Espiritismo e Pobreza

Martins Peralva

ESPIRITISMO E POBREZA

LE – Questão 166: Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?

R – Sofrendo a prova de uma nova existência.

Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição. – Emmanuel

* * *

Os hindus denominam-na “roda dos nascimentos”.

Os espíritas dão-lhe o nome de “reencarnação”.

Emmanuel, em linguagem expressiva e bela, aponta-a por “benção do recomeço”.

Com este ou aquele nome, a volta ao corpo constitui, evidentemente, oportunidade para que o Espírito eterno corrija o passado, pelo bom proceder no presente, edificando, assim, para o futuro, a felicidade e a iluminação.

As provas terrenas são necessárias para que a alma, depurando-se no cadinho terrestre, alcance seu glorioso destino: resgatar débitos e construir a vida melhor, no Reino da Luz Imortal.

Não sendo limitado o número das existências corporais, o Espírito virá ao plano físico quantas vezes se fizerem necessárias, dando, de cada vez, “um passo para diante na senda do progresso”.

Uma das provas mais difíceis é a da pobreza, quanto o é a da riqueza.

Na primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta.

Na segunda, a do abuso dos bens da vida, deturpando-lhe os augustos objetivos.

Podemos dizer que três seriam as causas gerais que levam o homem ao estado de pobreza, aqui na Terra:

a) – Prova espontaneamente solicitada.

b) – Resgates expiatórios.

c) – Efeitos do próprio livre-arbítrio, após a reencarnação.

Espíritos realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito, podem solicitar a prova da pobreza, como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou a realização de tarefas.

Algumas vezes, o mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a pedir condição oposta, com o que espera ressarcir abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações, para as quais não se sinta convenientemente forte.

As provas solicitadas resultam de méritos do Espírito, que pode, inclusive, escolher ambiente social e grupo familiar para neles realizar a experiência de que se julga necessitado.

Quando não há, de sua parte, qualquer mérito, a lei dos resgates compulsórios funciona, levando-o à expiação de faltas que ficaram no Livro da Vida, as quais lhe acompanham o quadro de necessidades.

O livre-arbítrio do homem pode levá-lo à pobreza, sem que se avoquem, precedentes espirituais, causas ligadas ao pretérito.

Falta de estímulo para as lutas humanas pode conduzi-lo à miséria.

Preguiça ou irresponsabilidade são fatores que, fatalmente, o conduzirão à dificuldade material.

Desapreço aos bens da Natureza, que florescem, exuberantes, por toda parte, pode ser o responsável pelos insucessos humanos.

Estudadas, assim, as causas gerais da pobreza, que a podem converter em miséria, pelo mau uso do livre-arbítrio, analisemos, agora, as conseqüências, não da miséria, mas da pobreza digna.

Aquele que, em provação ou resgate, reencarna em condições penosas, sob o ponto de vista material, deve suportá-las resignadamente, atento aos frutos espirituais que colherá no porvir.

Um dos grandes benefícios que o homem obterá, na vivência modesta e organizada, será o fortalecimento do caráter, uma vez que uma existência laboriosa não deixa, via de regra, tempo para que desrespeite os dons da vida.

A obrigatoriedade do trabalho, mantendo-o, incessantemente, ligado a compromissos irreversíveis, na esfera profissional, sedimentar-lhe-á as boas qualidades.

Suportando, resignada e confiantemente, a pobreza honrada, conquista o homem a meta prevista antes da reencarnação: acrisolamento de qualidades, realização de tarefas ou resgate de débitos.

Mais livre, pessoalmente, é o homem pobre.

Não responde por vastos patrimônios econômico-financeiros, que lhe exigiriam mais tempo, mais lutas, mais preocupações.

Suas responsabilidades limitam-se ao trabalho que realiza em determinado espaço de tempo.

Terminado o dia de labor, é homem livre para ir aonde deseja.

Essa idéia de liberdade pessoal dá-lhe, também, maior felicidade interior.

Com as naturais exceções de regra, o homem que luta e sofre, obtendo, ao preço de copioso suor, o sustento diário, tem maior visão de Deus e de Seu Amor, da amizade sincera e das coisas.

O pobre tem, geralmente, sob o ponto de vista das próprias necessidades e aspirações, uma vida mais simples, se a resignação – não a acomodação – é-lhe uma constante espiritual. Daí ter afirmado Emmanuel, a respeito de Jesus: “Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição”.

Bons são os resultados da pobreza “resignadamente suportada”.

Maus, quando “suportada sob revolta”.

A revolta na pobreza é, sempre, um desastre para a alma, eis que impõe a necessidade de repetição da experiência, acrescida de responsabilidades.

Como se vê, a compreensão doutrinária, à luz do Evangelho, do problema da pobreza, é de grande valia para que o homem triunfe e alcance, vitoriosamente, a meta espiritual a que se destina, ou renove a experiência.

Se bem suportada, sem revolta, nem queixas, nem desestímulos, terá o homem vencido, em função da Vida Mais Alta.

Martins Peralva

Livro: Pensamento de Emmanuel – 6

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Os cinco maiores arrependimentos na hora da morte

Fernando Rossit

OS CINCO MAIORES ARREPENDIMENTOS NA HORA DA MORTE

Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por Bronnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte.

A Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Einstein – que comentou, de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira abaixo.

1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim.

“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia.

“É um sentimento muito frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as nossas próprias escolhas”, explica a médica.

“Muitas pessoas reclamam de que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem. Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e as dificuldades”, conta.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.

“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra.

“Mas o mais grave é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o tempo”, afirma.

“Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão e recomeçar”.

3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos.

“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar. O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta.

“À medida que uma doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa, mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram necessárias”.

“A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas. Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as pessoas”, explica a médica.

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.

“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma relação de apoio”, explica.

“Não há nada de errado em ter uma família que não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas significativas e especiais, como os momentos com os amigos”.

“Dependendo da doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento, precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos amigos”, afirma.

5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz.

“Esse arrependimento é uma consequência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”.

“Não é uma questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes também”, explica.

“A minha experiência mostra que esse arrependimento é muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do ponto de vista existencial”, alerta.

Dica da especialista

“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”.

“Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”.

De acordo com Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”, conclui a médica.

Faço uma consideração que considero muito importante: seja feliz porque é um direito seu. Mas, lembrando Chico Xavier, não se permita magoar ninguém nem prejudicar pessoa alguma, pois a felicidade que buscará será um sopro, algo fugaz. Não há como ser feliz fazendo outras pessoas infelizes. Esse é o nosso maior equívoco. “Felicidade é o fruto da felicidade que se semeia no próximo”, como diz o Espírito André Luiz.

