentes por suicídio.

“Outro ponto importante é que os meninos são frequentemente incentivados a se comunicar através da violência, e não pela emoção. Nossa socialização e cultura ainda veem a demonstração de vulnerabilidade como fraqueza, enquanto a agressividade é aceitável ou até esperada. Muitas vezes, a violência é dirigida para fora ou para dentro, e precisamos de muitas mudanças culturais, de justiça e de cuidado para alterar essa dinâmica”, diz Scavacini.

Para reverter essa naturalização do suicídio entre adolescentes, é fundamental promover uma abordagem que comece com a conscientização sobre a gravidade do problema e inclua ações preventivas. “Falar abertamente sobre saúde mental nas escolas é essencial, mas isso deve ser acompanhado por ações concretas que abordem as violências que ocorrem nesses ambientes”, defende Scavacini.

“É preciso um conjunto de ações amplas, que vão desde a promoção de diálogos até intervenções práticas. A tríade da mudança, como gosto de chamar, inclui consciência do problema, competência para lidar com ele e diálogo aberto. Sem essas três dimensões, a mudança não acontece. Além disso, é importante o treinamento de professores, campanhas envolvendo pais e comunidades, e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. É fundamental ter espaços de apoio e uma rede que inclua profissionais de saúde, educadores e a mídia, para que os jovens saibam que podem buscar ajuda em momentos de crise e que existem alternativas à violência”, destaca a psicóloga.

Iniciativas importantes fazem a diferença

Projetos como Meninos Também Falam e o Espaço SER Casa Matheus Campos, além do curso para educadores Falar Ajuda são exemplos de como podemos avançar nesse campo, mas ainda há muito a ser feito. “É necessário preparar a comunidade para lidar com essas questões e disponibilizar locais de apoio, como o CVV (número 188), o Podefalar.org.br do Unicef e o Mapasaudemental.com.br“, afirma Scavacini.

Por fim, Scavacini ressalta que estamos vendo um aumento nas taxas de suicídio entre adolescentes, em parte devido à impulsividade, ao sofrimento intenso e à falta de esperança em um futuro. “A violência e o sofrimento coletivo são apenas uma parte desse complexo universo que impacta a saúde mental dos jovens, e a falta de acesso a cuidados de saúde mental adequados agrava ainda mais o problema,” conclui.

Há tempos, talvez em 2023, escrevi um texto onde dizia que precisávamos devolver aos jovens a possibilidade de futuro. É isso. Estamos diante de uma geração vulnerável emocionalmente, que tem poucas ferramentas para lidar com as emoções (porque tem tido menos possibilidades de experenciar a vida e daí aprender com ela), com baixas perspectivas de futuro e expostos às violências mais complexas do mundo atual. O resultado tem se revelado de maneira catastrófica.

As taxas de suicídio subiram e é possível observar na convivência, no dia a dia com eles, o tamanho sofrimento frente à questões emocionais e até cotidianas da vida. Adolescentes precisam de mais afeto, gentileza e cuidado. Adolescentes precisam de amparo. De algo ou alguém que os proteja. E a gente precisa, urgentemente, começar a fazer nossa parte.

Reclamar menos da vida, cuidar das nossas questões emocionais, sorrir mais para os filhos, acolher as emoções, validá-las. E ajudá-los a construir meios de sustentação das alegrias e das tristezas da vida.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat nosite ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp – 61 9660-8843, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

Fonte: https://www.estadao.com.br/emais/carolina-delboni/suicidio-e-a-terceira-causa-de-morte-entre-jovens-veja-o-que-dizem-especialistas/

Espiritualidade e Sociedade

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DOENÇAS DO COMPORTAMENTO

 

A vida mental responde pelas atitudes comportamentais, expressando-se em formas de saúde ou doença conforme o teor vibratório de que se revista.

O bombardeio de petardos contínuos, portadores de alta carga destrutiva, agindo sobre os tecidos sutis da alma, desarticula as engrenagens do perispírito que reflete, no corpo e na emoção, as enfermidades de etiologia difícil de ser detectada pelos métodos comuns.

À exceção dos severos problemas de saúde defluentes das reencarnações passadas, como as viroses e psicoses profundas, as mutilações e deficiências traumatizantes, as baciloses e idiotias irreversíveis que se gravaram como necessidade provacional ou expiatória, grande parte dos males que pesam na economia da área do equilíbrio fisiopsíquico decorre da ação da mente desgovernada, sujeita à indisciplina de conduta e, sobretudo, rebelde, fixada aos caprichos das paixões mais primitivas.

