LUTO DE ENTES QUERIDOS NA DOUTRINA CONSOLADORA

Amanda Teixeira Dourado

“Ninguém morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte. A vida renova e eleva os quadros múltiplos de seus servidores, conduzindo-os, vitoriosa e bela, à União suprema com a Divindade…’’ (Chico Xavier)

O luto é a fase que nos faz sentir profundamente o sentimento de tristeza após a perda de um ente querido, e através desse sentimento, faz gerar outros, como amargura e desgosto, por exemplo. Sabemos que não é fácil de lidar, entretanto, o luto é necessário, cabe a nós essa ser uma etapa muito dolorosa ou passageira. O luto sempre será doloroso, principalmente quando se trata de algum familiar ou ente muito próximo. Nós, espiritas, sabemos que a vida continua, que quem morre é o corpo físico, a nossa alma jamais. O estudo constante, o preparo, a consciência, nos ajeitam para esses momentos deprimidos e delicados, no qual temos a opção de atravessar de uma forma menos turbulenta. Mas você procura ler e estudar sobre o processo do luto?

No espiritismo contamos com muitas obras que nos explicam o que acontece após o desencarne, os exemplos de histórias são diversos, assim como a doutrina, obras que nos ensinam cada detalhe, mas a pergunta é, como lidar com o luto?

Vejamos essa confortadora história de Chico Xavier:

‘”Conta-se que o Apóstolo da Caridade, Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, estava passando por uma fase muito dura em sua vida.

Os problemas familiares se avolumavam, a incompreensão alheia se mostrava intensa e isso tudo lhe enchia o coração de inquietações e dores.

Um dia, em que as dores se mostravam mais profundas, recorreu Chico Xavier ao seu mentor espiritual, Emmanuel, a fim de fazer-lhe uma solicitação.

Rogou Chico se Emmanuel poderia fazer um pedido, solicitar um conselho a Maria Santíssima, a mãe de Jesus, que, com seu coração amoroso e materno, pudesse lhe dar um conselho em momento tão amargo de sua vida.

Emmanuel lhe respondeu que iria encaminhar sua solicitação. Passados alguns dias, retorna o Espírito venerável com a resposta de Maria, mãe de Jesus.

Chico, diz Emmanuel, Maria manda-lhe dizer o seguinte: “Tudo passa”. E o sábio médium acolhe aquelas palavras curtas entendendo o seu significado.’’

Sim, até nosso querido Chico Xavier, mesmo com toda sua vasta experiência, sabedoria, tinha seus momentos de dores assim como todos nós, e ele procurava seu conforto em oração, pedindo conselhos, respeitando aquilo que lhe foi informado, acolhendo a mensagem de que tudo passa. Nenhuma dor é eterna. Assim como Chico, devemos acatar o que nos é passado, e ser cautelosos para lidar com o momento, pois, por falta de sabedoria, de fé, podemos mesmo sem intenção, atrapalhar o desencarne, a evolução daquele ente que se foi. A passagem após o desencarne exige paz, serenidade. Veja esse exemplo para o seu melhor entendimento:

Em uma família de pai, mãe e dois filhos, no qual essa família vive em desarmonia, brigas e conflitos constantes, falta de união, de fé, de princípios, respeito, inesperadamente o filho mais novo desencarna, desestruturando ainda mais essa família, que não possui instrução espiritual. Logo no velório, a reação dos familiares que não aceitam essa morte já se torna um ato que perturba o desencarnado. Passado um tempo, a mãe, que chora constantemente, se revolta com Deus, e a família que vive culpando um ao outro pelo fato ocorrido, gera ainda mais desordem ao desencarnado, pois este, se sente culpado pelas dores dos familiares que ficaram no plano terreno, atrasando completamente sua evolução.

Agora pense no cenário que se essa mesma família, independente da religião, possuísse a fé, Deus, sabedoria, no momento do desencarne inesperado, praticariam oração, procurariam se unir novamente, respeitar o desencarnado, aprender com os erros, assim, o luto com certeza seria menos doloroso para todos.

Enxergam a diferença? O modo como reagimos ao desencarne de alguém, influencia muito no progresso, tanto dele quanto nosso. A dor deve ser sentida, isso ninguém nos tira, mas a sabedoria deve ser aplicada, e isso teremos se estivermos em constante procura de Deus. Se você ama verdadeiramente o ente que se foi, saiba que você pode sim acalmar seu coração e o dele. A turbulência do desencarne afeta, debilita grandemente, sejamos cuidadosos. O que não falta são familiares que estão em depressão após o falecimento, que não entendem e não querem procurar entender, se atiram em álcool, drogas ou outros vícios por exemplo, a fim de diminuir seu luto. Tudo isso poderia ser evitado, se soubessem o quão destruidor isso é a quem se foi.

Allan Kardec, na questão 934, de ‘’O Livro dos Espíritos’’, questiona:

‘’A perda dos entes que nos são caros não constitui para nós legítima causa de dor, tanto mais legítima quanto é irreparável e independente da nossa vontade? Resposta: Das penas e gozos terrestres: Essa causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou expiação, e comum é a lei. Tendes, porém, uma consolação em poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios que vos estão ao alcance, enquanto não dispondes de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos.”

Questão 936:

“Como as dores inconsoláveis dos sobreviventes afetam os Espíritos a que se dirigem? Resposta: O Espírito é sensível à lembrança e aos lamentos daqueles que amou, mas uma dor incessante e irracional o afeta penosamente, porque ele vê nessa dor excessiva uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao progresso e, talvez, ao reencontro.” O espírito é sensível, mas ressalto, o luto é necessário, desde que não seja perturbador. Podemos chorar, recordar, nos emocionar, sentir saudade, porque isso é natural, temos emoções e sentimentos. Passar por isso é necessário para que coloquemos em prática tudo aquilo que ao longo dos anos de estudos absorvemos. Deus sabe de tudo.

Na obra ‘’Violetas na Janela’’, um romance escrito por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, tendo como exemplo, a história de Patrícia, que desencarnou jovem, de família espírita, seu processo de desencarne foi totalmente equilibrado e sereno, pois ela, enquanto encarnada, se preparou para isso através da doutrina, e seus familiares, através da sabedoria tinham esse conforto em seus corações. Patrícia não sofreu turbulências, pois sua família respeitou o processo de luto.

Vamos pensar em nosso cultural: na prática do luto, pelo menos em nosso país, considera-se ‘’normal’’ familiares terem a reação de chorar sem parar, vestirem-se de preto, gritar, terem reações ‘’inquietas’’ e ‘’desequilibradas’’ nos velórios. Pouco se vê pessoas em orações, e sim, conversando sobre alguma história que recorda do desencarnado, ou assuntos relativos, e isso é considerado ‘’normal’’, mas o normal não seria o silêncio? A paz? A oração? Reza? Será que alguns atos não inquietam o desencarnado? Fica a reflexão.

Não a nada mais intenso do que perder um filho(a), mãe, pai, avós, enfim, seja qual ente querido for. Lidar com a ausência de alguém reflete a saudade, mas quando se torna extrema dor, retrata a culpa por algo enquanto encarnado, de não vivenciar momento, de perder tempo, de não viajarem mais, de não falarem mais ‘’eu te amo’’, por exemplo.

