Sugestões Simples

Marco Prisco

O que a Tendência da Natureza tem a Dizer Sobre Nós | Estofados Jardim

O mau humor que você cultiva terminará por transformar-se num hábito perturbador, que lhe trará distúrbios de vária ordem, nos conteúdos físicos e emocionais.

O mau humor é morbo que deve ser vencido com eficiência.

Quem se acostuma com o charco, olvida-se da beleza e da saúde que proporciona o planalto.

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Torne a sua palavra gentil e portadora de mensagem edificante.

O verbo, a serviço da verdade, não deve ser como o gume afiado da lâmina que decepa, mas como o raio de luz que dilui a sombra.

Quem pretende alcançar a plenitude, não deve deixar marcas de angústia pela senda percorrida.

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Sorria confiante quando os desafios lhe ameaçarem o percurso evolutivo.

A alegria de lutar abre espaços emocionais para que os estímulos se renovem, gerando forças que se multiplicam.

Quem teme batalhas, perde as oportunidades de crescimento libertador.

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Cuide de manter-se bem externa e internamente.

Quando alguém se ama, proporciona-se recursos de bem-estar decorrente das paisagens íntimas que devem ser ricas de belezas.

Quem se permite descuidos nos compromissos para consigo mesmo, jamais atenderá aos deveres maiores do processo iluminativo.

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Faça do trabalho um companheiro de todas as horas, no qual você encontre renovação de energia para o desempenho dos compromissos superiores da vida.

Todo aquele que tem preenchidas as horas com realizações enobrecedoras, jamais dispõe de tempo para a queixa, a depressão, os conflitos perturbadores.

Quem vive à procura de repouso injustificado, perde os melhores momentos da existência.

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Transforme as dificuldades em ocasiões de enriquecimento espiritual.

Sem os percalços e problemas do cotidiano, que devem ser superados, ninguém consegue ultrapassar a barreira dos próprios limites.

Quem se recusa aos enfrentamentos que conduzem ao progresso, estagna-se em perigosa paralisia espiritual.

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Examine as suas possibilidades de realização e execute os seus programas com entusiasmo, No entanto, evite exigir que os demais o sigam na direção das suas metas.

Cada pessoa tem as suas próprias necessidades e aspirações.

Quem exige dos outros o cumprimento dos deveres, não raro esquece-se de executar aqueles que lhe dizem respeito.

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Valorize o milagre das horas, delas utilizando-se com sabedoria.

O tempo não passa, porque é imutável. Todavia, aqueles que transitam sob as exigências do relógio, não se podem permitir o prejuízo de não lhe considerar o valor.

Quem permanece aguardando sem nada fazer, desperta tardiamente para a realidade perdida.

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Seja útil onde se encontre, porque todos necessitam uns dos outros.

Quando você distende mãos amigas em favor de alguém, está contribuindo para que o processo do enriquecimento da vida se torne mais fácil e produtivo.

Quem se recusa a ajudar, emaranha-se em doentio mecanismo de isolamento emocional.

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Cultive o hábito saudável da oração ativa.

Qualquer lugar e momento facultam ensejo a pensamentos superiores que se transformam em comunicação com a Divindade.

Quem não se reabastece na comunhão com Deus proporcionada pela prece, estiola-se interiormente, desperdiçando os preciosos recursos da alegria e da paz.

Marco Prisco

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 25 de abril de 2001, em Lisboa, Portugal.

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A grande esperança

Joanna de Ângelis

O ceticismo religioso dominava as massas desarvoradas, encontrando-se a fé apenas em reduzidos grupos de perseverantes Espíritos fiéis às leis mosaicas.

Israel estorcegava-se sob governos arbitrários e perversos, chegando ao cúmulo de ser comandado por insensíveis mandatários não judeus.

As lutas políticas incessantes e os interesses inconfessáveis, que lutavam em contínuas desavenças, contribuíam para aumentar a miséria social e o desrespeito ao poder.

A submissão aos dirigentes do país facultava a dissolução dos costumes, os quais, embora o Templo em Jerusalém e as sinagogas espalhadas pelo território não atraíssem o povo, estavam reservados aos privilegiados que desfrutavam das ambições sórdidas e se empenhavam em dominar com avidez.

Não havia fidelidade ao Deus Único, que parecia distante.

A Sua voz estava silenciosa fazia mais de quatro séculos, o que permitia os transtornos morais e conveniências desastrosas em toda parte.

Bem poucos israelitas aguardavam que se cumprissem as promessas ancestrais da chegada do Messias.

Acalentava-se, sem dúvida, que Ele viria, porém, como um vingador terrível e inclemente, concedendo ao Seu povo glórias e poderes transitório, porque somente de natureza bélica e orgulhosa.

Naquele período em particular, Roma assenhoreara-se do mundo conhecido e as suas legiões implacáveis impunham-se vigorosas.

Como resultado de lutas cruéis, o triúnviro Pompeu, por volta do ano 63 a.C., conquistou Jerusalém e mais tarde todo o país, que passou a ser governado no período de Júlio César, que nomeou procuradores para que se responsabilizassem pela Palestina, seguido por Antônio que nomeou Herodes, como governador da Judeia e da Pereira… Posteriormente, porém, Herodes foi nomeado pelo senado romano rei dos judeus e a dominação se estendeu até o século II d.C.

Herodes, que passará a ser conhecido como O Grande, não era judeu, mas idumeu, governou o país com crueldade, a ponto de ser um consumado homicida quem após matar sacerdotes, pessoas influentes da cidade, alguns dos próprios filhos e a esposa Mariana, que era asmoneana, com o seu temor de uma revolução popular, fez-se temido e odiado.

Em mecanismo de defesa construiu diversos palácios, inclusive, a fortaleza de Massada, em pleno deserto da Judeia.

O seu governo de terror esteve sob o patrocínio do imperador Otaviano, que muito trabalhou pela paz de Roma em toda parte durante a sua governança.

