FAMÍLIA

 Joanna de Ângelis

CONCEITO

Grupamento de raça, de caracteres e gêneros semelhantes, resultado de agregações afins, a Família, genericamente, representa o clã social ou de sintonia por identidade que reúne espécimes dentro da mesma classificação. Juridicamente, porém, a família se deriva da união de dois seres que se elegem para uma vida em comum, através de um contrato, dando origem à genitura da mesma espécie. Pequena república fundamental para o equilíbrio da grande república humana representada pela nação.

A família tem suas próprias leis, que consubstanciam as regras de bom comportamento dentro do impositivo do respeito ético, recíproco entre os seus membros, favorável à perfeita harmonia que deve viger sob o mesmo teto em que se agasalham os que se consorciam.

Animal social, naturalmente monogâmico, o homem, na sua generalidade, somente se realiza quando comparte necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar.

O lar, no entanto, não pode ser configurado como a edificação material, capaz de oferecer segurança e paz aos que aí se resguardam. A casa são a argamassa, os tijolos, a cobertura, os alicerces e os móveis, enquanto o lar são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se permitem àqueles que se vinculam pela eleição afetiva ou através do impositivo consanguíneo, decorrente da união.

A família, em razão disso, é o grupo de espíritos normalmente necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para a reparação, graças à contingência reencarnatória.

Assim, famílias espirituais frequentemente se reúnem na Terra em domicílios físicos diferentes, para as realizações nobilitantes com que sempre se viram a braços os construtores do Mundo. Retornam no mesmo grupo consanguíneo os espíritos afins, a cuja oportunidade às vezes preferem renunciar, de modo a concederem aos desafetos e rebeldes do passado o ensejo da necessária evolução, da qual fruirão após as renúncias às demoradas uniões no Mundo Espiritual…

Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade os valores éticos, tem-se a impressão de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca, porém, o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria Humanidade.

A família é mais do que o resultante genético… São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra.

Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro…

HISTÓRICO

Graças ao instinto gregário, o homem, por exigência da preservação da vida, viu-se conduzido à necessidade da cooperação recíproca, a fim de sobreviver em face das ásperas circunstâncias nos lugares onde foi colocado para evoluir. A união nas necessidades inspirou as soluções para os múltiplos problemas decorrentes do aparente desaparelhamento que o fazia sofrer ao lutar contra os múltiplos fatores negativos que havia por bem superar.

Formando os primitivos agrupamentos em semi barbárie, nasceram os pródromos das eleições afetivas, da defesa dos dependentes e submissos, surgindo os lampejos da aglutinação familial.

Dos tempos primitivos aos da Civilização da Antiguidade Oriental, os valores culturais impuseram lentamente as regras de comportamento em relação aos pais – representativos dos legisladores, personificados nos Anciãos; destes para os filhos – pela fragilidade e dependência que sempre inspiram; entre irmãos – pela convivência pacífica indispensável à fortaleza da espécie; ou reciprocamente entre os mais próximos, embora não subalternos ao mesmo teto, num desdobramento do próprio clã, ensaiando os passos na direção da família dilatada….

A Grécia, aturdida pela hegemonia militar espartana, não considerou devidamente a união familial, o que motivou a sua destruição, ressalvada Atenas, que, não obstante amando a arte e a beleza, reservava ao Estado os deveres pertencentes à família, facultando-a sobreviver por tempo maior, mas não lobrigando atingir o programa estético e superior a que se propuseram os seus excelentes filósofos.

A Roma coube essa indeclinável tarefa, a princípio reservada ao patriciado, e depois, através de leis coordenadas pelo Senado, que alcançaram as classes agrícolas, militares, artísticas e a plebe, facultando direitos e deveres que, embora as hediondas e infelizes guerras, se foram fixando no substrato social e estabelecendo os convênios que o amor sancionou e fixou como técnica segura de dignificação do próprio homem, no conjunto da família.

A Idade Média, caracterizada pela supremacia da ignorância, desfigurou a família com o impositivo de serem doados os filhos à Igreja e ao suserano dominador, entibiando por séculos a marcha do espírito humano.

Aos enciclopedistas foi reservada a grandiosa missão de, em estabelecendo os códigos dos direitos humanos, reestruturarem a família em bases de respeito para a felicidade das criaturas.

Todavia, a dialética materialista e os modernos conceitos sensualistas, proscrevendo o matrimónio e prescrevendo o amor livre, voltam a investir contra a organização familial por meio de métodos aberrantes, transitórios, é certo, mas que não conseguirão, em absoluto, qualquer triunfo significativo.

São da natureza humana a fidelidade, a cooperação e a fraternidade como pálidas manifestações do amor em desdobramento eficaz. Tais valores se agasalham, sem dúvida, no lar, no seio da família, onde se arregimentam forças morais e se caldeiam sentimentos na forja da convivência doméstica.

Apesar de a poliandria haver gerado o matriarcado e a promiscuidade sexual feminina, a poligamia, elegendo o patriarcado, não foi de menos infelizes consequências.

Segundo o eminente jurista suíço Bachofen, que procedeu a pesquisas históricas inigualáveis sobre o problema da poliandria, a mulher sentiu-se repugnada e vencida pela vulgaridade e abuso sexual, de cuja atitude surgiria o regime monogâmico, que ora é aceito por quase todos os povos da Terra.

CONCLUSÃO

A família, todavia, para lograr a finalidade a que se destina, deve começar desde os primeiros arroubos da busca afetiva, em que as realizações morais devem sublevar às sensações sexuais de breve durabilidade.

Quando os jovens se resolvem consorciar, impelidos pelas imposições carnais, a futura família já padece ameaça grave, porquanto, em nenhuma estrutura se fundamenta para resistir aos naturais embates que a união a dois acarreta, no plano do ajustamento emocional e social, complicando-se, naturalmente, quando do surgimento da prole.

Fala-se sobre a necessidade dos exames pré-nupciais, sem dúvida necessários, mas com lamentável descaso pela preparação psicológica dos futuros nubentes em relação aos encargos e às responsabilidades esponsalícias e familiares.

A Doutrina Espírita, atualizando a lição evangélica, descortina na família esclarecida espiritualmente a Humanidade ditosa do futuro promissor.

Sustentá-la nos ensinamentos do Cristo e nas lições da reta conduta, apesar da loucura generalizada que irrompe em toda parte, é o mínimo dever de que ninguém se pode eximir.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Estudos Espíritas – 23

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PROPÓSITO DA REENCARNAÇÃO

Momento Espírita

O Espírito encarna e reencarna inúmeras vezes com a finalidade de progredir.

Gradualmente, ele sai da ignorância e cresce em conhecimentos e em moralidade.

Esse processo é vasto e demanda incontáveis existências.

Nesse longo caminhar, vagarosamente, a criatura inteira-se do teor das Leis Divinas, que se encontram inscritas em sua consciência.

As Leis Divinas constituem um roteiro de felicidade.

Quem consegue adaptar sua vontade e seu proceder aos estatutos divinos, apressa e ameniza sua evolução para Deus.

Todo ato contrário às Leis soberanas gera desequilíbrio, a exigir reparação.

Conforme a extensão das consequências, o ato de reparar pode demandar inúmeras encarnações.

Muitas vezes um homem consegue ignorar e sufocar a própria consciência durante um tempo.

Não raro, grandes criminosos terminam seus dias terrenos na abastança.

No plano espiritual, tudo muda de figura.

Entre as encarnações, o Espírito contempla, no cenário da própria consciência, os atos que praticou.

Ele vislumbra todas as consequências que advieram de seu proceder. E se vê tal qual é, sem ilusões ou desculpas.

Alguns recalcitram no reconhecimento da própria realidade.

Entretanto, permanecem desequilibrados e sofredores, enquanto isso não se dá.

Os pensamentos e os sentimentos do Espírito desencarnado são muito intensos e claros.

