Todas as Provas Enfrentadas são de Nossa Escolha?

Andresa Küster e Rodrigo Oliveira

O enfrentamento das provas que se apresentam durante a existência terrena oportuniza o aprendizado e evolução moral dos indivíduos. A Doutrina Espírita ensina que, enquanto as expiações são situações pelas quais a pessoa precisa passar para reparar erros de vidas passadas, as provas são oportunidades para progredir no percurso evolutivo. José Carlos Leal, na obra “A Moral Cristã e A Moral Espírita” explica que o conceito espírita de provas guarda semelhança com as avaliações escolares que são aplicadas para que os alunos avancem nas séries. Como exemplo, o autor afirma que nascer rico ou nascer pobre são provas com características distintas:

“Nascer rico ou nascer pobre implica duas perguntas. A primeira é: o que você vai fazer com seus bens materiais? A segunda é: como você vai fazer para progredir desprovido de bens materiais?  Assim, esses dois tipos de circunstâncias não excluem nem incluem o espírito no caminho da evolução, mas lhe dão oportunidade para testar-se perante essas situações. (…) A fortuna e a pobreza, em si mesmas, nada significam. O que importa é o modo como o espírito passa por essas experiências.” (LEAL, 2020, p. 140).

No Capítulo V da obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, apresenta-se a distinção entre provas e expiações. Diante da necessidade de aprimoramento individual em determinado aspecto, existe a possibilidade de que o espírito escolha determinada prova ao reencarnar:

“Rendamos graças a Deus que, em sua bondade, concede ao homem o direito da reparação, e não o condena irrevogavelmente por uma primeira falta. No entanto, não se deve crer que todo sofrimento suportado aqui seja necessariamente o indício de uma determinada falta; muitas vezes são simples provas escolhidas pelo Espírito para acabar sua depuração e apressar seu adiantamento. Assim, a expiação sempre serve de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas ou expiações são sempre sinais de uma relativa inferioridade, porque o que é perfeito não tem necessidade de ser provado. Um Espírito pode, pois, ter adquirido certo grau de elevação, mas, ainda querendo avançar, solicita uma missão, uma tarefa a cumprir, da qual, se sair vitorioso, será tanto melhor recompensado quanto mais penosa tiver sido a luta” (KARDEC, 2018a, p.64) .

O texto esclarece ainda que, no caso de pessoas possuidoras de tendências naturalmente boas, é possível que as provas solicitadas sejam superadas com resignação cristã, enquanto no caso das provas impostas como ferramentas de expiação de delitos pretéritos, é comum que provoquem reclamações e revolta contra Deus. Assim sendo, nem todas as provas são escolhidas pelo indivíduo ao reencarnar, mas todas são adequadas ao seu estágio evolutivo.  Diante da impossibilidade de se identificar as origens das dificuldades que se apresentam, a resignação é apresentada como uma forma positiva de enfrentá-las.  Além dos compromissos originados em existências pretéritas, durante a jornada terrena, novas provas podem se apresentar como resultado de decisões tomadas, sendo atribuição individual buscar compreender suas implicações e buscar superá-las de forma positiva. A resposta à questão 933 de “O Livro dos Espíritos” esclarece que a infelicidade dos encarnados pode ser majorada pela importância dada às questões materiais:

“Na maioria das vezes o homem só é infeliz pela importância que dá às coisas da Terra. A vaidade, a ambição e a cobiça, quando frustradas, fazem-no infeliz. Se se colocar acima do estreito círculo da vida material, se elevar seus pensamentos ao Infinito, que é o seu destino, as vicissitudes da humanidade vão parecer-lhe tão mesquinhas e pueris, como a tristeza da criança aflita com a perda de um brinquedo que representava sua felicidade suprema. Aquele que vê felicidade somente na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando não pode satisfazê-los, ao passo que aquele que nada deseja de supérfluo sente-se feliz com o que outros consideram calamidades” (KARDEC, 2018b, p.300).

Na obra “O Código do Monte”, o autor Sérgio Luis da Silva Lopes, esclarece quanto ao papel da resignação durante a vivência de períodos difíceis que materializam as provas que podem contribuir para o crescimento espiritual:

“Jesus afirma que temos mais a aprender com as lágrimas do que com os risos. Algumas tristezas não devem ser evitadas ou desperdiçadas porque são fontes de crescimento, não pela dor em si mesma, mas pelo que ela pode proporcionar. O ensinamento aponta para uma virtude a ser desenvolvida, a resignação, a virtude que nasce do sofrimento. Por meio da resignação, o sofrimento é construtor de felicidade, e isso se passa em incontáveis situações da vida, desde a perda física de alguém querido ou de uma doença incurável na família. É a vida convidando-nos a desenvolver a resignação. Acontecimentos que não podem ser evitados e tantas outras situações que são irremediáveis precisam ser aceitas com o passar do tempo. Quem não sabe fazer isso sofrerá mais.”  (LOPES, 2013, p. 50).

A resignação não se confunde com a passividade ou com a acomodação. O espiritismo ensina as situações vividas nas diversas encarnações, sejam elas positivas quanto as negativas, fazem parte da caminhada evolutiva do espírito. Ainda que não seja possível saber quais provas teriam sido escolhidas antes do retorno à terra, o autoconhecimento e a busca por aprimoramento constante podem ajudar a pessoa a compreender as oportunidades de aprendizado por elas representadas.

Andresa Küster e Rodrigo Oliveira

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo, (com base na 11ª edição francesa, de 1869) 1ª ed. 42ª reimpressão. Capivari-SP: Editora EME, 2018a.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo, 1ª ed. 22ª reimpressão. Capivari-SP: Editora EME, 2018b.

LEAL, José Carlos. A Moral Cristã e A Moral Espírita. 1ª reimp. Capivari-SP: Editora EME, 2020.

LOPES, Sérgio da Silva. O Código do Monte. 6ª ed. Porto Alegre/RS: Francisco Spinelli,2013.

