O Mundo Espiritual pelo Espiritismo

Adenáuer Novaes

O MUNDO ESPIRITUAL PELO ESPIRITISMO

“A divisão clássica kardequiana dos espíritos em classes e ordens é apenas didática, estabelecida com o intuito de trazer um referencial de como se situam após a morte do corpo físico. O estado psíquico, o estilo de vida, a habitação, o vestuário, bem como as crenças e motivações são múltiplas e, em muitos casos, desconhecidas dos encarnados. – Adenáuer Novaes”

A realidade além da vida física é de uma complexidade muito maior do que a conhecida através dos livros e relatos mediúnicos. Tais escritos e depoimentos se circunscrevem a nichos palidamente percebidos pelos espíritos e médiuns que se dedicam a educar o ser humano quanto à vida fora da matéria. A diversidade de situações, ambientes e estilos de vida é infinitamente maior do que se imagina. Isso não quer dizer que se trate de falsas informações ou de mistificação dos médiuns. São considerações importantes que, embora esclarecedoras, sofrem o filtro da linguagem e da cultura dos médiuns.

A grande maioria das informações espirituais sobre a vida fora da matéria é trazida com o objetivo de educar os que se encontram na dimensão mais densa. Esta educação é um preparo para uma vida equilibrada na sociedade material e para uma vida espiritual sem surpresas.

Os pressupostos teóricos dessa educação têm conduzido, ou pelo menos pretendido conduzir, o ser humano a uma adequada postura diante da vida material, de acordo com princípios cristãos. Por esse motivo, o mundo espiritual é mostrado muito semelhante ao imaginário construído pelo catolicismo. O que nele está ausente, também o esteve no céu apresentado pelo modelo católico. O sistema econômico, o sistema produtivo, bem como a sexualidade e as atividades de lazer são relegadas a um plano quase que inexistente. O mal do outro lado da vida é colocado em relação a algo feito do lado de cá. Parece que nada de ruim, exclusivamente pertencente ao outro plano da vida, acontece. Todo o mal está relacionado aos vícios, prazeres e vinganças do lado de cá da vida. Abordar tais assuntos pode não ser considerado edificante ou adequado. Claro que devem existir empecilhos que desconheço.

A divisão clássica kardequiana dos espíritos em classes e ordens é apenas didática, estabelecida com o intuito de trazer um referencial de como se situam após a morte do corpo físico. O estado psíquico, o estilo de vida, a habitação, o vestuário, bem como as crenças e motivações são múltiplas e, em muitos casos, desconhecidas dos encarnados.

Há muitas regiões espirituais inóspitas, bem como outras a serem desbravadas, à espera do espírito humano para lhes dar movimento e sentido transcendente. Em tais regiões podem vigorar princípios e modos de convivência muito diferentes dos adotados em outras, pois o Universo é livre para todos. Esta liberdade toda estará condicionada ao princípio divino existente em cada ser do Universo.

Apropriando-me dos conceitos emitidos a respeito da vida espiritual, mesmo considerando sua parcialidade, tentei alcançar uma visão mais ampla, sem destruir o que havia aprendido. Desde que adentrei o Espiritismo, tenho percebido a necessidade de não permanecer apenas com o que é aprendido, mas de buscar dentro de mim mesmo o que já foi vivenciado espiritualmente.

Entrei no Espiritismo como quem adentra uma escola. Não fui levado pela dor ou sofrimento. Circunstâncias naturais me levaram ao conhecimento da Doutrina Espírita. Minha curiosidade intelectual e um sentido interno de que a vida não se resumiria ao material foram determinantes, além de amigos me terem convidado a assistir uma ou outra palestra num Centro Espírita. Minha entrada no Espiritismo foi provavelmente algo espiritualmente ensaiado.

Com o tempo, realizando várias buscas e investigações intelectuais, estudando sistematicamente e filosofando sobre o que lia, fui aprendendo a distinção entre ser espírita e perceber-se espírito. Ser espírita me parecia uma profissão de fé, uma admissão num grupo religioso com suas regras e formas de identificação de adoção. Seus adeptos se apresentavam como cultores da caridade, crentes na imortalidade e num Deus único. Era notória a relevância do primeiro elemento identificador: praticante da caridade desinteressada. A relação com os espíritos, mesmo propagada, tinha importância secundária, salvo quando o objetivo fosse a própria caridade. Um certo ar de revolucionário social e de transformador da humanidade pairava entre os adeptos mais esclarecidos, transferindo para si o que acreditavam ser responsabilidade do Espiritismo.

Perceber-se espírito não exclui, de certa forma, a identificação como espírita, porém acrescenta uma profunda transformação interior e exterior. A visibilidade do sentido da própria vida passava a ser maior em face, não só da responsabilidade pessoal sobre o próprio destino, como também do compromisso em sentir Deus em si mesmo. A consciência dessa diferença me fez obstinadamente tentar realizar com o Espiritismo a percepção de ser espírito em mim e nas pessoas de minha convivência.

No mundo espiritual que sinto existir, cabe tudo o que há na humanidade encarnada e mais uma diversidade imensa de possibilidades de vida e de organização. Acredito em condições inimagináveis fora do corpo humano, as quais me permitem entender que o que me espera quando lá chegar é certamente maravilhoso.

Desenvolvi novos hábitos, novos gostos, novas formas de viver as experiências da vida, bem como a construção de instrumentos de transformação social. Passei a escrever sobre o assunto, visando levar às pessoas a consciência de que são espíritos. No percurso que passei a fazer, considero que mais importante do que tornar as pessoas espíritas é levá-las à consciência de que são espíritos.

Ao tomar consciência disso, passei a planejar a própria vida dentro de paradigmas que envolvem o espiritual. Posterguei certos desejos, apressei a realização de aprendizados novos, desliguei-me de hábitos inadequados aos meus propósitos, mudei de profissão, ampliei o alcance de minhas metas sociais, integrei-me mais à família consanguínea e desenvolvi metas próprias de transformação social. Ao tomar consciência de que eu mesmo era um espírito em evolução e que me importava sobremaneira com isso, voltei a ler os clássicos espíritas a fim de buscar novas e pessoais interpretações de conceitos, sem querer criar teorias absurdas ou diferentes. Percebi uma série de interpretações pobres e de alcance limitado em relação ao meu desejo de crescimento espiritual. Abandonei teorias antigas, mesmo aquelas alicerçadas no saber espírita que tinha apreendido e consolidei outras de utilidade adequada ao momento em que vivia.

Despreocupei-me em me mostrar alguém superior ou com qualidades morais que não possuía. Ocupei-me em enxergar de frente todo o lado negativo de minha personalidade, sem querer apressadamente livrar-me dele.

