Qual é a sua razão de viver?

Adriana Machado

Começamos a nossa conversa com essa pergunta e, não se iludam pensando que ela é simples, porque muitos terão dificuldades em respondê-la.

Podemos ter respostas prontas do tipo: a minha razão de viver é a minha família, meus filhos, meus pais, minha realização pessoal… somente porque sabemos que seriam as respostas mais “certas” para darmos. Mas, elas estampam a nossa realidade?

Como agimos todos os dias? Como demonstramos a relevância destas pessoas no nosso dia a dia? Será que é somente quando elas partem que analisaremos o nosso comportamento em relação a elas?

Para as primeiras questões, deixo as respostas para a sua análise pessoal, mas para essa última pergunta a resposta é: na maioria das vezes, sim, infelizmente. É somente quando alguém que muito amamos se vai que paramos para sentir a sua falta, a sua relevância em nossa vida e sofremos por não termos dado um pouco mais do nosso tempo para ela em nosso cotidiano.

Em que pensamos quando acordamos? É na família, no trabalho ou na ascensão social que queremos alcançar? Tudo junto?

Falamos de nossas famílias, amigos, companheiros de jornada, que nos acompanham, nos amam e nos encorajam a seguir com a vida, principalmente quando ela não está fácil. Falamos de trabalho e ascensão social…, mas, será que não falta alguém ou alguma coisa nesta relação?

Existe alguém para quem muito lutamos, mas pouco analisamos a sua relevância; que, normalmente, é esquecido, é desvalorizado, e jamais é poupado de nossos desequilíbrios. Ele é quem mais serve de alvo de nosso julgamento e críticas, de nossa intolerância e descrédito frente às suas dificuldades. Esta pessoa que tanto necessita de nossa atenção e consolo, de nossa tolerância e caridade, de nossa valorização e tempo para ampará-la, amá-la e compreendê-la, deveria ser aquela que jamais daríamos às costas porque sem ela nada poderíamos ser, fazer ou aprender.

Essa pessoa é VOCÊ

Vai parecer clichê, mas quantos de nós se valoriza? Quantos procuram conhecer a si mesmos? Quantos param para, verdadeiramente, descobrir o que os incomoda, o que precisa ser mudado, o que necessita para um crescer com menos dor? Quantos de nós se dão paz?

Hoje, graças a Deus, muitos são os que estão se voltando para compreender o seu papel nesta grande Escola da Vida. Estão se buscando, porque algo está faltando e este algo é a ligação mais profunda do seu Eu, da sua Chama Divinal, com o seu Ser consciente.

Outros, porém, ainda não acordaram para isso. Enquanto estes continuarem depositando a sua razão de viver em algo ou alguém que não seja o seu Eu mais profundo, tudo ficará sem sentido, não se sentirão aptos para a sua caminhada evolutiva, não acreditarão em sua capacidade de enfrentar os desafios da vida, sofrendo profundamente diante das adversidades porque não se fizeram aliados de si mesmos. Sozinhos sucumbirão ante as dificuldades que lhes fazem ascender.

Lembrei do pontinho preto no imenso lençol branco. No que vocês fixariam a sua atenção? Se a sua resposta é para o pontinho preto que o está incomodando, você acabou de descortinar uma sábia manobra da vida para o seu crescimento íntimo: tudo o que o incomoda o leva a prestar mais atenção nele, o faz querer consertá-lo ou modificá-lo para que fique bem alinhado aos ditames do que você acha ser o certo. Então, concluímos que não são ruins os pontos pretos em nossos lençóis, porém, como escolhemos enfrentá-los ou como exacerbamos os nossos incômodos é que fará a diferença!

Por ainda não compreendermos o quanto ele (ponto preto) pode nos fazer progredir, fixamo-nos neste, reclamando do lençol ter sido maculado, e esquecemos que a sua função de cobrir não está perdida e que o ponto preto pode ser lavado.

Reclamamos tanto daquilo que nos incomoda que deixamos de valorizar o que temos de positivo e deixamos de agir com todo o nosso potencial para enfrentarmos as adversidades. Como reflexo desta nossa postura, não nos valorizamos, não nos perdoamos, não aceitamos as nossas limitações, criando um vazio existencial.

Por exemplo, eu não consigo fazer algo que outras pessoas fazem bem. Em razão disso, me condeno pela minha incapacidade. Estaciono no meio do caminho ante o meu cruel julgamento. Mas, se voltamos para nós os olhos da tolerância e amor, perceberíamos que isso nós ainda não conseguimos fazer, mas outras tantas coisas já fazemos com muita competência. E o exemplo do peixe que não sabe subir em árvores, mas, poucos são os que nadam melhor do que ele. Isso é nos conhecermos.

Vocês podem estar pensando que eu os quero egoístas e pensando somente em si. Claro que não é isso! O que estou dizendo é que, para nos doarmos por inteiro, para estarmos bem com quem amamos e com o mundo, temos que agir da mesma forma conosco.

Para tanto, precisamos saber quem somos nas boas ou más tendências. Isso não é egoísmo, isso é autoamor. Quando nos amamos com consciência, conseguimos amar muito mais profundamente o outro que está ao nosso lado.

Infelizmente, ao não nos amarmos com sabedoria, nos fixamos muito mais nas nossas más tendências e nos convencemos de que não somos capazes de valorizar quem somos e, por consequência, quem está ao nosso redor.

Conhecer a si mesmo vai além do saber do que somos capazes, é também olharmos para nós sem uma visão deturpada de nós mesmos. Precisamos nos esforçar para nos parabenizar pela caminhada árdua que trilhamos até onde estamos.

A nossa razão de viver deve ser pautada, primordialmente, na vontade de nos “bem compreender”, porque fazendo isso nos “bem capacitamos” na compreensão do próximo e, nesta vibração enobrecedora, tudo se tornará um “bom reflexo” do Ser divino que há em nós.

Adriana Machado

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Resgates Coletivos e o Espiritismo

Julia Thaís Porciúncula Serra

Constantemente vemos desastres coletivos que podem surpreender a humanidade de várias maneiras. Desastres ambientais, naturais ou grandes acidentes que culmina na vida de várias pessoas. O que nos leva a refletir sobre o porquê acontece dessa forma, destroçando vida de famílias e pessoas e emocionando o mundo, tamanha é a surpresa e a tristeza que isso acontece.

No livro Chico Xavier Pede Licença, no capítulo 19 intitulado de Desencarnações Coletivas, o espirito Emmanuel responde a seguinte questão:

Pergunta: “Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?” (Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião pública, na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas).

Resposta: “Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Humano, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio. Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.”

Como incêndios em lugares com muitas pessoas, quedas em avião ou desastres naturais como deslizamentos, estão ligadas a buscas coletivas? Para uma explicação mais detalhada, afim de que possa compreender melhor como funciona, no livro continua que:

“Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontros marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos. Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras. Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos no Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas. Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.”

De acordo com o site O Tempo, Marcelo Gardini, da União Espírita Mineira, diz que o médium Chico Xavier sempre falava que os resgates em massa acontecem em momentos de transição. “Geralmente eles acontecem quando um grupo de pessoas precisa passar por determinada prova de ‘desencarne’ ou desencarnação. Por meio da misericórdia divina, essas pessoas são encaminhadas para experienciar juntas uma tragédia, a fim de sanar débitos coletivamente.”

Crê que o desencarne coletivo acontece quando os espíritos envolvidos precisam buscar um resgate semelhante, que não necessariamente estejam ligados, porém, de alguma forma precisa-se ter alguma semelhança ao destino que foi proposto. Acredita-se que, ao reencarnar, cada indivíduo tem o livre arbítrio de fazer escolhas, podendo ou não suavizar ou piorar suas dívidas.

Marcelo completa que “O espírito não traz essas lembranças, pois passa pela nuvem do esquecimento.

Ao longo de nossa trajetória pode acontecer, mediante nossa maturidade espiritual e nossas necessidades, de algo desse compromisso ser revelado. Mesmo nos desencarnes coletivos, quando o contexto é o mesmo, cada pessoa vivencia uma experiência individual. Nenhum desencarne é igual ao outro, e é preciso que busquemos compreender a razão da dor”.

Assim, o desencarne coletivo funciona como catalisador, ao deparar-se com indivíduos improváveis e os colocando no mesmo ambiente, o que possibilita um desencarne semelhante, mesmo que não estejam ligados em vida. Por exemplo, um grave incêndio que ceifa a vida de pessoas que, aparentemente, não tinham ligação, mas, que possuíam um propósito de resgate semelhantes.