Fernando Rossit

Fonte: Kardec Rio Preto

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Lembrando de Vidas Passadas

Priscila Gonçalves

Aquele que adentra a Doutrina dos Espíritos, em algum momento durante sua jornada, normalmente no início dela se faz uma pergunta: será que eu consigo saber quem eu fui em outra vida?

É natural essa curiosidade, uma vez que este é um sentimento inerente ao ser humano, sempre buscando respostas e explicações sobre as questões existenciais e do universo, tentando explorar outras experiências, espécies, habitats. Às vezes alguns buscam as chamadas terapias de regressão, conduzidas por terapeutas e profissionais da área da psicologia devidamente especializados neste assunto, já que se trata de uma questão muito delicada ao explorar a mente do indivíduo. Nunca se sabe o que se pode encontrar e, neste ambiente, em condições pouco favoráveis, um trauma pode ser engatilhado, causando catástrofes inimagináveis.

Kardec, no momento da codificação do pentateuco, questionou à Espiritualidade acerca das lembranças de vidas passadas. Presente em O Livro dos Espíritos, vejamos:

392. Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado? Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, ele é mais ele mesmo. (KARDEC, 2009. p. 144).

Sabiamente, nos é esclarecido que o véu do esquecimento (leia mais sobre esse tema clicando aqui) auxilia a sustentar nossa sanidade mental e nos possibilita, assim, o progresso. Imaginem agora a seguinte a situação: um indivíduo inserido em uma família que tem lá seus desacertos, lembra que, em determinado momento, seu pai tirou a sua vida e de todos os familiares de forma brutal. A pessoa então, muito provavelmente, sem o devido esclarecimento, passará a nutrir sentimentos nem um pouco saudáveis pelo pai, vendo-o como um grande inimigo que a qualquer instante pode agir da mesma maneira, e ele, então, resolve tirar a vida do pai, antes que ele repita a crueldade praticada séculos antes.

Conseguem, queridos leitores, imaginar o quão trágico seria se isto acontecesse? Conseguem entender que este véu que, por amor, Deus nos concedeu, nos dá uma nova oportunidade para refazer laços, reparar erros cometidos contra nós próprios e contra outrem?

Temos, a cada vida que entramos, uma nova oportunidade de nos aprimorar e dar ouvidos à nossa intuição, que, claramente, são nossos amigos espirituais disponíveis para nos auxiliar em nosso caminho.

393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que se não lembra? Como pode aproveitar da experiência de vidas de que se esqueceu? Concebe-se que as tribulações da existência lhe servissem de lição, se recordasse do que as tenha podido ocasionar. Desde que, porém, disso não se recorda, cada existência é, para ele, como se fosse a primeira e eis que então está sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus? Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal. Onde o seu mérito se se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta à vida primitiva (a vida espírita), diante dos olhos se lhe estende toda a sua vida pretérita. Vê as faltas que cometeu e que deram causa ao seu sofrer, assim como de que modo as teria evitado. Reconhece justa a situação em que se acha e busca então uma existência capaz de reparar a que vem de transcorrer. Escolhe provas análogas às de que não soube aproveitar, ou as lutas que considere apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores que o ajudem na nova empresa que sobre si toma, ciente de que o Espírito que lhe for dado por guia nessa outra existência se esforçará pelo levar a reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das em que incorreu. Tendes essa intuição no pensamento, no desejo criminoso que frequentemente vos assalta e a que instintivamente resistis, atribuindo, as mais das vezes, essa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais, quando é a voz da consciência que vos fala. Essa voz, que é a lembrança do passado, vos adverte para não recairdes nas faltas de que já vos fizestes culpados. Na nova existência, se sofre com coragem aquelas provas e resiste, o Espírito se eleva e ascende na hierarquia dos Espíritos, ao voltar para o meio deles. (KARDEC, 2009. p. 144).

Não temos, via de regra, a lembrança do que houve (a não ser em raríssimos casos, e quanto ocorrem ou quando são reveladas, é algo natural e de acordo com o merecimento de cada um), mas dispomos do planejamento reencarnatório, assunto este que consideramos primordial para o bom entendimento do homem acerca de sua existência, podendo, assim, compreender onde e com quem temos faltas a sanar. Neste processo, que ocorre junto à Espiritualidade Superior na preparação para nossa existência, somos orientados amorosamente por nossos amigos, e em especial, por aquele Espírito amigo que é designado para nos acompanhar na jornada a partir da nossa chegada a este mundo, nosso mentor espiritual (ou anjo guardião). Sabemos, e podemos, dependendo de nosso grau evolutivo, escolher por quais principais provas vamos passar, em qual família vamos nos inserir e, com o passar dos anos e gradualmente adquirindo mais inteligência, o que necessitamos mudar.

É um trabalho um tanto quanto árduo, uma vez que temos que ultrapassar os limites que nosso ego nos impõe, e até mesmo traços de personalidade que nos fazem acreditar que somos mais especiais que outros, que derivam de puro orgulho e excesso de amor próprio mal trabalhado. Mas, mais uma vez, dando ouvido às intuições, observando os cenários a que somos submetidos, observando as pessoas que entram em nossas vidas, permanecendo por longo tempo ou não, e também nossos padrões de comportamento, pensamentos, emoções e sentimentos, temos uma noção de que tipo é nossa personalidade e, com isso, não necessariamente descobrimos quem fomos, mas podemos ter uma noção de como nos comportamos no passado.

Há alguns relatos de casos sobre pessoas foram submetidas a sessões de terapia de regressão para auxiliar no tratamento de fobias graves, que interferiam em demasia em sua qualidade de vida. Com ressalvas, um bom aconselhamento, e muito estudo e entendimento, acreditamos que pode ser de uma utilidade superior, para o auxílio em uma enfermidade mais séria, quando o caso. No geral, é desaconselhável, principalmente quando se trata de uma mera curiosidade. Este cenário não é nem um pouco saudável para o indivíduo e, como dito anteriormente, pode ser catastrófico.

O que podemos fazer é confiar na Providência, confiar em nossos amigos espirituais e em nós mesmos, e na nossa capacidade de transmutar, na medida em que somos capazes, os maus sentimentos, pensamentos, emoções e traços em bons, e refletir isto para a humanidade, reparando nossas faltas.

Priscila Gonçalves

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

CARVALHO, Evelyn Freire de. A Imortalidade da Alma. 1ª. ed. Campos dos Goytacazes: Letra Espírita, 2020.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capivari: EME, 2020.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 182. ed. [S. l.: s. n.], 2009.

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O que nossos olhos não veem na câmara de passe?

Antônio Carlos Navarro

Dando sequência a um ensaio anterior, onde explicitamos as atividades desenvolvidas na câmara de passe dos Centros Espíritas, queremos voltar nossa atenção para a condição pessoal dos trabalhadores espirituais envolvidos porque, ao adentrarmos os Centros, por qualquer motivo que seja, costumamos fazê-lo com olhos voltados para a rotina de trabalho, muitas vezes sem nos atentarmos para a estrutura espiritual presente.

