Nada como se Amar

Adriana Machado

Para quem está com problemas consigo mesmo, nada como começar a se perguntar o porquê.

Por muitos anos eu acreditei que me amava. Depois, comecei a colocar em dúvida esse amor por ter descoberto que o meu comportamento não condizia com alguém que se dizia amar. Daí, buscando respostas, descobri, ainda insatisfeita, que me amo, mas de uma forma que poderia melhorar.

Hoje, meu olhar se iluminou, pois sei que me amo, mas com a condição imperfeita de uma filha perfeita de um Pai que é todo Perfeição. Sendo assim, me vejo fazendo enormes progressos, mas engatinhando nesta trajetória. Diante disso vem a pergunta: isso me desanimará? E quanto a você?

PERFEIÇÃO DIVINA

Somos filhos de Deus e temos em nós a Sua essência, o Seu DNA. Somente por isso diria que somos perfeitos, mas somos perfeitos enquanto Suas criaturas.

Essa nossa perfeição nos dá condições de, por meio de nosso próprio esforço, chegarmos a um estado que nos elevará espiritualmente degrau a degrau, mas, para isso, precisamos querer subi-los. Estão se perguntando como?

Bem, somos seres criados perfeitos, mas que precisamos buscar a nossa perfeição íntima e, por mais que tentemos deixar para depois, ninguém consegue fugir a essa determinação divina. Esse objetivo está grafado em nosso ser.

Se é uma meta divina que não temos como dela fugir, então temos que relembrar que Deus jamais nos impulsionaria a uma expedição por paisagens desconhecidas sem nos dar o equipamento essencial para atingirmos o nosso objetivo. Portanto, indagando qual seria essa ferramenta eficaz para o nosso progresso, chegaríamos, sem sombra de dúvidas, naquilo que germina o tempo todo em nós, das mais diversas formas: a semente do amor.

AMOR X AMAR

Amor é um substantivo masculino transcrito como um sentimento, segundo os mais diversos dicionários. Amar, por sua vez, é um verbo.

Se amor é um sentimento e este é também “a ação de sentir, de perceber através dos sentidos, de ser sensível”, então não estaríamos errados em afirmar que amar e amor são duas ações que se completam, e que podem nos elevar ao mais alto grau de satisfação ou nos rebaixar ao pior estado d’alma vivenciado.

Esse antagonismo se dá porque tudo isso dependerá de como escolhermos agir com o amor que já sabemos amar.

Bem, sendo um verbo e tendo, cada um de nós, a condição de escolhermos como queremos amar, isso só significa que, para amarmos e como amarmos, só depende de nós.

Imagino que está havendo um burburinho em seu coração quando pensa que existem pessoas em sua vida que são impossíveis de serem amadas. Isso somente é uma verdade quando fazemos a vinculação do amar com a nossa satisfação pessoal.

Se o nosso desejo é amar, não podemos vincular o nosso amor a condições de exclusão estipuladas unilateralmente por nós. Devemos amar sem exigirmos do outro posturas que ele não seria capaz de sustentar, mesmo que isso não nos satisfaça… e isso deve ser aplicado, principalmente, a nós mesmos.

Como podemos amar, se a cada instante colocamos empecilhos para nos vermos alvos de nosso próprio sentimento sublimado?

AMAR TEM QUE SER UMA AÇÃO LIVRE DE COBRANÇAS

Começando a responder a pergunta que fiz sobre como nos elevaremos espiritualmente, degrau a degrau, normalmente usamos o nosso próximo para podermos enxergar o que há em nós.

Não entendeu? Quando não queremos ver em nós algo que nos incomoda, sem percebermos, acabamos o enxergando no outro e, por não nos agradar, o criticamos infindavelmente até que, por circunstâncias da vida, percebemos que o que está nele, e nos desagrada, é o que está em nós. Nos surpreendemos, nos ressentimos conosco, até que, vendo que não há como mudar tal situação sem o nosso próprio esforço, nos damos a chance de nos trabalhar intimamente, nos libertando gradativamente daquilo que estava nos trazendo desconforto e até sofrimento.

O ponto crucial é que, se acreditarmos que o nosso próximo, portador de suas “deficiências”, não merece uma segunda chance para mudar, estaremos nos condenando a um futuro de sofrimentos, porque, inconscientemente, não aceitaremos que merecemos essa chance também. Estaremos, indubitavelmente, nos julgando e condenando, sem a análise de qualquer atenuante, e sem a possibilidade de impetrar qualquer recurso que nos libertaria deste juiz maquiavélico que estamos sendo para nós mesmos.

Se depende de nós como amarmos, então precisamos acreditar que, apesar de todas as dificuldades que o outro porta, ele estará sempre dando um passo mais à frente para se depurar de suas mazelas, principalmente se ele assim desejar. Se essa é uma verdade pura e simples no processo de crescimento individual, como nos isentarmos de participar deste mesmo processo?

TODOS SOMOS CAPAZES DE NOS SUPERAR PELO AMOR REDENTOR

Mais do que nunca, precisamos desejar enxergar o quanto nos esforçamos para nos depurar, mesmo que ainda estejamos enfrentando inúmeras dificuldades íntimas para a nossa própria superação.

Sem o nosso olhar amoroso diante de nossas tentativas de progresso individual, jamais conseguiremos compreender que o que nos impulsiona ante os passos vacilantes de nossa imaturidade é a misericórdia e a justiça divinas que se pautam no amor sublime do Pai Criador.

A cada momento, vamos amadurecendo e compreendendo que nos redimiremos perante a nossa consciência através desse amor divinal que faz parte do nosso ser, e que podemos esbanjá-lo aplicando-o sem avareza em nossa existência, porque a semente que o germina é uma fonte inesgotável em cada um de nós.

Tudo isso nos leva para mais perto dos seres angelicais embrionários que somos, e que o Pai, ao nos criar, somente nos deu uma incumbência que foi a nossa transformação íntima por meio das experiências conquistadas e vivenciadas.

NADA COMO NOS AMAR

Tudo isso é o reflexo da empatia que nos leva mais próximo à compreensão de nosso irmão em dificuldade e, por consequência, de nós mesmos; é o amor colocado em ação que se expande para toda a humanidade sem qualquer distinção.

Diante de todos esses novos entendimentos, compreendemos que o que mais precisamos é nos amar, e adotando uma postura de nos ver imperfeitos, compreenderemos a imperfeição alheia e nos daremos as mãos para podermos juntos alcançar um patamar mais elevado de entendimento sobre quem desejamos nos tornar.

Disse eu acima:

“Para quem está com problemas consigo mesmo, nada como começar a se perguntar o porquê. (…)”

E continuei:

“Hoje, meu olhar se iluminou, pois sei que me amo, mas com a condição imperfeita de uma filha perfeita de um Pai que é todo Perfeição. Sendo assim, me vejo fazendo enormes progressos, mas engatinhando nesta trajetória. Diante disso vem a pergunta: isso me desanimará? E quanto a você?”

Acho que agora todos poderemos nos dar uma resposta.

