Em louvor à liberdade

– Vianna de Carvalho

EM LOUVOR À LIBERDADE

O natural processo de evolução do Espírito culminará quando, dominando as latentes faculdades de que se encontre investido, logre liberar-se dos atavismos da larga jornada dos renascimentos carnais ao longo dos milênios.

Corpúsculo de luz que mergulhou na névoa material para esplender como uma estrela de primeira grandeza, possui as incomparáveis qualidades divinas que desenvolverá no curso dos renascimentos na atmosfera terrestre.

Essa liberdade de pensar e de agir tem sido a ânsia de conquista do ser humano através dos tempos.

Imaturo e sem a capacidade de saber usá-la, criou o pensamento filosófico para poder melhor expressar-se, não conseguindo o tentame em razão do primarismo que ainda lhe é peculiar.

A busca da liberdade tem sido o impulso vigoroso presente nas escolas de pensamento, sempre comprometidas com as necessidades e limites dos seus criadores.

Em seu nome, indagou a célebre Madame Roland, na Revolução Francesa, antes de ser guilhotinada, Liberdade! Liberdade! Quantos crimes se praticam em teu nome?

O direito de vivenciar a liberdade deflui do reto cumprimento dos deveres que organiza o grupo social.

Enquanto predomina no indivíduo o jugo das energias materiais o seu anseio de liberdade não passa de uma transferência de conflito pessoal por anelar favores a que não faz jus.

Essa conquista resultará da perfeita consciência de discernimento dos valores que organiza a sociedade sob a inevitável ética de respeito e consideração aos direitos dos outros.

Durante a experiência da reencarnação a liberdade encontra-se sujeita aos limites do organismo na sua multiface, assim como na constituição legal e moral vigente.

Ninguém que propugne pela liberdade poderá impô-la, pois que ao fazê-lo violenta o direito do outro, tanto de pensar como de agir consoante o seu estágio de desenvolvimento moral.

A liberdade, portanto, é um conceito muito pessoal, sujeita ao espaço cultural em que se transita.

Quando se impõe, estabelecendo comportamentos esdrúxulos, faz-se libertinagem com grandes riscos de consumpção dos valores éticos vigentes.

Certamente, os propugnadores da liberdade dos cidadãos geram conflitos entre os conceitos anteriores e os porvindouros, que provocam receios, especialmente aqueles que se apresentam dominadores.

Quase sempre esses opositores do progresso da liberdade de qualquer opressão ou submissão, são ainda poderosos pela força bruta que os domina e na qual se comprazem.

Na História da Civilização ergueram-se impérios fantásticos sobre as ruínas de povos que foram vencidos, por sua vez, esmagados por títeres ainda mais perversos, que igualmente sucumbiram ao horror de outras armas mais destrutivas.

Na Antiguidade, homens e mulheres violentos levantaram-se contra as circunstâncias brutais que viviam e fizeram-se conquistadores que se apoiaram na perversidade para temidos e vingativos atingirem as suas metas sanguinárias.

Amaram filósofos temerários e se glorificaram por algum tempo, sendo derrubados por outros não menos odientos.

Desde Ciro, o Grande, pai de Cambises II, que construiu o império mais glorioso da História, a Alexandre Magno, da Macedônia, a Júlio César, a Cipião, o Africano, a Aníbal, o Cartaginês, para citar apenas poucos déspotas e guerreiros que passaram como edificadores, porém, sobre cadáveres e amontoados de lixo. A quase invencível Cartago foi arruinada e não ficou pedra sobre pedra, que não haja sido derrubada…

As poderosas culturas e cidades aparentemente invencíveis dormem hoje sob aos areais escaldantes dos desertos ou sob as águas submarinas, ou colunas e pedras abandonadas que parecem fantasmas corroídas pelos ventos calcinantes.

Veio, então, Jesus, para pacificar o mundo com a Sua mensagem de Amor e padeceu a ignorância dominante, sendo os seus fiéis discípulos, à Sua Semelhança, dizimados de forma inumana, compatível com os déspotas de então.

Logo após, a partir de 410 com a destruição de Roma por Alarico, os bárbaros com Átila, o terror de Deus, o próprio Alarico, Genghis Khan, que construiu o terrível império e outros não menos perversos, também foram devorados pelo tempo inclemente.

Sucederam-se os períodos de trevas por quase mil anos e o ser humano sempre sonhando com a liberdade, vem-se alçando no rumo do infinito e sofrendo o guante dos poderosos de um dia.

As guerras inclementes não cessaram, tornando-se mais cruéis e destrutivas, mas, apesar de todas as terríveis dores, o ser humano permanece na sua luta pela conquista da liberdade.

Com a Revelação do Espiritismo, compreende que a legítima liberdade é a do amor que permanece e sobrevive a todas as funestas e incessantes batalhas do mal e da desgraça coletiva, culminando na imortalidade em triunfo após todas as injunções enganosas, Todos somos livres para pensar e, à vezes, agir, conforme os regimes políticos, mas sempre nossas ações impõem-nos a liberdade de cultivar o bem, de evocar o Mártir da Cruz, que aparentemente foi vencido, porém retornou em glória soberana, exultante na ressurreição em liberdade absoluta.

O Seu exemplo é a lição mais grandiosa da luta pela independência do amor para vencer as misérias resistentes, representativas dos períodos primários do mecanismo da evolução.

A liberdade reside, portanto, na consciência do amor sob todos os aspectos considerados, em conclamação permanente pelo trabalho de dignificação da vida em toda a sua plenitude.

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 16 de outubro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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Discursos materialistas sobre o aborto

Marco Milani

DISCURSOS MATERIALISTAS SOBRE O ABORTO

Na conclusão de O Livro dos Espíritos (LE), parte II, encontramos a afirmação de que o Espiritismo é o mais terrível antagonista do materialismo. Essa contraposição torna-se evidente ao fundamentar-se os discursos sobre as mais diferentes questões.

O aborto é um dos temas que, apesar de claramente considerado nos ensinamentos dos Espíritos (ver questão LE-358, por exemplo), ainda fomenta polêmica àqueles que abraçam argumentos materialistas para defendê-lo.

A única exceção sob o ponto de vista doutrinário que justificaria o aborto provocado seria quando a continuidade da gravidez colocasse a vida da mãe em risco (ver questão LE-359).

Por não acreditarem haver nada mais além da matéria, materialistas justificam a afirmação de que o aborto provocado é uma questão de escolha da gestante, pois eles supõem que o ser em gestação seja parte do próprio corpo da mulher (matéria), e não exista um Espírito independente vinculado ao processo reencarnatório. Assim, o bebê nada mais seria que uma extensão do corpo da mãe.

