O QUE É IMPORTANTE NO ESPIRITISMO

Mário Frigéri

É importante mantermos o foco em nosso trabalho na seara espírita.

1. É importante vivermos os princípios morais ensinados pelo Espiritismo e as virtudes exemplificadas pelo Cristo, renovando-nos espiritualmente a cada bom ato praticado, a fim de vencermos nossas limitações e avançarmos para um novo tempo de iluminação moral e espiritual.

[…] Que importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não faz que aquele que a tem se torne melhor, mais benigno e indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e paciente na adversidade? De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se se conserva cheio de si; ao invejoso, se permanece dominado pela inveja? Assim, poderiam todos os homens acreditar nas manifestações dos Espíritos e a Humanidade ficar estacionária. […] – Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, cap. 29, Rivalidades entre as Sociedades, it. 350).

2. É importante assimilarmos o caráter assectário da Doutrina Espírita, transformando-nos em um ponto de entendimento fraterno entre todas as criaturas, certos de que a posse de uma consciência cristalina é superior à ostentação de uma crença religiosa.

[…] O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha a ninguém que mude de religião. Deixa a cada um a liberdade de adorar Deus à sua maneira e de observar as práticas ditadas pela sua consciência, pois Deus leva mais em conta a intenção que o fato. Ide, pois, cada um, ao templo do vosso culto, e assim provareis que vos caluniam, quando vos acusarem de impiedade. – Allan Kardec (Revista Espírita, Votos de boas-festas, it. Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo, fev. 1862).

3. É importante abrirmos os braços fraternalmente aos adeptos de todas as religiões, aos indiferentes e até mesmo aos contrários a elas, na certeza de que a Doutrina que adotamos, assim como o Sol, veio para irradiar sua luz sobre todas as criaturas, e não somente para iluminar aqueles que já têm condições de usufruir dos seus benefícios.

[…] Assim, [o Espiritismo] oferece o espetáculo, único na história de uma doutrina que, em alguns anos, implantou-se em todos os pontos do globo e cresce sem cessar; que liga todas as crenças religiosas, ao passo que as outras são exclusivas e permanecem fechadas num círculo circunscrito de adeptos. – Allan Kardec (Revista Espírita, Necrológio, it. Morte do Sr. Bruneau, dez. 1864).

4. É importante agirmos dentro dos princípios da caridade cristã para com todos, sem querer impor nossa opinião a quem quer que seja, porque, aquilo que não for conquistado pelo emprego sereno da razão, muito menos o será pelo da coação.

[…] Aquele que, numa reunião, se afastasse das conveniências, não só provaria uma falta de civilidade e de urbanidade, mas uma falta de caridade; aquele que se melindrasse com a contradição e pretendesse impor a sua pessoa ou as suas ideias, daria prova de orgulho.

Ora, nem um nem outro estariam no caminho do verdadeiro Espiritismo cristão. Aquele que pensa ter uma opinião mais justa fará que os outros a aceitem melhor pela persuasão e pela doçura; o azedume, de sua parte, seria um péssimo negócio. – Allan Kardec (Revista Espírita, Organização do Espiritismo, it. 11, dez. 1861).

5. É importante confiarmos na Doutrina a que nos devotamos e divulgá-la com serenidade, sem antagonizar os que a repelem ou se mostram indiferentes, sabendo que ela prospera sempre e em silêncio, sob o orvalho benfazejo que desce das Esferas Superiores.

[…] O Espiritismo não se impõe: aceita-se; dá as suas razões e não acha mau que as combatam, desde que sejam com armas leais, confiando no bom senso do público para decidir. Se repousar na verdade, triunfará a despeito de tudo; se seus argumentos forem falsos, a violência não os tornará melhores. O Espiritismo não quer ser acreditado sob palavra; quer o livre-exame; sua propaganda se faz dizendo: vede os prós e os contras; julgai o que melhor satisfaz o vosso julgamento, o que responde melhor às vossas esperanças e aspirações, o que mais vos toca o coração, e decidi-vos com conhecimento de causa. – Allan Kardec (Revista Espírita, Variedades, it. Resumo da pastoral do Sr. bispo de Estrasburgo, mar. 1864).

6. É importante nos afastarmos das ideias materialistas e abraçarmos as espíritas e espiritualistas, iluminando a consciência com as luzes da fé alicerçada na razão.

[…] A gente é espírita desde o momento em que se entra nesta ordem de ideias, ainda mesmo quando não se admitissem todos os pontos da Doutrina em sua integridade ou em todas as suas consequências. Por não ser espírita completo não se é menos espírita, o que faz que por vezes se o seja sem saber, algumas vezes sem o querer confessar e que, entre os sectários das diferentes religiões, muitos são espíritas de fato, quando não de nome. – Emile Barrault (Revista Espírita, Nota bibliográfica, jun. 1868).

7. É importante adotarmos uma doutrina como o Espiritismo, que é mais ampla, completa e abrangente que o Espiritualismo, estando ambas nos antípodas dos sistemas materialistas. […] É espiritualista aquele que acredita que em nós nem tudo é matéria, o que de modo algum implica a crença nas manifestações dos Espíritos. Todo espírita é necessariamente espiritualista; mas pode-se ser espiritualista sem se ser espírita; o materialista não é uma nem outra coisa. [….] – Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, cap. 32 – Vocabulário espírita, verbete: Espiritualista).

8. É importante não nos deixarmos envolver por ideias novidadeiras ou extravagantes, submetendo tudo ao crivo silencioso da razão e descartando sem alarde o que não se coaduna com os requintados ditames da Doutrina que nos ilumina o coração.

[…] Quando um fato se apresenta não nos contentamos com uma única observação; queremos vê-lo sob todos os ângulos, sob todas as faces e, antes de aceitar uma teoria, imaginamos se ela corresponde a todas as circunstâncias, se nenhum fato desconhecido virá contradizê-la; numa palavra, se resolve todas as questões. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, O músculo estalante, jun. 1859).

9. É importante professarmos e praticarmos o Espiritismo, ensinando o que aprendemos e vivendo o que ensinamos, com a naturalidade do semeador que semeia em silêncio e a dedicação do trabalhador já consciente de sua responsabilidade.

[…] Há uma grande diferença em professar e praticar. Muita gente professa uma doutrina, que não pratica; pois bem, eu praticava e não professava. Assim como cristão é todo homem que segue as leis do Cristo, mesmo sem conhecê-las, assim também podemos ser espíritas, acreditando na imortalidade da alma, nas reencarnações, no progresso incessante, nas provações terrenas – abluções necessárias ao melhoramento. […] Compreendi tudo isso, e, sem professar, continuei a praticar. – Jean Reynaud (O céu e o inferno, cap. 2 – Espíritos felizes, it. Jean Reynaud).

10. É importante que trabalhemos espiritualmente de mãos dadas dentro do Ideal que nos acolhe, harmonizando nossos pensamentos e ações, a fim de que a obra em construção reflita o nível de fraternidade íntima que já conquistamos.