O corpo físico funciona como um quebra-luz, que diminui a agilidade mental e abafa as percepções e sensações.

Sem o corpo, tudo se torna muito vívido e vibrante.

Um Espírito delinquente padece enormemente por conta do remorso.

Seus sofrimentos morais possuem uma pujança impossível de ser concebida por quem está encarnado.

Para atenuá-los, ele se decide pelas mais dramáticas e sofridas encarnações, sem titubear.

Tudo parece preferível a suportar tão angustiantes impressões.

Isso bem evidencia a sabedoria do preceito evangélico segundo o qual devemos nos acertar com os inimigos, enquanto estamos ao lado deles.

É prudente resolver imediatamente as pendências que temos com o próximo, sem acumular dívidas na consciência.

Por outro lado, como tudo é muito intenso no plano espiritual, isso também ocorre com a felicidade.

A alegria do dever bem cumprido, de estar em perfeita paz, tudo se multiplica ao infinito.

O Espírito devedor percebe a diferença entre sua condição e a de quem cumpriu o próprio dever.

Para passar de um estado a outro, decide-se a enfrentar algumas dificuldades na Terra.

Por isso, quando o Espírito programa sua existência futura, age com lucidez.

Posteriormente, esquecido do que o moveu, muitas vezes reclama das agruras da vida.

Mas, as dificuldades são desafios destinados a fazer surgir o melhor que existe no ser.

Elas se destinam a promover a reparação do passado de enganos e gerar novos conhecimentos.

Seu corajoso e digno enfrentamento descortina um amanhã luminoso, pleno de paz.

Assim, não reclame de sua vida.

Seja digno e correto, em todas as circunstâncias.

Não se preocupe com os equívocos alheios.

Cada qual dará contas de seus atos à própria consciência.

Sua tarefa consiste em melhorar-se, sempre e cada vez mais.

Para isso você nasceu.

Redação do Momento Espírita

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TATUAGEM E PERISPÍRITO

Antônio Carlos Navarro

Tatuagens marcam o períspirito? Esse foi o questionamento que nos fizeram logo após uma palestra em que abordamos o tema “Espírito, Perispírito e Corpo”.

O interesse a respeito se fundamentava no princípio da vaidade, que como defeito moral se insere no esclarecimento dado pelo Benfeitor Espiritual André Luiz:

“Toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispírito, a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal, provocando determinada causa de sofrimento.” (1)

Por queda moral entende-se as ações perpetradas em desacordo com a Lei Natural, que é a Lei de Deus (2), quando o Espírito, encarnado ou desencarnado, tem consciência do que é certo ou errado.

A aparência corporal impacta em nós, em maior ou menor grau, de acordo com os valores íntimos que desenvolvemos no decorrer de nossas reencarnações, e por isso a vaidade, como tantas outras coisas, tem também uma graduação, conforme a percepção pessoal de cada um, de forma que haverá sempre uma correspondência em relação ao nosso bem-estar diante de nossa aparência, e de como desejamos ser vistos.

A respeito do bem estar íntimo, Allan Kardec questionou os Espíritos Superiores:

“É condenável ao homem procurar o seu bem-estar?

– O bem-estar é um desejo natural. Os abusos são condenáveis    porque contrariam a lei de conservação. O bem-estar é condenável se foi adquirido à custa dos outros e se comprometeu o equilíbrio moral e físico do homem.” (3)

Podemos, então, raciocinar em torno de duas vertentes.

A primeira diz respeito aos valores íntimos decorrentes de valores morais, tendências e aptidões de padrão tétrico e sombrio, ou sugestivos de violência, que se perpetuam de uma reencarnação para outra. Aqui as imagens incrustadas no corpo refletirão a sintonia espiritual com entidades e locais menos felizes do mundo invisível, e por isso tenderão a ser gravadas também no períspirito, por força da ideação do ser pensante sempre estar refletida no corpo perispiritual.

Nessas condições, poderão ser refletidas em reencarnações futuras através das conhecidas marcas de nascença, ou como enfermidades cutâneas físicas correspondentes.

Na segunda a(s) tatuagem(s) pode ser levada(s) a conta de pequeno adorno de natureza alegre ou decorativa, que se fundamentada no belo, pode se tornar uma prova de afeição ou ligação espiritual, como no caso de nomes gravados, ou ainda sintonia com a sublimidade da natureza.

Nesses casos, assim como o batom, a pintura suave, os penteados, e os pequenos adornos sempre presentes nos seres humanos, a tendência é de não se fixarem no perispírito, quando discretos e sem vínculos com a vaidade mais profunda.

Voltando à questão do bem-estar, se não há abusos que comprometam a integridade do corpo, entendendo que a pele é elemento de proteção corporal, e se também não causam mal-estar nos que conosco convivem, a tatuagem existirá somente enquanto durar o corpo físico desaparecendo com este quando do desencarne do espírito.

O gosto pelas tatuagens também pode representar reminiscências do tempo em que reencarnávamos em meio aos silvícolas e aborígenes, piratas ou vikings, e tantos outros agrupamentos humanos, e que funcionavam como indicador de posição social ou de padrão comportamental.

Nesse caso, é o passado falando mais alto no alicerce de nossas bases psíquicas.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

  • (1) Evolução em Dois Mundos, André Luiz – Francisco C. Xavier, cap. 35;
  • (2) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 614; e
  • (3) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 719.
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DOENÇAS MENTAIS À LUZ DO ESPIRITISMO

Ricardo Di Bernardi

1) O que são e quais são as deficiências mentais?

RDB- São significativas dificuldades de desenvolver raciocínios, organizar idéias, manifestar sentimentos ou a aparente impossibilidade de expressar sentimentos e raciocínios. São inúmeras!!! Poderemos detalhar mais adiante

2) O que são e quais são os transtornos mentais?

RDB- Considero que são dificuldades súbitas ou secundárias a outros fatores, de expressar pensamentos e sentimentos. São inúmeros, dependendo da personalidade de cada pessoa, portanto, das peculiaridades de cada indivíduo.

3) Qual a origem destes transtornos sob a ótica da medicina tradicional e sob a ótica espírita?

Dr. Ricardo – Não consigo raciocinar nem entender as deficiências mentais ou transtornos sem incluir o raciocínio espírita, mas, poderia dizer que surgem quando um indivíduo se sente agredido por um fator externo o qual bloqueia seu raciocínio ou sua sensibilidade psíquica. É muito comum que um fato tenha ocorrido muitos anos atrás, na infância por exemplo, e um fato novo, muitas vezes simples e sem gravidade, seja associado, até inconscientemente, com fatos anteriores trazendo à tona questões antigas.

Do ponto de vista espiritual, onde e quando se originam?

RDB- A origem é sempre espiritual, pois o cérebro não pensa, quem pensa é o espírito. O cérebro retransmite o que pensamos. O cérebro, também, não produz sentimentos, apenas reproduz sentimentos da alma. Nossos arquivos perispirituais contém registros de inúmeras encarnações que muitas vezes jazem adormecidos a espera do estímulo para serem corrigidos, burilados e reorganizados de forma equilibrada. Todo o raciocínio acima, da medicina tradicional, é aceito pela visão espírita, apenas é ampliado pelo conhecimento do espírito. E, isto vale para todas as questões nesta área.

4) Sob o ponto de vista médico, e espírita quais as causas ou origens das deficiências mentais?

RDB – Existem do ponto de vista médico:

1- As que se manifestam pelo encontro de genes do pai e da mãe, genes que trazem determinação para defeitos ou doenças;

2- As que se manifestam por erros na separação ou distribuição de cromossomos no óvulo e ou espermatozóide;

3- As congênitas, ou seja, as que aparentemente surgem por problemas durante a gestação como provocadas pela rubéola e outras doenças;

4- As que se manifestam por traumas de parto, como por exemplo falta de oxigenação cerebral, determinando paralisia cerebral etc.