Adriana Machado

Fonte:  Blog Dufaux

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O PENSAMENTO E A PAZ ENTRE OS SERES

Pensamento como ferramenta para a paz entre os seres

Inny Buch

“L.E. 833: Haverá no homem alguma coisa que escape a todo constrangimento e pela qual goze ele de absoluta liberdade?”

“No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém não aniquilá-lo.”

Podemos afirmar ser o pensamento a exteriorização da força mental. Esta exteriorização não se fará apenas através de palavras, mas também por todo o comportamento da criatura humana.

Já escutamos diversas vezes a expressão: “Você é o que você pensa.”

Se a ciência ainda tem uma visão limitada sobre o assunto – afirma ser o pensamento o produto do cérebro – acaba se embaraçando quando tenta explicar, por exemplo, a origem das ideias inatas, ou dos “dons” que certas crianças apresentam; a Doutrina Espírita tem a visão mais ampliada e mais aprofundada, já que afirma que tanto a mente, memória, razão e consequentemente o pensamento são atributos do Espírito. Lemos por exemplo no Livro dos Espíritos, na questão 24, “A inteligência é um atributo essencial do Espírito (…)”

O cérebro seria somente o órgão de exteriorização do pensamento da criatura encarnada. Agora entendemos também quando se pode deter o vôo do pensamento. É precisamente quando este órgão de exteriorização, o cérebro físico, está danificado.

Pianistas

Por mais que o Espírito tente, ele não será capaz de colocar totalmente inteligível o seu pensamento para outras pessoas. Tentando uma analogia diríamos que por melhor e mais famoso fosse o pianista, não conseguiria tirar de um piano desafinado, ou com falta de bemóis e sustenidos uma melodia harmônica.

As aquisições, as experiências de vidas passadas – que lhe são as bagagens de hoje – darão a forma como a pessoa pensa atualmente. É por isso que pessoas de pouca vivência, ou que não conseguiram vivenciar as lições do passado, se irritam, se magoam, reagem, brigam com mais facilidade, pois ainda lhes falta o amadurecimento. O inverso também é verdadeiro. Há aquelas que antes de reagirem a um estímulo, pensam e refletem para então agirem com mais bom senso. É o aprendizado através das eras que dá à criatura mais compreensão, mais aceitação, mais equilíbrio.

Atenção na direção

Será que você já pensou alguma vez seriamente no teor dos pensamentos? De que realmente se gosta, se deseja? De como se encara a vida, ou o que ela representa?

Vamos encontrar aqui um problema: a criatura é a autora do pensamento, mas cada vez mais parece que este pensamento vai para onde quer e, além disto, carrega a pessoa junto. Vemos que se tem pouca disciplina na hora de uma concentração. Tem-se de ter bem presente: a pessoa não é o pensamento, portanto este não deve dirigi-la; mas sim deve ser dirigido por ela. O melhor exercício para tal é a disciplina e o exercício da atenção.

Encontramos também o que é chamado de “clichê mental”, forma de pensamento, ou como diz Kardec em A Gênese, capítulo XIV, item XV, a “fotografia mental”.

Isto acontece quando a criatura pensa continuamente e firmemente em certas coisas, acontecimentos ou pessoas. Há então uma formação de imagem que se plasma e se torna uma forma de pensamento. É assim, por exemplo, que os Espíritos nos reconhecem. Não é o que dizemos (muitas vezes somos mentirosos), mas o que pensamos. Ernesto Bozzano em seu livro Pensamento e Vontade afirma ser “o pensamento e a vontade forças plásticas e organizadoras.” Isto quer dizer que se pode criar através do pensamento. Este plasma no fluido cósmico (que é a matéria) forma imagens. Será que agora conseguiremos entender o “olho gordo” ou “mau olhado”?

Também poderemos afirmar neste sentido o poder da oração. Como etimologicamente a palavra significa “estar de boca aberta” vemos que quem ora consegue fazer o silêncio interior suficiente colocando-se em sintonia com o plano espiritual para receber dele as boas influências para seu dia a dia.

O controle mental depende do esforço de cada um, da vontade e da disciplina. É uma aprendizagem. Muito bem colocado por Joanna de Ângelis: “Quando sintas que o desequilíbrio te sitia a casa mental e estás a um passo da queda, recolhe-te ao silêncio e reabastece-te de paz. Perceberás que o vigor e a coragem serão restabelecidos e a harmonia tomará conta dos teus pensamentos, palavras e ações.”

Inny Buch

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Espiritismo e Misticismo

Marcelo Henrique Pereira

ESPIRITISMO E MISTICISMO

A influência do sincretismo religioso e do pensamento oriental e espiritualista na formação do perfil do espírita do século 21

Não há, no Espiritismo, nada “[…] de místico, nada de alegorias susceptíveis de falsas interpretações. Quer ser por todos compreendido, porque chegados são os tempos de fazer-se que os homens conheçam a verdade. Longe de se opor à difusão da luz, deseja-a para todo o mundo. Não reclama crença cega; quer que o homem saiba por que crê. Apoiando-se na razão, será sempre mais forte do que os que se apoiam no nada”. (Kardec, em O livro dos espíritos, Conclusão, Item VI.)

Existe relação entre Espiritismo e Misticismo? Como entender que uma doutrina racional, embasada na lógica e no bom-senso e fundada na pesquisa séria da fenomenologia mediúnica possa estar sendo associada às práticas místicas, presentes na Humanidade desde épocas imemoriais, reflexos, muitas vezes das crenças, crendices e superstições dos homens de todos os tempos?

Místico, aliás, é uma palavra que, no léxico, está associada à vida espiritual, mas de sentido oculto ou esotérico, sobrenatural, baseada na simples contemplação espiritual, em busca da união (completa e eterna) com a Divindade. O Misticismo, assim, propugna uma completa comunhão entre os seres e o Criador, e, em consequência, permite a crença de que as “revelações” espirituais possam ser transmitidas de modo direto, de Deus para os homens, o que, de certo modo, guarda consonância com a teoria espírita da Mediunidade, pela qual as informações espirituais são divulgadas à Humanidade (de todos os tempos) por intermédio dos médiuns, como calcado no capítulo I, de A gênese, formando, assim, ao contrário da revelação divina, a revelação espírita (de espíritos para espíritos). Ademais, o misticismo não se coaduna com a ciência (física), pois depende de uma crença adicional para ser entendido, dependendo, pois, da interpretação das simbologias por parte de algumas pessoas “especiais”, tidas como “iniciados”.

Foi justamente para romper com a idéia do sobrenatural que Kardec aceitou a incumbência espiritual de relatar ao mundo uma nova verdade, com específicos paradigmas de compreensão da realidade espiritual, há exatos 150 anos. Concebeu, com a ajuda prodigiosa da Falange da Verdade, não uma religião, propriamente, mas uma doutrina filosófica (teoria), com embasamento científico (nas pesquisas e experimentações), de consequências ético-morais (resultado, objetivo). De modo oposto às religiões e seitas de todas as épocas, a filosofia espírita visa desmistificar a divindade, o mundo espiritual e as relações entre os espíritos (encarnados e desencarnados).