[…] No momento nós nos limitamos a dizer: sem homogeneidade, não há união simpática entre os membros, não há relações afetuosas; sem união, não há estabilidade; sem estabilidade, não há calma; sem calma, não há trabalhos sérios. De onde concluímos que a homogeneidade é o princípio vital de toda sociedade ou reunião espírita. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Princípio vital das Sociedades Espíritas, jun. 1862).

11. É importante mantermos o foco em nosso trabalho na seara espírita.

[…] Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Votos de boas-festas, it. Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo, fev. 1862).

12. É importante desfrutarmos moralmente do tríplice aspecto do Espiritismo – filosófico, científico e religioso -, empregando essa bagagem imensa em prol de nós mesmos, de nossa família, de nossa pátria e de toda a Humanidade.

[…] Porque, segundo o que tenho lido, calculo que é impossível ser espírita sem ser homem de bem e bom cidadão.

Conheço poucas religiões das quais se possa dizer o mesmo. – G.-H. Love (Revista Espírita, Notas bibliográficas, it. O Espiritismo racional, out. 1863).

13. É importante termos consciência da relevância da Terceira Revelação e estudá-la em profundidade, com perseverança, assiduidade e calma, percebendo e valorizando as nuanças de seu avanço em relação ao conhecimento comum.

Em todos os tempos a filosofia é ligada à procura da alma, sua natureza, suas faculdades, sua origem e seu destino. Inúmeras teorias foram feitas a propósito, e a questão sempre ficou na incerteza. Por quê? Aparentemente porque nenhuma encontrou o nó do problema e não o resolveu de maneira bastante satisfatória para convencer a todos. O Espiritismo vem, por sua vez, dar a sua teoria. Apoia-se na Psicologia experimental; estuda a alma, não só durante a vida, mas após a morte; observa-a em estado de isolamento; ele a vê agir em liberdade, enquanto a Filosofia ordinária só a vê em sua união com o corpo, submetida aos entraves da matéria, razão por que muitas vezes confunde a causa com o efeito. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Vida de Jesus, pelo Sr. Renan, it. À alma pura de minha irmã Henriette, mai. 1864; grifo nosso).

14. É importante submetermos tudo ao crivo da razão, inclusive as previsões proféticas a respeito do futuro da Humanidade, sem desprezar as simbologias que ainda não entendemos, certos de que o Deus de Amor que nos criou provê sempre o melhor para seus filhos, ainda que tenha de disciplinar os mais rebeldes por meio de inúmeros sofrimentos e provações.

Amigos, o fim do mundo está próximo e vos convido vivamente a tomar boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo quanto já se trabalha para o reconstruir. A sábia previdência daquele a quem nada escapa, quer que tudo se construa, antes que tudo seja destruído; e quando o edifício novo for concluído, quando a cumeeira estiver coberta, então é que desabará o antigo; cairá por si mesmo, de sorte que entre o mundo novo e o velho não haverá solução de continuidade. – Jobard (Revista Espírita, O fim do mundo em 1911, abr. 1868; grifo nosso).

15. É importante nos conscientizarmos de que o Espiritismo não é manipulável nem será o que dele fizerem os homens: é ideia que desceu do Alto, com destino pré-traçado e protegida pelos Imortais, em cujo seio somos apenas operários que, por Misericórdia Divina, recebemos a mordomia de laborarmos para alcançar a própria redenção.

[…] Não foram os homens que fizeram do Espiritismo o que ele é, nem que farão o que será mais tarde; são os Espíritos por seus ensinos. Os homens apenas o põem em ação e coordenam os materiais que lhes são fornecidos. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Partida de um adversário do Espiritismo para o mundo dos Espíritos, out. 1865; grifo nosso).

16. É importante compreendermos que nenhum de nós está livre de suscitar inimigos em decorrência de nossa profissão de fé, mas, se acontecer, que sejam inimigos gratuitos, não gerados por atitudes malsãs de nossa parte, porque se nossos atos se fundarem na doçura da caridade, ainda que colhamos alguns espinhos, eles terão para nós a textura das rosas.

Um dos resultados do Espiritismo bem compreendido – chamamos a atenção para a expressão: bem compreendido – é desenvolver o sentimento de caridade. Mas, como se sabe, a própria caridade tem uma acepção muito ampla, desde a simples esmola até o amor aos inimigos, que é o suprassumo da caridade. Pode-se dizer que ela resume todos os nobres impulsos da alma para com o próximo. O verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pode ter inimigos – não os teve o Cristo? – mas não é inimigo de ninguém, pois está sempre disposto a perdoar e a pagar o mal com o bem. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Reconciliação pelo Espiritismo, set. 1862).

17. É importante estarmos cientes de que, quando abraçamos uma ideia luminosa como a espírita, acabamos por iluminar-nos, e, nessa condição, devemos nos prover de uma grande dose de equilíbrio interior, para respondermos sempre com espírito de paz aos que vierem a nos confrontar por se encontrarem num diverso nível de entendimento espiritual.

Senhores, pessoalmente eu desfrutaria de um privilégio inconcebível se tivesse ficado ao abrigo da crítica. Não nos pomos em evidência sem nos expormos aos dardos daqueles que não pensam como nós. Mas há duas espécies de crítica: uma que é malévola, acerba, envenenada, onde a inveja se trai em cada palavra; a outra, que visa à sincera pesquisa da verdade, tem características completamente diversas. A primeira não merece senão o desdém; jamais com ela me incomodei. Somente a segunda é discutível. – Allan Kardec (Revista Espírita, Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, jul. 1859).

18. É importante, por fim, nos dedicarmos de forma responsável e leal à obra do bem, sem o desejo oculto de sermos melhor que o próximo, pois a obra do bem pertence acima de tudo ao Cristo, e quem está lealmente a serviço d’Ele, ainda que esteja materialmente no último lugar, estará sempre espiritualmente no primeiro.

De mais a mais, temos um meio infalível para não temer nenhuma rivalidade. É São Luís que no-lo oferece:

[…] Que entre vós haja compreensão e amor – disse-nos ele. Trabalhemos, pois, para nos compreendermos; lutemos com os outros, mas lutemos com caridade e abnegação. Que o amor do próximo esteja inscrito em nossa bandeira e seja a nossa divisa. Com isso afrontaremos a zombaria e a influência dos Espíritos maus. Nesse terreno, tanto melhor que se nos igualem, pois serão irmãos que chegam; depende apenas de nós, no entanto, jamais sermos ultrapassados. – Allan Kardec (Revista Espírita, Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, jul. 1859).

Mário Frigéri

mariofrigeri@uol.com.br

Revista Reformador – Janeiro 2019

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ABNEGAÇÃO

Emmanuel

LE: Questão 912. Qual o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea?

“Praticar a abnegação.”

* * *

No estudo da abnegação, fitemos em Cristo o exemplo máximo.

Emissário de Deus entre os homens, podia exigir um palácio para nascer, mas preferiu asilar-se no abrigo dos animais.

Podia frequentar, na meninice, os mais altos grêmios filosóficos e religiosos da nação que o contava entre os seus; todavia, preferiu as rudes experiências da carpintaria de Nazaré.

Podia aderir aos programas de dominação dos maio­rais em Jerusalém, impondo-lhes a sua própria condição de missionário excepcional; entretanto, preferiu incorpo­rar-se ao trabalho de pescadores humildes, revelando-se a eles sem violência.