5- As adquiridas após o nascimento, ocasionadas por:

  • a) acidentes graves;
  • b) infecções que afetam o sistema nervoso central tipo encefalites e outras:
  • c) desequilíbrios hormonais como doenças da tireóide e outras,
  • d) intoxicações graves por venenos.
  • e) Senilidade, ou seja, envelhecimento do sistema nervoso central.
  • f) Doenças Degenerativas do cérebro, como Alzheimer.
  • g) Acidentes Vasculares cerebrais, AVC (derrames, tromboses cerebrais).
  • h) E muitas outras …

Na visão espírita, o corpo espiritual, (corpo astral, psicossoma, perispírito…) traz, de outras encarnações, alterações energéticas ou desequilíbrios que vibram em uma determinada freqüência e, por isto, sintonizam, favorecem, ou atraem estas situações de distúrbios mentais. Há, também, situações decorrentes da atual existência, assim: O espírito quando produz, constantemente, pensamentos ou expressa sentimentos de baixo nível, ou seja, doentios, estes são veiculados pelo perispírito e manifestam-se no corpo gerando graves problemas e alterações no corpo físico modificando a expressão de idéias, pensamentos e sentimentos…

5) Quais as finalidades ou objetivos espirituais das deficiências físicas e mentais? Débitos? Resgates?

As finalidades são, sempre, gerar benefícios, ou oportunidades de crescimento para o espírito. São conseqüências do automatismo da Lei Perfeita do Universo. Nunca são punições ou castigos. A LEI UNIVERSAL é automática. Deus é onipresente e, portanto, está dentro de nós. Quando o Mestre disse: “Vós sois deuses, Deus está em vós” , quis nos dizer : Deus não é um ser emocional e externo a nós, que tenha uma personalidade mutável… a Lei está escrita na nossa consciência , no nosso espírito. A LEI Universal, não pune, não premia, não castiga e não perdoa, simplesmente é a LEI DE AMOR E JUSTIÇA… Como estamos mergulhados na Energia Divina, tudo que pensamos, sentimos ou fazemos retorna para nós, é a Lei de Ação e Reação. Automaticamente, há o retorno como há a liberdade em semear, mas a obrigatoriedade (automatismo) da colheita. No entanto, cabe-nos continuar a semear para colher ainda nesta vida melhoras importantes. Isto é o mais importante!

6) Existe alguma deficiência mental e/ou física que não tenha causas espirituais? Toda deficiência física e mental é decorrente da ação do espírito?

RDB -Somos espíritos encarnados, tudo que ocorre no corpo biológico decorre de fragilidades e tendências (que podem ser amenizadas, tratadas ou evitadas) do nosso corpo espiritual as quais, por sua vez, refletem as tendências e fragilidades da essência espiritual. Até mesmo acidentes ocorrem devido a predisposições espirituais do indivíduo. Predisposições não são fatos ou situações que são determinadas, repito, são tendências a serem evitadas ou tratadas. Lembro que podem ser, também, predisposições ou atitudes do espírito tomadas na vida atual.

7) Os transtornos mentais podem surgir subitamente em pessoas maduras?

RDB- Aparentemente sim, mas sabemos que os computadores do perispírito trazem não uma determinação, mas uma fragilidade ou tendência neste sentido. A manifestação pode ser evitada conforme seu modo de vida ou conforme as atitudes desta pessoa ou poderão não ser evitadas conforme seu modo de agir nesta encarnação.

8) As deficiências e ou transtornos mentais manifestam-se em estágios? É possível alguém ser portador de uma deficiência mental de manifestação tão sutil que permite o ser desfrutar de uma vida normal? Elas podem ser hereditárias? Podem aparecer em fases da vida, de um momento para o outro? Quais os motivos?

RDB- Há uma autoprogramação nos nossos “computadores” perispirituais no sentido de que o indivíduo expresse uma tendência ou dificuldade na época mais adequada para a eliminação do corpo espiritual dessa deficiência. Tudo que fizemos em vidas anteriores está nos nossos arquivos. somos constituídos de trilhões de núcleos de energia. Tudo que somos , inclusive as questões que ainda não superamos constituem-se em registros ou núcleos de energia. Tais núcleos pulsam, irradiam vibrações que partem da profundidade do nosso espírito e atingem nosso corpo. Como continuamos pensando e emitindo sentimentos, estamos refazendo nosso destino e, portanto, com pensamentos de amor e harmonia neutralizando alguns núcleos, higienizando outros ou mantendo-os, e até estimulando novos registros. Problemas eclodem em certas épocas da vida dependendo das tendências anteriores, e das atitudes atuais. Há também registros que se exteriorizam na faixa etária correspondente a mesma idade que ocorreram no passado. É a nova oportunidade de refazermos o que fizemos de forma equivocada.

9) No âmbito do perispírito, como podemos entender as deficiências físicas e mentais? São sempre provas?

RDB- Não, são muitas vezes oportunidades que pedimos pra desenvolver novas habilidades, novas percepções, novas sensibilidades. Um grande missionário entre cegos solicitou que antes deste trabalho pudesse reencarnar como cego para associar todo seu amor e sabedoria a experiência de, também, ter sido cego. Associar teoria, amor, sabedoria e vivência prática.

10) Os processos obsessivos prolongados podem resultar em danos mentais permanentes?

Sim, podem. Lembremos, no entanto, que esta história tem antecedentes. Ninguém está sendo obsediado sem uma longa história anterior que precisa ser detalhada, conhecida, analisada com amor e sabedoria.

11) Explique a síndrome de Down.

RDB- Dá um livro bem grande… São espíritos que estão, por amor, tendo uma oportunidade de drenarem algumas deficiências perispirituais para o novo corpo físico. Estão se libertando de deficiências no corpo espiritual através desta drenagem. Cada caso é um caso específico. Seus pais ou afins que convivem, tem um histórico que os une e uma oportunidade de crescimento. Nunca devemos pensar em castigo nem punição esta é uma idéia distorcida e de influência judaico-cristã medieval. Exemplificando na síndrome de Down (= Mongolismo) como o fenômeno ocorre: Um espírito possui lesões no corpo astral, ao sintonizar as suas vibrações com a psicosfera materna, e com o chakra genésico materno, o seu magnetismo perispiritual determina, automaticamente, que a ovulação se faça de forma patológica. O óvulo ao ser formado ao invés de conter 1 cromossomo de cada par, (número haplóide) levará um dos pares colados, (o par número 21 irá em número diplóide) não se separam na meiose, ou seja, no processo em que o óvulo divide cada par em sua metade (daí meio = meiose) seus cromossomos. Antes de ser fecundado, este óvulo é envolvido pelas vibrações do espírito reencarnante refletindo o distúrbio perispiritual. As vibrações do óvulo, que correspondem as vibrações do espírito, atrairá o espermatozóide cujos genes estão na freqüência vibratória do merecimento ou necessidades evolutivas do espírito. Assim se oportuniza sejam drenadas os desequilíbrios energéticos para o corpo físico, visando libertar o corpo astral de campos energéticos ainda não harmonizados.

12) Há sofrimento para o portador de deficiência física ou mental acentuada, que não pode usar o livre arbítrio e é dependente integral de terceiros?

RDB- Depende de cada espírito, não se pode generalizar um conceito para todos os casos. Na realidade, o que importa é que está sendo muito beneficiado. Alguns (não todos!) podem estar nesta condição para serem protegidos de grandes equipes de perseguidores espirituais que o deixavam desesperado, outros estão, por amor, se exercitando para outras vidas, outros ainda drenando defeitos do perispírito, e outros se propondo a auxiliar os pais a vencerem dificuldades etc…

13) Os filhos de mães dependentes químicos podem ser afetados em sua gênese fisio-psíquica e apresentarem deficiência mental ao nascer?

Sim.

Ambos estariam entrelaçados por provas e expiações comuns?

Sim.