Outra afirmação materialista é a de que o aborto é um caso de saúde pública, supondo que o ser em gestação é descartável perante o desejo maior da mãe de expulsá-lo de seu corpo servindo-se de procedimentos que não coloque a sua própria vida em risco. Sob essa narrativa, caberia ao Estado oferecer mais segurança sanitária para a expulsão do ser em gestação. Um argumento abortista recorrente sobre esse tópico é a de que mulheres ricas estariam mais seguras para eliminar o bebê do que as pobres, então dever-se-ia, por uma questão de “justiça social”, oferecer as mesmas condições para os mais carentes.

O sacrifício dos seres que apresentem algum tipo de má-formação ou características patológicas graves é, ainda, aceitável para materialistas que vislumbram as dificuldades que serão geradas aos responsáveis para o acolhimento, gastos e cuidados necessários. Chegam a usar o discurso de que será melhor para a criança não nascer (ou seja, ser eliminada) do que viver em sofrimento, desconsiderando todas as causas espirituais que levaram a essa situação.

Longas discussões médicas e jurídicas marcam a determinação de quando, efetivamente, começaria a vida. Discute-se ser a partir da concepção ou outras fases do desenvolvimento do corpo. Materialistas, servindo-se de malabarismos conceituais, relativizam a existência intrauterina.

Ao inserirmos o elemento espiritual, amplia-se a perspectiva da análise, pois considera-se o ser reencarnante, um indivíduo independente, com direito à vida (LE-880), continuando seu processo evolutivo junto àqueles que, por afinidade, participarão de sua jornada terrena. Ao proteger-se a sobrevivência do nascituro, valoriza-se a vida.

Uma das características do Espiritismo é a fé raciocinada, portanto espera-se que os seus adeptos creiam, baseados em argumentos válidos e assumam posturas compatíveis com os princípios e valores doutrinários. Certamente, o nível de maturidade e compreensão desses princípios e valores variarão e refletirão nas expressões públicas e privadas de cada um.

Sobre a temática do aborto, Kardec sinaliza, claramente, as consequências a todos envolvidos, proporcionais ao conhecimento, intenção e responsabilidade sobre o ato. Em momento algum desconsidera o livre-arbítrio e, com ênfase, destaca o mérito daqueles que superam as mais dolorosas situações para preservar a vida.

Marco Milani

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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Riqueza e Pobreza Qual a Maior Provação?

Simara Cabral

“E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Mateus, 19:24)

Todos os dias vemos muitas pessoas jogando na loteria, outras trabalhando exaustivamente até o limite de suas forças, outras cometem atos ilícitos, todos em busca da riqueza e abundância dos bens terrenos, como se um grande patrimônio pudesse trazer a solução de todos os problemas. Mas será que uma grande soma em dinheiro realmente resolve os infortúnios ou será a riqueza uma tentação capaz de trazer maiores transtornos do que os que a pessoa tinha antes?

A desigualdade social existe em todos os lugares do mundo, mas em alguns países ela é mais acentuada. De acordo com o IBGE, em 2018 o rendimento mensal dos 1% mais ricos do Brasil era quase 34 vezes maior do que o rendimento da metade mais pobre da população. Durante a pandemia, essa desigualdade aumentou. De um lado vemos pessoas ostentando todo tipo de luxo: viagens, carros importados, mansões, roupas de grife enquanto a maior parte da população luta diariamente para ter acesso aos direitos básicos: alimentação, educação, saúde, direito à moradia, ao trabalho dentre outros.

O psicólogo norte americano Abraham H. Maslow criou um conceito chamado “A Pirâmide de Maslow” que determina as condições para que cada pessoa alcance sua satisfação pessoal, ou seja, se sinta feliz e realizada. Na base da pirâmide estão as necessidades básicas para a felicidade e elas vão se modificando até atingir o topo da pirâmide que seria a realização pessoal completa conforme a imagem abaixo.

Fonte: https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow/

Conforme pode-se observar, para ter acesso à base da pirâmide é necessário que se tenha uma condição financeira que propicie acesso à alimentação, água e moradia, o que deveria ser um direito básico do ser humano. Em seguida, segurança do corpo, do emprego e de recursos, o que também depende do dinheiro. A partir daí as necessidades não são mais relacionadas aos bens materiais, e sim às boas relações sociais, amizades, desenvolvimento da auto estima, aceitação perante as dificuldades da vida entre outras. Portanto, de acordo com a psicologia o dinheiro pode trazer a segurança necessária para se obter um certo grau de satisfação, no entanto a felicidade plena não é atingida através de uma grande fortuna, luxo ou satisfação das vaidades.

De acordo com a Doutrina Espírita, a prova da riqueza e a da pobreza são difíceis, porém necessárias ao aprimoramento moral, pois enquanto na pobreza o ser humano precisa desenvolver a resignação, a paciência e a humildade, na riqueza ele precisa praticar a caridade, evitar abusos e tentações que aparecem das mais variadas formas. É preciso lembrar que as duas provas são situações temporárias que podem ser alternadas na mesma ou na próxima encarnação. No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Lacordaire (Constantina, 1863) diz: “Sabei contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, pois a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais que esses bens vos foram confiados e que tendes de justificar o emprego deles, como uma prestação de contas de tutela. Não sejais administradores infiéis, fazendo-as servir à satisfação do vosso orgulho e vossa sensualidade. Não vos julgueis no direito de dispor exclusivamente em vosso favor daquilo que não é senão um empréstimo, e não uma doação. Se não sabeis restituí-lo, não tendes mais o direito de pedir. E recordai que aquele que dá aos pobres, quita-se da dívida que contraiu com Deus.” Por isso quando a prova da miséria chega até o homem, ele deve enfrentá-la com confiança e resignação, e caso a prova da riqueza venha a aparecer, deve-se recordar das palavras do Mestre Jesus no Evangelho de Mateus 6:19-21: “Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.”

Em “O livro dos Espíritos”, nas questões de 814 a 816, é explicado que Deus concede a riqueza a uns e a miséria a outros para experimentar os espíritos de formas diferentes e é dito que as duas provas apresentam graus elevados de dificuldade: “A alta posição do homem neste mundo e a autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a miséria, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.” Lembrando apenas que na tradução do hebraico, a mesma palavra era usada para “camelo” e “cabo” e o mais provável é que “cabo” fosse a tradução correta, pois faria mais sentido. Desta frase dita por Jesus, pode-se compreender que a prova da riqueza é mais perigosa para o homem pois a tentação de abusar dos recursos e de apegar-se aos bens materiais é quase irresistível para o homem comum, caso ele não esteja focado na vida futura e no seu desenvolvimento moral.