Não vi em momento algum a necessidade de deixar de ser espírita ou de continuar ao lado de pessoas, dentro do Espiritismo, que não pensavam como eu e que permaneciam com uma visão espírita que me parecia ultrapassada. Compreendia, como compreendo, que cada um está em seu momento evolutivo e que deve ser respeitado, tanto quanto aceitava, e aceito, a possibilidade de estar equivocado em minhas idéias.

Vi que meu destino estava atrelado às minhas crenças a respeito da vida espiritual e que não poderia continuar percebendo-o da mesma maneira que no início.

A forma como vejo o mundo espiritual evoluiu de acordo com meu próprio crescimento interior. Percebi que meu mito pessoal se construía de acordo com minha antiga crença num mundo espiritual idealizado teoricamente, construído unicamente pelas leituras que fazia, sem acessar meu próprio conhecimento interior, naturalmente adquirido.

O mundo espiritual construído no imaginário humano difere daquele real e existente após a morte. A consciência coletiva do Movimento Espírita elaborou um mundo espiritual calcado em poucos depoimentos espirituais, sem o necessário senso crítico. Muitos médiuns se pautaram em seus próprios conhecimentos adquiridos no impacto das primeiras leituras em suas iniciações, não abrindo espaço para novas informações a respeito da vida espiritual. A maioria espírita não imagina o quanto a concepção de mundo espiritual interfere na vida e no destino dos que se dedicam à prática do Espiritismo. Quanto mais conscientes da necessidade de se apropriarem de seus próprios destinos e da responsabilidade que lhes cabe sobre a evolução, mais próximos estarão da felicidade. Quanto mais livres de conceitos idealizados, mais donos de si mesmos serão.

No mundo espiritual que sinto existir, cabe tudo o que há na humanidade encarnada e mais uma diversidade imensa de possibilidades de vida e de organização.

Acredito em condições inimagináveis fora do corpo humano, as quais me permitem entender que o que me espera quando lá chegar é certamente maravilhoso.

Muitas pessoas que acreditam que sofrerão após a morte, por terem feito algo contrário às regras que aprenderam, poderão ser surpreendidas com o contrário.

Outros que se vêem de forma negativa poderão descobrir que estavam equivocados ao pensar assim. A grande maioria se surpreenderá com o que a espera.

Uma visão menos pesada e menos culposa é necessária, pois Deus não é carrasco, para ter criado um sistema tão hermético e fechado, quase inacessível ao ser humano comum.

Um mundo espiritual mais livre e destituído de punições faz-se necessário à consciência humana, tão violenta da pelas crenças medievais existentes. No Espiritismo cabe uma vida espiritual mais humana e menos cheia de pecados.

O olhar espiritual trazido em mensagens psicografadas e psicofônicas, a respeito da vida na Terra, ainda é como se aqui fosse uma prisão e degredo de assassinos e de criaturas sempre venais. E os bons exemplos de pessoas sadias fora do círculo religioso? Onde estão aqueles que se esforçam pela sociedade justa e equilibrada e que não se dedicam à religião? E os empresários e profissionais liberais que se dedicam à dinâmica social? E os funcionários públicos que se tornam verdadeiros servidores do povo? E os ecologistas? Sinto falta do depoimento a respeito do bem que essas pessoas fazem à sociedade, cada um em seu ofício.

Adenáuer Novaes

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

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Espírita Pode se Candidatar a Cargo Político?

Victor Hugo Freitas

Em um conceito moderno, política é a ciência moral que dá as normas do governo em uma sociedade civil. A política é algo que está presente no nosso dia-a-dia e serve para discutirmos ideias afim de progredirmos como sociedade, seja na comunidade municipal, regional ou em nível nacional. A política não é algo exclusivo dos políticos; estes têm a oportunidade de nos representar e a política tem grande importância na formação da consciência de sociedade no jovem, pois estamos formando cidadãos que devem saber dos seus direitos e deveres na sociedade.

No Brasil, política começou a ser discutido de alguns anos para cá e, com isso, surgiram alguns movimentos espíritas em prol do tema com objetivo de conscientizar os espíritas na importância da evolução moral seguindo os preceitos da doutrina para a ordem social. Lançado em 2014, pelo escritor espírita Aylton Guido Coimbra Paiva, a obra Espiritismo e política: contribuições para a evolução do ser e da sociedade procura demonstrar que, sob o aspecto filosófico, a nossa Doutrina tem muito relação com a política, já que esta tem como objetivo principal administrar a sociedade de forma justa.

Segundo Aylton, a lei do progresso é um intenso e profundo desafio para que trabalhemos pela evolução moral da humanidade. Com este objetivo, o espírita deve estimular a sociedade humana a fim de que haja desenvolvimento de elaboração de leis justas, em benefício de todos, sem distinção.

Precisamos enfatizar que a obra não estimula o leitor a participar da política partidária, e não afirma que o espírita deva participar ou não de organizações políticas. Nós espíritas precisamos ter a consciência de que o espírita é livre pelas suas escolhas e deve contribuir progressivamente na sociedade a fim de alcançarmos a paz e o amor fraternal.

Uma pergunta comum quando falamos de Espiritismo e Política é se um espírita pode candidatar-se a cargo político. Sabemos que não há nenhuma ilegalidade, pelo contrário, há todo respaldo da constituição federal que permite a qualquer cidadão a se candidatar a cargos legislativos ou executivos sendo das esferas municipal, estadual ou federal. Então, por que nos preocupamos tanto isso? É comum relacionarmos política com bandalheiras praticadas na política partidária, que envolve muitas vezes o uso de pessoas desonestas para atender interesses pessoais praticando corrupção. No entanto, este perfil está presente na sociedade como um todo: nas atividades comerciais, industriais, responsáveis por casas religiosas, enfim, é uma questão muito abrangente que trata de caráter, falta de ética…

Portanto, se um espírita pretende se candidatar a algum cargo político se sentindo apto para tal, ele precisa lembrar que cargos são passageiros e que há uma missão muito maior que o poder que é a responsabilidade de deixar um legado positivo na sociedade atuante. O que não deve ser feito é o espírita que ocupa cargo político misturar as coisas, não respeitar o livre-arbítrio e querer levar a política partidária com sua ideologia para dentro de centros espíritas.

Victor Hugo Freitas

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

Paiva, A. (2014). Espiritismo e Política: Contribuições para a evolução do ser e da sociedade. FEB Editora.

