O Mecanismo Secreto da Evolução Espiritual

Rita Foelker

O MECANISMO SECRETO DA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

Até que ponto sabemos escolher com base no conhecimento que possuímos?

Já há muitos séculos os seres humanos pensam sobre a responsabilidade espiritual, encontrando diversas explicações sobre como suas ações geram consequências boas ou ruins para si mesmos. Espiritas, falam em lei de ação e reação. No entanto, até que ponto essa lei é bem compreendida? Até que ponto sabemos escolher com base no conhecimento que já possuímos?

Emoções e pensamentos definem o modo como vivemos. Diariamente, criamos nosso céu e inferno pessoais. E a cada minuto a vida responde conforme nossos padrões mentais e nossas atitudes.

As consequências de nossos atos têm sido entendidas e ensinadas por religiões e filosofias, durante séculos. E, para os que acreditam nas leis da vida espiritual e buscam estudá-las, a tentativa de compreensão do que acontece a partir do comportamento tornou-se um dos principais elementos a influenciar as escolhas.

Aprendemos a chamar essa correspondência, entre atos e resultados, de “lei de causa e efeito” ou de “lei de ação e reação”. Contudo, nem sempre é suficientemente claro, o que se pretende dizer com essas expressões. Seria o sofrimento, o resultado de nossos atos contrários à lei de Deus? Podemos melhorar nossa vida melhorando nossa forma de pensar, sentir, escolher e agir?

PRÊMIOS E CASTIGOS

Conduta moral é o conjunto das atitudes que revelam o caráter de cada pessoa, sua forma habitual de agir segundo as virtudes já conquistadas. A igreja católica exerceu uma forte influência no pensamento ocidental sobre como os efeitos da conduta moral influenciam a vida futura. A matemática era simples: cumprir os preceitos religiosos e evitar o pecado levariam a criatura para o Céu, depois de única existência. Ignorar essas coisas redundaria numa eternidade de sofrimento atrozes e irremediáveis, a conhecida vida no Inferno. A sorte de cada criatura estaria lançada a partir do momento em que sua alma deixasse este mundo em busca do próximo, em locais específicos de felicidade ou sofrimento: o “Céu” e o “Inferno”.

Sobre a localização das penas e alegrias depois desta vida, a questão 1011 de O Livro dos Espíritos deixa claro que não há, no mundo espiritual, lugares circunscritos para a permanência dos Espíritos felizes ou em sofrimento. “As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um traz em si mesmo o princípio de sua própria felicidade ou de infelicidade. E como eles estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado se destina a uns e a outros”.

Os Espíritos afins, em razão de seus gostos, simpatias, pensamentos habituais, emoções predominantes e interesses comuns, reúnem-se em grupos e podem permanecer ligados entre si, mas não é necessário que haja um lugar próprio para tal. Contudo, muito tempo atrás, sacerdotes desenharam em nossa imaginação visões da imortalidade para os bons e os maus, de maneira a incentivar comportamentos virtuosos ou, pelo menos, aprovados pela instituição religiosa a qual pertenciam. É claro que muitos se aproveitaram de nossa ingenuidade, tirando partido de nossos temores para atender aos próprios interesses. Mas ficou muito marcada, para nós, a ideia de que vamos receber o prêmio ou o castigo depois, no “além”, ao se encerrar esta existência. E muitos espíritas conservaram essa noção equivocada.

Já para os problemas durante a vida, o remédio indicado pelos sacerdotes era o da tolerância, para suportá-los com o mínimo de reclamação e o máximo de resignação “santificante”, com vistas ao porvir de venturas celestiais.

ALEGRIA E SOFRIMENTO NA VIDA PRESENTE

Para outras doutrinas, contudo, o sofrimento presente é entendido como resultado de ações em vidas passadas. No Oriente, as crenças na reencarnação e no carma conduzem à noção, bastante difundida entre aquele povo, de que aquilo que fizemos no passado de múltiplas reencarnações reverte em situações vividas presentemente.

Tal perspectiva oferece-lhes uma possibilidade de compreensão e aceitação da condição pessoal e social em que cada um se encontra, por mais difícil que possa ser. A resignação é uma atitude importante perante situações sobre as quais não se tem possibilidade de ação, mas é preciso perceber que em muitos casos há o que fazer para colocar-se em melhor condição física, emocional e espiritual. Essas ideias chegaram ao Ocidente, em grande parte, com a divulgação da obra de Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, em Nova York, no ano de 1875.

O Espiritismo, no que se refere aos espíritos, informa que ele são mais ou menos felizes, conforme o mundo que habitam seja mais ou menos adiantado. E a classe do mundo onde vão encarnar está de acordo com o grau de evolução que já atingiram e a necessidade de aprendizado naquela fase específica de seu progresso. A Terra é classificada, entre as categorias de mundos habitados, como um planeta de provas e expiações, de acordo com O Evangelho Segundo o Espiritismo: “A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência”.

Além das características planetárias, que participam da configuração das condições da encarnação, existem aspectos relativos à especificidade do organismo (estado de saúde ou doenças congênitas), do grupo familiar, e da condição sócio-econômica em que o Espírito irá reencarnar, e tudo isso atende ao aprendizado espiritual das virtudes que buscará desenvolver.

O capítulo VII de O Livro dos Espíritos dia que o Espírito prestes a retomar a vida física possui consciência mais ou menos nítida de que está chegando o momento da reencarnação, embora muitos deles nem compreendam o que lhes sucederá. Explica também que ele pode abreviar o tempo de espera pelo retorno ao plano físico, ou mesmo retardá-lo, mas não indefinidamente. O Espírito que se unirá a um determinado corpo já está designado com antecedência, e o corpo sempre corresponde aos tipos de provas que a que deseja se submeter. Há casos em que ele mesmo pode, escolher em qual corpo irá reencarnar, embora esta escolha nem sempre dependa dele.

Estes poucos esclarecimentos sobre a volta do Espírito à vida corporal nos oferece uma evidência interessante: de que não existe determinismo na encarnação.

NÃO HÁ DETERMINISMO NO EFEITO

A ideia de uma aplicação automática da lei de ação e reação, nos moldes da “pena de talião” – “olho por olho, dente por dente” – deixa conosco uma impressão de que, como diz o adágio popular, “aqui se faz, aqui se paga”. Como se fosse um sistema de troca entre o indivíduo e a lei natural – que cobra pelo que aquele fez contra ela.

Esta visão é reforçada por muitos romances onde se explora a correspondência entre as múltiplas existências de um mesmo Espírito, de modo a vincular as ações infelizes em uma vida com o sofrimento na vida posterior. Embora seja um recurso literário interessante, a correlação entre fatos de uma e de outra vida não pode ser encarada de forma tão simplista. Tal concepção não poderia conviver com a Justiça Divina, que é perfeita, e leva em conta a melhoria de sentimentos, o arrependimento, e que também considera as mínimas atitudes favoráveis ao equilíbrio íntimo e à pacificação das relações com o próximo.

Nunca se pode afirmar, portanto, que sofremos exatamente aquilo que fizemos sofrer, de maneira automática. Porque a Lei de Justiça é também de Amor e Caridade e respeita as condições do espírito em evolução para melhor oferecer recursos para seu aprendizado.

Não há automatismo da lei de ação e reação, pois mudanças morais no Espírito podem alterar a intensidade ou mesmo a qualidade da “reação”, em virtude das mudanças interiores que cada um de nós pode realizar, a qualquer momento, com o poder da vontade.

O PORQUÊ DO SOFRIMENTO

O ajuste impecável entre nossas atitudes e suas consequências é fruto da perfeição da justiça divina, mas isso não trata necessariamente de punição ou recompensa (embora se possa pensar que os bons efeitos de boas escolhas seriam os nossos prêmios, e vice-versa).

No item 5 do capítulo V de O Céu e o Inferno, Allan Kardec escreveu: “Sendo o sofrimento inerente à imperfeição, sofre-se por tanto tempo quanto se for imperfeito, como se sofre de uma doença por tanto tempo quanto não se consegue extinguir as suas causas. É assim que um homem orgulhoso sofrerá as consequências do orgulho, da mesma maneira que um egoísta as do egoísmo”.

