Previsões, Vidência e Revelações sob o Olhar Espírita

Camila Vieira

Entramos naquela típica época do ano em que as previsões para o novo ano começam a ganhar manchetes. Muitas pessoas investem em consultas com médiuns na tentativa de buscar evidências do que lhes aguarda no novo ciclo que se iniciará.

Sabemos que a Doutrina Espírita nada proíbe, isto é, um indivíduo tem o livre arbítrio para tomar suas ações e pensamentos, mas cabe uma reflexão acerca destas previsões sobre a ótica espiritual, partindo principalmente das obras básicas do Espiritismo para não nos deixarmos levar pelo sensacionalismo que muitas vezes envolve este tema tão sério.

Primeiramente, quando iniciamos uma trajetória reencarnatória, passamos pelo véu do esquecimento. Ensina Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo?” que para que o indivíduo evolua, é necessário que ele perca a memória das vidas passadas enquanto estiver na vida terrena. Caso contrário, acontecimentos anteriores poderiam afetar a trajetória atual de um indivíduo.

Ainda, assim, todos os indivíduos possuem o livre arbítrio, sendo que os acontecimentos da vida não são estáticos, eles variam de acordo com cada ação tomada. Ainda que um indivíduo receba uma possível previsão, ele tem total liberdade de suas ações e pensamentos, podendo inclusive mudar o curso do seu planejamento reencarnatório, tanto para o bem quanto para o mal.

Neste raciocínio, faria sentido recebermos spoilers sobre os acontecimentos que estão por vir? Significa que alguém nunca receberá uma revelação ou previsão?

Alguns indivíduos encarnam na Terra com capacidades mediúnicas mais desenvolvidas, são os chamados “médiuns ostensivos” pela Doutrina Espírita. Diferente do que muitos pensam, não se trata de pessoas privilegiadas, mas sim pessoas com tamanha responsabilidade espiritual, de forma que o uso dessas faculdades de forma que desabone os preceitos espíritas gera consequências drásticas.

A importância de uma conduta pautada pela boa-fé e comprometimento dos médiuns motivou uma obra básica da Doutrina Espírita exclusiva para o assunto, o chamado “Livro dos Médiuns”. O livro dedica um capítulo completo para o tema “Charlatanismo e Trapaça”, tecendo considerações sobre médiuns interesseiros e fraudes espíritas.

Mas como saber se estamos diante de um médium sério ou não? A resposta não é fácil de responder, não existem critérios objetivos para aplicarmos, mas sem dúvidas encontramos indícios desta resposta estudando o Espiritismo.

A mediunidade é uma faculdade nata dada para o bem e para a coletividade. A mediunidade exercida para o enriquecimento financeiro e pessoal do médium, sob uma ótica egoísta e material, é charlatanismo. Sejamos cautelosos na absorção de previsões aleatórias, sem respaldo dos preceitos espíritas constantes nas obras básicas.

Mas será que já não somos intuídos das previsões futuras? Muitas delas sim, a todo momento. Pela lei natural de causa e efeito podemos chegar em muitos acontecimentos em nossa vida, visto que toda ação gera uma reação, muitas delas previsíveis. Se levo uma alimentação nada saudável, com o passar do tempo problemas de saúde chegarão, e para tanto não é necessário ser vidente.

O estudo e o desenvolvimento da nossa conexão espiritual abrem as portas para vermos com mais clareza o norte da nossa trajetória. É o chamado estado de intuição. Estamos a todo momento sendo assistidos pela Espiritualidade, que se manifesta de variadas formas.

Também não podemos generalizar e afirmar que toda e qualquer previsão é falsa e que todos os médiuns que realizam revelações são fraudulentos. A mediunidade exercida com responsabilidade e boa-fé harmoniza a vida terrena e a vida espiritual trazendo paz, amor e caridade, jamais proporcionando interesses desvirtuados dos pilares do Espiritismo.

Por merecimento e com o aval da Espiritualidade, um indivíduo pode sim receber algum tipo de previsão, mas lembrando que se trata de exceção, e não de regra, visto que somos dotados da lei do esquecimento para o bem da nossa caminhada terrena. Lembrando ainda que o livre arbítrio pode mudar o itinerário previsto.

Que possamos concentrar nossos esforços na busca da conexão espiritual dentro de nós, estreitando os laços com a Espiritualidade Superior. Se for da vontade D´Ele, que sejamos intuídos sempre ao caminho do bem pelos Espíritos de Luz que percorrem conosco esta estrada terrena.

Camila Vieira

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 56. ed. 1. imp. – Brasília: FEB, 2013. Disponível em: < https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2014/05/o-que-e-o-espiritismo.pdf>Acesso em 26.nov.2021.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Petit, 2004.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Petit, 1999.

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Vinte questões com Gabriel Delanne

Gabriel Delanne

VINTE QUESTÕES COM GABRIEL DELANNE

Presente Gabriel Delanne, um dos mais destacados continuadores de Allan Kardec, em nossa reunião desta noite, formularemos respeitosamente para ele as questões que passamos a enumerar:

  1. Caro amigo, estimamos colocar-nos na posição de nossos irmãos, ainda encarnados, para endereçar-lhe algumas perguntas de suma importância para eles que militam no plano físico. Prossegue em sua ação espírita de outro tempo, não obstante residindo agora além da Terra?

– Sim, tanto quanto possível, dentro das minhas reduzidas possibilidades.

  1. Que nos diz acerca do Espiritismo, na França?

– Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal…

  1. Em se tratando do berço de Allan Kardec, ser-nos-á permitido indagar a razão disso?

– Não podemos esquecer que a França nos últimos vinte lustros sofreu a carga de três grandes guerras que lhe impuseram sofrimentos e provas terríveis.

  1. Considera que isso tenha atrasado a marcha do Espiritismo?

– De modo algum. Legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, mas igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano.

  1. Acredita que a Europa retomará a direção do movimento espírita?

– Antes de tudo, devemos considerar que a Europa assemelha-se, atualmente, a vasto campo de guerra ideológica, que está muito longe de terminar.

  1. Admite que os princípios espíritas estão caminhando lentamente no mundo?

– Não penso assim… As atividades espíritas contam pouco mais de um século e um século é período demasiado curto em assuntos do espírito.

  1. Muitos amigos da Terra são de parecer que os Mensageiros da Espiritualidade Superior deveriam patrocinar mais amplas manifestações da mediunidade de efeitos físicos para benefício dos homens, como sejam materializações e vozes diretas. Que pensa a respeito?

