O Cego que Jesus não Curou

Sidney Fernandes

Um pobre cego vivia na cidade de Betânia, perto de Jerusalém. Ele era tecelão e, não obstante a bondade de seus patrões, dormia numa árvore, em sua rede, exceto no inverno rigoroso, quando aceitava repousar na casa.

Em certa ocasião, sua audição apurada detectou grande alvoroço, o que lhe fez prenunciar a vinda de um convidado especial. Quando isso acontecia ele já sabia que o Mestre viria visitá-los. Mas, ele não estava entendendo o motivo da grande alegria reinante, pois seu patrão e amigo Lázaro havia morrido.

— Ele voltou, ele voltou… — disse Maria, entusiasmada.

— Eu sei, eu sei. Pressenti a nobre visita — respondeu o cego, pensando que ela estivesse se referindo a Jesus.

— Não, Lázaro voltou à vida.

A partir daí o cego não entendeu mais nada. Justificavam-se agora os gritos de felicidade de Marta e Maria. A emoção maior ainda estava por vir. No momento seguinte, Lázaro veio, abraçou e chorou com o querido cego. Tomou conhecimento de que o Mestre já havia feito isso, entre outras façanhas. Não faltou quem chegasse perto dele e cochichasse ao pé do ouvido, estimulando-o a pedir a Jesus que lhe restituísse a visão.

De repente, o inconfundível perfume, que ele sabia ser de Jesus, inundou o ambiente. Ele costumava mesmo vir até a sua árvore, antes de entrar na casa.

Depois dos cumprimentos afetuosos, em que se chamavam por apelidos carinhosos, Jesus falou com o cego em grego:

— A maioria das coisas que existem ninguém as vê. Não tens a visão, mas consegues sentir sutilmente este invisível. Tu sabes que posso curar-te. Acreditas nisso?

— Claro, Mestre. Posso duvidar de algo algum dia, mas Lázaro, Marta, Marcos e também tua mãe e tantos já me disseram de tuas curas maravilhosas. Até cegos já me interpelaram para que faças o mesmo, que me cures. Mas sinto que tu sabes os motivos por que nunca te roguei isso.

— Quero ouvir de teus lábios — disse Jesus.

— Senhor, durante toda a minha vida fui atormentado por sonhos nos quais sou um grande senhor poderoso. Não sinto orgulho algum do que faço nesses pesadelos. Em todos esses pavorosos sonhos, vejo-me cegando centenas de vítimas. São apenas sonhos ou foi tudo realidade? Por isso, Jesus, acordo todas as vezes convicto de que já fui um desses algozes, já tive outra vida e fui esse senhor cruel. Então, sempre que penso nisso, fico feliz que eu esteja apenas encarando as sombras e a escuridão.

Nesse instante, porque alguém se aproximasse, Jesus voltou a falar em sua língua natal. O cego entendeu porque, discretamente, o Mestre dialogara com ele em grego, em respeito às suas íntimas aflições.

Aquela história estava cheia de confiança na Justiça do Pai, atestando que o cego, ao invés de lastimar sua condição, respeitava a Divina Providência.

Dirigindo-se a ele, Jesus falou, encerrando a conversa:

— Respeito tua decisão. Quando chegar a hora, sabes que é só me avisar.

Emocionado, o cego respondeu:

— Claro, Mestre. Tu sabes a hora mais do que eu.

***

Esta narrativa não é minha e foi retirada do folclore do céu, expressão espirituosamente cunhada por Humberto de Campos (espírito), em seu livro Boa Nova, para denominar o folclore oriundo dos planos espirituais.

Ela me faz lembrar episódio semelhante ocorrido com Chico Xavier, que em certa ocasião dispensou, educadamente, cirurgia que lhe foi oferecida por José Arigó, e que seria realizada pelo espírito Dr. Fritz.  Chico alegou que seu mal era cármico e que ele ainda não estava preparado para a cura. Bem-humorado, explicou que, se lhe fosse suprimida aquela deficiência, ela poderia reaparecer em outra parte do organismo.

Naturalmente, poucos de nós estaríamos revestidos da nobreza de caracteres e do alto nível espiritual, tanto do cego da nossa narrativa, como de Chico Xavier. Da minha parte, é provável que abraçasse qualquer possibilidade de cura sem pestanejar.

Fica aqui, contudo, o registro da grandiosidade das almas desses dois personagens, cujo exercício do livre-arbítrio merece a nossa reflexão.

Sidney Fernandes

Fonte: O Cego que Jesus não Curou – Associação Espírita Allan Kardec (kardecriopreto.com.br)

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ABORTO E LIVRE-ARBÍTRIO

O Aborto Pode ser Considerado Livre-arbítrio?Médicos fazem laqueadura em mulher grávida - Geledés

Fernanda Oliveira

“Há, sim, a inconsciência prodigiosa
Que guarda pequeninas ocorrências.
De todas as vividas existências
Do Espírito que sofre, luta e goza.
Ela é a registradora misteriosa
Do subjetivismo das essências,
Consciência de todas as consciências,
Fora de toda a sensação nervosa.
Câmara da memória independente,
Arquiva tudo rigorosamente
Sem massas cerebrais organizadas,
Que o neurônio oblitera por momentos,
Mas que é o conjunto dos conhecimentos
Das nossas vidas estratificadas” – Augusto dos Anjos

 

O livre-arbítrio é a capacidade que o ser humano tem de determinar a própria conduta, porque pode pensar e agir. Todos os seres possuem aptidão para progredir em virtude da sua liberdade de escolha, e cada um responde pelas conseqüências diretas e naturais dessas escolhas. O direito natural de liberdade está atrelado ao de responsabilidade, ou seja, quanto mais livre é o indivíduo, mais responsável ele deve ser. A responsabilidade produz o amadurecimento do ser ao longo das experiências vividas nos planos material e Espiritual.

