Silêncio e perdão

Rogério Coelho

Caridade é fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós.

“Quando alguém admoestá-lo, mesmo injustamente, silencie e desculpe, pois, a vida se encarregará de colocar os pretensiosos em seus devidos lugares.” – Marco Prisco

No capítulo seis, versículo trinta e um, Lucas registrou a sublime orientação de Jesus: “tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”.

Leciona o Mestre Lionês (1): “(…) a origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da Caridade”.

Jesus, comparando o Reino dos Céus a um rei que quis tomar contas aos seus servidores, fala-nos de um servo que devia dez mil talentos ao rei que, sensibilizado pela difícil, humilhante e constrangedora situação do infeliz, perdoou-o… Em seguida, o alforriado mandou prender a um companheiro seu que lhe devia apenas cem dinheiros.

Sua conduta egoísta e reprochável irritou o rei que o havia indultado. Revogou, então a ordem anterior e entregou o servo impiedoso aos verdugos, para que o tivessem, até que ele pagasse tudo o que devia.

Finaliza Jesus (2): “(…) é assim que meu Pai, que está no Céu, vos tratará se não perdoardes do fundo do coração as faltas que vossos irmãos houverem cometido contra cada um de vós”.

Resumindo toda a essência desses pensamentos de Jesus, de Marco Prisco e o seu próprio, Allan Kardec expõe em abençoada e significativa peroração (3): “(…) amar o próximo como a si mesmo! Fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós, é a expressão mais completa da Caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros, aquilo que para nós desejamos. Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que temos para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas Instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissenções, mas, tão somente união, concórdia e benevolência mútua”.

Aprendendo a silenciar na hora certa e a perdoar em todos os momentos, balizaremos nossas veredas com o amor que enaltece e edifica, com a serenidade que fomenta a paz e a harmonia, e com a incondicional e irrestrita confiança propiciadora da fé raciocinada, ingredientes indispensáveis no trato com os outros.

Rogério Coelho

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. XVI, item 8.

(2) Mateus, 18:23 a 35.

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. XI, item 4.

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Opinião sobre Francisco Cândido Xavier

Luiz Carlos Formiga

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André Luiz nos diz que a educação da alma é a alma da educação. É a educação como formação, que desenvolve interesses, valores e atitudes. Seu princípio organizador a internalização – incorporação de valores éticos-morais de outra pessoa ou da sociedade. É a aceitação, como se fosse próprio, de atitudes, regras, princípios e sanções que o levam à formação de julgamentos de valor ou à determinação de sua conduta.

Nela existem estágios de desenvolvimento:

Estágio 1. As conseqüências físicas de uma ação determinam se ela é boa ou má. Os motivos morais são baseados no desejo de evitar punição.

Estágio 2. “Certo” é aquilo que satisfaz necessidades pessoais. Há igualdade e reciprocidade por motivos pragmáticos, não por lealdade, gratidão ou justiça. Neste nível, significa: “Se ele me bate, eu bato nele”.

Estágio 3. Há necessidade de evitar a reprovação e o desagrado dos outros. Comportamento de grupo. Tendem a se comportar como pessoa “bem educada”. A intenção torna-se importante pela primeira vez.

Estágio 4. Mostra respeito pela autoridade, pelas regras fixas e pela manutenção da ordem social.

Estágio 5. Há respeito pelos direitos individuais. O direitos e deveres são baseados no livre acordo. Há valorização do legal, mas a lei pode ser mudada em função da sua utilidade social.

Estágio 6. As decisões da pessoa são guiadas por princípios éticos selecionados por ela própria, como justiça, reciprocidade, igualdade e respeito pela dignidade do ser humano. Compreende que nem tudo o que é legal é moral.

Por outro lado, devemos entender que a mente humana pode passar por estados mórbidos como: a Neurose e a Psicose, distintas primariamente por intensidade de desarranjo.

Neurose é um distúrbio emocional da personalidade. Conduz a estilo de vida desajustado. Há conflito: consigo mesmo porque tendências contraditórias se debatem dentro dele, como a necessidade de afeto e a hostilidade e com o meio ambiente porque luta agressivamente contra os fatores externos como se estes constituíssem uma ameaça à sua vida e, ao mesmo tempo, procura recuar diante deles como se julgasse não poder enfrentá-los.

O neurótico acha que deve lutar antes de cooperar e, por isso, é fortemente competitivo (ainda que não pareça).

Neurose corresponde em trabalhos espíritas ao termo clássico perturbação, definida como estado de ânimo desajustado, em que o indivíduo não consegue manter a estabilidade emocional e mental, desviando-se para a tristeza, pessimismo, desânimo, agressividade. Aplica-se especialmente ao espírito desencarnado em desequilíbrio.

Há tipos de atitude geral e tipos de personalidades:

1) aproximam-se porque precisam ansiosamente de afeto e não suportam a solidão – complacente;

2) opõem-se porque são ambiciosos e querem dominar e possuir tudo – agressivo;

3) afastam-se, mal toleram o contato humano e sentem-se melhor no isolamento – indiferente.

As três atitudes não excluem as opostas, presentes mas inaparentes. O sujeito em oposição aos outros é carente de afeição, mas procura ocultar isso.

O homem normal contém esses elementos em proporções equilibradas. É amistoso, solidário, cooperativo.

Como fica o nosso raciocínio quando passamos pelas duas condições?

Neurose – raciocínio normal. Parece desviado porque usa bases falsas; “ninguém gosta dele, o mundo é um lugar mau e perigoso, ou adora todo mundo”. Esses juízos são falsos. O mecanismo de pensar está intacto. Existe o senso da realidade e a vida social é possível.

Na psicose, a desorganização é muito mais avançada. O senso da realidade e a vida social mostram-se nulos ou quase. Não pode responder pelo que faz.