É natural e justo que a descarga mental desagregadora lançada contra alguém, primeiramente atinja os equipamentos que lhe sustentam a onda emissora.

Acumulando cargas deletérias, desconjuntam-se os delicados tecidos sustentados pela energia, ocasionando os desastres no campo da inarmonia propiciadora de distúrbios variados e contaminações compreensíveis.

A ação imunológica do organismo desaparece sob a contínua descarga das forças perniciosas, abrindo espaço para as calamidades físicas e psicológicas.

Relacionemos algumas ocorrências:

– A impetuosidade bloqueia a razão e desarticula o sistema nervoso central.

– A queixa e o azedume emitem ondas pessimistas que sobrecarregam os sistemas de comunicação, produzindo envenenamento mental.

– A ira obnubila o discernimento e produz disfunções gastrintestinais pelos tóxicos que lança na organização biológica.

– A mágoa enlouquece, em razão de produzir fixações que se transformam em monoideísmo avassalador.

– A insatisfação perturba o senso de observação e afeta o ritmo circulatório, promovendo quadros depressivos, ou excitantes e prejudiciais.

– O ciúme enceguece e desencadeia disritmias emocionais pela tensão que domina os neurônios condutores do pensamento.

– A maledicência incorpora a calúnia e ambas desorganizam a escala de valores, aumentando os estímulos no aparelho endocrínico que se exaure.

– A ansiedade e o medo desestruturam o edifício celular dando margem a distonias complexas.

– A vingança, sob qualquer aspecto agasalhada, corrói os sentimentos, qual ácido destruidor, abrindo brechas para a amargura, o suicídio, a alucinação…

Não nos referimos aos componentes obsessivos, por desnecessário, que tais atitudes facultam por sintonia.

Vários tipos de cânceres, alergias e infecções na esfera física, e neuroses, esquizofrenias e psicoses na faixa psíquica, têm as suas gêneses no comportamento mental e nos seus efeitos morais.

A ação dos medicamentos e de várias psicoterapias por não alcançarem os centros mentais geradores do mau comportamento, tomam-se inócuos, quando não constituem sobrecarga nos órgãos encarregados dos fenômenos de assimilação e de eliminação…

Compreensível, portanto, que as construções positivas do bem e o cultivo das virtudes evangélicas produzam quadros de saúde e de bem-estar pelos estímulos e recursos que oferecem à organização fisiopsíquica do homem.

Mantém-te equilibrado a qualquer preço, para que não pagues o preço da culpa.

Não sejas aquele que se faz o mau exemplo.

Sê discreto e aprende a superar-te.

Vence os pequenos problemas e percalços com dignidade, a fim de superares os grandes desafios da vida com honradez.

Podes o que queres.

Resolve-te, em definitivo, por ser cristão, não te permitindo o que nos outros censuras, sem desculpismos nem uso de medidas infelizes com as quais esperas do próximo aquilo que ainda não podes ser.

Redação do Blog Espiritismo Na Rede , baseado na obra Seara do Bem pelo Espiríto Joanna de Ângelis psicografia  Divaldo Franco  em Viseu, Portugal, 08.10.1983.

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As Dificuldades de um “Morto” que não se Preparou

Frederico Figner, que no livro Voltei adotou o pseudônimo de “irmão Jacob”, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, foi diretor da Federação Espírita Brasileira e espírita atuante, prometeu escrever do além tão logo lá chegasse.

Quando encarnado, acreditava que a morte era uma mera libertação do espírito e que seguiria para as esferas de julgamento de onde voltaria a reencarnar, caso não se transferisse aos Mundos Felizes. Mas, conforme seu depoimento, o que aconteceu após a sua desencarnação não foi bem assim.

Deixou-nos um alerta. “Não se acreditem quitados com a Lei, atendendo pequeninos deveres de solidariedade humana.”

Irmão Andrade, seu guia espiritual, ajudou na sua desencarnação. Ele sentiu dois corações batendo. A visão alterava-se. Sentia-se dentro de um nevoeiro enquanto recebia passes.

