As seis condições do espírito imortal

Antônio Carlos Navarro

O grande estudioso e pensador espírita Cosme Massi desenvolveu uma forma muito peculiar para interpretarmos as condições existenciais do espírito imortal, tornando, com sua didática, mais fácil nosso entendimento em relação às condições experimentadas pela entidade espiritual.

Em primeiro lugar, o espírito é situado no Mundo Espiritual, que segundo a Codificação Espírita é a primeira na ordem natural, portanto de onde se origina e onde permanecerá definitivamente no fim de seu desenvolvimento.

No intervalo entre uma reencarnação e outra experimenta a realidade espiritual segundo suas crenças e cultura, interesses e vontades, e poderá progredir muito, segundo nos ensinam os Benfeitores Espirituais, buscando esclarecimento e trabalho, mas também poderá dar prosseguimento às suas viciações e tendências menos felizes.

No outro extremo tem-se a condição de encarnado, sem a qual o espírito não poderá experimentar o progresso efetivo, proporcionado pelas conquistas morais diante das situações e condições da materialidade, que acontecem segundo as necessidades particulares de cada espírito.

Encarnado, o espírito corrigirá os erros do passado e produzirá novas conquistas rumo à perfeição.

O terceiro estado é o trânsito entre o mundo espiritual e o mundo físico.

O processo reencarnatório tem certa duração, desde os preparativos na espiritualidade, até a consumação do processo por volta dos sete anos de existência física. Em geral, há certa perturbação mental no espírito antes de sua ligação com a matéria, decorrente do quanto a sua consciência já se desenvolveu, e também de sua confiança e determinação para a consecução do que foi planejado. No período infantil poderá ter lampejos de mediunidade, porque o espírito ainda não está totalmente envolvido pela nova vestimenta física.

Uma quarta condição é inversa ao processo de reencarnação. Trata-se do processo da desencarnação, e não há desencarnações idênticas. Cada individualidade experimenta o desencarne segundo suas condições e necessidades particulares, vinculadas que são ao grau de espiritualidade alcançado, ao apego material, e principalmente ao bem que se praticou em vida. Por mais que saibamos sobre a mecânica do espírito, o que mais influencia nas condições de chegada ao mundo dos espíritos é a prática desinteressada do bem.

A quinta e a sexta condições são as influências possíveis de serem perpetradas entre os dois planos. Desencarnados e encarnados se influenciam mutuamente, e interferem na vida de um e de outro.

As influências benéficas são oriundas das preces e bons pensamentos endereçados e do trabalho de orientação, esclarecimento e consolação que se dão entre os planos, quase sempre através de atos mediúnicos.

Chama-se obsessão a influência negativa do desencarnado sobre o encarnado, e vice-versa, e pode ocorrer com os mais variados motivos. Por iniciativa do desencarnado, desde a influência motivada tão somente pela irreverência e irresponsabilidade do obsessor, passando pela satisfação das viciações que o espírito ainda carrega no mundo espiritual, até a obsessão causada pelo desejo de vingança decorrente do mal praticado por aquele que agora se encontra encarnado.

Por iniciativa do encarnado, quando este endereça seu pensamento, de qualquer matiz menos feliz, a um espírito desencarnado, seja por não abrir mão da dependência daquele que lhe foi companheiro em vida, e que agora se encontra no mundo espiritual, seja por desejo de vingança não alcançada também em vida. O inconformismo diante das separações causadas pelas desencarnações também interfere na vida dos que retornaram ao mundo espiritual, porque estes se ressentem dos desequilíbrios emocionais dos que ficaram. Se não estiverem preparados intimamente poderão se desequilibrar e serem atraídos para junto dos que os “chamam” com seus pensamentos em desalinho.

As condições apresentadas nos remetem à imortalidade do espírito, que transita entre uma condição e outra sempre buscando seu desenvolvimento rumo à perfeição. Como as condições dos espíritos são particulares, mas que visam o mesmo fim, convém nos posicionarmos de tal forma diante da vida, para que em cada experiência e em cada situação se possa dar um passo no sentido certo, e isto só acontecerá se unirmos a prática constante do bem e o estudo sistemático das lições trazidas a lume pelo Consolador prometido pelo Senhor Jesus e que se encontram nas lições da Doutrina Espírita.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

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Uma fé capaz de “reconhecer” montanhas

Iris Sinoti

Vivemos dias estranhos, talvez essa seja a maneira mais simples de descrever os últimos quase dois anos. Ouvimos que tudo isso seria para nosso crescimento, que sairíamos melhores dessa experiência, que era uma coisinha simples… Aqui estamos nós, tentando entender os acontecimentos ou nos entender?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) já nos havia alertado para o risco muito grande de passarmos até 2030 por um episódio ainda não descrito em casos de depressão no mundo, e em 2021 já alcançamos a estimativa de 300 milhões de indivíduos com depressão. O Brasil é, na América Latina, o país com o maior número de casos, somos também os mais ansiosos no mundo.

Mas tudo isso foi por causa da pandemia?

Não, não foi. A pandemia provavelmente nos lembrou da nossa vulnerabilidade. Ela nos lembrou também das diferenças, muitas diferenças, nos lembrou da nossa sanha descontrolada por crescimento econômico e nos mostrou que nada disso é o suficiente para nos manter vivos, somos vulneráveis, é um fato.

Nós, a humanidade, somos tão frágeis e ao mesmo tempo tão necessários para a transformação que esperamos e ansiamos viver que, apesar de toda essa incontrolável situação que compartilhamos, precisamos entender que já havia passado da hora de enfrentarmos um inimigo que é muito mais forte que o vírus e suas mutações. Nosso egoísmo!

Escolhemos enxergar a humanidade pelo resultado econômico que ela gerava e isso falou e fala muito sobre nós, mostra como nos vemos, mostra como nos tratamos. Estávamos nos importando com uma parte muito limitada e nos excluímos da própria existência. O vírus, a fome, a violência, a depressão, tudo já estava passando por nós e fomos deixando.

Teremos coragem para mudar?