O que está no fundo das neuroses e psicoses?

A tríade afetiva do desequilíbrio mental. Os “micróbios” do egoísmo, do orgulho e da hostilidade.

Qual a causa geral de qualquer perturbação psíquica?

Desobediência constante às determinações da Lei de Deus, abandono sistemático das obrigações impostas pela Lei.

Uns estão rebelados contra a vida, o mundo e Deus; outros estão desanimados ante os obstáculos a remover do próprio caminho. Um dia, eclodem os variados sintomas neuróticos ou psicóticos, conforme a intensidade da perturbação íntima.

Egoísmo – base dos sentimentos desequilibrantes da alma – é o excessivo apego ao próprio bem, sem considerar o dos outros. “Hipertrofia congênita do eu”, “Obsessão neurótica do eu”.

Orgulho, inflação da personalidade, é o desejo de parecer superior ao que é.

Assim esses indivíduos só se ocupam de suas conveniências e vantagens. “Eles gostam de levar vantagens em tudo” ignorando os outros.

Existe outro fator quase sempre presente que é a obsessão. Ela pode se definida como a influência maléfica, intencional ou inconsciente, exercida por Espíritos imperfeitos sobre a humanidade encarnada, de modo prolongado. É o predomínio de uma mente sobre a outra produzindo constrição.

Um homem pode enlouquecer só porque um Espírito mau se lhe aderiu à organização perispiritual, dominando-lhe a vontade e impondo-lhe seus pensamentos.

Obsessão é, portanto, um constrangimento que se sente, graças à presença perturbadora de um ser espiritual. Ela possui três graus distintos: 1. Obsessão simples – peculiar a quase todos – seria um tipo de “gripe emocional”. Porque vivemos num mundo atribulado, imediatista, agressivo, desequilibrando-nos e sintonizamos com os Espíritos também agressivos e desequilibrados. 2. Quando ela se agrava é a obsessão por fascinação. O indivíduo se acredita abençoado por forças superiores e não admite o intercâmbio com os Espíritos menos ditosos; 3. Quando a pessoa perde o senso de equilíbrio, cai no que o Evangelho chamava de possessão e que Allan Kardec, denominou como obsessão por subjugação, porque a entidade subjuga-o, imprime-lhe a vontade e passa a exercer nele um predomínio quase total.

Como podemos perceber o indivíduo que possui inteligência emocional-moral em equilíbrio esta distante destes estados acima descritos. Nesse particular nos lembramos da figura do médium Chico Xavier, que como verdadeiro homem de bem perseguiu os 12 passos do equilíbrio abaixo. Afinal de contas uma inteligência emocional-moral equilibrada:

1. É generosa – Cumpre a lei de justiça e de amor, na sua maior pureza. Se ela interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesma perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

2. Percebe a existência de uma Inteligência Suprema – Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as enfrenta sem murmurar.

3. É justa – Possuída de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

4. É altruísta – Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.

5. É sem preconceitos – É boa, humana e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

6. É livre – Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não é falso com os que como ele não pensam. Tem como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo.

7. Perdoa – Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

8. É indulgente – É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.” Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

9. Possui autocritica – Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

10. É incentivadora – Sabe que autovalorizar-se não é de sua atribuição, por isso procura não dar valor a si mesma, aos seus talentos, a expensas de outrem, mas aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso e de valor encontrado em outros.

11. É sem vaidade (humilde) – Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.

12. Sabe obedecer e comandar – Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. Se subordinada, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.

Finalmente, o ser em equilíbrio respeita todos os direitos, que as Leis da Natureza dão aos seus semelhantes, como quer que sejam respeitados os seus.

Admiro Chico porque demonstrou inteligência privilegiada ao adotar o Mestre como modelo, mas, principalmente, por ter aplicado à própria vida a “Pedagogia do Exemplo” de Jesus.

Luiz Carlos D. Formiga

Referências Bibliográficas:

– Formiga, LCD. Antes de Votar Pergunte ao Candidato Sobre o Aborto. Núcleo Espírita Universitário do Rio de Janeiro. Home-page – http://zap.to/neurj. Campanhas. Agosto de 1999.

– Formiga, L.C.D. Vacinação Desafio de Urgência. Reformador, 99(1823): 61-64, 1981.

– Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo (tradução). 57a ed. FEB, RJ, RJ.

– Rizzini, C.T. Evolução para o Terceiro Milênio: tratado psíquico para o homem moderno. 1aed. EDICEL, SãoPaulo, SP, 1977.

Fonte: Por Que Considero Inteligente, o Cândido, Francisco Xavier? (espirito.org.br)

Artigo do mes de setembro, 2000, da home-page do Lar Chico Xavier –

http://www.larchicoxavier.com.br, publicado na Revista Internacional de Espiritismo

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Em busca da autoiluminação

Divaldo Pereira Franco

Ao suceder dos anos, concordo plenamente com aqueles que dizem ser o sentido da vida a autoiluminação, ou conseguir o a que Sócrates se referia como o Conhece-te a ti mesmo.

Desde muito jovem, busquei entender os objetivos existenciais e os fenômenos que aconteciam em mim e no meu entorno.

No dia 27 de fevereiro de 1949, encontrava-me em férias com amigos na residência da família Veiga, em Muritiba, neste Estado, quando despertei com estranha dor no braço direito.

Naquela época, quaisquer dores ósseas eram logo consideradas primeiro como reumatismo ou artritismo e havia fórmulas caseiras para aplicação terapêutica.

De imediato, usei massagens de álcool, cânfora e outro produto, sem que lograsse resultado positivo.

Estando em nosso grupo o jornalista Sr. Abel Mendonça, que era intelectual e homem prático, muito jovial, adotando o Espiritismo como sua filosofia existencial, falou-me, interrogando-me: – Divaldo, isso não será um sinal para a psicografia?