Sua consciência examinava acertos e desacertos da vida, buscando justificativas para atenuar as faltas cometidas.

De repente, viu-se à frente de tudo que idealizou e realizou na vida. As ideias mais insignificantes e os mínimos atos desfilavam em uma velocidade vertiginosa.

Tentou orar, mas não teve coordenação mental. Chorou quando viu o vulto da filha Marta aconselhando-o a descansar.

PRECISARIA DE MAIS TEMPO PARA O DESLIGAMENTO TOTAL

Durante o transe, amparado por sua filha Marta, tentou falar e se mexer, mas os músculos não obedeceram. Viu-se em duplicata, com fio prateado ligando-o ao corpo físico. Precisaria de mais tempo para o desligamento total.

Foi levado para perto do mar para renovar as forças. As dores desapareceram. Descansou. Teve a sensação de haver rejuvenescido e notou que estava com trajes impróprios, na ilusão de encontrar alguém encarnado.

Na volta para casa, vestiu um terno cinza.

No velório, projeções mentais dos presentes provocam-lhe mal-estar e angústia.

Os comentários divergentes a seu respeito provocaram-lhe perturbações passageiras. Continuava ligado ao corpo.

Bezerra de Menezes esclareceu que não é possível libertar os encarnados rapidamente, depende da vida mental e dos ideais ligados à vida terrestre.

Jacob melhorou e se aproximou de amigos encarnados, mas não do corpo, conforme orientação recebida. Percebeu entidades menos simpáticas e foi impedido de responder.

Decepcionou-se com comentários de amigos encarnados sobre as despesas do enterro. Não conseguiu suportar estes dardos mentais.

ENTERROS MUITO CONCORRIDOS

Viu círculos de luz num dos carros, e percebeu orações a seu favor, e alegrou-se.

Assistiu de longe, pois Bezerra informou que enterros muito concorridos impõem grande perturbações à alma.

Finalmente liberto do corpo, Jacob visitou seu lar e seu núcleo de trabalho. Abraçou amigos e seguiu em direção à praia para se reunir com outros espíritos recém-desencarnados. Durante o trajeto, ficou preocupado por não lembrar de vidas passadas e por não saber onde iria morar. Sua filha garantiu que tudo seria solucionado pouco a pouco.

OS ESPÍRITOS NÃO FICAM NAS SEPULTURAS

Como se sabe, a visita às sepulturas apenas expressa que lembramos do amado ausente. Mas não é o lugar, objetos, flores e velas que realmente importam. O que importa é a intenção, a lembrança sincera, o amor e a oração. Túmulos suntuosos não importam e não fazem diferença para quem parte.

Podemos orar pelos espíritos de onde estivermos. O lugar não importa, desde que a prece seja sincera.

Quando oramos, a força do pensamento emite um fio luminoso impulsionado pelo sentimento de amor, indo ao encontro do espírito para o qual rogamos as bênçãos de Deus.

Porém, o que importa é orarmos com sinceridade em benefício deles; afinal, se os nossos parentes e amigos já são felizes, as nossas preces aumentarão ainda mais essa felicidade. Por sua vez, caso estejam sofrendo, como os espíritos dos suicidas, as nossas orações têm o poder de aliviar os seus grandes sofrimentos.

FALAR COM OS DESENCARNADOS PELA ORAÇÃO

Quando sentimos saudade dos parentes ou dos amigos que estão vivendo muito distantes de nós, simplesmente telefonamos para eles, matando a saudade.

Assim acontece, também, quando sentimos falta dos entes queridos que partiram para o mundo espiritual, e falamos com eles através da oração.

Pelo “celular” do nosso pensamento, podemos ligar para eles de qualquer lugar onde estejamos.

FRED FIGNER – IRMÃO JACOB DO LIVRO VOLTEI – PSICOGRAFADO POR CHICO XAVIER

FONTE: http://www.correioespirita.org.br/

(Fonte: kardecriopreto.com.br)

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Uma simples molécula – Mas terapêutica

Luís de Almeida; Ida Della Mônica

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O Mestre de Lion In “O Livro dos Espíritos”, cap. 8, nos diz: «O espírito atuante é o magnetizador, quase sempre assistido por outros Espíritos», e por sua vontade «ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos dos organismos, donde o efeito curativo da ação magnética».