A liberdade nos é concedida para que possamos ter uma visão mais lúcida de nós mesmos e das demais pessoas, de forma a discernir que papel devemos exercer na sociedade, quais são os nossos limites e possibilidades. Segundo Leon Denis no livro O Problema do ser, do destino e da dor:

O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência. Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão. (DENIS, 2005).

Todo Espírito encarnado ou desencarnado possui capacidade e aptidão para o exercício de diferentes atos; cada um tem a faculdade de escolher livremente a sua dinâmica de vida. Vidas são feitas de tempo, cada direção tomada é escolhida com base em algum conhecimento. Somos livres para seguir nossos valores e intuição e apostar no que o coração indica.

Segundo a definição do Dicionário Online de Português (ABORTO, 2021), aborto é a interrupção voluntária ou provocada de uma gravidez; o próprio feto expelido ou retirado antes do tempo normal; feticídio; interrupção intencional da gravidez da qual resulta a morte do feto. O aborto é um tema complexo que, muitas vezes, passa por crivos morais, ideológicos e religiosos e em muitos casos não é recebido pela ótica da saúde pública. É cercado de acusações íntimas, tornando-se um assunto difícil e delicado, com muitas nuances, divergências e discordâncias.

A cultura funciona para preservar e dar continuidade a um povo, é feita pelas pessoas e está sempre em transformação. A Revolução Agrícola modificou a forma de ser e viver dos indivíduos. Deixamos de ser nômades, sem habitação fixa e mudando sempre para sermos sedentários com residência fixa e cultivo dos próprios alimentos. A partir desse sedentarismo, construímos relações mais efetivas e afetivas com os nossos semelhantes, e a partir daí surge a família e as funções referentes aos papéis desempenhados dentro dela.

Quando o ser humano é reduzido a determinado papel retiramos a sua humanidade e o transformamos em objeto. Desde cedo as meninas são ensinadas a serem mães, divulgam uma idéia romântica e irreal da maternidade, mas toda mãe é um ser humano, um Espírito imperfeito em busca de evolução, e não alguém com superpoderes ou amor incondicional e infinito. A vida é feita de escolhas diárias, não precisamos problematizar tudo, pois não existe uma regra geral a ser seguida. Cada ser humano é um ser único, incomparável, nem melhor ou pior. Pessoas são diversas. São muitas as imposições criadas em nossa sociedade condicionando a mulher a assumir formas que agradam os outros, precisamos romper com uma visão única. A verdadeira consciência social é aquela que quer para os outros a mesma dignidade que quer para si. Não podemos florear toda gravidez, algumas são fruto de agressão, abusos, ignorância e muita dor. É necessário pensar além do senso comum, mulheres de classe privilegiadas pagam por procedimentos seguros, enquanto mulheres pobres ficam com danos graves à saúde ou morrem. O Ministério da Saúde registra 250 mil internações em decorrência de complicações no aborto.

Quando é mais significativo cativar uma crença, um dogma, um achismo e tornar-se escravo de padrões impostos, do que o respeitar a escolha de um ser humano, demonstramos a perda da capacidade de empatia e compaixão. Fala-se muito em empatia, colocar-se no lugar do outro é uma construção intelectual, moral e ética.

É imperioso superar crenças, dogmas religiosos ou sociais e superstições difundidas ao longo do tempo que terminam por impedir que cada indivíduo desenvolva com seu livre-arbítrio a sua personalidade e as suas competências.

A Justiça Divina se faz pelo tribunal da consciência, dotado de livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o Espírito o construtor de seu destino. Somos julgados por nosso próprio julgamento. Nossos sofrimentos são resultados de nossas condutas errôneas e indevidas no mundo terreno: “a cada um segundo as suas obras.” Deus espera que cada um faça a sua parte de acordo com as suas possibilidades.

O Espiritismo é a doutrina da liberdade de escolhas, da responsabilidade pessoal, da atitude autônoma diante da vida. As dificuldades, tribulações, dores enfrentadas na existência fazem parte de superação do Espírito que busca ganhar o domínio de si mesmo.

Não podemos julgar sem conhecer os fatos envolvidos nas escolhas das outras pessoas; não podemos ter uma opinião absoluta e concreta. Não sabemos como já erramos em outras vivências, a transformação vem no caminhar com erros e acertos, e não estamos aqui para julgar, ofender e humilhar as escolhas alheias.

A Doutrina Espírita elucida que há crime sempre que a lei de Deus é descumprida. Apesar disso, no Livro Dos Espíritos (KARDEC, 2019), acautela-se que se deve sacrificar o ser que ainda não existe e não sacrificar o que já existe, quando a mãe está em risco de vida. Então, o princípio não é absoluto. É preciso respeitar as escolhas, cada indivíduo tem seu próprio caminho. O aborto pode ser um ato imediatista de ignorância e da incapacidade do ser encarnado de pensar e conhecer além de sua experiência e vivência; pode ser uma escolha que sabote um potencial de evolução Espiritual ou moral, comprometendo o próprio desenvolvimento pessoal. Mas é também uma proibição que acaba fazendo com que outras práticas coloquem em risco a vida de mulheres e meninas. As estatísticas dos países onde o aborto é legalizado mostram que o número de abortos diminuiu; quando uma mulher aborta, há a necessidade de uma vida insatisfeita. Pode ser que a mulher optou por essa escolha por não ter acesso a métodos contraceptivos, informação e instrução sobre saúde sexual, que ela tenha sofrido violência ou abuso. Se o aborto é descriminalizado, essa mulher confia nos profissionais de saúde e consegue ter conhecimento para prevenir um segundo aborto. Essa mulher passa ter informação e aprendizado, vira fonte de informação para outras mulheres e para a comunidade onde vive, mudando a cultura local.

A liberdade de escolher é atributo fundamental da alma humana, base de sua moral. O desenvolvimento do livre-arbítrio segue o da inteligência. O saber traz discernimento para as responsabilidades diárias.