– Creio que a mediunidade de efeitos físicos serve à convicção, mas não adianta ao serviço indispensável da renovação espiritual. Os Espíritos Superiores agem acertadamente em lhe podando os surtos e as motivações, para que os homens, nossos irmãos, despertem à luz da Doutrina Espírita, entregando a consciência ao esforço do aprimoramento moral.

  1. Conquanto tenha essa opinião, julga que o Espiritismo precisa atender ao incremento e melhoria da mediunidade?

– Não teríamos o Evangelho sem Jesus-Cristo e não teríamos Jesus- Cristo sem o socorro aos sofredores pelos processos mediúnicos que lhe caracterizam a presença na Terra.

  1. A Ciência terrestre de hoje se mostra ávida de contato com outros mundos e, por isso, não seria interessante que os Espíritos fizessem por vários médiuns descrições da vida em outros planetas?

– Isso é útil, desde que o problema seja apreciado nas dimensões justas. Espíritos comunicantes podem descrever para os homens cidades prodigiosas e avançados sistemas sociais em planos de matéria que não aquela no estado em que é conhecida, medida e pesada na estância terrena. O homem físico, ainda mesmo de posse de mais avançada instrumentação, apenas vê ínfima parte do Universo.

  1. A que atribuirmos semelhante restrição?

– À estrutura do olho humano, formado para suportar apenas determinada quota de observação da vida em si.

  1. Para que região devemos, nós, a seu ver, conduzir a pesquisa cientifica na Terra, de vez que a conquista da paisagem material de outros planetas não adiantará muito ao progresso moral das criaturas?

– Devemos estimular os estudos em torno da matéria e da reencarnação, analisar o reino maravilhoso da mente e situar no exercício da mediunidade as obras da fraternidade, da orientação, do consolo e do alívio às múltiplas enfermidades das criaturas terrestres…

  1. Que mais?

– Velar pelas atividades que possam, na realidade, melhorar a individualidade por dentro…

  1. Onde os percalços maiores para a expansão da Doutrina Espírita?

– Em nossa opinião, os maiores embaraços para o Espiritismo procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-lo, seja através da mediunidade direta ou da mediunidade indireta, no campo da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo, mas estão prontos a ridicularizá-las, através de escritos sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as demonstrações fenomênicas improdutivas, as histórias fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror.

  1. Como vê semelhantes deformações?

– Os milhões de Espíritos inferiores que cercam a Humanidade possuem seus médiuns. Impossível negar isso.

  1. De que modo vencer no labirinto gigantesco em que opera a influência das sombras?

– Educando…

  1. Como?

– Explicando-se, tanto nos sistemas religiosos do Ocidente, quanto nos do Oriente, que a pessoa humana em qualquer lugar e em qualquer tempo somente possui o que ele fez a si própria.

  1. Exprimindo-se, desse modo, refere-se à necessidade da divulgação da doutrina Espírita?

– Sim.

  1. Mas segundo o seu conceito, a divulgação terá de efetuar-se de pessoa a pessoa. Teremos entendido certo?

– Sim, de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da compulsão. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio por mais sábio não consegue aprender a ler por nós.

  1. Não considerará, porém, que esse processo é moroso demais para a Humanidade?

– Uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências para o artista que persegue a condição de gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão só por afirmações labiais de alguns dias?

  1. Que advertência nos dá para a vitória de nosso esforço modesto na seara espírita?

– Compreender que esperança é sinônimo de paciência, estudando e servindo sempre, na certeza de que, se a eternidade é a nossa divina herança, cada dia é um tesouro de recursos infinitos que não podemos desprezar.

Paris, França, 20 de agosto de 1965

Gabriel Delanne

Livro: Entre Irmãos de outras terras

André Luis & Waldo Vieira

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Exemplificai o amor e persisti no bem

Bezerra de Menezes

Filhas e filhos. Que Jesus permaneça conosco!

Em tempos remotos, os objetivos da vida humana eram diversos e dispersos, somente considerando as expectativas particularistas, inclusive dentre aqueles que praticavam as religiões. Veio Jesus, o Farol de nossas vidas, e instituiu o rumo seguro, o alvo claro, a Lei do Amor.

Desdobrados os séculos, tudo retorna. Fomos premidos pela incúria das mentes que mantinham os desejos egóicos. E irmãos eram levados à ignomínia. Em todos os lugares a fé distorcida trazia o deslustre àqueles que eram vistos como possíveis perigos a religião profissionalizada.

Seguindo os dias, uma flor vicinal do Evangelho, em sua mais pura expressão, nasce no jardim do Senhor, o Espiritismo. Com seu conteúdo libertador, ofereceu-nos a condição de rever conceitos e aparar as arestas, dentro de uma proposta moral de trazer de volta os ensinos do Cristo.

Torturaram-se as mentes que queriam abraçar esta proposta, mas ainda estavam aneladas aos conceitos ortodoxos e presas em paradigmas, cuja importância das coisas somente poderia fazer valorizar os bens da matéria. Lutas internas se intensificaram e caminhamos na implantação dessa Doutrina de Luz.

Novos Tempos se apresentam. E reunidos novamente com o intuito de agregar o que dispersamos, somos convocados à gleba humana para semear a pureza do Evangelho, como caminho de salvação.

Ideologias, que foram sendo formadas em vossas diversas experiências na Terra, aparecem volumosas em vossos posicionamentos e não conseguis entender que elas não podem conflitar com a base do pensamento filosófico-religioso que abraçais. A incoerência poderá destituir os ideais nobres que acarreais.

Exemplificai o amor e persisti no bem.

Espíritas! Filhos do coração, nestes dias em que se reuniu o Conselho Federativo Nacional foi possível ver que é viável a vivência da serenidade, da harmonia e do amor. Carregavam, nas vossas palavras e pensamentos, intenções que para nós eram estrelas luminosas na constelação do bem comum.

Levai, em todas as ações do Movimento Espírita que se desdobrarem, este estado de coisas. Ponhais, na presença da dúvida ou da discórdia, atitudes de paz e conciliação.

Jesus que sempre esteve à frente das tarefas que são realizadas, assim como da caminhada planetária, afasta a sombra geral, na certeza de que façais a vossa parte.

Dos discípulos, em torno dos sete dezenas, conforme a narrativa evangélica, escolheu o Senhor os apóstolos. A decisão de aceitar sempre esteve com os convocados. Deixai que os vossos corações fiquem com a resposta do “sim” e segui com Jesus.

O mundo, mergulhado em recente desdita, está necessitado de corações que repliquem as atitudes preconizadas no Evangelho.

Prenunciam para humanidade grandes lutas e destes enfrentamentos crescerão todos, pelos aprendizados no bem e pela certeza de que as boas escolhas trazem a felicidade.

O papel dos espiritistas é daquele que oferece de si a solução, em que o respeito e a fraternidade nunca faltem.

