ESTUDOS ESPÍRITAS

Joanna de Ângelis

“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”

No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: “Irmãos! nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade” – O Espírito de Verdade. (Paris, 1860).  (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. VI, item 5).

No vórtice da vida tecnicista, o homem moderno delira.

Sonhando com os astros que deslizam em órbitas imensuráveis, enclausura-se nas limitadas conjunturas das paixões dissolventes; aspirando à liberdade em regime de plenitude, escraviza-se aos condicionamentos que o vergastam, incessantemente; lutando pela paz do mundo, promove guerras cruentas nas paisagens domésticas; esparzindo ideais, fixa-se às idiossincrasias em que padece atribulações sem conto; heróico nos momentos de valor, recua nos embates insignificantes, que terminam por vencê-lo; detentor da razoa, arrasta-se pelos meandros sórdidos do instinto em que se demora…

As conquistas externas de modo algum lograram acalmá-lo interiormente e a comodidade, na vertigem a que se entrega, não conseguiu felicitá-lo, conforme desejava.

Por tais motivos, legiões de desditosos, diariamente, sucumbem na astenia decorrente dos distúrbios da emoção desgovernada, e o ódio, a ira, a inquietação, a ansiedade, em consequência, matam mais do que o câncer e a tuberculose…

Outros tantos, idiotizados, enlanguescem nos leitos das Casas de Repouso, apáticos, vencidos, enquanto não menor número é internado à força nos Frenocômios. Além desses, multidões desesperadas atropelam-se nas avenidas formosas das hodiernas Megalopolis, tanto quanto nas rotas humildes dos campos, sob as imperiosas constrições da loucura em matizes variados, que as surpreendem…

A seara dos homens, embora recamada de promessas e referia de ilusões douradas, apenas tem ensejado uma sega de exacerbações em sarçal infeliz, cada vez mais ameaçador.

Antecipando estes tormentosos dias, Jesus prometeu o Consolador que, há mais de um século, triunfalmente, inaugurou a Era Espírita entre os homens, conclamando-os à renovação e à felicidade real.

Com Allan Kardec se confirmaram os prenúncios dos dias felizes a que se reporta a Boa Nova. A mensagem de que se fez vexilário restaura a pureza do Cristianismo, retirando os erros que nele foram introduzidos pela estultícia humana, como da ganga o garimpeiro hábil recolhe o diamante precioso.

Estudar o Espiritismo na sua limpidez cristalina e sabedoria incontestável é dever que não nos é lícito postergar, seja qual for a justificativa a que nos apoiemos.

Cada conceito necessariamente examinado reluz e clarifica o entendimento, facultando mais amplas percepções, em torno da vida e dos seus fenómenos.

Foram ditas já as palavras primeiras, favorecendo a multiplicidade de realizações edificantes, concitando o homem à grandeza e à paz.

Seus conceitos fulgentes são convites ao amor e chamamentos à sabedoria, cultura do sentimento e da razão num intercâmbio exitoso para a libertação do coração e da inteligência, através do que o Espírito se alça a Deus.

Os estudos que ora reunimos em despretensioso volume são o resultado de nossas meditações nos ensinamentos superiores de algumas das Obras básicas da Codificação do Espiritismo. Para trazê-los à atenção dos aprendizes da Doutrina Espírita, atualizamos conceitos, compulsamos dados modernos, examinamos conquistas recentes, comparamos observações, tentando sintetizar os resultados que ora apresentamos em forma e estilo diversos dos a que se acostumaram os nossos leitores, num esforço carinhoso para colimar resultados felizes.

Não nos estranhem, portanto, os amigos e irmãos afeiçoados, tais características diferentes das habituais…

Reconhecemos que tais apontamentos nada trazem de novo, nem acrescentam à coroa de diamantes estelares lucilantes do pensamento kardequiano qualquer significativa contribuição (*).

Visamos com eles cooperar de algum modo na Seara Espírita, no sentido de destacar, dentre os múltiplos assuntos já versados, alguns de intensa atualidade, discutidos na praça pública, debatidos nas escolas, cinema e televisão, temas obrigatórios das conversações dos jovens, adultos e anciãos, entre aqueles que, desesperadamente, buscam respostas para os imensos conflitos da razão e da emoção, em todas as partes da Terra de hoje, após a falência das religiões como da ética…

Contam que um jovem sedento de afirmação espiritual procurou certa vez o pensador e sacerdote hebreu Shammai e o interrogou:

– Poderias ensinar-me toda a Bíblia durante o tempo em que eu possa quedar-me de pé, num só pé?

– Impossível! – respondeu-lhe o filósofo religioso.

– Então de nada me serve a tua doutrina – redarguiu o moço.

Logo após buscou Hilel, o famoso doutor, propondo-Ihe a mesma indagação. O mestre, acostumado à sistemática da lógica e da argumentação, mas, também, conhecedor das angústias humanas, respondeu:

– Toma a posição.

– Pronto! – retrucou o moço.

– Ama! – elucidou Hilel.

– Só isso?! E o resto, que existe na Bíblia? – inquiriu, apressadamente.

– Basta o amor – concluiu o austero religioso. – Todo o restante da Bíblia é somente para explicar isso.

À semelhança daqueles dias, os atuais exigem respostas incisivas e concisas.

