CURA PELA FÉ

José Rodrigues

O Japão, um país praticamente todo dedicado à doutrina Budista, no ano de 1973 logo após Chico fazer sua apresentação no programa Pinga Fogo da TV Tupi, um rapaz que sofria enorme mal estar pela doença perniciosa que tinha: leucemia, sonhava com a cura. Por ser de família tradicional daquele país e por ter posses, o rapaz foi tratado por toda a medicina disponível no mundo e nada que a ciência pudesse fazer pelo jovem com sede de viver.

Certo dia recebeu em sua casa alguns presentes de parentes que viviam no Brasil e entre esses, uma fita cassete com uma palestra de Chico Xavier e ao vê-la, disse aos familiares que aquele homem poderia lhe curar. Começou nesse momento seus pedidos ao seu Deus para que pudesse receber deste a cura que tanto queria.

Após alguns anos de quando suas forças já estavam se perdendo, numa noite fria daquele país, o jovem japonês em um fenômeno sonambulismo vê entrar em seu quarto três pessoas: um era o Chico e os outros dois eram desconhecidos; um dos dois desconhecidos tocou em sua coluna com o indicador direito e ele sentiu como se tivesse recebido uma injeção fluídica e após isso ficou curado causando espanto a ciência médica da época.

Agradecido a Deus pelo ensejo, resolveu o jovem vir ao Brasil visitar o médium mineiro e com a ajuda de um interprete foi até a Uberaba visitar Chico; contou a ele seu feito e agradeceu pela cura contando sobre a visita do médium ao país oriental. Chico com aquele jeitinho de sempre e sorridente abraçou o jovem e disse que Jesus sempre atende quem tem fé e tomando de um quadro que estava dependurado a parede, ofereceu como presente ao jovem japonês. O jovem assustado disse: _ foi esse homem que tocou a minha coluna naquela noite em que o senhor me visitou com mais dois homens… e virando os olhos a outro quadro dependurado do outro lado falou: _ e aquele alí é o outro!

Chico emocionado e com os olhos rasos de lágrimas respondeu: _ Esse de barba branca e de olhos azuis é Dr. Bezerra de Menezes e esse outro é Emmanuel!

A história mostra que quando temos fé e merecimento, mesmo estando em lugares remotos os nossos amigos espirituais estão sempre presentes. Jesus disse: _ Onde estiver um ou dois reunidos em meu nome, ali estarei com eles! E Jesus não atende somente os Cristãos… Jesus atende quem D’Ele precisa sendo ou não cristãos… Jesus pode ser ao mesmo tempo todas as entidades conhecidas pelo mundo a fora indiferentemente de bandeira religiosa! Pensemos nisso.

José Rodrigues

Fonte: Espiritismo na Rede

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DESAJUSTES NO CASAMENTO

Emmanuel

“Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.” O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – Cap. X, Item 16

É comum observar-se que o casamento promissor repentinamente adoece.

Desvelam-se empeços dos cônjuges no ramerrão do cotidiano. Conflitos, moléstias, desníveis, falhas de formação e temperamento. Em certos lances da experiência, é a mulher que se consorciou acreditando encontrar no esposo o retrato psicológico do pai, a quem se vinculou desde o berço; em outros, é o homem a exigir da companheira a continuidade da genitora, a quem se jungiu desde a vida fetal..

Ocorre, porém, que o matrimônio é uma quebra de amarras através da qual o navio da existência larga o cais dos laços afetivos em que, por muito tempo, jazia ancorado. Na viagem, que se inicia a dois, parceiro e parceira se revelarão, um à frente do outro, tais quais são e como se encontram na realidade, evidenciando, em toda a extensão, os defeitos e as virtudes que, porventura, carreguem. Desajustes e inadaptações costumam repontar, ameaçando a estabilidade da embarcação doméstica, atirada ao navegar nas águas da experiência.

É razoável se convoque o auxílio de técnicos capazes de sanar as lesões no barco em perigo, como sejam médicos e psicólogos, amigos e conselheiros, cuja contribuição se revestirá sempre de inapreciável valor; entretanto, ao desenrolar de obstáculos e provas, o conhecimento da reencarnação exerce encargo de importância por trazer aos interessados novo campo de observações e reflexões, impelindo-os à tolerância, sem a qual a rearmonização acena sempre mais longe. Homem e mulher, usando a chave de semelhante entendimento, passam mecanicamente a reconhecer que é preciso desvincular e renovar sentimentos, mas em bases de compreensão e serenidade, amor e paz. Urge perceber que o “nós” da comunhão afetiva não opera a fusão dos dois seres que o constituem.

Cada parceiro, no ajuste, continua sendo um mundo por si. E nem sempre os característicos de um se afinam com o outro. Daí a conveniência do mútuo aceite, com a obrigação da melhoria do casal. Para isso, não bastarão providências de superfície. Há que internar o raciocínio em considerações mais profundas para que as raízes do desequilíbrio sejam erradicadas da mente. Aceitação, o problema.

Forçoso admitir o companheiro ou a companheira como são ou como se aboletam na embarcação doméstica. E, feito isso, inicie-se a obra da edificação ou da reedificação recíprocas.

Obvio que conclusões e atitudes não se impõem no campo mental; entretanto, não se arrependerá quem se disponha a estudar os princípios da reencarnação e da responsabilidade individual no próprio caminho.

Obtém-se da vida o que se lhe dá, colhe-se o material de plantio.

Habitualmente, o homem recebe a mulher, como a deixou e no ponto em que a deixou no passado próximo, isto é, nas estâncias do tempo que se foi para o continuísmo da obra de resgate ou de elevação no tempo de agora, sucedendo o mesmo referentemente à mulher. O parceiro desorientado, enfermo ou infiel, é aquele homem que a parceira, em existências anteriores, conduziu à perturbação, à doença ou à deslealdade, através de atitudes que o segregaram em deploráveis estados compulsivos; e a parceira, nessas condições, consubstancia necessidades e provas da mesma espécie.

Tão-somente na base da indulgência e do perdão recíprocos, mais facilmente estruturáveis no conhecimento da reencarnação, com as imbricações que se lhe mostram consequentes na equipe da família, conseguirão o companheiro e a companheira do lar o triunfo esperado, nas lides e compromissos que abraçam, descerrando a si mesmos a porta da paz e a luz da libertação.

Emmanuel

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 12

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O ABORTO PODE SER CONSIDERADO LIVRE-ARBÍTRIO?

Fernanda Oliveira

“Há, sim, a inconsciência prodigiosa
Que guarda pequeninas ocorrências.
De todas as vividas existências
Do Espírito que sofre, luta e goza.
Ela é a registradora misteriosa
Do subjetivismo das essências,
Consciência de todas as consciências,                    Fora de toda a sensação nervosa.
Câmara da memória independente,
Arquiva tudo rigorosamente
Sem massas cerebrais organizadas,
Que o neurônio oblitera por momentos,
Mas que é o conjunto dos conhecimentos
Das nossas vidas estratificadas” (Augusto dos Anjos)

O livre-arbítrio é a capacidade que o ser humano tem de determinar a própria conduta, porque pode pensar e agir. Todos os seres possuem aptidão para progredir em virtude da sua liberdade de escolha, e cada um responde pelas conseqüências diretas e naturais dessas escolhas. O direito natural de liberdade está atrelado ao de responsabilidade, ou seja, quanto mais livre é o indivíduo, mais responsável ele deve ser. A responsabilidade produz o amadurecimento do ser ao longo das experiências vividas nos planos material e Espiritual.