Vamos caminhando buscando pautar nossas escolhas na seara do bem, procurando o caminho da paz e do amor.

Fernanda Oliveira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

– ABORTO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/aborto/>. Acesso em: 20 de maio de 2021.

– DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor: os testemunhos, os fatos, as leis. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

– FIGUEIREDO, Paulo Henrique de. Autonomia, a história jamais contada do Espiritismo. São Paulo: Feal, 2019.

– SAMPAIO, Lucas. Nem céu nem inferno – As leis da alma segundo o Espiritismo. São Paulo: Feal, 2020.

– GONÇALVES, Marli. Feminismo no Cotidiano. São Paulo: Editora Contexto, 2019.

– KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Catanduva: Editora Boa Nova, 2005.

– O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019.

– O que é o Espiritismo: noções elementares do mundo invisível, pelas manifestações dos Espíritos. 52. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

– XAVIER, Francisco Cândido. Parnaso de Além-túmulo: poesias mediúnicas. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

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DISTANTE DE DEUS

Oceander Veschi

Quando vamos vivendo por viver, andando porque vemos os outros andarem, fazemos coisas porque todos fazem, e começamos a sentir que os dias passam lentamente, e não tem graça nenhuma, acende-se um alerta:

A tristeza, a melancolia, o complexo de culpa, e falta de ver graça nas coisas e até a depressão começam a se aproximar de nossos sentimentos.

Passamos a viver sem projetar nada, sem cogitar novidades e planejar sonhos e metas.

Em uma época onde a informação é instantânea e os meios de comunicação se focam excessivamente no supérfluo, ficamos facilmente permeados pela informação de que precisamos seguir padrões que a sociedade impõe. E são raríssimos os que conseguem ter um padrão de vida material tido como satisfatório, que tem um corpo físico belo e cheio de saúde, que já alcançaram postos elevados em seu trabalho, com ganhos ótimos.

Neste momento, quando chega a tristeza por não ter ainda conseguido “ter uma vida boa” é que ficamos vulneráveis às influenciações das trevas, que se ligam a nós pelo pensamento, nos fazendo acreditar que somos de fato incompetentes e desprezíveis.

Para atenuar esta possibilidade de forma significativa, precisamos nos aproximar mais de Deus. E como fazer isto?

Amando suas criaturas.

Procurando utilidade no dia a dia, com solicitude, gentileza, paciência, generosidade e trabalho no bem comum. Só aí é que conseguimos nos aproximar do Criador, que é todo perfeição, e quanto mais nos tornamos bons indivíduos, mais passamos a nos parecer com Aquele a quem fomos feitos “à imagem e semelhança”, como nos afirmou nosso Irmão Maior, Jesus Cristo.

Deixaremos a melancolia de dias sem graça pra trás quando nos matricularmos na escola da vida, arregaçando as mangas para colocarmos literalmente a mão na massa. A vida passará a ter mais colorido, mais sentido, nossa saúde física e emocional dará claros sinais de melhora, e encontraremos um sentido para vivermos.

Convoco você, caro irmão, cara irmã, a procurar a verdade que nos libertará. Esta mesma que nos foi ensinada 2000 anos atrás pelo Nazareno, filho de Maria e José, que mesmo tendo evangelizado por apenas 3 dos seus últimos anos aqui na Terra, conseguiu com grande eficácia nos transmitir o verdadeiro sentido da vida eterna, que todos somos possuidores.

Engaje-se em sua crença, aprenda e coloque em prática. Sua vida fará muito sentido, pra sempre…

Oceander Veschi

Fonte:  Kardec Rio Preto

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CONFLITOS HUMANOS

Antônio Carlos Navarro

A agressividade e a violência comportamental são traços da personalidade humana, nos mais diversos graus, resultantes dos resquícios da nossa animalidade ancestral.

Ao atingir a civilização o ser humano viu-se na condição de convivência com um número cada vez maior de outros seres humanos, seus irmãos, mas destituído de valores superiores continuou fazendo uso da lei do mais forte, fundamentada no mais arraigado egoísmo.

Deixando-se levar pelos instintos de conservação e de sobrevivência mantém-se, ainda hoje, longe da realidade espiritual, buscando a segurança íntima no sucesso da conquista material, que ainda defende com ferocidade, e também a posição social que redunda em ganhos imediatos para a personalidade encarnada.

Este comportamento se faz presente, embora passados dois mil anos da implantação da Lei de Amor por Nosso Senhor Jesus Cristo. Alheio a sua condição de espírito imortal, e inconsciente quanto à brevidade da vida física, age como se o poder e as circunstâncias sempre se lhe obedecessem. Ignorante com relação à lei de progresso que rege a vida do espírito ignora também as características pessoais dos seus irmãos em Deus, entendendo que toda divergência em relação aos seus valores trata-se de agressão que precisa ser rebatida, até mesmo a título de educar o oponente.

Decorre então todo tipo de agressão, direta e indireta, verbalmente ou pelas vias de fato, sempre chamando para si a razão e o direito de fazê-lo.

Dos pequenos conflitos do dia a dia, até as guerras que envolvem nações, a motivação é a mesma.

Em O Livro dos Espíritos encontramos esclarecimentos a respeito:

Questão 742 – Qual é a causa que leva o homem à guerra?

– Predominância da natureza selvagem sobre a espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos conhecem apenas o direito do mais forte; é por isso que a guerra é para eles um estado normal. Contudo, à medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque evita as suas causas, e quando é inevitável sabe aliar à sua ação o sentimento de humanidade.

Questão743 – A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?

– Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, todos os povos serão irmãos.

Não só os grandes conflitos que envolvem nações, mas também as pequenas guerras que travamos com o próximo desaparecerão da face da Terra, mais dia menos dia. É questão de tempo. E de esforço pessoal para vencer os desequilíbrios emocionais que abrem portas para o desenrolar das paixões.