Diz-se que não há tempo.

A Seara Espírita possui as sementes para todos os seminários e plantações da fé como do raciocínio, na multiplicidade de exigências em que se apresentam.

Adentrar a mente e o coração nas suas leiras ricas de luzes, é o mister a que nos devemos afervorar com devotamento, enquanto a oportunidade é propícia.

Entregando estas páginas ao estudioso das questões espirituais, exoramos a proteção do Senhor da Seara para todos nós, Espíritos necessitados que reconhecemos ser, esperando com elas atender alguém sedento de esperança ou esfaimado de amor, ofertando-lhe a linfa refrigerante e o pâbulo da vida, com ele seguindo pelo caminho de redenção na direção do Reino de Deus.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Estudos Espíritas – Introdução

Salvador, 5 de maio de 1973

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“Encosto”: Superstição ou Obsessão?

por Sidney Fernandes

“Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres… Mateus 24:28”

— Olá, Jorge, como vai?

— Nada bem, Osvaldo. Tenho sentido muita fraqueza, dificuldade de concentração, desânimo, angústia…

— Foi ao médico?

— Sim. Fiz todos os exames possíveis e nenhuma alteração foi encontrada. Acho que estou com “encosto”.

Osvaldo, estudioso da Doutrina Espírita, sabia bem do que Jorge estava falando. Embora a definição “encosto” não fosse adequada, provavelmente ele estava se referindo a suposta influência de algum espírito.

— Precisa da minha ajuda? — perguntou Osvaldo.

— Sei que você é frequentador de um centro espírita. Poderia levar meu caso para os seus guias?

Osvaldo sorriu e educadamente explicou:

— O ideal, Jorge, seria você passar por uma entrevista fraterna para examinarmos melhor o seu caso.

— Mas, terei que me tornar espírita?

Osvaldo sorriu novamente e explicou:

— De forma alguma. Você me conhece há anos. Tenho cara de quem quer convertê-lo?

***

A orientação foi correta. No centro espírita há muitos recursos que poderiam ser mobilizados em favor de Jorge e do seu hipotético obsessor: passes magnéticos, água fluidificada, sessões de desobsessão e evangelho no lar. Submetendo-se à entrevista fraterna, seu nome seria encaminhado para exame dos espíritos, que fariam o diagnóstico final.

O caso de Jorge era bem simples. Tratava-se realmente de influência exercida por espíritos, que não tinham, entretanto, intenção de prejudicá-lo e se afastaram, assim que esclarecidos.

***

Agradecido pelo tratamento, livre das ideias infelizes e da sensação de opressão, Jorge perguntou a Osvaldo:

— Agradeço sua ajuda, amigo. Antes de retomar minhas atividades, o que poderei fazer para que essa situação não se repita?

— Fico feliz com sua pergunta, Jorge, pois a maioria dos que são atendidos por nossa casa agradecem, mas voltam a cometer os mesmos erros. Resultado: recidiva na certa.

— Que erros deverei evitar? — perguntou Jorge, apreensivo.

— Embora o seu caso não fosse grave, de toda forma foi desconfortável e lhe trouxe algumas apreensões. Tenho que lhe informar que espíritos inferiores se apegam às pessoas com quem têm afinidade e lhes transmitem o reflexo de seus desajustes. Quando não controlamos nossos pensamentos e atitudes, atraímos doentes do mundo espiritual.

— Então a culpa foi minha? Eu atraí meus perseguidores?

— Eu não chamaria de culpa e sim de imprudência. Assim como as feridas atraem moscas, as chagas da alma atraem almas doentes. A conversa vazia, a maledicência, a raiva e a preguiça são atrativos para mortos indolentes.

— Nossa! Jamais pensei que uma simples fofoca pudesse fazer tanto estrago. Eu me sentia péssimo. Acho que aprendi a lição. Mais algum conselho, Osvaldo?

— Faça o bem que puder, Jorge, e apegue-se a Deus. Leve a sério a sua religião, seja ela qual for. Os maiores obsessores estão dentro de nós mesmos. São esses demônios que precisam ser combatidos.

***

Ensina Emmanuel que corpos apodrecidos nos campos atraem corvos que os devoram.

Reclamamos da ação de obsessores e verdugos, visíveis e invisíveis. Quando estão nos perseguindo, achamo-nos incapazes de atender aos desígnios do Cristo. O pensamento deveria ser diametralmente oposto: quando atentamos para as recomendações evangélicas, criamos barreiras protetoras, um verdadeiro guarda-chuva que nos isola das entidades infelizes. Evitemos pensamentos e ações que exalam maus odores espirituais e jamais atrairemos entidades das sombras.

Sidney Fernandes

Fonte: Espirit Book

Referências: Pão Nosso, Emmanuel; Quem tem medo da obsessão? Richard Simonetti.

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A Sombra e a Penúria

A MAIS EXPRESSIVA PRECE

Orson Peter Carrara

Afirma o sempre lúcido e bondoso Emmanuel, no livro Abrigo (edição IDE), no último parágrafo do capítulo Jesus e Oração, que “(…) a prece – a mais expressiva de todas – é socorrer, primeiro, a quem sofre conosco entre a sombra e a penúria, porquanto edificando a alegria dos outros, a Divina Providência virá, cada minuto, ao nosso próprio encontro, a envolver-nos a fé em perene alegria.”