Fica nítida a noção de que sofremos, em razão de como somos, e não em razão daquilo que fizemos. E quando mudamos nosso modo de pensar, sentir e agir, conseguimos minorar o sofrimento, embora ainda continuemos sofrendo os efeitos de causas que deflagramos.

Este alívio ocorre, muitas vezes, imediatamente! Por exemplo. Em muitos casos de enfermidades físicas, o maior estresse está relacionado à revolta, ao derrotismo, à inconformação, do que aos sintomas experimentados. Se mudarmos a maneira de pensar e sentir sobre a doença e seu papel no nosso desenvolvimento espiritual, não só sofremos menos como podemos ativar potenciais de cura pela ação do pensamento sobre os fluidos e a matéria.

É comum, pensar-se unicamente em termos de futuro, como se o período da encarnação fosse um tempo de semeadura e tivéssemos de aguardar no post-mortem a colheita dos frutos. Contudo, se hoje sabemos que nossas condições atuais de vida resultaram de escolhas feitas no mundo espiritual, antes da presente encarnação, ou de causas originadas em encarnações anteriores, o fato é que a maioria delas nasceu de deliberações mais recentes, desta própria vida. São estas que, com frequência, ocasionam prazer ou sofrimento, como explica O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V. Kardec lhes dá o nome de causas atuais das aflições e, se estamos causando aflições para a nossa vida atual, significa que, igualmente, podemos aprender atitudes que nos proporcionem bem-estar a partir de agora, rompendo, em definitivo, com as ideias aprendidas em outras doutrinas, de que o céu e o inferno estão além desta vida, num outro tempo e lugar.

Não existe “lá” ou “aqui” para a lei de ação e reação. Podemos, agora, estar convivendo com o resultado de decisões tomadas em outras vidas ou no mundo espiritual, ou podemos estar gerando, também neste instante, uma situação que terá efeitos em poucos minutos. Por exemplo: talvez estando num lugar público enquanto lê esta revista, alguém se sente ao seu lado e queira conversar. Talvez, esta mesma pessoa venha trazer-lhe a resposta para uma questão que o(a) vem atormentando durante muito tempo, gerando contentamento.

Podemos tomar atitudes que começam a gerar resultados no mesmo instante em que as tomamos, e que perdurem enquanto nelas perseveramos, deixando de existir somente quando mudarmos interiormente.

Causas e efeitos de nossos atos estão em toda parte, porque elas não dependem de se estar encarnado ou desencarnado. Como encarnados, não apenas permanecemos livres para escolher novos rumos como, também, as nossas decisões começam a fazer efeito na existência atual – rapidamente, no campo emocional e mental, embora materialmente possam se concretizar mais tarde.

Responsabilidade cresce com o entendimento espiritual e implica em responder por tudo o que for manifestação da vontade do Espírito, por tudo o que ele decide com razoável consciência dos resultados, seja sob a forma de pensamentos, atos ou sentimentos.

Dessa forma, a dor e o sofrimento ganham outra dimensão. Observamos que não somos seres passivos perante eles, podendo realizar modificações em nossas formas de pensar e de lidar com as situações que redundarão numa vida com mais qualidade em muitos sentidos.

Rita Foelker*

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

*Rita Foelker é escritora com mais de 40 livros publicados, entre infantis e adultos, mediúnicos e próprios.

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Previsões, Vidência e Revelações sob o Olhar Espírita

Camila Vieira

Entramos naquela típica época do ano em que as previsões para o novo ano começam a ganhar manchetes. Muitas pessoas investem em consultas com médiuns na tentativa de buscar evidências do que lhes aguarda no novo ciclo que se iniciará.

Sabemos que a Doutrina Espírita nada proíbe, isto é, um indivíduo tem o livre arbítrio para tomar suas ações e pensamentos, mas cabe uma reflexão acerca destas previsões sobre a ótica espiritual, partindo principalmente das obras básicas do Espiritismo para não nos deixarmos levar pelo sensacionalismo que muitas vezes envolve este tema tão sério.

Primeiramente, quando iniciamos uma trajetória reencarnatória, passamos pelo véu do esquecimento. Ensina Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo?” que para que o indivíduo evolua, é necessário que ele perca a memória das vidas passadas enquanto estiver na vida terrena. Caso contrário, acontecimentos anteriores poderiam afetar a trajetória atual de um indivíduo.

Ainda, assim, todos os indivíduos possuem o livre arbítrio, sendo que os acontecimentos da vida não são estáticos, eles variam de acordo com cada ação tomada. Ainda que um indivíduo receba uma possível previsão, ele tem total liberdade de suas ações e pensamentos, podendo inclusive mudar o curso do seu planejamento reencarnatório, tanto para o bem quanto para o mal.

Neste raciocínio, faria sentido recebermos spoilers sobre os acontecimentos que estão por vir? Significa que alguém nunca receberá uma revelação ou previsão?

Alguns indivíduos encarnam na Terra com capacidades mediúnicas mais desenvolvidas, são os chamados “médiuns ostensivos” pela Doutrina Espírita. Diferente do que muitos pensam, não se trata de pessoas privilegiadas, mas sim, pessoas com tamanha responsabilidade espiritual, que o uso dessas faculdades de forma que desabone os preceitos espíritas gera consequências drásticas.

A importância de uma conduta pautada pela boa-fé e comprometimento dos médiuns motivou uma obra básica da Doutrina Espírita exclusiva para o assunto, o chamado “Livro dos Médiuns”. O livro dedica um capítulo completo para o tema “Charlatanismo e Trapaça”, tecendo considerações sobre médiuns interesseiros e fraudes espíritas.

Mas como saber se estamos diante de um médium sério ou não? A resposta não é fácil de responder, não existem critérios objetivos para aplicarmos, mas sem dúvidas encontramos indícios desta resposta estudando o Espiritismo.

A mediunidade é uma faculdade nata dada para o bem e para a coletividade. A mediunidade exercida para o enriquecimento financeiro e pessoal do médium, sob uma ótica egoísta e material, é charlatanismo. Sejamos cautelosos na absorção de previsões aleatórias, sem respaldo dos preceitos espíritas constantes nas obras básicas.

Mas será que já não somos intuídos das previsões futuras? Muitas delas sim, a todo momento. Pela lei natural de causa e efeito podemos chegar em muitos acontecimentos em nossa vida, visto que toda ação gera uma reação, muitas delas previsíveis. Se levo uma alimentação nada saudável, com o passar do tempo problemas de saúde chegarão, e para tanto não é necessário ser vidente.

O estudo e o desenvolvimento da nossa conexão espiritual abrem as portas para vermos com mais clareza o norte da nossa trajetória. É o chamado estado de intuição. Estamos a todo momento sendo assistidos pela Espiritualidade, que se manifesta de variadas formas.

Também não podemos generalizar e afirmar que toda e qualquer previsão é falsa e que todos os médiuns que realizam revelações são fraudulentos. A mediunidade exercida com responsabilidade e boa-fé harmoniza a vida terrena e a vida espiritual trazendo paz, amor e caridade, jamais proporcionando interesses desvirtuados dos pilares do Espiritismo.

Por merecimento e com o aval da Espiritualidade, um indivíduo pode sim receber algum tipo de previsão, mas lembrando que se trata de exceção, e não de regra, visto que somos dotados da lei do esquecimento para o bem da nossa caminhada terrena. Lembrando ainda que o livre arbítrio pode mudar o itinerário previsto.

Que possamos concentrar nossos esforços na busca da conexão espiritual dentro de nós, estreitando os laços com a Espiritualidade Superior. Se for da vontade D´Ele, que sejamos intuídos sempre ao caminho do bem pelos Espíritos de Luz que percorrem conosco esta estrada terrena.

Camila Vieira

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 56. ed. 1. imp. – Brasília: FEB, 2013. Disponível em: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2014/05/o-que-e-o-espiritismo.pdf.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Petit, 2004.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Petit, 1999.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Petit, 2004.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Petit, 1999.

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Mediunidade é Doença?

– Sidney Fernandes

MEDIUNIDADE É DOENÇA?

Fábio Magalhães trabalhava como engenheiro de software durante o dia e era o principal guitarrista de uma banda. Certa ocasião, ao transportar alguns equipamentos pesados para um show, teve um súbito mal-estar. Entendeu que era excesso de trabalho e cansaço. Dias depois, a situação se repetiu e se agravou, obrigando-o a procurar assistência médica.