Eu estava iniciando-me no estudo do Espiritismo e fiquei surpreso.

O Sr. Abel continuou: – Irei buscar papel e lápis para fazermos uma tentativa.

De imediato, oramos e, tomando o lápis, comecei, sem o querer, a escrever com imensa velocidade, sem saber exatamente o que estava acontecendo.

Em breves minutos passou aquela pressão que me dominara o braço e a dor desapareceu.

Houvera escrito uma mensagem intitulada Na subtração e na soma, firmada pelo nome Marco Prisco.

Logo depois, buscamos O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, e lemos o capítulo que estudava o fenômeno.

Passadas as emoções e a curiosidade, no dia imediato, voltei a escrever, recebendo as orientações de como deveria conduzir-me, caso desejasse dar prosseguimento ao fenômeno.

Com respeito e cuidados especiais, iniciei o estudo da mediunidade e o comportamento que se deve assumir ante a educação da faculdade e os valores morais.

Passaram-se quase 73 anos e escrevi mais de seiscentos autores espirituais, hoje reunidos em mais de 280 obras: romances, histórias, poesias, comentários, dramas de teatro etc.

Igualmente, mais de duas mil cartas espirituais e mensagens individuais, consolando vidas que se encontravam em desesperação, em situações particulares de perturbação e obsessão, enfermidades psicológicas e espirituais.

A mediunidade é uma faculdade orgânica, que todos possuímos em diferentes estágios, o que levou o Prof. Charles Richet, Prêmio Nobel de Fisiologia, considerado o maior cientista francês no século passado, a afirmar que se trata de um sexto sentido.

O Espiritismo equaciona os problemas humanos. Conheça-o através das obras de Allan Kardec, o seu egrégio Codificador.

A sua mensagem é o Consolador que Jesus prometeu.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 24/02/22

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Depressão, Ansiedade e a Influência de Espíritos

Julia Thaís Porciúncula Serra

A influência dos espíritos no plano físico é maior e mais forte do que possamos imaginar. Os espíritos regem de uma grande influência, de modo que altera ou não os sentimentos dos indivíduos e por que não, seus atos. O objetivo do artigo é estudar como os espíritos podem influenciar nas doenças psiquiátricas, depressão e ansiedade, visto que essas doenças afetam diretamente a pessoa de modo psíquico e físico e que, se de forma grave e não sendo cuidada com psicólogos e em outros casos medicamentos, podem dar fim à vida de um espírito e o mesmo se tornar suicida. Tanto a Depressão como a Ansiedade são doenças que não possuem cura. Ao afetar o emocional do indivíduo deixa-o sensível as vibrações que possam aproximar espíritos mal intencionados e assim, influenciar de maneira negativa, afetando a vida do paciente.

A palavra “depressão” vem do latim depressio, de deprimere, que significa “apertar firmemente”, “para baixo”, “esmagar”, “afundar”. Depressão é uma doença psiquiátrica que afeta a pessoa de modo psíquico e físico, caracterizado por uma angústia e tristeza profunda, que pode levar o indivíduo ao suicídio. Os sintomas mais comuns são de dores no corpo, mudanças de humor, melancolia, tristeza, cansaço, etc. A Depressão pode ter dado início a traumas, como violência, bullying, relacionamentos difíceis, entre outros.

Por sua vez, a palavra “ansiedade” tem origem no latim anxietas, que significa “angústia”, “ansiedade”, de anxius – “perturbado”, “pouco à vontade”, de anguere – “apertar”, “sufocar”. Ansiedade e o transtorno de ansiedade, são doenças psiquiátricas que, no geral, acontecem por excesso de preocupação, desequilíbrios químicos, e isso varia de indivíduo para indivíduo, pois nem todo mundo tem os mesmos sintomas. Os sintomas mais comuns são medo, angústia e apreensão, acompanhados por momentos de estresse e de uma situação desagradável. Ansiedade também pode ser a espera de um momento ruim constante e principalmente traumas, em geral sempre na infância.

No livro O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, onde no Capitulo IX ele fez perguntas que dizem a respeito sobre a influência dos espíritos nos nossos pensamentos e atos, podendo ou não afetar nossas vidas. Diante disso, a seguinte questão começa a introduzir sobre o assunto:

Questão 457. Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos?

Resposta: “Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular.”

a) — Assim, mais fácil nos seria ocultar de uma pessoa viva qualquer coisa, do que a esconder dessa mesma pessoa depois de morta?

Resposta: “Certamente. Quando vos julgais muito ocultos, é comum terdes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos observam.”

Dessa forma, o espírito que nos cerca tem conhecimentos dos pensamentos e anseios dos indivíduos, sendo assim, a maneira de chegar ao assunto para desequilibrá-lo é fácil, visto que, pode afetar em algum trauma e dor do passado, trazendo à tona ao pensamento do indivíduo.

Vale lembrar que ficar ansioso ou triste é completamente normal, entretanto, é necessário que se saiba sair dessa situação, e que não pode deixar se abater completamente pela tristeza e a baixa autoestima. Ao se deixar permanecer em meio ao momento de tristeza, e cada vez mais se afundar nisso, torna-se vulnerável a ficar com depressão ou ansiedade. O poder da influência de um espírito sobre os indivíduos que regem no plano físico é forte e pode se tornar até duradouro. Sendo influências boas ou ruins, sentindo a presença do espírito ou não, ele sempre o acompanhará. Na questão 459 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona se é possível que os espíritos influenciem em vossos pensamentos e atos:

Questão 459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

Resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

A influência é o poder de um espírito sobre o outro, uma ascendência de pensamento e atos de um espírito para o outro. Um poder que tem fortes vibrações e irradia sobre o influenciado, quando usada para o mal é caracterizado por muitos motivos. Podem ser espíritos zombeteiros que desejam fazer mal a quem lhes permite, podem ser de um espírito que compartilhou com o influenciado uma encarnação que terminou mal, desse modo, o espírito deseja fazer-lhe mal, ou determinados motivos. Vale lembrar também, que um espírito que esteja mal, ou triste, ao chegar perto de um espírito físico acaba por fazer mal ao outro, mesmo quando não é de sua vontade.