Conviver, amando.

Amar, convivendo.

E liberdade consciente…tudo na certeza de que a proposta do Espiritismo, em vossas mãos, é remédio para os males da humanidade. Começando por cada um de vós.

Ninguém obra no outro com ferramentas que não tem nas mãos.

Instituições Espíritas consolam, abrigam, esclarecem. E não se esqueçam: são reflexos daqueles que ali militam.

Transformações incessantes se fazem no mundo. Avanços científicos e tecnológicos se implantam. Sociedade estertoram em suas aflições. E nada está perdido. O grande plano do Criador rege tudo que há. Não deixeis que se sintam órfãos os filhos da Terra.

Por tudo que apresentamos, os Espíritos-espíritas aqui reunidos, conclamamos a todos à proposta de Jesus: “…vem e segue-me” (Mateus, 19:21)

Que o senhor de bençãos nos abençoe! Que o Deus da Luz nos ilumine!

Assim desejo, o amigo humílimo e paternal de sempre.

Muita paz!

Pelo Espírito Bezerra de Menezes

Mensagem recebida psicograficamente pelo médium Alexandre Pereira, no dia do encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, em 07 de novembro de 2021, realizada por ferramenta de videoconferência. Revisada pelo Autor Espiritual. F.E.B

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Desafios – Joanna de Ângelis

DESAFIOS

Para o cristão decidido, em luta por uma conduta integral, a vida moderna é um perene e áspero desafio.

Espreitam-no facilidades e comodismos, ensejando-lhe ocasiões de corromper-se em lautos banquetes de prazer e festa.

Insurgem-se contra o seu programa os que, embora acordados, dormem para as questões do espírito, investindo, furiosos, contra sua paz e dedicação.

Acólitos da ira, mal disfarçados, aparecem com múltiplas faces atenazando, afligindo.

No entanto, são as atrações do que se convencionou chamar a “vida fácil” os mais soezes empecilhos à vida correta, na diretriz evangélica…

Há muita gente que se diz inábil para pedir, a fim de dar; incapaz para a assistência ao sofrimento alheio; indócil ante a humilhação; inconformada com as misérias, embora creiam na imortalidade e abracem os postulados desta ou daquela denominação cristã, não sendo escasso o seu número nas fileiras espiritistas da atualidade… Todavia, todos se revelam vivamente empenhados em aumentar as rendas, ampliando o campo das comodidades, providenciando fortunas. “Previdência – dizem-na construção do futuro.” E reportam-se aos filhos e demais membros da família, considerando a necessidade de atendê-los com um pecúlio para o futuro, desde que pensa na própria desencarnação. E dessa forma atestam a pouca importância que, certamente, dão ao legado moral, do espírito.

Cumprem deveres, sim, todos esses que assim pensam. São bons pais, do ponto de vista imediato, pois que aos filhos concedem caprichos que os fazem vândalos ou verdugos desde cedo…

E a vida desafia o cristão, quando lhe aponta Cristo e o Mundo.

* * *

Edith Cavel, a nobre enfermeira, empenhada na arte de preparar jovens para curar, aceitou o desafio do perigo e, durante a primeira guerra mundial, facultou a fuga de homens e mulheres marcados para morrerem, sendo, ela própria, fuzilada mais tarde…

Moandas Gandhi, o Mahatma hindu, campeando pela paz, aceitou o desafio da luta, libertando seu país e seu povo com a sua “violência pacífica”, perecendo, depois, em homicídio fanático….

O conde Bernadotte, representando a Organização das Nações Unidas, aceitou o desafio de pacificar o Oriente Médio, tendo a existência física interrompida pela arma assassina de um fanático….

Há desafios que levam à vida e desafios que conduzem à morte…

A grande maioria dos homens aceita o desafio de viver e chafurda na vasa fétida da morte em relação à vida.

Na mesma ordem surgem os desafiados pela vida revestidos de roupagens diversas, no grande combate.

Anjos da maternidade torturada…

Líderes do trabalho honesto…

Ases do dever bem cumprido…

Mártires da fé em litígio…

Sacerdotes da abnegação…

Campeões da Ciência e da Filosofia…

Santos da renúncia e do amor…

Heróis da paz…

Homens e mulheres, amantes da humanidade, diariamente desafiam o conhecimento, mergulhados em pesquisas grandiosas, através das quais poderão ser úteis ao próximo. E muitos deles, no afã de concluírem as experiências em realização, não temem inocular vírus e bacilos neles mesmos, perecendo, quase sempre, para que outros sobrevivam…

Desafios que se escondem no sorriso da bajulação, no calor da maledicência, no ressaibo da calúnia, no licor da mentira, no cofre da cobiça, no sorriso da ironia, na taça do orgulho…, tentando o aprendiz da lição evangélica…

* * *

Narra, velha tradição oral, que João, o “discípulo amado”, já muito avançado em idade, era habitualmente conduzido pelo carinho dos discípulos jovens a participar do banquete das explanações evangélicas, perto do tugúrio que elegera para residência. Convidado sempre a dizer algo sobre o Rabi e Sua Doutrina, repetia, invariavelmente: “Ama ao próximo como a ti mesmo”. Interrogado, certa feita, sobre a razão de tal procedimento, insistindo no velho conceito de todos conhecido, teria respondido: “Se alguém já pode amar ao próximo como a si mesmo, tudo mais é acessório e chegar-lhe-á por acréscimo da misericórdia de Nosso Pai…”

Amar e viver consoante a diretriz evangélica é, sem dúvida, o mais sério desafio que repta o servidor da Boa Nova, na hora presente, tanto quanto o foi nos dias passados.

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 44

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O Espiritismo e o Progresso da Humanidade

Ana Paula Januário

Ao contrário da primeira e da segunda revelação que foram simbolizadas por Moisés e por Jesus, respectivamente, o Espiritismo, a terceira revelação, surgiu em diferentes pontos do globo espontaneamente, através de vários Espíritos, que são as vozes do céu (KARDEC, 2009, cap. I). O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal (KARDEC, 2009, cap. I). Oposto do que muitas pessoas acreditam, a doutrina espírita não […] ensina nada de contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo o mundo, o que não foi dito senão sob a forma alegórica (KARDEC, 2009, cap. I). Mas fica uma questão curiosa quanto a isso, de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso da humanidade?

Essa pergunta é uma das milhares que compõem o Livro dos Espíritos, mais precisamente a questão 799, na qual Allan Kardec tem como resposta dos espíritos a seguinte argumentação:

“Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.”