O médico achou que Fábio tinha uma pequena infecção pulmonar que logo passaria, mas não passou. Estava cada vez mais cansado e sem fôlego. Consultou outro médico, que pediu radiografia de tórax, explorando problemas pulmonares. Nada foi encontrado. Os resultados vieram normais.

As coisas começaram a piorar a ponto de impedir que ele trabalhasse e tocasse com o grupo. Dormia o dia inteiro e ficava sem ar ao mínimo esforço. Subir uma escada era muito difícil e demandava enorme tempo. À noite, sentia-se sufocado e não conseguia inspirar ar suficiente. Por falta de apetite, Fábio perdeu sete quilos.

Quando mais desalentado se encontrava, uma conversa entre Joyce, sua esposa, e Maria, a auxiliar doméstica, acendeu tênue luz naquela escura situação.

— Por que a senhora não leva “seu” Fábio ao nosso centro espírita? Os médicos espirituais têm feito milagres.

Depois de procurar tantos médicos, sem qualquer melhora, Fábio aceitou a sugestão imediatamente. Embora não fosse espírita, sempre acreditara nas forças da espiritualidade.

***

Temos agora, amigo leitor, que fazer uma pequena pausa. Vamos examinar duas hipóteses para a consulta espiritual a que Fábio se submeteu, no centro espírita indicado por sua auxiliar Maria.

Primeira hipótese

Amparado por Joyce e Maria, Fábio entrou, vacilante, na sala destinada ao atendimento inicial. Logo foi chamado pelo dirigente para uma conversa. Assim que conheceu os sintomas de Fábio, o atendente informou:

— Meu amigo. O seu problema é mediunidade.

Sem mesmo entender bem o que estava acontecendo, o doente foi colocado junto de vários médiuns, em volta de grande mesa de madeira para “desenvolver” sua suposta mediunidade.

Vamos resumir os acontecimentos. Os problemas de Fábio se agravaram, a ponto de ser internado com urgência em unidade hospitalar para suprir a falta de oxigênio, que o estava levando à morte.

***

Não raramente se apresentam, nos centros espíritas, pessoas com mudança repentina de humor, desentendimentos injustificáveis, ideias absurdas sem origem definida, doenças que aparecem e desaparecem sem razão de ser, visões e sons misteriosos e aparições que vêm e que vão, que podem ser considerados, depois de constatada sua veracidade, fatos de origem mediúnica.

No entanto, a prudência e os princípios fundamentais da Doutrina Espírita determinam muito cuidado no trato dos problemas que são apresentados nas entrevistas fraternas que recepcionam novos frequentadores.

Infelizmente, a atitude leviana do dirigente de nossa suposta primeira hipótese de atendimento é muito mais frequente do que se pensa. Por falta de conhecimento doutrinário, muitos ainda entendem que mediunidade é sinônimo de doença, desequilíbrio e até de desordem mental.

Centro espírita que se preze jamais deverá abdicar da medicina tradicional. Os tratamentos magnéticos e espirituais precisam ser considerados como complementares ao atendimento médico.

No século XIX, Allan Kardec sofreu muitas críticas, porque dirigentes ignorantes ou inescrupulosos consideravam a manifestação mediúnica como panaceia para todos os males, inclusive para casos de alterações mentais.

Qual deveria ter o atendimento adequado de uma casa espírita bem orientada, para o nosso paciente Fábio?

Segunda hipótese

Amparado por Joyce e Maria, Fábio entrou, vacilante, na sala destinada ao atendimento inicial. Logo foi chamado pelo dirigente para uma conversa. Assim que conheceu os sintomas de Fábio, o atendente perguntou:

— Meu caro amigo. Você já procurou atendimento médico?

Fábio desfiou o rosário de consultas e exames a que havia se submetido, sem sucesso.

— Façamos o seguinte — falou o dirigente. Vamos encaminhar seu nome para nosso grupo de atendimento, que se reúne durante a palestra doutrinária que vai acontecer. Ao final da reunião, você tomará um passe magnético, que poderá ajudá-lo.

Terminados os trabalhos da noite, Fábio foi procurado pelo mesmo dirigente, que assim o orientou:

— Os espíritos entenderam que seu caso precisa de tratamento material adequado. Nesse grupo de atendimento, um dos participantes é médico. Ele sugeriu que você procure pneumologista de sua confiança, cujo nome e endereço vou lhe passar agora. Se você permitir, amanhã cedo ele telefonará para o colega, passando mais detalhes do seu caso.

Nova consulta

No dia seguinte Fábio estava diante do Dr. André, o médico indicado, que, imediatamente, ao examinar a radiografia supostamente normal, encontrou algo anormal. O pulmão de Fábio tinha uma leve sombra cinzenta, como se coberto por um véu, facilmente confundido como imagem subexposta. Aparentemente, o ar poderia ter sido substituído por líquido inflamatório.

Dentre as várias causas aventadas, uma delas foi a de substância alérgica. O médico o crivou de perguntas para identificar o gatilho de suas crises. Depois de muitas tentativas, suspeitou que, talvez, o foco estivesse nos novos travesseiros recheados de penas, que a esposa havia comprado alguns meses antes. Como Fábio dormia de bruços, ficava com o rosto enterrado no travesseiro.

Dr. André recomendou imediata substituição dos travesseiros e lhe receitou esteroides para diminuir a inflamação. Os remédios lhe trouxeram melhoras em dois dias e bastaram algumas noites com o travesseiro novo para que sumissem todos os sintomas de Fábio.

***

A Doutrina Espírita é o porto seguro para o diagnóstico da sensibilidade mediúnica. Os bons espíritos podem nos ajudar, quando merecemos, em qualquer situação. No entanto, eles assistem aqueles que fazem de tudo para se melhorar. Fábio era uma pessoa boa e honesta, e seus esforços o fizeram merecedor do auxílio que o levou à cura.

Enganam-se, no entanto, os que atribuem somente aos espíritos a causa de suas dores. Mediunidade é sensibilidade e não enfermidade. Devemos evitar atribuir à ação direta dos espíritos todos os dissabores que podem acontecer. Muitas vezes, eles são a consequência da negligência, da imprevidência ou simplesmente da falta de competência dos homens.

Fiquemos com Emmanuel:

Transformemos nossas misérias em lições. Identifiquemos o monturo que a própria ignorância amontoou em torno de nós mesmos, convertamo-lo em adubo de nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema de nossos grandes males.

Sidney Fernandes

Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

Qual foi o gatilho? artigo de Seleções Reader’s Digest, fevereiro/2021; Por quê? – O Espiritismo responde, Sidney Fernandes; Pão Nosso, Emmanuel; Ação e Reação, André Luiz; O Livro dos Médiuns, Allan Kardec.

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A melancolia de final de ano

MELANCOLIA DE FINAL DE ANO E O ESPIRITISMO

Simara Lugon Cabral

No final do ano é muito comum que algumas pessoas se sintam tristes e melancólicas, sem compartilhar da alegria que contagia parte da sociedade durante as festividades de Natal e do Ano Novo. No Centro de Valorização da Vida (CVV), uma organização não governamental que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, o número de ligações recebidas costuma aumentar em média 15% no mês de dezembro e os profissionais de saúde mental observam uma maior procura de pessoas com sintomas de depressão em seus consultórios. Neste ano de 2021 em especial, já que se vive ainda uma pandemia, a situação é ainda mais crítica, já que ele traz as consequências psicológicas após um longo período de isolamento social além do luto devido à perda de entes queridos enfrentados por tantas famílias, e por essa razão o final de ano pode ser ainda mais penoso que o habitual.

Não há data marcada no calendário para sentir-se triste ou feliz, isto depende do estado emocional do ser, que é influenciado por diferentes fatores dentre eles a perda de familiares ou amizades recentes, divórcio, falta de convívio social, perda de emprego, dificuldades materiais ou de saúde. Se a pessoa estiver enfrentando uma situação difícil em sua vida ela permanecerá entristecida e ela não terá o seu estado emocional alterado porque o final de ano chegou, independentemente de sua crença religiosa.