Em geral, quando buscamos o auxílio, o fazemos sem olhos para os socorristas espirituais.

Habituamo-nos com a presença deles e, até confiamos, sem imaginar quais são suas credenciais.

Utilizando-nos ainda do livro Missionários da Luz (1), encontramos o Benfeitor André Luiz dando notícia da formação pessoal de cada trabalhador do plano espiritual, especificamente vinculados ao passe, ao retransmitir esclarecimentos do instrutor Alexandre:

“Aqueles nossos amigos são técnicos em auxílio magnético que comparecem aqui para a dispensação de passes de socorro. Trata-se dum departamento delicado de nossas tarefas, que exige muito critério e responsabilidade.”

André Luiz interroga:

“Esses trabalhadores apresentam requisitos especiais?”

E Alexandre detalha:

“Sim, na execução da tarefa que Lhes está subordinada, não basta a boa vontade… Precisam revelar determinadas qualidades de ordem superior e certos conhecimentos especializados…

…manter um padrão superior de elevação mental contínua.

…necessita ter grande domínio sobre si mesmo, espontâneo equilíbrio de sentimentos, acendrado amor aos semelhantes, alta compreensão da vida, fé vigorosa e profunda confiança no Poder Divino.”

Decorrente das informações de Alexandre é admissível estendermos, no todo ou em parte, as mesmas características para os trabalhadores espirituais das demais atividades desenvolvidas por eles junto a nós outros encarnados.

Estamos, portanto, sob a atenção de personalidades altamente qualificadas, moral e tecnicamente, que desenvolvem suas atividades aplicada e amorosamente no anonimato, e por isso as lições que podemos extrair desse fato são variadas.

Precisamos atentar, com reverência, para o sentido da caridade espiritual praticada por eles, ao representarem a misericórdia divina no atendimento de nossas necessidades de socorro.

Também seria o caso de nos conscientizarmos a respeito do que poderíamos fazer, por nossa vez, para auxiliá-los em seus misteres, seja atendendo os requisitos da melhora íntima, reformando nosso comportamento, seja cerrando fileiras como voluntários no fortalecimento das equipes de trabalho formadas pelos encarnados.

De qualquer forma, o que não vemos nos ambientes de socorro espiritual e que, de fato, existe, são equipes em trabalhos altamente especializados que, sob as bênçãos do Senhor Jesus, que buscam aliviar-nos, espíritos ainda endividados que somos, reclamando de nós outros, o respeito e a gratidão pelo esforço alheio realizados em nosso favor.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte: kardecriopreto.com.br

Referência Bibliográfica:

(1) Missionários da Luz, cap. 19, Francisco C. Xavier/André Luiz.

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Guerra

Eduardo Battel

GUERRA

A Humanidade ao longo de sua história já passou por inúmeras guerras e, atualmente, grande parte do mundo fica triste e apreensiva pela guerra da Rússia e Ucrânia. Em uma guerra, principalmente se forem usadas armas nucleares ou de destruição em massa, não existe um vencedor, todos serão perdedores.

O que a Doutrina Espírita nos fala sobre a guerra? A questão número 742 de O Livro dos Espíritos nos explica: “Qual a causa que leva o homem à guerra? Resposta: Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos só conhecem o direito do mais forte, daí por que, para eles, a guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, a guerra se torna menos frequente, porque ele evita suas causas. E, quando se torna necessária, sabe fazê-la com humanidade”.

O mundo teve uma evolução tecnológica muito grande, principalmente nas últimas décadas, porém, ela nem sempre é acompanhada de uma evolução moral por parte de algumas pessoas. Assim, temos indivíduos com um conhecimento técnico muito grande, mas que fazem mau uso dele, tomando decisões muito erradas do ponto de vista moral. André Luiz nos fala através da mediunidade de Chico Xavier no livro Nosso Lar: “Infelizes dos povos que se embriaguem com o vinho do mal; ainda que consigam vitórias temporárias, elas servirão somente para lhes agravar a ruína, acentuando-lhes as derrotas fatais. Quando um país toma a iniciativa da guerra, encabeça a desordem da Casa do Pai, e pagará um preço terrível”.

A guerra nunca será o caminho preferido pela Espiritualidade Superior, que sempre se esforça em tentar evitá-la. Ela orienta os seus causadores, através do pensamento, a não seguirem por esse caminho equivocado. Porém, todos temos o livre-arbítrio e a decisão final é sempre de cada um. A guerra é somente a preferência do homem pela força à razão. A questão número 745 de O Livro dos Espíritos nos mostra: “Que se deve pensar daquele que promove a guerra em benefício próprio? Resposta: Esse é o verdadeiro culpado. Precisará de muitas existências para expiar todos os assassínios dos quais foi a causa, pois responderá por cada homem cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição”.

E sobre as pessoas que são obrigadas a participarem de uma guerra, muitas vezes contra a sua vontade? E se elas, durante a batalha, se virem sem outra opção a não ser tirar a vida uma ou mais pessoas, que são seus semelhantes? Ela será realmente culpada perante a Consciência Universal? A questão número 749 de O Livro dos Espíritos no esclarece: “O homem é culpado pelos assassínios que comete durante a guerra? Resposta: Não, quando ele é constrangido pela força; mas é culpado pelas crueldades que cometa, e ser-lhe-á levado em conta o sentimento de humanidade”. Concluímos, dessa forma, que o assassinato em si não é o problema numa situação de guerra e sim qual a intenção por trás daquele ato. Se foi praticado com crueldade e/ou prazer ou se foi praticado pela simples necessidade de sobrevivência.

Até quando haverá guerra em nosso planeta? Kardec nos esclarece na questão número 743 de O Livro dos Espíritos: “A guerra desaparecerá, algum dia, da face da Terra? Resposta: Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, todos os povos serão irmãos”. Quando todos tivermos consciência que não existem diferenças entre as pessoas, que somos seres universais, filhos do mesmo Pai e praticarmos o amor que nosso modelo e guia Jesus Cristo tanto nos ensinou, então não haverá mais guerra. Emmanuel nos disse: “O mau permanecerá na Terra até que o amor tome posse dos corações dos homens”.

E nós aqui no Brasil, que estamos distantes do conflito e não participamos diretamente dele, o que devemos fazer? Temos que manter a confiança em Deus, sabendo que ele nunca nos abandona. Tenhamos fé, mantendo um padrão vibracional de amor, emitindo bons pensamentos para todos que estão sofrendo com essa terrível guerra, desejando que eles tenham forças para passar por essa situação muito difícil.