Em consequência disso, crer no espiritismo ajuda o homem a […] melhorar-se fixando as ideias sobre certos pontos do futuro. Ela apressa o adiantamento dos indivíduos e das massas, porque permite conhecer o que seremos um dia, é um ponto de apoio, uma luz que nos guia. O espiritismo ensina a suportar as provas com paciência e resignação. Ele desvia os atos que podem retardar a felicidade futura e é assim que contribui para essa felicidade (KARDEC, 2008, questão 982), porém vale lembrar que o homem tem a mesma oportunidade em qualquer caminho que ele seguir para alcançar a sorte futura, pois é o bem que assegura essa condição.

Assim como qualquer outro advento próspero e que fuja aos padrões da sociedade, o espiritismo também possui resistência para ser aceito por todos, mas como trazem os espíritos na questão 798 do Livro dos Espíritos, ela […] se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos.

É importante considerar que o espiritismo apesar de estar destinado a exercer grande influência no adiantamento dos povos, […] pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange (KARDEC,2013, cap. XVIII, item 25), não pode desencadear uma renovação social fazendo com que todos, incluindo os materialistas e os ateus, creiam nele e em todas as informações a respeito do que nos espera no outro lado da vida.

Nem Jesus com seus prodígios conseguiu convencer a todos. […] Não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens, em sua bondade, ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão (KARDEC, 2008, questão 802), gradativamente, sem atropelar o rumo natural das coisas; por isso a doutrina espírita surgiu na hora em que podia ser de utilidade, já que se viera mais cedo, teria esbarrado em obstáculos insuperáveis (KARDEC, 2013, cap. XVIII, item 25). Cada coisa tem seu tempo.

Entretanto, os espíritas devem continuar fazendo o trabalho em divulgar o conteúdo do espiritismo, lançando à sociedade um novo modelo de compreensão sobre manter-se na Terra e sobre a vida vindoura, operando diretamente no comportamento individual e coletivo, como constatou Allan Kardec e afirmou no seu discurso:

Tem impedido inumeráveis suicídios; restaurou a paz e a concórdia num grande número de famílias; tornou mansos e pacientes homens violentos e coléricos; deu resignação aos que não a tinham e consolações aos aflitos; reconduziu a Deus os que não O conheciam, destruindo-lhes as ideias materialistas, verdadeira chaga social que aniquila a responsabilidade moral do homem (KARDEC, 2019, Discurso do Sr. Allan Kardec).

Esse depoimento, assim como outros, mostra-nos o resultado que o espiritismo pode proporcionar ao indivíduo e à humanidade, porém quando é bem assimilado e vivido, já que apenas crer na existência dos espíritos e não tornar-se uma pessoa melhor, mais benigna e indulgente para com os seus semelhantes, não determina a transformação individual e da sociedade (KARDEC, 2006, item 350).

Dessa forma, tendo como objetivo combater os vícios e encorajando o desenvolvimento de virtudes, o espiritismo oferta condições para inspirar no progresso da humanidade, promovendo assim uma era de aperfeiçoamento social e moral, pois a Doutrina Espírita é, […] acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão  do homem alcance horizontes mais altos (XAVIER, 1998).O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade (KARDEC, 2009, cap. I), é a luz para os ensinamentos do Cristo, […] explica o Evangelho não como um tratado de regras disciplinares, nascidas do capricho humano, mas como a salvadora mensagem de fraternidade e alegria, comunhão e entendimento, abrangendo as leis mais simples da vida (XAVIER, 1998).

Ana Paula Januário

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 177. ed. São Paulo: Ide, 2008. 352 p.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 363. ed. São Paulo: Ide, 2009. 288 p.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 77. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

KARDEC. Allan. A Gênese. 53. ed. Brasília: FEB, 2013. 409 p.

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de estudos psicológicos. Ano 4, 1861. 4 ed. Brasília: FEB, 2019. 552 p.

XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. 38 (Missão do Espiritismo), p. 159.

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Perda de um ente querido

Adriana Machado

PERDA DE UM ENTE QUERIDO

Não é a primeira vez que este assunto é tratado, seja na mídia, seja na internet, nas redes sociais, nas casas e livros espíritas.

Uma coisa é certa, ele é um assunto que nos atinge profundamente quando nos encontramos encarnados. Sentimos que, quando um ente querido se vai, algo muito precioso é perdido e não desejamos ficar longe daquilo que nos é valioso.

Gostaria de voltar a esse assunto, porque o livro de Ezequiel, “Perdão, a Chave para a Liberdade”, bem como as manifestações de tantas pessoas antes e após o seu lançamento, me fizeram ver o quanto o desalento pode conseguir guarida em nossos corações. Tudo isso me fez repensar alguns conceitos que tinha.

Desde muito nova, eu ouvia minha mãe dizer que, quando nascemos, a única certeza que temos na vida é de que vamos morrer. Após constatar esse fato, também percebi que não nos preparamos para tal evento e, quando ele chega, ficamos desnorteados.

Estamos errados? Não! Claro que não! É como sabemos reagir. Mas, se desejamos enfrentar algo que é inevitável, porque o desencarne chegará (sendo o nosso ou o de quem amamos profundamente), precisamos nos trabalhar intimamente para que, quando a dor chegar, nós não alimentemos um sofrimento desenfreado.

Uma das coisas mais fantásticas que descobri (e foi com a ajuda da espiritualidade) é que dor e sofrimento são duas coisas muito diferentes! E, se são diferentes, podemos separá-las!

A DOR é um uma circunstância, uma experiência em nossa vida que a interpretamos como ruim. O SOFRIMENTO é o “como?” e o “quanto?” sentiremos essa dor em nossa vida. Conceitos bem simples, não são? Complexos, porém, em nosso íntimo!

Para entendermos o conceito, vamos dar o exemplo de uma criança pequena em um playground: ela, brincando na areia, cai e se machuca. Chora, por que é o natural. Ela não entende porque dói, mas dói. Sua mãe vai até ela, a acalenta em sua dor e, depois, lhe diz: “Meu amor, só temos mais 10 minutos para ficarmos aqui. Se você ficar chorando, vai perder o parquinho!” Qual é a reação natural da criança? Ela levanta do chão e, mesmo com as lágrimas ainda frescas em seu rosto, escolhe brincar.

Sabemos que a dor não passou. Ela ainda está vivenciando a experiência dolorida, porque a sua perninha ainda dói, mas ela escolheu, apesar da dor, vivenciar aquele momento, especial para ela, sem sofrimento.

Entendo, nesse exemplo, que a criança somos nós! Por ainda sermos crianças, não entendemos as nossas dores e choramos todas às vezes que elas se manifestam. A mãe é Deus que sabe de nossa capacidade de enfrentarmos “o” parquinho (a vida), nos dando a oportunidade de explorarmos toda a sua extensão e, sob os Seus olhos atentos, quando nos machucamos, Ele vem até nós, nos acalenta e nos informa que aquele momento especial (a vida) é curto para perdermos tempo no sofrimento.