Algumas pessoas sentem-se cobradas pela sociedade a colocarem uma máscara de falsa alegria nesta época, o que pode ser ainda mais prejudicial para seu estado de espírito, visto que esconder as emoções não é o caminho mais adequado para curar as dores da alma. Aqueles que estão passando por momentos de tribulação tem todo direito de se ausentarem das comemorações de final de ano caso sintam-se desconfortáveis e seus familiares ou amigos devem procurar prestar apoio a quem não está bem, e não pressionarem a pessoa a agir de acordo com o que elas esperam ou desejam. A tristeza é um sentimento natural que faz parte da vida e deve ser respeitado, aceito e vivenciado. Porém, caso este estado evolua para uma depressão ou apatia é importante que a pessoa busque auxílio profissional pois a depressão é uma doença, e é mais grave do que sentir-se triste eventualmente.

Em um mundo de provas e expiações como a Terra é bastante comum que a melancolia esteja presente em algumas situações tais como o final de ano. Na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” François de Genéve recomenda: “(…) resisti com energia a essas impressões que enfraquecem vossa vontade. Essas aspirações a uma vida melhor são inatas ao espírito de todos os homens, mas não a procureis neste mundo. E agora que Deus vos envia seus Espíritos para instruir-vos sobre a felicidade que vos reserva, esperai pacientemente o anjo da libertação que deve ajudar-vos a romper os laços que mantêm vosso Espírito cativo. Pensai que, durante vossa prova na Terra, tendes uma missão a cumprir de que já não podeis duvidar, seja devotando-vos à vossa família, seja cumprindo os diversos deveres que Deus vos confiou. E se, no curso dessa prova, e quando estiveres desempenhando a vossa tarefa, virdes os cuidados, as inquietudes, os pesares precipitarem-se sobre vós, sede fortes e corajosos para suportá-las. Enfrentai-as francamente. Elas são de curta duração e devem conduzir-vos perto dos amigos que chorais; estes irão regozijar-se com a vossa chegada e estenderão os braços para conduzir-vos a um lugar onde os pesares da Terra não têm acesso.” Desta forma, compreende-se que a verdadeira felicidade não é deste mundo e que após cumprir com louvor as responsabilidades e objetivos da encarnação é que o Espírito alcançará uma felicidade relativa.

Além disso, o Natal e o Ano Novo não precisam ser vivenciados da mesma forma por todas as pessoas. Enquanto algumas sentem-se felizes e dispostas a comemorar de forma materialista através do consumo desenfreado, festas regadas à bebidas e drogas ou contrariando a recomendação de evitarem aglomerações inadequadas ao cenário pandêmico do país, outras podem preferir recolher-se em meditação, em oração ou buscam uma comemoração intimista e discreta apenas com seus familiares próximos e assim encontram a paz em seu coração. Cada um tem o seu livre arbítrio para decidir o caminho que deseja trilhar lembrando-se que arcarão com as consequências de suas escolhas.

Portanto para aqueles que tem sua família reunida ao redor de uma farta mesa nas noites comemorativas de final de ano lembrem-se de se solidarizarem com quem se encontra sozinho, com falta de recursos ou adoentado, auxiliando seja através de uma oração, um telefonema ou de seus recursos materiais, e aqueles que estão em situação aflitiva seja material, física ou emocional, recordem-se das palavras de Jesus em Mateus (5:4-8):“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.” Que todos alcancem a paz em seus corações neste final de ano e mantenham a esperança e a fé em Deus e no futuro, que certamente será próspero para aqueles que compreendem e cumprem as leis divinas.

Simara Lugon Cabral

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

  1. Bíblia Online.
  2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  3. É normal sentir tristeza ou depressão no fim do ano? Disponível em:  https://www.psicologiaexplica.com.br/tristeza-depressao-fim-ano/.
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Sonhos e suas interpretações

“Os Mensageiros” – Significado de Sonhar com Cobra

Marcos Nóbrega

A cobra é um animal repleto de significados e simbologias desde os tempos mais remotos. Sonhar com cobra revela diversos simbolismos conhecidos em culturas do mundo inteiro. No entanto, a cobra é conhecida por ser o animal que convenceu Eva a provar do fruto proibido, e por isso ela é comumente associada à tentação, engano e a destruição. Mas, há diversos detalhes que fazem toda a diferença para sua interpretação correta.

Portanto, sonhar com cobra pode possuir diversas interpretações dependendo do contexto em que seu sonho se apresenta. Geralmente, sonhar com cobra significa que você está lidando com alguma situação difícil ou emoções inquietantes em sua vida de vigília. Veja alguns significados mais comuns e as possíveis interpretações de sonhar com cobra:

Uma cobra é um símbolo do inconsciente.

Cobras ou serpentes indicam que você está no processo de cura e resolução de problemas.

A cobra é um símbolo para uma parte indomável de você ou um recurso inexplorado.

As serpentes podem representar a sua intuição ou aspectos espirituais de si mesmo; seu impulso instintivo, o que o afasta das profundezas de sua alma.

Cobras ou serpentes tendem a aparecer nos sonhos em tempos de transição e transformação.

O lado positivo de sonhos com cobras também pode significar que a cura e a transformação estão ocorrendo em sua vida, você está em processo de amadurecimento e seu eu superior começa a se despertar.

SIMBOLISMO DA COBRA DO PONTO DE VISTA ESPIRITUAL

Do ponto de vista espiritual os sonhos transmitem simbolismo muito diverso do que estamos sonhando. Para que os leitores tenham uma ideia, nós vamos inserir um trecho do livro “Os mensageiros” de Chico Xavier, onde o espírito Aniceto relata um episódio onde a avó desencarnada de uma garota tenta lhe ajustar os pensamentos com palavras sábias durante o sono, e em seguida como a neta interpreta este sonho ao acordar. Niêta é o nome da garota que tem um suposto sonho com cobra, mas o que realmente se sucedeu no sonho foi o seguinte:

— Niêta — exclamava a velhinha em tom firme — não dê tamanha importância aos obstáculos. Esquece os que te perseguem, a ninguém odeies. Conserva tua paz espiritual, acima de tudo. A calúnia, Niêta, é uma serpente que ameaça o coração; entretanto, se a encararmos de frente, fortes e tranquilas, veremos, a breve tempo, que a serpente não tem vida própria. É víbora de brinquedo a se quebrar como vidro, pelo impulso de nossas mãos. E, vencido o espantalho, em lugar de serpente, teremos conosco a flor da virtude. Não temas, querida! Não percas a sagrada oportunidade de testemunhar a compreensão de jesus!…

Fonte: Os Mensageiros – Chico Xavier

Estas foram as palavras sábias da avó desencarnada, a qual se aproveitou do sono da neta para lhe transmitir bom ânimo, pois a mesma demonstrava impulsos de cometer suicídio na vida de vigília.

Em seguida, Aniceto nos explica de que modo a neta interpretou este sonho, veja:

Sendo a avó superior e ela inferior, e, examinando ainda a condição dos planos de vida em que ambas se encontram, a jovem encarnada está sob o domínio espiritual da benfeitora. Entre ambas, portanto, há uma corrente magnética recíproca, salientando-se, porém, que a vovó amiga detém uma ascendência positiva. A neta não vê o ambiente com precisão, nem ouve as palavras integralmente. Não esqueçamos que o desprendimento no sono físico vulgar é fragmentário e que a visão e a audição, peculiares ao encarnado, se encontram nele também restritas. O fenômeno, pois, é mais de união espiritual que de percepções sensoriais, propriamente ditas. A jovem está recebendo consolações positivas, de Espírito a Espírito. Niêta não se recordará, despertando dos véus materiais mais grosseiros, de todas as minúcias deste venturoso encontro durante o sono.

Acordará, porém, encorajada e bem-disposta, sem poder identificar a causa da restauração do bom ânimo. Dirá que sonhou com a avó num lugar onde havia muita gente, sem recordar as minudências de fato, acrescentando que viu, no sonho, uma cobra ameaçadora, que logo se transformou em serpente de vidro, quebrando-se ao impulso de suas mãos, para transformar-se em perfumosa flor, da qual ainda conserva a lembrança agradável do aroma. Afirmará que soberano conforto lhe invadiu a alma e, no fundo, compreenderá a mensagem consoladora que lhe foi concedida.