Nada obstante, Herodes prosseguiu com o seu medo patológico de perder o país para outro, instaurando perseguições que não cessaram durante todo o seu reinado.

Caluniando a esposa de praticar adultério, obrigou a genitora a confessar o crime da filha, assim fazendo sob ameaça de também perder a vida…

*****

Foi nesse período de turbulências incessantes e de terror, em que o ser humano valia menos do que um animal de carga, misturando-se com a miséria moral de todo porte, que surgiu a esperança de salvação para a Humanidade.

A dor da plebe e dos agricultores, que deixavam seus campos para procurarem as cidades onde talvez pudessem encontrar pão e paz, fazia que os núcleos humanos nos orbes aumentassem incessantemente e o crime, como desconforto, se tornassem insuportáveis.

Foi nessa paisagem mundana que Jesus nasceu, silencioso como uma estrela que espalha luz e não produz ruído.

Havendo Seus pais elegido uma gruta calcárea onde os pastores das cercanias de Belém de Judá guardavam os seus rebanhos no inverno e nas noites frias, porque na cidade que aguardava o recenseamento não havia lugar, metaforicamente, como ainda hoje não há lugar para Ele pelas vaidades humanas e alucinações do orgulho vão.

A psicosfera do planeta se alterou para um clima de harmonia possível e os seres sublimes desceram à Terra, não mais como conquistadores, e sim, como pensadores, poetas, estatuários, artistas em geral e até pacificadores…

Iniciou-se um particular período na sociedade de Israel, que Ele produziu com as Suas palavras e Seus feitos.

Descendo de Nazaré onde residia com os seus pais, em Cafarnaum convidou os companheiros que participariam da construção do Reino de Deus nos corações humanos.

As Suas palavras doces e candentes iluminavam as sombras da ignorância em toda parte, dando começo à vivência da verdade e dos sentimentos nobres destruído anteriormente pela insânia que dominava o país.

Ele revolucionou a forma da convivência social e instalou o amor como a solução para todos os problemas da Humanidade.

Ninguém que O houvesse igualado. Seus conceitos baseados nas Leis e nos profetas completava-os, oferecendo divino pábulo para a sustentação edificante das vidas.

Seus feitos incomparáveis superaram tudo quanto antes ocorrera e jamais sucederia no prolongamento dos tempos.

Amou até o sacrifício pessoal, oferecendo-se ao martírio como jamais alguém o houvera realizado.

Desprezado, perseguido, infamemente julgado e crucificado, jamais se desdisse e tornou-se o Modelo e o Guia para todos os tempos do futuro.

…E após a morte, retornou em pujança de paz, para que os Seus discípulos, não desanimassem no ministério.

*****

Jesus é insuperável!

O Seu Natal é o momento em que, tomando a forma humana, ensinou-nos a viver conforme os padrões éticos da Imortalidade na qual todos nos encontramos mergulhados.

Aproveita estes dias que precedem aquele em Ele Nasceu entre nós, e celebra-O no ádito do teu coração.

Revive a presença de Jesus na Terra e insculpe as Suas lições na tua conduta, neste momento em que o mundo tem sede de luz e de paz, crescendo em amor tanto quanto já foi conseguido em tecnologia e ciência, passando a possuir as asas da paz, a fim de te alçares ao paraíso onde Ele a todos nos espera.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 3 de outubro de 2021, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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Jesus jamais transigiu com a impostura religiosa

 Jorge Hessen

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jorgehessen@gmail.com

Imaginemos o dantesco panorama das eras apostólicas em que uma mulher foi flagrada em adultério. Adeptos da religião extrínseca, fanatizados pela sentença rigorosa da Lei judaica, arrancaram-na da cama e a arrastaram até o lugar em que Magno Rabino se encontrava. A adúltera gritava Clemência! Compaixão! enquanto era arrastada; seus indumentos iam sendo dilacerados e sua pele sangrava esfolando-se no chão rugoso.

Neste episódio, tradicionalmente conhecido por muitos cristãos, durante a estada terrena de Jesus, topamos com um dilema evidente entre a diferença do religioso escravo à religião extrínseca e o verdadeiro sentido moral da indulgência e da religiosidade intrínseca.

No episódio acima, percebemos a sustentação farisaica da religião extrínseca do castigo, do medo e da angústia, numa circunstância que são destacados religiosos prisioneiros aos aspectos formais da lei mosaica, completamente distantes do correspondente sentido da religiosidade intrínseca na sua essencial pureza de origem.

Nos códigos de Moisés, aquela mulher, pega em adultério, não encontraria nenhuma brecha de escape, precisava mesmo ser lapidada até à morte. Observa-se que diante da dura e inflexível lei escrita pelo patriarca do Monte Sinai, a veemência pelas normas e preceitos, com certeza, estavam acima do valor da vida humana.

Na verdade, os escribas e fariseus utilizaram aquela mulher, expondo-a perante a multidão, simplesmente, para a execução de seus pérfidos desígnios, que era conseguir pegar em flagrante Jesus em possível contradição dos seus Princípios Essenciais. Naquele contexto, compreendemos que a religião extrínseca dos judeus, no seu formalismo atroz, era induzir o homem a desempenhar o juízo implacável, o medo, a angústia e não a clemência. Obviamente desconheciam que a religião intrínseca (Cósmica) deve ter as suas estirpes estreitamente unidas ao amor, à justiça e a caridade.

A propósito o Mestre jamais transigiu com a impostura religiosa. A prova é que usou de todo o rigor com os escribas e fariseus, considerando-os puritanos camuflados de virtudes. Apesar disso, Jesus foi indulgente com as pessoas de “má vida”, com o bom ladrão, com as prostitutas e especialmente com aqueles que O insultaram e condenaram na cruz, dando a entender que ser religioso extrínseco (puritano) é mais degradante que ser adúltera, ladrão (Dimas), corrupto (Zaqueu)e cortesã (Madalena).