É por isso que vemos tantas pessoas diferentes reagindo de forma diferente ante a perda de um ser amado. O amor de uma dessas pessoas pelo seu amado é menor do que o da outra? Não, claro que não!

Muitos são os fatores que nos fazem reagir diferente de nosso próximo em circunstâncias semelhantes. E um desses fatores é o entendimento de que não devemos escolher alimentar em demasia o sofrimento sentido, porque ele (o sofrimento) está lá, pode ser sentido, mas, para o nosso próprio bem, não deve ser alimentado. Se essa pessoa, ao contrário, escolher alimentá-lo, estará, como a criança, sentada no chão daquele parquinho e não se dará a chance de enxergar todas as bênçãos que chegarem a partir daquela queda.

O interessante, em nossa historinha, é que a “mãe” deixou a criança escolher. Se ela escolhesse continuar chorando, a mãe nada poderia fazer, a não ser continuar tentando lhe trazer conforto ao seu coraçãozinho sofrido. Deus respeita as nossas escolhas e isso é uma escolha!

Onofre (personagem do livro) me ensinou que, em muitos momentos, pensamos que estamos sendo penalizados por Deus quando essas circunstâncias dolorosas chegam a nós. Tanto é verdade, que elevamos o nosso pensamento a Ele e perguntamos: “Deus, por que comigo? O que eu fiz?”. Mas, podemos começar a pensar diferente. Devemos entender que se tivemos alguém que muito amamos ao nosso lado, por um mínimo de tempo possível, foi um presente de Deus para nós, porque Ele nos ama!… E fomos merecedores desse tempo precioso junto a esse alguém!

Se recebemos esse presente, como nos sentirmos magoados ou traídos por Deus quando o tempo chega ao fim? Está na hora de acreditarmos que, apesar de ainda termos muito a caminhar, Deus nos ama do tamanho que somos, porque Ele sabe, Ele nos conhece, Ele nos aguarda! Deus nos quer sempre bem.

Adriana Machado

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MORTE POR ACIDENTE

Toda morte por acidente já é uma programação?

Cecilia Alves

Seja um acidente de carro ou moto, afogamento, atropelamento, bala perdida, etc, todos nós conhecemos ou já ouvimos falar de alguém que morreu por acidente, uma situação aparentemente inesperada que pegou familiares e amigos de surpresa enchendo muitos corações de dor.

Quantas vezes nos perguntamos qual o sentido daquilo? Por que uma vida ser levada de uma hora para outra? Onde estaria Deus?

São muitas as perguntas aparentemente sem resposta, entretanto, o tempo e o conhecimento nos auxiliam nessa busca de entendimento e de alívio para os nossos sofrimentos. Não pretendendo aqui, entretanto, esgotar toda a temática, visto que o tema propriamente dito encontra muitas possibilidades, como poderá ser notado a seguir.

Via de regra, ao reencarnarmos, traçamos com o auxílio da espiritualidade o nosso planejamento reencarnatório. Este é uma espécie de programa de nossas principais ações / atividades pelas quais passaremos enquanto encarnados. A este respeito Evelyn Freire de Carvalho nos ensina que o planejamento reencarnatório possui como objetivo fornecer aos homens uma encarnação mais adequada ao seu desenvolvimento evolutivo, especialmente no tocante as provas e expiações pelas quais passará no plano terreno, ou seja, no tocante aos principais desafios que o indivíduo enfrentará enquanto encarnado.

Entretanto, como nos ensina O Livro dos Espíritos em sua questão 259 nem tudo o que passamos enquanto encarnados foi previsto ou escolhido antes de nascermos.

Questão 259 de O Livro dos Espíritos:

Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós as previmos e buscamos?

“Todas, não, pois ninguém pode dizer que haveis previsto e buscado tudo o que vos sucede no mundo, até as mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são, muitas vezes, consequências das vossas próprias ações. […]”

Do exposto podemos compreender que muito embora exista sim, um planejamento reencarnatório realizado antes de nascermos, este pode ser alterado através das nossas escolhas, o que é o comumente chamamos de libre arbítrio.

Deste modo, existem situações pelas quais passamos na vida que já estavam previstas antes de nascermos e outras foram modificadas ou provocadas pelas nossas próprias escolhas.

A respeito do tema vejamos ainda o que nos ensina O Livro dos Espíritos na questão 859.

Questão 859 a) Haverá fatos que forçosamente devam dar-se e que os Espíritos não possam conjurar, embora o queiram?

Há, mas que tu viste e pressentiste quando, no estado de Espirito, fizeste a tua escolha. Não creias, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer. Um acontecimento qualquer pode ser a consequência de um ato que praticaste por tua livre vontade, de tal sorte que, se não o houvesses praticado, o acontecimento não se teria dado. Imagina que queimas o dedo. Isso nada mais é senão resultado da tua imprudência e efeito da matéria. Só as grandes dores, os fatos importantes e capazes de influir no moral, Deus os prevê, porque são úteis a tua depuração e a tua instrução.

Do até então exposto podemos compreender que nem todos os acontecimentos de nossas vidas estão planejados, muitos deles ocorrendo através das nossas escolhas, e aqui enquadramos também algumas mortes por acidente, visto que em algumas situações somos nós mesmos que provocamos este acidente ainda que de forma indireta, por uma má escolha ou falta de cuidado.

No que se refere aos acidentes provocados por nossa própria conduta de negligência, imprudência ou omissão podemos falar aqui que pode ocorrer o suicídio de forma indireta, isto por que muitos de nós ainda acreditamos que apenas comete o suicídio aquele que ingere veneno, ou comete outro ato no intuito de tirar sua própria vida de forma consciente.

Entretanto, há más escolhas que podem provocar este suicídio ainda que de forma indireta como citado acima, e a este respeito que nos reportaremos a seguir.

Amanda Teixeira nos ensina que o suicídio não ocorre unicamente quando o homem tira a própria vida em um ato de desespero (chamado suicídio consciente), indo muito além. Quando cometemos ao longo da encarnação ações que violem o corpo de modo a levar a morte ou a doenças que a ela provoquem estamos diante de uma forma de suicídio, visto que há um encurtamento da vida (suicídio inconsciente).

No suicídio inconsciente cometemos hábitos que danificam o corpo e ou a mente durante a reencarnação.

Deste modo, aquele que se embriaga e depois dirige, por exemplo, e morre devido ao acidente pode estar cometendo um suicídio inconsciente, visto que muitas vezes o seu desencarne não estava previsto naquele momento.

