Jesus Cristo, Luz do Espiritismo

Artigo Jesus Luz do Espiritismo

André Barreto Lima

A mais de dois mil anos Jesus veio a terra como o filho enviado por Deus para trazer à humanidade a mensagem de paz que pudesse transformar os corações humanos, servindo como o cordeiro oferendado para salvar a humanidade de seus pecados (já que àquela época, era através das oferendas que se encontrava perdão divino). De lá para cá, sua mensagem foi assimilada por muitos, que mudaram a forma de viver nesse planeta, bem como deturpada por outros, que a utilizaram como forma de domínio e de poder.

Naquele tempo, Jesus trazia em sua missão a implantação do amor nos corações humanos para transformá-los tornando-os pessoas melhores rumo ao objetivo da evolução espiritual, contudo, ainda falava por parábolas, conforme deixa claro o Evangelho Segundo o Espiritismo nas lições de Kardec, Allan (p.214, 1978).

Ou seja, àquela época, a humanidade ainda não estava preparada para compreender conceitos existenciais importantes e se ditos naquele momento, não seriam interpretadas como deveriam ser, deturpando a ideia central do que é a vida neste mundo em virtude do arraigado materialismo existencial daquela época.

Assim, muitos anos depois, com as evoluções tecnológicas, culturais e sociais, quando o homem sai da época da barbárie da antiguidade primitiva, avança pela época das convicções próprias medievais, adentra a evolução modernista, tem-se um ser humano ao menos preparado para ouvir e saber interpretar melhor o que é realmente a vida eterna e o seu objetivo neste planeta. Muitos vieram após Jesus para lapidar sua mensagem conforme a lei de amor e, por fim, surge a Doutrina Espírita.

Ainda incipiente, o Espiritismo claudica pela ceara da fenomenologia quando o professor francês Hippolyte Leon Denizard Rivail, que se intitulava Allan Kardec aprimora o entendimento empírico da nova doutrina partindo da análise do curioso fato das mesas girantes, que virou uma febre em Paris à época de meados do século XIX, analisando friamente o que poderia explicar tal fenômeno partindo das teorias basilares da física e de outras áreas do conhecimento. Surgem as comunicações espíritas, através da transmissão mediúnica nas quais um médium intermedeia o processo comunicativo servindo de meio pelo qual os espíritos expressam suas mensagens do mundo espiritual aos encarnados.

Mas o que as obras literárias do Professor Hippolyte poderiam ter em comum com a mensagem de Jesus Cristo que já há séculos pregava o amor como fonte de transformação da humanidade? O fato é que a doutrina espírita inicialmente elucidou a humanidade acerca das realidades do mundo espiritual, demonstrando que a vida terrena é passageira representando um átomo de tempo frente a real vida, a espiritual, e que aqui viemos para resgatar débitos ou enfrentar desafios para que possamos evoluir moralmente e para galgar vivenciar em mundos mais evoluídos que este, despojados de aspectos primitivos.

Fincada nos pilares da religião, ciência e na filosofia, a doutrina espírita apresenta-se inicialmente sobre as obras do pentateuco de Allan Kardec sendo composta por: O livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, A Gênese, O Céu e o Inferno e após seu desencarne, publicou-se o livro Obras Póstumas.

Editado no ano de 1857, com 501 perguntas, o Livro dos Espíritos representou uma verdadeira revolução para a sociedade francesa daquela época, tendo, em 1860, uma segunda reedição, tornando-se esta definitiva, com 1018 perguntas. O materialismo ainda era exacerbado, contudo as verdades espíritas não tardaram a ganhar campo e conquistar a atenção de muitos.

Kardec utilizou-se do método empírico para, através da intervenção mediúnica, interrogar os espíritos acerca de diversos temas, desde quem é Deus até o que é o paraíso e o purgatório para criar o corpo da doutrina espírita, confirmando as respostas apresentadas por espíritos sérios através da identidade moral apresentada pelos mesmos, bem como da repetição uniforme de informações em outras mesas mediúnicas pelas psicografias mediúnicas que já se espalhavam incontrolavelmente mundo afora.

Mas o que a obra tem com os ensinamentos de Jesus? Como exemplo, na pergunta 149 do Livro dos Espíritos (p.76, 2009), Kardec questiona os espíritos “Em que se torna a alma no instante da morte?” o que prontamente é respondido: “- volta a ser Espírito, quer dizer, retorna ao mundo dos Espíritos, que deixou momentaneamente”.

Elucidando que alma é a condição temporária na qual o espírito se encontra quando encarnado em um corpo material neste ou noutro planeta, e que este espírito interliga-se através do períspirito ao corpo material, tem-se na explicação dada, prova cabal da efemeridade da vida terrena e que quando dela partimos voltamos à vida real, a do no mundo espiritual, recordando de quem realmente somos e de todas as nossas vivências neste mundo ou por onde já passamos através dos séculos, uma vez que somos eternos.

Nesse sentido, Jesus Cristo, em sua mensagem de amor, buscando elucidar a humanidade sobre a necessidade de reformar seus atos e a maneira de enxergar a vida à luz do amor ao próximo, já dizia que “Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”, elucidando acerca da necessidade do homem se remodelar moral e sentimentalmente, vendo o mundo de outra forma, se assim quer chegar ao reino de Deus, ou seja, a evolução de si. Mais adiante, no Evangelho Segundo o Espiritismo (p. 45, 1978), em seu Capítulo IV o Mestre reforça o exposto.

Deixando assim, mais do que comprovada à vida após a morte corporal e que é com a evolução que o homem se despoja do arraigado desejo material sublimando para uma visão menos grotesca acerca da sua própria existência e que se nos aproximamos mais da matéria, em seus diversos sentidos, estamos mais afastados de valores como o respeito ao próximo, amor incondicional, perdão, o entendimento da necessidade das dificuldades como forma de equilibrar o universo livrando nossa consciência do remorso retardatário das obras malfazejas de outrora bem como meio de superar desafios capazes de testar nossa aptidão para suportar a dor e os sofrimentos.

Ao Estudar o Evangelho segundo o Espiritismo, é cabível explicitar àqueles que não acreditam em Jesus e questionam-se o motivo pelo qual leem este artigo, que Jesus mais do que qualquer coisa foi um Fato na história da humanidade. A ciência história marcou a linha do tempo da história da humanidade como Antes e Depois do Cristo, havendo uma contagem de tempo do ano zero para trás e do ano zero para frente, ou seja, é uma comprovação científica e didática passada a todos ao longo dos séculos no aprender da história geral nada tendo a se questionar se Jesus realmente existiu ou não.

Durante sua breve passagem neste planeta, no cumprir de sua missão, Jesus não se dedicou a propagar sua mensagem através da escrita – O tempo era curto, ficando essa tarefa para seus evangelizadores e apóstolos que assimilavam seus ensinamentos doutrinários e os imortalizavam através das escrituras cristãs.

É apropriado ressaltar que antes de Cristo, o velho testamento já trazia a mensagem de Deus para reformar a humanidade, mas era um Pai vingativo e penalizador, pois a humanidade precisava do “chicote” para ser obediente como uma criança mal educada; já nas novas escrituras, após Jesus, o real Deus é apresentado como benevolente e que busca o equilíbrio universal.