Deste modo aquele que acredita ser a riqueza uma solução para as dificuldades da vida terrena ignora o real objetivo de sua encarnação, que é a evolução espiritual e não a aquisição de bens materiais ou a satisfação dos desejos fugazes da carne. Quando se deixa levar pelas paixões materiais e busca apenas os prazeres efêmeros, o homem perde de vista a vida futura e se afasta do seu aprimoramento moral. Por isso, a despeito de que qualidade seja a provação que esteja enfrentando, o importante é que se empenhe para alcançar o desenvolvimento das virtudes da alma, seja a paciência, a resignação ou a submissão à vontade de Deus, e sempre que possível que o homem lembre-se de trabalhar ativamente no auxílio ao próximo e na construção de um mundo melhor, onde todos possam ter dignidade para viver. E como disse Chico Xavier: “Você nem sempre terá o que deseja, mas enquanto estiver ajudando os outros, encontrará os recursos de que precisa”.

Portanto, ao buscar o aperfeiçoamento moral além da melhoria das condições materiais, o homem estará desenvolvendo suas próprias virtudes e simultaneamente, levando todo a humanidade a progredir, elevando a categoria do planeta a um patamar onde não exista a miséria, a fome e a violência e onde todos tenham a oportunidade de viver e não apenas de tentar sobreviver. O progresso da humanidade depende do esforço de cada um dos habitantes do planeta, desde que abdiquem de seus desejos egoístas, sua ambição, seu orgulho e deixem predominar o amor ao próximo, a caridade e a benevolência dado que somente assim as injustiças sociais não terão mais vez e a fraternidade, a solidariedade e o amor reinarão na Terra.

Simara Cabral

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

  1. Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br>. Acessado em 10 de Julho de 2021.
  2. Desigualdade social. Disponível em < https://www.politize.com.br/desigualdade-social/>. Acesso em 08 de Julho de 2021.
  3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.
  5. Pirâmide de Maslow. Disponível em: <https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow>. Acesso em 14 de Julho de 2021.
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POBREZA

Divaldo P. Franco

Normalmente, a referência à palavra pobreza significa ausência de recursos de toda natureza, conduzindo o indivíduo à miséria.

Do ponto de vista histórico sempre houve pessoas pobres, como sociedades muito necessitadas no seu conjunto, arrastando carências de toda ordem, especialmente a falta de valores amoedados e quaisquer outros que possam proporcionar conforto e bem-estar.

Além da situação deplorável pela falta do que pode manter a vida digna, sustentável, é também fonte de situações abomináveis.

O nada ou quase nada ter é resultado de injustiças sociais e egotismo de reduzida minoria de criaturas que se apoderam de tudo, em detrimento de posses mais ou menos favoráveis ao crescimento espiritual e moral.

Essa situação conduz à posição de indignidade espiritual, por facultar a ausência moral de ideais superiores e de ânsias que dignificam o ser humano.

Nesses covis da miséria, onde a fome se aloja e o desespero faz morada, os crimes mais perversos são urdidos e praticados.

Numa visita que Jesus realizou a um homem fariseu rico, que o convidara a uma refeição em sua casa, foi homenageado por uma desconhecida que lhe umedecia os pés com raro perfume, enquanto enxugava-os com os seus cabelos.

Precipitado e ambicioso, Judas achou a cena um desperdício e reclamou que aquele perfume poderia ser vendido e o seu fruto distribuído com os pobres.

Jesus, que sempre estava em vigília, sem censura, respondeu-lhe: Os pobres sempre os tereis, mas a mim, não!

O anfitrião não teve para com Ele nenhuma das obrigações recomendadas quando da recepção de um convidado: oferecer água e toalha para ablução, dar um ósculo na face. Mas a mulher estranha ofertava-lhe beijo nos pés lavados também por suas lágrimas…

Aquele fariseu hipócrita que desejava ser homenageado recebendo no seu lar a figura ímpar do Mestre, fazia parte de uma classe perigosa e infeliz de pobreza, que é a de natureza moral. Ele se houvera reportado a esse gênero humano, quando expôs no Sermão da Montanha que seriam bem-aventurados os pobres de amor, de solidariedade, de compaixão… Espíritos ricos de tesouros morais.

A sociedade contemporânea encontra-se rica de técnicas e conquistas exteriores, falando sobre a igualdade dos bens de todos os seres humanos, no entanto, jamais abdica dos recursos que lhes produzem o poder, mediante os mecanismos da corrupção, dos vícios e dos meios lamentáveis de dominação arbitrária.

Faz-se indispensável que o pensamento hodierno contemple os legítimos valores que enriquecem, mediante o amor, a fraternidade e a justiça.

Nunca houve tanta injustiça no mundo, como hoje.

Merece, no entanto, recordar, que somente os justos herdarão o Reino de Deus.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no Jornal A Tarde, coluna Opinião, de 21.10.2021.

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Famílias Tóxicas e o Espiritismo

Juliana Procópio

O termo família, no dicionário online, define o grupo de pessoas que vivem sob o mesmo teto ou o grupo de pessoas com ancestralidade comum. Nessa concepção estão inclusos os pais, irmãos, tios e parentes mais próximos.

“Os familiares são os primeiros relacionamentos e experiências, e nosso lar o primeiro ambiente de convivência humana. No lar as experiências humanas são mais complexas. O organograma da família atual é composto por vários tipos e ramificações. O amor ao próximo deve ser exercitado dentro de lar, onde são desenvolvidos valores elevados de sentimento e da razão”.

É na família geralmente que está a nossa fortaleza e educação moral, como também as nossas maiores provas e resgates.

“Os Espíritos que se encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são frequentemente Espíritos simpáticos, ligados por relações anteriores, que se traduzem pela afeição durante a vida terrena. Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns para os outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem também por seu antagonismo na Terra, a fim de lhes servir de prova”. L.E.

Nunca foi tão necessário sentir-se acolhido no seio familiar como se faz no presente, no entanto para muitos o convívio com as pessoas que a constitui é algo difícil.

É na família que geralmente estão as nossas maiores provas. Todos temos um planejamento reencarnatório e, muitas das vezes, repleto de resgates de dívidas pretéritas ou de crescimento em conjunto.

No entanto, por vermos a instituição “Família” como algo sagrado, muitas vezes justificamos determinados comportamentos como excesso de zelo e preocupação aliados ao amor. Mas assim como nos relacionamentos amorosos e nas amizades, encontramos formas tóxicas no seio familiar relacionadas ao tratamento de um ou mais indivíduos.