Observemos que aqui é destacada a palavra “pode”, visto que não estamos aqui batendo o martelo a este respeito, como não conhecemos o planejamento reencarnatório de cada um, e não nos cabe, portanto, julgar as ações ou omissões dos indivíduos.

Cabe a nós, entretanto, esclarecer que não devemos abreviar a nossa própria existência, seja de forma consciente ou inconsciente, visto que cabe apenas a Deus retirar aquilo que ele nos deu, a vida.

Deste modo, devemos tomar todo o cuidado com o nosso corpo físico e com a nossa mente, promovendo sempre que nos for possível atitudes e hábitos positivos que objetivem preservar a nossa vida terrena, de modo que ao partirmos seja por acidente ou por doença ou seja por ter chegado o momento da nossa morte física.

Mas que estejamos certos, independente da forma de nossa morte a vida continua, pois há vida após a morte do corpo físico, visto que somos seres espirituais que estamos aqui habitando um corpo carnal para melhor cumprirmos o nosso objetivo de evolução.

Para aqueles que perderam seus entes queridos seja por acidente ou qualquer outra forma deixamos o nosso abraço de conforto e o nosso carinho. E é o que aqueles que faleceram antes de nós também necessitam. Lembremo-nos deles com amor, com orações.

Sabemos que as lágrimas muitas vezes inundam os nossos rostos, e é mesmo dolorosa a ideia de perder a quem amamos. Mas lembrem-se meus queridos, a separação é apenas temporária, visto que a vida continua e que no momento determinado por Deus nos reencontraremos, entretanto, não nos cabe enquanto seres humanos determinar este dia, visto que apenas Deus e a espiritualidade sabem o dia da partida de cada um de nós.

Cecilia Alves

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

Carvalho, Evelyn Freire A Imortalidade da Alma – Série Conhecendo o Espiritismo Editora Letra Espirita – Campos dos Goytacazes – RJ 2020

Kardec, Allan O Livro dos Espíritos Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) 93º Edição – Brasília – DF

Teixeira Amanda, Suicídio Consciente e Inconsciente em Revista Letra Espírita Ano 03 nº36 Editora Letra Espírita – Campos dos Goytacazes – RJ 2021

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A Lei Divina ou Natural

Renato Confolonieri

A LEI DIVINA OU NATURAL

Aprendemos em O Livro dos Espíritos que a Lei de Deus – chamada por diversas vezes de Lei Divina ou Natural – está escrita na nossa consciência, e que, por isso, todos podemos conhecê-la, embora nem todos possamos compreendê-la, conforme trazido pelo Espírito de Verdade nas respostas às perguntas 619 e 621 do primeiro livro da codificação espírita.

Os benfeitores espirituais, porém, fazem um complemento a essa afirmação, instruindo-nos no sentido de que “os que a compreendem melhor são os homens de bem e aqueles que a querem procurar.

Entretanto, todos a compreenderão um dia, porque é preciso que o progresso se cumpra.”

Chamam-nos a atenção as observações feitas por Allan Kardec em complemento ao que se tratou na pergunta 617 de O Livro dos Espíritos. Segundo o codificador, “entre as leis divinas, umas regem o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas e o seu estudo está no domínio da Ciência. Outras concernem especialmente ao homem, em si mesmo e em suas relações com Deus e com seus semelhantes. Elas compreendem as regras da vida do corpo, como também as da vida da alma: são as leis morais.”.

Mas se a criatura carrega na sua consciência a Lei de Deus (as leis físicas e as morais), por que há necessidade de sua revelação à humanidade? Esta é a segunda parte da pergunta feita pelo mestre de Lyon, sob o número 621.

Os espíritos nos respondem que há tal necessidade porque nós a esquecemos e menosprezamos, e que aqueles que fazem as revelações são espíritos superiores, encarnados com o objetivo de nos fazer avançar (respostas às questões 621, segunda parte, e 622, ambas de O Livro dos Espíritos). Eis o Mestre Jesus, o nosso guia, o nosso modelo de perfeição moral – aquela possível de ser alcançada por nós, criaturas –, além de ser o plasmador do planeta.

Continuando a tentativa de compreensão do raciocínio do professor Rivail, a pergunta 627 de O Livro dos Espíritos traz um questionamento crucial aos amigos espirituais, no sentido de qual seria a utilidade das informações por eles trazidas (claro que riquíssimas e imprescindíveis), já que Jesus revelou e ensinou as verdadeiras Leis de Deus?

A resposta, de uma importância ímpar ao nosso entendimento, não poderia ser mais lúcida e esclarecedora: “A palavra de Jesus era frequentemente alegórica e em parábolas, porque falava segundo os tempos e os lugares. É necessário agora que a verdade seja inteligível para todo o mundo. É preciso bem explicar e desenvolver essas leis, uma vez que há tão poucas pessoas que as compreendem e ainda menos que as praticam. Nossa missão é impressionar os olhos e os ouvidos para confundir os orgulhosos e desmascarar os hipócritas: aqueles que tomam as aparências da virtude e da religião para ocultarem suas torpezas. O ensino dos Espíritos deve ser claro e inequívoco, a fim de que ninguém possa pretextar ignorância, e cada um possa julgá-lo e o apreciar com sua razão. Estamos encarregados de preparar o reino do bem anunciado por Jesus; por isso, não é preciso que cada um interprete a lei de Deus ao capricho de suas paixões, nem falseie o sentido de uma lei toda de amor e de caridade”.

E o ensinamento continua na resposta à pergunta 628, no sentido de que a verdade não foi sempre colocada ao alcance de todos porque “é preciso que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso nos habituar a ela, pouco a pouco, de outra forma ela nos ofusca”.

Aqui também se faz importante trazer a íntegra da questão 648 e do esclarecimento recebido dos benfeitores, por ser mais uma das importantes e extraordinárias 1.019 orientações espirituais trazidas em O Livro dos Espíritos:

“648. Que pensais da divisão da lei natural em dez partes, compreendendo as leis sobre a adoração, o trabalho, a reprodução, a conservação, a destruição, a sociedade, o progresso, a igualdade, a liberdade, enfim, a de justiça, de amor e de caridade?

– Essa Divisão da Lei de Deus em dez partes é a de Moisés, e pode abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial. Podes, pois, segui-la, sem que ela tenha por isso nada de absoluto, não mais que todos os outros sistemas de classificação que dependem do ponto de vista sob o qual se considera uma coisa. A última lei é a mais importante: é por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela as resume todas.”

Diante de tudo o que foi apresentado acima, podemos concluir que a Lei de Deus, que engloba leis físicas e morais, foi-nos revelada por espíritos superiores, encarnados com o objetivo de nos fazer avançar (mais depressa), e também porque muitas vezes a esquecemos ou até menosprezamos.