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A PATERNIDADE AUSENTE SOB A ÓTICA DA DOUTRINA ESPÍRITA

Carla Silvério

A questão da paternidade, dentro da Doutrina Espírita, é vista como sendo de grande importância e de fundamental relevo para a formação do Espírito reencarnado através dos laços havidos com seus pais no planejamento reencarnatório para a nova existência que passa a vivenciar.

Segundo as lições contidas em O Livro dos Espíritos, Questão 582 (KARDEC, 2019), os Espíritos nos dizem claramente que a paternidade é verdadeira missão e, ao mesmo tempo, um dever, que diz respeito, mais do que se imagina, à responsabilidade do ser humano em relação ao futuro.

A mesma Questão ainda afirma que Deus colocou o filho sob a tutela de seus pais para que estes o guiem no bom caminho. Deve, pois, todo aquele que experimenta a graça divina da paternidade, exercê-la com responsabilidade, ciente de que os frutos plantados com os filhos serão colhidos mais adiante, pois, se o filho sucumbir por culpa dos pais, estes é que sofrerão as consequências da queda daquele que ficou sob sua guarda nesta encarnação.

Por outro lado, sendo os pais responsáveis, diligentes e exercendo a paternidade voltada para a formação do bom caráter de seus filhos, então não são responsáveis pela queda de sua prole, conforme Questão 583 de O Livro dos Espíritos (KARDEC, 2019). Contudo, não podemos nos esquecer de que, como nos é ensinado ainda na mesma Questão, quanto mais árdua for a experiência da paternidade vivenciada pelos pais com os filhos, maior será a sua missão em direcionar esse Espírito em sua formação dentro da senda do bem, e tanto maior serão os méritos desses pais vitoriosos em desviar seus filhos do mau caminho.

Os pais, ao exercerem a missão-dever de educar seus filhos com responsabilidade, amor e afeto, proporcionam-lhes a oportunidade de crescimento e desenvolvimento intelecto-moral e, principalmente, Espiritual, e é na infância que se forma a personalidade do Ser recém reencarnado (KARDEC, 2019, Questões 383 e 384).

A presença do pai na criação de seu filho é, pois, missão-dever que deve ser cumprida diligentemente (KARDEC, 2019, Questão 208), uma vez que exercem os pais grande influência sobre seus filhos no desenvolvimento de sua educação.

Sabe-se que o planejamento reencarnatório inclui, dentre outras questões, a escolha da família na qual o Espírito irá reencarnar, dentro do que lhe é melhor e mais adequado para as provas e expiações de que necessita para a existência vindoura (KARDEC, 2019, Questão 258), e é em meio aos laços familiares que a reencarnação acontece.

Mas, então, como entender o abandono paterno sob a ótica da Doutrina Espírita?

Como dito, a família na qual o Espírito irá reencarnar é escolhida de antemão, ainda no plano espiritual, mas nem sempre a reencarnação acontece em núcleo familiar onde há afeto e amor. Por vezes, são os laços familiares criados pela sabedoria infinita de Deus por meio da reencarnação a chance de se expiar desavenças passadas e se criarem novos vínculos afetivos, justamente superando dificuldades no convívio, exercitando o perdão mútuo e, assim, evoluírem.

Assim, a escolha daquele que será o pai em sua existência próxima, e com o qual há graves desavenças a serem superadas, possibilita ao Espírito reencarnante maior chance de se apagar as mágoas passadas com o aprendizado do amor e do perdão pela convivência íntima das relações familiares, resultando em sua maior evolução (haja vista optar por ter uma vivência familiar árdua).

Entretanto, nem sempre é possível tal resiliência no âmbito familiar. Por vezes, aquele escolhido para exercer a missão-dever da paternidade ainda se apresenta equivocado em sua vivência material, não se distanciando de seus maus pendores mesmo após a vinda ao mundo material de seus filhos, casos em que, infelizmente, são comuns em pais ausentes e/ou omissos em relação aos filhos.

Quando se observa cenário prejudicial à boa formação dos filhos pelo mau exemplo daquele destinado à paternidade, melhor será ao Espírito em formação que não conviva com seu pai, para não receber deste orientações e direcionamento errôneos, prejudicando sobremaneira a sua evolução. Desta forma, a paternidade ausente pode ser para alguns um grande alívio, e, para outros, um grande pesar.

Sabe-se que a ausência paterna gera grandes e graves reflexos psicológicos na formação dos filhos, e todos os prejuízos sofridos pelo filho abandonado serão suportados pelo pai ausente, ainda que o filho seja resiliente e não se desvie do bom caminho, apesar de suas mazelas familiares.

Todo mal que é gerado ao próximo será cobrado no futuro, assim é a Lei de Causa e Efeito, não necessariamente da mesma forma e na mesma proporção. É certo que o plantio nos é facultativo, mas a colheita do que foi outrora plantado nos é obrigatória, sendo que o livre arbítrio de todos é sempre respeitado.

A escolha do caminho que se segue em cada uma das encarnações pelas quais se passa é exclusivamente do Espírito reencarnado. Assim, deixar de exercer a missão-dever da paternidade quando lhe é dada é opção íntima pelo plantio amargo de um futuro próximo.

Os débitos já existentes entre pais e filhos, decorrentes de vidas passadas, serão somados às novas dívidas geradas pelo abandono paterno suportado pelos filhos na reencarnação vivenciada por ambos, quando deveriam acertar suas arestas. Todo aquele que se acovarda frente à sua missão paternal responsável e amorosa comete não penas falta moral com a mãe, que se vê obrigada a suportar todos os reflexos da maternidade solo, sem que assim tivesse escolhido, mas, principalmente, falta moral com seu filho, que se desenvolverá sem os laços paternais. A todos os pais ausentes, por quaisquer motivos forem, deve-se exortar sobre as consequências de seus atos sob a luz da Lei de Causa e Efeito, já que Deus é infinitamente justo e bom, e ninguém se furta à justiça divina.

Que todos os pais tenham para si a ciência de suas responsabilidades com o Espírito que lhe foi confiado.

Carla Silvério

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 24ª reimp. Capivari: Editora Eme, 2019

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TRANSEUNTES

Joanna de Ângelis

Desejaria ser como eles.

Renteiam contigo, produzindo em alta escala com a leviandade de quem ignora o tesouro de que dispõem.