14) Qual a situação do deficiente mental durante o sono físico? Seu espírito emancipa-se do corpo físico? Ele tem percepção de sua situação atual? Ele goza de lucidez? Mantém a deficiência mental ou liberta-se dela?

RDB- É variável. Às vezes é importante que ele fique preso ao corpo biológico para sua proteção dos obsessores, às vezes se emancipa e retorna a consciência de seus conhecimentos, pois sua passagem aqui é para fins de experiência que solicitou. Às vezes é um espírito violento e, igualmente aos não-deficientes que são violentos, ao se libertar do corpo buscam companhias trevosas. Vejam, depende de cada caso. Não é possível generalizar.

15) Os deficientes mentais comunicam-se com o mundo espiritual?

Sim.

De que forma?

Pela emancipação da alma no sono, pela sintonia e influência dos protetores, pela sintonia e influência dos obsessores,

Como ocorrem suas vivências espirituais e emocionais? Como é a percepção deles destes fenômenos?

Depende de cada caso. Alguns buscam ou são levados durante o sono às colônias de tratamento na espiritualidade, outros guardam percepções de encontros em outras regiões, outros ainda, registram no seu espírito-perispírito e cérebro novas intuições ou estímulos para despertar pensamentos e sentimentos.

16) Ao desencarnar, o deficiente físico ou mental leva consigo, em seu perispírito, a deficiência experimentada na última existência?

A curto prazo, alguns sim, outros não.

A médio e longo prazo depende da mudança do padrão vibratório mental, ou seja, da natureza do seu pensamento e sentimento no seu futuro imediato ou longínquo, todos serão não-deficientes.

17) Uma encarnação é suficiente para curar uma deficiência mental grave?

Depende da mudança íntima do espírito.

18) Como entender a evolução do espírito perante a deficiência física e mental?

RDB- Cada indivíduo tem um histórico:

Em alguns, o desequilíbrio, consequência do passado, está sendo reequilibrado através da drenagem no corpo físico. É uma oportunidade, dada pela Lei de Amor, para que o espírito não permaneça no estágio de desequilíbrio;

Para outros é como um momento de repouso mental visando aliviar suas angústias ou seu desespero.

19) Nas famílias onde há portadores de deficiências físicas e mentais, é sempre prova para os pais de filhos portadores ou apenas para o reencarnante?

RDB- Geralmente todos ESTÃO envolvidos por um passado em comum. Lembro que este envolvimento pode ser, também, por amor, ou por se oferecerem pra auxiliar, mas não há o “acaso” simplesmente.

20) Como podemos entender o caso de uma pessoa normal, que manifesta uma deficiência mental após ser vítima de um acidente, e fica tolhida do uso de seu livre arbítrio, já na idade adulta? Isto também é prova?

RDB- Já havia nos arquivos do seu corpo espiritual regiões em desarmonia que não foram trabalhadas e, permanecendo em baixa vibração, atraíram ou sintonizaram fatores ambientais que levaram ao acidente. Trata-se de uma consequência. Sempre será um aprendizado.

21) O espírito que reencarnará com deficiência mental recebe antecipadamente auxílio daqueles que serão seus pais?

RDB- Alguns, sim, se os pais têm condições.

Outros tem pais que não possuem equilíbrio ou condições para tal, os protetores espirituais fazem este trabalho,

22) Quais os aspectos do tratamento e da conduta do indivíduo que merecem maior ênfase, no caso dos transtornos mentais?

RDB- Disposição, na sua essência, para Reforma Íntima.

23) Existe algum processo fisiopsíquico que permita a restauração do psicossoma de um deficiente mental? Como funcionaria?

RDB- Sim. Há casos de desencarnados que tratamos nas nossas sessões espíritas. Iniciamos esta restauração, (tive a ousadia de criar o verbete perispiritoplastia para este processo) A maioria deles continua o processo nos hospitais da espiritualidade. Funciona pela impregnação perispiritual no enfermo de energias dos presentes, ectoplasma, energias da natureza e auxílio dos mentores espirituais. Não é infalível, não depende só de nós, sobretudo depende da fruta estar madura para ser colhida. Mas é preciso existir quem possa colhê-la.

24) Quais as terapêuticas médica e espiritual indicada para o caso das deficiências mentais? E para os transtornos mentais?

RDB- Depende do cada tipo, melhor é associar várias frentes ou tratamento multidisciplinar com o espiritual.

Psicológico (espírita melhor ainda)

Médico Homeopático

Médico Clínico

Médico Psiquiátrico

Sessões de Desobsessão

Tratamento e apoio aos familiares

Serviço Social de Caso e de Grupo com Assistente social.

Educação

Educação Espírita

Reunião Semanal de Harmonização no Lar

25) A terapêutica do passe pode auxiliar no tratamento de cura das deficiências mentais? E no caso dos transtornos mentais?

RDB- Sim, a transfusão de energias pode auxiliar em qualquer situação. Como sempre, depende de sintonia, ambiente adequado, conhecimento melhor do problema e dedicação.

26) Quais as recomendações práticas, ao paciente e aos familiares, para lidar com as deficiências físicas e mentais e com os transtornos mentais?

Daria um livro bem grande… Resumindo: AMOR

27) Qual a importância da convivência social para os portadores de deficiências mentais e transtornos mentais? (educação escolar, trabalho, esporte, etc.)

Aprendizado constante, exercício constante, renovação constante, oportunidade constante.

28) A Casa Espírita, através da Doutrina Espírita poderia evangelizar os portadores de deficiência e/ou transtorno mentais?

Sim, porém, com trabalhos adequados e especializados.

Fonte:  Medicina e Espiritualidade

Espero que aproveitem as elucidações dadas com sabedoria e grande discernimento pelo Dr. Ricardo Di Bernardi, médico homeopata, residente em Florianópolis – Sta. Catarina

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O Fluido Vital e o Suicídio

Por: Andresa Küster e Rodrigo Oliveira

A maior certeza da vida do corpo físico durante a encarnação terrena é o seu caráter finito. Muitos aspectos da existência humana dão margem a dúvidas e opiniões diferentes, mas não há como negar que o corpo físico possui fragilidades que lhe impõem um determinado prazo de validade. O Espiritismo considera o corpo físico como uma morada do espírito, um instrumento destinado a permitir a evolução do indivíduo encarnado. Nos casos de morte natural, considera-se que o princípio ou fluido vital que anima o corpo se extingue por completo. Na obra “A Gênese”, Kardec explica o conceito de princípio vital utilizando analogias com o calor e a eletricidade: “Mas seja qual for a opinião que se tenha sobre a natureza do princípio vital, o certo é que ele existe, pois que se apreciam os seus efeitos. Pode-se, portanto, logicamente, admitir que, ao se formarem, os seres orgânicos assimilaram o princípio vital, por ser necessário à destinação deles; ou, se o preferirem, que esse princípio se desenvolveu, por efeito mesmo da combinação dos elementos, tal como se desenvolvem, em certas circunstâncias, o calor, a luz e a eletricidade.” (KARDEC, 2013, p. 168).

Nas últimas décadas, com a evolução da tecnologia e da medicina, houve aumento na expectativa de vida. Tais mudanças levaram a uma maior discussão sobre as maneiras pelas quais o estilo de vida pode influenciar a saúde do corpo físico na velhice. Entende-se que a adoção de hábitos adequados de alimentação e prevenção de doenças físicas e psicológicas podem contribuir para que seja possível usufruir de maneira mais satisfatória desse período. Os ensinamentos das obras espíritas incentivam tais cuidados, pois a preservação da saúde física pode favorecer a evolução espiritual, conforme ensina a Lei de Conservação detalhada em “O Livro dos Espíritos”. No capítulo V, do Livro III da referida obra, há incentivo para que as pessoas busquem o bem-estar durante a vida terrestre, desde que isso não seja obtido à custa de outrem ou causa de enfraquecimento de suas forças morais e físicas (Kardec, 2018, p. 238). No capítulo XI da obra “A Gênese” o codificador discorre sobre a necessidade de que o corpo físico seja adequadamente preservado para que ocorra o necessário progresso individual: “A obrigação que tem o Espírito encarnado de prover ao alimento do corpo, à sua segurança, ao seu bem-estar, força-o naturalmente a empregar suas faculdades em investigações, a exercitá-las e desenvolvê-las. Desse modo, sua união com a matéria é útil ao seu adiantamento, e é por isso que a encarnação é uma necessidade. Além disso, pelo trabalho inteligente que ele executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a transformação e o progresso material do globo que lhe serve de habitação. É assim que, progredindo, colabora na obra do Criador, da qual se torna fator inconsciente. (KARDEC, 2013, p. 184).