No entanto, e como demonstrado, essas leis máximas que compõem a Lei Divina ou Natural não só foram trazidas por espíritos missionários encarnados. Elas também foram minuciosamente explicadas e desenvolvidas pelo grupo que compõe o Espírito de Verdade, criaturas elevadas na escala espírita. E isso quase 19 séculos após as lições ditas e vividas por Jesus, já que somente nesse momento a humanidade apresentava condições intelectuais, psíquicas e morais de as receber e melhor entender, além de se objetivar que o ensino fosse claro e inequívoco para que ninguém pudesse alegar ignorância dessas Leis Supremas.

Como dito na transcrita resposta à questão 648 de O Livro dos Espíritos, verifica-se que a Lei de Deus pode ser resumida pelo binômio amor e caridade, alicerçando definitiva e harmoniosamente todos os ensinos trazidos pelo Mestre Jesus, o nosso exemplo, modelo e guia.

Não nos esqueçamos, por fim, e em complemento, que todos os preceitos dessa Lei Maior estão minuciosamente tratados em cada um dos capítulos de O Evangelho segundo o Espiritismo, funcionando como iluminador e orientador das criaturas que se esforçam por viver o mais possível os códigos divinos de amor e caridade.

Renato Confolonieri

Fonte: Agenda Espírita Brasil

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Doação de Órgãos na Visão Espírita

Simara Lugon Cabral

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.” (João 15:12-17).

A doação de órgãos consiste na remoção dos órgãos ou tecidos de um voluntário com o objetivo de transplantá-los para auxiliar o tratamento de saúde de outros pacientes. A doação pode ser de órgãos (rim, fígado, coração, pâncreas e pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical). A doação de alguns órgãos como rim, parte do fígado ou da medula óssea pode ser feita em vida, enquanto o restante somente ocorre quando há morte encefálica. Os órgãos doados são encaminhados para pacientes que aguardam por um transplante, um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão de uma pessoa doente pelo de um doador. No Brasil, são os parentes que autorizam a doação por isso é de suma importância que a pessoa que tem o desejo de ser um doador expresse sua vontade ainda em vida aos seus familiares. É importante lembrar que um simples diálogo realizado com a família ainda em vida a respeito deste assunto pode salvar vários pacientes.

Especificamente na codificação da doutrina espírita realizada por Allan Kardec, não há menção a respeito da doação de órgãos ou realização de transplantes pois, na época, a medicina ainda não havia avançado tanto nesta área e apenas na década de 60 ocorreria o primeiro transplante bem sucedido no mundo. Contudo, como Deus permitiu que a ciência e a medicina progredissem a ponto de que fossem hoje capazes de realizar de forma segura a realização de transplantes, trazendo alívio e cura para tantos pacientes em sofrimento, entende-se que a doação de órgãos ofereça diversos benefícios ao receptor e ao doador tanto física quanto espiritualmente.

Algumas pessoas que seguem a Doutrina Espírita preocupam-se com as repercussões da doação de órgãos no períspirito. De acordo com o Livro dos Médiuns, lê-se que “Imaginemos, primeiramente, o espírito em sua união com o corpo; o espírito é o ser principal, uma vez que é o ser pensante e sobrevivente; o corpo assim, é apenas um acessório do espírito, um envoltório, uma vestimenta que ele deixa, quando está gasta. Além desse envoltório material, o espírito tem um segundo, semimaterial, que o une ao primeiro; na morte, o espírito se despoja do corpo material, mas não do segundo envoltório, ao que damos o nome de perispírito. Este envoltório semimaterial, que toma o aspecto humano, constitui um corpo fluídico, vaporoso, mas que, mesmo sendo invisível para nós em seu estado normal, não deixa de possuir algumas propriedades da matéria”. Portanto o corpo é apenas um acessório do espírito, tal como uma roupa o é para o corpo e o períspirito não reflete o que ocorre no corpo físico ou em seus órgãos. De acordo com André Luiz na obra Evolução em Dois Mundos: “para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação”. Logo, o ato de doação de órgãos, quando decidido pelo próprio doador, é uma forma de praticar a caridade, o altruísmo e o amor ao próximo e por essa razão ele em nada afeta o perispírito, apenas beneficia o espírito doador. Caso a decisão de doação dos órgãos tenha sido tomada por um familiar, ainda assim o espírito é beneficiado pela alegria e gratidão do receptor e de seus familiares.

Em relação aos receptores de órgãos, muitos relatam diferentes sensações emocionais e físicas após o transplante. É perfeitamente natural que após uma cirurgia de grande porte as pessoas apresentem maior sensibilidade e o emocional afetado principalmente após um longo período de convalescença, pois estas provações as fazem refletir a respeito de sua existência e, além disso, a possibilidade de um desencarne iminente traz consequências psicológicas a todo indivíduo. Os pacientes transplantados precisam se readaptar a um novo estilo de vida, que exige precauções e cuidados mesmo após a cirurgia, e poucos serão os que não sentirão uma mudança profunda em sua vida seja física ou emocionalmente. Após a realização de um bem sucedido transplante de órgãos, o receptor tem a oportunidade de realizar uma reforma íntima intensa, exercendo a gratidão por ter recuperada sua qualidade de vida e a benção de prosseguir sua vida junto aos seus entes queridos e amigos, tendo em vista que o corpo físico é um instrumento para que o espírito encarnado tenha a possibilidade de cumprir sua jornada rumo a evolução. Quanto às sensações físicas, existem relatos de pacientes que dizem as sentir porém uma vez que o órgão é transplantado, ele passa a receber a influência dos moldes perispirituais do receptor e não há mais influência do doador. Uma influência espiritual do doador só seria possível caso o receptor mantivesse uma sintonia mental com ele portanto, caso ocorra, esta influência não se manifesta através do órgão recebido e sim da conexão mental entre os indivíduos assim como ocorre com quaisquer outros espíritos.

Deste modo, pode-se compreender que a doação de órgãos ocasiona variados benefícios ao doador seja em vida ou após o desencarne, assim como ao receptor, que tem prolongada sua vida graças à misericórdia divina e ao altruísmo do doador ou de seus familiares. Cada pessoa dispõe de seu livre arbítrio para decidir de que forma cuida e dispõe de seu corpo físico, todavia é necessário ter em consideração que ele é o instrumento através do qual o espírito tem a possibilidade de cumprir sua existência terrena e o meio pelo qual pode evoluir desde que siga sua vida em harmonia com as leis divinas e com sabedoria ao exercer suas escolhas, pois a existência na Terra se trata de valiosa oportunidade para o burilamento espiritual. E conforme orienta o Mestre Jesus: “Que vos ameis uns aos outros” pois somente através da caridade e do amor ao próximo pode o homem alcançar a sua salvação.