Nas vivências ancestrais a palavra coragem tinha uma definição diferente de como fazemos a leitura dela hoje. Coragem em sua raiz significa: “falar o que se pensa abrindo o coração”. E esse é o grande passo que precisamos aprender, e como já dizia Dona Canô, “precisamos de coragem para sermos felizes”, então, chegou o momento de olharmos por outro ângulo e nos amar como um ato definitivo de coragem.

Como afirmava Bell Hooks, “começar a pensar sempre em amor como ação em vez de sentimento é a forma pela qual as pessoas que usam a palavra dessa maneira automaticamente assumem responsabilidade. “E assumir responsabilidade nos convida para acendermos a esperança, exercermos nossa liberdade e atendermos o chamado da nossa fé. Pôr o amor em ação, nesse momento, é fundamental para seguirmos em frente, como povos, tribos, constelações de gente, dispostas para juntos amenizarmos as tempestades desse mundo.

Conseguiremos manter a Esperança?

Segundo a mitologia grega, existiu uma mulher que foi criada pela deusa Atena e pelo deus Hefestos. Essa mulher era Pandora.

O nome Pandora, assim como Pandemia, é formada de Pan, “todos”, “tudo” e “doron”, que significa “dom ou virtude”. Essa mulher era a portadora das virtudes que todos nós possuímos, segundo o mito, ela foi responsável por uma caixa que guardava todos os males da humanidade e que para amenizar todo o terror contido na caixa, no fundo dela foi deixada a esperança.

Quando tudo nos alcança, segundo a mitologia, deveremos buscar no fundo da “caixa de Pandora”, nas nossas virtudes, a esperança, a nossa capacidade de não sucumbir ao desespero, de fazer acontecer tudo aquilo que esperamos que aconteça, de continuar mesmo parecendo que tudo diz o contrário. O mundo pós-moderno, o mundo da pandemia da Covid-19, tenta nos dizer que não existe espaço para a Esperança, mas em meio a tantas mortes é absolutamente necessário que possamos manter em nós a chama da esperança.

E se a esperança se faz presente a fé será concreta.

Toda essa crise deveria despertar nossa humildade e nossa humanidade, nos aproximando um dos outros, fortalecendo nossa fé de uma maneira tal que reconheceremos as montanhas que teremos de atravessar, mesmo sabendo que a tradição nos diz para movê-las. Uma fé que nos mostra que a felicidade não pode ser individual, uma fé que nos ajuda a entender que estamos viajando e que não é o trem que importa, mas o modo como estamos viajando, ou seja, como estamos vivendo.

Iris Sinoti

Artigo do Jornal Correio Espírita – Fevereiro 2022

Fonte: Correio Espírita

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Qual é o Significado dos Sonhos?

Fernando Rossit

O sonho é a realidade das atividades da alma, ou seja, uma lembrança do que a alma viveu durante o sono. Seja uma recordação da infância ou vidas passadas, muitas vezes associada à vida presente, com uma projeção do futuro, fruto de preocupações e desejos presentes ou passados, vivências espirituais de qualquer natureza etc.

É então que ela (a alma) tira de tudo o que vê, de tudo o que percebe, e dos conselhos que lhe são dados, as ideias que lhe ocorrem depois, em forma de intuições.

Complicado, né? Sim, por isso é muito difícil dar um significado preciso para os sonhos.

Quando estamos fora do corpo, por desdobramento, ficamos, via de regra, semi-conscientes, sem noção exata do que ocorre ao nosso redor. Isso se dá por conta da falta de preparo ou nosso baixo desenvolvimento espiritual.

Existem profissionais que fazem análises dos sonhos, porém é de suma importância que se faça com seriedade e responsabilidade. Muitas vezes estas análises trazem importantes informações que auxiliam no aprimoramento e autoconhecimento da pessoa.

Envolvidos aos sentimentos e emoções, nos sugestionamos às interpretações que julgamos serem as verdadeiras.

Mas é muito difícil a interpretação dos Sonhos porque, em desdobramento, não é nosso cérebro físico que registra as experiências fora do corpo. Como ele é constituído de matéria muito grosseira, no retorno da alma ao corpo, raramente o cérebro vai guardar as recordações da alma (vivências fora do corpo) – e se isso acontecer, poderá ser por associação fragmentária.

Por exemplo, se você tiver medo de cobra no estado de vigília (normalmente acordado), numa experiência extra-corporal que você passa medo (um pesadelo por conta de um filme que assistiu etc.) e retorna ao corpo com aquele sentimento (medo), o cérebro físico poderá associá-lo à cobra. Depois de despertar, você poderá se “lembrar” que sonhou com cobras e outras situações assustadoras.

Temos um caso semelhante desse relatado no Livro “Os Mensageiros”, de André Luiz, Capítulo 38.

“O sonho é a realização do desejo” – dizia Freud.

Freud acreditava que era preciso decodificar os sonhos, que ele considerava como espécie de picos visíveis do inconsciente. A psicanálise seria a sonda capaz de desenterrar esses símbolos e decifrar as metáforas que eles escondem.

Freud estava certo quando falava de metáfora. Os Sonhos constroem a mesma linguagem metafórica da poesia, só que com imagens.

Podemos considerar 3 tipos de sonhos:

1-Sonhos comuns: repercussão de nossas disposições físicas (circulatórias, digestivas…) ou psicológicas (sentimentais: medo, preocupações, anseios, desejos….).

2-Sonhos reflexivos: exteriorização de impressões e imagens arquivadas na memória.

3-Sonhos espirituais: atividade real e efetiva do espírito durante o desdobramento propiciado pelo sono.

Exemplo de Sonhos Comuns (são os mais frequentes):

Quase sempre desencadeados por preocupações e desejos intensos. Se você vai ter uma entrevista de emprego ou uma prova na faculdade, em razão de sua preocupação, poderá sonhar boa parte da noite com isso que, no fundo, do ponto de vista psicológico, estará demonstrando sua insegurança.

Nesses casos, é pequeno o afastamento da sua alma do seu corpo, e envolto por aquelas cenas fluídicas criadas pela sua própria mente, julga estar vivendo algo real (indo mal na prova ou se complicando na entrevista).