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Andarilhos e o Espiritismo

Juliana Procópio

Nas estradas, ruas e avenidas de grandes ou pequenas cidades, muitos de nós já observamos pessoas caminhando num frenético vai e vem. Mas poucos se apercebem de muitas pessoas que caminham pelas estradas numa caminhada sem fim. São aqueles que conhecemos como andarilhos.

Andarilho, no dicionário, é aquele que anda muito, que percorre muitas terras. Ou ainda aquele que não tem moradia, que perambula pelas rodovias e ruas de cidade a cidade.

Segundo estimativas publicadas em 2018 pelo IBGE, o Brasil possui em torno de 101 mil moradores de rua. Dentro desta estimativa não temos certeza do número exato das pessoas que passam o dia a caminhar nos diferentes espaços desse nosso país, quiçá no planeta todo.

São tantos os nossos irmãos que se encontram nesse momento vagando por ruas e avenidas buscando muitas vezes um propósito para suas vidas. Sim, um propósito, pois nem todos os andarilhos são pessoas sem familiares ou oriundos de uma boa condição financeira. Muitos sendo questionados apenas dizem que não gostam de estar parado em um único lugar, que andar ajuda a pensar, etc.

Esses irmãos são muitas vezes julgados por nós, pois não se encaixam no que consideramos uma vida normal. Além de moradores de rua, passam suas vidas a andar longas distancias todos os dias. Meimei em “Mensagem do homem triste”, no livro “Ideal Espírita” (ed. CEC), de Espíritos diversos, psicografado por Francisco Cândido Xavier diz:

“Passaste por mim com simpatia, mas, quando me viste os olhos parados, indagaste em silêncio porque vagueio na rua.

Talvez por isso estugaste o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca.

É possível tenhas suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina… Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade; e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.

Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrina, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor. Crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a ideia de furto; apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.

Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse, encostado ao poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhes que não tomo qualquer alimento há três dias…

A ti, porém, que me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão”.

No filme Forrest Gump – O Contador de Histórias, o personagem sai pelas estradas do seu país caminhando sem destino e muitas pessoas passam a segui-lo na esperança de chegar a algum lugar específico e de repente ele para e retorna para casa do mesmo jeito que começou sua caminhada. Mas, e todos os que o seguiram, o que buscavam encontrar? Ficaram se questionando? Buscaram novo significado a sua caminhada?

Quantos de nós já não tivemos a vontade de sair pelo mundo andando sem destino quando nos deparamos com situações que não encontramos uma resposta. Mas, para muitos, essa ideia é passageira e continuam seguindo suas vidas.

No entanto, mesmo assim o que sai da nossa normalidade é visto como loucura, preguiça, malandragem. Não nos importamos em olhar o outro como um ser humano, com suas batalhas internas assim como nós.

O que fazemos para acolhê-los? Você os enxerga na rua como potenciais inimigos ou pessoas que merecem uma oportunidade? Isso faz muita diferença.

Claro assim como entre médicos, advogados, atendentes, policiais e outros profissionais, também entre eles existem os oportunistas, mas se colocarmos a todos no mesmo patamar do que é mal, qual a real oportunidade que estamos oferecendo a eles?

No mundo espiritual somos todos errantes caminhando pelas reencarnações em busca de nossa evolução.

Segundo Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, erraticidade é o estado em que se encontram os Espíritos errantes, ou erráticos, isto é, não encarnados e em processo de evolução, durante o intervalo de suas existências corporais, A duração em que o Espírito permanece na erraticidade e as condições dessa vivência variam, havendo relação direta com o adiantamento espiritual de cada indivíduo e das suas necessidades evolutivas, podendo essa permanência durar muito pouco ou custar longo tempo, em circunstâncias desde o ditoso ao penoso. Não é o mesmo estado de que gozam os Espíritos puros — aqueles que já percorreram toda a trajetória evolutiva e não mais precisam reencarnar para fins de aperfeiçoamento; estes então desfrutam da plenitude da vida espiritual.

Portanto somos todos espíritos errantes que de reencarnação em reencarnação buscamos galgar os degraus da evolução e podemos nos aproximar da perfeição e dos mundos perfeitos, pois Jesus Cristo mesmo nos disse “que existem várias moradas na casa de meu Pai”. Se a casa de Deus é todo o universo conhecido ou não como podemos acreditar que só aqui no planeta Terra existe vida e mais, que não existe vida após a morte. Seria acreditar que temos um Pai injusto não é mesmo?

Na questão nº 234, de O Livro dos Espíritos, é perguntado pelo codificador se há de fato, como já foi dito, mundos que servem de estações ou pontos de repouso aos Espíritos errantes? A qual os espíritos respondem que “Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiada longa erraticidade, estado este sempre penoso. (…). São o que conhecemos pelas obras como Nosso Lar de colônias espirituais, ou o umbral onde permanecem os espíritos que precisam passar pelo remorso, culpa ou revolta.

Portanto quando olharmos para um irmão na condição de andarilho, rogue a Deus por sua vida, passe boas vibrações. Já disse nosso mestre Jesus “Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes”.

Portanto olhemos com mais empatia por nossos irmãos, sejam eles em que situação estejam.

Juliana Procópio

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIA:

https://entendendooespiritismo.blogspot.com/2010/04/moradores-de-rua.html

http://www.luzespirita.org.br/index.php?lisPage=enciclopedia&item=Erraticidade

O Evangelho Segundo o Espiritismo. Mundo Maior Editora. In https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/O-Evangelho-Segundo-O-Espiritismo.pdf

O livro dos Espíritos. Mundo maior Editora. in https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Livro-dos-Espiritos.pdf

Livro dos Médiuns. Mundo Maior Editora in. https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/O-Livro-dos-Me%CC%81diuns.pdf

O céu e o Inferno. Mundo Maior Editora. In https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/O-Ce%CC%81u-e-o-Inferno.pdf

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ESPÍRITO

Joanna de Ângelis

CONCEITO

Individualidades inteligentes, incorpóreas, que povoam o Universo, criadas por Deus, independente da matéria. Prescindindo do mundo corporal, agem sobre ele e, corporificando-se através da carne, recebem estímulos, transmitindo impressões, em intercâmbio expressivo e contínuo.

São de todos os tempos, desde que a Criação sendo infinita, sempre existiram e jamais cessarão. Constituem os seres que habitam tudo, no Cosmo, tornando-se uma das potências da Natureza e atuam na Obra Divina como cooperadores, do que resulta a própria evolução e aperfeiçoamento intérmino.

Perdendo-se suas origens no intrincado da complexidade das leis, transcende ao entendimento humano o mecanismo de seu nascimento e formação, princípio inteligente que são, a glorificar a Obra de Deus em toda parte.