Em abreviada divagação sobre as religiões extrínsecas (dogmáticas), trazemos para discussão o artigo Cosmic religion de Albert Einstein, contido no livro Out of my later Years, onde é publicado as coerções das autoridades escravizantes e encarcerantes da religião extrínseca (sectária).

Einstein acerca-se da questão da religiosidade intrínseca como sendo a nossa comunhão perfeita com o Criador, sopesando a superfluidade dos procuradores intermediários do Senhor da Vida, habitualmente impondo práticas coativas, punitivas e negocistas de coisas “sacras”, sob o tacão das obrigações dos pactos impudicos.

No nível elevado de religião cósmica conseguimos nos conectar com liberdade nas coisas e circunstâncias mais profundas do Universo. Livres, construímos uma relação profundamente harmoniosa, a partir da qual nos abastecemos da energia amorosa do Criador da Vida.

Numa relação de subnível religioso Einstein denominou a religião do medo quando o homem teme a Deus e rende culto externo para ser supostamente protegido das adversidades da vida, alimentando sempre a insegurança e temor dos castigos do Deus extrínseco.

Noutro desnível de subserviência religiosa o Pai da Teoria da Relatividade denominou de religião da angústia aquela em que o homem é totalmente manipulado pelas castas sacerdotais dotadas de poderes para advogarem junto ao Deus antropomórfico alvitrando libertação das angústias sociais os seus seguidores.

Já no elevado nível da religiosidade intrínseca Einstein nomeia de religião cósmica. Recordando que os grandes gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por possuírem este senso de religiosidade intrínseca cósmica. Por não reconhecerem necessidades dos dogmas e muito menos um Deus concebidos a imagem humana.

Por isso, a religião dita tradicional abomina a religião cósmica sugerida por Einstein. Até porque, é precisamente entre os denominados heréticos de todos os tempos, afirma o Gênio da física,  que encontramos homens que foram inspirados por essa elevada experiência religiosa cósmica, porém, foram considerados eventualmente pelos seus contemporâneos como ateus, ou até às vezes também como os santos.

Por este ângulo, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Espinoza se assemelham. Como pode o sentimento religioso cósmico intrínseco ser transmitido de uma pessoa a outra se ela destrói a noção limitante de Deus e a dogmática teologia humana?

Na perspectiva do Einstein a função mais importante seja da arte e da ciência consiste em despertar e manter vivo este sentimento de religião cósmica em todos os que sejam receptivos a Deus. O homem que está profundamente convencido da função universal da lei da causalidade não pode considerar a ideia de um Deus qual um ser mesquinho que interfere no curso dos acontecimentos mais comezinhos.

O homem que está profundamente convencido da função universal da lei da causalidade não cede espaço para uma religião do medo, nem mesmo uma religião social ou moral que o aprisiona. De modo algum pode conceber um Deus que recompensa e castiga, já que o homem é regido pelo código moral de leis da consciência.  Por este motivo, historicamente a ciência foi incriminada de prejudicar a moral, contudo isso é um equívoco das religiões extrínsecas.

E como o comportamento moral do homem se fundamenta eficazmente sobre a simpatia ou os compromissos sociais, de modo algum implica uma base religiosa hierarquizada, teológica e dogmática que impõe castigos para a mantença de falsas virtudes sob o tacão da angústia e o medo entre os homens.

Com a mulher adúltera Jesus tinha todos os pretextos para pronunciar: De hoje em diante sua vida me pertence, você deve ser minha discípula. Os líderes religiosos extrínsecos usam seu poder para que as pessoas os aplaudam e gravitem em sua órbita. Mas Jesus, apesar do seu descomunal poder sobre a mulher, foi desprendido de qualquer interesse. Vá e revise a sua história, cuide-se. Mulher, você não me deve nada. Você é livre!

O Mestre deu-nos o exemplo através do perdão, recomendando a ponderação da não reincidência pelo esforço da vigília “vá e não peques mais”. Assim, deu à adúltera a oportunidade de retomar o curso da vida, sob um novo roteiro de não mais prevaricar naqueles mesmos lapsos morais.

Allan Kardec ressalta que a autoridade para condenar está na razão direta da autoridade moral daquele que julga. (1) A advertência é para que não nos esqueçamos desse nosso compromisso com o Mestre, que no seu Evangelho deixou o código de conduta seguro para seguirmos adiante com firmeza e confiança: “faça ao outro aquilo que deseja seja feito a você”; “ame ao próximo como a si mesmo”; “não julgueis para não serdes julgados”.

Em síntese, o Espiritismo  é a mais esplendorosa proposta do livre pensamento  e o mais possante apelo para o pleno exercício da religiosidade intrínseca.

 Jorge Hessen

Fonte: Artigos Espírita – Jorge Hessen

Referência:

1 – Kardec Allan, O Evangelho segundo Espiritismo, Capítulo X, item 13

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Vícios na Visão Espírita

Simara Lugon Cabral

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6:21)

A palavra vício tem origem do latim vitium e significa “falha ou defeito”. O conceito de vício é caracterizado como um desejo persistente de fazer ou consumir um ativo genérico de prazer, levando à dependência, que quando não é saciada leva o viciado à uma crise de abstinência, que traz uma sensação de angústia, apatia e até mesmo dores físicas. O que diferencia o hábito do vício é que esse sempre oferece algum prejuízo ou risco, enquanto o hábito não atrapalha os eventos diários da vida de uma pessoa. Existem diversos tipos de vícios com consequências mais ou menos graves: a dependência de sexo, de adrenalina, os viciados em trabalho denominados workaholics, a dependência tecnológica, o vício em jogos de azar, o vício em comida e a dependência química, que é o vício em álcool, drogas e outras substâncias, lícitas ou ilícitas. O vício está sempre ligado ao prazer ou recompensa, assim, o adicto tende a buscar determinada substância ou comportamento visando obter uma sensação de prazer, bem-estar ou alívio. Isto ocorre porque a satisfação dos vícios ativa os sistemas de recompensa do cérebro, influenciando a produção de dopamina, que gera uma sensação de bem-estar.