Uns falam, e o calor das ovações que recebem desata-os em sorrisos largos e festivos que te encantam.

Outros escrevem, e as moedas da admiração que lhes chegam as mãos se convertem em adornos faiscantes que te fascinam.

Alguns recuperam a saúde no próximo enfermo com aplicação de passes, e o respeito de que se sentem distinguidos te emociona.

Muitos escutam orientação segura, e são classificados como seres especiais, apresentando-se como se o fossem, despertando-te inveja.

Diversos vêem homens que vivem além da esfera física, e são homenageados pelo carinho de todos, enquanto fremes de angústia.

Vários materializam desencarnados e coletam os pingentes brilhantes da admiração geral, que te deslumbram.

Outros mais, ainda, realizam prodígios cercados de consideração e louvaminhas, em febril contentamento que te desvanece.

* * *

Consignas, algo decepcionado, que as tuas possibilidades mediúnicas são escassas, dúbias mesmo, deixando-te algo confuso em muitas circunstâncias…

As Entidades que te utilizam os recursos, consideras, são tão doentes e perturbados quanto tu mesmo.

Nada dizem nem realizam de original, que se constitua novidade.

Reportam-se a acontecimentos triviais, referem-se à dor, à miséria, à decepção de que se acham possuídos…

Nem palavras candentes.

Nem páginas brilhantes.

Nem recuperações orgânicas estupefacientes.

Nem informações retumbantes.

Nem visões celestes.

Nem ectoplasmias atraentes.

Somente se referem à necessidade de renovação e trabalho.

Além deles, os que te buscam são obsidiados, inquietos, doentes, pessoas na última quadra da vida…

Como renovar-se, porém, e trabalhar, remoqueias intimamente, se foste tão pouco aquinhoado?

Sentes a necessidade de difundir a luz que se irradia da Mensagem Espírita, no entanto…

Não te perturbes, não desanimes.

O Espiritismo se apresenta e se afirma pela conduta dos que o expõem sem se impor a ninguém.

Os transeuntes da carruagem dourada da mediunidade deslumbrante são como tu mesmo, enfermos graves em desfile da ilusão.

Demandam o túmulo, que os aguarda inexoravelmente, enganados, enganadores…

São doentes do espírito em adiantado grau de desequilíbrio.

É verdade que portam o tesouro medianímico em alta expressão fenomênica para que não digam ignorar, mais tarde, as informações do Mundo Imortal para onde seguem.

Enquanto se divertem, aumentam compromissos, agravam responsabilidades.

Todos os louvores que recebem ficarão com a massa carnal, silenciosos e inexpressivos no sepulcro.

Muitos, no entanto, antes mesmo do retorno à vida espírita, constatam, no abandono de que se vêem objeto pelos seus admiradores, também transeuntes da vida, o travo de fel e o azedume do arrependimento, tarde demais.

Mediunidade é compromisso com a consciência sedenta de recomposição do passado. É meio de servir com segurança e desprendimento, por ensejar trabalho a outrem, por intermédio de alguém…

Ajuda, pois, aqueles que no além túmulo sofrem e te advertem com a aflição deles.

Talvez não sejas um grande médium, conhecido e disputado pela louvação dos homens; no entanto, procura constituir obreiro do amor, que não é ignorado pelos infelizes, podendo ser identificado pelos sofredores da Erraticidade.

* * *

Jesus, o impoluto Médium de Deus, quando esteve conosco e deu início ao seu apostolado de amor excepcional, esqueceu, deliberadamente, magos e adivinhos do seu tempo, sensitivos de renome e profetas conhecidos, videntes famosos e escribas célebres, retóricos apaixonados e curadores distinguidos para selecionar atormentados, doentes, sofredores e perturbados das cercanias das cidades por onde deambulava; erguendo do lodo e amparando do abismo os que se tresloucaram para, com eles, levantar, como levantou, a mais duradoura e nobre construção que o espírito humano conhece: a redenção do homem.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo P. Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 27

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BUSQUEMOS HARMONIA

Nilton Moreira

Queremos sempre ter saúde que proporcione prazer de viver e cumprir normalmente nossas atividades, conquistando objetivos planejados e chegarmos ao limite possível da felicidade. Mas é um desejo complexo pois a todo momento situações adversas se apresentam.

Mas qual a maneira mais indicada para driblarmos intempéries porvindouras? O pensamento positivo e bom astral é fundamental, pois promovemos energia aos nossos órgãos para atuarem com vontade máxima e evitamos moléstias.

Somos uma máquina e se o combustível é de ruim qualidade não funcionará em plenitude! O combustível é o pensamento, e quando partimos para o desânimo o cansaço toma conta. Quando nos irritamos a pulsação sobe juntamente com a pressão arterial, aparecendo sudorese, dores de cabeça, o que faz mal ao coração.

Mas atualmente está difícil nos mantermos harmônicos por muito tempo. Aparecem as ansiedades em razão da violência nas ruas; luta por ocupar o poder a todo custo, as vezes derrubando outrem; pandemia impondo distanciamentos e isolamentos de pessoas. Mas é preciso aquietar nossa mente para ter o corpo material em harmonia. Pensemos mais antes de responder certas contrariedades, pois a vida se encarrega de cobrar com sofrimento daquele que está agindo fora da Lei de Deus, e a prova disso é que os sofrimentos chegam até nós diferentemente uns dos outros! Para o aprimoramento moral cada um traz para este mundo histórico gravado no corpo fluídico, já que viemos a terra para polimento e aparar arestas com nossos semelhantes. Somos espíritos em evolução e por isso é fundamental a paz interior para possibilitar aclaramento de ideias e tomarmos atitudes equilibradas.

Outro fator que contribui muito para a paz interior é a meditação. Dediquemos momentos de recolhimento mental sintonizando com a Espiritualidade Maior. Jesus nosso intermediário com Deus nos escutará e providenciará sempre o socorro para nossas ansiedades. O som de uma fonte d’agua ou som ambiental de pássaros ou rebentação de ondas do mar auxiliam na emancipação da alma.