Indestrutíveis, jamais terão fim, não obstante possuindo princípio, quando a Excelsa Vontade os criou.

Dependendo do grau de seu desenvolvimento são imunes aos obstáculos de qualquer natureza material, por dotados de constituição específica, superior às organizações físicas, podendo irradiar-se em todas as direções e participar, simultaneamente, de inúmeros acontecimentos de uma só vez, sem qualquer prejuízo para a própria integridade.

CONOTAÇÕES

Buscando penetrar na realidade e constituição dos Espíritos, o que desvendaria os enigmas incontáveis da existência, os religiosos de todas as épocas estruturaram neles a base das afirmações éticas, estabelecendo a vida na Terra como consequência da vida espiritual, que sempre houve, mesmo sem a existência deste orbe. Dentro de tal premissa, a vida humana torna-se o resultado que decorre da outra, oportunidade que o Espírito usufrui para o crescimento, através de renascimentos sucessivos no corpo físico.

Doutrinas exóticas estabeleceram a concepção panteísta do Universo, através da qual os Espíritos seriam fragmentos de Deus, que a Ele se reintegrariam, desaparecendo, portanto, pela destruição da individualidade, nisto incluindo todas as coisas, como partes mesmas da Divindade.

Observações apressadas engendraram teorias outras, igualmente absurdas, tais a metempsicose, mediante a qual os Espíritos que se não houveram com equidade e nobreza na Terra a ela retornam, renascidos como animais inferiores.

Não há, porém, retrocesso nem regressão na escala espiritual, mediante a qual adicionam-se experiências da evolução, armazenando-se conquistas, transferindo-se de uma para outra vida aprendizagens e realizações.

Sendo infinito o progresso, numa existência o ser aprimora uma qualidade, enquanto dormem determinadas aptidões, e assim, incessantemente.

Sem nos reportarmos às augustas fontes da informação mediúnica, na Antiguidade Oriental, que hauriam nos Espíritos desencarnados o conteúdo de muitas das suas doutrinas religiosas e filosóficas, no século V, antes de Cristo, Tales, em Mileto, preocupado com o enigma da constituição da vida e particularmente da vida humana, interrogava sobre o Espírito e a Matéria.

Ensejava-se compreender ou decifrar a problemática do ser, inaugurando, a partir de então, o pensamento metafísico que se iria desdobrar, logo depois, nas escolas idealista e atomista, que tentaram colocar balizas demarcatórias nos planos da Criação.

Inicialmente considerado o Espírito como princípio vital, sopro de vida, foi-se deslocando entre os gregos para uma diferenciação da alma, que seria a expressão das manifestações afetivas inferiores, enquanto ele passava à representação das afeições superiores, princípio mais elevado do que o indivíduo.

A doutrina aristotélica já apresenta essa conceituação mais ou menos definida, dando origem à formação ideológica entre o caráter metafísico e o psicológico do Espírito.

Embora o renascimento da doutrina neoplatônica entre os estudiosos de Alexandria, nos séculos V-VII, formulando judiciosas conceituações perfeitamente cristãs, dentre as quais a reencarnação, o pensamento aristotélico predominaria, sendo desdobrado e aceito por Tomás de Aquino, que apoiava o dogma romano nos seus alicerces, a prejuízo da revelação espiritual do Cristo, por longos séculos, a partir da Idade Média.

Com Hegel, o Espírito foi colocado filosoficamente em termos compatíveis, porquanto foram excluídas todas as teorias que o tornavam “fixo e imutável”, apresentando a hipótese da sua evolução, transformações e inter-relacionamentos de todos os fatos que o influenciam.

As escolas de pensamento, então surgidas, apresentam confirmações ao conceito hegeliano ou combatem-no por meio do materialismo, que reduz o Espírito a uma conquista da própria matéria que, progredindo das formas mais simples às mais complexas, num momento imprevisível adquiriu consciência.

A revolução tecnológica, porém, iniciada no último quartel do século XIX, reduziu a matéria à condição de “energia condensada”, transformando laboratórios e gabinetes científicos de pesquisa material em santuários de investigação em que a mente, o espírito, passam a ocupar lugar de destaque, nos quais, a pouco e pouco, o investigador consciente defronta a realidade do Espírito além da estrutura somática, a esta precedente e a ela sobrevivente.

CONCLUSÃO

Com a chegada do Consolador, conforme prometeu Jesus, através de Allan Kardec, o Espírito voltou a ser conceituado e tido na sua legítima acepção, demonstrando, pela insofismável linguagem dos fatos, a sua realidade, em vigoroso apelo ao pensamento e à razão, no sentido de fazer ressurgir a ética religiosa do Cristianismo.

Através desse renascimento cristão, opõe-se uma barreira ao materialismo e aponta-se ao que sofre o infinito horizonte do amanhã ditoso que o espera, após vencidas as dificuldades do momento, superadas as limitações, Espírito que é, em marcha na direção da Verdade.

ESTUDO E MEDITAÇÃO

“Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou serão simples emanações ou porções desta e, por isto, denominados filhos de Deus?” “Meu Deus! São obra de Deus, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é obra do homem, não é o próprio homem. Sabes que, quando faz alguma coisa bela, útil, o homem lhe chama sua filha, criação sua. Pois bem! O mesmo se dá com relação a Deus: somos seus filhos, pois que somos obra sua”.  (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 77).

“Ao mesmo tempo que criou, desde toda a eternidade, mundos materiais, Deus há criado, desde toda a eternidade, seres espirituais. Se assim não fora, os mundos materiais careceriam de finalidade. Mais fácil seria conceberem-se os seres espirituais sem os mundos materiais, do que estes últimos sem aqueles. Os mundos materiais é que teriam de fornecer aos seres espirituais elementos de atividade para o desenvolvimento de suas inteligências”  (A Génese, Allan Kardec, cap. XI, item 8.)

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Estudos Espíritas – 3

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Podemos reencarnar como um Animal?

Simara Lugon Cabral

“O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” (João 3:6-8)

A palavra “reencarnação” deriva do latim, que significa “entrar na carne novamente” enquanto o termo “metempsicose” deriva do grego, de meta (mudança) e de psiquê (alma), sendo esta palavra utilizada para a reencarnação em outro ser vivo, podendo ser em um corpo humano, em animais ou vegetais. O conceito da metempsicose teria chegado até a Grécia pelo filósofo e matemático Pitágoras, que teria absorvido a ideia dos egípcios após uma viagem às Pirâmides de Gizé e difundido por Platão, que em sua obra Mênon afirma: “A alma é pois, imortal: renasceu repetidas vezes na existência e contemplou todas as coisas existentes na terra como no Hades e por isso não há nada que ela não conheça”.