O curto capítulo citado abre um universo de cogitações importantes, entre eles:

a) O da sombra e da penúria – indicando as aflições próprias das perturbações variadas (sombras) e das penúrias materiais e espirituais, tão presentes no cotidiano da vida, desdobrando-se em sofrimentos que não temos como avaliar devidamente;

b) O de edificar a alegria dos outros – verdadeiro roteiro de ação cristã;

c) Da vinda da Divina Providência ao nosso encontro – desdobramento natural da Lei de Amor que rege o universo: só temos mesmo o que damos… nossa ação em favor do bem alheio resultará sempre em bênçãos para nós mesmos.

Interessante o autor destacar que a mais expressiva de todas as preces é socorrer primeiro a quem sofre conosco! Dá para pensar, não é mesmo?! E ainda mais abrangente é também pensar que referida atitude é fonte de alegria e felicidade para seu próprio protagonista.

Por Orson Peter Carrara

Fonte: Kardec Rio Preto

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Tem cuidado contigo: ama, trabalha, espera, perdoa.

João Jacques Freitas Gonçalves

Atualmente é comum as pessoas se queixarem da própria situação em que vivem, sem encontrarem uma resposta adequada para o que fazem e sentem e, principalmente, como mudar essa situação.

Então o que fazer para mudar essa situação?

Em breve consulta e leitura do livro “Paulo e Estevão”, Abigail em conversa com Paulo dispõe acerca dos procedimentos que poderiam levar o ex-rabino a compreender as angústias espirituais sentidas naquele momento.

Claro, não queremos comparar a alma portentosa de Paulo com a nossa, mas sim aplicar esses conceitos de amar, trabalhar, esperar e confiar ao momento que passamos. Seremos tão firmes na fé quanto Paulo, mas é necessário guardar a disciplina para “voos mais altos, pois voos altos necessitam de asas fortes”.

Primeira coisa a fazer é se preservar e, principalmente, se movimentar em direção ao bem. E, entendemos, que diante da nossa falta de habilidade em ajudar, nos deparamos sem ação para fazer isso. Para melhor compreensão desta parte, como exemplo, citamos ajudar um cego a atravessar a rua. Como é complicado darmos uma simples mão para que se atravesse a rua, pensamos se daremos conta, se alguém está olhando, se o cego aceitará nossa ajuda, etc. e depois ficamos aliviados por uma boa alma se dispor a isso. É só exemplo, mas tem várias situações que não sabemos como ajudar.

Mas guardemos cuidado disso, ninguém nasce pronto. Se quiser ajudar, coloque-se a trabalhar, sem importar com o que o outro vai pensar ou melhor julgar. Vamos nos dar o direito de sermos úteis em qualquer lugar em que estivermos e se não soubermos fazer contar com irmãos que possam nos ajudar. Lembremos: Jesus não prescindiu dos doze (12) apóstolos para sua missão na Terra.

Assim, estaremos nos preservando de qualquer adoecimento ou enfermidade, pois estaremos a trabalho do Bem Maior. O espaço para queixas e reclamações será menor, dado que estaremos em trabalho nos preservando desses males.

Feitos esses simples procedimentos, passamos a abordar as sugestões de Abigail para corresponder ao que o Cristo espera de cada um de nós na presente reencarnação.

Lembrando que não somos Espíritos superiores ainda, nossa conduta guarda relação com o que pensamos e os Espíritos superiores não esperam de nós grandes feitos, mas sim o combate ferrenho de nossas imperfeições. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más (Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo XVII, Sede Perfeitos, item 4).

Abigail nos recorda: “Ama a DEUS acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo, do jeito que acredita e que pode ser útil onde estiveres.” Não é necessário relembrar ao próximo o que ele é, ele já sabe, ainda que pense que não. “Jogar pedras” – mais fácil que entender a conduta e dar uma palavra de carinho, ainda que firme (Parábola da mulher adúltera, João 8: 1-11). Ninguém nesse mundo está livre de erros. Deus espera que sejamos um reflexo dos seus atos, ou seja, quanto mais benevolentes, generosos e servirmos ao próximo mais estaremos perto Dele. Construindo esse Reino de Deus que se encontra em nós mesmos. Gratidão a Deus por sermos o que somos e confiança irrestrita no seu amor e o quanto isso nos favorece.

Trabalha, “as ocupações materiais são necessárias para a sobrevivência dos homens e para o bem-estar de todos os povos, pois é por elas que se opera o levantamento das casas, o movimento de todas as indústrias, enfim, todas as atividades da sociedade, em todos os países, em troca de experiências. Quanto as ocupações espirituais, Jesus nos esclarece: a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Filosofia Espírita, Espírito Miramez, comentários a questão 675 do Livro dos Espíritos). Coloque-se em posição de servir ao bem, começando pela família e estendendo os benefícios aos demais círculos de ação. Toda ocupação útil é trabalho, assim procure boas obras para ler, uma tarefa na casa espírita, quando possível, uma gentileza no trânsito ou na condução, etc e se capacitará para as grandes obras.