Nosso mentor espiritual, anjo de guarda estará conosco e nosso corpo receberá as benesses da energização, podendo-se dizer que somos assim agraciados pelo passe espiritual no momento de meditação. Boas leituras nos motivam também a evolução mental para conseguirmos enfrentar as vicissitudes. Espiritas se utilizam do Evangelho no Lar abrindo ao acaso o Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec, lendo um pequeno trecho. É uma maneira de harmonizar-se.

Busquemos elevar o espírito incessantemente que nos fará fortificar a mente, carreando energias benéficas ao corpo material.

Nilton Moreira

Fonte: Artigo da Semanal – Estrada Iluminada

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Porque se diz que o Espiritismo é Ciência?

Donizete Pinheiro

O Espiritismo tem um tríplice aspecto, ou três bases fundamentais. É uma CIÊNCIA experimental, fundada na observação e análise dos fatos decorrentes das relações entre o mundo espiritual e o mundo corporal. É também uma FILOSOFIA, porque a partir das conclusões sobre esses fatos dá uma interpretação à vida da criatura humana, respondendo às questões relacionadas com a sua origem, sua essência e seu destino. Mas é também uma RELIGIÃO, porque de tudo isso se extrai consequências morais indispensáveis ao aprimoramento íntimo da pessoa, consoante os ensinamentos de Jesus Cristo. Esse sentimento religioso, no entanto, não decorre de uma institucionalização, com chefes e dogmas a serem obrigatoriamente obedecidos, mas é despertado no coração do ser, ligando-o pessoalmente ao Criador.

Cada um desses aspectos mereceria especial atenção, mas a pergunta é referente ao científico, e sobre ele nos estenderemos.

Ciência é o conjunto de conhecimentos sobre determinados fatos da natureza. Da diversidade desses fatos originaram as variadas ciências, cada uma com suas especialidades, métodos e instrumentos de pesquisa e ação. Muitas vezes, pela similitude dos fatos, métodos e conclusões de uma ciência podem ser aproveitados por outra. Nem sempre, porém, isso é possível.

É o que ocorre com os fenômenos espirituais, que não encontraram explicação na ciência já existente. Durante muito tempo foram considerados segredos de Deus, milagres, coisas do demônio, forças mentais, porque nenhuma outra explicação razoável se apresentava. Somente com Allan Kardec, que codificou as revelações dos Espíritos, feitas através da mediunidade, é que se encontrou a chave desses fenômenos ditos sobrenaturais: o princípio espiritual.

Não existindo ainda aparelho capaz de detectar esse elemento espiritual, por ser etéreo, de natureza oposta ao elemento material conhecido por nós, a ciência espírita manteve-se no método da observação e da comparação. O estudo de fatos e mais fatos, aqui e ali, por diversos experimentadores da maior seriedade e cultura, levou à conclusão incontestável sobre a veracidade da sobrevivência da alma; da vida organizada no pós-morte; da existência do perispírito, ou corpo fluídico, que serve de intermediário entre o mundo espiritual e o material; da possibilidade da ação dos Espíritos sobre a matéria e da comunicação entre os chamados mortos e vivos; e, também, da reencarnação.

É ainda no elemento espiritual, em especial no perispírito, que se encontra a explicação lógica para fenômenos como a vista dupla, a visão à distância, o sonambulismo, a premonição, aparições, transfigurações, transmissão do pensamento, curas, obsessões e desobsessões, materialização e transporte de objetos.

Assim como qualquer revelação científica importante, os conhecimentos da ciência espírita causam profunda repercussão na vida do ser humano, alterando seus costumes, suas crenças e suas relações sociais, sendo elemento destruidor do materialismo, do orgulho e do egoísmo ainda reinantes em nosso mundo. Quando os cientistas admitirem a existência desse mundo espiritual, e com sua sabedoria empenharem-se no aprofundamento do estudo, a Humanidade terá dado grande passo ao encontro da sua felicidade.

Donizete Pinheiro

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Nota do Autor:  Texto contido no capítulo 15 de obra do autor.

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SE OS ESPÍRITAS SOUBESSEM O QUE É UM CENTRO ESPÍRITA…

Antonio Carlos Piesigilli

Temos no Brasil – e isso é um consenso universal – o maior, mais Ativo e Produtivo Movimento Espírita do Planeta. Os Estudos e Reflexões sobre a importância do Centro Espírita para a comunidade na qual ele se insere apontam para cinco principais vertentes, assim expressas: templo; lar; oficina; hospital; e escola.

TEMPLO

A Casa Espírita tem a primordial finalidade de abrigar e reunir aqueles que tencionam conectar-se com o Superior por meio da oração, que se constitui em instrumento de comunicação com Deus, nosso Pai. A Prece proporciona a melhoria do homem, ensejando àquele que ora pensar em Deus, aproximar-se dele e pôr-se em comunicação com ele.

LAR

O Centro Espírita deve receber seus frequentadores e colaboradores como o lar acolhe a família. É a oportunidade da congregação para o fortalecimento dos laços de amor. Nem sempre encontraremos facilidades, pois o reencontro se dá, por vezes, entre adversários do passado. Porém, é nesse lar que precisamos nos esforçar para a formação da família espiritual.

OFICINA

A oficina enseja o trabalho e a consequente aquisição de competências técnicas e humanas. Pelo serviço, somos capazes de desenvolver potencialidades e realizar feitos a serem creditados como mérito em nossa contabilidade espiritual, embora devamos trabalhar em benefício do semelhante desinteressadamente.

HOSPITAL

Outro dia ouvi de uma amiga; “na Terra, todos somos doentes da alma”. A necessidade de corrigenda moral é grande, daí a abençoada oportunidade que Deus nos concede de enfrentarmos doenças variadas para que passemos pelo processo de higienização perispiritual. “A enfermidade jamais erra de endereço”, ensina Emmanuel. Seja física ou moral, todos necessitamos de cura para a conquista da saúde integral. O Centro Espírita funciona como um hospital na medida em que busca oferecer atendimento aos carentes, sem jamais competir com a medicina terrena. É o apoio espiritual, o atendimento fraterno, a fluidoterapia, a desobsessão…

ESCOLA

Na vida, estamos sempre aprendendo e nunca deixaremos de aprender. Como escola de almas, a casa Espírita é roteiro que esclarece nossas mentes para as realidades espirituais, por meio dos estudos individuais e em grupo. As palestras públicas, o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (Esde), o Estudo Aprofundado (Eade), a Mediunidade: Estudo e Prática, a Evangelização da Criança e do Jovem, os estudos das obras básicas, da Coleção A vida no mundo Espiritual, da Série Psicológica Joanna de Ângelis, os cursos de capacitação a distância, são valiosos instrumentos de aprendizado que o Centro Espírita pode disponibilizar a seus frequentadores.