Nos casos em que a morte do corpo físico decorre de causas naturais, atribuídas ao esgotamento do fluido vital, a separação do corpo físico pode ocorrer de maneira tranquila segundo a explicação dada pela espiritualidade no Livro II, Capítulo III de “O Livro dos Espíritos” em resposta a um questionamento sobre o momento da separação entre alma e corpo:

“Frequentemente o corpo sofre mais durante a vida do que no momento da morte: neste a alma nada sente. Os sofrimentos que se experimentam algumas vezes no momento da morte são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim de seu exílio. Na morte natural, a que ocorre pelo esgotamento dos órgãos em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber, é uma lâmpada que se apaga por falta de energia” (KARDEC, 2018, p. 152).

Essas considerações levam ao entendimento de que o fluido vital está diretamente relacionado com o funcionamento dos órgãos do corpo físico. Disso decorre a compreensão de que a morte por causas naturais ocorre quando essa reserva de energia se esgota: “Os corpos orgânicos seriam então verdadeiras pilhas elétricas, que funcionariam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condições de produzir eletricidade: é a vida; que deixam de funcionar quando tais condições desaparecem: é a morte. Segundo essa maneira de ver, o princípio vital não seria mais que uma espécie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela ação dos órgãos, sua produção cessa por ocasião da morte, por se extinguir tal ação.” (KARDEC, 2013, p. 169).

O medo do desconhecido e do sofrimento é o principal motivo pelo qual os seres humanos temem o momento do encerramento da existência terrena. Esse temor poderia ser menor, caso a todos fosse garantida a possibilidade de uma passagem tranquila para o plano espiritual, conforme descrito acima. É de se considerar que a morte por causas naturais, em tais condições, possa constituir um objetivo a ser alcançado, pois certamente resultaria em uma sensação de “dever cumprido”. Essa tranquilidade poderia ser alcançada após uma vida de longevidade, possibilitada por escolhas corretas que garantiriam a saúde dos órgãos do corpo físico. A necessidade de preservação dos órgãos também é destacada pela sua relação com a atividade do fluido vital, na obra “A Gênese”: “A atividade do princípio vital é alimentada durante toda a vida pela ação do funcionamento dos órgãos, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rotação de uma roda. Cessada aquela ação, por motivo da morte, o princípio vital se extingue, como o calor, quando a roda deixa de girar. Mas o efeito produzido sobre o estado molecular do corpo pelo princípio vital subsiste após a extinção desse princípio, como a carbonização da madeira persiste após a extinção do calor” (KARDEC, 2013, p. 168).

Em um outro extremo, em oposição à possibilidade de uma transição tranquila do plano físico para o plano espiritual, encontram-se as vítimas do suicídio. O sofrimento experimentado pelo indivíduo que atenta contra a própria vida pode ser considerado como uma consequência do desrespeito à ordem natural dos acontecimentos, já que a morte natural está relacionada com o caráter finito do princípio ou fluido vital que anima o corpo. Entende-se que a abreviação prematura da existência, tanto no caso do suicídio quanto no caso de acidentes fatais, implica na separação traumática do corpo físico, por ocorrer em um momento no qual ainda existe uma reserva considerável do fluido vital. No caso do suicídio, ao tratar de suas consequências no Livro IV, Capítulo I de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec apresenta as seguintes observações: “A observação mostra, de fato, que os efeitos do suicídio nem sempre são os mesmos. Alguns há, porém, que são comuns a todos os casos de morte violenta e à consequente interrupção brusca da vida. Primeiramente, é a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, laço que se encontra quase sempre em todo o seu vigor no momento em que é rompido, ao passo que, em caso de morte natural, se enfraquece gradualmente, e muitas vezes se desfaz antes que a vida seja completamente extinta. As consequências desse estado de coisas são o prolongamento da perturbação espiritual, além da ilusão que, durante um período de tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda está entre os vivos. A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que sente, independente de sua vontade, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústia e de horror, e esse estado pode persistir pelo tempo que devia durar a vida interrompida” (KARDEC, 2018, p. 307-308).

Assim sendo, percebe-se que a manutenção do vínculo potencializa o sofrimento experimentado pelo suicida, pois além de carregar a culpa pelo gesto extremo, sente as dores que o processo de decomposição impõe ao corpo inanimado, já que nesses casos se mantém uma parcela de fluido vital não consumido. Diversas obras espíritas esclarecem quanto à variabilidade da duração desse sofrimento causado a si mesmo pelo suicida. Na obra “Suicídio – A Falência da Razão”, por exemplo, o autor Luiz Gonzaga Pinheiro esclarece que não se pode adotar uma regra geral para todos os casos, pois inúmeros fatores podem levar a diferentes conclusões para cada situação específica (Pinheiro, 2018, p.77): “Ao se suicidar, o espírito que pôs termo ao seu corpo físico, abaixa seu campo vibracional automaticamente, sendo a causa o crime cometido contra a si mesmo. Isso leva a inúmeras sensações de baixos níveis, podendo causar no espírito incríveis sentimentos de culpa, já que no mundo espiritual a consciência do ser tem voz muito mais ativa que no mundo corporal. Passa então o suicida a sofrer por muitos anos de uma culpa que corrói o seu psiquismo, de uma necessidade de autopunição que o leva à beira da loucura espiritual. Existem casos nos quais o espírito fica de tal forma alucinado, que acaba sendo presa fácil de vampiros energéticos, espíritos sombrios que se aproveitam de desgraçados errantes em sofrimento para sugar-lhes as energias residuais pós-desencarnação” (Pinheiro, 2018, p.77).

As obras estudadas ensinam que a reserva de fluido vital é consumida naturalmente com o passar dos anos, em relação direta com a energia dispendida durante as atividades cotidianas, que por sua vez demandam um bom funcionamento dos órgãos do corpo físico. A abreviação repentina da encarnação, sobretudo no caso dos indivíduos que atentam contra a própria vida gera sofrimento ao espírito, pois em situações assim não ocorre o desligamento gradual do corpo físico que ocorreria naturalmente. Não é possível afirmar qual será a duração deste período de sofrimento ao qual um suicida estará sujeito. Porém, tal período tende a ser maior do que o tempo restante para a conclusão do período de vida na terra devido ao impacto da culpa e pela possibilidade de que tais espíritos sofredores passem a estar sob domínio de outros espíritos de baixa vibração. Essa possibilidade leva mais uma vez à conclusão de que o suicídio não deve ser visto como uma solução para fugir das dificuldades, mas sim como um potencial causador de sofrimentos cuja intensidade não somos capazes de imaginar.

Fonte: Letra Espírita

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Referências:

  • KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra da 5ª edição francesa, de 1869) 2ª ed. 1ª imp. – Brasília: FEB, 2013.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Camargo, 1ª ed. 22ª reimpressão. Capivari-SP: Editora EME, 2018.
  • PINHEIRO, Luiz Gonzaga. Suicídio: a falência da razão. 2ª reimpressão. Capivari/SP: Editora EME, 2018.
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Nós e os outros

Será possível libertar-se da idolatria a Espíritos ou homens?