A influência consiste principalmente em vibrações de ódio, o espírito fica emitindo ondas de ódio para que o individuo possa sentir o humor desejado. Se um individuo é muito sensível as vibrações, também pode sentir as ondas que o rodeiam. Dessa forma, Allan Kardec fez as seguintes questões no Livro dos Espíritos:

Questão 458. Que pensam de nós os Espíritos que nos cercam e observam?

Resposta: “Depende. Os levianos riem das pequenas partidas que vos pregam e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios se condoem dos vossos reveses e procuram ajudar-vos.”

Questão 464. Como distinguirmos se um pensamento sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?

Resposta: “Estudai o caso. Os bons Espíritos só para o bem aconselham. Compete-vos discernir.”

A influência dos espíritos sobre o plano físico atende as Leis da Natureza, Causa e Efeito, sendo assim, não pode interferir no plano espiritual de nenhum indivíduo, entretanto, ao ficar ao lado da pessoa soprando em seu ouvido alguma ideia, o indivíduo toma a ideia como sua e acaba por fazer/sentir/pensar. Diante disso, Allan Kardec tem a seguinte questão:

Questão 525. Exercem os Espíritos alguma influência nos acontecimentos da vida?

Resposta: “Certamente, pois que vos aconselham.”

a) — Exercem essa influência por outra forma que não apenas pelos pensamentos que sugerem, isto é, têm ação direta sobre o cumprimento das coisas?

Resposta: “Sim, mas nunca atuam fora das leis da Natureza.”

Dessa forma, um espírito mal intencionado pode afetar um pensamento vosso com os deles, e assim, influenciar na piora da sua depressão ou ansiedade, fazendo com que o indivíduo se sinta cada vez pior de modo que possa captar as vibrações ruins, e até tirar a sua própria vida. Como nas questões seguinte:

Questão 460. De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?

Resposta: “Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, frequentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas ideias a se combaterem.”

Questão 465. Com que fim os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal?

Resposta: “Para que sofrais como eles sofrem.”

a) — E isso lhes diminui os sofrimentos?

Resposta: “Não; mas fazem-no por inveja, por não poderem suportar que haja seres felizes.”

b) — De que natureza é o sofrimento que procuram infligir aos outros?

Resposta: “Os que resultam de ser de ordem inferior a criatura e de estar afastada de Deus.”

Fica claro que um espírito encarnado só vive aquilo que lhe é designado a viver, embora, aconteçam escolhas em seu caminho que podem mudar seu trajeto de vida. Para afetar a depressão e ansiedade. O espírito obsessor fica ao seu lado influenciando os pensamentos negativos, trazendo ao momento de sua tristeza pensamentos que pioram a sua situação, e assim, te enfraquecem. Podendo também, fazer você pensar em se tornar um espírito suicida. De acordo com Kardec:

Imaginamos erradamente que os Espíritos só caiba manifestar sua ação por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e muito natural o que se executa com o concurso deles. Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a ideia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem, crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre-arbítrio.

Dessa forma, fica evidente que a influência dos espíritos, seja obsessor ou não, seja compactuo de uma encarnação passada ou não, é grande. A influência é direcionada aos pensamentos do indivíduo que se confundem com os próprios e acaba por se misturar. Na depressão e ansiedade, a influência de um espírito pode piorar e enfraquecer cada vez mais o paciente, de modo que o próprio possa ter atos que compliquem a sua vida e suas escolhas.

Julia Thaís Porciúncula Serra

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

Clínica da mente. DEPRESSÃO. Disponível em: <<https://www.clinicadamente.com/depressao/#:~:text=O%20que%20%C3%A9%20a%20Depress%C3%A3o%3F%20A%20Depress%C3%A3o%20%C3%A9,que%20nos%20move%20para%20viver%20uma%20vida%20feliz – Pesquisar (bing.com)> Acesso em: 20 jul. 2021.

SANTOS, Maria Tereza. ANSIEDADE: O QUE É. Veja Saúde. Disponível em: <Ansiedade: o que é, sintomas físicos e psicológicos e tratamento | Veja Saúde (abril.com.br)> Acesso em: 20 jul. 2021.

KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB. 2004.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ed.285. Instituto de Difusão Espírita. 2003.

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Custa-nos reconhecer que fomos iludidos

Orson Peter Carrara

CUSTA-NOS RECONHECER QUE FOMOS ILUDIDOS

Este reconhecimento cabe em muitas situações do dia a dia e estamos todos incluídos, face a circunstâncias variadas do cotidiano. A frase original é: Custa-lhe reconhecer que foi iludido. É de autoria de Allan Kardec e está na Revista Espírita, edição de março de 1860, no texto Um médium curador, referindo-se naturalmente à mediunidade e suas seduções.

Extraímos alguns trechos das valiosas considerações do Codificador Allan Kardec:

1. O orgulho é o escolho de grande número de médiuns e vimos muitos cujas faculdades transcendentes se aniquilaram ou perverteram, desde que deram ouvidos a esse demônio tentador.

2. O orgulho é o último defeito que confessamos a nós mesmos, à semelhança dessas doenças mortais que se tem em estado latente e sobre cuja gravidade o doente se ilude até o último instante. Eis por que é tão difícil erradicá-lo.

3. Desde que um médium possui uma faculdade, por menos notável que seja, é procurado, elogiado, adulado. Isto lhe é terrível pedra de toque, pois acaba julgando-se indispensável, se não for profundamente simples e modesto. Infeliz dele, principalmente se estiver persuadido de que só se comunica com bons Espíritos.