A crença na reencarnação existe desde a idade da pedra, pois de acordo com arqueólogos, foram encontrados ossos de homo sapiens enterrados em posição fetal indicando que os sepultamentos eram realizados desta forma devido à crença deles de que nasceriam novamente. Entre as religiões reencarnacionistas destaca-se o hinduísmo, que crê que há uma centelha de consciência espiritual cuja evolução se dá através de uma sucessão de renascimentos. Cada vida ocorreria em um ser vivo adequado à sua evolução, que poderia ser vegetal, animal ou humano, o que seria determinado pelas ações positivas ou negativas do ser durante sua existência, o denominado carma.

Observa-se que a crença na metempsicose teve origem nas civilizações egípcia e indiana e a razão desta ideia ter partido destas localidades, de acordo com José Marcelo G. Coelho em seu artigo denominado “Metempsicose”, se deve ao seguinte fato: “Viajemos até uma constelação conhecida pelos astrônomos terrenos por Cocheiro, da qual faz parte uma estrela de nome Capela, um sol extremamente brilhante, em torno do qual, dentre outros, gira um planeta situado a aproximadamente 42 anos-luz. Havia, naquele orbe, determinada parcela da população agindo em total dissonância com o padrão evolutivo dos demais habitantes, razão pela qual, na medida em que desencarnavam, eram conduzidos para mundos inferiores, consonantes com seu nível moral; um destes planetas escolhidos foi a Terra. Aqui chegando, os exilados formaram as chamadas raças adâmicas, que originaram, inclusive, os povos do Egito e da Índia. Ocorreu que, diferentemente dos corpos de compleição refinada, típicos de seu ditoso planeta, tiveram que adotar, entre nós, veículos carnais ainda grosseiros, de aspecto pré-histórico, peculiar aos primeiros hominídeos. Daí, por conclusão, a sensação de terem vindo para habitar corpos animais, fato este que ficou gravado em seus inconscientes como uma punição divina, e que deu azo à teoria equivocada da metempsicose, que hoje deve ser compreendida como uma variante imprecisa da reencarnação — um dos princípios fundamentais do Espiritismo.”

Desta forma, compreende-se o motivo da crença na reencarnação de seres humanos em animais ter partido destes espíritos, visto que consideravam e sentiam que seu invólucro carnal terreno era mais grosseiro do que o que possuíam antes, assemelhando-se ao de um animal.

No entanto, a Doutrina Espírita ensina que do ponto de vista material existe uma divisão entre os seres orgânicos e inorgânicos e, do ponto de vista moral, quatro diferentes reinos, da seguinte forma (Questão 585 de “O Livro dos Espíritos): “A matéria inerte, que constitui o reino mineral, tem apenas uma força mecânica. As plantas, compostas por matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, compostos de matéria inerte e dotados de vitalidade, têm também uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de sua individualidade. O homem, por ter tudo que têm as plantas e os animais, domina todas as outras classes através de uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência de seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus.” Tendo em vista esta divisão entre os reinos, o Espiritismo não compartilha da crença na metempsicose, pois entende que caso o ser humano pudesse reencarnar no corpo de um animal ele estaria retrocedendo e contrariando a Lei do Progresso, que ensina que o homem deve progredir sempre e não retrograda às condições primitivas.

Leon Denis, no livro “O problema do ser, do destino e da dor” declara: “A lei do progresso não se aplica somente ao homem; é universal. Há, em todos os reinos da Natureza, uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todos os tempos. (…) Cada elo dessa cadeia representa uma forma da existência que conduz a uma forma superior, a um organismo mais rico, mais bem adaptado às necessidades, às manifestações crescentes da vida; mas, na escala da evolução, o pensamento, a consciência e a liberdade só aparecem passados muitos graus. Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente; à partir daí, o progresso, de alguma sorte fatal nas formas inferiores da Natureza, só se pode realizar pelo acordo da vontade humana com as leis Eternas”. Em “O Livro dos Espíritos”, a questão 611 também não deixa nenhuma dúvida a respeito da impossibilidade da metempsicose ocorrer: “A partir do momento que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período de humanidade, ele não tem mais relação com o seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, assim como a árvore já não é a semente. No homem, restam do animal apenas o corpo e as paixões que nascem da influência do corpo e do instinto de conservação inerente à matéria. Portanto, não se pode dizer que tal homem, é a encarnação do Espírito de tal animal e, consequentemente, a metempsicose, tal qual a entendem, não é exata.”

Desta forma compreende-se que o princípio espiritual é criado por Deus e após se aperfeiçoar em cada um dos reinos mineral, vegetal e animal, penetra no reino hominal como Espírito, dotado de consciência e senso moral e o desenvolvimento já adquirido não retrocede de acordo com as leis divinas. De acordo com Allan Kardec em sua obra “A gênese”: “(..) todos os seres espirituais têm o mesmo ponto de partida: todos são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir mediante sua atividade individual; todos atingirão o grau de perfeição compatível com a criatura, a partir de seus esforços pessoais; todos, sendo filhos de um mesmo Pai são objeto de igual solicitude e que não há nenhum mais favorecido ou melhor dotado que os demais, nem dispensado do trabalho imposto aos outros para atingir o objetivo.” O conhecimento da codificação espírita destaca a importância do esforço de cada indivíduo para buscar sua própria evolução, do momento em que é dotado de razão, consciência e consequentemente, da responsabilidade perante seus atos, pois já se torna capaz de distinguir o bem do mal.

Assim, apreende-se que está nas mãos de cada ser humano a chave para seu próprio progresso. A encarnação é valiosa oportunidade de burilamento espiritual e nenhum minuto da existência terrena deve ser desperdiçado, tendo em vista que o objetivo real da vida na carne é o progresso do espírito. No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 4 no item 25, lê-se que: “Mas a encarnação não é para todos os Espíritos senão um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe em sua entrada na vida, como primeira prova do uso que farão de seu livre arbítrio. Aqueles que cumprem essa tarefa com zelo, transpõem rápida e menos penosamente os primeiros graus de iniciação, e gozam mais cedo do fruto de seus trabalhos.” Que cada um aproveite sua passagem pela Terra para progredir e auxiliar a humanidade a evoluir através da caridade, do amor e da fraternidade, com respeito a todos os seres vivos e gratidão ao Criador lembrando-se que “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Romanos 5:3-4.