 

Quando Bernard Grad, da Universidade de Montreal, publica os seus primeiros estudos, nos anos sessenta, estes, representaram uma verdadeira revolução na comunidade cientifica. Pela primeira vez um, um cientista demonstra, por uma série de experiências, o papel de um médium curador, muito mais do que isso, fornece os primeiros sinais concretos da natureza deste efeito. Assim Bernard teve a colaboração de um médium curador húngaro de grande nomeada – Estebany, aceitando participar numa serie de experiências rigorosas. O professor pretendia, antes de mais, demonstrar o seu poder cicatrizante.

 

Em trinta ratos, com a mesma feridinha, Estebany colocou suas mãos sobre quinze, meia hora por dia. A partir do décimo primeiro dia, não havia qualquer dúvida: os ratos “tratados” cicatrizavam muito mais rapidamente. Após este resultado o professor Bernard decidiu em seguida, estudar o seu poder eventual sobre o crescimento das plantas. Estebany tratou, sempre com as mãos, a água dada a determinadas plantas. Novamente a experiência foi conclusiva. Após uma quinzena de dias, as plantas tratadas marcavam um crescimento superior a 55%.

 

O que interessava a este cientista, neste caso, era o fato de possuir, de um momento para o outro, um elemento concreto: a água tratada por Estebany. Realizando todas as análises possíveis e imagináveis. Numa perspectiva química, nada se tornou evidente: a composição da água não tinha mudado. Em contrapartida, ao analisar as amostras no espectrofotômetro, apercebeu-se de que a água tratada absorvia, em grande quantidade, os raios infravermelhos do espectro luminoso. Pela primeira vez, possuímos um traço físico do “efeito de cura”.

 

Infelizmente, desde essa época, nada parece ter sido descoberto, a partir destes primeiros resultados, relativamente ao estudo descrito.

 

Unicamente Douglas Dean, professor da universidade de Princeton, se interessou pelo pelas “águas que curam”. Desta forma, fez importar águas de todas as fontes “miraculosas” do planeta. O fato interessante é que Dean descobriu o mesmo fenômeno de absorção de infravermelhos, na maior parte destas amostras, o que se pode tirar a conclusão que as águas tratadas pelo médium curador Estebany e estas amostras, são da mesma natureza…

 

Mais interessante ainda, é o fato de Dean ter conseguido encontrar, quase na clandestinidade, alguns “litros” de água de Lourdes. Ora a grande decepção: esta água não revelou nenhuma diferença notável.

 

“Mas existe um fato interessante”, comentou o simpático professor; “esta não era água benta. Isto demonstra, talvez, que a água desta região não tem quaisquer poderes em si mesma, mas que os padres, ao benzê-la com as mãos, desempenham o papel de médium curador, “tratando-a” pelo gesto da santificação…”. Curiosa esta sua interpretação… A água natural, por si só, já é um fator preponderante à vida, mas sob a ação de agentes externos, através da vontade e da fé dos espíritos ou médiuns, podemos saturá-la de uma energia mais subtil, preenchendo assim, o espaço inter-molecular desta “simples e simpática” molécula.

 

Divaldo P. Franco In “Sementeira de Fraternidade” explica: «Ao ser ingerida, o organismo absorve as quintessências que vão atuar no perispírito, à semelhança do medicamento homeopático, estimulando os núcleos vitais donde procedem os elementos para a elaboração das células físicas, e onde, em verdade, se estabelecem os pródomos da saúde».

 

Nota. Aconselhamos todos aqueles que desejam saber mais sobre as propriedades; físicas, químicas e fotoquímicas da água, a leitura da excelente obra “Medicina Vibracional: uma Medicina para o Futuro” do Drº Richard Gerber, traduzido para português pela Editora Cultrix, São Paulo – Brasil.

 

Fonte: Por Luis Almeida – Portugal e Ida Della Mônica – Brasil – Publicado no Boletim GEAE – Número 288 – de 14 de abril de 1998) – http://www.geae.inf.br/

– copiado de http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/uma-simples-molecula.html

Extraído de: Espiritualidade e Sociedade

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Evocar ou Invocar?

Orson Peter Carrara

Coven Misterios do Carvalho: Evocar ou Invocar?