Fonte: Os Mensageiros – Chico Xavier

Vemos aqui um maravilhoso trecho de um livro psicografado por Chico Xavier. Neste relato podemos compreender que nosso grau de lucidez inferior, impossibilita a compreensão da totalidade de um sonho. Aniêta absorveu o aprendizado de modo intuitivo, porém, o sonho em si era constituído de um aglomerado de visões distorcidas e sem sentido.

Por fim, ao longo do livro percebemos que a neta da benfeitora realmente se beneficiou do aprendizado recebido no sonho, pois o impulso suicida se desfez e ela voltou a tomar as rédeas da própria vida com muito bom ânimo.

Recomendamos a leitura completa desta obra repleta de ensinamentos capazes de ampliar sua percepção como indivíduo espiritual.

Marcos Nóbrega

Fonte: Portal do Espírito

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Uma despedida antes de desencarnar

“ANTES DE DESENCARNAR, VÍTIMA DE CÂNCER, JOVEM MÉDICA DEIXA CARTA DE REFLEXÃO SOBRE A VIDA.”

Dra. Larissa Alessandra Medeiros, natural de Lages, fez Medicina na UFSC, onde se formou em 2001. Fez residência de Clínica Médica no HU/UFSC e de Hematologia no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis. Especializou-se em Transplante de Medula Óssea em Curitiba, onde fixou residência e estava atuando como médica contratada e preceptora no Hospital de Clínicas da UFPR.

Foi a óbito em 22/12/18, por um câncer de mama metastático. Poucos dias antes de falecer, deixou uma carta, transcrita abaixo:

“Querida família!

Ando mais reflexiva e ausente… tem sido dias difíceis. Pensei na morte, mas vi um documentário da minha incoerência, já q é a coisa mais certa… pedi a Deus uma 2a chance ou força p entender se ele tiver outro propósito.

Vou fazer um pedido aqui:

– hoje minhas chances de cura são menores do que as de sucesso! Luto por 10% de cura!!sem drama, é um fato!

– quero e vou vencer, com a ajuda de Deus e Nossa Senhora, sem as estatísticas dos homens!

Mas queria com muito carinho q se lembrem das coisas q estou aprendendo…

– hoje ter 1,2,5 ou 20 milhões num banco ; ter um bilhete de viagem maravilhosa; um vestido lindo ou poder ir em restaurantes incríveis.. um bom vinho, um doce delicioso… NADA NADA disso eu poderia usufruir agora. Não mudaria minhas chances ou acessos à remédios, não teria pique e disposição p viajar (não posso me ausentar por mais de 15 dias pela quimio, que tem dado muitas reações extras), não posso beber, comer muitos doces… e não tenho ânimo físico p usar um lindo vestido com alegria…

A vaidade de crescer cientificamente, ganhar algo na profissão, prestígio??? Nada fica… perdi tanto tempo c isso… fui tão tola em varios aspectos… só o carinho dos amigos colegas e pacientes que o trabalho trouxe… Mas claro q não serei hipócrita: Trabalhar, responsabilidades, ter economias… são coisas importantes, mas NÃO são mais do que viver o hoje… ter conforto, usufruir das boas coisas da vida valem a pena… Já viver sempre esperando um futuro que pode não chegar, isto é ir morrendo aos poucos.

Então, o que ficou e o que mais me alegra? As boas lembranças dos momentos e experiências q vivi… as risadas, os carinhos, a alegria das viagens q tanto gostava, da comida gostosa fosse caseira ou de um bom restaurante… os sentimentos verdadeiros e o amor puro da família e tantos amigos queridos q redescobri…

Sei q nada será tão palpável como é p mim q precisei passar por isso p ter tanta clareza de pensamentos… ouvia isso dos pactes mas não coloquei em prática…

Gostaria q experimentassem sem ter q passar por algo ruim p mudar:

– brigas, reclamações, vaidades, conflitos… acontecem mas deixam o ar muito pesado, sugam nossa energia e não levam a nada. Transformam a reunião alegre em algo desagradável… Amor, perdão, paz, alegria renovam tudo…

– nós sendo filhos, noras e genros, pais, irmãos, casais, todos iremos errar… escolher o caminho tem esse desfecho: de acertar ou errar. E errar tem o aprendizado, só o erro traz essa graça de aprender e mudar! não aprendemos com os erros alheios infelizmente… Os acertos infelizmente também não trazem esse conhecimento todo, por ironia… ninguém sabe o que é certo… o certo p mim não é para os demais.

Vamos conviver em paz, respeitar a individualidade das pessoas, dos casais, mesmo não sendo nossa opinião. Vamos celebrar a vida, ter prazer nos encontros, evitar brigas ou assuntos pesados… queria q todos q puderem começassem a passear, viajar, praticar a leveza no dia a dia… quem quiser ir, voltar, sair, ficar, silenciar… siga seu coração… decida por si… não esperem permissão para serem felizes. Só quem pode nos autorizar somos nós mesmos…

– Américo, meu amor, tem me ensinado muito também… foi um ano terrível p nos… muitas concessões, ajustes… mas nosso amor tem aprendido a ser laço de fita, não e nunca NÓ… nos respeitamos, apoiamos, nos incentivamos mutuamente… se vc está estressado, volta da corrida, leve, com o sorriso mais lindo no rosto e só traz boas energias p mim. Não fala nada pesado, não fala de ninguém, sempre positivo, o melhor companheiro q eu poderia ter… meu amor! Muitas vezes discordamos, queremos coisas diferentes, mas aprendemos a respeitar a decisão do outro sem perder tempo tentando convencer a nossa maneira… acho q ganhamos mais amor e respeito!! Amor não é posse ou prisão, é liberdade e respeito…

Sei q ainda temos muito a aprender… mas acho q estamos no caminho, entre acertos e erros…

– tenho vontade de gritar, para todos que quero bem:

“Tomem as rédeas de suas vidas… viajem, namorem, comprem c responsabilidade o que lhes dá prazer… a vida é HOJE!! Só hoje!!! Viagens, comer num lugar gostoso, comprem a roupa bonita q querem…”

Não sabemos se viveremos até o futuro… se gozaremos da aposentadoria… se teremos saúde e ânimo p aproveita – lá!! Vivam, vivam, cada um é dono da sua trajetória…e a vida dará em troca, amor verdadeiro, grandes amigos q farão parte da família… e muito boas memórias…”

Mensagens Espíritas.

Fonte: Vinhas de Luz

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A Melancolia de Final de Ano e o Espiritismo

Simara Lugon Cabral

No final do ano é muito comum que algumas pessoas se sintam tristes e melancólicas, sem compartilhar da alegria que contagia parte da sociedade durante as festividades de Natal e do Ano Novo. No Centro de Valorização da Vida (CVV), uma organização não governamental que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, o número de ligações recebidas costuma aumentar em média 15% no mês de dezembro e os profissionais de saúde mental observam uma maior procura de pessoas com sintomas de depressão em seus consultórios. Neste ano de 2021 em especial, já que se vive ainda uma pandemia, a situação é ainda mais crítica, já que ele traz as consequências psicológicas após um longo período de isolamento social além do luto devido à perda de entes queridos enfrentados por tantas famílias, e por essa razão o final de ano pode ser ainda mais penoso que o habitual.

Não há data marcada no calendário para sentir-se triste ou feliz, isto depende do estado emocional do ser, que é influenciado por diferentes fatores dentre eles a perda de familiares ou amizades recentes, divórcio, falta de convívio social, perda de emprego, dificuldades materiais ou de saúde. Se a pessoa estiver enfrentando uma situação difícil em sua vida ela permanecerá entristecida e ela não terá o seu estado emocional alterado porque o final de ano chegou, independentemente de sua crença religiosa.

Algumas pessoas sentem-se cobradas pela sociedade a colocarem uma máscara de falsa alegria nesta época, o que pode ser ainda mais prejudicial para seu estado de espírito, visto que esconder as emoções não é o caminho mais adequado para curar as dores da alma. Aqueles que estão passando por momentos de tribulação tem todo direito de se ausentarem das comemorações de final de ano caso sintam-se desconfortáveis e seus familiares ou amigos devem procurar prestar apoio a quem não está bem, e não pressionarem a pessoa a agir de acordo com o que elas esperam ou desejam. A tristeza é um sentimento natural que faz parte da vida e deve ser respeitado, aceito e vivenciado. Porém, caso este estado evolua para uma depressão ou apatia é importante que a pessoa busque auxílio profissional pois a depressão é uma doença, e é mais grave do que sentir-se triste eventualmente.