Ou em desastres naturais como em Brumadinho, município de Belo Horizonte, que teve a morte de 65 pessoas e 279 desaparecidos. Vale lembrar, que foram acidentes podendo ser evitados, mas que culminaram em tragédias por conta de ações da sociedade. Ações dessa mesma trajetória, a barragem de Brumadinho não era fiscalizada, e após o acidente de Mariana (MG), o alerta e o cuidado deveriam ser maiores.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 27, item 12, diz Allan Kardec que esses males se dividem em duas partes: 1) a dos que o homem não pode evitar; 2) a dos causados pela “incúria” ou excessos das pessoas. E completa: “Faz-se, portanto, evidente que o homem é o autor da maior parte de suas aflições, às quais se pouparia, se sempre obrasse com sabedoria e prudência”.

Fica entendido, portanto, que um dos maiores causadores de desastres coletivos, é o próprio homem, por causa de ambição, não mede suas consequências e não pensa no próximo. Dessa forma, é necessário ter em mente, que por mais triste e catastrófico um desastre possa parecer, desencarnar dessa maneira não é, de maneira alguma uma punição ou castigo. Apenas a lei básica de ação e reação, causa e consequência, e que os envolvidos nos acidentes, em espírito, concordaram, para que assim, possam progredir e evoluir.

É de nosso dever, sempre, agir com amor para o próximo e com Deus, além de, fazer uma prece para que os espíritos que desencarnem em situações assim sejam amparados por espíritos nobres e que se curem, que eles encontrem as respostas necessárias para bom entendimento e assim, se desenvolver cada vez mais espiritualmente.

Julia Thaís Porciúncula Serra

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

DINIZ, Ana Elizabeth. As desencarnações coletivas. O TEMPO. Disponível em: <https://www.otempo.com.br/interessa/as-desencarnacoes-coletivas-1.1432526> Acessado em: 27 dez. 2021

NETO, Valentim. CHICO XAVIER PEDE LINCEÇA. 2016

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Palingenesia

Martins Peralva

PALINGENESIA

LE – Questão 167: Qual o fim objetivado com a reencarnação?

– Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a Justiça?

“Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia.” – Emmanuel

* * *

O apreciador de assuntos transcendentes encontrará, em o Novo Testamento, diversas passagens em que Jesus se refere à reencarnação em termos tão claros que ninguém, em sã consciência, lhes pode atribuir ambígua interpretação.

Dentre elas, é extraordinário, a nosso ver, o formoso diálogo do Celeste Benfeitor com Nicodemos, que culmina na asserção “necessário vos é nascer de novo”.

Deparou a reencarnação, em seu caminho, o que se nos afigura natural, tremendos obstáculos.

E não temos dúvidas de que os encontrará sempre, até que se afirme, plenamente, no consenso universal, impondo-se, como já acontece esporadicamente, pelas constatações irretorquíveis.

Perquirições científicas, criteriosas, umas, apaixonadas, outras.

Obstáculos religiosos e objeções filosóficas.

Preconceitos sócio raciais.

Barreiras humanas que ruirão, no entanto, à medida que os fatos, comprovados pela Ciência e por todos observados, desmoralizarem a negação, ridiculizarem a oposição por sistema, liquidarem as distorções de exegese.

Negar a lógica da reencarnação, tentando esconder-lhe as fulgurações misericordiosas, será, no porvir, tão insensato quanto negar a presença do homem na ribalta do mundo.

Ninguém pode esconder esta verdade: as idéias reencarnacionistas, por mais consentâneas com a razão, ganham terreno no pensamento humano, mercê da ampliação dos valores culturais.

As indagações da Filosofia, as pesquisas da Ciência e as conjeturas da Religião vão conduzindo o espírito do homem para inequívocas, insofismáveis conclusões ligadas ao problema do Amor e da Justiça de Deus.

O Pai não teria nosso carinho e nossa gratidão se, para O entendermos, não nos tivessem fornecido a chave das vidas sucessivas.

Conceitos clássicos, a respeito da Vida, do Homem e do seu destino dentro da Eternidade não podem escapar a reformulações baseadas na filosofia espírita, levando as criaturas mais aferradas às religiões tradicionalistas, ou os céticos inveterados, a meditarem, mais profundamente, sobre problemas do cotidiano que, sem a hermenêutica reencarnacionista, jamais seriam explicados.

As diversidades na paisagem humana.

As diferenciações culturais. O gênio e o idiota.

Os desequilíbrios psicofísicos.

Os seres anatomicamente bem conformados.

Os fenômenos de teratologia, perene desafio à medicina.

Os contrastes raciais. Sociais. Econômicos.

Todas essas aparentes anomalias nos conduziriam a um Deus cruel, impiedoso, frio, pior do que os homens menos justos, não existisse a reencarnação, que a tudo aclara, que a tudo torna simples.

Na mais longínqua antiguidade, encontramos o pensamento reencarnacionista iluminando civilizações.

Na Índia, com os Vedas, há milhares de anos. Bramanismo e Budismo dão-lhe curso glorioso.

O Egito, na opinião de muitos orientalistas, absorveu do povo hindu a civilização e a fé, incorporando ao seu patrimônio cultural a pluralidade das existências.

Na Grécia, a par dos poemas órficos, Platão, o amado discípulo de Sócrates, conclama: “Almas divinas! Entrai em corpos mortais; ide começar uma nova carreira. Eis aqui todos os destinos da vida. Escolhei livremente; a escolha é irrevogável. Se for má, não acuseis por isso a Deus”. Nele encontramos, ainda, o “aprender é recordar”, evidente alusão às vidas preexistentes.

Na Gália, com os druidas.

No Cristianismo e, mais tarde, nas mais notáveis figuras do Catolicismo: Agostinho, Gregório de Nice, Clemente de Alexandria, Orígenes e outros.

Em todos, a Lei sábia, equânime, infalível, plenificada de Amor e Justiça Incorruptível, nas oportunidades de redenção e aperfeiçoamento.

Vem, pois, a reencarnação, de muito longe, no tempo e no espaço.

De muito longe, qual viajor incansável, consciente, a excursionar de maneira estupenda, imbatível, desafiando os temporais do preconceito e diluindo as sombras da intolerância.

O Espiritismo, desenvolvendo, em nossos dias, as idéias contidas em “O Evangelho segundo o Espiritismo” e em “O Livro dos Espíritos”, através do labor mediúnico de Francisco Cândido Xavier, faz com que o princípio reencarnacionista brilhe no coração da Humanidade, empolgue consciências, ocupe lugar de excepcional relevo nas galerias culturais e no pensamento de eminentes homens do nosso século.

A admissão de outros planetas habitados, por exemplo, cria mais um ponto de conexão entre a Ciência clássica e o ensino palingenésico, sabido como é que a evolução, para se completar, envolve conhecimentos e virtudes que num só mundo, como a Terra, ou numa só encarnação, não podem ser obtidos. É pouco tempo, mesmo que centenárias fossem todas as existências, para uma bagagem, de saber e moral, que assegure ao Espírito a condição de perfeito.

Almas que transitaram por aqui e por mundos equivalentes, realizam, atualmente, em planos estelares, fecundas experiências, aprimorando manifestações de Amor, no rumo da universalização para a qual estamos marchando, ao ritmo penoso de provas acerbas.

O consenso da maioria, em nossa época, representa atualização da tese reencarnacionista.

Indivíduos ferrenhos inclinam-se a aceitá-la por único recurso capaz de logicamente explicar o mundo e a vida, os seres e a evolução que lhes compete efetivar, ao preço de consecutivas experiências e laboriosas acumulações de ordem moral e cultural.

Para que se harmonizem Amor de Deus e fenômenos humanos, em suas múltiplas manifestações, necessária se torna a aceitação do postulado básico, pedra angular da filosofia espírita: “Necessário vos é nascer de novo”, preceito evangélico que a Doutrina dos Espíritos realça, em páginas indeléveis.

Os salutares efeitos da reencarnação se fazem sentir no passo-a-passo, no dia-a-dia da existência.

Nos lares que se organizam e se sustentam nas motivações reencarnacionistas, apesar da distonia de seus componentes, misericordiosamente reunidos no cadinho da vivência em comum, entre as quatro paredes de uma casa, para que se reestruture o passado.

Nos grupos de trabalho que se esforçam na compreensão mútua, ao preço da contenção de impulsos, a fim de que obras respeitáveis não sofram solução de continuidade.

Fenômenos os mais surpreendentes, no campo social, reformulando estruturas antigas, aclaram-se, tão logo lhes apliquemos o prisma reencarnacionista.