As duas palavras que intitulam a presente matéria não formam sinônimos perfeitos, embora tenham a mesma raiz, vocare, que é igual a chamar. Ambas sofreram algum desgaste de uso popular, distorcendo o intercâmbio com os espíritos, embora sua nobre significação. O dicionário1 as definem como: a) evocar: chamar de algum lugar, trazer à lembrança; b) invocar: chamar em seu auxílio por meio de orações, de súplicas; implorar a proteção de; Nota-se pelas definições a importância de ambos os verbos, que definem o relacionamento com Deus e os espíritos, de forma geral.

Em síntese, para fácil entendimento, a invocação está no pensamento, a evocação é um ato. Como exemplo, portanto, podemos dizer que a prece é uma invocação e o ato em si dessa invocação é a própria evocação, que normalmente define o destinatário da petição, a quem se dirige a invocação. A palavra correta, pois, é evocaçãoInvocação é genérico. Evocação é com endereço determinado, mesmo que também dirigido genericamente aos Espíritos Superiores, por exemplo.

Com a prática das reuniões mediúnicas de intercâmbio dos espíritos, nem sempre orientadas pelo pensamento espírita, ambas as palavras sofreram pequeno desgaste por quem desconhece a nobreza das significações, bem como suas ideais condições de uso.

Por esta única razão o tema permanece muito atual, solicitando estudo para real compreensão, afastando tentativas de misticismos ou de máculas em torno do assunto, sempre presente nas práticas, diálogos no ambiente espírita ou mesmo fora dele.

Em O Céu e o Inferno2, no capítulo X da primeira parte, encontramos precioso material de orientação para espíritas ou não, grupos, expositores e dirigentes espíritas. Para avaliarmos a extensão da importância que o assunto enseja, transcrevemos alguns trechos dos itens 9 e 10 do referido capítulo:

 “(…) Hoje sabemos que os Espíritos são as almas dos mortos e não os evocamos senão para receber conselhos dos bons, moralizar os maus e continuar relações com seres que nos são caros 3. Eis o que diz o Espiritismo a tal respeito:

10 – Não podereis obrigar nunca a presença de um Espírito vosso igual ou superior em moralidade, por vos faltar autoridade sobre ele; mas, do vosso inferior, e sendo para seu benefício, consegui-lo-eis, visto como outros Espíritos vos secundam. (O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XXV).4

– A mais essencial de todas as disposições para evocar é o recolhimento, quando desejarmos tratar com Espíritos sérios. Com a fé e o desejo do bem, mais aptos nos tornamos para evocar Espíritos superiores. Elevando nossa alma por alguns instantes de concentração, no momento de evocá-los, identificamo-nos com os bons Espíritos, predispondo a sua vinda. (O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XXV)4

– Nenhum objeto, medalha ou talismã tem a propriedade de atrair ou repelir Espíritos, pois a matéria ação alguma exerce sobre eles. Nunca um bom espírito aconselha tais absurdos. A virtude dos talismãs só pode existir na imaginação de pessoas simplórias (O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XXV)4.

– Não há fórmulas sacramentais para evocar Espíritos. Quem quer que pretendesse estabelecer uma fórmula, poderia ser tachado de usar de charlatanismo, visto que para os Espíritos puros a fórmula nada vale. A evocação deve, porém, ser feita sempre em nome de Deus. (O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XXV)4.

– Os Espíritos que prefixam entrevistas em lugares lúgubres, e a horas indevidas, são os que se divertem à custa de quem os ouve. É sempre inútil e muitas vezes perigoso ceder a tais sugestões; inútil, porque nada se ganha além de uma mistificação, e perigoso, não pelo mal que possam fazer os Espíritos, mas pela influência que tais fatos podem exercer sobre os cérebros fracos. (O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XXV)4.

– Não há dias nem horas mais especialmente propícios às evocações: isso, como tudo que é material, é completamente indiferente aos Espíritos, além de ser supersticiosa a crença em tais influências. Os momentos mais favoráveis são aqueles em que o evocador pode abstrair-se melhor das suas preocupações habituais, calmo do corpo e de espírito. (O Livro dos Médiuns, 2a parte, cap. XXV)4.”