A liberdade nos é concedida para que possamos ter uma visão mais lúcida de nós mesmos e das demais pessoas, de forma a discernir que papel devemos exercer na sociedade, quais são os nossos limites e possibilidades. Segundo Leon Denis no livro O Problema do ser, do destino e da dor:

O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência. Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão. (DENIS, 2005).

Todo Espírito encarnado ou desencarnado possui capacidade e aptidão para o exercício de diferentes atos; cada um tem a faculdade de escolher livremente a sua dinâmica de vida. Vidas são feitas de tempo, cada direção tomada é escolhida com base em algum conhecimento. Somos livres para seguir nossos valores e intuição e apostar no que o coração indica.

Segundo a definição do Dicionário Online de Português (ABORTO, 2021), aborto é a interrupção voluntária ou provocada de uma gravidez; o próprio feto expelido ou retirado antes do tempo normal; feticídio; interrupção intencional da gravidez da qual resulta a morte do feto. O aborto é um tema complexo que, muitas vezes, passa por crivos morais, ideológicos e religiosos e em muitos casos não é recebido pela ótica da saúde pública. É cercado de acusações íntimas, tornando-se um assunto difícil e delicado, com muitas nuances, divergências e discordâncias.

A cultura funciona para preservar e dar continuidade a um povo, é feita pelas pessoas e está sempre em transformação. A Revolução Agrícola modificou a forma de ser e viver dos indivíduos. Deixamos de ser nômades, sem habitação fixa e mudando sempre para sermos sedentários com residência fixa e cultivo dos próprios alimentos. A partir desse sedentarismo, construímos relações mais efetivas e afetivas com os nossos semelhantes, e a partir daí surge a família e as funções referentes aos papéis desempenhados dentro dela.

Quando o ser humano é reduzido a determinado papel retiramos a sua humanidade e o transformamos em objeto. Desde cedo as meninas são ensinadas a serem mães, divulgam uma idéia romântica e irreal da maternidade, mas toda mãe é um ser humano, um Espírito imperfeito em busca de evolução, e não alguém com superpoderes ou amor incondicional e infinito. A vida é feita de escolhas diárias, não precisamos problematizar tudo, pois não existe uma regra geral a ser seguida. Cada ser humano é um ser único, incomparável, nem melhor ou pior. Pessoas são diversas. São muitas as imposições criadas em nossa sociedade condicionando a mulher a assumir formas que agradam os outros, precisamos romper com uma visão única. A verdadeira consciência social é aquela que quer para os outros a mesma dignidade que quer para si. Não podemos florear toda gravidez, algumas são fruto de agressão, abusos, ignorância e muita dor. É necessário pensar além do senso comum, mulheres de classe privilegiadas pagam por procedimentos seguros, enquanto mulheres pobres ficam com danos graves à saúde ou morrem. O Ministério da Saúde registra 250 mil internações em decorrência de complicações no aborto.

Quando é mais significativo cativar uma crença, um dogma, um achismo e tornar-se escravo de padrões impostos, do que o respeitar a escolha de um ser humano, demonstramos a perda da capacidade de empatia e compaixão. Fala-se muito em empatia, colocar-se no lugar do outro é uma construção intelectual, moral e ética.

É imperioso superar crenças, dogmas religiosos ou sociais e superstições difundidas ao longo do tempo que terminam por impedir que cada indivíduo desenvolva com seu livre-arbítrio a sua personalidade e as suas competências.

A Justiça Divina se faz pelo tribunal da consciência, dotado de livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o Espírito o construtor de seu destino. Somos julgados por nosso próprio julgamento. Nossos sofrimentos são resultados de nossas condutas errôneas e indevidas no mundo terreno: “a cada um segundo as suas obras.” Deus espera que cada um faça a sua parte de acordo com as suas possibilidades.

O Espiritismo é a doutrina da liberdade de escolhas, da responsabilidade pessoal, da atitude autônoma diante da vida. As dificuldades, tribulações, dores enfrentadas na existência fazem parte de superação do Espírito que busca ganhar o domínio de si mesmo.

Não podemos julgar sem conhecer os fatos envolvidos nas escolhas das outras pessoas; não podemos ter uma opinião absoluta e concreta. Não sabemos como já erramos em outras vivências, a transformação vem no caminhar com erros e acertos, e não estamos aqui para julgar, ofender e humilhar as escolhas alheias.

A Doutrina Espírita elucida que há crime sempre que a lei de Deus é descumprida. Apesar disso, no Livro Dos Espíritos (KARDEC, 2019), acautela-se que se deve sacrificar o ser que ainda não existe e não sacrificar o que já existe, quando a mãe está em risco de vida. Então, o princípio não é absoluto. É preciso respeitar as escolhas, cada indivíduo tem seu próprio caminho. O aborto pode ser um ato imediatista de ignorância e da incapacidade do ser encarnado de pensar e conhecer além de sua experiência e vivência; pode ser uma escolha que sabote um potencial de evolução Espiritual ou moral, comprometendo o próprio desenvolvimento pessoal. Mas é também uma proibição que acaba fazendo com que outras práticas coloquem em risco a vida de mulheres e meninas. As estatísticas dos países onde o aborto é legalizado mostram que o número de abortos diminuiu; quando uma mulher aborta, há a necessidade de uma vida insatisfeita. Pode ser que a mulher optou por essa escolha por não ter acesso a métodos contraceptivos, informação e instrução sobre saúde sexual, que ela tenha sofrido violência ou abuso. Se o aborto é descriminalizado, essa mulher confia nos profissionais de saúde e consegue ter conhecimento para prevenir um segundo aborto. Essa mulher passa ter informação e aprendizado, vira fonte de informação para outras mulheres e para a comunidade onde vive, mudando a cultura local.

A liberdade de escolher é atributo fundamental da alma humana, base de sua moral. O desenvolvimento do livre-arbítrio segue o da inteligência. O saber traz discernimento para as responsabilidades diárias.

Vamos caminhando buscando pautar nossas escolhas na seara do bem, procurando o caminho da paz e do amor.

Fernanda Oliveira

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

  • ABORTO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Disponível em: . Acesso em: 20 de maio de 2021.
  • DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor: os testemunhos, os fatos, as leis. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
  • FIGUEIREDO, Paulo Henrique de. Autonomia, a história jamais contada do Espiritismo. São Paulo: Feal, 2019.
  • SAMPAIO, Lucas. Nem céu nem inferno – As leis da alma segundo o Espiritismo. São Paulo: Feal, 2020
  • GONÇALVES, Marli. Feminismo no Cotidiano. São Paulo: Editora Contexto, 2019.
  • KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Catanduva: Editora Boa Nova, 2005.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019.
  • KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo: noções elementares do mundo invisível, pelas manifestações dos Espíritos. 52. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
  • XAVIER, Francisco Cândido. Parnaso de Além-túmulo: poesias mediúnicas. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
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O Desencarne Após Consumo de Álcool e Drogas

Priscila Gonçalves

“Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito.”

Efésios 5:18

Vivemos em um mundo de energias densas e nosso corpo físico é, por si só, feito de matéria densa. Reencarnamos na Terra com diversos propósitos e, dentre eles, experimentar e experenciar as mais diversas “criações” humanas e também as criações de Deus.