Existem diversos fatores que levam a pessoa ao desenvolvimento do vício, seja a baixa auto-estima, insegurança, um desequilíbrio emocional, a necessidade de se sentir aceito em um determinado grupo de pessoas ou um desejo de suprir um vazio emocional que pode ter origem na infância ou em vidas anteriores. Desta forma, o desenvolvimento do vício ocorre como uma resposta emocional à uma dor com a qual a pessoa não consegue lidar, e por essa razão ela recorre a algo material que a faça sentir um alívio ou que a faça esquecer por alguns instantes aquilo que a faz sofrer, e assim, ela vai se entregando cada vez mais até estar completamente dominada. Infelizmente nem todas as pessoas aprendem ou tem a oportunidade de lidar com seus problemas emocionais de outra forma e por este motivo se entregam ao vício. Porém é importante que compreendam que é possível lidar com suas dificuldades de outra forma, através do autoconhecimento, da busca por auxílio psicológico ou psiquiátrico e do aprendizado das leis divinas.

Neste sentido o espiritismo pode ser de grande auxílio, pois ao se aprofundar no estudo e na análise dos vícios à luz da Doutrina Espírita compreende-se que eles nada mais são do que o oposto da virtude: cabe a cada Espírito o esforço moral no combate aos vícios e no desenvolvimento das próprias virtudes, a partir do momento que seguirem o conselho de Cristo: Orar e vigiar. No livro O Evangelho segundo o espiritismo, no capítulo 28, item 20 lê-se que: “Portanto, quando surge em nós um mau pensamento, podemos imaginar um Espírito malévolo incitando-nos ao mal, ao qual somos totalmente livres para ceder ou resistir, como se tratasse de um convite de uma pessoa viva. Mas devemos, ao mesmo tempo, imaginar nosso anjo da guarda – ou Espírito protetor-, que, por sua vez, combate em nós a má influência e espera com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em fazer o mal é a voz do bom Espírito, que se faz ouvir pela consciência.” Desta forma, compreende-se que ao orar é possível obter o auxílio dos bons espíritos ao lidar com as dificuldades e ao vigiar não se cairá tão facilmente nas tentações da carne.

Os vícios comprometem o progresso espiritual, que é o objetivo de todos os espíritos durante sua encarnação, portanto deve-se esforçar para evitá-los e por outro lado, buscar focar no desenvolvimento das virtudes, que auxiliarão o indivíduo a enfrentar os momentos difíceis e a superar suas próprias limitações. Durante o dia-a-dia é fácil deixar-se envolver pela sedução dos prazeres da carne, que estão à disposição de todos, porém aquele que entrega seu corpo e sua vida às paixões materiais terá que arcar com as consequências de seu comportamento, que poderão reverberar durante a atual ou até mesmo nas próximas existências, a depender do grau de comprometimento e da gravidade do vício. Para tanto, deve-se levar em conta a recomendação de Paulo em I Coríntios 6:12: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”, pois todos dispõem do livre arbítrio para escolher o caminho que desejam seguir, porém a colheita do plantio realizado é obrigatória. Quando se faz mau uso do instrumento do espírito, que é o corpo físico, ingerindo substâncias nocivas, deixando de cuidar da saúde e se deixando dominar por hábitos que podem trazer prejuízos ao corpo e ao períspirito certamente as consequências virão. Na questão 714 de O Livro dos Espíritos é informado que: “O homem que busca nos excessos de todas as espécies um refinamento dos prazeres rebaixa-se mais do que os animais, pois estes sabem parar assim que satisfazem suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu como guia, e quanto maiores forem seus excessos, maior domínio ele concede à sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, as enfermidades e a própria morte, resultantes do abuso, são também punição à transgressão da lei de Deus.”

Além disso, os vícios não prejudicam somente aquele que se deixa dominar por eles mas também aos familiares, amigos e todos que amam o adicto e que sofrem ao ver o comportamento problemático do ser amado e algumas vezes podem desenvolver um transtorno chamado codependência, onde as pessoas que convivem com adicto passam a viver em função dele, assumindo a responsabilidade pelos problemas dele, o que traz prejuízos para a vida do codependente. Os vícios também são portas abertas à obsessão espiritual visto que no planeta Terra, os espíritos estão ao redor dos encarnados sempre buscando aqueles que vibram em uma mesma sintonia. Deste modo, encarnados que são adictos ativos atraem a companhia de espíritos de viciados que buscam nutrir as sensações do vício através da interação com os fluidos do encarnado quando o mesmo está consumindo a droga ou a substância que lhe gera a dependência, dificultando mais ainda a superação do vício. Em O Livro dos Espíritos na questão 479 lê-se que: “A prece é um meio eficaz de curar a obsessão?” “A prece é em poderoso socorro para tudo. Mas entendei bem que não basta murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus ajuda os que agem, não os que se limitam a pedir. É preciso, portanto, que o obsidiado faça a sua parte para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.”, ou seja nos casos de obsessão de viciados é necessário que o adicto mude seu comportamento em primeiro lugar para que, apenas assim, consiga se livrar da obsessão espiritual.

Desta forma compreende-se que os vícios trazem prejuízos aos encarnados, aos desencarnados que o rodeiam, aos seus familiares, amigos e a todos que os querem bem, além de prejudicar o invólucro carnal e o períspirito do viciado fazendo com que a valiosa bênção da encarnação tenha seu objetivo fracassado pois o adicto perde a oportunidade de superar suas imperfeições e não consegue subir os degraus rumo à evolução espiritual. É preciso que toda a sociedade compreenda a necessidade de abolir todo e qualquer comportamento que incentive o vício e estenda a mão aos infelizes seres que não conseguiram resistir à ele, pois é esclarecido na questão 793 de O Livro dos Espíritos:”(…) só tereis o direito de considerar-vos civilizados quando tiverdes banido de vossa sociedade os vícios que a desonram, e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã.”.