Podia escolher as damas ilustres para entreter-se, com elas, acerca do Reino de Deus, através de tertíflas afetivas no terraço de casas nobres; contudo, preferiu entender-se com as mulheres simples do povo, sem esquecer a filha de Magdala, submetida aos flagelos da humilhação.

Podia insinuar-se no ambiente mais íntimo de Caifás ou Pilatos e agradar-lhes a parentela para ganhar influência; no entanto, preferiu aproximar-Se dos enfermos esquecidos na via pública.

Podia acumular ouro e prata, mobilizando os poderes de que dispunha, mas preferiu viver entre os desfavorecidos do mundo, sem reter uma pedra onde re­pousar a cabeça.

Podia afastar Iscariotes do círculo doméstico, depois de perceber-lhe os primeiros sinais da deserção; todavia, preferiu conservá-lo entre os aprendizes, para não lhe frustrar as oportunidades de reajuste.

Podia agitar a multidão contra os detratores de sua causa; entretanto, preferiu que os detratores a comandassem.

Podia recorrer à justiça de modo a defender-se contra a perseguição sem motivo; no entanto, preferiu mor­rer perdoando aos algozes, alinhando-Se entre os con­denados à morte sem culpa.

Não te despreocupes, assim, da abnegação dentro da própria vida, a fim de que possas auxiliar as vidas que te rodeiam.

Supérfluo que nos enfeita é carência que aflige os outros.

O grande egoísmo da Humanidade é a soma dos pequenos egoísmos de cada um de nós.

Sofrer por obrigação é resgate humano, mas sofrer para que outros não sofram é renúncia divina.

Ninguém sabe se existe virtude nos prisioneiros da expiação; entretanto, a virtude mostra-se viva em todo aquele que, podendo acolher-se ao bem próprio, procura, acima de tudo, o bem para todos.

Se podes exigir e não exiges, se podes pedir e não pedes, se podes complicar e não complicas, se podes parar de servir e prossegues servindo, estarás conquistando o justo merecimento.

Não vale, pois, reclamar a abnegação dos outros para a melhoria do mundo, porque o próprio Cristo nos ensinou, à força de exemplos, que a melhoria do mundo começa de nós.

Emmanuel

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Livro: Religião dos Espíritos – 79

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A CEGUEIRA DO MATERIALISMO

Quem ilude quem?

Adelvair David

Afirmou Jesus, o mestre dos mestres, “Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco”. – Mateus 15:14.

Desde os altos escalões da sociedade até o mais singelo indivíduo é comum o homem usar sem qualquer escrúpulo de sua posição ou inteligência para subtrair o quanto pode aquilo que não lhe é devido. Mente, simula, elabora falsos projetos para justificar suas pérfidas ações, muitas vezes o faz até mesmo em nome de Deus, sem qualquer constrangimento.

É muito importante analisarmos nossas intenções e desejos. Excetuando-se os ingênuos, os ignorantes e crédulos de coração, uma parcela muito grande da humanidade age com mau propósito, desejando obter alguma vantagem na vida sem qualquer esforço, o dinheiro fácil, benefícios espirituais sem fazer mudanças no comportamento e sentimento, cargos e lugares sem qualquer mérito e até usurpando os direitos dos outros. Este proceder em desalinho com a ética e a moral atrai os lobos que levam à ruína aqueles que a eles se submetem, roubando-lhes até dignidade.

O que podemos inferir da fala de Jesus é que, enganados e enganadores podem estar cegos pelas suas ambições desmedidas e pela desonestidade, portanto iludidos, nada nos pertence se não for ganho com luta e esforço pessoal gerando merecimento, de outra forma entramos na lei do demérito. É preciso considerar que toda ação imprime uma marca na consciência, ela chamará cada um às contas em algum tempo, se não for agora enquanto estamos nesta existência, certamente será no mundo espiritual. É impossível esconder-se de si mesmo e das vítimas. Ensinam os espíritos venerandos que o malfeitor estará sempre na presença de quem prejudicou e dele não poderá ausentar-se, podendo ter que percorrer longo caminho ao seu lado em vidas tormentosas e de difícil relacionamento até lhe restituir o que tirou e conquistar o seu coração.

A forma egoísta e orgulhosa de seguir com a vida revela uma natureza moral inferior, verdadeira cegueira que precisa de urgente atenção, de modificação para melhor. Praticando ações morais negativas cairemos todos no barranco a que se refere Jesus, que é a desilusão, a tristeza, a amargura, o prejuízo espiritual e os remorsos. Quem se deixa conduzir movido por mau desejo está cego, quem conduz com intenções ilícitas também está cego e certamente ambos acabarão na ruína moral. Somente não fazendo aos outros o que não desejamos que os outros nos façam é que atingiremos a paz de consciência, a verdadeira felicidade.

Conforme aprendemos, o verdadeiro homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza, ou seja, que faz o bem pelo bem, sem desejo de obter qualquer vantagem sobre os seus irmãos.

Na prática do mal nada de útil se obterá.

Adelvair David

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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EXPURGAÇÃO

Joanna de Ângelis

Apregoa-se, em tom profético alarmante, que o processo de mudança terrestre para mundo de regeneração dar-se-á por meio de tragédias, entre as quais hediondos sismos catastróficos acompanhados de horror e loucura….

Assevera-se, com certa dose de autoridade, a respeito do futuro, que o acontecimento transformador tem data definitiva, caracterizada por insuportáveis fenômenos da Natureza, a ninguém poupando…

Estabelece-se, com arremedos proféticos, que a hora se aproxima e necessárias se tornam providências radicais, incidindo-se em equívocos lamentáveis…

Descrevem-se desgraças programadas pela Divindade para punir as criaturas terrestres rebeldes ou impenitentes, qual aconteceu com as cidades bíblicas de Sodoma e Gomorra, cruelmente arrancadas do mapa pela ação dos Céus, dominados pela vingança do Altíssimo…

Desenha-se um panorama de desar para os futuros próximos tempos, como se o amor não fosse a lei básica, fundamental, que vige na Criação…

Heranças do deus antropomórfico estimulam imaginações febris a se utilizarem dos castigos impiedosos para chamar à ordem e ao dever todos aqueles que se encontram na trajetória da ignorância.

Os fenômenos evolutivos fazem parte da trajetória do planeta desde priscas eras.

Da nebulosa de gases incandescentes ao mundo sutil em que o mesmo se tornaria, experiências colossais, consideradas trágicas, sacudiram-no.

As diferentes idades, desde o período da condensação da energia em matéria, dos movimentos geológicos com as suas placas tectônicas até à pureza da atmosfera e a harmonia da paisagem, eram estabelecidas pelas leis do progresso dos mundos. Nada possuíam de calamitoso nem destrutivo, antes obedeciam a programas muito bem elaborados, a fim de alcançar a meta de mundo feliz.

Naturalmente, em razão dos seus habitantes ainda distantes da observância da ordem e do dever de respeito à vida, tem gerado, pelas emanações psíquicas venenosas, situações lamentáveis na economia moral e espiritual da Humanidade.