“O termo ‘família tóxica’ designa um grupo familiar que traz angústia e sofrimento emocionais por causa do comportamento que alimentam. Acontece que muitas pessoas não sabem identificar de forma adequada esses indivíduos, pois, para isso, é necessário mergulhar na dor que eles causam”.

E quantos já não sentiram que não pertenciam a determinada família? Que não se parece com seus membros? Que pensa e age diferente de todos? Se sente deslocado?

Segundo a espiritualidade em alguns casos somos unidos não por sentimentos afins, mas pelas dívidas e resgates que temos juntos e mesmo no processo reencarnatório com o véu do esquecimento, alguns sentimentos e lembranças estão enraizadas em nosso perispírito e se manifestam em sentimentos que não podemos explicar. Reencarnamos para sanar essas dívidas preteridas, mas isso não justifica aceitar maus tratos e comentários depreciativos que minam a autoestima de uma pessoa e nada tem a agregar em nossa evolução.

Segundo uma pesquisa os relacionamentos familiares tóxicos podem gerar vários problemas, tais com:

  • estresse;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • pouca autoestima;
  • dependência emotiva;
  • transtorno de personalidade;
  • sensação de inferioridade;
  • incapacidade de lidar com conflitos.

Geralmente são decorrência de comportamentos familiares onde há troca de papéis (entre pais e filhos), falta de diálogo, brigas constantes, violência psicológica ou física, distanciamento emocional, comparação excessiva entre os membros, atitudes e tratamento diferentes entre os pares, entre outros que intensificam esses problemas.

Alguns desses comportamentos e atitudes podem gerar emoções conflituosas, sensação de abandono e de não pertencimento. Quem por exemplo, não tem aquela amizade que é mais família do que a sanguínea? Que se entende pelo olhar? Essa é a nossa família espiritual, geralmente ligados por séculos.

O que temos que ter claro em nós é que estamos todos aqui para evoluir e nos melhorar moralmente. Uns estão apenas alguns passos à frente em sua evolução e isso não significa que somos melhores, mas que devemos usar esse entendimento para buscar paciência e formas de seguir.

No entanto, nenhuma relação, seja ela familiar, de amizade ou amorosa deve se manter quando uma das partes está sendo violada mental, físico ou psicologicamente. Devemos ter muito claro dentro de nós esse comportamento, que muitas vezes são “mascarados” de amor e cuidado.

É preciso ter em mente que Deus não quer o nosso sofrimento. Tudo o que vivenciamos está relacionado ao nosso livre arbítrio e as escolhas boas ou equivocadas que tivemos ao longo de nossas várias reencarnações. Portanto, conviver em um ambiente violento não é vontade de Deus para seus filhos.

Afastar-se não é desamor, mas uma forma de buscar mantê-lo e seguir em frente. Busquemos o equilíbrio em nossos relacionamentos e se for preciso e possível afastar-se, será uma solução viável para se evitar a aquisição de novas dívidas.

Que Deus ilumine seu caminho.

Paz e bem!

Juliana Procópio

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIA

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Podemos morrer antes da hora?

Daniel Polcaro

VISÃO ESPÍRITA SOBRE A POSSIBILIDADE DA MORTE ANTES DA HORA*

(Video Youtube – TV Mundo Maior)

Uma das dúvidas mais comuns para quem está iniciando o estudo da Doutrina Espírita é se alguém morre antes da hora. Ou seja, é possível que alguém volte para o plano espiritual antes do planejado? Afinal, por mais que tenhamos um planejamento aqui na Terra, será que ele pode ser alterado ao ponto de interromper a nossa missão?

Ninguém morre antes da hora?

‘Não há erro na hora da morte. A gente morre na hora exata, na hora certa, na hora que precisava morrer, exceto no caso de suicídio’, observa Alexandre Caldini, da TV Mundo Maior. Ele explica que no caso de acidente, apesar de não ser possível prever, mas aconteceu e existe uma explicação.

‘Frequentemente existe um culpado para o acidente. Podia não ter acontecido, mas aconteceu’, explica. Ou seja, existe uma ligação do fato com o resgate daquele espírito, que pode ter sido imprudente ou ‘vítima’. Mas nos dois casos não existe o que se pode chamar de erro na visão espírita. Podemos provocar a nossa morte pela imprudência, mas ela não seria fora de hora pois escolhemos através de nossas atitudes.

Colheita constante

Em outras palavras, estamos em constante colheita do que plantamos nesta e em outras vidas. Dessa forma, diariamente teremos questões mal resolvidas do passado nos convocando para serem resolvidas. Seja através de situações no campo familiar, mas também podendo alcançar questões cotidianas com pessoas desconhecidas, a exemplo de uma confusão no trânsito.

Mas também temos condições de continuar plantando enquanto se colhe o que não consideramos bom. Assim, teremos em um determinado tempo, a colheita de sentimentos, situações e conhecimentos melhores.

A transformação é imediata

Em conclusão, desde já, se assim desejarmos, temos a plena condição de iniciar essa transformação, que começa a nível de consciência. Afinal, quando despertamos para essa sabedoria espiritual, compreendemos que aquilo que hoje nos machuca é fundamental para a cura que desejamos.

Ou seja, sem todos os conflitos que negamos e tentamos evitar, não seremos merecedores e teremos capacidade de usufruir todas as conquistas que desejamos e iluminam nosso ser.

Daniel Polcaro

*Texto baseado no video de Alexandre Caldini

Fonte:  Chico de Minas Xavier

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UNIÕES CÁRMICAS

Fernando Rossit

Nos sentimos atraídos por outras pessoas por duas razões, basicamente: afinidade ou compromissos espirituais.

Num primeiro momento, nem sempre é possível distinguir uma coisa da outra quando nos aproximamos de alguém com a intenção de consolidar um relacionamento mais íntimo (amizade, namoro, casamento…).

A dúvida é: – o que estou sentindo advém de uma “atração cármica” ou trata-se de um espírito amigo com o qual já me relacionei saudavelmente no passado?

“Quando duas pessoas se encontram nos caminhos da Vida e sentem, de forma imediata e automática, uma conexão/atração mútua e irresistível, pode tratar-se de uma situação de um relacionamento cármico entre os dois, que já vem de outras vidas”.

Talvez por isso é que muitos relacionamentos que inicialmente pareciam ter tudo para dar certo, acabam de forma dramática e muitas vezes trágica.

Mas por que será que isto acontece? E o que são encontros cármicos?

São encontros de almas que têm pendências de outras vidas para resolverem entre si.

A principal característica de um relacionamento cármico baseia-se no fato de que ambos parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúmes, raiva, ressentimentos etc, trazidas de outras vidas e que precisam de ser resolvidas na vida atual.