Nos dias hodiernos, a acentuada tendência – mesmo entre os espíritas – para o misticismo tem lugar em razão das escolhas e dos caminhos do próprio movimento espírita. Sem desmerecer ou desqualificar ninguém (pessoas ou instituições), entendemos que a questão de fundo é muito mais peculiar à interpretação (parcial ou mais ampla) da própria Doutrina Espírita. Evidentemente, em termos brasileiros, há que se considerar o contexto cultural e a evolução histórico-social de nosso povo. Primeiro, a influência da religião católica no processo de colonização (e, mais adiante, no próprio Império) é decisiva no sentido de garantir, no curso dos séculos, a proeminência do catolicismo sobre as demais expressões de religiosidade. Em segundo lugar, a existência de índios (e suas crendices), bem como a vinda de escravos negros (e seu sincretismo) para o território pátrio, representou, no cadinho da miscigenação racial, a formação de um “caldo” cultural interessantíssimo, com acentuado caráter místico, merecendo destaque a presença de entidades que se identificam como caboclos ou pretos-velhos, ontem e hoje. No plano espiritual, ainda, é imperioso considerar a presença, na Codificação, de individualidades que haviam sido, em suas últimas romagens encarnatórias, líderes religiosos (sobretudo do catolicismo), e, mais recentemente, em todo o processo de desenvolvimento do espiritismo em solo nacional, alguns expoentes daquela doutrina figuram como mentores espirituais de médiuns e grupos espíritas. De outra sorte, as religiões afro-brasileiras, principalmente a Umbanda e o Candomblé contribuíram para esta “guinada” do espiritismo tupiniquim, abandonando, em parte, os aspectos filosófico e científico e introduzindo uma espécie de “religião” espírita.

E, mais presentemente, também, é possível perceber a introdução de idéias derivadas de filosofias e seitas espiritualistas do oriente, algumas de origem ancestral, cujos conceitos até podem guardar similaridade com certos princípios espíritas, mas que, estudados mais detidamente, revelam diferenças inconciliáveis. De certo modo, a difusão de conhecimentos espirituais não é (nem foi, nem será) privilégio do Espiritismo, de forma que, em diferentes lugares e épocas, as verdades são disseminadas conforme o nível de entendimento das pessoas e comunidades.

A tendência para o misticismo também se acentua nas próprias instituições espíritas, em razão de explicações “fantásticas” que são dadas às questões mais corriqueiras da existência, como se tudo o que nos ocorresse fosse decorrente da ingerência de individualidade(s) desencarnada(s) com poderes para influir em nossa vida. De outra sorte, a estrutura de muitos centros e grupos, centralizados em torno de determinados líderes ou médiuns, envolve a rotina dos atendimentos individualizados (entrevistas, aconselhamentos ou consultas), em que alguém passa a analisar as diferentes contingências da vida do consulente e seus problemas, prescrevendo-lhe, além dos comportamentos “obrigatórios” como a freqüência às sessões de palestras públicas e a submissão aos passes “terapêuticos”, prescrições de caráter opinativo, de como devam se comportar nas situações da vida. Importante salientar, neste contexto, a existência de uma simbiose entre os “necessitados” e os “lideres”, em que ambos se locupletam com a atividade, os primeiros que experimentam “melhoras” ou, quando pouco, se sentem “aliviados”, e os últimos que alimentam suas vaidades e orgulho.

Ainda no concernente à mediunidade, com apoio em Deolindo Amorim (O espiritismo e a investigação científica), o lado místico predomina na prática mediúnica, importando numa amplitude de comportamentos e vivências mediúnicas, com a apropriação de elementos ritualísticos ou formatações particulares, sob a orientação de mentores ou dos próprios dirigentes, impossibilitando a adoção de métodos e experimentações comuns, que melhor direcionem os resultados da atividade medianímica. Muito porque “[…] A legião de sofredores é muito grande, em todas as camadas sociais, e a maior parte do público, por isso mesmo, recorre aos “canais mediúnicos” simplesmente como fonte de consolações ou à procura de esclarecimentos imediatos para suas situações; nunca, porém, como elemento de pesquisa, com visão científica ou filosófica.”

Temos, então, um enorme contingente de beatos espíritas, assim conceituados pelo Prof. Herculano Pires: “O beato espírita não é espírita, pois não conhece a doutrina e não estuda, não se liberta das superstições e dos erros do seu passado religioso. Pela sua crença ingênua está sujeito a servir de instrumento a qualquer espírito mistificador e se apresentar como mestre missionário, reencarnação de Kardec e outras tolices dessa ordem.”

Outra mistificação evidente, também censurada a seu tempo por Herculano, e ainda presente nos dias de hoje, é a vinculação do movimento espírita oficial à teoria roustenista (calcada no livro Os quatro evangelhos, do advogado francês, contemporâneo de Kardec, Jean-Baptiste Roustaing) e seus absurdos conceituais, desprovidos de lógica e frontalmente em desacordo com os conceitos da codificação.

No meio espírita brasileiro, ainda, é possível encontrar teorias que convivem paralelamente ao Espiritismo, ou, ainda, que são estudadas e divulgadas como se fossem espíritas. São exemplos nítidos as idéias de Edgard Armond, Pietro Ubaldi, e Ramatís, muitas das quais totalmente incompatíveis com o corpo doutrinário espiritista, apresentando teses pessoais, as quais não se sujeitaram aos critérios utilizados por Rivail. Há quem acrescente a eles os idolatrados e “oficiais” Bezerra de Menezes, Emmanuel e Joanna de Ângelis, todos com feições evangélico-cristãs, que reduziram a doutrina ao aspecto moral-religioso, sobretudo por sua ascendência na prática religiosa do catolicismo. Não bastasse isso, conforme Herculano, “André Luiz é equiparado a Ramatis e ambos transformados em superadores de Kardec”.

Ante a avalanche de “novidades” que vão aparecendo nos centros espíritas, por pessoas que se encantam com outras filosofias e práticas (a quem Herculano, com propriedade, chamou de “novidadeiros”), nossa postura filosófico-científico espírita deve ser clara e inalterável: a doutrina dos espíritos é uma e contém em si as bases e práticas conhecidas, mencionadas com propriedade em O que é o espiritismo e em O livro dos médiuns. Qualquer outra “inovação” deve ser tratada com cuidado, o que não impede (nem desmerece) que pessoas sensatas e bem-intencionadas, que buscam a tudo conhecer, para reter-lhes a melhor parte, possam – em ambientes não-espíritas – experimentar e praticar, se tiverem certeza dos efeitos positivos que deles advenham. É o caso, por exemplo, da massoterapia, do reiki, dos cristais, da cromoterapia, da aromaterapia, da musicoterapia, entre outras. A justificativa, nossa, de não introdução de tais atividades nas instituições espiritistas decorre do fato de evitar confusões, misturas e tendências ao próprio misticismo, mantendo íntegra a estrutura do pensamento espírita e sua prática correlata.