O Evangelho segundo o Espiritismo é justamente o aproveitamento das Leis Morais apresentadas no Evangelho de Jesus à luz dos ensinamentos da nova Doutrina, assim, tem-se passagens na citada escritura que apresentam e que elucidam a vida espiritual como eterna demonstrando a efemeridade da vida carnal, é o exemplo claro do Capítulo IV (pag. 51, 2010) em que é questionada se a encarnação é uma punição aos espíritos culpados o que prontamente é respondido: “a encarnação não é senão um estado transitório; é uma tarefa que Deus impõe como primeira prova do uso que farão de seu livre arbítrio”.

O próprio Cristo demonstrou através da sua ressurreição que a vida carnal é temporária, ressuscitando para o Divino, e que a vida real é aquela que estamos despojados da matéria, cumprindo sua missão ao ser crucificado.

Após a escrita do Livro dos Espíritos e com a disseminação dos fenômenos mediúnicos por várias partes do mundo através da psicografia, psicofonia, clarividência, inspirações e até o que se chamava paranormalidade a ciência espírita já tinha seu corpo formado e suas bases alicerçadas, mas o trabalho não parou e as obras foram complementando-se para dar continuidade ao edificante trabalho elucidador.

Assim, o livro dos médiuns, ou guia dos Médiuns e dos Evocadores vem esclarecer os gêneros e formas de comunicação com o mundo invisível no ano de 1861 em Paris. Observemos que em determinado trecho da obra, mais precisamente em seu Capítulo XIV, (p. 145, 1987) é questionado se certas pessoas possuem verdadeiramente o dom da cura pelo simples contato, sem o emprego dos passes, e a resposta é que sim.

Não precisamos aqui elencar a quantidade de milagres realizados por Jesus a mais de dois mil anos, mas citamos o caso em que uma mulher fora curada somente ao tocar seu manto com base em sua fé, quando o Mestre responde-lhe “a tua fé te curou”, ou seja, a doutrina espírita, está intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Jesus que foram transmitidos àquela época de outra forma em virtude do desenvolvimento e da cultura daquele tempo. Hoje, é tida como a boa nova trazida para consolidar o que já fora apresentado por Jesus.

A Gênese representa a continuidade da evolução da doutrina espírita, publicada em 1868, reflete temas relativos à origem do universo, o esboço geológico da terra desde períodos primitivos ao nascimento do homem, milagres, fluidos, dentre outros temas mais. Em São Mateus, Cap. XXIV, v.35, a mensagem de Jesus é clara ao dizer que “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”, ou seja, mesmo que a terra sofra as evoluções sociais, culturais e estruturais com o passar do tempo, a palavra de Jesus sempre existirá reformando os conceitos morais da humanidade.

E com o homem sempre se rendeu à matéria, até mesmo na forma de adorar a Deus, ou aos deuses nas sociedades politeístas, com a adoração de imagens ou oferendas, inclusive de sangue, os milagres visivelmente realizados ao longo da jornada de Jesus neste planeta foram umas das formas de demonstrar sua autoridade moral e espiritual frente àqueles espíritos em estágio de evolução.

Mas os milagres realizados são fruto da evolução de Jesus, que caminhava ao ápice da evolução espiritual, sabendo bem como atuar com as energias empregando-as para o bem, quando aqui encarnado. Reflexo do exposto, a Gênese (1992, p.192) demonstra que as curas podem se dá ela pele utilização do próprio fluido do magnetizador, pelo fluido de espíritos agindo diretamente sem intermediário, como também pelos fluidos que os espíritos despojam sobre o magnetizador e ao qual este serve de condutor.

Em 1º de agosto de 1865 o professor Rivail brinda o movimento espírita com a obra O Céu e o Inferno, ou, A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, nessa obra observa-se um exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corpórea, a vida espiritual, as penalidades e recompensas futuras, os anjos e os demónios, dentre outros temas.

Não poderia passar despercebido, o nexo existente entre essa tão importante obra com a presença de Jesus em nosso planeta encarnado. Quando aqui veio, deixando sua mensagem de amor ao próximo, perdão e substituição dos sentimentos obscuros por sentimentos puros que possam elevar o ser humano a uma condição moral que o livre do ódio, ambição o egoísmo, dentre outros perniciosos sentimentos, o Cristo demonstrou que através do sofrimento que aqui passamos alcançamos a redenção renunciando a maldade com o aprendizado imposto seguindo para as esferas espirituais mais elevadas dando passos importantes para a elevação espiritual.

Em O Céu e o Inferno (2009, p.309), pode-se observar a comunicação advinda do mundo espiritual trazida por Annaïs Gourdon, uma jovem mulher notável pela sua doçura de caráter, bem como qualidades morais, falecida ao findar de 1860. Ela pertencia a uma família de trabalhadores de minas de carvão e fora evocada a pedido do pai e do marido, e assim prossegue em sua comunicação:

“P.- Por que foste arrancada tão cedo ao convívio da família?

 R.- Porque minhas provas terrestres chegaram ao fim.

 P.- Sois felizes como espírito?

– Sou feliz. Amo e espero; os céus não constituem terror para mim e aguardo, confiante e com amor, que as brancas asas me conduzam até eles.

 P.- Que entendeis por essas Asas?

 R.- Entendo tornar-me espírito puro e resplandecer com o os mensageiros celestes que me deslumbram.”

A comunicação realizada séculos após a partida de Jesus, demonstra de forma patente o que seu exemplo deixou para a humanidade acerca das penas e sofrimentos, aprendizado e resignação, evolução para o mundo espiritual. Mas nem todos chegam a esse patamar e muitas vezes penam por encarnações sucessivas até alcançarem o aprendizado.

Após o desencarne do mestre Rivail, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas reuniu, em 1890, uma compilação de estudos do codificador editando esta obra. Em mencionada seleção (2007, p.64) podemos visualizar com o passar dos tempos a adequação à doutrina de Jesus à realidade espírita.

Tem-se ali no §VII a referência às obsessões e a possessões, onde aquela representa a influência que os desencarnados exercem sobre os encarnados através de suas energias – que se adequam ao padrão vibratório do encarnado – e direcionamentos mentais para o mal enquanto que esta se refere ao mais alto nível de subjugação que um espírito pode exercer sobre um encarnado, muitas vezes comandando-o como uma marionete que não consegue sequer se controlar .

Aqui a referência faz-se importante, pois por diversas vezes ao retirar-se ao deserto, Jesus Cristo foi tentado pelo “Diabo” como uma forma de o obsidiar a seguir outro caminho e deixar sua missão (Mateus 4: 1-11) .

Desta forma, conclui-se que a doutrina do Mestre Jesus Cristo fincou-se em diversos ensinamentos que mudaram o rumo da humanidade, ou pelo menos de uma parcela considerável da mesma, e, quando evoluída, a sociedade foi esclarecida acerca das verdades espirituais através da Doutrina Espírita, contudo, observa-se que mesmo apresentando seu lado Cientifico e também Filosófico, o Espiritismo tem suas bases alicerçadas na doutrina de Jesus e é por isso que tem autoridade moral e é fincada em fatos comprovados perdurando até os tempos de hoje esclarecendo mais e mais seguidores.