Encontros com encarnados e desencarnados nos sonhos:

Durante o sono o espírito se distancia do corpo físico, mas não fica inativo. Neste momento o encontro com entes queridos é possível da mesma forma com desafetos, de acordo com o pensamento que nos liga uns aos outros por vários motivos.

Nos sonhos espirituais a alma, despreendida do corpo, exerce atividade real e efetiva no plano espiritual, facultando meios de nos encontrar com parentes, amigos, instrutores espirituais, inimigos ou desafetos, desta e de outras vidas.

Quando dormimos, o nosso espírito parte em disparada, por atração automática, para os locais de nossa predileção.

– o viciado procurará os outros viciados;

– o religioso procurará um templo;

– a alma caridosa irá ao encontro do sofrimento para assistir os necessitados;

– o interessado em aprender e estudar procurará os cursos na espiritualidade.

É muito importante nosso preparo antes de dormir, evitando programas de TV ou filmes de conteúdo negativo, por exemplo. A prece antes de dormir é um excelente recurso para que possamos ter bons sonhos porque nos liga aos bons espíritos, garantindo-nos boas companhias espiritais.

Fernando Rossit

Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

-Estudando a Mediunidade – Martins Peralva

-O Livro dos Espíritos – Emancipação da Alma

-Os Mensageiros – André Luiz/Chico Xavier

-O Livro dos Médiuns – Allan Kardec

-Blog Espírita Chico Xavier

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Carnaval Segundo o Espiritismo

Por: Geane Lanes

O Carnaval (Carnaval (do latim “carnis levale” = retirar carne). Existem hipóteses de que o vocábulo carnaval seja uma referência ao jejum da quaresma) é uma festa de origem pagã que remonta à Antiguidade. Segundo historiadores, essas festividades, possivelmente, têm raízes nas festas greco-romanas dedicadas ao deus do vinho (Baco para os romanos e Dionísio para os gregos) e datam de mais de três mil anos.

No século VIII, com o crescimento do cristianismo, a Igreja instituiu a quaresma, intervalo de quarenta dias entre o carnaval e a Páscoa, em que os cristãos se preparam espiritualmente para celebrar a ressureição de Jesus. Embora a quaresma tenha ajudado a limitar o carnaval e, consequentemente, os exageros cometidos nessa época, ela é um período de jejum e controle dos comportamentos, o que fez com que muitas pessoas passassem a ver o carnaval como uma oportunidade de cometer os excessos de que logo se privariam.

No Brasil, registros históricos indicam que o carnaval foi introduzido por portugueses no período colonial, no século XVII. Chamada, na época, de entrudo (Intrudo (do latim “introitus” = entrada). Possivelmente é uma referência à entrada do período de carestia religiosa), essa festividade era baseada em brincadeiras nas quais as pessoas sujavam umas às outras, sendo mais praticadas pelos escravos e pelas camadas populares.

Ainda nos dias atuais, o carnaval é marcado por excessos no consumo de substâncias entorpecentes e por comportamentos lascivos, o que, segundo Bezerra de Menezes (FRANCO, 1982) mostra o vestígio da barbárie e do primitivismo ainda reinantes e que um dia desaparecerão da Terra.

Embora o carnaval seja carregado de alegria, emoção extremamente benéfica a todos os seres, as ações imprudentes cometidas nesse período podem gerar sérias consequências físicas e espirituais, tanto aos encarnados que as promovem, quanto aos desencarnados que as compartilham. Como observado em uma situação descrita pelo autor espiritual Manoel P. de Miranda (FRANCO, 1982), durante o carnaval, milhares de pessoas imprevidentes, estimuladas pela música frenética, pretendendo extravasar as ansiedades represadas, cedem ao império dos desejos mais mundanos e suas mentes, em torpe comércio de interesses subalternos, produzem uma psicosfera tóxica, na qual se nutrem irmãos desencarnados viciados e dependentes de tais emanações.

A descrição de Manoel P. de Miranda nos mostra como as ações irresponsáveis que muitas pessoas têm durante as festividades do carnaval vão muito além da matéria, pois espíritos em desequilíbrio se associam aos encarnados para obter aquilo por que tanto anseiam, estimulando-os a se entorpecerem e a agirem de forma cada vez mais lasciva e violenta. Contudo, devemos nos lembrar que, segundo a Lei da Liberdade, descrita por KARDEC (2004), todo o indivíduo é dotado de livre-arbítrio e, portanto, tem a liberdade de pensar e agir de acordo com sua verdade. Assim, embora desencarnados possam influenciar as ações dos encarnados, são estes que os chamam para próximo de si por meio de suas emanações energéticas e também são eles que decidem ceder a tais influências.

Em acréscimo, como apontado por XAVIER (2004), o nosso livre-arbítrio está intimamente atrelado à Lei de Causa e Efeito, a qual determina que para cada ação existe uma consequência, sendo que esta não deve ser interpretada como uma forma de punição, e sim como uma oportunidade de aprendizado. Como ensinado por nosso Mestre Jesus (“Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” – BÍBLIA – Mateus 18:7), os escândalos são úteis em nossa jornada de crescimento, porém as consequências de nossas ações equivocadas podem trazer situações de extrema dor e sofrimento a todos os envolvidos, encarnados e desencarnados.

Além   dos aprendizados oportunizados pelos efeitos das ações imprudentes que são cometidas no carnaval, a relação estabelecida entre encarnados e desencarnados durante as festividades permite que o auxílio seja levado a muitos irmãos. A descrição dada por Manoel P. de Miranda (FRANCO, 1982), mostra que, antevendo as situações que comumente se desenrolam em virtude do carnaval, as equipes espirituais instalam vários postos de socorro em locais estratégicos, revezando-se de forma infatigável na busca de acolher desencarnados que se cumpliciam na farra irresponsável ou aqueles que tentam auxiliar seus afetos desatentos ao bem e à vigilância, minimizando a soma de infortúnios que podem advir da situação. Ainda segundo Manoel P. de Miranda, mesmo quando as providências espirituais sobre esses irmãos não parecem ter resultados exitosos, elas não representam fracassos, pois o contágio do bem sempre deixa impregnação amena.