Com a explicação das vidas que se interligam, neste e noutros mundos, em perfeito encadeamento, tudo se faz claro, tudo se torna simples.

Teimam alguns homens em não aceitar a reencarnação. Mas, em cada ser humano que pense com isenção, sem má-fé, nem preconceito, o imperativo é formal: reencarnação, reencarnação…

Assim o cremos.

Por ela, o triunfo espiritual de todos nós.

Leiamos Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Com a reencarnação e o progresso a que dá lugar, todos os que se amaram tornam a encontrar-se na Terra e no Espaço e juntos gravitam para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles perda de toda esperança. Ajudados, encorajados e amparados pelos que os amam, um dia sairão do lodaçal em que se enterraram. Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre os encarnados e desencarnados, e daí o estreitamento dos laços de afeição”.

Escreve o mestre lionês, em “O Livro dos Espíritos”: “Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova”.

Emmanuel concita-nos no sentido de que, entendendo a vida e os problemas a ela afetos, busquemos o farol do amor e do entendimento, do bom ânimo e da paz, da solidariedade e do amparo aos que partilham, conosco, os caminhos evolutivos: “Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia”.

O sentido de eternidade do Evangelho reside na própria afirmativa do Divino Mestre: “Passarão o céu e a terra, porém jamais passarão as minhas palavras”.

“O Evangelho segundo o Espiritismo”, como repositório das lições morais do Cristo e pelo exame que faz, em alguns capítulos, do problema reencarnacionista, desafia o tempo e sintetiza leis que se não derrogam.

Ê a própria Lei de Amor que, na Terra e em todos os mundos, rege o destino das humanidades, conduzindo o Espírito imortal às culminâncias da luz.

“O Livro dos Espíritos”, condensando a filosofia do Espiritismo, oferece a chave explicativa dos aparentemente inexplicáveis fenômenos humanos.

Emmanuel, popularizando o ensino evangélico-doutrinário, supre a humanidade, em nossos dias e para o futuro, do alimento espiritual de que tanto carecemos.

O mais evidente testemunho do prestígio e atualidade desses livros é a sua preferência, pelo público brasileiro, dentre as demais obras da Codificação.

Se houvesse superação de seus ensinos; ou se fossem livros que não atendessem às profundas necessidades humanas, estariam, decerto, nas prateleiras das livrarias, desestimulando os editores e entristecendo-nos a todos.

Edições esgotam-se, vertiginosamente, tão logo entregues ao mercado, constituindo, inclusive, lisonjeiro registro quando surge a reclamação de que ambos estão em falta nas livrarias! E assim, exemplar a exemplar, ou aos montes, vão sendo postos à cabeceira de famílias e mais famílias, espíritas ou não, cultas ou apenas alfabetizadas, que lhes absorvem, sequiosas, todas as noites, como prelúdio do sono, o sublime conteúdo.

Benditas as inteligências e os corações desencarnados que os transmitiram, para as sombras da Terra, ausentando-se, temporariamente, em missão sacrificial, dos Celestes Páramos.

Nosso tributo de gratidão a Allan Kardec, valoroso missionário que os corporificou para o mundo sedento de luz.

Nosso reconhecimento, na mesma dimensão, às almas generosas e lúcidas que, pelos condutos da mediunidade sublimada, dão-lhes, em nossos dias, incontestável atualidade, possibilitando caírem sobre as pepitas luminosas das obras codificadoras lições refertas de orientação e consolo.

Nossas almas, em comovedora genuflexão, agradecem a Deus e a Jesus.

Abençoado o formoso diálogo de Jesus com Nicodemos e glória a “O Livro dos Espíritos”, no dedicar opulentos capítulos à palingenesia.

Martins Peralva

Livro: O Pensamento de Emmanuel – 7

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Palingenesia

Martins Peralva

PALINGENESIA

LE – Questão 167: Qual o fim objetivado com a reencarnação?

– Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a Justiça?

“Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia.” – Emmanuel

* * *

O apreciador de assuntos transcendentes encontrará, em o Novo Testamento, diversas passagens em que Jesus se refere à reencarnação em termos tão claros que ninguém, em sã consciência, lhes pode atribuir ambígua interpretação.

Dentre elas, é extraordinário, a nosso ver, o formoso diálogo do Celeste Benfeitor com Nicodemos, que culmina na asserção “necessário vos é nascer de novo”.

Deparou a reencarnação, em seu caminho, o que se nos afigura natural, tremendos obstáculos.

E não temos dúvidas de que os encontrará sempre, até que se afirme, plenamente, no consenso universal, impondo-se, como já acontece esporadicamente, pelas constatações irretorquíveis.

Perquirições científicas, criteriosas, umas, apaixonadas, outras.

Obstáculos religiosos e objeções filosóficas.

Preconceitos sócio raciais.

Barreiras humanas que ruirão, no entanto, à medida que os fatos, comprovados pela Ciência e por todos observados, desmoralizarem a negação, ridiculizarem a oposição por sistema, liquidarem as distorções de exegese.

Negar a lógica da reencarnação, tentando esconder-lhe as fulgurações misericordiosas, será, no porvir, tão insensato quanto negar a presença do homem na ribalta do mundo.

Ninguém pode esconder esta verdade: as idéias reencarnacionistas, por mais consentâneas com a razão, ganham terreno no pensamento humano, mercê da ampliação dos valores culturais.

As indagações da Filosofia, as pesquisas da Ciência e as conjeturas da Religião vão conduzindo o espírito do homem para inequívocas, insofismáveis conclusões ligadas ao problema do Amor e da Justiça de Deus.

O Pai não teria nosso carinho e nossa gratidão se, para O entendermos, não nos tivessem fornecido a chave das vidas sucessivas.

Conceitos clássicos, a respeito da Vida, do Homem e do seu destino dentro da Eternidade não podem escapar a reformulações baseadas na filosofia espírita, levando as criaturas mais aferradas às religiões tradicionalistas, ou os céticos inveterados, a meditarem, mais profundamente, sobre problemas do cotidiano que, sem a hermenêutica reencarnacionista, jamais seriam explicados.

As diversidades na paisagem humana.

As diferenciações culturais. O gênio e o idiota.

Os desequilíbrios psicofísicos.

Os seres anatomicamente bem conformados.

Os fenômenos de teratologia, perene desafio à medicina.

Os contrastes raciais. Sociais. Econômicos.

Todas essas aparentes anomalias nos conduziriam a um Deus cruel, impiedoso, frio, pior do que os homens menos justos, não existisse a reencarnação, que a tudo aclara, que a tudo torna simples.

Na mais longínqua antiguidade, encontramos o pensamento reencarnacionista iluminando civilizações.

Na Índia, com os Vedas, há milhares de anos. Bramanismo e Budismo dão-lhe curso glorioso.

O Egito, na opinião de muitos orientalistas, absorveu do povo hindu a civilização e a fé, incorporando ao seu patrimônio cultural a pluralidade das existências.

Na Grécia, a par dos poemas órficos, Platão, o amado discípulo de Sócrates, conclama: “Almas divinas! Entrai em corpos mortais; ide começar uma nova carreira. Eis aqui todos os destinos da vida. Escolhei livremente; a escolha é irrevogável. Se for má, não acuseis por isso a Deus”. Nele encontramos, ainda, o “aprender é recordar”, evidente alusão às vidas preexistentes.

Na Gália, com os druidas.

No Cristianismo e, mais tarde, nas mais notáveis figuras do Catolicismo: Agostinho, Gregório de Nice, Clemente de Alexandria, Orígenes e outros.

Em todos, a Lei sábia, equânime, infalível, plenificada de Amor e Justiça Incorruptível, nas oportunidades de redenção e aperfeiçoamento.

Vem, pois, a reencarnação, de muito longe, no tempo e no espaço.

De muito longe, qual viajor incansável, consciente, a excursionar de maneira estupenda, imbatível, desafiando os temporais do preconceito e diluindo as sombras da intolerância.

O Espiritismo, desenvolvendo, em nossos dias, as idéias contidas em “O Evangelho segundo o Espiritismo” e em “O Livro dos Espíritos”, através do labor mediúnico de Francisco Cândido Xavier, faz com que o princípio reencarnacionista brilhe no coração da Humanidade, empolgue consciências, ocupe lugar de excepcional relevo nas galerias culturais e no pensamento de eminentes homens do nosso século.

A admissão de outros planetas habitados, por exemplo, cria mais um ponto de conexão entre a Ciência clássica e o ensino palingenésico, sabido como é que a evolução, para se completar, envolve conhecimentos e virtudes que num só mundo, como a Terra, ou numa só encarnação, não podem ser obtidos. É pouco tempo, mesmo que centenárias fossem todas as existências, para uma bagagem, de saber e moral, que assegure ao Espírito a condição de perfeito.