Certamente acontecerão expurgações coletivas em razão da própria influência e afinidade entre os seus cômpares, exigindo-lhes mudanças morais para o próprio bem.

As crises de variada manifestação que aturdem a sociedade são resultado do comportamento desvairado das nações do passado que escravizaram seus irmãos, das guerras devastadoras e das imposições perversas, cujas consequências hoje são colhidas.

A falência das filosofias éticas e das religiões pacifistas assim como das instituições fraternais, inspiradas por Deus, acumulou mefíticas vibrações que, interferindo nas Leis Divinas, provocaram calamidades, pandemias, lutas tiranizantes, padecimentos ultrizes.

Já teve início a grande transformação planetária e o sofrimento gerado pelo egoísmo humano tornou-se-lhe o terrível adversário, empurrando para a luta da sobrevivência.

De igual maneira, as conquistas da inteligência e os extraordinários engenhos tecnológicos tornaram a Mãe Terra em um mundo de beleza e encanto. Entretanto, faltou sensibilidade para se repartir conforto e prosperidade com todos; cuidou-se de sujeitar os mais fracos e ignorantes à submissão humilhante e destrutiva da escravidão econômica, política e total olvido dos direitos humanos, dando lugar à degradação da miséria de variada expressão.

Os efeitos são visíveis nos paradoxos que se apresentam em toda parte.

Concomitantemente, as formidandas dores morais e espirituais nas classes invejadas, as rebaixa às idênticas situações dos réprobos.

A grande expurgação encontra-se em atividade, arrebatando multidões ao Mundo Espiritual sem permissão de próximo retorno ao amado lar terrestre.

Novos aprendizes renascem nas sombras e luzes planetárias, implantando os paradigmas salvadores que, desde há vinte séculos, Jesus estabeleceu.

Cuida de observar a questão da hora grave, naquilo que te diz respeito e retifica atitudes e comportamentos, conceitos e reflexões.

Desvela o teu Cristo interno, integra-te à legião do amor e, desperto, esparze a luz do conhecimento salvador na ação de bondade e de misericórdia, inaugurando confiança e harmonia, entre os demais seres humanos.

Sê tu quem demonstre que o mundo progride, semeando bênçãos onde estejas.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 5 de abril de 2017, No Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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A VERDADEIRA FELICIDADE

Martha Triandafelides Capelotto

Apesar de todos os acontecimentos tristes que nos chegam todos os dias por meio dos canais de comunicação, nunca se falou tanto da necessidade de o homem buscar a sua melhora como condição “sine qua non” para a melhora do coletivo. Apesar de todos os acontecimentos nefastos, tanto aqueles de ordem mais individualizada como também os que atingem a maioria de nós, percebemos que há um desejo contido, inexpresso, de se conquistar a felicidade, de sermos felizes, apesar de todos os obstáculos que defrontamos todos os dias. Esse desejo é perfeitamente compreensível, pois fomos criados para sermos felizes. E por que não somos? O que está faltando ou o que não estamos observando para atingirmos esse estado d’alma que nos envolveria e atingiria, consequentemente, todos aqueles que jornadeiam junto a nós?

A resposta não é difícil, mas a execução, sim.

No Livro dos Espíritos, na questão 967, ao indagar Kardec no que consistiria a felicidade dos bons espíritos, eles responderam: “felicidade para os bons Espíritos é conhecer todas as coisas, não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que fazem a infelicidade dos homens. O amor que os une é para eles a fonte de uma suprema felicidade. Eles não experimentam nem as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. São felizes do bem que fazem.”

Assim, de imediato, percebemos que a felicidade para aqueles que já estão num patamar espiritual mais elevado é o desprendimento material, ou seja, a ausência das necessidades materiais tão fortemente arraigada em nós e ainda uma fonte de prazeres. A não realização desses prazeres é causa de incontáveis sofrimentos existentes no nosso meio, como se vivêssemos constantemente sob tortura.

Outro aspecto mencionado como fator que poderia trazer mais felicidade é a busca do conhecimento, não apenas o intelectual, mas acima de tudo a busca pelos valores morais e espirituais. Conhecer todas as coisas, num processo contínuo e ininterrupto, absorvendo os ensinamentos e exteriorizando-os através de uma conduta reta, íntegra e acima de tudo, vigilante, pois sabemos já, com muita propriedade, o quanto é difícil vencer o mundo, com suas tentações, com suas ofertas, na maioria das vezes, inacessíveis à maioria. Conhecer e trabalhar, essa é a faina do aprendiz que inicia seu processo de doação, de atividades de amor ao próximo.

Por outro lado, para que o aprendiz, com o passar dos tempos não caia em desânimo, sentindo que todos os seus esforços foram inócuos, pois essa situação é mais corriqueira do que se imagina, é preciso doses de paciência e atenção às suas próprias necessidades mais profundas. Trabalhar e estudar são os caminhos de descoberta e fortalecimento. Todavia, se essas tarefas não se aplicarem ao serviço essencial de autotransformação, como decorrência da busca daquilo que realmente somos, conhecendo nossos sentimentos e emoções, deixaremos de semear no nosso terreno pessoal as sementes vigorosas que vão nos dar, no futuro, a liberdade e a felicidade tão almejadas por nós.

Assim, não existe felicidade sem o pleno conhecimento de nós mesmos. O mergulho interior é indispensável e a convivência, nesse contexto, é escola bendita.

Martha Triandafelides Capelotto

Fonte: Agenda Espirita Brasil

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ESQUIZOFRENIA OU OBSESSÃO?

Eliana Haddad

A discussão sobre a causa da esquizofrenia não é nova, principalmente se o assunto for analisado à luz do Espiritismo, que considera a concepção do homem não apenas pela visão mecanicista, que nasce, cresce, reproduz e morre, mas como um ser trino, imortal, formado de corpo físico, perispírito e alma, cujos componentes se interrelacionam e desempenham funções específicas. Em O Livro dos Médiuns, comenta-se um dos pontos mais importantes, que ainda causa muita dúvida sobre as doenças mentais. Pergunta Kardec aos Espíritos se a mediunidade poderia produzir a loucura. A resposta é clara. “Não mais que todas as outras coisas, quando não há predisposição para a fraqueza do cérebro. A mediunidade não produzirá a loucura, quando o princípio não exista; mas, se o princípio existe, o que é fácil de se reconhecer pelo estado moral, o bom-senso diz que é preciso usar de cautela sob todos os aspectos, porque toda causa da agitação pode ser nociva.”

Mas essa distinção não é tão simples, pois uma linha muito tênue separa uma coisa da outra, como se fosse possível dividir esse homem de aspecto trino, em três homens diferentes — o homem-espírito, o homem-perispírito e o homem-corpo – com suas doenças e dificuldades específicas. É justamente essa visão compartimentada que provoca sempre a mesma pergunta aos especialistas da área, sejam psiquiatras, neurologistas ou pesquisadores do binômio cérebro/mente, numa tentativa incansável de se encontrar a verdadeira causa das manifestações e desequilíbrios psíquicos.