Na obra ‘’Deixe-me partir’’ de Tânia Fernandes de Carvalho, temos um trecho que relata a importância do processo do luto:

‘’É um tempo entre duas fases da vida, a que se deixa, pela separação do ente querido, e a que vem depois. É preciso se soltar da relação que existia para construir uma verdadeira vida nova, sem esquecer a pessoa que se foi. O luto não vivenciado pode se tornar uma doença e muitas vezes um profissional da saúde deverá ser consultado para ajuda necessária. Muitas pessoas que não aceitam esse momento e não buscam esgotar todas as emoções daí advindas podem desenvolver mais tarde uma depressão, uma doença enfim, choque, negação, raiva, culpa, depressão, são as reações mais comuns que surgem no processo de luto.’’

Nessa mesma obra, nos explica o processo dos pensamentos:

‘’Sempre que um espírito pensa em outro encarnado ou desencarnado, um fio fluídico se estabelece entre ambos, servindo de canal de ligação de comunicação entre eles. É um canal de mão dupla de ida e volta. Os pensamentos, sentimentos e desejos de um como se fosse um telefone podem ser captados e interpretados pelo outro com maior ou menor intensidade, dependendo do vigor da fonte emissora do pensamento do sentimento do desejo. É como se de alguma forma os dois espíritos estivessem em contato íntimo, cada qual percebendo a presença do outro em espírito.’’

Não deixe a tristeza entrar em seu coração, se apegue em oração, em Deus, e não em álcool e drogas, pois isso não solucionará sua dor, e sim amenizará temporariamente, sem lhe ensinar o processo do luto. Para a culpa, é necessário se perdoar verdadeiramente, e entender o seguimento.

Atualmente, estamos passando por uma pandemia, no qual contamos com o número muito grande de desencanes diariamente, e isso nos exige tratar de assuntos como esse, assim como, conscientizar a quem está passando por isso. Não podemos nos abraçar, mas confortar com palavras, mensagens positivas aos nossos irmãos que se encontram perdidos no luto.

Em ‘’O evangelho segundo espiritismo’’ de Allan Kardec, podemos encontrar coletânea de preces, assim como diversas outras obras. Jamais vamos orar de maneira automática, e sim de forma espontânea, oração, conversa, com o ente que se foi, de todo nosso coração.

O luto deve ser vivido e não alimentado, ao longo do tempo a dor da separação ao desencarnado, vai diminuindo, devemos viver o luto de forma equilibrada, consciente. Busque praticar caridade para preencher seu coração, ler, estudar, se conhecer, meditar. Pelo luto, todos passarão. É preciso aprender que a morte faz parte da nossa vida, e ter maturidade de passar por isso. Lembre-se, logo estaremos todos juntos, trata-se de um até logo.

Amanda Teixeira Dourado

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2416&stat=3&palavras=tudo%20passa&tipo=t Acesso: 19/07/2021

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed. Araras, SP: IDE, 1996. q. 936.

Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 2019. Edição 1. Editora FEB.

Fernandes de Carvalho, Tânia. Deixe-me partir. Editora: Petit. Ano: 2014

Lúcia Marinzeck de Carvalho. Vera. Violetas na Janela. Editora: Petit. Ano: 2013

https://www.pensador.com/frase/OTY2MjUz/ Acesso: 19/07/2021

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POLÍTICA NO CENTRO ESPÍRITA

Fernando Rosemberg Patrocínio

Seria possível verificar-se nos Centros Espíritas vários, seja do nosso País ou do Mundo, alguma forma de estudo e de discussão sobre Política, de seus estudos e discussões, desde Aristóteles, e sua filosofia moral, aos tempos modernos do famoso “jeitinho”, do “toma lá, dá cá”, da corrupção dos tempos presentes, seja de nossa república mesma, ou, na planetária e, pois, mundial?

E respondemos que: Não!

Não é esse o objetivo, nem a prática do Espiritismo nos Centros Espíritas Cristãos que buscam, sobretudo, repartir suas bênçãos e suas luzes para todos, encarnados e desencarnados, aliviando sua Alma sofrida pelas graças sublimes do Mestre Soberano, de Sua Bênção, Sua Generosa Luz.

Todavia, o estudo do Espiritismo é fundamental, desde Kardec a André Luiz, passando, evidentemente, pelos maiores e mais reluzentes sábios do Espiritismo, sendo, por aqui, desnecessário citá-los em face de suas obras universais, sejam elas científicas, filosóficas ou morais.

Mas, de retorno às discussões políticas em Centros Espíritas, não vamos, de nós mesmos, exarar nossas opiniões, pois Allan Kardec, André Luiz e Emmanuel, por exemplo, já o fizeram, e, pois, cabe-nos apenas e tão só repeti-los como lembrança de seus recatados conselhos e advertências aos que ainda se arriscam à equivocada tarefa de se discutir Política nas Casas Consoladoras do Espiritismo, quando tudo, aliás, ainda se tem por fazer no sentido Consolador e Caritativo de suas atribuições.

Para Kardec, por exemplo, temos:

“[…] Devo ainda vos chamar a atenção para outra tática de nossos adversários: a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da Doutrina, que é o da Moral, para abordarem questões que não são de sua competência e que poderiam, com toda razão, despertar suscetibilidades e desconfianças.

“Também não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quanto disser respeito à POLÍTICA e às questões irritantes; nesse caso, as discussões não levarão a nada e apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém questionará a MORAL, quando ela for boa. Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais verdadeiramente úteis serão uma consequência natural”. (Vide: “Revista Espírita” – Fevereiro/1862–AK.)

E, para Emmanuel, um dos mais confiáveis Espíritos dos presentes tempos:

“Eu, porém, dentre vós: Sou como aquele que serve” – Jesus (Lucas: 22:27).

“O discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da Política administrativa do Mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido.

“O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da Política do Amor, representou antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis embora”.

“Administrou servindo, elevou os demais, humilhando a Si mesmo. Não vestiu o traje de sacerdote, nem a toga do magistrado.

“Amou profundamente os semelhantes e, nessa tarefa sublime, testemunhou a sua grandeza celestial.

“Que seria das organizações cristãs, se o apostolado que lhes diz respeito estivesse subordinado a reis e ministros, câmaras e parlamentos transitórios?

“Se desejas penetrar, efetivamente, o templo da verdade e da fé viva, da paz e do amor, com Jesus, não olvides as plataformas do Evangelho Redentor.

“Ama a Deus sobre todas as coisas, com todo o teu coração e entendimento”.

“Ama o próximo como a ti mesmo.

“Cessa o egoísmo da animalidade primitiva.

“Faze o bem aos que te fazem mal.

“Abençoa os que te perseguem e caluniam.

“Ore pela paz dos que te ferem.

“Bendize os que te contrariam o coração inclinado ao passado inferior.

“Reparte as alegrias de teu Espírito e os dons de tua vida com os menos afortunados e mais pobres do caminho.

“Dissipa as trevas, fazendo brilhar a tua luz.

“Revela o Amor que acalma as tempestades do ódio.

“Mantém viva a chama da esperança, onde sopra o fio do desalento.

“Levanta os caídos.

“Seja a muleta benfeitora dos que se arrastam sob aleijões morais”.

“Combate a ignorância, acendendo lâmpada de auxílio fraterno, sem golpes de crítica e sem gritos de condenação.

“Ama, compreende e perdoa sempre.

“Dependerás acaso, de decretos humanos para meter mãos à obra?

“Lembra-te meu amigo, de que os administradores do Mundo são, na maioria das vezes, veneráveis prepostos da Sabedoria imortal, amparando os potenciais econômicos, passageiros e perecíveis, todavia, não te esqueças das recomendações traçadas no Código da Vida Eterna, na execução das quais devemos edificar o Reino Divino, dentro de nós mesmos.” (“Vinha de Luz” – FEB.)