Em um mundo de provas e expiações como a Terra é bastante comum que a melancolia esteja presente em algumas situações tais como o final de ano. Na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” François de Genéve recomenda: “(…) resisti com energia a essas impressões que enfraquecem vossa vontade. Essas aspirações a uma vida melhor são inatas ao espírito de todos os homens, mas não a procureis neste mundo. E agora que Deus vos envia seus Espíritos para instruir-vos sobre a felicidade que vos reserva, esperai pacientemente o anjo da libertação que deve ajudar-vos a romper os laços que mantêm vosso Espírito cativo. Pensai que, durante vossa prova na Terra, tendes uma missão a cumprir de que já não podeis duvidar, seja devotando-vos à vossa família, seja cumprindo os diversos deveres que Deus vos confiou. E se, no curso dessa prova, e quando estiveres desempenhando a vossa tarefa, virdes os cuidados, as inquietudes, os pesares precipitarem-se sobre vós, sede fortes e corajosos para suportá-las. Enfrentai-as francamente. Elas são de curta duração e devem conduzir-vos perto dos amigos que chorais; estes irão regozijar-se com a vossa chegada e estenderão os braços para conduzir-vos a um lugar onde os pesares da Terra não têm acesso.” Desta forma, compreende-se que a verdadeira felicidade não é deste mundo e que após cumprir com louvor as responsabilidades e objetivos da encarnação é que o Espírito alcançará uma felicidade relativa.

Além disso, o Natal e o Ano Novo não precisam ser vivenciados da mesma forma por todas as pessoas. Enquanto algumas sentem-se felizes e dispostas a comemorar de forma materialista através do consumo desenfreado, festas regadas à bebidas e drogas ou contrariando a recomendação de evitarem aglomerações inadequadas ao cenário pandêmico do país, outras podem preferir recolher-se em meditação, em oração ou buscam uma comemoração intimista e discreta apenas com seus familiares próximos e assim encontram a paz em seu coração. Cada um tem o seu livre arbítrio para decidir o caminho que deseja trilhar lembrando-se que arcarão com as consequências de suas escolhas.

Portanto para aqueles que tem sua família reunida ao redor de uma farta mesa nas noites comemorativas de final de ano lembrem-se de se solidarizarem com quem se encontra sozinho, com falta de recursos ou adoentado, auxiliando seja através de uma oração, um telefonema ou de seus recursos materiais, e aqueles que estão em situação aflitiva seja material, física ou emocional, recordem-se das palavras de Jesus em Mateus (5:4-8):“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.” Que todos alcancem a paz em seus corações neste final de ano e mantenham a esperança e a fé em Deus e no futuro, que certamente será próspero para aqueles que compreendem e cumprem as leis divinas.

Simara Lugon Cabral

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

  1. Bíblia Online. Disponível em: <bibliaonline.com.br>. Acessado em 11 de Dezembro de 2021.
  2. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo PDF (febnet.org.br). Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  3. É normal sentir tristeza ou depressão no fim do ano? Disponível em: <É Normal Sentir Tristeza ou Depressão no Fim do Ano? – Psicologia Explica>. Acessado em 11 de Dezembro de 2021.
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Prece: Uma Conexão com Deus

Ana Paula Januário

“A forma nada vale, o pensamento é tudo. Ore, pois, cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.”

(Allan Kardec – ESE-Cap. XXVIII)

Como consta no livro “A Prece Segundo o Espiritismo” por Allan Kardec:

“A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus. Quando oramos para outros seres, e não para Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem a vontade de Deus”.

O objetivo da prece é elevar nossa alma a Deus como consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, seja por meio de palavras ou do pensamento, realizada tanto em particular como em público. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele (KARDEC, 2008, questão 659).

Tendo em mente essas informações, a prece é sempre uma projeção do pensamento que estabelece uma corrente fluídica que depende do seu teor vibratório, ou seja, depende da vibração de quem ora. Acaba sendo refúgio, a calma, o reconforto para muitas pessoas aflitas, de corações magoados. Quem nunca fez uma oração direcionada a Deus, ou a Jesus, o Cristo, ou, ainda, para nosso Espírito Protetor, nosso Anjo da Guarda? Nesses momentos sabemos que podemos contar com eles, sabemos que estamos sendo ouvidos e no momento certo no santuário da consciência, uma voz secreta responde: É a voz dAquele donde dimana toda a força para as lutas deste mundo, todo o bálsamo para as nossas feridas, toda a luz para as nossas incertezas. E essa voz consola, reanima, persuade; traz-nos a coragem, a submissão, a resignação estóicas. E, então, erguemo-nos menos tristes, menos atormentados; um raio de sol divino luziu em nossa alma, fez despontar nela a esperança (DENIS, 2005).

Devemos lembrar que sempre podemos ter esse momento íntimo com Deus, dirigir a palavra e adquirir a tranquilidade para aquele momento, seja em casa, na rua ou dentro de um centro espírita. Não importa o local na qual se encontre, a prece faz com o ser entre em comunhão com Deus a fim de receber seu auxílio e proteção.

Em consequência disso, vale lembrar que não necessitamos utilizar palavras pomposas, ser formal para realizar uma prece. Como consta na coletânea de preces espíritas do Evangelho Segundo o Espiritismo no capítulo XXVII:

“A principal qualidade da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos que não são enfeites de brilho falso. Cada palavra deve ter a sua importância, revelar uma ideia, movimentar uma fibra: uma palavra, deve fazer refletir; só com essa condição, a prece pode alcançar o seu objetivo, de outro modo, não é senão ruído. Vede também com que ar de distração e volubilidade elas são ditas na maioria das vezes; veem-se lábios que se movimentam, mas, pela expressão da fisionomia e mesmo o som da voz, reconhece-se um ato maquinal, puramente exterior, ao qual a alma permanece indiferente”.

Em consequência disso, a prece também não deve ser uma ação engessada, repetir palavras, fórmulas determinadas, um movimento mecânico de lábios. A prece é vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder (XAVIER, 2004).

Como sempre falamos, Deus que é justo e misericordioso, nunca deixa uma prece sem resposta. Devemos ter em mente que uma oração, filha do amor, não é apenas uma súplica, é comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos (XAVIER, 2004). Portanto, manter um hábito constante e diário para realizar uma prece a Deus e nossos amigos espirituais, é de suma importância para saúde, principalmente mental. Além de atrair o auxílio de espíritos benfeitores que vem nos sustentar e inspirar-nos bons pensamentos, sejam eles através da intuição ou da inspiração.

Quando oramos temos a capacidade de emitir vibrações mentais que acabam se espalhando pelo ambiente por meio das correntes do pensamento e emitindo o bem para nossos semelhantes.

Dessa forma, que a cada dia possamos colocar em prática essa ação, possamos entrar em contato com Deus e perceber a eficácia, efeitos e resultados obtidos, como citar Chico Xavier no livro Missionários da luz pelo espírito André Luiz:

“Os […] raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência. Toda prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de energias da Divindade”.

Ana Paula Januário

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

Centro Espírita Nosso Lar: O poder da Prece, 2019. Disponível em:  https://nossolarfraiburgo.com.br/o-poder-da-prece-2/ Acesso em 30 nov. 2021.

DENIS, Léon. Depois da morte. Tradução de João Lourenço de Souza. 25. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Quinta parte, cap. 51 (A Prece), p. 295.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008. 214 p.

KARDEC, Allan. A prece segundo o espiritismo. 1. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2016.

XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 38. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Cap. 6 (A oração), p. 83 e 84

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O debate sobre ciência e espiritualidade no mundo

Por Eliana Haddad

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Um simpósio reunindo os maiores líderes em pesquisa sobre espiritualidade e saúde mobilizou, agora em setembro, quase 700 pessoas de diversos pontos do mundo, interessadas na discussão dos estudos científicos sobre o tema, especialmente as implicações para a saúde, para a compreensão da consciência e da natureza humana. O evento foi realizado virtualmente pelo Nupes – Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora – e coordenado por seu diretor, o professor de psiquiatria Alexander Moreira-Almeida. Convidado a falar sobre esse momento significativo, envolvendo ciência e espiritualidade, Alexander nos concedeu esta esclarecedora entrevista.