Espera, é necessário paciência para atingirmos os objetivos propostos para nossa reencarnação. Em passado não tão remoto, entre as vidas passadas e a atual, agimos em desfavor de nós mesmos, em atitudes equivocadas que expressam a condição que vivemos atualmente. A vida não é tão boa, ninguém nos compreende, muitas dificuldades no ambiente de trabalho, etc. Toda essa situação tem origem nas nossas atitudes eivadas de rebeldia e afastamento da Lei Divina. Mas a rebeldia a lei nos leva à situação atual? Sim, quantos de nós diante de uma situação que nos pede paciência, levamos a cabo a nossa vontade sem importar com as consequências que advirão dos nossos atos? Exemplos temos aos montes, imprudência ao volante, palavras ríspidas, condutas inadequadas, irreflexões diversas, etc.

“Construir pode ser a tarefa lenta e difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia”, Winston Churchill.

Perdoar, no dicionário, o significado é ato de desculpar alguém, sem receio de relevar tais atos. Pergunta: lembraste da frase que Jesus proferiu no Calvário? “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Procedimento muito comum é tentarmos nos vingar a qualquer custo. Mas Deus é Pai vigilante e sua justiça alcança a todos os devedores. Não é necessária nossa intervenção na cobrança, pois aquele que comete uma falta já chama para si a devida correção, dentro da lei de justiça e amor.

Assim meus irmãos, lembrando esta grata conversa de Abigail e Paulo, desejamos a todos próspera vida, dentro dos ditames do Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Avante meus irmãos, para o Alto.

João Jacques Freitas Gonçalves

Fonte:  Fraternidade Espírita Irmão Glacus

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Prática do perdão – Eduardo Battel

PRÁTICA DO PERDÃO

Eduardo Battel

O respeito à condição evolutiva de cada um e o perdão das ofensas são algumas das maiores caridades que podemos fazer. Conforme Allan Kardec nos ensina em O Livro dos Espíritos, questão 886:

“Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como Jesus a entendia? Resposta: Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Todos nós, sem exceção, já erramos muito no passado, continuamos errando no presente e ainda erraremos no futuro. Assim, devemos perdoar os erros dos nossos semelhantes da mesma forma como gostaríamos que os outros perdoassem as nossas faltas. Chico Xavier nos fala:

“Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente. Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhe são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas”.

Deus na sua infinita bondade não nos julga, Ele entende e respeita a nossa condição moral e evolutiva. Da mesma forma, não devemos julgar ninguém, lembrando que, com o mesmo peso que julgarmos os outros, seremos também julgados por nós mesmos. Devemos tomar uma postura de orientar, não com soberba, mas sempre com amor, explicando que certamente somos responsáveis pelas consequências dos nossos pensamentos e atos. Assim, quanto menos errarmos, menos problemas teremos para consertar, lembrando que a conta, impreterivelmente, uma hora chega.

Devido ao orgulho e a vaidade, que atualmente são dois dos principais problemas da humanidade, muitos pensam assim: eu não vou pedir desculpas, se o outro quiser que o faça. Por isso, muitas vezes as pessoas passam a vida inteira brigadas, por ninguém dar o primeiro passo na direção da reconciliação. Se duas pessoas possuem alguma desavença, o problema é das duas e esse problema algum dia terá de ser resolvido, nessa encarnação ou em uma futura. Mas se uma delas se esforça em querer resolver a situação, mesmo que a outra não queira, o problema passa a ser somente de quem não quer. Devemos ser fortes, segundo nos disse Mahatma Gandhi: “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte”.

Se você tem uma questão mal resolvida com alguém, faça a sua parte não se importando com a contrapartida. Pois mesmo que o outro lhe diga: eu estou certo e não te perdôo, não é mais um problema seu. O perdão não faz a outra pessoa correta, ele te liberta, ele te faz livre.

A prática do perdão também é uma prova de evolução moral, conforme nos disse Chico Xavier: “A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior alivia, a inferior culpa; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar”. Quanto mais perdoamos, mais evoluímos moralmente e quanto mais evoluídos formos, mais fácil fica perdoarmos.

Temos que aceitar o fato de que ainda somos seres imperfeitos e cometemos muitos erros. Devemos aceitar a nossa condição moral e evolutiva e, assim, devemos também praticar o autoperdão. Não temos que ficar nos julgando ou remoendo as nossas atitudes equivocadas. Caso façamos isso, teremos uma grande chance de entrarmos em depressão. Não podemos mudar o que já foi feito, mas podemos tentar consertar ou amenizar as consequências de nossas más escolhas pretéritas e também nos esforçarmos em não as cometer novamente. Como nos disse Emmanuel através da psicografia de Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Devemos canalizar as nossas forças nesse sentido, pois o Criador sempre nos oferece muitas oportunidades para isso.

Praticando o perdão seremos cada vez mais felizes e a nossa vida se torna muito mais fácil, leve e prazerosa. Chico Xavier nos falou isso: “O espírito que adquirir a virtude do perdão não achará dificuldade em mais nada. Haja o que houver, aconteça o que acontecer, ele saberá administrar sua vida”. O primeiro a pedir desculpas é o mais corajoso. O primeiro a perdoar é o mais forte. E o primeiro a esquecer é o mais feliz. Sejamos corajosos, fortes e felizes!

Eduardo Battel

Fonte: Agenda Espírita Brasil

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A INGRATIDÃO

Como lidar com a Ingratidão do Próximo sob uma Ótica Espírita?