Simara Lugon Cabral

Fonte:Blog Letra Espírita

Referências:

  1. Bíblia Online. Disponível em: . Acessado em 22 de Outubro de 2021.
  2. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  3. XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz. 5ª Ed. Rio de Janeiro, RJ: Ed FEB, 1972.
  4. FRANCO, Divaldo Pereira. Seara de luz. Salvador: LEAL.
  5. Transplantes de órgãos: saiba a importância de conversar com a família e sobre como é o processo de doação. Disponível em:  https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/setembro/transplantes-de-orgaos-saiba-a-importancia-de-conversar-com-a-familia-e-sobre-como-e-o-processo-de-doacao . Acessado em 20 de outubro de 2021.
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Como passa o Tempo no Plano Espiritual?

Kelen Trindade

Refletir sobre o tema tempo no plano espiritual é tentar entender este tempo com base no tempo que vivemos no plano material. Pois o tempo é diferente em cada plano, não passa da mesma forma. Temos o tempo material, o tempo espiritual e o tempo da eternidade. O tempo é de Deus, e nele esta todo o Universo e tudo o que existe na forma material e espiritual. E, acima de tudo, está Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

A humanidade está sempre preocupada com o tempo material, com o que comer, o que fazer amanhã, mas na verdade esquece que é necessário preocupar-se com a evolução espiritual e a vida eterna ligada à divindade.

Mas o que significa a palavra tempo em nosso dicionário terreno? Esta é uma pergunta a se fazer. Será que o tempo espiritual passa da mesma forma? Estas respostas teremos no decorrer de nossa leitura.

No dicionário, encontramos o seguinte esclarecimento: Tempo é a duração dos fatos, é o que determina os momentos, os períodos, as épocas, as horas, os dias, as semanas, os séculos, etc. A palavra “tempo” pode ter vários significados diferentes, dependendo do contexto em que é empregada. A expressão “a tempo” significa que o fato está acontecendo no momento oportuno, na ocasião certa.

Em um dicionário, o tempo significa a sucessão de séculos, anos, dias, horas, minutos e segundos, que envolve a noção de presente, passado e futuro, ou um meio contínuo no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis.

Muitas das nossas descobertas da ciência temos que quantificar, como o caso da rotação e translação da Terra que determina os dias, meses e anos. No calendário gregoriano, um ano equivale a, aproximadamente, 365 dias, quando a Terra dá uma volta ao redor do sol.

No mundo cristão, há uma contagem do tempo relacionada à tradição religiosa, que é uma referência ao nascimento de Jesus Cristo. Porém, há outras culturas que realizam esta contagem de forma diferente, que é o caso do Islã, que contam o tempo a partir da fuga de Maomé para a Medina. E a criação do mundo também é um fato que faz parte da contagem do tempo para o povo judeu. Uma outra forma de contar o tempo na Terra é antes e depois de Cristo.

Allan Kardec afirma, no Capítulo VI do Livro A Gênese, “O espaço e o Tempo”, que o tempo é uma sucessão das coisas ligadas a eternidade, e as coisas estão ligadas ao infinito, tempo este relacionado à eternidade e ao espaço infinito. Ele nos leva a raciocinar sobre a origem do planeta, e que não tinha como afirmar que a Terra se movimentava. Após a movimentação do pêndulo, deu-se início às tardes e manhãs. Daí a humanidade iniciou a contagem de anos e séculos.

Kardec nos faz refletir e nos esclarece que há muitas moradas na casa de Nosso Pai, existindo vários mundos e uma diversidade de tempo, e que diante da eternidade não há limites. No plano espiritual o tempo corre diferente do tempo terreno. Tudo está relacionado à nossa forma de pensar e de lidar com os acontecimentos, pois nossa mente nos liberta ou nos aprisiona, havendo, assim, uma dupla noção de tempo.

Medindo o tempo e colecionando milhas com cálculos terrenos, não conseguimos mensurar o tempo e o espaço de uma eternidade. E nosso conceito seria apenas um ponto na imensidão. Ele ainda nos leva a conjeturar sobre este tempo que está além desta vida na Terra, a vida etérea da alma, pois temos séculos e séculos de vida, e somos imagem e semelhança ao Nosso Deus, somos Espíritos eternos. Concluiu Kardec que o tempo em nossa visão humana é uma medida relativa, não havendo começo e nem fim, vivemos em um eterno presente. Uma construção ativa é de uma necessidade de nos tornamos seres melhores hoje.

Pode-se concluir que o tempo material é diferente do tempo espiritual diante da eternidade, não tendo começo nem fim, considerando a imortalidade do Espírito. O único início à nossa criação por Nosso Pai. Sendo nossa vida eterna.

Na questão 42 de O Livro dos Espíritos, Kardec afirma que nada pode assegurar sobre a duração do tempo da formação do mundo, porque só o criador o sabe e bem louco seria quem pretenda sabê-lo, ou conhecer em números, quanto durou a formação da Terra.

Na questão 240, de O Livro dos Espíritos, Kardec nos esclarece que, quando Espíritos, não há uma visão de datas e épocas como vemos quanto habitantes da Terra. Os Espíritos vivem fora de nosso tempo como o compreendemos. O tempo no mundo espiritual é diferente do tempo terreno, e no mundo espiritual ele para de existir. Os séculos na Terra são tão longos aos nossos olhos, mas no mundo espiritual não se conta para quem se vive de eternidade.

Com base nestes esclarecimentos, constatamos que o tempo no mundo espiritual é outro. A duração do tempo pouco importa para uma vida na eternidade. Não podemos mensurar o tempo nos diferentes mundos. É relativo o tempo para cada mundo e evolução do Espírito.

Deus é eterno, está presente em todos os lugares do universo e não se sujeita a um efêmero tempo como o vivido na Terra. O mundo espiritual é a eternidade divina. Nossa compreensão de tempo está presa às coisas materiais. Mas devemos nos esclarecer e compreender que o tempo espiritual está ligado a um tempo da eternidade. E devemos caminhar rumo à perfeição enquanto ser espiritual. Na Terra estamos passando apenas uma vida enquanto tivermos fluido vital animando o corpo físico material, pois o Espírito é eterno.

Devemos utilizar cada momento para a nossa evolução espiritual, e à medida que evoluímos espiritualmente, teremos uma melhor compreensão deste grandioso Universo. Somos Espíritos encarnados na Terra, mas somos Espíritos eternos no mundo espiritual.

Kelen Trindade

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

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