O Senhor Jesus nos adverte há quase dois mil anos:

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. (1)

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. (2)

A mansidão será característica imprescindível aos espíritos que permanecerão na Terra na passagem desta para a condição de Planeta de Regeneração, e por “mansos” entende-se também pacíficos, que conscientes da responsabilidade pessoal em relação aos talentos adquiridos, trabalharão para a implantação definitiva da paz entre os homens, que resultará na paz entre os povos e nações.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

(1) Mt 5:5        (2) Mt 5:9

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DO MONOIDEÍSMO À CONDIÇÃO OVOIDE

Antônio Carlos Navarro

O dinamismo da vida, em seu conjunto, por si só atesta a evolução a que estamos vinculados.

Dos três princípios, Deus, Espírito e Matéria, o Espírito é o Ente destinado a evoluir a partir da simplicidade e ignorância inicial.

Desse ponto em diante busca, por fatalismo Divino, o estado de perfeição relativa que lhe permitirá a percepção da realidade última e, em consequência, a percepção da felicidade imperturbável.

Observa-se, no entanto, que no limiar entre a animalidade e a humanidade, em faixa que sobrepõe um e outro, estagia o Ente Espiritual em período de aprendizado e desenvolvimento a partir da fala, em paralelo com o desenvolvimento do pensamento rumo ao contínuo uso da sua “Casa Mental”.

Uns se desenvolvem mais rapidamente, conquanto, aos olhos menos avisados possa parecer privilégio, enquanto outros, por força da própria percepção da realidade, optam por demorar-se na trajetória evolutiva.

A capacidade intelectiva é própria do Ser Espiritual, que se dilata a medida em que experiencia a vida, seja encarnado, seja desencarnado. Optando-se por se manter estacionário, quem sabe por orgulho e vaidade, quem sabe por comodismo, a ausência da busca por novos patamares conscienciais através do desenvolvimento intelectivo ou emocional-sentimental engendrará o recrudescimento das energias dinâmicas e por isso mesmo criadoras, e tenderão a se sujeitarem a uma força centrípeta que se implantará revertendo o processo de expansão consciencial e, em consequência, da constituição perispiritual, que por sua vez está sujeita ao comando mental do Espírito.

Uma vez implantado o movimento de “fora para dentro”, com muita dificuldade se livrará o Ser Espiritual de suas consequências.

A princípio encolherá os membros ao encontro do tronco, e chegando a esse, o embotamento continua levando as moléculas que o compõem a diminuírem os espaços moleculares criando uma sinergia que acelerará o movimento agora rotacional, criando a aparência ovoide, chegando ao ápice quando todos os componentes da estrutura perispiritual confundam-se em um único ser de formato ovoide.

Para esses casos, o tempo, sempre o tempo, será medida imprescindível para a regularização da forma original.

Tratamentos vibracionais no Plano Espiritual, aproximação com encarnados habilitados poderão trazer algum benefício em maior ou menor grau, no entanto, somente através da tentativa reencarnatória é que se conseguirá sucesso na corrigenda da situação.

Muitas vezes diversas tentativas são necessárias, porque o Ser, nessas condições e de moto próprio, está impregnado de sentimentos contrários à dinâmica da vida.

A medida que experimenta a conjunção com o óvulo fecundado, sujeita-se ao comando mecânico da estrutura do material genético humano, que por sua vez forçará o elastecimento da organização perispiritual.

A Teratologia apresenta casos impressionantes, nem sempre resultado do suicídio espetacular, mas também dos processos ovoides resultantes da inercia existencial.

A fuga do crescer resulta em trabalho extraordinário no caminho evolutivo.

Também observar-se-á a introjeção, em força também centrípeta, levando o corpo físico, em período recém nato, ao recrudescimento que o tornará próximo de imagem animalizada.

Dessa forma todo esforço deve ser feito para que se progrida, evidentemente priorizando os valores nobres da vida, para que se não se exponha a riscos desnecessários e se alcance novas fases existenciais cada vez mais ricas de oportunidades e possibilidades de sucesso.

A cada um segundo suas obras, diz a Lei Divina e, por isso, ninguém passa por aquilo que não projetou, consciente ou não, para si mesmo.

De nossa parte o dever de socorrer e amar esses seres, para que, mais rapidamente possível possam experimentar o alívio e busquem, por si mesmos, a recuperação necessária.

É o que gostaríamos que nos fosse feito se no lugar deles estivéssemos.

A dinâmica da vida é o Amor, e o Amor é o sentimento no seu ponto mais alto, ensina-nos o Consolador prometido, por isso, não só ao próximo devemos amar, mas também a nós mesmos, criando, com inteligência e boa vontade, o campo de progresso para nós mesmos trilharmos.

Muita paz.

Psicografia em Reunião Mediúnica no CEFCX – Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, na noite de 20/08/2018, pelo Espírito João, Médium Antonio Carlos Navarro.

Antônio Carlos Navarro*

*Estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto – SP

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

Nota do Editor:

Imagem em destaque obtida em <https://slideplayer.com.br/slide/3106657/> alusiva à capítulo do livro Libertação, André Luiz, Psicografia de Chico Xavier. Acesso em 26/Ago/2018.

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A FORÇA QUE EXISTE EM NÓS

Adriana Machado

A Humanidade não tem conhecimento do poder que o pensamento possuiu.

Por isso, em razão de não darmos o devido valor ao seu potencial, construímos tantas doenças em nós. Pelo pensamento equivocado, trazemos para nós o desconforto, as tristezas, as angústias, as insatisfações que provocam o desequilíbrio orgânico que causam as doenças físicas.

Nós somos filhos do Pai Criador e temos em nós o Seu DNA que nos dá a capacidade de construirmos o que quisermos no nosso mundo interior e ao redor de nós.

Então, imaginem o que fazemos quando estamos fixados em algo que nos é danoso? Podemos criar e ter que vivenciar nossas criações em razão de não termos prestado a atenção devida aos nossos desejos.