E a oportunidade de resolver dá-se exatamente pelo “reencontro” entre as duas almas.

Num reencontro cármico, a outra pessoa é-nos imediata e estranhamente familiar, mesmo que nunca a tenhamos visto nesta vida ou que não a conheçamos bem.

Este tipo de reencontro, muitas vezes, acaba por se transformar num relacionamento amoroso ou numa intensa paixão. E então as emoções que experimentamos podem ser tão avassaladoras, que acreditamos ter encontrado a “alma gêmea”.

Por causa da “carga emocional” não resolvida, estes dois seres sentem-se atraídos um pelo outro na vida atual e o reencontro é a oportunidade de resolverem o que ficou pendente e libertarem-se, para uma vivência mais plena e feliz.

Então o que acontece quando duas pessoas assim se encontram?

Dois seres com questões por resolver, quando se encontram, sentem uma compulsão, quase que uma emergência em estar mais perto um do outro.

Entretanto, depois de algum tempo, por força dos problemas e atritos que inevitavelmente surgem no relacionamento atual (dessa vida), poderão repetir os mesmos padrões emocionais que causaram rompimentos e dores numa vida passada.

Uma nova existência juntos é a grande oportunidade para enfrentarem os problemas pendentes e lidar com eles de uma forma mais iluminada.

Ou não!

Tudo depende do grau de maturidade emocional de cada um e da vontade de superar as dificuldades do relacionamento.

Por isso, muitos casais acabam por se separar de forma dramática e dolorida, mesmo que o relacionamento tenha começado num aparente “mar de rosas” e, muitas vezes, nem eles mesmos conseguem perceber muito bem por que as coisas deram errado.

Este tipo de relacionamento, por causa da carga emocional e bloqueios que traz consigo, trará sempre grandes desafios, muitos deles bem dolorosos, que virão à tona mais cedo ou mais tarde.

Após algum tempo, geralmente os parceiros acabam envolvendo-se num conflito psicológico, que poderá ter como base a luta pelo poder, o controle e a dependência, seja emocional, material, ou de outra natureza.

E o que isto significa? Significa que muitas vezes, estes dois seres acabam repetindo comportamentos ou criando situações que o seu subconsciente “reconhece” de uma vida anterior, onde essas pessoas podem ter sido amantes, pai e filho, patrão e funcionário, ou algum outro tipo de relacionamento.

Pode ser que, nessa vida anterior, um dos dois tenha aberto uma ferida emocional no outro, através da infidelidade, abuso de poder, manipulação, agressão etc, tendo provocado cicatrizes profundas e trauma emocional.

O propósito espiritual deste tipo de “reencontro” para ambos os parceiros é que eles aproveitem esta oportunidade para fazer escolhas diferentes das que fizeram numa vida passada e aprendam um com o outro, tudo o que deve ser aprendido e absorvido, para a evolução de ambos.

Identifique se está neste tipo de relacionamento, aprenda as lições necessárias, cresça e amadureça.

Caso ambos parceiros sejam suficientemente maduros e evoluídos emocionalmente, o relacionamento cármico pode sim ser verdadeiramente benéfico e transformador para ambos.

Fernando Rossit

Fonte:  Kardec Rio Preto

Bibliografia de apoio:

Reencarnação – Richard Simonetti

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Perigos do Espiritismo – Orson Peter Carrara

PERIGOS DO ESPIRITISMO*

Não se assemelham

Querendo certos experimentadores do Espiritismo, com o intuito de verificação, fixar as condições de produção dos fenômenos, acumular os obstáculos e as exigências, nenhum resultado satisfatório obtiveram, e, desde então, tornaram-se hostis a essa ordem de fatos.

Devemos lembrar que as manifestações dos Espíritos não poderiam ser assemelhadas às experiências de Física e de Química. Ainda assim, estão estas submetidas a regras fixas, fora das quais todo resultado é impossível.

Nas comunicações espíritas, achamo-nos diante não mais de forças cegas, porém de seres inteligentes, dotados de vontade e de liberdade, que, não raro, leem em nós, discernem nossas intenções malévolas e, se são de ordem elevada, cuidam pouco de se prestarem às nossas fantasias.

Resguardar-se dos embustes

O estudo do mundo invisível exige muita prudência e perseverança. Somente ao fim de muitos anos de reflexão e de observação é que se adquire o conhecimento da vida, é que se aprende a julgar os homens, a discernir o seu caráter, a resguardar-se dos embustes de que está semeado o mundo.

Mais difícil ainda de obter é o conhecimento da Humanidade invisível que nos cerca e paira acima de nós. O Espírito desencarnado acha-se, além da morte, tal como ele próprio se fez durante sua estada neste mundo. Nem melhor nem pior. Para domar uma paixão, corrigir uma falta, atenuar um vício é, algumas vezes, necessária mais de uma existência.

Daí resulta que, na multidão dos Espíritos, os caracteres sérios e refletidos estão, como na Terra, em minoria, e os Espíritos levianos, amantes de coisas pueris e vãs, formam numerosas legiões.

Pela afinidade é que se atraem

O mundo invisível é, pois, em mais vasta escala, a reprodução do mundo terrestre. Lá, como aqui, a verdade e a Ciência não são partilha de todos.

A superioridade Intelectual e moral só se obtém por um trabalho lento e contínuo, pela acumulação de progressos realizados no curso de longa série de séculos.

Sabemos, entretanto, que esse mundo oculto reage constantemente sobre o mundo corpóreo. Os mortos influenciam os vivos, os guiam e inspiram à vontade. Os Espíritos atraem-se em razão de suas afinidades. Os que despiram as vestes carnais assistem os que ainda estão com elas. Estimulam-nos no caminho do bem; porém, mais vezes ainda, nos impelem ao do mal.

Superiores e inferiores

Os Espíritos superiores só se manifestam nos casos em que sua presença é útil e pode facilitar o nosso melhoramento. Fogem das reuniões bulhentas e só se dirigem a homens animados de intenções puras. Pouco lhes convêm as nossas regiões obscuras. Desde que podem, voltam para os meios menos carregados de fluídos grosseiros, mas, apesar da distância, não cessam de velar pelos seus protegidos.

Os Espíritos Inferiores, incapazes de aspirações elevadas, comprazem-se em nossa atmosfera. Mesclam-se em nossa vida e, preocupados unicamente com o que cativava seu pensamento durante a existência corpórea, participam dos prazeres e trabalhos daqueles a quem se sentem unidos por analogias de caráter ou de hábitos. Algumas vezes mesmo, dominam e subjugam as pessoas fracas que não sabem resistir às suas influências. Em certos casos, seu império torna-se tal que podem impelir suas vítimas ao crime e à loucura.