Almas que transitaram por aqui e por mundos equivalentes, realizam, atualmente, em planos estelares, fecundas experiências, aprimorando manifestações de Amor, no rumo da universalização para a qual estamos marchando, ao ritmo penoso de provas acerbas.

O consenso da maioria, em nossa época, representa atualização da tese reencarnacionista.

Indivíduos ferrenhos inclinam-se a aceitá-la por único recurso capaz de logicamente explicar o mundo e a vida, os seres e a evolução que lhes compete efetivar, ao preço de consecutivas experiências e laboriosas acumulações de ordem moral e cultural.

Para que se harmonizem Amor de Deus e fenômenos humanos, em suas múltiplas manifestações, necessária se torna a aceitação do postulado básico, pedra angular da filosofia espírita: “Necessário vos é nascer de novo”, preceito evangélico que a Doutrina dos Espíritos realça, em páginas indeléveis.

Os salutares efeitos da reencarnação se fazem sentir no passo-a-passo, no dia-a-dia da existência.

Nos lares que se organizam e se sustentam nas motivações reencarnacionistas, apesar da distonia de seus componentes, misericordiosamente reunidos no cadinho da vivência em comum, entre as quatro paredes de uma casa, para que se reestruture o passado.

Nos grupos de trabalho que se esforçam na compreensão mútua, ao preço da contenção de impulsos, a fim de que obras respeitáveis não sofram solução de continuidade.

Fenômenos os mais surpreendentes, no campo social, reformulando estruturas antigas, aclaram-se, tão logo lhes apliquemos o prisma reencarnacionista.

Com a explicação das vidas que se interligam, neste e noutros mundos, em perfeito encadeamento, tudo se faz claro, tudo se torna simples.

Teimam alguns homens em não aceitar a reencarnação. Mas, em cada ser humano que pense com isenção, sem má-fé, nem preconceito, o imperativo é formal: reencarnação, reencarnação…

Assim o cremos.

Por ela, o triunfo espiritual de todos nós.

Leiamos Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “Com a reencarnação e o progresso a que dá lugar, todos os que se amaram tornam a encontrar-se na Terra e no Espaço e juntos gravitam para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles perda de toda esperança. Ajudados, encorajados e amparados pelos que os amam, um dia sairão do lodaçal em que se enterraram. Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre os encarnados e desencarnados, e daí o estreitamento dos laços de afeição”.

Escreve o mestre lionês, em “O Livro dos Espíritos”: “Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova”.

Emmanuel concita-nos no sentido de que, entendendo a vida e os problemas a ela afetos, busquemos o farol do amor e do entendimento, do bom ânimo e da paz, da solidariedade e do amparo aos que partilham, conosco, os caminhos evolutivos: “Não encomendes, pois, embaraços e aversões à loja do futuro, porque, a favor de nossa própria renovação, concede-nos o Senhor, cada manhã, o sol renascente de cada dia”.

O sentido de eternidade do Evangelho reside na própria afirmativa do Divino Mestre: “Passarão o céu e a terra, porém jamais passarão as minhas palavras”.

“O Evangelho segundo o Espiritismo”, como repositório das lições morais do Cristo e pelo exame que faz, em alguns capítulos, do problema reencarnacionista, desafia o tempo e sintetiza leis que se não derrogam.

Ê a própria Lei de Amor que, na Terra e em todos os mundos, rege o destino das humanidades, conduzindo o Espírito imortal às culminâncias da luz.

“O Livro dos Espíritos”, condensando a filosofia do Espiritismo, oferece a chave explicativa dos aparentemente inexplicáveis fenômenos humanos.

Emmanuel, popularizando o ensino evangélico-doutrinário, supre a humanidade, em nossos dias e para o futuro, do alimento espiritual de que tanto carecemos.

O mais evidente testemunho do prestígio e atualidade desses livros é a sua preferência, pelo público brasileiro, dentre as demais obras da Codificação.

Se houvesse superação de seus ensinos; ou se fossem livros que não atendessem às profundas necessidades humanas, estariam, decerto, nas prateleiras das livrarias, desestimulando os editores e entristecendo-nos a todos.

Edições esgotam-se, vertiginosamente, tão logo entregues ao mercado, constituindo, inclusive, lisonjeiro registro quando surge a reclamação de que ambos estão em falta nas livrarias! E assim, exemplar a exemplar, ou aos montes, vão sendo postos à cabeceira de famílias e mais famílias, espíritas ou não, cultas ou apenas alfabetizadas, que lhes absorvem, sequiosas, todas as noites, como prelúdio do sono, o sublime conteúdo.

Benditas as inteligências e os corações desencarnados que os transmitiram, para as sombras da Terra, ausentando-se, temporariamente, em missão sacrificial, dos Celestes Páramos.

Nosso tributo de gratidão a Allan Kardec, valoroso missionário que os corporificou para o mundo sedento de luz.

Nosso reconhecimento, na mesma dimensão, às almas generosas e lúcidas que, pelos condutos da mediunidade sublimada, dão-lhes, em nossos dias, incontestável atualidade, possibilitando caírem sobre as pepitas luminosas das obras codificadoras lições refertas de orientação e consolo.

Nossas almas, em comovedora genuflexão, agradecem a Deus e a Jesus.

Abençoado o formoso diálogo de Jesus com Nicodemos e glória a “O Livro dos Espíritos”, no dedicar opulentos capítulos à palingenesia.

Martins Peralva

Livro: O Pensamento de Emmanuel – 7

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Os Dependentes de Antidepressivos

Andrei Moreira

OS DEPENDENTES DE ANTIDEPRESSIVOS

É muito grande o número de pessoas viciadas em antidepressivos, ansiolíticos, bebidas e drogas pesadas. O que você poderia falar para essas pessoas?

“Toda dependência é uma busca de aplacar o vazio interior através de coisas externas. Mas esse vazio interior, que nós todos temos, só é aplacado pela presença do autoamor. O vazio é um vazio do amor, mas esse amor que nos falta não é o amor que vem do outro, é o amor que vem de dentro, é o amor que a gente pode se dar.

Então, para o tratamento e a profilaxia de qualquer processo de dependência, é importante ensinar as pessoas a se valorizarem, se respeitarem, se gostarem. A estabelecerem relações familiares honestas em que as pessoas dialoguem, conversem, estejam atentas umas às outras e partilhem suas emoções, mostrando-se, não de forma idealizada, mas de forma honesta, real, ensinando cada um a ver, em todos nós, luz e sombra, beleza e feiúra, coisas positivas e negativas. Nós precisamos aprender a acolher esses dois lados, aprendendo a transformar aquilo que não amamos em nós e a valorizar e desenvolver aquilo que há de bom, de positivo.

A depressão passa pela não aceitação da vida. Há uma mensagem subliminar no depressivo que é: “como não tenho a vida que desejo, não aceito a vida que tenho”. Há também uma mensagem da arrogância, da prepotência de acreditar que, ferindo a si mesmo, fere a própria sociedade, fere o mundo. Muitas vezes, por trás da depressão, há culpas e processos autopunitivos profundos, em virtude da ausência da humildade, em se permitir aceitar a vida como pode ser e de recomeçar quantas vezes forem necessárias para se alcançar a felicidade.

No tratamento da depressão, é importante abordar a questão do desenvolvimento da aceitação da vida, da submissão ativa a Deus. Isso significa “aceitar a vida tal como ela está, mas fazendo tudo para se buscar aquilo que se deseja”, sem abandonar o prazer de viver, sem entrar naquela tristeza patológica, aquela tristeza excessiva que se configura como estado depressivo.

Os antidepressivos são muito úteis quando bem indicados durante um certo período, mas não podem virar uma muleta, eles não são a pílula da felicidade, não podem ser a fonte que nos dão a realização íntima, que aplacam a nossa dor.

Nós temos, hoje, na nossa sociedade, uma medicalização excessiva, um uso abusivo de medicamentos, porque não aprendemos a lidar com naturalidade com as nossas emoções. O medo, a tristeza, a raiva, a alegria são emoções básicas, e nós temos que aprender a lidar com elas. Quando não lidamos de forma natural é que elas adoecem, se transformando em mágoa, em pânico, em euforia ou em depressão.

Na nossa sociedade, observamos que há um excesso de medicalização das emoções naturais. Tão logo a pessoa fica triste, já entra com um antidepressivo, um ansiolítico para que ela evite lidar com sua ansiedade ou sua tristeza.