Quando os nossos sonhos não são alcançados, devemos buscar entender o que está acontecendo. Será que não é a vida nos dando sinal que aquilo, por melhor que pareça, não nos seria útil e positivo? Será que não somos nós mesmos, em nossa essência, nos dizendo que se conquistarmos tal meta, nos perderíamos indubitavelmente em nossas mazelas seculares?

Por isso, precisamos ter cuidado com o que desejamos, almejamos e pensamos sobre o que seria a nossa mais pura alegria, porque tudo isso tem força construtiva e, ao agirmos para alcançá-la, estaremos formatando as pontes até os nossos objetivos bons ou não tão bons.

Em razão de nosso livre arbítrio e pela necessidade de aprendizado que cada um de nós possuiu, somos respeitados para que atinjamos alguns de nossos sonhos menos danosos, para que o nosso caminhar se faça e o melhor entendimento seja alcançado. Sendo assim, a responsabilidade de vivenciarmos os resultados destas conquistas é toda nossa.

Portanto, é importante analisarmos até que ponto devemos insistir em atingir algo que escorrega pelos nossos dedos toda vez que tentamos agarrá-lo.

Entendam que não estou aqui dizendo que não devemos ser persistentes. Estou dizendo que é possível para nós termos a percepção do “até que ponto” devemos agir e “até que ponto” devemos transformar esses sonhos em outros, pois a própria vida nos dará parâmetros de nossa capacidade para abraçarmos as consequências de nossas conquistas.

Aí está o nosso lado positivo para o enfrentamento das experiências da vida. Sermos maleáveis ao bom entendimento do que seria o melhor para nós também demonstra o quanto estamos amadurecendo diante de nossos próprios valores.

Lembremos que, se o pensamento é força, podemos agir para atingirmos aquilo que muito almejamos, mas, sempre atribuindo ao Pai a condução de nossas metas porque Ele sabe o que é importante para o nosso viver.

Assim, após os nossos melhores esforços, se não atingirmos a sua concretização, teremos a certeza de que “não era para ser”. Mais fortalecidos nos sentiremos porque teremos a sensação do livramento de circunstâncias menos favoráveis a nós e porque nada nos foi tirado, mas sim evitado.

Para vivermos em harmonia e paz, precisamos cultivar os pensamentos positivos para que não intoxiquemos o nosso templo físico com os vícios inerentes às nossas paixões.

Assim, não poluiremos o nosso mundo com incertezas que enfraquecerão quem somos, que enfraquecerão a nossa fé em Deus.

Os tesouros da alma não se resumem naquilo que nos satisfaz o prazer momentâneo da carne, mas sim os que nos elevarão à paz, à felicidade mais pura.

Sejamos positivos sempre porque estaremos, assim, construindo a nossa própria felicidade.

Adriana Machado

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TÉDIO NO LAR

Emmanuel

Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio?

Não compreendes então que isso constitui uma punição, se bem que passageira? Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material.

Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela é que poderá apreciá-la.

Tanto assim que, em muitas uniões, que a princípio parecem destinadas a nunca ser simpáticas, acabam os que as constituíram, depois de se haverem estudado bem e de bem se conhecerem, por votar-se, reciprocamente, duradouro e terno amor, porque assente na estima! Cumpre não se esqueça de que é o Espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.

“Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça”.

Seja qual seja o motivo em que o tédio se fundamente, recorram os companheiros imanizados em mútua associação no lar ao apoio recíproco mais profundo e mais intensivo. Com isso, estarão em justa defesa da harmonia íntima, sem castigarem o próprio corpo. E reeducar-se-ão, sem hostilizar os que, porventura, lhes demonstrem afeto, mas acolhendo-os, não mais na condição de cúmplices das aventuras deprimentes, a que se renderam outrora, e sim por irmãos queridos, com quem podemos fundir-nos, em espírito, no mais alto amor espiritual.

Emmanuel

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Livro: Vida e Sexo – 13

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CORPO SOMÁTICO

Joanna de Ângelis

CONCEITO

Genericamente, corpo é toda e qualquer quantidade de matéria, limitada, que impressiona os sentidos físicos, expressando-se em volume, peso…

Aglutinação de moléculas – orgânicas ou inorgânicas – que modelam formas animadas ou não, ao impulso de princípios vitais, anímicos e espirituais. Estágio físico por onde transita o elemento anímico na longa jornada em que colima a perfeição, na qualidade de espírito puro…

O corpo humano, em razão de mutações, transformações, adaptações, condicionamentos filogenéticos e mesológicos, serve de domicílio temporário ao espírito que, através dele, adquire experiências, aprimora aquisições, repara erros, sublima aspirações.

Alto empréstimo divino, é o instrumento da evolução espiritual na Terra, cujas condições próprias para as suas necessidades fazem que a pouco e pouco abandone as construções grosseiras e se sutilize, conseguindo plasmar futuros contornos e funções futuras, mediante o comportamento a que vai se submetendo no suceder dos tempos.

Por enquanto, serve também de laboratório de experiências pelas quais os Construtores da Vida, há milénios, vêm desenvolvendo possibilidades superiores para culminarem em conjunto ainda mais aprimorado e sadio.

Formado por trilhões e trilhões de células de variada constituição, apresenta-se como o mais fantástico equipamento de que o homem tem notícia, graças à perfeição dos seus múltiplos órgãos e engrenagens, alguns dos quais, auto-suficientes, como o aparelho circulatório, que elabora até mesmo o de que se faz preciso para o seu funcionamento e produtividade.

Atendido por notáveis complexos elétricos e eletrônicos, é capaz de se auto-reparar, dispondo dos mais perfeitos arquivos de microfotografia, nos centros da memória, que, se pudessem ser equiparados a uma construção com as atuais técnicas de miniaturização com que se elaboram os computadores, esses departamentos mnemónicos ocupariam uma área de aproximadamente 160.000 quilómetros cúbicos, tão-somente para os bilhões de informações de uma única reencarnação… Ele pode, no entanto, mediante o perispírito que lhe vitaliza muitas evocações, reter e traduzir programações referentes a incontáveis jornadas pretéritas do Espírito em ascensão para Deus.