 André Barreto Lima

Fonte: Portal do Espírito

REFERÊNCIAS:

BIBLIA de Jerusalém. 3. imp. São Paulo: Paulus, 2004.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2010, IDE – Instituto de Difusão Espírita – SP

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 2010, IDE – Instituto de Difusão Espírita – SP

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 2008, IDE – Instituto de Difusão Espírita – SP

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. 2009, FEB – Federação Espírita do Brasil – RJ

KARDEC, Allan. A Gênese. 2012, IDE – Instituto de Difusão Espírita – SP

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 2007, LAKE – Livraria Allan Kardec Editora – SP

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A sociedade desatenta

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Por Umberto Fabbri

Somos seres sociais e dependemos uns dos outros. Nos últimos tempos, nunca foi tão importante ter consciência deste fato quanto agora.

Na questão 767 de O livro dos espíritos, os benfeitores espirituais afirmam que vivemos em sociedade para atingirmos o progresso nos auxiliando mutualmente, e fica claro que esse progresso é conquistado no convívio social, onde aprendemos e ensinamos o tempo todo, uma vez que nenhum homem dispõe de todas as faculdades, e é pela união social que nos completamos para construirmos o desenvolvimento material e espiritual.

O primeiro grupo social é a família. É em seu seio que somos recepcionados e obtemos novas oportunidades de aprendizado moral, de educação para a convivência social. Infelizmente, ainda desatenta, uma grande parcela dos pais não compreende que os valores exemplificados e vividos dentro do lar: o respeito às pessoas, às diferenças, ao meio ambiente; o afeto, a fraternidade, o perdão, a aceitação, a disciplina, a humildade, a honestidade, a paciência, a solidariedade e a tolerância impactam diretamente nossas crianças, que tendem a repetir em sociedade o que recebem dentro do lar e que, desprovidos destes valores, perpetuarão os erros da violência, do desrespeito, do egoísmo, da corrupção, da fome, do desamor, não elevando nosso planeta Terra ao tão sonhado mundo de regeneração.

Desatentos à realidade de causa e efeito, persistimos no erro, desejando resultados diferentes, esquecendo que um mundo é considerado em regeneração quando a grande maioria de sua população se esforça por regenerar-se.

Nas grandes crises, faz-se urgente o sentido de coletividade, a consciência de que, metaforicamente, a sociedade é um grande organismo, constituído de células, e que quanto mais células adoecem, mais comprometido o todo, o organismo.

Vivendo esta pandemia há mais de um ano, já podemos perceber que o contágio pelo vírus e, por conseguinte, a morte, a fome, a dor, a insegurança, o medo, a ansiedade, ronda nossas vidas sem data prevista para acabar. Todavia, o contágio mais pernicioso é o da falta de sentido do coletivo, pois quando descumprimos as orientações sanitárias, motivamos que outros sigam nossos passos, agravando o quadro social e pandêmico.

Segundo Emmanuel, na lição 76 do livro Fonte viva*, “um pouco de fermento leveda a massa toda”, ou seja, nossos pensamentos, atos, comportamentos, estimulam ações semelhantes com quem convivemos, seja pessoalmente, virtualmente, ou ainda espiritualmente. Todavia, desatentos, fomentamos nos outros a negatividade com atitudes egoístas, precipitadas, irresponsáveis, quando é perfeitamente possível estando vigilantes, estimularmos a positividade da fraternidade, da renúncia, da responsabilidade, da caridade e amor ao próximo.

Quando Jesus nos ensina sobre a importância do amor, inclui a necessidade de desenvolver o amor ao próximo para conquistarmos o reino divino. Na lição 71, Emmanuel reforça este ensinamento, dizendo que “o próximo é a nossa ponte de ligação a Deus”.

Nossa responsabilidade social é urgente! Estejamos atentos a essas responsabilidades, colaborando efetivamente para sermos elementos positivos e eficientes dentro dos meios de nossa atuação, que podem ser de doação material, exemplos positivos, acolhimento e fraternidade.

Que Jesus nos ilumine e abençoe.

Umberto Fabbri

Fonte: correio.news

*Psicografia Francisco Cândido Xavier, FEB.

 

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Trojan em grupos espíritas

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Por Marco Milani

Trojan Horse, ou simplesmente trojan, é um tipo de programa eletrônico malicioso que pode entrar em um computador disfarçado como um programa comum e legítimo. Ele serve para possibilitar a abertura de uma porta de forma que usuários mal-intencionados possam invadir o computador e roubar ou destruir dados, além de outros danos.

O termo é derivado da história narrada por Homero no poema Odisseia, no século VIII a.C., sobre o estratagema grego de simular uma retirada do cerco de guerra que promoviam à cidade de Troia e deixar um grande e ornado cavalo de madeira com soldados escondidos em seu interior. Os troianos, ao se depararem com o inusitado objeto, decidiram levá-lo para dentro da cidade fortificada. Durante a noite, os soldados gregos saíram do cavalo, mataram os sentinelas e permitiram a entrada de seu exército, dominando toda a cidade.

Assim como trojans, uma modalidade de invasão perniciosa está se fazendo perceber não em computadores ou em cidades, mas em grupos espíritas.

Disfarçadas de propostas modernas e doutrinariamente legítimas, pautas político-ideológicas, típicas de programas partidários, tentam se infiltrar na tribuna e em outras atividades de organizações espíritas por meio de militantes que se passam por adeptos preocupados e conscientes dos problemas sociais. Procurando camuflar a real intenção, a invasão segue a cartilha gramsciana para a conquista de posição, formação de consenso e de pensamento hegemônico.

O alerta

Allan Kardec, em mensagem dirigida aos espíritas lioneses em 1862, já alertava sobre a armadilha preparada por adversários encarnados e desencarnados do espiritismo, a qual buscava levar à casa espírita a discussão política.

“Devo ainda assinalar-vos outra tática dos nossos adversários, a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua alçada e que, a justo título, poderiam despertar suscetibilidades e desconfianças. Não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quando se refere à política e a questões irritantes; a tal respeito, as discussões apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém terá nada a objetar à moral, quanto esta for boa.” (Allan Kardec, Revista Espírita, fev.1862)

A transformação social, para Kardec, não ocorrerá de maneira impositiva e totalitária ao indivíduo, mas de maneira oposta, decorrente da melhoria do indivíduo respeitando-se a liberdade de consciência de cada um.

“Procurai no espiritismo aquilo que vos pode melhorar: eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais realmente úteis serão uma consequência natural; trabalhando pelo progresso moral, lançareis os verdadeiros e mais sólidos fundamentos de todas as melhoras, e deixareis a Deus o cuidado de fazer com que cheguem no devido tempo. No próprio interesse do espiritismo, que é ainda jovem, mas que amadurece depressa, oponde uma firmeza inquebrantável aos que quiserem vos arrastar por uma via perigosa.” (Allan Kardec, Revista Espírita, fev.1862)

Maturidade e sensatez

Não é de hoje que militantes reformistas sociais, que acreditam estar em luta contra determinados segmentos da sociedade, alardeiam que os espíritas, em geral, são alienados, pois deveriam içar com veemência bandeiras político-ideológicas, necessariamente as mesmas que tais reformistas seguram, pois se forem de cores diferentes, aí o discurso muda e serão considerados párias a serem banidos da vida em comunidade e não poderiam ser considerados espíritas.

O que faz com que adeptos, com as mais diferentes convicções partidárias, compartilhem e desenvolvam atividades na casa espírita em ambiente respeitoso é, justamente, a inexistência de discussões dos chamados “assuntos irritantes” que Kardec ressaltou.

Certamente, em um mundo de expiações e provas não se pode esperar plena harmonia nas relações sociais, inclusive dentro do centro espírita, mas abrigar o vírus da discórdia e da divisão por motivos político-ideológicos é a receita para que os sentinelas da razão sejam abatidos e prevaleçam as paixões partidárias, culminando com o afastamento de colaboradores ou a dissolução da própria instituição.