Simara Lugon Cabral

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

  1. A reencarnação no mundo. Disponível em: https://www.revistaplaneta.com.br/a-reencarnacao-no-mundo/. Acessado em 05 de Dezembro de 2021.
  2. Bíblia Online. Disponível em: . Acessado em 04 de Dezembro de 2021.
  3. COELHO, José Marcelo G.. Metempsicose. Disponível em: https://clotildes.tripod.com/documentos/pdf/Metempsicose.pdf. Acessado em 05 de Dezembro de 2021.
  4. DENIS, Leon. O problema do ser, do destino e da dor. 1ª edição da coleção Léon Denis. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
  5. KARDEC, Allan. A gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de Cristina Florez da 4ª ed. Francesa. 1ª edição. Capivari, SP: Editora EME, 2020.
  6. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.
  7. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  8. PLATÃO. Mênon. 8ª ed. São Paulo, SP: Edições Loyola, 2001.
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Resgates Coletivos e o Espiritismo

Julia Thaís Porciúncula Serra

Constantemente vemos desastres coletivos que podem surpreender a humanidade de várias maneiras. Desastres ambientais, naturais ou grandes acidentes que culmina na vida de várias pessoas. O que nos leva a refletir sobre o porquê acontece dessa forma, destroçando vida de famílias e pessoas e emocionando o mundo, tamanha é a surpresa e a tristeza que isso acontece.

No livro Chico Xavier Pede Licença, no capítulo 19 intitulado de Desencarnações Coletivas, o espirito Emmanuel responde a seguinte questão:

Pergunta: “Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?” (Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião pública, na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas).

Resposta: “Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Humano, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio. Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.”

Como incêndios em lugares com muitas pessoas, quedas em avião ou desastres naturais como deslizamentos, estão ligadas a buscas coletivas? Para uma explicação mais detalhada, afim de que possa compreender melhor como funciona, no livro continua que:

“Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontros marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos. Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras. Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos no Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas. Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.”

De acordo com o site O Tempo, Marcelo Gardini, da União Espírita Mineira, diz que o médium Chico Xavier sempre falava que os resgates em massa acontecem em momentos de transição. “Geralmente eles acontecem quando um grupo de pessoas precisa passar por determinada prova de ‘desencarne’ ou desencarnação. Por meio da misericórdia divina, essas pessoas são encaminhadas para experienciar juntas uma tragédia, a fim de sanar débitos coletivamente.”

Crê que o desencarne coletivo acontece quando os espíritos envolvidos precisam buscar um resgate semelhante, que não necessariamente estejam ligados, porém, de alguma forma precisa-se ter alguma semelhança ao destino que foi proposto. Acredita-se que, ao reencarnar, cada indivíduo tem o livre arbítrio de fazer escolhas, podendo ou não suavizar ou piorar suas dívidas.

Marcelo completa que “O espírito não traz essas lembranças, pois passa pela nuvem do esquecimento.

Ao longo de nossa trajetória pode acontecer, mediante nossa maturidade espiritual e nossas necessidades, de algo desse compromisso ser revelado. Mesmo nos desencarnes coletivos, quando o contexto é o mesmo, cada pessoa vivencia uma experiência individual. Nenhum desencarne é igual ao outro, e é preciso que busquemos compreender a razão da dor”.

Assim, o desencarne coletivo funciona como catalisador, ao deparar-se com indivíduos improváveis e os colocando no mesmo ambiente, o que possibilita um desencarne semelhante, mesmo que não estejam ligados em vida. Por exemplo, um grave incêndio que ceifa a vida de pessoas que, aparentemente, não tinham ligação, mas, que possuíam um propósito de resgate semelhantes.

Ou em desastres naturais como em Brumadinho, município de Belo Horizonte, que teve a morte de 65 pessoas e 279 desaparecidos. Vale lembrar, que foram acidentes podendo ser evitados, mas que culminaram em tragédias por conta de ações da sociedade. Ações dessa mesma trajetória, a barragem de Brumadinho não era fiscalizada, e após o acidente de Mariana (MG), o alerta e o cuidado deveriam ser maiores.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 27, item 12, diz Allan Kardec que esses males se dividem em duas partes: 1) a dos que o homem não pode evitar; 2) a dos causados pela “incúria” ou excessos das pessoas. E completa: “Faz-se, portanto, evidente que o homem é o autor da maior parte de suas aflições, às quais se pouparia, se sempre obrasse com sabedoria e prudência”.

Fica entendido, portanto, que um dos maiores causadores de desastres coletivos, é o próprio homem, por causa de ambição, não mede suas consequências e não pensa no próximo. Dessa forma, é necessário ter em mente, que por mais triste e catastrófico um desastre possa parecer, desencarnar dessa maneira não é, de maneira alguma uma punição ou castigo. Apenas a lei básica de ação e reação, causa e consequência, e que os envolvidos nos acidentes, em espírito, concordaram, para que assim, possam progredir e evoluir.

É de nosso dever, sempre, agir com amor para o próximo e com Deus, além de, fazer uma prece para que os espíritos que desencarnem em situações assim sejam amparados por espíritos nobres e que se curem, que eles encontrem as respostas necessárias para bom entendimento e assim, se desenvolver cada vez mais espiritualmente.

Julia Thaís Porciúncula Serra

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

DINIZ, Ana Elizabeth. As desencarnações coletivas. O TEMPO. Disponível em: https://www.otempo.com.br/interessa/as-desencarnacoes-coletivas-1.1432526

NETO, Valentim. CHICO XAVIER PEDE LINCEÇA. 2016

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O Livro dos Médiuns

Divaldo Pereira Franco

O LIVRO DOS MÉDIUNS

No dia 16 de setembro do ano 96 d.C., na cidade de Éfeso, o venerando sábio Apolônio de Tiana discursava no imenso teatro local para a multidão entusiasmada e comovida, quando, subitamente transfigurado, passou a informar que o imperador Tito Flávio Domiciano estava sendo assassinado naquele momento em sua liteira, em Roma.

Domiciano era um imperador temperamental e cruel, que submetia todos à sua perversidade. Era temido e respeitado.

O povo, surpreendido com a notícia algo disparatada, pela sua singularidade, acreditando que Apolônio estaria delirando em razão da sua avançada idade, abandonou o auditório com receio de que a notícia chegasse a Roma e pela sua inverdade voltasse toda a sua ira contra a cidade.

Após um breve período, chegaram as primeiras embarcações de Roma, e as notícias eram de que o imperador fora assassinado nas mesmas circunstâncias narradas pelo filósofo…

Essa narração foi escrita pelo historiador Filóstrato.