Joguete de Espíritos pérfidos

É nesses casos de obsessão e possessão, mais comuns do que se pensa, que encontramos a explicação de numerosos fatos relatados pela História.

Há perigo para quem se entrega sem reservas às experimentações espíritas. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, pode de aí recolher consolações inefáveis e preciosos ensinos. Mas aquele que só fosse inspirado pelo interesse material ou que só visse nesses fatos um divertimento frívolo tornar-se-ia fatalmente o objeto de uma infinidade de mistificações, joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando suas inclinações, seduzindo-o por brilhantes promessas, captariam sua confiança, para, depois, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.

Para expelir más influências

É, portanto, necessária uma grande prudência para se entrar em relação com o mundo invisível. O bem e o mal, a verdade e o erro nele se misturam, e, para distingui-los, cumpre passar todas as revelações, todos os ensinos pelo crivo de um julgamento severo. Nesse terreno ninguém deve aventurar-se senão passo a passo, tendo nas mãos o facho da razão. Para expelir as más influências, para afastar a horda dos Espíritos levianos ou maléficos, basta tornar-se senhor de si mesmo, jamais abdicar o direito de verificação e de exame; é bastante procurar, acima de tudo, os meios de se aperfeiçoar no conhecimento das leis superiores e na prática das virtudes.

Aquele cuja vida for reta, e que procure a verdade com o coração sincero, nenhum perigo tem a temer. Os Espíritos de luz distinguem, veem suas intenções, e assistem-no. Os Espíritos enganadores e mentirosos afastam-se do justo, como um exército diante de uma cidadela bem defendida. Os obsessores atacam de preferência os homens levianos que descuram das questões morais e que em tudo procuram o prazer ou o interesse.

Reflexos do passado

Laços cuja origem remonta às existências anteriores unem quase sempre os obsidiados aos seus perseguidores invisíveis. A morte não apaga as nossas faltas nem nos livra dos inimigos. Nossas Iniquidades recaem, através dos séculos, sobre nós mesmos, e aqueles que as sofreram perseguem-nos, às vezes, com seu ódio e vingança, de além-túmulo. Assim o permite a justiça soberana. Tudo se resgata, tudo se expia. O que, nos casos de obsessão e de possessão, parece anormal, iníquo muitas vezes não é senão a consequência das espoliações e das infâmias praticadas no obscuro passado.

Orson Peter Carrara

Fonte:  Kardec Rio Preto

*cap. 26 do livro DEPOIS DA MORTE – Leon Denis (1ª. edição CELD-RJ,2.000, tradução de Maria Lúcia Alcântara de Carvalho). Transcrição na íntegra com subtítulos e divisão do texto por Orson Peter Carrara

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ABORRECIMENTOS

Espírito Joanes

Nada mais comum, nas atividades terrenas, do que o hábito enraizado das querelas, dos desentendimentos, das chateações.

Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.

Como num grupo de meninos, em que cada gesto, cada nota, cada menção se torna um bom motivo para contendas e mal-entendidos, também na sociedade dos adultos ocorre o mesmo fenômeno.

Mais do que compreensível que nós, como se fôssemos um menino de pavio curto, liberemos adrenalina nos episódios cotidianos que desafiam a nossa estabilidade emocional.

Compreensível que nos agitemos, que nos irritemos, que levantemos a voz, que afivelemos ao rosto expressões feias de diversos matizes.

Tudo isso é possível de acontecer por causa do nível do nosso mundo íntimo.

No entanto, é bom lembrarmos que não viemos para a Terra para fixar nossas deficiências, nossas dificuldades. Estamos aqui para tratar delas, cultivando saúde íntima.

Não estamos no mundo para agirmos, atendendo aos nossos impulsos irracionais, mas para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.

Não nascemos para nos permitirmos levar pelo destempero, pela irritação que nos desequilibra, nos torna pessoas de difícil trato.

Cabe-nos o dever de nos educarmos, porque temos na pauta da nossa vida o compromisso de cooperar com Deus, à medida que cresçamos, que amadureçamos, que nos tornemos pessoas nobres.

Desse modo, os nossos aborrecimentos diários, embora sejam admissíveis em almas infantis e destemperadas, provocam ruídos infelizes, desconcertantes e indesejáveis, nas almas que vivem e convivem conosco.

Tornamo-nos pessoas causadoras de distúrbios, de inconveniências, em síntese, de problemas.

Observemo-nos. Façamos uma análise de nós mesmos e nos conheçamos um pouco mais. Verifiquemos nossos pontos negativos e trabalhemos para deles nos libertarmos.

Eles nos infelicitam e causam preocupações aos familiares, amigos, colegas.

Afinal, quem pode ficar tranquilo ao lado de quem parece sempre pronto a estourar?

Resistamos aos impulsos inferiores que ainda rondam a nossa intimidade.

Aproximemo-nos mais dos benfeitores espirituais que nos amparam.

Perante as perturbações alheias, aprendamos a não imitá-las.

Diante da rebeldia de alguém, analisemos e não façamos o mesmo.

Notando a explosão violenta de alguém, reflitamos nas consequências danosas, a fim de não agirmos de igual forma.

Cada esforço que fizermos por nos melhorarmos, por nos educarmos, será secundado pela ajuda de luminosos imortais que estão, em todo tempo, investindo no nosso progresso.

Eles esperam que cresçamos e nos iluminemos, tornando-nos cooperadores com Deus, superando a nós mesmos, transformando nossas noites morais em radiosas manhãs de perene formosura.

Quando formos visitados pelo sofrimento ou por contrariedades, não nos deixemos dominar.

Finalmente, quando tivermos vencido nossos ímpetos de impaciência, de cólera, ou de desespero, digamos, para nós mesmos, cheios de justa satisfação: Fui o mais forte.

Redação do Blog Espiritismo na Rede baseado no cap. 13 do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

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A CRIANÇA E O ADOLESCENTE

Direitos da criança e do adolescente sob a luz da Doutrina Espírita

Rafaela Paes de Campos e Carla Silvério Barbosa

É inegável que a criança e o adolescente demandam tratamentos e cuidados diferenciados, levando-se em consideração a sua condição de ser em formação e que necessita de orientação minuciosa para que assimile as noções de certo e errado e molde sua personalidade. No Brasil, a lei maior está contida na Constituição Federal, promulgada em 1988 e, no sentido inicialmente exposto, ela dispõe

Art. 227 – É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (BRASIL, 2021a).