Se é verdade que a atualidade nos faz presenciar uma “volta ao recomeço”, com a preocupação crescente com temas filosófico-científicos e a reintrodução das pesquisas e experimentos mediúnicos, o segmento majoritário do movimento espírita prefere encarar o Espiritismo como religião, ou “o futuro das religiões”, assumindo, destacadamente, comportamentos místicos em face, principalmente, da idolatria a médiuns ou espíritos e da adoção de rituais e hierarquias, como visto antes.

Como o mundo é, em essência, o que dele fazemos, enquanto inteligências (encarnadas e desencarnadas) e por meio de nossas ações, entendemos que, mesmo com a influência do religiosismo e do misticismo, o Espiritismo cumpre sua marcha, enquadrando-se, presentemente, no final do quarto período (dos seis enunciados por Kardec, na Revista Espírita de dezembro de 1863, sobre a evolução do pensamento espírita), denominado religioso, para, a seguir, em breve, alcançar o quinto, intermediário, que conduzirá ao último, o de renovação social.

Como bem afiançou nosso querido (saudoso e inesquecível) amigo Amílcar Del Chiaro Filho, “O Espiritismo coloca-nos frente a frente com duas realidades, a da matéria e a do espírito. Realidades que se interpenetram, existindo cada uma no seu espaço vibracional. Já não somos mais homens profanos ou místicos, e sim cósmicos, cidadãos do Universo.” O caráter holístico do Espiritismo está, assim, encartado na sintonia mental e permanente do ser, pela mediunidade, com outras inteligências desencarnadas, dando-nos a clara idéia de completude e totalidade, não necessitando de práticas ritualísticas ou explicações fantásticas, já que tudo pertence ao plano do Espírito, e sua realidade transcendente, eterna e imortal.

Por fim, não é repetitivo lembrar, novamente, Herculano, que se refere aos místicos como os que a tudo aplaudem e aceitam, “[…] esquecidos de que não podemos tolerar a mentira e a mistificação. […]

Os espíritas conscientes, convictos, precisam opor a barreira da verdade doutrinária a essa avalanche de mentiras que ameaça asfixiar o Espiritismo no Brasil. Chegamos aos limites da tolerância e mergulhamos no erro, entregamo-nos à fascinação das Trevas. E cada um de nós é responsável por essa situação calamitosa. Ou reagiremos contra esse abastardamento do Espiritismo ou seremos cúmplices da ignorância criminosa.”

Tudo, enfim, deve estar no seu lugar. Há espaço para todos, e cada um respira os ares compatíveis com sua desenvoltura espiritual, em afinidade com as vibrações e as circunstâncias que mais lhe apeteçam. Mas, se desejamos, sinceramente, aprender mais acerca da filosofia espírita, que a preservemos de enxertos, alterações e deturpações, mais convenientes aos nossos gostos e pendências, mas, com franqueza, que nada acrescem ao edifício espírita.

O espírita do Século XXI, assim entendemos, resgatará Kardec em sua essência e completude, compreendendo melhor o caráter transformador da filosofia espírita, pura, sem acréscimos ou adulterações, dirigido ao homem e à Sociedade.

Marcelo Henrique Pereira

Fonte: Grupo de Estudos Avançados Espíritas (GEAE)

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Resgates Coletivos

Julia Thaís Porciúncula Serra

RESGATES COLETIVOS E O ESPIRITISMO

Constantemente vemos desastres coletivos que podem surpreender a humanidade de várias maneiras. Desastres ambientais, naturais ou grandes acidentes que culmina na vida de várias pessoas. O que nos leva a refletir sobre o porquê acontece dessa forma, destroçando vida de famílias e pessoas e emocionando o mundo, tamanha é a surpresa e a tristeza que isso acontece.

No livro Chico Xavier Pede Licença, no capítulo 19 intitulado de Desencarnações Coletivas, o espírito Emmanuel responde a seguinte questão:

Pergunta: “Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?” (Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião pública, na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas).

Resposta: “Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Humano, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio. Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.”

Como incêndios em lugares com muitas pessoas, quedas em avião ou desastres naturais como deslizamentos, estão ligadas a buscas coletivas? Para uma explicação mais detalhada, afim de que possa compreender melhor como funciona, no livro continua que:

“Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontros marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos. Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras. Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos no Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas. Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.”

De acordo com o site O Tempo, Marcelo Gardini, da União Espírita Mineira, diz que o médium Chico Xavier sempre falava que os resgates em massa acontecem em momentos de transição. “Geralmente eles acontecem quando um grupo de pessoas precisa passar por determinada prova de ‘desencarne’ ou desencarnação. Por meio da misericórdia divina, essas pessoas são encaminhadas para experienciar juntas uma tragédia, a fim de sanar débitos coletivamente.”

Crê que o desencarne coletivo acontece quando os espíritos envolvidos precisam buscar um resgate semelhante, que não necessariamente estejam ligados, porém, de alguma forma precisa-se ter alguma semelhança ao destino que foi proposto. Acredita-se que, ao reencarnar, cada indivíduo tem o livre arbítrio de fazer escolhas, podendo ou não suavizar ou piorar suas dívidas.

Marcelo completa que “O espírito não traz essas lembranças, pois passa pela nuvem do esquecimento.

Ao longo de nossa trajetória pode acontecer, mediante nossa maturidade espiritual e nossas necessidades, de algo desse compromisso ser revelado. Mesmo nos desencarnes coletivos, quando o contexto é o mesmo, cada pessoa vivencia uma experiência individual. Nenhum desencarne é igual ao outro, e é preciso que busquemos compreender a razão da dor”.

Assim, o desencarne coletivo funciona como catalisador, ao deparar-se com indivíduos improváveis e os colocando no mesmo ambiente, o que possibilita um desencarne semelhante, mesmo que não estejam ligados em vida. Por exemplo, um grave incêndio que ceifa a vida de pessoas que, aparentemente, não tinham ligação, mas, que possuíam um propósito de resgate semelhantes.

Ou em desastres naturais como em Brumadinho, município de Belo Horizonte, que teve a morte de 65 pessoas e 279 desaparecidos. Vale lembrar, que foram acidentes podendo ser evitados, mas que culminaram em tragédias por conta de ações da sociedade. Ações dessa mesma trajetória, a barragem de Brumadinho não era fiscalizada, e após o acidente de Mariana (MG), o alerta e o cuidado deveriam ser maiores.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 27, item 12, diz Allan Kardec que esses males se dividem em duas partes: 1) a dos que o homem não pode evitar; 2) a dos causados pela “incúria” ou excessos das pessoas. E completa: “Faz-se, portanto, evidente que o homem é o autor da maior parte de suas aflições, às quais se pouparia, se sempre obrasse com sabedoria e prudência”.

Fica entendido, portanto, que um dos maiores causadores de desastres coletivos, é o próprio homem, por causa de ambição, não mede suas consequências e não pensa no próximo. Dessa forma, é necessário ter em mente, que por mais triste e catastrófico um desastre possa parecer, desencarnar dessa maneira não é, de maneira alguma uma punição ou castigo. Apenas a lei básica de ação e reação, causa e consequência, e que os envolvidos nos acidentes, em espírito, concordaram, para que assim, possam progredir e evoluir.