Mas a ansiedade e a tristeza são situações naturais da vida, que até um determinado nível são muito positivas e que nos falam muito a respeito de nós mesmos. É importante que o autoconhecimento guie o processo, pra que entendamos o que está acontecendo na nossa alma e na nossa vida.

Marta Medeiros fala, de uma forma muito bela, que a tristeza é o quartinho do fundo onde a gente analisa a nossa vida. E é isso que nós temos que aprender: a estudar nossas emoções, nossas características, para retirar delas ensinamentos preciosos a respeito de nós mesmos e do outro e, com isso, nos tornarmos pessoas melhores.”

Andrei Moreira

Fonte: Kardec Rio Preto

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Importância da Evangelização Espírita Infanto-juvenil

Ana Paula Januário

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”. (KARDEC, 2013).

Deus, que é justo e misericordioso, nos dá a oportunidade de reparar os equívocos cometidos em existências anteriores e desenvolver novos aprendizados através da reencarnação. Nesse processo, o Espírito inicia uma nova vida em uma forma corporal diferente, a qual possui diversas fases de desenvolvimento; uma delas é a infância, sendo essa a mais importante.

A fase infantil é um período que tem impacto direto no desenvolvimento e na pessoa adulta que a criança se tornará, além de ser uma fase que ela está mais acessível às impressões que recebe e que podem ajudar no seu adiantamento (KARDEC, 2008, questão 383). Como afirmam os Espíritos na questão 385 do “Livro dos Espíritos”, a delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devem fazê-los progredir. É nessa fase que se lhes pode reformar o caráter e reprimir os maus pendores.

Tendo em mente essas informações, vale ressaltar a importância da Evangelização Espírita infantojuvenil que está voltada ao estudo da Doutrina Espírita e à vivência do Evangelho de Jesus junto à criança e ao jovem. É uma ação que tem como objetivo oferecer ao evangelizando a oportunidade de se perceber como ser integral, crítico, consciente, participativo, herdeiro de si mesmo, cidadão do universo, agente de transformação de seu meio, rumo a toda perfeição de que é suscetível, além de promover a integração consigo mesmo, com o próximo e com Deus (FEB, 2021).

Dessa forma, oferecer os conhecimentos da Doutrina, o entendimento da prática das boas obras, situá-lo no universo como colaborador da divindade suprema na fase inicial da sua existência, preparando-o para enfrentar todos os momentos e adversidades da vida nos postulados do Evangelho para que possa desempenhar seus compromissos e edificar a nova sociedade do amanhã, é de máxima relevância, principalmente para os pais e orientadores Espíritas. Com isso, a ascendência de um educador torna-se imprescindível, como cita Dora Incontri quando definiu a educação como:

“[…] toda influência exercida por um Espírito sobre outro, no sentido de despertar um processo de evolução. Essa influência leva o educando a promover autonomamente o seu aprendizado moral e intelectual. Trata-se de um processo sem qualquer forma de coação, pois o educador apela para a vontade do educando e conquista-lhe a adesão voluntária para uma ação de aperfeiçoamento. Educar é, pois, elevar, estimular a busca da perfeição, despertar a consciência, facilitar o progresso integral do ser”. (INCONTRI, 2003).

Em consequência disso, algumas pessoas podem se questionar: Em matéria de religião, não seria mais recomendado a plena liberdade dos filhos? E devemos lembrar que a criança é um Espírito reencarnado, que assim como nós tem uma bagagem acumulada ao longo de sua trajetória, e que o principal objetivo do Espírito nascer no corpo de uma criança novamente é ser educado mais uma vez. É o período que, até aos sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo, não existindo uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica (XAVIER, 2016). Como cita Emmanuel na questão 113 no livro “O Consolador” de Francisco Cândido Xavier:

“O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais espíritas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida. Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com indiferença. O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado. A própria reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo? Além disso, os pais espíritas devem compreender que qualquer indiferença nesse particular pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade. Deve nutrir-se o coração infantil com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus. Agir contrariamente a essas normas é abrir para o faltoso de ontem a mesma porta larga para os excessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime. Os pais espíritas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.”

Portanto, que a cada dia estejamos mais dispostos a participar da educação dos nossos filhos, instruí-los para que a mente amplie a compreensão das coisas e possam viver uma vida mais feliz e significativa, mais equilibrada e consciente de suas funções diante da transformação e edificação da nova Terra, em mundo de regeneração.

“Evangelização espírita é Sol nas almas, clareando o mundo inteiro sob as constelações das estrelas dos Céus, que são os Bem-aventurados do Senhor empenhados em Seu nome, pela transformação urgente da Terra, em mundo de regeneração e paz.” Amélia Rodrigues

Ana Paula Januário

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIA

CEERJ. Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro. Infância e Juventude. Disponível em: https://www.ceerj.org.br/portal/evangelizacao/infancia. Acesso em 28 jul. 2021.

FEB (Federação Espírita Brasileira). O que é Evangelização Espírita Infantojuvenil, 2012. Disponível em: https://www.febnet.org.br/blog/geral/estudos/o-que-e-evangelizacao-espirita-infantojuvenil/. Acesso em 11 jul. 2021.

INCONTRI, Dora. A educação segundo o espiritismo. Bragança Paulista: Editora Comenius, 2003.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008.

KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 56 ed. Brasília: FEB, 2013.

XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2016.

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Passe Virtual e Passe em Casas Espíritas

Graziele Cruzado

O passe Espírita consiste em transmitir boas energias, e assim corroborar com uma ação fluídica benéfica, além de auxiliar em diversos desequilíbrios, incluindo ansiedade e problemas do sono.

O passe é realizado quando Espíritos auxiliadores se conectam com o médium e, por intermédio deste, conduzem fluidos positivos a quem está buscando recebê-los (VIVEIROS, 2021). Para tirar o maior proveito possível desse momento, é necessário, preferencialmente, que a pessoa que está a receber o passe esteja relaxada e com os sentimentos tranquilos.

Nesse sentido, o ambiente da Casa Espírita para receber o passe é preparado para trazer calma e paz para os seus frequentadores.

No entanto, quando não é possível frequentá-la (durante nossa quarentena, por exemplo), podemos contar com uma ferramenta incrível para nos ajudar: a internet e os passes virtuais.

O ambiente da Casa Espírita, além de ser preparado para acalmar, nos coloca também em contato com pessoas das quais gostamos e com as quais costumamos nos conectar, o que é mais difícil no passe virtual.

Com os passistas à nossa volta auxiliando-nos a manter vibrações altas e de positividade para atrair Espíritos bons, é mais fácil manter o pensamento elevado, pois a energia nos conecta.

Porém, em situações como a que vivemos hoje, é indispensável procurar outras maneiras de se conectar.

Uma das formas que encontramos foi justamente a realização de lives para estudo do evangelho, e também a aplicação de passes virtuais (alguns também em lives, e outros, gravados).

Num primeiro instante, pode parecer estranho receber um passe virtual, e claro que todos nós sentimos saudades do “jeito tradicional”.

No entanto, é plenamente possível que o passe virtual nos traga tanto bem-estar e harmonia quanto o passe presencial, desde que tenhamos consciência de que este depende ainda mais de mantermos centrados nossos pensamentos no bem, e, assim conseguirmos nós mesmos nos conectar aos bons Espíritos e receber suas energias.

Com alguns cuidados podemos tornar o passe virtual parte do nosso dia a dia, obtendo o máximo de proveito. O primeiro passo é “limpar” nossas emoções.

Respirar fundo, contando até dez, sem focar em problemas e preocupações pouco antes do momento de receber o passe, ajuda a acalmar e relaxar o seu corpo.

Caso possível, reservar um dos sete dias da semana para a realização do Evangelho no Lar seria de grande valia, pois ajuda a manter nossa casa cercada de boas energias e vibrações positivas, além de nos manter em contato com os ensinamentos da Doutrina. Também é importante procurar um lugar em sua casa que seja silencioso e onde você fique confortável.

Durante o passe, foque seus pensamentos em energias positivas, na troca fluídica que está acontecendo, e sinta a energia penetrando você, deixe-se preencher por essa luz. Comece a elevar sua frequência vibratória, procurando manter seu pensamento voltado para Deus.

Mentalize a ideia de que está se limpando, passando as pontas dos dedos da cabeça até as extremidades do seu corpo, e procure perceber seu corpo e os efeitos dos seus movimentos.

Isso é muito importante, pois no passe virtual o ambiente vai depender muito mais de nós, e devemos vigiar nossas emoções e pensamentos, pois são nossos bons sentimentos que vão nos ajudar a atrair os bons Espíritos para perto de nós.