Marcelo Henrique

O cotidiano das sucessivas existências é o cenário para muitos aprendizados. Como seres errantes que somos, atravessamos os dias, os anos e as encarnações, com erros e acertos. É “da vida” (espiritual, que se compõe das experiências na carne assim como as fora dela), este processo.

Kardec indagou sabiamente as Inteligências Superiores acerca dos esforços para o melhoramento pessoal. E recebeu deles a fraterna advertência: “o que lhes falta é a vontade […] [e] são poucos os que se esforçam” (resposta ao item 909, de “O livro dos Espíritos”).

Ora, então, para a instrução (conhecimento) dos Espíritos haveria algo até muito simples: um pequeno esforço. Mas, o pequeno vira enorme e intransponível. E o mais comum é que se siga as pegadas já dispostas ao derredor, sem enveredar pelos caminhos (estreitos, na parábola do Magrão), que levam às transformações.

“Vamos voltar esta “prosa” para o nosso “umbigo”. Vamos falar dos espíritas e do chamado movimento espírita.

Todos os que quiserem se afirmar como espíritas precisam conhecer TODA a obra (de Kardec). Sim, não há Espiritismo SEM (ou FORA DE) Kardec. E são muito poucos os que conhecem em totalidade a obra. Ou seja, que já leram – e, mais que isso, se debruçaram no estudo das TRINTA E DUAS OBRAS escritas e publicadas por Allan Kardec).”

Preferem, muito mais, as “novidades”. É um livro novo “psicografado”, é uma conferência de algum “destaque”, é um curso promovido por algum grupo ou instituição conhecida…

Obras dos homens – sejam eles encarnados ou desencarnados – todas sujeitas à falibilidade. Ou seja, ao erro!

No que tange aos “Expoentes do Espiritismo”, que são os médiuns, expositores ou dirigentes, é preciso estabelecer a premissa fundamental: como qualquer ser encarnado, todos possuem limitações. Sem exceções!

O “verniz” da aparência, a “beleza” da retórica, a “relevância” da recomendação feita a este ou aquele, a “estatura” de obras assistenciais não é nenhuma garantia séria em relação ao que dizem ou escrevem. Voltemos a Kardec: “A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”, Introdução, Item II – Autoridade da Doutrina Espírita. Controle Universal do Ensino dos Espíritos).

“Vamos ampliar a premissa de Kardec – que trata da validade e pertinência dos elementos pertinentes à Instrução dos Espíritos (Superiores) – para os seres encarnados, já que o texto, acima, foi estabelecido, inicialmente, para o conteúdo das mensagens psicografadas, ou seja, em relação à autoria (desencarnados). A mesma regra vale – e, até, mais – para os encarnados, por duas razões óbvias: 1ª) os médiuns são seres encarnados e INFLUEM direta ou indiretamente nas mensagens obtidas; 2ª) os dirigentes, palestrantes e médiuns expressam OPINIÕES PESSOAIS, dentro da liberdade de pensar (axioma espírita-espiritual), mas nem sempre estão com a verdade. Ou seja, são falíveis.”

Chegamos, então, ao contexto da prática e do cotidiano espírita, com uma grande questão: os espíritas (em geral) não estudam (com profundidade), não compreendem o método (originalmente utilizado por Kardec) e, por extensão e consequência, não avaliam as mensagens, as obras e nem as manifestações dos espíritas que seguem.

Mas há outros problemas, igualmente graves. Vamos a eles:

I – Endeusam Kardec, tomando-o como infalível e sua obra como totalmente “ditada” por Inteligências Superiores, o que lhe configuraria duas condições que o Espiritismo jamais teve: o de ser a (única) verdade; e o de que o que fora escrito por Kardec seria inalterável e não sofreria a ação da Lei do Progresso (humano e espiritual);

II – Idolatram escritores, palestrantes ou dirigentes, como se eles, como nós, não fossem portadores de ideias pessoais e como se desempenhassem, eles, missões “especiais” dadas a poucas criaturas, e que estariam “no mundo” para serem seguidos sem contestação;

III – Tornam-se seguidores cegos dos guias espirituais (de instituições ou de médiuns), como se a condição de desencarnado em “apoio” a uma instituição ou obra espírita fosse garantia segura de infalibilidade, ou se o uso de linguagem rebuscada, culta ou melíflua, porquanto sedutora, fosse expressão de superioridade espiritual.

Por consequência, lamentavelmente, os espíritas em geral bajulam outros homens – médiuns, palestrantes, dirigentes – tomando-os como seres (muito) acima do homem (espírita) médio.

Que dizer destes? E como fazer para não ser “presa fácil” da idolatria, da obediência e da não-contestação? Fica a pergunta, para a nossa meditação… Homens são (e sempre serão) homens, com suas limitações e imperfeições, até que estejamos TODOS em outras condições espirituais (mais adiantadas) em virtude do (olha ele, novamente) nosso esforço pessoal!

Marcelo Henrique

Fonte: https://se-novaera.org.br/nos-e-os-outros/

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DEPRESSÃO, ANSIEDADE E A INFLUÊNCIA DE ESPÍRITOS

Julia Thaís Porciúncula Serra

A influência dos espíritos no plano físico é maior e mais forte do que possamos imaginar. Os espíritos regem de uma grande influência, de modo que altera ou não os sentimentos dos indivíduos e por que não, seus atos. O objetivo do artigo é estudar como os espíritos podem influenciar nas doenças psiquiátricas, depressão e ansiedade, visto que essas doenças afetam diretamente a pessoa de modo psíquico e físico e que, se de forma grave e não sendo cuidada com psicólogos e em outros casos medicamentos, podem dar fim à vida de um espírito e o mesmo se tornar suicida. Tanto a Depressão como a Ansiedade são doenças que não possuem cura. Ao afetar o emocional do indivíduo deixa-o sensível as vibrações que possam aproximar espíritos mal intencionados e assim, influenciar de maneira negativa, afetando a vida do paciente.

A palavra “depressão” vem do latim depressio, de deprimere, que significa “apertar firmemente”, “para baixo”, “esmagar”, “afundar”. Depressão é uma doença psiquiátrica que afeta a pessoa de modo psíquico e físico, caracterizado por uma angústia e tristeza profunda, que pode levar o indivíduo ao suicídio. Os sintomas mais comuns são de dores no corpo, mudanças de humor, melancolia, tristeza, cansaço, etc. A Depressão pode ter dado início a traumas, como violência, bullying, relacionamentos difíceis, entre outros.

Por sua vez, a palavra “ansiedade” tem origem no latim anxietas, que significa “angústia”, “ansiedade”, de anxius – “perturbado”, “pouco à vontade”, de anguere – “apertar”, “sufocar”. Ansiedade e o transtorno de ansiedade, são doenças psiquiátricas que, no geral, acontecem por excesso de preocupação, desequilíbrios químicos, e isso varia de indivíduo para indivíduo, pois nem todo mundo tem os mesmos sintomas. Os sintomas mais comuns são medo, angústia e apreensão, acompanhados por momentos de estresse e de uma situação desagradável. Ansiedade também pode ser a espera de um momento ruim constante e principalmente traumas, em geral sempre na infância.

No livro O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, onde no Capitulo IX ele fez perguntas que dizem a respeito sobre a influência dos espíritos nos nossos pensamentos e atos, podendo ou não afetar nossas vidas. Diante disso, a seguinte questão começa a introduzir sobre o assunto:

Questão 457. Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos?

Resposta: “Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular.”

a) — Assim, mais fácil nos seria ocultar de uma pessoa viva qualquer coisa, do que a esconder dessa mesma pessoa depois de morta?

Resposta: “Certamente. Quando vos julgais muito ocultos, é comum terdes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos observam.”

Dessa forma, o espírito que nos cerca tem conhecimentos dos pensamentos e anseios dos indivíduos, sendo assim, a maneira de chegar ao assunto para desequilibrá-lo é fácil, visto que, pode afetar em algum trauma e dor do passado, trazendo à tona ao pensamento do indivíduo.