 Fernanda Oliveira

Ingratidão, segundo o dicionário online, é qualidade ou ação de quem é ingrato; falta de gratidão, de reconhecimento. Lamentavelmente chegamos ao ponto de perceber a ingratidão das pessoas em diversos momentos e situações cotidianas, desatenção a generosidade e a atitude fraterna; o não agradecer as pequenas delicadezas e gestos do dia a dia.

Quem pratica o bem e procura auxiliar e ajudar geralmente o faz de coração, sem esperar nada em troca. Mas será difícil para quem recebe reconhecer aquela atitude caridosa?

Aprendemos a amar, a fazer o bem e a manter uma postura de gratidão pela vida, mas como devemos lidar com a atitude de ingratidão?

O ser ingrato é uma criatura guiada ainda pelo egoísmo; conforme esclarece questão 937 de O Livro dos Espíritos: Para o homem de coração, as decepções oriundas da ingratidão e da fragilidade dos laços da amizade não são também uma fonte de amarguras? “São; porém, deveis lastimar os ingratos e os infiéis: serão muito mais infelizes do que vós. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará mais tarde com corações insensíveis, como o seu próprio o foi. Lembrai-vos de todos os que hão feito mais bem do que vós, que valeram muito mais do que vós e que tiveram por paga a ingratidão. Lembrai-vos de que o próprio Jesus foi, quando no mundo, injuriado e menosprezado, tratado de velhaco. Seja o bem que houverdes feito a vossa recompensa na Terra e não atenteis no que dizem os que hão recebido os vossos benefícios. A ingratidão é uma prova para a vossa perseverança na prática do bem; ser-vos-á levada em conta e os que vos forem ingratos serão tanto mais punidos, quanto maior lhes tenha sido a ingratidão”

A ingratidão é um teste para o seu agir, quando fazemos e tomamos atitudes sem esperar nada em troca, procurando realizar pensando na coletividade, no bem comum, podemos nos deparar com ações infelizmente de desconhecimento, mas não podemos ou devemos deixar esse ato modificar a nossa essência generosa, a questão 938 de O Livro dos Espíritos esclarece: As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade? “Fora um erro, porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão”. a) – Mas, isso não impede que se lhe ulcere o coração. Ora, daí não poderá nascer-lhe a idéia de que seria mais feliz, se fosse menos sensível? “Pode, se preferir a felicidade do egoísta. Triste felicidade essa! Saiba, pois, que os amigos ingratos que os abandonam não são dignos de sua amizade e que se enganou a respeito deles. Assim sendo, não há de que lamentar o tê-los perdido. Mais tarde achará outros, que saberão compreendê-lo melhor. Lastimai os que usam para convosco de um procedimento que não tenhais merecido, pois bem triste se lhes apresentará o reverso da medalha. Não vos aflijais, porém, com isso: será o meio de vos colocardes acima deles”.

Allan Kardec: A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.

O descaso do outro não pode e não deve afetar o que você é e as atitudes generosas e despretensiosas que realiza, a insatisfação gera sentimentos negativos que atrapalham o nosso caminhar. Se ajudamos alguém esperando receber algo em troca, isso não é dar/ ajudar isso é troca. Nunca estar satisfeito com o que se é ou com o que possui acaba produzindo sintonia com energias inferiores e negativas muitas pessoas ainda não compreendem o poder da gratidão. Todo mal por nós praticado conscientemente expressa de algum modo lesão em nossa consciência.

Devemos atentar para o que é positivo, registrar as coisas simples e boas, fazer contas de todas as dádivas já recebidas. Semelhante atrai semelhante, reencarnações após reencarnações vamos formando as nossas vidas ao nosso redor de acordo com os nossos pensamentos e atitudes.

A gratidão faz bem à saúde, é sintonia plena com o plano superior da vida, nos torna felizes e positivos.

As leis espirituais respeitam o livre arbítrio, mas a vida pede para repensarmos nossas atitudes e escolhas. Toda vez que eu causo sofrimento no meu semelhante eu gero sofrimento em mim.

Conforme elucida o Evangelho segundo o Espiritismo no capitulo XXVIII no item 28: “O homem esquece facilmente do bem, para, de preferência, lembrar-se do que o aflige. Se registrássemos diariamente os benefícios de que somos objeto, sem os havermos pedido, quase sempre ficaríamos espantados de termos recebido tantos e tantos que se apagaram da nossa memória com a nossa ingratidão”. É recomendado essa sintonia de percepção com todas as coisas boas que recebemos e aprendemos diariamente, entrar em sintonia com Deus, manter o equilíbrio e a paz intima.

O mundo que vivemos é o mundo real e é bem diferente da teoria do mundo ideal, quando estamos equilibrados nada tira nossa paz. Conheça bem a si mesmo para que a ingratidão do outro não afete o seu estado mental e modifique quem você nasceu para ser. Procure proteger suas emoções, pois é dela que saem as suas escolhas.

A gratidão é o medicamento do espírito e o sentimento de almas elevadas. Com a disciplina, controle dos nossos pensamentos e atitudes, abandono do costume de reclamar e foco no propósito da vida entramos em conexão direta com os planos elevados e passamos a ter uma postura otimista na vida. O Espiritismo nos ensina a cultivar a semente do bem em nós mesmo e no nosso próximo. O homem nasceu com a sina do progresso.