PARA ENTENDER MELHOR

Aspectos importantes sobre o assunto são abordados nesta edição numa espécie de entrevista coletiva, com os principais depoimentos dos expoentes espíritas sobre o assunto:

Afinal, é obsessão ou loucura?

Dr. Nubor O. Facure

A resposta do neurocirurgião e pesquisador espírita Nubor O. Facure, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas e ex-professor titular de Neurocirurgia da UNICAMP é bastante coerente. “Não é fácil dar uma certeza no diagnóstico quando os sintomas são subjetivos, por exemplo, no caso de enxaqueca e na doença do pânico, quadros em que pode haver sensações de tonteira e deslocamento corporal, sem que algum exame específico possa constatar as alterações.” Ele acrescenta ainda que mais complicado será o diagnóstico diferencial destes quadros tipicamente orgânicos com aquelas manifestações que ocorrem no início das chamadas manifestações mediúnicas. “É o tempo que vai nos mostrar ou a eclosão das potencialidades mediúnicas ou a caracterização mais típica da enxaqueca ou do pânico.” Apesar, segundo ele, de serem constantes e facilmente detectadas as diversas alterações que ocorrem no organismo dos médiuns durante as manifestações espirituais, nenhuma delas têm a propriedade de afirmar categoricamente a presença de entidades espirituais, já que todas estas alterações são inespecíficas e podem ocorrer em diversas outras situações tipicamente orgânicas. Facure esclarece, porém, que os quadros de alucinação das diversas manifestações psicóticas são quase sempre de conteúdo repetitivo, predominantemente uma alucinação auditiva, com vozes quase sempre condenatórias e de conteúdo persecutório. O psicótico revela também um contexto sintomático relativamente fácil de ser reconhecido pelo seu caráter delirante e pela desagregação do pensamento que o dissocia por completo da realidade. “O médium, com suas percepções visuais ou auditivas, em nenhum momento vai referir ideias persecutórias ou dissociações com a realidade. O bom senso vai revelar a lucidez do médium e o maior ou menor significado da mensagem que ouve ou observa pela vidência.”

Para Facure, outro ponto importante a ser destacado é que o Espiritismo é uma doutrina que introduz um vastíssimo campo de estudo, ampliando diagnósticos e introduzindo uma nova compreensão para justificar a razão do sofrimento que a doença nos traz. “Eliminar problemas espirituais implica reeducar o espírito”.

Avaliação sobre diagnóstico e tratamento para os transtornos mentais

Dra. Marlene Nobre

 A médica ginecologista, escritora e presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME) e da AME Internacional, Dra. Marlene Nobre, diz que a Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, social, ecológico e espiritual. No entanto, em qualquer lugar do mundo, a preparação dos médicos ainda é extremamente reducionista, não sendo eles alertados para os problemas psicológicos e espirituais do paciente, embora o Código Internacional de Doenças (CID) contemple a existência dos estados de transe, fazendo a distinção entre os normais, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença.

“Ficamos tristes com a conduta dos colegas que, habitualmente, rotulam todas as pessoas que dizem ouvir vozes como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas. …Muitos são considerados psicóticos por ouvirem espíritos e, na realidade, são médiuns.”

O processo obsessivo e os transtornos psicóticos

Dr. Sergio Felipe de Oliveira

O mestre em Ciências, estudioso da estrutura da glândula pineal humana, afirma que é preciso “discriminar no diagnóstico qual o papel da obsessão espiritual na doença que a pessoa está vivendo, já que todo transtorno psicótico, como a esquizofrenia, possui o componente obsessivo-espiritual.” Lembra que a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto no transtorno mental anímico, a partir de neuroses graves que marcam o subconsciente, quanto na interferência de fatores externos. Esses fatores externos podem ser químicos e orgânicos, como na ingestão de drogas ou nas desordens orgânicas – febre muito alta, uremia, desordens cerebrais – ou espirituais.

Também cita que o manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria – DSM IV – alerta que o clínico deve tomar cuidado para diagnosticar pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou psicose. “A distinção entre alucinação, clarividência ou clariaudiência é uma situação bastante complexa”, comenta Dr. Felipe , lembrando que há melhora acentuada, nos casos em que há uma predominância do fator obsessivo-espiritual, com a magnetização e a desobsessão – o que traz novos horizontes para a Psiquiatria. Nos casos em que há predominância anímica ou orgânica, a melhora está mais associada à transformação do paciente.

Os sintomas de Fabrício

André Luiz

As obras do médico e autor espiritual André Luiz são exemplos vivos do interesse da Ciência Espírita no campo da pesquisa e da saúde. Um dos relatos citados por ele no livro No Mundo Maior descreve o quadro esquizofrênico do personagem Fabrício. “O cérebro apresentava anomalias estranhas. Toda a face inferior mostrava manchas sombrias. A esquizofrenia, originando-se de sutis perturbações do organismo perispirítico, traduz-se no vaso físico por surpreendente conjunto de moléstias variáveis e indeterminadas. A imaginação superexcitada detinha-se a ouvir o passado… O doente ouvia as vozes internas, ansioso, amargurado. Desejava desfazer-se do pretérito, pagaria pelo esquecimento qualquer preço, ansiava fugir a si próprio, mas em vão: sempre as mesmas recordações atrozes vergastando-lhe a consciência.”

Doença da alma

Dr. Jorge Andréa

Para o Dr. Jorge Andréa – professor, cientista espírita, autor do livro Visão Espírita nas Distonias Mentais, “as psicoses são autênticas doenças da alma ou do Espírito em severas respostas cármicas, quase sempre demarcando toda a jornada carnal… Os sintomas, por não terem o devido esgotamento no campo do exaustor físico (personalidade) perduram e refletem-se em outra reencarnação.”

Dr. Bezerra de Menezes

Segundo o Dr. Bezerra de Menezes – médico e autor espiritual de vários livros sobre o assunto, como A Loucura Sob Novo Prisma, “o esquizofrênico não tem destruído a afetividade, nem os sentimentos; tem dificuldade em expressá-los, em razão dos profundos conflitos conscienciais, que são resíduos das culpas passadas. E porque o espírito se sente devedor, não se esforça pela recuperação, ou teme-a a fim de enfrentar os desafetos, o que lhe parece a pior maneira de sofrer do que aquele em que se encontra.”

Referências:

KARDEC, Allan – O Livro dos Médiuns – Cap. XVII-5. Ed. FEB
Jornal Folha Espírita – junho/2004 – 
Revista Psychic World –  www.nuborfacure.blogspot.com –  www.cvdee.org.br

Eliana Haddad

Publicado no jornal Correio Fraterno – edição 427

Fonte: Correio.News

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TOLERÂNCIA

Divaldo P. Franco

Dentre as muitas sequelas do largo período da pandemia da Covid-19, ceifando preciosas vidas e praticamente anulando outras, envolvem os indivíduos que foram poupados da terrível peste, mas que apresentarão vários distúrbios de comportamento.

Já se podem notar os choques de opinião entre as criaturas, a nevrose da irritabilidade, o desconforto interior, os casos de depressão, como resultados lamentáveis das pressões emocionais de outros portes na conduta diária.

Algumas pessoas apresentam-se tranquilas e gentis na aparência, enquanto tudo está bem e nada lhes inquieta a maneira de conduzir-se.