Somos convidados a todo instante a nos reunir e compartilhar de comida, bebida, algumas vezes drogas lícitas e ilícitas, a fim de fugir da realidade que por vezes nos assola os campos mental e emocional de forma violenta. Alguns não conseguem desvencilhar-se facilmente destes caminhos tortuosos que são os vícios, e todos nós carregamos conosco em nossa bagagem de outras existências alguns traços peculiares e sequelas de vícios previamente adquiridos. Todos estes fatores resultam em um grande potencial de tragédias individuais e coletivas, de indivíduos que não conseguem resistir aos seus mais profundos vícios e aos convites às substâncias nocivas à nossa saúde, que vêm maquiados de reuniões amigáveis e confraternizações.

Todos conhecem de cor e salteado talvez uma das mais famosas passagens do Evangelho:

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine. (BÍBLIA, 2021).

Tudo nos é permitido uma vez que somos dotados do livre arbítrio, e por ele podemos fazer nossas escolhas; porém, nem tudo nos convém, e temos também que utilizar do nosso discernimento e sabedoria para resultar nas nossas ações. Para tudo temos o nosso livre arbítrio, mas temos que refrear nossos impulsos, não deixando que os instintos primitivos nos dominem.

Na teoria são palavras belas, e pensar sobre este contexto nos parece algo simples, mas, quando temos que lidar verdadeiramente com nosso Eu, quem nós somos em essência, o trabalho torna-se complexo.

O consumo excessivo de álcool e uso de drogas lícitas e ilícitas para afugentar dores, sofrimentos e traumas gera uma cadeia de acontecimentos trágicos ao longo do tempo.

A começar pela presença constante de obsessores e outros Espíritos desencarnados que ainda não se desligaram completamente da matéria, e utilizam das afinidades energéticas encontradas em nós para continuarem alimentando seus vícios. Isso torna-se frequente, e, sem um devido cuidado e tratamento adequados por parte do encarnado já imerso no vício, acarreta, dentre outras causas, a morte por suicídio também.

– “Segundo a ideia, muito falsa, de que não se pode reformar sua própria natureza, o homem julga-se dispensado de fazer esforços para corrigir os defeitos em que se compraz voluntariamente. Isso lhe exigiria muita perseverança; é assim, por exemplo, que o homem inclinado à cólera quase sempre se desculpa por seu temperamento. Em vez de se considerar culpado, atribui a falta a seu organismo, acusando assim a Deus dos defeitos que são dele. É ainda uma consequência do orgulho que se encontra misturado a todas as suas imperfeições.

Certamente, há temperamentos que se prestam, mais que outros, a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor a esforços violentos. Mas não acrediteis que esteja nisso a causa primeira da cólera; persuadi-vos de que um Espírito pacífico, mesmo em corpo bilioso, sempre será pacífico, e um Espírito violento, em um corpo linfático, não seria por isso mais dócil. Apenas a violência tomaria um outro caráter: não tendo um organismo apropriado a apoiar sua violência, a cólera seria concentrada, e, no outro caso, seria expansiva. O corpo não dá mais cólera àquele que não a tem, assim como não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito.

Sem isso, onde estaria o mérito e a responsabilidade? O homem, que é disforme, não pode se tornar reto, porque o Espírito nada tem com isso, mas pode modificar o que é do Espírito quando tem vontade firme. A experiência não vos prova, espíritas, até onde pode ir o poder da vontade, através das transformações verdadeiramente miraculosas que vedes operarem-se? Dizei, pois, que o homem só permanece vicioso porque quer permanecer vicioso. Mas aquele que quer se corrigir sempre o pode, pois de outra forma a lei do progresso não existiria para o homem. (Hahnemann. Paris, 1863). Kardec (2019).” –

O desencarne após consumo de álcool e drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, gera danos seríssimos ao Espírito, uma vez que existe ainda um apego ao material, ao vício que se tornou parte de seu ego.

Assim, o desligamento do Espírito do corpo carnal é cada vez mais difícil, ficando o Espírito na erraticidade por muito e muito tempo, até que tome consciência de seu estado e procure ajuda da Espiritualidade Superior. Mesmo depois, em encarnações futuras, o Espírito pode levar consigo traços dessas vivências, acumulando débitos mais complexos para vencer, e seu processo evolutivo torna-se então mais doloroso.

São estas e várias outras consequências para os exageros que cometemos.

Lembremos que tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém, pois, nem tudo que existe na Terra nos é benéfico. A chave está em cuidar não só da nossa depuração moral, que é uma responsabilidade e compromisso constantes, mas também da melhora do nosso corpo físico, que é o veículo do Espírito neste mundo.

Priscila Gonçalves

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

  • BÍBLIA Sagrada Online. 1 Coríntios 6:12. Disponível em: https://www.bibliaon.com/versiculo/1_corintios_6_12/. Acesso em 20 jun. 2021.
  • KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capivari: EME, 2019.
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Poluição e Psicosfera

Joanna de Ângelis

Poluição atmosférica imagens de stock, fotos de Poluição atmosférica |  Baixar no Depositphotos

Ecólogos de todo o mundo preocupam-se, na atualidade, com a poluição devastadora, que resulta dos detritos superlativos que são atirados nos oceanos, nos rios, lagos e “terras inúteis” circunjacentes às grandes metrópoles, como o tributo pago pelo conforto e pelas conquistas tecnológicas, desde os urgentes ingredientes e artefatos para a sobrevivência, às indústrias bélicas, às de explorações novas, às “de inutilidade” que atiram fora centenas de milhões de toneladas de lixo, óleos e resíduos em todo lugar.

Além dessas, convém recordarmos a de natureza sonora, dos centros urbanos, produzindo distonias graves e contínuas…

Os mais pessimistas, porém, prevêm a possível destruição da vida vegetal, animal e hominal como efeito dos excessivos restos produzidos pelos engenhos de que o homem se utiliza, e logo o esmagarão após transformar a Terra num caos…

Mais grave, demonstram os técnicos no assunto importante, é a poluição atmosférica, graças às substancias venenosas que são expelidas pelas fábricas em forma de resíduos, pelos motores de explosão a se multiplicarem fantástica, insaciavelmente, e os inseticidas usados para a agricultura…

Voluptuoso e desconsertado por desvarios múltiplos do homem, as máquinas avançam, dirigidas pela inconcebível ganância, desbastando reservas florestais e influindo climatericamente com transformações penosas nas regiões, então, vencidas…

O espectro de calamidades não imaginados ronda e domina com segurança muitos departamentos ambientais ora reduzidos à aridez…

Cifras assustadoras denotam o quanto se desperdiça na inutilidade—embora a elevada estatística chocante dos que se estorcegam na mais ínfima miséria, rebocando-se na coleta dos montes de lixo, a cata de destroços de que possam retirar o mínimo para sobreviver!—comprovando que no galvanizar das paixões, o homem moderno, à semelhança de Narciso, continua a contemplar a imagem refletida nas águas perigosas da vaidade e do egoísmo em que logo poderá asfixiar-se, inerme ou desesperado. No entanto, irrefletido, impõe-se exigências dispensáveis, a que se escraviza, complicando a própria e a situação dos demais usuários dos recursos da generosa mãe-Terra.

Nesse panorama deprimente, e para sanar alguns dos males imediatos e outros do futuro, sugestões e programas hão surgido preocupando as autoridades responsáveis pelos Organismos Mundiais, no sentido de serem tomadas providências coletivas e salvadoras urgentes. Algumas já estão sendo postas em prática, embora em número reduzido, tais o reflorestamento; a ausência de tráfego com motores de explosão em algumas cidades uma vez por semana; a tentativa da industrialização do lixo, com aproveitamento de energia, adubos e outros; controle no uso de pesticidas na lavoura; técnicas não poluentes com o fim de gerar energia; as áreas verdes na cidades; a segurança por meio de controle das experiências nucleares, a fim de ser evitada a contaminação . . .