Levando em consideração que o Espiritismo promove o respeito ao livre-arbítrio (Lei da Liberdade) e reconhece o valor dos aprendizados advindos das consequências de nossas ações (Lei de Causa e Efeito), quando o autor espiritual André Luiz nos traz que a conduta espírita aponta a necessidade de nos afastarmos de festas como o carnaval (“Afastar-se de festas lamentáveis, como aquelas que assinalam a passagem do carnaval, inclusive as que se destaquem pelos excessos de gula, desregramento ou manifestações exteriores espetaculares. A verdadeira alegria não foge da temperança.” – VIEIRA, 1979), ele não está dizendo que a doutrina espírita proíbe ou condena tais festividades, apenas está nos alertando sobre as consequências que determinadas ações tomadas durante esse período podem gerar.

Ademais, seguindo os ensinamentos cristãos de não julgar o próximo (“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” – BÍBLIA – Mateus 7:1,2), KARDEC (2001) mostra que a doutrina espírita também promove a indulgência, apontando a necessidade de jamais nos ocuparmos com os maus atos dos outros, a menos que seja para prestar um serviço, mas, mesmo neste caso, tomando o cuidado de atenuá-los tanto quanto possível.

Segundo Bezerra de Menezes (FRANCO, 1982), uma expressiva faixa da humanidade terrena ainda transita entre os limites do instinto e o prenúncio da razão, mais ávidos de sensações do que ansiosos pelas emoções superiores, portanto é natural que muitos se permitam, nesses dias (período do carnaval), os excessos que reprimem por todo o ano, sintonizados com entidades que lhes são afins.

Dessa forma, a espiritualidade aconselha a nos afastarmos das festas do carnaval por entender que ainda somos portadores de desvirtudes e que estamos sujeitos a cair diante das “tentações” que tais festas oportunizam. Contudo, se ainda desejarmos participar das festividades do carnaval, devemos nos impor frente às instigações tóxicas que encontramos durante esse período, colocando em prática todo o nosso aprendizado, não nos deixando seduzir por desejos mundanos que ainda residem em nosso ser.

No carnaval e em todos os dias de nossas vidas, devemos nos manter vigilantes, alimentando pensamentos e ações positivas e condizentes com os ensinamentos cristãos. Buscando pensar e agir de forma ponderada e responsável, evitamos prejuízos desnecessários e cultivamos o nosso bem-estar físico e espiritual.

Gostou deste artigo? Assista ao estudo ao vivo sobre ele na 2ª Semana Especial Letra Espírita, dia 25/02, em nosso canal no youtube. Acesse: www.youtube.com.br/letraespiritaoficial e se inscreva no canal, toque no sininho para receber as notificações.

Geane Lanes

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

FRANCO, Divaldo P. Nas fronteiras da loucura. Ed. 1: Editora e Livraria Alvorada. 1982.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Salvador Gentile. Ed. 271: Editora IDE. 2001.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de J Herculano Pires – Ed. 64: Editora LAKE. 2004.

VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Ed 7. FEB. 1979.

XAVIER, Francisco Cândido. Ação e Reação. Ed 25: Editora FEB. 2004.

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O corpo não ama

Nilton Moreira

Vemos seguidamente debates principalmente na televisão, acerca de assuntos que se relaciona a opção sexual. Hoje evoluímos um pouco mais e não aparecem depoimentos menosprezando tal pessoa ter postura diferente do sexo que é, até porque é crime qualquer preconceito.

Mas tem países que ainda não admitem que um homem por exemplo manifeste não se sentir-se bem com o corpo que possui e que gostaria de ter nascido mulher, ou vice-versa.

Algumas religiões também são preconceituosas perante situações de descontentamento pelo corpo, e não permitem união de pessoas do mesmo sexo, sob alegação de ser pecado.

Mas desde os primórdios encontramos nos registros mais antigos o sentimento de descontentamento por ter nascido com um corpo não desejado, mas como sempre existiu o preconceito e por consequência a perseguição, os desejos ficavam ocultos.

Se conhecêssemos as decisões que tomamos antes de nascer certamente compreenderíamos muitas situações que atravessamos nesta vida. Tudo tem relação com vidas passadas, fato cometidos anteriormente.

Certos sofrimentos estão atrelados a fatos cometidos preteritamente e que por ocasião de reencarnarmos pedimos a oportunidade de resgatar, e geralmente os resgates não são situações agradáveis de serem vivenciadas.

Sempre sou enfático no sentido de dizer que somos um espírito ocupando um corpo de carne temporariamente, e que também o espírito não possui sexo. Podemos reencarnar como mulher ou como homem, mas muitas vezes vivemos várias vidas como mulheres e ao optarmos por voltar a carne em corpo masculino não nos adaptamos, e passamos ter gestos delicados e sentir atração pelo mesmo sexo.

O corpo é apenas momentâneo para uma existência específica, tanto que o deixamos aqui quando partimos.

Certamente quem combate a opção sexual de outrem, numa outra vida terá de resgatar esse sentimento homofóbico, pois nada escapa aos Olhos da Justiça Divina.

Portanto não é aconselhável que persigamos qualquer pessoa por ela desejar ter um corpo de sexo oposto, ou amar alguém do mesmo sexo, já que ignoramos as razões registradas no seu perispírito (corpo astral), pois não é o corpo material que ama e sim o espírito que somos.

Nilton Moreira

Coluna da Semana – Estrada Iluminada

Fonte: Espirit Book

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Ciúmes: quando o Amor vira Patologia

Cláudio Sinoti

CIÚMES: QUANDO O AMOR VIRA PATOLOGIA

É preocupante observar como certas patologias do comportamento humano são tidas como algo natural. O ciúme é uma dessas doenças, porquanto ao impedir a natural e curativa expressão do amor deve ser tratada na condição de patologia.