4. Custa-lhe reconhecer que foi iludido, e muitas vezes escreve ou ouve sua própria condenação, sua própria censura, sem acreditar que aquilo tudo é endereçado a ele. Ora, é precisamente dessa cegueira que é presa.

5. Os Espíritos enganadores disso se aproveitam para fasciná-lo, dominá-lo, subjugá-lo cada vez mais, a ponto de lhe fazerem tomar por verdades as coisas mais falsas. É assim que nele se perde o dom precioso que só havia recebido de Deus para tornar-se útil aos seus semelhantes, porque os bons Espíritos se retiram, sempre que alguém prefere escutar os maus.

Os grifos são nossos, o artigo na íntegra é precioso e recomendamos aos leitores. Embora a abordagem se refira ao um médium curador, ela cabe a todos nós, médiuns ostensivos ou não, pois que é pelo orgulho que nos perdemos em tolas vaidades que geram aflições absolutamente dispensáveis.

Orson Peter Carrara

Fonte: Agenda Espírita Brasil

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Decepções

Joanna de Ângelis

O ingrato é Espírito sedutor, porém, destituído de sentimentos, dentre os quais o da gratidão se destaca como se fora um lírio em pútrido chavascal.

A ingratidão é uma ferida que assinala o seu possuidor de maneira singular. Por mais disfarce o seu estado íntimo, sempre exala o odor da enfermidade moral que o consome.

Tudo no Universo faz parte de uma sinfonia harmônica e a ingratidão é uma nota dissonante que chama a atenção.

Por essa razão, as virtudes classicamente estabelecidas formulam como excelentes do comportamento espiritual a fé, a esperança e a caridade.

Na caridade ressalta o valor da gratidão à Vida como o recurso valioso de edificação moral para a purificação do ser.

O ingrato, porém, sempre evoca a caridade dos outros para com ele, sem dar-se conta da legitimidade do ato recíproco.

Por mais lhe seja oferecido, sempre se pressupõe portador de mais crédito para receber em abundância. E quando isso não ocorre faz-se perverso acusador de quem o abençoava com a bondade, permitindo-se vitimar-se.

Prolifera na sociedade contemporânea o número de vitimistas, aqueles que sempre se consideram injustiçados.

É natural que isso aconteça e aumente de forma equivalente ao número dos decepcionados.

Ocorre, porém, a decepção, o desencanto em razão de esperar-se do outro uma retribuição pelo menos conforme a oferenda.

Quando a doação se enquadra nos valores do beneficiado não se padece a ingratidão do soberbo, porque a gentileza, a generosidade e o amor devem ser condutas naturais e não recursos de trocas, mesmo que afetivas.

A arte de doar é tão complexa como a de receber.

Uma e outra devem ser resultados de sentimentos fraternos sem interesse de recompensa.

Doação é uma conquista moral que expressa desprendimento e amor, No primeiro caso, demonstra ausência de apego às coisas transitórias e valorização da outra pessoa, que vai envolvida não apenas pelo que se lhe doa, mas também, pelas vibrações de ternura e afetividade.

Não estando a oferta revestida desses conteúdos morais, transforma-se em manifestação social sem respeito nem consideração. Eis porque o grande valor da oferenda deve ultrapassar o custo, a importância gasta com a lembrança, mais o conteúdo de beleza interna e significado,

Não te sintas desprezado porque alguém te impôs o desencanto em relação à sua pessoa e gentileza oferecida.

O que fizeste por ele, o amigo, deve ter-te proporcionado alegria, em face do que ofertaste.

É nesse sentido que se afirma: a dádiva sempre é maior para quem a oferta.

Permanece sem mágoa para que essa atitude não se pareça com uma cobrança afetiva renegada.

***

Respiras gratuitamente o ar que mantém a tua existência e, sejas grato ou revel, nada te é cobrado.

Na enfermidade necessitas de ar e este é pago a alto preço e ainda ficas feliz por ter-te restituído a saúde…

O Sol abençoa a vida com raios caloríferos e outros, consumindo-se, enquanto sustenta as existências na Terra. No entanto, para manter-te necessitas da vitamina D que te oferece gratuitamente.

As lições de generosidade para contigo multiplicam-se inumeráveis, e nem sequer te dás conta do alto significado de cada uma dessas sublimes concessões.

Olha em derredor quantas bênçãos te envolvem nas lutas e sem reclamações socorrem-te em sua misericórdia em nome de Deus.

Toda a Natureza é adaptada às tuas condições, enquanto também são elaborados recursos para que vivas em paz, em solidariedade e ação de fraternidade.

…E assim por diante!

Existir é mover-se, sentir, viver todos os atributos que são proporcionados. Entretanto, o receber e o doar são elementos essenciais para que possas bem viver. A formiga trabalha, o verme faculta aeração do solo e incontáveis formas de sustentação dos seres antes de alcançarem a Humanidade…

No ser humano, em razão da inteligência e da razão, de igual maneira são exigidas bênçãos em permuta de outras com finalidades definidas.

Nunca, pois, te permitas decepcionar pela conduta de alguém em relação aos teus sentimentos.

Compreende que cada ser respira a psicosfera que lhe é própria e estagia onde lhe permitem as aspirações.

Sempre recebes conforme ofereces. Tudo no Universo é dependente de fatores que escapam à percepção menos profunda.

Há um intercâmbio de partículas em constante movimentação, graças às quais são possíveis as realidades detectadas.

Provavelmente já passaste por esta fase ou nela ainda te encontras em razão da tua sensibilidade exigente.

Ninguém é totalmente independente pelo simples fato de o querer, e quando pensa que o é ignora a fase de desenvolvimento e não é capaz de perceber.