A FEB, no cumprimento de sua Missão de promover o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo, oferece os materiais para a implantação do Esde, Eade e da Mediunidade: Estudo e Prática nas instituições Espíritas que desejarem, estimula a criação de grupos de estudos doutrinários e incentiva as atividades de evangelização infantojuvenil, compreendendo que o Centro Espírita é um ponto de luz na comunidade em que se insere e para a qual deve exercer a Caridade Material, Moral e Espiritual.

Antonio Carlos Piesigilli

Fonte: Vinhas de Luz

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ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA NA DIVULGAÇÃO DO ESPIRITISMO

Ricardo Andrade Terini

Estamos divulgando a Doutrina pari-passo com a Ciência, como preconizava Kardec? Que imagem estamos deixando: de um Espiritismo moderno e atual ou de uma doutrina ultrapassada?

“O Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto.” [Kardec, A., A Gênese, cap. I, item 55]

Na formulação do Espiritismo como ciência de observação, Allan Kardec sempre se preocupou em apresentar os conceitos doutrinários associados às ideias científicas vigentes na sua época, com o objetivo de integrá-lo à cultura vigente. Fez isso nas várias obras espíritas que publicou, com referência aos campos contemporâneos da astronomia, da química, da física, da geologia, da paleontologia, da biologia, não para congelar essas noções científicas no corpo da Doutrina, mas, ao contrário, para demonstrar que “fé inabalável é aquela que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Atualmente, mais de 160 anos depois desse início, os estudiosos e divulgadores do Espiritismo nem sempre se dão conta dessa relativização e, ao invés de aprender com a coragem de Kardec e cotejar os conceitos espíritas com as ciências da época (no caso, a nossa!), tratam, às vezes, os conceitos científicos daquela época (século XIX) como se fossem os mesmos ainda hoje. Resultado: contaminam os conceitos atualíssimos da Doutrina Espírita com um anacronismo e um dogmatismo científico injustificável. Neste artigo, focamos particularmente a questão da classificação das espécies da Natureza, relacionada ao caráter evolucionista do Espiritismo.

No 4º. capítulo do livro 1º. de O livro dos Espíritos, Allan Kardec se propõe a abordar os seres vivos, sua variedade e a causa de sua vitalidade. Após a questão 71, Kardec conceitua:

“Podemos fazer a seguinte distinção: 1º. – os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2º. – os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3º. – os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.”

Nessa definição inicial, a preocupação foi apenas diferenciar os seres que tem vida (pensantes e não-pensantes) daqueles que são inertes (hoje citados mais como objetos, componentes, energias etc., do que como seres).

Mais tarde, no capítulo XI da 2ª. parte de “O Livro dos Espíritos”, Kardec ensaiaria uma classificação dos seres da Natureza, que analisamos a seguir (grifos nossos).

“585. Que pensais da divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos? Segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Qual destas divisões é preferível?

Todas são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material, apenas há seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro graus.

(Comentário de Kardec) Esses quatro graus apresentam, com efeito, caracteres determinados, muito embora pareçam se confundir nos seus limites extremos. (…) Note-se primeiro que as qualificações orgânico e inorgânico, nesses textos, não se referem necessariamente às definições de compostos orgânicos e inorgânicos da Química atual, já que tanto os seres animados (vivos) quanto os inanimados (inertes) podem ser compostos de substâncias orgânicas ou inorgânicas. Ex.: Nossas células (vivas) contêm compostos inorgânicos (sais minerais, água) e orgânicos (proteínas, vitaminas, lipídeos); por outro lado, uma taça de vinho (inerte) contém álcool, uma substância orgânica.

A divisão da Natureza mencionada por Kardec nesse capítulo XI seria, então:

  1. Sob o ponto de vista material: seres orgânicos e seres inorgânicos
  2. Sob o ponto de vista moral: reinos mineral, vegetal, animal e (?) hominal.

Mas essa é a divisão da Natureza proposta em 1735 pelo botânico, zoólogo e médico sueco Carl von Linné (1707-1778), na sua obra de vários volumes Systema naturae, que era ainda aceita e ensinada no século XIX. Linné (ou Linnaeus, como foi latinizado, ou apenas Lineu), em sua classificação, baseou-se nas diferenças morfológicas externas das várias espécies conhecidas dos seres da Criação (menos de 20.000). Orgulhoso do seu trabalho, afirmava que “Deus criou, Lineu organizou”.

Kardec era um pesquisador e professor do século XIX, atualizado com as ciências naturais… de sua época. E não podia ser diferente. Isso quer dizer que ele esteja ultrapassado? Não, porque ele estava em dia com as descobertas e já não admitia o que a Ciência havia desmentido (ex.: a Terra como Centro do universo; a Criação em seis dias etc.). A divisão de Lineu era a noção aceita cientificamente, do ponto de vista da natureza material. Os Espíritos que assessoraram Kardec na elaboração do Espiritismo, cientes disso, afirmaram, referindo-se às classificações da natureza, que “Todas são boas, conforme o ponto de vista”.

Muita coisa progrediu nos instrumentos e na visão da Ciência, desde então. Já em 1866, o naturalista alemão E. Haeckel propunha os reinos Protista (bactérias, algas, fungos e protozoários), Plantae e Animalia como componentes da Natureza, descartando a matéria bruta (minerais). No meio do século XX, H. Copeland introduziria um quarto reino, o Monera (≡ formas primitivas), para as bactérias, que têm uma organização celular sem núcleo, enquanto os outros três reinos são formados por organismos eucarióticos (com núcleo). Em 1969, Robert Whittaker incluiu os fungos numa nova classificação dos organismos em cinco reinos, ainda ensinada em algumas escolas brasileiras. Esses reinos, que se diferenciam pelo tipo de nutrição do ser vivo e pela organização de suas células, são: (unicelulares) Monera e Protista, e (multicelulares) Fungi, Plantae e Animalia.