No dia 7 de outubro de 1571, o Papa Pio V estava numa reunião com cardeais e bispos em Roma, na Igreja de Santa Maria Maior. Ao entardecer, o Papa levantou-se e, acercando-se da janela, começou a dizer: Vejo as tropas de Don Juan (de Áustria) vencerem a Batalha de Lepanto, em Corinto, aprisionando e expulsando da Europa os mouros.

Vejo milhares de mortos flutuando entre as caravelas, prisioneiros e fugitivos, nessa que foi uma batalha terrível – continuou o Papa, visivelmente transtornado.

Por alguns momentos, ele permaneceu descrevendo a visão que o surpreendia, provocando indefinível angústia nos presentes, que não sabiam o que se passava.

Nesse estado, propunha:

Badalem os sinos de todas as igrejas e sejam celebrados “Te Deum” em toda parte, porque acabamos de ganhar a guerra…

Todos acreditaram que o Papa havia enlouquecido, mas atenderam as suas ordens.

A cidade engalanou-se, e festas explodiram em toda parte. Todavia, não chegavam informações a respeito dessa batalha, o que gerou uma onda de críticas e zombarias ao Papa.

Passada uma semana, uma caravela trouxe a notícia que confirmava totalmente o fenômeno de que fora objeto o religioso. Assim descreve o cardeal Bussotti, que estava presente na reunião…

Poderíamos narrar centenas de fatos semelhantes através da História, demonstrando a paranormalidade do ser humano.

Para alguns religiosos, são eles milagres da Divindade para chamar a atenção dos indivíduos.

Coube, porém, a Allan Kardec investigar essa notável manifestação paranormal e denominá-la como mediunidade, levando-o a publicar em janeiro de 1861 O Livro dos Médiuns, o maior estudo jamais realizado a respeito dela.

Neste mês de aniversário dessa obra máxima, louvamos o seu autor.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 13/01/22

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SOCIEDADE DIALÉTICA DE LONDRES

Sociedade Dialética de Londres: novo verbete da Enciclopédia Espírita Online

No dia 26 de janeiro de 1869, portanto, há 153 anos, uma importante deliberação estava sendo tomada na capital britânica, cujas conclusões implicariam substancialmente os rumos do movimento espírita de então: a Sociedade Dialética de Londres formaliza a criação de um comitê para investigar os fenômenos espirituais que havia roubado a atenção dos grandes centros urbanos da América e da Europa. Desde há muito já se esperava um parecer da comunidade científica sobre aquela febre de manifestações: fraudes? Ilusionismo? Loucura? Ou realmente os médiuns estavam recebendo influências de Espíritos na produção de tão polêmicos fenômenos? Com a palavra, os sábios da época.

Quer saber mais sobre essa história? Então confira o novo verbete da nossa Enciclopédia Espírita Online, cuja sinopse está a seguir:

A Sociedade Dialética de Londres, ou London Dialectical Society no original em inglês, foi uma associação de cientistas e notáveis sábios da elite inglesa constituída na capital britânica em 1867 com o objetivo de promover o debate acerca de temas metafísicos e teológicos, à luz da ciência, em face da forte propagação dos fenômenos espirituais que desencadeara o movimento conhecido como Espiritualismo Moderno e também havia suscitado o Espiritismo. Após intensos debates, uma comissão especial da Sociedade foi formada para realizar uma investigação especial e então apresentar um relatório oficial sobre aquela fenomenologia, cujo resultado foi favorável à veracidade dos fenômenos, contrariando a expectativa da maioria da entidade que, por fim, deliberou não o publicar; porém, à revelia desta decisão, os membros da comissão consideraram aquela pesquisa um bem comum e o publicaram por conta própria, provocando impacto em toda a comunidade científica de seu tempo. O desacordo de ideias entre seus associados resultou na sua dissolução, mas influenciando outras entidades com semelhante propósito.

A fundação da Sociedade, a formação do comitê, a distribuição dos trabalhos de pesquisa e o relatório final das investigações, bem como a repercussão e o legado deixado pelos dialéticos londrinos. Tudo isso e mais no novo verbete.

Confira agora mesmo o verbete Sociedade Dialética de Londres.

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Esquecimento de Vidas Passadas

Ana Paula Januário

Será que já fui uma princesa/príncipe? Será que já convivi com fulano em outra vida? Será que já fiz isso ou aquilo? Quem nunca teve essas curiosidades? Todos nós, né? Sempre tem algo que temos curiosidade sobre nossas vidas passadas.

Mas fica o questionamento: Por que não conseguimos lembrar de nossas vidas anteriores?

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”

Com essa citação do livro “O que é o Espiritismo” vale relembrar o que todos nós espíritas já sabemos, a existência da reencarnação. Deus com sua justiça e misericórdia oferece uma nova oportunidade para repararmos os equívocos cometidos em existências anteriores e desenvolver novos aprendizados. É nesse processo que o espírito inicia uma nova vida com uma roupagem diferente, porém com os mesmos conhecimentos e experiências de vidas passadas.

E de novo a pergunta do início do artigo vem à tona: Por que não conseguimos lembrar de nossas vidas anteriores? A resposta está no chamado “véu do esquecimento”, também conhecido como perda temporária da memória de vidas passadas.

O esquecimento do passado quando estamos encarnados na Terra, expressa a misericórdia de Deus em nosso favor, já que no estágio em que nos encontramos atualmente, o nosso passado não é tão agradável assim. Dessa forma, esse esquecimento temporário é necessário e benéfico aos nossos Espíritos como consta na explicação da questão 394 do Livro dos Espíritos:

“A lembrança de nossas individualidades anteriores teria inconvenientes muito graves; poderia, em certos casos, nos humilhar extraordinariamente e, em outros, exaltar o nosso orgulho e, por isso mesmo, entravar o nosso livre-arbítrio. Deus nos deu, para nos melhorarmos, o que nos é necessário e nos basta; a voz da consciência e nossas tendências instintivas, privando-nos do que nos poderia prejudicar, Acrescentemos, ainda, que se tivéssemos a lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos igualmente dos atos dos outros e esse conhecimento poderia ter os mais deploráveis efeitos sobre as relações sociais. Não havendo sempre motivos para nos glorificarmos do nosso passado, ele é quase sempre feliz quando um véu lhe seja lançado”.

Tendo em mente essas informações, vale ressaltar que o esquecimento do passado, das faltas cometidas não é um obstáculo ao progresso do Espírito, porque, se não tem uma lembrança precisa, o conhecimento que teve no estado errante e o desejo que tomou de as reparar guiam-no pela intuição e lhe dão o pensamento de resistir ao mal. Esse pensamento é a voz da consciência, que é secundada pelos Espíritos que o assistem, se escuta as boas inspirações que sugerem (KARDEC, 2008, questão 399).