Aparelhado para as diversas atividades que se lhe fazem mister, dispõe do quanto lhe é imprescindível para as transformações e renovações que o mantêm com equipagem em funcionamento harmônico.

Qualquer ultraje que sofra se lhe imprime por processos muito sutis, incorporando-o aos tecidos constitutivos da sua eficiência em gravames e ofensas que o transtornam, como cobrador honesto junto ao condutor leviano que o dirige em regime inadiável de urgência…

A sua valorização através das aspirações nobres vitaliza-o e equilibra-o com imperceptíveis melhoramentos que o mantêm e sustentam.

No conjunto endocrínico, por exemplo, sincroniza os mais perfeitos sistemas de elaboração de hormônios de que se tem conhecimento.

O cérebro – ainda por desbravar – só paulatinamente vai sendo utilizado, dispondo de áreas ainda não acionadas, que são reservas formidandas para o futuro do homem…

Preciosas redes de capilares, microscópicos, colocados nas junções das artérias e das veias são deslumbrantes implementos de integração perfeita, realizando a sustentação das células, ajudando a eliminação dos tóxicos e sustentando os diversos departamentos vitais com o oxigénio salutar. Não obstante a sua insignificância aparente, são peças porosas que facultam ao oxigénio penetrá-los num sentido, enquanto por outro eliminam os produtos colaterais nitrogenados do metabolismo proteínico, culminando pelo preciosismo com que deixa passar uma substância aquosa que renova o banho líquido de que se nutrem as células, graças ao qual sobrevivem e se multiplicam…

Os departamentos dos sentidos, em câmaras excepcionais, recebem, traduzem e respondem todas as mensagens que lhes chegam, com a velocidade do pensamento, catalogando e descrevendo informações novas com que enriquece o patrimônio das suas aquisições. Mesmo quando, conscientemente, a memória não procede aos registros ou os sentidos parecem não os captar, a maquinaria sublime os anota e transfere para o subconsciente, que os armazena em depósitos especiais, dotados da capacidade de trazê-los de volta, oportunamente, ao celeiro da consciência atual sob estímulos próprios… Preservá-lo é mais do que dever – significa elevado compromisso de que ninguém se liberará levianamente ante a própria e a Consciência Cósmica, que tudo rege e conduz com suprema sabedoria e perfeição.

HISTÓRICO

Modernos biólogos e geneticistas fascinados com as conquistas do engenho atual, diante do corpo, sugerem, precipitados uns, levianos outros, alterações singulares e sonham com as possibilidades de poderem intervir, a golpe de audácia, na sua estrutura, interferindo no processo genético, por meios artificiais, em busca de resultados surpreendentes… Interpretando erradamente o conceito do Cristo de que somos deuses, pretende o homem, que crê, brincar de divindade, ele que, brincando, fomenta a guerra, a destruição, o egoísmo, por ainda não saber, sequer, brincar como homem. Os não crentes se refugiam na negação e propõem aventuras.

Difícil uma análise histórica, em síntese sobre o homem, um exame da sua organização somática pelos milénios incontáveis, desde as formas primárias em que a vida se manifestou no Orbe quando os “fascículos de luz” da Divindade começaram a adensar-se nas manifestações iniciais da matéria viva…

O naturalista honesto, no entanto, fixado à complexa documentação paleontológica, embriológica, como a da Anatomia Comparada, apresenta o lémure como o mais velho espécime conhecido, dentre os símios, do qual surgiu o platirrino, e, posteriormente, o catarrino que, em se bifurcando, deu origem ao antropopiteco, o erectus, que serviu de tronco ao ramo de que nasce o homem.

Antes, porém, distintas raças serviram de moldes ascendentes para a formação paulatina da organização do Homo sapiens. Foram elas as de Grimaldi (demonstrada através de dois esqueletos negróides, que foram descobertos na Riviera Italiana, próximo a Grimaldi); as do Cro-Magnon (quando encontraram os ossos de quatro homens, dolicocéfalos, com expressiva estatura, que teriam habitado grande parte da Europa. Esse achado ocorreu no ano de 1868, na Dordonha, próximo a Eyzies, na França); e as de Chancelade (consideradas como do período Magdaleniano, que teria dado origem aos esquimós).

Não obstante os antropólogos divergirem entre si, apresentando novos grupos e subgrupos em que sustentam as teorias esposadas, são aquelas as melhormente aceitas pela generalidade dos estudiosos do assunto.

Em 1950 Mayr sugeriu uma nova classificação para os hominídeos fósseis, simplificando, assim, as anteriores num único Homo, que se distribuiu em 3 classes: transvaalensis, erectus e sapiens, facultando novas pesquisas e valiosas anotações corroboradoras.

De Lineu, a Cuvier, a Blumenbach, as classificações se estereotiparam, cabendo ao sábio de Gõttingen, baseado na Antropologia Física, poder oferecer maior contribuição ao pensamento moderno, especialmente através dos estudos craniológicos, a que empregou seus melhores esforços…

Simultaneamente, desde os primórdios do pensamento filosófico, o problema da evolução mereceu as mais expressivas contribuições. Com Heráclito, firmou-se o conceito dialético do Mundo, inspirado na filosofia grega, que tudo reduzia a incessantes transformações, mediante as quais as espécies vivas eram mutáveis. Lucrécio, ao apresentar o seu De Natura Rerum descreveu poeticamente a Natureza e se tornou o precursor legítimo do Darwinismo, por meio da “seleção natural” e da “luta pela vida”. Mais tarde, Buffon afirmou os princípios evolucionistas em oposição ao fiocismo criacionista, facultando a Lamarck estabelecer a teoria dos seres vivos, donde se originou o Transformismo. Darwin, porém, culminou as pesquisas, já iniciadas, tornando-se o grande sistematizador e legítimo expositor da “concepção transformista da Natureza”.