Basta, porém, uma ligeira divergência no campo das ideias ou uma chamada de atenção, mesmo feita com delicadeza, e irrompe o mau humor, numa demonstração de ira que surpreende.

A tolerância é uma virtude pouco utilizada, porque o ego está sempre exigindo consideração e respeito, sem a preocupação de retribuição do mesmo quilate.

As criaturas parecem armadas umas contra as outras, permanecendo em atitude defensiva, sempre em alerta contra tudo que lhes poderia afetar negativamente.

Amigos se ofendem reciprocamente, familiares se hostilizam dentro do lar, cujas paredes parecem comprimir aqueles que se veem forçados em nele permanecer, evitando aglomerações.

A desobediência generaliza-se, ora contra os governos, os hospitais, e os cônjuges inquietos sentem-se frustrados, acreditando que não estava na pauta da existência o matrimônio.

Os filhos vivem irritadiços pelos compromissos que devem atender, a falta de espaço para brincar e as reclamações constantes dos pais.

Toda essa indisciplina também pode ser explicada pela falta de educação doméstica de que somos vítimas.

Os dengues infelizes, a falta de orientação a respeito da sociedade, o mau uso dos sempre reclamados direitos, sem exercício correto dos deveres, os hábitos doentios na vida doméstica, avolumam-se e ultrapassam os limites do controle, fazendo que cada um seja aquilo que sente no momento, quando deveria manter as regras do bem viver.

A tolerância é o sentimento lógico de conceder ao outro os mesmos valores que a si se oferecem. Até mesmo um pouco mais: demonstrar que a verdadeira liberdade não pode dispensar os quesitos impostergáveis da fraternidade, que devem viger em toda e qualquer situação social.

O cidadão e a cidadã de bem são pessoas que se destacam na comunidade, a fim de auxiliá-la, sendo estes os momentos de desafio dos ideais para demonstrar a qualidade dos valores que lhes sustentam a existência.

Acreditamos que após essa tempestade morbífica, aqueles que a sobreviverem, darão mais valor à jornada humana e compreenderão a grandeza das aquisições éticas e morais.

Que logo cheguem esses futuros dias de tolerância e paz!

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado na seção Opinião, do Jornal A Tarde em 29.7.2021

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O NECESSÁRIO, O SUPÉRFLUO E O DESPERDÍCIO

Marcelo Teixeira

Na edição 2019 do programa de competição culinária Masterchef Brasil, a chef Paola Carosella, uma das juradas, ao passar pela bancada de um participante, observou que ele havia desperdiçado grande quantidade de alimento para produzir o prato solicitado. Havia, portanto, muita carne, legumes etc. que o competidor simplesmente jogara fora para compor um prato com uma quantidade bem menor dos ingredientes. Aborrecida, Paola passou uma descompostura no rapaz. Segundo ela, era um acinte ele ter desperdiçado tanta comida fresca e de boa qualidade enquanto muitos passam necessidade. Mesmo porque, para elaborar um prato de restaurante, um chef que se preza jamais inutilizaria o tanto de comida que ele descartou. Paola, então, com a anuência dos outros dois chefs jurados, disse que, da próxima vez que ele agisse daquela forma, seria sumariamente desclassificado. Afinal, o alimento merece respeito!

Paola Carosella sabe do que está falando. Ela é engajada em várias atividades que visam ao aproveitamento de alimentos, incentivo aos pequenos produtores, implantação de cozinhas comunitárias, entre outras iniciativas. E é proprietária de conceituados restaurantes, ainda por cima.

A cultura do desperdício de comida é corrente no Brasil. Talvez pelo fato de vivermos num país rico em produção de alimentos, dá-se a impressão de que tudo é ilimitado e se pode esbanjar comida à vontade. É a cultura da fartura. Só que, quando jogamos comida fora, vão para o lixo parte da água, do adubo, da ração e dos demais itens utilizados para que o produto chegasse à nossa mesa. Descartamos também parte do combustível utilizado para transportá-lo e, é claro, nosso tão suado dinheiro.

Em 2018, o site de notícias G1 publicou uma reportagem com dados divulgados em um seminário internacional realizado em Brasília (DF). Segundo tais estatísticas, cada brasileiro desperdiça, por ano, 40kg de comida. Liderando o ranking, aparecem o arroz e o feijão, com 38% do volume que vai para o lixo. A carne vermelha aparece com 22%, seguida pelo frango: 15%. Já as frutas e hortaliças aparecem na lista com 4% de desperdício cada. Para chegar a tais números, foram ouvidas 1,7 mil famílias de todas as regiões do país e de todas as classes sociais.

Por que desperdiçamos tanto alimento? Entre os motivos apontados pelo estudo, estão a já citada cultura da fartura, a busca pelo sabor e o não aproveitamento das sobras das refeições (a chamada comida dormida). Por que dormida? Porque, como já vi acontecer em muitos lares, o arroz que sobrou do dia anterior é jogado fora para dar lugar ao arroz fresquinho, feito na hora, que é mais gostoso, o que também tem a ver com a busca pelo sabor. O mesmo acontece com o café que sobrou na garrafa térmica, a salada que ficou meio murcha dentro da geladeira, as sobras de carne que poderiam virar um risoto ou uns croquetes, mas são descartadas… Somam-se a isso o resto de leite que é esquecido dentro da geladeira, o biscoito que perde a validade sem sequer ter sido aberto e por aí vai. Isso sem nas falar partes que jogamos fora porque acreditamos que para nada servem: talos de verduras, cascas e caroços de frutas, que podem e devem ser aproveitados! Na internet, inclusive, há várias receitas de geleias feitas com cascas de abacaxi, tangerina e afins; bolos à base de cascas de banana; salgadinhos de sementes de abóbora ou melão; bolinhos de talos de agrião; entre outros acepipes que podem servir de refeição para gente que passa fome – grupo, aliás, bem numeroso no Brasil.

Segundo analistas, se o brasileiro aproveitasse a comida que sobrou, o bolso sentiria a diferença – e para mais. O nível de consumo de alimentos seria menor, o que tenderia a equalizar com a demanda, ou seja, não iríamos tantas vezes às compras, e os preços tenderiam a baixar. Isso quer dizer que quanto mais jogamos comida fora, mais a compramos e maior é a tendência de os preços se manterem em alta.

Há, no entanto, a faceta economicamente cruel do desperdício de comida. Reportagem veiculada pelo site G1 em abril de 2018 mostrou uma prática recorrente – e lamentável – de quem produz alimentos em larga escala: jogar fora toneladas de frutas, legumes, cereais e congêneres. Conforme a matéria, produtores rurais do município de São Gotardo (MG), se desfizeram, em 20 dias, de mais de 400 toneladas de batata. Motivo: o preço caíra e desmotivara a produção. Não estava valendo a pena produzir batata para vendê-la a preços reduzidos. Por isso, o tubérculo, que poderia estar na mesa do consumidor sob a forma de diversos pratos, estava ao léu, às margens da rodovia BR 354. A explicação do então presidente da Associação dos Moradores da Agrovila fala por si: “Produtor fica sem graça e alguns plantaram 100, 150 hectares. O mercado está ruim, a semente, adubo e mão de obra são caras”.