Simara Lugon Cabral

Fonte: Letra Espírita

Referências bibliográficas:

  1. Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br/>. Acessado em 08 de janeiro de 2022.
  2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  3. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.
  4. Vício – Definição. Disponível em: <https://saude.ccm.net/faq/526-vicio-definicao>. Acessado em 08 de Janeiro de 2022.
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Carnaval Segundo o Espiritismo

Geane Lanes

CARNAVAL SEGUNDO O ESPIRITISMO

O Carnaval (Carnaval (do latim “carnis levale” = retirar carne). Existem hipóteses de que o vocábulo carnaval seja uma referência ao jejum da quaresma) é uma festa de origem pagã que remonta à Antiguidade. Segundo historiadores, essas festividades, possivelmente, têm raízes nas festas greco-romanas dedicadas ao deus do vinho (Baco para os romanos e Dionísio para os gregos) e datam de mais de três mil anos.

No século VIII, com o crescimento do cristianismo, a Igreja instituiu a quaresma, intervalo de quarenta dias entre o carnaval e a Páscoa, em que os cristãos se preparam espiritualmente para celebrar a ressureição de Jesus. Embora a quaresma tenha ajudado a limitar o carnaval e, consequentemente, os exageros cometidos nessa época, ela é um período de jejum e controle dos comportamentos, o que fez com que muitas pessoas passassem a ver o carnaval como uma oportunidade de cometer os excessos de que logo se privariam.

No Brasil, registros históricos indicam que o carnaval foi introduzido por portugueses no período colonial, no século XVII. Chamada, na época, de entrudo (Intrudo (do latim “introitus” = entrada). Possivelmente é uma referência à entrada do período de carestia religiosa), essa festividade era baseada em brincadeiras nas quais as pessoas sujavam umas às outras, sendo mais praticadas pelos escravos e pelas camadas populares.

Ainda nos dias atuais, o carnaval é marcado por excessos no consumo de substâncias entorpecentes e por comportamentos lascivos, o que, segundo Bezerra de Menezes (FRANCO, 1982) mostra o vestígio da barbárie e do primitivismo ainda reinantes e que um dia desaparecerão da Terra.

Embora o carnaval seja carregado de alegria, emoção extremamente benéfica a todos os seres, as ações imprudentes cometidas nesse período podem gerar sérias consequências físicas e espirituais, tanto aos encarnados que as promovem, quanto aos desencarnados que as compartilham. Como observado em uma situação descrita pelo autor espiritual Manoel P. de Miranda (FRANCO, 1982), durante o carnaval, milhares de pessoas imprevidentes, estimuladas pela música frenética, pretendendo extravasar as ansiedades represadas, cedem ao império dos desejos mais mundanos e suas mentes, em torpe comércio de interesses subalternos, produzem uma psicosfera tóxica, na qual se nutrem irmãos desencarnados viciados e dependentes de tais emanações.

A descrição de Manoel P. de Miranda nos mostra como as ações irresponsáveis que muitas pessoas têm durante as festividades do carnaval vão muito além da matéria, pois espíritos em desequilíbrio se associam aos encarnados para obter aquilo por que tanto anseiam, estimulando-os a se entorpecerem e a agirem de forma cada vez mais lasciva e violenta. Contudo, devemos nos lembrar que, segundo a Lei da Liberdade, descrita por KARDEC (2004), todo o indivíduo é dotado de livre-arbítrio e, portanto, tem a liberdade de pensar e agir de acordo com sua verdade. Assim, embora desencarnados possam influenciar as ações dos encarnados, são estes que os chamam para próximo de si por meio de suas emanações energéticas e também são eles que decidem ceder a tais influências.

Em acréscimo, como apontado por XAVIER (2004), o nosso livre-arbítrio está intimamente atrelado à Lei de Causa e Efeito, a qual determina que para cada ação existe uma consequência, sendo que esta não deve ser interpretada como uma forma de punição, e sim como uma oportunidade de aprendizado. Como ensinado por nosso Mestre Jesus (“Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” – BÍBLIA – Mateus 18:7), os escândalos são úteis em nossa jornada de crescimento, porém as consequências de nossas ações equivocadas podem trazer situações de extrema dor e sofrimento a todos os envolvidos, encarnados e desencarnados.

Além dos aprendizados oportunizados pelos efeitos das ações imprudentes que são cometidas no carnaval, a relação estabelecida entre encarnados e desencarnados durante as festividades permite que o auxílio seja levado a muitos irmãos. A descrição dada por Manoel P. de Miranda (FRANCO, 1982), mostra que, antevendo as situações que comumente se desenrolam em virtude do carnaval, as equipes espirituais instalam vários postos de socorro em locais estratégicos, revezando-se de forma infatigável na busca de acolher desencarnados que se cumpliciam na farra irresponsável ou aqueles que tentam auxiliar seus afetos desatentos ao bem e à vigilância, minimizando a soma de infortúnios que podem advir da situação. Ainda segundo Manoel P. de Miranda, mesmo quando as providências espirituais sobre esses irmãos não parecem ter resultados exitosos, elas não representam fracassos, pois o contágio do bem sempre deixa impregnação amena.

Levando em consideração que o Espiritismo promove o respeito ao livre-arbítrio (Lei da Liberdade) e reconhece o valor dos aprendizados advindos das consequências de nossas ações (Lei de Causa e Efeito), quando o autor espiritual André Luiz nos traz que a conduta espírita aponta a necessidade de nos afastarmos de festas como o carnaval (“Afastar-se de festas lamentáveis, como aquelas que assinalam a passagem do carnaval, inclusive as que se destaquem pelos excessos de gula, desregramento ou manifestações exteriores espetaculares. A verdadeira alegria não foge da temperança.” – VIEIRA, 1979), ele não está dizendo que a doutrina espírita proíbe ou condena tais festividades, apenas está nos alertando sobre as consequências que determinadas ações tomadas durante esse período podem gerar.