O assunto é tão vasto e importante que Allan Kardec dedicou um capítulo inteiro em O Livro dos Médiuns e intitulado Das Evocações. É o capítulo XXV, fonte das informações trazidas pelo Codificador em O Céu e o Inferno e ora parcialmente transcrito nesta matéria. É no citado capítulo que o estudioso atento encontrará as informações que precisa para orientar e orientar-se, já que precisamos nos entender na questão do próprio vocabulário e mais: estarmos doutrinariamente preparados para a questão. Para evitar decepções, não denegrir as palavras em si, manter o respeito que a Doutrina Espírita merece de todos nós e transmitir conhecimentos através das incessantes oportunidades disponíveis.

1Conf. Grande Dicionário da Língua Portuguesa, edição Novo Brasil Edit. Ltda.

2páginas 142 e 143 da 32ª edição FEB, setembro de 1984, Rio (RJ), tradução de Manuel Quintão.

3Destaque do autor.

4Notem os leitores que cada item assinalado propicia amplos estudos. A indicação do capítulo XXV, de O Livro dos Médiuns, consta na edição de O Céu e o Inferno.

  • Artigo originariamente publicado na RIE – Revista Internacional de Espiritismo, edição de abril de 2003.

Fonte: GEAE

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Suicídio: a importância de se multiplicar o cuidado

Por Eliana Haddad

Há 10 anos, a editora Correio Fraterno iniciava o projeto gráfico e a preparação do livro Viver é a melhor opção, de autoria do jornalista André Trigueiro, que seria lançado em 2015, abordando o cenário da prevenção do suicídio no Brasil e no mundo. A obra vanguardeira, diferenciada, passou a ganhar foco como referência em congressos por todo o país.

Incansável, com muita responsabilidade jornalística e como espírita assumido que é, Trigueiro levantou essa bandeira também fora do espiritismo, sendo convidado a falar sobre o tema em universidades e entidades afins, como o CVV – Centro de Valorização da Vida, programas de rádio e tevê, sempre levando informações relevantes e provocando maior reflexão sobre o tanto que ainda há a se fazer para se prevenir o que tem sido causa de tantas mortes em todas as idades e classes sociais. Afinal, desespero e inquietude é o que não falta no mundo de hoje.

Participante ativo na campanha de quase 10 anos do Setembro Amarelo, em entrevista exclusiva ao Correio, o jornalista analisa o cenário atual da prevenção do suicídio, a contribuição do espiritismo para o esclarecimento do tema e revela os novos dados que tem encontrado por conta de suas constantes pesquisas. Acompanhe.

O que você tem encontrado de relevante em suas pesquisas sobre os novos números do suicídio?

Um estudo recém-publicado na The Lancet Regional Health – Americas, desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, da Fiocruz, em parceria com pesquisadores de Harvard, trouxe dados preocupantes. De acordo com o levantamento, a taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% ao ano no Brasil entre 2011 e 2022. O número foi maior do que na população em geral, cuja taxa de suicídio teve crescimento médio de 3,7% ao ano. Os pesquisadores também perceberam que as estatísticas nas Américas seguiram na contramão da média global de suicídio, que registrou uma queda de 36% entre os anos 2000 e 2019. Nesse período, as Américas registraram um aumento de 17% nos casos, enquanto no Brasil o aumento foi de 43%. Como todas as pesquisas do gênero, é importante não tirar conclusões precipitadas e buscar as melhores fontes.

O que percebe que avançou, no Brasil e no mundo, desde que publicou o Viver é a melhor opção?

A pandemia escancarou as mazelas da saúde mental e a omissão das autoridades no enfrentamento do problema no Brasil e em várias partes do planeta. As campanhas de prevenção (como o Setembro Amarelo) passaram a ter maior visibilidade. Tem sido importante também o posicionamento de pessoas famosas que declaram publicamente a necessidade de interromper suas rotinas profissionais para priorizar a serenidade, o equilíbrio e a autoestima. A supercampeã mundial de ginástica Simone Biles, o surfista Gabriel Medina, o jornalista Ricardo Boechat e o padre Fábio de Melo são alguns exemplos de personalidades que, ao darem publicidade ao diagnóstico de depressão, permitiram que muita gente pudesse compreender melhor o que isso significa. Portanto, me parece que algo está mudando para melhor. Ainda assim, particularmente no Brasil, entendo que estamos aquém do mínimo necessário para dar a devida assistência a pessoas em situação de risco. É preciso fazer mais e melhor.

As iniciativas mais recentes do Governo Federal têm seguido um caminho adequado e surtido efeito positivo?