 Eduardo Battel

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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Influências espirituais em nossa vida

Maria José

INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS EM NOSSA VIDA

O que é obsessão espiritual?

É a influência negativa que espíritos desencarnados (de pessoas que já morreram) exercem sobre nós em vários períodos da vida. Quase todos nós sofremos essa influência, que nem sempre ocorre com a intenção de nos prejudicar, mas que acaba por trazer sérias alterações em nossos psiquismo e sentimentos.

É um processo natural de troca/associação entre os que vivem no plano espiritual e no plano físico.

Com muita frequência somos nós que atraímos essas influências.

Por que ela ocorre?

Uma das causas mais comuns das obsessões é a vingança de atitudes nossas nas vidas passadas, nas quais fizemos mal a alguém e essa pessoa (agora desencarnada ou até encarnada) não nos perdoou.

Daí podemos concluir que essas influências não ocorrem só de desencarnados para encarnados, mas também de encarnado para encarnado.

Ao desencarnar (morrer) essa pessoa, quase sempre, chega muito mal no plano espiritual. Guarda profunda mágoa e rancor de quem a feriu.

Assim que toma consciência de que morreu, busca o “inimigo” no plano espiritual e até no plano físico, em uma vida futura. Ao nos encontrar, passa a nos acompanhar com a intenção de se vingar.

Isso ocorre também entre nós, que estamos no plano físico, quando nos encontramos com pessoas que quase imediatamente, nos despertam desconforto e até antipatias profundas, vindo a se tornarem adversárias durante a vida.

Outra questão é o fato de que, se em uma vida passada fizemos mal a alguém e, inconscientemente, não conseguimos nos perdoar, temos um sentimento de culpa e ele vai servir uma predisposição para “sofrer” a influência desse(s) espírito(s).

É como se nós fossemos a tomada na parede e os espíritos o “plug” que se encaixa perfeitamente.

Se na atual existência mantemos a mesma conduta de egoísmo, falsidade e desrespeito pelo direito alheio, estamos abrindo portas para sofrer de forma mais ampla essa influência.

Agora, todo tipo de vício ou condutas inadequadas (sexo, bebida, drogas, maledicência, desonestidade, desregramentos, etc.) atraem espíritos que desencarnaram dependentes ou vinculados a essas experiências, pois no plano espiritual eles ainda continuam intensamente dependentes e necessitados delas.

Assim, mesmo aqueles que não têm nenhuma relação de vidas passadas conosco, nos procuram para usufruir das emanações energéticas desses vícios, dificultando muito nossa recuperação.

Essas influências espirituais ocorrem por sintonia vibratória quando usufruímos desregradamente de qualquer substância ou vivemos compulsivamente algum aspecto da vida.

Como nos proteger dessa influência?

Antes de tudo, manter nossa fé em Deus e buscar desenvolver nossa espiritualidade dentro de qual filosofia ou religião que tenha melhor afinidade com nossas crenças.

A prece, feita com confiança absoluta de que Deus pode interceder por nós, é o ponto de partida.

Aceitar que, ao reencarnarmos (nascer de novo), temos o firme propósito de nos melhorar, de deixar de alimentar pensamentos, sentimentos e comportamentos que nos mantenham nas tendências ruins.

Mas se nosso desafetos espirituais nos encontram no firme propósito de mudar, eles podem até continuar a nos influenciar negativamente, mas só pelo fato de direcionar nossa vida para o caminho da ética moral, respeito ao semelhante e ajuda ao próximo, adquirimos uma estrutura interna para lidar com essa influência com mais resistência mental, emocional e autoridade espiritual.

Com o passar do tempo, vendo que a nossa conduta hoje é outra, aumentamos a possibilidade de que esse(s) espírito(os) veja(m) que realmente estamos buscando novos rumos, nos perdoe(m) e siga(m) seu caminho para uma nova encarnação.

Após decidirem por retomar sua caminhada, esse(s) espíritos(s) aos quais estamos ligados por dificuldades do passado, vão precisar sempre da nossa ajuda, pois é a forma de repararmos o mal que fizermos contra ele(s).

Não podemos tratá-lo(s) com inimigo(s) e sim como pessoa(s) a quem estamos devendo algo, uma vez que o(s) prejudicamos no passado. Fazer todos os esforços possíveis para nos afastarmos dos vícios e de comportamentos inadequados também vai nos ajudar a diminuir o interesse de espíritos que querem usufruir das nossas más atitudes.

Como não é fácil mudar o comportamento de uma hora para a outra, temos que nos manter firmes na determinação de trocar os hábitos, mesmo que leve uma vida inteira.

Se desencarnarmos um pouco melhor de quando reencarnamos, já teremos alcançado certo nível de progresso espiritual.

Sempre que nos encontrarmos com alguém que desperte uma antipatia gratuita, sem nunca ter nos causado qualquer mal, podemos ficar atentos e observar, ao longo de um tempo, se temos razão.

Conclusão:

A melhor forma de lidar com essas influências espirituais é fortalecer nossa fé em Deus para adquirir forças e mudar nossa conduta, cumprindo bem nossos compromissos conosco e com as outras pessoas (sem egoísmo que desculpe nossas atitudes), respeitando mais o direito do próximo, entendendo os limites das pessoas (pois cada um só dá o que tem), aceitando que cada um é diferente (mas independente disso pode ser capaz de ser bom do jeito dele), compreendendo essas diferenças (sem amar menos), e nunca perder a oportunidade de fazer o bem que já somos capazes de fazer.

Maria José

Fonte: Dufaux Editora

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Autismo – Um Olhar Espírita

Isabelle Oliveira

AUTISMO – UM OLHAR ESPÍRITA

Atualmente, 1 a cada 160 crianças tem algum tipo de TEA – Transtorno do Espectro Autista. Nos anos 2000, a estimativa era de que 2 ou 3 crianças a cada 10 mil tivessem TEA, sempre afetando mais meninos do que meninas. Contudo, isso não significa que o número de pessoas com autismo aumentou com o passar do tempo, apenas que a ciência avançou e novos estudos na área puderam colaborar para a identificação de casos de forma substancial.

O autismo é considerado um espectro por apresentar quadros diversos e em graduações diferentes em cada caso, indo de mais leves a mais graves, ou seja, não há um padrão de sintomas para todos os pacientes, os quais podem ter todos os sintomas ou apenas alguns. Estes podem a aparecer nos primeiros meses de vida, tendendo a persistir na adolescência e idade adulta.