Portanto, é necessário que a criança tenha acesso a tudo o que qualquer cidadão também tem direito, mas com prioridade que atenda às suas particularidades. Diante disso, tem-se também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei especial para tratar de forma diferenciada aquele que demanda tratamento diferenciado.

Adentrando aos direitos inerentes à religião, base deste nosso artigo, temos mais uma vez a intervenção da Constituição Federal em seu artigo 5ª, inciso VI, aduzindo que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias” (BRASIL, 2021a).

Assim sendo, em nosso país é livre o exercício da religião, não podendo o Estado impor nenhuma delas e devendo garantir a segurança dos ambientes religiosos na forma da lei. O mesmo direito estende-se às crianças, eis que, estando no artigo 5ª da Constituição, trata-se de um direito fundamental e, por isso, inegociável e inerente a todos os cidadãos brasileiros.

Nesse sentido, corrobora o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 3º, estabelecendo que toda criança e adolescente possuem os mesmos direitos fundamentais que são inerentes à pessoa humana, garantindo que tenham todas as oportunidades e facilitações para o “desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade” (BRASIL, 2021b). E, ao falar sobre liberdade, inclui-se a crença e o culto religioso, conforme dispõe o mesmo Estatuto em seu artigo 16, inciso III.

Entretanto, é importante que se leve em conta, nesse aspecto, o que dissemos inicialmente, eis que a criança e o adolescente são seres em formação e, por esse motivo, demandam a supervisão de seus responsáveis. Isto posto, tem-se a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança de 1989, que foi ratificada pelo Brasil e que, igualmente, reconhece o direito de liberdade religiosa, estando a criança sujeita apenas às recomendações de seus pais ou responsáveis e, estritamente, ao que diz a lei.

Isso ocorre porque a criança e o adolescente acabam por iniciar a sua vida religiosa de acordo com aquela professada por seus pais ou representantes, ficando livres, mais tarde, para escolher aquela que mais se adequa às suas crenças e necessidades diversas.

E saindo da lei material para a espiritual, disse-nos Jesus: “Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, pois o reino dos céus é daqueles que se assemelham a elas. Eu vos digo, em verdade, que todo aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará” (KARDEC, 2019, p. 93).

Muito embora a criança seja um Espírito com bagagem incontável de existências pretéritas, ao adentrar a matéria em nova vida traz consigo a aparência da fragilidade para que receba de seus responsáveis a doçura e consequente orientação nos novos passados na materialidade.

Sendo um Espírito imortal e biopsicoespiritual, tem na infância um novo caminho para o desenvolvimento de nova existência e desenvolvimento das experiências necessárias para o seu aprimoramento intelectual, moral e espiritual, reencarnando no seio adequado para o a vivência das reações de ações passadas e seu aprimoramento.

O Livro dos Espíritos nos ensina que a infância é a fase mais propícia para que haja a ação educativa, eis que na questão 383 responde-se que “o Espírito, encarnando com o objetivo de aperfeiçoar-se, é mais acessível, nesse período, às impressões que recebe e que podem ajudá-lo em seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados de sua educação” (KARDEC, 2018, p. 150). Deste modo, cabe aos responsáveis a lapidação das tendências que as crianças manifestam desde o berço, podendo ser boas ou ruins e que são oriundas de encarnações passadas. Os pais devem combater as más inclinações demonstradas desde muito cedo a fim de não permitirem a instalação das grandes mazelas da humanidade, quais sejam, o orgulho e o egoísmo. Aos pais, portanto, cabe o papel de lutar e fazer a sua parte e, caso não alcancem “bom resultado, não têm repreensões a se fazer, e sua consciência pode ficar tranquila” (KARDEC, 2019, p. 156).

É importante que se compreenda que, diante da imortalidade e bagagem experiencial de cada Espírito, nem sempre as lições serão absorvidas pelos filhos, pois há uma personalidade espiritual que se molda pelas ações passadas e, sendo criança, esta não recobra as suas faculdades de forma instantânea ao reencarnar, o que lhe volta pouco a pouco com o desenvolvimento de seus órgãos e, portanto, sendo possível que se sobreponham as ensinamentos dados pelos pais, conforme nos explica a questão 352 de O Livro dos Espíritos (KARDEC, 2018, p. 144).

É por este motivo que, não raro, irmãos criados da mesma maneira são tão diferentes entre si. O passado se faz presente, eis que é parte indisponível de quem somos enquanto Espíritos, e nos oferece as grandes oportunidades de aperfeiçoamento, caso enxerguemos as lições necessárias para nosso resgaste e evolução.

No capítulo VIII, item 4 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, os Espíritos Superiores nos ensinam que, a partir do nascimento, seguindo o gradativo desenvolvimento do corpo físico, as ideias que formam caráter da criança passam, igualmente, a despertar passo a passo, haja vista que nos primeiros anos de vida ficam em estado latente, adormecidas, e a criança, Espírito em formação no plano material, é verdadeiramente imersa em universo infantil, tanto material, quanto espiritualmente (KARDEC, 2019, p. 94). A Doutrina Espírita nos ensina a fundamental importância do período da infância para a formação do Espírito reencarnante, uma vez que é neste período em que a plasticidade cognitiva é maior que a formação da personalidade da criança enquanto indivíduo parte da sociedade; a criança é mais facilmente moldada, possibilitando a educação intelectual e moral do ser, aparando-se as arestas equivocadas trazidas já de outras existências.

É na infância que os pais conseguem domar os instintos inferiores de seus filhos, ensinando-os impressões mais elevadas, auxiliando-os à modificação equivocada de sua natureza para possibilitar a estes reforma íntima e aprimoramento moral – missão primordial dos pais em relação aos Espíritos que lhes são tutelados.

A sublime missão dos pais de educar seus filhos no bom caminho está descrita na questão 582 de O Livro dos Espíritos, que diz:

Pode-se considerar a paternidade como uma missão?

É incontestavelmente uma missão; é ao mesmo tempo um dever muito grande, e que determina, mais do que o homem imagina, sua responsabilidade para o futuro. Deus colocou a criança sob a tutela dos pais para que eles a conduzam no caminho do bem, e lhes facilitou a tarefa ao conceder à criança uma constituição frágil e delicada, que a torna acessível a todas as impressões. Mas há quem se ocupe mais em endireitar as árvores do seu jardim e em fazê-las render bons frutos do que em endireitar o caráter de seu filho. Se este sucumbe por erro dos pais, eles receberão a pena disso, e os sofrimentos que na vida futura caberiam à criança recairão sobre eles, pois não fizeram o que dependia deles para o adiantamento do filho no caminho do bem. (KARDEC, 2018, p. 201).