No final do século XX, quando se consolidou a aceitação de que toda vida na Terra tinha uma origem comum, surgiu a necessidade de agrupar os reinos até então reconhecidos num patamar mais abrangente: o domínio. Em 1990, Carl Woese propôs o agrupamento dos diferentes reinos em três grandes domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya, que refletem a aceitação das diferenças fundamentais do genoma dos seres vivos, devidas a relações evolutivas entre eles. Mais recentemente, mas com grande aceitação, está o sistema dos dois domínios e seis reinos proposto por T. Cavalier-Smith: Protista, Archaebacteria, Eubacteria, Fungi, Plantae, Animalia.

A Fig. 1: esquematiza didaticamente a sequência cronológica dos sistemas de classificação dos seres vivos propostos após Lineu, em que os mais recentes incluem os domínios e os reinos.

(Adaptado de WIKIPEDIA: Domínio (Biologia))

Essa evolução da Ciência só vem reforçar a visão evolucionista da Doutrina Espírita. O próprio Kardec, de sólida formação científica e pedagógica, tinha clareza sobre o fato da evolução dos conhecimentos científicos. Na própria A Gênese, os Espíritos mostram que divisam mais claramente a natureza, embora deixem sempre ao homem o trabalho da pesquisa que lhe cabe desenvolver: “Cada criatura mineral, vegetal, animal ou qualquer outra — uma vez que existem muitos outros reinos naturais, de cuja existência sequer suspeitamos — sabe, em virtude desse princípio vital universal, adequar as condições de sua existência e de sua duração.” [Kardec, A., A Gênese, cap. VI, item 18, grifo nosso]

É importante que os espíritas tenham consciência disso, o quanto possível, e que não repitam apenas, em cursos e palestras, os textos doutrinários sem análise crítica e razoável atualização científica, sob pena de comprometer a credibilidade pública da Doutrina na própria sociedade.

O movimento espírita não pode ignorar o progresso sério das ciências, sob o risco de repetir o que ocorreu com a Igreja cristã que, até há pouco tempo, teimava que os métodos anticoncepcionais eram de inspiração diabólica, sendo atropelada pelo progresso e reduzindo seu protagonismo na sociedade. Se queremos que a Doutrina Espírita, monumento de coerência e luz para a humanidade, não seja guardado apenas nas estantes, como obra histórica, é necessário lembrar o alerta de Allan Kardec, no cap. I, item 16, de A Gênese:

“O Espiritismo e a Ciência se completam um ao outro: a Ciência, sem o Espiritismo, se encontra impotente para explicar certos fenômenos somente pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltaria o apoio e o controle.”

Ricardo Andrade Terini

Fonte: Portal Casa Espírita Nova Era

 Universidade de São Paulo (USP). Instituto de Física (IF). Possui graduação em Física (Bacharelado, 1980; Licenciatura, 1983) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; mestrado em Física (1986) e doutorado em Fisica Nuclear Experimental pela PUC-SP (1991). Saiba mais. Publicado no site Espiritismo Com Kardec

Referências:

 KARDEC, A. O livro dos Espíritos. Trad. J. Herculano Pires. 69. ed. São Paulo: LAKE, 2012.

KARDEC, A. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Trad. João Teixeira de Paula. 25. ed. São Paulo: LAKE, 2014.

TERINI, R.A. Espiritismo e evolução do princípio inteligente: três reinos? Jornal de Estudos Espíritas. N. 8, 010205 (2020).

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Como me comunicar com meu Mentor?

Priscila Gonçalves

Anjo guardião, mentor, amigo espiritual… Vários são os nomes conferidos a estes Espíritos tão amorosos e dedicados, que foram designados pela Espiritualidade Superior durante o processo de planejamento reencarnatório para nos acompanhar durante a vida.

Vez ou outra, quando este Espírito é designado para uma outra missão, ele se afasta e recebemos outro tutor, mas, ainda assim, nunca estamos desacompanhados.

Estes Espíritos pertencem a uma ordem elevada da categoria dos Espíritos. Por certo, já passaram pelo Planeta Terra numerosas vezes, e também por outros mundos inferiores e superiores, e, assim, desenvolveram empatia, amor, criaram laços amorosos conosco, e, possivelmente, em uma encarnação passada, tivemos com eles uma forte conexão, e seu conhecimento e seu grau evolutivo o fazem apto a nos auxiliar em uma etapa de nossa jornada evolutiva.

Das questões 492 a 495 presentes em O Livro dos Espíritos, encontramos explanações sobre a ligação dos Benfeitores Espirituais conosco, até mesmo quando ocorre seu afastamento:

492 – O Espírito protetor está ligado ao indivíduo desde o seu nascimento?

 – Do nascimento à morte, e muitas vezes ele o segue após a morte, na vida espírita, até mesmo em várias existências corporais, pois essas existências constituem apenas fases bem curtas em relação à vida de Espírito.

493 – A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória?

– O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa, mas ele pode escolher os seres que lhe são simpáticos. Para uns é um prazer, para outros, uma missão ou um dever.

493 – a) Apegando‑se a uma pessoa, o Espírito renuncia a proteger outros indivíduos?

– Não, mas ele o faz de maneira menos exclusiva.

494 – O Espírito protetor fica fatalmente apegado ao ser confiado à sua guarda?

– Muitas vezes acontece de alguns Espíritos deixarem sua posição para cumprir missões diferentes; mas, nesse caso, outros os substituem.

495 – O Espírito protetor às vezes abandona o seu protegido, quando este não lhe ouve os conselhos?

– Ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis, e que a decisão de submeter‑se à influência de Espíritos inferiores é mais forte. No entanto, não o abandona completamente, e sempre se faz ouvir. É o homem que fecha os ouvidos. O Espírito protetor volta tão logo é chamado.