Em linhas gerais, quem é diagnosticado com TEA apresenta distúrbios no desenvolvimento neurológico, afetando a comunicação e a socialização, além de mostrar um padrão de comportamento que se repete e se limita a assuntos e coisas de seu interesse. Considerado uma síndrome, por isso sem cura, clinicamente o TEA pode ser classificado em três grupos, que são:

  • Autismo Clássico: Aqui encontramos os casos mais graves. São crianças que não conseguem estabelecer contato visual, não usam a linguagem falada para se comunicar, não conseguem interagir socialmente, tendem a ter um comportamento mais isolado com movimentos repetitivos e aleatórios, com deficiência mental bastante acentuada, entendem tudo de forma literal, por isso não identificam metáforas e não conseguem interpretar ironias, piadas e etc. Requer cuidado mais intenso, com uma equipe multidisciplinar para conduzir seu tratamento, tanto para o melhor desenvolvimento do paciente, quanto para dar suporte aos cuidadores/família;
  • Autismo de Alto Desempenho ou Síndrome de Asperger: Possui as mesmas dificuldades de outros autistas, porém em grau bastante reduzido. Conseguem se comunicar verbalmente e são extremamente inteligentes em áreas de seu interesse, verdadeiros gênios. Ao passo que se seu nível de dificuldade de interação for menor, melhor será sua adaptação na sociedade;
  • Distúrbio Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (DGD-SOE): Tem dificuldade de comunicação e socialização; no entanto, não tem sintomas suficientes para se enquadrar em nenhuma das categorias, o que dificulta ainda mais o diagnóstico.

A ciência ainda não conseguiu descobrir ao certo o que causa o TEA, mas admite-se que haja fatores diversos que podem ser genéticos, ambientais e biológicos. É importante salientar que nenhuma vacina provoca o TEA, como falsos estudos tentaram apontar.

É fato que estamos na Terra com o objetivo específico da evolução do ser. Reencarnamos como precisamos para conseguir tal intento. Dessa forma também ocorre com nossos irmãos autistas e, os que são classificados como neurotípicos – pessoas com composição cerebral típica ou não autista –, têm a função de acolhê-los com amor, dando todo apoio necessário para sua evolução física e espiritual. Contudo, isso não significa que os neurotípicos sejam Espíritos mais evoluídos que os autistas, apenas que irão aprender com eles o amor por um novo prisma.

É possível observar que, no corpo físico, cada caso é um caso. Não existem dois autistas absolutamente iguais em sintomas e comportamentos e, da mesma forma, em condições espirituais e no que se pode conceber para que um Espirito reencarne com TEA.

Comumente, um Espírito reencarna com TEA para fazer uma reestruturação mental devido a comportamentos inadequados que praticaram em existências anteriores, sobretudo no que diz respeito às relações humanas, tendo praticado um olhar para com o próximo desprovido de empatia e carregado de orgulho, com traços de frieza. Não se trata de uma regra mas pode acontecer em alguns casos.

É possível também que, nos casos clássicos, a imersão do autista em seu próprio mundo, alheio ao seu mundo circundante, seja uma forma que o Espírito encontrou para fugir da realidade das ações que tenha praticado e queira simplesmente esquecer, fugir, tentando manter-se em um estado sonambúlico. Há casos em que se dá por uma reencarnação compulsória – quando o Espírito reencarna sem desejar –; assim, o Espírito escolhe não interagir, e quanto maior for a distância social, melhor. O corpo para ele é uma prisão e a existência é incômoda, assim prefere ficar ‘‘desligado’’ do mundo. É sempre importante que os cuidadores se esforcem para proporcionar estímulos que ajudem os autistas a se desenvolverem, mas, nesses casos em especial, é fundamental que se esforcem ainda mais para trazer esse Espírito para o convívio social, mesmo que seja apenas com familiares e amigos mais íntimos, sendo essencial no processo evolutivo.

São poucos os casos de autistas com missões específicas, mas existem e vieram para auxiliar a ciência em grandes avanços e pesquisas. Além disso, alguns também vêm para contribuir com seu DNA para futuras gerações, pois essas mutações genéticas serão benéficas para a humanidade a longo prazo. Esses autistas conseguem se estabelecer socialmente com mais facilidade.

O Espírito experimenta as limitações que o corpo físico oferece dentro do espectro autista e, quando regressa à pátria espiritual, ao se libertar do corpo físico, volta a ter suas faculdades, porém, com nova vivência e reestruturação mental. Deus é soberanamente bom e justo, sempre nos dá a oportunidade de melhorarmos, principalmente através da singularidade do amor.

Isabelle Oliveira

Fonte: Blog letra Espírita

Referências:

 AGUIAR, Vinicius. Definição. Associação de Amigos do Autista. Disponível em: https://www.ama.org.br/site/autismo/definicao/ . Acesso em 20/01/22.

 BRUNA, Maria Helena Varella. Transtorno do Espectro Autista (TEA).

 Drauzio Varella. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/transtorno-do-espectro-autista-tea/#top. Acesso em 20/01/22.

 CARVALHO, Evelyn Freire de. A Imortalidade da Alma. 1.ed. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora Letra Espírita, 2020.

COSTA, Vitor Ronaldo; LUCENA, Gustavo Henrique. Mentomagnetismo e Espiritismo – Distonias mentias e obsessão. 2 vol.1 ed. Matão, SP: Casa Editora O Clarim, 2019.

DEFINIÇÃO – Transtorno de Espectro Autista (TEA) na criança.Ministério da Saúde – Linhas de Cuidado – Secretaria de Atenção Primária. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/transtorno-do-espectro-autista/definicao-tea/. Acesso em 20/01/22.

HENRIQUES, Tiago. Autismo e Síndrome de Asperger. 1.ed. Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada,1997.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

LUCENA, Gustavo Henrique. Autismo e Espiritismo – Acolhimento e terapêutica mentomagnética.1 ed. Matão, SP: Casa Editora O Clarim, 2021.

O PERISPÍRITO – Propriedades e funções. Instituto Brasileiro de Benemerência e Integração do Ser. Disponível em:https://www.ibbis.org.br/uma-janela-para-o-infinito/o-perispirito-propriedades-e-funcoes/. Acesso em 20/01/22.

O QUE é autismo? Descobrindo o autismo. Disponível em:  https://www.ufrgs.br/jordi/171-autismo/o-que-e-autismo/. Acesso em 20/01/22.

O QUE é o autismo e quais são os sintomas. Instituto NeuroSaber. Disponível em: https://institutoneurosaber.com.br/o-que-e-autismo-e-quais-sao-os-sintomas/. Acesso em 20/01/22.

TRANSTORNO do Espectro Autista. Organização Pan-Americana da Saúde. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/transtorno-do-espectro-autista. Acesso em 20/01/22.

VARELLA, Dráuzio. Possíveis causas do autismo. Drauzio Varella. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/possiveis-causas-do-autismo-artigo/#top. Acesso em 20/01/22.

XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília, DF: FEB, 2013.