Até onde me foi possível buscar informação sobre esse assunto, é grande o descontentamento de muitos especialistas na área sobre políticas públicas que deem assistência a pessoas em situação de risco. Vou dar um exemplo prático: ao cobrir a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, percebi uma gigantesca demanda de serviços na área da saúde mental sem a devida resposta. As boas iniciativas que existem são exceção à regra. Ao que parece, saúde mental continua sendo a parte menos prestigiada das políticas públicas de saúde.
Como as casas espíritas podem intensificar ações no sentido de apoiar a prevenção do suicídio e os cuidados com os enlutados?

Alertar sobre o equívoco do suicídio não nos dá o direito de estigmatizar o suicida. É terrível quando um parente ou amigo de uma pessoa que se matou assiste a uma palestra na casa espírita em que o orador se exalta na ‘demonização’ do suicida, sem considerar que todos somos falíveis, imperfeitos, e que mesmo assim, Deus nos ama incondicionalmente. O espiritismo não preconiza penas eternas e o suicida terá outra chance. Tão importante quanto valorizar a oportunidade da existência e a permanência nesse plano “até quando Deus quiser”, é explicitar as razões pelas quais o suicídio deve ser evitado.

Iniciativas como o CVV ainda têm se mostrado efetivas no apoio à prevenção do suicídio?

O CVV é um serviço gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio sem qualquer vinculação política ou religiosa. Foi fundado em 1962 no Brasil inspirado no modelo bem-sucedido dos Samaritanos de Londres, onde o voluntário é treinado para ouvir de forma acolhedora, sem julgamento, todos os que ligam para o número 188 (ligação gratuita) ou fazem contato pelo chat (www.cvv.org.br). Por vezes, ter com quem conversar num momento difícil faz toda a diferença. Um simples desabafo opera milagres. Embora não seja um serviço terapêutico, o CVV é reconhecido pelo Ministério da Saúde como um serviço de utilidade pública.

O Setembro Amarelo ainda tem sido um ponto de apoio importante?

O Setembro Amarelo marca no calendário um período ligado à causa da prevenção do suicídio. Enquanto estratégia de comunicação, tem o seu valor porque mobiliza governos, empresas, organizações não governamentais, igrejas, universidades e ativistas. É importante também porque potencializa pautas ligadas ao tema nas mídias. Mas todo dia é dia de valorizar a existência e promover a prevenção do suicídio.

Acompanhando iniciativas espíritas ao longo do país, você percebe que a mentalidade sobre os suicidas tem se modificado? (Por exemplo, os ranços da culpa, do retorno difícil à encarnação, a permanência em um vale assustador.)

Creio que sim. Na verdade, torço para que seja assim, porque o que se convencionou chamar de ‘movimento espírita’ é algo difícil de mapear com precisão. Não somos uma religião formal com hierarquia e dogmas. Somos uma filosofia espiritualista que repele o negacionismo e segue a ciência. Tão importante quanto acompanhar a evolução do conhecimento na área da saúde mental (psicologia, psiquiatria, suicidologia) é não generalizar as situações que aludem à realidade dos suicidas no mundo espiritual. Com o perdão do clichê, “cada caso é um caso”. Embora o suicídio jamais signifique alívio ou solução para os problemas, as experiências pós-desencarne possuem singularidades. Em O céu e o inferno, as evocações feitas por Allan Kardec revelaram isso claramente.

Em que o espiritismo ajuda ou atrapalha para a compreensão do suicídio? Qual a maior dificuldade para se esclarecer o tema na visão espírita?

O suicídio é um problema complexo e multifatorial. A compreensão do assunto vai requerer uma abordagem sistêmica e cuidadosa. A doutrina espírita é, seguramente, a maior fonte de informações sobre a realidade do suicida no plano espiritual. É também extremamente consoladora quando nega a existência das penas eternas. Mas precisamos evitar o risco das generalizações, caso contrário, incorreremos em erro.

Como o avanço do uso das redes sociais em toda a sociedade tem impactado a questão do suicídio?