Mas, por que então somos “abandonados” por nosso orientador? Bem, esta é uma questão que é facilmente respondida pelo nosso comportamento. Quando decidimos não seguir seus conselhos, suas orientações e inspirações, ele nos deixa para que possamos caminhar, errar e aprender; porém, mesmo nesta circunstância, quando nos tornamos pouco merecedores de companhia tão amável, ele volta; basta que deixemos nosso ego de lado e o convoquemos novamente.

A comunicação com este amigo é que faz toda a diferença. E como, afinal, podemos nos comunicar com ele? Cada indivíduo tem seu modo particular de comunicação. Uns têm uma conversa mais formal, outros mais informal, como uma conversa entre amigos, o que não deixa de ser, afinal, o Benfeitor é seu amigo presente quase 24 horas por dia. Outros o fazem através de preces, outros pelas artes. Cantando músicas edificantes, nas leituras, na escrita.

Não importa se está angustiado, entristecido ou tão feliz que parece exalar alegria e satisfação por todos os poros, e não importa se precisa compartilhar sua dor com o seu amigo para aliviar o fardo, ou celebrar uma conquista; o diálogo com o Espírito protetor, o anjo guardião, se faz necessário diariamente.

Abra os ouvidos e os olhos da alma, para ouvir e ver todos os sinais que ele lhe envia, para compreender e discernir os bons dos maus caminhos, avaliar seus passos e seu comportamento, e até pedir orientação para uma decisão difícil a ser tomada. Ou até contar como foi seu dia. Ele é, sempre foi e sempre será um grande amigo, disposto a ajudar sem julgar, querendo sempre o seu bem maior, pois abdicou de muitas coisas para cumprir a missão de lhe guardar e proteger dos males internos, dos vícios e más inclinações, e também dos males externos, dos perigos do mundo.

Priscila Gonçalves

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019.

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Riqueza e Pobreza, qual a maior provação?

Simara Lugon Cabral

“E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Mateus, 19:24)

Todos os dias vemos muitas pessoas jogando na loteria, outras trabalhando exaustivamente até o limite de suas forças, outras cometem atos ilícitos, todos em busca da riqueza e abundância dos bens terrenos, como se um grande patrimônio pudesse trazer a solução de todos os problemas. Mas será que uma grande soma em dinheiro realmente resolve os infortúnios ou será a riqueza uma tentação capaz de trazer maiores transtornos do que os que a pessoa tinha antes?

A desigualdade social existe em todos os lugares do mundo, mas em alguns países ela é mais acentuada. De acordo com o IBGE, em 2018 o rendimento mensal dos 1% mais ricos do Brasil era quase 34 vezes maior do que o rendimento da metade mais pobre da população. Durante a pandemia, essa desigualdade aumentou. De um lado vemos pessoas ostentando todo tipo de luxo: viagens, carros importados, mansões, roupas de grife enquanto a maior parte da população luta diariamente para ter acesso aos direitos básicos: alimentação, educação, saúde, direito à moradia, ao trabalho dentre outros.

O psicólogo norte americano Abraham H. Maslow criou um conceito chamado “A Pirâmide de Maslow” que determina as condições para que cada pessoa alcance sua satisfação pessoal, ou seja, se sinta feliz e realizada. Na base da pirâmide estão as necessidades básicas para a felicidade e elas vão se modificando até atingir o topo da pirâmide que seria a realização pessoal completa conforme a imagem abaixo.

Fonte: https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow/

Conforme pode-se observar, para ter acesso à base da pirâmide é necessário que se tenha uma condição financeira que propicie acesso à alimentação, água e moradia, o que deveria ser um direito básico do ser humano. Em seguida, segurança do corpo, do emprego e de recursos, o que também depende do dinheiro. A partir daí as necessidades não são mais relacionadas aos bens materiais, e sim às boas relações sociais, amizades, desenvolvimento da auto estima, aceitação perante as dificuldades da vida entre outras. Portanto, de acordo com a psicologia o dinheiro pode trazer a segurança necessária para se obter um certo grau de satisfação, no entanto a felicidade plena não é atingida através de uma grande fortuna, luxo ou satisfação das vaidades.

De acordo com a Doutrina Espírita, a prova da riqueza e a da pobreza são difíceis, porém necessárias ao aprimoramento moral, pois enquanto na pobreza o ser humano precisa desenvolver a resignação, a paciência e a humildade, na riqueza ele precisa praticar a caridade, evitar abusos e tentações que aparecem das mais variadas formas. É preciso lembrar que as duas provas são situações temporárias que podem ser alternadas na mesma ou na próxima encarnação. No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Lacordaire (Constantina, 1863) diz: “Sabei contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, pois a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais que esses bens vos foram confiados e que tendes de justificar o emprego deles, como uma prestação de contas de tutela. Não sejais administradores infiéis, fazendo-as servir à satisfação do vosso orgulho e vossa sensualidade. Não vos julgueis no direito de dispor exclusivamente em vosso favor daquilo que não é senão um empréstimo, e não uma doação. Se não sabeis restituí-lo, não tendes mais o direito de pedir. E recordai que aquele que dá aos pobres, quita-se da dívida que contraiu com Deus.” Por isso quando a prova da miséria chega até o homem, ele deve enfrentá-la com confiança e resignação, e caso a prova da riqueza venha a aparecer, deve-se recordar das palavras do Mestre Jesus no Evangelho de Mateus 6:19-21: “Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.

Em “O livro dos Espíritos”, nas questões de 814 a 816, é explicado que Deus concede a riqueza a uns e a miséria a outros para experimentar os espíritos de formas diferentes e é dito que as duas provas apresentam graus elevados de dificuldade: “A alta posição do homem neste mundo e a autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a miséria, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.” Lembrando apenas que na tradução do hebraico, a mesma palavra era usada para “camelo” e “cabo” e o mais provável é que “cabo” fosse a tradução correta, pois faria mais sentido. Desta frase dita por Jesus, pode-se compreender que a prova da riqueza é mais perigosa para o homem pois a tentação de abusar dos recursos e de apegar-se aos bens materiais é quase irresistível para o homem comum, caso ele não esteja focado na vida futura e no seu desenvolvimento moral.