É de nosso dever, sempre, agir com amor para o próximo e com Deus, além de, fazer uma prece para que os espíritos que desencarnem em situações assim sejam amparados por espíritos nobres e que se curem, que eles encontrem as respostas necessárias para bom entendimento e assim, se desenvolver cada vez mais espiritualmente.

Julia Thaís Porciúncula Serra

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

DINIZ, Ana Elizabeth. As desencarnações coletivas. O TEMPO. Disponível em: Acessado em: 27 dez. 2021

NETO, Valentim. CHICO XAVIER PEDE LICENÇA. 2016

Publicado em por admin | Deixe um comentário

A Poluição e o Caminhão Compactador

Nilton Moreira

CAMINHÃO COMPACTADOR

Causa estranheza que até hoje o homem ainda não conseguiu promover totalmente uma reciclagem de acordo com o momento que está vivendo, apesar de estudos, avanço das academias e reuniões periódicas, pouco evoluímos na área ambiental, principalmente no que diz respeito a destinação dos resíduos sólidos. Até embalagens utilizam-se as do mercado, pois milhões de pessoas não dispõem de recurso para comer, quanto mais para comprar sacolas!

Estudos demonstram que o plástico demora em torno de 450 anos para se decompor, o alumínio pode permanecer até 500 anos enterrado e uma fralda descartável comum em torno de 450 anos.

Certamente vamos partir desta vida e reencarnarmos daqui algum tempo e nos depararemos com todos estes resíduos que estão espalhados pelos mais diversos locais, produzindo poluição de rios e por consequência águas que em muitas cidades abastecem as adutoras. Poderemos no futuro ter um Planeta evoluído moralmente, com pessoas com mais amor ao próximo, mas ver resíduos eclodindo a nosso redor.

Lavoisier no século XVII já disse a emblemática frase “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Ele estava nos chamando a atenção para a necessidade de reciclar.

Mas sabemos que o comércio ligado a resíduos sólidos rende muito dinheiro, e tem muitos interesses, pois que existe grande quantidade de empresas que exploram essa atividade, inclusive empregando muitas pessoas, tanto que no passado os resíduos eram denominados de cisco, lixo, e hoje são tratados de resíduos sólidos.

Mas o que causa surpresa é que campanhas são realizadas para que separemos o “lixo” em nossas casas, mas por ocasião da coleta vemos em muitas cidades ainda sendo utilizado caminhão compactador. Ora, este tipo de transporte inviabiliza qualquer atividade de aproveitamento futuro, pois são esmagados na nossa frente vidros, plásticos, latas, em meio a sacolinhas plásticas.

É elogiável aquelas prefeituras que colocam em suas licitações cláusula que impede de participar prestador de serviço que utilize caminhão compactador para recolhimento dos resíduos.

Não devemos lavar embalagens em nossas residências, pois a água é um bem maior e já falta em alguns países!

Façamos nossa parte. Continuemos separando os resíduos, pois que aos poucos vamos encontrando o caminho da evolução nesse campo, e certamente teremos um Planeta melhor para quando retornarmos em uma outra vida.

Nilton Moreira

Artigo da Semana – Estrada Iluminada

Fonte:  Espirit Book

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O suicídio não é solução

José Lucas

Quem se suicida pensa que faz o mais acertado, para se livrar de alguma agrura que pensa ser inultrapassável. Tudo seria normal se após a vida corporal nada mais existisse, como advogam as correntes materialistas. No entanto, com o advento da Doutrina Espírita, em 1857, altura em que foi lançada a magistral obra «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, as crenças na mortalidade do Espírito deixaram de fazer sentido, já que a imortalidade foi demonstrada à saciedade.

Desde comunicações espirituais em línguas desconhecidas (fenômenos de xenoglossia), desde as mensagens cruzadas (um médium recebia uma parte da mensagem e outro médium, por vezes em local distante, desconhecendo-se mutuamente, recebia a outra parte, que juntas faziam um todo), desde as materializações de objetos, os fenômenos de transporte de objetos sem interferência humana direta, desde os fenômenos de ectoplasmia (materialização temporária de Espíritos), até todo um rol de fenômenos espíritas, quer de efeitos físicos, quer de efeitos inteligentes (leia-se “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec), existem múltiplos fenômenos espíritas que atestam a imortalidade do Espírito, fenômenos esses que hoje estão a ser estudados, pesquisados por outros cientistas, não espírita, que chegam às mesmas conclusões, atestando assim a universalidade dos conceitos espíritas.

Se a imortalidade do Espírito está demonstrada, se a reencarnação é hoje um fato aceito pela comunidade científica menos ortodoxa, então estes conhecimentos vêm retirar qualquer validade ao ato de se suicidar, já que seria uma perda de tempo, uma vez que a pessoa não morreria, largando apenas o corpo de carne, continuando no mundo espiritual com os problemas existenciais que levou da Terra, acrescidos agora do remorso do ato tresloucado cometido, do sentimento de culpa, e toda uma gama de sofrimentos inerentes ao suicídio.

Relatam as pessoas que se suicidaram, e que se manifestam vez por outra nas reuniões de intercâmbio com o mundo espiritual, nas associações espíritas, que os sofrimentos de um suicida são inenarráveis, não havendo palavras na nossa linguagem para descrevê-los. Indubitavelmente, esses sofrimentos serão sempre proporcionais ao grau de responsabilidade da pessoa que se suicidou, às condições de lucidez que tinha no momento, entre outros fatores que nos escapam.

O conhecimento da Doutrina Espírita tem evitado muitos suicídios na sociedade

O suicídio não causa somente sofrimentos indescritíveis no plano espiritual, enquanto espera novo ensejo de reencarnar, mas também se repercute, de um modo geral, na futura reencarnação, afetando o equilíbrio do futuro corpo físico, já que o “molde”, o corpo espiritual, vem desequilibrado pelos tormentos mentais que o suicida experimenta. Paralelamente, o suicida voltará ao palco da vida carnal, com novo corpo, mas tendo de voltar a passar pelas mesmas expiações e provas por que passou na vida anterior, que o levaram ao suicídio, até que aprenda a superá-las, escorado na confiança em Deus. Numa comparação simplista, poderíamos identificá-lo como o aluno que reprovou de ano, e terá o enfado de voltar à mesma escola, mesma sala, mesmos conteúdos, até que consiga ser aprovado no exame.

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo), que não é mais uma seita nem mais uma religião, vem trazer ao homem a explicação do porquê da vida, quem somos, de onde viemos e para onde vamos, explicando o porquê do sofrimento, da dissemelhança de oportunidades, e do objetivo da nossa reencarnação: evoluir intelectualmente, no contato uns com os outros, e evoluir moralmente, seja resgatando erros do passado sob a forma de aflições ou trabalhos de entrega ao próximo, seja evoluindo moralmente com as provas que as contingências da vida nos proporcionam.

A Doutrina Espírita, afigura-se, assim, como o melhor preservativo contra o suicídio, que conhecemos, daí a necessidade de a devermos divulgar junto de quem não a conhece, para que amanhã não sintamos a consciência culpada de termos colocado a luz sob o alqueire.