Dessa forma, para enfatizar que o esquecimento do passado nada atrapalha a experiência atual, Kardec trouxe-nos uma reflexão no livro “O que é o espiritismo” no capítulo I no item “Esquecimento do Passado” quando é indagado se o homem pode aproveitar a experiência adquirida em outras vidas, levando em consideração que ao esquecer-se delas, parece estar sempre a recomeçar:

“Se, a cada existência, um véu é lançado sobre o passado, o Espírito não perde nada daquilo que adquiriu no passado: ele não esquece senão a maneira pela qual adquiriu a experiência. Para me servir da comparação do escolar, eu diria que: pouco importa para ele saber onde, como, e sob a orientação de que professores ele fez o ano anterior se, alcançando a quarta série ele sabe o que se aprende na anterior. Que lhe importa saber quem o castigou pela sua preguiça e sua insubordinação, se esses castigos o tornaram laborioso e dócil? É assim que, em se reencarnando, o homem traz, por intuição e como ideias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Eu digo em moralidade porque se, durante uma existência, ele se melhorou, se aproveitou as lições das experiências, quando retornar, será instintivamente melhor; seu Espírito amadurece na escola do sofrimento e, pelo trabalho, terá mais firmeza; longe de tudo recomeçar, ele possui um fundo cada vez mais rico, sobre o qual se apoia para progredir mais”.

Em consequência disso, podemos constatar que tudo que Deus fez está bem feito e que não nos cabe criticar-lhe as obras e dizer como deveria regular o Universo (KARDEC, 2008, questão 394). Até porque o Espírito renasce, frequentemente, no mesmo meio em que viveu e se acha em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes fez. Se reconhecesse nelas as que odiou, talvez seu ódio se revelasse; em todos os casos, seria humilhado diante daqueles que houvesse ofendido (KARDEC, 2009, cap. V)

Entretanto, é importante lembrarmos que o esquecimento não ocorre senão durante a vida corporal; reentrando na vida espiritual, o Espírito retoma as lembranças do passado, sendo essa interrupção momentânea. Todavia, como já foi citado, ele tem algumas vezes uma vaga consciência e elas podem mesmo lhe serem reveladas em certas circunstâncias; mas é apenas pela vontade de Espíritos superiores que o fazem espontaneamente, com um fim útil e jamais para satisfazer uma vã curiosidade (KARDEC, 2008, questão 399).

Portanto, devemos sempre confiar em Deus e orar para que possamos ter a sabedoria e discernimento para seguir o melhor caminho em direção a evolução. Não há necessidade da curiosidade e ansiedade por lembranças passadas, o que lhe for servir, a espiritualidade superior tomará as providências devidas (RBN).

E para finalizar, trouxe algumas reflexões que podem nos ajudar quando bater aquela curiosidade ou anseio da lembrança de vidas passadas:

  • Estou tendo a oportunidade de recomeçar, adquirir novas vivências e aprendizados sem lembranças perturbadoras que possam atrapalhar meu progresso;
  • Tendo em vista que renascemos frequentemente no mesmo meio em que vivemos, estou tendo a oportunidade de reconciliação com antigos adversários sem o constrangimento das recordações que a poderiam impedir;
  • Estou tendo a oportunidade de superar traumas passados em circunstâncias renovadas.

Percebeu que só temos que agradecer a misericórdia de Deus? Que a cada dia possamos colocar em prática a gratidão em nossa vida!

Ana Paula Januário

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 363. ed. São Paulo: Ide, 2009.

KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo. 75. ed. São Paulo: Ide, 2009.

RBN, Esquecimento do Passado – Espiritismo sem Mistério. Disponível em:

 

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Morte de crianças

Richard Simonetti

MORTE DE CRIANÇAS

O desencarne na infância, mesmo em circunstâncias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o Espírito permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência terrestre. Somente a partir da adolescência é que entrará na plena posse de suas faculdades.

Alheio às contingências humanas ele se exime de envolvimento com vícios e paixões que tanto comprometem a experiência física e dificultam um retorno equilibrado à Vida Espiritual.

O problema maior é a teia de retenção, formada com intensidade, porquanto a morte de uma criança provoca grande comoção, até mesmo em pessoas não ligadas a ela diretamente. Símbolo da pureza e da inocência, alegria do presente e promessa para o futuro, o pequeno ser resume as esperanças dos adultos que se recusam a encarar a perspectiva de uma separação.

Em favor do desencarnante é preciso imitar atitudes como a de *Amaro, personagem do livro “Entre a Terra e o Céu”, do espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, diante do filho de um ano, desenganado pelo médico, a avizinhar-se da morte. Na madrugada, enquanto outros familiares dormem, ele permanece em vigília, meditando. Descreve o autor:

“A aurora começava a refletir-se no firmamento em largas riscas rubras, quando o ferroviário abandonou a meditação, aproximando-se do filhinho quase morto. “Num gesto comovente de fé, retirou da parede velho crucifixo de madeira e colocou-o à cabeceira do agonizante. Em seguida, sentou-se no leito e acomodou o menino ao colo com especial ternura. Amparado espiritualmente por Odila*, que o enlaçava, demorou a olhar sobre a imagem do Cristo Crucificado e orou em voz em alta voz:

“Divino Jesus, compadece-te de nossas fraquezas!… Tenho meu espírito frágil para lidar com a morte! Dá-nos força e compreensão… Nossos filhos te pertencem, mas como nos dói restituí-los, quando a tua vontade no-los reclama de volta!…

“O pranto embargava-lhe a voz, mas o pai sofredor, demonstrando a sua imperiosa necessidade de oração, prosseguiu:

“- Se é de teu desígnio que o nosso filhinho parta, Senhor, recebe-o em teus braços de amor e luz! Concede-nos, porém, a mente, a nossa cruz de saudade e dor!… Dá-nos resignação, fé, esperança!… Auxilia-nos a entender-te os propósitos e que a tua vontade se cumpra hoje e sempre!…

“Jactos de safirina claridade escapavam-lhe do peito, envolvendo a criança, que, pouco a pouco, adormeceu.

“Júlio afastou-se do corpo de carne, abrigando-se nos braços de Odila, à maneira de um órfão que busca tépido ninho de carícias.”

A atitude fervorosa de Amaro, sua profunda confiança em Jesus, sustenta-lhe o equilíbrio e favorece o retorno de Júlio, o filho muito amado, à pátria espiritual, conforme estava previsto.

* Amaro é casado em segundas núpcias. Odila é a primeira esposa, desencarnada.

Richard Simonetti

Do livro: Quem tem medo da morte?

Fonte:  Portal do Espírito

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