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Depois da Morte

Martins Peralva

DEPOIS DA MORTE

Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. (Allan Kardec)

Não te esqueças, assim, de que terás também a boca hirta e as mãos enregeladas, na grande noite, e acende, desde agora, a luz do bem constante, na rota de teus dias, para que a sombra imensa te não furte ao olhar a visão das estrelas. (Emmanuel)

* * *

Com raríssimas exceções, as criaturas humanas sofrem perturbações durante e após a grande transição.

Em Doutrina Espírita, cremos que a afirmativa com que iniciamos o presente capítulo é aceita pela generalidade dos que a estudam, sendo também pacífico o entendimento de que tal perturbação não é igual para todos. Varia de indivíduo a indivíduo.

Naqueles que transpõem os pórticos espirituais inteiramente despreparados, em função do tipo de existência materialista e materializadora que levaram, mais forte é o desequilíbrio, dado que as impressões da vida corporal transferem-se, integralmente, para o plano da consciência desencarnada.

Os prejuízos e sofrimentos com que deparam os que vivem alheios a qualquer esforço pessoal, no campo das lutas renovadoras, podem ir de simples depressões, motivadas por complexos culposos, até os terríveis processos de tortura impostos pela mente que se liberou do corpo físico, mas não se libertou das peias do remorso profundo.

Os que vivem em função do bem e da moral, embora sintam os efeitos do choque biológico da desencarnação, podem guardar, por algum tempo, impressões incomodativas; contudo, prontamente se reintegram nos trilhos do equilíbrio espiritual, com a consequente adaptação ao novo plano de vida, regido por leis até então por eles ignoradas.

De acordo com o Espiritismo, não há mistério, não há privilégios regendo a vida no plano subjetivo, ou espiritual.

Além da morte, a posição evolutiva é que determina o estado da alma desencarnada — negativo ou positivo, feliz ou desventurado.

“…acende, desde agora, a luz do bem constante, na rota dos teus dias, para que a sombra imensa te não furte ao olhar a visão das estrelas” — adverte, carinhosamente, o respeitável Mentor, descortinando ante nossos olhos, ainda baços, os clarões do amor e da sabedoria…

Acender a luz do bem, para que não haja prolongado aturdimento, após a morte física.

Usar o combustível do amor, para que menor seja a perturbação e, assim, mais rápido se dê o despertamento e mais breve a recuperação do equilíbrio “além-fronteiras”.

Ninguém, a não ser entidades com larga soma de experiência no trato com os enfermos desencarnados, poderá prever a intensidade e a duração das crises mentais que a maioria dos homens leva para o mundo espiritual.

É como acontece na esfera terrestre: somente o médico experimentado, de vasto tirocínio, poderá determinar, com razoável margem de probabilidades de acerto, a duração de certas crises orgânicas e, mesmo, a época aproximada da morte.

Em determinados gêneros de desencarnação, a inconsciência parcial ou total sobrevém ao desenlace, especialmente nas chamadas “mortes violentas”.

A Providência Divina, caracterizando-se, invariavelmente, por infinita bondade e extrema misericórdia, funciona, em algumas ocasiões, por intermédio de Sublimes Mensageiros, no sentido de que seja retardado o despertamento além-túmulo, para evitar conseqüências e efeitos dolorosos.

Quando o despertamento pode contribuir para aumentar a dor do recém-aportado aos continentes ultrafísicos, a providência, generosa e magnânima, é aguardarem os Amigos Espirituais o concurso do tempo, o extraordinário benfeitor, a fim de que se não contrariem universais princípios de misericórdia que substancializam as leis divinas.

Em casos de acidentes não provocados pelo próprio desencarnado, é realmente doloroso para o Espírito sentir, vivamente, o corpo dilacerado, os miolos estourados, os membros mutilados.

A lei funciona, atenuando ou agravando, na proporção da responsabilidade de cada um, quanto ao gênero de morte.

A recordação dos lances que o levaram à desencarnação, na época aparentemente incontornáveis, acentua o sofrimento, causando terrível mágoa pela compreensão de que desperdiçou o tesouro da existência.

A “saudade da vida”, a saudade dos entes queridos que ficaram na retaguarda, no palco da Terra, punge-lhe o coração.

Em nome da Suprema Bondade, Emissários Celestes deixam, por vezes, os recém-desencarnados temporariamente envolvidos no magnetismo pesado com que se revestem. No entanto, tão logo o tempo funcione, beneficamente, os princípios de misericórdia, reconfortando e pacificando, dando coragem e bom ânimo, alcançam o coração em desequilíbrio, induzindo-o à confiança no Divino Poder.

Despertados no tempo próprio, os desajustados do coração e da inteligência, do sentimento e do raciocínio passam a receber os influxos da prece, que é o pão do Espírito, embora saibamos, todos nós, que a oração não nos exonera das lutas, mas ajuda-nos a transpô-las galhardamente.

Desta maneira, resumindo, doutrinariamente, os conceitos expendidos em “O Livro dos Espíritos” e a observação formulada, sabiamente, por Emmanuel, em torno da posição da alma após a morte física, podemos acentuar, por verdade doutrinária, que:

a) — A alma despreparada e culpada cristaliza a mente em situações, pessoas e sentimentos.

b) — Verdadeiros dramas de consciência se desenrolam no palco ensandecido da mente que faliu deliberadamente.

c) — A cristalização mental define-se por “uma parada no tempo e no espaço”.

d) — Vibrações pesadas e angustiosas constituem cativeiro para a alma.

e) — Amigos espirituais, em nome do Amparo Divino, observam, acompanham, contemplam e ajudam os que ingressam no mundo espiritual em posição de desajuste.

O esforço próprio é lei em todos os cometimentos evolutivos.

Na Terra e no Espaço, ninguém aprende, nem evolui, se não souber aproveitar o concurso, valioso, dos Benfeitores Espirituais.

Encarnados ou desencarnados, condicionamo-nos aos próprios recursos e valores espirituais; contudo, dadas as nossas milenárias imperfeições, dependemos, e muito, do auxílio dos Missionários da Luz…

Martins Peralva

Livro: Pensamento de Emmanuel – 40

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Vícios na Visão Espírita

Simara Lugon Cabral

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6:21)

A palavra vício tem origem do latim vitium e significa “falha ou defeito”. O conceito de vício é caracterizado como um desejo persistente de fazer ou consumir um ativo genérico de prazer, levando à dependência, que quando não é saciada leva o viciado à uma crise de abstinência, que traz uma sensação de angústia, apatia e até mesmo dores físicas. O que diferencia o hábito do vício é que esse sempre oferece algum prejuízo ou risco, enquanto o hábito não atrapalha os eventos diários da vida de uma pessoa. Existem diversos tipos de vícios com consequências mais ou menos graves: a dependência de sexo, de adrenalina, os viciados em trabalho denominados workaholics, a dependência tecnológica, o vício em jogos de azar, o vício em comida e a dependência química, que é o vício em álcool, drogas e outras substâncias, lícitas ou ilícitas. O vício está sempre ligado ao prazer ou recompensa, assim, o adicto tende a buscar determinada substância ou comportamento visando obter uma sensação de prazer, bem-estar ou alívio. Isto ocorre porque a satisfação dos vícios ativa os sistemas de recompensa do cérebro, influenciando a produção de dopamina, que gera uma sensação de bem-estar.