Afirma-se que por onde o homem e a civilização passam ficam os sinais danosos da sua jornada, em forma de aridez, destruição e morte.

As grandes Nações materialmente, estruturadas e guindadas ao ápice pela previsão futurológica de mentes e computadores que prometiam tudo resolver, fazendo soberbas e vãs as criaturas, foram surpreendidas, há pouco, pelas conseqüências gerais da própria impetuosidade, no resultado da guerra no Oriente Médio, fazendo-as parar e modificando, em muitas delas, as estruturas e programas, previsões e soberania pelas exigências do deus petróleo em que estabeleceram as bases do seu poderio e das suas glórias, decepcionadas, atônitas..

Algumas tiveram a economia abalada, padecendo crises que resultaram do gravame geral, modificando a política interna e externa, num atestado de nulidade quanto aos compromissos humanos assumidos, à segurança e precariedade das humanas forças.

Como resultado, apressam-se as negociações internacionais por acordos diplomáticos e conchavos político-econômicos, enquanto a fome, campeando desassombradamente, confirma a falência dos cálculos e das fantasias materialistas, visivelmente per turbadas no testemunho dos seus líderes em convulsas transações com que tentam reequilibrar o poderio avassalado, quando, não, perdido.

O poder de um dia, qual efêmera glória, sempre muda de mão e local, fazendo oscilarem, mudarem de rumo os interesses e as supostas proteções, fruto, indubitavelmente, de uma poluição descuidada—a de natureza moral!

A força e a grandeza de alguns povos até há pouco mandatários da Terra cederam lugar aos potentados reais, que se demoravam desconsiderados e as exigências da fome ameaçadora e voraz os situou como as legitimas potências que são disputadas, após o deus negro: o arroz, o trigo, o milho e o sorgo cujos celeiros, quase vazios no mundo, deles necessitam com urgência para a sobrevivência dos seres

Todavia, o homem ingere e disparate mais terrível poluição, venenosa quão irrefreável graças ao cultivo de lamentáveis atitudes em que persevera e se compraz: referimo-nos à poluição mental que interfere na ecologia psicosférica da vida inteligente, intoxicando de dentro para fora e desarticulando de fora para dentro.

Estando a Terra vitimada pelo entrechoque de vibrações, ondas e mentes em desalinho, como decorrência do desamor, das ambições desenfreadas, dos ódios sistemáticos, as funestas conseqüências se faz em presentes não apenas nas guerras externas e destrutivas, mas também nas rudes batalhas no lar, na família, no trabalho, nas ruas da comunidade, no comportamento. Intoxicado pela ira, vencido pelo desespero que agasalha, foge na direção dos prazeres selvagens nos quais procura relaxar tensões, adquirindo mais altas cargas de desequilíbrio em que se debate.

A poluição mental campeia livre, favorecendo o desbordar daquela de natureza moral, fator primacial para as outras que são visíveis e assustadoras.

O programa, no entanto, para o saneamento de tão perigoso estado de coisas, já foi apresentado por Jesus, o Sublime Ecólogo que em a Natureza, preservando-a, abençoando-a, dela se utilizou, apresentando os métodos e técnicas da felicidade, da sobrevivência ditosa nos incomparáveis discursos e realizações de que inundou a História, estabelecendo as bases para o reino de amor e harmonia, sem fim, sem dores, sem apreensões…

Nunca reagiu o Mestre—sempre agiu com sabedoria

Jamais se permitiu ferir — deixou-se, porém, crucificar,

Nenhuma agressão de Sua parte—facultou-se, no entanto, ser agredido.

Por onde passou, deixou concessões de esperança, bálsamo de reconforto, amenidade e paz. Seus caminhos ficaram floridos pelas alegrias e abençoados pelos frutos da saúde renovada.

Rei Solar, fez-se servo humilde de todos, mantendo-se inatingido, embora o ambiente em que veio construir a Vida Nova para os tempos futuros.

Repassa-Lhe a sublime trajetória.

Busca-O!

Faze uma pausa na terrível conjuntura em que te encontras e recorda-O.

Para toda enfermidade, Ele tem a eficiente terapia; para as calamidades destes dias, Ele tem a solução.

Ama e serve, portanto, como possas, quanto possas, quando possas.

A Terra sairá do caos que a absorve e voltarão o ar puro, a água cristalina, a relva repousante, o trinar dos pássaros, o fulgor do sol e o faiscar das estrelas em nome do Pai Criador e de Jesus, o Salvador Perene de todos nós.

Joanna de Ângelis

Livro: Após a Tempestade – Psicografia de Divaldo Pereira Franco

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Igualdade dos Espíritos

Miramez

Os espíritos são iguais na sua genealogia, mas, diferentes no que se refere ao despertamento espiritual. Cada um se situa no grau de evolução conquistado; cada alma é, pois, um mundo diferente em todos os aspectos que se possa conceber, nos seus vários níveis de saber. A igualdade no aprimoramento se perde na infinita pauta da sabedoria universal. E Deus, onisciente, criou leis justas e sábias, no sentido de dar a cada um o que esse realmente merece, de acordo com o que oferta.

A grandeza da criação está na variedade, e a natureza nos dá uma amostra dessa beleza na fauna e na flora. A diversidade em todos os reinos do mundo mostra-nos a mão de Deus na construção do belo, nas mudanças de formas de tudo que existe. Em cada uma nota-se uma força inteligente no comando, com toda a certeza do que está fazendo.

Os espíritos são de diferentes ordens, pelo grau alcançado por cada um, e certamente isso é uma hierarquia espiritual, não por imposição ou dádiva, mas, por conquista. É o próprio tempo que trabalha na maturidade do espírito. A superioridade alcançada pelo despertamento espiritual se faz onde quer que seja, sem afrontas, sem agressão e sem comércio; é uma luz que se irradia em todas as direções, abençoando e amando com um único impulso no coração, o da verdadeira fraternidade. No mundo físico pode-se observar como espelho, o corpo de carne de um simples camponês e o de um estadista, de uma doméstica e o de uma rainha. Os corpos são semelhantes sem que haja grandes diferenças, todavia, pelas conquistas alcançadas de uma faixa para outra, nota-se que cada qual se situa em um plano de vida diferente. Ao se verificar mais adiante, e observará que o corpo de um santo e o de um pecador são iguais nas suas estruturas. A formação biológica é a mesma, porém, a vida de um é diferente da do outro, mas Deus dá a ambos a mesma assistência. O que ocorre, é que o santo assimila mais as bênçãos do Senhor, compreende Suas leis e as respeita e o pecador ainda se encontra cego e surdo ao chamado de Deus. No mundo espiritual existem igualmente essas divisões, não por favorecimento, mas por justiça. Colhemos justamente o que plantamos na lavoura da consciência, e ela nos responde fielmente pelo que somos. Eis o amor dAquele que fez todas as leis, e assiste todas as criaturas, filhas do Seu magnânimo coração.