Decepciona-te contigo mesmo quando não puderes cumprir uma tarefa ou meta com que te comprometeste ou por não haveres atingido o patamar que estabeleceste.

Mesmo assim, de imediato sai do túnel do desencanto e enfrenta a pradaria das oportunidades à tua espera.

Não te encontras a serviço do Amor do Mestre para permutar benefícios, senão para servir com alegria e paciência, cabendo-te a tarefa de sempre ajudar, de tal forma que o caminho seja um reflorescer de bênçãos que esconderão os empecilhos desafiadores da realização.

Renasceste para recuperar o tempo mal aplicado no ontem e esta é a formosa ocasião de fazê-lo.

***

Não foram poucos aqueles que se decepcionaram com Jesus aprisionado quando estava no Horto das Oliveiras.

Inúmeros escarneceram-nO por não se haver defendido no Pretório, iniciando a revolução sanguinária que desejavam…

Ingratos que dEle receberam graças inimagináveis zombavam por deixar-se crucificar, enquanto desejavam-nO dominador e reizete…

Mesmo aqueles que conviveram ao Seu lado, abandonaram-nO.

Ele, no entanto, não se queixou, não discutiu com ninguém e, em silêncio, morreu…

…E voltou ao meio dos ingratos para ensinar-lhes redenção e vida gloriosa.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 26 de maio de 2021, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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O Espiritismo e o Progresso da Humanidade

Ana Paula Januário

Ao contrário da primeira e da segunda revelação que foram simbolizadas por Moisés e por Jesus, respectivamente, o Espiritismo, a terceira revelação, surgiu em diferentes pontos do globo espontaneamente, através de vários Espíritos, que são as vozes do céu (KARDEC, 2009, cap. I). O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal (KARDEC, 2009, cap. I). Oposto do que muitas pessoas acreditam, a doutrina espírita não […] ensina nada de contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo o mundo, o que não foi dito senão sob a forma alegórica (KARDEC, 2009, cap. I). Mas fica uma questão curiosa quanto a isso, de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso da humanidade?

Essa pergunta é uma das milhares que compõem o Livro dos Espíritos, mais precisamente a questão 799, na qual Allan Kardec tem como resposta dos espíritos a seguinte argumentação:

“Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.”

Em consequência disso, crer no espiritismo ajuda o homem a […] melhorar-se fixando as ideias sobre certos pontos do futuro. Ela apressa o adiantamento dos indivíduos e das massas, porque permite conhecer o que seremos um dia, é um ponto de apoio, uma luz que nos guia. O espiritismo ensina a suportar as provas com paciência e resignação. Ele desvia os atos que podem retardar a felicidade futura e é assim que contribui para essa felicidade (KARDEC, 2008, questão 982), porém vale lembrar que o homem tem a mesma oportunidade em qualquer caminho que ele seguir para alcançar a sorte futura, pois é o bem que assegura essa condição.

Assim como qualquer outro advento próspero e que fuja aos padrões da sociedade, o espiritismo também possui resistência para ser aceito por todos, mas como trazem os espíritos na questão 798 do Livro dos Espíritos, ela […] se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos.

É importante considerar que o espiritismo apesar de estar destinado a exercer grande influência no adiantamento dos povos, […] pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange (KARDEC,2013, cap. XVIII, item 25), não pode desencadear uma renovação social fazendo com que todos, incluindo os materialistas e os ateus, creiam nele e em todas as informações a respeito do que nos espera no outro lado da vida.

Nem Jesus com seus prodígios conseguiu convencer a todos. […] Não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens, em sua bondade, ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão (KARDEC, 2008, questão 802), gradativamente, sem atropelar o rumo natural das coisas; por isso a doutrina espírita surgiu na hora em que podia ser de utilidade, já que se viera mais cedo, teria esbarrado em obstáculos insuperáveis (KARDEC, 2013, cap. XVIII, item 25). Cada coisa tem seu tempo.

Entretanto, os espíritas devem continuar fazendo o trabalho em divulgar o conteúdo do espiritismo, lançando à sociedade um novo modelo de compreensão sobre manter-se na Terra e sobre a vida vindoura, operando diretamente no comportamento individual e coletivo, como constatou Allan Kardec e afirmou no seu discurso:

Tem impedido inumeráveis suicídios; restaurou a paz e a concórdia num grande número de famílias; tornou mansos e pacientes homens violentos e coléricos; deu resignação aos que não a tinham e consolações aos aflitos; reconduziu a Deus os que não O conheciam, destruindo-lhes as ideias materialistas, verdadeira chaga social que aniquila a responsabilidade moral do homem (KARDEC, 2019, Discurso do Sr. Allan Kardec).

Esse depoimento, assim como outros, mostra-nos o resultado que o espiritismo pode proporcionar ao indivíduo e à humanidade, porém quando é bem assimilado e vivido, já que apenas crer na existência dos espíritos e não tornar-se uma pessoa melhor, mais benigna e indulgente para com os seus semelhantes, não determina a transformação individual e da sociedade (KARDEC, 2006, item 350).

Dessa forma, tendo como objetivo combater os vícios e encorajando o desenvolvimento de virtudes, o espiritismo oferta condições para inspirar no progresso da humanidade, promovendo assim uma era de aperfeiçoamento social e moral, pois a Doutrina Espírita é, […] acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão  do homem alcance horizontes mais altos (XAVIER, 1998).O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade (KARDEC, 2009, cap. I), é a luz para os ensinamentos do Cristo, […] explica o Evangelho não como um tratado de regras disciplinares, nascidas do capricho humano, mas como a salvadora mensagem de fraternidade e alegria, comunhão e entendimento, abrangendo as leis mais simples da vida (XAVIER, 1998).

Ana Paula Januário

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008. 352 p.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 363. ed. São Paulo: Ide, 2009. 288 p.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 77. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

KARDEC. Allan. A Gênese. 53. ed. Brasília: FEB, 2013. 409 p.