Ademais, seguindo os ensinamentos cristãos de não julgar o próximo (“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” – BÍBLIA – Mateus 7:1,2), KARDEC (2001) mostra que a doutrina espírita também promove a indulgência, apontando a necessidade de jamais nos ocuparmos com os maus atos dos outros, a menos que seja para prestar um serviço, mas, mesmo neste caso, tomando o cuidado de atenuá-los tanto quanto possível.

Segundo Bezerra de Menezes (FRANCO, 1982), uma expressiva faixa da humanidade terrena ainda transita entre os limites do instinto e o prenúncio da razão, mais ávidos de sensações do que ansiosos pelas emoções superiores, portanto é natural que muitos se permitam, nesses dias (período do carnaval), os excessos que reprimem por todo o ano, sintonizados com entidades que lhes são afins.

Dessa forma, a espiritualidade aconselha a nos afastarmos das festas do carnaval por entender que ainda somos portadores de desvirtudes e que estamos sujeitos a cair diante das “tentações” que tais festas oportunizam. Contudo, se ainda desejarmos participar das festividades do carnaval, devemos nos impor frente às instigações tóxicas que encontramos durante esse período, colocando em prática todo o nosso aprendizado, não nos deixando seduzir por desejos mundanos que ainda residem em nosso ser.

No carnaval e em todos os dias de nossas vidas, devemos nos manter vigilantes, alimentando pensamentos e ações positivas e condizentes com os ensinamentos cristãos. Buscando pensar e agir de forma ponderada e responsável, evitamos prejuízos desnecessários e cultivamos o nosso bem-estar físico e espiritual.

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Geane Lopes

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

FRANCO, Divaldo P. Nas fronteiras da loucura. Ed. 1: Editora e Livraria Alvorada. 1982.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. Ed. 271: Editora IDE. 2001.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de J Herculano Pires – Ed. 64: Editora LAKE. 2004.

VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Ed 7. FEB. 1979.

XAVIER, Francisco Cândido. Ação e Reação. Ed 25: Editora FEB. 2004.

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Espíritas de gabinete?

Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Daniela Arbex é uma escritora muito conhecida pela sua obra “Holocausto brasileiro”, que trata dos horrores de um sanatório mineiro, além da sua recente obra sobre as vítimas do desastre de Brumadinho. Mas a autora se aventurou nas questões do mundo invisível com a excelente biografia “Os dois mundos de Isabel”, lançada em 2020 pela Editora Intrínseca e que trata da vida da médium, radicada em Juiz de Fora-MG, Isabel Salomão de Campos.

O livro é emocionante, super bem escrito e de uma leitura fluida e prazerosa. Em determinado trecho da obra (p. 131), narrando um ocorrido com a médium, em relação a uma oposição se ela deveria estudar ou trabalhar atendendo, e a resposta que lhe é dada é: “Atenda, minha filha, porque cristão de gabinete existe um monte. Precisamos é de trabalhador”, invocando uma expressão “de gabinete” que surge, vira e mexe, em falas do movimento espírita, mais ou menos nesse sentido.

Qual o busílis, o ponto nessa questão que enseja escrever algumas linhas para a reflexão é essa insistente pseudo-oposição entre estudo e trabalho, como se, ao se priorizar um, necessariamente o outro é reduzido, isolados em caixas diferentes. Para não dizer que não falei das flores, como existe a pecha de espírita de gabinete para o que foca no estudo e não quer trabalhar, muitos dirigentes espíritas também colocam o foco no estudo, de modo absoluto, e minimizam iniciativas práticas na assistência e na área mediúnica.

E assim caminha a humanidade, nessa luta velada dos que metem a mão na massa contra os que enfiam a cara nos livros. Ledo engano, pois essas atividades se complementam e só tem sentido juntas. O estudo fortalece a prática. A prática dá sentido ao estudo. Parafraseando o físico Albert Einstein, que dizia que “Ciência sem religião é coxo, religião sem ciência é cega”, pode-se dizer também que o estudo sem a prática é coxo, e a prática sem o estudo é cega.

Essa visão “de gabinete” dá a entender que as funções de caráter intelectual, de direção, de livros grossos, não fossem tão importantes quanto aquelas que nos colocam com o pé no barro, muitas vezes uma crítica fundamentada na vaidade que seria alimentada por essa vertente intelectual, e que pode perfeitamente florescer em atividades mais concretas, seja na mediunidade, seja na atividade assistencial. Não se iluda, a vaidade se enraíza no coração de todos.

Importante resgatar esse equilíbrio entre os que estão no gabinete e os que estão na ponta, todos músicos da orquestra da evolução espiritual, trilhada no planeta Terra, entendendo sim a necessidade do trabalho que modifique realidades e que nos torne melhores, mas também a importância do estudo que nos ilumine e oriente diante dos desafios.

Se as escolhas na vida espírita nos empurram para atividades mais intelectuais, pelo nosso perfil ou pela necessidade do contexto, importante lembrar que o estudo e a sua divulgação podem ter um sentido de trabalho, de consolo e esclarecimento, valendo o mesmo para os chamados para ações mais práticas, que não podem esquecer do estudo da doutrina espírita e seus fundamentos.

Ouve-se muito nas casas espíritas que quem trabalha deve estudar, mas pouco que quem estuda deve trabalhar. Outras facetas desse antagonismo que nos torna menores. Faz-se necessário entender essas asas, que mais do que um equilíbrio permanente, são membros que se comunicam entre si, ligadas ao mesmo pássaro e que, juntas, compõem o corpo que realiza o voar necessário, firme e determinado. Uma visão de totalidade.