Infelizmente, mesmo nos dias atuais, ainda são utilizadas expressões do tipo: o ciúme é o tempero do amor – quando o mais correto seria estabelecer que é o destempero –; tenho ciúmes porque cuido – quando seria mais verdadeiro dizer que se é possessivo –; dentre outras formas que encontramos para verificar a deturpação com que o ciúme é tratado.

Nossos padrões de expressão afetiva têm raízes em nossa infância, no aprendizado da expressão das nossas emoções. Quanto mais acolhedor, afetuoso, respeitoso e pautado em valores nobres for a convivência familiar, mais rica e profunda torna-se a base afetiva, pois possibilita um “repertório” mais variado de expressões saudáveis na convivência com o outro, que não passa a ser tido como uma ameaça. Mas como nem sempre essa formação inicial se dá da forma ideal, as marcas de abandono, negligência, violência ou desrespeito daquilo que presenciamos e/ou sofremos na pele, constroem barreiras na nossa capacidade afetiva, gerando baixa autoestima e, consequentemente, insegurança nas relações com o outro.

Como consequência da baixo autoestima, acionamos mecanismos de defesa em nossas relações, e não raro o ciúme se faz presente. Qualquer expressão de afetividade por parte do outro que não seja dirigida a mim passa ser vista como uma ameaça, gerando críticas expressas ou veladas. Dependendo do grau de insegurança do indivíduo, assim como dos seus valores morais, o ciúme passa a gerar agressividade nos seus vários níveis.

Por ser possessivo, o ciumento acha-se no direito de tratar o outro como sendo de sua propriedade, passando à tentativa de controlar qualquer expressão da individualidade do outro. Não raro nos deparamos com pacientes que checam o telefone do(a) companheiro(a), acessam (sem permissão) suas redes sociais, e-mail ou qualquer outra forma de expressão do outro, o que leva a desentendimentos que poderiam ser evitados tivesse a relação uma forma mais madura de lidar com as questões que trazem incômodo. E quando esses fatores não são cuidados devidamente, tornam aquilo que deveria ser belo e saudável em algo doentio para todas as partes envolvidas.

O caminho para a cura passa, inicialmente, pela aceitação de que algo está errado, para que se possa buscar a terapia conveniente. Por incrível que possa parecer essa aceitação é algo doloroso para o ciumento, que não quer reconhecer que sua possessividade é uma doença. Afinal, é sempre mais fácil achar que o culpado é o outro. Quando o primeiro passo é dado, a terapia irá investigar a formação dos padrões afetivos do paciente, para poder encontrar as raízes do seu comportamento doentio. Muitas vezes isso leva a avaliar a relação dos pais ou seus substitutos, assim como a importância que era dada para a educação de ordem emocional e afetiva dentro do lar.

Infelizmente, na maioria dos lares e escolas não há uma educação emocional afetiva, e por conta disso não aprendemos a lidar convenientemente com nossos medos, raiva, paixões e afetos, o que amplia o campo de insegurança, já que esses fatores vêm à tona constantemente.

A terapia estimula que o paciente mantenha um contato mais íntimo com suas emoções e afetos, treinando sua expressão e verificando os bloqueios que surgem durante isso. Esse exercício fortalece a autoestima, pois ao aceitar nossos pontos de insegurança, e aprender a lidar com eles, passamos a não mais ver o outro como uma ameaça. Ademais, a sombra que se consegue ver no outro com tanta intensidade é parte do comportamento do ciumento, que deve cuidar dos aspectos que deseja esconder na relação com o outro, e não simplesmente projetá-los.

A religião também possui um papel importante, ao promover uma avaliação e desenvolvimento dos valores morais. Afinal, o outro merece no mínimo nosso respeito. E mesmo nos casos em que as suspeitas sobre o comportamento negativo do outro se verifiquem, ninguém possui o direito de agredir, verbal e/ou fisicamente, sendo livre para escolher não mais manter a relação, se não se sente confortável.

Fora isso, qualquer investimento para libertar nossa amorosidade de forma madura e plena é valiosa, pois na condição de força curativa por excelência, o amor nos aproxima de Deus.

Autor: Cláudio Sinoti

Fonte:  Correio Espírita.

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O nunca não existe, não para nós

Adriana Machado

Este período em que estamos vivendo está nos mostrando o quanto isso é verdadeiro.

“Nunca” imaginamos que pararíamos por um segundo a nossa rotina diária!

“Nunca” imaginamos que ficaríamos em casa no meio da semana, nos dando tempo (ou não) para nos voltarmos para o nosso lar, para a nossa família de uma maneira tão intensa que, logo no início, alguns de nós até se incomodaram.

Mas, como tudo na vida que é mais sábia que todos nós, nos vimos “forçados” a encarar uma realidade que nos colocou no centro de nossa própria atenção: nos vimos forçados a olhar, ou pelo menos, nos deparar com os valores que abraçávamos diariamente e refletir se eles são mesmo os mais importantes.

Engraçado como, neste período, tudo está sob um novo ângulo e o que antes dizíamos que era importante perdeu um pouco do seu brilho.

Mas, apesar disso tudo, quero refletir aqui com vocês uma realidade da maioria de nós, não só a nossa.

Muitos puderam ir para os seus lares porque tiveram condições de levar o seu trabalho junto, mas a maioria não.

Muitos puderam, ao chegar na proteção de seu lar, se sentir seguros, ou pelo menos, mais seguros, mas a maioria não.

Muitos puderam, neste período, confinados, se interiorizar e descobrir que existe um alguém que estava esquecido nos recôncavos de nosso mundo interno, mas a maioria não.

Muitos dos que não puderam fazer o afastamento social, puderam enxergar como o lar é um refúgio importante para a sua família, mas a maioria não viu.

E por que a maioria não? Porque mesmo pensando:

– que estamos no momento de uma transição planetária;

– que as máscaras que sempre vestimos estão caindo para sabermos quem somos;

– que a pandemia, além de ser uma catástrofe para a humanidade, também serve para que nos freemos e nos enxerguemos mais claramente diante desta “parada” do mundo;

– que o flagrar de nossa mortalidade pode nos motivar a buscar caminhos diferenciados em nosso futuro…

… ainda assim, não deixamos de ser quem somos com todas as nossas qualidades e defeitos.