Como relatado na Revista Espírita, de maio de 1866: “Feliz aquele cujos sentimentos partem de um coração puro; espalha em seu redor como uma suave atmosfera, que faz amar a virtude e atrai os Espíritos bons; seu poder de irradiação é tanto maior quanto mais humilde for, isto é, mais desprendido das influências materiais que atraem a alma e a impedem de progredir”. – Luís de França. (P&R, 2021).

Quando esse momento de provação na Terra passar, e podermos novamente nos encontrar nos Centros Espíritas, teremos muitas trocas para fazer, e, para que estejamos bem mental e espiritualmente, o passe virtual bem realizado é uma ferramenta excepcional.

Graziele Cruzado

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

P&R: Os bons sentimentos atraem os bons Espíritos? Projeto Conhecer, Sentir, Viver Kardec. Disponível em: http://luzdoespiritismo.com/perguntas-e-respostas/pr-o-bons-sentimentos-atraem-os-bons-espiritos. Acesso em: 13 maio 2021.

VIVEIROS, Juliana. Passe espiritual – Conheça mais sobre o que se trata.  iQuilibrio. Disponível em: https://www.iquilibrio.com/blog/espiritualidade/espiritismo/passe-espiritual/. Acesso em: 10 maio 2021.

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A Força do Pensamento

Aryanne Karine

A FORÇA DO PENSAMENTO

O pensamento é fonte oculta de direcionamento de nossos passos, sem ao menos percebermos. Através dele temos acesso a inúmeros caminhos, ferramentas e possibilidades que, por vezes, ao aplicarmos o piloto automático em nossa vida, acabamos sendo levados pelas consequências daquilo que pensamos e, por conseguinte, emanamos. E é sobre isso que vamos falar hoje, a força que emana daquilo que achamos estar seguro em nosso íntimo, onde, com a errônea e vaga visão, acabamos limitando que nosso pensar a só nós mesmos pertence, quando, na verdade, o pensamento é energia. Essa energia é emanada através do fluido cósmico universal e recebida ou pela pessoa que estamos a pensar, ou pelos Espíritos desencarnados que são atraídos pela energia de nossos pensamentos e permanecem conosco, por um processo como um ímã que traz, para junto de nós, os afins que vibram na mesma sintonia.

Para exemplificar esse ponto de uma forma bem simplista, quando estamos pensando em festa, bebidas e diversão, iremos atrair, por sintonia, Espíritos que, mesmo após o desencarne, permanecem no vício e na vontade de se deliciar com esses prazeres que tinham enquanto encarnados. Esses Espíritos, por sua vez, fomentam em nós ainda mais vontade e desejo em festas e bebidas, formando uma teia que prende o indivíduo que ainda não aprendeu as armadilhas em que esses desencarnados nos colocam, ou que, mesmo que tenham aprendido, não vigiam seus atos e, principalmente, pensamentos, para assim se manter em equilíbrio. O exemplo pode se estender ainda mais, para pensamentos sexuais, por exemplo, atraindo Espíritos que queiram sugar a energia que puderem, ou, como outros exemplos, Espíritos avarentos que ainda se ligam aos bens materiais, ou os que ainda estão em um estado de evolução primitivo que carregam em si, no plano Espiritual, sentimentos como ódio e revolta, e que se ligam pelo pensamento conosco, encarnados, quando emanamos também esse tipo de pensamento.

Tudo começa por nós e nossos instintos íntimos, começa dentro de nossas cabeças e corações com as intenções que vagam no universo pelo nosso pensar. Apesar de pouco notado, é no pensamento que iniciam todas as ações e é imprescindível que o vigiemos a cada instante, pois através dele é que flui a energia em que estamos mergulhados. Como quando, por exemplo, entramos em algum ambiente onde houve uma discussão, seja qual for o motivo, e sentimos a energia pesada do local, energia essa que começou através daquilo que a pessoa em questão pensou e sentiu, e, por fim, dispersou pelo ambiente, ainda que inconsciente de tal processo. O fluido cósmico universal, que se encontra em todo espaço, é energia primária para criação de tudo que é animado e inanimado, orgânico e inorgânico, material e Espiritual. Tudo parte desse princípio que ocupa o espaço, sendo, então, através desse fluído, a comunicação e força que o pensamento possui para emanar e atrair os afins de nossa vibração. E isso é retratado no quinto livro da codificação Espírita, o livro A Gênese, onde Kardec nos elucida que, apesar de ser o intermediário do pensamento, ele não é o pensamento em si, mas o agente que o transporta e dá vida, onde, mesmo confundindo-os como sendo um só, são distintos entre si:

As propriedades do fluído perispitual dão-nos disso uma ideia. Ele não é inteligente por si mesmo porque é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e percepções do espírito. O fluído perispitual não é o pensamento do espírito, mas o agente e o intermediário desse pensamento. Sendo ele o que transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido. Na impossibilidade em que nos achamos de isolar o pensamento, parece-nos que ele faz coro com o fluído, dando a entender que são uma coisa só, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluído se torna inteligente. (KARDEC, 2013, p. 54).

Todavia, muito além de ser o veículo de transmissão do nosso pensamento, transformando-o em energia, é através desse fluido também que nossas preces são sentidas por Deus, ainda quando a proferimos em nosso íntimo, sendo Deus onipresente através do seu fluido perispitual, e, sobre isso, na sequência de A Gênese, Kardec menciona:

Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, Deus não precisa lançar o olhar do alto a intensidade. Para que nossas preces sejam ouvidas, não precisam transpor o espaço, nem serem ditas com voz retumbante, porque, estando Deus continuamente ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente. (KARDEC, 2013, p. 55).

Não é à toa que Jesus eternizou em seus lábios a frase “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (BÍBLIA ONLINE, 2021), pois é através da vigília e da compreensão da força e poder que carregamos em nosso pensar que deixamos de ser reféns de processos de obsessão, ou de auto obsessão, onde nós mesmos é que entravamos o nosso progresso, e passamos a ser conscientes de tudo que os nossos pensamentos são capazes de fazer.

E, mesmo achando que já é o suficiente, ainda há muitos aprendizados que podemos extrair da doutrina consoladora dos Espíritos, referentes aos nossos pensamentos. Como, por exemplo, a viagem entre tempo e espaço, possível a Espíritos que dominam essa faculdade, mas acessível a todos que querem desenvolvê-la. E, para esclarecer melhor esse tema, trazemos também do livro A Gênese o seguinte trecho:

Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se um limite qualquer para ele e porque, apesar da dificuldade com que nos defrontamos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer. (KARDEC, 2013, p. 90).

E também esse trecho do livro O Céu e o Inferno:

O mundo espiritual está em toda a parte, em torno de nós e no espaço, sem qualquer limite. Por terem natureza fluídica, os seres que compõem o mundo espiritual, em vez de se arrastar penosamente sobre o solo, transpõem grandes distâncias, com a rapidez do pensamento. (KARDEC, 2013, p. 33).

Um exemplo claro sobre essa viagem no tempo e espaço através do pensamento é o desdobramento, que se define por uma faculdade anímica, onde o Espírito se desliga parcialmente do corpo e, com a ajuda da Espiritualidade superior, auxilia em trabalhos diversos, com Espíritos sofredores, suicidas ou também estudando e se desenvolvendo no plano Espiritual.

Além de todas essas explicações pertinentes ao poder do pensamento, podemos ainda acrescentar que é através dele que, ao pensar em determinado Espírito que se encontra desencarnado, conseguimos mandar fluidos necessários para seu refazimento, ou mesmo uma ajuda e luz caso esteja em momento de perturbação. Tudo fruto dessa ligação poderosa que se dá iniciando em nosso pensar. Não só para amparo aos desencarnados, mas é através também das intenções que iniciam pelo pensamento que ocorrem os processos de curas mediúnicas, passes e todo auxílio ao corpo físico que necessita da troca de fluidos, feito pelo médium, que utiliza da força do seu pensamento para manipular as energias necessárias.

Podemos imaginar que, assim como os benéficos, nossos pensamentos sombrios também atravessam a linha de nosso íntimo e vagam no espaço ao encontro daqueles que pensamos, sejam eles encarnados ou não. O sentimento ruim acaba por formar laços ainda maiores e mais embaraçosos de romper quando despertarmos para a necessidade de buscar amor ao nosso próximo. É imprescindível que aprendamos a vigiar e compreender ainda mais sobre o quanto nosso pensamento influencia nas companhias ao nosso redor, assim como na nossa colheita futura, pois, apesar de acharmos que somente nossas ações são sementes que lançamos à espera do colher que estará por vir, também é de nossa responsabilidade a consequência daquilo que emanamos pelo nosso pensar.