Na condição de cidadão, esse mesmo espírita tem liberdade de se expressar e abraçar a corrente ideológica que achar a mais adequada e o fato de não levar suas preferências políticas para serem discutidas no centro espírita não o caracteriza como alienado, ao contrário, demonstra maturidade, sensatez e respeito pela organização que colabora e por seus companheiros de trabalho.

Marco Milani

Diretor do departamento de doutrina da USE- SP

Fonte: correio.news

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A batalha de opiniões e suas consequências

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João Kosmiskas

A Terra é abençoada escola em que estagiamos com a finalidade de progresso do espírito eterno. Nela vivemos disciplinas diversas, de acordo com as nossas capacidades e necessidades, porém é indiscutível a possibilidade de tudo aprender em uma única encarnação. Segundo os mentores espirituais, nas experiências educativas, a grande maioria de nós fracassa fragorosamente, alguns alcançam sucesso parcial, e raros obtém a completude do aprendizado, para aquela existência.

Por que a grande maioria fracassa nas provas terrenas? A doutrina espírita esclarece que ainda somos espíritos inferiores, ou seja, egoístas, orgulhosos e ignorantes, que manifestamos nossas tendências onde estivermos e no que fizermos. Portanto, nas novas reencarnações mostramos quem somos e repetimos as mesmas tendências, ate que a dor, para maioria de nós, induza a mudança de nossos hábitos.

Um exemplo disso tudo é a conturbação social que, mais uma vez, toma todos os recantos do planeta, com a intolerância e a polarização levando ao separatismo entre povos, nações e famílias.

Pois, mais uma vez, atraídos por ideologias transitórias, fascinados pelos poderosos do momento ou norteados, exclusivamente, pela prosperidade material a qualquer preço, atacam os que consideram, ou imaginam, adversários, na suposição de defenderem ideias concedidas por outros, que adotam como suas.

Agora, nessa ‘guerra de opiniões’, travada nos meios de comunicação usuais e nas redes sociais, a mentira, a maldade, a falsidade, a perversão de valores, das virtudes humanas e cristãs, até a utilização de nomes veneráveis e de textos religiosos para justificarem suas atitudes.

O livro Os mensageiros, do Espírito André Luiz, psicografado pelo médium Chico Xavier, em 1944, portanto durante a Segunda Guerra, esclarece sobre o alcance do poder destruidor dessas bravatas entre os encarnados.

“Nossos aparelhos assinalam aproximação de grande tempestade magnética. Pois, os que não se encontram nas linhas de fogo, permanecem nas linhas da palavra e do pensamento. Quem não luta nas ações bélicas, está no combate das ideias, comentando a situação. Reduzido número de homens e mulheres continuam cultivando a espiritualidade superior. Portanto, é natural que se intensifiquem, ao longo da crosta, espessas nuvens de resíduos mentais dos encarnados invigilantes, multiplicando as tormentas destruidoras…”

André Luiz ainda comenta sobre a interferência de trabalhadores, espirituais, encarregados da preservação da saúde humana, “que suportam pesados fardos para que as tormentas magnéticas, invisíveis ao olhar humano, não disseminem vibrações mortíferas, a se traduzirem pela dilatação de penúrias da guerra e por epidemias sem conta”.

A orientação de Jesus de “Olhar, vigiar e orar” não é estímulo a desconfiança. É recomendação de cuidado e responsabilidade para conosco mesmos, com nosso pensar, falar e agir. Vem a Terceira Revelação com a doutrina dos espíritos e realça que pensar, falar e agir impõem manifestação de cunho vibratório, de alcance ainda desconhecido pela ciência humana, porém determinante à saúde física e comportamental da coletividade. Observem as novas epidemias, o ressurgimento de velhas doenças, o número cada vez maior de tumores. Para aqueles que tiverem “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, saibam que o pensar é livre, mas não é sem responsabilidade.

1 Capítulo 18 “Informação e esclarecimento”, FEB.

João Kosmiskas

Publicado no jornal Correio Fraterno – edição 491 – 2020

Fonte: correio.news

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Reencarnação: uma fonte de esperança

Por Deolindo Amorim

Embora já se saiba que a doutrina espírita é reencarnacionista, nem todos quantos batem às portas de sociedades espíritas, em situações graves ou para “chorar as suas mágoas”, estão em condições de compreender prontamente certos problemas à luz da reencarnação. Em determinados casos, o esclarecimento deve ser muito prudente, mas sempre compreensivo, pois é inútil, e às vezes contraproducente, começar falando logo em “resgate de dúvidas do passado”, “situações cármicas” etc, se a pessoa aflita está inteiramente fora do assunto e vem de um ambiente todo estranho ao meio espírita.

Quem está nessa situação, sem saber o que fazer nem que rumo tomar, procura o meio espírita justamente para receber uma palavra de conforto, uma prova de solidariedade humana, o apoio espiritual de que necessita, mas não pode apreender logo umas tantas elucidações, justamente porque a mente ainda está muito tumultuada. É um problema psicológico.

Adequação do diálogo e acolhimento

Há explicações que até desorientam, embora sejam bem intencionadas. Figuremos, como simples ilustração, o caso de uma senhora que, na condição de mãe sofredora, profundamente deprimida porque o filho “morreu afogado”, sem nenhuma noção do que seja doutrina espírita, sem jamais haver pensado em reencarnações, recorra a um centro espírita como ponto de apoio e conte o seu caso, “banhada em lágrimas” inconsoláveis.

Situação dificílima, evidentemente. E exige muito tato, muita paciência. Imagine-se, agora, se alguém, com a intenção caridosa de esclarecer e ajudar, comece logo dizendo: É assim mesmo. É a lei de causa e efeito. Conforme-se com a realidade. É a sua prova, porque a senhora já deve ter afogado alguém noutra existência!…

Francamente, parece mais crueldade do que caridade. Certas maneiras de interpretar a reencarnação podem até comprometer a própria lógica da doutrina.

É preciso aguardar o momento psicológico para entrar no assunto. Não se deve usar a mesma linguagem para todas as pessoas, como não se deve apresentar o mesmo fio de argumentos em todos os casos, em todas as circunstâncias, a propósito de todas as situações.

Ainda assim, é bom frisar, há ocasiões em que o modo de encarar os problemas pelo prisma reencarnacionista, ao invés de esclarecer, lançam ainda mais confusão. A experiência que o diga.

Rigidez no entendimento sobre reencarnação

Quem estuda a doutrina espírita já sabe muito bem que a reencarnação é um princípio universal, válido no tempo e no espaço. É o caminho lógico da compreensão da Justiça divina, a resposta filosófica aos chamados desafios da natureza. Mas acontece que, às vezes, se leva a reencarnação para um terreno muito rígido e casuístico, esquecendo-se de que a reencarnação não anula totalmente o livre-arbítrio, não significa o puro fatalismo.

A reencarnação deve ser entendida como lei geral. Sob a lei, que é inevitável, mas não é somente punitiva, porque proporciona meios de reparação perante a justiça divina, assim como oferece campo para o desempenho de missões nobres e grandiosas na Terra, sob a lei repita-se – cada qual pode fazer as suas opções, ajustar-se a esta ou aquela conjuntura.