Nunca faltam escolas para todos, e cada um recebe o de que precisa na escala a que pertence, porém, o modo de ensinar de Deus é bem diferente do dos homens; Ele, o Senhor, ministra ensinamentos a cada um separadamente, atendendo suas necessidades com todo empenho de servir e todo o amor de Pai que nunca esquece Seus filhos. Nós outros é que somos, às vezes, rebeldes e custamos a aprender as lições, e em muitos casos aparece em nós a dor, para nos mostrar com mais energia os caminhos do aprendizado.

Estamos passando uma fase dolorosa na Terra, um fechamento de ciclo, de duras provações individuais e coletivas. É, pois, uma necessidade de limpeza cármica, como sendo a de um tumor na sociedade a que pertences. Não há outro recurso, a não ser o da própria dor, em formas variáveis, para despertar o coração da humanidade para o amor, aquele que Jesus viveu e ensinou. Um dia, certamente seremos todos iguais, mesmo em se falando daqueles espíritos que já atingiram a pureza: basta atingirmos a maturidade que eles já conquistaram!

Miramez

Psicografia de João Nunes Maia

Livro: Filosofia Espírita – volume 2

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Comida e Egoísmo

Marcelo Teixeira

Em um artigo escrito anteriormente (“Nem pera, nem uva, nem maçã”), prometi que voltaria a tratar do assunto comida/fome. Eis-me aqui novamente.

Decidi abordar a questão pelo viés do egoísmo porque comida e egoísmo, como diz o título, parecem andar de mãos dadas. Muito do que tenho observado e presenciado, seja nos assuntos mais complexos (fome no mundo, exportação de alimentos, alta de preços de produtos como arroz e leite) como nos mais triviais (“Farinha pouca, meu pirão primeiro”) tem sua origem na mais humana de todas as imperfeições. A mais difícil de ser desenraizada, já que “deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, ainda não pôde libertar-se e para cuja manutenção tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação” como bem evidencia Allan Kardec na questão 917 de “O Livro dos Espíritos”.

Uma educação voltada para o egoísmo é uma educação em que meus interesses e necessidades vêm primeiro. E quando falo de interesses, enfatizo, englobo tanto fatos que envolvem a economia mundial quanto trivialidades da vida cotidiana. Vou começar por uma escandalosa e terrível questão complexa: a exploração de mão de obra para produção de chocolate.

O site Repórter Brasil, em matéria publicada em 20 de agosto de 2020, denunciou que pelo menos 148 pessoas foram resgatadas, entre 2005 e 2020, de trabalho escravo em fazendas de cacau, boa parte delas na Bahia e no Pará. Além da suprema violação ao direito humano – trabalho escravo –, os agentes do Ministério Público do Trabalho encontraram, no rastro, outras tantas – e igualmente revoltantes – violações: ameaças dos patrões, condições degradantes de moradia e higiene, servidão por dívidas, salários que não chegam à metade do mínimo, falta de acesso à água potável e, infelizmente, trabalho infantil. Tudo isso para favorecer uma cadeia de negócios que envolve fazendeiros, atravessadores, gigantes do agronegócio, além dos fabricantes dos bombons e barras de chocolate que adoramos consumir.

As fronteiras dessa grave realidade se expandem até a África, onde a Costa do Marfim se vale da exploração de mão de obra infantil vinda de um país vizinho e bem empobrecido: Burkina Fasso. “Essas plantações constituem a maior fonte mundial de cacau e servem como cenário a uma epidemia de trabalho infantil que as grandes companhias mundiais de chocolate prometeram erradicar quase 20 anos atrás”, diz reportagem publicada pelo jornal “Folha de São Paulo” em 17 de julho de 2019. Nela, Abou, um menino de 15 anos, declara que foi para a Costa do Marfim há cinco anos para poder ir à escola, mas está pelo mesmo período sem frequentar uma. É o cacau que ele e outros meninos colhem que irá abastecer as grandes marcas europeias de chocolate. Um chocolate que Abou e seus colegas têm muito pouca chance de provar. Até quando essa avidez incessante por lucro e alimentos fará o dito Primeiro Mundo esmagar o Terceiro Mundo? Egoísmo entranhado em nossa viciada organização social, como bem aponta Kardec. Gente sendo explorada, vilipendiada e passando fome para que chocolates sejam consumidos e saboreados tanto na mesa de uma família de classe média como em sofisticadas lojas de países como Bélgica, França e Suíça.

Saio do complexo e entro no trivial, ou seja, no egoísmo na hora de, digamos, encher o próprio prato (ou o próprio bucho). Sou doceiro. Adoro ir para a cozinha preparar bolos e sobremesas variadas. E publico as fotos nas redes sociais, o que costuma causar furor. Alguns amigos do centro espírita do qual faço parte viviam me cobrando levar um bolo para a cantina, que sempre funciona nos dias de reuniões públicas doutrinárias. Um dia, sem avisar, apareci com um bolo de manga numa terça-feira à noite, horário em que também há grupos de estudos. Em três tempos, o bolo acabou. Algumas pessoas compraram um ou mais pedaços para levar para casa, outras consumiram a iguaria ali mesmo. Resultado: dobrei o faturamento da cantina, o que me deixou satisfeito e sem jeito ao mesmo tempo, confesso.

Na terça-feira seguinte, eu não fui ao centro. Quinze dias depois de o bolo de manga ter sido apreciado, mal eu ponho o pé na cantina, ouço do responsável o seguinte: “Marcelo, na semana passada, o povo estava indócil aguardando a tua chegada. Estavam ansiosos para ver se você traria bolo novamente e pedindo para reservar duas, três e até quatro fatias para levarem para casa.” Fiquei mais chateado que lisonjeado. Alguns colaboradores do centro gostaram tanto do bolo que queriam levar para casa boa parte de um provável segundo exemplar. Mas e a pessoa que quer comer apenas um pedaço no balcão da cantina? Como ela ficaria? Comida, para mim, tem muito a ver com partilha e congraçamento. Eu não havia assado um bolo para ser loteado por quatro ou cinco companheiros de ideal, mas para que o máximo possível de pessoas pudesse provar das suas cerca de 20 fatias. Confesso que não liguei mais de levar bolo para a cantina depois desse fato.

Constrangimento semelhante causou um companheiro de centro a quem chamarei de Vitório. Foi planejado um almoço beneficente com o objetivo de angariar fundos para um evento. Eu, Vitório e outros amigos ficamos encarregados da organização. Por força da profissão (sou publicitário, além de jornalista), estou acostumado a captar patrocínio. Por isso, consegui, com as confeitarias locais, cerca de 10 tortas para o buffet de sobremesas. Pouco antes de o centro abrir as portas para o público, Vitório disse o seguinte para a esposa: “Melinda, separa quatro fatias da torta da confeitaria XYZ para levarmos para casa! Vamos aproveitar que aqui, o preço é mais em conta!”

Eu e os demais integrantes da equipe organizadora olhamos para ele, entre atônitos e incomodados. Felizmente, ele percebeu e cancelou a reserva. Não teria o menor cabimento o público chegar e já encontrar uma torta mutilada. Detalhe: Vitório é da alta classe média; mora numa belíssima casa. Tem dinheiro de sobra para comprar uma torta inteira e levá-la para casa. Além disso, as tortas que foram doadas não estavam lá para serem consumidas primeiramente por nós, mas pelos que pagaram para almoçar. Quando chegasse a nossa vez de comer, nos serviríamos do que ainda lá estivesse. Simples assim. Só que o egoísmo sempre dá um jeito de aparecer e tentar estragar a festa confraternativa. Afinal, nossa educação (ou falta de) também concorre para isso, como bem explicita Kardec na já citada questão de “O Livro dos Espíritos”.