 

O que muda na ciência com as descobertas sobre a relação saúde e espiritualidade?

Muda muita coisa. O primeiro ponto é sobre duas ideias que existiam com certa frequência no ambiente científico: que a espiritualidade e a religiosidade não seriam importantes no mundo moderno, e que teriam um impacto negativo sobre a saúde. Entretanto, os achados atuais dizem exatamente o inverso: a imensa maioria da humanidade possui uma religião, 84%, e mesmo dos 16% restantes, a grande maioria possui alguma forma de espiritualidade. Hoje, há milhares de estudos evidenciando que maiores níveis de envolvimento religioso e espiritual estão geralmente associados a melhor saúde. Então, o que muda? A ciência reconhece que esse é um tema relevante na atualidade, e, do ponto de vista da prática clínica, nós, profissionais de saúde, médicos, psicólogos, enfermeiros, precisamos levar em consideração a espiritualidade do paciente, já que ela impacta no modo como o paciente lida com a doença e até mesmo na evolução do seu quadro clínico.

Há muitas pesquisas sobre a existência da consciência fora do corpo. Em que etapa estamos para a mudança do paradigma materialista?

Desde meados do século 19, há pesquisas, do ponto de vista científico, sobre a possibilidade da consciência, da mente, existir fora do corpo. Ou seja, ela não seria apenas um fruto da atividade do cérebro, onde, morrendo o cérebro, morreria a consciência. Na realidade, há uma ampla gama de pesquisas sendo desenvolvidas. Por exemplo, pesquisas de experiência de quase-morte. Em situações de parada cardíaca, em que o cérebro não está mais funcionando por não ter mais oxigenação e circulação sanguínea, e que, apesar disso, o paciente está lúcido, conseguindo descrever depois situações que aconteceram durante o momento da parada cardíaca. Também há experiências mediúnicas em que as pessoas produzem informações compatíveis com uma pessoa falecida, informações e habilidades, como poesia, por exemplo, a que o médium não teria acesso. Crianças pequenas que alegam possuir lembranças de vidas passadas e, muitas vezes, lembranças bastante precisas, para as quais também não se identifica um modo pelo qual elas poderiam ter tido acesso a essas informações. São algumas das pesquisas mais estudadas atualmente e que nós também estamos investigando aqui no Nupes.

É possível citar Kardec como teoria para explicar ao meio acadêmico os fenômenos anímicos ou mediúnicos?

O que o meio acadêmico pode fazer é analisar vários modos como as pessoas lidaram e como tentaram explicar os fenômenos espirituais. Assim, academicamente, pode-se estudar Kardec e o próprio espiritismo, como uma tentativa — como Kardec se propunha — de explorar, baseado em evidências, a espiritualidade. Qualquer outra pessoa que tenha proposto modos de se abordar o tema pode e deve ser investigada.

Qual o impacto do estudo sobre espiritualidade nos estudantes de medicina?

Os estudantes de medicina de um modo geral recebem de forma muito positiva esses estudos, embora a maior parte dos estudantes da área da saúde não receba nenhum tipo de treinamento nesse campo, o que seria muito importante. Hoje, há diretrizes, por exemplo, da Associação Mundial de Psiquiatria, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomendando o estudo e até a inclusão de treinamento dos profissionais de saúde sobre aspectos da espiritualidade. Isso porque faz parte de uma compreensão mais ampla do indivíduo, e, é claro, quando eu levo em consideração a espiritualidade, não estou negando os aspectos biológicos, psicológicos e sociais. O que nós defendemos é uma abordagem biopsicossocioespiritual, ou seja, que contemple todas as dimensões do ser humano.

O Nupes realiza várias pesquisas sobre espiritualidade. O espírito, afinal, é da alçada de qual ciência?

Depende de qual é a ideia em termos de espírito ser da alçada da ciência. Se eu entender como espírito a noção da mente, aquilo que nós sentimos, ou somos interiormente, ele pode ser investigado cientificamente, especialmente quando tiver implicações empiricamente verificáveis, ou seja, há consequências que podem ser investigadas. Por exemplo, uma experiência fora do corpo, dentro de uma experiência de quase-morte. Não vai ser possível medir e ver se realmente tem uma consciência ou um espírito fora do corpo. Mas pode haver consequências empiricamente verificáveis. Ou seja, a pessoa volta da parada cardíaca, descreve o que aconteceu e você pode estudar o impacto dessa vivência sobre o indivíduo e até o grau de precisão das informações que o indivíduo traz. Do mesmo modo, uma criança que refere a vidas passadas. Você não tem como acompanhar um espírito de uma vida pra outra, mas você pode ver o que essa criança relata, como ela poderia ter acesso às informações, se elas são verídicas ou não. Neste aspecto, sim, o espírito seria indiretamente passível de avaliação pela ciência. Mas, lembrando, a ciência é um dos aspectos, a filosofia e a própria religião são outros modos de explorar as experiências espirituais.

O conhecimento do espiritismo contribui para as pesquisas em psiquiatria na atualidade?

O espiritismo tem uma relação muito importante com a psiquiatria desde o começo. Primeiro, chamando a atenção para a importância da dimensão espiritual para a saúde do indivíduo, e hoje em dia esse é um assunto bem aceito. Também o espiritismo foi um grande responsável pela criação de hospitais psiquiátricos em nosso país, para prestar assistência a pessoas portadoras de transtornos mentais graves. Inclusive, essa é uma das características do desenvolvimento da psiquiatria no Brasil. Que eu tenha notícia, em nenhum outro país do mundo fundaram-se hospitais psiquiátricos espíritas, e no Brasil existiram dezenas deles, muitos ainda em atividade. Um outro ponto também importante da contribuição do espiritismo foi chamar a atenção para a realidade dos fenômenos espirituais, como a própria mediunidade, para que os cientistas pudessem compreender melhor a mente humana. O conceito científico que nós temos de uma mente inconsciente surgiu em grande parte em estudos na Europa sobre médiuns em situações de transe, por exemplo.

Que papel o Brasil vem desempenhando no campo da ciência com as pesquisas e descobertas acadêmicas sobre a espiritualidade?

O Brasil atualmente é um protagonista importante no mundo na área de pesquisas em espiritualidade e saúde. Na ciência como um todo, o Brasil ocupa o 13º lugar em número de artigos científicos publicados em bases internacionais.  Enquanto que no campo da espiritualidade e saúde, está entre o 5º e o 6º lugar, ou seja, é um dos países que mais produz academicamente sobre o assunto. São pesquisas na área da medicina, na psiquiatria especialmente, também no campo da enfermagem e psicologia. Assim, temos colaborado, investigando, mostrando que os achados de pesquisas em populações europeias e americanas, por exemplo, se aplicam no Brasil, e sobre as especificidades e as experiências religiosas que existem em nosso país.

O Nupes também coordena o Projeto Allan Kardec na UFJF. Isso pode sugerir que o meio acadêmico esteja se abrindo mais ao espiritismo como ciência?

O projeto Allan Kardec na UFJF tem grande importância porque Allan Kardec é provavelmente o pensador francês de maior influência no Brasil, o autor com mais livros vendidos aqui, são dezenas de milhões de exemplares, influenciando milhões de pessoas. Infelizmente, no meio acadêmico, há muito pouco estudo sobre Allan Kardec em si. E uma das grandes lacunas era justamente a falta de fontes primárias, ou seja, de documentos, manuscritos de Kardec. Felizmente, a partir de parcerias com diversas instituições, o Projeto Allan Kardec da UFJF tem disponibilizado dezenas de manuscritos e outros documentos pessoais dele, em português e em francês, para que, tanto o público em geral quanto o público acadêmico possam estudar e investigar com mais detalhes a sua vida, a sua obra, como ele elaborou o espiritismo e o seu consequente impacto.

O Simpósio Ciência da Espiritualidade, realizado em setembro, contou com a participação dos sete maiores pesquisadores sobre o tema no mundo. Como você avalia o interesse pelo espírito fora do Brasil?