José Lucas

Fonte:  Espiritismo na Rede

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Todos os sonhos possuem significado?

Juliana Procópio

Característica primária dos seres humanos, o sonho é um dos fenômenos que mais intrigam as pessoas ao longo dos séculos. Seus significados são uma constante causa de aflição ou medo para quem sonha, gerando a busca por seus significados. Um dos relatos mais conhecidos ao longo da História em uma da passagem Bíblica no livro gênesis, são os sonhos interpretados por José no Egito Antigo.

Segundo estudos científicos os sonhos ocorrem durante o período chamado de REM (rapid eye movements), chamado de “rápido movimento dos olhos”. Assim, um sonho dura normalmente uma média de 10 a 40 minutos.

“Antigamente acreditava-se que os sonhos aconteciam em frações de segundos, hoje se sabe que eles, na verdade, duram um tempo real em nossa mente, ou seja, ocorrem na mesma velocidade em que sonhamos. Cada sonho pode durar de alguns segundos até uma hora”.

Por em sua grande maioria, os sonhos figurarem em situações conturbadas e muitas vezes com pessoas ou situações estranhas ao nosso cotidiano, os sonhos geram perturbações e curiosidade quanto ao seu significado.

Muitos são os que buscam interpretá-los das mais variadas formas. Nos dias atuai uma busca rápida em um navegador de internet traz uma lista de livros, lives e revistas que propõem responder as dúvidas dos mais ansiosos. Mas até que ponto tudo isso pode ser considerado verdade?

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, os espíritos explicaram que o sono se faz necessário ao homem como refazimento das suas forças orgânicas e morais. Enquanto o corpo recupera as energias que perdeu pela atividade do dia anterior, o espírito vai se fortalecer entre outros espíritos.

Allan Kardec no Livro dos Espíritos explica que tanto o sono como o sonho são fenômenos de emancipação da alma. O espírito encarnado assim como o errante nunca está inativo. Durante o momento do sono o corpo descansa, mas o espírito não dorme, pelo contrário, ele aproveita desse momento para estudar, trabalhar, rever entes queridos ou se aproximar do que lhe é a fim (seja bom ou mau).

É nesse momento em que o corpo possui um pouco da liberdade que tinha quando desencarnado e pode se comunicar com entes queridos que não estão encarnados ou até mesmo encarnados.

É durante esses encontros que ao despertar de um encontro com espíritos que conhecemos de muitas reencarnações temos a sensação de que sonhamos com pessoas que não conhecemos. Na verdade, talvez não as tenhamos conhecido nesta encarnação e por isso a estranheza ao despertar.

Outras pessoas nos afirmam que não sonham, ou que quase nunca sonham. Em sua maioria a densidade da matéria do nosso corpo humano aliado ao materialismo vivido podem dificultar as lembranças desses momentos de emancipação.

No Livro dos Espíritos nossos irmãos erradicados nos trazem as seguintes informações.

Então por que não nos lembramos sempre dos sonhos? “No que chamas de sono, só há o repouso do corpo, pois o espírito está sempre em atividade; aí, ele recobra um pouco de sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros; porém, como o corpo é uma matéria pesada e grosseira, dificilmente, conserva as impressões que o espírito recebeu, porque este não as percebeu através dos órgãos do corpo.” (L E 403.)

O que se deve pensar do significado atribuído aos sonhos? “Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de sorte, pois é absurdo acreditar que sonhar com tal coisa, anuncia aquela outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais para o espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corporal; com frequência, também, como já o dissemos, é uma recordação; pode ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, permitido por Deus ou a visão do que se passa, naquele momento, num outro lugar a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem, em sonho, e vêm advertir seus parentes ou seus amigos do que está acontecendo com elas? O que são essas aparições, senão a alma ou espírito dessas pessoas que vêm se comunicar com o vosso? Quando tendes a certeza de que o que vistes realmente aconteceu, não estará aí uma prova de que não foi simples imaginação, principalmente, se aquilo não passava, absolutamente, pelo vosso pensamento, durante a vigília?” (L E 404)

Frequentemente, veem-se, em sonho, coisas que parecem pressentimentos e que não se confirmam; de onde isto se origina?

“Elas podem confirmar-se para o espírito e não, para o corpo, quer dizer que o espírito vê aquilo que deseja porque vai ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está sempre, mais ou menos, sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente das ideias terrenas; daí resulta que as preocupações da vigília podem dar, ao que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme; aí está, verdadeiramente, o que se pode chamar de um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma ideia, tudo o que vemos ligamos a ela.” (L E 405)

Assim, o que sonhamos nem sempre está ligado à nossa atual reencarnação, mas a vivências do espírito fazendo com que o sentido dele não seja compreensível. Outras vezes por estarmos tão ligados a situações que estamos passando, levamos essas preocupações conosco durante a emancipação e podemos reforçá-las ou nos aproximar de espíritos menos evoluídos que se aproveitam para nos perturbar.

Como podemos então evitar essas perturbações e sonhos ruins? Ao nos prepararmos para o sono devemos buscar ler leituras edificantes, ouvir músicas mais calmas, evitar assistir repetidamente noticiários trágicos e violentos, filmes e tudo o que deixe nossos pensamentos pesados. Busquemos orar e conversar com Deus e nosso mentor pedindo um momento de desdobramento salutar onde possamos nos conectar com espíritos elevados e queridos.

Mas, não é só isso! Tudo o que vivemos durante o nosso dia interfere nesse momento. Passar um dia inteiro reclamando, brigando, humilhando e respondendo grosseiramente aos outros nos coloca em uma egrégora muito densa que carregamos conosco onde for.

Para boas noites de sono devemos investir em mudança de comportamento. É nosso livre arbítrio escolher as companhias que queremos. Pense nisso.

Abraços fraternos.

Juliana Procópio

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referência:

Os sonhos. Revista Letra Espírita. Clube do Livro Letra Espírita. Ano 2. N.12 2019

O Evangelho Segundo o Espiritismo. Mundo Maior Editora. In https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/O-Evangelho-Segundo-O-Espiritismo.pdf

O livro dos Espíritos. Mundo maior Editora.in https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Livro-dos-Espiritos.pdf

Quanto tempo dura um sonho? – Brasil Escola (uol.com.br)

Publicado em por admin | Deixe um comentário

Jesus e Revolução

Joanna de Ângelis

JESUS E REVOLUÇÃO

Jesus sempre agiu na condição de psicólogo profundo.

Não importava o revestimento, a aparência com que se Lhe apresentavam as pessoas ou estas se referiam às suas doenças, aos seus sentimentos.

* * *

Quando verbaliza o que lhe vai no íntimo, o homem invariavelmente escamoteia, no envoltório das palavras, o que desejaria dizer.

Há mesmo, de forma inconsciente, um terrível pavor para alguém desnudar-se perante si próprio, e não menor diante de outrem…

Por sua vez, são poucas as pessoas que sabem escutar, ver, compreender…

O sorriso de simpatia de um momento transforma-se em esgar noutro instante e a gentileza transmuda-se em agressividade.