E, justamente por isso, os Espíritos nos elucidam que:

A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza. (KARDEC, 2002, p. 184).

Ao conseguirmos controlar nossas ações primitivas, que voltemos nosso olhar para aquilo que estamos pensando, que busquemos a pureza nas ações e em nosso pensar, para, assim, estarmos certos de percorrer o caminho da porta estreita, que poucos são os que percorrem, mas que os Espíritos nos mostram ser o único caminho para elevação do nosso próprio Espírito.

Aryanne Karine

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

BÍBLIA ONLINE. João 8:32. Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/acf/busca?q=jo%C3%A3o+8%3A32. Acesso em 20 de maio de 2021.

KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 5ª ed. Francesa. Brasília: Editora FEB, 2013.

KARDEC, Allan. O céu e o inferno: a justiça divina segundo o Espiritismo. Tradução de Maria Ângela Baraldi. 2ª ed. São Paulo: Mundo Maior Editora, 2013.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 120ª ed. Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002.

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Eutanásia em Animais

Rafaela Paes de Campos

 EUTANÁSIA EM ANIMAIS

Os animais de estimação, nossos pets, diferentemente do que ocorria no passado, hoje são tratados como verdadeiros membros da família. A evolução humana e a responsabilidade que ela tem em relação ao cuidado com esses seres indefesos leva a maioria de nós a trata-los com amor e carinho, embora ainda existam os que judiam e maltratam os animaizinhos, cometendo um crime tanto sob a ótica espiritual quanto da justiça terrena.

De acordo com o que nos ensina O Livro dos Espíritos em sua questão 602, os animais não estão sujeitos à expiação dos erros cometidos no passado (KARDEC, 2018, p. 206). Essa informação é corroborada pelo livro Os Animais na Obra de Deus, em que Dra. Irvênia discorre a respeito de ensinamento de Chico Xavier que aduz que “nem mesmo os animais violentos são punidos pelos seus atos, mas sim reconduzidos ao aprendizado do amor, suportando as disciplinas e restrições necessárias” (ANDRADE, 2020, p. 199).

A realidade que nos traz a Espiritualidade com suas informações é a de que tudo o que os animais, e nós, sofremos, corresponde a Lei de Progresso:

Os sofrimentos dos animais pertencem aos aprendizados necessários para cumprirem a lei do progresso, a qual estão sujeitos, porém eles não progridem por vontade própria. A liberdade dos animais é limitada e não estão sujeitos à expiação, progredindo assim por força (FEAL, 2018, on-line).

Assim sendo, diante dessa ausência de liberdade em progredir, resta clara a informação de que nós seres humanos somos os responsáveis por cuidar e auxiliar os animais em seu progresso. A nós é dada a missão de proteger, cuidar e garantir que eles tenham uma encarnação proveitosa e feliz. Trata-se de um bem que fazemos a estes que são indefesos e menos elevados do que nós na escala espírita (FEAL, 2018, on-line).

Desta forma, quando nos deparamos com a realidade dessa nossa obrigação, muitos se questionam a respeito da eutanásia animal, quando se tira a vida daquele que se encontra enfermo.

A eutanásia animal consiste na ação de um médico veterinário que, diante de tal decisão, aplica anestésicos que inibem a dor vivida pelo animal e tira-lhe a consciência. Quando a dose letal é injetada no corpo do animalzinho, a equipe espiritual então presta assistência auxiliando no desencarne (FEAL, 2018, on-line).

O médico veterinário e escritor espírita, Marcel Benedeti explica-nos que a eutanásia pode sim ocorrer quando esgotadas todas as alternativas médicas de tratamento e cura. Quando ocorrida nesse contexto, não há qualquer reprovação moral na sua execução, eis que a medicina terrena já não oferece recursos para amenizar os sofrimentos do animal (FEAL, 2018, on-line).

Entretanto, relembrando nosso dever de cuidado junto a esses irmãos, a eutanásia, quando praticada por comodidade, é sim reprovável. Por exemplo, há lugares em que se sacrifica animais que não foram adotados dentro de um período predeterminado, há pessoas que sacrificam seus pets por não ter paciência suficiente para realizar os cuidados que ele demanda (FEAL, 2018, on-line).

Em tudo há que haver bom senso! Se a nós cabe o papel de auxiliar os bichinhos na sua evolução, precisamos proporcionar a eles os meios de ter uma vida saudável. Quando esses meios não mais existem, a eutanásia é alternativa para amenizar as dores daqueles que não possuem dívidas a serem pagas… Caso contrário, é erro, eis que temos racionalidade e inteligência já bastante desenvolvidas.

Rafaela Paes de Campos

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

ANDRADE, Geziel. Os animais na obra de Deus. 3ª reimp. Maio 2020 – Capivari/SP – Editora EME.

FEAL. Eutanásia de Animais na Visão Espírita. 2018. Disponível em: https://tvmundomaior.com.br/eutanasia-de-animais-na-visao-espirita/. Acesso em: 06 de dezembro de 2021.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo – 23ª reimp. nov. 2018, Capivari/SP: Editora EME.

NOTA :

Embora este artigo simplifique razões óbvias para que pratiquemos eutanásia em animais, pensamos que existe ainda muito o que aprender para termos certeza absoluta de certas coisas, especialmente, quando se trata da vida de qualquer ser, seja ele racional ou irracional, uma vez que a dor e o sofrimento não se dão apenas para o resgate de débitos do pretérito, mas, também, para seguir em frente na nossa jornada progressiva. A dor, muitas vezes, provém de um sofrimento necessário para que se possa ir em frente ultrapassando nossas próprias barreiras interiores, ferindo nossas emoções para fortalecer a base de nossos sentimentos.

Lembramos, também, que eventualmente Espíritos superiores que nada tem a resgatar renascem entre nós unicamente para nos auxiliar em nosso progresso humano e passam por momentos de dor e aflição.

Pensemos nisso.

LP

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Obsessão

Joanna de Ângelis

CONCEITO

Distúrbio espiritual de longo curso, a obsessão procede dos painéis íntimos do homem, exteriorizando-se de diversos modos, com graves consequências, em forma de distonias mentais, emocionais e desequilíbrios fisiológicos.

Inerentes à individualidade que lhe padece o constrangimento, suas causas se originam no passado culposo, em cuja vivência o homem, desatrelado dos controles morais, arbitrariamente se permitiu consumir por deslizes e abusos de toda ordem, com o comprometimento das reservas de previdência e tirocínio racional.

Amores exacerbados, ódios incoercíveis, dominação absolutista, fanatismo injustificável, avareza incontrolável, morbidez ciumenta, abusos do direito como da força, má distribuição de valores e recursos financeiros, aquisição indigna da posse transitória, paixões políticas e guerreiras, ganância em relação aos bens perecíveis, orgulho e presunção, egoísmo nas suas múltiplas facetas são as fontes geratrizes desse funesto condutor de homens, que não cessa de atirá-los nos resvaladouros da loucura, das enfermidades portadoras de síndromes desconhecidas e perturbantes do suicídio direto ou indireto que traz novos agravamentos àquele que se lhe submete, inerme, à ação destrutiva.

Parasita pertinaz, a obsessão se constitui de toda ideia que se fixa de fora para dentro – como na hipnose, por sugestão consciente ou não, como pela incoercível persuasão de qualquer natureza a que se concede arrastar o indivíduo. Ou, de dentro para fora, pela dominadora força psíquica que penetra e se espraia, no anfitrião que a agasalha e sustenta, vencendo-lhe as débeis resistências.

Originária, às vezes, da consciência perturbada pelas faltas cometidas nas existências passadas, e ainda não expungidas – renascendo em forma de remorsos, recalques, complexos negativos, frustrações, ansiedades -, impõe o auto-supliciamento, capaz, de certo modo, de dificultar novos deslizes, mas ensejando, infelizmente, quase sempre, desequilíbrios mais sérios…

Possuindo o homem os fatores predisponentes para o seu surgimento e fixação (os débitos exarados na mente espiritual culpada), faculta uma simbiose entre as mentes, encarnadas ou desencarnadas, mas de maior incidência na esfera entre o Espírito desatrelado do carro somático e o viandante da névoa carnal, constituindo tormento de larga expansão que, não atendido convenientemente, termina por atingir estados desesperadores e fatais.