Deste modo aquele que acredita ser a riqueza uma solução para as dificuldades da vida terrena ignora o real objetivo de sua encarnação, que é a evolução espiritual e não a aquisição de bens materiais ou a satisfação dos desejos fugazes da carne. Quando se deixa levar pelas paixões materiais e busca apenas os prazeres efêmeros, o homem perde de vista a vida futura e se afasta do seu aprimoramento moral. Por isso, a despeito de que qualidade seja a provação que esteja enfrentando, o importante é que se empenhe para alcançar o desenvolvimento das virtudes da alma, seja a paciência, a resignação ou a submissão à vontade de Deus, e sempre que possível que o homem lembre-se de trabalhar ativamente no auxílio ao próximo e na construção de um mundo melhor, onde todos possam ter dignidade para viver. E como disse Chico Xavier: “Você nem sempre terá o que deseja, mas enquanto estiver ajudando os outros, encontrará os recursos de que precisa”.

Portanto, ao buscar o aperfeiçoamento moral além da melhoria das condições materiais, o homem estará desenvolvendo suas próprias virtudes e simultaneamente, levando todo a humanidade a progredir, elevando a categoria do planeta a um patamar onde não exista a miséria, a fome e a violência e onde todos tenham a oportunidade de viver e não apenas de tentar sobreviver. O progresso da humanidade depende do esforço de cada um dos habitantes do planeta, desde que abdiquem de seus desejos egoístas, sua ambição, seu orgulho e deixem predominar o amor ao próximo, a caridade e a benevolência dado que somente assim as injustiças sociais não terão mais vez e a fraternidade, a solidariedade e o amor reinarão na Terra.

Simara Lugon Cabral

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

  1. Bíblia Online. Disponível em:  <https://www.bibliaonline.com.br>. Acessado em 10 de julho de 2021.
  2. Desigualdade social. Disponível em < https://www.politize.com.br/desigualdade-social/>. Acesso em 08 de julho de 2021.
  3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.
  5. Pirâmide de Maslow. Disponível em: https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow/  Acesso em 14 de julho de 2021.
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Obras Básicas do Espiritismo

Cecília Alves

As Obras Básicas do Espiritismo constituem a base sobre a qual se constroem os alicerces da Doutrina Espírita.

O Evangelho Segundo o Espiritismo (KARDEC, 2019) nos recomenda, em seu Capítulo VI, item 5: “Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.

Todo aquele que deseja se aprofundar nos conhecimentos do Espiritismo, ou até mesmo da Espiritualidade em geral, encontrará nas Obras Básicas Codificadas por Kardec um guia seguro, que o auxiliará a entender mais sobre a Doutrina Espírita, sobre as questões que envolvem o plano Espiritual e o plano físico, além de auxiliarem no autoconhecimento e melhora pessoal do indivíduo.

Como dito anteriormente, as Obras Básicas foram codificadas, ou seja, reunidas, compiladas por Allan Kardec, que não escreveu de próprio punho e imaginação os livros constantes da Codificação Espírita (outro nome para Obras Básicas), mas sim reuniu os ensinamentos trazidos pelos Espíritos a respeito da Espiritualidade e suas leis.

A Codificação é composta por 5 livros que também podem ser chamados de Pentateuco da Doutrina Espírita (OBRAS, 2021).

São eles:

O Livro dos Espíritos: teve sua primeira edição em 1857; é composto de perguntas e respostas feitas aos Espíritos elevados através de médiuns de diversos locais do mundo. O livro aborda temas como Deus, a imortalidade da alma, a necessidade da reencarnação, Leis Morais etc.

O Evangelho Segundo o Espiritismo: neste livro encontramos os ensinamentos da moral de Jesus Cristo sob a interpretação da Doutrina Espírita. Auxilia-nos a compreender diversas instruções do Mestre Jesus, não raras vezes contidas em parábolas que nem sempre são facilmente compreendidas por nós. Deste modo, o Evangelho vem aclarar as referidas parábolas e demais ensinamentos do Cristo.

A Gênese: aborda a Gênese do universo à luz da Doutrina Espírita, os milagres e as predições. É um livro bastante rico de ensinamentos.

O Céu e o Inferno: seu objetivo principal é demonstrar a imortalidade da alma, que ela sobrevive a morte do corpo físico. Nos mostra ainda que conceitos como Céu e Inferno são muito limitados, afinal, como nos ensinou o Cristo, há muitas moradas na casa do Pai, não sendo possível que existam apenas Céu e Inferno como destinação do homem após a morte física. Este livro é composto ainda de relatos de diversos Espíritos desencarnados, que nos esclarecem como ocorreu seu desencarne e qual a sua situação espiritual após o desenlace físico.

O Livro dos Médiuns: nos ensina como ocorre o intercâmbio entre o plano físico e o plano Espiritual, como ocorrem as manifestações Espíritas, discorre ainda sobre os tipos de mediunidade e em que constitui a sua prática. É um livro fundamental para quem deseja conhecer mais a respeito da mediunidade.

Além das Obras Básicas já citadas, são importantes leituras complementares ainda os seguintes livros publicados após o desencarne de Allan Kardec:

Obras Póstumas: contém informações a respeito de Allan Kardec, aponta questões fundamentais a respeito da Doutrina Espírita etc.

O Que é o Espiritismo: aborda os pontos fundamentais da Doutrina Espírita.

Em resumo, afirmamos que é fundamental conhecer as Obras Básicas bem como os livros complementares a elas já citados, visto que nos dão conhecimento do que é de fato o Espiritismo, e nos auxiliam na evolução Espiritual através dos seus ensinos morais. Além disto, acrescenta-se que é muito importante que conheçamos a Doutrina que desejamos abraçar ou ainda com a qual simpatizamos.

Cecília Alves

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS

OBRAS de Allan Kardec. Federação Espírita Brasileira, 2021. Disponível em: http://febnet.org.br. Acesso em: 30 de Julho de 2021.

KARDEC, Allan. A Gênese. 1º ed. Capivari: EME, 2020.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capivari: EME, 2019.

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