Não foi a primeira vez e nem será a última que os veículos de comunicação mostram produtores descartando alimentos em beiras de estrada. Os excedentes de safra e a súbita queda de preços de dado produto costumam resultar em ações desse tipo. Conciliar oferta, demanda e necessidade é uma conta que precisa ser fechada tendo como cálculo os fundamentos do amor ao próximo. Haja sentimento cristão para tanto!

Saindo do desperdício e entrando no terreno do necessário e do supérfluo – assunto, aliás, muito bem analisado por Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos” – pergunto: Há necessidade de consumirmos, todos os dias, refrigerantes, pizzas, salgadinhos, batatas fritas, cachorros-quentes, empadões, tortas, brigadeiros, sorvetes e outras tantas gulodices que adoramos? A resposta mais sensata seria não. No entanto, é comum preferirmos tais pratos calóricos e gordurosos. Os motivos podem ser vários. Começam pela falta de hábito em consumir verduras, frutas e legumes; passam pela correria do dia a dia, que nos faz optar por comida industrializada; e caem no prato das crianças e adolescentes, vítimas potenciais de uma comida que, propositadamente, é fabricada com sabor, crocância e consistência na medida para que nossos filhos, sobrinhos e netos rejeitem o espinafre, a cenoura, o abacate etc. e fiquem com o paladar viciado em comida processada. Pode parecer assustador, mas é real. Trata-se de um assunto levantado em dezembro de 2013 pelo pediatra Fábio Becker, do Rio de Janeiro (RJ), em entrevista concedida ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

Quando eu almoço fora de casa, principalmente em restaurantes de comida por quilo, vejo com frequência crianças e jovens enchendo o prato de arroz branco, linguiça, bife, lasanha, batata frita e deixando para trás a abóbora, o brócolis, a couve-flor etc. Já presenciei, aliás, cenas deprimentes, como a garotinha muito bem vestida que encheu o prato de arroz e coração de galinha e o filho de um amigo próximo, que só queria saber de “nuggets” de frango no almoço e jantar. A consequência pode ser essa turminha em consultórios médicos para tratar de males como hipertensão e colesterol alto, apesar da tenra idade.

Em “O Livro dos Espíritos”, na parte destinada a debater sobre o necessário e o supérfluo, a questão 716 indaga se a natureza, ante da organização física que o ser humano possui, não traçou limites para as nossas necessidades. A resposta deixa claro que sim, há limites. Mas como muitos homens e mulheres são insaciáveis, extrapolam ao criarem necessidades que não são reais e, muitas vezes, descambarem para o vício. Entre eles, o vício de comprar em demasia, abarrotando armários com roupas e acessórios que nem sempre serão usados e também enchendo geladeiras e despensas com comida além do que podemos consumir, descartando o café requentado e o arroz preparado de véspera ou jogando fora a laranja que mofou antes de ser transformada em suco simplesmente porque nos esquecemos da existência dela no fundo da fruteira.

Isso tudo tem a ver com o que é afirmado também em “O Livro dos Espíritos”, desta vez na questão 799, na qual Kardec pergunta de que forma o espiritismo pode contribuir para o progresso. Resposta: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.”

Geralmente, achamos que ser materialista é não acreditar em Deus, viver totalmente entregue aos prazeres mundanos e achar que, depois da morte, nada existe. O conceito é mais profundo. Tratar a matéria de forma atabalhoada, julgando que os recursos do planeta são infinitos a ponto de desperdiçarmos tanta comida e não sermos ainda capazes de instituirmos uma sociedade justa em que não haja produtores jogando safras fora para forçar alta nos preços ou porque não está sendo viável plantar feijão, batata ou similar evidencia que precisamos aprender a lidar melhor com a matéria. Assim procedendo, seremos capazes de estabelecer uma sociedade mais justa, com mesa farta e bem planejada para todos.

Marcelo Teixeira

Fonte: Associação Brasileira de Pedagogia Espírita

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EMOÇÕES E SENTIMENTOS NA VISÃO ESPÍRITA

Marisa Fonte

“Somos seres em eterna transformação. O mundo e a vida pedem que sejamos adaptáveis e essa é a lei que rege a nossa existência.” – Escrita terapêutica: um caminho para a cura interior, Bruna Ramos da Fonte. Ed. Letramento

Costumamos confundir emoção e sentimento. Muitos até pensam que as duas coisas são iguais, porém, a diferença é bem grande. A emoção é uma reação instintiva; é uma resposta neural a um estímulo externo, e está ligada ao corpo, enquanto o sentimento é o efeito da emoção, podendo ser duradouro, e muitas vezes fácil de esconder, pois está dentro de nós e tem a ver com a nossa mente.

O neurocientista português António Damásio, afirma que “A emoção é um programa de ações, portanto, é uma coisa que se desenrola com ações sucessivas. É uma espécie de concerto de ações. Não tem nada a ver com o que se passa na mente. O sentimento eu tenho e você não sabe se eu tenho ou não tenho. E se você tiver um sentimento de profunda tristeza, mas se me quiser enganar, e quiser comportar-se como se estivesse alegre, vai me enganar mesmo, porque eu não posso saber o que está dentro da sua cabeça, posso adivinhar, mas é diferente.”

A palavra emoção vem do latim emovere; e significa “fora” e movere significa “movimento”. Embora na animação apareçam apenas 6 emoções – felicidade, tristeza, medo, surpresa, raiva e nojo, pesquisadores norte-americanos identificaram outros tipos de emoções, passando assim o número das emoções a 27, relacionadas a como reagimos diante das diversas situações. A lista das 27 emoções é a seguinte: admiração, adoração, apreciação estética, diversão, ansiedade, temor, estranheza, tédio, calma, confusão, desejo, nojo, dor empática, encantamento, inveja, excitação, medo, horror, interesse, alegria, nostalgia, romance, tristeza, satisfação, desejo sexual, simpatia e triunfo.

As emoções foram classificadas, ainda, como primárias, secundárias ou de fundo. Primárias são emoções que os que estão à nossa volta podem perceber claramente: tristeza, raiva, medo, alegria, aversão e surpresa. alegria, aversão e surpresa. As emoções secundárias – também chamadas de sociais ou adquiridas – podem ser impostas por heranças familiares, convenções sociais, religiosas, culturais e econômicas, e podem ser aparentes ou não: ciúme, orgulho, vaidade, vergonha, culpa e nervosismo. Emoções de fundo não são perceptíveis pelos outros e proporcionam bem estar ou mal estar, como por exemplo, a calma ou a angústia.

As emoções surgiram no processo evolutivo e foram de extrema importância para favorecerem a sobrevivência da espécie humana, uma vez que alertavam em relação aos perigos que cercavam os humanos de então, provocando reações rápidas de defesa.

Sentimento, do latim sentimentum, é a maneira como interpretamos a emoção. São encontrados 17 tipos de sentimentos no ser humano, que podem ser divididos em negativos (tristeza, medo, hostilidade, frustração, raiva, desespero, culpa, ciúmes), positivos (felicidade, humor, alegria, amor, gratidão, esperança) e neutros (compaixão, surpresa).