Hegel, simultaneamente, estabeleceu uma dialética concorde com tais princípios, em bases idealistas, cabendo a Spencer uma visão mais ampla da evolução, que definiu como sendo “Uma integração da matéria e uma dissipação concomitante do movimento, durante a qual a matéria passa de uma homogeneidade indefinida e incoerente a uma heterogeneidade definida e coerente, sofrendo, ao mesmo tempo, o movimento mantido e uma transformação paralela”.

O pensamento hegeliano sustentou a teoria do materialismo dialético, então vigente. Logo depois, a teoria mutacionista propôs conceitos por meio dos quais as mutações, que seriam rápidas transformações, se fariam transmitir por hereditariedade, nunca, porém, provocadas pela ação mesológica, assim podendo facilitar, promover ou impedir as mesmas mutações, fazendo surgir, então, novos caracteres e ensejando a “seleção natural” darwiniana, na qual alguns caracteres sobreviveriam, enquanto outros desapareceriam. Os favoráveis à sobrevivência da espécie seriam, então, mantidos pela hereditariedade…

Indubitavelmente que os conceitos evolucionistas não podem hoje ser negados, graças à monumental comprovação da Ciência atual, nos vários campos em que se expressa.

Merece examinar, porém, que ao princípio espiritual, nas sucessivas reencarnações, se deve a transmissão às formas mais grosseiras, das necessidades psíquicas, que impõem o surgimento de órgãos e caracteres novos a se transmitirem por hereditariedade e se fixarem, prosseguindo o processus evolutivo incessantemente.

A princípio, o Espírito se encontrava em atrasada expressão, utilizando-se da forma símio em transição para fixar-lhe implementos novos, desde que a função precede o órgão e aquela procede do Espírito, que modela as formas próprias, de que precisa para crescer e produzir experiências não conhecidas.

À medida que as formas se aprimoravam, Espíritos mais bem credenciados impuseram-lhe atributos outros que constituíram, através dos milénios múltiplos e sucessivos, o corpo que hoje ainda serve de temporária morada para as edificações das futuras formas, com que a Humanidade progredirá no porvir, sob condições mais felizes, seguras e harmônicas.

Ao Espírito, que é o ser, se devem as exteriorizações somáticas que constituem o não ser.

CONCLUSÃO

Vasilhame sublime, é o corpo humano o depositário das esperanças e o veículo de bênçãos, que não pode ser desconsiderado levianamente.

Seja cárcere sombrio – na limitação em que retém o Espírito déspota, que dele se vale para a expiação; seja conjunto harmónico de formas – na distinção de traços com que faculta o aproveitamento das oportunidades; seja grabato de meditação – nas constrições paralíticas em que impõe profundas reflexões morais; seja cela de alucinação – nos desvarios da mente ultrajada; seja celeiro de sabedoria – no qual se edificam os monumentos da Cultura, da Arte, do Pensamento, da Ciência, da Fé, do Amor -, é sempre o santuário de recolhimento que o Excelso Criador nos concede, a fim de galgarmos os degraus da escada ascensional, desde as baixadas primeiras aos esplendores espirituais que nos estão destinados. Amá-lo, preservá-lo e utilizá-lo com nobreza é a tarefa que nos cabe desempenhar incessantemente, sem cansaço, para o próprio bem.

ESTUDO E MEDITAÇÃO

“O homem surgiu em muitos pontos do globo?”

“Sim e em épocas várias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram”

  1. a) Estas diferenças constituem espécies distintas?

“Certamente que não; todos são da mesma família. Porventura as múltiplas variedades de um mesmo fruto são motivo para que elas deixem de formar uma só espécie?”.

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 53).

“Admitida essa hipótese, pode dizer-se que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto. Melhorados, os corpos, pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto. Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie, e o Espírito humano procriou corpos de homem, variantes do primeiro molde em que ele se meteu. O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco”.

(A Génese, Allan Kardec, cap. XI, item 16.).

Joanna de Ângelis

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Estudos Espíritas – 5

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A FÉ RACIONAL

Crer Ou Saber?

Guaraci Silveira

Queremos encontrar meios que nos leve de fato a um perfeito relacionamento com o nosso Criador. A fé é um instrumento que nos interliga a Ele. Mas, há que encontrarmos um caminho válido e, de preferência sem intermediários.

Jesus nos aconselhou entrarmos no silêncio dos nossos quartos e orarmos, buscando essa interligação. Immanuel Kant, filósofo do Século XVIII, nos indica: “a liberdade da vontade, a imortalidade da alma e a existência de Deus”. Três fatores de grande importância para que alcancemos uma melhor identificação com a fé raciocinada, ínsita no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIX. Emmanuel nos diz que: “Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer eu creio, mas afirmar eu sei, com todos os valores da razão, tocados pela luz do sentimento.”

Importante sempre nos lembrarmos de que estamos num extraordinário ciclo evolutivo. Saídos de Deus, encontramo-nos nos primeiros processos de aprendizagem para que um dia possamos adentrar os planos superiores da Criação. Para tanto, dúvidas, dogmas e fanatismos não corroboram com a busca pertinaz e inteligente de uma ligação permanente com o Pai e Criador. Quando Kant propõe a liberdade da vontade ele nos indica que a razão tem como corolário a vontade. Leon Denis nos informa que a vontade é a maior potência da alma. Com ela buscamos os fundamentos da vida como a imortalidade da alma, também proposto por Kant. Ora, sendo imortais, todos os nossos atos devem ser direcionados para a busca de uma melhor adequação a essa imortalidade. Não vale fazer para ver no que dá. É necessário racionalizar nossos desejos transformando-os em vontade equilibrada e saudável. A existência de Deus “… Só pode encontrar-se na razão”, como nos diz Paulo Figueiredo em seu livro: Revolução Espírita. Os que ficam para trás, um dia terão que entender e seguir, pois não vale a estagnação. Tudo é progresso como nos informa o Livro dos Espíritos, Q. 781.