E, para finalizar, não nos esqueçamos de algumas palavras de André Luiz quando sabiamente ministra:

“Impedir palestras e discussões de Ordem Política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o ‘Serviço de Evangelização’ é tarefa essencial.

“A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da Política humana.

“Nenhum servo pode servir a dois senhores.” (Jesus – Lucas, 16:13.) (Vide: “Conduta Espírita” – FEB.)

Será preciso dizer mais ainda?

Fernando Rosemberg Patrocínio

Fonte: Espiritismo na Rede

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Diferença entre Umbral e Cidades Trevosas

Elaine Lopes

Inicio o texto trazendo até vocês a definição da palavra Umbral. Segundo o Dicionário Informal, Umbral (2021) tem o seguinte significado: “Ombreira da porta que separa um cômodo do outro”. Lugar através do qual se consegue entrar, ir para o interior de; porta, entrada, limiar. Mas, com relação ao texto tratado aqui no atual momento, falaremos sobre o Umbral segundo a Doutrina Espírita.

No livro Nosso Lar (XAVIER, 2006), no capítulo 12, Lísias explica para André Luiz que o “Umbral começa na crosta terrestre, é a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos”. Completa dizendo:

“Todas as multidões de desequilibrados permanecem nas regiões nevoentas, que se seguem aos fluidos carnais. Então sendo assim, o Umbral funciona, portanto, como região destinada ao esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena”. (XAVIER, 2014).

Já no livro Umbral, projeções mentais, testemunhos e resgate espiritual (GLASER, 2019), o médium Abel Glaser, pelo Espírito Cairbar Schutel, nos traz a seguinte definição:

“O Umbral não é o inferno, um ambiente subterrâneo, habitado pelos desencarnados, em completa bagunça, além de permeado de sofrimentos infligidos por criaturas diabólicas, onde se passará o restante da eternidade. Está longe disso. Trata-se de um lugar mais sombrio que as colônias espirituais, mas não se trata de um lugar de tortura proposital de Espíritos conduzida por outros Espíritos designados para isso, como a alegórica imagem do inferno retratado por outros entendimentos filosóficos ou religiosos.” (GLASER, 2019).

O Espiritismo aponta o Umbral como uma zona vibratória específica, que congrega muitos desencarnados sofredores, mas sem criaturas diabólicas para praticar torturas sem medidas. Trata-se de um cenário lúgubre, pois inspira tristeza e dor, sentimentos emanados dos próprios Espíritos que ali habitam transitoriamente.

Allan Kardec (2018), no livro O Céu e o Inferno, nos diz:

“O Evangelho não faz menção alguma do purgatório, que só foi admitido pela igreja no ano de 593. É incontestavelmente um dogma mais racional e mais conforme com a justiça de Deus que o inferno, porque estabelece penas menos rigorosas e resgatáveis para as faltas de gravidade mediana, o princípio do purgatório funda-se na equidade, pois é a detenção temporária a concorrer com a perpétua condenação, que julgar de um país que só tivesse a pena de morte para todos os delitos?” (KARDEC, 2018).

O Espiritismo não nega, mas confirma a penalidade futura; o que ele destrói é o inferno localizado com suas fornalhas e penas irremissíveis.

No Livro dos Espíritos (KARDEC, 2018), na pergunta 1.012, Allan Kardec pergunta aos Espíritos: Haverá no Universo lugares circunscritos para penas e gozos dos Espíritos, segundo seus merecimentos?

“Já respondemos a esta pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. E como eles estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinados a uma ou outra coisa. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos adiantado o mundo que habitam”. (KARDEC, 2018).

Allan Kardec continua: “De acordo então, com que vindes de dizer, o inferno e o paraíso não existem, tais como o homem os imagina?”

“São simples alegorias: por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos. Entretanto, conforme também já dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se reúnem por simpatia, mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos“.

A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.

Então, devemos deixar bem claro aqui que o Umbral é uma região fluídica, como todo ambiente espiritual, e os desencarnados habitantes desse local influem, e muito, nesse ambiente, através de suas emanações mentais, muitas das vezes em desequilíbrio. Devemos deixar claro também que não ficarão nesse lugar para sempre, mas o tempo suficiente para se depurar de toda sujidade trazida da encarnação em que viveram de um modo arbitrário anteriormente, principalmente tratando dos seus fluidos mentais e do seu perispírito.

Com relação à diferença de Umbral e Cidades Trevosas, ela se dá da seguinte maneira: pense no Umbral como uma Cidade e nas Cidades Trevosas como um bairro, mantendo suas conjunções, suas características herdadas pelo meio social e pela comunidade ali existente. Pense no Umbral como uma cidade onde se tem prefeitos, vereadores e seus subordinados em seus relativos cargos. Já as Cidades Umbralinas têm seus representantes, aqueles que são responsáveis para que tudo corra bem e dentro da ordem estabelecida pelos elos maiores, a quem devem obediência. Vemos aqui, então, que muito se assemelha a uma cidade no plano físico.

Em Guerra No Além – Interação entre os dois Planos da Vida (GLASER, 2010), vemos o seguinte:

“As comunidades se formam, pois, também em zonas Umbralinas. A partir e em função delas surgem os líderes e os grupos dirigentes. Estruturam-se estas cidades tal como as existentes no plano físico, visto que os Espíritos, quando desencarnados, carregam consigo a memória de suas últimas vivências na crosta. Tudo depende do grau evolutivo atingido pelos Espíritos. Os mais embrutecidos raramente aceitam viver em grupo, pois falta-lhes qualquer senso de disciplina e obediência. Por outro lado, Espíritos mais esclarecidos e inteligentes, embora norteiem seus atos ao mal, buscam formar organizações para conviver, tais como cidades ou vilas”. (GLASER, 2010).

Nessas Cidades Umbralinas, além de haver uma organização assim como no plano físico, os Espíritos dividem-se também por graus de superioridade, desde os mais embrutecidos aos mais inteligentes e organizados. Nessa cidade, há também muitas formas de organização, existe rivalidade, e grupos inimigos lutam entre si, visando alcançar a hegemonia de uns sobre os outros, além de buscar atacar cidades espirituais evoluídas e seus Postos de Socorro. Outra de suas atividades é acompanhar de perto a vida dos encarnados. As construções edificadas em zonas do Umbral, erguidas com matéria-prima rudimentar, encontrada nessa região, buscam espelhar-se naquelas existentes na crosta terrestre, apesar de não o conseguirem plenamente, tornando-se meras caricaturas, geralmente disformes.

No livro Memórias de Um Suicida (PEREIRA 1982), a médium Yvone do Amaral Pereira, através do relato do Espírito Camilo, vem nos relatar um pouco sobre a vibração e a força mental, elementos primordiais para se criar o ambiente e as Cidades Umbralinas. O Espírito comunicante relata que:

“cada um de nós vibrando violentamente e retendo com as forças mentais o momento atroz em que nos suicidamos, criávamos os cenários e respectivas cenas que vivêramos em nossos derradeiros momentos de homens terrestres, tais cenas, refletidas ao redor de cada um, levavam à confusão a localidade, espalhavam tragédia e inferno por toda parte, seviciando de aflições superlativas os desgraçados prisioneiros”. (PEREIRA, 1982).

O Umbral é um lugar de passagem. Lembremos que nem só os suicidas vão para o Umbral, e, como já dissemos anteriormente, para lá irão todos aqueles que tenham necessidade de se depurarem, se limparem, aumentarem suas vibrações e assim se tornarem mais leves para, a partir desse ponto, serem socorridos pela equipe espiritual e receberem os tratamentos necessários de suas chagas causadas por eles mesmos através de suas ligações mentais deturpadas.