Ninguém foge à lei, é certo. Quem causa prejuízo aos outros terá de responder pelos seus atos, mas justamente aí é que se nota a inconveniência de certas explicações muito restritivas e prejudiciais ao entendimento da suprema justiça, que fica parecendo rígida demais, senão até desumana!

Questão de lógica

A pessoa que causou afogamento não poderá voltar à Terra com a incumbência, de trabalhar como salva-vidas, uma profissão humanitária, a fim de reparar o que fez? E não será muito mais útil do que voltar para ser afogado?… É questão lógica. O espírito reencarnado pode interferir no carma, ainda que não possa desviar o curso da lei.

Há várias maneiras de saldar dívidas do passado e reparar os danos causados ao próximo. É a perspectiva da reencarnação. Algumas interpretações da reencarnação, muito ao pé da letra, entretanto, levam certas pessoas a uma confusão ainda maior, quando não saem dos centros dizendo que o ensino espírita é um absurdo. Infelizmente.

No entanto, a reencarnação, quando bem compreendida, abre uma janela nova ao espírito para que compreenda seguramente a grandeza e a perfeição da obra divina. A tese da reencarnação é também uma fonte de esperança.

Deolindo Amorim

Fonte: correio.news

Do acervo do jornal Correio Fraterno, edição de dezembro de 1980.

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Distorções

Orson Peter Carrara

Sabemos bem o que é o Espiritismo?

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Embora lamentável o que se vem assistindo no movimento espírita – igualmente contagiado por fatores estranhos à sua genuína proposta, como acontece em tantos segmentos –, é natural que aconteça, face à imaturidade que ainda nos caracteriza. Muitos já reconhecemos sua real natureza e seus objetivos, mas seduzidos por interesses e paixões variadas, ainda nos mostramos incapazes de viver o que sabemos. A essência do Espiritismo está na caridade em sua ampla configuração, não restrita – é claro – à doação de bens materiais passageiros, mas sim e especialmente na atenção, na gentileza, no acolhimento (presente no abraço, no aperto de mão, no estímulo sincero em favor da felicidade alheia por exemplo), e também na fé e na esperança que se materializam na postura de retidão, na solidariedade e no respeito que nos devemos mutuamente, de vez que todos precisamos uns dos outros. E conforme encontramos no item 292 de O Livro dos Médiuns, o objetivo principal, prioritário, do Espiritismo está na nossa melhora moral, ou, em outras palavras, nos esforços que possamos desenvolver na aquisição de virtudes e na superação das más tendências.

Infelizmente, porém, nos dividimos, levados por fanatismos momentâneos ou visões distorcidas da realidade que conseguimos assimilar, iludidos que ainda estamos por posições, imposições, por ideias ou posturas dispensáveis, pois que incompatíveis com a moral de Jesus. Será uma ilusão de domínio de consciências alheias, será fruto do orgulho que ainda nos caracteriza ou da vaidade que se permite cultivar? Não sei exatamente, cada um descobrirá dentro de si mesmo tais razões, já que só o tempo nos levará ao amadurecimento que se busca.

Felizmente, porém, por outro lado, tudo isso é ação humana, bem própria de nossa mediocridade moral, e que nada tem a ver com a grandeza da Doutrina Espírita. Esta sim, impecável, inatacável e que recebe os impactos ingratos de todos nós, os espíritas, que embora reconheçamos devidamente sua grandeza e benefícios em favor da humanidade, que poderíamos multiplicar continuamente, permitimo-nos contagiar pela vaidade, pelo egoísmo ou pelo ciúme, e simplesmente iludidos por tolas e dispensáveis pretensões para quem pretende afirmar-se discípulo de Jesus.

Isso é pessimismo? Não! Absolutamente! É até um processo natural, bem próprio de aprendizados que nos amadureçam. Mas grita dentro de nós um apelo ao bom senso, ao discernimento, virtudes que tão bem caracterizaram a inigualável personalidade de Allan Kardec. Seja por gratidão à própria vida, ou aos exemplos marcantes de nomes veneráveis (e quantos não são?!) que abriram os primeiros caminhos e os mantiveram íntegros. Vamos, pois, rever os caminhos? Já não é hora de nos mostrarmos coerentes, agindo dentro da ética que aprendemos com o Espiritismo?

Sei que essa reflexão será ignorada ou desprezada pela maioria – somos assim mesmo, é de nossa natureza, nunca achar que somos nós os protagonistas de ações em desserviço do Espiritismo e que isso é culpa dos outros, nunca somos os responsáveis –, apreciada por outros com reserva e assimilada por minoria muito significativa, mas isso é secundário. O que é preciso é que se fale. Quem sabe um mínimo trovão consiga despertar alguns, até o próprio autor, sujeito também a equívocos de todo tipo, como criatura humana também em lutas.

O lamento, porém, é pela supervalorização de ações (e aqui é um universo delas) sempre em detrimento do estudo e da consciência doutrinária – que esclarecem e orientam –, substituindo prioridades por interesses que estimulam vaidades e supremacias, criando exércitos que seguem pessoas e não o Espiritismo, quando deveria ser o contrário, face à nossa condição de criaturas falíveis.

Mas a Lei do Progresso é determinante. Não há como impedi-la. A vida nos colocará devidamente no lugar no tempo certo, quando então deveremos rever posturas e reparar os estragos que causamos com nossas vãs e tolas pretensões. Felizmente, porque nos levará à maturidade de consciência que estamos tentando construir.

Mas a história pode ser diferente desde já. Basta o olhar da humildade e da constatação de nossa própria fragilidade, aprendizes ainda incapazes de domar a si próprios.

Orson Peter Carrara

Fonte: C.E. Irmão Agostinho

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Modismos e Posturas dispensáveis

Orson Peter Carrara

Artigo Modismo e Postura

Estouram periodicamente no movimento espírita ações e posturas – que em muitos casos viram modismos – que são plenamente dispensáveis, pois que inúteis.

São sugestionadas as censuras, as discriminações, as disputas. São escolhidos alguns tópicos ou temas – escolhidos os polêmicos, claro –, e até mesmo alguns livros ou pontos de vistas, que são alimentados pela presunção da sabedoria ou pela pretensão de denegrir. Elegem-se ídolos, constroem-se padrões planejados ou diretrizes como essenciais para direcionar a objetivos nem sempre claros, seguidos por desatentos, desinformados ou seduzidos.

Disputas, ídolos construídos, censuras, discriminações, polêmicas desnecessárias que só desviam do objetivo maior, egos buscados ou alimentados, são modismos. Igualmente são posturas dispensáveis. A nada servem. Na verdade, só desviam do objetivo essencial. Objetivo bem definido por Kardec.

Em “O Espiritismo em sua mais simples expressão”, encontramos:

“(…) 35 – O objetivo essencial do Espiritismo é o melhoramento dos homens. Não é preciso procurar nele senão o que pode ajudar no progresso moral e intelectual. (…)”

E mais adiante, nos itens 36 e 37 da mesma obra:

“(…) De nada adianta crer, se a crença não faz com que dê um passo adiante na via do progresso, e não o torne melhor para seu próximo. (…) O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme, a maledicência, são para a alma ervas venenosas das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes, e que têm como antídoto: a caridade e a humildade. (…)”

Muitas outras transcrições, decorrentes de pesquisas na mesma direção em toda a obra de Kardec, levam à mesma conclusão: o objetivo do Espiritismo é nosso melhoramento moral. Desviar-se desse objetivo é distorcer a prática espírita. Portanto, as situações acima citadas, onde podem também incluir-se a imposição de ideias e mesmo a inclusão de práticas estranhas, são fruto da imaturidade humana, acionada especialmente pelo egoísmo que ainda nos caracteriza as ações.