Ora, quem era desatento a um viver mais interiorizado, poderá continuar sendo!

Quem não era devoto a uma vivência ética e moral, poderá continuar sendo!

Quem vivia a vida numa rotina exteriorizada, poderá continuar sendo! E poderá manter a sua postura mesmo dentro de casa, porque nada muda no nosso templo interior se não houver uma ínfima mudança no nosso olhar e pensamentos.

Significa dizer que eles, ou nós, se não viviam para um crescer evolutivo espiritualizado, não mudarão sem desejarem e, não se surpreenderão, sem um reforço externo. Explico o que quero dizer:

Se diante desta nova realidade, ainda estiverem desatentos, somente esperando o retorno à rotina abandonada, essa experiência passará sem grandes modificações interiores. Assistirão muita televisão, frequentarão muito as redes sociais, jogarão ininterruptamente os aplicativos que estão à disposição de todos… e tudo isso poderá levá-los a se alienarem mais e mais.

Então, precisarão ser “acordados” e para isso é necessário, auxiliando o fluxo sábio da vida, de um alguém ou alguma coisa mais significativa “para eles” que levará essa nova verdade de superação aos que ainda não enxergam.

Estes, na maioria das vezes, são aqueles que afirmariam, com orgulho, que apesar de tudo o que estamos vivenciando nunca a humanidade se lapidará. É preciso repensar sobre essa “ilusão” que está sendo alimentada e carregada a séculos por cada um de nós, porque se não afirmamos hoje isso, por vezes ainda agimos assim, e isso nos levará a uma grande decepção.

Esta experiência está sendo única para nós, mas já aconteceu outras pandemias em outras épocas e a humanidade não buscou mudanças expressivas.

A diferença é que desta vez sei que, conforme se cumpre a evolução planetária, muitos estão mais abertos e mais voltados para uma vida mais espiritualizada, mais voltada para um algo maior dentro de si, fazendo refletir, mesmo que de forma indireta, um maior número de pessoas. Infelizmente, porém, esse processo é gradual e individualizado e ainda não abraçou a grande maioria.

Lembram quando eu disse acima que a vida precisaria de uma forcinha externa para ajudar aos que ainda estão alienados? Então! É de nós que ela precisa, seja para nos incluirmos neste número, seja para acordarmos o maior número de pessoas que pudermos.

É de nossas atitudes, pensamentos e sentimentos que a vida necessita para que nossa postura, energia, otimismo e fé conscientizem e “contaminem” aqueles que ainda não se tocaram do quanto é oportuno aproveitarmos as experiências que a vida nos oferta, dando um impulsionamento em nossa caminhada evolutiva.

O que podemos fazer então para que se aumente esse número de pessoas que podem extrair desta experiência o melhor que ela nos traz? Qual seria o nosso papel?

Acreditarmos que, ante a Sabedoria Divina, Ele sabe que podemos fazer algo novo. Acreditarmos que podemos fazer a diferença em nossa vida e na vida do outro sem muita complexidade! Pela simplicidade e verdade, sem imposição, nos tornemos os propagadores de uma nova visão dos valores do mundo, agindo com otimismo e responsabilidade. Usemos dos meios que temos para levar “ao mundo do outro” aquilo que o “nosso mundo” está cheio: de vontade de aprender e evoluir. Não falemos que “nunca” estaremos capacitados, porque mais do que “nunca”, tivemos a prova que a humanidade inteira pode realizar um algo novo se isso for extremamente relevante. E nós provamos para nós que temos condições de ver o bem além da dor.

Não estou pedindo algo que foge do nosso alcance, mas somente que sejamos mensageiros para aqueles que estão ao nosso redor de um olhar mais aberto às bênçãos que se encontram nos recôncavos do desespero.

Sejamos nós aqueles que se recusarão a achar que a nossa vida está pautada no “nunca” e, rebeldes, sejamos os que propagarão o “sempre”: sempre estaremos vivendo e experienciando circunstâncias que nos remeterão a enxergar a presença amorosa e misericordiosa do Altíssimo!

Adriana Machado

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As Consequências Espirituais do Aborto

Érika Silveira

O que diz a medicina espírita?

As complicações clínicas advindas dos abortos provocados na esfera ginecológica são inúmeras e podem, inclusive, determinar a morte da mulher.

No campo psicológico, são comuns os processos depressivos subsequentes que acometem as mulheres que se submeteram à eliminação da gestação indesejada. A sensação de vazio interior, mesclada com um sentimento de culpa consciente e inconsciente, frequentemente, determina uma acentuada baixa de vibração na psicosfera feminina.

Paralelamente, a ação do magnetismo mental do espírito expulso passará gradativamente a exacerbar a situação depressiva materna (obsessão).

Como já estudamos, em muitos casos, aquele que reencarnaria como seu rebento estava sendo encaminhado para um processo de reconciliação afetiva. O véu do esquecimento do passado é que possibilitaria a reaproximação de ambos sob o mesmo teto. Com o aborto provocado, à medida que o espírito recobra a consciência, passa, nesses casos, a emitir vibrações que, pelo desagrado profundo, agirão de forma nociva na psicosfera materna. Em que pese o esforço protetor exercido pelos mentores amigos, em muitas circunstâncias se estabelece o vínculo simbiótico, mergulhando a mãe nos tristes escaninhos da psicopatologia.

Ao desencarnar, de volta ao plano espiritual, a mãe apresentará em diversos níveis, conforme o seu grau de responsabilidade, distonias energéticas que se farão representar por massas fluídicas escuras que comporão a estrutura de seu psicossoma (perispírito). Apesar de serem atendidas com os recursos e as técnicas terapêuticas existentes no mundo astral, a chaga energética, em muitos casos, se mantém, em função da gravidade e agravantes existentes.

As lesões na textura íntima do psicossoma a que nos referimos, muitas vezes, só podem ser eliminadas numa próxima encarnação de características expiatórias.