Elaine Lopes

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS

  • GLASER, Abel, Guerra no Além – interação entre os dois planos da vida. 1ed. Matão: Casa Editora O Clarim, 2010.
  • GLASER, Abel. UMBRAL; projeções mentais, testemunhos e resgate espiritual. 1ed. Matão: Casa Editora O Clarim, 2019.
  • KARDEC. Allan Kardec. O Céu e o Inferno. Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo. 1ed.eletrônica. Capivari: Editora EME, 2018.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo. 1ed.eletrônica. Capivari: Editora EME, 2018.
  • PEREIRA, Yvone do Amaral. Memórias de um suicida. Espírito Camilo Cândido Botelho. Edição eletrônica. Rio de Janeiro: Editora FEB,1982.
  • UMBRAL. Dicionário informal. Disponível em: https://www.dicionarioinformal.com.br/umbral/. Acesso em 26 abr. 2021.
  • XAVIER, Francisco Cândido. Nosso lar. Pelo Espírito André Luiz. 56. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
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A Evolução dos Mundos na Visão Espirita

Victor Hugo Freitas

Provavelmente você já se perguntou sobre vida em outros planetas, se elas existem, de que forma existem e se oferecem algum risco à nossa existência na Terra. Sempre aprendemos de forma científica que foi preciso um monte de variáveis para que o corpo humano se adaptasse aos diferentes mundos como calor demais, frio demais, gravidade, etc. Mas você já parou para pensar nos diferentes mundos, nos diferentes seres?

“Mundos” na visão da doutrina espírita é um tema recorrente entre os médiuns e estudiosos. Segundo nos revelam os Espíritos, a Terra nunca foi o único planeta habitado. Jesus sempre disse que na casa do Pai, há muitas moradas. O universo é a casa, as moradas são os diferentes planetas, os mundos. Assim como a doutrina sempre fala sobre a evolução do espírito, os mundos também podem progredir e cada um deles se encontra em diferentes graus na escala evolutiva. Quando um mundo evolui, os Espíritos que não acompanham são exilados para outro mundo, um mais inferior.

No universo, há diferentes categorias de mundos: os primitivos, os mundos de provas e expiação, mundo de regeneração, mundos ditosos, mundos celestes ou divinos. Nossa amada Terra se encontra na condição de provas e expiações, mas sabemos que estamos nos preparando para um novo ciclo da evolução, o mundo da regeneração. Nesta transição, recebemos a oportunidade valiosa de acompanharmos o progresso ou então nos tornamos fortes candidatos a recomeçar em algum planeta mais inferior que o atual.

Vamos entender um pouco mais sobre os diferentes mundos…

Mundos Primitivos: destinados às primeiras encarnações do Espírito. São os mundos mais jovens, recém-formados. Neles se encontram todos os seres nas suas fases iniciais de progresso. Nesses mundos, os espíritos ainda estão em estado primitivo, com senso moral pouco desenvolvido.

Mundos de Expiação e Provas: são mundos nos quais os espíritos reencarnam para expiar seus erros de vidas passadas e passar por provas que vão contribuir para a sua evolução. Nesses mundos o mal ainda é dominante entre os Espíritos, embora já haja a prática do bem. É muito fácil entendermos este tipo de mundo. Vemos o quanto precisamos evoluir, mas já vemos o quanto de bem é praticado.

Mundos de Regeneração: são mundos nos quais os Espíritos que ainda têm o que expiar e extraem novas forças. Nestes mundos, há muito crescimento moral, amor ao próximo é base das relações sociais, rejeição ao materialismo. A Terra passará por grandes transformações.

Mundos ditosos: aqui o bem já sobrepuja o mal. Os espíritos já sabem que o propósito da existência é o da evolução moral. O bem é tão comum que se torna algo normal, corriqueiro, semelhante ao uso da tecnologia no nosso mundo hoje em dia.

Mundos celestes ou divinos: habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. Mundos onde estão os Espíritos puros que governam outros mundos em evolução.

Em “O Livro dos Espíritos” podemos encontrar algumas respostas sobre as Casas do Pai. Questão 55: Todos os globos que circulam no espaço são habitados?

            – Sim e o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crêem que Deus criou o Universo somente para eles.

A questão 56 esclarece que a constituição física não se assemelha nos diferentes mundos. Cada globo possui uma constituição de massa diferente da outra.

Podemos achar que estaremos sempre encarnados aqui, na Terra, com esse modelo de corpo físico. Mas Kardec pergunta aos espíritos na questão 172 se todas as nossas existências seriam aqui. Os espíritos respondem que podemos vive-las em diferentes mundos. As encarnações da Terra não são as primeiras tampouco as últimas, porém as que vivemos aqui são as mais materiais e bem distantes da perfeição.

Na questão 176, Kardec questiona se espíritos encarnados em outros mundos podem vir para a Terra sem que jamais tenham aqui estado. Os espíritos são categóricos em afirmar que sim e do mesmo modo que nós em outros mundos também. Todo e qualquer mundo é solidário.       E há muitos Homens que estão na Terra pela primeira vez, uns com baixo grau de evolução e outros em graus mais adiantados.

Devemos ficar atentos à evolução do nosso mundo. Ocorrerão mudanças nos aspectos físico e espiritual, no processo de desencarnação e reencarnação e é previsto que nosso planeta tem uma nova identidade entre nas próximas décadas. E podemos entender por regeneração a mutação dos mundos que saem do modelo material e partem ao modelo mais espiritual.

Que Jesus nos guie e oriente para essa nova fase planetária!

Victor Hugo Freitas

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS

Kardec, A.   (2013). O Livro dos Espíritos (93ª ed.). Brasília: Federação Espírita Brasileira.

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QUANDO AS MÁSCARAS CAEM

Anselmo Ferreira Vasconcelos

O momento presente não é apenas avassalador em razão das milhares de almas que estão partindo da dimensão material sob intenso sofrimento. Ele deve ser igualmente considerado como um momento único e especial pelo que está proporcionando em termos de aprendizado às criaturas humanas. Ora, devemos recordar que as pessoas – pelo menos aquelas minimamente informadas acerca das coisas do Espírito imortal – vêm há muito tempo sendo alertadas sobre as dramáticas mudanças agora em curso.

Pois bem. A Terra finalmente chegou ao seu novo estágio de transição evolutiva (regeneração). Quanto tempo vai durar? Quantas almas perecerão? Quantas mudanças imediatas ocorrerão? Só Deus sabe. Seja como for, sob a transição nos alcançam não apenas inúmeras desgraças individuais e coletivas, mas também revelações terrivelmente chocantes sobre a natureza humana. Faço tal afirmação baseado no fato de que o cristianismo esparge sua luz redentora nos corações humanos há exatos 21 séculos.

Não me refiro aqui também aos atos escabrosos praticados pelos lobos travestidos de gente, que tentaram de todas as formas possíveis lucrar com a epidemia. Muitos, felizmente, já foram identificados pelas forças policiais e enfrentam agora as justas consequências dos seus crimes. Outros ainda tentam, é verdade, atrapalhar a ação da justiça, mas seu tentame é inútil. Mais hora menos hora haverão de receber a merecida pecha de ladrões do patrimônio público e certamente trilharão caminho semelhante. No geral, não passam de indivíduos sem escrúpulos que não se importam com a dor dos semelhantes.