Vamos caminhando praticando o bem na sintonia do amor.

“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir” (Cora Coralina)

Fernanda Oliveira

Fonte: Blog Letra Espírita  

Referência:

1- O Evangelho Segundo o Espiritismo- Allan Kardec- Editora Boa Nova

2- O Livro dos Espíritos- Allan Kardec –Editora EME

3- A vida na visão do Espiritismo- Alexandre Caldini Neto- Editora Sextante

4- Melhores Poemas- Cora Coralina-Editora GlobalPocket.

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IMORTALIDADE

Divaldo P. Franco

O debate filosófico sobre a Imortalidade da alma é muito remoto e encontramos notáveis pensadores e cientistas que se dedicaram ao estudo profundo do ser, posteriormente apresentando o resultado das suas investigações.

Na Grécia Antiga, combatendo as ideias espiritualistas de Sócrates, Platão e Aristóteles, surgiram as contribuições de Leucipo, Lucrécio e Demócrito. Enquanto os primeiros informavam que a vida continuava após a morte, os outros elucidavam que tudo quanto existe é resultado do movimento, do vácuo e dos átomos. Quando um desses elementos se altera, ocorre a desestruturação da matéria, portanto, o aniquilamento. Nasceu aí o denominado atomismo, que é uma das primeiras explicações materialistas para elucidar a origem do Universo.

Enquanto, de um lado, em quase todos os países, narravam-se fatos demonstrativos da Imortalidade, num natural e compreensível confronto, as teses niilistas apareceram com formulações diferenciadas, mas com o mesmo conteúdo destrutivo.

A lógica esclarece que a Vida, gastando mais de dois bilhões e duzentos milhões de anos para construir o ser humano, não pode havê-lo elaborado apenas para o breve período entre o berço e o túmulo. Ademais, o nada não pode gerar senão o nada.

Os embates prosseguiram, enquanto a Ciência avançou nas suas profundas inquirições e análises.

De surpresas sucessivas, a investigação da Ciência chegou, no Século XX, à mais completa análise da matéria e demonstrou a necessidade da mudança do seu conceito multimilenar.

Matéria é energia condensada (ou resfriada), e tudo é energia, que é matéria desagregada.

A partir de Dalton, com a demonstração científica sobre a teoria corpuscular, a Roentgen, a Becquerel, ao casal Curie, a matéria se foi desestruturando e tornando-se radiação, isto é, energia, um reino de ondas e raios, correntes e vibrações.

A contribuição da Física Quântica, no estudo em torno da matéria, facultou entender-se a possibilidade de existir uma energia pensante, que é o Espírito.

Anteriormente, com o surgimento do Espiritismo, os Imortais desencarnados haviam definido o Espírito como o princípio inteligente do Universo.

A concordância de definições demonstra que a sua Imortalidade é real. Nada morre. A vida é indestrutível.

Desse modo, não chores os teus afetos que desencarnaram, porque eles vivem.

Recorda-os com ternura e gratidão pela convivência afetuosa que tiveste com eles.

A celebração de Finados é mais do que a demonstração do carinho dos que estamos no corpo em homenagem aos que já se libertaram e convivem conosco.

Faze o bem por amor a eles e prepara-te para viver após a tua desencarnação, tornando-te um elemento digno na sociedade na qual te encontras.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 04/11/21

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DEVER DE GRATIDÃO

Orson Peter Carrara

Devemos tudo à Vida abundante que desfrutamos. Deus, o Criador, dotou-nos de vida e possibilitou-nos intenso e contínuo aprendizado. Para que pudéssemos evoluir, aprender, e, portanto, adquirir méritos do esforço colocado a serviço da conquista da felicidade, cercou-nos de inúmeros recursos. Entre eles estão as maravilhas produzidas pela natureza. Desde o espetáculo do nascer do sol – que soa como amável e silencioso convite ao trabalho -, às frutas ou perfume das flores, à condição de seres sociais que se relacionam para o mútuo crescimento e mesmo a uma infinidade de tesouros que nem percebemos. Sempre estão a nossa volta e o espaço desta página seria insuficiente para relacionar.

Colocou-nos num planeta rico de possibilidades e perspectivas. Dotou o planeta de água, fauna e flora abundantes; deu-nos os animais, pássaros e outros seres como companheiros de viagem e ainda escalou experimentados irmãos mais velhos que visitam o planeta periodicamente para ensinar o caminho do acerto e da felicidade. Entre eles, o maior de todos, Jesus de Nazaré, mensageiro do Evangelho, porta-voz direto do Pai Criador e que vivenciou em si mesmo o que ensinou.

No geral, devemos entender que, como filhos de um Pai Bondoso e Justo, que ama profundamente suas criaturas, fica o dever do auto aprimoramento intelecto-moral, único instrumento real de equilíbrio e felicidade. E consideremos que tudo isto enquadra-se até num dever de gratidão a tudo que recebemos diariamente de Deus, o Pai de todos nós.

E pensemos que o auto aprimoramento intelecto-moral nos levará pelo menos a duas consequências inquestionáveis: dominaremos o egoísmo feroz que ainda nos domina (o que determinará o fim da onda de sofrimentos que abate o planeta) e partiremos, porque mais conscientes, aos deveres da solidariedade que, por consequência, trarão o equilíbrio que esperamos. Aí está o Natal novamente, que nos inspira a todos a busca do Mestre da Humanidade.