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de estudos psicológicos. Ano 4, 1861. 4 ed. Brasília: FEB, 2019. 552 p.

XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. 38 (Missão do Espiritismo), p. 159.

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Chico Xavier e o incêndio no Edifício Joelma

Anunciamos, no mês anterior, uma série de matérias especiais relacionadas à marca de duas décadas da desencarnação do nosso inesquecível Chico Xavier (ver aqui), que nos deixa, então, “20 anos de saudade”. Nesse meio tempo publicamos a reportagem Chico Xavier e o caso “O Cruzeiro”, contando em detalhes um dos mais marcantes episódios desta extraordinária biografia. Trazemos agora um apanho de outro momento muito importante da trajetória do médium, fazendo menção ao triste evento do incêndio do edifício Joelma, na Capital de São Paulo, no qual Chico ganha visibilidade após psicografar o drama de Espíritos que morreram vítima daquela tragédia que abalou o país inteiro e participar — ele mesmo — de um longa-metragem contando essa história intrigante.

A tragédia

A tragédia em questão se deu em 1 de fevereiro de 1974: o imponente Edifício Joelma (depois rebatizado para Edifício Praça da Bandeira), localizado na região central de São Paulo, Capital, foi construído e inaugurado em 1972, sendo imediatamente alugado para um banco de investimentos. No começo daquele ano da tragédia, a empresa estava desocupando algumas salas, que estavam sendo alugadas para servir de escritório para outras companhias. Ocorreu, pois que, na data assinalada, por volta das 8h45, um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado do 12° andar provocou um terrível incêndio que tomou conta de todo o prédio.

Não havia nem 2 anos (precisamente em 24 de fevereiro de 1972) que a mesma cidade paulistana havia assistido a outro incêndio de grandes proporções, no Edifício Andraus. O prédio ficou inteiramente destruído e o número de vítimas fatais foi de 16 pessoas, ficando também cerca de 3 centenas de feridos graves. Entretanto, sem chegar perto dos números do caso do Joelma: 187 mortos e mais de 300 pessoas ficaram gravemente feridas; é até hoje a segunda pior tragédia com incêndio em arranha-céu por número de vítimas fatais, atrás somente do colapso das Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York em 11 de setembro de 2001.

O caso do Edifício Joelma motivou a articulação de várias entidades em favor do estabelecimento de novas e mais precisas normas de segurança para instalações urbanas públicas e comerciais.

O drama de Wolquimar

Dentre as vítimas daquele incêndio contou-se a jovem Wolquimar Carvalho dos Santos, de família espírita e inclusive habituada a sessões mediúnicas, com quem, aliás, havia acontecido uma série de eventos especiais como que preparando-a para aquele assustador desfecho que lhe parecia inevitável. Uma vez desencarnada, seu Espírito aparece à sua mãe e lhe sugere ir ter com Chico Xavier, então residente em Uberaba. Num primeiro momento, nenhum contato substancial, mas depois Wolquimar e mais outro Espírito, que também foi morto no mesmo episódio, Wilson William Garcia, reuniram-se e contaram seus dramas pessoais, originando assim a publicação do livro Somos Seis, em 1976, organizado por Caio Ramaziotti, livro que contém ainda histórias de outros quatro jovens desencarnados, mais uma entrevista com o querido médium espírita, falando sobre mortes prematuras.

O filme

A história de Wolquimar serviu de inspiração para o roteiro do filme Joelma 23° andar, produzido em 1979, sob a direção de Clery Cunha e estrelado por Beth Goulart, com a participação do próprio Chico Xavier, que aparece psicografando as cartas consoladoras, nas quais a mãe de Wolquimar encontrou mais alento para a sua dor de mãe órfã.

Cartaz do filme Joelma 23° Andar

Assista ao filme:

https://www.facebook.com/Portal.Luz.Espirita/videos/362181345502497

Tanto o livro quanto o filme deram grande visibilidade ao médium e ao Espiritismo, além de levantar o debate sobre as razões e as consequências das mortes de crianças e jovens, que não podem ser melhor explicadas senão pela luz e consolo da Doutrina Espírita.

Linha Direta sobre o caso do Edifício Joelma

O caso do Edifício Joelma também foi contado na edição de lançamento do programa Linha Direta da Rede Globo, que, embora muito carregado de dramaticidade, contém outros elementos curiosos envolvendo a história daquele prédio, antes e depois da tragédia de 1974.

Eis, pois, mais uma grande contribuição de Chico Xavier para a propagação da nossa amada doutrina, pelo que, certamente, muito temos o que agradecer a este ser extraordinário que nos deixa com vinte anos de saudades.

Mais uma vez, obrigado, Chico!

Fonte: Espiritismo em Movimento

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Prazeres da Carne X Aprimoramento Espiritual

Cecília Alves

A Bíblia nos ensina em Gálatas, capítulo 5, versículo 16: “Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne”.

No excerto acima nos recomendado que procuremos satisfazer as inclinações do espírito em detrimento aos prazeres ou satisfações da matéria, ali colocado sob a figura alegórica “carne”, em outras palavras poderíamos afirmar que está sendo recomendado ao homem que busque a evolução espiritual, parece contraditório “esquecer” a existência do que nos é material, visto que estamos encarnados, mas será que era exatamente isso que o texto bíblico nos ensinava?

Observemos o que O Codificador nos traz através de O Livro dos Espíritos questão 93:

O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer? “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.” Envolvendo o germe de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

Compreende-se do exposto que o espírito possui um envoltório relativamente grosseiro, ao qual denominamos de perispírito, este se faz um elo entre o nosso espírito (natureza espiritual) e corpo físico (natureza material), se fazendo indispensável na condição atual do homem para sua atuação.