Num plano mais básico da vida, no entanto, há aqueles que no clamor do processo depurador em andamento também estão mostrando a sua verdadeira face. Infelizmente, deles emergem características, traços de personalidade, comportamentos e atitudes deploráveis, claramente perceptíveis. Com efeito, ninguém consegue enganar os outros para sempre, já que a verdade sempre vem à tona. Mas quem são eles(as)? São simplesmente os(as) falsos(as) amigos(as), companheiros(as), colegas, parentes e – pasmem – até mesmo cônjuges.

De modo geral, os delitos não se circunscrevem apenas e tão somente aos execráveis feminicídios, parricídios, latrocínios etc. Há uma outra ordem de “crimes” não computadas pelas estatísticas, que destroem os relacionamentos e, por extensão, as oportunidades de união e entendimento. Ou seja, refiro-me às traições de todas as formas; as inimizades disfarçadas que geralmente escondem objetivos nefastos; os desejos de vingança ocultados pelo abençoado manto da reconciliação; o propósito de prejudicar (sem qualquer razão ou justificativa) outrem; a crônica falta de sinceridade, típica, aliás, da tibieza humana; o onipresente olhar malicioso e invejoso; sem falar na hedionda hipocrisia, que grassa em toda parte. Obviamente não esgoto aqui todas as possibilidades de manifestação do mal. Confesso humildemente não ter tal capacidade.

É verdade que a história humana é repleta de cometimentos torpes, cruéis e abomináveis. Afinal de contas, os indivíduos continuam privilegiando o efêmero em vez do eterno. A sublime mensagem de Jesus não foi ainda assimilada. Há poucos dias, aliás, assisti a um documentário muito esclarecedor sobre a vida do rei Henrique VIII da Inglaterra (1491-1547), e como ele se desfazia das pessoas, dos seus métodos perversos e da abundante maldade do seu Espírito. Claro que estou resgatando um exemplo extremo de perturbação espiritual. Entretanto, Henrique também enfrentou a morte física sob pesadas injunções, e não seria inconcebível imaginar que aquela alma ainda esteja pagando um elevado tributo pelos seus desmandos através de penosas encarnações.

O que realmente preocupa é identificar que o coração humano continua comprometido com as sombras, espalhando maldades e fel em todas as direções. Há, vivendo entre nós, criaturas profundamente doentes não apenas do corpo, mas também da alma. Altamente comprometidas com projetos malignos, estão criando para si mesmas futuras experiências tenebrosas, dignas do inferno de Dante. Dominadas por imensa insensatez, inveja, mesquinharia, maquiavelismo e ingratidão para os que lhes estendem as mãos amorosas, destilam o ácido corrosivo da fala maldosa e tomam atitudes perversas.

Mas, como tudo na vida, chega o dia em que a máscara cai e – como tantos romances da literatura espírita evidenciam com meridiana clareza – a verdade soberana sobrepuja todos os males. Dela, a propósito, ninguém escapa! Infelizes, aliás, todos aqueles que tentam subvertê-la ou manipulá-la. Acontecimentos ou eventos desenrolam-se naturalmente pela vontade de Deus, e, assim, os indivíduos trevosos acabam revelando todo o mal que lhes preenche o Espírito ensandecido. Para tais criaturas, ainda muito distantes da luz pela sua própria incúria e desequilíbrio emocional, provavelmente restará, por um bom tempo, o “choro e ranger de dentes”, do qual nos falou Jesus. Pobres criaturas!

Se uma delas estiver no seu caminho, use o sagrado recurso da oração misericordiosa. Sua iniciativa será certamente reconhecida pela espiritualidade, e o(a) infeliz haurirá, no momento oportuno, forças e inspiração para alcançar a indispensável lucidez.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Fonte:  Espiritismo na Rede

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SOCORRO ESPIRITUAL

Joanna de Ângelis

Quando tropeçaste, supuseste que te faltaram socorros espirituais.

Quando caíste, acreditaste que a bondade celeste se esquecera de ti.

Quando sofreste, pensaste que carregavas imerecido fado. Quando perseguido, creste que pagavas um tributo injusto.

Quando fruías júbilos, porém, considerava-os como resultado do esforço próprio. Quando desfrutavas saúde, acalentavas pensamentos frívolos que te punham em condição de privilégio.

Quando sorriam venturas e juventude, concordavas com a Sabedoria Divina.

Quando facilidades tropeçavam nos teus pés, nem sequer te lembraste da transitoriedade daquilo que se detém.

Agora, quando choras, precipitado, impões auxílio, clamas por atenuantes, exiges lenitivos…

Falas sobre a bondade dos Espíritos Puros que, nessa hora, parecem distantes…

No entanto, não examinaste antes de sofrer os que tropeçaram, caíram, sofreram e foram perseguidos, clamando por socorro, esperando também por ti…

* * *

Sim, eles sofrem contigo e gostariam de ajudar, porém te distanciaste dos abençoados Numes Tutelares, quando a eles infligiste a dura prova das tuas deserções.

O teu primeiro tropeço não poderiam eles evitar-to.

Levantaram barreiras, estabelecendo muralhas vibratórias, reiteradas vezes, em teu favor.

Arrebentaste-as todas a golpes de rebeldia e imprevidência.

A tua queda, adiaram-na eles, ajudando-te, infatigáveis, continuadamente.

Dificultaste-lhes a permanência a teu lado, azorragando-lhes a presença com a desordem e a falta de decoro na conduta.

As dores, as lágrimas, os débitos ajudaram-te eles quanto puderam, a fim de que fossem diminuídos todos…

Nos dias do teu contentamento, às horas da saúde e da juventude, nos momentos da facilidade, atiraste a oportunidade fora e espontaneamente te afastaste deles para a breve viagem de longa volta.

Insistiram contigo, através de mil lições que aproximaram do teu raciocínio.

Falaram-te pela intuição, em linguagem muda e poderosa.

Volutearam em torno de ti, buscando meios de ajudar-te.

Mantiveram entrevistas, além do corpo denso, nos momentos de parcial desprendimento pelo sono.

Oraram. Sofreram. Choraram. Não os quiseste ouvir.

Trocaste-os pelo império agradável da volúpia.

Foste viajar para longe do convívio deles. Sim, os Espíritos Bons não te esqueceram.

Tu os esqueceste.

Embora vibratoriamente ainda te encontres longe deles, estão eles perto de ti, aguardando…

Aguça a alma e rala as tuas imperfeições – ouvi-los-ás.

* * *

Contam as anotações evangélicas, com riqueza de linguagem que, instado pelo próprio filho a receber seus pertences e ir para longe gozar, um pai lacrimoso, compreendendo lhe anseio, deixou o partir. Este se distanciou da casa do genitor e gozou… Até sofrer o convívio de animais em imunda pocilga. Experimentando acerbas dores morais, lembrou-se do pai amigo e, depois de recapitular mentalmente a loucura, juntou aos trapos ao corpo trôpego e, ele que saira sorrindo, ansioso, retornava lacrimoso, sem outro haver se não o tesouro da experiência, ao lar paterno que, embora fosse relevado à distância, sempre o aguardara.