Termino esta crônica voltando à produção de chocolate na Costa do Marfim, país que é um dos maiores exportadores de cacau do mundo. Trata-se de uma indústria milionária, que movimenta bilhões por ano e divide o mundo entre glutões e pedintes por um motivo bem lamentável: as pessoas que trabalham nas plantações de cacau daquele país nunca haviam comido chocolate, ou seja, nunca haviam provado do produto que ajudam a fabricar.

Uma emissora de TV da Holanda, ao saber disso, enviou uma equipe de reportagem à Costa do Marfim. E com dezenas de barras de chocolate na bagagem. É tocante ver aquela gente extremamente simples e mal cuidada, morando em casas de taipa, secando sementes de cacau ao sol, provando chocolate pela primeira vez. Dá um misto de tristeza, revolta e vergonha. Aquele povo esquecido pelas benesses da sociedade de consumo nem sabia o nome da iguaria que ajuda a produzir. Alguns, inclusive, acreditavam que a semente do fruto era utilizada na produção de vinho. Uns se espantam com o dulçor, outros, ao provarem, concluem que é por causa do chocolate que os brancos são tão saudáveis. Há barras de chocolate na Costa do Marfim? Há. Só que elas custavam, à época da reportagem, o equivalente a R$ 6,00, e um camponês do cacau recebe por dia o correspondente a R$ 14,00 para sustentar a si e à família. Eis por que o egoísmo secular no qual nossa sociedade está estruturada precisa ser substituído por novas bases justiça, amor, caridade, igualdade e outras tantas sobre as quais lemos tanto, mas nem sempre sabemos como praticar ou sequer lutar por elas de forma racional e objetiva.

P.S.: minha fome de escrever sobre este assunto ainda não se esgotou. Aguarde mais crônicas.

Marcelo Teixeira

Fonte: Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE)

Bibliografia

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A FORÇA DO PENSAMENTO

Aryanne Karine

O pensamento é fonte oculta de direcionamento de nossos passos, sem ao menos percebermos. Através dele temos acesso a inúmeros caminhos, ferramentas e possibilidades que, por vezes, ao aplicarmos o piloto automático em nossa vida, acabamos sendo levados pelas consequências daquilo que pensamos e, por conseguinte, emanamos. E é sobre isso que vamos falar hoje, a força que emana daquilo que achamos estar seguro em nosso íntimo, onde, com a errônea e vaga visão, acabamos limitando que nosso pensar só a nós mesmos pertence, quando, na verdade, o pensamento é energia. Essa energia é emanada através do fluido cósmico universal e recebida ou pela pessoa que estamos a pensar, ou pelos Espíritos desencarnados que são atraídos pela energia de nossos pensamentos e permanecem conosco, por um processo como um ímã que traz, para junto de nós, os afins que vibram na mesma sintonia.

Para exemplificar esse ponto de uma forma bem simplista, quando estamos pensando em festa, bebidas e diversão, iremos atrair, por sintonia, Espíritos que, mesmo após o desencarne, permanecem no vício e na vontade de se deliciar com esses prazeres que tinham enquanto encarnados. Esses Espíritos, por sua vez, fomentam em nós ainda mais vontade e desejo em festas e bebidas, formando uma teia que prende o indivíduo que ainda não aprendeu as armadilhas em que esses desencarnados nos colocam, ou que, mesmo que tenham aprendido, não vigiam seus atos e, principalmente, pensamentos, para assim se manter em equilíbrio. O exemplo pode se estender ainda mais, para pensamentos sexuais, por exemplo, atraindo Espíritos que queiram sugar a energia que puderem, ou, como outros exemplos, Espíritos avarentos que ainda se ligam aos bens materiais, ou os que ainda estão em um estado de evolução primitivo que carregam em si, no plano Espiritual, sentimentos como ódio e revolta, e que se ligam pelo pensamento conosco, encarnados, quando emanamos também esse tipo de pensamento.

Tudo começa por nós e nossos instintos íntimos, começa dentro de nossas cabeças e corações com as intenções que vagam no universo pelo nosso pensar. Apesar de pouco notado, é no pensamento que iniciam todas as ações e é imprescindível que o vigiemos a cada instante, pois através dele é que flui a energia em que estamos mergulhados. Como quando, por exemplo, entramos em algum ambiente onde houve uma discussão, seja qual for o motivo, e sentimos a energia pesada do local, energia essa que começou através daquilo que a pessoa em questão pensou e sentiu, e, por fim, dispersou pelo ambiente, ainda que inconsciente de tal processo. O fluido cósmico universal, que se encontra em todo espaço, é energia primária para criação de tudo que é animado e inanimado, orgânico e inorgânico, material e Espiritual. Tudo parte desse princípio que ocupa o espaço, sendo, então, através desse fluído, a comunicação e força que o pensamento possui para emanar e atrair os afins de nossa vibração. E isso é retratado no quinto livro da codificação Espírita, o livro A Gênese, onde Kardec nos elucida que, apesar de ser o intermediário do pensamento, ele não é o pensamento em si, mas o agente que o transporta e dá vida, onde, mesmo confundindo-os como sendo um só, são distintos entre si:

As propriedades do fluído perispitual dão-nos disso uma ideia. Ele não é inteligente por si mesmo porque é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e percepções do espírito. O fluído perispitual não é o pensamento do espírito, mas o agente e o intermediário desse pensamento. Sendo ele o que transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido. Na impossibilidade em que nos achamos de isolar o pensamento, parece-nos que ele faz coro com o fluído, dando a entender que são uma coisa só, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluído se torna inteligente. (KARDEC, 2013, p. 54).

Todavia, muito além de ser o veículo de transmissão do nosso pensamento, transformando-o em energia, é através desse fluido também que nossas preces são sentidas por Deus, ainda quando a proferimos em nosso íntimo, sendo Deus onipresente através do seu fluido perispiritual, e, sobre isso, na sequência de A Gênese, Kardec menciona:

Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, Deus não precisa lançar o olhar do alto a intensidade. Para que nossas preces sejam ouvidas, não precisam transpor o espaço, nem serem ditas com voz retumbante, porque, estando Deus continuamente ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente. (KARDEC, 2013, p. 55).

Não é à toa que Jesus eternizou em seus lábios a frase “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (BÍBLIA ONLINE, 2021), pois é através da vigília e da compreensão da força e poder que carregamos em nosso pensar que deixamos de ser reféns de processos de obsessão, ou de auto obsessão, onde nós mesmos é que entravamos o nosso progresso, e passamos a ser conscientes de tudo que os nossos pensamentos são capazes de fazer.

E, mesmo achando que já é o suficiente, ainda há muitos aprendizados que podemos extrair da doutrina consoladora dos Espíritos, referentes aos nossos pensamentos. Como, por exemplo, a viagem entre tempo e espaço, possível a Espíritos que dominam essa faculdade, mas acessível a todos que querem desenvolvê-la. E, para esclarecer melhor esse tema, trazemos também do livro A Gênese o seguinte trecho:

Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se um limite qualquer para ele e porque, apesar da dificuldade com que nos defrontamos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer. (KARDEC, 2013, p. 90).

E também esse trecho do livro O Céu e o Inferno:

O mundo espiritual está em toda a parte, em torno de nós e no espaço, sem qualquer limite. Por terem natureza fluídica, os seres que compõem o mundo espiritual, em vez de se arrastar penosamente sobre o solo, transpõem grandes distâncias, com a rapidez do pensamento. (KARDEC, 2013, p. 33).