Assim, os pais devem guiar seus filhos no caminho da retidão moral, visando a formação da pessoa de bem, alicerçada nos elevados ensinamentos do Mestre Jesus.

A questão da paternidade/maternidade, dentro da Doutrina Espírita, é vista como sendo de grande relevo para a formação do Espírito reencarnado através dos laços havidos com seus pais no planejamento reencarnatório para a nova existência que passa a vivenciar.

Os pais, ao exercer a missão-dever de educar seus filhos com responsabilidade, amor e afeto, proporcionam a estes a oportunidade de crescimento e desenvolvimento intelectual-moral e principalmente espiritual – Questão 383 de O Livro dos Espíritos, a saber que a criança “é mais acessível, nesse período, às impressões que recebe e que podem ajudá-lo em seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados de sua educação.” (KARDEC, 2018, p. 150).

Desta forma, é direito natural de toda criança ser bem instruída e direcionada por seus pais ao sadio desenvolvimento físico-intelecto-moral-espiritual, haja vista que, conforme orientação dos Espíritos Codificadores, na Questão 582 acima, caso os filhos venham a experimentar os dissabores e as vicissitudes da vida material por terem sucumbido em decorrência da negligência de seus pais, estes suportarão os desgostos resultantes da queda de seus filhos, e com estes partilharão dos amargos e indigestos frutos de seus atos em existência futura.

Sendo direito natural da criança receber de seus tutores boa educação moral, intelectual e espiritual, cabe aos pais, portanto, fazer o que estiver ao seu alcance para que a criança trilhe o bom caminho.

A missão-dever dos pais em educar seus filhos deve ser cumprida diligentemente, já que aqueles exercem grande influência sobre estes no desenvolvimento de sua educação, como colocado na Questão 208 de O Livro dos Espíritos:

[…] os Espíritos devem contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver o de seus filhos, através da educação; para eles, isto é uma tarefa: se nela falharem, tornar-se-ão culpados. (KARDEC, 2018, p. 104).

Sabe-se que o planejamento reencarnatório inclui, dentre outras questões, a escolha da família pela qual o Espírito irá reencarnar, considerando-se o que lhe é melhor e mais adequado para as provas e expiações de que necessita para a existência vindoura – Questão 258, LE – e é em meio aos laços familiares que a reencarnação acontece.

A criança tem direito fundamental à liberdade religiosa e nesse sentido, sob a luz da Doutrina Espírita, a receber todos os ensinamentos colocados à humanidade pelos benfeitores do plano espiritual superior e, como continuidade à educação recebida de seus pais, as casas espíritas devem também zelar pela preservação desse direito natural à boa formação moral e espiritual, com estudos e atividades instrutivas, adequadas a cada faixa etária.

Esse direito fundamental é exercido pelas casas espíritas mediante a participação da criança e do adolescente nas atividades de Evangelização Infantil e Mocidade Espírita.

Como Espírito em marcha evolutiva, toda criança e adolescente tem direito a receber o auxílio necessário para o seu adiantamento, como dito, e a formação moral da criança e do adolescente, realizada mediante a participação da Evangelização Infantil e Mocidade, tem caráter educativo, complementar aos alicerces construídos no âmbito familiar, com vistas à vivência dos ensinamentos de Jesus e à formação do ser humano de bem.

A criança e o adolescente são protagonistas de seu desenvolvimento espiritual. Têm direito a participar ativamente enquanto indivíduos e a se engajar em seus processos de desenvolvimento moral e aprimoramento espiritual (FEB, 2018).

À criança e ao adolescente devem ser garantidos espaços de participação efetiva no estudo da Doutrina Espírita e nas confraternizações, como prática da dinâmica social na vivência da Lei de Sociedade (FEB, 2018).

Toda criança e adolescente tem direito a um estudo doutrinário de qualidade, realizado com zelo, com estruturação pedagógica adequada a cada faixa etária, visando aprimoramento moral individual e consequente transformação social (FEB, 2018).

Toda Espírito é perfectível e carrega consigo o germe da evolução espiritual.

Toda criança, assim como o adolescente, enquanto Espírito perfectível, carrega dentro de si a centelha divina da perfeição.

A finalidade da reencarnação é o aperfeiçoamento moral do ser, o entendimento de suas faltas e a quitação de suas dívidas.

A união da alma e do corpo inicia-se na concepção e se completa no nascimento e, desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. As faculdades do Espírito somente se manifestam gradativamente, de acordo com o desenvolvimento de seu corpo físico (ASSIS, 2020, p. 166).

Assim, garantindo a preservação dos direitos naturais e fundamentais de toda criança e adolescente, seja sob qualquer âmbito de sua existência, será garantido o sucesso da sublime missão de educação do Espírito para a formação de pessoas de bem, seja por parte de seus pais, seu núcleo familiar, social ou em relação à casa espírita da qual faça parte.

Por fim, não é demais reforçar os ensinamentos da Espiritualidade Elevada ao colocar a singularidade e importância para o Espírito encarnado de passar pela infância e mocidade, para se aperfeiçoar, com auxílio de seus pais e de toda a comunidade que o cerca, sendo nesta fase da vida material mais acessível às impressões que recebe e, assim, formando-se personalidades com maiores chances de sucesso na colheita futura de bons frutos (ALVES, 2015).

Rafaela Paes de Campos e Carla Silvério Barbosa

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

  • ALVES, Walter Oliveira. Educação do Espírito – Introdução à Pedagogia Espírita. 1ª edição. Londrina: Editora IDE, 2015.
  • ASSIS, Cristiane. Gestação – Encontro entre Almas. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora AME-MG, 2020.
  • BERNARDI, Ricardo Di. Gestação Sublime Intercâmbio. 11ª edição. São Paulo: Editora Intelítera, 2010.
  • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 23/09/21.
  • BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 23 set. 2021b.
  • FEB. Federação Espírita Brasileira. Orientação para a Ação Evangelizadora Infantil – Subsídios e Diretrizes. Área Nacional de Infância e Juventude do Conselho Federativo/FEB. 1ª edição – 3ª impressão. Rio de Janeiro: Editora FEB, 2018.
  • KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução e redação final de Matheus Rodrigues de Camargo. 43ª Reimpressão. Capivari-SP. Editora EME. 2019.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo – 23ª reimp. Capivari: Editora EME, 2018.
  • MIRANDA, Hermínio C. Nossos Filhos são Espíritos. 1ª edição. São Paulo: Editora Lachâtre, 2014.
  • ONU. Convenção sobre os Direitos da Criança. 1989. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/convencao-sobre-os-direitos-da-crianca. Acesso em: 23/09/21.
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