Volta, também, após recapitulares as experiências, ao lar da benção – onde o dever tem primazia ao prazer – e deixa-te, humilde, banhar de paz, a paz que eles, os teus abnegados amigos espirituais, te podem doar.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 13

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INTOLERÂNCIA E RADICALISMO

Divaldo P. Franco

Houve, na Roma antiga, um templo dedicado a Jano, que durante um milênio somente fechou as suas portas nove vezes, correspondentes aos períodos em que a República esteve em paz. O deus singular era representado com duas faces, o que o tornou conhecido como bifronte, atributo conseguido de Saturno, a quem favorecera, e que o dotara com a capacidade de perpetrar o passado e o futuro, conforme narra a mitologia, ao se referir ao mais antigo rei do Lácio conhecido. – Joanna de Ângelis – Florações evangélicas

Há, no ser humano, a predominância dos instintos básicos, particularmente, a ira, que se transforma em cólera, desde quando estimulada pelos desejos não realizados.

Desde muito cedo, revela-se essa particularidade, nos indivíduos ególatras, que transpiram intolerância, sempre se acreditando certos e corretos em detrimento dos demais, mesmo quando portadores de melhores conceitos e mais coerentes conhecimentos.

Graças a eles, a intolerância sempre marchou com vitalidade entre as pessoas, mesmo algumas bem equipadas de conhecimentos. São os rebeldes de todos os tempos, inspiradores de lutas e revoltas, produzindo inquietação no grupo social em que se encontram.

Dessa intolerância doentia ao radicalismo é um passo audacioso, que envolve a mente dominada pelas paixões sórdidas e perversas.

Manifestam-se esses lamentáveis episódios no ódio de raças e etnias, de costumes e tradições, especialmente, nas comunidades religiosas em que se refugiam esses fracos morais, porque destituídos de valores éticos.

Neste momento, há uma onda de horror pela intolerância e decorrência do radicalismo religioso dos talibãs, que enfrentam a sociedade e as nações com as suas retrógradas condutas, tornando leis indiscutíveis os textos da Sharia.

Sharia, segundo o Google, é a lei muçulmana ou islâmica, tanto em relação à justiça civil e criminal, quando regulando a conduta individual, pessoal e moralmente. O corpo das leis baseado nos costumes fundamenta-se no Alcorão e na religião do Islã.

A leitura, distorcida pelas mentes que odeiam, permite a prática dos crimes mais hediondos, conforme os que vêm sendo praticados no Afeganistão, após a reconquista de Cabul, na semana passada.

Cenas indescritíveis são apresentadas pelos fanáticos assassinos, ante as suas vítimas indefensas, que entregam os seus filhos aos soldados americanos e à massa humana no aeroporto em tentativa de fuga…

Cristãos passam a ser mártires, de forma odienta, pelos infrenes conquistadores, que reduzem a mulher à insignificância e a mutilações descabidas, terminando na morte cruel.

A Humanidade necessita despertar como um todo, neste período de crise, de modo a merecer a denominação de civilizada, preservando os direitos humanos.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 26/08/21

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A DESENCARNAÇÃO E OS VÍCIOS

O desencarne após o consumo de drogas (lícitas ou ilícitas)

Priscila Gonçalves

Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito. – Efésios 5:18

Vivemos em um mundo de energias densas e nosso corpo físico é, por si só, feito de matéria densa. Reencarnamos na Terra com diversos propósitos e, dentre eles, experimentar e experenciar as mais diversas “criações” humanas e também as criações de Deus.

Somos convidados a todo instante a nos reunir e compartilhar de comida, bebida, algumas vezes drogas lícitas e ilícitas, a fim de fugir da realidade que por vezes nos assola os campos mental e emocional de forma violenta. Alguns não conseguem desvencilhar-se facilmente destes caminhos tortuosos que são os vícios, e todos nós carregamos conosco em nossa bagagem de outras existências alguns traços peculiares e sequelas de vícios previamente adquiridos. Todos estes fatores resultam em um grande potencial de tragédias individuais e coletivas, de indivíduos que não conseguem resistir aos seus mais profundos vícios e aos convites às substâncias nocivas à nossa saúde, que vêm maquiados de reuniões amigáveis e confraternizações.

Todos conhecem de cor e salteado talvez uma das mais famosas passagens do Evangelho:

“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém.” “Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine.” (BÍBLIA, 2021).

Tudo nos é permitido uma vez que somos dotados do livre arbítrio, e por ele podemos fazer nossas escolhas; porém, nem tudo nos convém, e temos também que utilizar do nosso discernimento e sabedoria para resultar nas nossas ações. Para tudo temos o nosso livre arbítrio, mas temos que refrear nossos impulsos, não deixando que os instintos primitivos nos dominem.

Na teoria são palavras belas, e pensar sobre este contexto nos parece algo simples, mas, quando temos que lidar verdadeiramente com nosso Eu, quem nós somos em essência, o trabalho torna-se complexo.

O consumo excessivo de álcool e uso de drogas lícitas e ilícitas para afugentar dores, sofrimentos e traumas gera uma cadeia de acontecimentos trágicos ao longo do tempo.

A começar pela presença constante de obsessores e outros Espíritos desencarnados que ainda não se desligaram completamente da matéria, e utilizam das afinidades energéticas encontradas em nós para continuarem alimentando seus vícios. Isso torna-se frequente, e, sem um devido cuidado e tratamento adequados por parte do encarnado já imerso no vício, acarreta, dentre outras causas, a morte por suicídio também.

Segundo a ideia, muito falsa, de que não se pode reformar sua própria natureza, o homem julga-se dispensado de fazer esforços para corrigir os defeitos em que se compraz voluntariamente. Isso lhe exigiria muita perseverança; é assim, por exemplo, que o homem inclinado à cólera quase sempre se desculpa por seu temperamento. Em vez de se considerar culpado, atribui a falta a seu organismo, acusando assim a Deus dos defeitos que são dele. É ainda uma consequência do orgulho que se encontra misturado a todas as suas imperfeições.

Certamente, há temperamentos que se prestam, mais que outros, a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor a esforços violentos. Mas não acrediteis que esteja nisso a causa primeira da cólera; persuadi-vos de que um Espírito pacífico, mesmo em corpo bilioso, sempre será pacífico, e um Espírito violento, em um corpo linfático, não seria por isso mais dócil. Apenas a violência tomaria um outro caráter: não tendo um organismo apropriado a apoiar sua violência, a cólera seria concentrada, e, no outro caso, seria expansiva. O corpo não dá mais cólera àquele que não a tem, assim como não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito.

Sem isso, onde estaria o mérito e a responsabilidade? O homem, que é disforme, não pode se tornar reto, porque o Espírito nada tem com isso, mas pode modificar o que é do Espírito quando tem vontade firme. A experiência não vos prova, espíritas, até onde pode ir o poder da vontade, através das transformações verdadeiramente miraculosas que vedes operarem-se? Dizei, pois, que o homem só permanece vicioso porque quer permanecer vicioso. Mas aquele que quer se corrigir sempre o pode, pois de outra forma a lei do progresso não existiria para o homem. (Hahnemann. Paris, 1863). Kardec (2019).

O desencarne após consumo de álcool e drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, gera danos seríssimos ao Espírito, uma vez que existe ainda um apego ao material, ao vício que se tornou parte de seu ego.

Assim, o desligamento do Espírito do corpo carnal é cada vez mais difícil, ficando o Espírito na erraticidade por muito e muito tempo, até que tome consciência de seu estado e procure ajuda da Espiritualidade Superior. Mesmo depois, em encarnações futuras, o Espírito pode levar consigo traços dessas vivências, acumulando débitos mais complexos para vencer, e seu processo evolutivo torna-se então mais doloroso.

São estas e várias outras consequências para os exageros que cometemos.

Lembremos que tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém, pois, nem tudo que existe na Terra nos é benéfico. A chave está em cuidar não só da nossa depuração moral, que é uma responsabilidade e compromisso constantes, mas também da melhora do nosso corpo físico, que é o veículo do Espírito neste mundo.