É necessário buscarmos a fé racional. Somente ela nos permitirá resolver grandes questões que jazem em nossos arquivos do inconsciente. Quantas vezes esses arquivos nos perturbam não nos deixando ver a realidade, enxergar o belo, aprimorando-se para o bom. Naquele passado histórico quando alguém propunha e todos faziam sem os devidos questionamentos não fomos eficazes e tampouco felizes. A liberdade de pensar é apanágio para a liberdade de crescer em paz para Deus. Houve um tempo em que as chamas crepitaram em praças públicas na tentativa de calar os defensores dessa liberdade. Agora estamos num outro momento em que o pensar significa agir e o bom pensar é, portanto, a ação ideal que consolida a liberdade para agir de forma correta porque refletida.

Immanuel Kant define a liberdade de pensamento como “fundamental para o estabelecimento da religião natural, ao permitir o exercício da fé racional”. Eis aí um bom caminho. A Doutrina Espírita é toda pautada nesta fé racional porque ela propõe um debate aberto sobre tudo o que já consideramos como verdade. Partindo dos axiomas que são premissas consideradas necessariamente evidentes e verdadeiras, caminhamos para a abertura de novas evidências, pois assim Allan Kardec agiu e nos indica a fazer. É um andar consciente, perscrutativo, consolidado na certeza de que o Universo é uma mansão a ser explorada de forma tranquila e elegante.

Deus não pune, não é vingativo e nem raivoso. É justo e dá a cada um segundo suas obras. Todo o caminhar de Jesus na face do mundo foi uma demonstração de total confiança em si e no Pai. Esta deve ser a lição para o nosso agir. Jesus é o Mestre, que sejamos, pois, seus leais discípulos.

Guaraci Silveira

Fonte:  Instituto Benificente Chico Xavier

 Bibliografia:

Livro Revolução Espírita de Paulo Figueiredo 3.4

O Livro dos Espíritos – Leis Morais – Lei do Progresso

Livro O Consolador Pergunta 354

Livro: O Problema do Ser do Destino e da Dor – Terceira Parte – XX

Evangelho de Mateus 16:27

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A FLOR E O ESPINHO

Richard Simonetti

Medições precisas demonstram que a Terra tem perto de quatro bilhões e quinhentos milhões de anos. Imaginemos a história de nosso planeta contada num livro de quinhentas páginas. O ser humano surgiria na derradeira linha da última página. A última letra da palavra final conteria toda a Civilização Ocidental.

Segundo Darwin, a evolução dos seres vivos se processa por seleção natural. Indivíduos de uma mesma espécie conseguem adaptar-se a determinada situação, a partir de sutis modificações em sua estrutura, dando origem a mutações que resultam em novas espécies. Processo lento. Demanda milhões de anos.

A Doutrina Espírita admite a seleção natural, mas com reparo fundamental: Nada é aleatório. Há um planejamento feito por Espíritos Superiores, prepostos divinos.

Nosso corpo físico, que causa espanto aos cientistas por sua perfeição, levou milhões de anos para ser aprimorado pelos técnicos espirituais, que trabalham na intimidade das células, direcionando as mutações. Tudo isso implica em organização, marcada por uma hierarquia.

No topo a figura extraordinária de Jesus, que segundo informa Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, não foi simplesmente o fundador de uma religião. Muito mais que isso – é nosso governador!

Alunos do educandário terrestre, temos recebido a visita de muitos professores, cultos e sensíveis, que periodicamente nos trazem algo de seus conhecimentos, de suas virtudes. Sócrates, Platão, Aristóteles, Confúcio, Buda, Lao-tsé, Moisés, Isaías e Francisco de Assis, são alguns deles.

E houve a revelação maior, tão grandiosa, tão transcendente, que o próprio governador decidiu trazê-la pessoalmente. Foi assim que Jesus aportou no planeta com a divina revelação do Amor.

A palavra amor, embora empregada e decantada hoje mais do que nunca, está repleta de conotações infelizes que a desgastam.

Muitos confundem amor com sexo, ignorando a lição elementar de que o sexo é apenas parte do amor e não a mais importante.

Há os que fazem do amor um exercício de exclusivismo, sufocando o ser amado com exigências descabidas.

Há os que amam como quem aprecia um doce. Gostam dele porque satisfaz o paladar… Assim, cansam-se logo de amar, porque estão saciados ou empolgados por novos sabores.

Há os que fazem do amor um exercício de egoísmo a dois, pretendendo construir um céu particular. Dane-se o resto.

O amor é muito mais que isso! Em sua grandeza essencial, o amor é um exercício de fraternidade e solidariedade entre os homens, inspirando a derrubada das barreiras de nacionalidade, raça e crença, para que sejamos na Terra uma grande família.

Foi para nos transmitir essa revelação gloriosa, esse tipo de amor, que Jesus esteve entre nós, não desdenhando lutas e sacrifícios.

Na questão 625, de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:

Qual o modelo supremo que Deus ofereceu ao Homem para lhe servir de guia e modelo?

Responde o mentor espiritual que o assiste: Jesus.

E comenta o codificador: Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é expressão mais pura da Lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito divino o animava.

Adeptos de qualquer doutrina religiosa vinculada ao Cristianismo, abençoados os que aceitam Jesus por Mestre, que colocam em prática as suas lições e observam seus exemplos.

Estes vivem sempre bem, felizes, e animados, mesmo em meio às dores e atribulações humanas, porque, como diz Carmem Cinira, psicografia de Francisco Cândido Xavier (Parnaso de Além-Túmulo):

… com o mundo uma flor tem mil espinhos,

Mas com Jesus, um espinho tem mil flores.

Richard Simonetti

Fonte:  Agenda Brasil

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