Colabore na obra do Cristo, amigo leitor, de acordo com a sua afinidade e necessidade, mas não se esqueça de que a mente guia a mão, e que a mão transforma o mundo que os olhos veem. A vida nos pede integração de forças, e não para ficarmos isolados, em caixas que na verdade se comunicam, e nós é que, por motivos diversos, não percebemos.

Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Fonte: Espiritismo na Rede

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Lei da Liberdade – Livre Arbítrio

Renato Confolonieri

Dando continuidade às nossas modestas reflexões sobre a Lei de Liberdade, uma das normas divinas outorgadas a nós pelo Criador, já vimos que ela foi didaticamente subdividida por Allan Kardec em liberdade natural, de pensar, de consciência e livre-arbítrio, conforme consta em O Livro dos Espíritos, livro terceiro, capítulo 10.

Como temos a oportunidade de verificar em toda a codificação espírita, assim como na integralidade da obra subsidiária, o livre-arbítrio é o que caracteriza a alvedrio que encerramos em nós, eis que, sem ele, a criatura seria uma máquina – resposta à pergunta 843 de O Livro dos Espíritos. E já que temos a liberdade de pensar, temos, por consequência, a de agir.

No entanto, nunca nos esqueçamos de que juntamente com a liberdade vem a responsabilidade. Até porque, os orientadores espirituais nos alertam na resposta à questão 849 do livro em estudo que “tu que és mais esclarecido que um selvagem, és também mais responsável pelo que fazes do que um selvagem”.

Emmanuel, no seu Palavras de Vida Eterna (capítulo 133), trazido pelas incansáveis mãos de Francisco Cândido Xavier, advertiu-nos para o fato de que “ninguém, na Terra, foi mais livre que o Divino Mestre. Livre até mesmo da posse, da tradição, da parentela, da autoridade. Entretanto, ninguém mais do que ele se fez escravo dos Desígnios Superiores, para beneficiar e iluminar a comunidade.”

A tal respeito, Paulo de Tarso, na sua epístola aos Gálatas, assim enfatizou: “porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne; antes, pelo amor, servi-vos uns aos outros” (Gálatas, 5.13).

Diante do livre-arbítrio que todos possuímos, exatamente como criaturas livres, cuidemos das nossas atitudes, que são a exteriorização do que ajuizamos. Elas são aquilo que mostramos às demais criaturas. Os nossos atos dizem para as pessoas muito mais de nós do que possamos imaginar.

Acima de tudo, vigiemos a maior expressão do livre-arbítrio em nós, o pensamento. Quando pensamos, ocorre movimentação de energias, emissão de ondas e criação de situações atenuantes ou agravantes dos problemas e dificuldades. Jamais esqueçamos de que os espíritos que nos cercam leem o que vai nas nossas mentes e corações. E antes mesmo de nós.

Tenhamos sempre em mente o que informado pelos espíritos conselheiros na resposta à questão 851 de O Livro dos Espíritos, no sentido de que “… para o que é prova moral e tentações, o espírito, conservando seu livre-arbítrio sobre o bem e sobre o mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir.”

Renato Confolonieri

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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Vacina de Novo!

Nilton Moreira

Sem dúvida o assunto predominante é vacina e que gera polêmica, estando na base de todos jornais, portais e redes sociais. Também é debate político e será ingrediente central por ocasião dos espaços que candidatos irão ocupar no rádio e televisão.

Como colunista também não posso me furtar de continuar abordar tal assunto, mas num campo diferenciado, já que nossa coluna semanal engloba o filosófico, religioso e científico, e por isso o título “vacina de novo!”.

Há dois anos quando a pandemia eclodiu dizíamos que nem todos seriam contaminados e que deveríamos fazer nossa parte, lavando as mãos com frequência e usando o álcool em gel. A máscara naquele momento ainda não estava sendo utilizada.

O tempo passa e hoje ainda estamos abraçados com essa doença, que continua ceifando a vida de pessoas queridas. Quem não teve um parente, amigo, vizinho que desencarnou em razão de complicações em virtude de ter contraído covid?

Mas por outro lado tivemos uma quantidade bem maior de amigos, parentes e vizinhos que passaram ilesos. Particularmente em algum momento não me cuidei o suficiente, mas não estava em minha programação de vida ficar doente, ao passo que pessoas próximas e que se aglomeraram foram parar no hospital entubadas.

Somos pessoas que já vivemos muitas vidas, e sou do seguimento que acredita na reencarnação, até porque Jesus segundo João disse certa ocasião: “ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. Ora, se vivemos tantas vidas e estamos na Terra para evoluir a cada existência nem que seja um pouquinho, certamente no passado cometemos erros, assim como hoje ainda persistimos na intolerância, orgulho, desprezo, raiva, inveja, ciúmes, preconceitos e tantos outros adjetivos pejorativos. Esses erros geraram resgates, provas que agora temos de resolver mutuamente, e nada mais razoável do que nos obrigarmos a zelar uns pelos outros.

Chegou o momento que temos de entender que precisamos esquecer diferenças religiosas, raças, posição social e nos unirmos naquilo que o Criador quer. Uns sofrem mais que outros. Uns terão uma gripezinha é verdade e outros continuarão desencarnando tristemente, pois cada um tem a sua história no tempo. Portanto o não ficar contaminado está no merecimento de cada um, subtendendo-se conforme Mateus registrou: “porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras”. Será que já iniciamos a receber segundo nossas obras?

Paz a todos.

Nilton Moreira

Artigo da Semana – Estrada Iluminada

cristaldafonte@gmail.com

Fonte:  Espirit Book

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Cuidando do tempo

Marcus De Mario

EM DEFESA DA VIDA – CUIDANDO DO TEMPO

Nem sempre sabemos utilizar o tempo com proveito útil para nós e para os outros, gastando horas preciosas com futilidades, comentários que não edificam, reclamações sem conta, críticas severas que nada constroem. Devemos lembrar que tempo que passa é tempo que não volta; oportunidade perdida de fazer o bem é mérito a menos em nossa ficha espiritual.