Vale lembrar que ficar ansioso ou triste é completamente normal, entretanto, é necessário que se saiba sair dessa situação, e que não pode deixar se abater completamente pela tristeza e a baixa autoestima. Ao se deixar permanecer em meio ao momento de tristeza, e cada vez mais se afundar nisso, torna-se vulnerável a ficar com depressão ou ansiedade. O poder da influência de um espírito sobre os indivíduos que regem no plano físico é forte e pode se tornar até duradouro. Sendo influências boas ou ruins, sentindo a presença do espírito ou não, ele sempre o acompanhará. Na questão 459 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona se é possível que os espíritos influenciem em vossos pensamentos e atos:

Questão 459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

Resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

A influência é o poder de um espírito sobre o outro, uma ascendência de pensamento e atos de um espírito para o outro. Um poder que tem fortes vibrações e irradia sobre o influenciado, quando usada para o mal é caracterizado por muitos motivos. Podem ser espíritos zombeteiros que desejam fazer mal a quem lhes permite, podem ser de um espírito que compartilhou com o influenciado uma encarnação que terminou mal, desse modo, o espírito deseja fazer-lhe mal, ou determinados motivos. Vale lembrar também, que um espírito que esteja mal, ou triste, ao chegar perto de um espírito físico acaba por fazer mal ao outro, mesmo quando não é de sua vontade.

A influência consiste principalmente em vibrações de ódio, o espírito fica emitindo ondas de ódio para que o indivíduo possa sentir o humor desejado. Se um indivíduo é muito sensível as vibrações, também pode sentir as ondas que o rodeiam. Dessa forma, Allan Kardec fez as seguintes questões no Livro dos Espíritos:

Questão 458. Que pensam de nós os Espíritos que nos cercam e observam?

Resposta: “Depende. Os levianos riem das pequenas partidas que vos pregam e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios se condoem dos vossos reveses e procuram ajudar-vos.”

Questão 464. Como distinguirmos se um pensamento sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?

Resposta: “Estudai o caso. Os bons Espíritos só para o bem aconselham. Compete-vos discernir.”

A influência dos espíritos sobre o plano físico atende as Leis da Natureza, Causa e Efeito, sendo assim, não pode interferir no plano espiritual de nenhum indivíduo, entretanto, ao ficar ao lado da pessoa soprando em seu ouvido alguma ideia, o indivíduo toma a ideia como sua e acaba por fazer/sentir/pensar. Diante disso, Allan Kardec tem a seguinte questão:

Questão 525. Exercem os Espíritos alguma influência nos acontecimentos da vida?

Resposta: “Certamente, pois que vos aconselham.”

a) — Exercem essa influência por outra forma que não apenas pelos pensamentos que sugerem, isto é, têm ação direta sobre o cumprimento das coisas?

Resposta: “Sim, mas nunca atuam fora das leis da Natureza.”

Dessa forma, um espírito mal intencionado pode afetar um pensamento vosso com os deles, e assim, influenciar na piora da sua depressão ou ansiedade, fazendo com que o individuo se sinta cada vez pior de modo que possa captar as vibrações ruins, e até tirar a sua própria vida. Como nas questões seguinte:

Questão 460. De par com os pensamentos que nos são próprios, outros haverá que nos sejam sugeridos?

Resposta: “Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, frequentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas ideias a se combaterem.”

Questão 465. Com que fim os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal?

Resposta: “Para que sofrais como eles sofrem.

a) — E isso lhes diminui os sofrimentos?

Resposta: “Não; mas fazem-no por inveja, por não poderem suportar que haja seres felizes.

b) — De que natureza é o sofrimento que procuram infligir aos outros?

Resposta: “Os que resultam de ser de ordem inferior a criatura e de estar afastada de Deus.”

Fica claro que um espírito encarnado só vive aquilo que lhe é designado a viver, embora, aconteçam escolhas em seu caminho que podem mudar seu trajeto de vida. Para afetar a depressão e ansiedade. O espírito obsessor fica ao seu lado influenciando os pensamentos negativos, trazendo ao momento de sua tristeza pensamentos que pioram a sua situação, e assim, te enfraquecem. Podendo também, fazer você pensar em se tornar um espírito suicida. De acordo com Kardec:

Imaginamos erradamente que os Espíritos só caibam manifestar sua ação por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e muito natural o que se executa com o concurso deles. Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a ideia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem, crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre-arbítrio.

Dessa forma, fica evidente que a influência dos espíritos, seja obsessor ou não, seja compactuo de uma encarnação passada ou não, é grande. A influência é direcionada aos pensamentos do indivíduo que se confundem com os próprios e acaba por se misturar. Na depressão e ansiedade, a influência de um espírito pode piorar e enfraquecer cada vez mais o paciente, de modo que o próprio possa ter atos que compliquem a sua vida e suas escolhas.

Julia Thaís Porciúncula Serra

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

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VISÃO ESPIRITUALISTA DOS TIQUES NERVOSOS

Dr Ricardo Di Bernardi

Pergunta: Dr Ricardo Di Bernardi, gostaria que oportunamente fossem abordados os chamados “tiques nervosos”. Será que a doutrina espírita pode ajudar? Qual a razão da existência desses tiques? São hereditários? São espirituais? Meu avô tinha, meu tio e agora eu. Será que os meus filhos podem vir a ter? – Paulo, Genève, Suíça

Resposta: vejamos o Fator Espiritual Externo:

Qualquer desequilíbrio físico, e os tiques nervosos que estão incluídos, decorre de um desequilíbrio dos campos energéticos do indivíduo. Gestos repetitivos, conscientes ou inconscientes decorrem de uma desarmonia da frequência vibratória de nossas estruturas mais sutis. A doutrina espírita pode ajudar no equilíbrio psíquico de todos nós, portanto, pode auxiliar neste mister. Com isto não estamos afirmando, nem de longe, que o problema é originariamente obsessivo, isto é, decorrente da ação de espíritos desencarnados. Sucede que tudo que pensamos, sentimos e ou agimos gera campos vibratórios com uma determinada frequência, comprimento de onda, coloração, opacidade, som e cor específicos.

Em função de uma determinada postura criamos, secundariamente, elos energéticos com entidades espirituais que estão sintonizadas no mesmo diapasão. Há muitas vezes interferência ou somação de situações com espíritos desencarnados. O tratamento, portanto, visa corrigir as posturas psíquicas do indivíduo.

Fator palingenésico

Palingenesia é o mesmo que reencarnação. Há, em cada um de nós registros de todo nosso passado. Se é verdade que devemos nos preocupar muito mais com o presente que está sendo construído e que determina em grande parte nosso futuro, não há como negar que arquivos do nosso passado podem ser fatores de tendências em nossas atitudes. Vocações profissionais por exemplo são recordações inconscientes de experiências anteriores. Nosso corpo traz inclinações a certas manifestações que decorrem de fortes impressões que o perispírito ainda não se libertou. No entanto não é se conformando com a tendência que resolvemos o problema, mas reencarnando para superar esta tendência. Nosso sistema nervoso deve ser corretamente tratado.

Fator Genético

Geneticamente nossos órgãos são semelhantes aos ancestrais e podem trazer aptidões, ou fragilidades e dificuldades. Não se recebe “tiques” por herança, mas se recebe uma musculatura semelhante e um sistema nervoso semelhante com possibilidades também semelhantes. Há genes que se expressam mais ou menos intensamente conforme as vibrações das matrizes perispirituais estejam ou não estejam comprometidas com algum problema. Quer dizer, se nas vidas anteriores há ligação com esta tendência a carga genética se expressa com mais intensidade. Além disto, reencarnamos no meio que temos afinidade o que significa histórias em comum no passado.