Expiação, longe de ter uma conotação punitiva, pois esse critério não existe na planificação superior, é um método de eliminação das desarmonias mais profundas para a periferia do novo corpo físico. A expiação sempre tem função regeneradora e construtiva e visa restaurar o equilíbrio energético perdido por posturas desequilibradas do passado.

As deficiências que surgirão no corpo físico feminino, pelo mecanismo expiatório, visa, em última análise, suprimir o mal, drená-lo para a periferia física. Segundo os textos evangélicos: “A cada um de acordo com as próprias obras”.

Os desajustes ocorrem inicialmente nas energias psicossomáticas do chacra genésico, implantando-se nos tecidos da própria alma as sementes que germinarão no seu novo corpo físico, em encarnação vindoura, como colheita de semeadura anterior.

Responsabilidade Paterna

Já nos referimos às complexas consequências para o lado materno no caso da interrupção premeditada da gestação.

Desertando do compromisso assumido, ou pressionando pela força física ou mental, o homem, a quem frequentemente a mulher se subordina para manter a sobrevivência, obriga a sua companheira a abortar. Não estamos eximindo quem quer que seja da responsabilidade, pois cada qual responde perante a lei da natureza proporcionalmente à sua participação nos atos da vida. A mãe terá sua quota de responsabilidade, ou de valorização, devidamente codificada nos computadores do seu próprio espírito.

O homem, frequentemente, obterá na existência próxima a colheita espinhosa da semeadura irresponsável. Seu chacra coronário ou cerebral, manipulador da indução ao ato delituoso, se desarmonizará gerando ondas de baixa frequência e elevado comprimento ondulatório. Circuitos energéticos anômalos se formarão nesse nível, atraindo por sintonia magnética ondas de similar amplitude e frequência, abrindo caminho à obsessão espiritual.

O chacra genésico também recebe o influxo patológico de suas atitudes, toma-se distônico e, na seguinte encarnação poderá trazer problemas no aparelho reprodutor. Objetivamente, veremos moléstias testiculares e distúrbios hormonais como reflexos do seu pretérito.

Lembramos sempre que não se pode generalizar raciocínios nem padronizar efeitos, pois cada espírito tem um miliar de responsabilidades e, a cada momento, atos de amor e de crescimento interior diluem o carma construído no passado.

Consequências Para o Abortado

O espírito, quando de nível evolutivo mais expressivo, tem reações mais moderadas e tolerantes. Muitas vezes seria ele alguém destinado a aproximar o casal, restabelecer a união ou, mesmo no futuro, servir de amparo social ou efetivo aos membros da família. Lamentará a perda de oportunidade de auxílio para aqueles que ama. Não se deixará envolver pelo ódio ou ressentimento, mesmo que o ato do aborto o tenha feito sofrer física e psiquicamente. Em muitos casos, manterá, mesmo desencarnado, tanto quanto possível, o seu trabalho de indução mental positiva sobre a mãe ou os cônjuges.

Nas situações em que o espírito se encontrava em degraus mais baixos da escada evolutiva, as reações se farão de forma mais descontrolada e, sobretudo, mais agressiva.

Espíritos destinados ao reencontro com aqueles a quem no passado foram ligados por liames desarmônicos, ao se sentirem rejeitados, devolvem na idêntica moeda o amargo fel do ressentimento.

Ao invés de se sentirem recebidos com amor, sofrem o choque emocional da indiferença ou a dor da repulsa. Ainda infantis na cronologia do desenvolvimento espiritual, passam a revidar com a perseguição aos cônjuges ou outros envolvidos na consecução do ato abortivo.

Em determinadas circunstâncias, permanecem ligados ao chacra genésico materno, induzindo consciente ou inconscientemente a profundos distúrbios ginecológicos aquela que fora destinada a ser sua mãe.

Outros, pela vampirização energética, tornam-se verdadeiros endoparasitas do organismo perispiritual, aderindo ao chacra esplênico, sugando o fluido vital materno.

A terapêutica espiritual, além da médica, reconduzirá todos os envolvidos ao equilíbrio, embora frequentemente venha a ser longa e trabalhosa.

O tempo sempre proporcionará o amadurecimento e a revisão de posturas que serão gradativamente mais harmoniosas e, sobretudo, mais construtivas.

Todos terão oportunidade de amar.

Érika Silveira

Postado em Editora Vivência

Fonte: G.E. Casa do Caminho de São Vicente

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Recomeço sugere ampliar reflexão

Orson Peter Carrara

RECOMEÇO SUGERE AMPLIAR REFLEXÃO

O momento decisivo da evolução humana pede persistência, coragem, mas também calma.

Se pensarmos no alcance no final da conhecida expressão de Jesus: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, podemos ampliar seu entendimento e entender seu divino convite.

Afinal o “como eu vos amei”, como devemos entender?

Como é que Ele nos amou?

Em boa síntese didática-educativa, podemos entender que:

a) Ele sempre respeitou nossa posição evolutiva. Tanto que sempre valorizava quem dele se aproximava. Às diferentes personalidades que o procuraram, da mulher adúltera ao doutor da lei, respeitou-lhes o estágio moral.

b) Nada pediu em troca pelos inúmeros benefícios que trouxe à humanidade. Isso é uma demonstração de amor. Ama e porque ama ampara, consola, conforta, orienta; nada exigiu, aguarda nosso despertar.

c) Importou-se conosco. Esse importar-se conosco foi demonstrado na prática pelas expressivas manifestações de entendimento de nossa precária condição evolutiva, estendendo-nos seu divino amparo e orientação.

Daí a recomendação fraterna: “Amai-vos uns aos outros”. Mas apresentou também a proposta de como fazê-lo, acrescentando o “como eu vos amei”. Até porque – e hoje entendemos com mais exatidão – ele é o Modelo e Guia, referência mais alta que possuímos no planeta para seguir e nos esforçarmos como exemplo para incorporarmos ao comportamento.

Essa adoção de postura no comportamento é capaz de vencer obstáculos, extinguir contendas e dispensar mágoas, ressentimentos ou sentimentos de vingança ou mesmo temores infundados, uma vez que estamos todos protegidos por sua grandeza e bondade.