Sendo, todavia, a morte, apenas um corolário da vida, em que aquela confirma esta, compreensível é que o intercâmbio incessante prossiga, não obstante a ausência da forma física. Viajando pelo perispírito, veículo condutor das sensações físicas na direção do Espírito e, vice-versa, mensageiro das respostas ou impulsos deste no rumo do soma, esse corpo semimaterial, depositário das forças impregnantes das células, constitui excelente campo plástico de que se utiliza a Lei para os imprescindíveis reajustes daqueles que, por distração ou falta de siso, desrespeito ou abuso, ambição ou impiedade se atrelaram às malhas da criminalidade.

O comércio mental funciona em regime de amplas perspectivas, seja no plano físico, seja nas esferas espirituais; ou reciprocamente.

Não sendo necessário o cérebro para que a mente continue o seu ministério intelectual, constituindo o encéfalo tão-somente o instrumento de exteriorização física, mentes e mentes ligam-se e se desligam em conúbios contínuos, incessantes, muito mais do que seria de supor-se.

O que é normal entre os homens não muda após o decesso corporal.

Há sempre alguém pensando noutrem. O estabelecimento dos contatos como a continuidade deles é que podem dar curso aos processos obsessivos ou lenificadores, consoante seja a fonte emissora.

Através da Física Moderna, em ligeiro exame, podemos constatar que, à medida que a matéria foi perquirida, experimentou desagregação, até quase total extinção da ideia de estrutura.

Dos conceitos medievais aos hodiernos, há abismos de conhecimento, viandando da constituição bruta à quintessência. Em consequência, a Terra e tudo que nela se encontra ora se converte em ondas, raios, mentes, energias …

Da ideia simples, que insiste, perseverante, à fascinação estonteante, contínua, até à subjugação vencedora, a obsessão é, em nossos dias, o mais terrível flagelo com que se vê a braços a Humanidade… Esperando por condições próprias, quais cogumelos bravos e venenosos, multiplica-se assustadoramente, conclamando-nos todos à terapêutica imediata, cuidadosa, e a medidas preventivas, inadiáveis, antes que os palcos do mundo se convertam em cenários nefandos de horror e desastre.

DESENVOLVIMENTO

A História é testemunha de obsessões cruéis.

Atormentados de todo porte desfilaram através dos tempos, vestindo indumentárias masculinas e femininas, em macabros festivais, desde as guerras sanguissedentas a que se entregavam às dominações mefíticas, cuja evocação produz estupor nas mentes desacostumadas à barbárie.

Não somente, todavia, nos recuados tempos do passado.

Não há muito, a Humanidade foi testemunha da fúria obsessiva dos apaniguados do racismo hediondo, que nos campos de concentração de diversas nações modernas praticaram os mais selvagens e frios crimes contra o homem e a sociedade, consequentemente contra Deus.

Isto porque a obsessão não se desenvolve somente nos chamados meios vis, em que imperam a ignorância, o primitivismo, o analfabetismo, os sofrimentos cruciais.

Medra, também, e muito facilmente, entre os que são fátuos, os calculistas e imediatistas, neles desdobrando, em virtude das condições favoráveis da própria constituição espiritual, os sêmens da perturbação que já conduzem interiormente.

Estigma a pesar sobre cabeças coroadas, a medrar em berços de ouro e nácar, a fustigar conquistadores, a conduzir perversos, esteve nos fastos históricos aureolada de poder e ovacionada pela febre da loucura, condecorando homicidas e destruindo-os depois, homenageando bárbaros e destroçando-os, em voragens nas quais se consumiam, em espetáculos inesquecíveis pela aberração de que davam mostras.

Ferrete cravado em todos aqueles que um dia se mancomunaram com o crime, aparece nas mentes e corpos estiolados, arrebentando-se em expressões teratológicas dolorosas, exibindo as feridas da incúria e da alucinação.

Não apenas no campo psíquico a obsessão desarticulou, no passado, heróis e príncipes, dominadores e dominados, mas, também, nas execrações físicas de que não se podiam furtar os criminosos, jugulando-os às jaulas em que se fazia necessário padecerem para resgatar.

Hoje, em pleno século da tecnologia, em que os valores éticos sofrem desprestígio, a benefício dos valores sem valor, irrompe a obsessão caudalosa, arrastadora, arrancando o homem das estrelas para onde procura fugir, a fim de fixá-lo ao solo que pensa deixar e que se encontra juncado de cadáveres, maculado de sangue, decorrência de suas múltiplas e incessantes desídias..

OBSESSÃO E JESUS

Ensinando mansuetude e renúncia, quando o mundo se empolgava nas luzes de Augusto; precedido pelos arregimentadores da paz e da concórdia, que mergulharam na carne para lhe prepararem o advento, Jesus viveu, todavia, os dias em que a força estabelecia as bases do direito e o homem era lacaio das paixões infrenes, vitimado pelas loucas ambições da prepotência e das guerras…

Embora as luzes do pensamento filosófico de então, a espocarem em vários rincões, o ser transitava, ainda, das expressões da selvageria à civilidade, acobertado por vernizes ténues de cultura, em que o orgulho vão mantinha supremacia, dividindo as criaturas em castas e subcastas, a expensas de preconceitos muito enganosos.

A Sua mensagem de amor, no entanto, sobrepairou além e acima de todas as conceituações que chegaram antes, e a força do Seu verbo, na exemplificação tranquila quão eloquente de que se fez expoente, abalou a pouco e pouco os falsos alicerces da Terra, injetando estrutura salutar e poderosa sobre a qual ergue, há vinte séculos, o Reino da Plenitude…

Nunca se escutara voz que se Lhe assemelhasse.

Jamais se ouviu canção que transfundisse tal esperança.

Outra vez não voltaria o murmúrio sublime de tão comovedora musicalidade…

Ninguém que fizesse o que Ele fez.

Nenhuma dádiva que suplantasse a que Ele distribuiu.

Pelo tanto que é, tornou-se também o Senhor dos Espíritos, penetrando os meandros das mentes obsidiadas e arrancando de lá as matrizes fixas, por meio das quais os Espíritos impuros se impunham àqueles que lhes estavam jugulados pelos débitos pesados do pretérito.

Não libertou, no entanto, os obsidiados sem lhes impor a necessidade de renovação e paz, por meio das quais encontrariam o lenitivo da reparação da consciência maculada pelas infrações cometidas. Nem expulsou, desapiedadamente, os cobradores inconscientes. Antes entregou-os ao Pai, a Quem sempre exorava proteção, em inigualável atitude de humildade total.

Apesar disso, os que O cercavam, fizeram-se por diversas vezes instrumento de obsessões temporárias, a fim de que pudéssemos compreender, mais tarde, a nossa própria fragilidade, afastando assim pretensões e regimes de exceção. Enérgico ou meigo, austero ou gentil, cônscio da Sua missão, ensinou que a terapêutica mais poderosa contra obsessões e desgraças é a do amor, pela vivência da caridade, da renúncia e da auto-sublimação.

Prevendo o futuro de dores que chegaria mais tarde, facultou-nos o Consolador para que todos que “nele cressem não perecessem, mas tivessem a vida eterna”.

Enquanto as luzes da cultura parecem esmaecidas pelo sexo em desconcerto, de que se utilizam os Espíritos infelizes para maior comércio com os homens; pelos estupefacientes e alucinógenos em báratro assustador, que facultam mais amplas possibilidades ao conúbio entre os Espíritos dos dois lados da vida; pela aflição na conquista da posse, que estimula o exercício exagerado de paixões de vário porte; pela fuga espetacular à responsabilidade, que engendra o desrespeito e acumplicia o homem às torpes vantagens da carne ligeira; pela desesperação do gozo de qualquer matiz, que abre as comportas do vampirismo destruidor, o Consolador chega lucilando ao mundo e acenando novos métodos de paz para os que sofrem, e esses sofredores somos quase todos nós.

Obsidiados, obsessões, obsessores!

Ei-los em toda parte, para quem os pode identificar.

Em arremedos de gozadores, padecem ultrizes exulcerações íntimas.

Sorrindo, têm a face em esgares.

Dominando, se revelam vencidos por incontáveis mazelas que brotam de dentro e se exteriorizam mais tarde em feridas purulentas, nauseantes…

Mais do que nunca, a oração do silêncio e a voz da meditação, no rumo da edificação moral, se fazem tão necessárias!

Abrir a mente à luz e o coração ao amor, albergando a família padecente dos homens, de que fazemos parte, é o impositivo do Cristo para todos os que crêem e, especialmente, para os espiritistas, que possuímos os antídotos eficazes contra obsessões e obsessores, com o socorro aos obsidiados e seus perseguidores, sob a égide de Jesus.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Estudos Espíritas – 19

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