Priscila Gonçalves

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

BÍBLIA Sagrada Online. 1 Coríntios 6:12. Disponível em: https://www.bibliaon.com/versiculo/1_corintios_6_12/. Acesso em 20 jun. 2021.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capivari: EME, 2019.

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PERSONALIDADE, CARÁTER E OBSESSÃO

Marta Antunes Moura

As duas primeiras palavras podem estar relacionadas ao processo obsessivo, sobretudo na manifestação de casos mais graves (fascinação e subjugação), assim como adoção de medidas de prevenção e cura da obsessão. Ainda que o conhecimento da obsessão provocada por Espíritos desencarnados seja amplamente assinalado na literatura espírita, há escassos estudos científicos a respeito o assunto, condição favorece a disseminação dessa enfermidade de natureza espiritual. Entretanto, é válido conhecermos alguns conceitos não espíritas, a fim de que possamos refletir melhor a respeito do assunto:

Personalidade. Segundo a Medicina, é a “organização exclusiva de traços, características e modos de comportamento de um indivíduo que o posiciona diferentemente de outros indivíduos. […] Personalidade refere-se aos aspectos mentais de um indivíduo, em contraste com o físico.” (1) A Psicologia amplia o conceito quando afirma que um indivíduo é sempre distinto do outro porque apresenta diferentes aspectos físicos, psíquicos, sociais e culturais que lhe caracterizam os próprios pensamentos e comportamentos. (2)

A Doutrina Espírita ensina que a nossa personalidade atual resulta do somatório das experiências reencarnatórias passadas — de onde herdamos tendências instintivas, boas ou más; da educação recebida na atual existência e do grau de influência exercido pelo meio sociocultural, no qual estamos inserido. Esclarece também que, pelo livre arbítrio e pelo esforço da vontade, podemos nos transformar em pessoas melhores, em conhecimento e em moralidade. Neste sentido, a psicologia transpessoal, à luz do entendimento espírita, que é a difundida pelo Espírito Joanna de Ângelis, genericamente conhecida como psicologia espiritual, tem como proposta básica resgatar não só a ideia de que o Espírito é um ser imortal, pré-existente e sobrevivente à morte do corpo físico, mas criado por Deus para ser feliz. Sendo assim, esclarece a veneranda benfeitora, o Espírito precisa aprender a fazer cessar o sofrimento que impôs a si mesmo, em razão das más escolhas realizadas ao longo da jornada evolutiva. Esse entendimento é o primeiro passo, na sequência de outros: “[…] torna-se imprescindível a aquisição de uma consciência responsável […]. A educação do pensamento, a disciplina dos hábitos e a segurança de metas são recursos hábeis para o logro, sem as quais todas as terapias e técnicas se tornam paliativas, sem resultarem solucionadoras.” (3)

Caráter. Refere-se a aspectos ou habilidades presentes na personalidade, passiveis de serem transmitidos pela linguagem (falada e/ou escrita) e pelas ações de uma pessoa. (4) Tais aspectos e características nem sempre se revelam edificantes, pois resultam de longo e dedicado esforço humano. Equivocadamente utilizado como sinônimo de personalidade, o caráter fornece, na verdade, as pistas de como, efetivamente, é a natureza do indivíduo e o que ele precisa fazer vir a adquirir um bom caráter. Os especialistas e estudiosos consideram como pistas ou sinais reveladores da natureza do caráter humano: “[…] impulsos, afetos, ideias, defesas, aptidões e talentos, comportamento social e reações […].” (5)

Importa considerar, porém, que nem sempre é fácil identificar o verdadeiro caráter de uma pessoa. Por exemplo, os indivíduos interesseiros, egocêntricos e vaidosos, que pensam mais em si do que no próximo, ou os que têm sede por posições de destaque, de poder ou prestígio, conseguem habilmente disfarçar pontos negativos do próprio caráter, mesmo que, cedo ou tarde, venham a ser desmascarados. Como ilustração, inserimos em seguida uma história que foi transmitida pelo filósofo iluminista francês François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (1694-1778), após ele ter analisado aspectos, positivos e negativos, do caráter humano de um papa inquisidor:

Sixto V [papa e inquisidor, que viveu entre 1521-1590] nascera petulante, obstinado, soberbo, impetuoso, vingativo, arrogante. As provas do noviciado parecem ter-lhe adoçado o caráter. Mal começa a desfrutar de certo crédito em sua Ordem, lança-se contra um guardião e o cobre de socos; inquisidor em Veneza, exerce o cargo com insolência; uma vez cardeal, é possuído della rabbia papale (da ira papal); essa raiva domina seu temperamento; sepulta na obscuridade sua pessoa e seu caráter; ele se mascara de humilde e moribundo; é eleito papa: esse momento restitui à mola, que a política havia comprimido, toda a sua elasticidade por longo tempo retesada, é o mais arrogante e despótico dos soberanos. (6)

Ao final, Voltaire conclui: “A religião, a moral põem um freio à força do temperamento, mas não podem destruí-lo. O beberrão, enclausurado num convento, reduzido a beber meio copo de sidra em cada refeição não vai mais se embriagar, mas sempre vai gostar de vinho.” (6)

O Espiritismo nos mostra, ao contrário do que pensava o ilustre filósofo, que o beberrão pode, sim, “deixar de gostar de vinho”, desde que tenha se empenhado na sua reeducação, moral e intelectual. O impulso educativo é a fórmula indicada para que Espíritos imperfeitos se transformem em pessoas de bem, fazendo jus a esta sábia orientação espírita: “O verdadeiro homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza. Se interroga a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não violou essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem motivos para se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo quanto queria que os outros lhe fizessem.” (7)

Obsessão. É definida pelas ciências de saúde como “estado mental neurótico de ter um desejo incontrolável de insistir numa ideia ou emoção. Habitualmente, o paciente está ciente da anormalidade e tenta opor resistência a esses pensamentos.”(8) O estado mental neurótico indica distúrbio ou transtorno mental capaz de provocar tensão nervosa/emocional de graduações distintas, que podem, ou não, interferir na elaboração e na expressão do pensamento racional. De acordo com a visão psicanalítica, as neuroses são fruto de tentativas ineficazes de lidar com conflitos e traumas inconscientes. (9)

Por outro lado, quando Allan Kardec explica o que é obsessão ─ “[…] o domínio que alguns Espíritos exercem sobre certas pessoas. É praticada unicamente pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar, pois os Espíritos bons não impõem nenhum constrangimento. […]” (10) ─, constata-se, então, que a mera imposição de uma ideia pode provocar tensões nervosas e emocionais na pessoa, objeto da imposição. Quem se encontra sob persistente tensão nervosa/emocional, em razão do jugo obsessivo, passa a apresentar distúrbios mentais que se refletem, no devido tempo, nas atitudes e nos comportamentos. Deduz-se, portanto, que a prevenção e a cura da obsessão envolvem, necessariamente, o fortalecimento da personalidade e do caráter. Para tanto, é necessário que o obsidiado adquira esclarecimentos a respeito de como acontece a obsessão e o que fazer para neutralizar as más influências espirituais.

O conhecimento, porém, não basta por si só. A pessoa, independentemente esteja sob jugo obsessivo, precisa aprender a praticar o bem em toda a sua extensão: no pensar, no falar e no agir, que, em última análise, representam os fundamentos da verdadeira transformação moral. A questão moral revela-se, pois, como o fator de extrema relevância no aprimoramento da personalidade e do caráter, sob quaisquer circunstâncias. Ainda mais quando a obsessão se faz presente.