Além disso, o ouvinte capta a projeção do narrador, adaptando a informação à própria problemática; o entendimento de que é capaz, ao seu campo de conflitos.

Jesus, por ser o Homem Integral, límpido na Sua transparência efetiva, penetrava os arcanos mais profundos do indivíduo, desconhecidos para si mesmo, que se debatia na superfície dos efeitos sem lograr remontar às suas causas.

Seus diálogos eram rápidos e diretos.

Não se utilizava de circunlóquios, nem de evasões.

Quando recorria a parábolas ou apresentava contrainterrogações aos fariseus e hipócritas, usava de uma técnica sem paralelo, mediante a qual o farsante se descobria nas suas próprias palavras.

Assim o fez, repetidas vezes, inclusive com o sacerdote que Lhe indagara quem era o seu próximo, narrando-lhe a parábola do “Bom samaritano” e obrigando-o, pela lógica, à conclusão. Igualmente, aplicou o método com aqueles que Lhe inquiriram se era lícito pagar-se o imposto, pedindo-lhes uma moeda e indagando lhes de quem era a efígie nela esculpida.

* * *

Era com os sofredores, porém, que Ele mantinha a mais correta psicoterapia de que se tem conhecimento.

Não recorria aos sonhos dos seus pacientes, para descobrir-lhes o inconsciente, os seus arquivos, as suas sombras psicológicas.

Não administrava os medicamentos usuais ou outros de complicadas fórmulas.

Não transferia para os seus familiares o peso da culpa, da hereditariedade, dos fatores sócio-econômicos.

Não fazia que somatizassem os fenômenos desgastantes, mediante acusações de qualquer procedência.

Amava-os, transmitindo-lhes segurança e auxiliando-os a redescobrirem as potencialidades latentes, abandonadas.

Despertava neles uma visão nova da existência, amparando-os naquele instante, não porém impedindo que prosseguissem conforme o desejassem.

Jamais se lhes impôs.

Era buscado por todos, sem os procurar, porque o êxito de qualquer empreendimento depende do seu realizador. Os fatores circunstanciais são-lhe o campo, o espaço onde agirá.

* * *

É certo que, beneficiados, quase todos que Lhe receberam a claridade libertadora foram adiante, a sós, por eleição pessoal.

Muitos, se não a quase totalidade, foram ingratos; outros tantos recaíram nas redes em que se amolentaram na indolência; diversos O acusaram, inconscientes e inadvertidos. Todos, porém, sem exceção, não ficaram indenes ao Seu magnetismo, à Sua afabilidade, ao Seu poder.

Revolucionário por excelência, estabelecia a luta de dentro para fora: a morte do homem velho e o nascimento do homem novo.

Oferecia a contribuição do primeiro passo. Os demais pertenciam ao candidato, que os deveria dar.

A obra era geral; a ação de cada um, que Lhe cabia realizar.

Seguindo à frente, aplainava a estrada.

Os inimigos estavam no foro íntimo dos combatentes.

Ele sabia, também, que o esforço era árduo e só a perseverança, o tempo e o trabalho levariam à vitória. Assim, não se irritava, e nunca se impacientava.

* * *

Se desejas, realmente, a cura dos teus males, deixa-te auscultar por este sublime psicoterapeuta.

Segue-lhe as instruções. Revoluciona-te, rompendo com o comodismo, a autoflagelação, a autopiedade, o passado sombrio.

Renasce de dentro de ti.

Se queres o triunfo real, sai a campo e luta. Abre-te ao amor e ama sem esperar resposta.

Não estás sozinho na batalha.

Ao teu lado outros combatentes aguardam apoio, qual ocorre contigo.

Descobre-os e une-te a eles, sabendo, porém. que a tua será a revolução com Jesus e não contra o mundo, a humanidade ou a vida.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Jesus e Atualidade – 13

Publicado em por admin | Deixe um comentário

As Profecias e o Espiritismo

Antônio Carlos Navarro

AS PROFECIAS E O ESPIRITISMO

Trataremos aqui, minimamente, das profecias concernentes às revelações espirituais, a partir do advento do Senhor Jesus e Seus ensinos. Allan Kardec trata o tema em Obras Póstumas, de onde tiramos algumas citações.

Convém, preliminarmente, relembrarmos o ensinamento de O Livro dos Espíritos a respeito do conhecimento do futuro:

Item 870. Mas, se convém que o futuro permaneça oculto, por que permite Deus que seja revelado algumas vezes? – “Permite-o, quando o conhecimento prévio do futuro facilite a execução de uma coisa, em vez de a estorvar, obrigando o homem a agir diversamente do modo por que agiria, se lhe não fosse feita a revelação. Não raro, também é uma prova. A perspectiva de um acontecimento pode sugerir pensamentos mais ou menos bons.”

Isaias é considerado um dos quatro Profetas Maiores juntamente com Jeremias, Ezequiel e Daniel, e seu livro foi escrito entre 740 e 515 AC. Nele se encontram as primeiras profecias acerca da vinda do Messias:

“Eis por que o Senhor mesmo vos dará um sinal: uma virgem ficará grávida e parirá um filho e ele se chamará Emmanuel.” (Isaías, 7:14.)

“Pois o menino nos nasceu, o Filho nos foi dado e o império foi posto sobre seus ombros e chamar-se-lhe-á, seu nome, o Admirável, o Conselheiro, o Deus forte, o Poderoso, o Pai da Eternidade, o Príncipe da paz.” (Isaías, 9:5.)

Em sequência, no Livro Sagrado, mas ao contrário do que propôs Allan Kardec em Obras Póstumas, vem Miqueias. Ele teria vivido nos anos 700 AC. Ele diz:

“E ele (o Cristo – anotação de Kardec) se manterá e governará pela força do Eterno e com a magnificência do nome do Eterno seu Deus. E eles voltarão e agora ele será glorificado até às extremidades da terra e será ele quem fará a paz.” (Miquéias, 5:4.)

Por último, vem o Profeta Zacarias, que teria vivido nos anos 500 AC. Nele encontramos:

“Rejubila-te ao extremo, filha de Sião; solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei a ti virá, justo e salvador humilde e montado num jumento, sobre o potro de uma jumenta.” (Zacarias, 9:9 e 10.)

Evidencia-se nas profecias acima a vinda de um Messias libertador, de alguém que assumiria o controle da situação social do “povo escolhido”, tirando-o da subjugação e sofrimento aos quais estava preso. No entanto, o que se vê em Jesus é outra a libertação proposta, onde a paz externa é transferida para a conquista da paz interna.

O Senhor Jesus, por falta de amadurecimento nosso, não ensinou tudo, e deixou claro que outro o faria:

“Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. (João 8:31,32)

O Senhor disse que seria no futuro, sobre o qual Ele profecia:

“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês”. João (14:15-17) “Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.” (João 14:26) “Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.” (João 16:12-14)

Outras versões chamam o Conselheiro de Paráclito, outras de Consolador.