Então, ficamos a dizer que isso pode, aquilo não pode. Ficamos a distorcer a credibilidade construída sobre a lógica e o bom senso, qualificamos experiências e ensinos valorosos como ultrapassados, entre outras situações que a imaginação, a memória ou a constatação do leitor já identificou em seu cotidiano nas instituições.

Pois isso os Modismos são incompatíveis com o Espiritismo. Isso é prática deturpada de espíritas desatentos e sem a conexão do conhecimento aliado à prática. Portanto, dispensáveis. Até porque os prejuízos gerados nos que se aproximam e encontram tais situações, ou mesmo a veteranos que se deixam contagiar ou se deixam conduzir, interrompem ou paralisam em definitivo iniciativas de inúmeros benefícios para muitos. Por força do egoísmo que impõe, que inclui na argumentação ilusória, que manipula buscando outros interesses ou que estabelece padrões de comportamento que nada tem a ver com a genuína prática espírita.

Isso tudo é fruto do egoísmo, é resultado da imaturidade, para os quais devemos estar atentos, para também não nos deixarmos levar, desviando ou desvalorizando nobres esforços consolidados ou em andamento.

Cuidado com os modismos. Eles passam e se ficarmos prestando atenção neles, deixamos de fazer aquilo que precisa ser feito, deixamos de cumprir o dever que nos cabe. Como identifica-los? Ah, isso é muito fácil! Basta observar a autopromoção, observar a ausência do bom senso e da lógica e também ver a presença do fanatismo. Também estão na inclusão de verdadeiros rituais, na imposição de modelos prontos e até mesmo na prevalência dos interesses pessoais, ao invés do interesse coletivo. Está também na manipulação das ideias e mesmo na mais fácil indicação que você pode observar: na pretensão da verdade e na preocupação constante da demonstração de infalibilidade. Nesses casos, inclusive, seus protagonistas fogem do objetivo essencial da Doutrina Espírita, procurando impressionar os desprevenidos, com posturas e modismo plenamente dispensáveis, totalmente desconectados com o Espiritismo.

Por isso voltemos a Kardec: o objetivo essencial do Espiritismo é nossa melhoria moral.

Orson Peter Carrara

Fonte: Portal do Espírito

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Reencarnação – Arte Justa de Recomeçar

Edwin Felipe Netzel

Sobre o que está baseado o dogma da reencarnação?

Está foi a pergunta que Allan Kardec fez aos espíritos e possivelmente você também a faz. Antes de responde-la vamos analisar uma palavra que possivelmente passou até despercebida por você “Dogma”.

Na época em que foi escrito O Livro dos Espíritos as religiões dominantes tinham verdades absolutas e não se podia contesta-las. Usando este contexto, Kardec questionou e assim descobriu que o Espiritismo não tem verdades absolutas, ou seja, não há dogmas nesta doutrina e nem na reencarnação.

“Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento. Não te diz a razão que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna todos aqueles de quem não dependeu o melhorarem-se? Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre os egoístas se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem remissão.” Diz a resposta da questão 171 do Livro dos Espíritos.

Sem a correta instrução o Espírito certamente levará muito mais tempo para evoluir do que aquele que a teve e você pode observar isto ainda neste plano uma vez que pela falta da instrução e devida educação nossa sociedade padece. Nós estramos e saímos deste mundo vivendo em uma bolha de ignorância. Mas será que aos olhos do criador também padecemos?

A reflexão é que alguns dogmas nos fariam pensar que Deus é injusto uma vez que meio a tantas transgressões que nos fizeram tropeçar fossemos impedidos de alcançar a plena felicidade, ou seja o nosso retorno para Deus. Nosso Pai Maior não nos penaliza pela ignorância que estamos sujeitos aqui, Ele nos aguarda despertar.

Veja abaixo os comentários de Alan Kardec após a resposta do espírito.

Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.

Não obraria Deus com equidade, nem de acordo com a Sua bondade, se condenasse para sempre os que talvez hajam encontrado, oriundos do próprio meio onde foram colocados e alheios à vontade que os animava, obstáculos ao seu melhoramento. Se a sorte do homem se fixasse irrevogavelmente depois da morte, não seria uma única a balança em que Deus pesa as ações de todas as criaturas e não haveria imparcialidade no tratamento que a todas dispensa.

A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.

O homem, que tem consciência da sua inferioridade, haure consoladora esperança na doutrina da reencarnação. Se crê na justiça de Deus, não pode contar que venha a achar-se, para sempre, em pé de igualdade com os que mais fizeram do que ele. Sustém-no, porém, e lhe reanima a coragem a ideia de que aquela inferioridade não o deserda eternamente do supremo bem e que, mediante novos esforços, dado lhe será conquistá-lo. Quem é que, ao cabo da sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de que já não mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica perdida; o Espírito a utilizará em nova existência.

Talvez você se lamente por achar que está lendo este trecho ou mesmo este artigo tarde demais e isto lhe traga reflexões sobre sua vida atual a qual você gostaria de ter vivido de outra forma.

Leia novamente o trecho e vejas que será muito bom aproveitar o que aprendeu nesta vida. Porém, você está semeando para uma próxima nova vida a assimilação deste divino conhecimento. A vida aqui não é a primeira e nem a última e talvez seja umas das mais primitivas que você ainda viverá. O importante é saber que é plenamente necessária para a sua evolução.

Há vários mundos, inclusive que você já viveu e viverá. Leia mais sobre isso na questão 173-A de O Livro dos Espíritos.

A cada nova existência corporal a alma passa de um mundo para o outro, ou pode ter muitas no mesmo globo?

 “Pode viver muitas vezes no mesmo globo, se não se adiantou bastante para passar a um mundo superior.”

a) – Podemos então reaparecer muitas vezes na Terra?

“Certamente.”

Porém a nossa maior preocupação deve ser sobre o que fazemos aqui nesta vida pois é disso que colheremos no porvir e aqui voltaremos até o grau de evolução necessária para um mundo e uma vida melhor.

É importante saber que não somos vítimas das circunstâncias atuais, somos alunos. Podemos e devemos começar a construir uma história nova aqui tendo em mente que esta construção faz parte de nós e colheremos.

Se você chegou até aqui está em um caminho de estudos e a informação é tudo. Trabalhe para este bem, estude e seja sempre sua melhor versão lembrando que somos todos irmãos e o amor é o combustível que não deixa com que nenhum dos filhos de Deus fiquem para trás. Uma das ferramentas Dele? A reencarnação!

Edwin Felipe Netzel

Fonte: Letra Espírita

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“DIALOGANDO COM UM ESPIRITO CÉPTICO”

Humberto de Campos

Assustador! Fantasma de mulher é flagrado visitando o próprio túmulo - Fotos - R7 Hora 7

Ainda não me encontro bastante desapegado desse mundo para que não me sentisse tentado a voltar a ele, no dia que assinalou o meu desprendimento da carcaça de ossos.

Se o vinte e sete de outubro marcou o meu ingresso no reino das sombras, que é a vida daí, o cinco de dezembro representou a minha volta ao país de claridades benditas, cujas portas de ouro são escancaradas pelas mãos poderosas da morte.