Sim, nós ficamos muito felizes. O Simpósio Ciência da Espiritualidade, que celebrou os 15 anos do Nupes, do nosso grupo de pesquisa na UFJF, contou com quase 700 participantes de 18 países, mostrando um grande interesse internacional sobre o tema, tanto no meio acadêmico, quanto no público em geral, para a temática das pesquisas em espiritualidade. Mas eu ainda acho que, no Brasil, temos uma abertura ainda maior, um potencial de avançar e de colaborar cada vez mais nesse sentido. Ainda falando sobre o interesse internacional sobre o assunto, as maiores universidades do mundo têm centros de pesquisa em espiritualidade e ciência, como, por exemplo, Harvard, Cambridge e Oxford.

Quais os entraves enfrentados para levar para o debate acadêmico um tema que para nós já é tão evidente?

Para dizer a verdade, acho que existem menos barreiras do que eu imaginava. Nessa área, o rigor científico exigido é ainda maior. Um dos problemas frequentes está no interior do campo. Muitas vezes, as pesquisas não são tão boas na questão da qualidade, sendo desenvolvidas mais pelo entusiasmo ou pela fé do que pelo rigor científico. Isso é um grande problema nessa área, porque a meta das pesquisas não deve ser uma questão de proselitismo, de provar a qualquer custo uma ideia, mas de estudar cuidadosamente a realidade, buscar a verdade, seja ela qual for, com o máximo de rigor e prudência.

Também há problemas externos, um deles é o que nós chamamos de cientificismo materialista. É a ideia equivocada de que o estudo científico da matéria seria capaz de explicar tudo o que existe, e que tudo o que existe estaria restrito à matéria, a forças ou partículas físicas. Essa crença, que muitas vezes se transforma num dogma, faz com que as pessoas excluam a priori, qualquer possibilidade de existência, por exemplo, da consciência extrafísica, considerando isso necessariamente uma superstição ou algum erro científico ou metodológico. Para combater esse equívoco é preciso mostrar — como já é muito bem reconhecido na área da filosofia e entre os pesquisadores de qualidade — que o fisicalismo (pensar que tudo o que existe é matéria), é uma crença, é uma metafisica, não é um fato científico e que não é necessário assumi-lo para realizar a ciência. Na realidade, a maioria dos fundadores da ciência moderna e muitos dos principais líderes da ciência atual não aceitam o fisicalismo.

Vários estudos já demonstram que pessoas envolvidas com religiões e espiritualidade tendem a viver mais, a apresentar menores índices de depressão, a lidar melhor com as adversidades. Qual o próximo passo? O que esperar do futuro?

Não há mais dúvidas sobre o impacto da espiritualidade sobre a saúde. Um dos desafios práticos agora é ensinar aos profissionais de saúde como abordar este tema de modo ético e baseado em evidências, jamais impondo visões, crenças, mas levando em consideração o que o paciente vivencia. Outro grande desafio é a abordagem efetiva das experiências espirituais. São elas que geram as crenças espirituais. Devemos estudar com mais detalhes essas experiências, as suas características e até mesmo a sua origem, até quanto elas podem indicar efetivamente esse lado extramaterial do ser humano.

Saiba mais sobre o tema: TV NUPES (www.youtube.com/nupesufjf), e site do NUPES (www.nupes.ufjf.br).

Temas das pesquisas atuais no NUPES:

Perfil das experiências quase-morte no Brasil

Religiosidade/espiritualidade em uma amostra nacional de psicólogos brasileiros

Experiências de final de vida e seu impacto no processo do morrer

Espiritualidade, religiosidade e felicidade em crianças

Levantamento nacional de casos sugestivos de reencarnação na população brasileira

Possibilidade de investigação científica da sobrevivência pós-morte da consciência na filosofia contemporânea

Obtenção anômala de informações em estados de transe

Contribuições epistemológicas e metodológicas da Society for Psychical Research para a pesquisa da sobrevivência da consciência Exoma (genética) de médiuns

– Fonte: correio.news

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Possessão e Obsessão

Marco Milani

Apesar de naturalmente compreensível para os estudiosos do Espiritismo, pode parecer estranho àqueles que não se aprofundaram adequadamente no tema as seguintes afirmações: Possessão é um fenômeno possível e este não é, invariavelmente, uma obsessão.

Este entendimento requer uma consulta criteriosa à Codificação, pois se trata de assunto que o próprio Kardec revisou durante sua obra e, diante de fatos, desenvolveu o sentido que aparentemente havia firmado desde 1857 n’O Livro dos Espíritos (LE). Somente a partir de 1863, na Revista Espírita, o Codificador reviu o conceito de possessão, admitindo a sua existência não mais como subjugação, mas em seu sentido exato. Sobre o caso verificado da Srta. Julie (RE – Dez/1863), Kardec se expressou da seguinte maneira:

“Temos dito que não havia possessos (ver LE-473, por exemplo) no sentido vulgar do vocábulo, mas somente subjugados. Voltamos a esta asserção absoluta porque agora nos é demonstrado que pode haver verdadeira possessão, isto é, substituição, posto que parcial, de um Espírito errante a um encarnado.”

Kardec, como pesquisador sério e responsável, retomou um conceito que ele, inicialmente, considerava já definido, mas que se evidenciou, através de fatos comprovados e pelo crivo racional, com diferente acepção. Este é um exemplo do dinamismo da Doutrina, que só pode ocorrer quando validado pela razão e demonstrado irrefutavelmente.

Para melhor diferenciação, devemos conceituar estes termos conforme encontramos n’A Gênese (GEN – Cap XIV – itens 45 a 49):

a) Obsessão é a ação persistente que um mau Espírito exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, desde a simples influência moral sem sinais exteriores sensíveis até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

b) Possessão é a ação que um Espírito exerce sobre um indivíduo encarnado, substituindo-o temporariamente em seu próprio corpo material. Esta ação não é permanente considerando que a união molecular do perispírito ao corpo opera-se somente no momento da concepção.

A diferença no processo de comunicação entre os fenômenos de psicofonia e de possessão também pode ser evidenciada. No primeiro, o Espírito comunicante transmite seus pensamentos ao encarnado e este se encarrega de retransmitir conforme seus próprios recursos; no segundo caso, é o próprio desencarnado que se serve (apossa-se) diretamente do corpo material e transmite a sua mensagem (o Espírito encarnado afasta-se, mas ainda permanece ligado ao seu envoltório físico).

Esclarecendo objetivamente que a possessão pode ser promovida por um Espírito bom, encontramos (GEN – Cap. XIV – item 48):

“A obsessão sempre é o resultado da atuação de um Espírito malfeitor. A possessão pode ser o feito de um bom Espírito que quer falar e, para fazer mais impressão sobre os seus ouvintes, toma emprestado o corpo de um encarnado, que este lhe cede voluntariamente tal como se empresta uma roupa. Isto se faz sem nenhuma perturbação ou incômodo e, durante este tempo, o Espírito se encontra em liberdade como num estado de emancipação e frequentemente se conserva ao lado de seu substituto para o ouvir.”

Obviamente, a possessão também pode ocorrer através de um Espírito malfeitor e neste caso caracteriza-se um processo obsessivo. Assim ocorre quando a vítima não possui força moral para resistir à agressão e é obrigada a afastar-se temporariamente de seu corpo (obs: mais uma vez é importante ressaltar que nestes momentos a vítima permanece ligada ao corpo, mas sem o seu domínio).

Considerando o presente nível moral da humanidade não é de se estranhar que há muito mais casos de possessões obsessivas do que aquelas com finalidades edificantes.

O Espiritismo, mais uma vez, lança luzes sobre males ainda considerados pelas ciências materialistas como de causa patológica. Não descartando esta possibilidade (anormalidade orgânica) a Doutrina Espírita faz conhecer outras fontes das misérias humanas, mantidas pela fragilidade moral dos seres. Inteligência e Amor são as armas para se combater desequilíbrios.

Geralmente se referem a experiências individuais (como a da Srta. Julie, citada anteriormente) mas Kardec também relata ocorrências de possessão coletiva (ver RE – 1862/63 – casos em Morzine e Tananarive).

Assim, contribuindo para o real entendimento deste processo, devemos distinguir os fenômenos de possessão e obsessão. A possessão ocorre e pode ser boa ou má; a obsessão sempre é má. Portanto, nem toda possessão é obsessão.

Marco Milani

Fonte: Agenda Espírita Brasil

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