Por outro lado, assistimos os que abusam da oportunidade reencarnatória gastando energias fazendo o mal ao outro; vivendo como se tudo se circunscrevesse a gozar as sensações do momento. Para uns e para outros a morte os surpreenderá com a aplicação da lei divina que sentencia: a cada um será dado segundo suas obras, como nos ensinou o Mestre Jesus.

O que faço das minhas horas, a cada dia?

Lembra-nos o amigo espiritual Emmanuel, que o tempo pertence a Deus, o Senhor da Vida, e sempre teremos que prestar contas a Ele do que fizemos com o tempo que nos concedeu.

Com a mensagem espírita não podemos fingir que não sabemos que a encarnação nos é dada para progredir, para melhorar, para aprender a amar, e que deixar de fazer o bem quando surge a oportunidade, já é um mal.

Cuidar do tempo para que as horas vazias não dominem nossa alma, ou para que a maledicência, a intriga e a vingança não ocupem nossa caminhada, é dever de todos nós, realizando todos os esforços possíveis, acionando a força de vontade, para preencher as horas com bons pensamentos, leituras edificantes, orações para os que sofrem e, acima de tudo, ações no campo da caridade material e moral a benefício do próximo, iniciando com aqueles que formam nosso núcleo familiar, e estendendo-se para todos os nossos irmãos e irmãs em humanidade.

Após a morte, de retorno à realidade espiritual, Deus não nos pedirá conta do currículo acadêmico ou profissional, e sim do que fizemos com a dádiva valiosa do tempo que, em verdade, pertence ao Grande Dispensador da Vida, e que recebemos como empréstimo para edificar no bem nossa evolução e de nosso próximo, aqui na Terra.

Marcus De Mario*

Fonte: Correio Espírita

*Marcus De Mario é educador, escritor, palestrante, colaborador do Grupo Espírita Seara de Luz, diretor do Ibem Educa – www.ibemeduca.com.br, coordenador do canal Orientação Espírita –www.youtube.com/c/OrientaçãoEspírita

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Prazeres da Carne x Aprimoramento Espiritual

Cecília Alves

A Bíblia nos ensina em Gálatas, capítulo 5, versículo 16: “Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne”.

No excerto acima nos recomendado que procuremos satisfazer as inclinações do espírito em detrimento aos prazeres ou satisfações da matéria, ali colocado sob a figura alegórica “carne”, em outras palavras poderíamos afirmar que está sendo recomendado ao homem que busque a evolução espiritual, parece contraditório “esquecer” a existência do que nos é material, visto que estamos encarnados, mas será que era exatamente isso que o texto bíblico nos ensinava?

Observemos o que O Codificador nos traz através de O Livro dos Espíritos questão 93:

O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer? “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira. “Envolvendo o germe de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

Compreende-se do exposto que o espírito possui um envoltório relativamente grosseiro, ao qual denominamos de perispírito, este se faz um elo entre o nosso espírito (natureza espiritual) e corpo físico (natureza material), se fazendo indispensável na condição atual do homem para sua atuação.

Observamos ainda que apesar de sua identidade espiritual, visto que é sua essência, o homem possui ainda uma outra natureza quando encarnado, esta a natureza física ou material e dela sofre influências, como não poderia deixar de ser, visto que encarnado.

Deste modo somos seres espirituais vivenciando uma experiência material (carnal) para melhor cumprirmos as nossas atividades e experiências evolutivas.

A respeito das experiências evolutivas do homem e do seu aperfeiçoamento vejamos o que nos traz A Gênese em seu capítulo XVIII:

Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência.

Do exposto observamos que a humanidade progride moral e intelectualmente e quanto maior o seu progresso, progride também o orbe no qual ela habita. Chamamos atenção ainda ao que o excerto acima chama de abrandamento dos costumes, em nosso entendimento o referido abrandamento concerne as atitudes humanas e aos costumes sociais que aos poucos se tornarão mais evoluídos e espiritualizados.

A criatura humana é destinada a evolução, posto que como nos ensina O Livro dos Espíritos, esta é uma Lei Natural. Deste modo, podemos compreender que o homem sob a influência material, ainda que seja um ser espiritual, está sujeito aos desejos e apelos materiais, e quanto mais evoluído menos deles terá necessidades, visto que em processo de depuração moral.

Deste modo, compreendemos que ao homem não é obstado usufruir da matéria e dos gozos que lhe poderá proporcionar, até por que precisamos dela para nos manter enquanto encarnados, afinal todos vestimos, nos alimentamos e mantemos nossa vida de encarnados através de atividades materiais, pois é nesse plano que vivemos e são as necessidades que dele urgem. Entretanto, os excessos de toda ordem apesar de permitidos ante o nosso livre arbítrio, não nos são lícitos, posto que são a negação da nossa essência espiritual. Assim, se somos criaturas voltadas unicamente aos prazeres e satisfações da matéria estamos a negar a nossa essência espiritual.

Assim não é proibido ao homem, por exemplo, usufruir de atividades como festas, aniversários ou carnaval, por exemplo, os equívocos se encontram no excesso, bem como nas intenções das quais o homem pode estar nutrido e o carnaval é um exemplo disto, conhecido popular e mundialmente como uma festa da carne, ou seja, para satisfação dos sentidos.

O quanto ainda precisamos dele? Ou o quanto os seus moldes ainda nos satisfazem? É uma indagação que deixamos a ser respondida por cada leitor a si mesmo.

Lembramos que o espiritismo de nada nos tolhe, mas nos convida a reflexão e ao exercício do livre arbítrio.

Cecília Alves

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências bibliográficas:

Bíblia Online: https://www.bibliaonline.com.br/acf

Kardec, Allan: A Gênese, 53º ed.– 8. imp. – Brasília: FEB, 2019

Kardec, Allan: O Livro dos Espíritos, 24º reimp. Fev 2019 – Capivari, SP, Editora EME

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