Nessa noite, o ambiente do cemitério de São João Batista parecia sufocante. Havia um “quê” de mistérios, entre catacumbas silenciosas, que me enervava, apesar da ausência dos nervos tangíveis no meu corpo estranho de espírito. Todavia, toquei as flores cariciosas que a saudade me levara, piedosa e compungidamente. O seu aroma penetrava o meu coração como um consolo brando, conduzindo-me, num retrospecto maravilhoso, às minhas afeições comovidas, que haviam ficado a distância.

E foi entregue a essas cogitações, a que são levados os mortos quando penetram o mundo dos vivos, que vi, acocorado sobre a terra, um dos companheiros que me ficavam próximos ao bangalô subterrâneo com que fui mimoseado na terra carioca. .

– O senhor é o dono desses ossos que estão por aí apodrecendo? – interpelou-me.

– Sim, e a que vem a sua pergunta?

– Ora, é que me lembro do dia de sua chegada ao seu palacete subterrâneo. Recordo-me bem, apesar de sair pouco dessa toca para onde fui relegado há mais de trinta anos… – O senhor se lembra? A urna funerária, portadora dos seus despojos, saiu solenemente da Academia de Letras, altas personalidades da política dominante se fizeram representar nas suas exéquias e ouvi sentidos panegíricos pronunciados em sua homenagem. Muito trabalho tiveram as máquinas fotográficas na camaradagem dos homens da imprensa e tudo fazia sobressair à importância do seu nome ilustre. Procurei aproximar-me de si e notei que as suas mãos, que tanto haviam acariciado o espadim acadêmico, estavam inermes e que os seus miolos, que tanto haviam vibrado, tentando aprofundar os problemas humanos, estavam reduzidos a um punhado de massa informe, onde apenas os vermes encontrariam algo de útil.

Entretanto, embora as homenagens, as honrarias, a celebridade, o senhor veio humildemente repousar entre as tíbias e os úmeros daqueles que o antecederam na jornada da Morte. Lembra-se o senhor de tudo isso?

– Não me lembro bem… Tinha o meu espírito perturbado pelas dores e emoções sucessivas.

– Pois eu me lembro de tudo. Daqui, quase nunca me afasto, como um olho de Argos, avivando a memória dos meus vizinhos. O senhor conhece as criptas de Palermo?

– Não.

– Pois nessa cidade os monges, um dia, conjugando a piedade com o interesse, inventaram um cemitério bizarro. Os mortos eram mumificados e não baixavam à sepultura. Prosseguiam de pé a sua jornada de silêncio e de nudez espantosa. Milhares de esqueletos ali ficaram, em marcha, vestidos ao seu tempo, segundo os seus gostos e opiniões. Muito rumor causou essa parada de caveiras e de canelas, até que um dia um inspetor da higiene, visitando essa casa de sombras da vida e enojado com a presença dos ratos que roíam displicentemente as costelas dos traspassados ricos e ilustres que se davam ao gosto de comprar ali um lugar de descanso, mandou cerrar-lhe as portas pelo ministro Crispi, em 1888. Ora bem: eu sou uma espécie dos defuntos de Palermo. Aqui estou sempre de pé, apesar dos meus ossos estarem dissolvidos na terra, onde se encontraram com os ossos dos que foram meus inimigos.

– A vida é assim -disse-lhe eu; mas, por que se dá o amigo a essa inglória tarefa na solidão em que se martiriza? Não teria vindo do orbe com bastante fé, ou com alguma credencial que o recomendasse a este mundo cujas fileiras agora integramos? –

Credenciais? Trouxe muitas. Além da honorabilidade de velho político do Rio de Janeiro, trazia as insígnias da minha fé católica, apostólica romana. Morri com todos os sacramentos da igreja; porém, apesar das palavras sacramentais, da liturgia e das felicitações dos hissopes, não encontrei viva alma que me buscasse para o caminho do Céu, ou mesmo do inferno. Na minha condição de defunto incompreendido, procurei os templos católicos, que certamente estavam na obrigação de me esclarecer. Contudo, depressa me convenci da inutilidade do meu esforço. As igrejas estão cheias de mistificações. Se Jesus voltasse agora ao mundo, não poderia tomar um átomo de tempo pregando as virtudes cristãs, na base, luminosa da humildade. Teria de tomar, incontinenti, ao regressar a este mundo, um látego do fogo e trabalhar anos a fio no saneamento de sua casa. Os vendilhões estão muito multiplicados e a época não comporta mais o Sermão da Montanha. O que se faz necessário, no tempo atual, no tocante a esse problema, é a creolina de que falava Guerra Junqueiro nas suas blasfêmias.

– Mas, o irmão está muito cético. É preciso esperança e crença…

-Esperança e crença? Não acredito que elas salvem o mundo, com essa geração de condenados. Parece que maldições infinitas perseguem a moderna civilização. Os homens falam de fé e de religião, dentro do esnobismo e da elegância da época. A religião é para uso externo, perdendo-se o espírito nas materialidades do século. As criaturas parecem muito satisfeitas sob a tutela estranha do diabo. O nome de Deus, na atualidade, não deve ser evocado senão como máscara para que os enigmas do demônio sejam resolvidos.

Não estamos nós aqui dentro da terra da Guanabara, paraíso dos turistas, cidade maravilhosa? Percorra o senhor, ainda depois de morto, as grandes avenidas, as artérias gigantescas da capital e verá as crianças famintas, as mãos enauseantes dos leprosos, os rostos desfigurados e pálidos das mães sofredoras, enquanto o governo remodela os teatros, incentiva as orgias carnavalescas e multiplica regalos e distrações. Vá ver como o câncer devora os corpos enfermos no hospital da Gamboa; ande pelos morros, para onde fugiu a miséria e o infortúnio; visite os hospícios e leprosários. Há de se convencer da inutilidade de todo o serviço em favor da esperança e da crença. Em matéria de religião, tente materializar-se e corra aos prédios elegantes e aos bangalôs adoráveis de Copacabana e do Leblon, suba a Petrópolis e grite a verdade. O seu fantasma seria corrido a pedradas. Todos os homens sabem que hão de chocalhar os ossos, como nós, algum dia, mas um vinho diabólico envenenou no berço essa geração de infelizes e de descrentes.

– Por que o amigo não tenta o Espiritismo? Essa doutrina representa hoje toda nossa esperança.

– Já o fiz. É verdade que não compareci em uma reunião de sabedores da doutrina, conhecedores do terreno que perquiriam; mas estive em uma assembléia de adeptos e procurei falar-lhes dos grandes problemas da existência das almas. Exprobrei os meus erros do passado, penitenciando-me das minhas culpas para escarmentá-los; mostrei-lhes as vantagens da prática do bem, como base única para encontrarmos a senda da felicidade, relatando-lhes a verdade terrível, na qual me achei um dia, com os ossos confundidos com os ossos dos miseráveis. Todavia, um dos componentes da reunião interpelou-me a respeito das suas tricas domésticas, acrescentando uma pergunta quanto à marcha dos seus negócios. Desiludi-me.

Não tentarei coisa alguma. Desde que temos vida depois da morte, prefiro esperar a hora do Juízo Final, hora essa em que deverei buscar um outro mundo, porque, com respeito a Terra, não quero chafurdar-me na sua lama. Por estranho paradoxo vivo depois da morte, serei adepto da congregação dos descrentes.

– Então, nada o convence?