Um exemplo claro sobre essa viagem no tempo e espaço através do pensamento é o desdobramento, que se define por uma faculdade anímica, onde o Espírito se desliga parcialmente do corpo e, com a ajuda da Espiritualidade superior, auxilia em trabalhos diversos, com Espíritos sofredores, suicidas ou também estudando e se desenvolvendo no plano Espiritual.

Além de todas essas explicações pertinentes ao poder do pensamento, podemos ainda acrescentar que é através dele que, ao pensar em determinado Espírito que se encontra desencarnado, conseguimos mandar fluidos necessários para seu refazimento, ou mesmo uma ajuda e luz caso esteja em momento de perturbação. Tudo fruto dessa ligação poderosa que se dá iniciando em nosso pensar. Não só para amparo aos desencarnados, mas é através também das intenções que iniciam pelo pensamento que ocorrem os processos de curas mediúnicas, passes e todo auxílio ao corpo físico que necessita da troca de fluidos, feito pelo médium, que utiliza da força do seu pensamento para manipular as energias necessárias.

Podemos imaginar que, assim como os benéficos, nossos pensamentos sombrios também atravessam a linha de nosso íntimo e vagam no espaço ao encontro daqueles que pensamos, sejam eles encarnados ou não. O sentimento ruim acaba por formar laços ainda maiores e mais embaraçosos de romper quando despertarmos para a necessidade de buscar amor ao nosso próximo. É imprescindível que aprendamos a vigiar e compreender ainda mais sobre o quanto nosso pensamento influencia nas companhias ao nosso redor, assim como na nossa colheita futura, pois, apesar de acharmos que somente nossas ações são sementes que lançamos à espera do colher que estará por vir, também é de nossa responsabilidade a consequência daquilo que emanamos pelo nosso pensar.

E, justamente por isso, os Espíritos nos elucidam que:

A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza. (KARDEC, 2002, p. 184).

Ao conseguirmos controlar nossas ações primitivas, que voltemos nosso olhar para aquilo que estamos pensando, que busquemos a pureza nas ações e em nosso pensar, para, assim, estarmos certos de percorrer o caminho da porta estreita, que poucos são os que percorrem, mas que os Espíritos nos mostram ser o único caminho para elevação do nosso próprio Espírito.

Aryanne Karine

Fonte:  Blog Letra Espírita

 Referências:

  • BÍBLIA ONLINE. João 8:32. Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/acf/busca?q=jo%C3%A3o+8%3A32. Acesso em 20 de maio de 2021.
  • KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 5ª ed. Francesa. Brasília: Editora FEB, 2013.
  • KARDEC, Allan. O céu e o inferno: a justiça divina segundo o Espiritismo. Tradução de Maria Ângela Baraldi. 2ª ed. São Paulo: Mundo Maior Editora, 2013.
  • KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 120ª ed. Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002.
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SEXO E ESPIRITISMO – Adultério e Prostituição

Fernanda Machado

Queridos irmãos, neste artigo da série “Falando sobre sexo”, abordaremos os temas adultério e prostituição. Ao longo deste nosso estudo, já pudemos notar que é necessário compreender o sexo sob o ponto de vista espiritual, e não apenas material. Além disso, o assunto deve ser estudado com respeito e sem tabus, de forma clara para que possamos aprender a controlar as nossas paixões.

É interessante notar que Moisés trouxe, em um dos dez mandamentos, o tema adultério. É assim que o sétimo mandamento diz: “não cometais adultério”. Devemos entender, então, que desde muito tempo o homem entende o equívoco existente em tal atitude. Porém, até os dias de hoje, vemos muitos casos acontecerem, o tempo todo.

Nos relacionamentos conjugais em que há afeição verdadeira e recíproca, não há espaço para traição. Aqui, estamos nos referindo à afeição real, duradoura, que ocorre entre almas e que sobrevive à morte do corpo material. Haverá um dia em que os casais entenderão esse conceito e saberão que devem estar unidos, se apoiando mutuamente para que cada um progrida em sua evolução moral.

Já em uma relação adúltera, o infiel atrai a companhia de espíritos mal intencionados, já que encarnados e desencarnados estão sempre ligados por pensamentos parecidos. Em zonas boêmias onde impera a luxúria e a devassidão, é comum encontrarmos muitos espíritos acompanhando os homens e mulheres, pois conseguem participar e gozar de todo o ato sexual em conjunto com os encarnados. Também pode acontecer de um encarnado visitar o plano espiritual durante o sono, buscando lugares em que se concentram espíritos que buscam o sexo.

No livro Sexo Além da Morte, um dos personagens, que é casado, ao dormir acaba frequentando um bordel, em zonas inferiores do plano espiritual. Lá, se entrega ao adultério enquanto está em seu corpo espiritual. Ele justifica sua atitude dizendo que nunca obteve carinho da esposa e que optou por encontrar o prazer sexual dessa forma, já que não iria traí-la publicamente entre os homens da Terra.

Ao acordar, guarda a lembrança dessas orgias, porém acha que foram apenas sonhos ou pesadelos. Essa história deixa um alerta para que estejamos sempre vigilantes, a fim de evitar situações penosas e consequências ainda mais devastadoras.

Há maridos e esposas que, ao invés de traírem seus parceiros, optam por pagar uma ou um garota/garoto de programa. É importante salientar que no comércio do sexo, todos saem perdendo: quem paga, quem se vende e quem produz. Isso vale também para os filmes pornográficos. Em ambos os casos, o materialismo e o desejo de posse imperam.

Pode até ser que, de início, a prostituta se deslumbre com o tão falado “dinheiro fácil”: no entanto, ao longo do tempo percebe que a realidade é perversa e seu coração fica cada vez mais torturado. Mas e nos casos de necessidade financeira? Seria então permitido que a mulher venda seu próprio corpo?

Para esclarecer essa pergunta, vamos citar o livro Esculpindo o próprio destino, em que uma jovem chamada Rosimeire se vê em uma situação complicada. Sua mãe tem câncer de mama, porém elas não têm dinheiro para os tratamentos necessários e muito menos plano de saúde. O ex-chefe de Rosimeire, Rodrigo, se mostra disposto a pagar por todo o tipo de cuidados que a mãezinha precisasse, mas para isso a jovem deveria se entregar a ele fisicamente.

Rosimeire fica em dúvida de qual seria o correto proceder, e em suas reflexões entende que ficar com Rodrigo seria um erro, pois Jesus nos pediu que buscássemos a Ele nos momentos difíceis. Dessa forma, a jovem vence suas paixões, pois quando era ainda mais nova tinha sido garota de programa. Ela age certo ao recusar a oferta de Rodrigo e buscar outras formas de ajudar a mãe tão amada.

Portanto, prezados irmãos, aprendemos que sexo é sublime tesouro e não deve ser tratado com desrespeito. Deus nos concedeu esse corpo material como empréstimo, para podermos viver na Terra e superarmos as provas e expiações. Não devemos descuidar da nossa casa física de forma a aumentar ainda mais nossos débitos com as leis divinas. Que nós possamos ter sabedoria e discernimento para guiar nosso livre arbítrio rumo à evolução!

Que possamos aprender e evoluir juntos, rumo ao Criador!