Na verdade, os sentimentos são experiências que cada um de nós tem a partir de uma determinada emoção, influenciados por experiências pessoais, memórias e crenças. Dessa forma, os nossos pensamentos e observações, bem como a forma como nos sentimos, fazem com que sejam despertados os sentimentos, e é preciso saber lidar com eles, pois isso pode afetar o que fazemos.

Muitos abusam do álcool e de outras substâncias tóxicas e outros ainda praticam automutilação, dentre outras coisas, e tudo isso é resultado de sentimentos que são nutridos pela pessoa e causam sofrimento que no início é somente mental, mas que acaba prejudicando o corpo também.

Para prevenir e evitar que os nossos sentimentos nos escravizem e tornem a nossa vida infeliz e por vezes até insuportável, podemos recorrer a vários recursos, desde a terapia a práticas de relaxamento, exercícios físicos, atividades e por aí afora; o que importa é que aprendamos a lidar com o que sentimos e que saibamos agir a nosso favor nas situações que chegam até nós e nos causam contrariedades ou frustrações, por exemplo.

Uma das formas de terapia é a escrita terapêutica. Bruna Ramos da Fonte, autora do livro “Escrita Terapêutica: um caminho para a cura interior”, sugere que façamos um diário, e diz que “escrever um diário é construir um altar onde você poderá depositar tudo aquilo que há de mais sagrado dentro de você”. Em outro trecho da mesma obra ela afirma: “escrever é um processo de autocompreensão que nos leva a uma compreensão maior do mundo externo”.

É atribuída a T. Harv Eker a frase “Pensamentos conduzem a sentimentos. Sentimentos conduzem a ações. Ações conduzem a resultados”. Portanto, faça as suas escolhas, e que sejam as melhores escolhas. Tome atitudes, e que sejam as melhores atitudes. Somos adaptáveis, somos capazes e sabemos discernir o que pode ser benéfico e o que pode ser prejudicial para nós. Segundo frase atribuída a Jeffrey Gitomer: “A atitude positiva não tem nada a ver com o que acontece com você. É o que você faz com o que acontece com você e como reage a isso.”

Quando assumimos nossas dificuldades, constituímos um fator importante para superá-las, e nos mostra a importância de aceitarmos a nós mesmos, entendendo que estamos em processo de crescimento, o que também nos tornará mais tolerantes para com as faltas alheias. De fato, se nós pensarmos que todos somos alunos na escola da vida, fica bem mais fácil entender que muitos ainda estejam engatinhando enquanto outros conseguem voar.

Ermance Dufaux, por sua vez, chama a atenção para a necessidade de aceitarmos as nossas emoções, uma vez que isso possibilita que nosso pensamento seja adequado à realidade e que ocorra o desenvolvimento da autoaceitação, a fim de que assim não ocorra o autoabandono.

Quando falamos em sentimentos, é necessário que falemos sobre o amor, que é o sentimento mais delicado de todos, pois o amor levado ao âmbito do amor pelo próximo, e não apenas do amor por aqueles que são nossos amigos ou entes queridos, nos mostra que somos todos irmãos, e que quando aprendermos a agir desse modo todas as misérias morais e materiais começarão a ser solucionadas, pois o amor é luz que pode iluminar qualquer escuridão, sendo capaz de desencadear virtudes oriundas desse sentimento, como caridade, humildade, paciência, devotamento, abnegação, resignação e sacrifício. Quando João, o Evangelista, não mais pode pregar devido à saúde precária, repetia apenas:

“Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros”, repetindo o que dizia Jesus, que nos ensinou também a que nos amassemos uns aos outros assim como Ele nos amou.

“Amai-vos e vereis a Terra em breve transformada em um Paraíso onde as almas dos justos virão repousar.” Fénelon (Bordeaux, 1861) – O Evangelho Segundo o Espiritismo

Concluindo as nossas reflexões sobre emoções e sentimentos, a sugestão é de que você faça uma autoavaliação. Quais têm sido suas atitudes? Como você tem reagido aos relacionamentos e às circunstâncias? Que sentimentos você tem deixado tomar conta de você? A partir de agora, procure sempre usar uma linguagem positiva, mesmo diante de circunstâncias menos favoráveis, pare de se julgar o tempo todo e em vez disso mude de atitude, pare de julgar os outros, pois você não tem o poder de modificar quem não quer se modificar. E quem disse que a sua opinião é certa o tempo todo?

Cada qual tem a sua verdade. Portanto, pare de criticar. Reclame menos e agradeça mais.

Terapia, espiritualidade, oração, fé, gratidão, mudança de atitude mental e mudança de hábitos auxiliam a superar sentimentos negativos que acabam prejudicando a nossa saúde física e mental, e deixam no lugar a certeza de que estamos contribuindo para que o mundo seja um lugar melhor a partir da nossa atitude para conosco e para com as situações e pessoas que nos cercam.

Marisa Fonte

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

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NÃO TÊM SEXOS

Nilton Moreira

Hoje diminuiu consideravelmente o preconceito, mas ainda existe no sentimento de muitos povos. Relativo às atrações homoafetivas que atualmente não precisam ser mais as escondidas, tem pessoas que aceitam e outras não. Ora, se somos filhos do mesmo Pai e portando irmãos de jornada planetária, por que tanta resistência em aceitar sentimentos entre outrem? Particularmente tenho amigos nas mais diversas maneiras de pensar e se algum preconceito tive no passado, hoje está superado.

Efetivamente nos tempos idos nossa cultura nos impunha linhas de comportamentos reprimidas que se não as cumpríssemos sofríamos consequências e até perseguições, mas agora não mais se justifica qualquer tipo de preconceito.

No Livro dos Espíritos, compilação de Allan Kardec sobre o afeto entre as pessoas do mesmo sexo, livro editado no ano de 1857, foi perguntado à Espiritualidade Maior se têm sexos os Espíritos? E foi respondido: “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos. Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa? Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres. Quando errante (entenda-se no plano espiritual), que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher? Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar. Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.”

Vemos que a Espiritualidade através de Kardec nos orienta que o preconceito em relação ao afeto que sentimos pelo nosso semelhante está além do sexo, já que o espírito que habita cada corpo carnal não tem sexo. O que não podemos admitir é a promiscuidade, a falta de respeito para com o próprio corpo, este que é o veículo pelo qual temos de preservar para que possamos cumprir nossos objetivos aqui na Terra, mas o afeto, a amizade, o carinho, que são alguns dos matizes do amor não podem ser sufocados por preconceitos de algumas pessoas que se acham no direito de decidir as opções de como resgatar da melhor forma possível os acontecimentos em vidas passadas.

A capacidade de entendimento nossa na jornada terrena é muito pequena. Ainda não conseguimos desenvolver noções básicas, como por exemplo, amar o próximo como a si mesmo como Jesus nos exemplificou! Por isso vamos sofrer consequências em vidas futuras por julgar nossos semelhantes e custarmos nos adaptar com o amor incondicional.

Nilton Moreira

Artigo da Semana – Estrada Iluminada

Fonte:  Espirit Book

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