Allan Kardec traz o Consolador a lume como Doutrina dos Espíritos, introduzindo-a em nosso Planeta a partir de O Livro dos Espíritos, e dando continuidade às revelações nas suas obras subsequentes. Mas também não disse tudo: “O Espiritismo está longe de ter dito a última palavra, quanto às suas consequências, mas é inabalável em sua base, porque esta base se assenta sobre os fatos (Revista Espírita de fevereiro de 1865, artigo Da Perpetuidade do Espiritismo, § 13).”

Fácil depreender que novos ensinos seriam fornecidos no futuro, e pelo próprio Allan Kardec, ainda segundo Obras Póstumas, Segunda Parte:

“Mas, ah! a verdade não será conhecida de todos, nem crida, senão daqui a muito tempo! Nessa existência não verás mais do que a aurora do êxito da tua obra. Terás que voltar, reencarnado noutro corpo, para completar o que houveres começado e, então, dada te será a satisfação de ver em plena frutificação a semente que houveres espalhado pela Terra.” (Espírito Z)

E em diálogo com o Espírito Verdade se ratifica:

“Prossegue em teu caminho sem temor; ele está juncado de espinhos, mas eu te afirmo que terás grandes satisfações, antes de voltares para junto de nós “por um pouco”.

P.— Que queres dizer por essas palavras: “por um pouco”?

R.— Não permanecerás longo tempo entre nós. Terás que volver à Terra para concluir a tua missão, que não podes terminar nesta existência. Se fosse possível, absolutamente não sairias daí; mas, é preciso que se cumpra a lei da Natureza. Ausentar-te-ás por alguns anos e, quando voltares, será em condições que te permitam trabalhar desde cedo. Entretanto, há trabalhos que convém os acabes antes de partires; por isso, dar-te-emos o tempo que for necessário a concluí-los.

Ao obter essa resposta, Kardec tece o seguinte comentário: “Calculando aproximadamente a duração dos trabalhos que ainda tenho de fazer e levando em conta o tempo da minha ausência e os anos da infância e da juventude, até à idade em que um homem pode desempenhar no mundo um papel, a minha volta deverá ser forçosamente no fim deste século ou no princípio do outro.”

Bem, deste ponto para frente é assunto para outras elucubrações.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

Publicado em por admin | Deixe um comentário

O Medo, segundo o Espiritismo

Amanda Teixeira

MANIPULAÇÃO À BASE DO MEDO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Sabemos que o medo é uma sensação de alerta do nosso corpo sobre uma situação de possível perigo.

Em alguns casos, faz com que não demos andamento a algo, que não nos libertemos a conhecer algo.

Tudo varia de acordo ao caso concreto, mas sobre um fato vamos concordar: muitos atos não são praticados devido ao medo.

Por exemplo: Maria foi a uma festa, e não aceitou usar droga que lhe foi oferecida, por medo de seus pais descobrirem. Maria teve medo da consequência que poderia vir a ocorrer, caso praticasse o uso da droga. Mas, e se Maria não tivesse pais? Será que ela usaria? Existem vários pontos que Maria, nesse exemplo, pode ter pensado, mas o medo fez com que ela mudasse sua ação.

Nós, humanos, diariamente vivemos situações que envolvem o medo, porque somos criados culturalmente, desde criança, a ter o medo, mas não somos ensinados a nos policiar apenas por ter medo. Ainda no exemplo citado acima, de Maria, poderia ser: Maria não aceitou usar a droga que lhe fora oferecida porque entende o mal que ela faz ao corpo, além de ser algo ilícito.

Percebem a diferença? O caminho a ser seguido é sempre nós constatarmos o que é errado, simplesmente porque ele é errado, e não deixar de fazer apenas por medo, e nos direcionar a não sentir desejo daquilo, aprender com o tempo a não querer mais e entender realmente que não nos faz bem.

Isso acontece muito no espiritismo, muitas pessoas não efetuam certos atos porque apenas apresentam receio de ir para o umbral, exemplificando. Não deve ser esse o caminho, e sim as pessoas não praticarem o ato errado porque entendem que não é certo.

O futuro é construído todos os dias. A principal mudança que deve ocorrer é: você entende que é errado? Fica a reflexão.

Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a questão 123 diz:

Por que Deus tem permitido que os Espíritos possam seguir o caminho do mal?

A sabedoria de Deus está na liberdade que ele deixa a cada um escolher, porque cada um tem o mérito de suas obras. (KARDEC, 2002).

Em outros termos, somos nós que trilhamos nossos caminhos, construímos nossa jornada, através do nosso livre arbítrio.

A Doutrina Espírita nos ensina que:

Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe [ao ser humano] uma advertência de que procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para que se emendasse.

Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e, consequentemente, a sua felicidade futura.

O sofrimento faz parte da nossa evolução, não devemos sempre encará-lo de maneira negativa, e sim acreditar que ele nos faz crescer de alguma forma, assim como não devemos ter medo de errar, pois ninguém é perfeito, todos os seres encontram-se em estado de evolução, e ainda irão cometer seus equívocos. Devemos buscar sempre aprender com o erro, não nos acostumar, e sim assimilar a experiência para que não seja mais praticada.

Quando damos espaço ao medo em nossa vida, consequentemente nos tornamos ignorantes, em não aprender sobre o assunto, em não buscar informações, em não lutar contra esse medo e deixar que ele faça parte de nós. Não podemos nos tornar reféns do medo, o desconhecido nos gera com certeza muitas dúvidas, como, por exemplo, o medo do umbral, seja como você entenda ou denomine. Esse medo também tem feito muitos reféns.

Apenas o conhecimento libertará esse medo. Devemos ser bons, sem medo e preocupações.

Com certeza todos nós temos temor pelo nosso destino, e várias indecisões surgem: para onde vamos? será que iremos ao ”paraíso?” será que meu pecado me levará ao umbral?

Preocupa-nos ainda mais porque sabemos que nosso Espírito não morre, e sim nosso corpo material.

Isso, sem dúvidas, nos ocasiona desassossego, pois vivemos perante a Lei da causa e efeito:

Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá. (KARDEC, 2019).

Todas as nossas ações são submetidas às leis de Deus; não há nenhuma delas, por mais insignificante que nos pareçam, que não possa ser uma violação dessas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, não nos devemos queixar senão de nós mesmos, que nós fazemos assim os artífices de nossa felicidade ou de nossa infelicidade futura.

Fica a lição de que podemos sim compreender aquilo que é certo e errado, termos a opção de amar a Deus, trilhar um caminho certo, do bem, sermos justos, apenas através da compreensão, e não por medo das consequências. Entender a mensagem que o espiritismo nos deixou e deixa, e trilhar seus caminhos, apenas porque queremos, e não por medo, porque intencionamos rever nossos valores, melhorar como humanos, enriquecer nossa moralidade, tanto conosco, quanto com o próximo.

Muita luz!

Amanda Teixeira

Fonte: Blog Letra Espírita

Referência:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 119. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. V, item 5.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019, Livro Quarto, Capítulo II, item 964.

Publicado em por admin | Deixe um comentário