Observamos ainda que apesar de sua identidade espiritual, visto que é sua essência, o homem possui ainda uma outra natureza quando encarnado, esta a natureza física ou material e dela sofre influências, como não poderia deixar de ser, visto que encarnado.

Deste modo somos seres espirituais vivenciando uma experiência material (carnal) para melhor cumprirmos as nossas atividades e experiências evolutivas.

A respeito das experiências evolutivas do homem e do seu aperfeiçoamento vejamos o que nos traz A Gênese em seu capítulo XVIII:

Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência.

Do exposto observamos que a humanidade progride moral e intelectualmente e quanto maior o seu progresso, progride também o orbe no qual ela habita. Chamamos atenção ainda ao que o excerto acima chama de abrandamento dos costumes, em nosso entendimento o referido abrandamento concerne as atitudes humanas e aos costumes sociais que aos poucos se tornarão mais evoluídos e espiritualizados.

A criatura humana é destinada a evolução, posto que como nos ensina O Livro dos Espíritos, esta é uma Lei Natural. Deste modo, podemos compreender que o homem sob a influência material, ainda que seja um ser espiritual, está sujeito aos desejos e apelos materiais, e quanto mais evoluído menos deles terá necessidades, visto que em processo de depuração moral.

Deste modo, compreendemos que ao homem não é obstado usufruir da matéria e dos gozos que lhe poderá proporcionar, até por que precisamos dela para nos manter enquanto encarnados, afinal todos vestimos, nos alimentamos e mantemos nossa vida de encarnados através de atividades materiais, pois é nesse plano que vivemos e são as necessidades que dele urgem. Entretanto, os excessos de toda ordem apesar de permitidos ante o nosso livre arbítrio, não nos são lícitos, posto que são a negação da nossa essência espiritual. Assim, se somos criaturas voltadas unicamente aos prazeres e satisfações da matéria estamos a negar a nossa essência espiritual.

Assim não é proibido ao homem, por exemplo, usufruir de atividades como festas, aniversários ou carnaval, por exemplo, os equívocos se encontram no excesso, bem como nas intenções das quais o homem pode estar nutrido e o carnaval é um exemplo disto, conhecido popular e mundialmente como uma festa da carne, ou seja, para satisfação dos sentidos.

O quanto ainda precisamos dele? Ou o quanto os seus moldes ainda nos satisfazem?  É uma indagação que deixamos a ser respondida por cada leitor a si mesmo.

Lembramos que o espiritismo de nada nos tolhe, mas nos convida a reflexão e ao exercício do livre arbítrio.

Cecília Alves

Fonte: Letra Espírita

Referências bibliográficas:

Bíblia Online: https://www.bibliaonline.com.br/acf

Kardec, Allan: A Gênese, 53º ed.– 8. imp. – Brasília: FEB, 2019

Kardec, Allan: O Livro dos Espíritos, 24º reimp. Fev 2019 – Capivari, SP, Editora EME

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Heroísmo e Liderança

Divaldo Pereira Franco

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No próximo dia 19 do corrente mês (fevereiro), os baianos em especial e os brasileiros em geral comemoramos o aniversário de desencarnação da veneranda abadessa Joana Angélica de Jesus, no ano de 1822, num momento de abnegação e defesa do monastério, que um grupo de portugueses desejava invadir.

Eram ainda os momentos da Independência do Brasil, em contínuas batalhas de rebelião das tropas aquarteladas, nesta cidade do Salvador, que pretendiam reverter o acontecimento glorioso para o Brasil.

Quando a soldadesca, com vários embriagados e em descontrole, aproximou-se do convento, dominada pela selvageria, a religiosa que administrava a Casa de Deus abriu a porta de entrada antes de ser arrombada e, segurando o crucifixo, desafiou os desordeiros, exclamando: Fora! Aqui somente entrareis sobre o cadáver de uma mulher!

Um dos bandidos, baioneta na ponta do fuzil, aproximou-se com violência e desferiu-lhe o golpe mortal, enquanto ela retrocedeu, cambaleando até uma marquise e tombou, assim facultando a entrada dos assaltantes em desalinho.

Esse acontecimento, à porta do monastério, permitiu que as demais religiosas e outras residentes se escondessem, poupando-se à sanha dos desvairados, que roubaram as alfaias e demais objetos de culto religioso numa debandada lamentável.

O heroísmo da mártir constitui até hoje um exemplo de liderança real para a Humanidade desnorteada, na qual escasseiam vultos de tal quilate.

Infelizmente, cada dia mais são exaltados os indivíduos que se notabilizam, entre outros requisitos, pelo exotismo e vulgaridade, aberração de comportamento, ausência de compostura e forte agressividade.

Quanto mais estranhos e fúteis, embriagados pelas drogas proibidas e pela luxúria, pela ausência de qualquer ética de conduta, fazem-se seguidos por milhões de simpatizantes e adeptos das suas extravagâncias, reduzindo a busca da felicidade aos momentos de alucinação…

Concomitantemente, aumenta o número dos transtornos psicológicos, desequilíbrios orgânicos e mentais, num festival de angústia e desencanto.

Há, na psique humana, mesmo em germe, a presença de Deus, conforme constatação das neurociências e dos estudos e investigações de laboratório, demonstrando que o ser humano é algo mais do que o seu invólucro material, e que a morte, considerada etapa final da vida, é antes de tudo porta que se abre para a dimensão superior da Vida, a de natureza imortal.

Em consequência, há um objetivo fundamental no existir, que é progredir incessantemente e transformar a Terra num paraíso desde agora.

Faltam líderes reais, desapaixonados das ilusões e heroicos no cumprimento do dever.

Cabe-nos refletir, utilizando os instrumentos da Ciência, qual tem sido a nossa conduta.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 10 de fevereiro de 2022.

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