Fernanda Machado

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

  • BARCELOS, W. Sexo e evolução. 3ª ed, FEB, Rio de Janeiro, 1994.
  • CHAGAS, J. Qual a visão espírita do adultério? 2017. Disponível em: https://radioboanova.com.br/estudo_espirita/qual-visao-espirita-do-adulterio/. Acesso em: 25 jun. 2019.
  • KARDEC, A. O evangelho segundo o espiritismo. FEB, Rio de Janeiro. Edição em formato digital.
  • KARDEC, A. O Livro dos espíritos. FEB, Rio de Janeiro. Edição em formato digital.
  • KÜHL, E. Sexo sublime tesouro, 1ªed, Editora espírita cristã Fonte Viva, Belo Horizonte, 1992.
  • NEILMORIS, L. Sexualidade sob um olhar espírita. Distribuição em formato digital pelo portal Luz Espírita, 2011.
  • RANIERI, R. A. O Sexo além da morte, orientado pelo espírito André Luiz. 10ªed, Editora da Fraternidade, Guaratinguetá, 1991.
  • RUIZ, A. L. Esculpindo o próprio destino, pelo espírito Lucius. 1ª ed e-book, Ide Editora, Araras, 2011.
  • VIEIRA, W. XAVIER, F. C. Evolução em dois mundos, pelo espírito André Luiz.
  • VIEIRA, W. XAVIER, F. C. Sexo e destino, pelo espírito André Luiz. 12ªed, FEB, 2008.
  • XAVIER, F. C. Vida e sexo, pelo espírito Emmanuel. 1ªed, FEB, 1970.
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DESENCANTO

Joanna de Ângelis

Por que te dizes frustrado ante os fatos que transcorrem de maneira inesperada, totalmente fora da tua programação e aturdindo-te?

Tens o roteiro seguro, que é a mensagem irretocável do Evangelho de Jesus, para seguir sem a menor margem de equivocação, ao tempo que os benfeitores espirituais te inspiram e socorrem?!

Quaisquer previsões dos técnicos em população e futurologia, cujas informações não têm sido confirmadas por motivos diversos, produzem-te choque emocional.

A sociedade da tecnologia e da computação tem comportamentos inesperados de acordo com as máquinas que rapidamente deixam de ser controladas e passam a conduzir as mentes para fins adrede estabelecidos.

A fascinante inteligência artificial parece pretender substituir os seres humanos em muitos misteres transcendentes quanto simples, condenando-os ao ócio dourado, à inutilidade, a novos vícios para a sobrevivência.

O excesso de prazeres produz o tédio, e as façanhas antes aterradoras passam a constituir-lhe motivo e estímulo para viver.

As máquinas destituídas de sentimentos fomentam o progresso intelectual e permanecem insensíveis aos efeitos emocionais e morais.

Os longos séculos de castração cultural foram substituídos pela liberação total e o ser humano passou a ser consumidor em processo de consumpção pessoal.

Afirmou com segurança Carl G. Jung que o ser humano é um animal eminentemente religioso, emocional, que necessita do outro para sentir-se completo.

Esse sentimento religioso não é em torno de uma crença metafísica, um teísmo qualquer ou ausência dele. Trata-se de uma religiosidade em torno dos seus ideais de transformação, de crescimento, de conquista do ser transcendente.

Ele raciocina que a vida, na sua magnitude, não pode finar-se com a morte, com a desintegração celular. Tudo à sua volta fala-lhe de complexidade, de infinitude, porque a ele e ao seu pensamento a fatalidade seria o aniquilamento.

A razão proclama-lhe a perenidade de pensar mediante a presença ou não das funções cerebrais.

Passada a atual crise pandêmica os valores indubitavelmente serão outros e a sobrevivência das massas se dará em gloriosos campos de fraternidade e auxílio recíproco.

Neste período de fragmentação social e de cada qual por si mesmo, na alucinada busca do prazer a qualquer custo, a alegria e a revolta andam juntas, de acordo com os ventos que as conduzem. Passa-se do prazer à violência por qualquer motivo e até mesmo quando esse não existe, por interpretação precipitada de algum gesto ou expressão.

O respeito pelo direito do outro, o dever de ser aquele quem proporciona a bênção, a satisfação de ser útil, cederam lugar ao aproveitar da oportunidade para desfrutar, possuir, mesmo que desonestamente e até por meios escusos e danosos.

Desse modo, é muito fácil passar do entusiasmo de um empreendimento ou de um plano ao desencanto, porque se espera mais do outro, do parceiro do que da própria capacidade de oferecer.

* * *

Não te decepciones com os fatos e pessoas dos quais esperavas muito, na expectativa de diferentes ações e reações.

Afligidos por distúrbios íntimos, neste momento de vanglórias, astúcia e deslealdade, também o amor floresce em incontáveis existências que constituem os biótipos do porvir.

Eles já estão chegando, os mensageiros do Evangelho, sem alarde e com abnegação, chamando a atenção pela grandeza dos seus sentimentos, os ideais de grande envergadura que contrastam com as ocorrências nefárias dos enfermos espirituais.

Empunham a arma do bem em vez da arma de agressão, possuem espírito de persuasão e são nobres sob quaisquer aspectos considerados.

Desde a infância demonstram serem diferentes na estrutura moral e psíquica, optando por valores que os aturdidos agridem, mas que são as bases da harmonia interior e da existência feliz.

Outros parecem vencidos ou fora desta realidade de desperdício e de ultrajes, no entanto, estão despertos para realidades mais significativas com as quais se identificam e lutam pela sua implantação.

Assim, continua aspirando o melhor, e se por acaso a resposta da vida é negativa, tem paciência, porque ainda não é este o momento do êxito, ainda faltam ser expungidos muitos venenos que permanecem nas mentes e sentimentos de ódio, derivados do orgulho ferido, que a dor não alcançou, mas que não será evitado. O tempo é um grande amigo da verdade. Tudo quanto não se consegue em um momento, quando menos se espera, acontece,

Crê sinceramente na vitória do amor, esse hálito de vida que tudo sustenta, e dá-lhe ocasião para que conquiste a área perversa que o aguarda.

Assim, busca a tua alma no labirinto do teu corpo e sonha que virão os dias que anelas e as pessoas que concebes nos seus dignificantes programas traçados pelo Alto.

Neste momento, evita a contaminação do mal, dos céticos e cínicos que desdenham da vida e temem a morte, de que não escaparão, satisfazendo-te com as conquistas que te pertencem.

Como pensas e ages em favor da assepsia do corpo, não postergues a da natureza psicológica, cuidando além do visível e preparando-te para alcançar as estrelas além da tua visão.

Desde que te enganaste em relação ao que está acontecendo, muitos existem que te estão utilizando como paradigma e não tens o direito de decepcioná-los também.

Na tua condição de modelo, deves permanecer irretocável quando outros já não o consigam. Os que te amam e confiam esperam alcançar-te, enquanto laboras por unir-te a Jesus.

Mudanças físicas, emocionais, sociais e sobretudo morais estão acontecendo e a ti cabe a tarefa de adaptar-te como os teus ancestrais em os novos tempos da industrialização.

O ser humano tem realizado incomparáveis conquistas, caminhando agora para a iluminação interior.

* * *

Olha em tua volta com lentes que apresentem as paisagens abençoadas que estão sendo organizadas para o futuro.

Pensa em Jesus e Seu amor, recordando o que Ele afirmou: Antes que vós fôsseis eu já era, equivalendo assinalar que tudo isso Ele sabia que iria acontecer. No entanto, não desanimou, não se frustrou e continua ajudando-nos até hoje.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 8.3.2021, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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