– Nada. Ficarei aqui até à consumação dos evos, se a mão do Diabo não se lembrar, de me arrancar dessa toca de ossos moídos e cinzas asquerosas. E, quanto ao senhor, não procure afastar-me dessa misantropia. Continue gritando para o mundo que lhe guarda os despojos.

Eu não o farei.

E o singular personagem, recolheu-se à escuridão do seu canto imundo, enquanto pesava no meu espírito a certeza dolorosa da existência dessas almas vazias e incompreendidas na parada eterna dos túmulos silenciosos para onde os vivos levam de vez em quando as flores perfumadas da sua saudade e da sua afeição.

Recebida em Pedro Leopoldo a 13 de dezembro de 1935.

Do livro Palavras do Infinito. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

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Vícios na Visão Espírita e Dificuldades em Deixá-los

Fernanda Oliveira

Vício, segundo o dicionário Michaelis Online, é defeito físico ou moral, imperfeição grave de uma pessoa ou coisa; disposição natural ou tendência para praticar o mal; qualquer ação ou comportamento nocivo motivado por essa tendência; qualquer costume condenável ou prejudicial; costume ou habito permanente de fazer algo; mania; dependência de uma ou mais de uma droga estupefaciente ou de bebida alcoólica, levando a um consumo geralmente incontrolável.

A maioria de nós, de uma forma ou outra, cultivamos às vezes de forma inconsciente ou não, algum tipo de vício em menor ou maior grau. Vícios demonstram situações e conflitos psicológicos, que levam a busca de algum tipo de fuga que possa amenizar a dor de viver, a perplexidade ou negação da vida, medos e inseguranças.

São desajustes de ordem emocional da nossa natureza imperfeita que objetiva o imediatismo material antes do espiritual. Evidenciam a nossa posição mental inferior que nos leva a hábitos e vontades negativas.

As ilusões do mundo impedem a visão da realidade, e muitos não suportam a realidade e preferem fugir através dos vícios, buscando entorpecer os sentidos para que não tenham que enfrentar a si mesmos. Geralmente os vícios são materiais, como comida, sexo, drogas, trabalho em excesso, etc.

Quando não fazemos nada e descansamos muito, machucamos o corpo, praticamos muita atividade física, consumismo…

O indivíduo perde o equilíbrio e ilude-se supondo que felicidade é o prazer proporcionado pelo hábito prejudicial praticado. A pergunta 712 de O Livro Dos Espíritos questiona: “Com que objetivo Deus pôs um atrativo nos gozos dos bens materiais? Para incitar o homem ao cumprimento de sua missão e, também, para experimentá-lo, através da tentação.” a) Qual o objetivo dessa tentação? “Desenvolver sua razão, que deve preservá-lo dos excessos.”  Se comemos demais, usamos drogas ou bebidas alcoólicas, fumamos ou machucamos nosso corpo de qualquer outro modo, estaremos danificando nosso corpo físico que é nosso principal instrumento e estaremos agindo em desarmonia com as leis divinas.

Segundo André Luiz, em Nosso Lar, certos comportamentos criam uma espécie de glomérulo negro, que ataca o aparelho físico do espírito por meio do perispírito; podendo causar a animalização do espírito devido aos miasmas adquiridos pelos pensamentos e pelas companhias espirituais que o uso de alucinógenos e de vícios criam.

Segundo esclarecimento da questão 714 de O Livro Dos Espíritos: “O homem que procura, nos excessos de todos os gêneros, um refinamento de gozos coloca-se abaixo do animal, pois este sabe parar, quando satisfeita a sua necessidade. Abdica da razão que Deus lhe deu como guia e, quanto maiores forem os seus excessos, maior preponderância ele dá à sua natureza animal sobre sua natureza espiritual. As doenças, as enfermidades, a própria morte, que são consequência do abuso, são, ao mesmo tempo, a punição à transgressão da lei de Deus”.

O corpo humano funciona como uma esponja que suga o que vai para o espírito. O corpo físico expressa o que vai nos nossos pensamentos, atitudes, no nosso interior e coração.

Cada um vive no campo de sua sementeira. A influência dos nossos pensamentos é de grande significação. Os vícios são resultado de um comportamento desequilibrado da mente. Todo mal por nós praticado expressa, de algum modo, lesão em nossa consciência e toda lesão determina distúrbio ou mutilação no organismo que exterioriza o modo de ser. Temos uma boa noção do que faz mal e do que faz bem ao nosso organismo. Quando cometemos excessos ou utilizamos e abusamos de substâncias prejudiciais acabamos criando necessidades que não são reais. Por meio dos pensamentos, os obsessores encontram os vícios compatíveis com as afinidades trazidas de sua encarnação passada. A compulsão passa a satisfazer o vício do espírito obsessor, não mais apenas do encarnado. Através dos nossos pensamentos emocionais, intelectuais e morais atraímos espíritos afins, que penetram no nosso pensamento e nos influenciam, quando estamos na mesma faixa vibratória nos conectamos ao espírito desencarnado sofrendo o processo de obsessão; sendo coagido por automatismos vibratórios e entrando em sintonia com aqueles pensamentos, esses espíritos exercem uma influência sutil e eficiente e nos inspiram.

Nós espíritas somos pessoas como todas as outras pessoas; somos repletos de defeitos, ignorâncias, desconhecimentos e também portadores de virtudes. Conhecer a si mesmo é básico, saber onde a vida dá certo, encontrar a si e onde se realiza, devemos buscar estar plenos com uma vida que faz sentido. O objetivo maior da reencarnação é a capacidade que o ser possui de discernir e de fazer escolhas válidas para o seu próprio progresso. Dotado do livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o espírito o construtor de seu próprio destino.

Nossas ações sejam boas ou más ficam nos arquivos do inconsciente. Somos sempre autores de nossos sofrimentos ou da nossa felicidade e paz. Quando maltratamos nosso corpo físico ele morre antes do prazo que seria adequado a nossa encarnação e assim deixamos de ter a chance de aprender conceitos valiosos para o nosso desenvolvimento moral e espiritual. Não existe na Terra indivíduos que não passaram pelo caminho do erro para acertar, da sombra para enxergar a luz e da dor para apreciar o amor.

A doutrina espírita é um manual de educação integral oferecido a humanidade para a sua formação moral e espiritual na escola da Terra, com finalidade de promover o ser humano com fé racionada e ativa. A cura é a restauração biológica que reorienta o espírito, é como perder o caminho, a direção e depois retornar para a rota. Dentro de cada um está a sua cura para todos os males. Não existe mudança nos efeitos se não mudarmos as causas. O objetivo maior da reencarnação é a capacidade que o ser possui de discernir e de fazer escolhas válidas para o seu próprio progresso

Vamos caminhando com escolhas conscientes, buscando o nosso equilíbrio, vigiando nossos pensamentos e atitudes na seara do bem.

Fernanda Oliveira

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS

1- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

2- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 7ª edição. São Paulo. Ed. Lake, 2003.

2- KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo: noções elementares do mundo invisível, pelas manifestações dos Espíritos. Rio de Janeiro. Ed. FEB, 2005.

3- NETO, Alexandre Caldíni. A vida na visão do Espiritismo. 1ª edição. Ed. Sextant, 2017.

4- SCHUBERT, Suely. Transtornos Mentais. Ed. InterVidas, 2012.

6- XAVIER, Chico. Nosso Lar. Rio de Janeiro. Ed. FEB, 2014

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