É a calma, a resignação ativa, que trabalha, compreende e encontra outros caminhos que sejam de paz para superação dos imensos desafios da atualidade.

Orson Peter Carrara

Fonte: Kardec Rio Preto

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Filhos Adotivos e Processo Reencarnatório

Fernanda Oliveira

“Não habitou meu ventre, mas mergulhou nas entranhas da minha alma.

Não foi plasmado do meu sangue, mas alimenta-se no néctar de meus sonhos.

Não é fruto de minha hereditariedade, mas molda-se no valor de meu caráter.

Se não nasceu de mim, certamente nasceu para mim.

E se mães também são filhas, e se filhos todos são duplamente abençoado és, meu filho do coração.” (Autor desconhecido)

Adoção do latim adoptio, do verbo adoptare, escolher, adotar. A adoção cria o vínculo de parentesco civil semelhante ao da paternidade-maternidade e filiação legítimas, análogo ao que resulta da filiação biológica. Constitui um parentesco eletivo, pois decorre exclusivamente de um ato de vontade. Modalidade de filiação construída no amor, constituindo vinculo de parentesco por opção e afeto, enraizado no exercício da liberdade.

Kardec esclarece em O Evangelho segundo o Espiritismo: “Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.” A genética define o físico, não o espírito.

Reencarnação significa o retorno do espírito em um novo corpo carnal. Vivemos uma única vida, já que somos, cada um, apenas um espírito. Ocorre que pela pluralidade de existências corpóreas, temos a oportunidade de inúmeras passagens pela Terra como encarnado para podermos evoluir. Durante essas inúmeras encarnações experimentamos uma serie de biótipos físicos, nascemos ora homem, ora como mulher; ora rico; ora pobre; ora saudável; ora doentes, etc.

Para nós, a vida começa quando Deus nos criou como espíritos. Nosso nascimento na verdade é um novo renascimento, uma nova chance de aprendizagem. Já nascemos e morremos inúmeras vezes antes dessa nova vida atual. Reencarnação é uma benção, é uma lei natural da evolução espiritual.

Grande parte dos fatos que ocorrem em nossa encarnação fazem parte do nosso planejamento reencarnatório, nada é por acaso, tudo foi planejado e elaborado pela espiritualidade para promover as alterações cármicas e de evolução necessárias paras as pessoas envolvidas. Porém durante a caminhada podemos através do nosso livre-arbítrio modificar e alterar esse planejamento com nossas escolhas e atitudes.

A cada encarnação trazemos em nossa “bagagem” o necessário para que nossa experiência seja a mais adequada ao que precisamos viver. Deus nos criou a todos iguais, simples e ignorantes, deixou-nos livres para escolhermos nosso caminho no bem ou no mal. Somos o resultado de múltiplas vivências em diferentes séculos.

Somos seres gregários viemos ao mundo para nos relacionar, o ser humano possui a necessidade de pertencer. Toda oportunidade nos conduz a um aprendizado novo, tornando-nos diferentes do que fomos. O bom vínculo é afetivo, comunicativo – o fato de alguém carregar o seu sangue não implica que não possa prejudicá-lo com o seu comportamento. Os genes estabelecem um vínculo hereditário que não implica um vínculo de afinidade. No conceito espírita de família importam o amor e a afinidade, não apenas a genética. O organograma da família atualmente é diferenciado com vários tipos e ramificações.

Família espiritual são aqueles que possuem afinidade conosco, que pensam e agem de forma parecido. A vida em família é um importante aprendizado para a vida em sociedade. A felicidade vem dos pequenos gestos éticos, pelo exemplo de atitudes de luz e da capacidade de mantermos relações empáticas.

“Procurando o bem para os nossos semelhantes, encontramos o nosso.” (Platão)

Adotar é um processo de procura, encontros e resultados. Ato de amor, aceitação, desprendimento e empatia. Vontade que vem da mente e do coração resgatando em nós o afeto, a compaixão e fraternidade. Na maioria das vezes é um encontro de seres planejado pela superioridade com muitas possibilidades de aprendizado e evolução.

A adoção não precisa necessariamente estar no planejamento de reencarnação dos envolvidos; pois gestos de afeto não estão condicionados necessariamente a outras encarnações ou dividas anteriores; ou ser necessariamente um acerto de contas ou resgate. Podem ser espíritos comprometidos pela lei do retorno e de ação e reação, que combinaram de forma planejada esse reencontro de forma madura e coerente. Há espíritos que reencarnam para serem filhos adotivos e em seu planejamento podem ou não escolherem seus pais. Cada nova encarnação é uma nova oportunidade para crescermos e superarmos imperfeições, a adoção é uma grande e iluminada oportunidade de elevação moral e aprendizado.

Não nos lembramos das nossas escolhas anteriores, que fazem parte da dinâmica natural da vida espiritual, se um acontecimento está no planejamento, ele fará tudo para ser realizado e será sempre para o bem e para o crescimento; mas a maneira que cada indivíduo irá agir será de acordo com as suas escolhas no momento das ocorrências, do uso do seu livre-arbítrio. A consciência pelos atos é proporcional ao entendimento e intenção. Através das escolhas o espírito é autor do seu próprio desenvolvimento.

Os espíritos superiores trabalham intensamente para que esses encontros sejam bem-sucedidos já que a adoção envolve fraternidade, afeto e é uma valorosa atitude de amor.

A doutrina espírita é favorável a tudo que reforce o amor, a caridade, solidariedade, as relações empáticas e de auxílio ao próximo. A gente é mais feliz quando caminha promovendo a felicidade dos outros.

Vamos caminhando com pequenos gestos do querer baseados no afeto e no respeito com muitas energias positivas.

“Somos feitos de átomos, mas a nossa essência tem que ser o amor.” (Samanta Merlin)

Fernanda Oliveira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das famílias. Editora Juspodium

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Editora Boa Nova

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Editora EME

NETO, Alexandre Caldini. A vida na visão do espiritismo. Editora Sextante

https://ospontosdevista.blogs.sapo.pt/frases-do-facebook-se-nao-nasceu-de-1415083 (acesso em 12 de junho de 2021)

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