Orson Peter Carrara

Fonte: G.E. Casa do Caminho de São Vicente

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A Ingratidão

Como lidar com a Ingratidão do Próximo sob uma Ótica Espírita?

Fernanda Oliveira

Ingratidão, segundo o dicionário online, é qualidade ou ação de quem é ingrato; falta de gratidão, de reconhecimento. Lamentavelmente chegamos ao ponto de perceber a ingratidão das pessoas em diversos momentos e situações cotidianas, desatenção a generosidade e a atitude fraterna; o não agradecer as pequenas delicadezas e gestos do dia a dia.

Quem pratica o bem e procura auxiliar e ajudar geralmente o faz de coração, sem esperar nada em troca. Mas será difícil para quem recebe reconhecer aquela atitude caridosa?

Aprendemos a amar, a fazer o bem e a manter uma postura de gratidão pela vida, mas como devemos lidar com a atitude de ingratidão?

O ser ingrato é uma criatura guiada ainda pelo egoísmo; conforme esclarece questão 937 de O Livro dos Espíritos: Para o homem de coração, as decepções oriundas da ingratidão e da fragilidade dos laços da amizade não são também uma fonte de amarguras? “São; porém, deveis lastimar os ingratos e os infiéis: serão muito mais infelizes do que vós. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará mais tarde com corações insensíveis, como o seu próprio o foi. Lembrai-vos de todos os que hão feito mais bem do que vós, que valeram muito mais do que vós e que tiveram por paga a ingratidão. Lembrai-vos de que o próprio Jesus foi, quando no mundo, injuriado e menosprezado, tratado de velhaco. Seja o bem que houverdes feito a vossa recompensa na Terra e não atenteis no que dizem os que hão recebido os vossos benefícios. A ingratidão é uma prova para a vossa perseverança na prática do bem; ser-vos-á levada em conta e os que vos forem ingratos serão tanto mais punidos, quanto maior lhes tenha sido a ingratidão”

A ingratidão é um teste para o seu agir, quando fazemos e tomamos atitudes sem esperar nada em troca, procurando realizar pensando na coletividade, no bem comum, podemos nos deparar com ações infelizmente de desconhecimento, mas não podemos ou devemos deixar esse ato modificar a nossa essência generosa, a questão 938 de O Livro dos Espíritos esclarece: As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade? “Fora um erro, porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão”. a) – Mas, isso não impede que se lhe ulcere o coração. Ora, daí não poderá nascer-lhe a idéia de que seria mais feliz, se fosse menos sensível? “Pode, se preferir a felicidade do egoísta. Triste felicidade essa! Saiba, pois, que os amigos ingratos que os abandonam não são dignos de sua amizade e que se enganou a respeito deles. Assim sendo, não há de que lamentar o tê-los perdido. Mais tarde achará outros, que saberão compreendê-lo melhor. Lastimai os que usam para convosco de um procedimento que não tenhais merecido, pois bem triste se lhes apresentará o reverso da medalha. Não vos aflijais, porém, com isso: será o meio de vos colocardes acima deles”.

Allan Kardec: A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.

O descaso do outro não pode e não deve afetar o que você é e as atitudes generosas e despretensiosas que realiza, a insatisfação gera sentimentos negativos que atrapalham o nosso caminhar. Se ajudamos alguém esperando receber algo em troca, isso não é dar/ ajudar isso é troca. Nunca estar satisfeito com o que se é ou com o que possui acaba produzindo sintonia com energias inferiores e negativas muitas pessoas ainda não compreendem o poder da gratidão. Todo mal por nós praticado conscientemente expressa de algum modo lesão em nossa consciência.

Devemos atentar para o que é positivo, registrar as coisas simples e boas, fazer contas de todas as dádivas já recebidas. Semelhante atrai semelhante, reencarnações após reencarnações vamos formando as nossas vidas ao nosso redor de acordo com os nossos pensamentos e atitudes.

A gratidão faz bem à saúde, é sintonia plena com o plano superior da vida, nos torna felizes e positivos.

As leis espirituais respeitam o livre arbítrio, mas a vida pede para repensarmos nossas atitudes e escolhas. Toda vez que eu causo sofrimento no meu semelhante eu gero sofrimento em mim.

Conforme elucida o Evangelho segundo o Espiritismo no capitulo XXVIII no item 28:  “O homem esquece facilmente do bem, para, de preferência, lembrar-se do que o aflige. Se registrássemos diariamente os benefícios de que somos objeto, sem os havermos pedido, quase sempre ficaríamos espantados de termos recebido tantos e tantos que se apagaram da nossa memória com a nossa ingratidão”. É recomendado essa sintonia de percepção com todas as coisas boas que recebemos e aprendemos diariamente, entrar em sintonia com Deus, manter o equilíbrio e a paz intima.

O mundo que vivemos é o mundo real e é bem diferente da teoria do mundo ideal, quando estamos equilibrados nada tira nossa paz. Conheça bem a si mesmo para que a ingratidão do outro não afete o seu estado mental e modifique quem você nasceu para ser. Procure proteger suas emoções, pois é dela que saem as suas escolhas.