Existem diversos fatores que levam a pessoa ao desenvolvimento do vício, seja a baixa auto-estima, insegurança, um desequilíbrio emocional, a necessidade de se sentir aceito em um determinado grupo de pessoas ou um desejo de suprir um vazio emocional que pode ter origem na infância ou em vidas anteriores. Desta forma, o desenvolvimento do vício ocorre como uma resposta emocional à uma dor com a qual a pessoa não consegue lidar, e por essa razão ela recorre a algo material que a faça sentir um alívio ou que a faça esquecer por alguns instantes aquilo que a faz sofrer, e assim, ela vai se entregando cada vez mais até estar completamente dominada. Infelizmente nem todas as pessoas aprendem ou tem a oportunidade de lidar com seus problemas emocionais de outra forma e por este motivo se entregam ao vício. Porém é importante que compreendam que é possível lidar com suas dificuldades de outra forma, através do autoconhecimento, da busca por auxílio psicológico ou psiquiátrico e do aprendizado das leis divinas.

Neste sentido o espiritismo pode ser de grande auxílio, pois ao se aprofundar no estudo e na análise dos vícios à luz da Doutrina Espírita compreende-se que eles nada mais são do que o oposto da virtude: cabe a cada Espírito o esforço moral no combate aos vícios e no desenvolvimento das próprias virtudes, a partir do momento que seguirem o conselho de Cristo: Orar e vigiar. No livro O Evangelho segundo o espiritismo, no capítulo 28, item 20 lê-se que: “Portanto, quando surge em nós um mau pensamento, podemos imaginar um Espírito malévolo incitando-nos ao mal, ao qual somos totalmente livres para ceder ou resistir, como se tratasse de um convite de uma pessoa viva. Mas devemos, ao mesmo tempo, imaginar nosso anjo da guarda – ou Espírito protetor-, que, por sua vez, combate em nós a má influência e espera com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em fazer o mal é a voz do bom Espírito, que se faz ouvir pela consciência.” Desta forma, compreende-se que ao orar é possível obter o auxílio dos bons espíritos ao lidar com as dificuldades e ao vigiar não se cairá tão facilmente nas tentações da carne.

Os vícios comprometem o progresso espiritual, que é o objetivo de todos os espíritos durante sua encarnação portanto deve-se esforçar para evitá-los e por outro lado, buscar focar no desenvolvimento das virtudes, que auxiliarão o indivíduo a enfrentar os momentos difíceis e a superar suas próprias limitações. Durante o dia-a-dia é fácil deixar-se envolver pela sedução dos prazeres da carne, que estão à disposição de todos, porém aquele que entrega seu corpo e sua vida às paixões materiais terá que arcar com as consequências de seu comportamento, que poderão reverberar durante a atual ou até mesmo nas próximas existências, a depender do grau de comprometimento e da gravidade do vício. Para tanto, deve-se levar em conta a recomendação de Paulo em I Coríntios 6:12: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”, pois todos dispõem do livre arbítrio para escolher o caminho que desejam seguir, porém a colheita do plantio realizado é obrigatória. Quando se faz mau uso do instrumento do espírito, que é o corpo físico, ingerindo substâncias nocivas, deixando de cuidar da saúde e se deixando dominar por hábitos que podem trazer prejuízos ao corpo e ao períspirito certamente as consequências virão. Na questão 714 de O Livro dos Espíritos é informado que: “O homem que busca nos excessos de todas as espécies um refinamento dos prazeres rebaixa-se mais do que os animais, pois estes sabem parar assim que satisfazem suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu como guia, e quanto maiores forem seus excessos, maior domínio ele concede à sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, as enfermidades e a própria morte, resultantes do abuso, são também punição à transgressão da lei de Deus.”

Além disso, os vícios não prejudicam somente aquele que se deixa dominar por eles mas também aos familiares, amigos e todos que amam o adicto e que sofrem ao ver o comportamento problemático do ser amado e algumas vezes podem desenvolver um transtorno chamado codependência, onde as pessoas que convivem com adicto passam a viver em função dele, assumindo a responsabilidade pelos problemas dele, o que traz prejuízos para a vida do codependente. Os vícios também são portas abertas à obsessão espiritual visto que no planeta Terra, os espíritos estão ao redor dos encarnados sempre buscando aqueles que vibram em uma mesma sintonia. Deste modo, encarnados que são adictos ativos atraem a companhia de espíritos de viciados que buscam nutrir as sensações do vício através da interação com os fluidos do encarnado quando o mesmo está consumindo a droga ou a substância que lhe gera a dependência, dificultando mais ainda a superação do vício. Em O Livro dos Espíritos na questão 479 lê-se que: “A prece é um meio eficaz de curar a obsessão?” “A prece é em poderoso socorro para tudo. Mas entendei bem que não basta murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus ajuda os que agem, não os que se limitam a pedir. É preciso, portanto, que o obsidiado faça a sua parte para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.”, ou seja nos casos de obsessão de viciados é necessário que o adicto mude seu comportamento em primeiro lugar para que, apenas assim, consiga se livrar da obsessão espiritual.

Desta forma compreende-se que os vícios trazem prejuízos aos encarnados, aos desencarnados que o rodeiam, aos seus familiares, amigos e a todos que os querem bem, além de prejudicar o invólucro carnal e o períspirito do viciado fazendo com que a valiosa bênção da encarnação tenha seu objetivo fracassado pois o adicto perde a oportunidade de superar suas imperfeições e não consegue subir os degraus rumo à evolução espiritual. É preciso que toda a sociedade compreenda a necessidade de abolir todo e qualquer comportamento que incentive o vício e estenda a mão aos infelizes seres que não conseguiram resistir à ele, pois é esclarecido na questão 793 de O Livro dos Espíritos:”(…) só tereis o direito de considerar-vos civilizados quando tiverdes banido de vossa sociedade os vícios que a desonram, e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã.”.