A exposição excessiva às telas digitais tem justificado uma avalanche de trabalhos científicos que reportam diferentes impactos sobre a nossa resiliência psíquica e emocional. Elevação das crises de ansiedade e depressão, perda das interações sociais, vulnerabilidade aos casos de bullying virtual ou ‘apagamentos’, busca frenética de seguidores (likes e curtidas), adequação ao padrão de beleza ‘instagramável’, são alguns dos efeitos colaterais dessa virtualização da vida. Mas há ainda o fomento criminoso ao suicídio em certas redes sociais ou jogos mórbidos que podem resultar em tragédias, como a “Baleia Azul”¹. Penso que a internet não é boa nem má. O uso que fazemos dela define a qualidade dessa relação. Pais ou responsáveis precisam buscar informações sobre como proteger seus filhos dessas armadilhas e mostrá-los às maravilhas de uma vida mais presencial.

O cenário empresarial tem se modificado no sentido de atenção à saúde mental. Estamos caminhando da forma adequada?

Muitas empresas já perceberam que a promoção da saúde mental reduz o risco de prejuízo. Trabalhadores afastados por depressão (ou outro problema qualquer) impactam a rotina operacional, até porque nem todos são facilmente substituídos. É importante proteger os funcionários, disponibilizando informação e apoio psicológico e/ou psiquiátrico. Mas não creio que esse cuidado seja a regra no Brasil.

¹ Suposto “game” que surgiu em 2017 nas redes sociais, com incentivo à automutilação, suicídio e outras situações de risco entre adolescentes.

Fonte: correio.news

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Religião. Há necessidade?

Durante toda a história da humanidade nos defrontamos com avatares, com seres mais evoluídos moralmente, que se dignam encarnar entre nós para oferecer à humanidade a luz dos seus conhecimentos, contribuindo assim para a evolução do planeta.

 

Interessante que essas pessoas não se preocuparam em fundar associações. ONG´s, sindicatos, sociedades… ficando a cargo de seus seguidores tais preocupações. Assim aconteceu com Jesus, Sócrates, Buda, Krishna, entre outros. Alguns deles nunca escreveram uma linha sequer.

 

Pensando sobre isso devemos refletir sobre a real necessidade da religião no nosso planeta. Todos os estudos sobre o assunto nos mostram que na história da humanidade, a religião sempre foi usada para enganar, trapacear e manter no poder temporal e transitório da Terra, pessoas completamente desligadas da moral de qualquer dessas religiões que seus governantes diziam seguir.

 

Evidentemente e não por outro motivo, envia Deus constantemente, alguns desses avatares para o seio dessas religiões, como no caso de Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, Chico Xavier, Dalai Lama, entre outros.

 

Nascemos e desde cedo seguimos o padrão religioso familiar, aceitando dogmas e paradigmas, sem nos preocuparmos realmente em raciocinar à luz da razão sobre as coisas que acreditamos, e muitas vezes travando batalhas mentais quando não corporais com outras pessoas que não professam a nossa “verdade”, ou que estão conosco no mesmo barco religioso, mas discordam de alguns pontos de vista, tentando entender mais que a gente, o que constitui um dos sete pecados capitais, de forma que devemos anular e rejeitar tudo que vem dessas pessoas. Realmente, não sabemos como vivenciar nossa religiosidade!

 

A verdade é que por mais difícil que seja aceitar e quebrar esse paradigma, a vida seria muito melhor sem religião. Não digo religiosidade, essa ligação com Deus que nos sustenta, mas religião, esse conjunto de leis e dogmas que nos encarcera e nos mantém inimigos de irmãos que discordam da nossa opinião. Mesmo dentro do espiritismo, doutrina que professa o livre raciocínio e o uso da lógica, vemos a intolerância, a soberba e o uso do conhecimento para o achincalhe de ideias alheias, como se todos devessem andar no mesmo barco, como se DEUS exigisse carteira de filiação a sua doutrina para espalhar seu amor.

 

Acreditam alguns que sem religião estaríamos num mar a deriva, sujeitos a todo tipo de tempestade, sem proteção, como se o verdadeiro templo não devesse ser erigido em nossos corações, essa sim a única fortaleza segura que podemos ter. Seguir uma doutrina religiosa, participar de uma agremiação onde externamos a nossa fé, a nossa religiosidade, tudo isso é importante, desde que saibamos entender que todas as religiões são transitórias e que o importante e mais urgente é a nossa reforma íntima, a nossa comunhão com esse DEUS pai e mãe, que nos ama sem necessidade de rótulos e títulos. Sejamos de DEUS! O resto é letra morta.

Paz e Luz!

Sérgio Vencio

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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