A gratidão é o medicamento do espírito e o sentimento de almas elevadas. Com a disciplina, controle dos nossos pensamentos e atitudes, abandono do costume de reclamar e foco no propósito da vida entramos em conexão direta com os planos elevados e passamos a ter uma postura otimista na vida. O Espiritismo nos ensina a cultivar a semente do bem em nós mesmo e no nosso próximo. O homem nasceu com a sina do progresso.

Vamos caminhando praticando o bem na sintonia do amor.

“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e

justiça. Digo o que penso com esperança. Penso no que

faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me

esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também

se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a

mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou

lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que

o mais importante é o decidir” (Cora Coralina)

Fernanda Oliveira

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIA:

  1. O Evangelho Segundo o Espiritismo- Allan Kardec- Editora Boa Nova
  2. O Livro dos Espíritos- Allan Kardec –Editora EME
  3. A vida na visão do Espiritismo- Alexandre Caldini Neto- Editora Sextante
  4. Melhores Poemas- Cora Coralina-Editora GlobalPocket.
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Como me comunicar com meu Mentor?

Priscila Gonçalves

Anjo guardião, mentor, amigo espiritual… Vários são os nomes conferidos a estes Espíritos tão amorosos e dedicados, que foram designados pela Espiritualidade Superior durante o processo de planejamento reencarnatório para nos acompanhar durante a vida.

Vez ou outra, quando este Espírito é designado para uma outra missão, ele se afasta e recebemos outro tutor, mas, ainda assim, nunca estamos desacompanhados.

Estes Espíritos pertencem a uma ordem elevada da categoria dos Espíritos. Por certo, já passaram pelo Planeta Terra numerosas vezes, e também por outros mundos inferiores e superiores, e, assim, desenvolveram empatia, amor, criaram laços amorosos conosco, e, possivelmente, em uma encarnação passada, tivemos com eles uma forte conexão, e seu conhecimento e seu grau evolutivo o fazem apto a nos auxiliar em uma etapa de nossa jornada evolutiva.

Das questões 492 a 495 presentes em O Livro dos Espíritos, encontramos explanações sobre a ligação dos Benfeitores Espirituais conosco, até mesmo quando ocorre seu afastamento:

492. O Espírito protetor está ligado ao indivíduo desde o seu nascimento?

– Do nascimento à morte, e muitas vezes ele o segue após a morte, na vida espírita, até mesmo em várias existências corporais, pois essas existências constituem apenas fases bem curtas em relação à vida de Espírito.

493. A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória?

 – O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa, mas ele pode escolher os seres que lhe são simpáticos. Para uns é um prazer, para outros, uma missão ou um dever.

493. a) Apegando‑se a uma pessoa, o Espírito renuncia a proteger outros indivíduos?

– Não, mas ele o faz de maneira menos exclusiva.

494. O Espírito protetor fica fatalmente apegado ao ser confiado à sua guarda?

– Muitas vezes acontece de alguns Espíritos deixarem sua posição para cumprir missões diferentes; mas, nesse caso, outros os substituem.

495. O Espírito protetor às vezes abandona o seu protegido, quando este não lhe ouve os conselhos?

– Ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis, e que a decisão de submeter‑se à influência de Espíritos inferiores é mais forte. No entanto, não o abandona completamente, e sempre se faz ouvir. É o homem que fecha os ouvidos. O Espírito protetor volta tão logo é chamado.

Mas, por que então somos “abandonados” por nosso orientador? Bem, esta é uma questão que é facilmente respondida pelo nosso comportamento. Quando decidimos não seguir seus conselhos, suas orientações e inspirações, ele nos deixa para que possamos caminhar, errar e aprender; porém, mesmo nesta circunstância, quando nos tornamos pouco merecedores de companhia tão amável, ele volta; basta que deixemos nosso ego de lado e o convoquemos novamente.

A comunicação com este amigo é que faz toda a diferença. E como, afinal, podemos nos comunicar com ele? Cada indivíduo tem seu modo particular de comunicação. Uns têm uma conversa mais formal, outros mais informal, como uma conversa entre amigos, o que não deixa de ser, afinal, o Benfeitor é seu amigo presente quase 24 horas por dia. Outros o fazem através de preces, outros pelas artes. Cantando músicas edificantes, nas leituras, na escrita.

Não importa se está angustiado, entristecido ou tão feliz que parece exalar alegria e satisfação por todos os poros, e não importa se precisa compartilhar sua dor com o seu amigo para aliviar o fardo, ou celebrar uma conquista; o diálogo com o Espírito protetor, o anjo guardião, se faz necessário diariamente.

Abra os ouvidos e os olhos da alma, para ouvir e ver todos os sinais que ele lhe envia, para compreender e discernir os bons dos maus caminhos, avaliar seus passos e seu comportamento, e até pedir orientação para uma decisão difícil a ser tomada. Ou até contar como foi seu dia. Ele é, sempre foi e sempre será um grande amigo, disposto a ajudar sem julgar, querendo sempre o seu bem maior, pois abdicou de muitas coisas para cumprir a missão de lhe guardar e proteger dos males internos, dos vícios e más inclinações, e também dos males externos, dos perigos do mundo.

Priscila Gonçalves 

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019.

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