Neste sentido, o espírita consciente prioriza a sua renovação moral, disponibilizando aos que batem às portas da instituição espírita o socorro espiritual do Evangelho de Jesus, revivido no Espiritismo. A renovação moral foi uma contínua preocupação de Kardec, desde os seus contatos iniciais com a mensagem espírita, como lembra Emmanuel:

O apóstolo da Codificação não desconhecia o elevado mandato relativamente aos princípios que compilava, e, por isso mesmo, desde a primeira hora, preocupou-se com os impositivos morais de que a Nova Revelação se reveste, tendo salientado que as consequências do Espiritismo se resumem em melhorar o homem e, por conseguinte, torná-lo menos infeliz, pela prática da mais pura moral evangélica.

Sabemos que a retorta não sublima o caráter e que a discussão filosófica nada tem que ver com caridade e justiça […]. Espíritos desencarnados aos milhões e em todos os graus de inteligência enxameiam o mundo, requisitando, tanto quanto os encarnados, o concurso da educação. (11)

Marta Antunes Moura

Fonte: Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) THOMAS, L. Clayton. (Coordenador). Dicionário médico enciclopédico taber. Trad. de Fernando Gomes do Nascimento. 17 ed. São Paulo: Manole, 2000, p. 1351.

(2) CABRAL, Álvaro e NICK, Eva. Dicionário técnico de Psicologia. 11 ed. São Paulo: Cultrix, 2001, p. 224.

(3) FRANCO, Divaldo P. Plenitude. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 12 ed. Salvador: LEAL, 1994. Cap. 4, p.41-42.

(4) THOMAS, L. Clayton. (Coordenador). Dicionário médico enciclopédico taber. Trad. de Fernando Gomes do Nascimento. 17 ed. São Paulo: Manole, 2000, p. 263.

(5) CABRAL, Álvaro e NICK, Eva. Dicionário técnico de Psicologia. 11 ed. São Paulo: Cultrix, 2001, p.51.

(6) VOLTAIRE. Dicionário filosófco. Trad. de Ciro Mioranza e Antonio Geraldo da Silva. São Paulo: Editora Escala, 2008, p.127.

(7) KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 4 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013, q. 918, p. 394.

(8) THOMAS, L. Clayton. (Coordenador). Dicionário médico enciclopédico taber. Trad. de Fernando Gomes do Nascimento. 17 ed. São Paulo: Manole, 2000, p.1320.

(9) http://pt.wikipedia.org/wiki/Neurose. Acesso em 22 de fevereiro de 2014.

(10) KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. 1 imp. Brasília: FEB, 2013. Cap. 23, it. 237, p. 259.

(11) XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 1 ed. 5 imp. Brasília: FEB, 2013. Introdução (Com Jesus e por Jesus), p.14

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EVIDÊNCIAS DA CONTINUIDADE DA VIDA

Sidney Fernandes

Os propósitos da vida dependem do seu significado em sua amplitude maior. Os sofrimentos por que passamos, com os quais precisamos lidar com resiliência, são justificados pela sobrevivência à morte, pois a vida física é um estágio de aprendizado no nosso mundo de relações.

As pesquisas do Professor Ian Stevenson, da Universidade da Virgínia, envolviam crianças que tinham lembranças detalhadas de vida passada, que depois eram confirmadas através de registros públicos.

Nas comunicações em estados de transe do médium um espírito assume a identidade e respectivas particularidades de uma pessoa que já morreu.

No Código Internacional de Doenças e no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-5) da Associação Americana de Psiquiatria, a medicina passou a aceitar que transtornos dissociativos de identidade podem ser atribuídos a estados de transe e possessão, situações em que o paciente assume a identidade de um morto.

Em seus momentos de lazer, o crítico de arte sueco Friedrich Jürgenson (1903-1987) tinha o hábito de gravar cantos de pássaros. Ao escutar uma dessas gravações, deparou-se com vozes humanas entre os trinados das aves. Depois de várias pesquisas e aperfeiçoamento de seus métodos de captação, descobriu que as vozes se originavam de criaturas mortas.

Colocou os resultados de seus estudos num livro que, no Brasil, foi publicado com o título Telefone para o além.

Fernando Pessoa valorizava muito as visões de Dante, porque ele mesmo viveu estados de transe. O grande escritor português entendia que os seus heterônimos — Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos — na verdade eram entidades espirituais.

Sob o ponto de vista literário eram chamados de heterônimos — personalidades assumidas pelo autor como se fossem pessoas reais —, mas sob o ponto de vista fenomenológico Pessoa entendia que eram entidades espirituais, oriundas de, vamos dizer assim, suas psicografias. Existem pesquisas de comunicações com os mortos dentro do Vaticano, através de aparelhos, realizadas pelo Padre François Charles Antonio Brune, teólogo e especialista em misticismo oriental e ocidental, sacerdote ordenado em 1960.

Desde 1987 ele é considerado um observador atento da investigação psíquica e da chamada Transcomunicação Instrumental (TCI). Autor do livro Os mortos nos falam, assim se expressou, em entrevista concedida ao Jornal de Espiritismo da ADEP, de Portugal:

— Penso que na maior parte das vezes nos comunicamos com os mortos, que vivem agora numa outra dimensão.

Dentro da Igreja Evangélica Anglicana tivemos uma extraordinária médium chamada Rosemary Brown, que se tornou conhecida pelas comunicações de compositores célebres de música eruditas, tendo recebido deles, em processo similar à psicografia, mais de quatrocentas partituras.

Entre esses espíritos estariam Liszt, Chopin, Schubert, Beethoven, Bach, Brahms, Schumann, Debussy, Grieg, Rachmaninoff, Mozart, dentre outros. Em abril de 1969 psicografou diante das câmeras da BBC uma partitura inédita de Liszt com a peça chamada Grübelei, de tão elevada dificuldade técnica que se confessou incapaz de ela própria tocá-la.

Posteriormente, a peça foi analisada por Humphrey Searle, compositor britânico e grande estudioso de Liszt, que ressaltou, em seu artigo, que as harmonias avançadas e a tonalidade eram típicas das últimas composições de Liszt.

Mesmo com todos esses conhecimentos, a perda de um ente querido é a expressão mais marcante na vida de cada um de nós. No entanto, as evidências da continuidade da vida nos dão forças para esperar pelo aguardado reencontro, na espiritualidade.

Essa esperança nos vacina contra o desespero. É saudável ter saudade, mas não a revolta, porque se perde qualquer possibilidade de uma linha de comunicação que se possa ter com o ente querido que está, do outro lado da vida, na expectativa de uma ligação construtiva.

A ideia de acabar com a existência deve ser eliminada, pois a vida não nos pertence. Ela tem um grande propósito, advindo de uma inteligência suprema que coordena a natureza e delega para a história de cada pessoa ampla possibilidade de aprendizado, para fazer surgir, de dentro de cada um de nós, o que temos de melhor.

A vida vale a pena e ela continua para lá da morte, além do corpo biológico, e transita pelos mundos espirituais, com a consciência plena do que realizamos aqui na Terra. Ainda que tenhamos sido atropelados por nossos erros e desenganos, conseguimos aprender alguma coisa. Sempre é tempo de recomeçar. A vida se expande muito mais do que os nossos olhos podem enxergar.

Extrato resumido e adaptado de reflexões do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira contidas no vídeo Vida após a vida – uma reflexão da vida após a morte.

Sidney Fernandes

Fonte:  Kardec Rio Preto

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