Fator psicológico ou emocional

Se alguém prestar muita atenção no próprio piscar de olhos ou de outrem, irá adquirir o tique do ” pisca-pisca”. Se alguém prestar muita atenção no bocejo de outros terá imensa vontade de bocejar. Sono? claro que não, Falta de controle emocional. Transporte isto para outras esferas e níveis de gravidade e perceberá o que quero dizer.

Orientação:

Ter em mente que é uma situação reversível e sempre curável, em mais ou menos tempo desaparece, nem que seja em próximas existências…

Um abraço fraterno.

Dr. Ricardo Di Bernardi

Fonte: Medicina e Espiritualidade

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HERDEIRO DE SI MESMO

A notícia estava estampada no caderno jornalístico Notícias do mundo, com o título Conferência Médica.

Possivelmente, muitos que não somos da área médica, passaríamos sem nos determos na leitura, não fosse a imagem intrigante.

Era um garoto de seis anos de idade, em pé, sobre uma cadeira, para ficar à altura das dezenas de repórteres que o entrevistavam.

E podia-se ler: Aos seis anos, o mexicano Maximiliano Arellano de la Noe concede entrevista coletiva a jornalistas, depois de proferir conferência para estudantes de medicina sobre causas e consequências da osteoporose.

Dono de uma rara memória, o garoto se especializa em assuntos médicos, há quatro anos, desde quando começou a ler.

No entanto, não é somente sobre osteoporose que o garoto faz conferências. Ele também fala sobre diabetes e anemia cardiovascular.

Faz conferências para alunos de medicina, em Universidades do México e da Argentina.

Segundo as notícias, Maximiliano impressiona os ouvintes pela profundidade de seus conhecimentos, especialmente por sua pouca idade.

Sem dúvida, trata-se de mais um caso de genialidade que não encontra explicação lógica, a menos que se lance mão da reencarnação.

Alguns dizem que Deus escolhe determinadas pessoas e as presenteia com certos dons. Essa hipótese tira de Deus alguns de Seus atributos como a Justiça e o Amor.

Outros dizem que se trata de herança genética, de alguma influência que a criança sofreu quando estava no ventre materno e por aí afora.

Essas hipóteses deixam sem explicação uma gama enorme de questões, ou estabelecem argumentos contraditórios.

Todavia, quando se cogita da hipótese de se tratar de um Espírito que trouxe, ao nascer, as experiências adquiridas em outras existências, tudo faz sentido.

Os conhecimentos não se perdem no túmulo. O Espírito é herdeiro de si mesmo.

Pela morte, despe-se do corpo material, mas não sai da vida. Reveste outra forma física e não perde seus conhecimentos.

Isso está absolutamente de acordo com o ensino de Jesus, de que a cada um é dado segundo as suas obras.

Nenhum dos filhos de Deus nos sentimos preterido. Pelo contrário, nossa esperança se fortalece, pois sabemos que todos os nossos esforços serão recompensados.

Com a certeza da vida futura, e das inúmeras oportunidades de aprendizagem que nos são concedidas pela lei da reencarnação, sabemos que nossa felicidade depende unicamente de nós.

Como o pequeno Maximiliano que, aos seis anos de idade fala, com conhecimento de causa, para universitários, sobre problemas complexos, outros tantos gênios anônimos estão pelo mundo.

Não se trata de uma questão de ter boa memória, mas de conhecimentos de existências passadas, que não se extinguem jamais.

Sem dúvida, nem todos nos lembramos claramente de todos os conhecimentos adquiridos ao longo dos milênios, mas temos o que realmente importa: a voz da consciência e as tendências instintivas.

Pensemos nisso, e nos permitamos, Espíritos imortais que somos, utilizar muito bem a chance desta vida, que nos permite crescer, a caminho da perfeição.

Redação do Momento Espírita, com base em notícia colhida no Jornal Gazeta do Povo, de 29/04/06

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PAU QUE NASCE TORTO MORRE TORTO?

Eduardo Battel

Existe um ditado popular bastante conhecido que diz: pau que nasce torto morre torto! Mas será verdade? Se tivermos como base somente uma existência corpórea talvez sim, mas como sabemos que somos Espíritos imortais e que o que morre quando desencarnamos é somente o corpo físico, com certeza esse ditado não diz a verdade.

Deus não nos cria seres bons ou maus, escolhendo quem será um ou outro. Na sua infinita bondade e justiça, Ele cria a todos exatamente iguais. Somos criados simples e ignorantes e vamos progredindo intelectualmente e moralmente no decorrer da nossa longa jornada evolutiva, através das nossas múltiplas encarnações.

O objetivo de todos nós é chegarmos progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, sendo assim Espíritos puros. O tempo que cada um leva para isso varia muito, uns caminham mais depressa, outros mais devagar, conforme a vontade e o empenho individuais. Respeitar essa velocidade de caminhada e o estágio em que cada um se encontra nela é obrigação moral de todos.

Todos nós, sem exceção, cometemos muitos erros ao longo de nossas encarnações e Deus não nos julga por isso. Ele entende que estamos aprendendo e sempre nos oferece meios para corrigirmos os nossos equívocos pelo amor, mas muitas vezes somos nós que escolhemos o caminho da dor para essa correção. Nós devemos fazer o mesmo, não julgar as faltas alheias e exercitar o perdão para com os nossos irmãos. A prática do perdão é uma das maiores formas de caridade que existem e devemos fazê-la para com todos, da mesma forma que desejamos que os outros façam conosco.

Contradizendo então o famoso ditado popular, Allan Kardec nos ensina na questão 116 de O Livro dos Espíritos: Há Espíritos que permanecerão para sempre nas ordens inferiores? Resposta: Não; todos se tornarão perfeitos. Eles mudam de ordem, mas isso demora…”. Rotular uma pessoa como sendo eternamente má e condená-la a viver para todo o sempre no inferno, não é condizente com a grandiosidade de Deus. Se Jesus nos ensinou que devemos perdoar as pessoas pelo menos setenta vezes sete vezes, porque é que Deus, sendo infinitamente superior a nós, não o faria?

Allan Kardec nos mostra na questão 114 de O Livro dos Espíritos: “Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram? Resposta: São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma ordem superior”. Podemos classificar os Espíritos segundo ao seu grau de adiantamento, sendo assim:

– Terceira ordem: Espíritos imperfeitos, que possuem a predominância da matéria sobre o espírito. São ignorantes, orgulhosos, egoístas e propensos ao mal. Tem a intuição de Deus, mas não o compreendem. Nem todos são essencialmente maus, em alguns há mais leviandade, inconsequência e malícia. Uns não fazem o bem nem o mal, mas pelo simples fato de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade.

– Segunda ordem: Espíritos bons, que possuem a predominância do espírito sobre a matéria. Tem o desejo e fazem o bem. Uns tem a ciência, outros a sabedoria e a bondade e os aliam às qualidades morais. Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons pelo bem que fazem.

– Primeira ordem: Espíritos puros, que não possuem nenhuma influência da matéria e tem superioridade intelectual e moral absoluta. São os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. São o que chamamos de anjos, arcanjos ou serafins.

O fato de não fazermos o mal não é o suficiente, devemos nos esforçar em fazer o bem, praticando o amor ensinado pelo nosso mestre Jesus há mais de dois mil anos. Uma das formas de fazermos isso é respeitarmos a condição moral e evolutiva de cada um e perdoarmos os erros alheios. Isso requer esforço, dedicação, disciplina e sacrifício, mas todos temos esse potencial, pois essa é a nossa missão. Emmanuel nos falou através de Chico Xavier: “Não há progresso sem esforço, vitória sem luta, aperfeiçoamento sem sacrifício e tranquilidade sem paciência”.

Eduardo Battel*

Fonte: Kardec Rio Preto

*Frequentador do Centro Espírita Nova Luz e Centro Espírita João Batista em Jundiaí/SP. Expositor Espírita. Coordenador da Liga de Medicina e Espiritualidade da Faculdade de Medicina de Jundiaí, SP.
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