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Simara Lugon Cabral

Fonte: Letra Espírita

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Referências bibliográficas:

  1. Bíblia Online. Disponível em: <Bíblia Online – ACF – Almeida Corrigida Fiel (bibliaonline.com.br)>. Acessado em 08 de Janeiro de 2022.
  2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  3. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.
  4. Vício – Definição. Disponível em: <Vício – Definição – CCM Saúde>. Acessado em 08 de Janeiro de 2022.
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Comportamento e Vida

Manoel Philomeno de Miranda

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O fatalismo biológico, estabelecido mediante as conquistas pessoais de cada indivíduo, não é definitivo em relação à data da sua morte.

A longevidade como a brevidade da existência corporal, embora façam parte do programa adrede estabelecido para cada homem, alteram-se para menos ou para mais, de acordo com o seu comportamento e do contributo que oferece à aparelhagem orgânica para a sua preservação ou desgaste.

Necessitando de um período de tempo em cada existência física para realizar a aprendizagem evolutiva em cujo curso está inscrito, o Espírito tem meios para abreviar-lhe ou ampliar-lhe o ciclo, mediante os recursos de que dispõe e são facultados a todos.

É óbvio que o estróina desperdiça maior quota de energias, impondo sobrecargas desnecessárias aos equipamentos fisiológicos, do que o indivíduo prudente.

As ocorrências que lhes sucedam têm as suas causas no comportamento que se permitem.

Igualmente, a forma de desencarnar, sem fugir ao impositivo do destino que é de construção pessoal, resulta das experiências que são vividas. O homem imprevidente e precipitado, desrespeitador dos códigos de lei estabelecidos, toma-se fácil presa de infaustos acontecimentos, que ele mesmo se propicia como efeito da conduta arbitrária a que se entrega.

Acidentes, homicídios, intoxicações, desastres de vários tipos que arrebatam vidas, resultam da imprevidência, da irresponsabilidade, do orgulho dos que lhes são vitimas, na maioria das vezes e no maior número de acontecimentos.

Devendo aplicar a inteligência e a bondade como norma de conduta habitual, grande parte das criaturas prefere a arrogância, a discussão acesa, o desrespeito ao dever, a negligência, tornando-se, afinal, vítimas de si mesmas, suicidas indiretas.

Nos autocídios de ação prolongada ou imediata, a responsabilidade é total daqueles que tomam a decisão infeliz e a levam a cabo, inspirados ou não por Entidades perversas com as quais sintonizam.

Derrapando em comportamentos pessimistas a que se aferram, a atitudes agressivas nas quais se comprazem, na fixação de idéias tormentosas em que se demoram, em ambições desenfreadas e rebeldia sistemática, a etapa final, infelizmente, não pode ser outra. Com o gesto que supõem de libertação, tombam, por largos anos de dor, em mais cruel processo de recuperação e desespero, para que aprendam disciplina e submissão contra as quais antes se rebelaram.

Depreende-se, portanto, que o comportamento do homem a todo instante contribui de maneira rigorosa para a programação da sua vida.

São de duas classes as causas que influem na sua existência, dentro do determinismo da evolução humana: as próximas, desta reencarnação, na qual se movimenta, e as remotas, que procedem das ações pretéritas. Estas últimas estabeleceram já os impositivos de reparação a que o indivíduo não pode fugir, amenizando-os ou vencendo-os através de atuais ações do rumor, que promovem quem as vitaliza e aquele a quem são dedicadas. As primeiras, no entanto, as da presente existência, vão gerando novos compromissos que, se negativos, podem ser atenuados de imediato por meio de atitudes opostas, e, se positivos, ampliados na sua aplicação.

O tabagismo, o alcoolismo, a toxicomania, a sexolatria, a glutonaria, entre outros fatores dissolventes e destrutivos, são de livre opção anual, não incursos no processo educativo de ninguém. Quem, a qualquer deles se vincula, padecer-lhe-á, inexoravelmente, o efeito prejudicial, não se podendo queixar ou aguardar solução de emergência.

O tabagismo responde por cárceres de várias procedências, na língua, na boca, na laringe, por inúmeras afecções e enfermidades respiratórias, destacando-se o terrível enfisema pulmonar. Todo aquele que se lhe submete à dependência viciosa, está incurso, espontaneamente, nessa fatalidade destruidora, que não estava no seu programa e foi colocada por imprevidência ou presunção.

O alcoolismo é gerador de distúrbios orgânicos e psíquicos de inomináveis consequências, gerando desgraças que, de forma nenhuma deveriam suceder. É ele o desencadeador da loucura, da depressão ou da agressividade, na área psíquica, sendo o responsável por distúrbios gástricos, renais e, principalmente, pela irreversível cirrose hepática. Seja através da aguardente popular ou do whisky elegante, a alcoolofilia dízima multidões que se lhe entregam espontaneamente.

A toxicomania desarticula as sutis engrenagens da mente e desagrega as moléculas do metabolismo orgânico, lesando vários órgãos e alucinando todos quantos se comprazem nas ilusões mórbidas que dizem viver, não obstante de breve duração. Iniciada a dependência que se fez espontânea, desdobrara-se à frente longos anos, numa e noutra reencarnação, para que sejam reparados todos os danos que poderiam ter sido evitados quase sem esforço.

A sexolatria gera distonias emocionais, por conduzir o indivíduo ao reduto das sensações primitivas, mantendo-os nas áreas do gozo insaciável, que o leva à exaustão, a terríveis frustrações na terceira idade, se a alcança, e a depressões sem conta pelo descalabro que desorganiza o corpo e perturba a mente. Além desses, são criados campos de dificuldade afetiva, de responsabilidade emocional com os parceiros utilizados, estabelecendo-se compromissos desditosos para o futuro.

A glutoneria, além de deformar a organização física, é agente de males que sobrecarregam o corpo produzindo contínuas distinções gastrointestinais, dispepsias, acidez, ulcerações, alienando o homem que vive para comer, quando deveria, com equilíbrio, comer para viver.

São muitos os agentes dos infortúnios para o homem, que ele aceita no seu comportamento, afetando-lhe a vida.

Entretanto, através de outras atitudes e conduta poderia preserva-la, prolongá-la, dar-lhe beleza, propiciando-lhe harmonia e felicidade.

Além de atingir aquele que elege esta ou aquela maneira de agir, os resultados alcançam os descendentes que, através das heranças transmissíveis, conforme as suas necessidades evolutivas, as experimentarão.

O comportamento do Espírito, no corpo ou fora dele, é responsável pela vida, contribuindo de maneira eficaz na sua programática, igualmente interferindo na conduta do grupo em que se movimenta e onde atua, como dos descendentes que de alguma forma se lhe vinculam.

As ações corretas prolongam a existência do corpo e promovem o equilíbrio da mente, enquanto as atribuladas e agressivas produzem o inverno.

Nunca será demasiado repetir-se que, assim como o homem pensa e age, edificará a sua existência, vivendo-a de conformidade com o comportamento elegido.

Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo Franco

Fonte: Espiritualidades/Artigos

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